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04/12 – Santa Bárbara

santa-barbaraSanta Bárbara

Bárbara era uma jovem meiga, inteligente e muito bela. Seu pai Dioscuro era alto funcionário do Imperador, sua mãe chamava-se Irnéria. Ela foi batizada por um discípulo de Orígenes, que morava em Alexandria Egito), o qual, a pedido de Bárbara, viera até sua casa. A partir desse dia, a jovem se comprometeu a servir só ao verdadeiro Deus, nem que isso lhe custasse a vida, pois para ela sua vida pertencia a Jesus por quem sentia o amor maior. O Bispo Zenão soube que Bárbara tinha sido batizada, e deu graças a Deus. A jovem era proibida de sair de casa, sabia dos acontecimentos pelas amigas cristãs: Juliana e Mônica. Dioscuro era muito ciumento e temendo que a beleza de Bárbara atraísse pretendentes que não lhe interessavam, mandou construir uma torre onde deixaria Bárbara trancada quando ele estivesse viajando. Conta a tradição que a torre, projetada por seu pai tinha duas janelas, ao ter conhecimento do fato, pediu ao construtor para que aumentasse para três janela. Assim, ela pensava honrar a Santíssima Trindade o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Quando Dioscuro soube que sua filha tornera-se cristã, ele pela primeira vez agrediu Bárbara dando-lhe uma violenta bofetada. Mas a jovem tentou explicar-lhe: “Nós cristãos, acreditamos que somos todos irmãos; não aceitamos Império baseado na violência e na injustiça”. Ao ouvir essas palavras, Dioscuro enraiveceu-se ainda mais e ordenou que fechassem sua filha na nova torre. Ela devia ficar lá sem se comunicar com ninguém. Neste período sua amiga Mônica foi presa, também o Bispo Zenão dera seu testemunho de fé, sendo martirizado. Alguns dias depois, foram dizer a Dioscuro que sua filha havia favorecido a fuga da amiga Mônica, com o que ficou furioso e resolveu ir até a torre e forçar Bárbara a prestar homenagem ao deus Júpiter. Como Bárbara recusou-se, ficou muito furioso e decidiu matá-la com suas próprias mãos. Mas a parede onde não havia nenhuma porta abriu-se… e a jovem passou por ela, saindo ilesa. Em seguida a porta voltou a se fechar. Dioscuro, vendo-se vencido, ordenou aos soldados que procurassem sua filha por todos os lugares da cidade. Enquanto isso, Bárbara aproveitou para visitar os doentes, as comunidades cristãs nos montes, e ajudava os filhos dos escravos.

Finalmente, o centurião Aleixo e os soldados encontraram Bárbara numa gruta, onde fora levar alimento para alguns doentes. Ela não reagiu a ordem de prisão. Seu pai denunciou-a por ser cristã e levou-a diante dos juízes que a condenaram. Irnéria ao saber do acontecido com a filha, procurou apelar em seu favor junto ao marido, mas Dioscuro não quis voltar atrás… Na prisão, Bárbara foi chicoteada, mas nem o chicote nem a tortura conseguiram diminuir a fé e o amor que Bárbara prometera a Jesus no dias do Batismo e mesmo ferida no corpo, procurava aumentar a força interior através da oração e num certo momento de oração, uma luz descia do alto, iluminando as trevas da prisão. E a voz disse: Bárbara, você esta sofrendo por mim. Vou confundir seus perseguidores, curando suas feridas”. A visão desapareceu, e a jovem percebeu que as feridas de seu corpo haviam desaparecido completamente. Os juízes não se conformaram com aquela cura e tentaram torturá-la pelo fogo. Sua amiga Juliana também fora presa e condenada ao mesmo suplício. Os soldados atearam fogo…Mas Deus interveio novamente; duas mãos que um dia a maldade humana feriu com pregos – numa sexta-feira santa apagaram aquele fogo que o ódio de um pai mandara acender. As duas jovens foram libertadas por Jesus e viram-se libertadas. Mas Dioscuro não se deu por vencido e ordenou aos soldados que levassem Bárbara pelas ruas da cidade e a conduziram debaixo de chicotadas e novamente a presença Divina lhe curou as chagas. Dioscuro, pediu a justiça a condenação de sua filha: “Seja morta à espada, como convém aos membros da nobreza”. E, ao mesmo tempo, pediu permissão para ele mesmo executar a sentença. Incrível decisão! Bárbara e sua amiga Juliana caminharam juntas para o local do martírio. Muitas pessoas seguiram as duas jovem. A espada de Dioscuro levantou-se no ar e atingiu o pescoço de Bárbara que serenamente, entregava a Deus a sua vida, enquanto Juliana curvava a cabeça diante do carrasco. Logo após sua morte, um raio fulminou seu assassino. É por isso que Santa Bárbara é invocada, nas tempestades, contra o raio. Seu culto espalhou-se rapidamente pelo Oriente e pelo Ocidente, inclusive no Brasil. Após a invenção da pólvora de tiro, é Patrona de todos os que manejam esse perigoso elemento.

Santa Bárbara e os outros santos são nossos intercessores junto a Deus. Que eles nos ajudem a sermos cristãos autênticos, capazes de assumir o compromisso de seguir a Cristo, servindo aos nossos irmãos mais necessitados. Amém.

03/12 – São Francisco Xavier

sao-francisco-xavierSão Francisco Xavier

Francisco de Jasu Y Xavier, nasceu no Castelo de Xavier na Espanha no ano 1506, correspondendo as expectativas dos nobres pais. Estudou Letras, laureando-se na prestigiosa universidade parisiense. Teve a felicidade de viver no mesmo quarto da pensão, com Pedro Favre, que como ele se tornará jesuíta e será beatificado, e com outro estudante importante, Inácio de Loyola, tornando-se um dos primeiros jesuítas. Inácio descobrira aquela alma: Coração tão grande e alma tão nobre – disse-lhe – não se satisfazem com efêmeras honras terrenas. A Sua ambição deve ser a glória que dura para sempre”. No dia da Assunção de 1534, na cripta da Igreja de Montmartre, Francisco Xavier, Inácio de Loyola e outros cinco companheiros se consagraram a Deus fazendo voto de absoluta pobreza e decidiram ir à Terra Santa para de lá iniciarem a sua obra missionária, colocando-se para tudo sob a inteira disposição do Papa.

Francisco tomou o caminho de Roma onde colaborou com Inácio de Loyola na redação das Constituições da Companhia de Jesus. A convite do rei de Portugal, foi escolhido missionário e legado pontifício para as colônias portuguesas nas Índias orientais, ele foi o fundador das missões no Oriente, era chamado o Paulo do Oriente. Em dez anos percoreu a Índia, a Málaga, as Molucas e ilhas ainda no estado selvagem: “se não encontrar um barco, irei a nado”, dizia Francisco, e acrescentava: “Se naquelas ilhas existissem minas de ouro, os cristãos lá se precipitariam. Mas não existem senão almas para serem salvas”. E foi, depois de quatro anos para o Japão, onde, em meio a dificuldades imensas, estabeleceu o primeiro núcleo de cristãos, plantando em toda a parte a semente da Palavra de Deus.

Na ilha de San Chao, aguardando uma embarcação que o levasse à China, caiu gravemente enfermo. Com ele estava um jovem chinês que o guiava. Morreu a beira-mar, no dia 03 de Dezembro de 1552 aos 46 anos de idade. Em sua vida missionária administrou o batismo a mais de trinta mil convertidos.

Oremos: Deus nosso Pai, São Francisco Xavier acolheu o vosso chamado a evangelizar anunciando o vosso Reino de amor e de paz aos povos distantes, tornando-se na fé luz para os corações… Pedimos sua intercessão Senhor para que possamos ser missionários e anunciadores da paz, da concórdia, do perdão, da reconciliação, da justiça, da alegria em nossos próprios lares e comunidades…

02/12- Santa Bibiana ou Viviana

santa-bibiana-ou-vivianaSanta Bibiana ou Viviana

Na época em que Roma estava sob o poder o imperador Juliano, “o apóstata”. Aconteceu um dos últimos surtos de perseguição fatal aos cristãos, entre 361 e 363. O tirano que já tinha renegado seu batismo e abandonado a religião, passou a lutar pela extinção completa do cristianismo.

Começou substituindo todos os cristãos que ocupavam empregos civis por pagãos, tentando colocar os primeiros no esquecimento. Mas não parou por aí. Os mais populares e os mais perseverantes eram humilhados, torturados e, por fim, mortos.

No ano 363, a família de Bibiana foi executada na sua presença, porque não renunciou a fé cristã. Flaviano, seu pai morreu com uma marca na testa que o identificava como escravo. Defrosa, sua mãe foi decapitada. Ela e a irmã Demétria, antes, foram levadas para a prisão.

A primeira a morrer foi Demétria que perseverou na fé, após severos suplícios na presença da irmã. Por último foi o martírio de Bibiana, para a qual, conforme a antiga tradição, o governador local usou outra tática. Foi levada a um bordel de luxo para abandonar a religião ou ser prostituída. Mas os homens não conseguiam se aproveitar de sua beleza, pois a um simples toque, eram tomados por um surto de loucura. Bibiana então foi transferida para um asilo de loucos e lá ocorreu o inverso, os doentes eram curados.

Sem renegar Cristo, foi entregue aos carrascos para ser chicoteada até a morte e o corpo jogado aos cães selvagens. Outro prodígio aconteceu nesse instante, esses não o tocaram. Ao contrário, mantiveram uma distância respeitosa, do corpo da mártir. Os seus restos então foram recolhidos pelos demais cristãos, e enterrado ao lado dos familiares, num túmulo construído monte Esquilino, em Roma.

Finalmente a perseguição sangrenta acabou. A história do seu martírio ganhou uma devoção dos fieis. Santa Bibiana passou a ser incovada contra os males de cabeça e as doenças mentais e a epilepsia. O seu túmulo tornou-se meta de peregrinação e o seu bonito nome escolhido na hora do batismo. Também a conhecida variação, não menos bela, de Viviana se tornou popular na cristandade.

A veneração era tão intensa que o Papa Simplício, mandou construir sob sua sepultura uma pequena igreja dedicada à ela, no ano 407. O culto ganhou um reforço maior ainda quando por volta de 1625, foi erguida sob as ruínas da antiga igreja uma basílica. Nela as relíquias de Santa Bibiana se encontram guardadas debaixo do altar-mor.

Além de ser uma das padroeiras da belíssima cidade de Sevilha, na Espanha, Santa Bibiana é também da diocese de Los Angeles, nos Estados Unidos. É celebrada no dia 02 de dezembro considerado o de sua morte pela fé em Cristo.

01/12 – Santo Elói ou Elígio

santo-eloi-ou-eligioSanto Elói ou Elígio

Bispo, escultor, modelista, marceneiro e ourives, Elói ou Elígio foi um artista e religioso completo. Nasceu na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França. Seus pais, de origem franco-italiana, eram modestos camponeses cristãos com princípios rígidos de honestidade e lealdade, transmitidos com eficiência ao filho. Com sabedoria e muito sacrifício, fizeram questão que ele estudasse, pois sua única herança seria uma profissão.

Assim foi que na juventude Elói ingressou na escola de ourives de Limoges, a mais conceituada da Europa da época e respeitada ainda hoje. Ao se formar mestre da profissão já era afamado pela competência, integridade e honestidade. Tinha alma de monge e de artista, fugia dos gastos com jogos e diversões e tudo gastava com os pobres. Levava uma vida austera e de oração meditativa, ganhando o apelidado de “o monge”. Conta-se que sua fama chegou à corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. Ele decidiu contratar Elói para fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade do metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou ambos ao rei. Admirado com a honestidade do artista, ele o convidou para ser guardião e administrador do tesouro real. Assim, ele foi residir na corte, em Paris.

Elói assumiu o cargo e também o de mestre dos ourives do rei. E assim se manteve mesmo depois da morte do soberano. Quando o herdeiro real assumiu o trono como Dagoberto II quis manter Elói na corte como seu colaborador, pois lhe tinha grande estima. Logo o nomeou um de seus conselheiros e embaixador, devido a confiança em suas virtudes.

Ele também realizou obras de arte importantes como o túmulo de Santo Martinho de Tours, o mausoléu de Santo Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Além disso, e acima de tudo Elói era um homem religioso, não lhe faltou inspiração para grandes obras beneméritas e na arte de se dedicar ao próximo, em especial aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia, pelos trabalhos na corte, usava todo para resgatar prisioneiros de guerra, fundar e reconstruir mosteiros masculinos e femininos, igrejas e contribuir com outras tantas obras para o bem estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói então ingressou para a vida religiosa.

Dois anos depois era consagrado Bispo de Noyon, na região de Flandres. Foi uma existência totalmente empenhada na campanha da evangelização e re-evangelização, no norte da França, Holanda e Alemanha. Onde se tornou um dos principais protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor a serviço da Igreja de Cristo.

Durante os últimos dezenove anos de sua vida, Elói evitou o luxo e viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, caridade e mortificação.A região de sua diocese estava entregue ao paganismo e a idolatria. Com as pregações de Elói e suas visitas a todas as paróquias, o povo foi se convertendo até que um dia todos estavam batizados.

Morreu no dia 01 de dezembro de 660, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. A história da sua vida e santidade se espalhou rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo Bispo Aldoeno que escreveu sua biografia.

A Igreja o canonizou e autorizou o seu culto, um dos mais antigos da cristandade. A festa de Santo Elói ou Elígio, padroeiro dos joalheiros e ourives, ocorre na data de sua morte. Entretanto ele é celebrado também como padroeiro dos cuteleiros, ferreiros, ferramenteiros, celeiros, comerciantes de cavalos, carreteiros, cocheiros, garagistas e metalúrgicos.

30/11 – Santo André

santo-andreSanto André

Santo André, era irmão de Simão Pedro e como ele pescador em Cafarnaum, para onde tinham migrado ambos da cidade natal de Betsaida. Jesus demonstra as profissões exercidas pelos doze apóstolos – deu preferência aos pescadores, embora no meio do colégio apostólico os agricultores estivessem representados por Tiago Menor e seu irmão Judas Tadeu, e os comerciantes e homens de negócios estão honrados pela presença de Mateus. Dos doze, o primeiro a ser tirado das tranqüilas e fecundas águas do lago de Tiberíades para receber o título de pescador de homens, foi justamente André, seguido logo de João.

Os dois primeiros chamados haviam já respondido ao apelo do Batista, cujo grito os havia arrancado da pacífica vida do dia-a-dia para prepará-los para a iminente chegada do Messias. Quando o austero profeta lhes indicou Jesus, André e João se aproximaram dele e com emocionante simplicidade limitaram-se a perguntar-lhe: “Onde moras?”, sinal evidente de que em seu coração já haviam feito a escolha. André foi também o primeiro a recrutar novos discípulos para o Mestre: “André encontrou primeiro seu irmão Simão e lhe disse: “Achamos o Messisas”. E o conduziu a Jesus”. Por isso André ocupa um lugar eminente no elenco dos apóstolos: os Evangelistas Mateus e Lucas colocam-no no segundo lugar, logo depois de Pedro.

Santo André a mencionado no Evangelho mais duas vezes, na multiplicação dos pães, quando apresenta o menino com alguns pães de cevada e poucos peixinhos; quando se faz intermediário do desejo dos forasteiros vindos a Jerusalém para serem apresentados a Cristo, e quando com a sua pergunta provoca a predição por Jesus da destruição de Jerusalém. A cabeça de Santo André trazida a Roma em, 1462, foi restituída à Grécia pelo Papa Paulo VI.

A data da festa de Santo André é muito antiga, lembrada a 30 de novembro já por São Gregório Nazianzeno.

29/11 – São Francisco Antônio Fasani e São Saturnino

São Francisco Antônio Fasani

Nascimento 06 de agosto de 1681

Local nascimento Lucera (Itália)

Ordem Franciscana

Local vida Nápoles

Espiritualidade Ainda jovem entrou para o convento de sua cidade. Em 11 de setembro de 1711, foi ordenado sacerdote, recebeu o título acadêmico de mestre em teologia e foi chamado de “Padre Mestre” durante toda sua vida. Dedicado aos trabalhos apostólicos da pregação, do confessionário e também de escritor, percorria todas as aldeias de sua região, o que o fez merecer o título de “apóstolo de sua terra”. Dava assistência aos encarcerados e aos condenados à morte. Os últimos momentos de sua vida passou-os em sua terra natal e sua novena preferida era a da Imaculada Conceição. Chamava-a de “A Grande Novena”. A devoção a Nossa Senhora foi uma das fortes características de sua vida. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 13 de abril de 1986.

Local morte Lucera (Itália)

Morte 29 de Novembro de 1742

Devoção À Nossa Senhora e aos trabalhos apostólicos

Padroeiro Dos encarcerados

sao-saturninoSão Saturnino

São Saturnino era bispo de Toulouse, e é um dos santos mais populares na França e na Espanha, onde é considerado o protetor das corridas. A Paixão de Saturnino é além de tudo documento muito importante para o conhecimento da antiga Igreja da Gália. Conforme o autor da paixão, que escreveu entre 430 e 450, Saturnino fixou sua sede em Toulouse em 250, sob o consulado de Décio e Grato. Naquela época, refere-se o autor, na Gália existiam poucas comunidades cristãs, compostas por um exíguo número de fiéis, enquanto os templos pagãos ferviam de gente que sacrificavam aos deuses. O Santo Bispo, para chegar a um pequeno oratório, passava todas as manhãs diante do Capitólio, isto é, do principal templo pagão, dedicado a Jupiter Capitolino, onde os sacerdotes pagãos ofereciam em sacrifício ao deus pagão um touro para obter as respostas aos pedidos dos fieis. Ao que parece, a presença de São Saturnino emudecia os deuses e os sacerdotes culparam disso o Bispo cristão, cuja irreverência teria irritado a susceptibilidade das divindades pagãs.

Um dia o povo cercou ameaçadoramente Saturnino e lhe impôs sacrificar um touro no altar de Júpiter. O Bispo recusou imolar o animal, que pouco depois seria o instrumento do seu martírio. Por ter afirmado que não tinha medo algum dos raios de Júpiter, impotente porque inexistente. Enfurecidos, pegaram-no e amarraram-no ao pescoço do touro, aguilhoando depois o animal que fugiu enraivecido escada abaixo do Capitólio, arrastando atrás o Bispo. São Saturnino, com os membros despedaçados, morreu pouco depois e seu corpo foi abandonado no meio da estrada, recolhido por duas piedosas mulheres, dando-lhe sepultura em uma fossa muito profunda. Sobre esse túmulo, Santo Hilário, construiu uma capela de madeira um século depois. No século VI o duque Leunebaldo, reencontrando as relíquias do mártir, fez edificar no lugar a Igreja dedicada a São Saturnino (Em francês, Saint-Sernindu-Taur), que em 1300 assumiu o nome atual de Nossa Senhora do Taur.

28/11 – São Tiago das Marcas

sao-tiago-das-marcasSão Tiago das Marcas

Nasceu em Monteprandone, na província de Ascoli Piceni, região de Le Marche ou das Marcas, Itália, no ano de 1394. Seu nome de batismo era Domingos Gangali, órfão ainda criança foi educado pelo tio que o conduziu sabiamente no seguimento de Cristo. Estudou em Perugia onde se diplomou em Direito civil junto com o grande João de Capistrano, agora Santo.

Decidiu deixar a profissão para ingressar na Ordem dos franciscanos, onde estudou teologia e ordenou-se sacerdote. Quando vestiu o hábito, tomou o nome de Tiago, que logo foi completado com o “das Marcas”, em razão de sua origem. Foi discípulo de outro Santo e seu contemporâneo da Ordem, Bernardino de Sena, que se destacava como o maior pregador daquela época, que conhecemos.

Também Tiago das Marcas consagrou toda sua vida à pregação. Percorreu toda a Itália, a Polônia, a Boemia, a Bósnia e depois foi para a Hungria, obedecendo a uma ordem direta de Roma. Permanecia num lugar apenas o tempo suficiente para construir um mosteiro novo ou, num já existente, restabelecer a observância genuína da Regra da Ordem franciscana.

Depois, partia em busca de novo desafio ou para cumprir uma das delicadas missões em favor da Igreja, para as quais era enviado especialmente como fizeram os Papas, Eugênio IV, Nicolau V e Calisto III. Participou na incursão da Cruzada de 1437, para expulsar os invasores turcos muçulmanos. Humilde e reto nos princípios de Cristo, nunca almejou galgar postos na Igreja, chegando a recusar o cargo de Bispo de Milão.

Viveu em extrema penitência e oração, oferecendo seu sacrifício à Deus para o bem da humanidade sempre tão necessitada de misericórdia. Mas os severos e freqüentes jejuns a que se submetia minaram seu organismo, chegando a receber o sacramento da extrema unção, seis vezes. Mesmo assim chegou à idade de oitenta anos.

Faleceu em Nápolis, pedindo perdão aos irmãos franciscanos pelo mau exemplo que foi a sua vida. Era dia 28 de novembro de 1476. Seu copo foi sepultado na igreja de Santa Maria Nova dessa cidade. A sua biografia mostra muitos relatos dos prodígios operados por sua intercessão tanto em vida quanto após a morte. O Papa Bento XIII canonizou Santo Tiago das Marcas em 1726 e marcou o dia de sua morte, para a celebração de sua lembrança.

27/11 – Nossa Senhora das Graças e Santo Virgílio

nossa-senhora-das-gracasNossa Senhora das Graças

Nossa Senhora das Graças Celebramos no dia 27 de Novembro a aparição de Nossa Senhora das Graças ocorrida no ano 1830 em aparição a Santa Catarina Labouré, que era consagrada a Jesus na Congregação das Filhas da Caridade.

A irmã estava na capela do convento em oração, quando a Santíssima Virgem apareceu ao lado do altar, de pé, sobre um globo com o semblante de uma beleza indizível, de veste branca, manto azul, com as mãos estendidas para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas… A Santíssima disse: “Eis o símbolo das graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem…”. Formou-se então em volta de Nossa Senhora, um quadro oval, em que se liam em letras de ouro estas palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Voltou-se o quadro e a Santa irmã viu no reverso a letra M encimada por uma cruz, com um traço na base. Por baixo os Sagrados Corações de Jesus e de Maria – O de Jesus cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas, ao mesmo tempo ouviu a voz da Senhora a dizer-lhe: “Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxerem por devoção hão de receber grandes graças”.

santo-virgilioSanto Virgílio

Foi um dos grandes missionários irlandeses do período medieval e um dos maiores viajantes da importante ilha católica, ao lado dos santos, Columbano, Quiliano e Gallo.

Nasceu na primeira década do século VIII e foi batizado com o nome de Fergal, depois traduzido para o latim como Virgilio. Católico, na juventude se voltou para a vida religiosa, se tornou monge e a seguir abade do mosteiro de Aghaboe, na Irlanda. Deixou a ilha em peregrinação evangelizadora em 743 e não mais voltou.

Morou algum tempo no reino dos francos, quando o rei era Pepino, o Breve, que lhe perdira para organizar um centro cultural. Mas problemas políticos surgiram na região da Baviera agregada aos seus domínios. Ali o duque era Odilon que lhe pediu para enviar Virgilio para a abadia de São Pedro de Salisburgo, atual Áustria. E logo depois Odilon nomeou Virgilio como Bispo dessa diocese.

Ocorre que, na época, São Bonifácio, o chamado apóstolo da Alemanha, atuava como representante do Papa na região, e caberia a ele essa indicação e não a Odilon. O que o desagradou não foi a escolha de Virgilio, mas o fato de ter sido feita por Odilon. Ambos nutriam entre si uma profunda divergência no campo doutrinal e Virgilio participava do mesmo entendimento de Odilon. Essa situação perdurou até a morte de São Bonifácio, quando, e só então, ele pôde ser consagrado Bispo de Salisburgo.

Mas Virgílio era homem de fé fortalecida e de vasta cultura, dominava como poucos as ciências matemáticas, ganhando inclusive apelidado de “o geômetra” em seu tempo. Viveu oito séculos antes de Galileu e Copérnico e já sabia que a Terra era redonda, o que na ocasião e em princípios era uma heresia cristã. Foi para Roma para se justificar com o Papa, deixou a ciência de lado e abraçou integralmente o seu apostolado a serviço do Reino de Deus como poucos Bispos consagrados o fizeram. Revolucionou a diocese de Salisburgo com o seu testemunho e converteu esse rebanho para a Redenção de Cristo, aproveitando-se do interesse político do rei.

Em 755, um ano após a morte de Santo Bonifácio, Virgílio foi consagrado Bispo de Salisburgo. Continuou evangelizando a Austrália de norte a sul, inclusive uma parte do norte da Hungria. Fundou e restaurou mosteiros e igrejas, com isso construiu o primeiro catálogo e crônica dos mosteiros beneditinos.

Morreu e foi sepultado na abadia de Salisburgo, em 27 de novembro de 784, na Áustria, em meio à forte comoção dos fiéis, que transformaram essa data a de sua tradicional festa. Séculos depois, suas relíquias foram trasladadas para a bela Catedral de Salisburgo. Em 1233, foi canonizado e o dia de sua festa mantido. Santo Virgílio foi proclamado padroeiro de Salisburgo.

26/11 – São Leonardo de Porto Maurício

sao-leonardo-de-porto-mauricioSão Leonardo de Porto Maurício

Lígure, nasceu em 1676, filho de capitão da marinha, Domingos Casanova, que o deixou órfão em tenra idade. Fez seus estudos em Roma no Colégio Romano e depois entrou no retiro de São Boaventura, no Palatino, vestindo aí o hábito franciscano. Desenvolveu sua atividade sacerdotal provavelmente em Florença. As cruzes plantadas por seus confrades fora da Porta de São Miniato tornaram-se para ele, outros tantos púlpitos ao aberto. Sobre a eficácia de sua palavra fundaram-se alguns episódios da vida do santo. No fim de uma prédica sobre a Paixão, na Córsega, os homens, endurecidos pelo ódio secular, descarregaram seus fuzis para cima e se abraçaram em sinal de paz.

Suas pregações constituíam uma advertência para todos os cidadãos em Florença. No jubileu de 1750, proclamado por Bento XIV, o Papa Lambertini de Bolonha, fez muito sucesso a via-sacra pregada por Frei Leonardo aos 27 de dezembro no Coliseu. Era a primeira vez que se celebrava um rito religioso no anfiteatro Flávio. Desde aquele ano a piedosa tradição se mantém até aos nossos dias e toda a Sexta-feira Santa o Papa faz pessoalmente o rito penitencial. Aquela via-sacra foi muito importante para a arte: o Coliseu até aquele ano tinha servido como pedreira, mas depois daquela memorável via-sacra foi considerado lugar sagrado, meta de devotas peregrinações, e a sua demolição parou. Frei Leonardo era grande devoto de Nossa Senhora. O Santo da via-sacra e da Imaculada Conceição, o Frade que salvou o Coliseu de ruína total, o pregador inflamado da Paixão de Cristo, esses são os títulos de São Leonardo de Porto Maurício.

Frei Leonardo morreu no retiro de São Boaventura no Palatino, e o próprio Papa foi ajoelhar-se ao lado de seu corpo. Sobre o túmulo do Santo foi exposta a carta profética escrita por São Leonardo pouco antes da morte. Nela preconizava-se a proclamação do dogma da Imaculada Conceição.

25/11 – Santa Catarina de Alexandria

santa-catarina-de-alexandriaSanta Catarina de Alexandria

A vida e o martírio de Catarina de Alexandria estão de tal modo mesclados às tradições cristãs que ainda hoje fica difícil separar os acontecimentos reais do imaginário de seus devotos, espalhados pelo mundo todo. Muito venerada, o seu nome se tornou uma escolha comum no batismo, e em sua honra muitas igrejas, capelas e localidades são dedicadas, no Oriente e no Ocidente. O Brasil a homenageou com o Estado de Santa Catarina, cuja população a festeja como sua celestial padroeira.

Alguns textos escritos entre os séculos VI e X , que se reportam aos acontecimentos do ano 305, tornaram pública a empolgante figura feminina de Catarina. Descrita como uma jovem de dezoito anos, cristã, de rara beleza, era filha do rei Costus, de Alexandria, onde vivia no Egito. Muito culta, dispunha de vastos conhecimentos teológicos e humanísticos. Com desenvoltura, modéstia e didática, discutia filosofia, política e religião com os grandes mestres, o que não era nada comum à uma mulher e jovem, naquela época. E fazia isso em público, por isso era respeitada e famosa, pelos súditos da corte que seria sua por direito.

Entretanto esses eram tempos duros do imperador romano Maximino, terrível perseguidor e exterminador de cristãos. Segundo os relatos a história do martírio da bela cristã teve início com a sua recusa ao trono de imperatriz. Maximino se apaixonou por ela, e precisava tirá-la da liderança que exercia na expansão do cristianismo. Tentou, oferecendo-lhe poder e riqueza materiais. Estava disposto a divorciar-se para se casar com ela, contanto que passasse a adorar os deuses egípcios.

Catarina recusou enfaticamente, ao mesmo tempo tentou convertê-lo, desmistificando os deuses pagãos. Sem conseguir discutir com a moça, o imperador chamou os sábios do reino para auxilia-lo. Eles tentaram defender suas seitas com saídas teóricas e filosóficas, mas acabaram convertidos por Catarina. Irado, Maximino condenou todos ao suplício e à morte. Exceto ela, para quem tinha preparado algo especial.

Mandou torturá-la com rodas equipadas com lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Com os olhos elevados ao Senhor, rezou e fez o sinal da cruz, então ocorreu o prodígio: o aparelho desmontou. O imperador transtornado levou-a para fora da cidade e comandou pessoalmente a sua tortura, depois mandou decapitá-la. Ela morreu, mas outro milagre aconteceu. O corpo da mártir foi então levado por anjos para o alto do Monte Sinai. Isso aconteceu em 25 de novembro de 305.

Contam-se aos milhares as graças e os milagres acontecidos naquele local por intercessão de Santa Catarina de Alexandria. Passados três séculos, Justiniano imperador de Bizâncio, mandou construir o Mosteiro de Santa Catarina e a Igreja onde estaria sepultura no Monte Sinai. Mas somente no século VIII conseguiram localizar o seu túmulo, difundindo ainda mais o culto entre os fieis do Oriente, e do Ocidente, que a celebram no dia de sua morte.

Ela é padroeira da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, dos estudantes, dos filósofos e dos moleiros – donos e trabalhadores de moinho. Santa Catarina de Alexandria integra a relação dos catorze santos auxiliares da cristandade.