26/04 – Nossa Senhora do Bom Conselho, Santo Anacleto, Santo Arcangelo Tadini e São Pascásio Radberto

nossa-senhora-do-bom-conselhoNossa Senhora do Bom Conselho

A devoção que comemoramos hoje, remonta a Igreja Primitiva, de forma que não temos dados precisos sobre sua origem. Tão antiga é a devoção que a Mãe do Bom Conselho é invocada na Ladainha Lauretana.  Sabemos, contudo,  que entre os anos de 432 e 440,  o Papa Xisto III mandou construir uma Igreja dedicada a Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade de Genezzano, Itália, ao lado de um convento fundado por Santo Agostinho. Esta cidade havia sido doada à Igreja com o advento dos Imperadores cristãos, sucessores do Imperador Constantino que, convertido, decretara o fim da perseguição aos cristãos e da crucifixão (ano 312). Genezzano iria ser agraciada, cerca de mil anos depois,   com um presente milagroso de Nossa Senhora, como veremos a seguir:

Havia,  na idade média, também uma outra igreja,  na cidade de Scutari – Albânia, onde o povo venerava com ardor uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, a que eram atribuídos  muitos milagres.  A devoção crescia vertiginosamente, até que  no ano de 1467, maometanos turcos invadiram e dominaram a Albânia, culminando em sérias conseqüências aos cristãos.  A perseguição implacável, colocou a Igreja numa situação dificílima, de forma que muitos cristãos tiveram de abandonar o país e, os que ficaram, tiveram de permanecer na clandestinidade . Foi nessa ocasião,  que dois albaneses de nomes Solavis e Georgi, ao entrarem no santuário,  testemunharam um grande milagre, a princípio, muito intrigante. Uma nuvem divina rodeou a estampa de Nossa Senhora que foi como que retirada da parede e elevou-se ao céu, tomando a direção de Roma,  sobre o Mar Adriático.  Os peregrinos, impelidos a seguir  sua trajetória,  passaram a  acompanhar a estampa. Com  muita confiança entraram no mar e passaram a caminhar  sobre as ondas a pé enxuto e o atravessaram até chegar às vizinhanças de Roma. Ali, a  estampa rodeada de nuvens foi se afastando até que acabaram  perdendo-a de vista.

Ao mesmo tempo,  lá na cidade de Genezzano, na Itália,  a estrutura da Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho estava  seriamente comprometida.  A velha igreja construída pelo Papa Xisto III no século V,  havia ficado em ruínas não só pela ação do tempo, mas também pela falta de recursos.  Há muito tempo, porém,  uma irmã da Ordem Terceira de Santo Agostinho, chamada Pedrina,  havia tomado à frente do empreendimento, e cuja reconstrução confiou unicamente à Providência Divina,  à Santíssima Virgem e  ao  santo padre Agostinho,  fundador  da ordem a  que pertencia.  Aos que duvidavam, respondia com muita fé e confiança que seus esforços não eram vãos e que brevemente seriam postos a têrmo, com a força da graça divina.

Era dia  25 de abril,  nos festejos de São Marcos Evangelista, onde  também realizava-se uma feira pública  naquela cidade e que contava com grande multidão. Repentinamente surgiu no céu uma nuvem em forma de coluna milagrosamente suspensa no ar, chamando a  atenção de todos  os circunstantes.  Tal coluna vagarosamente baixou em direção a uma das paredes mais elevadas da igreja em  reconstrução e dissipou-se, imprimindo na parede, à vista de todos,  uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, pintada a fresco.  Os sinos, por si só,  passaram a  badaladar consecutivamente, causando estupefação pública, conseqüentemente a conversão de muito pagãos em Genezzano.  Surpresos, uns aos outros,  perguntavam sobre a origem da  estampa, quais os desígnios de Deus acerca de tão grandioso mistério.

A partir deste acontecimento, os padres agostinianos começaram a divulgar  o culto à Nossa Senhora do Bom Conselho, e não tardou que o número de  fiéis  de  toda  a  Itália e  países  circunvizinhos viessem em peregrinação para reverenciar Nossa Senhora.

Tomando conhecimento do grande milagre ocorrido em Genezzano, os dois peregrinos Solavis e Georgirs, foram também  reverenciar Nossa Senhora do Bom Conselho, a quem eram extremamente devotos.  Mas, não haviam relacionado o primeiro milagre ao segundo.  Chegando na cidade,  qual não foi a perplexidade deles ao constatarem que a estampa fixada na parede da igreja era a mesma estampa que haviam visto ser levada aos céus na sua cidade de origem, Scutari.  Ficou claro que a  estampa  havia sido trasladada de um país para o outro pelos  anjos de Deus.   Com  muito entusiasmo proclamaram o fato ao povo local.  Foram por isso interrogados por uma comissão e, sob juramento, contaram o que ocorrera na igreja da sua cidade de origem.  Detalhadamente narraram desde o momento em que testemunharam  ocularmente a estampa que sendo retirada  da Igreja de Scutari, a travessia do mar a pé enxuto, a chegada na Itália até o momento em que a perderam de vista.  Desvendaram-se assim os milagrosos acontecimentos, simultaneamente ocorridos desde a Albânia até a Itália, para  onde a imagem foi levada pelos anjos por desígnio de Nossa Senhora.

O fato foi levado ao Papa Paulo II (Pietro Barbbo – pontificado 1464 a 1471), que na ocasião foi quem iniciou o processo para apurar a veracidade dos fatos.

O Papa Leão XIII mandou construir um altar em seu oratório privado, pessoalmente visitou o santuário,  instituiu a Pia União, do qual se fez membro, redigiu poesias  e agraciou a igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho com o título de “Basílica Menor”.

No dia 25 de abril (data em que a imagem foi levada por anjos de Scutari para Genezzano em 1467),  João Paulo II pessoalmente dirigiu-se ao antigo templo e  doou uma  reprodução da imagem original, a qual lá foi entronizada,  marcando definitivamente a reconciliação do governo e da nação albaneza com a Igreja de Cristo.

O Vaticano, a partir daquele ano, financiou as  obras de reconstrução do Santuário,  depreciado por consequência da perseguição do regime comunista.

santo-anacletoSanto Anacleto

Eis uma curiosidade com relação ao Santo venerado nesta data: seus dados biográficos se embaralharam ao serem transcritos século após século.

Papa Anacleto teve sua vida contada como se ele “fosse dois”: Papa Anacleto e Papa Cleto, comemorados em datas diferentes, 26 de abril e 13 de julho.

O engano, que passou também pelo cuidadoso Barônio, parece ter sido de um copista que teria visto abreviado em alguma lista dos Papas o nome de Anacleto por Cleto, julgou que deveria colocar novamente o nome apagado de Anacleto sem excluir a abreviação. Após a revisão dos anos 60, como conseqüência dos estudos de Duchesne, verificou-se que se tratavam da mesma pessoa e a data de julho foi eliminada.

Ele foi o segundo sucessor de São Pedro e foi o terceiro Papa da Igreja de Roma, governou entre os anos 76 e 88. Anacleto nasceu em Roma e durante o seu pontificado o imperador Domiciano desencadeou a segunda perseguição contra os cristãos.

Ele mandou construir uma memória, isto é, um pequeno templo na tumba de São Pedro. Morreu mártir no ano 88 e foi sepultado ao lado de São Pedro.

santo-arcangelo-tadini1Santo Arcangelo Tadini

ARCANGELO TADINI, sacerdote do interior de Brescia (Itália) que viveu de 1846 a 1912, é figura cristalina e fascinante. Homem de iniciativa, sacerdote autêntico, soube entrelaçar ousadia e fé, amor pelos homens e amor a Deus, austeridade e ternura.

Nasce em Verolanuova (BS) a 12 de outubro de 1846. Terminados os estudos primários na cidade natal, frequenta o ginásio em Lovere (BG).

Em 1864 entra no Seminário Diocesano de Brescia e em 1870 é ordenado sacerdote. De 1871 a 1873 é nomeado vigário paroquial em Lodrino (BS), pequeno vilarejo de montanha, e a partir de 1873 é capelão no Santuário de S. Maria della Noce, periferia de Brescia.

Em 1885 inicia seu serviço em Botticino Sera (BS) como vigário; dois anos depois é nomeado pároco, aí permanecendo até 1912, ano de sua morte. No dia da posse afirma com força do púlpito: “Estarei com vocês, viverei com vocês, morrerei com vocês”.

Os anos vividos em Botticino são os mais fecundos da vida do Tadini. Ele ama os seus paroquianos como filhos e a eles se doa sem medida. Organiza o coral, a banda musical, várias Confrarias, a Terceira Ordem Franciscana, as Filhas de S. Ângela Merici; reforma a igreja, oferece a cada categoria de pessoas a catequese mais apropriada, cuida da liturgia. Põe especial atenção na celebração dos Sacramentos. Prepara as homilias levando em consideração tanto a Palavra de Deus e da Igreja como a caminhada espiritual do seu povo. Quando fala do púlpito, todos ficam encantados pelo calor e a força que suas palavras transmitem.

Sua atenção pastoral dirige-se sobretudo às novas pobrezas: para os trabalhadores dá início à Associação Operária de Mútuo Socorro e constrói uma fiação (fábrica têxtil) para dar trabalho às jovens da cidade que mais sofrem com a insegurança e a exploração.

Em 1900 o Tadini funda a Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré: mulheres consagradas, mas “operárias com as operárias” que educam as jovens trabalhadoras não subindo em cátedra, mas trabalhando lado a lado com elas; não proferindo grandes discursos, mas dando o exemplo de ganhar o pão com o suor do próprio rosto. Escândalo para aquela época na qual as fábricas eram tidas por lugares perigosos e desviantes.

Tadini oferece a suas Irmãs o exemplo de Jesus, Maria e José que na Casa de Nazaré, no silêncio e escondimento, trabalharam e viveram com humildade e simplicidade. Aponta o exemplo de Jesus que não só “sacrificou a si mesmo na cruz” mas durante trinta anos, em Nazaré, não se envergonhou de usar as ferramentas do carpinteiro e de “ter as mãos calejadas e o rosto lavado de suor”.

Por este seu espírito empreendedor, Tadini ganha calúnias e incompreensões, também por parte da Igreja. Na realidade ele antecipa os tempos: intui que a Irmã, operária entre as operárias, indica uma compreensão mais positiva do mundo do trabalho, não mais visto como lugar contrário à Igreja, mas sim ambiente necessitado de fermento evangélico, um mundo a ser encontrado mais que contrastado.

Ele mesmo tem consciência de que a sua Obra nasceu antes do tempo, mas está firmemente convicto que não é obra dele mas de Deus: “Deus a quis, a orienta, a aperfeiçoa, a conduz a bom termo”. A morte o colhe quando o sonho de sua vida ainda não se completou, mas, como semente jogada na terra, no tempo certo produzirá frutos abundantes.

Os Paroquianos de Botticino intuem a santidade de seu pároco e logo aprendem a conhecer e a descobrir que, debaixo de sua discrição e austeridade, existe um coração de pai atento e sensível à vida do povo feita de sacrifícios e duro trabalho. Aos seus dotes naturais ele une grande capacidade de entrar na vida e no cotidiano das pessoas e em breve se fala dele come de um sacerdote santo, um homem extraordinário… Mais tarde se dirá dele: “É um de nós”!

Um de nós quando, cedo pela manhã, percorre as ruas da cidade e o seu passo ressoa como despertador a quem se prepara para iniciar um novo dia de trabalho. Todos sabem que aquele sacerdote, apaixonado por Deus e pela humanidade, levará na oração a vida e as fadigas do seu povo.

Um de nós quando recolhe as lágrimas das mães preocupadas com a precariedade do trabalho dos filhos; quando sonha, projeta e constrói a fiação para as jovens da cidade a fim de que possam redescobrir sua dignidade de mulheres.

Um de nós quando inventa a família das Irmãs Operárias, mulheres consagradas que, nos lugares de trabalho, sejam testemunhas de um Amor maior no simples cotidiano da vida.

Um de nós porque ainda nos sorri, nos acompanha no nosso dia a dia e com suas palavras nos convida a seguir seus passos: “A santidade que nos leva ao céu está em nossas mãos. Se queremos possuí-la, uma coisa apenas precisamos fazer: amar a Deus”.

Com a canonização o Papa Bento XVI o oferece como exemplo para os sacerdotes, o aponta como intercessor para as famílias, o entrega como protetor aos trabalhadores.

sao-pascasio-radbertoSão Pascásio Radberto

Comemoramos hoje São Pascásio Radberto que viveu no século IX, nascido em Soissons na França. Foi abandonado quando criança na porta da Igreja de Nossa Senhora de Soissons. A abadessa Teodarda o recolheu e cuidou dele como a um filho. Aos 22 anos, ingressou no convento de Corbie.

Foi mestre dos noviços e professor de teologia no mesmo local.Em 822 acompanhou o abade do mosteiro onde vivia para uma região onde seria fundada a cidade de Nova Córbia. Em 844 foi eleito abade; e, sete anos mais tarde, deposto por uma rebelião dos monges, tendo que fugir para a abadia de São Riquieer. Por volta do ano 830, escreveu a Vida de Santo Adalardo, seu abade; posteriormente, escreveu o Tratado do Corpo e Sangue do Senhor sobre a eucaristia. Neste assunto, ele reporta a São Cipriano, Santo Ambrósio, Santo Hilário, Santo Agostinho, São João Crisóstomo, São Gregório, Santo Isidoro, Hesíquio e ao venerável Beda. Tem ainda a obra O Parto de Maria.
São Pascásio (ou Pascal) morreu no dia 26 de abril do ano de 863.

Liturgia diária – 25/04/2012

Dia 25 de Abril – Quarta-feira

SÃO MARCOS EVANGELISTA (Vermelho, Glória, Prefácio dos Apóstolos II – Ofício da Festa)

Antífona da entrada: Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a todas as criaturas, aleluia! (Mc 16,15)
Oração do dia
Ó Deus, que concedestes a são Marcos, vosso evangelista, a glória de proclamar a boa nova, dai-nos assimilar de tal modo seus ensinamentos, que sigamos fielmente os caminhos de Cristo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 Pedro 5,5-14)
Leitura da primeira carta de são Pedro. 5 4 E, quando aparecer o supremo Pastor, recebereis a coroa imperecível de glória. 5 Semelhantemente, vós outros que sois mais jovens, sede submissos aos anciãos. Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. 6 Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. 7 Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós. 8 Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. 9 Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. 10 O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará. 11 A ele o poder na eternidade! Amém. 12 Por meio de Silvano, que estimo como a um irmão fiel, vos escrevi essas poucas palavras. Minha intenção é de admoestar-vos e assegurar-vos que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes. 13 A igreja escolhida de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho. 14 Saudai-vos uns aos outros com o ósculo afetuoso. A paz esteja com todos vós que estais em Cristo. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 88/89
Ó Senhor, eu cantarei, eternamente, o vosso amor. Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, de geração em geração eu cantarei vossa verdade! Porque dissestes: “O amor é garantido para sempre!” E a vossa lealdade é tão firma como os céus.
Anuncia o firmamento vossas grandes maravilhas, e o vosso amor fiel, a assembléia dos eleitos, pois quem pode, lá nas nuvens, ao Senhor se comparar e quem pode, entre seus anjos, ser a ele semelhante?
Quão feliz é aquele povo que conhece a alegria; seguirá pelo caminho, sempre à luz de vossa face! Exultará de alegria em vosso nome dia a dia e, com grande entusiasmo, exaltará vossa justiça.
Evangelho (Marcos 16,15-20)
Aleluia, aleluia, aleluia. É Cristo que anunciamos, Jesus Cristo, o crucificado, poder e sabedoria de Deus (1Cor 1,23s). Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos. Naquele tempo, 16 15 disse Jesus aos seus onze discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. 16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. 17 Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, 18 manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados”. 19 Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus. 20 Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A tradição identifica o autor deste Evangelho com João Marcos, que foi com Barnabé, seu primo, e com Paulo para a primeira viagem missionária a partir de Antioquia (At 13,2.5). Seria também o filho de Maria, em cuja casa Pedro se abrigou em Jerusalém (At 12,12). Marcos escreveu seu Evangelho provavelmente no ano 65, sendo depois, nas décadas de 80 e 90, seguido pelos Evangelhos de Mateus, Lucas e João. Marcos, em seu texto, resgata as memórias históricas de Jesus de Nazaré, abandonadas pela visão cristológica que se concentrava no Jesus ressuscitado (Cristo). Seu Evangelho termina com a narrativa das mulheres que encontram o túmulo de Jesus vazio e são avisadas pelo anjo de que “Jesus, de Nazaré, o crucificado… vos precede na Galiléia…”. As narrativas de aparições do ressuscitado (Mc 16,9-20) são acréscimos posteriores, feitos pela Igreja estruturada, provavelmente já no segundo século, a qual achou por bem reforçar neste Evangelho a dimensão do Cristo glorioso.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Nós vos oferecemos, ó Deus, este sacrifício de louvor ao celebrarmos a glória de são Marcos, pedindo que sempre floresça em vossa Igreja a pregação do Evangelho. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos, diz o Senhor, aleluia! (Mt 28,20)
Depois da comunhão
Ó Deus todo-poderoso, o vosso dom que recebemos no altar nos santifique e nos faça crer mais firmemente no Evangelho anunciado por são Marcos. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO MARCOS)
O evangelho de são Marcos é o mais curto se comparado aos demais, mas traz uma visão toda especial, de quem conviveu e acompanhou a paixão de Jesus quando era ainda criança.
Ele pregou quando seus apóstolos se espalhavam pelo mundo, transmitindo para o papel, principalmente, as pregações de são Pedro, embora tenha sido também assistente de são Paulo e são Barnabé, de quem era sobrinho.
Marcos, ou João Marcos, era judeu, da tribo de Levi, filho de Maria de Jerusalém, e, segundo os historiadores, teria sido batizado pelo próprio são Pedro, fazendo parte de uma das primeiras famílias cristãs de Jerusalém. Ainda menino, viu sua casa tornar-se um ponto de encontro e reunião dos apóstolos e cristãos primitivos. Foi na sua casa, aliás, que Cristo celebrou a última ceia, quando instituiu a eucaristia, e foi nela, também, que os apóstolos receberam a visita do Espírito Santo, após a ressurreição.
Mais tarde, Marcos acompanhou são Pedro a Roma, quando o jovem começou, então, a preparar o segundo evangelho. Nessa piedosa cidade, prestou serviço também a são Paulo, em sua primeira prisão. Tanto que, quando foi preso pela segunda vez, Paulo escreveu a Timóteo e pediu que este trouxesse seu colaborador, no caso, Marcos, a Roma, para ajudá-lo no apostolado.
Ele escreveu o Evangelho a pedido dos fiéis romanos e segundo os ensinamentos que possuía de são Pedro, em pessoa. O qual, além de aprová-lo, ordenou sua leitura nas igrejas.
Seu relato começa pela missão de João Batista, cuja “voz clama no deserto”. Daí ser representado com um leão aos seus pés, porque o leão, um dos animais símbolos da visão do profeta Ezequiel, faz estremecer o deserto com seus rugidos.
Levando seu Evangelho, partiu para sua missão apostólica. Diz a tradição que são Marcos, depois da morte de são Pedro e são Paulo, ainda viajou para pregar no Chipre, na Ásia Menor e no Egito, especialmente na Alexandria, onde fundou uma das igrejas que mais floresceram.
Ainda segundo a tradição, ele foi martirizado no dia da Páscoa, enquanto celebrava o santo sacrifício da missa. Mais tarde, as suas relíquias foram trasladadas pelos mercadores italianos para Veneza, cidade que é sua guardiã e que tomou são Marcos como padroeiro desde o ano 828.

25/04 – São Marcos

sao-marcosSão Marcos

(evangelista)

Hoje a Igreja comemora São Marcos ou João Marcos, autor do Evangelho Segundo Marcos e amigo de São Pedro e São Paulo apóstolos, mencionado nas Epístolas do Novo Testamento, que recebeu também o nome de Evangelista, que fugiu nu quando Cristo foi preso em Getsêmani. Era filho de uma mulher de Jerusalém de nome Maria e primo de São Barnabé.

São Marcos participou da primeira viagem missionária realizada por São Paulo, mas não permaneceu até o fim dela, tendo voltado sozinho para Perga.

Santo Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria atribuiem decididamente a Marcos, discípulo e intérprete de São Pedro, o segundo Evangelho. E segundo os críticos modernos, o evangelho de Marcos foi escrito por volta dos anos 60/70, e dirigido aos cristãos de Roma.

Também acredita-se que ele tenha sido o primeiro bispo de Alexandria, mas para este episódio existem poucas provas documentais. A popularidade de São Marcos em Veneza é muito grande onde tem uma igreja denominada São Marcos.

Liturgia diária – 24/04/2012

Dia 24 de Abril – Terça-feira

III SEMANA DA PÁSCOA* (Branco – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: Louvai o nosso Deus, todos vós que o temeis, pequenos e grandes; pois manifestou-se a salvação, a vitória e o poder do seu Cristo, aleluia! (Ap 19,5;12,10)
Oração do dia
Ó Deus, que abris as portas do reino dos céus aos que renasceram pela água e pelo Espírito Santo, aumentai em vossos filhos e filhas a graça que lhes destes para que, purificados de todo pecado, obtenham os bens que prometestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Atos 7,51-8,1)
Leitura Atos dos Apóstolos. Naqueles dias, Estevão disse ao povo, aos anciãos e aos doutores da lei: 7 51 “Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também! 52 A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas. 53 Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes”. 54 Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. 55 Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus: 56 “Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus”. 57 Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele. 58 Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. 59 E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”. 60 Posto de joelhos, exclamou em alta voz: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado”. A estas palavras, expirou. 8 1 E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão. Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judéia e de Samaria, com exceção dos apóstolos. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 30/31
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra, orientai-me e conduzi-me!
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel! quanto a mim, é ao Senhor que me confio, vosso amor me faz saltar de alegria.
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! Na proteção de vossa face defendeis, bem longe das intrigas dos mortais.
Evangelho (João 6,30-35)
Aleluia, aleluia, aleluia. Eu sou o pão da vida, quem vem a mim não terá fome; assim nos fala o Senhor (Jo 6,35). Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. Naquele tempo, 6 30 perguntaram eles: “Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: ´Deu-lhes de comer o pão vindo do céu´”. 32 Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu; 33 porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34 Disseram-lhe: “Senhor, dá-nos sempre deste pão!” 35 Jesus replicou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede”. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Continua o diálogo entre Jesus e a multidão que o seguiu até Cafarnaum após a partilha dos pães. Ela não havia entendido o sinal da partilha. Mesmo percebendo que Jesus propõe algo novo, pede-lhe um sinal celestial para crer. Talvez sinais espetaculares como os de Moisés no deserto, conforme a tradição de Israel. Querem um messias poderoso, mesmo que seja opressor e explorador. Jesus diferencia-se de Moisés. O sinal de Jesus é o dom de si mesmo, como pão que alimenta, no resgate e no cultivo da vida. É a transformação das pessoas, que, acolhendo seu amor, passam a ser também fonte de vida para outros. O “pão”, pão do céu e pão da vida, é mencionado seis vezes neste diálogo. Antes, Jesus oferecera à samaritana a fonte de água viva que jorra para a vida eterna, e a samaritana lhe pede dessa água. Agora, a multidão pede desse pão descido do céu, que dá vida ao mundo. Jesus identifica-se com o próprio pão que alimenta a vida eterna em nós. Ir a Jesus, pão da vida, e crer é encontrar em Deus a vida e a paz.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Acolhei, ó Deus, as oferendas da vossa Igreja em festa. Vós que sois a causa de tão grande júbilo, concedei-lhe também a eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Se morremos em Cristo, cremos que também viveremos com Cristo, aleluia! (Rm 6,8)
Depois da comunhão
Ó Deus, olhai com bondade o vosso povo e concedei aos que renovastes pelos vossos sacramentos a graça de chegar um dia à glória da ressurreição da carne. Por Cristo, nosso Senhor.

MEMÓRIA FACULTATIVA

SÃO FIDÉLIS DE SIGMARINGA (Vermelho – Ofício da Memória)

Oração do dia: Ó Deus, que destes a palma do martírio a são Fidélis, quando, abrasado de amor, propagava a fé verdadeira, concedei, por sua intercessão, que, enraizados na caridade, confiemos também na força da ressurreição de Cristo. Que vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas: Deus de majestade, nós vos suplicamos que estas oferendas em honra de vossos santos, manifestando a glória do vosso poder, nos tragam os frutos da redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
Depois da comunhão: Alimentados, ó Pai, à vossa mesa, fazei que, seguindo o exemplo de são Fidélis, celebremos com amor o vosso culto e sirvamos a todos com incansável caridade. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO FIDÉLIS DE SIGMARINGA):
Ele nasceu numa família de nobres em 1577, na cidade de Sigmaringen, na Alemanha, e foi batizado com o nome de Marcos Reyd. Na Universidade de Friburgo, na Suíça, estudou filosofia, direito civil e canônico, onde se formou professor e advogado em 1601.  Durante alguns anos, exerceu a profissão de advogado em Colmar, na Alsácia, recebendo o apelido de “advogado dos pobres”, porque não se negava a trabalhar gratuitamente aos que não tinham dinheiro para lhe pagar.  Até os trinta e quatro anos, não tinha ainda encontrado seu caminho definitivo, até que, em 1612, abandonou tudo e se tornou sacerdote. Ingressou na Ordem dos Frades Menores dos Capuchinhos de Friburgo, vestindo o hábito e tomando o nome de Fidelis. Escreveu muito, e esses numerosos registros o fizeram um dos mestres da espiritualidade franciscana.  Como era intelectual atuante, acabou assumindo missões importantes em favor da Igreja e, a mando pessoal do papa Gregório XV, foi enviado à Suíça, a fim de combater a heresia calvinista. Acusado de espionagem a serviço do imperador austríaco, os calvinistas tramaram a sua morte, que ocorreu após uma missa em Grusch, na qual pronunciara um fervoroso sermão pela disciplina e obediência dos cristãos à Santa Sé.  Em suas anotações, foi encontrado um bilhete escrito dez dias antes de sua morte, dizendo que sabia que seria assassinado, mas que morreria com alegria por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo.  Quando foi ferido, por um golpe de espada, pelos inimigos, pôs-se de joelhos, perdoou os seus assassinos e, rezando, abençoou a todos antes de morrer, no dia 24 de abril de 1622.  O papa Bento XIV canonizou são Fidelis de Sigmaringen em 1724.

24/04 – Beata Maria Isabel Hesselblad, Santa Maria Eufrásia Pelletier, São Bento Menni e São Fidelis de Sigmaringen

beata-maria-isabel-hesselbladBeata Maria Isabel Hesselblad

Maria Isabel Hesselblad nasceu no dia 04 de junho de 1870, na cidade de Faglavik na Suécia. Era a quinta dos treze filhos do casal Augusto Roberto e Caisa, uma família luterana muito pobre. Desde a sua adolescência, ao ver que as suas amigas freqüentando diversas Igrejas, se questionava qual seria o único rebanho a que se referia o Evangelho de São João.

Para ajudar a manter a sua família, aos dezesseis anos de idade trabalhava como doméstica e, dois anos depois, emigrou para os Estados Unidos, onde adoeceu. Nessa ocasião fez uma promessa à Jesus, caso ficasse curada se tornaria enfermeira. E de fato assim aconteceu, passando a trabalhar como enfermeira num hospital de Nova Iorque. O contato com os doentes católicos e o grande desejo de encontrar a verdade mantiveram viva na sua alma a busca do rebanho de Cristo.

A oração, o estudo e a devoção filial para com a Virgem Maria, o exemplo visto no hospital católico e a influência decisiva do padre jesuíta João Hagen, do convento da Visitação de Washington que se tornou seu diretor espiritual, que fez estudar com paixão a doutrina cristã, levaram-na a abraçar o catolicismo. Assim, por opção foi batizada “sob condição”, nesse mesmo convento, no dia 15 de agosto de 1902. Dois anos mais depois foi para Roma, onde recebeu a Confirmação e alí com muita clareza compreendeu que sua missão seria trabalhar pela unidade dos cristãos. Sentiu que o caminho seria através Ordem de Santa Brígida da Suécia, casa que visitou e de onde saiu profundamente impressionada. Alí enquanto rezava, sentiu que Deus lhe dizia: “É aqui que desejo que te ponhas ao meu serviço”.

No dia 25 de março de 1904 estabeleceu-se definitivamente em Roma e com uma especial permissão do Papa Pio X, vestiu o hábito brigidino na casa de Santa Brígida, então ocupada pelas Carmelitas. No dia 09 de setembro de 1911, começando com três jovens postulantes inglesas, restabeleceu a Ordem do Santíssimo Salvador e de Santa Brígida, com a missão de orar e trabalhar de modo especial pela união dos cristãos na Escandinávia com a Igreja católica.

Desde o início, incutiu nas suas filhas espirituais a necessidade da união dos cristãos, o amor à Igreja e ao Papa Romano, a necessidade de orar para que haja um único rebanho e um só Pastor. Restabeleceu a casa de Santa Brígida na Suécia em 1923, na Itália em 1931 e a expandiu para a Índia em 1937.

Viveu como pioneira do diálogo ecumênico até o dia 24 de abril de 1957, quando morreu após uma longa vida, marcada pelo sofrimento e pela doença. O Papa João Paulo II a beatificou no ano 2000, em Roma.

santa-maria-eufrasia-pelletierSanta Maria Eufrásia Pelletier

Batizada com o nome de Rosa Virginia Pelletier, ela nasceu na ilha de Noirmontier, região da Vandea, França, o dia 31 de julho de 1796. Cresceu alí onde foi o centro da Revolução Francesa, sendo educada pelas ursulinas de Chavanhe e depois freqüentou o Instituto da Associação Cristã de Tours.

Aos dezesseis anos entrou no mosteiro de Tours na ordem de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio, fundado em 1641, por São João Eudes, destinado à reabilitação das jovens e das mulheres em perigo moral e para a reeducação cristã de todas que lá pediam abrigo e proteção.

Em 1817 fez os votos de profissão de fé e tomou o nome de Maria de Santa Eufrásia e aos vinte e nove anos foi nomeada superiora desse mosteiro. Alí fundou a Obra das “Madalenas”, onde as moças que voltavam para o caminho correto podiam aderir à vida religiosa, nos moldes das carmelitas, seguindo relativamente o Regulamento, vestindo o hábito e tendo uma ala própria no mosteiro.

Em 1829, fundou em Angers um novo Refúgio, nome usado pelas carmelitas, para designar uma Casa da sua ordem, do qual se tornou superiora depois de dois anos. Dessa forma deu um grande impulso para a continuação do trabalho de redenção das moças no desvio da vida. Assim a Casa de Angers se tornou a Casa mãe de uma organização paralela à ordem de Nossa Senhora da Caridade, subjugada à essa ordem, mas com mosteiros com autonomia separada.

Estava fundada a ordem de Nossa Senhora do Bom Pastor do qual se tornou a superiora geral até o fim da vida. Ela encontrou muitas resistências, porém em 1835 o Papa Gregório XVI, que concordava com ela, aprovou a nova ordem.

A sua obra foi tão vigorosa que Maria Eufrásia, fundou mais Casas que todos os fundadores de ordens da Igreja. Foram 111 entre 1829 e 1868, ano em que morreu, vitimada por um tumor que lhe causou muito sofrimento, no dia 24 de abril.

Foi beatificada em 1933, e canonizada sete anos depois. Uma estátua de Santa Maria Eufrásia Pelletier foi colocada na basílica de São Pedro no Vaticano, com muita justiça entre os grandes fundadores de ordens da Igreja. Sua festa é realizada no dia de sua morte.

sao-bento-menniSão Bento Menni

Angelo Hércules Menni nasceu no dia 11 de março de 1841, em Milão, na Itália, sendo o quinto dos quinze irmãos. A família do casal de negociantes Luiz e Luiza era de cristãos fervorosos, onde se rezava o Rosário todas as noites, se praticava a caridade e todos os sacramentos.

Foi esse ambiente familiar, somado à quatro episódios, que fizeram o jovem Ângelo optar por se tornar um sacerdote. Foram eles: a oração diária diante de um quadro de Maria, a Santíssima Mãe de Jesus; alguns exercícios espirituais aos dezessete anos de idade; os conselhos de um eremita de sua cidade natal; e, o exemplo dos Irmãos de São João de Deus tratando os soldados que chegavam à estação de Milão, feridos na batalha de Magenta, serviço que ele próprio praticou.

Aos dezenove anos de idade entrou na Ordem Hospitaleira de São João de Deus trocando o nome de batismo, pelo de Bento. Iniciou os estudos filosóficos e teológicos no Seminário de Lodi e depois foi concluí-los no Colégio Romano, atual Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Foi ordenado sacerdote em 1866.

Nessa ocasião o Papa Pio IX confiou-lhe a difícil missão de restaurar a Ordem Hospitaleira na Espanha, aliás a escolha não poderia ter sido mais feliz. Este jovem religioso, que tinha apenas vinte e cinco anos, chegou em Barcelona no ano 1867. Ali começou a restauração da Ordem, que tinha sido suprimida pelo liberalismo, tanto em Espanha como em Portugal. Depois de dar nova vida à Ordem na Espanha, continuou com a sua restauração em Portugal e, no México, já no princípio do século XX.

Bento foi um homem de generosidade e caridade inesgotáveis e de excepcionais predicados de comando e administração. Em 31 de maio de 1881, juntamente com duas religiosas, fundou a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, especializadas na assistência aos doentes psiquiátricos.

Estava em Paris quanto adoeceu, vindo a falecer no dia 24 de abril de 1914, na cidade de Dinan. As suas relíquias mortais, estão guardadas na capela da Casa-mãe de Ciempozuelos, em Madri, Espanha.

Em 1985, o Papa João Paulo II declarou-o beato, e, em 1999, esse mesmo pontífice canonizou São Bento Menni e o proclamou como “o profeta da Hospitalidade”.

sao-fidelis-de-sigmaringenSão Fidelis de Sigmaringen
(Mártir)

Hoje comemoramos São Fidelis, cujo nome verdadeiros era Marcos Reyd, nascido em Sigmaringen, na Alemanha, no ano de 1577. Estudou na Universidade de Friburgo, na Suiça, formando-se em Direito, tendo exercido seu ofício em Colmar, na Alsácia, por vários anos. E era chamado de “o advogado dos pobres”, pois prestava seus serviços gratuitamente a quem não podia pagar.

Ingressou no convento dos Capuchinhos de Friburgo e no ano 1612, tornou-se frade. Foi acusado de espionagem a serviço do imperador austríaco, os calvinistas tramaram a sua morte, que ocorreu em Grusch. Dizem que ferido por um golpe de espada, pôs-se de joelhos e perdoou aos seus assassinos, rezando por eles esta oração: Senhor, perdoai meus inimigos.Cegos pela paixão, não sabem o que fazem. Senhor Jesus, tende piedade de mim. Santa Maria, Mãe de Jesus, assisti-me. Amém

Dizia sempre que, se o matassem, aceitaria com a legria morrer pelo amor a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Liturgia diária – 23/04/2012

Dia 23 de Abril – Segunda-feira

III SEMANA DA PÁSCOA* (Branco – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: Ressuscitou o bom pastor, que deu a vida por suas ovelhas e quis morrer pelo rebanho, aleluia.
Oração do dia
Ó Deus, vós que mostrais a luz da verdade aos que erram para que possam voltar ao bom caminho, concedei a todos os que se gloriam da vocação cristã rejeitem o que opõe a este nome e abracem quanto possa honrá-lo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Atos 6,8-15)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. Naqueles dias, 6 8 Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo. 9 Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele. 10 Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava. 11 Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus. 12 Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho. 13 Apresentaram falsas testemunhas que diziam: “Esse homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei. 14 Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou”. 15 Fixando nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 118/119
Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo. Que os poderosos reunidos me condenem; o que me importa é o vosso julgamento! Minha alegria é a vossa aliança, meus conselheiros são os vossos mandamentos.
Eu vos narrei a minha sorte e me atendestes, ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade! Fazei-me conhecer vossos caminhos e então meditarei vossos prodígios!
Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente! Escolhi seguir a trilha da verdade, diante de mim eu coloquei vossos preceitos.
Evangelho (João 6,22-29)
Aleluia, aleluia, aleluia. O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus (Mt 4,4). Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. 6 22 No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar percebeu que Jesus não tinha subido com seus discípulos na única barca que lá estava, mas que eles tinham partido sozinhos. 23 Nesse meio tempo, outras barcas chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças. 24 E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura. 25 Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: “Mestre, quando chegaste aqui?” 26 Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. 27 Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal”. 28 Perguntaram-lhe: “Que faremos para praticar as obras de Deus?” 29 Respondeu-lhes Jesus: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou”. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
No capítulo 6 do Evangelho de João, o tema central é o pão. Jesus, o enviado de Deus, é o pão do céu, é o pão da vida eterna. Na montanha, na outra margem do mar da Galiléia, a multidão ficou satisfeita e tomada de entusiasmo com a ação de graças de Jesus, concretizada na partilha do pão. Tendo Jesus se esquivado da multidão, esta vai a sua procura em Cafarnaum. Jesus é direto: “Estais me procurando… porque comestes o pão e ficastes saciados…”. A multidão não entendeu o “sinal”. Jesus propõe a adesão à obra de Deus: acreditar naquele que ele enviou e fazer a vontade do Pai. E isso consiste em partilhar o pão de cada dia, perdoar o irmão e permanecer firme na construção de um mundo novo de justiça e paz, onde haja pão e vida plena para todos.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Subam até vós, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; eu vo-la dou, mas não como a dá o mundo, diz o Senhor, aleluia! (Jo 14,27)
Depois da comunhão
Deus eterno e todo-poderoso, que, pela ressurreição de Cristo, nos renovais para a vida eterna, fazei frutificar em nós o sacramento pascal e infundi em nossos corações a fortaleza desse alimento salutar. Por Cristo, nosso Senhor.

MEMÓRIA FACULTATIVA

SÃO JORGE (Vermelho – Ofício da Memória)

Oração do dia: Ó deus, celebrando o vosso poder, nós vos pedimos que são Jorge seja tão pronto em socorrer-nos como o foi em imitar a paixão do Senhor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas: Aceitai, ó Deus, os dons para o sacrifício de reconciliação e louvor que vos oferecemos na festa do mártir são Jorge, para que obtenhamos o perdão e permaneçamos em ação de graças. Por Cristo, nosso Senhor.
Depois da comunhão: Recebemos, ó Deus, os dons celestes, alegrando-nos pela festa de hoje. Assim como anunciamos nesta eucaristia a morte do vosso Filho, possamos participar, com os santos mártires, de sua ressurreição e sua glória. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO JORGE):
A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.  Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.  A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.  Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.  De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.  São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente.

23/04 – Santo Adalberto e São Jorge

santo-adalbertoSanto Adalberto

Adalberto nasceu em 956, na Boêmia, atual República Checa e era descendente da nobre família dos príncipes de Slavnik. Seu nome de batismo era “Woytiech”, isto é, “socorro do exército”. Ainda bebê adoeceu gravemente, gerando uma promessa por parte dos pais: teria sua vida consagrada à Deus. Como recuperou a saúde, eles encaminharam seus estudos de forma que, mais tarde, se tornasse sacerdote. Foi educado pelo arcebispo Adalberto da cidade de Magdeburgo, do qual tomou o nome, em 983, durante sua ordenação.

Nesse mesmo ano assistiu a agonia do bispo de Praga, Diethmar I, que morreu pouco tempo depois. Seus contemporâneos o elegeram seu sucessor e em sinal de humildade e de penitência, entrou na cidade descalço. Assim que tomou posse, procurou reestruturar a diocese. Adalberto dedicou-se totalmente à proteção dos pobres e doentes.

Diz a tradição, que ele todos os dias tinha à mesa, nas refeições, a companhia de doze mendigos, em homenagem ao Santos apóstolos. Conta-se que, certa vez, uma mendiga lhe pediu esmola e, como não tinha, ele lhe deu o próprio manto. Apesar deste exemplo vivo, seu rebanho insistia em viver totalmente fora dos padrões cristãos. Desiludido, depois de seis anos ele resolveu abandonar a diocese, pedindo ao Papa João XV que o afastasse do cargo. Entrou no mosteiro de São Bonifácio onde passou cinco anos, para de novo voltar à Praga e retomar, a pedido do Papa, a direção da diocese. Contudo, novamente o povo o repudiou por causa da disciplina cristã correta que queria instaurar. Novamente decepcionado retomou angustiado à vida de monge.

Em obediência ao Papa Gregório V, Adalberto assumiu pela terceira vez a diocese de Praga. Seu regresso foi tempestuoso. Os fiéis se revoltaram e impediram que entrasse na cidade. Seus parentes sofreram atentados, os bens foram confiscados, os castelos incendiados.

Ele então se refugiou na Polônia, onde a pedido de seu amigo duque Boleslao, seguiu com alguns sacerdotes em missão evangelizadora na Prússia, que ainda era pagão. Adalberto se fixou na cidade de Danzig e converteu praticamente toda a população. Porém, os sacerdotes pagãos, vendo acabar seu poder e influência, arquitetaram e executaram o assassinato de Adalberto e de todos os religiosos que o acompanhavam.

Ele foi morto com sete golpes de lança e depois decapitado, na cidade de Tenkiten no dia 23 de abril de 997. Os inimigos entregaram seu corpo ao duque Boleslao, mediante pagamento em ouro. Adalberto foi enterrado no convento de Gniezno. Logo o seu túmulo se tornou meta de peregrinação com inúmeras graças acontecendo por sua intercessão. No ano 999 o Papa Silvestre II canonizou o primeiro bispo eslavo de Praga, Adalberto.

Em 1039 suas relíquias foram trasladadas definitivamente para a catedral de Praga, onde o primeiro pontífice eslavo da História da cristã, Carol Wojtyla, ou Papa João Paulo II, seguiu em peregrinação para as comemorações do milênio da festa de Santo Adalberto.

sao-jorgeSão Jorge

São Jorge já congregou milhares de devotos por todo o mundo, hoje vive um momento de maturidade e tranqüidade.

Como é o Padroeiro da Inglaterra, ele ainda é o santo protetor dos cavaleiros, escoteiros e militares, honra que divide também com Santo Expedito. Existem milhares de igrejas com seu nome, por ter sido um dos primeiros mártires cristãos a sofrer com as perseguições dos imperadores.

Sua notoriedade diminuiu no Brasil pelo fato de algumas religiões não cristãs ligarem sua imagem à de um orixá. Na realidade não passa de sincretismo.

Para nossa Igreja Católica, São Jorge será sempre uma figura estritamente católica, merecendo toda a nossa admiração e nosso respeito. Temos a imagem de São Jorge como um homem muito bondoso e corajoso. Em um livro Lenda Áurea, uma publicação da Idade Média, nos traz um São Jorge que teria sido paladino na Capadócia. Já em Silene, na Líbia, conta-se que ele teria salvo uma mulher que se encontrava em apuros nas garras de um dragão. O que poderemos dizer de mais certo nesta história é que ele teria sido vítima da perseguição aos cristãos feita por Diocleciano. Foi preso na Nicomedia, sendo torturado e morto por decepamento de sua cabeça.

São Jorge é muito prestigiado na Irlanda. Não sabemos ao certo porque São Jorge se tornou o padroeiro da Inglaterra, sabe-se apenas que seu nome já era muito conhecido nestes países antes mesmo da invasão sofrida por eles da Normandia, o que nos leva a acreditar que fora os cruzados que tanto divulgaram a devoção a este santo em toda a Europa.
Acredita-se que tenha sido martitizado na cidade de Dióspolis, na Palestina por volta do final do século II até o século VI.

Liturgia diária – 22/04/2012

Dia 22 de Abril – Domingo

III DOMINGO DA PÁSCOA (Branco, Glória, Creio – III Semana do Saltério)

Antífona da entrada: Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e louvor, aleluia! (Sl 65,1s)
Oração do dia
Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Atos 3,13-15.17-19)
Leitura dos Atos dos Apóstolos. Naqueles dias, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: 3 13 “O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo. 14 Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida. 15 Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas. 17 Agora, irmãos, sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos chefes. 18 Deus, porém, assim cumpriu o que já antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer. 19 Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 4
Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! Quando eu chamo, respondei-me, ó meu Deus, minha justiça! Vós que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição, atendei-me por piedade e escutai minha oração!
Compreendei que nosso Deus faz maravilhas por seu servo e que o Senhor me ouvirá quando lhe faço a minha prece!
Muitos há que se perguntam: “Quem nos dá felicidade?” Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!
Eu tranquilo vou deitar-me e na paz logo adormeço, pois só vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida!
Leitura (1 João 2,1-5)
Leitura da primeira carta de são João. 2 1 Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. 2 Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 3 Eis como sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos. 4 Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. 5 Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele. Palavra do Senhor.
Evangelho (Lucas 24,13-35)
Aleluia, aleluia, aleluia. Senhor Jesus, revelai-nos o sentido da Escritura, fazei o nosso coração arder quando nos falardes (Lc 24,32). Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. 24 35 Os dois discípulos, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão. 36 Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco!” 37 Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. 38 Mas ele lhes disse: “Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? 39 Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho”. 40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42 Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado. 43 Ele tomou e comeu à vista deles. 44 Depois lhes disse: “Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos”. 45 Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: 46 “Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. 47 E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48 Vós sois as testemunhas de tudo isso”. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Após o encontro do túmulo vazio pelas mulheres, Lucas narra as aparições do ressuscitado aos discípulos de Emaús, e, agora, aos onze apóstolos e companheiros. Este texto, exclusivo de Lucas, tem um sentido catequético. As comunidades de cristãos de origem judaica devem reler as escrituras sob a ótica da ressurreição, para perceberem a plenitude da vida de Jesus e o distinguirem do tradicional messias glorioso esperado por Israel. O núcleo da narrativa é a comunicação da paz, a afi rmação da realidade corpórea do ressuscitado e o testemunho missionário. As comunidades de discípulos devem viver na paz, conscientes da presença de Jesus. A paz é aspiração de todos os povos e religiões. Quem faz a guerra contra a paz são os poderosos, para conquistar mais riqueza e poder. A paz só pode ser encontrada em Jesus, que tem a vida eterna e a comunica a todos. A vida eterna, ultrapassada a condição temporal, como ressuscitados, envolve a totalidade da pessoa, corpo e alma, e não como um espírito desencarnado. O ressuscitado não é um espírito. Apresentando-se em “carne e osso”, identifica-se com o próprio Jesus de Nazaré. É o Jesus que partilhou o pão com o povo, que trouxe paz a todos e que continua presente na comunidade. Agora, os discípulos devem testemunhar a todas as nações a conversão à justiça para a remoção dos pecados (primeira leitura). A conversão à prática da justiça leva à construção de um mundo de paz, liberto do pecado, assumido por Deus. A conversão à justiça é a prática do mandamento do amor (segunda leitura). E pelo amor se entra em comunhão com Deus em sua vida eterna.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Acolhei, ó Deus, as oferendas da vossa Igreja em festa. Vós, que sois a causa de tão grande júbilo, concedei-lhe também a eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Era preciso que Cristo padecesse e ao terceiro dia ressurgisse dos mortos; e que em seu nome fosse pregado a todas as nações o arrependimento para o perdão dos pecados, aleluia! (Lc 24,46s)
Depois da comunhão
Ó Deus, olhai com bondade o vosso povo e concedei aos que renovastes pelos vossos sacramentos a graça de chegar um dia à glória da ressurreição da carne. Por Cristo, nosso Senhor.

22/04 – São Caio e São Sotero

sao-caioSão Caio

No Livro dos Papas, da Igreja, encontramos registrado que o Papa Caio, nasceu na Dalmácia, atual território da Bósnia, de família cristã da nobreza romana, ligada por parentesco ao imperador Diocleciano, irmão do padre Gabino e tio de Suzana, ambos canonizados.

Caio foi eleito no dia 17 de dezembro de 283. Governou a Igreja durante treze anos, num período de longa trégua nas perseguições anticristãs, que já vinham sendo bem atenuadas. Também, ocorria uma maior abertura na obtenção de concessões para as construções de novas igrejas, bem como para as ampliações dos cemitérios cristãos. Ele contou com a ajuda de seu irmão, padre Gabino e da sobrinha Suzana, que havia se consagrado à Cristo.

Antes de ser escolhido Papa, os dois irmãos sacerdotes tinham transformado em igreja, a casa em que residiam. Lá, ouviam os aflitos, pecadores; auxiliavam os pobres e doentes; celebravam as missas, distribuíam a eucaristia e ministrados os sacramentos do batismo e do casamento. Isto porque, a Igreja não tinha direito à propriedade, pois não era reconhecida pelo Império.

O grande contratempo enfrentado pelo Papa Caio se deu no âmbito interno do próprio clero, devido a crescente multiplicação de heresias, criando uma grande confusão aos devotos cristãos. A última pela ordem cronológica, na época, foi a de “Mitra”. Esta heresia era do tipo maniqueísta, de origem asiática, para a qual Deus assumia em si a contraposição celeste da luz e da treva. Esta e outras ele baniu por completo, criando harmonia entre os cristãos.

Através dos antigos escritos da Igreja, apesar do parentesco com o imperador, o Papa se recusou a ajudar Diocleciano, que pretendia receber a sobrinha dele como sua futura nora Segundo se verificou nos antigos escritos, este teria sido o motivo da ira do soberano, para o severo decreto que mandou matar todos os cristãos, começando pelos três parentes.

Papa Caio morreu decapitado em 22 de abril de 296. A Igreja confirmou a sua santificação e o seu martírio, até pelo fato de que Diocleciano encerrou por completo as perseguições somente no ano 303.

As suas relíquias foram depositadas primeiro no cemitério de São Calisto. Depois, em 631 foram trasladadas para a igreja que foi erguida no local da casa onde ele viveu, em Roma. A Igreja o reverencia com o culto litúrgico marcado para o dia de sua morte.

sao-soteroSão Sotero

Poucas são as informações biográficas de Sotero. Foi papa entre 166 e 175, período em que ser cristão era muito difícil e perigoso. Ele foi eleito o sucessor do papa Aniceto, que morreu em 165. Nasceu na cidade de Fondi, na Campânia, Itália, e seu pai se chamava Concórdio.

Durante o seu pontificado, a Igreja ampliou-se bastante. Ele mesmo ordenou inúmeros diáconos, sacerdotes e bispos; e seu pontificado foi exemplar. Disciplinou, por meio das leis canônicas, a participação das mulheres na Igreja, que até então não tinham seu caminho muito bem definido. Mas, sobretudo, o papa Sotero combateu com grande valentia e coragem as heresias que pairavam sobre a Igreja dos tempos iniciais do cristianismo.

No seu tempo, foi extinta a heresia de Montano, que propunha um exagerado rigor de costumes. Era uma doutrina de medo e de pessimismo, porque o fim do mundo sempre poderia acontecer a qualquer momento. Supondo isso, todos os cristãos deveriam viver numa santidade irreal, renunciando ao matrimônio e buscando o sofrimento da penitência constante, porque, segundo Montano, a Igreja não tinha faculdades para perdoar os pecados. Essa doutrina, que também era defendida por Tertuliano e, principalmente, Novaciano, foi condenada pela Igreja na época do papa Sotero.

Ele defendeu a doutrina ensinada por Jesus Cristo e que a Igreja sempre continuou praticando, ou seja, que para o pecador verdadeiramente arrependido não existe pecado, por maior que seja, a que não se possa conceder o perdão. Assim, desapareceu o clima de rigor e pessimismo que tanto atormentava os cristãos, tão contrário ao da doutrina do Evangelho, que prega o amor, o perdão, a alegria e a esperança.

Outra característica do papa Sotero foi sua ardente caridade para com os necessitados. Ele desejava que se vivesse como os primeiros cristãos, citados nos textos dos apóstolos, onde “tudo era comum entre eles” e onde “todos eram um só coração e uma só alma…” Papa Sotero pedia esmolas para as dioceses mais ricas, para que fossem distribuídas entre as mais pobres e esforçava-se “por tratar a todos com palavras e obras, como um pai trata os seus filhos”.

Ele foi um eloqüente defensor dos cristãos perseguidos e deixou isso registrado na carta que enviou especialmente para os de Corinto. Os vestígios dela foram encontrados quando Eusébio de Cesaréia entregou a ele a eufórica resposta de Dionísio, em agradecimento pelo conforto que o valoroso papa levou aos corações aflitos pela morte iminente.

Provavelmente, foi este corajoso apoio que levou ao martírio o papa Sotero, que morreu em 20 ou 22 de abril de 175, pela perseguição do imperador Marco Aurélio. Segundo uma antiga tradição, mantida pela Igreja, são Sotero é homenageado no dia 22 de abril.

Liturgia diária – 21/04/2012

Dia 21 de Abril – Sábado

II SEMANA DA PÁSCOA* (Branco – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: Povo resgatado por Deus, proclamai suas maravilhas: ele vos chamou das trevas á sua luz admirável, aleluia! (1Pd 2,9).
Oração do dia
Ó Deus, por quem fomos remidos e adotados como filhos, velai sobre nós em vosso amor de Pai e concedei aos que crêem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Atos 6,1-7)
Leitura do livro dos Atos dos Apóstolos. 6 1 Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária. 2 Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: “Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar. 3 Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício. 4 Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra”. 5 Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.  6 Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos. 7 Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 32/33
Sobre nós, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos! Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. Daí graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o!
Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.
O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem e que confiam, esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria.
Evangelho (João 6,16-21)
Aleluia, aleluia, aleluia. Ressurgiu Cristo, o Senhor, que criou tudo; ele teve compaixão da humanidade. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. 6 16 Chegada a tarde, os seus discípulos desceram à margem do lago. 17 Subindo a uma barca, atravessaram o lago rumo a Cafarnaum. Era já escuro, e Jesus ainda não se tinha reunido a eles. 18 O mar, entretanto, se agitava, porque soprava um vento rijo. 19 Tendo eles remado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus que se aproximava da barca, andando sobre as águas, e ficaram atemorizados. 20 Mas ele lhes disse: “Sou eu, não temais”. 21 Quiseram recebê-lo na barca, mas pouco depois a barca chegou ao seu destino. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
RECONHECENDO O SENHOR O processo de reconhecimento de Jesus Ressuscitado foi acontecendo em meio a fadigas e dificuldades que a comunidade encontrava em seu caminho de fé. Ao professar a fé no Ressuscitado, os cristãos viam-se questionados de várias formas. O fato mesmo de fazer a salvação depender de quem fora crucificado deixara-os em crise.
Segundo a mentalidade da época, quem morria na cruz, era tido como um amaldiçoado por Deus. Com Jesus teria sido diferente? Ou será que, de fato, Deus o resgatara da morte, restituindo-lhe a vida, de modo a estar sempre junto dos seus? Essas e outras dúvidas persistiam na comunidade de fé, exigindo uma resposta.
A experiência no lago, por ocasião de uma travessia, revela a situação da comunidade. A escuridão da noite, a força do vento e a agitação do mar impediam os discípulos de perceber Jesus se aproximando. Sua figura perdia-se na nebulosidade. Os discípulos tiveram certa dificuldade para superar a situação. Por sua vez, o Mestre os exortou a não temer, pois ele mesmo estava ali, junto deles. “Sou eu; não tenham medo!”- assegurou-lhes, chamando-os à realidade. A certeza desta presença descortinou-lhes um novo horizonte de segurança e de tranqüilidade.
A comunidade de fé reconhece o Ressuscitado, em meio às adversidades da vida. Importa não se deixar abater, pois ele está no meio de nós.
Oração Espírito de lucidez dissipa as trevas que me impedem de reconhecer a presença do Ressuscitado, junto de mim e da comunidade.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Sobre as oferendas
Dignai-vos, ó Deus, santificar estes dons e, aceitando este sacrifício espiritual, fazei de nós mesmos uma oferenda eterna para vós. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que contemplem a glória que me deste, aleluia! (Jo 17,24).
Depois da comunhão
Tendo participado do sacramento do Corpo e do Sangue do vosso Filho, nós vos suplicamos, ó Deus, que nos faça crescer em caridade a eucaristia que ele nos mandou realizar em sua memória. Por Cristo, nosso Senhor.

MEMÓRIA FACULTATIVA

SANTO ANSELMO (Branco – Ofício da Memória)

Oração do dia: Ó Deus, que concedestes ao bispo santo Anselmo investigar e ensinar as profundezas de vossa sabedoria, fazei que a fé venha em auxílio de nossa inteligência, tornando suaves ao nosso coração as verdades que devemos crer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas: Olhai com bondade, ó Deus, o sacrifício que vamos oferecer em vosso altar na festa de santo Anselmo, para que, alcançando-nos o perdão, glorifique o vosso nome. Por Cristo, nosso Senhor.
Depois da comunhão: Alimentados pela eucaristia, nós vos pedimos, ó Deus, que, seguindo o exemplo de santo Anselmo, procuremos proclamar a fé que abraçou e praticar a doutrina que ensinou. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTO ANSELMO):
Anselmo fugiu de casa para poder tornar-se um religioso. Para ele o significado do ato ia além de abandonar a proteção paterna, significava esquecer toda a fortuna e influência que sua família possuía.  Anselmo nasceu em Aosta, no norte da Itália, em 1033, e seu pai freqüentava as rodas da nobreza reinante. Por isso projetou para o filho uma carreira que manteria e até aumentaria a fortuna do clã, razão pela qual se opunha rigidamente à vontade do filho de tornar-se sacerdote. Como Anselmo perdera a mãe muito cedo, e tinha um coração doce e manso, como registram os escritos, fez a vontade do pai até os vinte anos.  Mas, dentro de si, a tristeza crescia. Anselmo queria dedicar-se de corpo e alma à sua fé, contrária à vida mundana de festas em meio ao luxo e à riqueza. Estudava com os beneditinos e sua vocação o chamava a todo instante. Assim, um dia não agüentou mais e fugiu de casa.  Vagou pela Borgonha e pela França até chegar à Normandia, onde, então, se entregou aos estudos religiosos, sob a orientação do monge Lanfranco. Em pouco tempo, ordenou-se e formou-se teólogo. Tão rapidamente quanto sua alma desejava, viu-se eleito abade do mosteiro e professor. Passou, então, a pregar pelas redondezas e, como o cargo o permitia, a liderar a implantação de uma grande reforma monástica.  Como seu trabalho lhe trouxe renome, passou a influenciar intelectualmente na sua época, tanto espiritual quanto materialmente, por meio do que escrevia. Foram tantos os escritos deixados por ele que é considerado o fundador da ciência teológica no Ocidente.  Chegou a arcebispo-primaz da Inglaterra. Conta-se que enfrentou duras perseguições do rei Guilherme, o Vermelho, e de Henrique I. Mas tinha a fala tão mansa e argumentos tão pacíficos que com eles desarmava seus inimigos e virava o jogo a seu favor.  Anselmo morreu em Canterbury, com setenta e seis anos, no dia 21 de abril de 1109, e foi declarado “doutor da Igreja” pelo papa Clemente XI em 1720.