Oração Eucarística VI-A

Oração Eucarística VI-A

(A Igreja a caminho da unidade – Missal, página 842)

PR: Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças e cantar-vos um hino de glória e louvor, Senhor, Pai de infinita bondade. Pela palavra do evangelho do vosso Filho reunistes uma só Igreja de todos os povos, línguas e nações. Vivificada pela força do vosso Espírito, não deixais, por meio dela, de congregar na unidade todos os seres humanos. Assim, manifestando a aliança do vosso amor, a Igreja transmite constantemente a alegre esperança do vosso reino e brilha como sinal da vossa fidelidade que prometestes para sempre em Jesus Cristo, Senhor nosso. Por esta razão, com todas as virtudes do céu, nós vos celebramos na terra, cantando (dizendo) a uma só voz:

AS: Santo, santo, santo…

PR: Na verdade, vós sois santo digno de louvor, ó Deus, que amais os seres humanos e sempre os assistis no caminho da vida. Na verdade, é bendito o vosso Filho, presente no meio de nós, quando nos reunimos por seu amor. Como outrora aos discípulos, ele nos revela as Escrituras e parte o pão para nós.

AS: O vosso Filho permaneça entre nós!

PR: Nós vos suplicamos, Pai de bondade, que envieis o vosso Espírito Santo para santificar estes dons do pão e do vinho, a fim de que se tornem para nós o Corpo e † o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

AS: Mandai o vosso Espírito Santo!

PR: Na véspera de sua paixão, durante a última ceia, ele tomou o pão, deu graças e o partiu e deu a seus discípulos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.
Do mesmo modo, ao fim da ceia, ele tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente o deu a seus discípulos, dizendo:
TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA
ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO
POR VÓS E POR TODOS,
PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

AS: Salvador do mundo, salvai-nos, vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição!

PR: Celebrando, pois, ó Pai santo, a memória de Cristo, vosso Filho, nosso salvador, que pela paixão e morte de cruz fizestes entrar na glória da ressurreição e colocastes à vossa direita, anunciamos a obra do vosso amor até que ele venha e vos oferecemos o pão da vida e o cálice da bênção. Olhai com bondade para a oferta da vossa Igreja. Nela vos apresentamos o sacrifício pascal de Cristo, que vos foi entregue. E concedei que, pela força do Espírito do vosso amor, sejamos contados, agora e por toda a eternidade, entre os membros do vosso Filho, cujo Corpo e Sangue comungamos.

AS: Aceitai, ó Senhor, a nossa oferta!

PR: Renovai, Senhor, à luz do evangelho, a vossa Igreja (que está em…). Fortalecei o vínculo da unidade entre os fiéis leigos e os pastores do vosso povo, em comunhão com o nosso papa e o nosso bispo (…) e os bispos do mundo inteiro, para que o vosso povo, neste mundo dilacerado por discórdias, brilhe como sinal profético de unidade e de paz.

AS: Confirmai na caridade o vosso povo!

PR: Lembrai-vos dos nossos irmãos e irmãs (…), que adormeceram na paz do vosso Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé só vós conhecestes: acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes, no dia da ressurreição, a plenitude da vida.

AS: Concedei-lhes, ó Senhor, a luz eterna!

PR: Concedei-nos ainda, no fim da nossa peregrinação terrestre, chegarmos todos à morada eterna, onde viveremos para sempre convosco. E em comunhão com a bem-aventurada virgem Maria, com os apóstolos e mártires (santo do dia ou padroeiro) e todos os santos, vos louvaremos e glorificaremos, por Jesus Cristo, vosso Filho.

Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.

AS: Amém!

Oração Eucarística VI-B

Oração Eucarística VI-B
(Deus conduz sua Igreja pelo caminho da salvação – Missal, página 848)

PR: Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, criador do mundo e fonte da vida. Nunca abandonais a obra da vossa sabedoria, agindo sempre no meio de nós. Com vosso braço poderoso, guiastes pelo deserto o vosso povo de Israel. Hoje, com a luz e a força do Espírito Santo, acompanhais sempre a vossa Igreja, peregrina neste mundo; e por Jesus Cristo, vosso Filho, a acompanhais pelos caminhos da história até a felicidade perfeita em vosso reino. Por esta razão, também nós, com os anjos e santos, proclamamos a vossa glória, cantando (dizendo) a uma só voz:

AS: Santo, santo, santo…

PR: Na verdade, vós sois santo digno de louvor, ó Deus, que amais os seres humanos e sempre os assistis no caminho da vida. Na verdade, é bendito o vosso Filho, presente no meio de nós, quando nos reunimos por seu amor. Como outrora aos discípulos, ele nos revela as Escrituras e parte o pão para nós.

AS: O vosso Filho permaneça entre nós!

PR: Nós vos suplicamos, Pai de bondade, que envieis o vosso Espírito Santo para santificar estes dons do pão e do vinho, a fim de que se tornem para nós o Corpo e † o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

AS: Mandai o vosso Espírito Santo!

PR: Na véspera de sua paixão, durante a última ceia, ele tomou o pão, deu graças e o partiu e deu a seus discípulos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.
Do mesmo modo, ao fim da ceia, ele tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente o deu a seus discípulos, dizendo:
TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA
ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO
POR VÓS E POR TODOS,
PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

AS: Salvador do mundo, salvai-nos, vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição!

PR: Celebrando, pois, ó Pai santo, a memória de Cristo, vosso Filho, nosso salvador, que pela paixão e morte de cruz fizestes entrar na glória da ressurreição e colocastes à vossa direita, anunciamos a obra do vosso amor até que ele venha e vos oferecemos o pão da vida e o cálice da bênção. Olhai com bondade para a oferta da vossa Igreja. Nela vos apresentamos o sacrifício pascal de Cristo, que vos foi entregue. E concedei que, pela força do Espírito do vosso amor, sejamos contados, agora e por toda a eternidade, entre os membros do vosso Filho, cujo Corpo e Sangue comungamos.

AS: Aceitai, ó Senhor, a nossa oferta!

PR: Fortalecei, Senhor, na unidade os convidados a participar da vossa mesa. Em comunhão com o nosso papa e o nosso bispo (…) com todos os bispos, presbíteros, diáconos e com todo o vosso povo, possamos irradiar confiança e alegria e caminhar com fé e esperança pelas estradas da vida.

AS: Tornai viva nossa fé, nossa esperança!

PR: Lembrai-vos dos nossos irmãos e irmãs (…), que adormeceram na paz do vosso Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé só vós conhecestes: acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes, no dia da ressurreição, a plenitude da vida.

AS: Concedei-lhes, ó Senhor, a luz eterna!

PR: Concedei-nos ainda, no fim da nossa peregrinação terrestre, chegarmos todos à morada eterna, onde viveremos para sempre convosco. E em comunhão com a bem-aventurada virgem Maria, com os apóstolos e mártires (santo do dia ou padroeiro) e todos os santos, vos louvaremos e glorificaremos, por Jesus Cristo, vosso Filho.

Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.

AS: Amém!

Oração Eucarística VI-C

Oração Eucarística VI-C
(Jesus, caminho para o Pai – Missal, página 854)

PR: Na verdade, ó Pai, é nosso dever dar-vos graças,  sempre e em todo lugar, Pai santo, Senhor do céu e da terra, por Cristo, Senhor  nosso. Pela vossa palavra criastes o universo e e em vossa justiça tudo  governais. Tendo-se encarnado, vós nos destes o vosso Filho como mediador. Ele  nos dirigiu a vossa palavra, convidando-nos a seguir seus passos. Ele é o  caminho que conduz para vós, a verdade que nos liberta e ávida que nos enche de  alegria. Por vosso filho, reunis em uma só família os homens e as mulheres  criados para a glória de vosso nome, reunidos pelo sangue de sua cruz e  marcados com o selo do vosso Espírito. Por essa razão, agora e sempre, nós nos  unimos à multidão dos anjos e dos santos, cantando (dizendo)  a uma só voz:

AS: Santo, santo, santo…

PR: Na verdade, vós sois santo e digno de louvor, ó  Deus, que amais os seres humanos e sempre os assistir no caminho da vida. Na  verdade, é bendito o vosso filho, presente no meio de nós, quando nos reunimos  por seu amor. Como outrora aos discípulos, ele nos revela as Escrituras e parte  o pão para nós.

AS: O vosso filho permaneça entre nós!

PR: Nós vos suplicamos, Pai de bondade, que envieis  o vosso Espírito Santo para santificar estes dons do pão e do vinho, a fim de  que se tornem para nós o Corpo † e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

AS: Mandai o vosso Espírito Santo!

PR: Na véspera de sua paixão, durante a última ceia,  ele tomou o pão, deu graças, e o partiu e deu a seus discípulos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.
Do mesmo modo, ao fim da ceia, ele, tomando o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o entregou a seus discípulos, dizendo:
TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA
ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO
POR VÓS E POR TODOS,
PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

AS: Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos  a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

PR: Celebrando, pois, ó Pai santo, a memória de  Cristo, vosso filho, nosso salvador, que pela paixão e morte de cruz fizestes  entrar na glória da ressurreição e colocastes à vossa direita, anunciamos a  obra do vosso amor até que ele venha e vos oferecemos o pão da vida e o cálice  da bênção. Olhai com bondade para a oferta da vossa Igreja. Nela vos  apresentamos o sacrifício pascal de Cristo, que vos foi entregue. E concedei  que, pela força do Espírito do vosso amor, sejamos contados, agora e por toda a  eternidade, entre os membros do vosso filho, cujo Corpo e Sangue comungamos.

AS: Aceitai, ó Senhor, a nossa oferta!

PR: Pela participação neste mistério, ó Pai  todo-poderoso, santificai-nos pelo Espírito e concedei que nos tornemos  semelhantes à imagem de vosso filho. Fortalecei-nos na unidade, em comunhão com  o nosso papa (…) e o nosso bispo (…), com todos os bispos, presbíteros e  diáconos e todo o vosso povo.

AS: O vosso Espírito nos una num só corpo!

PR: Fazei que todos os membros da Igreja, à luz da  fé, saibam reconhecer os sinais dos tempos e empenhe-se, de verdade, no serviço  do evangelho. Tornai-nos abertos e disponíveis para todos, para que possamos  partilhar as dores e as angústias, as alegrias e as esperanças, e andar juntos no  caminho do vosso reino.

AS: Caminhamos no amor e na alegria!

PR: Lembrai-vos dos nossos irmãos e irmãs (…), que  adormeceram na paz do vosso Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé só vós  conhecestes: acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes, no dia da  ressurreição, a plenitude da vida.

AS: Concedei-lhes, ó Senhor, a luz eterna!

PR: Concedei-nos, ainda, no fim da nossa  peregrinação terrestre, chegarmos todos à morada eterna, onde viveremos para  sempre convosco. E em comunhão com a bem-aventurada virgem Maria, com os  apóstolos e mártires (santo do dia ou padroeiro) e todos os santos, vos  louvaremos e glorificaremos, por Jesus Cristo, vosso filho. E a todos nós,  vossos filhos e filhas, concedei, ó Pai de bondade, que, com a virgem Maria,  mãe de Deus, com os apóstolos e todos os santos, possamos alcançar a herança  eterna no vosso reino, onde, com todas as criaturas, libertas da corrupção do  pecado e da morte, vos glorificaremos por Cristo, Senhor nosso.

Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus  Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória,  agora e para sempre.

AS: Amém!

Oração Eucarística VI-D

Oração Eucarística VI-D
(Jesus que passa fazendo o bem –  Missal, página 860)

PR: Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação  dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Pai misericordioso e Deus fiel. Vós nos  destes vosso filho, Jesus Cristo, nosso Senhor e redentor. Ele sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos  pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos  perseguidos e marginalizados. Com a vida e a palavra anunciou ao mundo que sois  Pai e cuidais de todos como filhos e filhas. Por essa razão, com todos os anjos  e santos, nos vos louvamos e bendizemos, e proclamamos o hino de vossa glória, cantando (dizendo) a uma só voz:

AS: Santo, santo, santo…

PR: Na verdade, vós sois santo e digno de louvor, ó  Deus, que amais os seres humanos e sempre os assistir no caminho da vida. Na  verdade, é bendito o vosso filho, presente no meio de nós, quando nos reunimos  por seu amor. Como outrora aos discípulos, ele nos revela as Escrituras e parte  o pão para nós.

AS: O vosso filho permaneça entre nós!

PR: Nós vos suplicamos, Pai de bondade, que envieis  o vosso Espírito Santo para santificar estes dons do pão e do vinho, a fim de  que se tornem para nós o Corpo † e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

AS: Mandai o vosso Espírito Santo!

PR: Na véspera de sua paixão, durante a última ceia,  ele tomou o pão, deu graças, e o partiu e deu a seus discípulos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.
Do mesmo modo, ao fim da ceia, ele, tomando o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o entregou a seus discípulos, dizendo:
TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA
ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO
POR VÓS E POR TODOS,
PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

AS: Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos  a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

PR: Celebrando, pois, ó Pai santo, a memória de  Cristo, vosso filho, nosso salvador, que pela paixão e morte de cruz fizestes  entrar na glória da ressurreição e colocastes à vossa direita, anunciamos a  obra do vosso amor até que ele venha e vos oferecemos o pão da vida e o cálice  da bênção. Olhai com bondade para a oferta da vossa Igreja. Nela vos  apresentamos o sacrifício pascal de Cristo, que vos foi entregue. E concedei  que, pela força do Espírito do vosso amor, sejamos contados, agora e por toda a  eternidade, entre os membros do vosso filho, cujo Corpo e Sangue comungamos.

AS: Aceitai, ó Senhor, a nossa oferta!

PR: Senhor Deus, conduzi a vossa Igreja à perfeição  na fé e no amor, em comunhão com o nosso papa (…), o nosso bispo (…), com  todos os bispos, presbíteros e diáconos e todo o povo que conquistastes.

AS: Confirmai o vosso povo na unidade!

PR: Dai-nos olhos para ver as necessidades e os  sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs; inspirai-nos palavras e ações para  confortar os desanimados e oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo e seguindo  o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles. Vossa Igreja seja  testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda a  humanidade se abra à esperança de um mundo novo.

AS: Ajudai-nos a criar um mundo novo!

PR: Lembrai-vos dos nossos irmãos e irmãs (…), que  adormeceram na paz do vosso Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé só vós  conhecestes: acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes, no dia da  ressurreição, a plenitude da vida.

AS: Concedei-lhes, ó Senhor, a luz eterna!

PR: Concedei-nos, ainda, no fim da nossa  peregrinação terrestre, chegarmos todos à morada eterna, onde viveremos para  sempre convosco. E em comunhão com a bem-aventurada virgem Maria, com os  apóstolos e mártires (santo do dia ou padroeiro) e todos os santos, vos  louvaremos e glorificaremos, por Jesus Cristo, vosso filho.

Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus  Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória,  agora e para sempre.

AS: Amém!

Oração Eucarística VII

Oração Eucarística VII
(Sobre reconciliação – Missal, página 866)

PR: Na verdade, é justo e bom agradecer-vos, Deus  Pai, porque constantemente nos chamais a viver na felicidade completa. Vós,  Deus de ternura e de bondade, nunca vos cansais de perdoar. Ofereceis vosso  perdão a todos, convidando os pecadores a entregar-se confiantes à vossa  misericórdia.

AS: Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia!

PR: Jamais nos rejeitastes, quando quebramos a vossa  aliança, mas, por Jesus, vosso Filho e nosso irmão, criastes com a família  humana novo laço de amizade, tão estreito e forte, que nada poderá romper.  Concedeis agora a vosso povo tempo de graça e reconciliação. Daí, pois, em  Cristo, novo alento à vossa Igreja, para que se volte para vós. Fazei que,  sempre mais dócil ao Espírito Santo, se coloque ao serviço de todos.

AS: Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia!

PR: Cheios de admiração e reconhecimento, unimos  nossa voz à voz das multidões do céu para cantar o poder de vosso amor e  alegria da nossa salvação:

AS: Santo, santo, santo…

PR: Ó Deus, desde a criação do mundo, fazeis o bem a  cada um de nós para sermos santos como vós sois santo. Olhai vosso povo aqui  reunido e derramai a força do Espírito, para que estas oferendas se tornem o  Corpo e o Sangue do Filho muito amado, no qual também somos vossos filhos.  Enquanto estávamos perdidos e incapazes de vos encontrar, vós nos amastes de  modo admirável, pois vosso filho – o justo e santo – entregou-se em nossas  mãos, aceitando ser pregado na cruz.

AS: Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia!

PR: Antes, porém, de seus braços abertos traçarem  entre o céu e a terra o sinal permanente da vossa aliança, Jesus quis celebrar  a Páscoa com seus discípulos. Ceando com eles, tomou o pão e pronunciou a  bênção de ação de graças. Depois, partindo o pão, o deu a seus amigos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.
Ao fim da ceia, Jesus, sabendo que ia reconciliar todas as coisas pelo sangue a ser derramado na cruz, tomou o cálice com vinho. Deu graças novamente e passou o cálice a seus amigos, dizendo:
TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA
ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO
POR VÓS E POR TODOS,
PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

AS: Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa  ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

PR: Lembramo-nos de Jesus Cristo, nossa páscoa e  certeza da paz definitiva. Hoje celebramos sua morte e ressurreição, esperando  o dia feliz de sua vinda gloriosa. Por isso, vos apresentamos, ó Deus fiel, a  vítima de reconciliação que nos faz voltar á vossa graça.

AS: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!

PR: Olhai com amor, Pai misericordioso, aqueles que  atraís para vós, fazendo-os participar no único sacrifício de Cristo. Pela  força do Espírito Santo, todos se tornem um só corpo bem unido, no qual todas  as divisões sejam superadas.

AS: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!

PR: Conservai-nos, em comunhão de fé e amor, unidos  ao papa Bento XVI e ao nosso bispo (…). Ajudai-nos a trabalhar juntos na  construção do vosso reino, até o dia em que, diante de vós, formos santos com  os vossos santos, ao lado da virgem Maria e dos apóstolos, com nossos irmãos e  irmãs já falecidos que confiamos à vossa misericórdia. Quando fizermos parte da  nova criação, enfim libertada de toda maldade e fraqueza, poderemos cantar a  ação de graças de Cristo que vive para sempre.

AS: Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa!

PR: Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus  Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória,  agora e para sempre.

AS: Amém!

Oração Eucarística VIII

Oração Eucarística VIII
(Sobre reconciliação 2 – Missal, página 871)

PR: Nós vos agradecemos, Deus Pai todo-poderoso, e por causa de vossa ação no mundo vos louvamos pelo Senhor Jesus. No meio da humanidade, dividida em contínua discórdia, sabemos por experiência que sempre levais as pessoas a procurar a reconciliação. Vosso Espírito Santo move os corações, de modo que os inimigos voltem à amizade, os adversários se dêem as mãos e os povos procurem reencontrar a paz.

PR: Sim, ó Pai, porque é obra vossa que a busca da paz vença os conflitos, que o perdão supere o ódio e vingança dê lugar à reconciliação. Por tudo de bom que fazeis, Deus de misericórdia, não podemos deixar de vos louvar e agradecer. Unidos ao corro dos reconciliados, cantamos (dizemos) a uma só voz:

AS: Santo, santo, santo…

PR: Deus de amor e de poder, louvado sois em vosso Filho, Jesus Cristo, que veio em vosso nome. Ele é a vossa palavra que liberta e salva toda a humanidade. Ele é a mão que estendeis aos pecadores. Ele é o caminho pelo qual nos chega a vossa paz

AS: Fazei-nos, ó Pai, instrumentos de vossa paz!

PR: Deus, nosso Pai, quando vos abandonamos, vós nos reconduzistes por vosso Filho, entregando-o à morte para que voltássemos a vós e nos amássemos uns aos outros. Por isso, celebramos a reconciliação que vosso filho nos mereceu. Cumprindo o que ele nos mandou, vos pedimos: santificai, † por vosso Espírito, estas oferendas. Antes de dar a vida para nos libertar, durante a última ceia, Jesus tomou o pão, pronunciou a bênção de ação de graças e o entregou a seus discípulos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.
Do mesmo modo, ao fim da ceia, ele tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente o deu a seus discípulos, dizendo:
TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA
ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO
POR VÓS E POR TODOS,
PRA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

Eis o mistério da fé!

AS: Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

PR: Ó Deus, Pai de misericórdia, vosso filho nos deixou esta prova de amor. Celebrando a sua morte e ressurreição, nós vos damos aquilo que nos destes: o sacrifício da perfeita reconciliação.

AS: Glória e louvor ao Pai, que em Cristo nos reconciliou!

PR: Nós vos pedimos, ó Pai, aceita-nos também com vosso Filho e, nesta ceia, dai-nos o mesmo Espírito, de reconciliação e de paz.

AS: Glória e louvor ao Pai, que em Cristo nos reconciliou!

PR: Ele nos conserve em comunhão com o papa e o nosso bispo (…) com todos os bispos e o povo que conquistastes. Fazei de vossa Igreja sinal da unidade entre os seres humanos e instrumento da vossa paz!

AS: Glória e louvor ao Pai, que em Cristo nos reconciliou!

PR: Assim como aqui nos reunistes, ó Pai, à mesa do vosso Filho em união com a virgem Maria, mãe de Deus, e com todos os santos, reuni no mundo novo, onde brilha a vossa paz, os homens e as mulheres de todas as classes e nações, de todas as raças e línguas, para a ceia da comunhão eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor.

AS: Glória e louvor ao Pai, que em Cristo nos reconciliou!

PR: Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.

AS: Amém!


Oração Eucarística IX
(Crianças I – Missal, página 1.025)

PR: Deus nosso Pai, vós nos reunistes e aqui estamos todos juntos, para celebrar vossos louvores com o coração em festa. Nós vos louvamos por todas as coisas bonitas que existem no mundo e também pela alegria que dais a todos nós. Nós vos louvamos pela luz do dia e por vossa palavra que é nossa luz. Nós vos louvamos pela terra onde moram todas as pessoas. Obrigado pela vida que de vós recebemos.

AS: O céu e a terra proclamam a vossa glória! Hosana nas alturas!

PR: Sim, ó Pai, vós sois muito bom: amais a todos  nós e fazeis por nós coisas maravilhosas. Vós sempre pensais em todos e quereis  ficar perto de nós. Mandastes vosso filho querido para viver no meio de nós.  Jesus veio para nos salvar: curou os doentes, perdoou os pecadores. Mostrou a  todos o vosso amor, ó Pai; acolheu e abençoou as crianças.

AS: Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!

PR: Nós não estamos sozinho para cantar vossos  louvores. Estamos bem unidos com a Igreja inteira: com o papa Bento XVI, com o  nosso bispo (…) e com todos os nossos irmãos.

AS: Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!

PR: No céu também, ó Pai, todos cantam o vosso  louvor: Maria, mãe de Jesus, os apóstolos, os anjos e os santos, vossos amigos.  Nós, aqui na terra, unidos a eles, com todas as crianças do mundo e suas  famílias, alegres cantamos (dizemos) a uma só  voz:

AS: Santo, santo, santo, Senhor, Deus do universo! Hosana nas alturas!

PR: Pai, para vos dizer muito obrigado, trouxemos este pão e este vinho: pedimos que mandeis vosso Espírito Santo para que estas nossas ofertas se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus, vosso Filho querido. Assim, ó Pai, vos oferecemos o mesmo dom que vós nos dais.

AS: Bendito sejais, Senhor Jesus!

PR: Jesus, antes de sua morte, pôs-se à mesa com os apóstolos, tomou o pão nas mãos e, rezando, deu graças. Depois partiu o pão e o deu a seus amigos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

AS: Bendito sejais, Senhor Jesus!

PR: Antes de terminar a ceia, Jesus pegou o cálice  de vinho e agradeceu de novo. Depois o deu a seus amigos, dizendo:

TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA
ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO
POR VÓS E POR TODOS,
PRA REMISSÃO DOS PECADOS.

E disse também:
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

AS: Bendito sejais, Senhor Jesus!

PR: Nesta reunião fazemos o que Jesus mandou.  Lembramos a morte e ressurreição de Jesus que vive no meio de nós. Oferecemos,  também, este pão que dá a vida e este cálice da nossa salvação. Junto com  Jesus, ó Pai, entregamos a nossa vida em vossas mãos.

AS: Com Jesus, recebei nossa vida!

PR: Pai que tanto nos amais, deixai-nos aproximar  desta mesa para receber o Corpo e o Sangue do vosso Filho. Pedimos que o  Espírito Santo nos ajude a viver unidos na alegria. Ó Pai, sabemos que sempre  vos lembrais de todos. Pó isso, pedimos por aqueles que nós amamos (…) e por  todos os que morreram em vossa paz. Cuidai dos que sofrem e andam tristes; olhai  com carinho o povo cristão e todas as pessoas do mundo.

AS: Com Jesus, recebei nossa vida!

PR: Diante de tudo o que fazeis por meio de vosso  Filho, Jesus, nós vos bendizemos e louvamos.

Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus  Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória,  agora e para sempre.

AS: Amém!

Bíblia

Gênesis

Gênesis

 Capítulo 1

1. No princípio, Deus criou os céus e a terra.
2. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.
3. Deus disse: “Faça-se a luz!” E a luz foi feita.
4. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.
5. Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia.
6. Deus disse: “Faça-se um firmamento entre as águas, e separe ele umas das outras”.
7. Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima.
8. E assim se fez. Deus chamou ao firmamento CÉUS. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o segundo dia.
9. Deus disse: “Que as águas que estão debaixo dos céus se ajuntem num mesmo lugar, e apareça o elemento árido.” E assim se fez.
10. Deus chamou ao elemento árido TERRA, e ao ajuntamento das águas MAR. E Deus viu que isso era bom.
11. Deus disse: “Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente.” E assim foi feito.
12. A terra produziu plantas, ervas que contêm semente segundo a sua espécie, e árvores que produzem fruto segundo a sua espécie, contendo o fruto a sua semente. E Deus viu que isso era bom.
13. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o terceiro dia.
14. Deus disse: “Façam-se luzeiros no firmamento dos céus para separar o dia da noite; sirvam eles de sinais e marquem o tempo, os dias e os anos,
15. e resplandeçam no firmamento dos céus para iluminar a terra”. E assim se fez.
16. Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas.
17. Deus colocou-os no firmamento dos céus para que iluminassem a terra,
18. presidissem ao dia e à noite, e separassem a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom.
19. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o quarto dia.
20. Deus disse: “Pululem as águas de uma multidão de seres vivos, e voem aves sobre a terra, debaixo do firmamento dos céus.”
21. Deus criou os monstros marinhos e toda a multidão de seres vivos que enchem as águas, segundo a sua espécie, e todas as aves segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom.
22. E Deus os abençoou: “Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra.”
23. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o quinto dia.
24. Deus disse: “Produza a terra seres vivos segundo a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo a sua espécie.” E assim se fez.
25. Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie, os animais domésticos igualmente, e da mesma forma todos os animais, que se arrastam sobre a terra. E Deus viu que isso era bom.
26. Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra.”
27. Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.
28. Deus os abençoou: “Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.”
29. Deus disse: “Eis que eu vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas a sua semente, para que vos sirvam de alimento.
30. E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus, a tudo o que se arrasta sobre a terra, e em que haja sopro de vida, eu dou toda erva verde por alimento.” E assim se fez.
31. Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o sexto dia.

 
Capítulo 2

1. Assim foram acabados os céus, a terra e todo seu exército.
2. Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho.
3. Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação.
4. Tal é a história da criação dos céus e da terra.
5. No tempo em que o Senhor Deus fez a terra e os céus, não existia ainda sobre a terra nenhum arbusto nos campos, e nenhuma erva havia ainda brotado nos campos, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem que a cultivasse;
6. mas subia da terra um vapor que regava toda a sua superfície.
7. O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente.
8. Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o homem que havia criado.
9. O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.
10. Um rio saía do Éden para regar o jardim, e dividia-se em seguida em quatro braços:
11. O nome do primeiro é Fison, e é aquele que contorna toda a região de Evilat, onde se encontra o ouro.
12. (O ouro dessa região é puro; encontra-se ali também o bdélio e a pedra ônix.)
13. O nome do segundo rio é Geon, e é aquele que contorna toda a região de Cusch.
14. O nome do terceiro rio é Tigre, que corre ao oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.
15. O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo.
16. Deu-lhe este preceito: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim;
17. mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.”
18. O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.”
19. Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levou-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome.
20. O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada.
21. Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar.
22. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.
23. “Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.”
24. Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.
25. O homem e a mulher estavam nus, e não se envergonhavam.

 
Capítulo 3

1. A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”
2. A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim.
3. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.”
4. “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis!
5. Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.”
6. A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente.
7. Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si.
8. E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim.
9. Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?”
10. E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me.”
11. O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?”
12. O homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.”
13. O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso?” “A serpente enganou-me,– respondeu ela – e eu comi.”
14. Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida.
15. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”
16. Disse também à mulher: Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio.”
17. E disse em seguida ao homem: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida.
18. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra.
19. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar.”
20. Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes.
21. O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles, e os vestiu.
22. E o Senhor Deus disse: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente.”
23. O Senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden, para que ele cultivasse a terra donde tinha sido tirado.
24. E expulsou-o; e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida.

 
Capítulo 4

1. Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: “Possuí um homem com a ajuda do Senhor.”
2. E deu em seguida à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor e Caim lavrador.
3. Passado algum tempo, ofereceu Caim frutos da terra em oblação ao Senhor.
4. Abel, de seu lado, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação,
5. mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido.
6. O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante?
7. Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo.”
8. Caim disse então a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo.” Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre seu irmão e matou-o.
9. O senhor disse a Caim: “Onde está seu irmão Abel?” – Caim respondeu: “Não sei! Sou porventura eu o guarda do meu irmão?”
10. O Senhor disse-lhe: “Que fizeste! Eis que a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra.
11. De ora em diante, serás maldito e expulso da terra, que abriu sua boca para beber de tua mão o sangue do teu irmão.
12. Quando a cultivares, ela te negará os seus frutos. E tu serás peregrino e errante sobre a terra.”
13. Caim disse ao Senhor: “Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar.
14. Eis que me expulsais agora deste lugar, e eu devo ocultar-me longe de vossa face, tornando-me um peregrino errante sobre a terra. O primeiro que me encontrar, matar-me-á.”
15. E o Senhor respondeu-lhe: “Não! Mas aquele que matar Caim será punido sete vezes.” O Senhor pôs em Caim um sinal, para que, se alguém o encontrasse, não o matasse.
16. Caim retirou-se da presença do Senhor, e foi habitar na região de Nod, ao oriente do Éden.
17. Caim conheceu sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Henoc. E construiu uma cidade, à qual pôs o nome de seu filho Henoc.
18. Henoc gerou Irad, Irad gerou Maviael; Maviael gerou Matusael, Matusael gerou Lamec.
19. Lamec tomou duas mulheres, uma chamada Ada e outra Sela.
20. Ada deu à luz Jabel, que foi pai daqueles que moram em tendas, entre os rebanhos.
21. O nome de seu irmão era Jubal, que foi o pai de todos aqueles que tocam a cítara e os instrumentos de sopro.
22. Sela, de seu lado, deu à luz Tubal-Caim, o pai de todos que trabalham o cobre e o ferro. A irmã de Tubal-Caim era Noema.
23. Lamec disse às suas mulheres: “Ada e Sela, ouvi a minha voz: mulheres de Lamec, escutai as minhas palavras: Por uma ferida matei um homem, e por uma contusão um menino.
24. Se Caim será vingado sete vezes, Lamec o será setenta e sete vezes.”
25. Adão conheceu outra vez sua mulher, e esta deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Set, dizendo: “Deus deu-me uma posteridade para substituir Abel, que Caim matou.”
26. Set teve também um filho, que chamou Enos. E o nome do Senhor começou a ser invocado a partir de então.

 
Capítulo 5

1. Este é o livro da história da família de Adão. Quando Deus criou o homem, ele o fez à imagem de Deus.
2. Criou-os homem e mulher, e os abençoou, e deu-lhes o nome de homem no dia em que os criou.
3. Adão viveu cento e trinta anos: e gerou um filho à sua semelhança, à sua imagem, e deu-lhe o nome de Set.
4. Depois de haver gerado Set, Adão viveu oitocentos anos e gerou filhos e filhas.
5. Todo o tempo que Adão viveu foi novecentos e trinta anos. E depois disso morreu.
6. Set viveu cento e cinco anos, e depois gerou Enos.
7. E depois do nascimento de Enos, viveu ainda oitocentos e sete anos e gerou filhos e filhas.
8. A duração total da vida de Set foi de novecentos e doze anos; e depois disso morreu.
9. Enos viveu noventa anos, e depois gerou Cainan.
10. E depois do nascimento de Cainan, Enos viveu ainda oitocentos e quinze anos, e gerou filhos e filhas.
11. E o tempo da vida de Enos foi de novecentos e cinco anos; e morreu.
12. Cainan viveu setenta anos, e depois gerou Malaleel.
13. Após o nascimento de Malaleel, Cainan viveu ainda oitocentos e quarenta anos, e gerou filhos e filhas.
14. Todo o tempo da vida de Cainan foi de novecentos e dez anos; e morreu.
15. Malaleel viveu sessenta e cinco anos, e depois gerou Jared.
16. Após o nascimento de Jared, Malaleel viveu ainda oitocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas.
17. Todo o tempo da vida de Malaleel foi de oitocentos e noventa e cinco anos; e morreu.
18. Jared viveu cento e sessenta e dois anos, e gerou Henoc.
19. Após o nascimento de Henoc, Jared viveu ainda oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.
20. Todo o tempo da vida de Jared foi de novecentos e sessenta e dois anos; e morreu.
21. Henoc viveu sessenta e cinco anos e gerou Matusalém.
22. Após o nascimento de Matusalém, Henoc andou com Deus durante trezentos anos, e gerou filhos e filhas.
23. A duração total da vida de Henoc foi de trezentos e sessenta e cinco anos.
24. Henoc andou com Deus e desapareceu, porque Deus o levou.
25. Matusalém viveu cento e oitenta e sete anos, e gerou Lamec.
26. Após o nascimento de Lamec, Matusalém viveu ainda setecentos e oitenta e dois anos, e gerou filhos e filhas.
27. A duração total da vida de Matusalém foi de novecentos e sessenta e nove anos; e morreu.
28. Lamec viveu cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho,
29. ao qual pôs o nome de Noé, dizendo: “Este nos trará, em nossas fadigas e no duro labor de nossas mãos, um alívio tirado da terra mesma que o Senhor amaldiçoou.”
30. Após o nascimento de Noé, Lamec viveu ainda quinhentos e noventa e cinco anos, e gerou filhos e filhas.
31. A duração total da vida de Lamec foi de setecentos e setenta e sete anos; e morreu.
32. Com a idade de quinhentos anos, Noé gerou Sem, Cam e Jafet.

 
Capítulo 6

1. Quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas,
2. os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas, e escolheram esposas entre elas.
3. O senhor então disse: “Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será de cento e vinte anos.”
4. Naquele tempo viviam gigantes na terra, como também daí por diante, quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e elas geravam filhos. Estes são os heróis, tão afamados nos tempos antigos.
5. O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos de seu coração estavam continuamente voltados para o mal.
6. O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração ferido de íntima dor.
7. E disse: “Exterminarei da superfície da terra o homem que criei, e com ele os animais, os répteis e as aves dos céus, porque eu me arrependo de os haver criado.”
8. Noé, entretanto, encontrou graça aos olhos do Senhor.
9. Esta é a história de Noé. Noé era um homem justo e perfeito no meio dos homens de sua geração. Ele andava com Deus.
10. Noé teve três filhos: Sem, Cam e Jafet.
11. A terra corrompia-se diante de Deus e enchia-se de violência.
12. Deus olhou para a terra e viu que ela estava corrompida: toda a criatura seguia na terra o caminho da corrupção.
13. Então Deus disse a Noé: “Eis chegado o fim de toda a criatura diante de mim, pois eles encheram a terra de violência. Vou exterminá-los juntamente com a terra.
14. Faze para ti uma arca de madeira resinosa: dividi-la-ás em compartimentos e a untarás de betume por dentro e por fora.
15. E eis como a farás: seu comprimento será de trezentos côvados, sua largura de cinqüenta côvados, e sua altura de trinta.
16. Farás no cimo da arca uma abertura com a dimensão dum côvado. Porás a porta da arca a um lado, e construirás três andares de compartimentos.
17. Eis que vou fazer cair o dilúvio sobre a terra, uma inundação que exterminará todo ser que tenha sopro de vida debaixo do céu. Tudo que está sobre a terra morrerá.
18. Mas farei aliança contigo: entrarás na arca com teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos.
19. De tudo o que vive, de cada espécie de animais, farás entrar na arca dois, macho e fêmea, para que vivam contigo.
20. De cada espécie de aves, e de cada espécie de quadrúpedes, e de cada espécie de animais que se arrastam sobre a terra, entrará um casal contigo, para que lhes possas conservar a vida.
21. Tomarás também contigo de todas as coisas para comer, e armazená-las-ás para que te sirvam de alimento, a ti e aos animais.”
22. Noé obedeceu, e fez tudo o que o Senhor lhe tinha ordenado.

 
Capítulo 7

1. O Senhor disse a Noé: “Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque te reconheci justo diante dos meus olhos, entre os de tua geração.
2. De todos os animais puros tomarás sete casais, machos e fêmeas, e de todos animais impuros tomarás um casal, macho e fêmea;
3. das aves do céu igualmente sete casais, machos e fêmeas, para que se conserve viva a raça sobre a face de toda a terra.
4. dentro de sete dias farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da superfície da terra todos os seres que eu fiz.”
5. Noé fez tudo o que o Senhor lhe tinha ordenado.
6. Noé tinha seiscentos anos quando veio o dilúvio sobre a terra.
7. Para escapar à inundação, entrou na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
8. Dos animais puros e impuros, das aves e de tudo que se arrasta sobre a terra,
9. entraram na arca de Noé, um casal macho e fêmea, como o Senhor tinha ordenado a Noé.
10. Passados os sete dias, as águas do dilúvio precipitaram-se sobre a terra.
11. No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês, romperam-se naquele dia todas as fontes do grande abismo, e abriram-se as barreiras dos céus.
12. A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.
13. Naquele mesmo dia entrou Noé na arca, com Sem, Cam e Jafet, seus filhos, sua mulher e as três mulheres de seus filho;
14. e com eles os animais selvagens de toda espécie, os animais domésticos de toda espécie, os répteis de toda espécie que se arrastavam sobre a terra, e tudo o que voa, de toda espécie, todas as aves e tudo o que tem asas.
15. De cada espécie que tem um sopro de vida um casal entrou na arca de Noé.
16. Eles chegavam, macho e fêmea, de cada espécie. Como Deus tinha ordenado a Noé. E o Senhor fechou a porta atrás dele.
17. O dilúvio caiu sobre a terra durante quarenta dias. As águas incharam e levantaram a arca, que foi elevada acima da terra.
18. As águas inundaram tudo com violência, e cobriram toda a terra, e a arca flutuava na superfície das águas.
19. As águas engrossaram prodigiosamente sobre a terra, e cobriram todos os altos montes que existem debaixo dos céus;
20. e elevaram-se quinze côvados acima dos montes que cobriam.
21. Todas as criaturas que se moviam na terra foram exterminadas: aves, animais domésticos, feras selvagens e tudo o que se arrasta na terra, e todos os homens.
22. Tudo o que respira e tem um sopro de vida sobre a terra pereceu.
23. Assim foram exterminados todos os seres que se encontravam sobre a face da terra, desde os homens até os quadrúpedes, tanto os répteis como as aves dos céus, tudo foi exterminado da terra. Só Noé ficou e o que se encontrava com ele na arca.
24. As águas cobriram a terra pelo espaço de cento e cinqüenta dias.

 
Capítulo 8

1. Ora, Deus lembrou-se de Noé, e de todos os animais selvagens e de todos os animais domésticos que estavam com ele na arca. Fez soprar um vento sobre a terra, e as águas baixaram.
2. As fontes do abismo fecharam-se, assim como as barreiras dos céus, e foram retidas as chuvas.
3. As águas foram-se retirando progressivamente da terra; e começaram a baixar depois de cento e cinqüenta dias.
4. No sétimo mês, no décimo sétimo dia do mês, a arca parou sobre as montanhas do Ararat.
5. Entretanto, as águas iam diminuindo pouco a pouco até o décimo mês, e no décimo mês, no primeiro dia do mês, apareceram os cumes das montanhas.
6. No fim de quarenta dias, abriu Noé a janela que tinha feito na arca
7. e deixou sair um corvo, o qual saindo, voava de um lado para outro, até que aparecesse a terra seca.
8. Soltou também uma pomba, para ver se as águas teriam já diminuído na face da terra.
9. A pomba, porém, não encontrando onde pousar, voltou para junto dele na arca, porque havia ainda água na face da terra. Noé estendeu a mão, e tendo-a tomado, recolheu-a na arca.
10. Esperou mais sete dias, e soltou de novo a pomba fora da arca.
11. E eis que pela tarde ela voltou, trazendo no bico uma folha verde de oliveira. Assim Noé compreendeu que as águas tinham baixado sobre a terra.
12. Esperou ainda sete dias, e soltou a pomba que desta vez não mais voltou.
13. No ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, as águas se tinham secado sobre a terra. Noé descobriu o teto da arca, olhou e viu que a superfície do solo estava seca.
14. No segundo mês, no vigésimo sétimo dia do mês, a terra estava seca.
15. Então falou Deus a Noé:
16. “Sai da arca, com tua mulher, teus filhos e as mulheres de teus filhos.
17. Faze sair igualmente contigo todos os animais que estão contigo de todas as espécies: aves, quadrúpedes, répteis diversos que se arrastam sobre a terra; faze-os sair contigo para que se espalhem sobre a terra e para que cresçam e se multipliquem sobre a terra.”
18. Noé saiu com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
19. Todos os animais selvagens, todos os répteis, todas as aves, todos os seres que se movem, sobre a terra saíram da arca segundo suas espécies.
20. E Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar.
21. O Senhor respirou um agradável odor, e disse em seu coração: “Doravante, não mais amaldiçoarei a terra por causa do homem porque os pensamentos do seu coração são maus desde a sua juventude, e não ferirei mais todos os seres vivos, como o fiz.
22. Enquanto durar a terra, não mais cessarão a sementeira e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite.”

 
Capítulo 9

1. Deus abençoou Noé e seus filhos: “Sede fecundos, disse-lhes ele, multiplicai-vos e enchei a terra.
2. Vós sereis objeto de temor e de espanto para todo animal da terra, toda ave do céu, tudo o que se arrasta sobre o solo e todos os peixes do mar: eles vos são entregues em mão.
3. Tudo o que se move e vive vos servirá de alimento; eu vos dou tudo isto, como vos dei a erva verde.
4. Somente não comereis carne com a sua alma, com seu sangue.
5. Eu pedirei conta de vosso sangue, por causa de vossas almas, a todo animal; e ao homem (que matar) o seu irmão, pedirei conta da alma do homem.
6. Todo aquele que derramar o sangue humano terá seu próprio sangue derramado pelo homem, porque Deus fez o homem à sua imagem.
7. Sede, pois, fecundos e multiplicai-vos, e espalhai-vos sobre a terra abundantemente.”
8. Disse também Deus a Noé e as seus filhos:
9. “Vou fazer uma aliança convosco e com vossa posteridade,
10. assim como com todos os seres vivos que estão convosco: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, desde todos aqueles que saíram da arca até todo animal da terra.
11. Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.”
12. Deus disse: “Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras:
13. Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra.
14. Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens,
15. e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura.
16. Quando eu vir o arco nas nuvens, eu me lembrarei da aliança eterna estabelecida entre Deus e todos os seres vivos de toda espécie que estão sobre a terra.”
17. Dirigindo-se a Noé, Deus acrescentou: “Este é o sinal da aliança que faço entre mim e todas as criaturas que estão na terra.”
18. Os filhos de Noé que saíram da arca eram Sem, Cam e Jafet. Cam era o pai de Canaã.
19. Estes eram os três filhos de Noé. É por eles que foi povoada toda a terra.
20. Noé, que era agricultor, plantou uma vinha.
21. Tendo bebido vinho, embriagou-se, e apareceu nu no meio de sua tenda.
22. Cam, o pai de Canaã, vendo a nudez de seu pai, saiu e foi contá-lo aos seus irmãos.
23. Mas, Sem e Jafet, tomando uma capa, puseram-na sobre os seus ombros e foram cobrir a nudez de seu pai, andando de costas; e não viram a nudez de seu pai, pois que tinham os seus rostos voltados.
24. Quando Noé despertou de sua embriaguez, soube o que lhe tinha feito o seu filho mais novo.
25. “Maldito seja Canaã, disse ele; que ele seja o último dos escravos de seus irmãos!”
26. E acrescentou : “Bendito seja o Senhor Deus de Sem, e Canaã seja seu escravo!
27. Que Deus dilate a Jafet; e este habite nas tendas de Sem, e Canaã seja seu escravo!”
28. Noé viveu ainda depois do dilúvio trezentos e cinqüenta anos.
29. A duração total da vida de Noé foi de novecentos e cinqüenta anos; e morreu.

 
Capítulo 10

1. Eis a posteridade dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jefet. Estes tiveram filhos depois do dilúvio.
2. Filhos de Jafet: Gomer, Magog, Madai, Javã, Tubal, Mosoc e Tiras.
3. Filhos de Gomer: Ascenez, Rifat e Togorma.
4. Filhos de Javã: Elisa e Társis, Cetim e Dodanim.
5. Destes saíram os povos dispersos nas ilhas das nações, em seus diversos países, cada um segundo sua língua e segundo suas famílias e suas nações.
6. Filhos de Cam: Cus, Mesraim, Fut e Canaã.
7. Filhos de Cus: Saba, Hevila, Sabata, Regma e Sabataca. Filhos de Regma: Saba e Dadã.
8. Cus gerou Nemrod, que foi o primeiro homem poderoso da terra.
9. Ele foi um grande caçador diante do Senhor. Donde a expressão: “Como Nemrod, grande caçador diante do Eterno.”
10. Ele estabeleceu o seu reino primeiramente em Babilônia, Arac, Acad e em Calane, na terra de Senaar.
11. Daí foi para Assur e construiu Nínive, Recobot-Ir, Cale
12. e Resem, a grande cidade entre Nínive e Cale.
13. Mesraim gerou os ludim, os anamim, os laabim, os neftuim,
14. os fetrusim, os casluim e os caftorim, donde saíram os filisteus.
15. Canaã gerou Sidon, seu primogênito, e Het,
16. assim como os jebuseus, os amorreus, os gergeseus,
17. os heveus, os araceus, os sineus,
18. os aradeus, os samareus e os hamateus. Em seguida, as famílias dos cananeus se dispersaram,
19. e o território dos cananeus era desde Sidon, na direção de Gerara, até Gaza; e na direção de Sodoma, Gomorra, Adama e Seboim, até Lesa.
20. Estes são os filhos de Cam segundo suas famílias, suas línguas, em seus diversos países e suas nações.
21. Nasceram também filhos a Sem, pai de todos os filhos de Heber, e irmão mais velho de Jafet.
22. Filhos de Sem: Elão, Assur, Arfaxad, Lud e Arão.
23. Filhos de Arão: Us, Hul, Geter e Mes.
24. Arfaxad gerou Salé, Salé gerou Heber.
25. Heber teve dois filhos: um se chamava Faleg, porque no seu tempo a terra foi dividida, e o outro se chamava Jetã.
26. Jetã gerou Elmodad, Salef, Asarmot, Jaré,
27. Adurão, Uzal, Decla,
28. Ebal, Abimael, Saba,
29. Ofir, Hevila e Jobab. Estes são os filhos de Jetã.
30. A terra que eles habitavam se estendia desde Mesa, na direção de Sefar, até a montanha do Oriente.
31. Estes são os filhos de Sem, segundo suas famílias, segundo suas línguas, em seus diversos países e suas nações.
32. Tais são as famílias dos filhos de Noé, segundo suas gerações e suas nações. É dele que descendem as nações que se espalharam sobre a terra depois do dilúvio.

 
Capítulo 11

1. Toda a terra tinha uma só língua, e servia-se das mesmas palavras.
2. Alguns homens, partindo para o oriente, encontraram na terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram.
3. E disseram uns aos outros: “Vamos, façamos tijolos e cozamo-los no fogo.” Serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em lugar de argamassa.
4. Depois disseram: “Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra.”
5. Mas o senhor desceu para ver a cidade e a torre que construíram os filhos dos homens.
6. “Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só língua: se começam assim, nada futuramente os impedirá de executarem todos os seus empreendimentos.
7. Vamos: desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro.”
8. Foi dali que o Senhor os dispersou daquele lugar pela face de toda a terra, e cessaram a construção da cidade.
9. Por isso deram-lhe o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra, e dali os dispersou sobre a face de toda a terra.
10. Eis a descendência de Sem: Sem, com a idade de cem anos, gerou Arfaxad, dois anos depois do dilúvio.
11. Depois do Nascimento de Arfaxad, Sem viveu ainda quinhentos anos, e gerou filhos e filhas.
12. Arfaxad, com a idade de trinta e cinco anos, gerou Salé.
13. Após o nascimento de Salé, Arfaxad viveu ainda quatrocentos anos, e gerou filhos e filhas.
14. Salé, com a idade de trinta anos, gerou Heber.
15. Após o nascimento de Heber, Salé viveu ainda quatrocentos anos, e gerou filhos e filhas.
16. Heber, com a idade de trinta e quatro anos, gerou Faleg.
17. Após o nascimento de Faleg, Heber viveu ainda quatrocentos anos, e gerou filhos e filhas.
18. Faleg, com a idade de trinta anos, gerou Reu.
19. Após o nascimento de Reu, Faleg viveu ainda duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas.
20. Reu, com a idade de trinta e dois anos, gerou Sarug.
21. Após o nascimento de Sarug, Reu viveu ainda duzentos e sete anos, e gerou filhos e filhas.
22. Sarug, com a idade de trinta anos, gerou Nacor.
23. Após o nascimento de Nacor, Sarug viveu ainda duzentos anos, e gerou filhos e filhas.
24. Nacor, com a idade de vinte e nove anos, gerou Taré.
25. Após o nascimento de Taré, Nacor viveu ainda cento e dezenove anos, e gerou filhos e filhas.
26. Taré, com a idade de setenta anos, gerou Abrão, Nacor e Arão.
27. Eis a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arão.
28. Arão gerou Lot. Arão morreu em presença de Taré, seu pai, em Ur da Caldéia, sua terra natal.
29. Abrão e Nacor casaram-se: a mulher de Abrão chamava-se Sarai, e a de Nacor, Melca, filha de Arão, pai de Melca e de Jesca.
30. Sarai era estéril, e não tinha filhos.
31. Taré tomou seu filho Abrão, seu neto Lot, filho de Arão, e Sarai, sua nora, mulher de Abrão, seu filho, e partiu com eles de Ur da Caldéia, indo para a terra de Canaã. Chegados a Harã, estabeleceram-se ali.
32. Todo o tempo da vida de Taré foi de duzentos e cinco anos; e morreu em Harã.

 
Capítulo 12

1. O Senhor disse a Abrão: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar.
2. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos.
3. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti.”
4. Abrão partiu como o Senhor lhe tinha dito, e Lot foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos, quando partiu de Harã.
5. Tomou Sarai, sua mulher, e Lot, filho de seu irmão, assim como todos os bens que possuíam e os escravos que tinham adquirido em Harã, e partiram para a terra de Canaã. Ali chegando,
6. Abrão atravessou a terra até Siquém, até o carvalho de Moré. Os cananeus estavam então naquela terra.
7. O Senhor apareceu a Abrão e disse-lhe: “Darei esta terra à tua posteridade.” Abrão edificou um altar ao Senhor, que lhe tinha aparecido.
8. Em seguida, partindo dali, foi para a montanha que está ao oriente de Betel, onde levantou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Hai ao oriente. Abrão edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o seu nome.
9. Continuou depois sua viagem, de acampamento em acampamento, para Negeb.
10. Sobreveio, porém, uma fome na região; e sendo grande a miséria, Abrão desceu ao Egito para aí viver algum tempo.
11. Quando estava para entrar no Egito, disse a Sarai sua mulher: “Escuta, sei que és uma mulher formosa.
12. Quando os egípcios te virem, dirão: ‘É sua mulher’, e me matarão, conservando-te a ti em vida.
13. Dize, pois, que és minha irmã, para que eu seja poupado por causa de ti, e me conservem a vida em atenção a ti.”
14. Chegando Abrão ao Egito, os egípcios notaram que sua mulher era extremamente bela.
15. Os grandes da corte, vendo-a, elogiaram-na diante do faraó, e a mulher foi introduzida no seu palácio.
16. por causa dela, Abrão foi bem tratado pelo faraó, e recebeu ovelhas, bois, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.
17. O Senhor, porém, feriu com grandes pragas o faraó e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão.
18. O faraó mandou chamá-lo e disse-lhe: “Que me levaste a fazer? Porque não me disseste que era tua mulher?
19. Por que disseste que ela era tua irmã, levando-me e a tomá-la por esposa? Mas agora eis tua mulher: toma-a e vai-te!”
20. Então, o faraó deu ordens aos seus para reconduzir Abrão e sua mulher com tudo o que lhe pertencia.

 
Capítulo 13

1. Abrão voltou do Egito para Negeb com sua mulher e tudo o que lhe pertencia. Lot o acompanhava.
2. Abrão era muito rico em rebanhos, prata e ouro.
3. Ele foi de acampamento em acampamento de Negeb até Betel, ao lugar onde já uma vez armara sua tenda, entre Betel e Hai,
4. no lugar onde se encontrava o altar que havia edificado antes. Ali invocou o nome do Senhor.
5. Lot, que acompanhava Abrão, possuía também ovelhas, bois e tendas,
6. e a região não lhes bastava para aí se estabelecerem juntos.
7. Por isso houve uma contenda entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os dos rebanhos de Lot. Os cananeus e os ferezeus habitavam então naquela terra.
8. Abrão disse a Lot: “Rogo-te que não haja discórdia entre mim e ti, nem entre nossos pastores, pois somos irmãos.
9. Eis aí toda a terra diante de ti; separemo-nos. Se fores para a esquerda, eu irei para a direita; se fores para a direita, eu irei para esquerda.”
10. Lot, levantando os olhos, viu que a toda a planície de Jordão era regada de água (o Senhor não tinha ainda destruído Sodoma e Gomorra) como o jardim do Senhor, como a terra do Egito ao lado de Tsoar.
11. Lot escolheu toda a planície do Jordão e foi para o oriente. Foi assim que se separam um do outro.
12. Abrão fixou-se na terra de Canaã, e Lot nas cidades da planície, onde levantou suas tendas até Sodoma.
13. Ora, os habitantes de Sodoma eram perversos, e grandes pecadores diante do Senhor.
14. O Senhor disse a Abrão depois que Lot o deixou: “Levanta os olhos, e do lugar onde estás, olha para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente.
15. Toda a terra que vês, eu a darei a ti e aos teus descendentes para sempre.
16. Tornarei tua posteridade tão numerosa como o pó da terra: se alguém puder contar os grãos do pó da terra, então poderá contar a tua posteridade.
17. Levanta-te, percorre a terra em toda a sua extensão, porque eu te hei de dar.”
18. Abrão levantou as suas tendas e veio fixar-se no vale dos carvalhos de Mambré, que estão em Hebron; e ali edificou um altar ao Senhor.

 
Capítulo 14

1. No tempo de Anrafel, rei de Senaar, de Arioc, rei de Elasar, de Codorlaomor, rei de Elão e de Tadal, rei de Goim,
2. aconteceu que estes reis fizeram guerra a Bara, rei de Sodoma, a Bersa, rei de Gomorra, a Senaab, rei de Adama, a Semeber, rei de Seboim e ao rei de Bala, isto é, Segor.
3. Todos estes se juntaram no vale de Sidim, que é o mar Salgado.
4. Durante doze anos eles tinham servido a Codorlaomor, mas no décimo terceiro ano tinham se revoltado.
5. No décimo quarto ano, Codorlaomor pôs-se em marcha com os reis que se tinham aliado a ele, e desbarataram os refaim em Astarot-Carnaim, e igualmente os zusim em Ham, os emim na planície de Cariataim
6. e os horreus, em sua montanha de Seir até El-Farã, cerca do deserto.
7. Voltando, chegaram à fonte do julgamento, em Cadés, e devastaram a terra dos amalecitas, assim como os amorreus que habitavam em Asason-Tamar.
8. O rei de Sodoma, o rei de Gomorra, o rei de Adama, o rei de Seboim, o rei de Bala, isto é, Segor, saíram e puseram-se em ordem de batalha no vale de Sidim,
9. contra Codorlaomor, o rei de Elão, Tadal, rei de Goim, Anrafel, rei de Senaar, e Arioc, rei de Elasar, quatro reis contra cinco.
10. Ora, havia no vale de Sidim numerosos poços de betume. E os reis de Sodoma e de Gomorra, fugindo, caíram nesses poços, enquanto o resto fugiu para a montanha.
11. Os vencedores levaram todos os bens de Sodoma e Gomorra, e todos os seus víveres, e partiram.
12. Levaram também Lot, filho do irmão do Abrão, que morava em Sodoma, com todos os seus bens.
13. Mas alguém que conseguiu fugir veio dar parte do sucedido a Abrão, o hebreu, que vivia nos carvalhos de Mambré, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner, aliados de Abrão.
14. Abrão, tendo ouvido que Lot, seu parente, ficara prisioneiro, escolheu trezentos e dezoito dos seus melhores e mais corajosos servos, nascidos em sua casa, e foi ao alcance dos reis até Dan.
15. Ali, dividindo a sua tropa para os atacar de noite com seus servos, desbaratou-os e perseguiu-os até Hoba, que se encontra ao norte de Damasco.
16. Abrão recobrou todos os bens saqueados e reconduziu também Lot, seu parente, com os seus bens, assim como as mulheres e os homens.
17. Voltando Abrão da derrota de Codorlaomor e seus reis aliados, o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro no vale de Savé, que és o vale do rei.
18. Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer pão e vinho,
19. e abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e terra!
20. Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos em tuas mãos!” E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
21. O rei de Sodoma disse a Abrão: “Devolve-me os homens e guarda os bens.”
22. “Levanto a minha mão para o Senhor Deus Altíssimo que criou o céu e a terra, respondeu Abrão,
23. de tudo o que é teu, não tomarei sequer um fio nem um cordão de sandália, para que não digas: Enriqueci Abrão.
24. Nada para mim, exceto somente o que comeram os meus servos e a parte dos homens que vieram comigo, Aner, Escol e Mambré; estes hão de receber a sua parte.”

 
Capítulo 15

1. Depois desses acontecimentos, a palavra do Senhor foi dirigida a Abrão, numa visão, nestes termos: “Nada temas, Abrão! Eu sou o teu protetor; tua recompensa será muito grande.”
2. Abrão respondeu: “Senhor Javé, que me dareis vós? Eu irei sem filhos, e o herdeiro de minha casa é Eliezer de Damasco.”
3. E ajuntou: “Vós não me destes posteridade, e é um escravo nascido em minha casa que será o meu herdeiro.”
4. Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: “Não é ele que será o teu herdeiro, mas aquele que vai sair de tuas entranhas.”
5. E, conduzindo-o fora, disse-lhe: “Levanta os olhos para os céus e conta as estrelas, se és capaz… Pois bem, ajuntou ele, assim será a tua descendência.”
6. Abrão confiou no Senhor, e o Senhor lho imputou para justiça.
7. E disse-lhe: “Eu sou o Senhor que te fiz sair de Ur da Caldéia para dar-te esta terra.”
8. “O Senhor Javé, como poderei saber se a hei de possuir?”
9. “Toma uma novilha de três anos, respondeu-lhe o Senhor, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.”
10. Abrão tomou todos esses animais, e dividiu-os pelo meio, colocando suas metades uma defronte da outra; mas não cortou as aves.
11. Vieram as aves de rapina e atiraram-se sobre os cadáveres, mas Abrão as expulsou.
12. E eis que, ao pôr-do-sol, veio um profundo sono a Abrão, ao mesmo tempo que o assaltou um grande pavor, uma espessa escuridão.
13. O Senhor disse-lhe: “Sabe que teus descendentes habitarão como peregrinos uma terra que não é sua, e que nessa terra eles serão escravizados e oprimidos durante quatrocentos anos.
14. Mas eu julgarei também o povo ao qual estiverem sujeitos, e sairão em seguida dessa terra com grandes riquezas.
15. Quanto a ti, irás em paz juntar-se aos teus pais, e serás sepultado numa ditosa velhice.
16. Somente à quarta geração os teus descendentes voltarão para aqui, porque a iniqüidade dos amorreus não chegou ainda ao seu cúmulo.”
17. Quando o sol se pôs, formou-se uma densa escuridão, e eis que um braseiro fumegante e uma tocha ardente passaram pelo meio das carnes divididas.
18. Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão: “Eu dou, disse ele, esta terra aos teus descendentes, desde a torrente do Egito até o grande rio Eufrates:
19. a terra dos cineus, dos ceneseus, dos cadmoneus,
20. dos heteus, dos ferezeus,
21. dos amorreus, dos cananeus, dos gergeseus e dos jebuseus.”

 
Capítulo 16

1. Sarai, mulher de Abrão, não lhe tinha dado filho; mas, possuindo uma escrava egípcia, chamada Agar,
2. disse a Abrão: “Eis que o Senhor me fez estéril; rogo-te que tomes a minha escrava, para ver se, ao menos por ela, eu posso ter filhos.” Abrão aceitou a proposta de Sarai.
3. Sarai tomou, pois, sua escrava, Agar, a egípcia, passado dez anos que Abrão habitava a terra de Canaã, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido.
4. Este aproximou-se de Agar e ela concebeu. Agar, vendo que tinha concebido, começou a desprezar a sua senhora.
5. Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre ti o ultraje que me é feito! Dei-te minha escrava, e ela, desde que concebeu, olha-me com desprezo. O Senhor seja juiz entre mim e ti!”
6. Abrão respondeu-lhe: “Tua escrava está em teu poder, faze dela o que quiseres.” E Sarai maltratou-a de tal forma que ela teve de fugir.
7. O anjo do Senhor, encontrando-a no deserto junto de uma fonte que está no caminho de Sur,
8. disse-lhe: “Agar, escrava de Sarai, donde vens? E para onde vais?” “Eu fujo de Sarai, minha senhora”, respondeu ela.
9. “Volta para a tua senhora, tornou o anjo do Senhor, e humilha-te diante dela.”
10. E ajuntou: “Multiplicarei tua posteridade de tal forma, e será tão numerosa, que não se poderá contar.”
11. Disse ainda mais: “Estás grávida, e vais dar à luz um filho: dar-te-ás o nome de Ismael, porque o Senhor te ouviu na tua aflição.
12. Este menino será como um jumento bravo: sua mão se levantará contra todos e a mão de todos contra ele, e levantará sua tenda defronte de todos os seus irmãos.”
13. Agar deu ao Senhor, que lhe tinha falado, o nome: Vós sois El-roí, “porque, dizia ela, não vi eu aqui mesmo o Deus que me via?”
14. E por isso deu-se àquele poço o nome de poço Lahai-roí; ele se encontra entre Cadés e Barad.
15. Agar deu à luz um filho a Abrão, o qual lhe pôs o nome de Ismael.
16. Abrão tinha a idade de oitenta e seis anos quando Agar lhe deu à luz Ismael.

 
Capítulo 17

1. Abrão tinha noventa e nove anos. O Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: “Eu sou o Deus Todo-poderoso. Anda em minha presença e sê íntegro;
2. quero fazer aliança contigo e multiplicarei ao infinito a tua descendência.”
3. Abrão prostrou-se com o rosto por terra. Deus disse-lhe:
4. “Este é o pacto que faço contigo: serás o pai de uma multidão de povos.
5. De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de povos.
6. Tornar-te-ei extremamente fecundo, farei nascer de ti nações e terás reis por descendentes.
7. Faço aliança contigo e com tua posteridade, uma aliança eterna, de geração em geração, para que eu seja o teu Deus e o Deus de tua posteridade.
8. Darei a ti e a teus descendentes depois de ti a terra em que moras como peregrino, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o teu Deus.”
9. Deus disse ainda a Abraão: “Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu e tua posteridade nas gerações futuras.
10. Eis o pacto que faço entre mim e vós, e teus descendentes, e que tereis de guardar: Todo homem, entre vós, será circuncidado.
11. Cortareis a carne de vosso prepúcio, e isso será o sinal da aliança entre mim e vós.
12. Todo homem, no oitavo dia do seu nascimento, será circuncidado entre vós nas gerações futuras, tanto o que nascer em casa, como o que comprardes a preço de dinheiro de um estrangeiro qualquer, e que não for de tua raça.
13. Circuncidar-se-á tanto o homem nascido na casa como aquele que for comprado a preço de dinheiro. Assim será marcado em vossa carne o sinal de minha aliança perpétua.
14. O varão incircunciso, do qual não se tenha cortado a carne do prepúcio, será exterminado de seu povo por ter violado minha aliança.”
15. Disse Deus a Abraão: “Não chamarás mais tua mulher Sarai, e sim Sara.
16. Eu a abençoarei, e dela te darei um filho. Eu a abençoarei, e ela será a mãe de nações e dela sairão reis.”
17. Abraão prostrou-se com o rosto por terra, e começou a rir, dizendo consigo mesmo: “Poderia nascer um filho a um homem de cem anos? Seria possível a Sara conceber ainda na idade de noventa anos?”
18. E disse a Deus: “Oxalá que Ismael viva diante de vossa face!”
19. Mas Deus respondeu-lhe: “Não, é Sara, tua mulher que dará à luz um filho, ao qual chamarás Isaac. Farei aliança com ele, uma aliança que será perpétua para sua posteridade depois dele.
20. Eu te ouvirei também acerca de Ismael. Eu o abençoarei, torná-lo-ei fecundo e multiplicarei extraordinariamente sua descendência: ele será o pai de doze príncipes, e farei sair dele uma grande nação.
21. Mas minha aliança eu a farei com Isaac, que Sara te dará à luz dentro de um ano, nesta mesma época.”
22. Tendo acabado de falar com ele, retirou-se Deus de Abraão.
23. Abraão tomou então Ismael, seu filho, assim como todos os homens nascidos em sua casa e todos aqueles que tinha comprado a preço de dinheiro, tudo o que havia de varões em sua casa, e circuncidou-se no mesmo dia, como Deus lhe havia ordenado.
24. Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado.
25. Ismael, seu filho, tinha treze anos quando o foi igualmente.
26. Abraão e Ismael, seu filho, foram circuncidados no mesmo dia;
27. e todos os homens de sua casa, nascidos em sua casa ou comprados a preço de dinheiro a estrangeiros, foram circuncidados ao mesmo tempo.

 
Capítulo 18

1. O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré, quando ele estava assentado à entrada de sua tenda, no maior calor do dia.
2. Abraão levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e prostrou-se por terra.
3. “Meus senhores, disse ele, se encontrei graça diante de vossos olhos, não passeis avante sem vos deterdes em casa de vosso servo.
4. Vou buscar um pouco de água para vos lavar os pés.
5. Descansai um pouco sob esta árvore. Eu vos trarei um pouco de pão, e assim restaurareis as vossas forças para prosseguirdes o vosso caminho; porque é para isso que passastes perto de vosso servo.” Eles responderam: “Faze como disseste.”
6. Abraão foi depressa à tenda de Sara: “Depressa, disse ele, amassa três medidas de farinha e coze pães.”
7. Correu em seguida ao rebanho, escolheu um novilho tenro e bom, e deu-o a um criado que o preparou logo.
8. Tomou manteiga e leite e serviu aos peregrinos juntamente com o novilho preparado, conservando-se de pé junto deles, sob a árvore, enquanto comiam.
9. E disseram-lhe: “Onde está Sara, tua mulher?” “Ela está na tenda”, respondeu ele.
10. E ele disse-lhe: “Voltarei à tua casa dentro de um ano, a esta época; e Sara, tua mulher, terá um filho.” Ora, Sara ouvia por detrás, à entrada da tenda.
11. (Abraão e Sara eram velhos, de idade avançada, e Sara tinha já passado da idade.)
12. Ela pôs-se a rir secretamente: “Velha como sou, disse ela consigo mesma, conhecerei ainda o amor? E o meu senhor também é já entrado em anos.”
13. O Senhor disse a Abraão: “Por que se riu Sara, dizendo: ‘Será verdade que eu teria um filho, velha como sou?’
14. Será isso porventura uma coisa muito difícil para o Senhor? Em um ano, a esta época, voltarei à tua casa e Sara terá um filho.”
15. Sara protestou: “Eu não ri”, disse ela, pois tinha medo. Mas o Senhor disse-lhe: “Sim, tu riste.”
16. Os homens levantaram-se e partiram na direção de Sodoma, e Abraão os ia acompanhando.
17. O Senhor disse então: “Acaso poderei ocultar a Abraão o que vou fazer?
18. Pois que Abraão deve tornar-se uma nação grande e poderosa, e todos os povos da terra serão benditos nele.
19. Eu o escolhi para que ele ordene aos seus filhos e à sua casa depois dele, que guardem os caminhos do Senhor, praticando a justiça e a retidão, para que o Senhor cumpra em seu favor as promessas que lhe fez.”
20. O Senhor ajuntou: “É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande.
21. Eu vou descer para ver se as suas obras correspondem realmente ao clamor que chega até mim; se assim não for, eu o saberei.”
22. Os homens partiram, pois, na direção de Sodoma, enquanto Abraão ficou em presença do Senhor.
23. Abraão aproximou-se e disse: “Fareis o justo perecer com o ímpio?
24. Talvez haja cinqüenta justos na cidade: fá-los-eis perecer? Não perdoaríeis antes a cidade, em atenção aos cinqüenta justos que nela se poderiam encontrar?
25. Não, vós não poderíeis agir assim, matando o justo com o ímpio, e tratando o justo como ímpio! Longe de vós tal pensamento! Não exerceria o juiz de toda a terra a justiça?”
26. O Senhor disse: “Se eu encontrar em Sodoma cinqüenta justos, perdoarei a toda a cidade em atenção a eles.”
27. Abraão continuou: “Não leveis a mal, se ainda ouso falar ao meu Senhor, embora seja eu pó e cinza.
28. Se porventura faltarem cinco aos cinqüenta justos, fareis perecer toda a cidade por causa desses cincos?” “Não a destruirei, respondeu o Senhor, se nela eu encontrar quarenta e cinco justos.”
29. Abraão insistiu ainda e disse: “Talvez só haja aí quarenta.” “Não destruirei a cidade por causa desses quarenta.”
30. Abraão disse de novo: “Rogo-vos, Senhor, que não vos irriteis se eu insisto ainda! Talvez só se encontrem trinta!” “Se eu encontrar trinta, disse o Senhor, não o farei.”
31. Abraão continuou: “Desculpai, se ouso ainda falar ao Senhor: pode ser que só se encontre vinte.” “Em atenção aos vinte, não a destruirei.”
32. Abraão replicou: “Que o Senhor não se irrite se falo ainda uma última vez! Que será, se lá forem achados dez?” E Deus respondeu: “Não a destruirei por causa desses dez.”
33. E o Senhor retirou-se, depois de ter falado com Abraão, e este voltou para sua casa.

 
Capítulo 19

1. Pela tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Lot, que estava assentado à porta da cidade, ao vê-los, levantou-se e foi-lhes ao encontro e prostrou-se com o rosto por terra.
2. “Meus Senhores, disse-lhes ele, vinde, peço-vos, para a casa de vosso servo, e passai nela a noite; lavareis os pés, e amanhã cedo continuareis vosso caminho.” “Não, responderam eles, passaremos a noite na praça.”
3. Mas Lot insistiu tanto com eles que acederam e entraram em sua casa. Lot preparou-lhes um banquete, mandou cozer pães sem fermento e eles comeram.
4. Mas, antes que se tivessem deitado, eis que os homens da cidade, os homens de Sodoma, se agruparam em torno da casa, desde os jovens até os velhos, toda a população.
5. E chamaram Lot: “Onde estão, disseram-lhe, os homens que entraram esta noite em tua casa? Conduze-os a nós para que os conheçamos.”
6. Saiu Lot a ter com eles no limiar da casa, fechou a porta atrás de si
7. e disse-lhes: “Suplico-vos, meus irmãos, não cometais este crime.
8. Ouvi: tenho duas filhas que são ainda virgens, eu vo-las trarei, e fazei delas o que quiserdes. Mas não façais nada a estes homens, porque se acolheram à sombra do meu teto.”
9. Eles responderam: “Retira-te daí! – e acrescentaram: Eis um indivíduo que não passa de um estrangeiro no meio de nós e se arvora em juiz! Pois bem, verás como te havemos de tratar pior do que a eles.” E, empurrando Lot com violência, avançaram para quebrar a porta.
10. Mas os dois (viajantes) estenderam a mão e, tomando Lot para dentro de casa, fecharam de novo a porta.
11. E feriram de cegueira os homens que estavam fora, jovens e velhos, que se esforçavam em vão por reencontrar a porta.
12. Os dois homens disseram a Lot: “Tens ainda aqui alguns dos teus? Genros, ou filhos, ou filhas, todos os que são teus parentes na cidade, faze-os sair deste lugar,
13. porque vamos destruir este lugar, visto que o clamor que se eleva dos seus habitantes é enorme diante do Senhor, o qual nos enviou para exterminá-los.”
14. Saiu Lot, pois, para falar a seus genros, que tinham desposado suas filhas: “Levantai-vos, disse-lhes, saí daqui, porque o Senhor vai destruir a cidade.” Mas seus genros julgaram que ele gracejava.
15. Ao amanhecer, os anjos instavam com Lot, dizendo: “Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que estão em tua casa, para que não pereças também no castigo da cidade.”
16. E, como ele demorasse, aqueles homens tomaram pela mão a ele, a sua mulher e as suas duas filhas, porque o Senhor queria salvá-los, e o levaram para fora da cidade.
17. Quando já estavam fora, um dos anjos disse-lhe: “Salva-te, se queres conservar tua vida. Não olhes para trás, e não te detenhas em parte alguma da planície; mas foge para a montanha senão perecerás.”
18. Lot disse-lhes: “Oh, não, Senhor!
19. Já que vosso servo encontrou graça diante de vós, e usastes comigo de grande bondade, conservando-me a vida, vede, eu não me posso salvar na montanha, porque o flagelo me atingiria antes, e eu morreria.
20. Eis uma cidade bem perto onde posso abrigar-me. É uma cidade pequena e eu poderei refugiar-me nela. Permiti que o faça – ela é pequena – e terei a vida salva.”
21. Ele disse-lhe: “Concedo-te ainda esta graça: não destruirei a cidade a favor da qual me pedes.
22. Apressa-te e refugia-te lá porque nada posso fazer antes que lá tenhas chegado.” Por isso, puseram àquela cidade o nome de Segor.
23. O sol levantava-se sobre a terra quando Lot entrou em Segor.
24. O Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu.
25. E destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes das cidades e a vegetação do solo.
26. A mulher de Lot, tendo olhado para trás, transformou-se numa coluna de sal.
27. Abraão levantou-se muito cedo e foi ao lugar onde tinha estado antes com o Senhor.
28. Voltando os olhos para o lado de Sodoma e Gomorra e sobre toda a extensão da planície, viu subir da terra um fumo espesso como a fumaça de uma grande fornalha.
29. Quando Deus destruiu as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e livrou Lot do flagelo com que destruiu as cidades onde ele habitava.
30. Lot partiu de Segor e veio estabelecer-se na montanha com suas duas filhas, pois temia ficar em Segor. E habitava numa caverna com suas duas filhas.
31. A mais velha disse à mais nova: “Nosso pai está velho, e não há homem algum na região com quem nos possamos unir, segundo o costume universal.
32. Vem, embriaguemos nosso pai e durmamos com ele, para que possamos nos assegurar uma posteridade.”
33. Elas fizeram, pois, o seu pai beber vinho naquela noite. Então a mais velha entrou e dormiu com ele; ele, porém, nada notou, nem quando ela se aproximou dele, nem quando se levantou.
34. No dia seguinte, disse ela à sua irmã mais nova: “Dormi ontem com meu pai, façamo-lo beber vinho ainda uma vez, esta noite, e dormirás com ele para nos assegurarmos uma posteridade.”
35. Também naquela noite embriagaram seu pai, e a mais nova dormiu com ele, sem que ele o percebesse, nem quando ela se aproximou, nem quando se levantou.
36. Assim, as duas filhas de Lot conceberam de seu pai.
37. A mais velha deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Moab: este é o pai dos moabitas, que vivem ainda hoje.
38. A mais nova teve também um filho, ao qual chamou Ben-Ami: este é o pai dos amonitas, que vivem ainda hoje.

 
Capítulo 20

1. Abraão partiu dali para região do Negeb. Estabeleceu-se entre Cadés e Sur, e viveu algum tempo em Gerara.
2. Ele dizia de Sara, sua mulher, que ela era sua irmã. Abimelec, rei de Gerara, arrebatou-lha.
3. Mas Deus apareceu em sonhos a Abimelec e disse-lhe: Vais morrer, por causa da mulher que roubaste, porque é casada.
4. Abimelec, que não a tinha tocado (ainda), disse: Senhor, fareis perecer mesmo inocentes?
5. Não me disse ele que ela era sua irmã? E ela mesma me disse: É meu irmão. É na simplicidade de meu coração e com as mãos puras que fiz isso.
6. Deus disse-lhe em sonhos: Sei que é na simplicidade do teu coração que agiste assim; por isso, preservei-te de pecar contra mim, e não deixei que a tocasses.
7. Devolve agora a mulher deste homem, que é profeta, e ele rogará por ti para que conserves a vida. Mas, se não a devolveres, sabes que morrerás seguramente, tu e todos os teus.
8. Ao romper da manhã, Abimelec convocou todos os seus servos e referiu-lhes essas coisas. Todos ficaram muito atemorizados.
9. Depois, Abimelec chamou Abraão e disse-lhe: Que nos fizeste? Em que te ofendi para que nos expusesses, a mim e ao meu reino, ao castigo de um tão grande pecado. Fizeste-me o que não devias fazer.
10. E ajuntou: Que tiveste em vista agindo assim?
11. Abraão respondeu: Eu pensava comigo que não havia certamente nenhum temor a Deus nesta terra, e que me matariam por causa de minha mulher.
12. Aliás, ela é realmente minha irmã, filha de meu pai, mas não de minha mãe; ela tornou-se minha mulher.
13. Quando Deus me tirou da casa de meu pai, eu disse-lhe: Faze-me esta graça: onde quer que formos, dirás de mim que sou teu irmão.
14. Tomou então Abimelec ovelhas, bois, servos e servas, e deu-os a Abraão, ao mesmo tempo que lhe devolvia Sara, sua mulher.
15. E disse-lhe: Minha terra está à tua disposição: fixa-te onde quiseres.
16. Disse também a Sara: Dou a teu irmão mil moedas de prata: isto te será um véu sobre os olhos para todos aqueles que estão contigo; eis-te justificada.
17. Abraão intercedeu junto de Deus, que curou Abimelec, sua mulher e suas servas, e deram novamente à luz.
18. Porque o Senhor tinha ferido de esterilidade todas as mulheres da casa de Abimelec, por causa de Sara, mulher de Abraão.

 
Capítulo 21

1. O Senhor visitou Sara, como ele tinha dito, e cumpriu em seu favor o que havia prometido.
2. Sara concebeu e, apesar de sua velhice, deu à luz um filho a Abraão, no tempo fixado por Deus.
3. Abraão pôs o nome de Isaac ao filho que lhe nascera de Sara.
4. E, passados oito dias do seu nascimento, circuncidou-o, como Deus lhe tinha ordenado.
5. Abraão tinha cem anos, quando nasceu o seu filho Isaac.
6. Sara disse: “Deus deu-me algo de que rir; e todos aqueles que o souberem se rirão de mim.”
7. E ajuntou: “Quem teria previsto que Sara amamentaria filhos a Abraão? Porque eu lhe dei um filho em sua velhice.”
8. O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que foi desmamado, Abraão fez uma grande festa.
9. Sara viu que o filho nascido a Abraão de Agar, a egípcia, escarnecia de seu filho Isaac,
10. e disse a Abraão: “Expulsa esta escrava com o seu filho, porque o filho desta escrava não será herdeiro com meu filho Isaac.”
11. Isso desagradou muitíssimo a Abraão, por causa de seu filho Ismael.
12. Mas Deus disse-lhe: “Não te preocupes com o menino e com a tua escrava. Faze tudo o que Sara te pedir, pois é de Isaac que nascerá a posteridade que terá o teu nome.
13. Mas do filho da escrava também farei um grande povo, por ser de tua raça.”
14. No dia seguinte, pela manhã, Abraão tomou pão e um odre de água, e deu-os a Agar, colocando-os às suas costas, e despediu-a com seu filho. Ela partiu, errando pelo deserto de Bersabéia.
15. Acabada a água do odre, deixou o menino sob um arbusto,
16. e foi assentar-se em frente, à distância de um tiro de flecha, “porque, dizia ela, não quero ver morrer o menino”. Ela assentou-se, pois, em frente e pôs-se a chorar.
17. Deus ouviu a voz do menino, e o anjo de Deus chamou Agar, do céu, dizendo-lhe: “Que tens, Agar? Nada temas, porque Deus ouviu a voz do menino do lugar onde está.
18. Levanta-te, toma o menino e tem-no pela mão, porque farei dele uma grande nação.”
19. Deus abriu-lhe os olhos, e ela viu um poço, onde foi encher o odre, e deu de beber ao menino.
20. Deus esteve com este menino. Ele cresceu, habitou no deserto e tornou-se um hábil flecheiro.
21. E habitou no deserto de Farã, e sua mãe tomou para ele uma mulher egípcia.
22. Por aquele tempo, Abimelec, acompanhado de Ficol, general do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.
23. Jura-me, pois, pelo nome de Deus, que não me enganarás, nem a mim, nem a meus filhos, nem aos meus descendentes, mas que usarás para comigo e com a terra onde habitas, da mesma benevolência que eu te tenho testemunhado.”
24. “Eu juro”, respondeu Abraão.
25. Mas Abraão queixou-se a Abimelec por causa de um poço que os seus homens lhe tinham tirado à força.
26. “Ignoro quem tenha feito isto, respondeu Abimelec; tu mesmo nunca me disseste nada a respeito, e só hoje estou ouvindo falar disso.”
27. Abraão tomou então ovelhas e bois e deu-os a Abimelec, e fizeram aliança entre si.
28. Abraão pôs à parte sete jovens ovelhas do rebanho.
29. “Que significam, disse-lhe o rei, estas sete ovelhinhas que puseste à parte?
30. “Aceitarás de minhas mãos estas sete ovelhinhas, respondeu Abraão, como testemunho de que fui eu que cavei este poço”.
31. Por isso deu-se àquele lugar o nome de Bersabéia; porque ambos ali tinham jurado.
32. Foi assim que fizeram aliança em Bersabéia. Depois disso, voltou Abimelec para a terra dos filisteus com Ficol, general do seu exército.
33. Abraão plantou um tamariz em Bersabéia e invocou ali o nome do Senhor, Deus da eternidade.
34. Abraão habitou muito tempo na terra dos filisteus.

 
Capítulo 22

1. Depois disso, Deus provou Abraão, e disse-lhe: “Abraão!” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
2. Deus disse: “Toma teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te indicar.”
3. No dia seguinte, pela manhã, Abraão selou o seu jumento. Tomou consigo dois servos e Isaac, seu filho, e, tendo cortado a lenha para o holocausto, partiu para o lugar que Deus lhe tinha indicado.
4. Ao terceiro dia, levantando os olhos, viu o lugar de longe.
5. “Ficai aqui com o jumento, disse ele aos seus servos; eu e o menino vamos até lá mais adiante para adorar, e depois voltaremos a vós.”
6. Abraão tomou a lenha do holocausto e a pôs aos ombros de seu filho Isaac, levando ele mesmo nas mãos o fogo e a faca. E, enquanto os dois iam caminhando juntos,
7. Isaac disse ao seu pai: “Meu pai!” “Que há, meu filho?” Isaac continuou: “Temos aqui o fogo e a lenha, mas onde está a ovelha para o holocausto?”
8. “Deus, respondeu-lhe Abraão, providenciará ele mesmo uma ovelha para o holocausto, meu filho.” E ambos, juntos, continuaram o seu caminho.
9. Quando chegaram ao lugar indicado por Deus, Abraão edificou um altar; colocou nele a lenha, e amarrou Isaac, seu filho, e o pôs sobre o altar em cima da lenha.
10. Depois, estendendo a mão, tomou a faca para imolar o seu filho.
11. O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do céu: “Abraão! Abraão!” “Eis-me aqui!”
12. “Não estendas a tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora eu sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu filho único.”
13. Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos; e, tomando-o, ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho.
14. Abraão chamou a este lugar Javé-yiré, de onde se diz até o dia de hoje: “Sobre o monte de Javé-Yiré.”
15. Pela segunda vez chamou o anjo do Senhor a Abraão, do céu,
16. e disse-lhe: “Juro por mim mesmo, diz o Senhor: pois que fizeste isto, e não me recusaste teu filho, teu filho único, eu te abençoarei.
17. Multiplicarei a tua posteridade como as estrelas do céu, e como a areia na praia do mar. Ela possuirá a porta dos teus inimigos,
18. e todas as nações da terra desejarão ser benditas como ela, porque obedeceste à minha voz.”
19. Abraão voltou então para os seus servos, e foram juntos para Bersabéia, onde fixou sua residência.
20. Depois desses acontecimentos, vieram dizer a Abraão: “Melca deu também filhos a Nacor, teu irmão:
21. Hus, o primogênito, Buz, seu irmão, Camuel, pai de Arão,
22. Cased, Azau, Feldas, Jedlaf e Batuel.”
23. (Batuel foi o pai de Rebeca.) Estes são os oito filhos que Melca deu a Nacor, irmão de Abraão.
24. Sua concubina, chamada Reuma, teve também filhos: Tabée, Gaam, Taas e Maaca.

 
Capítulo 23

1. Sara viveu cento e vinte e sete anos: tal foi a duração de sua vida.
2. Ela morreu em Quiriat-Arbé, hoje Hebron, na terra de Canaã. Abraão veio para a prantear e chorar.
3. Abraão, tendo-se retirado de junto da defunta, falou aos filhos de Het, dizendo:
4. “Sou no meio de vós um simples hóspede e estrangeiro; concedei-me, não obstante, a propriedade de uma sepultura na vossa terra, para que eu possa sepultar minha defunta mulher.”
5. Os filhos de Het responderam a Abraão:
6. “Ouve-nos, meu Senhor: Tu és um príncipe de Deus no meio de nós. Sepulta tua defunta no mais belo de nossos sepulcros. Ninguém de nós te recusará o seu túmulo para aí sepultar tua defunta.”
7. Então Abraão levantou-se e, prostrando-se diante do povo daquela terra, os filhos de Het,
8. disse-lhes: “Se me permitis trazer minha defunta e enterrá-la, ouvi-me: Intercedei por mim junto de Efrom, filho de Seor,
9. para que ele me ceda a caverna de Macpela que lhe pertence, e que se encontra na extremidade de sua terra. Que ele ma ceda em vossa presença, por seu justo valor, a fim de que eu me torne o proprietário dessa sepultura.”
10. Ora, Efrom achava-se assentado no meio dos filhos de Het. Efrom, o hiteu, respondeu a Abraão em presença dos filhos de Het e de todos os que entravam pela porta da cidade:
11. “De forma alguma, meu Senhor, será assim, mas ouve-me: dou-te a terra, juntamente com a caverna que nela se encontra; e dou-te essa terra em presença dos filhos do meu povo: enterra tua defunta.”
12. Abraão prostrou-se diante do povo daquela terra
13. e, dirigindo-se a Efrom, diante de todos, disse: “Rogo-te que me ouças: eu te dou o preço do campo; aceita-o de minhas mãos, e assim enterrarei nele minha defunta.”
14. Efrom respondeu a Abraão:
15. “Ouve-me, meu Senhor: uma terra no valor de quatrocentos siclos de prata, entre ti e mim, o que é isto? Sepulta tua defunta.”
16. Abraão aceitou as condições de Efrom, e pesou o dinheiro que ele tinha pedido na presença dos filhos de Het, isto é, quatrocentos siclos de prata em moeda corrente no comércio.
17. A terra de Efrom, situada em Macpela, defronte de Mambré, a terra na qual se encontra a caverna, e todas as árvores que crescem ao redor nos limites desta terra,
18. tornaram-se assim propriedade de Abraão, em presença dos filhos de Het e de todos aqueles que entravam pela porta da cidade.
19. E Abraão sepultou Sara, sua mulher, na caverna de Macpela, defronte de Mambré, hoje Hebron, na terra de Canaã.
20. A terra e a caverna que nela se encontra passaram, pois, dos filhos de
Het para propriedade de Abraão, a título de lugar de sepultura.

 
Capítulo 24

1. O velho Abraão estava avançado em idade, e o Senhor o tinha abençoado em todas as coisas.
2. Abraão disse ao servo mais antigo de sua casa, que administrava todos os seus bens: “Mete tua mão debaixo de minha coxa.
3. Quero que jures pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não escolherás para mulher de meu filho nenhuma das filhas dos cananeus, no meio dos quais habito;
4. mas irás à minha terra, à minha parentela, e lá escolherás uma mulher para o meu filho Isaac.”
5. O servo respondeu: “Talvez essa mulher não me quererá seguir a esta terra; nesse caso, poderei reconduzir o teu filho à terra de onde saíste?”
6. “Guarda-te bem, disse-lhe Abraão, de reconduzir para lá o meu filho!
7. O Senhor Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e de minha pátria, que me disse e me jurou dar esta terra à minha posteridade, este Senhor mandará o seu anjo diante de ti, e tu escolherás lá uma mulher para o meu filho.
8. Mas, se ela não te quiser seguir, estarás desobrigado do juramento que te impus. Somente não reconduzas (de forma alguma) para lá o meu filho.”
9. Pôs, então, o servo sua mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e fez-lhe o juramento que ele pedia.
10. E, tendo tomado dez camelos do rebanho de seu senhor, partiu, levando as mãos cheias das riquezas de Abraão. E pôs-se a caminho, andando para a Mesopotâmia, para a cidade de Nacor.
11. E fez descansar os camelos fora da cidade, perto de um poço. Era pela tarde, à hora em que saíam as mulheres para ir buscar água.
12. “Senhor, disse ele, Deus de Abraão, meu senhor, fazei-me encontrar hoje o que desejo, e manifestar vossa bondade para com meu senhor Abraão.
13. Eis-me aqui, de pé, junto desta fonte onde as filhas dos habitantes da cidade virão buscar água.
14. Portanto, a donzela a quem eu disser: Inclina o teu cântaro, por favor, para que eu beba –, e me responder: Bebe, e darei de beber também aos teus camelos –, essa seja a que destina ao vosso servo Isaac. Por isto conhecerei que manifestais vossa bondade para com meu senhor.”
15. Ainda não tinha acabado de falar, quando sobreveio, com um cântaro aos ombros, Rebeca, filha de Batuel, filho de Melca, mulher de Nacor, irmão de Abraão.
16. A jovem era extremamente bela, virgem, e homem algum a havia possuído. Ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e ia voltando.
17. O servo correu-lhe ao encontro e disse-lhe: “Queres dar-me de beber um pouco da água de teu cântaro?”
18. “Bebe, meu senhor”, respondeu ela. E prontamente inclinou o cântaro sobre o seu braço para lhe dar de beber.
19. Tendo ele bebido, ela disse: “Vou buscar água também para os teus camelos, para que todos bebam.”
20. E, despejando seu cântaro no bebedouro, correu a buscar água de novo na fonte para todos os camelos.
21. O homem contemplava em silêncio, curioso por saber se o Senhor tinha ou não tornado feliz a sua viagem.
22. Quando os camelos acabaram de beber, o homem tirou um anel de ouro pesando meio siclo, e dois braceletes de ouro pesando dez siclos.
23. E disse à jovem: “Dize-me, por favor: De quem és filha? Haveria na casa de teu pai um lugar para passarmos a noite?”
24. “Eu sou filha de Batuel, respondeu ela, o filho de Melca, que ela deu à luz a Nacor.”
25. E ajuntou: “Há em nossa casa palha e forragem em abundância, e também lugar para passar a noite.”
26. Inclinou-se, então, o homem e prostrou-se diante do Senhor:
27. “Bendito seja, exclamou ele, o Senhor, o Deus de Abraão, meu senhor, que não faltou à sua bondade e à sua fidelidade para com ele. O Senhor conduziu-me diretamente à casa dos parentes de meu senhor.”
28. A jovem foi correndo contar à sua mãe tudo o que se tinha passado.
29. Rebeca tinha rim irmão chamado Labão. Este apressou-se em ir ao encontro do homem que se encontrava junto da fonte.
30. Ele tinha visto o anel e os braceletes nas mãos de sua irmã, e ouvido a narração de sua irmã Rebeca: “Esse homem me disse isso e aquilo.” Foi ele, pois, ao encontro do estrangeiro e o achou perto dos camelos, na fonte.
31. “Vem, bendito do Senhor, disse ele, por que permaneces aí fora? Preparei a casa e um lugar para os camelos.”
32. E o homem entrou na casa. Descarregaram os camelos, deram-lhes palha e forragem, enquanto traziam ao estrangeiro e aos seus companheiros água para lavar os pés.
33. Serviu-se-lhe em seguida de comer; mas ele disse: “Não comerei nada enquanto não expuser o que tenho a dizer.” “Fala”, disse Labão.
34. “Eu sou, disse ele, escravo de Abraão.
35. O Senhor encheu de bênçãos o meu senhor, que se tornou poderoso; e deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos.
36. Sara, mulher do meu senhor, apesar de sua velhice, deu-lhe à luz um filho, ao qual ele deu todos os seus bens.
37. Então o meu senhor fez-me jurar que eu não escolheria para o seu filho uma mulher entre as filhas dos cananeus, em cuja terra ele mora,
38. mas que viria à casa de seu pai, à sua família, para aí escolher uma mulher para o seu filho.
39. E eu disse-lhe: Talvez a mulher não me quererá seguir.
40. ‘O Senhor, respondeu-me ele, em cujo caminho sempre andei, mandará o seu anjo contigo e fará bem-sucedida a tua viagem: escolherás para o meu filho uma mulher de minha família, na casa de meu pai.
41. Mas serás desobrigado do juramento que me fazes, se, tendo visitado minha parentela, encontrares oposição e não fores recebido.’
42. Ora, chegando hoje à fonte, eu disse: Senhor, Deus de meu senhor Abraão, se vos dignardes tornar bem-sucedida a viagem que empreendi (concedei-me isto:)
43. Ficarei perto da fonte; a jovem que vier buscar água, e a quem eu disser: Deixa-me, por favor, beber um pouco da água de teu cântaro,
44. e que me responder:‘Bebe, e buscarei também água para os teus camelos’, essa será a mulher que o Senhor destina ao filho de meu senhor.
45. Eu não tinha ainda acabado de falar comigo mesmo, quando veio Rebeca com o seu cântaro aos ombros, e desceu à fonte para buscar água. Eu disse-lhe: Dá-me de beber, por favor.
46. E, descendo logo o cântaro dos seus ombros, ela me disse: ‘Bebe, e darei também de beber aos camelos.’
47. Perguntei-lhe então de quem era filha. Ela respondeu-me: ‘Sou filha de Batuel, filho de Nacor, que Melca lhe deu à luz.’ Eu, pois, coloquei o anel em suas narinas e os braceletes em seus punhos.
48. Inclinei-me, então, prostrando-me diante do Senhor, e bendisse o Senhor, o Deus de meu senhor Abraão, que me conduziu diretamente ao lugar onde eu podia tomar a filha do parente de meu senhor para o seu filho.
49. Agora, se quiserdes testemunhar afeição e fidelidade ao meu senhor, dizei-mo; senão, dizei-mo também, para que eu tome outra direção.”
50. Labão e Batuel tomaram então a palavra: “Do Senhor veio tudo isso, disseram eles. Nada temos a dizer.
51. Eis aí Rebeca: toma-a e parte. Que ela seja a mulher do filho de teu senhor, como o Senhor disse.”
52. Ouvindo estas palavras, o servo de Abraão prostrou-se por terra diante do Senhor.
53. Tomando em seguida objetos de prata, objetos de ouro e vestidos, ofereceu-os como presente a Rebeca. Ofereceu também ricos presentes ao seu irmão e à sua mãe.
54. Puseram-se então à mesa, ele e os seus companheiros, e passaram a noite. Levantando-se no dia seguinte, disse o servo: “Deixai-me partir para a casa do meu senhor.”
55. Ao que o irmão e a mãe de Rebeca responderam: “Fique a jovem ainda conosco alguns dias, ao menos dez dias; depois disto partirá.”
56. “Não me retenhais, tornou ele: pois que o Senhor fez bem-sucedida a minha viagem, deixai-me partir e voltar para o meu senhor.”
57. “Chamemos a jovem, disseram eles, e perguntemos-lhe o seu parecer.”
58. Chamaram Rebeca e disseram-lhe: “Queres partir com este homem?” “Sim”, respondeu ela.
59. Deixaram-na, pois, partir juntamente com sua ama-de-leite, com o servo de Abraão e seus companheiros.
60. Eles abençoaram-na, dizendo: “Ó nossa irmã: possas tu tornar-te a mãe de milhares de miríades! E possua a tua posteridade a porta dos seus inimigos!”
61. Rebeca e suas servas levantaram-se, montaram nos camelos e seguiram o homem. Este conduzindo Rebeca, pôs-se logo a caminho.
62. Entretanto, Isaac tinha voltado do poço de Lacai-Roi, e habitava no Negeb.
63. Uma tarde em que saíra para meditar no campo, levantando os olhos, viu alguns camelos que se aproximavam.
64. Rebeca também, tendo levantado os olhos, viu Isaac, e desceu do camelo.
65. Ela disse ao servo de Abraão: “Quem é aquele homem que vem ao nosso encontro no campo?” “É o meu senhor”, respondeu ele. E ela tomou depressa o véu e cobriu-se.
66. O servo contou a Isaac tudo o que tinha feito.
67. E Isaac introduziu Rebeca na tenda de Sara, sua mãe. Desposou-a, e ela tornou-se sua mulher muito amada. E desse modo Isaac consolou-se da morte de sua mãe.

 
Capítulo 25

1. Abraão tomou outra mulher, chamada Cetura,
2. a qual lhe deu à luz Zamrã, Jecsã, Madã, Madiã, Jesboc e Sué.
3. Jecsã gerou Saba e Dadã (dos quais foram filhos os assurim, os latussim e os laomim).
4. Os filhos de Madiã foram Efa, Ofer, Henoc, Abida e Eldaa. Estes foram todos os filhos de Cetura.
5. Abraão deu todos os seus bens a Isaac.
6. Quanto aos filhos de suas concubinas, só lhes deu presentes, e despediu-os, ainda vivo, mandando-os para longe de seu filho Isaac, para a terra do oriente.
7. Eis a duração da vida de Abraão: Ele viveu cento e setenta e cinco anos,
8. e entregou sua alma, morrendo numa ditosa velhice, em idade avançada e cheio de dias, e foi unir-se aos seus.
9. Isaac e Ismael, seus filhos, enterraram-no na caverna de Macpela, situada na terra de Efrom, filho de Seor, o hiteu, defronte de Mambré,
10. a terra que Abraão tinha comprado aos filhos de Het. É lá que ele foi enterrado, com Sara, sua mulher.
11. Depois de sua morte, Deus abençoou seu filho Isaac, que habitava perto do poço de Lacai-Roi.
12. Eis a descendência de Ismael, filho que Agar, a egípcia, escrava de Sara, dera à luz a Abraão.
13. Estes são os nomes dos filhos de Ismael, segundo sua ordem de nascimento: o primogênito de Ismael, Nebaiot; em seguida, Cedar, Adbeel, Mabsã,
14. Masma, Duma, Massa,
15. Hadad, Tema, Jetur, Nafis e Cedma.
16. Tais são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes segundo suas cidades e seus respectivos acampamentos, doze chefes de suas tribos.
17. A duração da vida de Ismael foi de cento e trinta e sete anos, e depois ele entregou sua alma, e foi unir-se aos seus.
18. Seus filhos habitaram desde Hevila até Sur, que se encontra defronte do Egito, na direção da Assíria. Ele se instalou assim em frente de todos os seus irmãos.
19. Eis a história de Isaac, filho de Abraão.
20. Abraão gerou Isaac. Isaac tinha a idade de quarenta anos quando se casou com Rebeca, filha de Batuel, o arameu, de Padã-Arã, e irmã de Labão, o arameu.
21. Isaac rogou ao Senhor por sua mulher, que era estéril. O Senhor ouviu-o e Rebeca, sua mulher, concebeu.
22. Como as crianças lutassem no seu ventre, ela disse: “Se assim é, por que me acontece isso?” E ela foi consultar o Senhor,
23. que lhe respondeu: “Tens duas nações no teu ventre; dois povos se dividirão ao sair de tuas entranhas. Um povo vencerá o outro, e o mais velho servirá ao mais novo.”
24. Chegado o tempo em que ela devia dar à luz, eis que trazia dois gêmeos no seu ventre.
25. O que saiu primeiro era vermelho, e todo peludo como um manto de peles, e chamaram-no Esaú. Saiu em seguida o seu irmão, segurando pela mão o calcanhar de Esaú, e deram-lhe o nome de Jacó.
26. Isaac tinha sessenta anos quando eles vieram ao mundo.
27. Os meninos cresceram. Esaú tornou-se um hábil caçador, um homem do campo, enquanto Jacó era um homem pacífico, que morava na tenda.
28. Isaac preferia Esaú, porque gostava de caça; Rebeca, porém, se afeiçoou mais a Jacó.
29. Um dia em que Jacó preparava um guisado, voltando Esaú fatigado do campo,
30. disse-lhe: “Deixa-me comer um pouco dessa coisa vermelha, porque estou muito cansado.” (É por isso que lhe puseram o nome a Esaú, Edom.)
31. Jacó respondeu-lhe: “Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura.”
32. “Morro de fome, que me importa o meu direito de primogenitura?”
33. “Jura-mo, pois, agora mesmo”, tornou Jacó. Esaú jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó.
34. Este deu-lhe pão e um prato de lentilhas. Esaú comeu, bebeu, depois se levantou e partiu. Foi assim que Esaú desprezou o seu direito de primogenitura.

 
Capítulo 26

1. Sobreveio uma fome à região (além da primeira fome que houve no tempo de Abraão), e Isaac foi ter com Abimelec, rei dos filisteus em Gerara.
2. O Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: “Não desças ao Egito; fica na terra que eu te indico.
3. Habita nela; eu estou contigo e te abençoarei, porque é a ti e à tua posteridade que darei toda esta terra, e cumprirei o juramento que fiz ao teu pai Abraão.
4. Multiplicarei tua posteridade como as estrelas do céu, dar-lhe-ei todas estas regiões, e nela serão benditas todas as nações da terra,
5. porque Abraão obedeceu à minha voz e observou os meus preceitos, meus mandamentos e minhas leis.”
6. Isaac ficou, pois, em Gerara.
7. Quando os habitantes da região o interrogavam a respeito de sua mulher, ele dizia-lhes que era sua irmã, pois respondendo “É minha mulher”, temia que os homens daquele lugar o matassem por causa de Rebeca, que era muito bela.
8. E, como sua estada ali se prolongasse, aconteceu que um dia, olhando Abimelec pela janela, viu Isaac que acariciava Rebeca, sua mulher.
9. Mandou chamá-lo e disse-lhe: “É evidente que é tua mulher! E como dizias tu que era tua irmã.” “Porque, respondeu Isaac, eu temia que me matassem por causa dela.”
10. Abimelec replicou: “Que nos fizeste? Um pouco mais e alguém do povo teria abusado de tua mulher, e terias atraído o pecado sobre nós!”
11. Então Abimelec mandou publicar diante de todo o povo que seria morto quem quer que tocasse naquele homem ou em sua mulher.
12. Isaac semeou naquela terra, e colheu o cêntuplo naquele mesmo ano; o Senhor o abençoava.
13. E este homem cresceu, e seus bens foram aumentando cada vez mais; tornou-se extremamente rico.
14. Possuía rebanhos de ovelhas e de bois e numerosos escravos. E os filisteus o invejavam.
15. Por isso, entupiram todos os poços que tinham cavado os escravos de seu pai Abraão, quando este ainda vivia.
16. Abimelec disse-lhe: “Aparta-te de nós, pois te tornaste muito mais poderoso do que nós.”
17. Partiu Isaac e, tendo levantado o seu acampamento no vale de Gerara, habitou aí.
18. Abriu de novo os poços cavados outrora, no tempo de seu pai Abraão, que os filisteus tinham entupido depois de sua morte, e deu-lhes os mesmos nomes que o seu pai lhes tinha dado.
19. Seus servos cavaram outro poço no vale, e encontraram ali uma fonte de água viva.
20. Mas os pastores de Gerara começaram a disputar com os pastores de Isaac: “Esta água é nossa”, diziam eles. Isaac chamou então a esse poço Esec, porque lho tinham contestado.
21. Abriram seus pastores um segundo poço, mas surgiu uma outra disputa, e por isso pôs-lhe o nome de Sitna.
22. Partindo em seguida dali, abriu outro poço, sobre o qual não houve mais discussão, e pôs-lhe o nome de Rehobot, “porque agora, disse ele, o Senhor nos pôs ao largo, e prosperaremos na terra.”
23. Dali, Isaac subiu a Bersabéia.
24. Naquela mesma noite, o Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: “Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Nada temas, estou contigo. Eu te abençoarei e multiplicarei tua descendência por causa de Abraão, meu servo.”
25. Isaac construiu um altar nesse lugar e invocou o nome do Senhor. Levantou depois ali sua tenda e seus escravos cavaram um poço.
26. Abimelec veio de Gerara procurá-lo, com Ocozat, seu amigo, e Ficol, general do seu exército.
27. Isaac disse: “Por que me procurais, já que me detestais e me expulsastes do meio de vós?”
28. Eles responderam: “Nós vimos que o Senhor está contigo, e pensamos conosco: Haja um juramento entre nós e ti. Queremos, pois, fazer aliança contigo.
29. Jura que não nos farás nenhum mal, assim como também nós não tocamos em nada do que é teu e só te temos feito bem, deixando-te partir em paz. Agora, tu és o bendito do Senhor.”
30. Isaac preparou-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.
31. No dia seguinte pela manhã, fizeram mutuamente os seus juramentos; Isaac despediu-os em seguida, e eles afastaram-se dele em paz.
32. Nesse mesmo dia, os escravos de Isaac vieram dar-lhe notícias do poço que estavam cavando: “Encontramos água”, disseram eles.
33. Ele pôs a esse poço o nome de Sibea. De onde vem o nome de Bersabéia, nome que a cidade conserva até o dia de hoje.
34. Esaú, com a idade de quarenta anos, tomou por mulheres Judite, filha de Beeri, o hiteu, e Basemat, filha de Elon, o hiteu.
35. Elas foram um motivo de desgosto para Isaac e Rebeca.

 
Capítulo 27

1. Isaac envelhecera e seus olhos enfraqueceram-se, de modo que não podia ver. Chamou Esaú, seu filho primogênito, e disse-lhe: “Meu filho!” ” Eis-me aqui!”, respondeu ele.
2. Isaac disse: “Tu vês, estou velho e não sei quando vou morrer.
3. Toma as tuas armas, tua aljava e teu arco, vai ao campo e mata-me uma caça.
4. Prepara-me depois um prato suculento, como sabes que gosto, e traze-mo para que o coma e minha alma te abençoe antes que eu morra.”
5. (Ora, Rebeca ouviu atentamente enquanto Isaac falava ao seu filho Esaú.) E Esaú partiu para o campo, a fim de matar e trazer a caça.
6. Rebeca disse a Jacó, seu filho: “Acabo de ouvir teu pai dizer ao teu irmão Esaú para que lhe traga uma caça
7. e lhe prepare um bom prato, a fim de comer e o abençoar diante do Senhor antes de morrer.
8. Ouve-me, pois, meu filho, e faze o que te vou dizer.
9. Vai ao rebanho e traze-me dois belos cabritos. Prepararei com eles um prato suculento para o teu pai, como ele gosta,
10. tu lho levarás e ele comerá, a fim de que te abençoe antes de morrer.”
11. “Mas, respondeu Jacó à sua mãe, Esaú, meu irmão, é peludo, enquanto eu sou de pele lisa.
12. Se meu pai me tocar, passarei aos seus olhos por um embusteiro e atrairei sobre mim uma maldição em lugar de bênção.”
13. “Tomo sobre mim esta maldição, meu filho, disse sua mãe. Ouve-me somente, e vai buscar o que te digo.”
14. Jacó foi e trouxe os dois cabritos, com os quais sua mãe preparou um prato suculento, como seu pai gostava.
15. Escolheu as mais belas vestes de Esaú, seu filho primogênito, que tinha em casa, e revestiu com elas Jacó, seu filho mais novo.
16. Cobriu depois suas mãos, assim como a parte lisa do pescoço, com a pele dos cabritos,
17. e pôs-lhe nas mãos o prato suculento e o pão que tinha preparado.
18. Jacó foi para junto do seu pai e disse-lhe: “Meu pai!” ”Eis-me aqui! Quem és, meu filho?”
19. Jacó respondeu: “Eu sou Esaú, teu primogênito; fiz o que me pediste. Levanta-te, assenta-te e come de minha caça, a fim de que tua alma me abençoe.”
20. “Como encontraste caça tão depressa, meu filho?” “É que o Senhor, teu Deus, fez que ela se apresentasse diante de mim.”
21. “Aproxima-te, então, meu filho, para que eu te apalpe e veja se, de fato, és o meu filho Esaú.”
22. Jacó aproximou-se de Isaac, seu pai, que o apalpou e disse: “A voz é a voz de Jacó, mas as mãos são as mãos de Esaú.”
23. E não o reconheceu, porque suas mãos estavam peludas como as do seu irmão Esaú. E abençoou-o.
24. “Tu és bem o meu filho Esaú?” Disse-lhe ele: “Sim.”
25. “(Então) serve-me, para que eu coma de tua caça, meu filho, e minha alma te abençoe.” Jacó serviu-lhe e ele comeu; e trouxe-lhe também vinho, do qual ele bebeu.
26. Então Isaac, seu pai, disse-lhe: “Aproxima-te, meu filho, e beija-me.”
27. E, aproximando-se Jacó para lhe dar um beijo, Isaac sentiu o perfume de suas vestes, e o abençoou nestes termos. “Sim. o odor de meu filho é como o odor de um campo que o Senhor abençoou.
28. Deus te dê o orvalho do céu e a gordura da terra, uma abundância de trigo e de vinho!
29. Sirvam-te os povos e prostrem-se as nações diante de ti! Sê o senhor dos teus irmãos, e curvem-se diante de ti os filhos de tua mãe! Maldito seja quem te amaldiçoar e bendito quem te abençoar!”
30. Apenas Isaac acabara de abençoar Jacó, e este saíra de junto do seu pai, chegou Esaú da caça.
31. Preparou também ele um prato suculento e trouxe-o ao seu pai, dizendo: “Levanta-te, meu pai, e come da caça do teu filho, a fim de que tua alma me abençoe.”
32. “Quem és tu?”, perguntou-lhe seu pai Isaac. “Eu sou o teu filho primogênito Esaú.”
33. Então Isaac, tomado de emoção violenta, exclamou: “Quem é, pois, aquele que foi à caça e me trouxe o prato que eu comi antes que tu voltasses? Eu o abençoei, e ele será bendito.”
34. Ouvindo estas palavras de seu pai, Esaú soltou um grito cheio de amargura, e disse-lhe: “Abençoa-me também a mim, meu pai!”
35. “Teu irmão, respondeu-lhe Isaac, veio, fraudulentamente, tomar a tua bênção.”
36. Esaú disse então: “Será porque ele se chama Jacó que me suplantou já duas vezes? Tirou-me meu direito de primogenitura, e eis que agora me rouba minha bênção!” E ajuntou: “Não reservaste, porventura, uma bênção também para mim?”
37. Isaac respondeu-lhe: “Eu o constituí teu senhor, e dei-lhe todos os seus irmãos por servos e o estabeleci na posse do trigo do vinho. Que posso ainda fazer por ti, meu filho?”
38. Esaú disse ao seu pai: “Então só tens uma bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai!” E pôs-se a chorar.
39. Isaac tomou a palavra: “Eis, disse ele, que a tua habitação será desprovida da gordura da terra e do orvalho que desce dos céus.
40. Viverás de tua espada, servindo o teu irmão, mas, se te libertares, quebrarás o seu jugo de cima do teu pescoço.”
41. Esaú concebeu ódio por Jacó por causa da bênção que lhe tinha dado seu pai e disse em seu coração: “Virão os dias do luto de meu pai, e matarei meu irmão Jacó.”
42. E foram referidas a Rebeca estas palavras do seu filho primogênito. Ela mandou chamar seu filho mais novo, Jacó, e disse-lhe: “Teu irmão Esaú quer matar-te para se vingar de ti.
43. Escuta-me, pois, meu filho: vai, foge para junto de Labão, meu irmão, em Harã;
44. fica em casa dele algum tempo, até que se acalme a cólera do teu irmão.
45. Assim que passar a sua cólera e tiver ele esquecido do que lhe fizeste, mandar-te-ei buscar. Por que perderia eu vocês dois num só dia?”
46. Rebeca disse a Isaac: “Estou desgostosa da vida por causa das filhas de Het. Se Jacó tomar uma mulher entre as filhas de Het, para que ainda viver?”

 
Capítulo 28

1. Isaac chamou Jacó e o abençoou, dando-lhe esta ordem: “Não desposarás uma filha de Canaã:
2. Mas vai a Padã-Arã, à casa de Batuel, pai de tua mãe, e escolhe lá uma mulher entre as filhas de Labão, irmão de tua mãe.
3. Deus todo-poderoso te abençoe, te faça crescer e multiplicar, de sorte que te tornes uma multidão de povos.
4. Dê-te ele, como também à tua posteridade, a bênção de Abraão, a fim de que possuas a terra onde moras, e que Deus deu a Abraão.”
5. Isaac despediu Jacó, e este partiu para Padã-Arã, para a casa de Labão, filho de Batuel, o arameu, irmão de Rebeca, a mãe de Jacó e de Esaú.
6. Ora, Esaú viu que seu pai tinha abençoado Jacó, e o tinha enviado a Padã-Arã para aí tomar uma mulher e que, depois de o ter abençoado, lhe proibira desposar uma filha de Canaã.
7. Viu também que Jacó, obedecendo aos seus pais, partira para Padã-Arã.
8. E, compreendendo que as filhas de Canaã não eram bem vistas pelo seu pai,
9. foi à casa de Ismael e tomou por mulher, além daquelas que já tinha, a Maelet, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nabaiot.
10. Jacó, partindo de Bersabéia, tomou o caminho de Harã.
11. Chegou a um lugar, e ali passou a noite, porque o sol já se tinha posto. Serviu-se como travesseiro de uma das pedras que ali se encontravam, e dormiu naquele mesmo lugar.
12. E teve um sonho: via uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada. No alto estava o Senhor,
13. que lhe dizia: “Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai e o Deus de Isaac; darei a ti e à tua descendência a terra em que estás deitado.
14. Tua posteridade será tão numerosa como os grãos de poeira no solo; tu te estenderás, para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o meio-dia, e todas as famílias da terra serão benditas em ti e em tua posteridade.
15. Estou contigo, para te guardar onde quer que fores, e te reconduzirei a esta terra, e não te abandonarei sem ter cumprido o que te prometi.”
16. Jacó, despertando de seu sono, exclamou: “Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!”
17. E, cheio de pavor, ajuntou: “Quão terrível é este lugar! É nada menos que a casa de Deus; é aqui, a porta do céu.”
18. No dia seguinte, pela manhã, tomou Jacó a pedra: sobre a qual repousara a cabeça e a erigiu em estela, derramando óleo sobre ela.
19. Deu o nome de Betel a este lugar, que antes se chamava Luz.
20. Jacó fez então este voto: “Se Deus for comigo, se ele me guardar durante esta viagem que empreendi, e me der pão para comer e roupa para vestir,
21. e me fizer voltar em paz casa paterna, então o Senhor será o meu Deus.
22. Esta pedra da qual fiz uma estela será uma casa de Deus, e pagarei o dízimo de tudo o que me derdes.”

 
Capítulo 29

1. Jacó pôs-se de novo a caminho e foi para a terra dos filhos do oriente.
2. Olhando em torno de si, viu no campo um poço junto do qual estavam deitados três rebanhos de ovelhas. Este poço servia de bebedouro para os rebanhos. Mas, sendo grande a pedra que cobria a abertura do poço
3. somente a removiam de cima quando todos os rebanhos fossem recolhidos. Davam então de beber aos animais e recolocavam a pedra no seu lugar.
4. Jacó disse aos pastores: “Meus irmãos, de, onde sois?” “Somos de Harã”, responderam.
5. “Conheceis porventura Labão, filho de Nacor?” “Sim.”
6. “Como vai ele?” “Vai muito bem; e eis justamente sua filha Raquel que vem com o rebanho.”
7. “É ainda pleno dia, tornou Jacó, e não é hora de se recolherem os rebanhos. Dai de beber às ovelhas e levai-as de novo ao pasto.”
8. “Não o podemos, responderam eles, antes que todos os rebanhos estejam reunidos. Tiramos então a pedra de cima do poço e damos de beber aos animais.”
9. Falava ainda com eles, quando chegou Raquel com o rebanho do seu pai, porque era pastora.
10. Logo que Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, aproximou-se, rolou a pedra de cima da boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão.
11. Depois beijou Raquel e pôs-se a chorar.
12. Contou-lhe que era parente de seu pai e filho de Rebeca; e ela correu a anunciar isto ao seu pai.
13. Tendo Labão ouvido falar de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, abraçou-o, beijou-o e o conduziu à sua casa. Jacó contou-lhe tudo o que se tinha passado,
14. e Labão disse-lhe: “Sim, tu és de meus ossos e de minha carne.” Jacó ficou em casa dele um mês inteiro.
15. E Labão disse-lhe: “Acaso, porque és meu parente, servir-me-ás de. raça? Dize-me que salário queres.”
16. Ora, Labão tinha duas filhas: a mais velha chamava-se Lia, e a mais nova Raquel.
17. Lia tinha os olhos embaciados, e Raquel era bela de talhe e rosto.
18. Jacó, que amava Raquel, disse a Labão: “Eu te servirei sete anos por Raquel tua filha mais nova.”
19. “E melhor, respondeu Labão, dá-la a ti que a outro: fica comigo.”
20. Assim, Jacó serviu por Raquel sete anos, que lhe pareceram dias, tão grande era o amor que lhe tinha.
21. Disse, pois, a Labão: “Dá-me minha mulher, porque está completo o meu tempo e quero desposá-la.”
22. Labão reuniu. todos os habitantes do lugar e deu um banquete.
23. Mas, à noite, conduziu, Lia a Jacó, que se uniu com ela.
24. E deu à sua filha Lia, sua escrava Zelfa.
25. Pela manhã, viu Jacó que tinha ficado com Lia. E disse a Labão: “Que me fizeste? Não foi por Raquel que te servi? Por que me enganaste?”
26. “Aqui, respondeu Labão, não é costume casar a mais nova antes da mais velha.
27. Acaba a semana com esta, e depois te darei também sua irmã, na condição que me sirvas ainda sete anos.”
28. Assim fez Jacó: acabou a semana com Lia, e depois lhe deu Labão por mulher sua filha Raquel,
29. dando por serva a Raquel sua escrava Bala.
30. Jacó uniu-se também a Raquel, a quem amou mais do que a Lia. E serviu ainda por sete anos em casa de Labão.
31. O Senhor, vendo que Lia era desprezada, tornou-a fecunda enquanto Raquel permanecia estéril.
32. Lia concebeu e deu à luz um filho, ao qual chamou Rubem, “porque, dizia ela, o Senhor olhou minha aflição; agora meu marido me amará”.
33. Concebeu de novo e deu à luz outro filho. “O Senhor, disse ela, vendo que era desdenhada, deu-me ainda este.” E pôs-lhe o nome de Simeão.
34. Concebeu ainda e deu à luz mais um filho. “Desta vez, disse ela, meu marido se apegará a mim, porque já lhe dei à luz três filhos.” Por isso deu-lhe o nome de Levi.
35. Concebeu ainda e deu à luz um filho. E disse: “Desta vez, louvarei ao Senhor.” E chamou-o Judá. Depois cessou de ter filhos.

 
Capítulo 30

1. Raquel, vendo que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã: “Dá-me filhos, disse ela ao seu marido, senão morro!”
2. E Jacó irritou-se com ela. “Acaso, disse ele, posso eu pôr-me no lugar de Deus que te recusou a fecundidade?”
3. Ela respondeu: “Eis minha serva Bala: toma-a. Que ela dê à luz sobre os meus joelhos e assim, por ela, terei também filhos.”
4. Deu-lhe, pois, por mulher sua escrava Bala, da qual se aproximou Jacó.
5. Bala concebeu e deu à luz um filho a Jacó.
6. Disse então Raquel: “Deus fez-me justiça. Ele ouviu minha voz e deu-me um filho.” Por isso ela o chamou Dã.
7. Bala, escrava de Raquel, concebeu de novo e deu à luz um segundo filho a Jacó.
8. Raquel disse: “Lutei contra minha irmã junto de Deus, e venci!” E deu ao menino o nome de Neftali.
9. Lia, vendo que não concebia mais, tomou sua escrava Zelfa e deu-a por mulher a Jacó.
10. Zelfa, escrava de Lia, deu à luz um filho a Jacó.
11. Lia disse: “Que sorte!” E chamou-o Gad.
12. Zelfa, escrava de Lia, deu à luz um segundo filho a Jacó.
13. Lia disse: “Que felicidade! As mulheres me chamarão ditosa.” E chamou-o Aser.
14. Um dia, por ocasião da ceifa, Rubem saiu ao campo e, tendo encontrado umas mandrágoras, levou-as à sua mãe Lia. Raquel disse a Lia: “Rogo-te que me dês as mandrágoras do teu filho.”
15. Lia respondeu: “Já não é bastante o teres tomado meu marido, para que queiras ainda as mandrágoras do meu filho?” “Pois bem, tornou Raquel, em troca das mandrágoras do teu filho, que ele durma contigo esta noite.”
16. À noite, quando Jacó voltou do campo, Lia saiu-lhe ao encontro: “Vem comigo, disse-lhe ela, eu te aluguei em troca das mandrágoras do meu filho.” E Jacó dormiu com ela aquela noite.
17. Deus ouviu Lia, que concebeu e deu à luz um quinto filho a Jacó.
18. “Deus, disse ela, recompensou-me por eu ter dado minha escrava ao meu marido.” E o chamou Issacar.
19. Lia concebeu ainda e deu à luz um sexto filho a Jacó.
20. E disse: “Deus deu-me um belo presente; agora meu marido habitará comigo, pois que lhe dei à luz seis filhos.” E o chamou Zabulon.
21. Depois disso, deu à luz uma filha, a quem chamou Dina.
22. Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e tornou-a fecunda.
23. Raquel concebeu e deu à luz um filho. “Deus, disse ela, tirou o meu opróbrio.”
24. E chamou-o José, dizendo: “Dê-me o Senhor ainda outro filho!”
25. Tendo Raquel dado à luz José, Jacó disse a Labão: “Deixa-me partir para a minha casa, na minha terra.
26. Dá-me minhas mulheres e meus filhos, pelos quais te servi, a fim de que eu me vá; tu sabes quanto tempo servi em tua casa.”
27. Labão respondeu-lhe: “Se achei graça aos teus olho… reconheço que o Senhor me abençoou por causa de ti.
28. Fixa-me o que devo dar-te, ajuntou ele, e dar-te-ei.”
29. Jacó disse-lhe: “Tu sabes como te tenho servido, e como aumentaram os teus rebanhos graças a mim.
30. Tinhas pouca coisa, antes de minha chegada, e tudo aumentou depois. O Senhor abençoou-te a cada um dos meus passos. Agora, quanto a mim, quando trabalharei eu para minha casa?”
31. “Que te hei de dar?”, disse Labão. Jacó respondeu: “Não me darás nada. Se aceitas o que te vou propor, continuarei a apascentar e guardar o teu rebanho.
32. Vou hoje passar pelo meio de todos os teus rebanhos e pôr à parte, entre os cordeiros, todo o animal manchado, malhado ou negro, e entre as cabras, tudo o que é manchado ou malhado: isto será o meu salário.
33. Minha justiça testemunhará em meu favor para o futuro, quando vieres verificar o meu salário: tudo o que não for malhado ou manchado entre as cabras e negro entre os cordeiros, considerar-se-á como roubado.”
34. “Está bem, disse Labão, seja como dizes.”
35. Naquele mesmo dia, pôs ele à parte os bodes malhados e manchados, todas as cabras malhadas ou manchadas, todas aquelas que estavam marcadas de branco, e todos os cordeiros negros; confiou-os aos seus filhos,
36. e pôs à distância de três dias de jornada entre ele e Jacó, o qual apascentava o resto do rebanho de Labão.
37. Jacó tomou então varas verdes de álamo, de amendoeira e de plátano; tirou-lhes parte da casca, fazendo faixas brancas e deixando a nu o samo.
38. Colocou as varas assim preparadas sob os olhos das ovelhas, nas pias e nos bebedouros onde vinham beber. Indo a beber, entravam em calor.
39. E como entrassem no calor do coito diante dessas varas, concebiam cordeiros riscados, manchados e malhados.
40. Jacó punha-os à parte, e voltava a face dos animais para o que era malhado e negro no rebanho de Labão. Constituiu assim rebanhos para si, que não se misturaram aos de Labão.
41. Além disso, Jacó só punha suas varas nos bebedouros sob os olhos das ovelhas em calor, a fim de que seu coito se fizesse perto das varas, quando se tratava de ovelhas vigorosas.
42. Quando eram fracas, não punha as varas, de sorte que os cordeiros raquíticos eram para Labão e os vigorosos para ele.
43. Este homem tornou-se assim extremamente rico, e teve muitos rebanhos, escravas e escravos, camelos e jumentos.

 
Capítulo 31

1. Jacó ouviu as palavras dos filhos de Labão, que diziam: “Jacó tomou tudo o que é de nosso pai, e é às suas custas que ele se tornou de tal forma rico.”
2. Observou também, pela fisionomia de Labão, que este não tinha mais para com ele os sentimentos de antes.
3. O Senhor disse a Jacó: “Volta para a terra dos teus pais, para a tua parentela, e eu estarei contigo.”
4. Então Jacó mandou Raquel e Lia vir ao campo junto dos seus rebanhos:
5. “Vejo, disse-lhes ele, pelo semblante de vosso pai, que ele não é mais para comigo o mesmo que antes. Mas o Deus de meu pai está comigo.
6. Sabeis que servi a vosso pai o melhor que pude,
7. enquanto ele zombou de mim, mudando dez vezes o meu salário; mas Deus não lhe permitiu causar-me prejuízo.
8. Quando ele dizia: os animais malhados serão o teu salário, todas as ovelhas davam à luz cordeiros malhados, e se dizia: os animais riscados serão o teu salário, todas as ovelhas davam à luz cordeiros riscados.
9. Foi Deus mesmo que tomou o rebanho de vosso pai para me dar.
10. No tempo em que os animais deviam conceber, eu levantava os olhos e via em sonhos que os bodes que cobriam as cabras eram listados, malhados e manchados.
11. Um anjo de Deus disse-me em sonhos: Jacó! Eis-me aqui, respondi.
12. Levanta os olhos e vê: todos os bodes que cobrem as cabras são listados, malhados e manchados, porque eu vi tudo o que te fez Labão.
13. Eu sou o Deus de Betel, onde tu me consagraste uma estela e me fizeste um voto. Agora, vamos, sai daqui e volta para a terra de tua família.”
14. Raquel e Lia responderam: “Resta-nos porventura ainda alguma parte de herança na casa de nosso pai?
15. Não nos tratou ele como estrangeiras, vendendo-nos e devorando o nosso dinheiro?
16. Toda a riqueza, que Deus tomou de nosso pai, é para nós e para nossos filhos. Faze, pois, o que Deus te disse.”
17. Levantou-se, pois, Jacó, e fez montar seus filhos e suas mulheres nos camelos.
18. Levou consigo todos os seus rebanhos, todos os bens que tinha ajuntado, o rebanho que lhe pertencia, adquirido em Padã-Arã, e partiu para junto de seu pai Isaac, na terra de Canaã.
19. Raquel, aproveitando um momento em que seu pai fora tosquiar suas ovelhas, roubou os terafim de seu pai;
20. e Jacó enganou Labão, o arameu, ocultando-lhe sua fuga.
21. Fugindo, pois, com tudo o que era seu, atravessou o rio e dirigiu-se para a montanha de Galaad.
22. Três dias depois, soube Labão da fuga de Jacó.
23. E, tomando consigo seus irmãos, perseguiu-o durante sete dias de marcha, e alcançou-o na montanha de Galaad.
24. Deus, porém, apareceu num sonho noturno a Labão, o arameu, e disse-lhe: “Guarda-te de dizer algo a Jacó.”
25. Labão alcançou, pois, Jacó. Este havia levantado sua tenda na montanha, enquanto Labão e seus irmãos tinham plantado a sua na montanha de Galaad.
26. Labão disse a Jacó: “Que fizeste? Tu me enganaste, e conduziste minhas filhas como prisioneiras de guerra!
27. Por que fugiste dessa forma, e me lograste em lugar de me avisar? Eu te teria despedido com manifestações de júbilo e com cânticos, ao som do tamborim e da harpa.
28. Não me deixaste beijar meus filhos e minhas filhas! Procedeste como um insensato.
29. Eu poderia agora fazer-vos mal, mas o Deus de teu pai disse-me na última noite: Guarda-te de dizer algo a Jacó.
30. E, se partiste somente porque tinhas saudade da casa paterna, então por que roubaste os meus deuses?”
31. Jacó respondeu-lhe: “Tive medo, ao pensar que poderias tirar-me tuas filhas;
32. quanto aos teus deuses, porém, seja morto aquele que os tiver consigo! Examina o que está comigo, em presença de nossos parentes, e retoma o que é teu.” Ora, Jacó ignorava o roubo de Raquel.
33. Labão entrou na tenda de Jacó, na de Lia e na das duas escravas, mas nada encontrou. Saindo da tenda de Lia, entrou na de Raquel.
34. Esta havia tomado os terafim e, colocando-os na sela do camelo, sentou-se em cima. Labão revistou toda a tenda, sem nada encontrar.
35. Raquel disse ao seu pai: “Não se irrite o meu senhor, se não posso levantar-me em sua presença, pois acho-me agora com a indisposição que costuma vir às mulheres.” Revistou, pois, mas não encontrou os terafim.
36. Jacó encolerizou-se então contra Labão, e acabrunhou-o de censuras: “Qual é o meu crime?, disse-lhe ele. Qual é o meu pecado, para que te irrites desse modo contra mim?
37. Revistaste todas as minhas bagagens: que encontraste do que é teu? Mostra-me aqui em presença de meus parentes e dos teus, e sejam eles juízes entre nós dois.
38. Há vinte anos que estou em tua casa: tuas ovelhas e tuas cabras não abortaram, não comi os carneiros do teu rebanho.
39. Nunca te trouxe os animais estraçalhados pelas feras. Eu os repunha, pois tu o exigias, quer fossem roubados de dia, quer de noite.
40. Eu era queimado de dia pelo calor, e de noite pelo frio, e o sono fugia dos meus olhos.
41. Eis já vinte anos que estou em tua casa; servi-te catorze anos por tuas duas filhas, seis anos pelos teus rebanhos, e dez vezes modificaste o meu salário.
42. Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Deus terrível de Isaac não se tivesse posto de meu lado, tu me terias hoje despedido com as mãos vazias. Deus viu minhas penas e meus trabalhos, e na última noite ele pronunciou-se.
43. Labão respondeu a Jacó: “Estas filhas são minhas filhas, estes filhos, meus filhos, e estes rebanhos, meus rebanhos: tudo o que vês é meu. Que farei eu agora contra minhas filhas, ou contra os filhos que elas deram ao mundo?
44. Vamos, façamos juntos um pacto que nos sirva de testemunho a nós dois.”
45. Jacó tomou uma pedra e erigiu-a em estela,
46. e disse aos seus parentes: “Trazei pedras.” E, tendo juntado muitas, fizeram um monte, sobre o qual comeram.
47. Labão chamou-o Yegar-Saaduta, e Jacó, Galaad.
48. Labão disse: “Este monte é hoje testemunha entre mim e ti”,e por isso deu-se-lhe o nome de Galaad,
49. e também Mitspa, porque Labão disse ainda: “Que o Senhor nos vigie a nós ambos, quando nós nos tivermos despedido um do outro.
50. Se maltratares minhas filhas, e se tomares outras mulheres além delas, não é um homem que estará conosco. Mas toma cuidado, pois é Deus que será testemunha entre nós.”
51. Labão disse ainda a Jacó: “Vês este monte de pedras e esta estela que levantei entre mim e ti.
52. Este monte é testemunho, e igualmente esta estela, de que eu não ultrapassarei este monte para o teu lado, e que tu não ultrapassarás este monte e esta estela para o meu lado para nos fazer mal.
53. O Deus de Abraão, o Deus de Nacor, o Deus de seus pais seja juiz entre nós!” E Jacó jurou pelo Deus terrível de Isaac.
54. Ofereceu um sacrifício sobre a montanha e convidou seus parentes para comer. Comeram e passaram a noite na montanha.
55. No dia seguinte pela manhã, Labão beijou seus filhos e suas filhas; abençoou-os e retomou o caminho de sua casa.

 
Capítulo 32

1. Jacó prossegui o seu caminho e encontrou uns anjos de Deus.
2. Ao vê-los, exclamou: “É aqui o acampamento de Deus!” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.
3. Despachou diante de si mensageiros a seu irmão Esaú, na terra de Seir, nos campos de Edom.
4. E deu-lhes esta ordem: “Eis o que direis ao meu senhor Esaú: Assim fala o teu servo Jacó: Habitei em casa de Labão onde estive até o dia de hoje.
5. Possuo bois, jumentos, ovelhas, servos e servas, e mando agora anunciá-lo ao meu senhor para encontrar graça diante dele.”
6. Os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: “Fomos ter com Esaú: ele vem ao teu encontro com quatrocentos homens.”
7. Jacó foi tomado de pavor e de angústia. Dividiu em dois grupos a gente que estava com ele, assim como as ovelhas, os bois e os camelos.
8. “Se Esaú, disse ele consigo, atacar um dos grupos e o destruir, ao menos o outro se salvará.”
9. Depois Jacó disse: “Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaac, Senhor que me dissesses: Volta para a tua terra, para o meio de tua parentela, e eu te beneficiarei,
10. eu sou indigno de todos os favores e de toda a fidelidade que tendes testemunhado ao vosso servo. Só tinha o meu bastão quando atravessei este Jordão, e eis que possuo agora dois acampamentos.
11. Salvai-me, eu vos peço, das mãos de meu irmão Esaú, pois temo que ele me venha atacar, sem poupar nem mãe nem filhos.
12. Entretanto, vós me dissestes: Eu te beneficiarei e tornarei tua posteridade inumerável como os grãos de areia do mar.”
13. Jacó passou a noite naquele lugar. Escolheu entre os bens que possuía um presente para o seu irmão Esaú:
14. duzentas cabras, vinte bodes, duzentas ovelhas, vinte carneiros,
15. trinta camelas com suas crias, quarenta vacas, dez touros, vinte jumentas e dez jumentos.
16. Entregou-os aos servos, cada rebanho à parte, e disse-lhes: “Ide adiante de mim, e haja uma distância entre cada rebanho.”
17. E deu esta ordem ao primeiro: “Quando meu irmão Esaú te encontrar e te perguntar quem és, aonde vais, e a quem pertence o rebanho que conduzes,
18. responderás: Pertence ao teu servo Jacó; é um presente que ele manda ao meu senhor Esaú; ele mesmo vem atrás de nós.”
19. Deu a mesma ordem ao segundo, ao terceiro e a todos os que conduziam os rebanhos: “Quando encontrardes Esaú, disse ele, vós lhe direis a mesma coisa.
20. E direis que seu servo Jacó vos segue.” “Eu o aplacarei, pensou ele, com este presente que me precede; e depois o verei pessoalmente; talvez me fará ele bom acolhimento.”
21. Foi, pois, o presente adiante dele, e ele ficou aquela noite no acampamento.
22. Naquela mesma noite ele se levantou com suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos e passou o vau do Jaboc.
23. Tomou-os, e os fez passar a torrente com tudo o que lhe pertencia.
24. Jacó ficou só; e alguém lutava com ele até o romper da aurora.
25. Vendo que não podia vencê-lo, tocou-lhe aquele homem na articulação da coxa e esta deslocou-se, enquanto Jacó lutava com ele.
26. E disse-lhe: “Deixa-me partir, porque a aurora se levanta.” “Não te deixarei partir respondeu Jacó, antes que me tenhas abençoado.”
27. Ele perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?” “Jacó.”
28. “Teu nome não será mais Jacó, tornou ele, mas Israel, porque lutaste com Deus e com os homens, e venceste.” Jacó perguntou-lhe:
29. “Peço-te que me digas qual é o teu nome.” “Por que me perguntas o meu nome?”, respondeu ele. E abençoou-o no mesmo lugar.
30. Jacó chamou àquele lugar Fanuel: “porque, disse ele, eu vi a Deus face a face, e conservei a vida”.
31. O sol levantava-se no horizonte, quando ele passou Fanuel. E coxeava de uma perna.
32. É por isso que os israelitas, ainda hoje, não comem o nervo da articulação da coxa, porque aquele homem tinha tocado nesse nervo da articulação da coxa de Jacó.

 
Capítulo 33

1. Jacó, levantando os olhos, viu Esaú que avançava com quatrocentos homens. Repartiu então os filhos entre Lia, Raquel e as duas servas.
2. Colocou as servas com seus filhos na frente, depois Lia com os seus, e, por último Raquel com José.
3. E ele, passando adiante, prostrou-se até a terra sete vezes antes de se aproximar do seu irmão.
4. Mas Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar.
5. Levantando os olhos, Esaú viu as mulheres e as crianças: “Quem são estes que tens contigo?”, perguntou ele. “São, respondeu Jacó, os filhos que aprouve a Deus dar ao teu servo.”
6. Aproximaram-se então as servas com seus filhos e prostraram-se.
7. Lia com seus filhos adiantaram-se por sua vez e prostraram-se, e, enfim, José e Raquel, que se prostraram também.
8. Esaú disse: “Que significa todo esse acampamento que encontrei?” “E, disse Jacó, para ganhar o favor de meu senhor.”
9. Esaú disse-lhe: “Possuo muitos bens, meu irmão, guarda o que te pertence.”
10. “Oh, suplico-te, replicou Jacó, se ganhei teu favor, aceita este presente de minhas mãos; porque te contemplei como se contempla Deus, e me fizeste bom acolhimento.
11. Aceita o presente que te ofereço; pois Deus cumulou-me de seus favores, e nada me falta.” E tanto insistiu que Esaú aceitou.
12. Esaú disse: “Partamos, ponhamo-nos a caminho; eu te precederei.”
13. Jacó disse-lhe: “Tu vês, meu senhor, que os meninos são delicados; e tenho de cuidar das ovelhas e vacas que amamentam; se os fizer caminhar ainda um só dia, morrerá todo o rebanho.
14. Que o meu senhor vá, pois, adiante de seu servo; eu seguirei devagar, ao passo do rebanho que vai adiante de mim, e ao passo dos meninos, até que chegue à casa de meu senhor em Seir.”
15. “Permita-me ao menos, disse-lhe Esaú, deixar-te uma parte de meus homens.” ”Não é necessário, disse Jacó; basta-me ter achado graça aos olhos do meu senhor!”
16. No mesmo dia, Esaú retomou o caminho de Seir.
17. Jacó partiu para Socot, onde, tendo edificado uma casa, construiu também cabanas para o seu rebanho. Daí o nome de Socot dado a esse lugar.
18. De volta de Padã-Arã, Jacó chegou sem contratempos à cidade de Siquém, na terra de Canaã. E acampou diante da cidade.
19. Comprou por cem moedas de prata aos filhos de Hemor, pai de Siquém, o pedaço de terra onde havia levantado sua tenda.
20. Levantou aí um altar, ao qual chamou El-Deus de Israel.

 
Capítulo 34

1. Dina, a filha que Lia tinha dado a Jacó, saiu para ver as filhas da região.
2. Tendo-a visto Siquém, filho de Hemor, o heveu, príncipe daquela terra, raptou-a e dormiu com ela, violentando-a.
3. Seu coração prendeu-se a Dina, filha de Jacó: ele amou a jovem, e soube falar-lhe ao coração.
4. E disse então ao seu pai Hemor: “Dá-me esta jovem por mulher.”
5. Ora, Jacó soube do ultraje que ele tinha feito à sua filha, mas, como seus filhos estivessem no campo com o rebanho, não disse nada até que voltassem.
6. Hemor, pai de Siquém, veio ter com Jacó para lhe falar.
7. Quando os filhos de Jacó, voltando do campo, souberam o que se tinha passado, indignaram-se muito, porque Siquém se tornara culpado de uma grande infâmia contra Israel, dormindo com a filha de Jacó. Isto são coisas que não se fazem.
8. Hemor disse-lhes então: “Meu filho Siquém está enamorado de vossa filha; dai-a por mulher, eu vos peço.
9. Aliai-vos conosco: dai-nos vossas filhas e desposai as nossas.
10. Habitai no meio de nós, pois a terra estará à vossa disposição; podereis estabelecer-vos e negociar nela, e adquirir propriedades.”
11. De seu lado, Siquém disse ao pai e aos outros irmãos de Dina: “Ache eu graça aos vossos olhos, e dar-vos-ei o que pedirdes.
12. Seja qual for o preço de compra e os presentes que exigirdes, o que me fixardes, isto eu darei, contanto que me deis a jovem por mulher.”
13. Os filhos de Jacó deram a Siquém e a Hemor uma resposta dolosa, porque Siquém havia ultrajado sua irmã Dina:
14. “Dar nossa irmã a um incircunciso, disseram eles, é uma coisa que não podemos fazer, porque isto seria desonroso para nós.
15. Só acederemos ao vosso desejo à condição de que vos torneis como nós, e que todos vossos varões sejam circuncidados.
16. Então vos daremos nossas filhas e desposaremos as vossas, habitaremos convosco e formaremos todos um só povo.
17. Mas se não nos quiserdes ouvir e não vos deixardes circuncidar, tomaremos nossa filha e nos retiraremos.”
18. O seu oferecimento agradou a Hemor e ao seu filho.
19. O jovem não tardou em fazer o que se lhe pedia, porque estava enamorado da filha de Jacó. Era o homem mais considerado de sua família.
20. Hemor e seu filho foram à porta da cidade e disseram a seus concidadãos:
21. “Estes homens são pacíficos conosco; fiquem eles na terra e possam aí circular. A região é bastante espaçosa para eles, tanto para a direita como para a esquerda. Desposaremos suas filhas e eles desposarão as nossas.
22. Mas eles só consentem em ficar conosco, de modo a fazermos todos um só povo, com a condição de que todos os nossos varões sejam circuncidados como o são eles mesmos.
23. Com isso os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus animais, tudo não será nosso? Aceitemos, pois, suas condições a fim de que se estabeleçam entre nós.”
24. Todos os que passavam pela porta da cidade deixaram-se convencer por Hemor e Siquém, seu filho, e todos os varões foram circuncidados.
25. No terceiro dia, estando todos ainda doentes, os dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Dina, tomaram cada um sua espada, penetraram na cidade, que de nada desconfiava, e mataram todos os varões.
26. Passaram ao fio de espada também Hemor e Siquém, seu filho; tiraram Dina da casa de Siquém e foram-se.
27. Os filhos de Jacó caíram impetuosamente sobre os mortos e assolaram a cidade, porque haviam ultrajado sua irmã.
28. Tomaram suas ovelhas, seus bois, seus jumentos e tudo o que havia na cidade como nos campos.
29. E levaram como espólio todos os seus bens, seus filhos, suas mulheres e tudo o que se encontrava em suas casas.
30. Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vós me lançastes na confusão e me tornastes odioso aos habitantes desta terra, aos cananeus e aos ferezeus. Só tenho comigo alguns homens e, quando toda essa gente se congregar contra mim para me ferir, perecerei com minha família.”
31. Eles responderam: “Porventura, devíamos deixar tratar nossa irmã como uma prostituta?”

 
Capítulo 35

1. Deus disse a Jacó: “Vamos, sobe a Betel e fica ali, e levanta um altar nesse lugar ao Deus que se manifestou a ti, quando fugias diante de teu irmão Esaú.”
2. Jacó disse à sua família e à sua gente: “Tirai do meio de vós os deuses estrangeiros, purificai-vos e mudai vossos vestidos.
3. Vamos subir a Betel, onde levantarei um altar ao Deus que me ouviu no dia de minha aflição, e que esteve comigo durante minha viagem.”
4. Entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que tinham, assim como os brincos que traziam nas orelhas, e Jacó enterrou-os debaixo de um terebinto, perto de Siquém.
5. Partindo eles dali, Deus semeou o pânico nas cidades circunvizinhas, de sorte que não perseguiram os filhos de Jacó.
6. Chegou, portanto, Jacó com toda a sua gente à Luz, na terra de Canaã, hoje Betel.
7. Levantou aí um altar e deu a esse lugar o nome de El-Betel, porque foi aí que Deus lhe aparecera, quando fugia diante de seu irmão.
8. Foi então que morreu Débora, ama de Rebeca. E foi ali sepultada, ao pé de Betel, debaixo de um carvalho, ao qual se chamou carvalho dos Prantos.
9. Quando Jacó voltou de Padã-Arã, Deus apareceu-lhe novamente e o abençoou.
10. “Teu nome, disse-lhe ele, é Jacó. Tu não te chamarás mais assim, mas Israel.” E chamou-o Israel.
11. Deus disse-lhe: “Eu sou o Deus todo-poderoso. Sê fecundo e multiplica-te. De ti nascerão um povo e uma assembléia de povos; e de teus rins sairão reis.
12. A terra que dei a Abraão e a Isaac, eu ta darei e à tua posteridade.”
13. Depois, Deus retirou-se de junto dele.
14. No mesmo lugar onde Deus lhe falou, Jacó erigiu uma estela sobre a qual fez uma libação, e derramou óleo.
15. E deu o nome de Betel ao lugar onde Deus lhe tinha falado.
16. E partiram de Betel. Quando estavam a pouca distância de Efrata, Raquel deu à luz, e o seu parto foi penoso.
17. Durante as dores do parto, a parteira disse-lhe: “Não temas, porque ainda terás este filho.”
18. E, estando prestes a render a alma – porque estava já agonizante – ela chamou o filho Benoni; o seu pai, porém, chamou-o Benjamim.
19. Raquel expirou e foi sepultada no caminho de Efrata, hoje Belém.
20. Jacó erigiu uma estela sobre seu túmulo; é a estela do túmulo de Raquel, que ainda hoje existe.
21. Israel partiu e plantou sua tenda além de Migdal-Eder.
22. Foi durante sua estada nessa região que Rubem foi dormir com Bala, concubina de seu pai, e Israel soube.
23. Os filhos de Jacó foram em número de doze. Filhos de Lia: Rubem, primogênito de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon.
24. Filhos de Raquel: José e Benjamim.
25. Filhos de Bala, escrava de Raquel: Dã e Neftali.
26. Filhos de Zelfa, escrava de Lia: Gad e Aser. Tais são os filhos nascidos a Jacó em Padã-Arã.
27. Jacó foi para junto de seu pai Isaac em Mambré, em Quiriat-Arbé, hoje Hebron, onde tinham habitado Abraão e Isaac.
28. E todos os dias da vida de Isaac foram cento e oitenta anos.
29. E morreu. A morte reuniu-o aos seus, velho e saciado de dias. Esaú e Jacó, seus filhos, sepultaram-no.

 
Capítulo 36

1. Eis a descendência de Esaú, também chamado Edom.
2. Esaú tomou suas mulheres entre as filhas de Canaã: Ada, filha de Elon, o hiteu; Oolibama, filha de Ana, filha de Sebeon, o heveu;
3. e Basemat, filha de Ismael, irmã de Nabaiot.
4. Ada deu a Esaú, Elifaz; Basemat deu à luz Rauel, e Oolibama deu à luz Jeus, Ielon e Coré.
5. Tais são os filhos nascidos a Esaú na terra de Canaã.
6. Esaú tomou suas mulheres, seus filhos e suas filhas, assim como todo o seu pessoal, seus rebanhos, seus animais e todos os bens que tinha adquirido na terra de Canaã, e mudou-se para longe de seu irmão Jacó.
7. Seus bens eram, com efeito, numerosos demais para que pudessem morar juntos, e a terra em que habitavam não lhes bastava, por causa dos seus muitos rebanhos.
8. Esaú estabeleceu-se na montanha de Seir. Esaú chamava-se também Edom.
9. Eis a descendência de Esaú, pai de Edom, na montanha de Seir.
10. Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú; Rauel, filho de Basemat, mulher de Esaú.
11. Os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Sefo, Gatão e Cenez.
12. Elifaz, filho de Esaú, tomou uma concubina, Tamna que lhe deu à luz Amalec. Estes são os filhos de Ada, mulher de Esaú.
13. Eis os filhos de Rauel: Naat, Zara, Sama e Meza. São estes os filhos de Basemat, mulher de Esaú.
14. Eis os filhos de Oolibama, filha de Ana, filha de Sebeon, mulher de Esaú: ela deu à luz Esaú, Jeus, Ielon e Coré.
15. Eis os chefes das tribos dos filhos de Esaú. Filhos de Elifaz, primogênito de Esaú: o chefe Temã, o chefe Omar, o chefe Sefo, o chefe Cenez, o chefe Coré,
16. o chefe Gatão, o chefe Amalec. Estes são os chefes saídos de Elifaz, na terra de Edom; tais são os filhos de Ada.
17. Filhos de Rauel, filho de Esaú: o chefe Naat, o chefe Zara, o chefe Sama e o chefe Meza. Tais são os chefes saídos de Rauel, na terra de Edom; estes são os filhos de Basemat, mulher de Esaú.
18. Filhos de Oolibama, mulher de Esaú: o chefe Jeus, o chefe Ielon e o chefe Coré. Estes são os chefes saídos de Oolibama, filha de Ana e mulher de Esaú.
19. Tais são os filhos de Esaú, e estes são os seus chefes; isto é, Edom.
20. Eis os filhos de Seir, o horreu, que habitava naquela terra: Lotã, Sobal, Sebeon, Ana,
21. Dison, Eser e Disã. Tais são os chefes dos horreus, filhos de Seir, na terra de Edom.
22. Os filhos de Lotã foram Hori e Hemã; a irmã de Lotã era Tama.
23. Eis os filhos de Sobal: Alvã, Manaat, Ebal, Sefo e Onão.
24. Eis os filhos de Sebeon: Aja e Ana. Foi este Ana que encontrou no deserto as fontes de águas quentes, quando pastoreava os jumentos de Sebeon, seu pai.
25. Eis os filhos de Ana: Dison e Oolibama, filha de Ana.
26. Eis os filhos de Dison: Handã, Esebã, Jetram e Caran.
27. Eis os filhos de Eser: Balã, Zavã e Acã.
28. Eis os filhos de Disã: Hus e Arão.
29. Eis os chefes dos horreus: o chefe Lotã, o chefe Sobal, o chefe Sebeon, o chefe Ana,
30. o chefe Dison, o chefe Eser, o chefe Disã. Estes são os chefes dos horreus, que governaram na terra de Seir.
31. Estes são os reis que reinaram na terra de Edom, antes que os filhos de Israel tivessem rei:
32. Bela, filho de Beor, reinou em Edom; sua cidade chamava-se Denaba.
33. Morrendo Bela, Jobab, filho de Zara, de Bosra, reinou em seu lugar.
34. Morto Jobab, Husão, da terra dos temanitas, reinou em seu lugar.
35. Morto Husão, Adad, filho de Badad, reinou em seu lugar; ele derrotou Madiã, nas terras de Moab; sua cidade chamava-se Avit.
36. Morto Adad, Semla, de Masreca, reinou em seu lugar.
37. Morto Semla, reinou em seu lugar, Saul, de Roobot, que está perto do rio.
38. À morte de Saul, Balanã, filho de Acor, reinou em seu lugar.
39. À morte de Balanã, filho de Acor, Hadar reinou em seu lugar; sua cidade chamava-se Faú; sua mulher chamava-se Meetabel, filha de Matred, filha de Mezaab.
40. Eis os nomes dos chefes saídos de Esaú, segundo suas tribos, seus territórios e seus nomes: o chefe Tama, o chefe Alva, o chefe Jetet,
41. o chefe Oolibama, o chefe Ela, o chefe Finon,
42. o chefe Cenez, o chefe Temã, o chefe Mabsar,
43. o chefe Magdiel, o chefe Hirão. Estes são os chefes de Edom. segundo suas residências na terra que ocupavam. Eis aí Esaú, pai de Edom.

 
Capítulo 37

1. Jacó habitou na região onde seu pai havia morado, na terra de Canaã.
2. Eis a história da descendência de Jacó: José, ainda jovem, com a idade de dezessete anos, apascentava o rebanho com seus irmãos, os filhos de Bala e os filhos de Zelfa, mulheres de seu pai; e ele contou ao seu pai as más conversas dos irmãos.
3. Israel amava José mais do que todos os outros filhos, porque ele era o filho de sua velhice; e mandara-lhe fazer uma túnica de várias cores.
4. Seus irmãos, vendo que seu pai o preferia a eles, conceberam ódio contra ele e não podiam mais tratá-lo com bons modos.
5. Ora, José teve um sonho, e o contou aos seus irmãos, que o detestaram ainda mais:
6. “Ouvi, disse-lhes ele, o sonho que tive:
7. estávamos ligando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e se pôs de pé, enquanto os vossos o cercavam e se prostravam diante dele.”
8. Seus irmãos disseram-lhe: “Quererias, porventura, reinar sobre nós e tornar-te nosso senhor?” E odiaram-no ainda mais por causa de seus sonhos e de suas palavras.
9. José teve ainda outro sonho, que contou aos seus irmãos. “Tive, disse ele, ainda um sonho: o sol, a lua e onze estrelas prostravam-se diante de mim.”
10. Ele contou isso ao seu pai e aos seus irmãos, mas foi repreendido por seu pai: “Que significa, disse-lhe ele, este sonho que tiveste? Viremos, porventura, eu, tua mãe e teus irmãos, a nos prostrar por terra diante de ti?”
11. Seus irmãos ficaram, pois, com inveja dele, mas seu pai guardou a lembrança desse acontecimento.
12. Os irmãos de José foram apascentar os rebanhos de seu pai em Siquém.
13. Israel disse a José: “Teus irmãos guardam os rebanhos em Siquém. Vem: vou mandar-te a eles.” “Eis-me aqui”, respondeu José.
14. “Vai, pois, ver se tudo corre bem a teus irmãos e ao rebanho, e traze-me notícias deles.” Enviou-o do vale de Hebron, e José foi a Siquém.
15. Um homem encontrou-o errando pelo campo: “Que buscas?” perguntou ele.
16. “Busco meus irmãos, respondeu ele. Dize-me onde apascentam os rebanhos.”
17. E o homem respondeu: “Partiram daqui e ouvi-os dizer: Vamos a Dotain.” Partiu então José em busca dos seus irmãos e encontrou-os em Dotain.
18. Eles o viram de longe. Antes que José se aproximasse, combinaram entre si como o haveriam de matar;
19. e disseram: “Eis o sonhador que chega.
20. Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos.”
21. Ouvindo-o, porém, Rubem, quis livra-lo de suas mãos: “Não lhe tiremos a vida, disse ele.
22. Não derrameis sangue. Jogai-o naquela cisterna, no deserto, mas não levanteis vossa mão contra ele.” Pois Rubem pensava livrá-lo de suas mãos para o reconduzir ao pai.
23. Quando José se aproximou de seus irmãos, eles o despojaram de sua túnica, daquela bela túnica de várias cores que trazia,
24. e jogaram-no numa cisterna velha, que não tinha água.
25. E, sentando-se para comer, eis que, levantando os olhos, viram surgir no horizonte uma caravana de ismaelitas vinda de Galaad. Seus camelos estavam carregados de resina, de bálsamo e de ládano, que transportavam para o Egito.
26. Então Judá disse aos seus irmãos: “Que nos aproveita matar nosso irmão e ocultar o seu sangue?
27. Vinde e vendamo-lo aos ismaelitas. Não levantemos nossas mãos contra ele, pois, afinal, é nosso irmão, nossa carne.” Seus irmãos concordaram.
28. E, quando passaram os negociantes madianitas, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito.
29. Rubem voltou à cisterna, e eis que José já não estava ali.
30. Rasgou então suas vestes e voltou para junto dos seus irmãos: “O menino desapareceu, disse ele. E eu, para onde irei?”
31. Tomaram então a túnica de José, mataram um cabrito e a mergulharam no seu sangue.
32. E mandaram-na levar ao seu pai com esta mensagem: “Eis o que encontramos: vê se não é, porventura, a túnica do teu filho.”
33. Jacó reconheceu-a e exclamou: “É a túnica de meu filho! Uma fera o devorou! José foi estraçalhado!”
34. E, rasgando as vestes, cobriu-se de um saco, e chorou o seu filho por muito tempo.
35. Todos os seus filhos e filhas vieram consolá-lo, mas ele não aceitou nenhuma condolência: “É chorando, disse ele, que descerei para junto de meu filho na habitação dos mortos.” Foi assim que o seu pai o chorou.
36. Os madianitas venderam-no a Putifar, no Egito, eunuco do faraó e chefe da guarda.

 
Capítulo 38

1. Naquele tempo, Judá, apartando-se dos seus irmãos, foi para a casa de um homem de Odolão, chamado Hira.
2. Judá viu ali a filha de um cananeu, de nome Sué, e desposou-a, unindo-se a ela.
3. Ela concebeu e deu à luz um filho, ao qual chamou Her.
4. Concebeu novamente e deu ao mundo um filho, e deu-lhe o nome de Onã.
5. E teve ainda um filho, que chamou Sela. Judá estava em Achzib na ocasião desse nascimento.
6. Judá escolheu para Her, seu primogênito, uma mulher chamada Tamar.
7. Her, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor o feriu de morte.
8. Então Judá disse a Onã: “Vai, toma a mulher de teu irmão, cumpre teu dever de levirato e suscita uma posteridade a teu irmão.”
9. Mas Onã, que sabia que essa posteridade não seria dele, maculava-se por terra cada vez que se unia à mulher do seu irmão, para não dar a ele posteridade.
10. Seu comportamento desagradou ao Senhor, que o feriu de morte também.
11. E Judá disse a Tamar, sua nora: “Conserva-te viúva em casa de teu pai até que meu filho Sela se torne adulto.” “Não é bom, pensava ele consigo, que também ele morra como seus irmãos.” E Tamar voltou a habitar na casa paterna.
12. Muito tempo depois, morreu a filha de Sué, mulher de Judá. Passado o luto, subiu Judá a Tamna para a tosquia de suas ovelhas, com seu amigo Hira, o odolamita.
13. E foi noticiado a Tamar: “Eis que o teu sogro sobe a Tamna para a tosquia de suas ovelhas.”
14. Depôs ela então os seus vestidos de viúva, cobriu-se de um véu, e, assim disfarçada, assentou-se à entrada de Enaim, que se encontra no caminho de Tamna, pois via que Sela tinha crescido e não lha tinham dado por mulher.
15. Judá, vendo-a, julgou tratar-se de uma prostituta, porque tinha o rosto coberto.
16. E, chegando-se a ela no caminho, disse: “Queres juntar-te comigo?” (Ignorava ele que se tratava de sua nora.) Ela respondeu: “O que me darás para juntar-me contigo?”
17. “Mandar-te-ei um cabrito do meu rebanho.” “Está bem; mas dá-me então um penhor, até que o tenhas enviado.”
18. “Que penhor queres que eu te dê?” “Teu anel, teu cordão e o bastão que tens na mão.” Ele os entregou; em seguida, aproximou-se dela e ela concebeu.
19. E levantando-se, partiu; tirou o seu véu e retomou seus vestidos de viúva.
20. E Judá mandou-lhe o cabrito por seu amigo, o odolamita, para retirar o penhor das mãos daquela mulher, mas ele, não a encontrando,
21. perguntou aos habitantes do lugar: “Onde está aquela prostituta que estava em Enaim, à beira do caminho?” Responderam-lhe: “Não há prostituta nesse lugar!”
22. Ele voltou para junto de Judá: “Não a encontrei, disse ele, e os moradores daquele lugar disseram-me que não havia nenhuma prostituta ali.”
23. “Guarde ela o meu penhor, respondeu Judá, não nos tornemos ridículos! Eu mandei o cabrito; tu, porém, não a encontraste”.
24. Mais ou menos três meses depois, vieram dizer a Judá: “Tamar, tua nora, conduziu-se mal: vê-se que está grávida.” Judá respondeu: “Tirai-a para fora, que ela seja queimada!”
25. E, enquanto era conduzida, ela mandou dizer ao seu sogro: “Concebi do homem a quem pertence isto: examine bem, ajuntou ela, de quem são este anel, este cordão e este bastão.”
26. Judá, reconhecendo-os, exclamou: “Ela é mais justa do que eu; pois que não a dei ao meu filho Sela.” E não a conheceu mais.
27. E, na ocasião de dar à luz, eis que ela trazia dois gêmeos no seu ventre.
28. No parto, saindo uma mão, a parteira tomou-a e atou nela um fio vermelho, dizendo: “Este é o que saiu primeiro!”
29. Mas, como ele retirasse a mão, saiu o seu irmão. “Que brecha fizeste! exclamou a parteira: Que a brecha esteja sobre ti!”
30. E chamou-se-lhe Farés. Em seguida, veio o seu irmão, com o fio vermelho atado na mão. Deu-se-lhe o nome de Zara.

 
Capítulo 39

1. José foi conduzido ao Egito, e Putifar, um oficial egípcio do faraó, chefe da guarda, comprou-o aos ismaelitas que o levavam.
2. O Senhor estava com José, e tudo lhe prosperava. Morava na casa do seu senhor, o egípcio.
3. Seu senhor viu que o Senhor estava com ele e lhe fazia prosperar tudo o que empreendia.
4. José conquistou a simpatia do seu senhor, que o empregou ao seu serviço, pondo-o à testa de sua casa e confiando-lhe todos os seus bens.
5. Desde o momento em que José tomou o governo de sua casa e de todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa do egípcio, por causa de José: a bênção do Senhor desceu sobre tudo o que lhe pertencia, na casa como nos campos.
6. Ele entregou todos os seus negócios a José, sem mais se preocupar de coisa alguma, exceto do que se alimentava. Ora, José era belo de corpo e de rosto.
7. E aconteceu, depois de tudo isto, que a mulher de seu senhor lançou seus olhos em José e disse-lhe: “Dorme comigo.”
8. Mas ele recusou: “Meu senhor, disse-lhe ele, não me pede conta alguma do que se faz na casa, e confiou-me todos os seus bens.
9. Não há maior do que eu nesta casa; ele nada me interdisse, exceto tu, que és sua mulher. Como poderia eu cometer um tão grande crime e pecar contra Deus?”
10. Em vão se esforçava ela todos os dias, falando a José; ele não consentia em dormir com ela e unir-se a ela.
11. Certo dia, tendo ele entrado na casa para fazer seus serviços, e não se encontrando ali ninguém da casa,
12. ela segurou-o pelo manto, dizendo: “Dorme comigo!” Mas José, largando-lhe o manto nas mãos, fugiu.
13. Vendo a mulher que ele lhe tinha deixado o manto nas mãos e fugido,
14. chamou a gente de sua casa e disse-lhes: “Vede: trouxeram-nos este hebreu para a casa a fim de que ele abuse de nós. Este homem veio-me procurar para dormir comigo, mas eu gritei.
15. E vendo que eu me punha a gritar, deixou seu manto ao meu lado e fugiu.”
16. E guardou junto de si as vestes de José até a volta de seu senhor.
17. E fez-lhe a mesma narrativa: “O escravo hebreu, disse ela, que nos trouxeste, veio à minha procura para abusar de mim.
18. Mas, pondo-me a gritar, deixou o seu manto ao meu lado e fugiu.”
19. Ao ouvir isto de sua mulher, contando-lhe como se tinha comportado com ela o seu servo, ele enfureceu-se,
20. e lançou José na prisão, onde se encontravam detidos os prisioneiros do rei. E José foi encarcerado.
21. O Senhor estava com ele. Mostrou-lhe sua bondade e fez que ele conquistasse a simpatia do chefe da prisão.
22. Este confiou a José todos o presos que ali se encontravam, e nada se fazia sem sua ordem.
23. O chefe da prisão não fiscalizava nada do que fazia José, porque o Senhor estava com ele e fazia-lhe prosperar tudo o que empreendia.

 
Capítulo 40

1. Depois disto, aconteceu que o copeiro e o padeiro do rei do Egito ofenderam o seu senhor.
2. O faraó, encolerizado contra os seus dois oficiais, o copeiro-mor e o padeiro-mor,
3. mandou-os encarcerar na casa do chefe da guarda, na prisão onde se encontrava detido José.
4. O chefe da guarda associou-lhes José para os servir. Havia já um certo tempo que estavam detidos,
5. quando os dois prisioneiros, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, tiveram um sonho numa mesma noite, cada um o seu, com seu sentido particular.
6. Quando José voltou junto deles no dia seguinte pela manhã, viu que estavam tristes.
7. Perguntou então aos oficiais do faraó, detidos com ele na casa do seu senhor: “Por que tendes hoje um ar sombrio?”
8. “Tivemos um sonho, responderam; e não há ninguém para no-los interpretar.” “Porventura, não pertence a Deus, replicou José, a interpretação dos sonhos? Rogo-vos que mos conteis.”
9. E o copeiro-mor contou seu sonho a José: “Em meu sonho, disse ele, vi uma cepa que estava diante de mim,
10. e nesta cepa três varas, que pareciam brotar; saiu uma flor e seus cachos deram uvas maduras.
11. Eu tinha na mão a taça do faraó; tomei as uvas e espremi-as na taça, que entreguei na mão do faraó.”
12. José disse-lhe: “Eis o significado do teu sonho: as três varas são três dias.
13. Dentro de três dias, o faraó te reabilitará em tuas funções. Apresentarás ao faraó sua taça, como o fazias antes, quando eras seu copeiro.
14. Quando fores feliz, lembra-te de mim e faze-me o favor de recomendar-me ao faraó, para que ele me tire desta prisão.
15. Porque é por um rapto que fui tirado da terra dos hebreus, e aqui, igualmente, eu nada fiz para merecer a prisão.”
16. O padeiro-mor, vendo que José tinha dado uma boa interpretação, disse-lhe: “Eu também, em meu sonho, levava sobre minha cabeça três cestas de pão branco.
17. Nada de cima, havia toda a sorte de manjares para o faraó; mas as aves do céu comiam-nas na cesta que estava sobre minha cabeça.”
18. “Eis, disse José, o que isto significa: as três cestas são três dias.
19. Dentro de três dias, o faraó levantará a tua cabeça: ele te suspenderá numa forca, e as aves devorarão a tua carne.”
20. No terceiro dia, celebrava-se o aniversário natalício do faraó, e ele ofereceu um banquete todo o seu pessoal. Ele levantou a cabeça do copeiro-mor, no meio de todos os seus servos:
21. restabeleceu no seu cargo o copeiro-mor, que apresentou novamente a taça ao faraó,
22. e mandou suspender no patíbulo o padeiro-mor, segundo a interpretação que José lhes havia dado.
23. Mas o copeiro-mor não pensou mais em José; esqueceu-o.

 
Capítulo 41

1. Dois anos depois, o faraó teve um sonho: encontrava-se ele perto do Nilo,
2. de onde saíram sete vacas belas e gordas, que se puseram a pastar a verdura.
3. Mas, eis que saíram em seguida do mesmo Nilo sete outras vacas, feias e magras, que vieram e se puseram ao lado das outras na margem do rio.
4. As vacas feias e magras devoraram as sete vacas belas e gordas. E o faraó despertou.
5. Adormeceu de novo e teve outro sonho: sete espigas grossas e belas saíam de uma mesma haste.
6. Mas eis que em seguida germinaram sete outras espigas, magras e ressequidas pelo vento do oriente.
7. E as espigas magras devoraram as sete espigas grossas e cheias. E o faraó despertou: era um sonho.
8. Chegada a manhã, o faraó com o espírito preocupado, mandou chamar todos os mágicos e sábios do Egito. Contou-lhes seus sonhos, mas nenhum deles soube explicá-los.
9. Então o copeiro-mor disse-lhe: “Vou confessar a minha falta.
10. Um dia, tendo-se o faraó irado contra os seus servos, mandou-me meter na prisão em casa do chefe da guarda, com o padeiro-mor.
11. Eis que uma noite tivemos nós dois um sonho, cada um o seu.
12. Ora, estava lá conosco um jovem hebreu, escravo do chefe da guarda. Contamos-lhe nossos sonhos, e ele no-los interpretou, a cada um o seu.
13. E os acontecimentos confirmaram sua interpretação: eu fui restabelecido no meu cargo, e o outro foi pendurado.”
14. O faraó mandou chamar José, o qual foi, imediatamente, tirado do cárcere. Ele barbeou-se, trocou de roupas e apresentou-se diante do faraó.
15. Este disse-lhe: “Tive um sonho que ninguém pôde interpretar. Mas ouvi dizer de ti, que basta contar-te um sonho para que tu o expliques.”
16. “Não sou eu, respondeu José, mas é Deus quem dará ao faraó uma explicação favorável.”
17. O faraó disse então a José: “Em meu sonho, eu estava à margem do Nilo,
18. e eis que do Nilo saíram sete vacas gordas e belas, que se puseram a pastar a verdura.
19. E saíram em seguida sete outras vacas magras, feias e disformes, como jamais vi em todo o Egito.
20. As vacas magras e feias devoraram as sete primeiras, as gordas,
21. que entraram em seu ventre como se nada fossem, pois ficaram tão macilentas e feias como antes. Nesta altura despertei.
22. E tive outro sonho: vi elevar-se de uma mesma haste sete espigas cheias e belas.
23. Mas eis que sete outras espigas medíocres, finas e queimadas pelo vento do oriente, germinaram em seguida;
24. e as espigas magras engoliram as sete belas espigas. Em vão contei tudo isto aos mágicos; nenhum deles pôde dar-me a explicação”.
25. José disse ao faraó: “O (duplo) sonho do faraó reduz-se a um só. Deus revelou ao faraó o que ele vai fazer.
26. As sete belas vacas são sete anos, e as sete belas espigas, igualmente, sete anos; o sonho é um só.
27. As sete vacas magras e feias que saíram em seguida são também sete anos; e as sete espigas vazias e queimadas pelo vento do oriente serão sete anos de miséria.
28. É como eu disse ao faraó: Deus lhe revela o que vai fazer.
29. Haverá sete anos de grande abundância para todo o Egito.
30. Virão em seguida sete anos de miséria que farão esquecer toda a abundância no Egito. A fome devastará o país.
31. E a abundância do país não será mais notada, por causa da fome que se seguirá, porque será violenta.
32. Se o sonho se repetiu duas vezes ao faraó, é que a coisa está bem decretada da parte de Deus, que vai apressar-se em executá-la.
33. Agora, pois, escolha o rei um homem sábio e prudente para pô-lo à testa do país.
34. Nomeie também o faraó administradores no país, que recolham a quinta parte das colheitas do Egito, durante os sete anos de abundância.
35. Eles ajuntarão todos os produtos destes bons anos que vêm, e armazenarão o trigo nas cidades, à disposição do faraó como provisões a conservar.
36. Estes mantimentos formarão para o país uma reserva em previsão dos sete anos de fome que assolarão o Egito. Dessa forma o país não será arruinado pela fome.”
37. Essas palavras agradaram o faraó e toda a sua gente.
38. “Poderíamos, disse-lhes ele, encontrar um homem que tenha, tanto como este, o espírito de Deus?”
39. E disse em seguida a José: “Pois que Deus te revelou tudo isto, não haverá ninguém tão prudente e tão sábio como tu.
40. Tu mesmo serás posto à frente de toda a minha casa, e todo o meu povo obedecerá à tua palavra: só o trono me fará maior do que tu.”
41. “Vês, disse-lhe ainda, eis que te ponho à testa de todo o Egito.”
42. E o faraó, tirando o anel de sua mão, pôs na mão de José; e o fez revestir-se de vestes de linho fino e meteu-lhe ao pescoço um colar de ouro.
43. E, fazendo-o montar no segundo dos seus carros, mandou que se clamasse diante dele: “Ajoelhai-vos!” É assim que ele foi posto à frente de todo o Egito,
44. e o faraó disse-lhe: “Sou eu o faraó: sem tua permissão não se moverá a mão nem o pé em toda a terra do Egito.”
45. O faraó chamou a José Tsafenat-Paneac, e deu-lhe por mulher Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On.
46. José tinha trinta anos quando se apresentou diante do faraó, o rei do Egito. Ele retirou-se da casa do faraó e percorreu todo o país.
47. A terra produziu abundantemente durante os sete anos de fertilidade.
48. José ajuntou todo o produto destes sete anos no Egito e os pôs em reserva nas cidades, e os mantimentos dos campos que estavam ao redor de cada cidade, guardou-os na mesma cidade.
49. José ajuntou trigo como a areia do mar, em tal quantidade que se não podia contar, pois que ela excedia a toda a medida.
50. Antes que viesse o ano de fome, nasceram a José dois filhos, que lhe deu Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On.
51. José chamou ao primeiro Manassés, “porque, dizia ele, Deus fez-me esquecer de todo o meu trabalho e de toda a minha família.”
52. Chamou ao segundo Efraim, “porque, disse ele, Deus tornou-me fecundo na terra de minha aflição.”
53. Tendo acabado os sete anos de abundância que houve no Egito,
54. os sete anos de miséria começaram, assim como o tinha predito José. A fome assolou todos os países, mas havia pão em toda a terra do Egito.
55. Em seguida houve fome também no Egito, e o povo clamou ao faraó pedindo pão. Este disse a todos os egípcios: “Ide a José, e fazei o que ele vos disser.”
56. Como a fome assolasse toda a terra, José abriu todos os celeiros e vendeu víveres aos egípcios. Mas a penúria cresceu no Egito.
57. E de toda a terra vinha-se ao Egito comprar trigo a José, porque a fome era violenta em toda a terra.

 
Capítulo 42

1. Jacó, sabendo que havia trigo no Egito, disse aos seus filhos: “Por que estais olhando uns para os outros?
2. Eu soube que há trigo no Egito. Descei lá e comprai-o para nós; poderemos assim viver e escaparemos à morte.”
3. E os dez irmãos de José desceram ao Egito para comprar trigo.
4. Jacó não deixou partir com seus irmãos Benjamim, irmão de José, “com medo, pensava ele, de que lhe acontecesse alguma desgraça.”
5. Os filhos de Israel chegaram, pois, no meio de uma multidão de outros para comprar víveres, porque a fome reinava na terra de Canaã.
6. José era o governador de toda a região, e era ele quem vendia o trigo a todo o mundo. Desde sua chegada, os irmãos de José prostraram-se diante dele com o rosto por terra.
7. José reconheceu-os imediatamente, mas, comportando-se com eles como um estrangeiro, disse-lhes com rudeza: “Donde vindes?” “Da terra de Canaã, responderam eles, para comprar víveres.”
8. Foi assim que José reconheceu a seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
9. E lembrava-se dos sonhos que tivera outrora a respeito deles; disse-lhes: “Vós sois espiões: viestes explorar os pontos fracos do país.”
10. “Não, meu senhor, responderam, teus servos vieram comprar víveres.
11. Somos todos filhos dum mesmo pai, somos gente honesta; teus servos não são espiões.”
12. “Não é verdade –, disse-lhes ele, viestes explorar os pontos fracos do país.”
13. Eles responderam: “Somos doze irmãos, filhos dum mesmo pai, na terra de Canaã. O mais novo está agora em casa de nosso pai, o outro já não existe.”
14. José disse-lhes: “É bem como eu disse: sois espiões.
15. Sereis, aliás, postos à prova: pela vida do faraó, não saireis daqui antes que tenha vindo vosso irmão mais novo.
16. Mandai um de vós buscá-lo; enquanto isso, ficareis prisioneiros. Vossas palavras serão assim provadas, e veremos se dissestes a verdade. Do contrário, pela vida do faraó, sois espiões!”
17. E mandou metê-los numa prisão durante três dias.
18. No terceiro dia, José disse-lhes: “Fazei isto, e vivereis, porque sou cheio do temor a Deus.
19. Se sois gente de bem, que um dentre vós fique detido em prisão; e os outros partam levando o trigo para alimentar vossas famílias.
20. Trazei-me então vosso irmão mais novo, para que eu possa verificar a verdade de vossas palavras, e não morrereis.” Foi o que fizeram.
21. Disseram uns aos outros: “Em verdade, expiamos o crime cometido contra o nosso irmão, porque víamos a angústia de sua alma quando ele nos suplicava, e não o escutamos! Eis por que veio sobre nós esta desgraça!”
22. “Não vos tinha eu dito, disse-lhes Rubem, para não pecardes contra o menino? Não quisestes ouvir-me, e eis agora que nos é reclamado o seu sangue!”
23. Ora, não sabiam que José os compreendia, porque lhes tinha falado por meio de um intérprete.
24. E José afastou-se deles para chorar. Voltou em seguida e falou-lhes; e escolheu Simeão, ao qual mandou prender na presença deles.
25. José ordenou depois que se enchessem de trigo os seus sacos, e que se pusesse o dinheiro de cada um em seu saco de viagem, e também que se lhes dessem provisões para o caminho: assim foi feito.
26. Eles carregaram o trigo sobre os seus jumentos e partiram.
27. Na estalagem, abrindo um deles o seu saco para dar de comer ao seu jumento, viu que o seu dinheiro estava na boca do saco.
28. “Devolveram-me o meu dinheiro, disse ele aos seus irmãos; ei-lo aqui no meu saco!” Desfaleceu-se-lhes o coração, e, tomados de espanto, disseram uns aos outros: “Que é isto que Deus nos fez?”
29. Voltaram para junto de Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e contaram-lhe nestes termos tudo o que lhes tinha acontecido:
30. “O homem que governa o país nos falou asperamente e nos tomou por espiões.
31. Dissemos-lhe que éramos gente honesta, e não espiões;
32. que éramos doze irmãos, filhos dum mesmo pai, dos quais um já não existia mais, e o mais novo estava no momento com nosso pai, na terra de Canaã.
33. O governador do país disse-nos: por isso reconhecerei se sois gente de bem: deixai junto de mim um de vossos irmãos, levai o trigo que precisais para alimentar vossas famílias, e parti.
34. Conduzir-me-eis então vosso irmão mais novo: assim saberei que não sois espiões, mas gente honesta. Eu vos devolverei então vosso irmão, e podereis negociar no país.”
35. E, esvaziando os seus sacos, eis que o pacote de dinheiro de cada um se encontrava em seu saco. Quando eles e seu pai viram seu dinheiro, tiveram medo.
36. Jacó disse-lhes: “Vós me tirais os meus filhos! José já não existe, Simeão tampouco, e quereis me tomar ainda Benjamim! Tudo vem cair sobre mim!”
37. Rubem disse-lhe: “Tira a vida aos meus dois filhos, se eu não te reconduzir Benjamim! Confia-o a mim: eu to reconduzirei.”
38. “Meu filho, tornou Jacó, não descerá convosco, porque seu irmão morreu, e só resta ele. Se lhe acontecesse um acidente nesta viagem que ides fazer, faríeis descer os meus cabelos brancos à habitação dos mortos, sob o peso da dor.”

 
Capítulo 43

1. A fome pesava sobre o país.
2. E tendo acabado o trigo trazido do Egito, o pai disse aos seus filhos: “Voltai e comprai-nos um pouco de víveres.”
3. Judá respondeu-lhe: “Aquele homem nos declarou formalmente que não voltássemos à sua presença sem levar conosco nosso irmão.
4. Se mandas nosso irmão conosco, desceremos para comprar víveres.
5. Mas, se o não deixas ir, não desceremos, porque ele nos disse: Não sereis admitidos em minha presença, se vosso irmão não estiver convosco.”
6. Israel disse: “Por que me fizestes este mal, dando-lhe a conhecer que tínheis ainda um irmão?”
7. “Aquele homem, responderam eles, perguntou por nós e por nossa família, e quis saber se nosso pai vivia ainda, se tínhamos outro irmão; e respondemos às suas perguntas. Podíamos, porventura, adivinhar que ele nos ia mandar levar a ele o nosso irmão?”
8. E Judá disse a Israel, seu pai: “Deixa partir o menino comigo, e pôr-nos-emos a caminho para essa viagem. Desse modo poderemos viver, e escaparemos à morte, nós, tu e nossos filhinhos.
9. Eu respondo por ele: é de mim que tu o reclamarás. Se eu não to reconduzir e não o recolocar diante de ti, serei eternamente culpado diante de ti.
10. Se não tivéssemos demorado tanto, certamente já pela segunda vez estaríamos de volta.”
11. “Se assim é, disse-lhes Israel, seu pai, tomai em vossas bagagens os melhores produtos da terra, e levai-os como presente a esse homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, resina, ládano, nozes de pistácia e amêndoas.
12. Levai também convosco o dinheiro em dobro para restituir a soma que encontrastes na boca dos sacos, certamente por engano.
13. Tomai vosso irmão, parti e ide ter com esse homem.
14. Que o Deus todo-poderoso vos faça ganhar os favores desse homem, a fim de que ele deixe voltar vosso irmão, juntamente com Benjamim. Quanto a mim, se devo ser privado de meus filhos, paciência, que eu seja privado deles!”
15. Tomaram, pois, consigo o presente e uma soma dobrada de dinheiro, assim como Benjamim, e partiram para o Egito. E apresentaram-se a José.
16. José, vendo-os e com eles Benjamim, disse ao seu intendente: “Faze entrar estes homens na casa, mata um animal, e prepara-o, pois comerão comigo ao meio-dia.”
17. Fez o intendente como José tinha dito: introduziu-os na casa de José.
18. Vendo isto, ficaram amedrontados: “É, diziam eles, por causa do dinheiro, encontrado da outra vez nos nossos sacos, que nos conduzem aqui. Vão-nos assaltar, cair sobre nós, escravizar-nos e apoderar-se de nossos jumentos.”
19. Então, aproximando-se do intendente da casa de José, falaram-lhe à entrada da casa:
20. “Desculpa, meu senhor, disseram eles, viemos já uma vez comprar víveres.
21. Quando chegamos à estalagem e abrimos nossos sacos, o dinheiro de cada um se encontrava na boca de seu saco: era o peso exato do dinheiro. Tornamos a trazê-lo conosco;
22. e trazemos, ao mesmo tempo, outro dinheiro para comprar víveres. Não sabemos quem tenha metido nosso dinheiro em nossos sacos.”
23. “Ficai tranqüilos, respondeu-lhes ele, nada temais. É o vosso Deus, o Deus de vossos pais, quem vos pôs um tesouro em vossos sacos; o vosso dinheiro me foi entregue.” Depois trouxe-lhes Simeão.
24. Fê-los em seguida entrar na casa de José, deu-lhes água para lavarem os pés e forragem para os seus jumentos.
25. E, enquanto esperavam por José, que devia voltar ao meio-dia, preparavam o seu presente, pois foi-lhes anunciado que comeriam em casa dele.
26. Logo que José entrou em casa, ofereceram-lhe os presentes que tinham trazido, prostrando-se diante dele até a terra.
27. Ele perguntou pela saúde deles e ajuntou: “Vosso velho pai, do qual me falastes, vai bem? Ainda vive?”
28. “Teu servo, nosso pai, está passando bem; e vive ainda”, responderam-lhe inclinando-se até o solo.
29. Então, levantando os olhos, José viu Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe. “É este, disse ele, vosso irmão mais novo do qual me falastes?” E ajuntou: “Que Deus te faça misericórdia, meu filho!”
30. E retirou-se precipitadamente, porque suas entranhas se tinham comovido por causa de seu irmão, e tinha vontade de chorar; entrou em seu quarto e deu livre curso às lágrimas.
31. Depois de ter lavado o rosto saiu e, procurando dominar-se, disse: “Servi a mesa”.
32. Serviu-se-lhe à parte, seus irmãos também à parte, e igualmente à parte os egípcios, seus comensais, porque lhes é proibido comer com hebreus; isto é para eles uma coisa abominável.
33. Os irmãos de José foram colocados diante dele, desde o mais velho até o mais novo, segundo sua idade, o que lhes fez olhar uns para os outros assombrados.
34. José mandou que se lhes trouxessem porções de sua própria mesa, e a parte de Benjamim foi cinco vezes maior que a dos outros. Eles beberam e alegraram-se com ele.

 
Capítulo 44

1. José deu esta ordem ao intendente de sua casa: “Enche de víveres os sacos destes homens tanto quanto possam conter, e põe o dinheiro de cada um na boca do saco.
2. Porás minha taça de prata na boca do saco do mais novo, com o preço do seu trigo”. E fez o intendente como José lhe mandara.
3. De manhã, ao romper do dia, foram despedidos com seus jumentos.
4. Deixaram a cidade, mas, não tendo ido ainda muito longe, José disse ao seu intendente: “Levanta-te e persegue estes homens e, quando os tiveres alcançado, dir-lhes-ás: Por que pagastes o bem com o mal?
5. (A taça que roubastes) é aquela em que bebe o meu senhor e da qual se serve para suas adivinhações. Fizestes muito mal.”
6. O intendente, tendo-os alcançado, falou-lhes desse modo.
7. Eles responderam-lhe: “Por que fala assim o meu senhor? Longe de teus servos a idéia de fazerem semelhante coisa!
8. Nós te trouxemos de Canaã o dinheiro que tínhamos encontrado na boca dos sacos. Por que, pois, haveríamos de roubar prata ou ouro na casa de teu senhor?
9. Que aquele dos teus servos com quem for encontrada a taça morra, e, ao mesmo tempo, nós nos tornemos escravos do meu senhor”.
10. “Está bem! disse-lhes ele. Seja como dissestes! Aquele com quem for encontrada a taça será meu escravo. Vós outros sereis livres.”
11. E, imediatamente, pôs cada um o seu saco por terra e o abriu.
12. O intendente revistou-os começando pelo mais velho e acabando pelo mais novo; e a taça foi encontrada no saco de Benjamim.
13. Eles rasgaram suas vestes e, tendo cada um carregado de novo o seu jumento, voltaram para a cidade.
14. Judá e seus irmãos entraram em casa de José, que estava ainda em sua casa, e prostraram-se por terra diante dele.
15. José disse-lhes: “Que é isso que fizestes? Não sabíeis que sou um homem dotado da faculdade de adivinhar?”
16. Judá respondeu: “Que podemos dizer a meu senhor? Que falaremos? Como nos justificar? Deus descobriu o crime de teus servos. Somos os escravos do meu senhor, nós e aquele junto de quem foi encontrada a taça.”
17. “Longe de mim, replicou José, o pensamento de agir dessa forma! Mas aquele em poder de quem foi encontrada a taça, esse será o meu escravo. Vós outros, voltai em paz para junto de vosso pai.”
18. Então Judá adiantou-se e disse a José: “Rogo-te, meu senhor, que permitas ao teu servo dizer uma palavra aos ouvidos do meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo, porque tu és como o próprio faraó.
19. Meu senhor havia perguntado aos seus servos: Tendes ainda vosso pai? Tendes um irmão?
20. E nós havíamos respondido ao meu senhor que tínhamos um velho pai e um irmãozinho, filho de sua velhice, do qual o irmão havia morrido; e que, como ele foi deixado o único de sua mãe, seu pai o amava.
21. Disseste aos teus servos: Trazei-o para junto de mim, a fim de que o veja com meus olhos.
22. Havíamos respondido ao meu senhor que o menino não podia abandonar o seu pai, pois, se o fizesse, seu pai morreria.
23. E disseste aos teus servos: Se vosso irmãozinho não vier convosco, não sereis admitidos na minha presença.
24. Quando voltamos para a casa do teu servo, nosso pai, referimos-lhe as palavras do meu senhor.
25. E, quando nosso pai nos mandou voltar para comprar alguns víveres,
26. respondemos-lhe: Não podemos descer. Mas, se nosso irmão mais novo nos acompanhar, fá-lo-emos, pois que não seremos admitidos na presença do governador, se nosso irmão não for conosco.
27. Teu servo, nosso pai, nos replicou: Sabeis que minha mulher me deu dois filhos.
28. Um desapareceu de minha casa, e eu disse: Certamente foi devorado. E não mais o revi até hoje.
29. Se me tirais ainda este, e lhe acontecer alguma desgraça, fareis descer os meus cabelos brancos à habitação dos mortos, sob o peso da dor.
30. Se agora volto para junto de teu servo, meu pai, sem levar conosco o menino, ele, cuja vida está ligada à do menino,
31. desde que notar que ele não está conosco, morrerá. E teus servos terão feito descer à habitação dos mortos, sob o peso da aflição, os cabelos brancos do teu servo, nosso pai.
32. Ora, o teu servo respondeu pelo menino junto de meu pai; e disse-lhe que, se ele não lho reconduzisse, seria eternamente culpado para com seu pai.
33. Rogo-te, pois: aceita que teu servo fique escravo de meu senhor em lugar do menino, para que este possa voltar com seus irmãos.
34. Como poderia eu apresentar-me diante do meu pai, se o menino não for comigo? Oh, eu não poderia suportar a dor que sobreviria a meu pai!”

 
Capítulo 45

1. Então José, já não se podendo conter diante de todos os assistentes, exclamou: “Fazei sair todo o mundo.” Desse modo, ninguém ficou com ele, quando se deu a conhecer aos seus irmãos.
2. Pôs-se a chorar tão alto que os egípcios da casa do faraó o ouviram.
3. E disse aos seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai vive ainda?” Mas não lhe puderam responder, porque estavam pasmados de se encontrar diante dele.
4. “Aproximai-vos”, disse-lhes ele; e eles aproximaram-se. E ele disse-lhes: “Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito.
5. Mas agora não vos entristeçais, nem tenhais remorsos de me ter vendido para ser conduzido aqui. É para vos conservar a vida que Deus me enviou adiante de vós.
6. Porque eis já dois anos que a fome assola a terra, e haverá ainda cinco anos sem amanho nem colheita.
7. Deus enviou-me adiante de vós para que subsista um resto de vossa raça na terra, e para vos conservar a vida por uma grande libertação.
8. Não sois vós, pois, que me haveis mandado para aqui, mas Deus mesmo. Ele tornou-me como o pai do faraó, chefe de toda a sua casa e governador de todo o Egito.
9. Apressai-vos em voltar para junto de meu pai e dizei-lhe: Eis o que diz o teu filho José: Deus elevou-me ao cargo de chefe de todo o Egito. Vem para junto de mim sem demora.
10. Habitarás na terra de Gessém, bem perto de mim, com teus filhos, teus netos, tuas ovelhas, teus bois e tudo o que te pertence.
11. Eu te sustentarei, pois haverá ainda cinco anos de fome; e assim não cairás na miséria, nem tu, nem tua casa, nem nada do que te pertence.
12. Vereis com vossos olhos, e meu irmão Benjamim também, que sou bem eu quem vos fala.
13. Contai ao meu pai as honras que recebo no Egito, e tudo o que vistes, e depois apressai-o para que venha para cá.”
14. Então ele jogou-se ao pescoço de seu irmão Benjamim e pôs-se a chorar; Benjamim também chorou sobre os seus ombros.
15. Beijou em seguida a todos os seus irmãos, chorando sobre eles, e puseram-se todos a conversar com ele.
16. A notícia da chegada dos irmãos de José espalhou-se logo na casa do faraó, e foi bem acolhida pelo faraó e por todo o seu pessoal.
17. Ele disse a José: “Dize a teus irmãos: Eis o que ides fazer: carregai vossos animais e voltai à terra de Canaã.
18. Tomai vosso pai e vossas famílias e vinde para junto de mim. Dar-vos-ei o que há de melhor no Egito e vos alimentarei com a gordura da terra.
19. Encarrego-te de dizer-lhes: Eis o que ides fazer: Tomai carros no Egito para vossos filhos e vossas mulheres, trazei vosso pai e vinde!
20. Não façais caso do que tereis de deixar, porque o que há de melhor em todo o Egito é vosso.”
21. Assim fizeram os filhos de Israel. Seguindo a ordem do faraó, José deu-lhes carros e provisões para o caminho.
22. Deu-lhes também a todos mudas de roupas; a Benjamim, porém, deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de roupas.
23. Mandou, igualmente, ao seu pai dez jumentos carregados dos melhores produtos do Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e provisões para sua viagem.
24. E, despedindo seus irmãos que partiam, disse-lhes: “Não alterqueis pelo caminho.”
25. Partiram do Egito e chegaram junto de Jacó, seu pai, na terra de Canaã.
26. E anunciaram-lhe a boa nova: “José vive ainda, disseram-lhe eles; e é mesmo ele quem governa todo o Egito.” Mas o coração de Jacó permaneceu frio, porque não acreditava no que ouvia.
27. Entretanto, quando lhe disseram todas as palavras que José lhes havia dito, e viu os carros que José tinha enviado para o transportar, seu espírito se reanimou.
28. “Basta! disse ele; José, meu filho, vive ainda. Irei e o verei antes de morrer.”

 
Capítulo 46

1. Israel partiu com tudo o que lhe pertencia. Chegou a Bersabéia, onde ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaac.
2. Em uma visão noturna Deus disse-lhe: “Jacó! Jacó!” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
3. E Deus disse: “Eu sou Deus, o Deus de teu pai. Não temas descer ao Egito, porque ali farei de ti uma grande nação.
4. Descerei contigo ao Egito, e eu mesmo te farei de novo subir de lá. José fechar-te-á os olhos.”
5. E Jacó deixou Bersabéia. Os filhos de Israel levaram seu pai, assim como seus filhos e suas mulheres, nos carros que o faraó tinha enviado para os transportar.
6. Tomaram também seus rebanhos e os bens que tinham adquirido na terra de Canaã,
7. e Jacó com toda a sua família partiu para o Egito. Levou consigo os seus filhos e seus netos, suas filhas e suas netas, enfim, toda a sua família.
8. Eis os nomes dos filhos de Israel que foram para o Egito: Jacó e seus filhos.
9. O primogênito de Jacó: Rubem. Os filhos de Rubem: Henoc, Falu, Esron e Carmi.
10. Os filhos de Simeão: Jamuel, Jamin, Aod, Jaquim, Soar, e Saul, filho da Cananéia.
11. Os filhos de Levi: Gerson, Gaat e Merari.
12. Os filhos de Judá: Her, Onã, Sela, Farés e Zara. Her e Onã, porém, morreram em Canaã. Os filhos de Farés: Hesron e Hamul.
13. Os filhos de Issacar: Tola, Fua, Jó e Semron.
14. Os filhos de Zabulon: Sared, Elon e Jaelel.
15. São estes os filhos que Lia deu a Jacó em Padã-Arã, assim como sua filha Dina. Total de seus filhos e filhas: trinta e três pessoas.
16. Os filhos de Gad: Sefion, Hagi, Suni, Esebon, Heri, Arodi e Areli.
17. Os filhos de Aser: Jamné, Jesua, Jessui e Beria, assim como sua irmã Sara. Os filhos de Beria: Heber e Melquiel.
18. São estes os filhos que Zelfa, dada por Labão à sua filha Lia, deu à luz a Jacó: dezesseis pessoas.
19. Filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
20. No Egito José tivera de Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On, Manassés e Efraim.
21. Os filhos de Benjamim: Bela, Bocor, Asbel, Gera, Naamã, Equi, Ros, Mofim, Ofim e Ared.
22. São estes os filhos que Raquel deu a Jacó. Total: quatorze pessoas.
23. Filho de Dan: Husim.
24. Filhos de Neftali: Jasier, Guni, Jeser e Salém.
25. São estes os filhos que Bala, dada por Labão à sua filha Raquel, deu à luz a Jacó. Total: sete pessoas.
26. O total das pessoas saídas de Jacó, que vieram com ele para o Egito, sem contar as mulheres de seus filhos, era de setenta ao todo.
27. José teve dois filhos nascidos no Egito. O total das pessoas da família de Jacó que foram para o Egito era de setenta.
28. Jacó tinha enviado Judá adiante dele para informar a José de sua chegada a Gessém. Quando chegaram a Gessém,
29. José mandou preparar o seu carro e montou para ir ao encontro de seu pai em Gessém. E, logo que o viu, jogou-se ao seu pescoço e chorou longo tempo em seus braços.
30. “Agora posso morrer, disse-lhe Israel, porque vi o teu rosto, e vives ainda!”
31. José disse aos seus irmãos: “Vou avisar o faraó, dizendo: Meus irmãos e a família de meu pai que estavam em Canaã, vieram para junto de mim;
32. os homens são pastores, criadores de animais, e trouxeram suas ovelhas e seus bois com tudo o que lhes pertence.
33. Quando o faraó mandar chamar-vos e vos perguntar qual é vossa profissão,
34. responder-lhe-eis: Teus servos foram sempre criadores de animais, desde sua juventude até o presente, e nossos pais também. Desse modo podereis ficar na terra de Gessém, porque os egípcios têm aversão aos pastores.”

 
Capítulo 47

1. José foi, pois, informar o faraó: “Meu pai, disse ele, e meus irmãos chegaram da terra de Canaã com suas ovelhas, seus bois e tudo o que lhes pertence. Eles estão na terra de Gessém.”
2. José levara consigo cinco de seus irmãos, que apresentou ao faraó.
3. Este disse-lhes: “Qual é vossa profissão?” Responderam: “Teus servos são pastores, como sempre o foram nossos pais.
4. Viemos, ajuntaram eles, para morar no país porque não há mais pastagem para os rebanhos de teus servos, sendo muito grande a fome na terra de Canaã. Permite, pois, aos teus servos habitarem na terra de Gessém.”
5. O faraó disse a José: “Teu pai e teus irmãos vieram para junto de ti; a terra do Egito está à tua disposição: instala-os na melhor parte do país.
6. Que eles habitem na terra de Gessém; e, se conheces entre eles alguns que sejam capazes, pô-los-ás à frente dos rebanhos que me pertencem.”
7. José fez então vir Jacó, seu pai, e o apresentou ao faraó.
8. Jacó abençoou o faraó. Este disse-lhe: “Que idade tens?”
9. Jacó respondeu-lhe: “O número dos anos de minha peregrinação é de cento e trinta anos. Curtos e maus foram os anos de minha vida, e não atingiriam o número dos que viveram meus pais durante sua peregrinação.”
10. E, depois de ter abençoado o faraó, Jacó despediu-se dele.
11. José instalou seu pai e seus irmãos em uma propriedade do país do Egito, na melhor parte da região, a terra de Ramsés, como o tinha ordenado o faraó.
12. E José forneceu víveres a seu pai, a seus irmãos e a toda sua família, proporcionalmente ao número dos filhos.
13. E faltou pão em toda a terra, porque a fome era tão violenta que a terra do Egito e a terra de Canaã estavam esgotadas.
14. José tinha ajuntado todo o dinheiro que se encontrava no Egito e em Canaã, como preço do trigo que compravam, e o tinha depositado no tesouro do faraó.
15. Quando havia acabado todo o dinheiro do Egito e de Canaã, todos os egípcios vieram dizer a José: “Dá-nos pão. Por que morreremos na tua presença por falta de dinheiro?”
16. José respondeu: “Trazei vossos animais, se não tendes dinheiro, e dar-vos-ei pão em troca.”
17. Trouxeram, pois, seus animais a José, o qual lhes deu pão em troca dos cavalos, dos rebanhos de ovelhas, dos bois e dos jumentos. Dessa forma, naquele ano, fornecera-lhes pão em troca de todos os seus rebanhos.
18. E aquele ano passou. No ano seguinte, voltaram a ele e disseram-lhe: “Não podemos ocultar do meu senhor que o dinheiro, tendo-se esgotado, e nossos animais, tendo já passado para as mãos de meu senhor, não nos restam agora senão nossos corpos e nossas terras para oferecer ao meu senhor.
19. Por que perecermos diante de teus olhos, nós e nossas terras? Compra-nos a nós e a nossas terras em troca de pão, e nós e nossas terras seremos escravos do faraó. Dá-nos sementes, para que vivamos e não morramos, e não seja desolado o nosso solo”.
20. José adquiriu, assim, para o faraó, todas as terras do Egito, porque cada egípcio vendia o seu campo, obrigado pela fome; e o país tornou-se propriedade do faraó.
21. De um extremo a outro do território, ele reduziu a população à servidão.
22. As terras dos sacerdotes foram as únicas que não comprou, porque estes recebiam do faraó uma ração determinada para o seu sustento. Por isso não venderam suas propriedades.
23. José disse ao povo: “Eu vos comprei hoje, vós e vossas terras, para o faraó. Aqui tendes sementes: semeai vossos campos.
24. No tempo da colheita, dareis a quinta parte ao faraó: as outras quatro partes vos servirão para semente do campo e para vosso alimento com vossos filhos e os que moram convosco.”
25. Eles responderam: “Tu nos salvaste a vida. Tenhamos graça aos olhos de meu senhor e seremos de bom grado escravos do faraó.”
26. José instituiu assim uma lei que ainda hoje está em vigor, em virtude da qual uma quinta parte da colheita pertence ao faraó. Somente as terras dos sacerdotes não se tornaram sua propriedade.
27. Israel estabeleceu-se, pois, no Egito, na terra de Gessém. Adquiriram aí propriedades, foram fecundos e multiplicaram-se grandemente.
28. Jacó viveu ainda dezessete anos no Egito. A duração de sua vida foi de cento e quarenta e sete anos.
29. E, aproximando-se do seu termo os dias de Israel, chamou o seu filho José e disse-lhe: “Se achei graça diante de teus olhos, mete, rogo-te, tua mão debaixo de minha coxa e promete-me, com toda a bondade e fidelidade, que não me enterrarás no Egito.
30. Quando eu me tiver deitado com meus pais, levar-me-ás para fora do Egito e me enterrarás junto deles em seu túmulo.” José respondeu: “Farei como dizes.” “Jura-mo”, replicou Jacó.
31. José jurou-lhe e Israel prostrou-se sobre a cabeceira de sua cama.

 
Capítulo 48

1. Depois disso, vieram anunciar a José: “Teu pai está doente.” Tomou então com ele seus dois filhos, Manassés e Efraim.
2. Jacó foi avisado disso: “Eis, disseram-lhe, que o teu filho José vem te ver”. Israel, reunindo suas forças, assentou-se no seu leito.
3. E disse a José: “O Deus todo-poderoso apareceu-me em Luz, na terra de Canaã, e abençoou-me.
4. Disse-me: Eu te tornarei fecundo e te multiplicarei até fazer de ti uma assembléia de povos, e darei esta terra à tua posteridade em possessão eterna.
5. Agora, os dois filhos que te nasceram no Egito antes que eu viesse para junto de ti, são meus filhos: Efraim e Manassés são meus, com o mesmo título que Rubem e Simeão.
6. Os filhos, porém, que tiveste depois deles, são teus: é conforme o nome de seus irmãos que eles terão parte na repartição da herança.
7. Quando eu voltava de Padã, tua mãe Raquel morreu em caminho, perto de mim, na terra de Canaã, a alguma distância de Efrata; foi ali que a enterrei, no caminho de Efrata, hoje Belém.”
8. Israel viu os filhos de José e disse: “Quem são estes?”
9. “São, respondeu José, os filhos que Deus me deu aqui”. “Faze-os aproximarem-se, para que eu os abençoe”.
10. Os olhos de Israel tinham-se enfraquecido tanto pela idade, que já não podia ver. José fê-los aproximarem-se dele e Israel, tomando-os em seus braços, beijou-os.
11. Depois disse a José: “Não esperava mais rever-te, e eis que Deus me fez ver teus filhos”.
12. José tirou-os dos joelhos de seu pai e prostrou-se com o rosto por terra.
13. Tomou depois os dois, Efraim pela mão direita, para colocá-lo à esquerda de Israel, e Manassés pela mão esquerda, para colocá-lo à direita de Israel, e fê-los aproximarem-se.
14. Mas Israel estendeu a mão direita e pô-la sobre a cabeça de Efraim, o caçula, e a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés. Cruzou assim as mãos (porque Manassés era o primogênito).
15. Israel abençoou José, dizendo: “O Deus em cujo caminho andaram meus pais Abraão e Isaac, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até este dia,
16. o anjo que me guardou de todo o mal, abençoe estes meninos! Seja perpetuado neles o meu nome e o de meus pais Abraão e Isaac, e multipliquem-se abundantemente nesta terra!”
17. Vendo José que seu pai tinha colocado a mão direita sobre a cabeça de Efraim, contrariou-se e tomou a mão de seu pai para removê-la da cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés.
18. E disse-lhe: “Não assim, meu pai; é este aqui o primogênito; põe tua mão direita sobre sua cabeça”.
19. Seu pai, porém, recusou: “Eu sei, meu filho, disse ele, eu sei. Ele também se tornará um povo e será grande; mas seu irmão mais novo crescerá mais do que ele e sua posteridade tornar-se-á uma multidão de nações”.
20. Abençoou-os, pois, naquele dia, e disse: “Israel vos nomeará em suas bênçãos; dir-se-á: Deus te torne semelhante a Efraim e a Manassés”. Foi assim que ele pôs Efraim na frente de Manassés.
21. Israel disse a José: “Vou morrer. Mas Deus estará convosco e vos reconduzirá à terra de vossos pais.
22. Dou-te a mais que teus irmãos, uma porção que conquistei aos amorreus com minha espada e meu arco”.

 
Capítulo 49

1. Jacó chamou seus filhos e lhes disse: “Reuni-vos, porque eu quero anunciar-vos o que vos há de acontecer nos dias vindouros:
2. Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó. Escutai Israel, vosso pai.
3. Rubem, tu és o meu primogênito, minha força, primícias do meu vigor. Notável em dignidade e notável em poder.
4. Transbordante como a água, não terás o primeiro lugar, porque subiste ao leito de teu pai, e desse modo maculaste o meu leito.
5. Simeão e Levi são irmãos; suas espadas são instrumentos de violência.
6. Minha alma não participe de suas maquinações, meu coração jamais se associe às suas reuniões! Porque em sua cólera mataram homens e em seu furor enervaram touros.
7. Maldita cólera que os levou à violência, maldito furor que os induziu à crueldade! Hei de dispersá-los em Jacó, hei de espalhá-los em Israel.
8. Judá, teus irmãos te louvarão. Pegarás pela nuca os inimigos; os filhos de teu pai se prostrarão em tua presença.
9. Filhote de leão, Judá: voltas trazendo a caça, meu filho. Dobra-se, deita-se como um leão; como uma leoa: quem o despertará?
10. Não se apartará o cetro de Judá, nem o bastão de comando dentre seus pés, até que venha aquele a quem pertence por direito, e a quem devem obediência os povos.
11. Amarra à videira o jumentinho, à cepa o filho da jumenta. Lava com o vinho suas vestes, com o sangue das uvas o seu manto.
12. O vinho aumenta o brilho de seus olhos, seus dentes são brancos como o leite.
13. Zabulon habita à beira do mar, no litoral, onde aportam os navios, e seu flanco se estende por Sidon.
14. Issacar é um jumento forte, deitado nos currais.
15. Vê que é bom o descanso e a terra agradável: curva os ombros sob a carga, sujeita-se ao tributo.
16. Dã julgará seu povo, como uma das tribos de Israel.
17. Dã será uma serpente no caminho, uma cobra na estrada, que morde a pata do cavalo e derruba o cavaleiro.
18. Espero em vosso socorro, Senhor!
19. Gad será saqueado por quadrilhas de assaltantes, mas também os assaltará e perseguirá.
20. Aser tem um pão saboroso, que constitui as delícias dos reis.
21. Neftali é uma gazela solta, que tem lindos filhotes.
22. José é broto de uma árvore fértil, broto de uma árvore fértil junto à nascente: seus ramos crescem acima do muro.
23. Provocam-no, atiram contra ele, atacam-no os flecheiros,
24. mas, seu arco permanece firme, seus braços e mãos desembaraçados pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo nome do Pastor, que é a pedra de Israel,
25. graças ao Deus de teu pai, que te ajuda, graças ao todo-poderoso, que te abençoa com as bênçãos do céu altíssimo, com as bênçãos do profundo abismo, com as bênçãos dos peitos e do seio.
26. As bênçãos de teu pai sobrepujam as bênçãos das antigas montanhas, as aspirações das colinas eternas. Que elas desçam sobre a cabeça de José, sobre a fronte do príncipe de seus irmãos!
27. Benjamim, lobo voraz, de manhã devora a presa e à tarde reparte o despojo.”
28. São estes todos que formam as doze tribos de Israel. Foi isso que lhes disse seu pai ao abençoá-los. A cada um deu uma bênção particular.
29. Em seguida, fez-lhes esta recomendação: “Eis que vou ser reunido aos meus. Enterrai-me junto de meus pais na caverna da terra de Efrom, o hiteu,
30. na caverna da terra de Macpela, defronte de Mambré, na terra de Canaã, essa caverna que Abraão havia comprado a Efrom, o hiteu, ao mesmo tempo que a terra, para ter a propriedade de uma sepultura.
31. Foi aí que enterraram Abraão e Sara, sua mulher; foi aí que enterraram Isaac e Rebeca, sua mulher; e foi aí que enterrei Lia”.
32. (Essa propriedade, bem como a caverna que nela se encontra, foram compradas aos filhos de Het.)
33. E, tendo Jacó dado aos seus filhos esta última recomendação, recolheu os pés em sua cama, e expirou. E foi reunido aos seus.

 
Capítulo 50

1. José atirou-se então sobre o rosto de seu pai e o beijou chorando.
2. Ordenou depois aos médicos que o serviam, que embalsamassem seu pai; e os médicos embalsamaram Israel.
3. Gastaram nisso quarenta dias, que é o tempo necessário ao embalsamamento. Os egípcios choraram-no durante setenta dias.
4. Passado o tempo do pranto, José disse à casa do faraó: “Se achei graça aos vossos olhos, dizei de minha parte ao faraó
5. que meu pai me fez jurar-lhe: Eu vou morrer, disse-me ele; tu me enterrarás no túmulo que adquiri na terra de Canaã. Permite-me, pois, subir e enterrar meu pai; depois voltarei”.
6. O faraó respondeu: “Vai sepultar teu pai como ele te fez jurar”.
7. José partiu para sepultar seu pai. Todos os servos do faraó, os anciãos de sua casa e todos os anciãos do Egito,
8. toda a casa de José, seus irmãos e a casa de seu pai o seguiram. Deixaram na terra de Gessém somente seus filhinhos, suas ovelhas e seus bois.
9. Carros e cavaleiros acompanhavam-no, de sorte que a caravana era muito grande.
10. Chegando à eira de Atad, além do Jordão, fizeram uma grande e solene lamentação, e José celebrou, em honra de seu pai, um pranto de sete dias.
11. Vendo esse pranto na eira de Atad, o povo daquela terra disse: “Grande pranto é esse dos egípcios!” Daí o nome de Abel-Misraim dado a esse lugar, que está situado além do Jordão.
12. Os filhos de Jacó fizeram, pois, o que ele lhes tinha ordenado.
13. Levaram-no para Canaã e enterraram-no na caverna da terra de Macpela, que Abraão tinha comprado, juntamente com a propriedade de Efrom, o hiteu, defronte de Mambré, para ter a propriedade de uma sepultura.
14. Depois do enterro, José voltou para o Egito com seus irmãos e todos os que o tinham acompanhado nos funerais de seu pai.
15. Os irmãos de José, vendo que seu pai morrera, disseram entre si: “Será que José nos tomará em aversão e irá vingar-se de todo o mal que lhe fizemos?”
16. Mandaram, pois, dizer-lhe: “Antes de morrer, teu pai recomendou-nos
17. que te pedíssemos perdão do crime que teus irmãos cometeram, de seu pecado, de todo o mal que te fizeram. Perdoa, pois, agora esse crime àqueles que servem o Deus de teu pai”. Ouvindo isso, José chorou.
18. Seus irmãos vieram jogar-se aos seus pés, dizendo: “Somos teus escravos!”
19. José disse-lhes: “Não temais: posso eu pôr-me no lugar de Deus?
20. Vossa intenção era de fazer-me mal, mas Deus tirou daí um bem; era para fazer, como acontece hoje, com que se conservasse a vida a um grande povo.
21. Não temais, pois: eu vos sustentarei a vós e a vossos filhos”. Estas palavras, que lhes foram direito ao coração, reconfortaram-nos.
22. José habitou no Egito, e também a família de seu pai. Viveu cento e dez anos.
23. Viu os descendentes de Efraim até a terceira geração. Igualmente, os filhos de Maquir, filho de Manassés, vieram à luz sobre os joelhos de José.
24. José disse a seus irmãos: “Vou morrer; mas Deus vos visitará seguramente e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, Isaac e a Jacó”.
25. E José fez que os filhos de Israel jurassem: “Quando Deus vos visitar, disse ele, levareis daqui os meus ossos”.
26. José morreu com a idade de cento e dez anos. Foi embalsamado e depositado num sarcófago no Egito.

 

Êxodo

Êxodo

 Capítulo 1

1. Eis os nomes dos filhos de Israel que vieram para o Egito com Jacó, cada um com sua família:
2. Rubem, Simeão, Levi, Judá,
3. Issacar, Zabulon, Benjamim,
4. Dã, Neftali, Gad e Aser.
5. Todas as pessoas saídas de Jacó eram em número de setenta. José estava já no Egito.
6. E, morto José, assim como todos os seus irmãos e toda aquela geração,
7. os israelitas foram fecundos e multiplicaram-se; tornaram-se tão numerosos e tão fortes, que a terra ficou cheia deles.
8. Entretanto, subiu ao trono do Egito um novo rei, que não tinha conhecido José.
9. Ele disse ao seu povo: Vede: os israelitas tornaram-se numerosos e fortes demais para nós.
10. Vamos! É preciso tomar precaução contra eles e impedir que se multipliquem, para não acontecer que, sobrevindo uma guerra, se unam com os nossos inimigos e combatam contra nós, e se retirem do país.
11. Estabeleceu, pois, sobre eles, feitores para acabrunhá-los com trabalhos penosos: eles construíram para o faraó as cidades de Pitom e Ramsés, que deviam servir de entreposto.
12. Quanto mais os acabrunhavam, porém, tanto mais eles se multiplicavam e se espalhavam, a ponto de os egípcios os aborrecerem.
13. Impunham-lhes a mais dura servidão,
14. e amarguravam-lhes a vida com duros trabalhos na argamassa e na fabricação de tijolos, bem como com toda sorte de trabalhos nos campos e todas as tarefas que se lhes impunham tiranicamente.
15. O rei do Egito dirigiu-se, igualmente, às parteiras dos hebreus uma se chamava Séfora e a outra, Fua),
16. e disse-lhes: Quando assistirdes às mulheres dos hebreus, e as virdes sobre o leito, se for um filho, atá-lo-eis; mas se for uma filha, deixá-la-eis viver.
17. Mas as parteiras temiam a Deus, e não executaram as ordens do rei do Egito, deixando viver os meninos.
18. O rei mandou-as chamar então e disse-lhes: Por que agistes assim, e deixastes viver os meninos?
19. Porque, responderam elas ao faraó, as mulheres dos hebreus não são como as dos egípcios: elas são vigorosas, e já dão à luz antes que chegue a parteira.
20. Deus beneficiou as parteiras: o povo continuou a multiplicar-se e a espalhar-se.
21. Porque elas haviam temido a Deus, ele fez prosperar suas famílias.
22. Então o faraó deu esta ordem a todo o seu povo: Todo menino que nascer, atirá-lo-eis ao Nilo. Deixareis, porém, viver todas as meninas.

 
Capítulo 2

1. Um homem da casa de Levi tinha tomado por mulher uma filha de Levi,
2. que ficou em breve grávida, e deu à luz um filho. Vendo que era formoso, escondeu-o durante três meses.
3. Mas, não podendo guardá-lo oculto por mais tempo, tomou uma cesta de junco, untou-a de betume e pez, colocou dentro o menino e depô-la à beira do rio, no meio dos caniços.
4. A irmã do menino colocara-se a alguma distância para ver o que lhe havia de acontecer.
5. Ora, a filha do faraó desceu ao rio para se banhar, enquanto suas criadas passeavam à beira do rio. Ela viu a cesta no meio dos juncos e mandou uma de suas criadas buscá-la.
6. Abriu-a e viu dentro o menino que chorava. E compadeceu-se: “É um filho dos hebreus”, disse ela.
7. Veio então a irmã do menino e disse à filha do faraó: “Queres que vá procurar entre as mulheres dos hebreus uma ama de leite para amamentar o menino?”
8. “Sim”, disse a filha do faraó. E a moça correu a buscar a mãe do menino.
9. “Toma este menino, disse-lhe a filha do faraó, amamenta-o; dar-te-ei o teu salário”. A mulher tomou o menino e o amamentou.
10. Quando o menino cresceu, ela o conduziu à filha do faraó, que o adotou como seu filho e deu-lhe o nome de Moisés, “porque, disse ela, eu o salvei das águas”.
11. Moisés cresceu. Um dia em que saíra por acaso para ir ter com os seus irmãos, foi testemunha de seus duros trabalhos, e viu um egípcio ferindo um hebreu dentre seus irmãos.
12. Moisés, voltando-se para um e outro lado e vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio e ocultou-o na areia.
13. Saindo de novo no dia seguinte, viu dois hebreus que estavam brigando. E disse ao culpado: “Por que feres o teu companheiro?”
14. Mas o homem respondeu-lhe: “Quem te constituiu chefe e juiz sobre nós? Queres, por ventura, matar-me como mataste o egípcio?” Moisés teve medo e pensou: “Certamente a coisa já é conhecida.”
15. O faraó, sabendo do ocorrido, procurou matar Moisés, mas este fugiu para longe do faraó. Retirou-se para a terra de Madiã, e sentou-se junto de um poço.
16. Ora, as sete filhas do sacerdote de Madiã vieram tirar água do poço e encher as gamelas para dar de beber às ovelhas de seu pai.
17. Sobrevindo então alguns pastores, as expulsavam. Moisés, porém, tomou sua defesa e deu de beber ao seu rebanho.
18. E, voltando elas para junto de Raguel, seu pai, este disse-lhes: “Por que voltais hoje tão cedo?”
19. Elas responderam: “Um egípcio nos protegeu contra alguns pastores e, além disso, tirou água ele mesmo e deu de beber aos animais”.
20. “Onde está ele? perguntou às suas filhas. Porque o deixastes partir? Chamai-o para que coma alguma coisa”.
21. Moisés aceitou ficar em casa desse homem, o qual lhe deu por mulher sua filha Séfora.
22. Ela teve um filho, que Moisés chamou de Gérson, “porque, disse ele, sou apenas um hóspede em terra estrangeira”.
23. Muito tempo depois morreu o rei do Egito. Os israelitas, que gemiam ainda sob o peso da servidão, clamaram, e, do fundo de sua escravidão, subiu o seu clamor até Deus.
24. Deus ouviu seus gemidos e lembrou-se de sua aliança com Abraão, Isaac e Jacó.
25. Olhou para os israelitas e reconheceu-os.

 
Capítulo 3

1. Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Um dia em que conduzira o rebanho para além do deserto, chegou até a montanha de Deus, Horeb.
2. O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama (que saía) do meio a uma sarça. Moisés olhava: a sarça ardia, mas não se consumia.
3. “Vou me aproximar, disse ele consigo, para contemplar esse extraordinário espetáculo, e saber porque a sarça não se consome.”
4. Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: “Moisés, Moisés!” “Eis-me aqui!” respondeu ele.
5. E Deus: “Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa.
6. Eu sou, ajuntou ele, o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”. Moisés escondeu o rosto, e não ousava olhar para Deus.
7. O Senhor disse: “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos.
8. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir do Egito para uma terra fértil e espaçosa, uma terra que mana leite e mel, lá onde habitam os cananeus, os hiteus, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
9. Agora, eis que os clamores dos israelitas chegaram até mim, e vi a opressão que lhes fazem os egípcios.
10. Vai, eu te envio ao faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo”.
11. Moisés disse a Deus: “Quem sou eu para ir ter com o faraó e tirar do Egito os israelitas?”
12. “Eu estarei contigo, respondeu Deus; e eis aqui um sinal de que sou eu que te envio: quando tiveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus sobre esta montanha”.
13. Moisés disse a Deus: “Quando eu for para junto dos israelitas e lhes disser que o Deus de seus pais me enviou a eles, que lhes responderei se me perguntarem qual é o seu nome?”
14. Deus respondeu a Moisés: “EU SOU AQUELE QUE SOU”. E ajuntou: “Eis como responderás aos israelitas: (Aquele que se chama) EU SOU envia-me junto de vós.”
15. Deus disse ainda a Moisés: “Assim falarás aos israelitas: É JAVÉ, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, quem me envia junto de vós. Este é o meu nome para sempre, e é assim que me chamarão de geração em geração”.
16. “Vai, reúne os anciãos de Israel e dize-lhes: o Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó apareceu-me. E disse-me: eu vos visitei, e vi o que se vos faz no Egito,
17. e disse: tirar-vos-ei do Egito onde sois oprimidos, para fazer-vos subir para a terra dos cananeus, dos hiteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus, terra que mana leite e mel.
18. Eles ouvirão a tua voz. Irás então com os anciãos de Israel à presença do rei do Egito e lhe direis: o Senhor, o Deus dos hebreus, nos apareceu. Deixa-nos, pois, ir para o deserto, a três dias de caminho, para oferecer sacrifícios ao Senhor, nosso Deus.
19. Eu sei que o rei do Egito não vos deixará partir, se ele não for obrigado pela força.
20. Mas estenderei a mão e ferirei o Egito com toda sorte de prodígios que farei no meio deles. Depois disso, o faraó vos deixará partir.
21. Farei com que esse povo ganhe as boas graças dos egípcios, e, quando partirdes, não ireis com as mãos vazias:
22. cada mulher pedirá à sua vizinha e àquela que mora em sua casa objetos de prata e de ouro, e vestidos que poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas. Assim despojareis os egípcios.”

 
Capítulo 4

1. Moisés respondeu: “Eles não me crerão, nem me ouvirão, e vão dizer que o Senhor não me apareceu”.
2. O Senhor disse-lhe: “O que tens na mão?” “Uma vara.”
3. “Joga-a por terra”. Ele jogou-a por terra; e a vara transformou-se numa serpente, de modo que Moisés recuou.
4. O Senhor disse-lhe: “Estende tua mão e toma-a pela cauda – ele estendeu a mão e tomou-a, e a serpente tornou-se de novo uma vara em sua mão–;
5. é para que creiam que o Senhor, o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, realmente te apareceu”.
6. O Senhor continuou: “Mete a tua mão no teu seio”. Ele meteu a mão em seu seio e, quando a retirou, sua mão estava leprosa, tão branca como a neve.
7. O Senhor disse-lhe: “Mete de novo a mão em teu seio”. Ele meteu de novo a mão em seu seio e, retirando-a, eis que ela se tornara como o restante de sua carne.
8. “Se não te crerem, nem obedecerem à voz do primeiro prodígio, crerão à voz do segundo.
9. Se ainda permanecerem incrédulos diante desses dois prodígios, nem te ouvirem, tomarás da água do Nilo e derramá-la-ás por terra; a água tirada do rio tornar-se-á sangue sobre a terra”.
10. Moisés disse ao Senhor: “Ah, Senhor! Eu não tenho o dom da palavra; nunca o tive, nem mesmo depois que falastes ao vosso servo; tenho a boca e a língua pesadas”.
11. O Senhor disse-lhe: “Quem deu uma boca ao homem? Quem o faz mudo ou surdo, o faz ver ou cego? Não sou eu o Senhor?
12. Vai, pois, eu estarei contigo quando falares, e ensinar-te-ei o que terás de dizer.”
13. “Ah, Senhor! disse Moisés, mandai quem quiserdes!”
14. Então o Senhor irritou-se contra Moisés: “Não tens Aarão, disse ele, teu irmão, o levita? Eu sei que ele fala bem. Ei-lo justamente que vem ao teu encontro e, vendo-te, alegrar-se-á o seu coração.
15. Tu lhe falarás, pôr-lhe-ás as palavras na boca. E, quando falardes, eu estarei contigo e com ele, e vos ensinarei o que tereis a fazer.
16. É ele quem falará ao povo em teu lugar: ele te servirá de boca e tu lhe servirás de Deus.
17. Toma em tua mão esta vara, com a qual operarás prodígios”.
18. Moisés partiu. De volta para junto de Jetro, seu sogro, disse-lhe: “Rogo-te que me deixes partir, e voltar para junto de meus irmãos no Egito; vou ver se ainda vivem.” Jetro disse a Moisés: “Vai em paz”. Volta de Moisés ao Egito
19. O Senhor disse a Moisés em Madiã: “Vai, volta ao Egito, porque todos aqueles que atentavam contra a tua vida estão mortos”.
20. Moisés tomou consigo sua mulher e seus filhos, fê-los montar em jumentos e voltou para o Egito. Levava na mão a vara de Deus.
21. O Senhor disse a Moisés: “Agora que voltas ao Egito, cuida para que todos os prodígios, que te concedi o poder de operar, tu os faças na presença do faraó. Mas endurecerei o seu coração e ele não deixará partir o povo.
22. Tu lhe dirás: assim fala o Senhor: Israel é meu filho primogênito.
23. Eu te digo: deixa ir o meu filho, para que ele me preste um culto. Se te recusas a deixá-lo partir, farei perecer teu filho primogênito”.
24. Estando Moisés a caminho, numa estalagem, atacou o Senhor Moisés procurando matá-lo.
25. Séfora tomou então uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho e atirou-o aos pés de Moisés, dizendo: “Tu me és um esposo de sangue!”
26. Assim o Senhor o deixou. Séfora havia dito: “esposo de sangue”, por causa da circuncisão.
27. O Senhor disse a Aarão: “Vai ao encontro de Moisés no deserto.” Aarão foi e, encontrando seu irmão na montanha de Deus, beijou-o.
28. Moisés contou-lhe tudo o que lhe tinha dito o Senhor ao enviá-lo, e todos os prodígios que lhe tinha ordenado fazer.
29. Moisés e Aarão continuaram seu caminho e reuniram todos os anciãos de Israel.
30. Aarão repetiu todas as palavras que o Senhor tinha dito a Moisés, e este fez os prodígios em presença do povo.
31. O povo acreditou. E, tendo ouvido que o Senhor viera visitar os filhos de Israel, e que vira sua aflição, inclinaram-se e prostraram-se.

 
Capítulo 5

1. Depois disso, Moisés e Aarão dirigiram-se ao faraó e disseram-lhe: “Assim fala o Senhor, o Deus de Israel: deixa ir o meu povo, para que me faça uma festa no deserto”.
2. O faraó respondeu: “Quem é esse Senhor, para que eu lhe deva obedecer, deixando partir Israel? Não conheço o Senhor, e não deixarei partir Israel”.
3. Eles prosseguiram: “O Deus dos hebreus nos apareceu. Deixa-nos ir ao deserto, a três dias de caminho, para oferecer sacrifícios ao Senhor, para que não nos fira ele pela peste ou pela espada”.
4. O rei do Egito disse-lhes: “Moisés e Aarão, por que quereis desviar o povo do seu trabalho? Ide às vossas ocupações”.
5. E ajuntou: “O povo é, atualmente, numeroso, e vós o faríeis interromper seus trabalhos!”
6. Naquele mesmo dia, deu o faraó ao inspetor do povo e aos vigias esta ordem:
7. “Não fornecereis mais, como dantes, a palha ao povo para fazer os tijolos: irão eles mesmos procurá-la.
8. Entretanto, exigi deles a mesma quantidade de tijolos que antes, sem nada diminuir. São uns preguiçosos. É por isso que clamam: queremos ir oferecer sacrifícios ao nosso Deus.
9. Que sejam sobrecarregados de trabalhos ocupem-se eles de suas tarefas e não dêem ouvidos às mentiras que se lhes contam!”
10. Os inspetores e os vigias do povo foram dizer-lhes:
11. “o faraó manda-vos dizer que já não vos fornecerá palha; e que vós mesmos devereis procurá-la onde houver, mas nada se diminuirá de vosso trabalho”.
12. Espalhou-se, pois, o povo por todo o Egito para ajuntar restolhos em lugar de palha.
13. Os inspetores instavam com eles, dizendo: “Aprontai vossa tarefa diária, como quando se vos fornecia palha.”
14. Açoitavam até os vigias israelitas que os inspetores do faraó tinham estabelecido sobre eles. Diziam-lhes: “Por que não terminastes, ontem e hoje, como antes, o que se vos havia fixado de tijolos a fazer?”
15. Os vigias israelitas foram queixar-se ao faraó: “Por que, perguntaram eles, procedes desse modo com os teus servos?
16. Não se nos fornece mais a palha e se nos diz: fazei tijolos. E chegam até a nos açoitar (como se) teu povo estivesse em falta”.
17. O faraó respondeu: “Vós sois uns preguiçosos, sim, uns preguiçosos! É por isso que dizeis: queremos ir oferecer sacrifícios ao Senhor.
18. E agora, ao trabalho! Não se vos fornecerá a palha, mas deveis entregar a mesma quantidade de tijolos.”
19. Os vigias israelitas aos quais diziam: “Nada diminuireis da entrega diária de tijolos”, viram-se em um cruel embaraço.
20. Saindo da casa do faraó, encontraram Moisés e Aarão que os esperavam.
21. Disseram-lhes: “Que o Senhor vos veja e vos julgue, vós, que atraístes sobre nós a aversão do faraó e de sua gente, e pusestes em suas mãos a espada para nos matar”.
22. Moisés voltou-se de novo para o Senhor: “Ó Senhor, disse-lhe ele, por que fizestes mal a este povo? Por que me enviastes?
23. Desde que fui falar ao faraó em vosso nome, ele maltrata o povo, e vós não o livrastes de maneira alguma.”

 
Capítulo 6

1. O Senhor respondeu: “Verás o que vou fazer ao faraó: forçado por uma mão poderosa, ele os deixará partir; forçado por uma mão poderosa, ele os expulsará de sua terra”.
2. Deus disse a Moisés: “Eu sou o Senhor.
3. Apareci a Abraão, a Isaac e a Jacó como o Deus todo-poderoso, mas não me dei a conhecer a eles pelo meu nome de Javé.
4. Eu me comprometi com eles a lhes dar a terra de Canaã, a terra onde levaram uma vida errante e habitaram como estrangeiros.
5. Ouvi o clamor dos israelitas oprimidos pêlos egípcios, e lembrei-me de minha aliança.
6. Por isso, dize aos israelitas: eu sou o Senhor; vou libertar-vos do jugo dos egípcios e livrar-vos de sua servidão. Estenderei o braço para essa libertação e manifestarei uma terrível justiça.
7. Tomar-vos-ei para meu povo e serei o vosso Deus, e sabereis que eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos terei libertado do jugo dos egípcios.
8. Introduzir-vos-ei na terra que jurei dar a Abraão, a Isaac e a Jacó: e vos darei a possessão dessa terra, eu, o Senhor”.
9. Moisés repetiu essas palavras aos israelitas, mas estes não o ouviram, tão grande era o abatimento de sua alma e penosa a sua servidão.
10. O Senhor disse então a Moisés:
11. “Vai pedir ao faraó, ao rei do Egito, que deixe sair de sua terra os israelitas”.
12. Moisés respondeu ao Senhor: “Os israelitas não me ouviram; como me ouvirá o faraó, a mim que não tenho o dom da palavra?”
13. O Senhor falou a Moisés e a Aarão, e deu-lhes a ordem de irem ter com o faraó, o rei do Egito, a fim de tirarem da terra do Egito os filhos de Israel.
14. Eis os chefes das famílias dos israelitas: filhos de Rubem, primogênito de Israel: Henoc, Falu, Hesron e Carmi. Estas são as famílias de Rubem.
15. Filhos de Simeão: Jamuel, Jamim, Aod, Jaquim, Soar e Saul, filho da cananéia. Estas são as famílias de Simeão.
16. Eis os nomes dos filhos de Levi, por ordem de gerações: Gerson, Caat e Merari. A duração da vida de Levi foi de cento e trinta e sete anos.
17. Filhos de Gerson: Lobni e Semei, e suas famílias.
18. Filhos de Caat: Amrão, Isaar, Hebron e Oziel. A duração da vida de Caat foi de cento e trinta e três anos.
19. Filhos de Merari: Mooli e Musi. Tais são as famílias de Levi por ordem de gerações.
20. Amrão desposou Jocabed, sua tia, que lhe deu Aarão e Moisés. A duração da vida de Amrão foi de cento e trinta e sete anos.
21. Filhos de Isaar: Coré, Nefeg e Zecri.
22. Filhos de Oziel: Misael, Elisafã e Setri.
23. Aarão desposou Elisabet, filha de Aminadab, irmã de Naasson; ela lhe deu Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar.
24. Filhos de Coré: Aser, Elcana e Abiasaf; estas são as famílias dos coreítas.
25. Eleazar, filho de Aarão, desposou uma das filhas de Futiel, que lhe deu Finéas. Tais são os chefes das famílias dos levitas, com suas famílias.
26. Estes são Aarão e Moisés, a quem o Senhor disse: “Fazei sair do Egito os israelitas, segundo os seus exércitos”.
27. Foram eles que falaram ao faraó, rei do Egito, para tirar do Egito os israelitas. São estes Moisés e Aarão.
28. Quando o Senhor falou a Moisés no Egito,
29. ele o fez nestes termos: “Eu sou o Senhor. Repete ao faraó, o rei do Egito, tudo o que te digo”.
30. E Moisés respondeu-lhe: “Eu não tenho o dom da palavra; como me ouvirá o faraó?”

 
Capítulo 7

1. O Senhor disse a Moisés: “Vê: vou fazer de ti um deus para o faraó, e teu irmão Aarão será teu profeta.
2. Dirás tudo o que eu te mandar, e teu irmão Aarão falará ao rei para que ele deixe sair de sua terra os israelitas.
3. Mas eu endurecerei o coração do faraó, e multiplicarei meus sinais e meus prodígios no Egito.
4. Ele não vos ouvirá. Então estenderei minha mão sobre o Egito e farei sair dele os meus exércitos, meu povo, os israelitas, com uma grandiosa manifestação de justiça.
5. Os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu estender a mão sobre o Egito e fizer sair dele os israelitas.”
6. Moisés e Aarão fizeram o que o Senhor tinha ordenado, e obedeceram.
7. Moisés tinha oitenta anos e Aarão oitenta e três, quando falaram ao faraó.
8. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
9. “Se o faraó vos pedir um prodígio, tu dirás a Aarão: toma tua vara e joga-a diante do faraó; ela se tornará uma serpente”.
10. Tendo Moisés e Aarão chegado à presença do faraó, fizeram o que o Senhor tinha ordenado. Aarão jogou sua vara diante do rei e de sua gente, e ela se tornou uma serpente.
11. Mas o faraó, mandando vir os sábios, os encantadores e os mágicos, estes fizeram o mesmo com os seus encantamentos:
12. jogaram cada um suas varas, que se transformaram em serpentes. Mas a vara de Aarão engoliu as deles.
13. Entretanto, como o Senhor o havia anunciado, endureceu-se o coração do faraó e ele não quis ouvi-los.
14. O Senhor disse a Moisés: “O faraó endureceu o coração: ele se obstina em não querer deixar partir o povo.
15. Vai procurá-lo amanhã cedo, no momento em que ele sair para ir à margem do rio; esperá-lo-ás à beira do Nilo, tomarás na mão a vara que se mudou em serpente,
16. e dir-lhe-ás: o Senhor, o Deus dos hebreus, mandou-me a ti para dizer-te: deixa ir o meu povo, para que me preste culto no deserto. Até agora não me escutaste.
17. Eis o que diz o Senhor: nisto reconhecerás que eu sou o Senhor: vou ferir as águas do Nilo com a vara que tenho na mão e elas se mudarão em sangue.
18. Os peixes do Nilo morrerão, o rio tornar-se-á infecto e os egípcios terão nojo insuportável de beber suas águas.”
19. O Senhor disse a Moisés: “Dize a Aarão: toma a tua vara e estende a mão sobre as águas do Egito, sobre os seus rios e seus canais, sobre seus lagos e seus reservatórios, para que essas águas se tornem sangue. Haverá sangue em todo o Egito, assim nos recipientes de madeira como nos de pedra”.
20. Moisés e Aarão obedeceram à ordem do Senhor. Sob os olhos do faraó e de sua gente, Aarão levantou sua vara e feriu a água do Nilo, que se mudou toda em sangue.
21. Morreram os peixes do Nilo, e o rio tornou-se tão infecto que os egípcios não podiam beber de suas águas. Houve sangue em todo o Egito.
22. Mas os mágicos do Egito, fizeram outro tanto com seus encantamentos; o coração do faraó permaneceu endurecido e, como o Senhor havia predito, ele não ouviu Moisés e Aarão.
23. Voltou e entrou em sua casa sem mais se cuidar do acontecido.
24. Todos os egípcios cavaram o solo nas proximidades do Nilo procurando água potável, porque não se podia beber a água do rio.
25. Sete dias se passaram depois que o Senhor feriu o Nilo.

 
Capítulo 8

1. O Senhor disse a Moisés: “Vai procurar o faraó e dize-lhe: eis o que diz o Senhor: deixa ir o meu povo, para que ele me preste um culto.
2. Se recusas, infestarei de rãs todo o teu território.
3. O Nilo ferverá de rãs que subirão para invadir tua habitação, teu quarto, teu leito, as casas de teu povo, os teus fornos e tuas amassadeiras.
4. As rãs subirão sobre ti, sobre teu povo e sobre todos os teus servos”.
5. O Senhor disse a Moisés: “Dize a Aarão: estende a tua mão com a tua vara sobre os rios, os canais e os lagos, e faze subir as rãs sobre a terra do Egito.”
6. Aarão levantou a mão sobre as águas do Egito, e as rãs subiram e cobriram a terra.
7. Os mágicos, porém, fizeram outro tanto com seus encantamentos: fizeram subir as rãs sobre a terra do Egito.
8. O faraó mandou chamar Moisés e Aarão: “Intercedei, disse-lhes ele, junto do Senhor, a fim de que afaste as rãs de mim e de meu povo, e deixarei partir o vosso povo para que ofereça sacrifícios ao Senhor”.
9. Moisés respondeu-lhe: “Digna-te dizer-me quando é que devo interceder por ti, por teus servos e por teu povo, a fim de que o Senhor afaste as rãs de tua pessoa e de tuas casas, de sorte que fiquem somente no rio”.
10. “Seja amanhã”, disse ele. Moisés replicou: “Será feito segundo o teu desejo, para que saibas que não há ninguém como o Senhor, nosso Deus.
11. As rãs afastar-se-ão de tua pessoa, de tuas habitações, de teus servos e de teu povo; e ficarão somente no Nilo”.
12. Moisés e Aarão saíram da casa do rei e Moisés invocou o Senhor a respeito das rãs que enviara contra o faraó.
13. Fez o Senhor o que pedia Moisés: morreram as rãs nas casas, nas praças e nos campos.
14. Ajuntaram-nas em montões e o país ficou infeccionado com isso.
15. Mas, vendo o faraó que havia descanso, endureceu o coração; e, como o Senhor havia predito, não ouviu Moisés e Aarão.
16. O Senhor disse a Moisés: “Dize a Aarão: levanta a tua vara e fere o pó da terra: ele se converterá em mosquitos em todo o Egito.”
17. Fizeram assim: Aarão estendeu a mão com sua vara, e feriu o p da terra: houve mosquitos sobre os homens e os animais. Toda a poeira da terra se transformou em mosquitos em todo o Egito.
18. Os mágicos, usando de seus encantamentos, tentaram produzir mosquitos, mas não o puderam. Os mosquitos ficavam sobre os homens e os animais.
19. Então os mágicos disseram ao fara: “Isso é o dedo de Deus”. Mas o coração do fara permaneceu endurecido e, como o Senhor havia predito, não ouviu Moisés e Aarão.
20. O Senhor disse a Moisés: “Irás amanhã de manhã apresentar-te diante do fara, quando ele sair para ir à margem do rio, e dir-lhe-ás: eis o que diz o Senhor: deixa partir o meu povo, para me prestar culto.
21. Se recusares, mandarei moscas sobre tua pessoa, tua gente, teu povo, tuas casas: as casas dos egípcios serão todas invadidas por elas, bem como a terra em que moram.
22. Farei, porém uma exceção naquele dia para a terra a de Gessém, onde habita o meu povo. Ali não haverá moscas, para que saibas que eu, o Senhor, estou no meio da terra.
23. Farei, pois, uma distinção entre o meu povo e o teu. Amanhã terá lugar esse prodígio.”
24. Assim fez o Senhor: surgiu na casa do fara, e na de sua gente, uma multidão de moscas, e todo o Egito foi devastado pelas moscas.
25. Mandou então o fara chamar Moisés e Aarão: “Ide, disse-lhes ele, oferecer sacrifícios ao vosso Deus, (mas) no país.”
26. Moisés respondeu: “Não convém que seja assim: os sacrifícios que oferecemos ao Senhor, nosso Deus, seriam uma abominação para os egípcios. Se oferecermos, sob os seus olhos, sacrifícios que lhes são abomináveis, não nos apedrejerão eles?
27. Havemos de ir ao deserto, a três dias de caminho, e ofereceremos (lá) sacrifícios ao Senhor, nosso Deus, conforme ele nos ordenou.”
28. “Consinto, replicou o fara, em vos deixar partir: oferecereis sacrifícios ao Senhor, vosso Deus, no deserto; somente não ireis muito longe. Rogai por mim”.
29. Moisés respondeu: “Logo que eu sair de tua casa, intercederei junto ao Senhor, e amanhã as moscas se afastarão do fara, de seus servos e de seu povo. Somente não continue o fara a nos enganar, recusando-se deixar ir o povo para oferecer sacrifícios ao Senhor”.
30. Moisés saiu da casa do fara. Rogou ao Senhor,
31. e fez o Senhor o que lhe era pedido: as moscas afastaram-se do fara, de sua gente, de seu povo e não restou uma sequer.
32. Mas ainda esta vez endureceu o fara o seu coração, e não deixou ir o povo.

 
Capítulo 9

1. O Senhor disse a Moisés: “Vai procurar o faraó e dize-lhe: eis o que diz o Senhor, Deus dos hebreus: deixa ir o meu povo, para que ele me preste um culto.
2. Se recusas, se persistes em retê-lo,
3. a mão do Senhor vai pesar sobre os teus animais que estão nos campos, sobre os cavalos, os jumentos, os camelos, os bois e as ovelhas: haverá uma peste terrível.
4. Entretanto, o Senhor fará uma distinção entre os animais dos israelitas e os dos egípcios, e nada perecerá de tudo o que pertence aos israelitas.”
5. O Senhor fixou o prazo nestes termos: “Amanhã, o Senhor fará isso na terra”.
6. No dia seguinte, o Senhor cumpriu sua palavra: todos os animais dos egípcios pereceram, mas não morreu um animal sequer dos rebanhos dos israelistas.
7. Tendo o faraó mandado examinar, verificou que não morrera nem um só animal dos rebanhos dos israelistas. Mas o coração do faraó ficou endurecido, e ele não deixou ir o povo.
8. O Senhor disse a Moisés e a Aarão: “Tomai vossas duas mãos cheias de cinza do forno, e Moisés a lance para o céu diante dos olhos do faraó.
9. Ela tornar-se-á uma poeira que se espalhará por todo o Egito, e haverá em todo o Egito, sobre os homens e sobre os animais, tumores que se arrebatarão em úlceras”.
10. Tomaram, pois, da cinza do forno e apresentaram-se diante do faraó. Moisés atirou-a para o céu e produziram-se, sobre os homens e sobre os animais, tumores que se arrebataram em úlceras.
11. Os mágicos não puderam aparecer diante de Moisés por causa das úlceras, porque foram atingidos como todos os egípcios.
12. O Senhor endureceu o coração do faraó, que, como o Senhor havia predito, não ouviu Moisés e Aarão.
13. O Senhor disse a Moisés: “Tu te apresentarás amanhã cedo diante do faraó, e dir-lhe-ás: eis o que diz o Senhor, Deus dos hebreus: deixa partir meu povo para que me preste um culto,
14. porque desta vez vou descarregar todos os meus flagelos sobre tua pessoa, tua gente e teu povo, a fim de que saibas que não há ninguém semelhante a mim em toda a terra.
15. Eu poderia, num instante, estendendo a minha mão, ferir-te de peste, tu e o teu povo; e tu já terias desaparecido da terra.
16. Mas, se te deixo incólume, é para que vejas o meu poder, e que o meu nome seja glorificado por toda a terra.
17. Se te obstinas em impedir a partida de meu povo,
18. amanhã, a esta mesma hora, farei cair uma chuva de pedras tão violenta como nunca houve outra igual no Egito, desde sua origem até o dia de hoje.
19. Mete, pois, ao abrigo, teus animais e tudo o que tens nos campos, porque todos os homens e todos os animais, que se encontrarem fora de casa nos campos, serão atingidos pela saraiva e morrerão.
20. Aqueles dentre a gente do faraó, que temem a palavra do Senhor, porão seus servos e seus rebanhos ao abrigo nas casas.
21. Mas os que não fazem caso da palavra do Senhor, deixarão nos campos seus escravos e seus rebanhos.
22. O Senhor disse a Moisés: “Estende a mão para o céu, para que caia uma chuva de granizo em todo o Egito sobre os homens, os animais e sobre toda a erva dos campos.”
23. Moisés estendeu sua vara para o céu, e o Senhor enviou trovões e chuva de pedras, e o fogo do céu caiu sobre a terra. O Senhor fez chover granizo sobre o Egito.
24. Caiu granizo misturado com fogo; e caiu com tanta violência como nunca houve semelhante em todo o Egito, desde que veio a ser uma nação.
25. Em todo o Egito a chuva de pedras feriu tudo o que estava nos campos, homens e animais, e feriu toda a erva dos campos e quebrou todas as árvores dos campos.
26. Só a terra de Gessém, onde se encontravam os israelitas, foi poupada.
27. O rei mandou chamar Moisés e Aarão e disse-lhes: “Desta vez eu pequei. O Senhor é justo; eu e meu povo fomos culpados.
28. Rogai ao Senhor para que cessem os trovões e o granizo. Eu vos deixarei ir, e não vos reterei mais.”
29. Moisés disse-lhe: “Logo que eu tiver saído da cidade, levantarei minhas mãos para o Senhor: os trovões cessarão e não haverá mais granizo, para que saibas que a terra pertence ao Senhor.
30. Mas sei que tu e tua gente não temeis ainda o Senhor Deus.”
31. (O linho e a cevada foram destruídos, porque a cevada estava espigando e o linho estava em flor;
32. o trigo, porém, e a espelta se salvaram, porque são tardios.)
33. Moisés partiu da casa do faraó e deixou a cidade. E levantou as mãos para o Senhor: cessaram os trovões e o granizo, e a chuva cessou de cair sobre a terra.
34. Vendo o faraó que cessara a chuva, assim como o granizo e os trovões, continuou a pecar e endureceu seu coração, ele e sua gente.
35. E, tendo-se obstinado o coração do faraó, não deixou partir os israelitas, assim como o Senhor havia predito pela voz de Moisés.

 
Capítulo 10

1. O Senhor disse a Moisés: “Vai procurar o faraó, porque lhe endureci o coração e o de sua gente para manifestar os meus prodígios no meio deles,
2. para que contes aos teus filhos e aos teus netos as maravilhas que fiz no Egito e os prodígios que operei no meio deles, e para que saibais que eu sou o Senhor.”
3. Moisés e Aarão foram procurar o rei e disseram-lhe: “Eis o que diz o Senhor, Deus dos hebreus: até quando recusarás humilhar-te diante de mim? Deixa ir o meu povo para que ele me preste o seu culto.
4. Se recusares, farei vir amanhã gafanhotos sobre o teu território.
5. Cobrirão a superfície da terra de tal modo que se não poderá mais ver o solo. Devorarão o resto das colheitas que escapou ao granizo, e devorarão todas as árvores de vossos campos.
6. Encherão tuas casas, as casas de todos os teus servos e a de todos os egípcios. Será uma calamidade tão grande como nunca viram teus pais nem os pais de teus pais, desde sua chegada ao país até o dia de hoje.” Voltou-se, pois, Moisés e retirou-se da casa do faraó.
7. Os servos do faraó disseram-lhe: “Até quando nos servirá de laço este homem? Deixa partir essa gente para que preste seu culto ao Senhor seu Deus. Não compreendeste ainda que o Egito vai ser arruinado?”
8. Mandaram então vir Moisés e Aarão à presença do rei que lhes disse: “Ide fazer vossas devoções ao Senhor, vosso Deus. Quem são os que hão de partir?”
9. “Iremos, respondeu Moisés, com nossos jovens e nossos velhos, nossos filhos e nossas filhas. Iremos com nossas ovelhas e nossos bois, porque temos de celebrar uma festa em honra do Senhor.”
10. O faraó replicou: “O Senhor esteja convosco, do mesmo modo como vos deixarei partir com vossos filhos! Tomai cuidado, porque tendes más intenções.
11. Não há de ser assim. Ide vós, os homens, e prestai o vosso culto ao Senhor, pois é isso o que desejais.” E foram expulsos da presença do faraó.
12. O Senhor disse a Moisés: “Estende tua mão sobre o Egito para que venham gafanhotos sobre ele, e invadam o Egito, e devorem toda a erva da terra, tudo o que o granizo deixou.”
13. Moisés estendeu sua vara sobre o Egito, e o Senhor fez soprar sobre o país, todo aquele dia e toda aquela noite, um vento do oriente. E, chegando a manhã, o vento do oriente tinha trazido os gafanhotos.
14. Espalharam-se eles sobre todo o Egito, e invadiram todo o território egípcio em tão grande quantidade como nunca houve nem haverá jamais invasão semelhante:
15. eles cobriram toda a superfície do solo em todo o país, de modo que a terra se escureceu. Devoraram toda a verdura da terra e todos os frutos das árvores que tinha poupado o granizo. Nada de verde ficou nas árvores, nem nas plantas do campo, em toda a extensão do Egito.
16. O rei mandou imediatamente chamar Moisés e Aarão e disse-lhes: “Pequei contra o Senhor, vosso Deus, e contra vós.
17. Mas perdoa ainda esta vez o meu pecado, e roga ao Senhor, vosso Deus, que afaste ao menos de mim este flagelo mortal.”
18. Moisés saiu da casa do faraó e intercedeu junto ao Senhor.
19. O Senhor fez soprar do ocidente um vento fortíssimo que levou os gafanhotos e os precipitou no mar Vermelho, sem que ficasse um só em todo o território do Egito.
20. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, que não deixou partir os israelitas.
21. O Senhor disse a Moisés: “Estende a mão para o céu, e que se formem sobre todo o Egito trevas (tão espessas) que se possam apalpar.”
22. Moisés estendeu a mão para o céu, e durante três dias espessas trevas cobriram todo o Egito.
23. Durante esses três dias, não se via um ao outro, e ninguém se levantou do lugar onde estava. Ao passo que todos os israelitas tinham luz nos lugares onde habitavam.
24. O faraó mandou chamar Moisés e disse-lhe: “Ide fazer vossas devoções ao Senhor. Somente vossas ovelhas e vossos bois ficarão neste lugar; podeis levar convosco vossos filhinhos.”
25. Moisés respondeu: “Tu mesmo nos porás nas mãos o que precisamos para oferecermos sacrifícios e holocaustos ao Senhor, nosso Deus.
26. Além disso, nossos animais virão conosco; nem uma unha ficará, porque é deles que devemos tomar o que precisamos para fazer nosso culto ao Senhor, nosso Deus. Enquanto não tivermos chegado lá, não sabemos de que nos serviremos para prestar nosso culto ao Senhor.”
27. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, que não quis deixá-los partir.
28. O faraó disse a Moisés: “Fora de minha casa! Guarda-te de me rever, porque no dia em que vires o meu rosto morrerás!”
29. “Tu o disseste, replicou Moisés, já não verei o teu rosto.”

 
Capítulo 11

1. O Senhor disse a Moisés: “Mandarei ainda uma outra praga sobre o faraó e sobre o Egito, e em conseqüência dela vos deixará partir daqui. Quando vos deixar partir, será definitivamente, será mesmo expulsando-vos daqui.
2. Dirás ao povo que cada homem peça ao seu vizinho, cada mulher à sua vizinha, objetos de prata e de ouro”.
3. O Senhor fez que o povo ganhasse o favor dos egípcios. Moisés mesmo era muito considerado no Egito pelos servos do faraó e por todo o povo.
4. Moisés disse: “Eis o que diz o Senhor: pela meia-noite passarei através do Egito,
5. e morrerá todo primogênito na terra do Egito, desde o primogênito do faraó, que deveria assentar-se no seu trono, até o primogênito do escravo que faz girar a mó, assim como todo primogênito dos animais.
6. Haverá em toda a terra do Egito um clamor tal como nunca houve nem haverá jamais.
7. Quanto aos israelitas, porém, desde os homens até os animais, ninguém, nem mesmo um cão moverá a sua língua. Sabereis assim como o Senhor fez distinção entre os egípcios e os israelitas.
8. Então todos esses teus servos virão procurar-me e prostrar-se-ão diante de mim, dizendo: vai-te, tu e todo o povo que te acompanha! E depois disso partirei”. Moisés, grandemente irado, saiu da casa do faraó.
9. O Senhor disse a Moisés: “o faraó não vos ouvirá, a fim de que meus prodígios se multipliquem no Egito”.
10. Moisés e Aarão tinham operado todos esses prodígios em presença do faraó. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, que não permitiu aos israelitas partirem de sua terra.

 
Capítulo 12

1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
2. “Este mês será para vós o princípio dos meses: tê-lo-eis como o primeiro mês do ano.
3. Dizei a toda a assembléia de Israel: no décimo dia deste mês cada um de vós tome um cordeiro por família, um cordeiro por casa.
4. Se a família for pequena demais para um cordeiro, então o tomará em comum com seu vizinho mais próximo, segundo o número das pessoas, calculando-se o que cada um pode comer.
5. O animal será sem defeito, macho, de um ano; podereis tomar tanto um cordeiro como um cabrito.
6. E o guardareis até o décimo quarto dia deste mês; então toda a assembléia de Israel o imolará no crepúsculo.
7. Tomarão do seu sangue e pô-lo-ão sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta das casas em que o comerem.
8. Naquela noite comerão a carne assada no fogo com pães sem fermento e ervas amargas.
9. Nada comereis dele que seja cru, ou cozido, mas será assado no fogo completamente com a cabeça, as pernas e as entranhas.
10. Nada deixareis dele até pela manhã; se sobrar alguma coisa, queimá-la-eis no fogo.
11. Eis a maneira como o comereis: tereis cingidos os vossos rins, vossas sandálias nos pés e vosso cajado na mão. Comê-lo-eis apressadamente: é a Páscoa do Senhor.
12. “Naquela noite, passarei através do Egito, e ferirei os primogênitos no Egito, tanto os dos homens como os dos animais, e exercerei minha justiça contra todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor.
13. O sangue sobre as casas em que habitais vos servirá de sinal (de proteção): vendo o sangue, passarei adiante, e não sereis atingidos pelo flagelo destruidor, quando eu ferir o Egito.
14. Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o com uma festa em honra do Senhor: fareis isso de geração em geração, pois é uma instituição perpétua.
15. “Comereis pão sem fermento durante sete dias. Logo ao primeiro dia tirareis de vossas casas o fermento, pois todo o que comer pão fermentado, desde o primeiro dia até o sétimo, será cortado de Israel.
16. No primeiro dia, assim como no sétimo, tereis uma santa assembléia. Durante esses dias não se fará trabalho algum, exceto a preparação da comida para todos.
17. Guardareis (a festa) dos ázimos, porque foi naquele dia que tirei do Egito vossos exércitos. Guardareis aquele dia de geração em geração: é uma instituição perpétua.
18. No primeiro mês, desde a tarde do décimo quarto dia do mês até a tarde do vigésimo primeiro, comereis pães sem fermento.
19. Durante sete dias não haverá fermento em vossas casas: se alguém comer pão fermentado, será cortado da assembléia de Israel, quer se trate de estrangeiro ou natural do país.
20. Não comereis pão fermentado: em todas as vossas casas comereis ázimos”.
21. Moisés convocou todos os anciãos de Israel e disse-lhes: “Ide e escolhei um cordeiro por família, e imolai a Páscoa.
22. Depois disso, tomareis um feixe de hissopo, ensopá-lo-eis no sangue que estiver na bacia e aspergireis com esse sangue a verga e as duas ombreiras da porta. Nenhum de vós transporá o limiar de sua casa até pela manhã.
23. Quando o Senhor passar para ferir o Egito, vendo o sangue sobre a verga e sobre as duas ombreiras da porta, passará adiante e não permitirá ao destruidor entrar em vossas casas para ferir.
24. Observareis esse costume como uma instituição perpétua para vós e vossos filhos.
25. Quando tiverdes penetrado na terra que o Senhor vos dará, como prometeu, observareis esse rito.
26. E quando vossos filhos vos disserem: que significa esse rito? respondereis:
27. é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas.” O povo inclinou-se e prostrou-se.
28. Em seguida, retiraram-se os israelitas para fazerem o que o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Aarão. Assim o fizeram.
29. Pelo meio da noite, o Senhor feriu todos os primogênitos no Egito, desde o primogênito do faraó, que devia assentar-se no trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais.
30. O faraó levantou-se durante a noite, assim como todos os seus servos e todos os egípcios e fez-se um grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto.
31. Naquela mesma noite, o rei mandou chamar Moisés e Aarão e disse-lhes: “Ide! Saí do meio do meu povo, vós e os israelitas. Ide prestar um culto ao Senhor, como o dissestes.
32. Tomai vossas ovelhas e vossos bois, como o pedistes. Ide e abençoai-me”.
33. Os egípcios instavam com o povo para que saísse o quanto antes do país. “Vamos morrer todos”, diziam eles.
34. O povo tomou a sua massa antes que fosse levedada; cada um carregava em seus ombros a cesta embrulhada em seu manto.
35. Os israelitas, segundo a ordem de Moisés, tinham pedido aos egípcios objetos de prata, objetos de ouro e vestes.
36. O Senhor lhes fizera ganhar o favor dos egípcios, que atenderam ao seu pedido. Foi assim que despojaram os egípcios.
37. Os israelitas partiram de Ramsés para Socot, em número de seiscentos mil homens, aproximadamente, sem contar os meninos.
38. Além disso, acompanhava-os uma numerosa multidão, bem como rebanhos consideráveis de ovelhas e de bois.
39. Cozeram bolos ázimos da massa que levaram do Egito, pois esta não se tinha fermentado, porque tinham sido lançados fora do país e não puderam deter-se nem fazer provisões.
40. A permanência dos israelitas no Egito durara quatrocentos e trinta anos.
41. Exatamente no fim desses quatrocentos e trinta anos, todos os exércitos do Senhor saíram do Egito:
42. Foi uma noite de vigília para o Senhor, a fim de tirá-los do Egito: essa mesma noite é uma vigília a ser celebrada de geração em geração por todos os israelitas, em honra do Senhor.
43. O Senhor disse a Moisés e a Aarão: “Eis a regra relativa à Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela;
44. todo escravo adquirido a preço de dinheiro, e que tiver sido circuncidado, comerá dela,
45. mas nem o estrangeiro nem o mercenário comerão dela.
46. O cordeiro será comido em uma mesma casa: tu não levarás nada de sua carne para fora da casa e não lhe quebrarás osso algum.
47. Toda a assembléia de Israel celebrará a Páscoa.
48. Se um estrangeiro, habitando em tua casa, quiser celebrar a Páscoa em honra do Senhor, que primeiro seja circuncidado todo varão de sua casa e somente depois poderá fazê-lo e será tratado com a mesma igualdade que o natural do país; mas nenhum incircunciso comerá a Páscoa.
49. Haverá uma mesma lei para o natural e o estrangeiro que peregrina entre vós”.
50. Todos os israelitas fizeram o que o Senhor havia ordenado a Moisés e a Aarão. Obedeceram-lhes.
51. Naquele mesmo dia, o Senhor fez sair do Egito os israelitas, como fileiras de um exército.

 
Capítulo 13

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Consagrar-me-ás todo primogênito entre os israelitas, tanto homem como animal: ele será meu.”
3. Moisés disse ao povo: “Conservareis a memória deste dia, em que saístes do Egito, da casa da servidão, porque foi pelo poder de sua mão que o Senhor vos fez sair deste lugar; não comereis pão fermentado.
4. Vós saís hoje do Egito, no mês das espigas.
5. Assim, pois, quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, dos hiteus, dos amorreus, dos heveus e dos jebuseus, que jurou a teus pais te dar, terra que mana leite e mel, observarás este rito neste mesmo mês.
6. Durante sete dias comerás pães sem fermento, e no sétimo dia haverá uma festa em honra do Senhor.
7. Comer-se-ão pães sem fermento durante sete dias. Não se verão em tua casa, em toda a extensão do território, nem pães fermentados nem fermento.
8. Explicarás então a teu filho: isso é em memória do que o Senhor fez por mim, quando saí do Egito.
9. Será isso para ti como um sinal sobre tua mão, como uma marca entre os teus olhos, a fim de que tenhas na boca a lei do Senhor, porque foi graças à sua poderosa mão que o Senhor te fez sair do Egito.
10. Observarás a cada ano essa prescrição no tempo prescrito.
11. “Quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, como ele jurou a ti e a teus pais, e te houver dado essa terra,
12. consagrarás ao Senhor todo primogênito; mesmo os primogênitos de teus animais, os machos, serão do Senhor.
13. Entretanto, resgatarás com um cordeiro todo primogênito do jumento; do contrário, quebrar-lhe-ás a nuca. Todo primogênito dos homens entre teus filhos, resgatá-lo-ás igualmente.
14. E, quando teu filho te perguntar um dia o que isso significa, dir-lhe-ás: é que o Senhor nos tirou do Egito com sua mão poderosa, da casa da servidão.
15. E, como o faraó se obstinasse em não nos deixar partir, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, desde os primogênitos dos homens até os dos animais. Eis por que sacrifico ao Senhor todos os primogênitos machos dos animais, e devo resgatar todo primogênito entre meus filhos.
16. Isso será como um sinal sobre tua mão e como uma marca entre teus olhos, porque foi pelo poder de sua mão que o Senhor nos tirou do Egito”.
17. Tendo o faraó deixado partir o povo, Deus não o conduziu pelo caminho da terra dos filisteus, que é, no entanto, o mais curto, pois disse: “Talvez o povo possa arrepender-se, no momento em que tiver de enfrentar um combate e voltar para o Egito”.
18. Por isso, Deus fez com que o povo desse uma volta pelo deserto, para o lado do mar Vermelho. Os israelitas partiram do Egito em boa ordem.
19. Moisés levou consigo os ossos de José, porque este fizera os filhos de Israel jurarem: “Quando Deus vos visitar, levareis daqui os meus ossos convosco”.
20. Tendo partido de Socot, acamparam em Etão, na extremidade do deserto.
21. O Senhor ia adiante deles: de dia numa coluna de nuvens para guiá-los pelo caminho; e de noite numa coluna de fogo para alumiá-los; de sorte que podiam marchar de dia e de noite.
22. Nunca a coluna de nuvens deixou de preceder o povo durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite.

 
Capítulo 14

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Dize aos israelitas que mudem de direção e venham acampar diante de Fiairot, entre Magdalum e o mar, defronte de Beelsefon: acampareis defronte desse lugar, perto do mar.
3. O faraó vai pensar: os israelitas perderam-se no país, e o deserto os encerrou.
4. Endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá; mas eu triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor.” Os israelitas obedeceram.
5. Quando se anunciou ao rei do Egito que o povo tinha fugido, o coração do faraó e de seus servos voltou-se contra o povo: “Que fizemos, disseram eles, deixando partir Israel e renunciando assim ao seu serviço!”
6. O faraó mandou preparar seu carro e levou com ele suas tropas.
7. Escolheu seiscentos carros dos melhores e todos os carros egípcios com homens de guerra em cada um deles.
8. O Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este se pôs a perseguir os filhos de Israel. Eles haviam partido de cabeça erguida.
9. Puseram-se os egípcios a persegui-los e alcançaram-nos em seu acampamento à beira do mar: todos os cavalos dos carros do faraó, seus cavaleiros e seu exército alcançaram-nos perto de Fiairot, defronte de Beelsefon.
10. Aproximando-se o faraó, os israelitas, ao levantarem os olhos, viram os egípcios que vinham ao seu encalço. Foram tomados de espanto e invocaram o Senhor, clamando em alta voz.
11. E disseram a Moisés: “Não havia, porventura, túmulos no Egito, para que nos conduzisses a morrer no deserto? Por que nos fizeste isso, tirando-nos do Egito?
12. Não te dizíamos no Egito: deixa-nos servir os egípcios! É melhor ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto.”
13. Moisés respondeu ao povo: “Não temais! Tende ânimo, e vereis a libertação que o Senhor vai operar hoje em vosso favor. Os egípcios que hoje vedes, não os tornareis a ver jamais.
14. O Senhor combaterá por vós; quanto a vós, nada tereis a fazer.”
15. O Senhor disse a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que se ponham a caminho.
16. E tu, levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e fere-o, para que os israelitas possam atravessá-lo a pé enxuto.
17. Vou endurecer o coração dos egípcios, para que se ponham ao teu encalço, e triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, seus carros e seus cavaleiros.
18. Os egípcios saberão que eu sou o Senhor quando tiver alcançado esse glorioso triunfo sobre o faraó, seus carros e seus cavaleiros.”
19. O anjo de Deus, que marchava à frente do exército dos israelitas, mudou de lugar e passou para trás; a coluna de nuvens que os precedia pôs-se detrás deles,
20. entre o acampamento dos egípcios e o de Israel. Era obscura, e alumiava a noite. E não puderam aproximar-se um do outro, durante a noite inteira.
21. Moisés estendeu a mão sobre o mar. O Senhor fê-lo recuar com um vento impetuoso vindo do oriente, que soprou toda a noite. E pôs o mar a seco. As águas dividiram-se
22. e os israelitas desceram a pé enxuto no meio do mar, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e à esquerda.
23. Os egípcios os perseguiram: todos os cavalos do faraó, seus carros e seus cavaleiros internaram-se após eles no leito do mar.
24. À vigília da manhã, o Senhor, do alto da coluna de fogo e da de nuvens, olhou para o acampamento dos egípcios e semeou o pânico no meio deles.
25. Embaraçou-lhes as rodas dos carros de tal sorte que, só dificilmente, conseguiam avançar. Disseram então os egípcios: “Fujamos diante de Israel, porque o Senhor combate por eles contra o Egito.”
26. O Senhor disse a Moisés: “Estende tua mão sobre o mar, e as águas voltar-se-ão sobre os egípcios, seus carros e seus cavaleiros.”
27. Moisés estendeu a mão sobre o mar, e este, ao romper da manhã, voltou ao seu nível habitual. Os egípcios que fugiam foram de encontro a ele, e o Senhor derribou os egípcios no meio do mar.
28. As águas voltaram e cobriram os carros, os cavaleiros e todo o exército do faraó que havia descido no mar ao encalço dos israelitas. Não ficou um sequer.
29. Mas os israelitas tinham andado a pé enxuto no leito do mar, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e à esquerda.
30. Foi assim que naquele dia o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios. E Israel viu os cadáveres dos egípcios na praia do mar.
31. Viu Israel o grande poder que o Senhor tinha exercido contra os egípcios. Por isso, o povo temeu o Senhor e confiou nele e em seu servo Moisés.

 
Capítulo 15

1. Então Moisés e os israelitas entoaram em honra do Senhor o seguinte cântico: “Cantarei ao Senhor, porque ele manifestou sua glória. Precipitou no mar cavalos e cavaleiros.
2. O Senhor é a minha força e o objeto do meu cântico; foi ele quem me salvou. Ele é o meu Deus – eu o celebrarei; o Deus de meu pai – eu o exaltarei.
3. O Senhor é o herói dos combates, seu nome é Javé.
4. Lançou no mar os carros do faraó e o seu exército; a elite de seus combatentes afogou-se no mar Vermelho;
5. o abismo os cobriu; afundaram-se nas águas como pedra.
6. A vossa (mão) direita, ó Senhor, manifestou sua força. Vossa direita aniquilou o inimigo.
7. Por vossa soberana majestade derrotais vossos adversários; desencadeais vossa cólera, e ela os consome como palha.
8. Ao sopro de vosso furor amontoaram-se as águas; levantaram-se as ondas como muralha, solidificaram-se as vagas no coração do mar.
9. Dizia o inimigo: perseguirei, alcançarei, repartirei o despojo, satisfarei meu desejo de vingança, desembainharei a espada, minha mão os destruirá.
10. Ao sopro de vosso hálito o mar os sepultou; submergiram como chumbo na vastidão das águas.
11. Quem entre os deuses é semelhante a vós, Senhor? Quem é semelhante a vós, glorioso por vossa santidade, temível por vossos feitos dignos de louvor, e que operais prodígios?
12. Apenas estendestes a mão, e a terra os tragou.
13. Conduzistes com bondade esse povo, que libertastes; e com vosso poder o guiastes à vossa morada santa.
14. Ao ouvir isso, estremeceram os povos. Um pavor imenso apoderou-se dos filisteus;
15. os chefes de Edom ficaram aterrados; a angústia tomou conta dos valentes de Moab; tremeram de medo todos os habitantes de Canaã.
16. Caíram sobre eles o terror e a angústia, o poder do vosso braço os petrificou, até que tivesse passado o vosso povo, Senhor até que tivesse passado o povo que adquiristes para vós.
17. Conduzi-lo-eis e o plantareis na montanha que vos pertence, no lugar que preparastes para vossa habitação, Senhor, no santuário, Senhor, que vossas mãos fundaram.
18. O Senhor é rei para sempre, sem fim!”
19. Os cavalos do faraó, com efeito, entraram no mar com seus carros e seus cavaleiros, e o Senhor os envolveu nas águas, enquanto os israelitas passaram a pé enxuto o leito do mar.
20. A profetisa Maria, irmã de Aarão, tomou seu tamborim na mão, e todas as mulheres seguiram-na dançando com tamborins.
21. Maria as acompanhava entoando: “Cantai ao Senhor, porque fez brilhar a sua glória, precipitou no mar cavalos e cavaleiros!”
22. Moisés fez partir os israelitas do mar Vermelho e os dirigiu para o deserto de Sur. Caminharam três dias no deserto, sem encontrar água.
23. Chegaram a Mara, onde não puderam beber de sua água, porque era amarga, de onde o nome de Mara que deram a esse lugar.
24. Então o povo murmurou contra Moisés: “Que havemos de beber?”
25. Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um madeiro que ele jogou na água. E esta tornou-se doce. Foi nesse lugar que o Senhor deu ao povo preceitos e leis, e ali o provou.
26. Disse-lhe: “Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto aos seus olhos, se inclinares os ouvidos às suas ordens e observares todas as suas leis, não mandarei sobre ti nenhum dos males com que acabrunhei o Egito, porque eu sou o Senhor que te cura.”
27. E chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali acamparam junto das águas.

 
Capítulo 16

1. Toda a assembléia dos israelitas partiu de Elim e foi para o deserto de Sin, situado entre Elim e o Sinai. Era o décimo quinto dia do segundo mês após sua saída do Egito.
2. Toda a assembléia dos israelitas pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão no deserto.
3. Disseram-lhes: “Oxalá tivéssemos sido mortos pela mão do Senhor no Egito, quando nos assentávamos diante das panelas de carne e tínhamos pão em abundância! Vós nos conduzistes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão.”
4. O Senhor disse a Moisés: “Vou fazer chover pão do alto do céu. Sairá o povo e colherá diariamente a porção de cada dia. Pô-lo-ei desse modo à prova, para ver se andará ou não segundo minhas ordens.
5. No sexto dia, quando prepararem o que tiverem ajuntado haverá o dobro do que recolhem cada dia.”
6. Moisés e Aarão disseram a todos os israelitas: “Esta tarde, sabereis que foi o Senhor quem vos tirou do Egito,
7. e amanhã pela manhã vereis a sua glória, porque ele ouviu as vossas murmurações contra ele. Nós, porém, quem somos nós para que murmureis contra nós?”
8. Moisés disse: “Isso acontecerá quando o Senhor vos der, esta tarde, carne para comerdes e, amanhã pela manhã, pão em abundância, porque ele ouviu as murmurações que proferistes contra ele. Nós, porém, quem somos? Não é contra nós que murmurastes, mas contra o Senhor.”
9. Moisés disse a Aarão: “Dize a toda a assembléia dos israelitas: apresentai-vos diante do Senhor, porque ele ouviu vossas murmurações”.
10. Enquanto Aarão falava a toda a assembléia dos israelitas, olharam para o deserto e eis que apareceu na nuvem a glória do Senhor!
11. E o Senhor disse a Moisés:
12. “Ouvi as murmurações dos israelitas. Dize-lhes: esta tarde, antes que escureça, comereis carne e, amanhã de manhã, vos fartareis de pão; e sabereis que sou o Senhor, vosso Deus”.
13. À tarde, com efeito, subiram codornizes (do horizonte) e cobriram o acampamento; e, no dia seguinte pela manhã, havia uma camada de orvalho em torno de todo o acampamento.
14. E, tendo evaporado esse orvalho, eis que sobre a superfície do deserto estava uma coisa miúda, granulosa, miúda como a geada sobre a terra!
15. Vendo isso, disseram os filhos de Israel uns aos outros: “Que é isso?”, pois não sabiam o que era. Moisés disse-lhes: “Este é o pão que o Senhor vos manda para comer.
16. Eis o que vos ordena o Senhor: ajunte cada um o quanto lhe for necessário para comer; para aqueles que estão em sua tenda, um gomor por cabeça, segundo o número das pessoas.”
17. Assim fizeram os israelitas: ajuntaram uns mais, outros menos.
18. Mas, quando se media com o gomor, aconteceu que o que tinha ajuntado muito não tinha demais e, ao que tinha ajuntado pouco, não lhe faltava: cada um havia recolhido segundo a sua necessidade.
19. Moisés disse-lhes: “Ninguém reserve dele para o dia seguinte.”
20. Alguns não o ouviram e guardaram dele até pela manhã; mas criou vermes e cheirou mal. Moisés irritou-se contra eles.
21. Todas as manhãs fizeram a sua provisão, cada um segundo suas necessidades. E, quando vinha o calor do sol, derretia-se.
22. No sexto dia, recolheram uma dupla quantidade de alimento, dois gomores para cada um. Vieram todos os chefes da assembléia e contaram-no a Moisés.
23. Este lhes disse: “É isso o que o Senhor ordenou. Amanhã é um dia de repouso, o sábado consagrado ao Senhor. Por isso, o que tendes a cozer no forno, cozei-o, e o que tendes a cozer em água, cozei-o; e o que sobrar, ponde-o de lado até pela manhã.”
24. Guardaram-no até o dia seguinte, segundo a ordem de Moisés; e não cheirou mal, nem se acharam vermes nele.
25. “Comei-o hoje, disse Moisés, porque é o dia do sábado do Senhor; hoje não o achareis no campo.
26. Durante seis dias o ajuntareis; mas o sétimo é o sábado: nele não haverá.
27. (No sétimo dia alguns saíram para fazer sua provisão, mas nada encontraram.
28. Então o Senhor disse a Moisés: ‘Até quando vos recusareis a observar meus mandamentos e minhas leis?’)
29. Considerai que, se o Senhor vos deu o sábado, vos dá ele no sexto dia alimento para dois dias. Fique cada um onde está, e ninguém saia de sua habitação no sétimo dia”.
30. Assim o povo repousou no sétimo dia.
31. Os israelitas deram a esse alimento o nome de maná. Assemelhava-se à semente de coentro: era branco e tinha o sabor de uma torta de mel.
32. Moisés disse: “Eis o que ordena o Senhor: que se encha dele um gomor para ser conservado para vossas gerações futuras, a fim de que vejam o pão com que vos sustentei no deserto, depois de vos ter tirado do Egito”.
33. E Moisés disse a Aarão: “Toma uma vasilha e põe nela a quantia de um gomor de maná, e deposita-o diante do Senhor, a fim de conservá-lo para vossos descendentes”.
34. Aarão, segundo a ordem do Senhor a Moisés, depositou-o diante do Testemunho para ser conservado.
35. Os israelitas comeram o maná durante quarenta anos, até a sua chegada a uma terra habitada. Comeram o maná até que chegaram aos confins da terra de Canaã.
36. (O gomor é a décima parte do efá.)

 
Capítulo 17

1. Segundo uma ordem do Senhor, toda a assembléia dos israelitas partiu, por etapas, do deserto de Sin. Acamparam em Rafidim, onde não havia água para o povo beber.
2. E vieram então contender com Moisés: “Dá-nos água para beber” disseram eles. Moisés respondeu-lhes: “Por que procurais contendas comigo? Por que provocais o Senhor?”
3. Entretanto, o povo que ali estava privado de água e devorado pela sede, murmurava contra Moisés: “Por que nos fizeste sair do Egito? Para nos fazer morrer de sede com nossos filhinhos e nossos rebanhos?”
4. Então dirigiu Moisés esta prece ao Senhor: “Que farei a este povo? Mais um pouco e irão apedrejar-me.”
5. O Senhor respondeu a Moisés: “Passa adiante do povo, e leva contigo alguns dos anciãos de Israel; toma na mão tua vara, com que feriste o Nilo, e vai.
6. Eis que estarei ali diante de ti, sobre o rochedo do monte Horeb ferirás o rochedo e a água jorrará dele: assim o povo poderá beber.” Isso fez Moisés em presença dos anciãos de Israel.
7. Chamaram esse lugar Massá e Meribá, por causa da contenda que os israelitas tiveram com ele, e porque tinham provocado o Senhor, dizendo: “O Senhor está ou não no meio de nós?”
8. Amalec veio atacar Israel em Rafidim.
9. Moisés disse a Josué: “Escolhe-nos homens e vai combater Amalec. Amanhã estarei no alto da colina com a vara de Deus na mão.”
10. Josué obedeceu Moisés e foi combater Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiam ao alto da colina.
11. E, quando Moisés tinha a mão levantada, Israel vencia, mas logo que a abaixava, Amalec triunfava.
12. Mas como se fatigassem os braços de Moisés, puseram-lhe uma pedra por baixo e ele assentou-se nela, enquanto Aarão e Hur lhe sustentavam as mãos de cada lado: suas mãos puderam assim conservar-se levantadas até o pôr-do-sol,
13. e Josué derrotou Amalec e seu povo ao fio da espada.
14. O Senhor disse a Moisés: “Escreve isto para lembrar, e dize a Josué que eu apagarei a memória de Amalec de debaixo dos céus”.
15. Moisés construiu um altar que chamou de Javé-Nessi.
16. “Já que a mão, disse ele, foi levantada contra o trono do Senhor, o Senhor está em guerra perpétua contra Amalec”.

 
Capítulo 18

1. Jetro, sacerdote de Madiã, sogro de Moisés, soube de tudo o que Deus tinha feito por Moisés e por Israel, seu povo; e soube que o Senhor tinha feito sair Israel do Egito.
2. Jetro, sogro de Moisés, tomou consigo Séfora, mulher de Moisés, que tinha sido mandada para casa,
3. assim como seus dois filhos, dos quais um se chamava Gerson, porque Moisés tinha dito: “Sou um peregrino em uma terra estrangeira.”
4. e o outro chamava-se Eliezer, porque ele tinha dito: “O Deus de meu pai socorreu-me e fez-me escapar à espada do faraó.”
5. Jetro, sogro de Moisés, com os dois filhos e a mulher deste, veio procurá-lo no deserto, onde estava acampado, perto da montanha de Deus.
6. E mandou-lhe dizer: “Teu sogro Jetro vem te ver, acompanhado de tua mulher e de teus dois filhos”.
7. Moisés saiu ao encontro de seu sogro, prostrou-se e beijou-o. Informaram-se mutuamente sobre a sua saúde e entraram na tenda.
8. Moisés contou ao seu sogro tudo o que o Senhor tinha feito ao faraó e aos egípcios por causa de Israel, todas as tribulações que lhes tinham sobrevindo no caminho, e das quais o Senhor os livrara.
9. Jetro alegrou-se com todo o bem que o Senhor tinha feito aos israelitas, livrando-os da mão dos egípcios.
10. “Bendito seja o Senhor, disse Jetro, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão do faraó; que livrou o povo da mão dos egípcios!
11. Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses, porque o demonstrou quando (seu povo) era tiranizado”.
12. Em seguida Jetro, sogro de Moisés, ofereceu a Deus um holocausto e sacrifícios. Aarão e todos os anciãos de Israel vieram ter com o sogro de Moisés para tomar parte no banquete em presença de Deus.
13. No dia seguinte, Moisés assentou-se para fazer justiça ao povo, que se conservou de pé diante dele desde a manhã até a tarde.
14. O sogro de Moisés, vendo todo o trabalho a que ele se dava pelo povo, disse-lhe: “Que é isso que fazes com o povo? Por que te sentas só no tribunal com toda essa gente que se conserva em torno de ti da manhã à tarde?”
15. “É que, respondeu Moisés, o povo vem a mim para consultar Deus.
16. Quando têm alguma questão, vêm procurar-me para que eu julgue entre eles, fazendo-lhes saber as ordens de Deus e suas leis”.
17. O sogro de Moisés disse-lhe: “Não está certo o que fazes!
18. Tu te esgotarás seguramente, assim como todo esse povo que está contigo, porque o fardo é pesado demais para ti, e não poderás levá-lo sozinho.
19. Escuta-me: vou dar-te um conselho, e que Deus esteja contigo! Tu serás o representante do povo junto de Deus, e levarás as questões diante de Deus:
20. ensinar-lhes-ás suas ordens e suas leis, e lhes mostrarás o caminho a seguir e como terão de comportar-se.
21. Mas escolherás do meio do povo homens prudentes, tementes a Deus, íntegros, desinteressados, e os porás à frente do povo, como chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dezenas.
22. Eles julgarão o povo todo o tempo. Levarão a ti as causas importantes, mas resolverão por si mesmos as causas de menor importância. Assim aliviarão a tua carga, levando-a consigo.
23. Se fizeres isso, e Deus o ordenar, poderás dar conta do trabalho, e toda esta gente voltará em paz para suas habitações.
24. Moisés ouviu o conselho de seu sogro e fez tudo o que ele lhe tinha dito.
25. Escolheu em todo o Israel homens prudentes e os pôs à frente do povo como chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dezenas.
26. Eles julgavam o povo todo o tempo, levando diante de Moisés as questões difíceis e resolvendo por si mesmos os litígios menores.
27. Depois disso, Moisés despediu-se de seu sogro, e este voltou para sua terra.

 
Capítulo 19

1. No terceiro mês depois de sua saída do Egito, naquele dia, os israelitas entraram no deserto do Sinai.
2. Tendo partido de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Ali se estabeleceu Israel em frente ao monte.
3. Moisés subiu em direção a Deus, e o Senhor o chamou do alto da montanha nestes termos: “Eis o que dirás à família de Jacó, eis o que anunciarás aos filhos de Israel:
4. vistes o que fiz aos egípcios, e como vos tenho trazido sobre asas de águia para junto de mim.
5. Agora, pois, se obedecerdes à minha voz, e guardardes minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha,
6. mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada. Tais são as palavras que dirás aos israelitas.”
7. Veio Moisés e, convocando os anciãos do povo, comunicou-lhes as palavras que o Senhor lhe ordenara repetir.
8. E todo o povo respondeu a uma voz: “Faremos tudo o que o Senhor disse.” Moisés referiu ao Senhor as palavras do povo.
9. Então o Senhor lhe disse: “Eis que me vou aproximar de ti na obscuridade de uma nuvem, a fim de que o povo ouça quando eu te falar, e para que também confie em ti para sempre.” E Moisés referiu as palavras do povo ao Senhor,
10. o qual lhe disse: “Vai ter com o povo, e santifica-o hoje e amanhã. Que lavem as suas vestes
11. e estejam prontos para o terceiro dia, porque, depois de amanhã, o Senhor descerá à vista de todo o povo sobre o monte Sinai.
12. Fixarás ao redor limites ao povo, e dir-lhe-ás: guardai-vos de subir o monte ou de tocar a sua base! Se alguém tocar o monte, será morto.
13. Não se lhe tocará com a mão, mas ele será apedrejado ou perecerá pelas flechas: homem ou animal, não ficará vivo. Quando soar a trombeta, (somente então) subirão eles ao monte”.
14. Moisés desceu do monte para junto do povo e o santificou; e lavaram as suas vestes.
15. Em seguida, disse-lhes: “Estai prontos para depois de amanhã, não vos aproximeis de mulher alguma”.
16. Na manhã do terceiro dia, houve um estrondo de trovões e de relâmpagos; uma espessa nuvem cobria a montanha e o som da trombeta soou com força. Toda a multidão que estava no acampamento tremia.
17. Moisés levou o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus, e pararam ao pé do monte.
18. Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor tinha descido sobre ele no meio de chamas; o fumo que subia do monte era como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia com violência.
19. O som da trombeta soava ainda mais forte; Moisés falava e os trovões divinos respondiam-lhe.
20. O Senhor desceu sobre o cume do monte Sinai; e chamou Moisés ao cume do monte. Moisés subiu,
21. e o Senhor lhe disse: “Desce e proíbe expressamente o povo de precipitar-se para ver o Senhor, para que não morra um grande número deles.
22. Também os sacerdotes, que são autorizados e se aproximar do Senhor, santifiquem-se, para que o Senhor não os fira.”
23. Moisés respondeu ao Senhor: “O povo não poderia subir o monte Sinai, pois vós no-lo ordenastes expressamente, dizendo: fixa limites ao redor do monte, e declara-o sagrado.”
24. “Vai, disse-lhe o Senhor, desce. Subirás em seguida com Aarão; porém, não ultrapassem os limites os sacerdotes e o povo ao subir junto do Senhor, para não acontecer que ele os fira.”
25. Moisés desceu então ao povo e falou-lhe.

 
Capítulo 20

1. Então Deus pronunciou todas estas palavras:
2. “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão.
3. Não terás outros deuses diante de minha face.
4. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.
5. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam,
6. mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
7. “Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.
8. Lembra-te de santificar o dia de sábado.
9. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra.
10. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros.
11. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.
12. Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus.
13. Não matarás.
14. Não cometerás adultério.
15. Não furtarás.
16. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
17. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.”
18. Diante dos trovões, das chamas, da voz da trombeta e do monte que fumegava, o povo tremia e conservava-se à distância.
19. E disseram a Moisés: “Fala-nos tu mesmo, e te ouviremos; mas não nos fale Deus, para que não morramos.”
20. Moisés respondeu-lhes: “Não temais, porque é para vos provar que Deus veio e para que o seu temor, sempre presente aos vossos olhos, vos preserve de pecar”.
21. E o povo conservou-se à distância, enquanto Moisés se aproximava da nuvem onde se encontrava Deus.
22. O Senhor disse a Moisés: “Eis o que dirás aos israelitas: vistes que vos falei dos céus.
23. Não fareis deuses de prata, nem deuses de ouro para pôr ao meu lado.
24. Tu me levantarás um altar de terra, sobre o qual oferecerás teus holocaustos e teus sacrifícios pacíficos, tuas ovelhas e teus bois. Em todo lugar onde eu fizer recordar o meu nome, virei a ti para te abençoar.
25. Se me levantares um altar de pedra, não o construirás de pedras talhadas, pois levantando o cinzel sobre a pedra, tê-la-ás profanado.
26. Não subirás ao meu altar por degraus, para que se não descubra a tua nudez.”

 
Capítulo 21

1. “Estas são as leis que exporás (aos israelitas):
2. quando comprares um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo sairá livre, sem pagar nada.
3. Se entrou sozinho, sozinho sairá; se tiver mulher, sua mulher partirá com ele.
4. Mas, se foi o seu senhor que lhe deu uma mulher, e esta deu à luz filhos e filhas, a mulher e seus filhos serão propriedade do senhor, e ele partirá sozinho.
5. Porém, se o escravo disser: ‘Eu amo meu senhor, minha mulher e meus filhos; não quero ser alforriado’,
6. seu senhor o levará então diante de Deus e o fará aproximar-se do batente ou da ombreira da porta, e furar-lhe-á a orelha com uma sovela; desta sorte o escravo estará para sempre a seu serviço.
7. Se um homem tiver vendido sua filha para ser escrava, ela não sairá em liberdade nas mesmas condições que o escravo.
8. Se desagradar ao seu senhor, que a havia destinado para si, ele a fará resgatar; mas não poderá vendê-la a estrangeiros depois de lhe ter sido infiel.
9. Se a destinar ao seu filho, tratá-la-á segundo o direito das filhas.
10. Se tomar outra mulher, não diminuirá nada à primeira, quanto à alimentação, aos vestidos e ao direito conjugal.
11. Se lhe recusar uma destas três coisas, ela poderá partir livre, gratuitamente, sem pagar nada.”
12. “Aquele que ferir mortalmente um homem, será morto.
13. Porém, se nada premeditou, e Deus o fez cair em suas mãos, eu lhe fixarei um lugar onde possa refugiar-se.
14. Mas, se alguém, por maldade, armar ciladas para matar o seu próximo, tirá-lo-ás até mesmo do meu altar, para matá-lo.
15. Aquele que ferir seu pai ou sua mãe, será morto.
16. Aquele que furtar um homem, e o tiver vendido, ou se este for encontrado em suas mãos, será morto.
17. Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe, será punido de morte.
18. Quando, em uma contenda entre dois homens, um dos dois ferir o outro com uma pedra ou com o punho, sem matá-lo, mas o obrigar a ficar de cama,
19. aquele que feriu não será punido, se o outro se levantar e puder passear fora com seu bastão. Mas indenizá-lo-á pelo tempo que perdeu e os remédios que gastou.
20. Se um homem ferir seu escravo ou sua escrava com um bastão, de modo que ele morra sob sua mão, será punido.
21. Se o escravo, porém, sobreviver um dia ou dois, não será punido, porque ele é propriedade do seu senhor.
22. Se homens brigarem, e acontecer que venham a ferir uma mulher grávida, e esta der à luz sem nenhum dano, eles serão passíveis de uma indenização imposta pelo marido da mulher, e que pagarão diante dos juízes.
23. Mas, se houver outros danos, urge dar vida por vida,
24. olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé,
25. queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.
26. Se um homem, ferindo seu escravo ou sua escrava, atinge-lhe o olho e o faz perdê-lo, deixá-lo-á ir livre em compensação de seu olho.
27. E, se lhe deitar fora um dente, deixá-lo-á ir livre em compensação do dente.
28. Se um boi ferir mortalmente um homem ou uma mulher com as pontas dos chifres, será apedrejado e não se comerá a sua carne; mas o dono do boi não será punido.
29. Porém, se o boi era já acostumado a dar chifradas, e o dono, tendo sido avisado, não o vigiou, o boi será apedrejado, se matar um homem ou uma mulher, e seu dono também morrerá.
30. Se, para resgatar sua vida, lhe for imposta uma quitação, ele deverá dar todo o preço que lhe tiver sido imposto.
31. Se o boi ferir um filho ou uma filha, aplicar-se-á a mesma lei.
32. Mas, se ferir um escravo ou uma escrava, pagar-se-á ao seu senhor trinta siclos de prata, e o boi será apedrejado.
33. Se alguém deixar uma cisterna aberta ou cavar uma sem cobri-la, e nela cair um boi ou um jumento, o proprietário da cisterna pagará uma indenização:
34. reembolsará em dinheiro o proprietário do animal morto, e este será seu.
35. Se o boi de alguém der uma chifrada no boi de um outro, e este vier a morrer, venderão o boi vivo e repartirão o valor: repartirão igualmente o boi morto.
36. Mas, se o boi era já acostumado a dar chifradas, seu dono, que não o vigiou, pagará boi por boi, e receberá o animal morto.”

 
Capítulo 22

1. “Se um homem furtar um boi ou um carneiro, e o matar ou vender, pagará cinco bois pelo boi, e quatro carneiros pelo carneiro.
2. (Se o ladrão, surpreendido de noite em flagrante delito de arrombamento, for ferido de morte, não haverá homicídio;
3. mas se o sol já se tiver levantado, haverá homicídio.) Ele fará a restituição: se não tiver nada, será vendido em compensação do seu roubo.
4. Se o que ele roubou, boi, jumento ou ovelha, estiver ainda vivo em suas mãos, restituirá o dobro.
5. Se um homem fizer estragos num campo ou numa vinha, ou deixar seus animais pastarem no campo de outro, compensará o dano com o melhor de seu campo e de sua vinha.
6. Se um fogo se acender, alastrar-se pelos espinheiros e consumir o trigo enfeixado ou de pé, ou então todo o campo, o autor do incêndio indenizará (os danos).
7. Se um homem confiar dinheiro ou objetos à guarda de outro, e estes forem roubados na casa deste último, o ladrão, uma vez descoberto, restituirá o dobro.
8. Se o ladrão não for descoberto, o dono da casa apresentar-se-á diante de Deus (para jurar) que ele não pôs a mão sobre os bens do seu próximo.
9. Em toda questão fraudulenta, quer se trate de um boi, de um jumento, de uma ovelha, de uma veste, quer se trate de qualquer outro objeto perdido, do qual se dirá: esta é a coisa, o litígio entre as duas partes irá diante de Deus, e aquele que Deus declarar culpado restituirá o dobro ao seu próximo.
10. Se um homem confiar à guarda de outro um boi, uma ovelha ou um animal qualquer, e este morrer, ou quebrar um membro, ou for roubado sem que haja testemunha,
11. o juramento do Senhor intervirá entre as duas partes para que se saiba se o responsável pela guarda do animal não pôs a mão sobre o bem do seu próximo. O proprietário aceitará esse juramento, sem que haja restituição.
12. Se o animal foi roubado de sua casa, ele indenizará o proprietário.
13. Se foi dilacerado (por uma fera), trá-la-á como testemunho e não terá de pagar pelo animal dilacerado.
14. Se um homem emprestar a outro um animal, e este quebrar um membro ou morrer na ausência do seu proprietário, terá de haver indenização.
15. Se o proprietário estiver presente, não haverá indenização. Se o animal tiver sido alugado, o preço do aluguel bastará.”
16. “Se um homem seduzir uma virgem que não é noiva, e dormir com ela, pagará o seu dote e a desposará.
17. Se o pai recusar ceder-lha, pagará em dinheiro o valor do dote das virgens.
18. Não deixarás viver uma feiticeira.
19. Quem tiver comércio com um animal, será morto.
20. Aquele que oferecer sacrifícios a outros deuses fora do Senhor, será votado ao interdito.
21. Não maltratarás o estrangeiro e não o oprimirás, porque foste estrangeiro no Egito.
22. Não prejudicareis a viúva e o órfão.
23. Se os prejudicardes, eles clamarão a mim e eu os ouvirei;
24. minha cólera se inflamará e vos farei perecer pela espada; vossas mulheres ficarão viúvas e vossos filhos, órfãos.
25. Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que está contigo, não lhe serás como um credor: não lhe exigirás juros.
26. Se tomares como penhor o manto de teu próximo, devolver-lho-ás antes do pôr-do-sol,
27. porque é a sua única cobertura, é a veste com que cobre sua nudez; com que dormirá ele? Se me invocasse, eu o ouviria, porque sou misericordioso.
28. Não amaldiçoarás Deus; não amaldiçoarás um príncipe de teu povo.
29. Não tardarás a oferecer-me as primícias de tua colheita e de tua vindima. Tu me darás o primogênito de teus filhos.
30. Da mesma forma, farás com o primogênito de tua vaca e de tua ovelha: ficará sete dias com sua mãe e no oitavo dia mo darás.
31. “Vós sereis para mim homens consagrados. Não comereis carne de um animal dilacerado no campo: jogá-lo-eis aos cães.

 
Capítulo 23

1. “Não levantarás um boato falso; não darás tua mão ao perverso para levantar um falso testemunho.
2. Não seguirás o mau exemplo da multidão. Não deporás num processo, metendo-te do lado da maioria de maneira a perverter a justiça.
3. Não favorecerás tampouco o pobre em seu processo.
4. Se encontrares o boi de teu inimigo ou o seu jumento desgarrado, tu lho reconduzirás.
5. Se vires o jumento de teu inimigo caindo sob a carga, guarda-te de passar adiante: ajuda-o a descarregar.
6. Não atentarás contra o direito do pobre em sua causa.
7. Abstém-te de toda palavra mentirosa. Não matarás o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado.
8. Não aceitarás presentes, porque os presentes cegam aqueles que vêem claro, e perdem as causas justas.
9. Não oprimirás o estrangeiro, pois conheceis o que sente o estrangeiro, vós que o fostes no Egito.
10. “Durante seis anos, semearás a terra e recolherás o produto.
11. Mas, no sétimo ano, a deixarás repousar em alqueive; os pobres de teu povo comerão o seu produto, e os animais selvagens comerão o resto. Farás o mesmo com a tua vinha e o teu olival.
12. Durante seis dias, farás o teu trabalho, mas no sétimo descansarás, para que descansem o teu boi e o teu jumento, e respirem o filho de tua escrava e o estrangeiro.
13. Observareis tudo o que vos disse: não pronunciareis o nome de outros deuses, e não se o ouvirá sair de vossa boca.
14. Três vezes por ano celebrarás uma festa em minha honra.
15. Observarás a festa dos Ázimos: durante sete dias, no mês das espigas, como o fixei, comerás pães sem fermento (foi nesse mês que saíste do Egito). Não se apresentará ninguém diante de mim com as mãos vazias.
16. Depois haverá a festa da Ceifa, das primícias do teu trabalho, do que semeaste nos campos; e a festa da Colheita, no fim do ano, quando recolheres nos campos os frutos do teu trabalho.
17. Três vezes por ano, todo indivíduo do sexo masculino se apresentará diante do Senhor Javé.
18. Quando me sacrificares uma vítima, não oferecerás o seu sangue com pão fermentado; e a gordura de minha festa não será guardada a noite toda até a manhã do dia seguinte.
19. Trarás à casa do Senhor, teu Deus, as primícias dos primeiros produtos de tua terra. Não cozerás um cabrito no leite de sua mãe.”
20. “Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei.
21. Está de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz. Não lhe resistas, pois ele não te perdoaria tua falta, porque meu nome está nele.
22. Mas, se lhe obedeceres pontualmente, se fizeres tudo o que eu te disser, serei o inimigo dos teus inimigos, e o adversário dos teus adversários.
23. Porque meu anjo marchará adiante de ti e te conduzirá entre os amorreus, os hiteus, os ferezeus, os cananeus, os heveus e os jebuseus, que exterminarei.
24. Não adorarás os seus deuses, não lhes prestarás culto, imitando as práticas (desses povos), mas derrubarás os seus deuses e farás em pedaços as suas estelas.
25. Prestarás culto ao Senhor, teu Deus, que abençoará teu pão e tua água, e te preservarei da enfermidade.
26. Não haverá em tua terra nem mulher que aborta nem mulher estéril. Completarei o número dos teus dias.
27. Enviarei diante de ti o meu terror, e semearei o pânico em todos os povos entre os quais chegares e porei todos os teus inimigos em fuga diante de ti.
28. Mandarei vespas diante de ti que expulsarão para longe de tua face os heveus, os cananeus, os hiteus.
29. Não os expulsarei em um só ano, para que a terra não se torne um deserto e se multipliquem contra ti as feras do campo.
30. Expulsá-los-ei progressivamente diante de ti até que te tenhas multiplicado bastante para ocupar o país.
31. Os limites que te fixei vão do mar Vermelho ao mar dos filisteus, e desde o deserto até o Eufrates. Porque entregarei em tuas mãos os habitantes dessa terra, e expulsá-los-ei de diante de ti.
32. Não farás aliança nem com eles nem com seus deuses.
33. Eles não residirão na tua terra, para que não te façam pecar contra mim, e para que, prestando um culto aos seus deuses, não sejas preso no laço.”

 
Capítulo 24

1. Deus disse a Moisés: “Sobe para o Senhor, com Aarão, Nadab e Abiú e setenta anciãos de Israel, e prostrai-vos à distância.
2. Só Moisés se aproximará do Senhor, e não os outros, e o povo não subirá com ele.”
3. Moisés veio referir ao povo todas as palavras do Senhor, e todas as suas leis; e o povo inteiro respondeu a uma voz: “Faremos tudo o que o Senhor disse.”
4. E Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, de manhã, edificou um altar ao pé da montanha e levantou doze estelas para as doze tribos de Israel.
5. Enviou jovens dentre os israelitas, os quais ofereceram holocaustos e sacrifícios ao Senhor e imolaram touros em sacrifícios pacíficos.
6. Moisés tomou a metade do sangue para metê-lo em bacias, e derramou a outra metade sobre o altar.
7. Tomou o livro da aliança e o leu ao povo, que respondeu: “Faremos tudo o que o Senhor disse e seremos obedientes.”
8. Moisés tomou o sangue para aspergir com ele o povo: “Eis, disse ele, o sangue da aliança que o Senhor fez convosco, conforme tudo o que foi dito.”
9. Moisés subiu, com Aarão, Nadab e Abiú, e setenta anciãos de Israel.
10. Eles viram o Deus de Israel. Sob os seus pés havia como um lajeado de safiras transparentes, tão límpido como o próprio céu.
11. Sobre os eleitos dos israelitas, Deus não estendeu a mão. Viram Deus, e depois comeram e beberam.
12. O Senhor disse a Moisés: “Sobe para mim no monte. Ficarás ali para que eu te dê as tábuas de pedra, a lei e as ordenações que escrevi para sua instrução.”
13. Moisés levantou-se com Josué, seu auxiliar, e subiu o monte de Deus.
14. E disse aos anciãos: “Esperai-nos aqui até que voltemos. Tendes convosco Aarão e Hur. Se alguém tiver um litígio, dirigir-se-á a eles.”
15. Moisés subiu ao monte. A nuvem cobriu o monte
16. e a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, que ficou envolvido na nuvem durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou Moisés do seio da nuvem.
17. Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor tinha o aspecto de um fogo consumidor sobre o cume do monte.
18. Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali quarenta dias e quarenta noites.

 
Capítulo 25

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Dize aos israelitas que me façam uma oferta. Aceitareis essa oferenda de todo homem que a fizer de bom coração.
3. Eis o que aceitareis à guisa de oferta: ouro, prata, cobre,
4. púrpura violeta e escarlate, carmesim, linho fino, peles de cabra,
5. peles de carneiro tintas de vermelho, peles de golfinho, madeira de acácia,
6. azeite para candeeiro, aromas para o óleo de unção e para os incensos odoríferos,
7. pedras de ônix e outras pedras para os cabochões do efod e do peitoral.
8. Far-me-ão um santuário e habitarei no meio deles.
9. Construireis o tabernáculo e todo o seu mobiliário exatamente segundo o modelo que vou mostrar-vos”.
10. “Farão uma arca de madeira de acácia; seu comprimento será de dois côvados e meio, sua largura de um côvado e meio, e sua altura de um côvado e meio.
11. Tu a recobrirás de ouro puro por dentro, e farás por fora, em volta dela, uma bordadura de ouro.
12. Fundirás para a arca quatro argolas de ouro, que porás nos seus quatro pés, duas de um lado e duas de outro.
13. Farás dois varais de madeira de acácia, revestidos de ouro,
14. que passarás nas argolas fixadas dos lados da arca, para se poder transportá-la.
15. Uma vez passados os varais nas argolas, delas não serão mais removidos.
16. Porás na arca o testemunho que eu te der.
17. Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio.
18. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro,
19. fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa.
20. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada.
21. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der.
22. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.”
23. “Farás uma mesa de madeira de acácia, cujo comprimento será de dois côvados, a largura de um côvado e a altura de um côvado e meio.
24. Recobri-la-ás de ouro puro e farás em volta dela uma bordadura de ouro.
25. Farás em volta dela uma orla de um palmo de largura com uma bordadura de ouro corrente ao redor.
26. Farás para essa mesa quatro argolas de ouro, que fixarás nos quatro ângulos de seus pés.
27. Essas argolas, colocadas à altura da orla, receberão os varais destinados a transportar a mesa.
28. Farás, de madeira de acácia, varais revestidos de ouro, que servirão para o transporte da mesa.
29. Farás de ouro puro os seus pratos, seus incensários, seus copos e suas taças, que servirão para as libações.
30. Porás sobre essa mesa os pães da proposição, que ficarão constantemente diante de mim.”
31. “Farás um candelabro de ouro puro; e o farás de ouro batido, com o seu pedestal e sua haste: seus cálices, seus botões e suas flores formarão uma só peça com ele.
32. Seis braços sairão dos seus lados, três de um lado e três de outro.
33. Num braço haverá três cálices em forma de flor de amendoeira, com um botão e uma flor; noutro haverá três cálices em forma de flor de amendoeira, com um botão e uma flor e assim por diante para os seis braços do candelabro.
34. No próprio candelabro haverá quatro cálices em forma de flor de amendoeira, com seus botões e suas flores:
35. um botão sob os dois primeiros braços do candelabro, um botão sob os dois braços seguintes e um botão sob os dois últimos: e assim será com os seis braços que saem do candelabro.
36. Esses botões e esses braços formarão um todo com o candelabro, tudo formando uma só peça de ouro puro batido.
37. Farás sete lâmpadas, que serão colocadas em cima, de maneira a alumiar a frente do candelabro.
38. Seus espevitadores e seus cinzeiros serão de ouro puro.
39. Empregar-se-á um talento de ouro puro para confeccionar o candelabro e seus acessórios.
40. Cuida para que se execute esse trabalho segundo o modelo que te mostrei no monte.”

 
Capítulo 26

1. “Farás o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido de púrpura violeta, púrpura escarlate e de carmesim, sobre as quais alguns querubins serão artisticamente bordados.
2. Cada cortina terá vinte e oito côvados de comprimento e quatro côvados de largura: terão todas as mesmas dimensões.
3. Cinco dessas cortinas serão juntas uma à outra, e as cinco outras igualmente.
4. Na orla da cortina que está na extremidade do primeiro grupo, porás laços de púrpura violeta; farás a mesma coisa na orla da cortina que remata o segundo grupo.
5. Farás cinqüenta laços para a primeira cortina, e cinqüenta para a extremidade da última cortina do segundo grupo, de modo que se correspondam.
6. Farás também cinqüenta colchetes de ouro, com os quais juntarás as duas cortinas, a fim de que o tabernáculo forme um todo.
7. Farás também cortinas de peles de cabra para servirem de tenda sobre o tabernáculo: farás onze dessas cortinas.
8. O comprimento de uma dessas cortinas será de trinta côvados, e sua largura de quatro côvados. As onze cortinas terão todas as mesmas dimensões.
9. Juntarás de uma parte cinco dessas cortinas, e seis de outra parte, estando a sexta dobrada na parte dianteira da tenda.
10. Porás cinqüenta laços na orla de cada uma das duas cortinas que estão na extremidade de cada grupo.
11. Farás cinqüenta colchetes de bronze que introduzirás nos laços, e ajuntarás assim a tenda de modo que ela forme uma só peça.
12. E como essas cortinas terão um excedente de comprimento, o resto que sobrar cairá sobre o lado posterior do tabernáculo.
13. E o côvado excedente dos dois lados, no comprimento das cortinas da tenda, cairá sobre cada um dos dois lados do tabernáculo para cobri-lo.
14. Farás para a tenda uma cobertura de peles de carneiro, tingidas de vermelho, e por cima uma cobertura de peles de golfinho.
15. “Farás também para o tabernáculo tábuas de madeira de acácia, que serão colocadas verticalmente.
16. O comprimento de uma tábua será de dez côvados, e a largura de um côvado e meio.
17. Cada tábua terá dois encaixes, unidos um ao outro. Assim farás com todas as tábuas do tabernáculo.
18. Farás, pois, para o tabernáculo vinte tábuas para o lado meridional, ao sul.
19. Porás sob essas vinte tábuas quarenta suportes de prata, dois sob cada tábua, para os seus dois encaixes.
20. Para o segundo lado do tabernáculo, ao norte, farás vinte tábuas,
21. com quarenta suportes de prata, à razão de dois por tábua.
22. Para o fundo do tabernáculo, ao ocidente, farás seis tábuas.
23. Para os ângulos do tabernáculo, farás duas tábuas;
24. serão emparelhadas desde a base, formando juntas uma só peça até o cimo, na primeira argola. Assim se fará com as duas tábuas colocadas nos ângulos.
25. Haverá, pois, oito tábuas, com seus suportes de prata em número de dezesseis, dois sob cada tábua.
26. Farás depois cinco travessas de madeira de acácia para as tábuas de um dos lados do tabernáculo,
27. cinco para as tábuas do segundo lado, e cinco para as tábuas que estão do lado posterior do tabernáculo, ao ocidente.
28. A travessa central passará pelo meio das tábuas, de uma extremidade à outra.
29. Recobrirás de ouro essas tábuas, e pôr-lhes-ás argolas de ouro, por onde passarão as travessas que recobrirás também de ouro.
30. Levantarás o tabernáculo segundo o modelo que te foi mostrado sobre o monte.
31. Farás um véu de púrpura violeta, de púrpura escarlate, de carmesim e de linho retorcido, sobre o qual serão artisticamente bordados querubins.
32. Suspendê-lo-ás sobre quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro, com pregos de ouro, sobre quatro pedestais de prata.
33. Colocarás o véu debaixo dos colchetes, e é ali, atrás do véu, que colocarás a arca da aliança. Esse véu servirá para separar o ‘santo’ do ‘santo dos santos’.
34. É no santo dos santos que colocarás a tampa sobre a arca da aliança.
35. Porás a mesa diante do véu, e o candelabro defronte da mesa, do lado meridional do tabernáculo; colocarás a mesa do lado norte.
36. Farás para a entrada da tenda um véu de púrpura violeta, de púrpura escarlate, de carmesim e de linho retorcido, artisticamente bordado.
37. E farás, para suspender aí esse véu, cinco colunas de acácia recobertas de ouro, munidas de colchetes de ouro; e para essas colunas fundirás cinco pedestais de bronze”.

 
Capítulo 27

1. “Farás o altar de madeira de acácia. Seu comprimento será de cinco côvados, sua largura de cinco côvados (será quadrado) e sua altura será de três côvados.
2. Porás em seus quatro ângulos chifres, que farão corpo com o altar; e o cobrirás de bronze.
3. Farás para esse altar cinzeiros, pás, bacias, garfos e braseiros: todos esses utensílios serão feitos de bronze.
4. Farás no altar uma grelha de bronze em forma de gelosia, e porás nos seus quatro cantos quatro argolas de bronze.
5. Colocá-la-ás embaixo, sob o rebordo saliente do altar, de modo que essa grelha se eleve até a metade da altura do altar.
6. Farás para o altar varais de madeira de acácia, revestidos de bronze.
7. Esses varais serão introduzidos nas argolas, e estarão de um e outro lado do altar, quando for transportado.
8. O altar será oco e de tábuas, segundo o modelo que te dei sobre o monte”.
9. “Farás o átrio para o tabernáculo. Do lado meridional, ao sul do átrio, haverá cortinas de linho fino retorcido, numa extensão de cem côvados,
10. e igualmente vinte colunas sobre vinte pedestais de bronze; os pregos das colunas, bem como suas vergas, serão de prata.
11. Também para o norte haverá cortinas, numa extensão de cem côvados, bem como vinte colunas com seus pedestais de bronze, sendo de prata os pregos das colunas e suas vergas.
12. Do lado do ocidente a largura do átrio comportará cinqüenta côvados de cortinas, com dez colunas e dez pedestais.
13. Na frente, do lado oriental, a largura do átrio será de cinqüenta côvados.
14. De um lado haverá quinze côvados de cortinas, com três colunas e três pedestais,
15. e de outro lado quinze côvados de cortinas, com três colunas e três pedestais.
16. Na porta do átrio haverá uma cortina bordada, de vinte côvados, em púrpura violeta e escarlate, em carmesim e em linho fino retorcido, com quatro colunas e quatro pedestais.
17. Todas as colunas que formam o recinto do átrio serão unidas por vergas de prata; seus pregos serão de prata e seus pedestais de bronze.
18. O comprimento do átrio será de cem côvados, sua largura de cinqüenta, e sua altura de cinco côvados; a cortina será de linho fino retorcido e os pedestais de bronze.
19. Todos os utensílios destinados ao serviço do tabernáculo, todas as suas estacas, como também as do átrio, serão de bronze.
20. Ordenarás aos israelitas que tragam para o candelabro, óleo puro de olivas esmagadas, a fim de manter acesa a lâmpada continuamente.
21. Na tenda de reunião, diante do véu que oculta a arca da aliança, Aarão e seus filhos prepararão esse óleo para que ele se queime desde a tarde até pela manhã em presença do Senhor. Essa é uma lei perpétua para os israelitas e suas gerações vindouras.”

 
Capítulo 28

1. “Faze vir junto de ti, do meio dos israelitas, teu irmão Aarão com seus filhos para me servirem no ofício sacerdotal: Aarão, Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar, filhos de Aarão.
2. Farás para teu irmão Aarão vestes sagradas em sinal de dignidade e de ornato.
3. Fala aos homens inteligentes a quem enchi do espírito de sabedoria, para que confeccionem as vestes de Aarão, de sorte que ele seja consagrado ao meu sacerdórcio.
4. Eis as vestes que deverão fazer: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada, um turbante e uma cintura. Tais são as vestes que farão para teu irmão Aarão e para os seus filhos, a fim de que sejam sacerdotes a meu serviço;
5. empregarão ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino.
6. O efod será feito de ouro, de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e de linho fino retorcido, artisticamente tecidos.
7. Nas duas extremidades, haverá duas alças, que o sustentarão.
8. O cinto que se passará sobre o efod para fixá-lo será feito do mesmo trabalho e fará com ele uma só peça: ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino retorcido.
9. Tomarás duas pedras de ônix e gravarás nelas o nome dos filhos de Israel:
10. seis nomes numa pedra, seis noutra, por ordem de idade.
11. Os nomes dos filhos de Israel, que gravarás nas duas pedras, serão à maneira de selos gravados por lapidadores; e as duas pedras serão encaixadas em filigranas de ouro.
12. Colocarás essas duas pedras nas alças do efod, em memória dos filhos de Israel, cujos nomes serão levados por Aarão nos seus dois ombros, à guisa de memória diante do Senhor.
13. Farás engastes de ouro
14. e duas correntinhas de ouro puro entrelaçadas em forma de cordões, que fixarás nos engastes.
15. Farás um peitoral de julgamento artisticamente trabalhado, do mesmo tecido que o efod: ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino retorcido.
16. Será quadrado, dobrado em dois, do comprimento de um palmo e de largura de um palmo.
17. Guarnecê-lo-ás com quatro fileiras de pedrarias. Primeira fileira: um sárdio, um topázio e uma esmeralda;
18. Segunda fileira: um rubi, uma safira, um diamante;
19. terceira fileira: uma opala, uma ágata e uma ametista;
20. quarta fileira: um crisólito, um ônix e um jaspe. Serão engastadas em uma filigrana de ouro.
21. E, correspondendo aos nomes dos filhos de Israel, serão em número de doze, e em cada uma será gravado o nome de uma das doze tribos, à maneira de um sinete.
22. Farás também para o peitoral correntinhas de ouro puro, entrelaçadas em forma de cordões.
23. Farás ainda para o peitoral dois anéis de ouro, que fixarás em suas extremidades.
24. Passarás os dois cordões de ouro nos dois anéis,
25. e prenderás as suas duas pontas nos dois colchetes, metendo-os nas duas alças do efod para o lado da frente.
26. Farás ainda dois anéis de ouro que fixarás nas duas extremidades do peitoral, na sua orla interior aplicada contra o efod.
27. E enfim dois outros anéis de ouro que fixarás na parte dianteira, por baixo das duas alças do efod, à altura da junção, na cintura do efod.
28. Prender-se-ão os anéis do peitoral aos do efod por meio de uma fita de púrpura violeta, a fim de que o peitoral se fixe sobre a cintura do efod, e assim não se separe dele.
29. Desse modo, entrando no santuário, Aarão levará sobre o seu coração os nomes dos filhos de Israel gravados sobre o peitoral de julgamento, como memorial perpétuo diante do Senhor.
30. No peitoral de julgamento porás o urim e o turim, para que estejam sobre o peito de Aarão quando ele se apresentar diante do Senhor. Assim Aarão levará constantemente sobre o seu coração, diante do Senhor, o julgamento dos israelitas.
31. Farás o manto do efod inteiramente de púrpura violeta.
32. Haverá no meio uma abertura para a cabeça, e em volta uma orla tecida, que será como a abertura de um corselete, para que não se rompa.
33. Em volta de toda a orla inferior, porás romãs de púrpura violeta e escarlate, assim como carmesim, entremeadas de campainhas de ouro:
34. uma campainha de ouro, uma romã, outra campainha de ouro, outra romã em todo o contorno da orla inferior do manto.
35. Aarão será revestido desse manto quando exercer suas funções, a fim de se ouvir o som das campainhas quando entrar no santuário, diante do Senhor, e quando sair, e para que não morra.
36. Farás uma lâmina de ouro puro na qual gravarás, como num sinete, Santidade a Javé
37. Prendê-la-ás com uma fita de púrpura violeta na frente do turbante.
38. Estará na fronte de Aarão, que levará assim a carga das faltas cometidas pelos israelitas, na ocasião de algumas santas ofertas que possam apresentar: estará continuamente na sua fronte, para que os israelitas sejam aceitos pelo Senhor.
39. Farás uma túnica de linho, um turbante de linho e uma cintura de bordado.
40. Farás túnicas para os filhos de Aarão, cinturas e tiaras, em sinal de dignidade e de ornato.
41. Revestirás desses ornamentos teu irmão Aarão e seus filhos e os ungirás, os empossarás e os consagrarás, a fim de que sejam sacerdotes a meu serviço.
42. Far-lhes-ás também, para cobrir a sua nudez, calções de linho que irão dos rins até as coxas.
43. Aarão e seus filhos os levarão quando entrarem na tenda de reunião, ou quando se aproximarem do altar para fazer o serviço do santuário, sob pena de incorrerem numa falta mortal. Esta é uma lei perpétua para Aarão e sua posteridade.”

 
Capítulo 29

1. “Eis como procederás para consagrá-los como sacerdotes a meu serviço.
2. Tomarás um novilho e dois carneiros sem defeito; pães sem fermento, bolos sem fermento amassados com azeite, bolachas sem fermento untada com azeite, tudo feito de flor de farinha de trigo.
3. Pô-los-ás em uma cesta e os oferecerás ao mesmo tempo que o novilho e os dois carneiros.
4. Farás aproximarem-se Aarão e seus filhos da entrada da tenda de reunião, e os submeterás a uma ablução.
5. Tomarás, em seguida, os ornamentos e revestirás Aarão com a túnica, o manto do efod, o efod e o peitoral, e lhe porás o cinto do efod.
6. Pôr-lhe-ás o turbante na cabeça, e sobre o turbante porás o diadema da santidade.
7. Tomarás o óleo de unção e o ungirás, derramando-o sobre a cabeça.
8. Mandarás aproximarem-se seus filhos e os revestirás de túnicas.
9. Cingi-los-ás com uma cintura, a Aarão e seus filhos, aos quais imporás tiaras. O sacerdócio lhes pertencerá em virtude de uma lei perpétua. Empossarás Aarão e seus filhos.
10. Levarás o novilho diante da tenda de reunião: Aarão e seus filhos imporão suas mãos sobre a sua cabeça.
11. E imolarás em presença do Senhor o novilho, na entrada da tenda de reunião.
12. Depois tomarás do sangue do novilho, e com o dedo o porás sobre os chifres do altar e derramarás o resto ao pé do altar.
13. Tomarás toda a gordura que cobre as entranhas, a membrana do fígado, os dois rins e a gordura que os envolve, e queimarás tudo sobre o altar.
14. Mas a carne de touro, seu pêlo e seus excrementos, tu os queimarás fora do acampamento: é um sacrifício pelo pecado.
15. Tomarás um dos carneiros, e Aarão e seus filhos imporão suas mãos sobre sua cabeça.
16. Degolá-lo-ás e tomarás do seu sangue para derramá-lo em volta do altar.
17. Cortarás o carneiro em pedaços, e depois de ter lavado os intestinos e as pernas, pô-los-ás sobre os pedaços e sobre a cabeça;
18. e queimarás o carneiro todo sobre o altar. É um holocausto ao Senhor, um sacrifício de agradável odor consumido em honra do Senhor.
19. Tomarás, em seguida, o segundo carneiro, e Aarão e seus filhos imporão suas mãos sobre sua cabeça.
20. Degolá-lo-ás e tomarás do seu sangue para metê-lo na extremidade da orelha direita de Aarão e na extremidade da orelha direita de seus filhos, sobre os dedos polegares de suas mãos direitas e sobre os hálux de seus pés direitos. Depois derramarás o resto do sangue em volta do altar.
21. Aspergirás Aarão e suas vestes, e igualmente seus filhos e suas vestes, com o sangue tomado do altar e com o óleo de unção. Eles serão assim consagrados, ele e suas vestes, bem como seus filhos e suas vestes.
22. Tomarás tudo o que é gordura no carneiro, a cauda, a gordura que envolve as entranhas, a membrana do fígado, os dois rins e a gordura que os envolve, e a coxa direita, porque é um carneiro de inauguração.
23. Tomarás ainda, na cesta de pães sem fermento colocada diante do Senhor, um pão, um bolo e uma bolacha.
24. Meterás tudo isso nas palmas das mãos de Aarão e de seus filhos, e os oferecerás, agitando-os, como oblação diante do Senhor.
25. Tu os retomarás, em seguida, de suas mãos e os queimarás no altar sobre o holocausto. Este é um sacrifício de agradável odor apresentado ao Senhor, um sacrifício pelo fogo ao Senhor.
26. Tomarás o peito do carneiro de inauguração de Aarão e o oferecerás, agitando-o, como oblação diante do Senhor. Esta será a tua porção.
27. Consagrarás então o peito da oferta agitada e a perna da oferta reservada, todas as partes agitadas e reservadas do carneiro de inauguração que são destinadas a Aarão e seus filhos.
28. Este será um direito perpétuo devido a Aarão e seus filhos pelos israelitas; esta é uma oferta reservada – aquela que os israelitas terão de tomar de seus sacrifícios pacíficos –, uma reserva que devem ao Senhor.
29. Os ornamentos sagrados de Aarão servirão para seus filhos depois dele, que os vestirão quando se lhes der a unção e forem empossados.
30. Aquele dentre os seus filhos que for sumo sacerdote em seu lugar, e que penetrar na tenda de reunião para o serviço do santuário, os levará durante sete dias.
31. Tomarás o carneiro de inauguração e farás cozer a sua carne em um lugar santo.
32. Aarão e seus filhos comerão a sua carne e o pão que está na cesta à entrada da tenda de reunião.
33. Comerão o que tiver sido utilizado para a expiação quando de sua tomada de posse e sua consagração. Estrangeiro algum comerá deles, porque são coisas santas.
34. Se sobrar ainda da carne da vítima de inauguração ou do pão até o dia seguinte, queimarás o resto: não será comido, porque é uma coisa santa.
35. Quanto a Aarão e seus filhos, farás como te ordenei: empregarás sete dias em sua tomada de posse.
36. Cada dia imolarás um novilho em sacrifício expiatório pelo pecado; por esse sacrifício expiatório tirarás o pecado do altar, e far-lhe-ás uma unção para consagrá-lo.
37. A expiação do altar se fará durante sete dias; e consagrarás esse altar, que se tornará coisa santíssima, e tudo o que o tocar será consagrado.”
38. “Eis o que sacrificarás sobre o altar: dois cordeiros de um ano em cada dia, perpetuamente.
39. Oferecerás um desses cordeiros pela manhã e o outro entre as duas tardes.
40. Com o primeiro cordeiro oferecerás a décima parte de um efá de flor de farinha amassada com um quarto de hin de óleo de olivas esmagadas, e como libação um quarto de hin de vinho.
41. Entre as duas tardes oferecerás o segundo cordeiro, acompanhado de uma oferta e de uma libação semelhantes às da manhã. Este é um sacrifício de agradável odor consumido pelo fogo em honra do Senhor.
42. Este holocausto será perpétuo e será oferecido, em todas as gerações futuras, à entrada da tenda de reunião, diante do Senhor, onde virei a vós, para falar contigo.
43. É nesse lugar que darei entrevista aos filhos de Israel, e ele será consagrado pela minha glória.
44. Consagrarei a tenda de reunião e o altar; consagrarei igualmente Aarão e seus filhos, para que sejam sacerdotes a meu serviço.
45. Habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus.
46. Saberão então que eu, o Senhor, sou o seu Deus que os tirou do Egito para habitar entre eles, eu, o Senhor seu Deus.”

 
Capítulo 30

1. “Construirás um altar para queimares sobre ele o incenso. Fá-lo-ás de madeira de acácia;
2. seu comprimento será de um côvado, e sua largura de um côvado; será quadrado e terá dois côvados de altura. Seus cornos farão corpo com ele.
3. Cobrirás de ouro puro a sua parte superior, os seus lados ao redor e os seus cornos; e lhe farás uma bordadura de ouro em volta.
4. Farás para ele duas argolas de ouro, abaixo da bordadura, dos dois lados. Colocarás essas argolas dos dois lados para receberem os varais que servirão ao seu transporte.
5. Farás os varais de madeira de acácia e recobri-los-ás de ouro.
6. Colocarás o altar diante do véu que oculta a arca da aliança, em frente do propiciatório que se encontra sobre a arca, no lugar onde virei a ti.
7. Aarão queimará sobre o altar incenso aromático a cada manhã,
8. quando preparar as lâmpadas; queimá-lo-á também entre as duas tardes, quando acender as lâmpadas. Haverá desse modo incenso diante do Senhor perpetuamente nas gerações futuras.
9. Não oferecereis sobre esse altar nem perfume profano, nem holocausto, nem oferta, e não derramareis sobre ele libação.
10. Uma vez por ano, Aarão fará a expiação sobre os cornos do altar. Com o sangue da vítima pelo pecado, fará a expiação uma vez por ano, em todas as gerações futuras. Esse altar será uma coisa santíssima, consagrada ao Senhor.”
11. O Senhor disse a Moisés:
12. “Quando fizeres os recenseamentos dos israelitas, cada um pagará ao Senhor o resgate de sua vida, para que esse alistamento não atraia sobre ele algum flagelo.
13. Cada um daqueles que forem recenseados pagará meio siclo (segundo o valor do siclo do santuário, que é de vinte gueras), meio siclo como contribuição devida ao Senhor.
14. Todo homem recenseado de vinte anos para cima pagará a contribuição devida ao Senhor.
15. O rico não dará mais e o pobre não dará menos de meio siclo para pagar a contribuição devida ao Senhor em resgate de vossas vidas.
16. Cobrarás dos israelitas o dinheiro do resgate, e o aplicarás ao serviço da tenda de reunião; ele será um memorial diante do Senhor, de como os israelitas asseguraram o resgate de suas vidas.”
17. O Senhor disse a Moisés:
18. “Farás uma bacia de bronze para as abluções, com um pedestal de bronze; colocá-la-ás entre a tenda de reunião e o altar, e deitarás água nela.
19. Aarão e seus filhos tirarão daí a água para lavar as mãos e os pés.
20. Quando entrarem na tenda de reunião, deverão lavar-se com essa água, para que não morram. Igualmente quando se aproximarem do altar para o serviço, para oferecer um sacrifício ao Senhor.
21. Lavarão os pés e as mãos, para que não morram. Essa será para eles, Aarão e sua posteridade, uma lei perpétua, de geração em geração.”
22. O Senhor disse a Moisés:
23. “Escolhe os mais preciosos aromas: quinhentos siclos de mirra virgem, a metade, ou seja, duzentos e cinqüenta siclos de cinamomo, duzentos e cinqüenta siclos de cana odorífera,
24. quinhentos siclos de cássia (segundo o siclo do santuário), e um hin de óleo de oliva.
25. Farás com tudo isso um óleo para a sagrada unção, uma mistura odorífera composta segundo a arte do perfumista. Tal será o óleo para a sagrada unção.
26. Ungirás com ele a tenda de reunião e a arca da aliança,
27. a mesa e seus acessórios, o candelabro e seus acessórios, o altar dos perfumes,
28. o altar dos holocaustos e todos os seus utensílios, e a bacia com seu pedestal.
29. Depois que os tiveres consagrado, eles tornar-se-ão objetos santíssimos, e tudo o que os tocar será consagrado.
30. Ungirás Aarão e seus filhos, e os consagrarás, para que me sirvam como sacerdotes.
31. Dirás então aos israelitas: este óleo vos servirá para a unção santa, de geração em geração.
32. Não se derramará dele sobre o corpo de homem algum; e não fareis outro com a mesma composição: é uma coisa sagrada, e deveis considerá-la como tal.
33. Se alguém fizer uma imitação, ou ungir com ele um estrangeiro, será cortado do meio de seu povo.”
34. O Senhor disse a Moisés: “Toma aromas: resina, casca odorífera, gálbano, aromas e incenso puro em partes iguais.
35. Farás com tudo isso um perfume para a incensação, composto segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo.
36. Depois de tê-lo reduzido a pó, pô-lo-ás diante da arca da aliança na tenda de reunião, lá onde virei ter contigo. Essa será para vós uma coisa santíssima.
37. Não fareis para vosso uso outro perfume da mesma composição: considerá-lo-ás como uma coisa consagrada ao Senhor.
38. Se alguém fizer uma imitação desse perfume para respirar o seu odor, será cortado do meio de seu povo.”

 
Capítulo 31

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Eis que chamei por seu nome Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá.
3. Eu o enchi do espírito divino para lhe dar sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras:
4. invenções, trabalho de ouro, de prata, de bronze,
5. gravuras em pedras de engastes, trabalho em madeira e para executar toda sorte de obras.
6. Associei-lhe Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dã. E dou a sabedoria ao coração de todos os homens inteligentes, a fim de que executem tudo o que te ordenei;
7. a tenda de reunião, a arca da aliança, a tampa que a recobre e todos os móveis da tenda;
8. a mesa e todos os seus acessórios, o candelabro de ouro puro e todos os seus acessórios, o altar dos perfumes,
9. o altar dos holocaustos, e todos os seus utensílios, a bacia com seu pedestal;
10. as vestes litúrgicas, os ornamentos sagrados para o sacerdote Aarão, as vestes de seus filhos para as funções sacerdotais;
11. o óleo de unção e o incenso perfumado para o santuário. Eles se conformarão em tudo às ordens que te dei.”
12. O Senhor disse a Moisés:
13. “Dize aos israelitas: observareis os meus sábados, porque este é um sinal perpétuo entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifico.
14. Guardareis o sábado, pois ele vos deve ser sagrado. Aquele que o violar será morto; quem fizer naquele dia uma obra qualquer será cortado do meio do seu povo.
15. Trabalhar-se-á durante seis dias, mas o sétimo dia será um dia de repouso completo consagrado ao Senhor. Se alguém trabalhar no dia de sábado será punido de morte.
16. Os israelitas guardarão o sábado, celebrando-o de idade em idade com um pacto perpétuo.
17. Este será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas, porque o Senhor fez o céu e a terra em seis dias e no sétimo dia ele cessou de trabalhar e descansou.”
18. Tendo o Senhor acabado de falar a Moisés sobre o monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus.

 
Capítulo 32

1. Vendo que Moisés tardava a descer da montanha, o povo agrupou-se em volta de Aarão e disse-lhe: “Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa frente, porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele.”
2. Aarão respondeu-lhes: “Tirai os brincos de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-mos.”
3. Tiraram todos os brincos de ouro que tinham nas orelhas e trouxeram-nos a Aarão,
4. o qual, tomando-os em suas mãos, pôs o ouro em um molde e fez dele um bezerro de metal fundido. Então exclamaram: “Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.”
5. Aarão, vendo isso, construiu um altar diante dele e exclamou: “Amanhã haverá uma festa em honra do Senhor.”
6. No dia seguinte pela manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos. O povo assentou-se para comer e beber, e depois levantaram-se para se divertir.
7. O Senhor disse a Moisés: “Vai, desce, porque se corrompeu o povo que tiraste do Egito.
8. Desviaram-se depressa do caminho que lhes prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.
9. Vejo, continuou o Senhor, que esse povo tem a cabeça dura.
10. Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada; mas de ti farei uma grande nação.”
11. Moisés tentou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo-lhe: “Por que, Senhor, se inflama a vossa ira contra o vosso povo que tirastes do Egito com o vosso poder e à força de vossa mão?
12. Não é bom que digam os egípcios: com um mau desígnio os levou, para matá-los nas montanhas e suprimi-los da face da terra! Aplaque-se vosso furor, e abandonai vossa decisão de fazer mal ao vosso povo.
13. Lembrai-vos de Abraão, de Isaac e de Israel, vossos servos, aos quais jurastes por vós mesmo de tornar sua posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e de dar aos seus descendentes essa terra de que falastes, como uma herança eterna.”
14. E o Senhor se arrependeu das ameaças que tinha proferido contra o seu povo.
15. Moisés desceu da montanha segurando nas mãos as duas tábuas da lei, que estavam escritas dos dois lados, sobre uma e outra face.
16. Eram obra de Deus, e a escritura nelas gravada era a escritura de Deus.
17. Ouvindo o barulho que o povo fazia com suas aclamações, Josué disse a Moisés: “Há gritos de guerra no acampamento!”
18. “Não, respondeu Moisés, não são gritos de vitória, nem gritos de derrota: o que ouço são cantos.”
19. Aproximando-se do acampamento, viu o bezerro e as danças. Sua cólera se inflamou, arrojou de suas mãos as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha.
20. Em seguida, tomando o bezerro que tinham feito, queimou-o e esmagou-o até reduzi-lo a pó, que lançou na água e a deu de beber aos israelitas.
21. Moisés disse a Aarão: “Que te fez este povo para que tenhas atraído sobre ele um tão grande pecado?”
22. Aarão respondeu: “Não se irrite o meu senhor. Tu mesmo sabes o quanto este povo é inclinado ao mal.
23. Eles disseram-me: faze-nos um deus que marche à nossa frente, porque este Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele.
24. Eu lhes disse: Todos aqueles que têm ouro, despojem-se dele! E mo entregaram: joguei-o ao fogo e saiu esse bezerro.”
25. Moisés viu que o povo estava desenfreado, porque Aarão tinha-lhe soltado as rédeas, expondo-o assim à mofa de seus adversários.
26. Pôs-se de pé à entrada do acampamento e exclamou: “Venham a mim todos aqueles que são pelo Senhor!” Todos os filhos de Levi se ajuntaram em torno dele.
27. Ele disse-lhes: “Eis o que diz o Senhor, o Deus de Israel: cada um de vós meta a espada sobre sua coxa. Passai e repassai através do acampamento, de uma porta à outra, e cada um de vós mate o seu irmão, seu amigo, seu parente!”
28. Os filhos de Levi fizeram o que ordenou Moisés, e cerca de três mil homens morreram naquele dia entre o povo.
29. Moisés disse: “Consagrai-vos desde hoje ao Senhor, porque cada um de vós, ao preço de seu filho e de seu irmão, tendes atraído sobre vós hoje uma bênção.”
30. No dia seguinte, Moisés disse ao povo: “Cometestes um grande pecado. Mas vou subir hoje ao Senhor; talvez obtenha o perdão de vossa culpa.”
31. Moisés voltou junto do Senhor e disse: “Oh, esse povo cometeu um grande pecado: fizeram para si um deus de ouro.
32. Rogo-vos que lhes perdoeis agora esse pecado! Senão, apagai-me do livro que escrevestes.”
33. O Senhor disse a Moisés: “Aquele que pecou contra mim, este apagarei do meu livro.
34. Vai agora e conduze o povo aonde eu te disse: meu anjo marchará diante de ti. Mas, no dia de minha visita, eu punirei seu pecado.”
35. Feriu o Senhor o povo, por ter arrastado Aarão a fabricar o bezerro.

 
Capítulo 33

1. O Senhor disse a Moisés: “Vai, parte daqui com o povo que tiraste do Egito; ide para a terra que prometi a Abraão, a Isaac e a Jacó, com o juramento de dá-la à sua posteridade.
2. Enviarei um anjo adiante de ti, e expulsarei os cananeus, os amorreus, os hiteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
3. Ide para essa terra que mana leite e mel. Mas não subirei convosco, porque sois um povo de cabeça dura; eu vos aniquilaria em caminho.”
4. Ouvindo o povo estas duras palavras, pôs-se a chorar e cada um tirou os seus enfeites.
5. Então o Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas: vós sois um povo de cabeça dura; se eu viesse um só instante no meio de vós, eu vos aniquilaria. Arrancai, pois, todos os vossos enfeites e verei o que posso fazer por vós.”
6. Os israelitas despojaram-se de seus enfeites ao partir do monte Horeb.
7. Moisés foi levantar a tenda a alguma distância fora do acampamento. (E chamou-a tenda de reunião.) Quem queria consultar o Senhor, dirigia-se à tenda de reunião, fora do acampamento.
8. Quando Moisés se dirigia para a tenda, todo mundo se levantava, cada um diante da entrada de sua tenda, para segui-lo com os olhos até que entrasse na tenda.
9. E logo que ele acabava de entrar, a coluna de nuvem descia e se punha à entrada da tenda, e o Senhor se entretinha com Moisés.
10. À vista da coluna de nuvem, todo o povo, em pé à entrada de suas tendas, se prostrava no mesmo lugar.
11. O Senhor se entretinha com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo. Voltava depois Moisés ao acampamento, mas seu ajudante, o jovem Josué, filho de Nun, não se apartava do interior da tenda.
12. Moisés disse ao Senhor: “Vós dizeis-me que faça subir o povo, mas não me fazeis saber quem haveis designado para acompanhar-me. E, entretanto, dissestes-me: ‘Conheço-te pelo teu nome’ e: ‘Tens todo o meu favor.’
13. Se é verdade que tenho todo o vosso favor, dai-me a conhecer os vossos desígnios, para que eu saiba que tenho todo o vosso favor; e considerai que esta nação é o vosso povo.”
14. O Senhor respondeu: “Minha face irá contigo, e serei o teu guia.”
15. “Se vossa face não vier conosco, disse Moisés, não nos façais partir deste lugar.
16. Por onde se saberá que temos todo o vosso favor, eu e o vosso povo? Porventura, não é necessário para isso justamente que marcheis conosco? É o que nos distinguirá, eu e o vosso povo, de todas as outras nações da terra.”
17. “O que pedes, replicou o Senhor, fá-lo-ei, porque tens todo o meu favor, e te conheço pelo teu nome.”
18. Moisés disse: “Mostrai-me vossa glória.”
19. E Deus respondeu: “Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor, e pronunciarei diante de ti o nome de Javé. Dou a minha graça a quem quero, e uso de misericórdia com quem me apraz.
20. Mas, ajuntou o Senhor, não poderás ver a minha face, pois o homem não me poderia ver e continuar a viver.
21. Eis um lugar perto de mim, disse o Senhor; tu estarás sobre a rocha.
22. Quando minha glória passar, te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a mão, até que eu tenha passado.
23. Retirarei depois a mão, e me verás por detrás. Quanto à minha face, ela não pode ser vista”.

 
Capítulo 34

1. O Senhor disse a Moisés: “Talha duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras: escreverei nelas as palavras que se encontravam nas primeiras tábuas que quebraste.
2. Estejas pronto pela manhã para subir ao monte Sinai. Apresentar-te-ás diante de mim no cume do monte.
3. Ninguém subirá contigo, e ninguém se mostre em parte alguma do monte: não haja nem mesmo ovelhas ou bois pastando em seus flancos.”
4. Moisés talhou, pois, duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras e, no dia seguinte, pela manhã, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia ordenado, segurando nas mãos as duas tábuas de pedra.
5. O Senhor desceu na nuvem e esteve perto dele, pronunciando o nome de Javé.
6. O Senhor passou diante dele, exclamando: “Javé, Javé, Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade,
7. que conserva sua graça até mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a rebeldia e o pecado, mas não tem por inocente o culpado, porque castiga o pecado dos pais nos filhos e nos filhos de seus filhos, até a terceira e a quarta geração”.
8. Moisés inclinou-se incontinente até a terra e prostrou-se,
9. dizendo: “Se tenho o vosso favor, Senhor, dignai-vos marchar no meio de nós: somos um povo de cabeça dura, mas perdoai nossas iniqüidades e nossos pecados, e aceitai-nos como propriedade vossa”.
10. O Senhor disse: “Vou fazer uma aliança contigo. Diante de todo o teu povo farei prodígios como nunca se viu em nenhum outro país, em nenhuma outra nação, a fim de que todo o povo que te cerca veja quão terríveis são as obras do Senhor, que faço por meio de ti.
11. Sê atento ao que te vou ordenar hoje. Vou expulsar diante de ti os amorreus, os cananeus, os hiteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
12. Guarda-te de fazer algum pacto com os habitantes da terra em que vais entrar, para que sua presença no meio de vós não se vos torne um laço.
13. Derrubareis os seus altares, quebrareis suas estelas e cortareis suas asserás.
14. Não adorarás nenhum outro deus, porque o Senhor, que se chama o zeloso, é um Deus zeloso.
15. Guarda-te de fazer algum pacto com os habitantes do país, pois, quando se prostituírem a seus deuses e lhes oferecerem sacrifícios, poderiam convidar-te e tu comerias de seus banquetes sagrados;
16. poderia acontecer também que tomasses entre suas filhas esposas para teus filhos, e essas mulheres que se prostituem a seus deuses, poderiam arrastar a isso também os teus filhos.
17. Não farás deuses de metal fundido.
18. Guardarás a festa dos Ázimos: como te prescrevi, no tempo fixado do mês das espigas (porque foi nesse mês que saíste do Egito) só comerás, durante sete dias, pães sem fermento.
19. Todo primogênito me pertence, assim como todo macho primogênito de teus rebanhos, tanto do gado maior como do menor.
20. Resgatarás com um cordeiro o primogênito do jumento; do contrário, quebrar-lhe-ás a nuca. Resgatarás sempre o primogênito de teus filhos; e não te apresentarás diante de minha face com as mãos vazias.
21. Trabalharás durante seis dias, mas descansarás no sétimo, mesmo quando for tempo de arar e de ceifar.
22. Celebrarás a festa das semanas, no tempo das primícias da ceifa do trigo, e a festa da colheita, no fim do ano.
23. Três vezes por ano, todos vossos varões se apresentarão diante do Senhor Javé, Deus de Israel.
24. Porque expulsarei as nações diante de ti, e alargarei tuas fronteiras, e ninguém cobiçará tua terra, enquanto subires três vezes por ano para te apresentares diante do Senhor teu Deus.
25. Quando sacrificares uma vítima, não oferecerás o seu sangue com pão fermentado. O animal sacrificado para a festa de Páscoa não será conservado até o dia seguinte.
26. Trarás à casa do Senhor teu Deus as primícias dos frutos de teu solo. “Não farás cozer um cabrito no leite de sua mãe.”
27. O Senhor disse a Moisés: “Escreve estas palavras, pois são elas a base da aliança que faço contigo e com Israel”.
28. Moisés ficou junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas o texto da aliança, as dez palavras.
29. Moisés desceu do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas da lei. Descendo do monte, Moisés não sabia que a pele de seu rosto se tornara brilhante, durante a sua conversa com o Senhor.
30. E, tendo-o visto Aarão e todos os israelitas, notaram que a pele de seu rosto se tornara brilhante e não ousaram aproximar-se dele.
31. Mas ele os chamou, e Aarão com todos os chefes da assembléia voltaram para junto dele, e ele se entreteve com eles.
32. Aproximaram-se, em seguida, todos os israelitas, a quem ele transmitiu as ordens que tinha recebido do Senhor no monte Sinai.
33. Tendo Moisés acabado de falar, pôs um véu no seu rosto.
34. Mas, entrando Moisés diante do Senhor para falar com ele, tirava o véu até sair. E, saindo, transmitia aos israelitas as ordens recebidas.
35. Estes viam irradiar a pele de seu rosto; em seguida Moisés recolocava o véu no seu rosto até a próxima entrevista com o Senhor.

 
Capítulo 35

1. Moisés convocou toda a assembléia de Israel e disse-lhes: “Eis o que o Senhor ordenou:
2. Trabalharás durante seis dias, mas o sétimo será um dia de descanso completo consagrado ao Senhor. Todo o que trabalhar nesse dia será morto.
3. Não acendereis fogo em nenhuma de vossas casas nesse dia”.
4. Moisés disse a toda a assembléia dos israelitas: “Eis o que o Senhor ordenou:
5. Separai de entre vós uma oferta para o Senhor. Todo homem de coração reto trará esta oferta ao Senhor: ouro, prata, bronze,
6. púrpura violeta e escarlate, carmesim, linho fino, pele de cabra,
7. peles de carneiro tingidas de vermelho, peles de golfinho, madeira de acácia,
8. óleo para o candelabro, aromas para o óleo de unção e para o incenso odorífero,
9. pedras de ônix e pedras de engaste para o efod e o peitoral.
10. Venham todos aqueles dentre vós que são hábeis, e executem tudo o que o Senhor ordenou:
11. o tabernáculo, sua tenda, sua coberta, suas argolas, suas tábuas, suas travessas, suas colunas e seus pedestais;
12. a arca e seus varais; a tampa e o véu de separação;
13. a mesa com seus varais, todos os seus utensílios e os pães da proposição;
14. o candelabro e seus acessórios, suas lâmpadas e o óleo para a iluminação,
15. o altar dos perfumes e seus varais; o óleo para a unção e o perfume para as incensações; o véu para a porta de entrada do tabernáculo;
16. o altar dos holocaustos, sua grelha de bronze, seus varais e todos os seus acessórios; a bacia com seu pedestal;
17. as cortinas do átrio, suas colunas, seus pedestais e a cortina da porta do átrio;
18. as estacas do tabernáculo, as estacas do átrio com suas cordas;
19. as vestes litúrgicas para o serviço do santuário, os ornamentos sagrados do sumo sacerdote Aarão, e as vestes de seus filhos para as funções sacerdotais.”
20. Toda a assembléia dos israelitas retirou-se de diante de Moisés.
21. E então todas as pessoas de boa vontade e de coração generoso vieram trazer as suas ofertas ao Senhor, para a construção da tenda de reunião, para o seu culto e para a confecção dos ornamentos sagrados.
22. Homens e mulheres, todos aqueles que tinham o coração generoso trouxeram brincos, arrecadas, anéis, colares, jóias de ouro de toda espécie, cada um apresentando a oferta de ouro que dedicava ao Senhor.
23. Todos os que tinham em sua casa púrpura violeta e escarlate, carmesim, linho fino, pele de cabra, peles de carneiro tintas de vermelho e peles de golfinho, os trouxeram.
24. Todos os que puderam apresentar uma contribuição em prata ou em bronze, trouxeram-na ao Senhor. Todos os que tinham em sua casa madeira de acácia útil ao serviço do culto, a trouxeram.
25. Todas as mulheres habilidosas fiaram com as suas próprias mãos e trouxeram seu trabalho: púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino.
26. Todas as mulheres habilidosas que tinham o gosto de fiar os pêlos de cabra, fizeram-no.
27. Os chefes do povo trouxeram pedras de ônix e outras pedras de engaste para o efod e o peitoral;
28. aromas e óleo para o candelabro, óleo de unção e incenso perfumado.
29. Todos os israelitas, homens ou mulheres, impelidos pelo seu coração a contribuir para alguma das obras que o Senhor tinha ordenado pela boca de Moisés, trouxeram espontaneamente suas ofertas ao Senhor.
30. Moisés disse aos israelitas: “Vede: o Senhor designou Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá;
31. encheu-o de um espírito divino para dar-lhe sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras:
32. invenções, trabalho em ouro, em prata e em bronze,
33. gravação de pedras de engaste, trabalho em madeira, execução de toda espécie de obras.
34. Concedeu-lhe também o dom de ensinar, assim como a Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dã.
35. Dotou-os de talento para executar toda sorte de obras de escultura e de arte, de bordados em estofo de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e de linho fino, e para a execução assim como o projeto de toda espécie de trabalhos.”

 
Capítulo 36

1. Beseleel, Ooliab e todos os homens prudentes que o Senhor dotou de inteligência e habilidade, para saberem executar todos os trabalhos necessários ao serviço do santuário, conformaram-se inteiramente às instruções recebidas do Senhor.
2. Moisés chamou Beseleel, Ooliab e todos os homens prudentes que o Senhor tinha dotado de inteligência, todos os que eram impelidos pelo seu coração a empreender a execução desse trabalho.
3. Levaram todas as ofertas que os israelitas haviam trazido a Moisés para a execução dos trabalhos necessários ao serviço do santuário. E, como o povo continuasse, cada manhã, a trazer espontaneamente ofertas,
4. os homens prudentes que executavam os trabalhos do santuário deixaram cada um a obra que estava fazendo, e vieram dizer a Moisés:
5. “O povo traz muito mais do que é necessário para a execução do trabalho que o Senhor ordenou”.
6. Então, por ordem de Moisés, fez-se no acampamento esta proclamação: “Que ninguém, nem homem nem mulher, traga mais ofertas para o santuário”. Assim, o povo foi proibido de trazer mais.
7. O material trazido era mais que suficiente para tudo o que havia a fazer.
8. Os mais hábeis entre os operários construíram o tabernáculo: dez cortinas de linho fino retorcido, púrpura violeta e escarlate, e carmesim com querubins artisticamente bordados.
9. O comprimento de cada cortina era de vinte e oito côvados, sua largura de quatro côvados; e tinham todas as mesmas dimensões.
10. Juntaram as cortinas cinco por cinco.
11. Laços de púrpura violeta foram colocados na orla da cortina que rematava esses dois grupos.
12. Foram postos cinqüenta laços na primeira cortina, e cinqüenta na extremidade da última cortina do segundo grupo, situadas bem em face umas das outras.
13. As cortinas foram presas urnas às outras por meio de cinqüenta colchetes de ouro, de modo que o tabernáculo formou um todo.
14. Fizeram-se, em seguida, cortinas de peles de cabra, para formar uma tenda sobre o tabernáculo; foram feitas onze dessas cortinas.
15. O comprimento de uma delas era de trinta côvados, e sua largura de quarenta côvados; e tinham todas as mesmas dimensões.
16. Cinco dessas cortinas foram juntadas de um lado, e seis de outro.
17. Cinqüenta colchetes foram colocados na orla da última cortina de um desses grupos e cinqüenta na orla da última cortina do segundo.
18. Depois fizeram cinqüenta colchetes de bronze para unir as peças, de modo que a tenda formasse um só todo.
19. Foi feita a cobertura da tenda de peles de carneiros tintas de vermelho, sobre as quais se meteu uma cobertura de peles de golfinhos.
20. As tábuas do tabernáculo foram feitas de madeira de acácia, colocadas verticalmente.
21. As tábuas tinham dez côvados de comprimento e um côvado e meio de largura.
22. Cada tábua tinha dois encaixes ligados um ao outro: assim se fez com todas as tábuas do tabernáculo.
23. Fizeram para o lado meridional do tabernáculo, ao sul, vinte tábuas.
24. Meteram sob essas vinte tábuas quarenta suportes de prata, dois sob cada tábua, para seus dois encaixes.
25. Para o segundo lado do tabernáculo, ao norte, fizeram vinte tábuas,
26. com quarenta suportes de prata, à razão de dois por tábua.
27. Para o fundo do tabernáculo, ao ocidente, fizeram seis tábuas.
28. Para os ângulos do tabernáculo, ao fundo, fizeram duas tábuas.
29. Elas eram emparelhadas desde a base, formando juntas um só todo até o alto, na primeira argola. O mesmo se fez com as duas tábuas colocadas nos ângulos.
30. Havia, pois, oito tábuas com seus suportes de prata, em número de dezesseis, dois sob cada tábua.
31. Fizeram em seguida cinco travessas de madeira de acácia para as tábuas de um dos lados do tabernáculo,
32. cinco para as tábuas do segundo lado e cinco para as que estavam do lado posterior do tabernáculo, ao ocidente.
33. A travessa central estendia-se ao longo das tábuas, de uma extremidade à outra.
34. Recobriram de ouro essas tábuas e se lhes puseram argolas de ouro, pelas quais passaram as travessas, recobertas também elas de ouro.
35. Foi feito o véu de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e linho retorcido, onde foram bordados artisticamente alguns querubins.
36. Fizeram para ele quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro, com pregos de ouro, e fundiram para elas quatro pedestais de prata.
37. Para a entrada da tenda foi feito o véu de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e linho retorcido, artisticamente bordado.
38. Fizeram, para suspender esse véu, cinco colunas munidas de ganchos; recobriram de ouro seus capitéis e suas vergas; seus cinco pedestais foram feitos de bronze.

 
Capítulo 37

1. Beseleel fez a arca de madeira de acácia; seu comprimento era de dois côvados e meio, sua largura de um côvado e meio, e sua altura de um côvado e meio.
2. Cobriu-a de ouro puro por dentro e fez-lhe por fora, ao redor, uma bordadura de ouro.
3. Fundiu para ela quatro argolas de ouro e pô-las nos seus quatro pés, duas de um lado e duas de outro.
4. Fez varais de madeira de acácia, revestidos de ouro,
5. que passou nas argolas colocadas dos lados da arca, para poder transportá-la.
6. Fez uma tampa de ouro puro, cujo comprimento era de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio.
7. Fez dois querubins de ouro, feitos de ouro batido, nas duas extremidades da tampa,
8. um de um lado, outro de outro, de maneira que faziam corpo com as duas extremidades da tampa.
9. Esses querubins, com as faces voltadas um para o outro, tinham as asas estendidas para o alto, e protegiam com elas a tampa para a qual tinham as faces inclinadas.
10. Fez a mesa de madeira de acácia; seu comprimento era de dois côvados, sua largura de um côvado e sua altura de um côvado e meio.
11. Recobriu-a de ouro puro e fez ao seu redor uma bordadura de ouro.
12. Cercou-a de uma orla de um palmo de largura, com uma bordadura de ouro corrente em toda a volta.
13. Fundiu para a mesa quatro argolas de ouro, que fixou aos quatro ângulos de seus pés.
14. Essas argolas, colocadas à altura da orla, eram destinadas a receber os varais que serviriam ao transporte da mesa.
15. Fez varais de madeira de acácia revestidos de ouro, para servir ao transporte da mesa.
16. Fez de ouro puro os utensílios que deviam ser colocados sobre a mesa: os vasos, as xícaras, os copos e as taças necessárias às libações.
17. Fez o candelabro de ouro puro, de ouro batido, com seu pé e sua haste: seus cálices, seus botões e suas flores formavam um todo com ele.
18. Seis braços saam de seus lados, três de um lado e três de outro.
19. Em um braço havia três cálices em forma de flor de amendoeira, com um botão e uma flor; na segunda haste havia três cálices, em forma de flor de amendoeira, com um botão e uma flor, e assim por diante para os seis braços que saíam do candelabro.
20. No próprio candelabro havia quatro cálices em forma de flor de amendoeira, com seus botões e suas flores:
21. um botão sob os dois primeiros braços que saíam do candelabro, um botão sob os dois braços seguintes, e um botão sob os dois últimos; e assim era com os seis braços que saíam do candelabro.
22. Esses botões e esses braços faziam corpo com o candelabro, formando o todo uma só peça de ouro puro batido.
23. Fez sete lâmpadas de ouro puro; e fez de ouro puro as suas espevitadeiras e os seus cinzeiros.
24. Empregou um talento de ouro puro na confecção do candelabro e seus acessórios.
25. Fez o altar dos perfumes de madeira de acácia. Seu comprimento foi de um côvado, e sua largura de um côvado; era quadrado e tinha dois côvados de altura; seus cornos faziam corpo com ele.
26. Cobriu de ouro puro a sua parte superior, os seus lados ao redor e os seus cornos; e pôs uma bordadura de ouro ao redor.
27. Fez para ele duas argolas de ouro, que foram colocadas abaixo da bordadura, dos dois lados, e serviriam para receber os dois varais destinados ao seu transporte.
28. Fez varais de madeira de acácia, revestidos de ouro,
29. e fez também o óleo para a unção santa e o perfume aromático, composto segundo a arte do perfumista.

 
Capítulo 38

1. Fez o altar dos holocaustos de madeira de acácia. Seu comprimento foi de cinco côvados, sua largura de cinco côvados (era quadrado), e sua altura de três côvados.
2. Em seus quatro ângulos pôs cornos, que faziam corpo com o altar; e cobriu-o de bronze.
3. Fez todos os utensílios do altar: os cinzeiros, as pás, as bacias, os garfos e os braseiros; tudo de bronze.
4. Fez no altar uma grelha de bronze em forma de gelosia, que colocou embaixo, sob o rebordo saliente do altar, até a metade de sua altura.
5. Para os quatro cantos da grelha de bronze, fundiu quatro argolas destinadas a receber os varais.
6. Fez os varais de madeira de acácia, revestidos de bronze.
7. Introduziu-os nas argolas ao longo do altar para poder transportá-lo. E fez o altar oco, de tábuas.
8. Fez a bacia de bronze e seu pedestal de bronze, com os espelhos das mulheres que faziam o serviço à entrada da tenda de reunião.
9. Depois fez o átrio. Do lado meridional, ao sul, fez cortinas de linho retorcido, numa extensão de cem côvados,
10. bem como vinte colunas sobre vinte pedestais de bronze; os pregos das colunas e suas vergas eram de prata.
11. Do lado norte, as cortinas tinham cem côvados de extensão, e havia vinte colunas com seus pedestais de bronze; os pregos das colunas e suas vergas eram de prata.
12. Do lado do ocidente, elas tinham cinqüenta côvados, com dez colunas e seus dez pedestais.
13. Pela frente, do lado oriental, cinqüenta côvados;
14. havia de um lado quinze côvados de cortina, com três colunas e três pedestais,
15. e do outro lado, isto é, de um e outro lado da porta do átrio, quinze côvados de cortinas com três colunas e três pedestais.
16. Todas as cortinas do recinto do átrio eram de linho retorcido.
17. Os pedestais das colunas eram de bronze, os pregos das colunas e suas vergas, de prata, e seus capitéis, recobertos de prata. Todas as colunas do átrio eram ligadas entre si por vergas de prata.
18. A cortina da porta do átrio era uma obra bordada, de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e linho retorcido; seu comprimento era de vinte côvados, e tinha cinco côvados de altura, segundo a largura das cortinas do átrio.
19. Suas quatro colunas e seus quatro pedestais eram de bronze, os pregos e as vergas, de prata, e seus capitéis, revestidos de prata.
20. Todas as estacas para o tabernáculo e para o recinto do átrio eram de bronze.
21. Eis a soma dos materiais utilizados para o tabernáculo, o tabernáculo do testemunho, soma feita por ordem de Moisés e aos cuidados dos levitas, sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Aarão.
22. Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, fez tudo o que o Senhor tinha ordenado a Moisés,
23. com a ajuda de Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dã, perito em escultura, em invenções e em bordados de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e linho fino.
24. Total do ouro utilizado para todos os trabalhos do santuário: o ouro das ofertas subiu a vinte e nove talentos e setecentos e trinta siclos (siclo do santuário).
25. A prata recolhida dos membros da assembléia que foram recenseados elevou-se a cem talentos e mil setecentos e setenta e cinco siclos (siclo do santuário).
26. Isto vinha a ser uma beca por cabeça (ou seja, meio siclo, peso do santuário), de todos os que foram recenseados, da idade de vinte anos para cima, ou seja, de seiscentos e três mil quinhentos e cinqüenta homens.
27. Os cem talentos de prata serviram para fundir os suportes do santuário e os da cortina, cem pedestais para os cem talentos, ou seja, um talento por pedestal.
28. Com os mil setecentos e setenta e cinco siclos, fizeram-se os pregos para as colunas, o revestimento dos capitéis e as vergas de junção.
29. O bronze das ofertas subiu a setenta talentos e dois mil e quatrocentos siclos.
30. Com ele fizeram-se os pedestais colocados à entrada da tenda de reunião, o altar de bronze com sua grelha de bronze e todos os utensílios do altar,
31. os pedestais do recinto e da porta do átrio, todas as estacas do tabernáculo e todas as estacas do recinto do átrio.

 
Capítulo 39

1. Com a púrpura violeta, a púrpura escarlate e o carmesim, fizeram-se as vestes de cerimônia para o serviço do santuário, e os ornamentos sagrados para Aarão, como o Senhor havia ordenado a Moisés.
2. Fez-se o efod de ouro, de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e linho fino retorcido.
3. Reduziu-se o ouro a lâminas, e estas foram cortadas em fios para serem entrelaçados com a púrpura violeta e escarlate, o carmesim e o linho fino, fazendo disso um artístico bordado.
4. Fizeram-se alças que o uniam, e aos quais era preso pelas duas extremidades.
5. O cinto que passava sobre o efod, para prendê-lo, formava uma só peça com ele e era do mesmo trabalho: ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino retorcido, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
6. Fizeram-se as pedras de ônix, engastadas em filigranas de ouro, nas quais foram gravados, à maneira de sinetes, os nomes dos filhos de Israel.
7. Colocaram-se nas alças do efod essas pedras para serem um memorial dos filhos de Israel, como o Senhor o tinha ordenado a Moisés.
8. Fez-se o peitoral, obra de arte como o efod, de ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino retorcido. Era quadrado e dobrado em dois;
9. seu comprimento era de um palmo e sua largura de um palmo; e era duplo.
10. Adornou-se de quatro fileiras de pedras. Primeira fila: um sárdio, um topázio e uma esmeralda;
11. segunda fileira: um rubi, uma safira, um diamante;
12. terceira fileira: uma opala, uma ágata e uma ametista;
13. quarta fileira: um crisólito, um ônix e um jaspe. Elas estavam engastadas em filigranas de ouro.
14. E, correspondendo aos nomes dos filhos de Israel, eram em número de doze, e em cada uma estava gravado o nome de uma das doze tribos, à maneira de um sinete.
15. Fizeram-se umas correntinhas de ouro puro para o peitoral, entrelaçadas em forma de cordão,
16. e também dois engastes de ouro e duas argolas de ouro que se fixaram nas duas extremidades do peitoral.
17. Foram os dois cordões de ouro passados nas duas argolas, nas extremidades do peitoral,
18. e presas as duas pontas dos dois cordões aos dois engastes, pondo-os para o lado da frente nas duas alças do efod.
19. Fizeram-se ainda duas argolas de ouro que se fixaram às duas extremidades do peitoral, na orla interior que se aplica contra o efod.
20. E enfim duas outras argolas de ouro, que se fixaram na parte dianteira, por baixo das duas alças do efod, no lugar da junção, na cintura do efod.
21. Prenderam-se as argolas às do efod por meio de uma fita de púrpura violeta, a fim de fixar o peitoral na cintura do efod, de sorte que não pudesse separar-se dele. Foi assim que o Senhor tinha ordenado a Moisés.
22. Fez-se o manto do efod, tecido inteiramente de púrpura violeta.
23. Havia no meio uma abertura para a cabeça, como a de um corselete; a beirada estava protegida por uma orla, para que não se rompesse.
24. A orla inferior do manto foi adornada com romãs de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e linho fino retorcido.
25. Fizeram-se campainhas de ouro puro que se colocaram entre as romãs em toda a orla inferior do manto:
26. uma campainha, uma romã, outra campainha, outra romã, em toda a orla inferior do manto, para o serviço, como o Senhor o tinha ordenado a Moisés.
27. Fizeram-se túnicas de linho, tecidas, para Aarão e seus filhos;
28. o turbante de linho, e as tiaras de linho à guisa de ornato; os calções de linho fino retorcido;
29. a cintura de linho retorcido, bordada de púrpura violeta, púrpura escarlate e carmesim, como o Senhor o tinha ordenado a Moisés.
30. Foi feita a lâmina de ouro puro, o diadema sagrado, onde foi gravado, como se grava um sinete: consagrado a Javé.
31. Prendeu-se com uma fita de púrpura violeta pela frente, na parte superior do turbante, como o Senhor havia ordenado a Moisés.
32. Assim foram terminados todos os trabalhos do tabernáculo, da tenda de reunião. Os israelitas tinham executado tudo em conformidade com as ordens dadas pelo Senhor a Moisés.
33. Apresentaram o tabernáculo a Moisés: a tenda e todo o seu mobiliário, seus colchetes, suas tábuas, suas travessas, suas colunas, seus pedestais;
34. a coberta de peles de carneiro tintas de vermelho, a coberta de peles de golfinho, o véu de separação,
35. a arca da aliança com seus varais e sua tampa;
36. a mesa com todos os seus utensílios e os pães da proposição;
37. o candelabro de ouro puro, suas lâmpadas, as lâmpadas que se deviam dispor nele, todos os seus acessórios e o óleo para o candelabro;
38. o altar de ouro, o óleo de unção, o perfume aromático e a cortina da entrada da tenda;
39. o altar de bronze, sua grelha de bronze, seus varais e todos os seus utensílios; a bacia com seu pedestal; as cortinas do átrio, suas colunas, seus pedestais, a cortina da porta do átrio,
40. seus cordões e suas estacas e todos os utensílios necessários ao culto do tabernáculo para a tenda de reunião;
41. as vestes litúrgicas para o serviço do santuário, os ornamentos sagrados para o sacerdote Aarão e as vestes de seus filhos para as funções sacerdotais.
42. Os israelitas tinham executado toda essa obra conformando-se exatamente às ordens dadas pelo Senhor a Moisés.
43. Moisés examinou todo o trabalho, e averiguou que ele tinha sido executado segundo as ordens do Senhor. E Moisés os abençoou.

 
Capítulo 40

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “No primeiro dia do primeiro mês, levantarás o tabernáculo, a tenda de reunião.
3. Porás nele a arca da aliança e a ocultarás com o véu.
4. Trarás a mesa e disporás nela as coisas que devem estar sobre ela. Trarás o candelabro e porás nele suas lâmpadas.
5. Colocarás o altar de ouro para o perfume diante da arca da aliança e pendurarás o véu à entrada do tabernáculo.
6. Colocarás o altar dos holocaustos diante da entrada do tabernáculo, da tenda de reunião.
7. Colocarás a bacia entre a tenda de reunião e o altar, e porás água nela.
8. Farás o recinto do átrio e disporás a cortina à entrada do átrio.
9. Tomarás o óleo de unção e ungirás com ele o tabernáculo com tudo o que ele contém; consagrá-lo-ás com todo o seu mobiliário, para que ele se torne uma coisa santa.
10. Ungirás o altar dos holocaustos e todos os seus utensílios; em virtude de tua consagração, o altar se tornará uma coisa santíssima.
11. Ungirás a bacia com seu pedestal, e a consagrarás.
12. Farás em seguida aproximarem-se Aarão e seus filhos da entrada da tenda de reunião, onde os lavarás com água.
13. Revestirás Aarão com os ornamentos sagrados; ungi-lo-ás e o consagrarás, e ele será sacerdote a meu serviço.
14. Farás aproximarem-se seus filhos e, depois de os teres revestido de túnicas,
15. tu os ungirás como o fizeste com seu pai; e serão sacerdotes a meu serviço. Essa unção lhes conferirá o sacerdócio para sempre, de geração em geração.”
16. Moisés fez tudo o que o Senhor lhe havia mandado, e se conformou a tudo.
17. Assim, no segundo ano, no primeiro dia do primeiro mês, o tabernáculo foi erigido.
18. Moisés levantou o tabernáculo: pôs suas bases, suas tábuas, suas travessas, e assentou suas colunas.
19. Estendeu a tenda sobre o tabernáculo, e pôs a coberta da tenda por cima, como o Senhor lhe tinha ordenado.
20. Tomou o testemunho e colocou-o na arca; meteu os varais na arca, e colocou nela a tampa.
21. Introduziu a arca no tabernáculo; e, tendo pendurado o véu de separação, cobriu com ele a arca da aliança, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
22. Colocou a mesa na tenda de reunião, do lado norte do tabernáculo, diante da cortina;
23. e dispôs nela em ordem os pães diante do Senhor, como o Senhor lhe tinha ordenado.
24. Pôs o candelabro na tenda de reunião, diante da mesa, do lado sul do tabernáculo,
25. e dispôs nele as lâmpadas diante do Senhor, como o Senhor lhe tinha ordenado.
26. Colocou o altar de ouro na tenda de reunião, diante do véu,
27. e queimou nele o incenso, como o Senhor lhe tinha ordenado.
28. Colocou a cortina à entrada do tabernáculo.
29. Colocou o altar dos holocaustos à entrada do tabernáculo, da tenda de reunião, e ofereceu sobre ele o holocausto e a oblação, como o Senhor lhe tinha ordenado.
30. Colocou a bacia entre a tenda de reunião e o altar, e pôs nela a água para as abluções.
31. Moisés, Aarão e seus filhos lavaram aí as mãos e os pés.
32. Quando entravam na tenda de reunião e se aproximavam do altar, faziam suas abluções, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
33. Enfim, fez o recinto do átrio em torno do tabernáculo e do altar e colocou a cortina na porta do átrio. Assim terminou Moisés a sua tarefa.
34. Então a nuvem cobriu a tenda de reunião e a glória do Senhor encheu o tabernáculo.
35. E era impossível a Moisés entrar na tenda de reunião, porque a nuvem pairava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo.
36. Durante todo o curso de suas peregrinações, os israelitas se punham a caminho quando se elevava a nuvem que estava sobre o tabernáculo;
37. do contrário, eles não partiam até o dia em que ela se elevasse.
38. E, enquanto duraram as suas peregrinações, a nuvem do Senhor pairou sobre o tabernáculo durante o dia; e, durante a noite, havia um fogo na nuvem, que era visível a todos os israelitas.

 

Levítico

Levítico

 Capítulo 1

1. O Senhor chamou Moisés e falou-lhe da tenda de reunião:
2. “Fala, disse-lhe ele, aos israelitas. Dize-lhes: Quando um de vós fizer uma oferta ao Senhor, será dentre o gado maior ou menor que oferecereis.
3. Se a oferta for um holocausto tirado do gado maior, oferecerá um macho sem defeito; e o oferecerá à entrada da tenda de reunião para obter o favor do Senhor.
4. Porá a mão sobre a cabeça da vítima, que será aceita em seu favor para lhe servir de expiação.
5. Imolar-se-á o novilho diante do Senhor, e os sacerdotes, filhos de Aarão, oferecerão o sangue e o derramarão ao redor sobre o altar que está à entrada da tenda de reunião.
6. Tirar-se-á a pele da vítima, e esta será cortada em pedaços.
7. Os filhos do sacerdote Aarão porão fogo no altar, e empilharão a lenha sobre ele,
8. dispondo, em seguida, por cima da lenha, os pedaços, a cabeça e a gordura.
9. Lavar-se-ão com água as entranhas e as pernas, e o sacerdote queimará tudo sobre o altar. Este é um holocausto, um sacrifício consumido pelo fogo, de odor agradável ao Senhor.
10. Se a sua oferta for um holocausto tirado do gado menor, dos cordeiros ou das cabras, oferecerá um macho sem defeito.
11. Imolá-lo-ás do lado norte do altar, diante do Senhor, e os sacerdotes, filhos de Aarão, derramarão o seu sangue em redor do altar.
12. A vítima será, em seguida, cortada em pedaços, com a cabeça e a gordura, que o sacerdote disporá sobre a lenha colocada no fogo do altar.
13. As entranhas e as pernas serão lavadas com água, e, em seguida, o sacerdote oferecerá tudo isso, queimando-o no altar. Este é um holocausto, um sacrifício consumido pelo fogo, de odor agradável ao Senhor.
14. Se a sua oferta ao Senhor for um holocausto tirado dentre as aves, oferecerá rolas ou pombinhos.
15. O sacerdote meterá a ave sobre o altar, lhe destroncará a cabeça e a queimará no altar, depois de haver espremido o seu sangue contra a parede do altar.
16. Tirará o papo com as penas e os jogará perto do altar, para o oriente, no lugar onde se põem as cinzas.
17. Abrirá em seguida a ave à altura das asas, sem as desprender, e a queimará no altar, em cima da lenha que está no fogo. Este é um holocausto, um sacrifício consumido pelo fogo, de odor agradável ao Senhor.”

 
Capítulo 2

1. “Quando alguém apresentar ao Senhor uma oblação como oferta, a sua oblação será de flor de farinha; derramará sobre ela azeite, ajuntando também incenso.
2. E levá-la-á ao sacerdote, filho de Aarão, o qual tomará um punhado de flor de farinha com azeite, e todo o incenso, e a queimará no altar como um memorial. Este é um sacrifício consumido pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
3. O que sobrar da oblação será para Aarão e seus filhos; isto é, o que há de mais santo entre os sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor.
4. Quando ofereceres uma oblação de coisa cozida no forno, farás bolos de flor de farinha sem fermento, amassados com azeite, e bolachas sem fermento, untadas com azeite.
5. Se a oblação que ofereces for algo cozido na frigideira, que seja flor de farinha amassada com azeite, sem fermento.
6. Cortá-la-ás em pedaços e derramarás azeite por cima: isto é uma oblação.
7. Se a oblação que ofereces for cozida na grelha, deverá ser flor de farinha com azeite.
8. Trarás ao Senhor a oblação assim preparada, e a entregarás ao sacerdote, que a colocará no altar.
9. Ele separará da oblação o que deverá ser oferecido como memorial, e o queimará no altar. Este é um sacrifício consumido pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
10. O que sobrar da oblação será para Aarão e seus filhos; isto é o que há de mais santo entre os sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor.
11. Toda oblação que oferecerdes ao Senhor deverá ser preparada sem fermento: não queimareis nada que contenha fermento ou mel em sacrifício feito pelo fogo ao Senhor.
12. Podereis oferecê-lo ao Senhor como oferta de primícias, mas não será colocado no altar como oferta de agradável odor.
13. Salgarás todas as tuas oblações; não deixarás faltar à tua oferta o sal da aliança de teu Deus. Porás, pois, sal em todas as tuas ofertas.
14. Se fizeres ao Senhor uma oferta de primícias, oferecerás espigas tostadas ao fogo, grão tenro moído como oblação de tuas primícias.
15. Derramarás azeite por cima, ajuntando também o incenso; esta é uma oblação.
16. O sacerdote queimará como memorial uma parte do grão moído e do azeite com todo o incenso. Este é um sacrifício feito pelo fogo ao Senhor.”

 
Capítulo 3

1. “Quando alguém oferecer um sacrifício pacífico, e quiser oferecer gado, macho ou fêmea, oferecerá um que seja sem defeito ao Senhor.
2. Ele porá a mão sobre a cabeça da vítima, e a imolará à entrada da tenda de reunião; e os sacerdotes, filhos de Aarão, aspergirão com seu sangue as paredes do altar ao redor.
3. Deste sacrifício pacífico, oferecerá, à guisa de sacrifício pelo fogo ao Senhor, a gordura que envolve as entranhas e que está aderida a elas,
4. os dois rins com a gordura que os envolve na região lombar e a pele que recobre o fígado, a qual será desprendida de junto dos rins.
5. Os filhos de Aarão queimarão isso no altar, por cima do holocausto colocado sobre a lenha que está no fogo. Este é um sacrifício consumido pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
6. Se oferecer do gado menor ao Senhor, como sacrifício pacífico, macho ou fêmea, oferecerá um que seja sem defeito.
7. Se oferecer um cordeiro, apresentá-lo-á diante do Senhor,
8. porá a mão sobre a cabeça da vítima e a imolará diante da tenda de reunião; em seguida, os filhos de Aarão derramarão o seu sangue em toda a volta do altar.
9. Deste sacrifício pacífico oferecerá, à guisa de sacrifício pelo fogo ao Senhor, a gordura, a cauda inteira cortada rente à espinha, a gordura que envolve as entranhas e que se acha aderida a elas,
10. os dois rins com a gordura que os envolve na região lombar e a pele que recobre o fígado, a qual será desprendida de junto dos rins.
11. O sacerdote queimará isso no altar; este é o alimento de um sacrifício feito pelo fogo ao Senhor.
12. Se sua oferta for uma cabra, apresentá-la-á diante do Senhor,
13. porá a mão sobre sua cabeça e a imolará diante da tenda de reunião; e os filhos de Aarão derramarão o seu sangue sobre toda a volta do altar.
14. Desta oferta oferecerá, à guisa de sacrifício feito pelo fogo ao Senhor, a gordura que envolve as entranhas e que se acha aderida a elas,
15. os dois rins com a gordura que os recobre na região lombar, e a pele que recobre o fígado, a qual será desprendida de junto dos rins.
16. O sacerdote os queimará sobre o altar; este é o alimento de um sacrifício oferecido pelo fogo, de agradável odor. Toda a gordura pertence ao Senhor.
17. Essa é uma lei perpétua para vossos descendentes, onde quer que habiteis: não comereis gordura nem sangue.”

 
Capítulo 4

1. O Senhor disse a Moisés: “Fala aos israelitas. Dize-lhes:
2. quando um homem tiver pecado involuntariamente contra uma prescrição do Senhor, fazendo uma das coisas que e proibiu;
3. se aquele que tiver pecado for um sacerdote ungido, de maneira que o povo se torne culpado, oferecerá ao Senhor por sua transgressão um novilho sem defeito como sacrifício de expiação.
4. Levará o novilho diante do Senhor, à entrada da tenda de reunião, porá a mão sobre a cabeça do touro e o imolará diante do Senhor.
5. O sacerdote ungido tomará o sangue do touro e o levará à tenda de reunião;
6. mergulhará o seu dedo no sangue e fará sete aspersões diante do Senhor, diante do véu do santuário.
7. Em seguida, porá o sangue nos cornos do altar dos perfumes aromáticos que está diante do Senhor na tenda de reunião; e derramará o resto do sangue do touro ao pé do altar dos holocaustos que está à entrada da tenda de reunião.
8. Tirará a gordura do touro imolado pelo pecado, tanto a que envolve as entranhas como a que adere a elas,
9. os dois rins com a gordura que os envolve na região lombar, e a pele que recobre o fígado, a qual será desprendida de junto dos rins.
10. Fará como se faz com o touro do sacrifício pacífico, e queimará tudo isso no altar dos holocaustos.
11. Mas o couro do touro, sua carne, com sua cabeça, suas pernas, suas entranhas e seus excrementos, enfim, todo o touro,
12. o levará para fora do acampamento, em lugar limpo, onde se jogam as cinzas, e o queimará sobre lenha: será queimado sobre um monte de cinzas.
13. Se foi toda a assembléia de Israel quem pecou involuntariamente, por inadvertência, cometendo alguma ação proibida pelos mandamentos do Senhor, tornando-se assim culpada,
14. se o pecado cometido por ela vier a ser conhecido, a assembléia oferecerá em sacrifício de expiação um novilho, que se conduzirá diante da tenda de reunião.
15. Os anciãos da assembléia porão suas mãos sobre a cabeça do touro, o qual será imolado diante do Senhor.
16. O sacerdote ungido levará o sangue do touro à tenda de reunião:
17. mergulhará seu dedo no sangue e fará sete aspersões diante do Senhor, em frente do véu.
18. Porá o sangue nos cornos do altar que está diante do Senhor na tenda de reunião e derramará o resto do sangue ao pé do altar dos holocaustos que está à entrada da tenda de reunião.
19. Tirará toda a gordura do touro para queimá-la sobre o altar.
20. Fará desse touro o que se fez com o novilho imolado pelo pecado. É assim que o sacerdote fará a expiação por eles, e serão perdoados.
21. Levará depois o touro para fora do acampamento e o queimará como o primeiro. Este é o sacrifício pelo pecado da assembléia.
22. Se foi um chefe quem pecou, cometendo involuntariamente uma ação proibida por um mandamento do Senhor seu Deus, tornando-se assim culpado,
23. trará para sua oferta um bode sem defeito, logo que tiver tomado consciência de seu pecado.
24. Porá a mão sobre a cabeça do bode e o imolará no lugar onde se imolam os holocaustos diante do Senhor; este é um sacrifício pelo pecado.
25. O sacerdote, com o dedo, tomará o sangue da vítima oferecida pelo pecado e o porá sobre os cornos do altar dos holocaustos, e derramará o resto do sangue ao pé desse altar.
26. Queimará, em seguida, sobre o altar toda a gordura, como a dos sacrifícios pacíficos. É assim que o sacerdote fará pelo chefe a expiação de seu pecado; e ele será perdoado.
27. Se for alguém do povo quem pecou involuntariamente, cometendo uma ação proibida por um mandamento do Senhor, tornando-se assim culpado,
28. trará para sua oferta uma cabra sem defeito, pela falta cometida, logo que tiver tomado consciência de seu pecado.
29. Porá a mão sobre a cabeça da vítima oferecida pelo pecado e a imolará no lugar onde se imolam os holocaustos.
30. Em seguida, o sacerdote, com o dedo, tomará o sangue da vítima, e pô-lo-á sobre os cornos do altar dos holocaustos, derramando o resto ao pé do altar.
31. Tirará toda a gordura, como se fez no sacrifício pacífico, e a queimará no altar, como agradável odor ao Senhor. É assim que o sacerdote fará a expiação por esse homem, e ele será perdoado.
32. Se for um cordeiro que oferecer em sacrifício pelo pecado, oferecerá uma fêmea sem defeito.
33. Porá a mão sobre a cabeça da vítima oferecida pelo pecado e a imolará em sacrifício de expiação no lugar onde se imolam os holocaustos.
34. Em seguida, com o dedo, tomará o sacerdote o sangue da vítima oferecida pelo pecado, e o porá sobre os cornos do altar dos holocaustos, derramando o resto do sangue ao pé do altar.
35. Tirará toda a gordura como se tirou a do cordeiro do sacrifício pacífico, e a queimará no altar, entre os sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor. É assim que o sacerdote fará a expiação pelo pecado cometido por esse homem, e ele será perdoado.

 
Capítulo 5

1. “Se algum, chamado como testemunha, após ter ouvido a adjuração do juiz, peca por não declarar o que viu ou o que soube, levará o peso de sua falta.
2. Se alguém tocar, por inadvertência, uma coisa impura, como o cadáver de um animal impuro, de uma fera ou de um réptil impuro, ficará manchado e culpado.
3. Da mesma forma, se, por descuido, tocar uma imundície humana qualquer, e logo se der conta disso, será réu de culpa.
4. Se alguém, por descuido ou irreflexão, jurar fazer qualquer coisa de bem ou de mal, logo que se der conta disso, será culpado, qualquer que seja o juramento inconsiderado.
5. Aquele, pois, que for culpado de uma dessas coisas, confessará aquilo em que faltou.
6. Apresentará ao Senhor em expiação pelo pecado cometido uma fêmea de seu rebanho miúdo, uma ovelha ou uma cabra em sacrifício pelo pecado, e o sacerdote fará por ele a expiação de seu pecado.
7. Se não houver meio de se obter uma ovelha ou uma cabra, oferecerá ao Senhor em expiação pelo seu pecado duas rolas ou dois pombinhos, um em sacrifício pelo pecado e o outro em holocausto.
8. Levá-los-á ao sacerdote, que oferecerá primeiro a vítima pelo pecado, quebrando-lhe a cabeça, perto da nuca, sem desprendê-la.
9. Aspergirá a parede do altar com o sangue da vítima pelo pecado, e o resto do sangue será espremido ao pé do altar; este é um sacrifício pelo pecado.
10. Fará da outra ave um holocausto segundo os ritos. É assim que o sacerdote fará por esse homem a expiação do pecado que ele cometeu, e ele ser perdoado.
11. Se não houver meio de se encontrarem duas rolas ou dois pombinhos, trará como oferta, pelo pecado cometido, o décimo de um efá de flor de farinha em sacrifício pelo pecado. Não lhe deitará azeite nem lhe porá incenso, porque é um sacrifício pelo pecado.
12. Trará ao sacerdote, que dela tomará um punhado como memorial, e a queimará sobre o altar, entre os sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor; este é um sacrifício pelo pecado.
13. É assim que o sacerdote fará a expiação pelo pecado cometido por esse homem, em uma dessas coisas; e ele será perdoado. O que sobrar será do sacerdote, como na oblação.”
14. O Senhor disse a Moisés:
15. “Se alguém cometer involuntariamente uma infidelidade, retendo ofertas consagradas ao Senhor, oferecerá ao Senhor em sacrifício de reparação um carneiro sem defeito, tomado do rebanho, segundo a tua avaliação em siclos de prata, conforme o siclo do santuário; este é um sacrifício de reparação.
16. Restituirá o que tirou do santuário, com um quinto a mais, que entregará ao sacerdote. O sacerdote fará a expiação por esse homem com o carneiro oferecido em sacrifício de reparação, e ele será perdoado.
17. “Se alguém pecar, fazendo, sem saber, uma ação proibida por um mandamento do Senhor, será culpado e levará o peso de sua falta.
18. Levará ao sacerdote, em sacrifício de reparação, um carneiro sem defeito tomado do rebanho, segundo sua avaliação. O sacerdote fará por ele a expiação da falta cometida por inadvertência, sem saber; e ele ser perdoado.
19. Este é um sacrifício de reparação, porque esse homem era certamente culpado aos olhos do Senhor.”
20. O Senhor disse a Moisés:
21. “Se alguém pecar e cometer uma infidelidade para com o Senhor, negando ter recebido de seu próximo um depósito ou um penhor, recusando restituir uma coisa roubada ou arrebatada com violência,
22. ou um objeto perdido que encontrou, e jurando falso a respeito de uma das coisas com que se pode pecar,
23. se vem assim a pecar e tornar-se culpado, restituirá o objeto roubado ou arrebatado violentamente, o depósito confiado, ou toda coisa que tenha sido objeto de juramento falso.
24. Restituirá integralmente esse objeto ao seu proprietário, ajuntando um quinto do seu valor, no mesmo dia em que oferecer o sacrifício de reparação.
25. Levará ao sacerdote para o sacrifício de reparação ao Senhor um carneiro sem defeito, tomado do rebanho, segundo a tua avaliação.
26. O sacerdote fará por ele a expiação diante do Senhor, e ele será perdoado, seja qual for a falta de que se tenha tornado culpado.”

 
Capítulo 6

1. O Senhor disse a Moisés: “Eis as ordenações que darás a Aarão e a seus filhos:
2. esta é a lei do holocausto. O holocausto ficará na lareira do altar toda a noite até pela manhã, e se conservará aí aceso o fogo do altar.
3. O sacerdote, revestido da túnica de linho e com os calções de linho no corpo, tirará a cinza do fogo que houver consumido o holocausto sobre o altar e a porá ao lado.
4. Deixará suas vestes e porá outras para levar a cinza fora do acampamento, a um lugar limpo.
5. O fogo deverá ser alimentado no altar, sem jamais se apagar. O sacerdote nele acenderá lenha todas as manhãs; disporá sobre ele o holocausto e sobre ele queimará a gordura dos sacrifícios pacíficos.
6. O fogo se conservará perpetuamente aceso no altar, sem jamais se apagar.
7. Eis a lei da oblação: os filhos de Aarão a apresentarão ao Senhor diante do altar.
8. Tomarão dela um punhado de flor de farinha com o azeite e todo o incenso que está por cima, e queimarão sobre o altar como memorial, em oferta de agradável odor ao Senhor.
9. Aarão e seus filhos comerão o que sobrar da oblação. E comê-lo-ão sem fermento em um lugar santo, a saber: no átrio da tenda de reunião. Não será cozido com fermento.
10. Esta é a parte que lhes tenho dado das ofertas que me são feitas, consumidas pelo fogo. Esta é uma coisa santíssima, como o sacrifício pelo pecado e o sacrifício de reparação.
11. Todo varão entre os filhos de Aarão comerá dela. Essa é uma lei perpétua, no tocante às partes destinadas a vossos descendentes, das ofertas feitas pelo fogo ao Senhor. Todo aquele que tocar essas coisas será santo.”
12. O Senhor disse a Moisés:
13. “Eis a oferta que Aarão e seus filhos farão ao Senhor no dia em que receberem a unção: um décimo de efá de flor de farinha em oblação perpétua, metade pela manhã e metade à tarde.
14. Ela será frita na frigideira com óleo; tu a trarás quando estiver misturada, e oferecerás os pedaços fritos da oferta dividida, em agradável odor ao Senhor.
15. O filho do sacerdote que lhe suceder e receber a unção fará também essa oblação. Esta é uma lei perpétua diante do Senhor; a oblação será consumida inteiramente.
16. Toda oferta de sacerdote será consumida integralmente; não se comerá dela.”
17. O Senhor disse a Moisés: “Dize o seguinte a Aarão e seus filhos:
18. eis a lei do sacrifício pelo pecado: a vítima do sacrifício pelo pecado será imolada diante do Senhor, no lugar onde se imola a vítima do holocausto. Esta é uma coisa santíssima.
19. O sacerdote que oferecer a vítima do sacrifício pelo pecado comê-la-á em um lugar santo, a saber: no átrio da tenda de reunião.
20. Todo aquele que tocar a sua carne será santo; se se salpicar do seu sangue sobre uma veste, tu a lavarás em um lugar santo.
21. O vaso de barro em que se cozer a vítima será quebrado; mas, se o vaso for de bronze, será esfregado e lavado com água.
22. Todo varão entre os sacerdotes comerá dela; esta é uma coisa santíssima.
23. A vítima, porém, imolada pelo pecado, cujo sangue se leva à tenda de reunião para se fazer a expiação no santuário, não será de forma alguma comida, mas queimada no fogo.

 
Capítulo 7

1. “Eis a lei do sacrifício de reparação; esta é uma coisa santíssima.
2. A vítima do sacrifício de reparação será imolada no lugar onde se imola o holocausto: e derramar-se-á o seu sangue em toda a volta do altar.
3. Dela se oferecerá toda a gordura, a cauda, a gordura que envolve as entranhas,
4. os dois rins com a gordura que os recobre na região lombar e a pele que recobre o fígado, a qual será desprendida de junto dos rins.
5. O sacerdote as queimará sobre o altar, em sacrifício pelo fogo ao Senhor; este é um sacrifício de reparação.
6. Todo varão entre os sacerdotes comerá dela em um lugar santo: esta é uma coisa santíssima.
7. O sacrifício de reparação far-se-á exatamente como o sacrifício pelo pecado; será uma só lei para os dois; a vítima pertencerá ao sacerdote que tiver feito a expiação.
8. O sacerdote que oferecer o holocausto por alguém terá a pele da vítima oferecida.
9. Toda oblação cozida no forno, na caçarola ou na frigideira será do sacerdote que tiver oferecido.
10. Toda oblação amassada com óleo, ou seca, pertencerá aos filhos de Aarão que a dividirão eqüitativamente.
11. Eis a lei do sacrifício pacífico que se oferece ao Senhor:
12. Se a oferta for em ação de graças, oferecer-se-ão com a vítima de ação de graças bolos sem fermento, amassados com óleo, bolachas sem fermento untadas de óleo, e farinha frita em forma de bolos amassados com óleo.
13. Oferecer-se-ão também bolos fermentados com a oblação do sacrifício pacífico oferecido em ação de graças.
14. Apresentar-se-á um pedaço de cada uma dessas ofertas em oblação reservada para o Senhor. Ela será para o sacerdote que tiver derramado o sangue da vítima pacífica.
15. A carne da vítima de ação de graças oferecida em sacrifício pacífico será comida no dia da oblação; não se deixará nada para o dia seguinte.
16. Se a vítima for oferecida por voto ou como oferta voluntária, deverá ser comida no dia da oblação, e o que sobrar se comerá no dia seguinte.
17. O que restar ainda da carne da vítima no terceiro dia será consumido pelo fogo.
18. Se alguém comer da carne de seu sacrifício pacífico no terceiro dia, esse sacrifício não será aceito; ele não lhe será levado em conta; esta será uma coisa abominável, e quem dele tiver comido levará o peso de sua falta.
19. A carne que tiver tocado alguma coisa impura não se comerá: será queimada no fogo. Todo homem puro poderá comer da carne do sacrifício pacífico.
20. Mas aquele que a comer em estado de impureza será cortado do seu povo.
21. Quem tocar alguma coisa impura, imundície humana ou animal impuro, ou qualquer outro objeto abominável, e comer, em seguida, da carne do sacrifício pacífico pertencente ao Senhor, será cortado de seu povo.”
22. O Senhor disse a Moisés:
23. Dize isto aos israelitas: não comereis gordura de boi, de ovelha ou de cabra.
24. A gordura de um animal morto ou dilacerado por uma fera selvagem poderá servir a qualquer outro uso, mas não comereis dela.
25. Todo aquele que comer da gordura de animais oferecidos ao Senhor em sacrifícios feitos pelo fogo será cortado do seu povo.
26. Onde quer que habiteis, não comereis sangue, nem de ave, nem de animais.
27. Todo aquele que comer sangue, seja que sangue for, será cortado de seu povo.”
28. O Senhor disse a Moisés: “Dize isto aos israelitas:
29. aquele que oferecer ao Senhor uma vítima pacífica, trar-lhe-á a oferta tomada do dito sacrifício.
30. E trará em suas mãos o que deve ser oferecido pelo fogo ao Senhor: a gordura com o peito, para agitá-la como oferta diante do Senhor.
31. O sacerdote queimará a gordura no altar, e o peito será para Aarão e seus filhos.
32. Dareis também ao sacerdote a coxa direita como oferta tomada dos vossos sacrifícios pacíficos.
33. Aquele dentre os filhos de Aarão que oferecer o sangue e a gordura dos sacrifícios pacíficos, esse terá como sua porção a coxa direita.
34. Eu tomei, com efeito, dos sacrifícios pacíficos dos israelitas, o peito que se deve agitar diante de mim e a coxa que se deve pôr à parte, e os dou ao sacerdote Aarão e seus filhos, como direito perpétuo que têm sobre os israelitas.
35. Esta é a parte que tocará a Aarão e seus filhos, dentre os sacrifícios pelo fogo ao Senhor, a partir do dia em que forem apresentados como sacerdotes a serviço do Senhor.
36. Foi o que o Senhor ordenou aos israelitas que dessem aos sacerdotes desde o dia de sua unção. É o direito perpétuo que têm para todos os seus descendentes.”
37. Tal é a lei do holocausto, da oblação, do sacrifício pelo pecado, do sacrifício de reparação e de empossamento e do sacrifício pacífico.
38. O Senhor deu-a a Moisés no monte Sinai, no dia em que prescreveu aos israelitas apresentarem suas ofertas ao Senhor no deserto do Sinai.

 
Capítulo 8

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Toma a Aarão e seus filhos, as vestes, o óleo para a unção, o touro do sacrifício pelo pecado, os dois carneiros e a cesta de pães ázimos,
3. e convoca toda a assembléia à entrada da tenda de reunião”.
4. Moisés fez o que lhe ordenou o Senhor, e a assembléia se reuniu à entrada da tenda de reunião.
5. Moisés disse então: “Eis o que o Senhor ordenou que se fizesse”.
6. Fez aproximarem-se Aarão e seus filhos e os lavou com água.
7. Vestiu Aarão com a túnica, a cintura e o manto; pôs sobre ele o efod, e cingiu-o com a cintura do efod, atando-o.
8. Pôs-lhe em seguida o peitoral, ao qual fixou o urim e o tumim.
9. Cobriu-lhe a cabeça com a tiara, diante da qual colocou a lâmina de ouro, o santo diadema, como o Senhor lhe tinha ordenado.
10. Tomou, além disso, o óleo da unção, ungiu com ele o tabernáculo e tudo o que continha, e os consagrou.
11. Aspergiu sete vezes o altar e ungiu-o com todos os seus utensílios, assim como a bacia e seu pedestal, para consagrá-los.
12. Derramou o óleo da unção na cabeça de Aarão para consagrá-lo.
13. Depois mandou que se aproximassem os filhos de Aarão, e os revestiu de túnicas e de cinturas, pondo-lhes também mitras nas cabeças, como o Senhor lhe tinha ordenado.
14. Então mandou vir o touro do sacrifício pelo pecado, e Aarão e seus filhos puseram as mãos sobre a sua cabeça.
15. Moisés o imolou, tomou o sangue e, com o dedo, o pôs sobre os cornos do altar, purificando o altar; derramou o resto ao pé do altar e o consagrou, fazendo sobre ele a expiação.
16. Tomou, em seguida, toda a gordura que envolve as entranhas, a pele que recobre o fígado e os dois rins com sua gordura, e os queimou no altar.
17. Mas queimou fora do acampamento o touro, seu couro, sua carne e seus excrementos, como o Senhor lhe tinha ordenado.
18. Mandou vir o carneiro do holocausto, sobre cuja cabeça Aarão e seus filhos impuseram as mãos.
19. Foi imolado, e Moisés derramou seu sangue em todo o redor do altar.
20. Foi, em seguida, cortado em pedaços, e Moisés queimou a cabeça aos pedaços a gordura.
21. Lavaram com água as entranhas e as patas, e Moisés queimou o carneiro todo sobre o altar: era um holocausto de agradável odor, um sacrifício consumido pelo fogo ao Senhor, como o Senhor o tinha ordenado a Moisés.
22. Mandou que se aproximasse o outro carneiro, o carneiro de empossamento, sobre cuja cabeça Aarão e seus filhos impuseram as mãos.
23. Moisés o imolou, tomou seu sangue e o pôs na ponta da orelha direita de Aarão e nos polegares de sua mão direita e do seu pé direito.
24. E mandou então que se aproximassem os filhos de Aarão: pôs-lhes o sangue na ponta da orelha direita, no polegar da mão direita e no hálux do pé direito; e derramou o resto do sangue em todo o redor do altar.
25. Depois tomou a gordura, a cauda, toda a gordura que envolve as entranhas, a pele que recobre o fígado, os dois rins com sua gordura e a coxa direita.
26. Tomou também da cesta de pães ázimos, colocada diante do Senhor, um bolo amassado sem fermento, um bolo amassado com óleo e uma bolacha, e os pôs sobre a gordura e a coxa direita.
27. Meteu tudo isso nas mãos de Aarão e de seus filhos para agitá-los como oferta diante do Senhor.
28. Tomou-os em seguida Moisés nas suas próprias mãos e os queimou sobre o altar, por cima do holocausto; este foi o sacrifício de empossamento, de agradável odor, consumado pelo fogo ao Senhor.
29. Tomou também o peito do carneiro de empossamento e o agitou como oferta diante do Senhor a sua porção, como o Senhor lhe tinha ordenado.
30. Tomou, finalmente, o óleo de unção e o sangue que estava sobre o altar e aspergiu sobre Aarão e suas vestes, seus filhos e suas vestes, e consagrou assim Aarão e seus filhos com suas vestes.
31. Depois Moisés disse-lhes: “Cozei a carne à entrada da tenda de reunião; ali a comereis com o pão que está na cesta de empossamento, como vos ordenei quando disse: Aarão e seus filhos a comerão.
32. O que sobrar da carne e do pão, queimá-lo-eis no fogo.
33. Não saireis da entrada da tenda de reunião durante sete dias, até se cumprirem os dias de vosso empossamento, o qual durará sete dias.
34. O que se fez hoje, prescreveu o Senhor que se faça novamente, em expiação por vós.
35. Ficareis, pois, sete dias à entrada da tenda de reunião, dia e noite, e observareis as ordens do Senhor, para que não morrais. Esta é a ordem que recebi”.
36. Aarão e seus filhos fizeram tudo o que o Senhor lhes tinha ordenado por Moisés.

 
Capítulo 9

1. No oitavo dia, Moisés chamou Aarão e seus filhos com os anciãos de Israel.
2. E disse a Aarão: “Toma um bezerro, em sacrifício pelo pecado, e também um carneiro para o holocausto, ambos sem defeito, e oferece-os ao Senhor.
3. Dirás aos israelitas: tomai um bode, em sacrifício pelo pecado, um bezerro e um cordeiro de um ano, sem defeito, para o holocausto,
4. um touro e um carneiro para o sacrifício pacífico; vós os imolareis ao Senhor com uma oblação amassada com óleo, porque o Senhor vos aparecerá hoje.”
5. Eles trouxeram diante da tenda de reunião o que Moisés havia ordenado. Toda a assembléia se aproximou e ficou de pé diante do Senhor.
6. Moisés disse então: “Eis o que ordena o Senhor: fazei-o, e a glória do Senhor vos aparecerá”.
7. E disse a Aarão: “Aproxima-te do altar; oferece teu sacrifício pelo pecado, e teu holocausto, e faze a expiação por ti e pelo povo. Apresenta também a oferta do povo, e faze a expiação por ele como o Senhor o ordenou”.
8. Aarão aproximou-se do altar e imolou o bezerro do sacrifício pelo pecado.
9. Seus filhos apresentaram-lhe o sangue, no qual ele mergulhou o dedo e o pôs nos cornos do altar, derramando o resto ao pé do altar.
10. Queimou sobre o altar a gordura, os rins, a pele que recobre o fígado da vítima pelo pecado, como o Senhor o tinha ordenado a Moisés;
11. mas queimou fora do acampamento a carne e o couro.
12. Imolou, em seguida, o holocausto. Seus filhos apresentaram-lhe o sangue, que ele derramou sobre o altar ao redor.
13. Apresentaram-lhe o holocausto cortado em pedaços, com a cabeça, e ele os queimou no altar.
14. Lavou as entranhas e as pernas, e as pernas, e as queimou no altar por cima do holocausto.
15. Apresentou também a oferta do povo, e, tomando o bode do sacrifício pelo pecado do povo, degolou-o e o ofereceu em expiação como a primeira vítima.
16. Ofereceu o holocausto e fez o sacrifício segundo o rito.
17. Apresentou a oblação, e dela tomou um punhado que queimou no altar, além do holocausto da manhã.
18. Imolou o touro e o carneiro em sacrifício pacífico pelo povo.
19. Os filhos de Aarão apresentaram-lhe o sangue, que ele derramou sobre o altar ao redor, assim como as partes gordas do touro e do carneiro, a cauda, a gordura que envolve as entranhas, os rins e a pele que recobre o fígado.
20. Puseram as gorduras sobre os peito, e Aarão queimou as gorduras no altar.
21. Agitou, em seguida, como oferta diante do Senhor, os peitos e a coxa direita, como o tinha prescrito Moisés.
22. Aarão levantou então as mãos para o povo, e o abençoou. Desceu após ter oferecido o sacrifício pelo pecado, o holocausto e o sacrifício pacífico.
23. Moisés e Aarão entraram na tenda de reunião e, saindo, abençoaram o povo. E a glória do Senhor apareceu a todo o povo.
24. Saiu um fogo de diante do Senhor que devorou no altar o holocausto e as gorduras. Vendo isso, todo o povo soltou gritos de júbilo e prostrou-se com a face por terra.

 
Capítulo 10

1. Os filhos de Aarão, Nadab e Abiú, tomaram cada um o seu turíbulo, puseram neles fogo e incenso e ofereceram ao Senhor um fogo estranho, que não lhes tinha sido ordenado.
2. Saiu, então, um fogo de diante do Senhor que os devorou, e morreram diante do Senhor.
3. Moisés disse a Aarão: “Era isso o que o Senhor tinha anunciado quando disse: serei santificado naqueles que se aproximam de mim, e serei glorificado em presença de todo o povo”. Aarão calou-se.
4. Moisés chamou Misael e Elisafon, filhos de Oziel, tio de Aarão, e disse-lhes: “Vinde e levai vossos irmãos para longe do santuário, fora do acampamento”.
5. Eles vieram e levaram-nos com suas túnicas para fora do acampamento, como Moisés lhes dissera.
6. Moisés disse a Aarão, a Eleazar e a Itamar: “Não descubrais as cabeças, nem rasgueis as vossas vestes; não suceda que morrais e que se levante a ira do Senhor contra toda a assembléia. Vossos irmãos e toda a casa de Israel chorem por causa do incêndio que o Senhor acendeu;
7. vós, porém, não deixareis a entrada da tenda de reunião, para que não morrais, porque o óleo de unção do Senhor está sobre vós”. E obedeceram à palavra de Moisés.
8. O Senhor disse a Aarão:
9. “Não beberás vinho nem cerveja, tu e teus filhos, quando entrardes na tenda de reunião, para que não morrais. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes,
10. a fim de que estejais sempre em condições de discernir o que é santo do que é profano, o puro do impuro,
11. e de ensinar aos israelitas todas as leis que o Senhor lhes deu por Moisés.”
12. Moisés disse a Aarão, e Eleazar e a Itamar, os dois filhos sobreviventes de Aarão: “Tomai a oblação que resta dos sacrifícios pelo fogo ao Senhor e comei-a sem fermento junto do altar, porque esta é uma coisa santíssima.
13. Vós a comereis em um lugar santo, porquanto essa parte dos sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor é tua e de teus filhos, como me foi prescrito.
14. Comereis, também, em lugar limpo, tu, teus filhos e tuas filhas, o peito que foi agitado e a coxa que foi separada. Isto é o que vos toca a ti e a teus filhos como parte dos sacrifícios pacíficos dos israelitas.
15. Além das gorduras que deverão ser queimadas, trarão a coxa e o peito separados para agitá-los adiante do Senhor. Assim deve ser para ti e teus filhos em virtude de uma lei perpétua, assim como prescreveu o Senhor”.
16. Moisés se informou acerca do bode imolado pelo pecado, mas eis que ele tinha sido já queimado. Irou-se, então, contra Eleazar e Itamar, os últimos filhos de Aarão:
17. “Por que, disse ele, não comestes no lugar santo o sacrifício pelo pecado? Pois essa é uma coisa santíssima que o Senhor vos deu, a fim de que leveis a iniqüidade da assembléia e façais a expiação por ela diante dele.
18. Já que o sangue da vítima não foi trazido para dentro do tabernáculo, vós devíeis tê-la comido em um lugar santo como ordenei.”
19. Aarão disse-lhe: “Eles ofereceram hoje seu sacrifício pelo pecado e seu holocausto ao Senhor; mas, depois do que me aconteceu, se eu tivesse comido hoje a vítima pelo pecado, teria isso agradado ao Senhor?”
20. Moisés, ouvindo essas palavras, deu-se por satisfeito.

 
Capítulo 11

1. O senhor disse a Moisés e a Aarão: “Dize aos israelitas o seguinte:
2. entre todos os animais da terra, eis o que podereis comer:
3. podereis comer todo animal que tem a unha fendida e o casco dividido, e que rumina.
4. Mas não comereis aqueles que só ruminam ou só têm a unha fendida. A estes, tê-los-eis por impuros: tal como o camelo, que rumina mas não tem o casco fendido.
5. E como o coelho igualmente, que rumina mas não tem a unha fendida; tê-los-eis por impuros.
6. E como a lebre também, que rumina, mas não tem a unha fendida; tê-la-eis por impura,
7. E enfim, como o porco, que tem a unha fendida e o pé dividido, mas não rumina; tê-lo-eis por impuro.
8. Não comereis da sua carne e não tocareis nos seus cadáveres: vós os tereis por impuros.
9. Entre os animais que vivem na água, eis que podereis comer: podereis comer tudo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, no mar e nos rios.
10. Mas tereis em abominação todos os que não têm barbatanas nem escama, nos mares e nos rios, entre todos os animais que vivem nas águas e entre todos os seres vivos que nelas se encontram.
11. A estes, tê-los-eis em abominação: não comereis de sua carne e tereis em abominação os seus cadáveres.
12. Todos os que nas águas não têm barbatanas nem escamas, tê-los-eis em abominação.
13. “Entre as aves, eis as que tereis abominação e de cuja carne não comereis, porque é uma abominação:
14-19 a águia, o falcão e o abutre, o milhafre e toda variedade de falcões, toda espécie de corvo, a avestruz, a andorinha, a gaivota e toda espécie de gavião, o mocho, a coruja e o íbis, o cisne, o pelicano, o alcatraz e a cegonha, toda variedade de garça, a poupa e o morcego.
20. Todo volátil que anda sobre quatro pés vos será uma abominação.
21. Todavia, entre os insetos voláteis que andam sobre quatro pés podereis comer aqueles que, além de seus quatro pés, têm pernas para saltar em cima da terra.
22. Eis, pois, os que podereis comer: toda espécie de gafanhotos, assim como as variedades de solam, de hargol e de hagab.
23. Qualquer outro volátil que tenha quatro pés vos será uma abominação.
24. Tornar-vos-eis imundos se os tocardes: se alguém tocar os seus cadáveres será impuro até a tarde,
25. e aquele que levar os seus cadáveres lavará suas vestes e será impuro até a tarde.
26. Tereis por impuro todo animal que tenha a unha fendida, mas que não tem o pé dividido e não rumina; se alguém o tocar será imundo.
27. Tereis também por impuros todos os quadrúpedes que andam nas plantas dos pés; se alguém tocar seus cadáveres será impuro até a tarde;
28. e aquele que levar os seus cadáveres lavará suas vestes e será impuro até a tarde. Tereis esses animais por impuros.
29. Entre os animais que se movem em cima da terra, eis os que tereis por impuro: a toupeira, o rato e toda variedade de lagartos,
30. o musaranho, a rã, a tartaruga, a lagartixa e o camaleão.
31. Tais são os répteis que tereis por impuros, quem os tocar mortos será impuro até a tarde.
32. Todo objeto o qual caírem os seus cadáveres será impuro: vasos de madeira, vestes, peles, sacos e qualquer outro utensílio. Por-se-á esse objeto na água e ele será imundo até a tarde; depois disso será puro.
33. Se cair uma parte desses cadáveres num vaso de terra, tudo o que se encontrar nele será impuro, e quebrareis esse vaso.
34. Todo alimento preparado com água (desse vaso) será impuro; toda bebida, seja qual for o recipiente que a contenha, será impura.
35. Todo objeto sobre o qual cair alguma coisa dos seus cadáveres será impuro; o forno e o fogão serão destruídos: serão impuros, e vós os tereis como tais.
36. Contudo, as fontes e as cisternas em que há depósito de água ficarão puras, mas aquele que tocar os cadáveres será impuro.
37. Se cair alguma coisa dos seus cadáveres sobre uma semente qualquer, esta ficará pura.
38. Mas se se derramar água sobre a semente e alguma coisa dos seus cadáveres cair sobre ela, tê-la-eis por impura.
39. Se morrer algum animal que vos é lícito comer, aquele que tocar o seu cadáver será impuro até a tarde.
40. Quem comer de sua carne lavará suas vestes e será impuro até a tarde; e aquele que levar esse cadáver lavará suas vestes e ficará impuro até a tarde.
41. Todo animal que se arrasta sobre a terra vos será uma coisa abominável: não se comerá dele.
42. Não comereis animal algum que se arrasta sobre a terra, tanto aqueles que se arrastam sobre o ventre como aqueles que andam sobre quatro ou mais pés: tê-los-eis em abominação.
43. Não vos torneis abomináveis, comendo um desses répteis, e não vos façais impuros por eles, porque vos tornaríeis imundos.
44. Pois eu sou o Senhor, vosso Deus. Vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo. Não vos contaminareis com esses animais que se arrastam sobre a terra,
45. porque eu sou o Senhor que vos tirou da terra do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque eu sou santo.
46. Tal é a lei relativa aos quadrúpedes, às aves, a todos os seres vivos que se movem na águas e a todos aqueles que se arrastam sobre a terra.
47. Essa lei vos fará discernir o que é puro do que é impuro, o animal que pode ser comido do que não pode.”

 
Capítulo 12

1. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
2. quando uma mulher der à luz um menino será impura durante sete dias, como nos dias de sua menstruação.
3. No oitavo dia far-se-á a circuncisão do menino.
4. Ela ficará ainda trinta e três dias no sangue de sua purificação; não tocará coisa alguma santa, e não irá ao santuário até que se acabem os dias de sua purificação.
5. Se ela der á luz uma menina, será impura durante duas semanas, como nos dias de sua menstruação, e ficará sessenta e seis dias no sangue de sua purificação.
6. Cumpridos esses dias, por um filho ou por uma filha, apresentará ao sacerdote, à entrada da tenda de reunião, um cordeiro de um ano em holocausto, e um pombinho ou uma rola em sacrifícios pelo pecado.
7. O sacerdote os oferecerá ao Senhor, e fará a expiação por ela, que será purificada do fluxo de seu sangue. Tal é a lei relativa à mulher que dá à luz um menino ou uma menina.
8. Se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará duas rolas ou dois pombinhos, uma para o holocausto e outro para o sacrifício pelo pecado. O sacerdote fará por ela a expiação, e será purificada”.

 
Capítulo 13

1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
2. “Quando um homem tiver um tumor, uma inflamação ou uma mancha branca na pele de seu corpo, e esta se tornar em sua pele uma chaga de lepra, ele será levado a Aarão, o sacerdote, ou a um dos seus filhos sacerdotes.
3. O sacerdote examinará o mal que houver na pele do corpo: se o cabelo se tornou branco naquele lugar, e a chaga parecer mais funda que a pele, será uma chaga de lepra. O sacerdote verificará o fato e declarará impuro o homem.
4. Se houver na pele de seu corpo uma mancha branca que não parecer mais funda que a pele sã, e o cabelo não se tiver tornado branco, o sacerdote isolará o doente durante sete dias.
5. No sétimo dia examinará: se a chaga parecer não ter progredido e não se tiver estendido pela pele, isolá-lo-á uma segunda vez durante sete dias.
6. No sétimo dia o sacerdote o examinará novamente: se a parte afetada perdeu a sua cor e não se tiver estendido por sobre a pele, declará-lo-á puro; é dartro. O homem lavará suas vestes e será puro.
7. Mas se o dartro se tiver estendido por sobre a pele, depois de se ter mostrado ao sacerdote para ser declarado puro, se lhe mostrará uma segunda vez.
8. Se o sacerdote verificar a extensão do dartro por sobre a pele, declará-lo-á impuro: é lepra.
9. “ Quando um homem for atingido pela lepra, será conduzido ao sacerdote, que o examinará.
10. Se houver na sua pele um tumor branco, e este tiver branqueado o cabelo, e aparecer a carne viva no tumor,
11. é lepra inveterada na pele de seu corpo; o sacerdote o declarará impuro; não o encerrará, porque é imundo.
12. Se a chaga se estendeu por toda a pele do doente, da cabeça aos pés, o sacerdote que o examinar, verificando, segundo o que viu,
13. que a lepra cobre toda a pele, o declarará puro. Como se tornou completamente branco, é puro.
14. Mas no dia em que se perceber nele a carne viva, será impuro;
15. o sacerdote, vendo a carne viva, declará-lo-á impuro; a carne viva é impura; é a lepra.
16. Se a carne viva mudar e ficar de novo branca, o homem irá ao sacerdote, que o examinará;
17. se a chaga se tornou verdadeiramente branca, o sacerdote declará-lo-á puro: e ele o é.
18. Quando um homem tiver tido na pele de seu corpo uma úlcera que foi curada,
19. e no lugar da úlcera aparecer um tumor branco ou uma mancha de um branco-avermelhado, esse homem se apresentará ao sacerdote para ser examinado.
20. Se a mancha parecer mais funda que a pele, e o cabelo se tiver tornado branco, o sacerdote declará-lo-á impuro: é uma chaga de lepra que nasceu na úlcera.
21. Mas, se o sacerdote verificar que não há cabelo branco na mancha, e ela não parecer mais funda que a pele, e se tiver tornado de uma cor pálida, isolará esse homem durante sete dias.
22. Se a mancha se estender por sobre a pele, o sacerdote declarará o homem impuro: é uma chaga de lepra.
23. Mas, se a mancha ficou no seu lugar sem se estender, é a cicatriz da úlcera; o sacerdote declará-lo-á puro.
24. Quando um homem tiver na pele uma queimadura de fogo, e a cicatriz dessa queimadura apresentar uma mancha branca ou de um branco-avermelhado, o sacerdote o examinará.
25. Se o cabelo se tornou branco na mancha, e esta parecer mais funda que a pele, é a lepra que nasceu na queimadura; o sacerdote declará-lo-á impuro: é uma chaga de lepra.
26. Se o sacerdote verificar que não há cabelo branco na mancha, e que ela não parece mais funda que a pele, e se tiver tornado de uma cor pálida, isolará esse homem durante sete dias.
27. Depois disso o examinará. Se a mancha tiver se estendido por sobre a pele, o sacerdote declará-lo-á impuro; é uma chaga de lepra.
28. Mas, se a mancha ficou no mesmo lugar sem se estender por sobre a pele, e se tiver tornado de uma cor pálida, é o tumor da queimadura. O sacerdote declará-lo-á puro, pois é a cicatriz da queimadura.
29. Quando um homem ou uma mulher tiver uma chaga na cabeça ou no queixo, o sacerdote o examinará.
30. Se ela parecer mais funda que a pele, e nela houver os cabelos finos e amarelados, o sacerdote declarará impuro o enfermo: esta é a tinha, a lepra da cabeça ou do queixo
31. Se o sacerdote averiguar que a chaga da tinha não parece mais funda que a pele, e nela não houver cabelos negros, o sacerdote isolará durante sete dias aquele que tem a chaga da tinha.
32. No sétimo dia o examinará. Se a tinha não se espalhou, nela não houver cabelo amarelado algum, e a chaga não parecer mais funda do que a pele,
33. o enfermo cortará a barba, exceto no lugar da chaga, e o sacerdote o isolará de novo durante sete dias.
34. No sétimo dia o examinará. Se a tinha não se espalhou por sobre a pele, e a chaga não parecer mais funda que a pele, o sacerdote declará-lo-á puro; ele levará suas vestes e será puro.
35. Se, entretanto, depois que o tiver declarado puro, a tinha se estender por sobre a pele, o sacerdote o examinará.
36. Se a tinha se tiver espalhado na pele, o sacerdote não procurará o cabelo amarelo, porque o homem é impuro
37. Se a tinha lhe parece estacionária, e nela houver crescido cabelos negros, ele sarou; o homem está puro e o sacerdote declará-lo-á como tal.
38. Quando o homem ou mulher tiver na pele manchas brancas, o sacerdote o examinará.
39. Se essas manchas na pele são de um branco pálido, é uma mancha branca superficial: ele é puro.
40. Quando um homem perder os seus cabelos, ele será simplesmente calvo, mas será puro.
41. Se lhe caírem os cabelos da fronte, ele terá a fronte calva, mas será puro.
42. Mas se na parte calva, posterior ou dianteira, se encontrar uma chaga de um branco-avermelhado, é a lepra que se declarou na parte calva posterior ou dianteira.
43. O sacerdote o examinará. Se o tumor da chaga for de um branco-avermelhado na parte calva posterior ou dianteira, tendo o aspecto da lepra da pele do corpo, esse homem é leproso,
44. é impuro; a sua lepra está na cabeça.
45. Todo homem atingido pela lepra terá suas vestes rasgadas e a cabeça descoberta. Cobrirá a barba e clamará: Impuro! Impuro!
46. Enquanto durar o seu mal, ele será impuro. É impuro; habitará só, e a sua habitação será fora do acampamento.”
47. “Quando a lepra aparecer numa veste de lã ou de linho,
48. num tecido de tela ou de trama, quer seja de lã quer de linho, numa pele ou num objeto qualquer de pele,
49. se a mancha na veste, na pele, no tecido de tela ou de trama ou no objeto de pele, for esverdeada ou avermelhada, é uma lepra: será mostrada ao sacerdote.
50. O sacerdote examinará a mancha e isolará durante sete dias o objeto atingido pelo mal.
51. No sétimo dia examinará a chaga. Se ela se tiver espalhado pela veste, pelo tecido de tela ou de trama, pela pele ou pelo objeto de pele, seja qual for, é uma lepra roedora; o objeto é impuro.
52. Queimará a veste, o tecido de tela ou de trama de linho ou de lã, o objeto de pele, seja qual for, em que se encontre a mancha, porque é uma lepra roedora; o objeto será queimado no fogo.
53. Mas se o sacerdote verificar que mancha não se espalhou pela veste, pelo tecido de tela ou de trama, ou pelo objeto de pele,
54. mandará lavar o objeto afetado e o isolará uma segunda vez durante sete dias.
55. Em seguida examinará a mancha, depois que ela tiver sido lavada. Se não mudou de aspecto nem se espalhou, o objeto é impuro. Tu o queimarás no fogo: a mancha roeu o objeto de um lado a outro.
56. Mas se o sacerdote verificar que a mancha lavada tomou uma cor pálida, arrancá-la-á da veste, da pele ou do tecido de tela ou de trama.
57. Se ela voltar novamente à veste, ao tecido de tela ou de trama ou ao objeto de pele, é uma erupção de lepra. Tu queimarás no fogo o objeto atingido pela mancha.
58. Mas a veste, o tecido de tela ou de trama, o objeto de pele, seja o que for, que tiveres lavado e do qual a mancha tiver desaparecido, será lavado uma segunda vez e será puro.
59. Tal é a lei relativa à mancha de lepra que atacar as vestes de lã ou de linho, os tecidos de tela ou de trama, ou qualquer objeto de pele; é segundo ela que se declararão esses objetos puros ou impuros.”

 
Capítulo 14

1. O senhor disse a Moisés:
2. “Eis a lei relativa ao leproso, para o dia de sua purificação.
3. Será conduzido ao sacerdote, que sairá do acampamento para examiná-lo. Se a chaga da lepra estiver sã,
4. o sacerdote ordenará que se tomem, para o que se vai purificar, duas aves vivas e puras, pau de cedro, carmesim e hissopo.
5. O sacerdote imolará um dos pássaros sobre um vaso de terra cheio de água de nascente.
6. Tomará em seguida o pássaro vivo, o pau de cedro, o carmesim e o hissopo e os mergulhará, com o pássaro vivo, no sangue do pássaro imolado sobre a água de nascente.
7. Aspergirá sete vezes aquele que se há de purificar da lepra, e o declarará puro, soltando no campo o pássaro vivo.
8. Aquele que se há de purificar lavará suas vestes, cortará todo o cabelo de sua barba, banhar-se-á, e será puro. Poderá, em seguida, reintegrar-se no acampamento, mas ficará sete dias fora de sua tenda.
9. No sétimo dia todos os cabelos da cabeça, a barba e as sobrancelhas, enfim, todo o cabelo; lavará suas vestes, banhará o corpo na água, e será puro.
10. No oitavo dia tomará dois cordeiros sem defeito, uma ovelha de um ano sem defeito, três décimos de efá de flor de farinha amassada com óleo, em oblação, e uma pequena medida de óleo.
11. O sacerdote que fez a purificação apresentará o homem que há de ser purificado e todas essas coisas ao Senhor, à entrada da tenda de reunião.
12. Tomará, em seguida, um dos cordeiros e o oferecerá em sacrifício de reparação com a medida de óleo, e os agitará como oferta diante do Senhor.
13. Degolará o cordeiro no lugar onde se imolam as vítimas pelo pecado e o holocausto, no lugar santo, porque a vítima do sacrifício de reparação, assim como a do sacrifício pelo pecado, pertencem ao sacerdote: esta é uma coisa santíssima.
14. O sacerdote tomará do sangue do sacrifício de reparação, e pô-lo-á na ponta da orelha direita do homem que se há de purificar, bem como no polegar de sua mão direita e no hálux de seu pé direito.
15. O sacerdote tomará a medida de óleo e derramará um pouco na sua mão esquerda;
16. em seguida, molhando o dedo de sua mão direita no óleo que está na mão esquerda, fará sete vezes com o dedo uma aspersão de óleo diante do Senhor.
17. Do óleo que sobrar na mão esquerda, o sacerdote porá na ponta da orelha direita do homem que se purifica, bem como no polegar de sua mão direita e no hálux de seu pé direito, no mesmo lugar onde pôs o sangue da vítima de reparação.
18. O que lhe restar ainda de óleo na mão, derramá-lo-á sobre a cabeça do homem que se purifica, e fará por ele a expiação diante do Senhor.
19. Oferecerá em seguida, o sacrifício pelo pecado e fará a expiação por aquele que se purifica de sua impureza.
20. Enfim, depois de ter degolado a vítima do holocausto, o sacerdote a oferecerá sobre o altar com a oblação, e fará a expiação por esse homem, que será puro.
21. Ser for pobre, e suas posses não lhe permitirem trazer tanto, tomará um só cordeiro em sacrifício de reparação, como oferta agitada, para fazer a expiação em seu favor: tomará um décimo de efá de flor de farinha amassada com óleo em oblação, e uma medida de óleo.
22. Tomará também, de acordo com suas posses, duas rolas ou dois pombinhos, um em sacrifício pelo pecado e outro para o holocausto.
23. No oitavo dia os trará pela sua purificação ao sacerdote, à entrada da tenda de reunião, diante do Senhor.
24. O sacerdote tomará o cordeiro do sacrifício de reparação, e a medida de óleo, e os agitará diante do Senhor.
25. Imolará o cordeiro do sacrifício de reparação, e tomará do sangue do sacrifício para pô-lo na ponta da orelha direita daquele que se purifica, bem como no polegar de sua mão direita e no hálux de seu pé direito.
26. Derramará então óleo na palma de sua mão esquerda.
27. com o dedo da direita, fará sete vezes a aspersão do óleo que está em sua mão esquerda diante do Senhor.
28. Porá o óleo que está na ponta da orelha direita do homem que se purifica, e no polegar de sua mão direita e no hálux de seu pé direito, no mesmo lugar onde pôs o sangue da vítima de reparação.
29. O óleo que sobrar em sua mão derramá-lo-á sobre a cabeça daquele que se purifica, a fim de fazer a expiação em seu favor diante do Senhor.
30. Oferecerá uma das rolas ou um dos pombinhos, conforme suas posses lhe permitirem, um em sacrifício pelo pecado
31. e outro em holocausto com a oblação. É assim que o sacerdote fará a expiação diante do Senhor pelo homem que se purifica.
32. Esta é a lei relativa à purificação daquele que tem uma chaga de lepra, e cujas posses são limitadas.”
33. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
34. “Quando estiverdes na terra de Canaã, que eu vos darei em possessão, se eu ferir de lepra uma casa da terra de vossa possessão,
35. o dono da casa irá e informará ao sacerdote, dizendo: parece-me que há como que uma mancha de lepra na minha casa.
36. O sacerdote, antes de entrar para examinar a mancha, mandará que tirem para fora tudo o que há na casa, a fim de que não contamine nada do que houver nela. E só então entrará para visitar a casa.
37. Examinará a mancha, e se a mancha que está nas paredes da casa estiver em cavidades esverdeadas ou avermelhadas, parecendo profundas na parede,
38. o sacerdote sairá da casa e, tendo passado a soleira da porta, fecha-lá-á por sete dias.
39. E, voltando no sétimo dia, se notar que a mancha se estendeu pelas paredes,
40. mandará arrancar as pedras atingidas pela mancha e jogá-las fora da cidade em um lugar impuro.
41. Mandará raspar todo o interior da casa, e a poeira que houverem raspado será jogada fora da cidade em um lugar impuro.
42. Novas pedras serão colocadas no lugar das primeiras e com nova argamassa será rebocada a casa.
43. Se a mancha aparecer de novo na casa, depois que tiverem sido arrancadas as pedras, raspadas e rebocadas as paredes, o sacerdote voltará.
44. Se ele verificar que a mancha cresceu, é uma lepra maligna, e a casa é impura.
45. Derrubar-se-ão a casa, as pedras, a madeira e toda a argamassa, que se levarão para fora da cidade a um lugar impuro.
46. Quem tiver entrado na casa durante o tempo em que ela deveria estar fechada, será impuro até a tarde,
47. e o que nela tiver dormindo lavará suas vestes. Também aquele que nela tiver comido lavará suas vestes.
48. Mas, se o sacerdote, ao voltar, verificar que a mancha não se estendeu depois que a casa foi rebocada, declarará a casa pura, porque o mal está curado.
49. Para purificar a casa, tomará duas aves, pau de cedro, carmesim e hissopo:
50. imolará uma das aves sobre um vaso de terra contendo água de nascente.
51. Tomará o pau de cedro, o hissopo, o carmesim e a ave viva e os molhará no sangue do pássaro imolado e na água de nascente, e aspergirá a casa sete vezes.
52. Purificará a casa com o sangue do pássaro, a água de nascente, o pássaro vivo, o pau de cedro, o hissopo e o carmesim.
53. Depois soltará o pássaro vivo fora da cidade, no campo. É assim que ele fará a expiação pela casa; e ela será pura.”
54. Tal é a lei relativa a toda espécie de lepra e de tinha,
55. assim como à lepra das vestes e das casas,
56. aos tumores, aos dartros e às manchas.
57. Ela indica quando uma coisa é impura e quando é pura. Tal é a lei sobre a lepra.

 
Capítulo 15

1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
2. “Dizei aos israelitas o seguinte:
3. todo homem que tem gonorréia será por isso mesmo impuro. A impureza está no fluxo; quer sua carne deixe correr o fluxo quer o retenha, há impureza.
4. Qualquer cama que se deitar aquele que tem gonorréia, bem como qualquer em cadeira que ele se sentar, será impura.
5. Quem tocar sua cama lavará suas vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
6. Quem se assentar na cadeira onde esteve um homem atacado de gonorréia lavará suas vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
7. Aquele que tocar o seu corpo lavará suas vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
8. Se um homem que tiver gonorréia cuspir sobre um homem puro, este lavará suas vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
9. Qualquer sela que tiver montado aquele que tem gonorréia será impura.
10. Todo aquele que tocar em alguma coisa que tenha estado debaixo dele, ficará impuro até a tarde; quem transportar alguma dessas coisas lavará suas vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
11. Aquele que for tocado pelo homem que tiver gonorréia, antes de ter este lavado as mãos em água, lavará suas veste, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
12. Todo recipiente de terra tocado por esse homem será quebrado, e todo vaso de madeira será lavado com água.
13. Quando se tiver purificado aquele que tem gonorréia, contará sete dias para sua purificação; lavará suas vestes, banhar-se-á em água corrente e será puro.
14. No oitavo dia tomará duas rolas ou dois pombinhos e se apresentará diante do Senhor à entrada da tenda de reunião. Dá-los-á ao sacerdote,
15. que os oferecerá, um em sacrifício pelo pecado e outro em holocausto, e fará a expiação ao Senhor em seu favor, por causa de seu fluxo.
16. O homem que tiver um derramamento seminal lavará em água todo o seu corpo, mas ficará até a tarde.
17. Toda veste e toda pele sobre as quais cair o sêmen serão lavadas com água, e ficarão impuras até a tarde.
18. Se uma mulher dormiu com esse homem, ela se lavará na mesma água que ele, e serão impuros até a tarde.”
19. “Quando uma mulher tiver seu fluxo de sangue, ficará impura durante sete dias: qualquer um que a tocar será impuro até a tarde.
20. Todo móvel que ela se deitar durante sua impureza será impuro, e igualmente aquele em que ela se assentar.
21. Quem tocar sua cama lavará suas vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
22. Aquele que tocar em um móvel onde ela se tiver assentado lavará suas vestes, banhar-se-á em água, e ficará impuro até a tarde.
23. Aquele que tocar num objeto encontrado na sua cama ou no móvel onde ela se assentou será impuro até a tarde.
24. Se alguém dormir com ela, e for tocado por sua impureza, será impuro durante sete dias, e toda cama na qual se deitar será impura.
25. Quando uma mulher tiver um fluxo de sangue durante vários dias, fora do tempo normal, ou se o fluxo se prolongar além do tempo de sua impureza, ela será impura durante todo o tempo desse fluxo, como se estivesse no tempo de sua impureza.
26. Toda cama em que ela se deitar durante todo o tempo de seu fluxo, ser-lhe-á como a cama em que dorme durante sua impureza; todo móvel em que ela se sentar será impuro como durante sua impureza.
27. Qualquer um que os tocar será impuro; lavará suas vestes, banhar-se-á em água e ficará impuro até a tarde.
28. Quando ela estiver curada de seu fluxo, contará sete dias, e depois será pura.
29. No oitavo dia tomará duas rolas ou dois pombinhos e os trará ao sacerdote à entrada da tenda de reunião.
30. O sacerdote oferecerá um deles em sacrifício pelo pecado, o outro em holocausto, e fará em seu favor a expiação diante do Senhor, por causa do fluxo de sua impureza.
31. É assim que ajudareis os israelitas a se purificarem de suas imundícies, para que não morram por ter contaminado o meu tabernáculo que está no meio deles.”
32. Esta é a lei relativa ao homem que tem gonorréia ou que é manchado por um fluxo seminal,
33. e relativa à mulher no tempo de sua menstruação, ou toda pessoa, seja homem ou mulher, atingida por um fluxo, e relativa ao homem que dormir com uma mulher impura.

 
Capítulo 16

1. O Senhor falou a Moisés, depois da morte dos dois filhos de Aarão, que foram mortos por se terem aproximado do Senhor.
2. O Senhor disse-lhe: “Recomenda a teu irmão Aarão que nunca entre no santuário, além do véu, diante do propiciatório que recobre a arca, para que não morra, porque apareço na nuvem por cima do propiciatório.
3. Eis como Aarão entrará no santuário: tomará um novilho para o sacrifício pelo pecado e um carneiro para o holocausto.
4. Revestir-se-á da túnica sagrada de linho, levará sobre o corpo um calção de linho, cingir-se-á dum cinto de linho e porá na cabeça um turbante de linho. Estas são as vestes sagradas, que ele só vestirá depois de se ter lavado.
5. Receberá da assembléia dos israelitas dois bodes destinados ao sacrifício pelo pecado e um carneiro para o holocausto.
6. Aarão oferecerá por si mesmo o touro em sacrifício pelo pecado, e fará a expiação por si mesmo e pela sua casa.
7. Tomará os dois bodes e os colocará diante do Senhor, à entrada da tenda de reunião.
8. Deitará sortes os dois bodes, uma para o Senhor, e outra para Azazel.
9. Oferecerá o bode sobre o qual caiu a sorte para o Senhor e oferecê-lo-á em sacrifício pelo pecado.
10. Quanto ao bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel, será apresentado vivo ao Senhor, para que se faça a expiação sobre ele, a fim de enviá-lo a Azazel, no deserto.
11. Aarão oferecerá o touro pelo seu pecado, e fará a expiação por si mesmo e pela sua casa. Degolará o touro destinado ao sacrifício pelo pecado e,
12. tomando o turíbulo, que ele terá enchido de brasas do altar diante do Senhor, bem como dois punhados de perfume aromático em pó, entrará com tudo para dentro do véu.
13. Porá o incenso no fogo diante do Senhor, para que a nuvem do perfume cubra o propiciatório da arca, e Aarão não morra.
14. Tomará o sangue do touro e o aspergirá com dedo sobre o propiciatório, pela frente, e depois aspergirá com o dedo sete vezes de fronte do propiciatório.
15. Imolará, enfim, o bode do sacrifício pelo pecado do povo, e levará seu sangue para outro lado do véu. Fará com esse sangue como fez com o sangue do touro, aspergindo o propiciatório e a frente do propiciatório.
16. É assim que fará a expiação pelo santuário, por causa das impurezas dos israelitas e de suas transgressões, e de todos os seus pecados. Da mesma forma fará pela tenda de reunião, que está com eles no meio de suas imundícies.
17. Ninguém esteja na tenda de reunião quando Aarão entrar para fazer a expiação no santuário até que saia. Fará assim a expiação por si mesmo, pela sua família e por toda a assembléia de Israel.
18. Quando tiver sado, irá para o altar que está diante do Senhor e fará a expiação por esse altar: tomará o sangue do touro e do bode e o porá nos cornos do altar em toda a volta.
19. Aspergirá com o dedo sete vezes o altar, para purificá-lo e santificá-lo por causa das imundícies dos israelitas.
20. Havendo terminado a expiação do santuário, da tenda de reunião e do altar, Aarão trará o bode vivo.
21. Imporá as duas mãos sobre a sua cabeça, e confessará sobre ele todas as iniqüidades dos israelitas, todas as suas desobediências, todos os seus pecados. Pô-los-á sobre a cabeça do bode e o enviará ao deserto pelas mãos de um homem encarregado disso.
22. O bode levará, pois, sobre si, todas as iniqüidades deles para uma terra selvagem. Quando o bode tiver sido mandado para o deserto,
23. Aarão voltará para a tenda de reunião, tirará as vestes de linho que ele pôs à sua entrada no santuário, e as deporá ali.
24. Lavará o seu corpo no lugar santo, retomará depois suas vestes e sairá para imolar o seu holocausto e o povo, fazendo a expiação por ele e pelo povo.
25. Queimará no altar a gordura do sacrifício pelo pecado.
26. O homem que tiver conduzido o bode a Azazel no deserto, lavará suas vestes e banhar-se-á. Depois disso poderá voltar ao acampamento.
27. “Serão levados para fora do acampamento o touro e o bode oferecidos em sacrifício pelo pecado, cujo sangue terá sido levado ao santuário para aí fazer-se a expiação; queimar-se-ão no fogo o seu couro, a sua carne e os seus excrementos.
28. Aquele que os tiver queimado lavará as suas vestes, banhar-se-á e depois disso poderá voltar ao acampamento.
29. Esta será para vós uma lei perpétua: no sétimo mês, no décimo dia do mês, jejuareis e não fareis trabalho algum, tanto o nativo como o estrangeiro que habita nomeio de vós,
30. porque nesse dia se fará a expiação por vós, para que vos purifiqueis e sejais livres de todos os vossos pecados diante do Senhor.
31. Será um sábado, um dia de descanso para vós, durante o qual jejuareis. Esta é uma instituição perpétua.
32. A expiação será feita pelo sacerdote que foi ungido e empossado para exercer o sacerdócio em lugar de seu pai. Revestirá as vestes de linho, as vestes sagradas,
33. e fará a expiação pelo santuário sagrado, pela tenda de reunião, pelo altar, pelos sacerdotes e por toda a assembléia.
34. Esta será para vs uma instituição perpétua: uma vez por ano far-se-á a expiação de todos os pecados dos israelitas.” Aarão fez como o Senhor o tinha ordenado a Moisés.

 
Capítulo 17

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Dize a Aarão, a seus filhos e a todos os israelitas o seguinte: eis as ordens do Senhor:
3. Todo israelita que imolar um boi, uma ovelha ou uma cabra, no acampamento ou fora dele,
4. sem apresentá-lo à entrada da tenda de reunião para oferecê-lo ao Senhor diante do seu tabernáculo, será réu do sangue oferecido. Esse homem derramou sangue, e será cortado do meio de seu povo.
5. Por isso os israelitas, em lugar de ofereceram os seus sacrifícios no campo, apresentarão as vítimas ao sacerdote, diante do Senhor, à entrada da tenda de reunião, e as oferecerão ao Senhor em sacrifício pacífico.
6. O sacerdote derramará o seu sangue sobre o altar do Senhor, à entrada da tenda de reunião, e queimará a gordura em odor agradável ao Senhor.
7. Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos sátiros, com os quais se prostituem. Esta será para eles uma lei perpétua de geração em geração.
8. Dir-lhes-ás: todo israelita ou todo estrangeiro que habita no meio deles, e que oferecer um holocausto ou outro sacrifício,
9. sem levar a vítima à entrada da tenda de reunião para sacrificá-la ao Senhor, será cortado do meio de seu povo.
10. A todo israelita ou a todo estrangeiro, que habita no meio deles, e que comer qualquer espécie de sangue, voltarei minha face contra ele, e exterminá-lo-ei do meio de seu povo.
11. Pois a alma da carne está no sangue, e dei-vos esse sangue para o altar, a fim de que ele sirva de expiação por vossas almas, porque é pela alma que o sangue expia.
12. Eis por que eu disse aos israelitas: ninguém dentre vós comerá sangue, nem o estrangeiro que habita no meio de vós.
13. Se um israelita ou um estrangeiro que habita no meio deles capturar na caça um animal ou pássaro que se possa comer, derramará o seu sangue, e o cobrirá com terra,
14. porque a alma de toda carne é o seu sangue, que é sua alma. Eis por que eu disse aos israelitas: não comereis sangue de animal algum, porque a alma de toda carne é o seu sangue; quem o comer será elimitado.
15. Toda pessoa, natural ou estrangeira, que comer um animal morto ou dilacerado, lavará suas vestes, banhar-se-á em água e ficará impura até a tarde; e depois será pura.
16. Mas, se não lavar as vestes e o corpo, levará sobre si a sua iniqüidade.”

 
Capítulo 18

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Dize aos israelitas o seguinte: eu sou o Senhor, vosso Deus.
3. Não procedereis conforme os costumes do Egito onde habitastes, ou de Canaã aonde vos conduzi: não seguireis seus costumes.
4. Praticareis meus preceitos e observareis minhas leis, e a elas obedecereis. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
5. Observareis meus preceitos e minhas leis: o homem que o observar viverá por eles. Eu sou o Senhor.
6. Nenhum de vós se achegará àquela que lhe é próxima por sangue, para descobrir sua nudez. Eu sou o Senhor.
7. Não descobrirás a nudez de teu pai, nem a de tua mãe. Ela é tua mãe: não descobrirás a sua nudez.
8. Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai: é a nudez de teu pai.
9. Nem a de tua irmã, filha de teu pai ou de tua mãe, nascida na casa ou fora dela.
10. Não descobrirás a nudez da filha de teu filho ou da filha de tua filha, porque é tua nudez.
11. Nem a da filha da mulher de teu pai, nascida de teu pai: é tua irmã.
12. Não descobrirás a nudez da irmã de teu pai: ela é da mesma carne que teu pai.
13. Nem a da irmã de tua mãe; porque ela é da mesma carne que tua mãe.
14. Não descobrirás a nudez do irmão de teu pai, aproximando-te de sua mulher: é tua tia.
15. Não descobrirás a nudez de tua nora: é a mulher de teu filho. Não descobrirás, pois, a sua nudez.
16. Nem a da mulher de teu irmão: é a nudez de teu irmão.
17. Não descobrirás a nudez de uma mulher e de sua filha, e não tomarás a filha de seu filho, nem a filha de sua filha, para descobrir a sua nudez: elas são tuas próximas parentas, e isso seria um crime.
18. Não tomarás a irmã de tua mulher, de modo que lhe seja um rival, descobrindo a sua nudez com a de tua mulher durante a sua vida.
19. Não te achegarás a uma mulher durante a sua menstruação para descobrir a sua nudez.
20. Não terás comércio com a mulher de teu próximo: contaminar-te-ias com ela.
21. Não darás nenhum de teus filhos para ser sacrificado a Moloc; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor.
22. Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação.
23. Não terás comércio com um animal, para te contaminares com ele. Uma mulher não se prostituirá a um animal: isso é uma abominação.
24. Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque é assim que se contaminaram as nações que vou expulsar diante de vós.
25. A terra está contaminada; punirei suas iniqüidades e a terra vomitará seus habitantes.
26. Vós, porém, observareis minhas leis e minhas ordens, e não cometereis nenhuma dessas abominações, tanto o aborígine como o estrangeiro que habita no meio de vós,
27. porque todas essas abominações cometeram os habitantes da terra que vos precederam, e a terra está contaminada.
28. Desse modo a terra não vos vomitará por havê-la contaminado, como vomitou os povos que a habitaram antes de vós.
29. Todos aqueles, com efeito, que cometerem qualquer dessas abominações, serão cortados do meio de seu povo.
30. Guardareis, pois, os meus mandamentos, e não seguireis nenhum dos costumes abomináveis que se praticavam antes de vós, e não vos contaminareis por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”

 
Capítulo 19

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Dirás a toda a assembléia de Israel o seguinte: sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.
3. Cada um de vós respeite a sua mãe e o seu pai, e guarde os meus sábados. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
4. Não vos volteis para os ídolos, e não façais para vós deuses de metal fundido. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
5. Quando oferecerdes ao Senhor um sacrifício pacífico, oferecê-lo-eis de maneira que seja aceito.
6. Comer-se-á a vítima no mesmo dia ou no dia seguinte; o que sobrar no terceiro dia será queimado no fogo.
7. Se se comer dela no terceiro dia, será uma abominação: o sacrifício não será aceito.
8. Quem o comer levará sua iniqüidade, porque terá profanado o que é consagrado ao Senhor: esse será cortado do seu povo.
9. Quando fizerdes a ceifa em vossa terra, não cortareis as espigas até os limites de vosso campo, e não recolhereis o que resta a respigar de vossas colheitas.
10. Não respigareis tampouco a vossa vinha, nem colhereis os grãos caídos no campo; deixá-los-eis para o pobre e o estrangeiro. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
11. Não furtareis, não usareis de embustes nem de mentiras uns para com os outros.
12. Não jurareis falso em meu nome, porque profanaríeis o nome de vosso Deus. Eu sou o Senhor.
13. Não oprimirás o teu próximo, e não o despojarás. O salário do teu operário não ficará contigo até o dia seguinte.
14. Não amaldiçoarás um surdo; não porás algo como tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.
15. Não sereis injustos em vossos juízos: não favorecerás o pobre nem terás complacência com o grande; mas segundo a justiça julgarás o teu próximo.
16. Não semearás a difamação no meio de teu povo, nem te apresentarás como testemunha contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor.
17. Não odiarás o teu irmão no teu coração. Repreenderás o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa.
18. Não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos de teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.
19. Guardareis os meus mandamentos. Não juntarás animais de espécies diferentes. Não semearás no teu campo grãos de espécies diferentes. Não usarás roupas tecidas de duas espécies de fios.
20. Se um homem se deitar com uma mulher escrava desposada com outro, mas não resgatada nem posta em liberdade, serão ambos castigados, mas não morrerão, porque ela não era livre.
21. Em expiação o homem oferecerá ao Senhor à entrada da tenda de reunião, um carneiro como sacrifício de reparação.
22. O sacerdote fará por ele a expiação diante do Senhor com o carneiro do sacrifício de reparação pelo pecado cometido; e o seu pecado lhe será perdoado.
23. Quando entrardes na terra e tiverdes plantado toda sorte de árvores frutíferas considerareis os seus primeiros frutos como incircuncisos; eles o serão durante três anos, e não se comerá deles.
24. No quarto ano todos os seus frutos serão consagrados ao Senhor com ações de graças.
25. No quinto ano comereis de seus frutos para que a árvore continue a produzi-los. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
26. Não comereis nada que contenha sangue. Não praticareis a adivinhação nem a magia.
27. Não cortareis o cabelo em redondo, nem rapareis a barba pelos lados.
28. Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo. Eu sou o Senhor.
29. Não prostituas tua filha, para que a terra não se entregue à prostituição e não se encha de crimes.
30. Observareis meus sábados e respeitareis meu santuário. Eu sou o Senhor.
31. Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
32. Levanta-te diante dos cabelos brancos; honra a pessoa do velho, e teme a teu Deus. Eu sou o Senhor.
33. Se um estrangeiro vier habitar convosco na vossa terra, não o oprimireis,
34. mas esteja ele entre vós como um compatriota, e tu o amarás como a ti mesmo, porque fostes já estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
35. Não cometereis injustiça nos juízos, nem na vara, nem no peso, nem na medida.
36. Tereis balanças justas, pesos justos, um efá justo e um hin justo. Eu sou o Senhor, vosso Deus que vos tirei do Egito.
37. Observareis todas as minhas leis e meus mandamentos, e os praticareis. Eu sou o Senhor”.

 
Capítulo 20

1. O Senhor disse a Moisés: “Dirás aos israelitas:
2. todo israelita ou estrangeiro que habita em Israel e que sacrificar um de seus filhos a Moloc, será punido de morte. O povo da terra o apedrejará.
3. Eu voltarei o meu rosto contra ele e o cortarei do meio de seu povo, porque manchou o meu santuário e profanou o meu santo nome, dando um de seus filhos a Moloc.
4. Se o povo da terra não se importar por esse homem ter dado um de seus filhos a Moloc, e se não o matar,
5. eu voltarei meu rosto contra ele e contra a sua família, e o cortarei do meio de seu povo com todos aqueles que se prostituem como ele, prestando culto a Moloc.
6. Se alguém se dirigir aos espíritas ou aos adivinhos para fornicar com eles, voltarei meu rosto contra esse homem e o cortarei do meio de seu povo.
7. Santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor, vosso Deus.
8. Observai minhas leis e praticai-as. Eu sou o Senhor que vos santifico.
9. Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte. Amaldiçoou o seu pai ou a sua mãe: levará a sua culpa.
10. Se um homem cometer adultério com uma mulher casada, com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher adúltera serão punidos de morte.
11. Se um homem dormir com a mulher de seu pai, descobrindo assim a nudez de seu pai, serão ambos punidos de morte; levarão a sua culpa.
12. Se um homem dormir com a sua nora, serão ambos punidos de morte; isso é uma ignomínia, e eles levarão a sua culpa.
13. Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa.
14. Se um homem tomar por mulheres a filha e a mãe, cometerá um crime. Serão queimados no fogo, ele e elas, para que não haja tal crime no meio de vós.
15. Se um homem tiver comércio com um animal, será punido de morte, e matareis também o animal.
16. Se uma mulher se aproximar de um animal para se prostituir com ele, será morta juntamente com o animal. Serão mortos, e levarão a sua iniqüidade.
17. Se um homem tomar a sua irmã, filha de seu pai ou de sua mãe, e vir a sua nudez, e ela vir a sua, isso é uma coisa infame. Serão exterminados sob os olhos de seus compatriotas: descobriu a nudez de sua irmã; levará a sua iniqüidade.
18. Se um homem dormir com uma mulher durante o tempo de sua menstruação e vir a sua nudez, descobrindo o seu fluxo e descobrindo-o ela mesma, serão ambos cortados do meio de seu povo.
19. Não descobrirás a nudez da irmã de tua mãe, nem da irmã de teu pai, porque descobrirás a sua carne; levarão sua iniqüidade.
20. Se um homem se deitar com sua tia, ele descobrirá a nudez de seu tio; levarão a sua iniqüidade, e morrerão sem filhos.
21. Se um homem tomar a mulher de seu irmão, será uma impureza; ofenderá a honra de seu irmão: não terão filhos.
22. Observareis todas as minhas leis e meus mandamentos e os praticareis, a fim de que não vos vomite a terra aonde vos conduzo para aí habitar.
23. Não seguireis os costumes da nação que eu expulsar de diante de vós, porque fizeram todas essas coisas e eu as abominei.
24. Eu vos disse: possuireis essa terra, a qual vos darei em possessão, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos separei dos outros povos.
25. Fareis a distinção entre animais puros e impuros, entre as aves puras e impuras, e não vos torneis abomináveis por causa de animais, de aves ou de animais que se arrastam sobre a terra, como vos ensinei a distinguir como impuros.
26. Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo; e vos separei dos outros povos para que sejais meus.
27. Qualquer homem ou mulher que evocar os espíritos ou fizer adivinhações, será morto. Serão apedrejados, e levarão sua culpa”.

 
Capítulo 21

1. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos sacerdotes, filhos de Aarão, o seguinte: ninguém será considerado como impuro no meio de seu povo por causa de um morto,
2. exceto quando se trate de seu parente próximo, sua mãe, seu pai, seu filho, sua filha, seu irmão,
3. sua irmã virgem que não se casou e vive junto dele. Por ela poderá contaminar-se.
4. Ele, sendo chefe no meio de seu povo, não se tornará impuro, para não se profanar.
5. Os sacerdotes não rasparão a cabeça, nem os lados de sua barba, e não farão incisões em sua carne.
6. Serão santos para o seu Deus e não profanarão o seu nome, porque oferecem ao Senhor os sacrifícios consumidos pelo fogo, o pão de seu Deus. Serão santos.
7. Não desposarão uma mulher prostituta ou desonrada, nem uma mulher repudiada por seu marido, porque são santos para o seu Deus.
8. Terás, pois, o sacerdote por santo, porque ele oferece o pão de teu Deus: ele será santo para ti, porque eu, o Senhor que vos santifico, sou santo.
9. Se a filha de um sacerdote se desonrar pela prostituição, desonrará seu pai; e será queimada no fogo.
10. O sumo sacerdote, superior a seus irmãos, sobre cuja cabeça se derramou o óleo de unção, e que foi estabelecido para revestir as vestes sagradas, não descobrirá a sua cabeça, e não rasgará as suas vestes.
11. Não se aproximará de morto algum; e não se contaminará por seu pai, nem por sua mãe.
12. Não sairá do santuário de seu Deus, e não o profanará, porque o óleo da unção de seu Deus está sobre ele como um diadema. Eu sou o Senhor.
13. Tomará por mulher uma virgem.
14. Não desposará nem viúva, nem mulher repudiada, nem mulher prostituta ou desonrada, mas desposará uma virgem do meio de seu povo.
15. Não desonrará sua linhagem no meio de seu povo: pois sou eu, o Senhor, que o santifico.”
16. O Senhor disse a Moisés:
17. “Dize a Aarão o seguinte: homem algum de tua linhagem, por todas as gerações, que tiver um defeito corporal, oferecerá o pão de seu Deus.
18. Desse modo, serão excluídos todos aqueles que tiverem uma deformidade: cegos, coxos, mutilados, pessoas de membros desproporcionados,
19. ou tendo uma fratura no pé ou na mão,
20. corcundas ou anões, os que tiverem uma mancha no olho, ou a sarna, um dartro, ou os testículos quebrados.
21. Homem algum da linhagem de Aarão, o sacerdote, que for deformado, oferecerá os sacrifícios consumidos pelo fogo. Sendo vítima de uma deformidade, não poderá apresentar-se para oferecer o pão de seu Deus.
22. Mas poderá comer o pão de seu Deus, proveniente das ofertas santíssimas e das ofertas santas.
23. Não se aproximará, porém, do véu nem do altar, porque é deformado. Não profanará meus santuários, porque eu sou o Senhor que os santifico”.
24. Tais foram as palavras de Moisés a Aarão e a seus filhos, bem como a todos os israelitas.

 
Capítulo 22

1. O Senhor disse a Moisés: “Dize a Aarão e a seus filhos
2. que respeitem as coisas santas que os israelitas me consagram e não profanem o meu santo nome. Eu sou o Senhor.” Dir-lhes-á:
3. Todo homem de vossa linhagem e de vossa descendência, que se aproximar das coisas santas consagradas ao Senhor pelos israelitas, com uma imundície, será cortado de diante de mim. Eu sou o Senhor.
4. Todo homem da descendência de Aarão, atacado de lepra ou de gonorréia, não comerá coisa santa até a sua purificação. O mesmo será para aquele que tiver tocado uma pessoa contaminada por um cadáver, para aquele que tiver um fluxo seminal,
5. ou para aquele que tiver tocado quer seja um réptil com que se tenha contaminado, quer seja um homem afetado de uma impureza qualquer.
6. Quem tocar essas coisas será impuro até a tarde, e não comerá coisas santas. Lavará seu corpo com água e, depois do pôr-do-sol, ficará puro.
7. Somente então poderá ele comer as coisas santas, porque são seu alimento.
8. Não comerá um animal morto por si, ou dilacerado, para não ser contaminado por ele. Eu sou o Senhor.
9. Observarão minhas leis, para que não caiam em pecado e não morram por ter profanado as coisas santas. Eu sou o Senhor que as santifica.
10. Nenhum estrangeiro comerá as coisas santas. Tampouco comerão delas o hóspede e o servo de um sacerdote.
11. Mas o escravo adquirido a preço de dinheiro poderá comer, bem como aquele que for nascido na casa: comerão desse alimento.
12. Se uma filha de sacerdote for casada com um estrangeiro, ela não comerá os alimentos tomados dentre as coisas santas.
13. Mas se, estando viúva ou repudiada, ela volta sem filhos à casa paterna como no tempo de sua juventude, poderá comer o alimento de seu pai. Nenhum estrangeiro, porém, o comerá.
14. Se alguém comer por inadvertência uma coisa consagrada, pagará o seu valor ao sacerdote, e mais um quinto.
15. Os sacerdotes não permitirão aos profanos comer as santas oferendas que os israelitas tiverem destinado em homenagem ao Senhor,
16. para não se exporem a levar o peso da falta cometida, deixando que assim se coma as coisas santas. Porque eu sou o Senhor que as santifica”.
17. O Senhor disse a Moisés:
18. “Dize Aarão, a seus filhos e a todos os israelitas o seguinte: qualquer israelita ou estrangeiro em Israel que apresentar sua oferta em holocausto ao Senhor, seja em razão de um voto, seja como oferta espontânea,
19. deverá, para ser aceito, apresentar um macho sem defeito, tomado entre o gado, as ovelhas ou as cabras.
20. Não oferecereis vítima alguma defeituosa, porque não seria aceita.
21. Quando alguém oferecer ao Senhor um sacrifício pacífico, tomado do rebanho maior ou do menor, seja em cumprimento de um voto seja como oferta espontânea, a vítima, para ser aceita, deverá ser sem defeito.
22. Não oferecereis ao Senhor animal algum cego, estropiado, mutilado, atacado de úlcera, de sarna ou de dartro; não fareis dele um holocausto ao Senhor sobre o altar.
23. Poderás sacrificar como oferta espontânea um boi ou um cordeiro com um membro comprido ou curto demais; mas essa vítima não será aceita para o cumprimento de um voto.
24. Não oferecereis em vossa terra ao Senhor um animal cujos testículos tenham sido machucados, esmagados, arrancados ou cortados.
25. Não aceitareis nenhuma dessas vítimas das mãos de um estrangeiro, para oferecê-la em alimento a vosso Deus; elas não seriam aceitas em vosso favor, pois são mutiladas e defeituosas”.
26. O Senhor disse a Moisés:
27. “Um bezerro, um cordeiro ou um cabrito ficará sete dias com sua mãe após seu nascimento. A partir do oitavo dia, e nos dias seguintes, será aceito para ser oferecido em sacrifício pelo fogo ao Senhor.
28. Quer se trate de gado maior ou menor, não imolareis no mesmo dia o animal com sua cria.
29. Quando oferecerdes ao Senhor um sacrifício de ação de graças, oferecei-o de maneira que seja aceito.
30. Será comido no mesmo dia e não deixareis nada dele para o dia seguinte. Eu sou o Senhor.
31. Observareis os meus preceitos e os poreis em prática. Eu sou o Senhor.
32. Não profaneis o meu santo nome, e serei santificado no meio dos israelitas. Eu sou o Senhor que vos santifica,
33. e que vos tirei do Egito para ser vosso Deus. Eu sou o Senhor”.

 
Capítulo 23

1. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
2. eis as festas do Senhor que anunciareis como devendo ser santas assembléias: estas são as minhas solenidades.
3. Trabalhareis seis dias, mas no sétimo dia, sábado, dia de repouso, haverá uma santa assembléia. Nele não fareis trabalho algum. É o repouso consagrado ao Senhor, em todos os lugares em que habitardes.”
4. “Eis as festas do Senhor, santas assembléias que anunciareis no devido tempo.
5. No primeiro mês, no décimo quarto dia do mês, entre as duas tardes, será a Páscoa do Senhor.
6. E no décimo quinto dia desse mês, realizar-se-á a festa dos Pães sem Fermento em honra do Senhor: comereis pães sem fermento durante sete dias.
7. Tereis no primeiro dia uma santa assembléia, e não fareis nenhum trabalho servil.
8. Durante sete dias oferecereis ao Senhor sacrifícios pelo fogo. No sétimo dia haverá uma santa assembléia; e não fareis trabalho algum servil”.
9. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
10. quando tiverdes entrado na terra que vos hei de dar, e fizerdes a ceifa, trareis ao sacerdote um molho de espigas como primícias de vossa ceifa.
11. O sacerdote agitará esse molho de espigas diante do Senhor, para que ele vos seja favorável: fará isso no dia seguinte ao sábado.
12. No mesmo dia em que o molho for agitado, oferecereis ao Senhor em holocausto um cordeiro de um ano, sem defeito,
13. ajuntando a ele uma oferta de dois décimos de flor de farinha amassada com óleo, como sacrifício pelo fogo de agradável odor ao Senhor, e mais uma libação de vinho, constando de um quarto de hin.
14. Não comereis nem pão, nem grão torrado, nem espigas frescas até o dia em que levardes a oferta ao vosso Deus. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, em todos os lugares em que habitardes.”
15. “A partir do dia seguinte ao sábado, desde o dia em que tiverdes trazido o molho para ser agitado, contareis sete semanas completas.
16. Contareis cinqüenta dias até o dia seguinte ao sétimo sábado, e apresentareis ao Senhor uma nova oferta.
17. Trareis de vossa casa dois pães feitos de dois décimos de flor de farinha, cozidos com fermento, para agitá-los como oferta; são as primícias do Senhor.
18. Oferecereis com o pão em holocausto ao Senhor sete cordeiros de um ano, sem defeito, um novilho e dois carneiros, acompanhados da oferta e da libação: este será um sacrifício de agradável odor ao Senhor.
19. Oferecereis também um bode pelo pecado e, como sacrifício pacífico, dois cordeiros de um ano.
20. O sacerdote os agitará com o pão das primícias, como ofertas agitadas diante do Senhor, com os dois cordeiros: serão consagrados ao Senhor, e serão propriedade do sacerdote.
21. Nesse mesmo dia anunciareis a festa e convocareis uma santa assembléia: não fareis trabalho algum servil. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, em qualquer lugar onde habitardes.
22. Quando fizeres a ceifa em tua terra, não ceifarás até o extremo limite de teu campo e não recolherás a espiga de tua ceifa: deixá-la-eis para o pobre e o estrangeiro. Eu sou o Senhor, vosso Deus”.
23. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
24. no sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá para vós um dia de repouso, solenidade que publicareis ao som da trombeta, uma santa assembléia.
25. Não fareis trabalho algum servil, e oferecereis ao Senhor sacrifícios consumidos pelo fogo”.
26. O Senhor disse a Moisés:
27. “No décimo dia do sétimo mês será o dia das Expiações. Tereis uma santa assembléia: humilhareis vossas, almas e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo.
28. Não fareis trabalho algum naquele dia, porque é um dia de expiação em que deve ser feita a expiação por vós diante do Senhor, vosso Deus.
29. Todo aquele que se não humilhar nesse dia será cortado do meio de seu povo.
30. E todo o que fizer nesse dia um trabalho qualquer, eu o suprimirei do meio de seu povo.
31. Não fareis, pois, trabalho algum; esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, em todos os lugares em que habitardes.
32. Será para vós um sábado, um dia de repouso, e humilhareis vossas almas. No nono dia do mês, à tarde observareis um sábado, de uma tarde à tarde seguinte.
33. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
34. no décimo quinto dia do sétimo mês, celebrar-se-á a festa dos Tabernáculos durante sete dias, em honra do Senhor.
35. No primeiro dia haverá uma santa assembléia: não fareis nenhum trabalho servil.
36. Durante sete dias oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo. No oitavo dia tereis uma santa assembléia e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo. Será uma assembléia solene: não fareis trabalho algum servil.
37. Estas são as solenidades do Senhor que anunciareis para haver santas assembléias, para oferecer ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo, holocaustos, oblações, vítimas e libações, cada coisa em seu dia,
38. sem falar dos sábados do Senhor, de vossos dons, vossos votos e de todas as ofertas espontâneas que fizerdes ao Senhor.
39. No décimo quinto dia do sétimo mês, quando tiverdes colhido os produtos da terra, celebrareis uma festa ao Senhor durante sete dias. O primeiro dia será um dia de repouso, bem como o oitavo.
40. No primeiro dia tomareis frutos de árvores formosas, folhas de palmeiras, ramos de árvores frondosas e de salgueiros da torrente; e alegrar-vos-eis durante sete dias diante do Senhor, vosso Deus.
41. Cada ano celebrareis esta festa durante sete dias em honra do Senhor. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes. Celebrá-la-eis no sétimo mês.
42. Habitareis em barracas de ramos durante sete dias: todo homem da geração de Israel habitará em barracas de ramos,
43. para que saibam os vossos descendentes que eu fiz habitar os israelitas em barracas de ramos, quando os tirei do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”
44. Foi assim que Moisés falou aos israelitas, prescrevendo-lhes as festas do Senhor.

 
Capítulo 24

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Ordena aos israelitas que te tragam óleo puro de olivas esmagadas para manter, continuamente, acesas as lâmpadas do candelabro.
3. Aarão prepará-las-á fora do véu do testemunho, na tenda de reunião, a fim de que elas queimem continuamente, da tarde à manhã, diante do Senhor.
4. Disporá as lâmpadas no candelabro de ouro puro, para que queimem continuamente diante do Senhor.
5. Tomarás também flor de farinha e farás com ela doze bolos cozidos, cada um dos quais com dois décimos de efá.
6. Dispô-los-ás em duas pilhas de seis na mesa de ouro puro diante do Senhor.
7. Sobre cada pilha porás incenso puro, que será um memorial oferecido pelo fogo ao Senhor.
8. Colocar-se-ão esses pães diante do Senhor a cada sábado, continuamente, da parte dos israelitas: esta é uma aliança perpétua.
9. Esses pães serão propriedade de Aarão e de seus filhos, que os comerão no lugar santo; isso será para eles uma coisa santíssima entre as ofertas feitas pelo fogo ao Senhor. É uma lei perpétua.”
10. O filho de uma mulher israelita, tendo por pai um egípcio, veio entre os israelitas. E, discutindo no acampamento com um deles,
11o filho da mulher israelita blasfemou contra o santo nome e o amaldiçoou. Sua mãe chamava-se Salumite, filha de Dabri, da tribo de Dã.
12. Puseram-no em prisão até que Moisés tomasse uma decisão, segundo a ordem do Senhor.”
13. Então o Senhor disse a Moisés:
14. “Faze sair do acampamento o blasfemo, e todos aqueles que o ouviram ponham a mão sobre a sua cabeça, e toda a assembléia o apedreje.
15. Dirás aos israelitas: todo aquele que amaldiçoar o seu Deus levará o seu pecado.
16. Quem blasfemar o nome do Senhor será punido de morte: toda a assembléia o apedrejará. Quer seja ele estrangeiro ou natural, se blasfemar contra o santo nome, será punido de morte.”
17. “Todo aquele que ferir mortalmente um homem será morto.
18. Quem tiver ferido de morte um animal doméstico, dará outro em seu lugar: vida por vida.
19. Se um homem ferir o seu próximo, assim como fez, assim se lhe fará a ele:
20. fratura por fratura, olho por olho e dente por dente; ser-lhe-á feito o mesmo que ele fez ao seu próximo;
21. Quem matar um animal, restituirá outro, mas o que matar um homem será punido de morte.
22. Só haverá uma lei entre vós tanto para o estrangeiro como para o natural: porque eu sou o Senhor vosso Deus”.
23. Moisés transmitiu essas normas aos israelitas. Tiraram do acampamento o blasfemo e o apedrejaram, conforme a ordem que o Senhor tinha dado a Moisés.

 
Capítulo 25

1. O Senhor disse a Moisés no monte Sinai: “Dize aos israelitas o seguinte:
2. quando tiverdes entrado na terra que vos hei de dar, a terra repousará: este será um sábado em honra do Senhor.
3. Durante seis anos semearás a tua terra, durante seis anos podarás a tua vinha e recolherás os seus frutos.
4. Mas o sétimo ano será um sábado, um repouso para a terra, um sábado em honra do Senhor: não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha;
5. não colherás o que nascer dos grãos caídos de tua ceifa, nem as uvas de tua vinha não podada, porque é um ano de repouso para a terra.
6. Mas o que a terra der espontaneamente durante o seu sábado, vos servirá de alimento, a ti, ao teu servo e à tua serva, ao teu operário ou ao estrangeiro que mora contigo;
7. tudo o que nascer servirá de alimento também ao teu rebanho e aos animais que estão em tua terra.
8. Contarás sete anos sabáticos, sete vezes sete anos, cuja duração fará um período de quarenta e nove anos.
9. Tocarás então a trombeta no décimo dia do sétimo mês: tocareis a trombeta no dia das Expiações em toda a vossa terra.
10. Santificareis o qüinquagésimo ano e publicareis a liberdade na terra para todos os seus habitantes. Será o vosso jubileu. Voltareis cada um para as suas terras e para a sua família.
11. O qüinquagésimo ano será para vós um jubileu: não semeareis, não ceifareis o que a terra produzir espontaneamente, e não vindimareis a vinha não podada,
12. pois é o jubileu que vos será sagrado. Comereis o produto de vossos campos.
13. Nesse ano jubilar, voltareis cada um à sua possessão.
14. Se venderdes ou comprardes alguma coisa de vosso próximo, ninguém dentre vós cause dano ao seu irmão.
15. Comprarás ao teu próximo segundo o número de anos decorridos desde o jubileu, e ele te venderá segundo o número de anos de colheita.
16. Aumentarás o preço em razão dos anos que restarem, e o abaixarás à medida que os anos diminuírem, porque é o número de colheitas que ele te vende.
17. Ninguém prejudique o seu próximo. Teme o teu Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
18. Obedecereis às minhas leis; guardareis os meus preceitos e os cumprireis, a fim de habitardes em segurança na terra.
19. A terra vos dará os seus frutos, comereis até vos saciardes e vivereis em segurança.
20. Se disserdes: que comeremos nós no sétimo ano, se não semearmos, nem recolhermos os nossos frutos?
21. Eu vos darei a minha bênção no sexto ano, e a terra produzirá uma colheita para três anos.
22. Semeareis no oitavo ano, e comereis da antiga colheita até o ano novo: comereis da antiga colheita até que venha a nova.”
23. “A terra não se venderá para sempre, porque a terra é minha, e vós estais em minha casa como estrangeiros ou hóspedes.
24. Portanto, em todo o território de vossa propriedade, concedereis o direito de resgatar a terra.
25. Se teu irmão se tornar pobre e vender uma parte de seu bem, seu parente mais próximo que tiver o direito de resgate se apresentará e resgatará o que o seu irmão vendeu.
26. Se um homem não tiver ninguém que tenha o direito de resgate, mas procurar ele mesmo os meios de fazer o seu resgate,
27. contará os anos desde que fez a venda, restituirá o excedente ao comprador, e se reintegrará na sua propriedade.
28. Se não encontrar, porém, meios de indenizar, a terra vendida ficará nas mãos do comprador até o ano jubilar; sairá do poder deste no ano do jubileu, e voltará à posse do seu antigo dono.
29. Se um homem vender uma casa de habitação situada dentro de uma cidade murada, terá o direito de resgatá-la até o fim do ano que se segue à venda: seu direito de resgate será de um ano completo.
30. Se a casa situada na cidade murada não for resgatada antes do fim do ano completo, ela pertencerá sempre ao comprador e aos seus descendentes: não sairá de suas mãos no jubileu.
31. Entretanto, as casas das povoações que não têm muros serão consideradas como fazendo parte do fundo de terras; poderão ser resgatadas e serão livres no ano do jubileu.
32. Quanto às cidades dos levitas e às casas que possuem, terão eles um direito de resgate perpétuo.
33. Quem comprar dos levitas uma casa, sairá no jubileu da casa vendida e da cidade em que a possua, porque as casas das cidades dos levitas são sua propriedade no meio dos israelitas.
34. Os campos dos arrabaldes das cidades dos levitas não serão vendidos, porque são sua propriedade perpétua.”
35. “Se teu irmão se tornar pobre junto de ti, e as suas mãos se enfraquecerem, sustentá-lo-ás, mesmo que se trate de um estrangeiro ou de um hóspede, a fim de que ele viva contigo.
36. Não receberás dele juros nem ganho; mas temerás o teu Deus, para que o teu irmão viva contigo.
37. Não lhe emprestarás com juros o teu dinheiro, e não lhe darás os teus víveres por amor ao lucro.
38. Eu sou o Senhor vosso Deus que vos tirei do Egito, para vos dar a terra de Canaã e para ser o vosso Deus.
39. Se teu irmão se tornar pobre junto de ti e se se vender a ti, não exigirás dele um serviço de escravo.
40. Estará em tua casa como um operário, e como um hóspede estará a teu serviço até o ano jubilar.
41. E sairá então de tua casa, ele e seus filhos com ele; voltará para a sua família e para a herança de seus pais.
42. Porque são meus servos que tirei do Egito, não devem ser vendidos como se vende um escravo.
43. Não dominarás sobre ele com rigor, mas temerás o teu Deus.
44. Vossos escravos, homens ou mulheres, tomá-los-eis dentre as nações que vos cercam; delas comprareis os vossos escravos, homens ou mulheres.
45. Podereis também comprá-los dentre os filhos dos estrangeiros que habitam no meio de vós, das suas famílias que moram convosco dentre os filhos que eles tiverem gerado em vossa terra: e serão vossa propriedade.
46. Deixá-los-eis por herança a vossos filhos depois de vós, para que os possuam plenamente como escravos perpétuos. Mas, quanto a vossos irmãos, os israelitas, não dominareis com rigor uns sobre os outros.
47. Se se tornar rico o estrangeiro, estabelecido no meio de ti, e teu irmão, seu vizinho, se tornar pobre e se vender a esse estrangeiro que vive no meio de ti,
48. haverá para aquele que se vende um direito de resgate: um de seus irmãos poderá resgatá-lo.
49. Seu tio, o filho de seu tio, ou um de seus próximos parentes poderá também resgatá-lo. Ou então ele mesmo se resgatará, se conseguir os meios de fazê-lo.
50. Com aquele que o tiver comprado, fará a conta desde o ano em que se vendeu a ele até o ano jubilar, e o preço de venda se estimará segundo o número dos anos, avaliando seus dias de trabalho como os de um operário.
51. Se houver ainda muitos anos, pagará o seu resgate em razão desses anos, segundo o preço pelo qual foi comprado;
52. e se faltarem poucos anos até o ano jubilar, fará a conta disso, e pagará o seu resgate em proporção ao número desses anos.
53. Ele estará em sua casa como um operário que trabalha ano por ano, e o comprador não o tratará com rudeza à tua vista.
54. Se ele não for resgatado de nenhuma dessas maneiras, sairá livre no ano jubilar, ele e seus filhos,
55. porque os filhos de Israel são meus servos; são meus servos que tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”

 
Capítulo 26

1. “Não fareis ídolos. Não levantareis estátuas nem estelas, e não poreis em vossa terra pedra alguma adornada de figuras, para vos prostrardes diante dela, porque eu sou o Senhor, vosso Deus.
2. Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o Senhor.
3. Se seguirdes minhas leis e guardardes os meus preceitos e os praticardes, eu vos darei as chuvas nos seus tempos.
4. A terra dará o seu produto e as árvores da terra se carregarão de frutos.
5. A debulha do trigo prolongar-se-á até a vindima, e a vindima até a sementeira; comereis o vosso pão à saciedade, e habitareis em segurança na vossa terra.
6. Darei paz à vossa terra, e vosso sono não será perturbado. Afastarei da terra os animais nocivos, e a espada não passará pela vossa terra.
7. Quando perseguirdes os vossos inimigos, cairão sob vossa espada.
8. Cinco dentre vós perseguirão um cento, e cem dos vossos perseguirão dez mil, e os vossos inimigos cairão sob vossa espada.
9. Eu me voltarei para vós, e vos farei crescer; multiplicar-vos-ei e ratificarei a minha aliança convosco.
10. Comereis as colheitas antigas, bem conservadas, e lançareis fora as velhas, para dar lugar às novas.
11. Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos rejeitará.
12. Andarei entre vós: serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo.
13. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito para livrar-vos da escravidão. Quebrei as cadeias de vosso jugo, e vos fiz andar com a cabeça erguida.
14. Mas se não me escutardes e não guardardes os meus mandamentos,
15. se desprezardes os meus preceitos e vossa alma aborrecer as minhas leis, de sorte que não pratiqueis todos os meus mandamentos e violeis minha aliança, eis como vos hei de tratar:
16. enviarei terríveis flagelos sobre vós: a tísica e a febre que empanarão vosso olhar e vos farão desfalecer. Debalde semeareis a vossa semente, porque vossos inimigos a comerão.
17. Voltarei minha face contra vós e sereis vencidos pelos vossos inimigos: eles vos dominarão, e fugireis sem que ninguém vos persiga.
18. Se nem ainda assim me ouvirdes, castigar-vos-ei sete vezes mais pelos vossos pecados.
19. Quebrarei o orgulho de vosso poder, tornarei o vosso céu como ferro e a vossa terra como bronze.
20. Inutilmente se gastará a vossa força, pois vossa terra não dará os seus produtos, e as árvores da terra não produzirão os seus frutos.
21. Se me puserdes obstáculos e não quiserdes ouvir-me, ferir-vos-ei sete vezes mais, conforme os vossos pecados.
22. Mandarei contra vós as feras do campo, que devorarão vossos filhos, matarão vossos animais e vos reduzirão a um pequeno número, de modo que os vossos caminhos se tornarão desertos.
23. Se apesar desses castigos não vos quiserdes corrigir, e vos obstinardes em resistir-me,
24. eu vos resistirei por minha vez e vos ferirei sete vezes mais, por causa dos vossos pecados.
25. Farei cair sobre vós a espada para vingar a minha aliança. Se vos ajuntardes em vossas cidades, lançarei a peste no meio de vós e sereis entregues nas mãos de vossos inimigos.
26. Tirar-vos-ei o pão, vosso sustentáculo, de tal sorte que dez mulheres o cozerão em um só forno e vo-lo entregarão por peso; comereis e não ficareis saciados.
27. Se, apesar disso, não me ouvirdes, e me resistirdes ainda,
28. marcharei contra vós em meu furor e vos castigarei sete vezes mais, por causa dos vossos pecados.
29. Comereis a carne de vossos filhos e de vossas filhas.
30. Destruirei vossos lugares altos e quebrarei vossas estelas solares; amontoarei vossos cadáveres sobre os de vossos ídolos, e minha alma vos abominará.
31. Reduzirei a deserto as vossas cidades, devastarei vossos santuários e não aspirarei mais o suave odor de vossos perfumes.
32. Desolarei vossa terra e vossos inimigos ficarão estupefatos com ela quando a habitarem.
33. Eu vos dispersarei entre as nações, e desembainharei a espada atrás de vós; vossa terra será devastada e vossas cidades se tornarão desertas.
34. Então gozará a terra os seus sábados enquanto durar a sua solidão, quando estiverdes na terra de vossos inimigos; então a terra gozará os seus sábados e repousará.
35. Nos dias em que for devastada, ela terá o repouso que não gozou nos sábados do tempo em que a habitáveis.
36. Naqueles dentre vós que sobreviverem, porei tal espanto em seus corações na terra de seus inimigos, que o ruído de uma folha agitada pelo vento os porá em fuga: fugirão como se foge diante da espada e cairão sem que ninguém os persiga.
37. Sem que ninguém os persiga, tropeçarão uns sobre os outros, como diante da espada. Não podereis resistir aos vossos inimigos.
38. Perecereis entre as nações e a terra inimiga vos consumirá.
39. Os que sobreviverem consumir-se-ão por causa de suas iniqüidades na terra de seus inimigos, e serão também consumidos por causa das iniqüidades de seus pais, que levarão sobre si.
40. Eles confessarão, então, as suas iniqüidades e as de seus pais, as transgressões cometidas contra mim, porque me resistiram;
41. e, por isso, eu também lhes resisti e os levei para a terra de seus inimigos. Se, então, humilharem o seu coração incircunciso e sofrerem a pena de sua iniqüidade,
42. eu me lembrarei de minha aliança com Jacó, de minha aliança com Isaac e com Abraão, e lembrar-me-ei dessa terra.
43. E, depois que eles a tiverem deixado, esta terra gozará os seus sábados enquanto for devastada longe deles; eles sofrerão a pena de suas iniqüidades, porque desprezaram os meus mandamentos e a sua alma feriu as minhas leis.
44. Apesar de tudo isso, quando estiverem na terra de seus inimigos, não os rejeitarei, nem os abominarei a ponto de exterminá-los e de romper minha aliança com eles; porque eu sou o Senhor, seu Deus.
45. Lembrar-me-ei de minha aliança com seus pais, quando os tirei do Egito à vista das nações, para ser o seu Deus. Eu sou o Senhor.”
46. Tais são as ordenações, os mandamentos e as leis que o Senhor estabeleceu entre ele e os israelitas, por intermédio de Moisés, no monte Sinai.

 
Capítulo 27

1. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
2. se alguém fizer um voto, as pessoas serão do Senhor segundo a tua avaliação.
3. Se se tratar de um homem de vinte a sessenta anos, o valor será de cinqüenta siclos de prata, segundo o siclo do santuário;
4. se for uma mulher, o valor será de trinta siclos.
5. Para a idade de cinco a vinte anos, o valor será de vinte siclos para o menino, e dez siclos para a menina.
6. De um mês até cinco anos, o valor será de cinco siclos de prata para um menino, e três para uma menina.
7. Aos sessenta anos, e daí para cima, a estimação será de quinze siclos para um homem e dez siclos para uma mulher.
8. Se aquele que tiver feito o voto for demasiado pobre e não puder pagar o valor que avaliaste, apresentar-se-á ao sacerdote, que fixará o valor segundo as posses daquele que fez o voto.
9. Se se tratar de animais que se podem oferecer ao Senhor, todo animal que assim se tiver dado ao Senhor será coisa santa.
10. Não poderá ser trocado nem substituído, bom por mau, ou mau por bom. Mas, se se trocar um animal por outro, eles serão coisa santa, tanto um como o outro.
11. Se se tratar de um animal impuro que não se pode oferecer ao Senhor, será apresentado ao sacerdote:
12. ele o avaliará, conforme for bom ou mau, e sua estimação determinará o preço.
13. Se se quiser resgatá-lo, ajuntará uma quinta parte ao que tiver sido avaliado.
14. Se alguém consagrar ao Senhor a sua casa fazendo dela coisa santa, o sacerdote a avaliará segundo for boa ou má, e ela será vendida pelo preço dessa avaliação.
15. Mas, se aquele que consagrou a sua casa quiser resgatá-la, ajuntará um quinto ao preço da avaliação, e ela lhe pertencerá de novo.
16. Se alguém consagrar ao Senhor uma parte da terra que lhe pertence, tu a avaliarás segundo a quantidade de grãos que se pode semear nela, à razão de cinqüenta siclos de prata por homer de cevada.
17. Se consagrar o seu campo, a partir do ano do jubileu, far-se-á segundo a tua avaliação:
18. mas, se o tiver feito depois do jubileu, o sacerdote estimará o seu preço segundo o número de anos que restam até o jubileu, e haverá uma redução sobre o preço da avaliação.
19. Se aquele que consagrou o seu campo quiser resgatá-lo, ajuntará um quinto ao preço fixado, e possui-lo-á.
20. Se não o resgatar e o vender a outro, esse campo não poderá mais ser resgatado.
21. Quando o campo ficar livre no jubileu, será consagrado ao Senhor como um campo votado ao interdito, e tornar-se-á propriedade do sacerdote.
22. Se alguém consagrar ao Senhor um campo que comprou, o qual não faça parte de seu patrimônio,
23. o sacerdote fixará o seu preço de acordo com a tua avaliação até o ano do jubileu, e esse homem pagará o preço fixado no mesmo dia; é uma coisa consagrada ao Senhor.
24. No ano jubilar, o campo voltará ao vendedor, como patrimônio que lhe pertence.
25. Todas as avaliações se farão em siclos do santuário. O siclo vale vinte gueras.
26. Entretanto, ninguém poderá consagrar os primogênitos de seu gado, pois pertencem já ao Senhor pelo seu título de primogênito: seja um boi, seja uma ovelha, são propriedade do Senhor.
27. Se se tratar de um animal impuro, será resgatado pelo preço que fixares, ajuntando-se mais uma quinta parte; se não for resgatado, será vendido segundo a tua avaliação.
28. Se um homem consagrar ao Senhor por interdito alguma coisa que lhe pertence, seja qual for esse objeto – uma pessoa, um animal ou um campo de seu patrimônio – ela não poderá ser vendida, nem resgatada: tudo o que é votado por interdito é coisa consagrada ao Senhor.
29. Nenhuma pessoa votada ao interdito poderá ser resgatada: ela será morta.
30. Todos os dízimos da terra, tomados das sementes do solo ou dos frutos das árvores são propriedade do Senhor: é uma coisa consagrada ao Senhor.
31. Se alguém quiser resgatar alguma coisa de seus dízimos, ajuntará uma quinta parte.
32. Todos os dízimos do gado maior e menor, os dízimos do que passa sob o cajado do pastor, o décimo (animal) será consagrado ao Senhor.
33. Não se fará escolha entre bom e mau e não se fará substituição. Se alguém o fizer, tanto o animal substituído como o que substituiu serão coisa consagrada: não poderão ser resgatados.”
34. Tais são as ordenações que o Senhor deu a Moisés para os israelitas no monte Sinai.