Números

by on ago.13, 2009, under Números

Números

 Capítulo 1

1. No primeiro dia do segundo mês, no segundo ano depois da saída do Egito, o Senhor disse a Moisés no deserto do Sinai, na tenda de reunião:
2. “Fazei o recenseamento de toda a assembléia dos filhos de Israel segundo suas famílias, suas casas patriarcais, contando nominalmente por cabeça todos os varões da idade de vinte anos para cima,
3. todos os israelitas aptos para o serviço das armas: fareis o recenseamento deles segundo os seus grupos, tu e Aarão.
4. Assistir-vos-á um homem de cada tribo, um chefe da casa de seu pai.
5. Eis os nomes daqueles que vos hão de acompanhar: de Rubem, Elisur, filho de Sedeur;
6. de Simeão, Salamiel, filho de Surisadai;
7. de Judá, Naasson, filho de Aminadab;
8. de Issacar, Natanael, filho de Suar;
9. de Zabulon, Eliab, filho de Elom;
10. dos filhos de José: de Efraim, Elisama, filho de Amiud; de Manassés, Gamaliel, filho de Fadassur;
11. de Benjamim, Abidã, filho de Gedeão;
12. de Dã, Aieser, filho de Amisadai;
13. de Aser, Fegiel, filho de Ocrã;
14. de Gad, Eliasaf, filho de Duel;
15. de Neftali, Aira, filho de Enã”.
16. Tais são os que foram escolhidos da assembléia. Eram os príncipes de suas tribos patriarcais, chefes de milhares em Israel.
17. Depois de se terem ajuntado esses homens designados pelos seus nomes, Moisés e Aarão
18. convocaram toda a assembléia no primeiro dia do segundo mês. Efetuaram o recenseamento por clãs e famílias, contando nome por nome as pessoas da idade de vinte anos para cima,
19. assim como o Senhor ordenara a Moisés. Fez-se, pois, o recenseamento no deserto do Sinai.
20. Dos filhos de Rubem, primogênito de Israel, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes por cabeça, todos os varões da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
21. foram recenseados 46.500 na tribo de Rubem.
22. Dos filhos de Simeão, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
23. foram recenseados 59.300 na tribo de Simeão.
24. Dos filhos de Gad, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
25. foram recenseados 45.650 na tribo de Gad.
26. Dos filhos de Judá, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
27. foram recenseados 74.600 na tribo de Judá.
28. Dos filhos de Issacar, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
29. foram recenseados 54.400 na tribo de Issacar.
30. Dos filhos de Zabulon, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
31. foram recenseados 57.400 na tribo de Zabulon.
32. Entre os filhos de José, os filhos de Efraim, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
33. foram recenseados 40.500 na tribo de Efraim.
34. Dos filhos de Manassés, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
35. foram recenseados 32.200 na tribo de Manassés.
36. Dos filhos de Benjamim, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
37. foram recenseados 35.400 na tribo de Benjamim.
38. Dos filhos de Dã, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
39. foram recenseados 62.700 na tribo de Dã.
40. Dos filhos de Aser, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
41. foram recenseados 41.500 na tribo de Aser.
42. Dos filhos de Neftali, seus descendentes segundo suas famílias e suas casas patriarcais, contando seus nomes da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
43. foram recenseados 53.400 na tribo de Neftali.
44. Estes são os que foram recenseados por Moisés e Aarão com os príncipes de Israel, em número de doze, um homem de cada casa patriarcal.
45. Os israelitas recenseados por famílias, da idade de vinte anos para cima – todos os que eram aptos para o serviço das armas –,
46. somaram o total de 603.550.
47. Quanto aos levitas, porém, não foram contados com os demais, segundo suas tribos patriarcais.
48. O Senhor havia dito, com efeito, a Moisés:
49. “Não farás o recenseamento da tribo de Levi, nem porás a soma deles com os filhos de Israel.
50. Confia-lhes o cuidado do tabernáculo do testemunho, de todos os seus utensílios e de tudo o que lhe pertence. Levarão o tabernáculo e todos os seus utensílios, farão o seu serviço e acamparão em volta do tabernáculo.
51. Quando se tiver de partir, os levitas desmontarão o tabernáculo e o levantarão quando se tiver de acampar. O estrangeiro que se aproximar dele será punido de morte.
52. Os israelitas acamparão cada um em seu respectivo acampamento e cada um perto de sua bandeira, segundo suas turmas.
53. Quanto aos levitas, porém, acamparão em torno do tabernáculo do testemunho, para que não suceda explodir a minha cólera contra a assembléia dos israelitas; ademais, os levitas terão a guarda do tabernáculo do testemunho”.
54. Os israelitas fizeram tudo o que o Senhor tinha ordenado a Moisés; assim o fizeram.

 
Capítulo 2

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Os israelitas acamparão cada um perto de sua bandeira, sob as insígnias de suas casas patriarcais; acamparão em volta e defronte da tenda de reunião.
3. Ao oriente assentará as suas tendas Judá, com sua bandeira e suas tropas; o príncipe dos judeus é Naasson, filho de Aminadab;
4. e a divisão do seu exército, segundo o recenseamento, é de 74.600 homens.
5. Junto dele acampará a tribo de Issacar. O príncipe dos filhos de Issacar é Natanael, filho de Suar;
6. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 54.400 homens.
7. Em seguida, a tribo de Zabulon. O príncipe dos filhos de Zabulon é Eliab, filho de Helon,
8. e sua divisão é, segundo o recenseamento, de 57.400 homens.
9. O total para o acampamento de Judá, segundo o recenseamento, se eleva a 186.400 homens, segundo suas divisões. São estes os primeiros que se porão em marcha.
10. Para o lado do meio-dia estará a bandeira do acampamento de Rubem, com suas divisões; o príncipe dos rubenitas é Elisur, filho de Sedeur,
11. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 46.500 homens.
12. Junto dele acampará a tribo de Simeão; o príncipe dos simeonitas é Salamiel, filho de Surisadai,
13. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 59.300 homens.
14. Em seguida, a tribo de Gad; o príncipe dos gaditas é Eliasaf, filho de Duel,
15. e sua divisão é, segundo o recenseamento, de 45.650 homens.
16. O total dos homens recenseados para o acampamento de Rubem se eleva a 151.450 homens, segundo suas divisões. Estes serão os segundos a se porem em marcha.
17. Em seguida, irá a tenda de reunião com o acampamento dos levitas, no meio dos outros acampamentos. Eles marcharão na ordem em que tiverem acampado, cada um no seu lugar, segundo a sua bandeira.
18. Para o lado do ocidente estará a bandeira de Efraim com suas divisões; o príncipe dos efraimitas é Elisama, filho de Amiud,
19. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 40.500 homens.
20. Junto dele acampará a tribo de Manassés; o príncipe dos filhos de Manassés é Gamaliel, filho de Fadassur,
21. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 32.200 homens.
22. Em seguida, a tribo de Benjamim; o príncipe dos filhos de Benjamim é Abidã, filho de Gedeão,
23. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 35.400 homens.
24. O total dos homens recenseados para o acampamento de Efraim é de 108.100 homens, segundo suas divisões. Estes se porão em marcha em terceiro lugar.
25. Ao norte se encontrará a bandeira do acampamento de Dã com suas divisões; o príncipe dos danitas é Aieser, filho de Amisadai,
26. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 62.700 homens.
27. Junto dele acampará a tribo de Aser; o príncipe dos filhos de Aser é Fegiel, filho de Ocrã,
28. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 41.500 homens.
29. Em seguida, a tribo de Neftali; o príncipe dos neftalitas é Aira, filho de Enã,
30. e sua divisão, segundo o recenseamento, é de 53.400 homens.
31. O total para o acampamento de Dã, segundo o recenseamento, se eleva a 157.600 homens. Estes se porão em marcha em último lugar, segundo suas bandeiras.”
32. Estes são os israelitas recenseados segundo suas casas patriarcais. O total de todos os homens recenseados, repartidos em diversos acampamentos, segundo suas divisões, é de 603.550 homens.
33. Os levitas não foram contados no recenseamento com os israelitas, segundo a ordem que o Senhor tinha dado a Moisés.
34. Os israelitas fizeram tudo o que o Senhor tinha ordenado a Moisés. Acamparam segundo suas bandeiras, e puseram-se em marcha cada um segundo a sua família e segundo a sua casa patriarcal.

 
Capítulo 3

1. Eis a posteridade de Aarão e de Moisés, no tempo em que o Senhor falou a Moisés no monte Sinai.
2. Eis os nomes dos filhos de Aarão: Nadab, o mais velho, Abiú, Eleazar e Itamar.
3. São estes os nomes dos filhos de Aarão, sacerdotes que receberam a unção e a investidura sacerdotal.
4. Nadab e Abiú morreram diante do Senhor, quando levaram à sua presença um fogo estranho no deserto do Sinai. Não tinham filhos. Eleazar e Itamar exerceram o ministério sacerdotal em presença de Aarão, seu pai.
5. O Senhor disse a Moisés:
6. “Manda vir a tribo de Levi e apresenta-a ao sacerdote Aarão para servi-lo.
7. Os levitas se encarregarão de tudo o que foi confiado aos seus cuidados e aos de toda a assembléia, diante da tenda de reunião: e farão assim o serviço do tabernáculo.
8. Cuidarão de todos os utensílios da tenda de reunião e do que foi confiado aos cuidados dos israelitas; e farão assim o serviço do tabernáculo.
9. Darás os levitas a Aarão e seus filhos. Eles serão escolhidos dentre os filhos de Israel para serem inteiramente dele.
10. Estabelecerás Aarão e seus filhos para exercerem o ministério sacerdotal. O estrangeiro que se aproximar do santuário será punido de morte.”
11. O Senhor disse a Moisés:
12. “Eu tomei os levitas dentre os filhos de Israel em lugar de todo primogênito, que abre o seio de sua mãe entre todos os israelitas. Os levitas serão meus.
13. Com efeito, todo primogênito é meu. No dia em que feri todos os primogênitos no Egito, reservei para mim todos os que nascem primeiro em Israel, desde os homens até os animais; são meus. Eu sou o Senhor.”
14. O Senhor disse a Moisés no deserto do Sinai:
15. “Conta os levitas segundo suas casas patriarcais e segundo suas famílias, todos os varões de um mês para cima.”
16. E Moisés fez esse recenseamento conforme o Senhor lhe tinha ordenado.
17. Eis os nomes dos filhos de Levi: Gérson, Caat e Merari.
18. Eis os nomes dos filhos de Gérson, segundo suas famílias: Lebni e Semei.
19. Filhos de Caat segundo suas famílias: Amrão, Jesaar, Hebron e Oziel.
20. Filhos de Merari, segundo suas famílias: Mooli e Musi. São estas as famílias de Levi, segundo suas casas patriarcais.
21. De Gérson provêm as famílias de Lebni e de Semei: são as famílias dos gersonitas.
22. Contando todos os varões da idade de um mês para cima, foram recenseados 7.500.
23. As famílias dos gersonitas acampavam ao ocidente, atrás do tabernáculo.
24. O príncipe da casa patriarcal dos gersonitas era Eliasaf, filho de Lael.
25. Na tenda de reunião tinham os gersonitas o cuidado do tabernáculo e da tenda, de sua coberta, do véu que cobria a entrada da tenda de reunião,
26. das cortinas do átrio, do véu de entrada no átrio, que circundavam o tabernáculo e o altar, e de suas cordas para todo o serviço.
27. De Caat provém as famílias dos amramitas, dos jessaritas, dos habronitas e os ozielitas: estas são as famílias dos caatitas.
28. Contando todos os varões da idade de um mês para cima, havia 8.300 encarregados do santuário.
29. As famílias dos caatitas acampavam para a banda do meio-dia, ao lado do tabernáculo.
30. O príncipe da casa patriarcal das famílias dos caatitas era Elisafã, filho de Oziel.
31. Aos seus cuidados foi confiada a guarda da arca, da mesa, do candelabro, dos altares e dos utensílios do santuário que serviam para o ministério, o véu e tudo o que se relacionava com o seu serviço.
32. O príncipe dos príncipes dos levitas era Eleazar, filho do sacerdote Aarão: ele tinha a superintendência sobre os que velavam pela guarda do santuário.
33. De Merari provêm a família dos moolitas e as dos musitas: estas são as famílias dos meraritas.
34. Contando todos os varões da idade de um mês para cima, foram recenseados 6.200.
35. O príncipe da casa patriarcal das famílias de Merari era Suriel, filho de Abiaiel. Acampavam ao norte do tabernáculo.
36. Os filhos de Merari tinham a guarda das tábuas do tabernáculo, de suas travessas, suas colunas, seus pedestais, de todos os seus utensílios e de todo o seu serviço,
37. das colunas que se encontravam em volta do átrio com seus pedestais, suas estacas e suas cordas.
38. Moisés, Aarão e seus filhos acampavam diante do tabernáculo, ao oriente, diante da tenda de reunião, ao nascente, e tinham o cuidado do santuário para os israelitas. O estrangeiro que se aproximasse devia ser punido de morte.
39. O total dos levitas recenseados por Moisés, segundo suas famílias, assim como o Senhor ordenara todos os varões da idade de um mês para cima, era de 22.000
40. O Senhor disse a Moisés: “Faze o recenseamento de todos os primogênitos varões entre os israelitas, da idade de um mês para cima, e faze o levantamento dos seus nomes.
41. Tomarás para mim os levitas em lugar de todos os primogênitos israelitas. Eu sou o Senhor. Tomarás o gado dos levitas em lugar de todos os primogênitos do gado dos israelitas.”
42. Moisés recenseou todos os primogênitos israelitas segundo a ordem que lhe tinha dado o Senhor.
43. Todos os primogênitos varões recenseados e contados nominalmente, da idade de um mês para cima, eram 22.273.
44. O Senhor disse a Moisés:
45. “Toma os levitas em lugar de todos os primogênitos israelitas, e o gado dos levitas em lugar do deles. Os levitas serão meus. Eu sou o Senhor.
46. Como resgate dos 273 primogênitos israelitas que excedem o número dos levitas,
47. tomarás cinco siclos por cabeça, de acordo com o siclo do santuário, o qual é de vinte gueras.
48. Darás esse dinheiro a Aarão e a seus filhos para o resgate daqueles que ultrapassam o número dos levitas”.
49. Moisés pegou o dinheiro do resgate dos primogênitos que ultrapassavam o número dos que tinham sido resgatados pelos levitas.
50. Assim recolheu a quantia de 1.365 siclos, segundo o siclo do santuário.
51. E Moisés entregou o dinheiro do resgate a Aarão e a seus filhos, conforme a ordem que o Senhor lhe tinha dado.

 
Capítulo 4

1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
2. “Entre os levitas, farás a contagem dos filhos de Caat, segundo suas famílias e suas casas patriarcais,
3. da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, de todos os que estão em condições de servir em qualquer função na tenda de reunião.
4. Este é o serviço dos caatitas na tenda de reunião: cuidar dos objetos santíssimos.
5. Quando se levantar o acampamento, Aarão e seus filhos tirarão o véu e cobrirão com ele a arca do testemunho;
6. cobri-la-ão ainda com uma coberta de pele de golfinho, estenderão por cima um pano todo de púrpura violeta e porão os varais da arca.
7. Meterão um pano de púrpura violeta sobre a mesa dos pães da proposição, e porão nela os pratos, os vasos, as taças e os copos para as libações; o pão perpétuo estará sobre ela.
8. Estenderão por cima um pano carmesim, envolto ainda com uma coberta de pele de golfinho; e colocarão os varais da mesa.
9. Tomarão um pano de púrpura violeta para cobrir o candelabro, suas lâmpadas, suas espevitadeiras, seus cinzeiros e os recipientes de óleo necessários ao seu serviço.
10. Pô-lo-ão com todos os seus utensílios em um estojo de pele de golfinho e o colocarão sobre os varais.
11. Estenderão sobre o altar de ouro um pano de púrpura violeta, e porão nele os varais depois de o terem coberto com uma cobertura de pele de golfinho.
12. Tomarão todos os utensílios empregados para o serviço do santuário e os envolverão num pano de púrpura violeta, cobrindo-os, em seguida, com uma cobertura de pele de golfinho, para serem colocados sobre os varais.
13. Tirarão as cinzas do altar e estenderão sobre ele um pano de púrpura escarlate.
14. Porão em cima todos os utensílios destinados ao seu serviço, os incensários, os garfos, as pás, as bacias, todos os utensílios do altar. Estenderão sobre tudo isso uma coberta de pele de golfinho, e lhe meterão os varais.
15. Quando Aarão e seus filhos tiverem acabado de cobrir o santuário e todos os seus utensílios, ao levantarem o acampamento, os caatitas virão levá-los, mas não tocarão nas coisas santas, para que não morram. Estas são as coisas que deverão levar os filhos de Caat da tenda de reunião.
16. Eleazar, filho do sacerdote Aarão, cuidará do óleo do candelabro, o incenso aromático, a oblação perpétua e o óleo para a unção, bem como da vigilância de todo o tabernáculo, com tudo o que contém, e do santuário com todos os seus utensílios.”
17. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
18. “Velai para que a família dos caatitas não seja cortada do meio dos levitas.
19. Fazei isso por eles a fim de que vivam e não morram quando se aproximarem do lugar santíssimo. Aarão e seus filhos entrarão, e distribuirão a cada um a carga que ele deverá levar.
20. Não entrarão para olhar as coisas santas, nem mesmo um só instante, para que não morram”
21. O Senhor disse a Moisés:
22. “Conta os filhos de Gérson, segundo suas casas patriarcais e suas famílias.
23. Recensearás todos aqueles que estão em condições de cumprir uma tarefa na tenda de reunião, da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta.
24. Eis os encargos que darás à família dos gersonitas, coisas para fazer e cargas para levar.
25. Levarão as cortinas do tabernáculo e a Tenda de Reunião, a coberta de pele de golfinho que se põe por cima, o véu que está à entrada da tenda de reunião,
26. as cortinas do átrio, e os reposteiros da entrada da porta do átrio, em volta do tabernáculo e do altar, suas cordas e todos os utensílios de seu uso; e farão todo o serviço que se relaciona com essas coisas.
27. Todo o serviço dos filhos dos gersonitas, tudo o que eles terão de levar e de fazer, estará sob as ordens de Aarão e seus filhos. Confiareis ao seu cuidado tudo o que eles deverão levar.
28. Este é e serviço das famílias dos filhos dos gersonitas na tenda de reunião; será executado sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Aarão.
29. Recensearás os filhos de Merari, segundo suas famílias e segundo suas casas patriarcais;
30. da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, recensearás todos os que estiverem em condições de fazer o serviço na tenda de reunião.
31. Eis o que eles terão de guardar e de levar para cumprir a tarefa que lhes é confiada na tenda de reunião: as tábuas do tabernáculo, suas travessas, suas colunas, seus pedestais;
32. as colunas que estão ao redor do átrio, seus pedestais, suas estacas, suas cordas e todos os seus utensílios com tudo o que se relaciona com esse serviço. Fareis um inventário nominativo do que se lhes der a guardar e a levar.
33. Tal é o serviço das famílias dos filhos de Merari e o que eles terão a fazer na tenda de reunião sob a fiscalização de Itamar, filho do sacerdote Aarão.”
34. Moisés, Aarão e os principais da assembléia recensearam os filhos dos caatitas segundo suas famílias e segundo suas casas patriarcais,
35. da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, todos aqueles que estavam em condições de cumprir uma tarefa na tenda de reunião.
36. O número dos recenseados segundo suas famílias foi de 2.750.
37. Tais foram os recenseados das famílias dos caatitas, todos os que tinham uma função a exercer na tenda de reunião. Moisés e Aarão fizeram esse recenseamento segundo a ordem que o Senhor tinha dado pela boca de Moisés.
38. Os filhos de Gérson foram recenseados segundo suas famílias e segundo suas casas patriarcais,
39. da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta – todos os que estavam em condições de cumprir uma tarefa na tenda de reunião –,
40. os que foram recenseados segundo suas famílias e segundo suas casas patriarcais eram em número de 2.630.
41. Tais foram os recenseados dentre as famílias de Gérson, os que tinham uma função a exercer na tenda de reunião. Moisés e Aarão fizeram este recenseamento por ordem do Senhor.
42. Entre as famílias dos filhos de Merari, os que foram recenseados segundo suas famílias e suas casas patriarcais,
43. da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta – todos os que estavam em condições de exercer um ofício na tenda de reunião –,
44. os que foram recenseados segundo suas famílias eram em número de 3.200.
45. Tais foram os recenseados das famílias dos filhos de Merari. Moisés e Aarão fizeram esse recenseamento segundo a ordem do Senhor a Moisés.
46. Todos os levitas recenseados por Moisés, Aarão e os principais de Israel, segundo suas famílias e segundo suas casas patriarcais,
47. da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, todos os que estavam em condições de exercer uma função, seja de servo, seja de transportador, na tenda de reunião,
48. todos os que foram recenseados somaram 8.580.
49. Fez-se esse recenseamento segundo a ordem do Senhor dada pela boca de Moisés, prescrevendo a cada um a tarefa que ele tinha a cumprir e a carga que devia levar. Fez-se o recenseamento como o Senhor ordenara a Moisés.

 
Capítulo 5

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Ordena aos israelitas que expulsem do acampamento todo leproso, todo homem atacado de gonorréia, todo o que está imundo por ter tocado num cadáver.
3. Homens ou mulheres, lançai-os fora do acampamento no meio do qual habito, para que não o manchem.”
4. Os filhos de Israel fizeram assim, e lançaram-nos fora do acampamento; como o Senhor tinha ordenado a Moisés assim o fizeram.
5. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas:
6. se um homem ou uma mulher causa um prejuízo qualquer ao seu próximo, tornando-se assim culpado de uma infidelidade para com o Senhor,
7. ele confessará a sua falta e restituirá integralmente o objeto do delito, ajuntando um quinto a mais àquele que foi lesado.
8. Se, porém, não houver quem o receba, esse objeto será dado ao Senhor, ao sacerdote, além do carneiro de expiação que se oferecerá pelo culpado.
9. Toda oferta tomada das coisas santas que os israelitas apresentam ao sacerdote lhe pertencerá;
10. as coisas consagradas lhe pertencerão; o que se entrega ao sacerdote será dele.”
11. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
12. Se uma mulher desviar-se de seu marido e lhe for infiel,
13. dormindo com outro homem, e isso se passar às ocultas de seu marido, se essa mulher se tiver manchado em segredo, de modo que não haja testemunhas contra ela e ela não tenha sido surpreendida em flagrante delito;
14. se o marido, tomado de um espírito de ciúmes, se abrasar de ciúmes por causa de sua mulher que se manchou, ou se ele for tomado de um espírito de ciúmes contra sua mulher que não se tiver manchado,
15. esse homem conduzirá sua mulher à presença do sacerdote e fará por ela a sua oferta: um décimo de efá de farinha de cevada; não derramará óleo sobre a oferta nem porá sobre ela incenso, porque é uma oblação de ciúme feita em recordação de uma iniqüidade.
16. O sacerdote mandará a mulher aproximar-se do altar e a fará estar de pé diante do Senhor.
17. Tomará água santa num vaso de barro e, pegando um pouco de pó do pavimento do tabernáculo, o lançará na água.
18. Estando a mulher de pé diante do Senhor, o sacerdote lhe descobrirá a cabeça e porá em suas mãos a oblação de recordação, a oblação de ciúme. O sacerdote terá na mão as águas amargas que trazem a maldição.
19. E esconjurará a mulher nestes termos: se nenhum homem dormiu contigo, e tu não te manchaste abandonando o leito de teu marido, não te façam mal estas águas que trazem maldição.
20. Mas se tu te apartaste de teu marido e te manchaste, dormindo com outro homem…
21. O sacerdote fará então que a mulher preste o juramento de imprecação, dizendo: o Senhor te faça um objeto de maldição e de execração no meio de teu povo; faça emagrecer os teus flancos e inchar o teu ventre.
22. E estas águas, que trazem maldição, penetrem em tuas entranhas para te fazer inchar o ventre e emagrecer os flancos! Ao que a mulher responderá: Amém! Amém!
23. O sacerdote escreverá essas imprecações num rolo e as apagará em seguida com as águas amargas.
24. E fará com que a mulher beba as águas amargas que trazem maldição, e essas águas de maldição penetrarão nela com sua amargura.
25. O sacerdote tomará das mãos da mulher a oblação de ciúme, agitá-la-á diante do Senhor e a aproximará do altar;
26. tomará um punhado dessa oblação como memorial e o queimará sobre o altar; depois disso dará de beber à mulher as águas amargas.
27. Depois que ela as tiver bebido, se estiver de fato manchada, tendo sido infiel ao seu marido, as águas que trazem maldição trar-lhe-ão sua amargura: seu ventre inchará, seus flancos emagrecerão, e essa mulher será uma maldição no meio de seu povo.
28. Mas, se ela não se tiver manchado, e for pura, ela será preservada e terá filhos.
29. Tal é a lei sobre o ciúme quando uma mulher se desviar de seu marido e se manchar,
30. ou quando o espírito de ciúme se apoderar de seu marido, de modo que ele se torne ciumento de sua mulher; ele a levará diante do Senhor e o sacerdote lhe aplicará integralmente essa lei.
31. O marido ficará sem culpa, mas a mulher pagará a pena da sua iniqüidade.”

 
Capítulo 6

1. O Senhor disse a Moisés: “Dirás aos israelitas o seguinte:
2. quando um homem ou uma mulher fizer o voto de nazireu, separando-se para se consagrar ao Senhor,
3. abster-se-á de vinho e de bebida inebriante: não beberá vinagre de vinho, nem vinagre de uma outra bebida inebriante; não beberá suco de uva, não comerá nem uvas frescas, nem uvas secas.
4. Durante todo o tempo de seu nazireato não comerá produto algum da vinha, desde as sementes até as cascas de uva.
5. Durante todo o tempo de seu voto de nazireato, a navalha não passará pela sua cabeça, até que se completem os dias, em que vive separado em honra do Senhor. Será santo, e deixará crescer livremente os cabelos de sua cabeça.
6. Durante todo o tempo em que ele viver separado para o Senhor, não tocará em nenhum cadáver:
7. nem mesmo por seu pai, sua mãe, seu irmão ou sua irmã, que tiverem morrido, se contaminará, porque leva sobre sua cabeça o sinal de sua consagração ao seu Deus.
8. Durante todo o tempo de seu nazireato ele é consagrado ao Senhor.
9. Se alguém morrer de repente perto dele, e manchar assim a cabeça consagrada, ele rapará a sua cabeça no dia de sua purificação e o fará no sétimo dia.
10. No oitavo dia trará ao sacerdote, à entrada da tenda de reunião, duas rolas ou dois pombinhos.
11. O sacerdote oferecerá um em sacrifício pelo pecado e outro em holocausto, e fará por ele a expiação do pecado que cometeu, manchando-se com a presença do morto. E consagrará naquele dia a sua cabeça.
12. Recomeçará os dias de seu nazireato para o Senhor e oferecerá um cordeiro de um ano em sacrifício de reparação: não se contam os dias precedentes em que seu nazireato foi manchado.
13. Eis a lei do nazireu: findo o seu nazireato, será conduzido à entrada da tenda de reunião,
14. onde apresentará a sua oferta ao Senhor: um cordeiro de um ano, sem defeito, em holocausto; uma ovelha de um ano, sem defeito, em sacrifício pelo pecado, e um carneiro sem defeito em sacrifício pacífico,
15. bem como uma cesta de pães sem fermento, bolos de farinha amassados com azeite, bolachas sem fermento untadas com óleo, com a oblação e as libações habituais.
16. O sacerdote os apresentará ao Senhor, e oferecerá seu sacrifício pelo pecado e o seu holocausto.
17. Oferecerá o carneiro ao Senhor em sacrifício pacífico, bem como a cesta de pães sem fermento, e fará sua oblação com sua libação.
18. Então será rapada ao nazireu sua cabeça consagrada à entrada da tenda de reunião; o sacerdote tomará os seus cabelos consagrados e os porá no fogo que está por baixo do sacrifício pacífico.
19. Colocará nas mãos do nazireu, depois de lhe ter sido rapada a cabeça consagrada, a espádua cozida do carneiro, um bolo sem fermento tirado da cesta e uma bolacha sem fermento.
20. O sacerdote os agitará diante do Senhor: é uma coisa santa que pertence ao sacerdote, como também o peito agitado e a coxa oferecida. Somente depois disso o nazireu poderá beber vinho.
21. Esta é a lei para aquele que fez voto de nazireato, e a oferta que ele deve fazer ao Senhor, além do que ele puder oferecer espontaneamente. Procederá conforme o voto que tiver feito, de acordo com a lei de seu nazireato.”
22. O Senhor disse a Moisés:
23. “Dize a Aarão e seus filhos o seguinte: eis como abençoares os filhos de Israel:
24. O Senhor te abençoe e te guarde!
25. O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça!
26. O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz!
27. E assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e eu os abençoarei”.

 
Capítulo 7

1. Tendo Moisés acabado de levantar o tabernáculo, de ungi-lo e consagrá-lo com todos os seus utensílios, bem como o altar e todos os seus utensílios, que também ungiu e consagrou,
2. os príncipes de Israel, chefes de suas casas patriarcais, os príncipes das tribos que haviam presidido ao recenseamento, apresentaram sua oferta.
3. Levaram-na diante do Senhor: seis carros cobertos e doze bois, ou seja, um carro para dois príncipes e um boi para cada um; e os ofereceram diante do tabernáculo.
4. Então o Senhor disse a Moisés:
5. “Recebe-os deles para que sejam empregados no serviço da tenda de reunião, e entrega-os aos levitas segundo as funções de cada um.”
6. Moisés tomou os carros e os bois e os entregou aos levitas.
7. Deu aos filhos de Gérson, segundo as suas funções, dois carros e quatro bois.
8. Aos filhos de Merari, segundo as suas funções, sob a vigilância de Itamar, filho do sacerdote Aarão, deu quatro carros e oito bois.
9. Aos filhos de Caat, porém, não deu carros nem bois, porque tinham o cuidado de objetos sagrados que levavam aos ombros.
10. Os príncipes apresentaram sua oferta para a dedicação do altar no dia em que ele foi ungido, e trouxeram-na diante do altar.
11. O Senhor disse a Moisés: “os príncipes ofereçam, cada um em seu dia, a sua oferta para a dedicação do altar”.
12. No primeiro dia apresentou sua oferta Naasson, filho de Aminadab, da tribo de Judá.
13. Ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
14. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
15. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
16. um bode para o sacrifício pelo pecado,
17. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Naasson, filho de Aminadab.
18. No segundo dia apresentou sua oferta o príncipe de Issacar, Natanael filho de Suar.
19. Ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para a oblação;
20. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
21. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
22. um bode para o sacrifício pelo pecado,
23. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Natanael filho de Suar.
24. No terceiro dia, o príncipe dos filhos de Zabulon, Eliab, filho de Helon,
25. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
26. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
27. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano, para o holocausto;
28. um bode para o sacrifício pelo pecado,
29. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Eliab, filho de Helon.
30. No quarto dia, o príncipe dos filhos de Rubem, Elisur, filho de Sedeur,
31. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
32. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
33. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
34. um bode para o sacrifício pelo pecado,
35. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Elisur, filho de Sedeur.
36. No quinto dia, o príncipe dos filhos de Simeão, Salamiel, filho de Surisadai,
37. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para a oblação;
38. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
39. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
40. um bode para o sacrifício pelo pecado,
41. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Salamiel, filho de Surisadai.
42. No sexto dia, o príncipe dos filhos de Gad, Eliasaf, filho de Duel,
43. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
44. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
45. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
46. um bode para o sacrifício pelo pecado,
47. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Eliasaf, filho de Duel.
48. No sétimo dia, o príncipe dos filhos de Efraim, Elisama, filho de Amiud,
49. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para a oblação;
50. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
51. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
52. um bode para o sacrifício pelo pecado,
53. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Elisama, filho de Amiud.
54. No oitavo dia, o príncipe dos filhos de Manassés, Gamaliel, filho de Fadassur,
55. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para a oblação;
56. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
57. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
58. um bode para o sacrifício pelo pecado,
59. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Gamaliel, filho de Fadassur.
60. No nono dia, o príncipe dos filhos de Benjamim, Abidã, filho de Gedeão,
61. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
62. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
63. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
64. um bode para o sacrifício pelo pecado,
65. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Abidã, filho de Gedeão.
66. No décimo dia, o príncipe dos filhos de Dã, Aieser, filho de Amisadai,
67. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
68. uma taça de ouro pesando dez ciclos, cheia de perfume;
69. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
70. um bode para o sacrifício pelo pecado,
71. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Aieser, filho de Amisadai.
72. No décimo primeiro dia, o príncipe dos filhos de Aser, Fegiel, filho de Ocrã,
73. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
74. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
75. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
76. um bode para o sacrifício pelo pecado,
77. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Fegiel, filho de Ocrã.
78. No décimo segundo dia, o príncipe dos filhos de Neftali, Aira, filho de Enã,
79. ofereceu um prato de prata pesando cento e trinta siclos, uma bacia de prata pesando setenta siclos, segundo o siclo do santuário, ambos cheios de flor de farinha amassada com óleo, para a oblação;
80. uma taça de ouro pesando dez siclos, cheia de perfume;
81. um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
82. um bode para o sacrifício pelo pecado,
83. e ainda dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano, para o sacrifício pacífico. Esta foi a oferta de Aira, filho de Enã.
84. Estes foram os presentes que os príncipes de Israel ofereceram para a dedicação do altar no dia em que foi ungido: doze pratos de prata, doze bacias de prata, doze taças de ouro.
85. Cada prato de prata pesava cento e trinta siclos, e cada bacia, setenta siclos; o peso total da prata desses objetos era de dois mil e quatrocentos siclos, segundo o siclo do santuário.
86. As doze taças de ouro para o perfume pesavam cada uma dez siclos, segundo o siclo do santuário; o peso total de ouro das taças era de cento e vinte siclos.
87. O total dos animais para o holocausto era de doze novilhos, doze carneiros, doze cordeiros de um ano com suas oblações e doze bodes em sacrifício pelo pecado.
88. O total de animais para o sacrifício pacífico era de vinte e quatro bois, sessenta carneiros, sessenta bodes e sessenta cordeiros de um ano. Estes foram os presentes oferecidos para a dedicação do altar depois de ungido.
89. Quando Moisés entrava na tenda de reunião para falar com o Senhor, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório colocado sobre a arca do testemunho, entre os dois querubins. E falava com o Senhor.

 
Capítulo 8

1. O Senhor disse a Moisés: “Dize a Aarão o seguinte:
2. quando colocares as lâmpadas dispô-las-ás sobre o candelabro de modo que as sete lâmpadas projetem sua luz para a frente do mesmo candelabro.”
3. Aarão assim fez, e colocou as lâmpadas na parte dianteira do candelabro, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
4. O candelabro era feito de ouro batido: seu pé, suas flores, tudo era de ouro batido; e foi feito segundo o modelo que o Senhor tinha mostrado a Moisés.
5. O Senhor disse a Moisés o seguinte:
6. “Toma os levitas do meio dos israelitas e purifica-os.
7. Eis como farás para purificá-los: asperge-os com a água da expiação e eles passem uma navalha sobre todo o corpo, lavem as suas vestes e purifiquem-se a si mesmos.
8. Tomem então um touro com a sua oblação de flor de farinha amassada com óleo; e tomarás tu um segundo touro em sacrifício pelo pecado.
9. Farás aproximarem-se os levitas diante da tenda de reunião, e convocarás toda a assembléia dos israelitas.
10. Mandarás os levitas que se aproximem diante do Senhor, e os israelitas porão suas mãos sobre eles.
11. Aarão oferecerá os levitas ao Senhor, como oferta agitada, em nome dos israelitas, a fim de que eles sejam destinados ao serviço do Senhor.
12. Os levitas porão suas mãos sobre as cabeças dos touros, dos quais oferecerá um em sacrifício pelo pecado, e o outro em holocausto ao Senhor para fazer a expiação em favor dos levitas.
13. Mandarás que os levitas se conservem de pé diante de Aarão e seus filhos, e os apresentarás em oferta agitada ao Senhor.
14. Separarás desse modo os levitas do meio dos israelitas, e eles serão meus.
15. Depois disso, virão para a tenda de reunião para me servirem. Assim os purificarás e os apresentarás em oferta agitada.
16. Porque eles me são inteiramente reservados entre os israelitas; eu os tomei para mim em lugar de todo primogênito, daqueles que nascem primeiro entre os filhos de Israel.
17. Porque todo primogênito entre os israelitas, homem ou animal, é meu, eu os consagrei a mim no dia em que feri os primogênitos no Egito.
18. Eu tomei os levitas em lugar de todos os primogênitos dos israelitas,
19. e, tirados do meio do povo, dei-os inteiramente a Aarão e seus filhos para fazerem o serviço dos israelitas na tenda de reunião, e para fazerem a expiação em favor dos israelitas, de sorte que estes últimos não sejam feridos por nenhuma praga quando se aproximarem do santuário.”
20. Moisés, Aarão e toda a assembléia dos israelitas fizeram, pois, acerca dos levitas, tudo o que o Senhor tinha ordenado a Moisés a seu respeito. Assim fizeram os filhos de Israel:
21. purificaram-se e lavaram suas vestes. Aarão apresentou-os em oferta agitada diante do Senhor, e fez a expiação por eles a fim de purificá-los.
22. E vieram em seguida os levitas para a tenda de reunião para fazer o seu serviço, em presença de Aarão e seus filhos. Como o Senhor tinha ordenado a Moisés acerca dos levitas, assim se fez.
23. O Senhor disse a Moisés o seguinte:
24. “Esta é a lei relativa aos levitas: desde os vinte e cinco anos para cima, o levita será admitido ao serviço na tenda de reunião.
25. A partir dos cinqüenta anos, renunciará às suas funções e cessará de servir.
26. Ajudará seus irmãos na tenda de reunião, zelando pelo que lhe foi confiado; mas não exercerá mais as suas funções. Desse modo disporás os levitas nos seus encargos.

 
Capítulo 9

1. No primeiro mês, do segundo ano após a saída do Egito, o Senhor falou a Moisés no deserto do Sinai.
2. Disse-lhe: “Celebrem os israelitas a Páscoa no tempo fixado.
3. Vós a celebrareis no décimo quarto dia deste mês, conforme foi marcado, entre as duas tardes, e fareis essa festa segundo todas as leis e prescrições que lhes são próprias.”
4. Moisés mandou que os israelitas celebrassem a Páscoa.
5. Celebraram-na no décimo quarto dia do primeiro mês, entre as duas tardes, no deserto do Sinai. Os israelitas fizeram tudo o que o Senhor tinha ordenado a Moisés.
6. Ora, alguns homens, não podendo fazer a Páscoa naquele dia, pois se tinham manchado tocando num cadáver, apresentaram-se a Moisés e Aarão naquele dia,
7. e disseram-lhe: “Estamos impuros, porque tocamos num cadáver; vamos por isso ser privados de apresentar com os outros israelitas a oferta do Senhor no dia fixado?
8. “Esperai, respondeu Moisés, vou consultar o Senhor, para saber o que ordena a vosso respeito”.
9. Então o Senhor disse a Moisés:
10. “Dize aos israelitas o seguinte: se um de vós ou de vossos descendentes estiver impuro por haver tocado num morto, ou se achar em viagem longe de vós, não deixará de celebrar a Páscoa em honra do Senhor.
11. Eles a celebrarão aos catorze dias do segundo mês, entre as duas tardes; e comê-la-ão com pães sem fermento e ervas amargas.
12. Nada deixarão dela para o dia seguinte, não quebrarão nenhum dos seus ossos, e farão essa festa segundo todas as prescrições relativas à Páscoa.
13. Mas se alguém, estando puro, não se encontrar em viagem, e todavia não fizer a Páscoa, será cortado do seu povo, porque não apresentou a oferta do Senhor no tempo estabelecido; este levará a pena do seu pecado.
14. Se o estrangeiro que mora no meio de vós fizer a Páscoa do Senhor, terá de se conformar às leis e às prescrições relativas à Páscoa. Haverá uma só lei, que será a mesma para vós, para o estrangeiro e para o natural.”
15. No dia em que o tabernáculo foi levantado, a nuvem o cobriu. E sobre o tabernáculo, isto é, na tenda do testemunho, desde a tarde até pela manhã, apareceu como uma espécie de fogo.
16. Assim acontecia continuamente: a nuvem cobria o tabernáculo e à noite assemelhava-se ao fogo.
17. Quando se levantava a nuvem sobre a tenda, os israelitas punham-se em marcha; no lugar onde a nuvem parava, aí acampavam.
18. À ordem do Senhor levantavam o acampamento, e à sua ordem o assentavam de novo; e ficavam no acampamento enquanto a nuvem permanecesse sobre o tabernáculo.
19. Mesmo quando ela se detinha muito tempo sobre ele, os israelitas não partiam, e aguardavam a ordem do Senhor.
20. E se acontecia de a nuvem ficar poucos dias sobre o tabernáculo, então, à ordem do Senhor, permaneciam acampados e, à ordem do Senhor, se punham em marcha.
21. Se a nuvem se detinha desde a tarde até pela manhã, e chegada manhã se levantava, eles partiam; se depois de um dia e uma noite a nuvem se levantava, desmanchavam o acampamento.
22. Mas se a nuvem se detinha sobre o tabernáculo vários dias, um mês ou mesmo um ano, os israelitas permaneciam acampados e não partiam; só partiam quando se levantava a nuvem.
23. Levantavam e desmanchavam o acampamento segundo a ordem do Senhor. E observavam o mandamento do Senhor, como este lhes tinha ordenado por Moisés.

 
Capítulo 10

1. O Senhor disse a Moisés o seguinte:
2. “Faze para ti duas trombetas de prata: faze-as de prata batida. Elas te servirão para convocar a assembléia e para dar o sinal de levantar o acampamento.
3. Quando elas soarem, toda a assembléia se reunirá junto de ti, à entrada da tenda de reunião.
4. Se se tocar uma só, virão e se juntarão a ti os príncipes, os chefes de milhares em Israel.
5. Quando tocardes com força, pôr-se-ão em marcha aqueles que estão acampados ao oriente.
6. E quando tocardes com força uma segunda vez, partirão aqueles que estão acampados ao meio-dia; o sinal para a sua partida será um toque estrepitoso.
7. Para convocar a assembléia tocareis também, mas não com estrépito.
8. São os filhos de Aarão, os sacerdotes, que tocarão as trombetas. É uma lei perpétua para vós e vossos descendentes.
9. “Quando na vossa terra sairdes à guerra contra inimigos que vos atacarem, tocareis com força as trombetas, e o Senhor vosso Deus se lembrará de vós, e sereis livres de vossos inimigos.
10. Nos vossos dias de alegria, vossas festas e vossas luas novas, tocareis as trombetas, oferecendo os holocaustos e os sacrifícios pacíficos, e elas vos lembrarão à memória de vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus.”
11. No vigésimo dia do segundo mês do segundo ano, levantou-se a nuvem do tabernáculo do testemunho.
12. Os israelitas puseram-se em marcha e partiram do deserto do Sinai; e a nuvem parou no deserto de Farã.
13. Partiram, pois, pela primeira vez, conforme a ordem do Senhor transmitida por Moisés.
14. A bandeira do acampamento dos filhos de Judá partiu em primeiro lugar, seguida de suas tropas; e a tropa de Judá era comandada por Naasson, filho de Aminadab.
15. A tropa da tribo dos filhos de Issacar era comandada por Natanael, filho de Suar;
16. e a tropa da tribo dos filhos de Zabulon era comandada por Eliab, filho de Helon.
17. O tabernáculo foi desmontado, e os filhos de Gérson e de Merari partiram, levando-o.
18. Depois partiu a bandeira do acampamento de Rubem, seguida de suas tropas, e seu comandante era Elisur, filho de Sedeur.
19. A tropa da tribo dos filhos de Simeão era comandada por Salamiel, filho de Surisadai;
20. e a tropa da tribo dos filhos de Gad era comandada por Eliasaf, filho de Duel.
21. Os caatitas partiram em seguida, levando os objetos sagrados. E, antes que chegassem, era montado o tabernáculo.
22. A bandeira do acampamento dos filhos de Efraim partiu, seguida de suas tropas; e a tropa de Efraim era comandada por Elisama, filho de Amiud.
23. A tropa da tribo dos filhos de Manassés era comandada por Gamaliel, filho de Fadassur;
24. e a tropa da tribo de Benjamim era comandada por Abidão, filho de Gedeão.
25. A bandeira do acampamento dos filhos de Dã, que formavam a retaguarda de todos os acampamentos, partiu, seguida de suas tropas. A tropa de Dã era comandada por Aieser, filho de Amisadai.
26. A tropa da tribo dos filhos de Aser era comandada por Fegiel, filho Ocrã;
27. e a tropa dos filhos de Neftali era comandada por Aira, filho de Enã.
28. Esta foi a ordem de marcha dos israelitas, divididos em tropas, quando levantaram acampamento.
29. Moisés disse a Hobab, filho de Raguel, o madianita, seu sogro: “Nós partimos para o lugar que o Senhor nos prometeu dar. Vem conosco, e far-te-emos bem, porque o Senhor prometeu fazer bem a Israel.”
30. Hobab, porém, respondeu-lhe: “Não irei contigo, mas voltarei para a minha terra e para junto de minha família”.
31. Moisés replicou: “Rogo-te que não te separes de nós. Conheces os lugares onde podemos acampar no deserto, e nos servirás de guia.
32. Se vieres conosco, dividiremos contigo os bens que o Senhor nos der.”
33. Partiram da montanha do Senhor e caminharam três dias. Durante esses três dias de marcha, a arca da aliança do Senhor os precedia, para lhes escolher um lugar de repouso.
34. A nuvem do Senhor estava sobre eles de dia, quando partiam do acampamento.
35. Quando a arca se levantava, Moisés dizia: “Levantai-vos, Senhor, e sejam dispersos os vossos inimigos! Fujam de vossa face os que vos aborrecem!”
36. Quando, porém, se detinha, dizia: “Voltai, Senhor, para as miríades de milhares de Israel!

 
Capítulo 11

1. O povo pôs-se a murmurar amargamente aos ouvidos do Senhor. O Senhor, ouvindo isso, irou-se: o fogo do Senhor acendeu-se entre eles e devorou a extremidade do acampamento.
2. O povo clamou a Moisés; Moisés orou ao Senhor e o fogo extinguiu-se.
3. Deu-se àquele lugar o nome de Tabeera, porque o fogo do Senhor se tinha acendido no meio deles.
4. A população que estava no meio de Israel foi atacada por um desejo desordenado; e mesmo os israelitas recomeçaram a gemer: “Quem nos dará carne para comer?, diziam eles.
5. Lembramo-nos dos peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos, os melões, os alhos bravos, as cebolas e os alhos.
6. Agora nossa alma está seca. Não há mais nada, e só vemos maná diante de nossos olhos.”
7. O maná assemelhava-se ao grão de coentro e parecia-se com o bdélio.
8. O povo dispersava-se para colhê-lo; moía-o com a mó ou esmagava-o num pilão, cozia-o numa panela e fazia bolos com ele, os quais tinham o sabor de um bolo amassado com óleo.
9. Enquanto de noite caía o orvalho no campo, caía também com ele o maná.
10. Ouviu Moisés o povo que chorava, agrupado por famílias, cada uma à entrada de sua tenda. A cólera do Senhor acendeu-se com violência. Moisés entristeceu-se.
11. E disse ao Senhor: “Por que afligis vosso servo? Por que não acho eu favor a vossos olhos, vós que me impusestes a carga de todo esse povo?
12. Porventura fui eu que concebi esse povo? Ou acaso fui eu que o dei à luz, para me dizerdes: leva-o em teu seio como a ama costuma levar o bebê, para a terra que, com juramento, prometi aos seus pais?
13. Onde encontrarei carne para dar a todo esse povo que vem chorar perto de mim, dizendo: dá-nos carne para comer?
14. Eu sozinho não posso suportar todo esse povo; ele é pesado demais para mim.
15. Em lugar de tratar-me assim, rogo-vos que antes me façais morrer, se achei agrado a vossos olhos, a fim de que eu não veja a minha infelicidade!
16. O Senhor respondeu a Moisés: “Junta-me setenta homens entre os anciãos de Israel, que sabes serem os anciãos do povo e tenham autoridade sobre ele. Conduze-os à tenda de reunião, onde estarão contigo.
17. Então descerei e ali falarei contigo. Tomarei do espírito que está em ti e o derramarei sobre eles, para que possam levar contigo a carga do povo e não estejas mais sozinho.
18. Dirás ao povo: santificai-vos para amanhã, e tereis carne para comer, pois chorasses aos ouvidos do Eterno, dizendo: Quem nos dará carne para comer? Estávamos tão bem no Egito!… O Senhor vos dará carne, e comereis.
19. E comereis não só um dia, nem dois, nem cinco, nem dez, nem vinte,
20. mas durante um mês inteiro, até que ela vos saia pelas narinas e vos cause nojo: porque rejeitasses o Senhor que está no meio de vós e dissestes-lhe chorando: por que saímos nós do Egito?”
21. Moisés disse: “Este povo, no meio do qual estou, conta seiscentos mil homens de pé, e dizeis que lhes dareis carne para que comam um mês inteiro!
22. Porventura matar-se-á tanta quantidade de ovelhas e bois até que tenham bastante? Ou juntar-se-ão todos os peixes do mar para fartá-los?”
23. O Senhor respondeu a Moisés: “Acaso será impotente a mão do Senhor? Verás sem demora se se fará ou não o que eu te disse.”
24. Moisés saiu e referiu ao povo as palavras do Senhor. Reuniu setenta homens dos anciãos do povo e os colocou em volta da tenda.
25. O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés; tomou uma parte do espírito que o animava e a pôs sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o espírito sobre eles, começaram a profetizar; mas não continuaram.
26. Dois homens tinham ficado no acampamento: um chamava-se Eldad e o outro, Medad, e o espírito repousou também sobre eles, pois tinham sido alistados, mas não tinham ido à tenda; e profetizaram no acampamento.
27. Um jovem correu a dar notícias a Moisés: “Eldad e Medad, disse ele, profetizam no acampamento.”
28. Então Josué, filho de Nun, servo de Moisés desde a sua juventude, tomou a palavra: “Moisés, disse ele, meu senhor, impede-os.”
29. Moisés, porém, respondeu: “Por que és tão zeloso por mim? Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito!”
30. E Moisés retirou-se do acampamento com os anciãos de Israel.
31. Um vento mandado pelo Senhor, vindo das bandas do mar, trouxe consigo codornizes, e derramou-as sobre o acampamento, numa extensão de cerca de um dia de caminho para ambos os lados em volta do acampamento; e cobriam o solo, cerca de dois côvados de alto sobre a superfície da terra.
32. Levantou-se então o povo, e ajuntou durante todo aquele dia, toda a noite e todo o dia seguinte tantas codornizes, que aquele que menos ajuntou conseguiu encher dez homeres. E estenderam-nas, para si mesmos, em toda a volta do acampamento.
33. Ainda a carne estava nos seus dentes, e ainda não estava mastigada, quando a cólera do Senhor se inflamou contra o povo e o Senhor feriu o povo com um grande flagelo.
34. Chamou-se àquele lugar Quibrot-Hataava, porque ali sepultou-se o povo que se deixara dominar pelo desordenado.
35. De Quibrot-Hataava, partiu o povo para Haserot, onde se deteve.

 
Capítulo 12

1. Maria e Aarão criticara Moisés por causa da mulher etíope que ele desposara. (Moisés tinha, com efeito, tomado uma mulher etíope.)
2. “Porventura é só por Moisés, diziam eles, que o Senhor fala? Não fala ele também por nós?” E o Senhor ouviu isso.
3. Ora, Moisés era um homem muito paciente, o mais paciente da terra.
4. Logo falou o Senhor a Moisés, a Aarão e a Maria: “Ide todos os três à tenda de reunião.” E eles foram.
5. O Senhor desceu na coluna de nuvem e parou à entrada da tenda. Chamou Aarão e Maria, e eles aproximaram-se.
6. “Ouvi bem, disse ele, o que vou dizer: Se há entre vós um profeta, eu lhe aparecerei em visão; eu, o Senhor, é em sonho que lhe falarei.
7. Mas não é assim a respeito de meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa.
8. A ele eu lhe falo face a face, manifesto-me a ele sem enigmas, e ele contempla o rosto do Senhor. Por que vos atrevestes, pois, a falar contra o meu servo Moisés?”
9. A cólera do Senhor se acendeu contra eles.
10. O Senhor partiu, e a nuvem retirou-se de sobre a tenda. No mesmo instante, Maria foi ferida por uma lepra branca como a neve. Aarão, olhando para ela, viu-a coberta de lepra.
11. Aarão disse então a Moisés: “Rogo-te, meu senhor, não nos faças levar o peso desse pecado que cometemos num momento de loucura, e do qual somos culpados.
12. Que ela não fique como um aborto que sai do ventre de sua mãe, com a carne já meio consumida!”
13. Moisés orou ao Senhor: “Ó Deus, disse ele, rogo-vos que a cureis.”
14. O Senhor disse a Moisés: “Se seu pai lhe tivesse cuspido no rosto, não estaria ela coberta de vergonha durante sete dias? Que ela seja excluída do acampamento durante sete dias; depois será novamente reintegrada.”
15. Maria foi, pois, excluída do acampamento durante sete dias e o povo não se moveu daquele lugar, enquanto ela não foi novamente reintegrada.
16. Depois disso, o povo partiu de Haserot, e acampou no deserto de Farã.

 
Capítulo 13

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Envia homens para explorar a terra de Canaã, que eu hei de dar aos filhos de Israel. Enviarás um homem de cada tribo patriarcal, tomados todos entre os príncipes.”
3. Enviou-os Moisés do deserto de Farã segundo as ordens do Senhor; todos esses homens eram príncipes em Israel.
4. Eis os seus nomes: da tribo de Rubem, Samua, filho de Zecur;
5. da tribo de Simeão, Safat, filho de Huri;
6. da tribo de Judá, Caleb, filho de Jefoné;
7. da tribo de Issacar, Igal, filho de José;
8. da tribo de Efraim, Oséias, filho de Nun;
9. da tribo de Benjamim, Falti, filho de Rafu;
10. da tribo de Zabulon, Gediel, filho de Sodi;
11. da tribo de José, na tribo de Manassés, Gadi, filho de Susi;
12. da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
13. da tribo de Aser, Stur, filho de Miguel;
14. da tribo de Neftali, Naabi, filho de Vapsi;
15. da tribo de Gad, Guel, filho de Maqui.
16. Estes são os nomes dos homens que Moisés enviou como exploradores a Canaã. Moisés deu a Oséias, filho de Nun, o nome de Josué.
17. Enviando-os a explorar a terra de Canaã, Moisés disse-lhes: “Ide pelo Negeb e subi a montanha.
18. Examinai que terra é essa, e o povo que a habita, se é forte ou fraco, pequeno ou numeroso.
19. Vede como é a terra onde habita, se é boa ou má, e como são as suas cidades, se muradas ou sem muros;
20. examinai igualmente se o terreno é fértil ou estéril, e se há árvores ou não. Coragem! E trazei-nos dos frutos da terra.” Era então a época das primeiras uvas.
21. Partiram, pois, e exploraram a terra desde o deserto de Sin até Roob, no caminho de Emat.
22. Subiram ao Negeb e foram a Hebron, onde se encontravam Aquimã, Sisai e Tolmai, filhos de Enac. Hebron fora construída sete anos antes de Tânis, no Egito.
23. Chegaram ao vale de Escol, onde cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas, que dois homens levaram numa vara; tomaram também consigo romãs e figos.
24. Chamou-se a esse lugar vale de Escol, por causa do cacho que nele haviam cortado os israelitas.
25. Tendo voltado os exploradores, passados quarenta dias,
26. foram ter com Moisés e Aarão e toda a assembléia dos israelitas em Cades, no deserto de Farã. Diante deles e de toda a multidão relataram a sua expedição e mostraram os frutos da terra.
27. Eis como narraram a Moisés a sua exploração: “Fomos à terra aonde nos enviaste. É verdadeiramente uma terra onde corre leite e mel, como se pode ver por esses frutos.
28. Mas os habitantes dessa terra são robustos, suas cidades grandes e bem muradas; vimos ali até mesmo filhos de Enac.
29. Os amalecitas habitam na terra do Negeb; os hiteus, os jebuseus e os amorreus habitam nas montanhas, e os cananeus habitam junto ao mar e ao longo do Jordão.”
30. Caleb fez calar o povo que começava a murmurar contra Moisés, e disse: “Vamos e apoderemo-nos da terra, porque podemos conquistá-la.”
31. Mas os outros, que tinham ido com ele, diziam: “Não somos capazes de atacar esse povo; é mais forte do que nós.”
32. E diante dos filhos de Israel depreciaram a terra que tinham explorado: “A terra, disseram eles, que exploramos, devora os seus habitantes: os homens que vimos ali são de uma grande estatura;
33. vimos até mesmo gigantes, filhos de Enac, da raça dos gigantes; parecíamos gafanhotos comparados com eles.”

 
Capítulo 14

1. Toda a assembléia pôs-se a gritar e chorou aquela noite.
2. Todos os israelitas murmuraram contra Moisés e Aarão, dizendo: “Oxalá tivéssemos morrido no Egito ou neste deserto!
3. Por que nos conduziu o Senhor a esta terra para morrermos pela espada? Nossas mulheres e nossos filhos serão a presa do inimigo. Não seria melhor que voltássemos para o Egito?”
4. E diziam uns para os outros: “Escolhamos um chefe e voltemos para o Egito.”
5. Moisés e Aarão caíram com o rosto por terra diante de toda a assembléia dos israelitas.
6. Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné, que tinham explorado a terra,
7. rasgaram as suas vestes e disseram a toda a assembléia dos israelitas: “A terra que percorremos é muito boa.
8. Se o Senhor nos for propício, introduzir-nos-á nela e no-la dará; é uma terra onde corre leite e mel.
9. Somente não vos revolteis contra o Senhor, e não tenhais medo do povo dessa terra: devorá-lo-emos como pão. Não há mais salvação para eles, porque o Senhor está conosco. Não tenhais medo deles.”
10. Toda a assembléia estava a ponto de apedrejá-los, quando a glória do Senhor apareceu sobre a tenda de reunião a todos os israelitas.
11. O Senhor disse a Moisés: “Até quando me desprezará esse povo? Até quando não acreditará em mim, apesar de todos os prodígios que fiz no meio dele?
12. Vou destruí-lo, ferindo-o de peste, mas farei de ti uma nação maior e mais poderosa do que ele.”
13. Moisés disse ao Senhor: “Os egípcios viram que, por vosso poder, tirastes este povo do meio deles e o disseram aos habitantes dessa terra.
14. Todo mundo sabe, ó Senhor, que estais no meio desse povo, e sois visto face a face, ó Senhor, que vossa nuvem está sobre eles e marchais diante deles de dia numa coluna de nuvem, e de noite numa coluna de fogo.
15. Se fizerdes morrer todo esse povo, as nações que ouviram falar de vós dirão:
16. o Senhor foi incapaz de introduzir o povo na terra que lhe havia jurado dar, e exterminou-o no deserto.
17. Agora, pois, rogo-vos que o poder do Senhor se manifeste em toda a sua grandeza, como o dissestes:
18. O Senhor é lento para a cólera e rico em bondade; ele perdoa a iniqüidade e o pecado, mas não tem por inocente o culpado, e castiga a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração.
19. Perdoai o pecado desse povo segundo a vossa grande misericórdia, como já o tendes feito desde o Egito até aqui.”
20. O Senhor respondeu: “Eu perdôo, conforme o teu pedido.
21. Mas, pela minha vida e pela minha glória que enche toda a terra,
22. nenhum dos homens que viram a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, que me provocaram já dez vezes e não me ouviram,
23. verá a terra que prometi com juramento aos seus pais. Nenhum daqueles que me desprezaram a verá.
24. Quanto ao meu servo Caleb, porém, que animado de outro espírito me obedeceu fielmente, eu o introduzirei na terra que ele percorreu, e a sua posteridade a possuirá.
25. Visto que os amalecitas e os cananeus habitam no vale, voltai amanhã e parti para o deserto em direção ao mar Vermelho.”
26. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
27. “Até quando sofrerei eu essa assembléia revoltada que murmura contra mim? Ouvi as murmurações que os israelitas proferem contra mim.
28. Dir-lhes-ás: juro por mim mesmo, diz o Senhor, tratar-vos-ei como vos ouvi dizer.
29. Vossos cadáveres cairão nesse deserto. Todos vós que fostes recenseados da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim,
30. não entrareis na terra onde jurei estabelecer-vos, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun.
31. Todavia, introduzirei nela os vossos filhinhos, dos quais dizíeis que seriam a presa do inimigo, e eles conhecerão a terra que desprezastes.
32. Quanto a vós, os vossos cadáveres ficarão nesse deserto,
33. onde os vossos filhos guardarão os seus rebanhos durante quarenta anos, pagando a pena de vossas infidelidades, até que vossos cadáveres apodreçam no deserto.
34. Explorastes a terra em quarenta dias; tantos anos quantos foram esses dias pagareis a pena de vossas iniqüidades, ou seja, durante quarenta anos, e vereis o que significa ser objeto de minha vingança.
35. Eu, o Senhor, o disse. Eis como hei de tratar essa assembléia rebelde que se revoltou contra mim. Eles serão consumidos e mortos nesse deserto!”
36. Os homens que Moisés tinha enviado a explorar a terra e que, depois de terem voltado, tinham feito murmurar contra ele toda a assembléia,
37. depreciando a terra, morreram feridos por uma praga, diante do Senhor.
38. Somente Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné, sobreviveram entre todos os que tinham explorado a terra.
39. Moisés referiu tudo isso aos filhos de Israel, e o povo ficou profundamente desolado.
40. Levantaram-se de madrugada e se puseram a caminho para o cimo do monte dizendo: “Estamos prontos a subir para o lugar de que falou o Senhor, porque pecamos.”
41. Moisés disse-lhes: “Por que transgredis a ordem do Senhor? Isto não será bem sucedido.
42. Não subais; sereis derrotada por vossos inimigos, pois o Senhor não está no meio de vós.
43. Os amalecitas e os cananeus estão diante de vós, e sucumbireis sob a sua espada, porque vos desviasses do Senhor. O Senhor não estará convosco.”
44. Eles obstinaram-se em querer subir até o cimo do monte; a arca da aliança do Senhor, porém, e Moisés, não saíram do acampamento.
45. Então os amalecitas e os cananeus, que habitavam nessa montanha, desceram e, tendo-os batido e retalhado, perseguiram-nos até Horma.

 
Capítulo 15

1. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
2. quando entrardes na terra de vossa habitação, que eu vos hei de dar,
3. e oferecerdes ao Senhor algum sacrifício pelo fogo, seja holocausto, seja um simples sacrifício, quer em cumprimento de um voto, quer como oferta espontânea, ou por ocasião de uma festa, para apresentar uma oferta de agradável odor ao Senhor, com vossos bois ou vossas ovelhas,
4. aquele que fizer essa oferta apresentará ao Senhor em oblação um décimo de flor de farinha amassada com um quarto de hin de óleo.
5. E, para a libação, acrescentará um quarto de hin de vinho ao holocausto ou ao sacrifício de cada cordeiro.
6. Para um carneiro oferecerás dois décimos de flor de farinha amassada com um terço de hin de óleo,
7. ajuntando uma libação de um terço de hin de vinho, como oferta de agradável odor ao Senhor.
8. Quando ofereceres um touro em holocausto ou em sacrifício, para o cumprimento de um voto ou em sacrifício pacífico ao Senhor,
9. darás com o touro uma oblação de três décimos de flor de farinha amassada com meio hin de óleo,
10. ajuntando uma libação de meio hin de vinho; isto é um sacrifício feito pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
11. O mesmo se fará para cada boi, cada carneiro, cordeiro ou cabrito.
12. Assim fareis para cada um desses sacrifícios, seja qual for o número das vítimas que oferecerdes.
13. Todos os nativos procederão do mesmo modo, quando oferecerem um sacrifício pelo fogo de agradável odor ao Senhor.
14. Se um estrangeiro que habita no meio de vós, ou qualquer outro homem que venha mais tarde a se estabelecer entre vós, oferecer um sacrifício pelo fogo de agradável odor ao Senhor, fará o mesmo que vós.
15. Só haverá uma lei, a mesma para vós, para a assembléia e para o estrangeiro que habita no meio de vós. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes: diante do Senhor será a mesma coisa tanto para vós como para o estrangeiro.
16. Haverá uma só lei e uma só regra para vós e para o estrangeiro que habita no meio de vós.”
17. O Senhor disse a Moisés:
18. “Dize aos israelitas o seguinte:
19. quando chegardes à terra para onde vos levo, e comerdes o pão daquela terra, reservareis uma oferta para o Senhor.
20. Essa oferta será um bolo feito das primícias de vossa farinha: separá-la-eis como se separa a oferta da eira.
21. Como primícias de vossa farinha, vós e vossos descendentes separareis uma oferta para o Senhor”.
22. “Se pecardes involuntariamente, deixando de observar um desses mandamentos que o Senhor deu a Moisés,
23. tudo o que por ele vos ordenou desde o dia em que o Senhor vos deu os seus mandamentos, e daí por diante em vossas gerações futuras,
24. se alguém pecar involuntariamente, e a assembléia não o tiver notado, toda a assembléia oferecerá em holocausto de agradável odor ao Senhor um novilho, com sua oblação e sua libação, segundo o rito prescrito, bem como um bode em sacrifício pelo pecado.
25. O sacerdote fará a expiação por toda a assembléia dos israelitas, e lhes será perdoado, porque é um pecado involuntário, e apresentaram sua oferta ao Senhor, um sacrifício feito pelo fogo e seu sacrifício pelo pecado para reparar o seu erro.
26. Será perdoado a toda a assembléia dos filhos de Israel, e ao estrangeiro que mora no meio deles, porque é uma culpa que todo o povo cometeu involuntariamente.
27. Se for uma só pessoa que pecou involuntariamente, oferecerá uma cabra de um ano em sacrifício pelo pecado.
28. O sacerdote fará a expiação diante do Senhor por essa pessoa que pecou involuntariamente; feita a expiação, será perdoada.
29. Tereis uma só lei para aquele que pecar involuntariamente, quer sejam israelitas, quer sejam estrangeiros que habitem no meio deles.
30. Aquele, porém, que pecar conscientemente, ultraja o Senhor; ele será cortado do meio de seu povo,
31. porque desprezou a palavra do Senhor e violou o seu preceito; será cortado e levará o peso de sua iniqüidade.”
32. Ora, aconteceu que, estando os israelitas no deserto, encontraram um homem ajuntando lenha num dia de sábado.
33. Os que o acharam apanhando lenha, levaram-no a Moisés e a Aarão, diante de toda a assembléia.
34. Eles meteram-no em guarda, pois não estava ainda determinado o que se lhe devia fazer.
35. O Senhor disse a Moisés: “Que esse homem seja punido de morte, e a assembléia o apedreje fora do acampamento.”
36. Levaram-no para fora do acampamento e toda a assembléia o apedrejou, e ele morreu, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
37. O Senhor disse a Moisés:
38. “Dize aos israelitas que façam para eles e seus descendentes borlas nas extremidades de suas vestes, pondo na borla de cada canto um cordão de púrpura violeta.
39. Fareis essas borlas para que, vendo-as, vos recordeis de todos os mandamentos do Senhor, e os pratiqueis, e não vos deixeis levar pelos apetites de vosso coração e de vossos olhos que vos arrastam à infidelidade.
40. Desse modo, vós vos lembrareis de todos os meus mandamentos, e os praticareis, e sereis consagrados ao vosso Deus.
41. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei do Egito para ser o vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus.”

 
Capítulo 16

1. Coré, filho de Isaar, filho de Caat, filho de Levi, Datã e Abiron, filhos de Eliab, e Hon, filho de Felet, todos filhos de Rubem,
2. levantaram-se contra Moisés, juntamente com outros duzentos e cinqüenta israelitas, príncipes da assembléia, membros do conselho e homens notáveis.
3. Dirigiram-se, pois, em grupo a Moisés e a Aarão, dizendo-lhes: “Basta! Toda a assembléia é santa, todos o são, e o Senhor está no meio deles. Por que vos colocais acima da assembléia do Senhor?”
4. Ouvindo isto, Moisés lançou-se com o rosto por terra,
5. e disse a Coré e aos seus cúmplices: “Amanhã o Senhor fará conhecer quem é dele e quem é santo, e o fará aproximar de si; fará aproximar de si aquele que ele escolher.
6. Eis o que tendes a fazer: cada um tome o seu turíbulo: tu, Coré, e todos os teus sequazes.
7. Amanhã poreis fogo em vossos turíbulos e queimareis neles o incenso diante do Senhor. O homem que o Senhor escolher, esse é santo. Isso já é demais, ó filhos de Levi!”
8. Disse mais a Coré: “Ouvi, agora, ó filhos de Levi.
9. Não vos basta que o Deus de Israel vos tenha separado da assembléia de Israel, e vos tenha trazido para junto de si, para o serviço do tabernáculo do Senhor e para estardes a serviço da assembléia?
10. Fez-te aproximar dele, tu e todos os teus irmãos, os levitas, e ainda disputais o sacerdócio!
11. E é por isso que vos amotinais contra o Senhor, tu e todo o teu grupo! E quem é Aarão para murmurardes contra ele?”
12. Moisés convocou Datã e Abiron, filhos de Eliab. Mas eles responderam: “Não iremos.
13. Porventura não te basta ter-nos tirado de uma terra onde corria leite e mel, para nos fazeres morrer no deserto, e ainda queres tornar-te nosso senhor?
14. Na verdade não nos conduziste a uma terra onde corre leite e mel; não nos deste em herança nem campos nem vinhas. Pensas que taparás os olhos de toda essa gente? Nós não iremos.”
15. Moisés, muito irado, disse ao Senhor: “Não olheis para a sua oblação. Vós sabeis que nunca recebi deles nem mesmo um asno, e a nenhum deles fiz o menor mal.”
16. Moisés disse a Coré: “Tu e todos os teus sequazes, apresentai-vos amanhã diante do Senhor, com Aarão.
17. Tomai cada qual vosso turíbulo, pondo incenso nele e apresentai cada qual vosso turíbulo diante do Senhor: isto é, duzentos e cinqüenta turíbulos. Tu e Aarão tomareis também o vosso turíbulo.”
18. Tomaram, pois, cada um o seu turíbulo, puseram-lhe fogo e deitaram por cima o incenso; e conservaram-se de pé com Moisés e Aarão à entrada da tenda de reunião.
19. Coré tinha reunido perto de si toda a assembléia à entrada da tenda de reunião. E eis que a glória do Senhor apareceu a toda a assembléia,
20. e o Senhor falou a Moisés e a Aarão:
21. “Retirai-vos do meio dessa assembléia, e eu os consumirei neste instante.”
22. Eles prostraram-se com o rosto por terra, e disseram: “Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a carne, um só homem pecou, e tu te iras contra toda a assembléia?”
23. O Senhor respondeu a Moisés:
24. “Manda ao povo: apartai-vos de junto das tendas de Coré, de Datã e de Abiron.”
25. Moisés levantou-se e, seguido dos anciãos, dirigiu-se aonde estavam Datã e Abiron.
26. “Afastai-vos, disse ele à assembléia, das tendas desses homens perversos, e não toqueis coisa alguma que lhes pertença, para que não morrais, envolvidos em todos os seus pecados.”
27. Afastando-se o povo de junto das tendas de Coré, Datã e Abiron, saíram estes últimos com suas mulheres, seus filhos e seus filhinhos, e pararam à entrada de suas tendas.
28. Moisés disse então: “Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todas estas obras e que nada faço por mim mesmo.
29. Se estes morrerem com a morte ordinária dos homens, e se a sua sorte for como a de todos, o Senhor não me enviou;
30. mas se o Senhor fizer um novo prodígio e o solo abrindo a sua boca, os engolir com tudo o que lhes pertence, de sorte que desçam vivos à habitação dos mortos, então sabereis que estes homens desprezaram o Senhor.”
31. Apenas acabou ele de falar, fendeu-se a terra debaixo de seus pés
32. e, abrindo sua boca, os devorou com toda a sua família, todos os seus bens e todos os homens de Coré.
33. Desceram vivos à morada dos mortos, eles e tudo o que possuíam; cobriu-os a terra, e desapareceram da assembléia.
34. Todo o Israel que estava ao redor deles, ouvindo o grito que soltaram, fugiu, dizendo: “Cuidemos que a terra não nos engula também a nós!”
35. Saiu um fogo de junto do Senhor e devorou os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso.

 
Capítulo 17

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Dize a Eleazar, filho do sacerdote Aarão, que tire os turíbulos que estão no meio do incêndio, e espalhe ao longe o fogo, pois são objetos consagrados.
3. Com os turíbulos desses homens que pecaram e perderam a vida, façam-se lâminas para cobrir o altar, porque foram apresentados ao Senhor e estão santificados. Ficarão como um sinal para os israelitas.”
4. O sacerdote Eleazar tirou, pois, os turíbulos de bronze que os homens consumidos pelo fogo tinham apresentado ao Senhor, e fez deles lâminas para cobrir o altar.
5. Isso devia servir de memorial para os israelitas, a fim de que nenhum estranho à linhagem de Aarão, se aproximasse para oferecer incenso ao Senhor, temendo lhe acontecesse o mesmo que a Coré e a seus homens, como o Senhor tinha declarado pela boca de Moisés.
6. Ora, no dia seguinte, toda a comunidade dos israelitas murmurou contra Moisés e Aarão: “Matastes o povo do Senhor”, diziam eles.
7. E, crescendo o tumulto, Moisés e Aarão voltaram-se para o lado da tenda de reunião e viram a nuvem que a cobria; e apareceu a glória do Senhor.
8. Eles foram e colocaram-se diante da tenda de reunião,
9. e o Senhor falou a Moisés:
10. “Afastai-vos do meio dessa assembléia, pois vou devorá-la num instante.” Prostraram-se por terra,
11. e Moisés disse a Aarão: “Toma o turíbulo, põe-lhe fogo do altar, deita-lhe incenso por cima e vai depressa ao povo para fazer expiação por ele; porque acendeu-se a cólera do Senhor, e o flagelo começa.”
12. Aarão, obedecendo à palavra de Moisés, tomou o turíbulo e correu ao meio da assembléia, pois a praga começava já no meio do povo; deitou nele o incenso e fez a expiação pelo povo.
13. Colocando-se de pé entre os mortos e os vivos, deteve o flagelo.
14. Com esse golpe morreram catorze mil e setecentos, além dos que tinham perecido na rebelião de Coré.
15. Aarão voltou para junto de Moisés, à entrada da tenda de reunião, e o flagelo terminou.
16. O Senhor disse a Moisés:
17. “Fala aos israelitas. Que eles te dêem uma vara por tribo, ou seja, doze varas de todos os príncipes das doze casas patriarcais. Escreverás o nome de cada um na sua vara;
18. na vara de Levi escreverás o nome de Aarão, porque haverá uma vara por tribo.
19. Depô-las-ás na tenda de reunião, diante do testemunho, no lugar onde me encontro convosco.
20. E eis que a vara de meu eleito florescerá, e desse modo farei cessar diante de mim as murmurações dos filhos de Israel contra vós.”
21. Moisés falou aos israelitas, e todos os príncipes lhe deram a vara, um de cada tribo, ou seja, doze varas pelas doze tribos, entre as quais também a de Aarão.
22. Moisés as pôs diante do Senhor na tenda do testemunho.
23. Voltando no dia seguinte, entrou no pavilhão, e eis que tinha florescido a vara de Aarão, pela tribo de Levi: tinham aparecido botões, saído flores e amadurecido amêndoas.
24. Moisés levou todas as varas de diante do Senhor aos israelitas. Eles viram o (prodígio) e receberam cada um a sua vara.
25. O Senhor disse então a Moisés: “Torna a levar a vara de Aarão para diante da tenda do testemunho, e seja ali conservada como um sinal para todos aqueles que quiserem revoltar-se, e assim possas pôr um termo às murmurações diante de mim, para que não morram.”
26. Moisés executou a ordem que o Senhor lhe tinha dado.
27. Os israelitas disseram a Moisés: “Nós pereceremos, estamos perdidos, sim, estamos todos perdidos!
28. Qualquer que se aproxime do tabernáculo do Senhor, morre. Acaso seremos todos exterminados?”

 
Capítulo 18

1. O Senhor disse a Aarão: “Tu, teus filhos e tua família contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos no santuário. Tu e teus filhos contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos em vosso sacerdócio.
2. Farás aproximarem-se do santuário contigo os teus irmãos, a tribo de Levi e a tribo de teu pai, para que se juntem a ti e te ajudem quando estiveres com teus filhos diante da tenda do testemunho.
3. Eles farão o serviço que te é devido e o serviço da tenda, mas não se aproximarão dos objetos sagrados, nem do altar, para que não morram, e vós juntamente com eles.
4. Ser-te-ão, pois, associados, e terão a seu cuidado a tenda de reunião para fazer todo o seu serviço. Nenhum estrangeiro se aproximará de vós.
5. Fareis o serviço do santuário e do altar, para que não venha de novo a cólera ferir os israelitas.
6. Fui eu que escolhi os levitas, vossos irmãos, entre os israelitas. Dados ao Senhor, vos são de novo entregues para fazerem o serviço da tenda de reunião.
7. Tu, porém, e teus filhos contigo, exercereis o vosso sacerdócio no altar e atrás do véu: este é o vosso serviço. O sacerdócio é um dom que eu vos faço; o estrangeiro que se aproximar será morto”.
8. O Senhor disse a Aarão: “Dou-te o que se reserva de tudo o que é separado para mim, dentre todas as coisas consagradas dos israelitas: dou-o a ti e a teus filhos em virtude de uma lei perpétua, por causa da unção que recebeste.
9. Eis o que receberás das coisas santíssimas que não são queimadas; todas as suas ofertas, oblações, sacrifícios pelo pecado, sacrifícios de reparação; todas essas coisas santíssimas serão para ti e teus filhos.
10. Tu as comerás em lugar santíssimo. Todo varão poderá comer delas; e serão para ti coisas sagradas.
11. Eis ainda o que será teu: o que é tomado dentre os dons, dentre toda oferta agitada dos israelitas. Eu o dou a ti, a teus filhos e a tuas filhas em virtude de uma lei perpétua. Todo membro de tua família que estiver puro comerá dessas coisas.
12. Dou-te também as primícias que os israelitas oferecerem ao Senhor: o melhor de seu óleo, de seu vinho e de seu trigo.
13. Serão para ti as primícias dos produtos da terra que trouxerem ao Senhor. Todo membro de tua família que estiver puro poderá comer delas.
14. Tudo o que for votado ao interdito em Israel será teu.
15. Será teu igualmente todo primogênito de toda criatura, homem ou animal, que os israelitas oferecerem ao Senhor; ordenarás, não obstante, que se resgate o primogênito do homem, assim como os primogênitos dos animais impuros.
16. O seu resgate far-se-á logo que ele tiver um mês, segundo tua estimação, à razão de cinco siclos de prata (conforme o siclo do santuário, que vale vinte gueras).
17. Mas não farás resgatar o primogênito da vaca, nem o da ovelha, nem o da cabra: estes são coisas sagradas. Derramarás o seu sangue sobre o altar e queimarás a sua gordura em sacrifício feito pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
18. Sua carne será para ti da mesma forma que o peito agitado e a perna direita.
19. Tudo o que é tomado das coisas santas que os israelitas oferecem ao Senhor, dou-o a ti, a teus filhos e a tuas filhas em virtude de uma lei perpétua. Esta é uma aliança de sal, que vale perpetuamente diante do Senhor, para ti e para toda a tua posteridade contigo.”
20. O Senhor disse a Aarão: “Não possuirás nada na terra deles, e não terás parte alguma entre eles. Eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos israelitas.
21. Quanto aos levitas, dou-lhes como patrimônio todos os dízimos de Israel pelo serviço que prestam na tenda de reunião.
22. Os israelitas não se aproximarão mais da tenda de reunião, para que não caia sobre eles o peso de um pecado que lhes cause a morte.
23. São os levitas que farão o trabalho na tenda de reunião e que levarão a responsabilidade de suas faltas: esta é uma lei perpétua para todos os vossos descendentes. Eles não terão herança no meio dos israelitas,
24. porque lhes dou como herança os dízimos que os israelitas tomarem para o Senhor. Eis por que declaro que eles não possuirão herança alguma no meio dos israelitas.”
25. O Senhor disse a Moisés:
26. “Dirás aos levitas: quando receberdes dos israelitas o dízimo que vos dei de seus bens por vossa herança, tomareis dele uma oferta para o Senhor: o dízimo do dízimo.
27. Esta reserva será como o trigo tomado da eira e como o vinho tomado do lagar.
28. Desse modo, fareis também vós uma reserva devida ao Senhor de todos os dízimos que receberdes dos israelitas, e esta oferta reservada para o Senhor, vós a entregareis ao sacerdote Aarão.
29. De todos os dons que receberdes, separareis uma parte para o Senhor: tomareis a porção consagrada do que houver de melhor em vossos dízimos.
30. Dir-lhes-ás: quando tiverdes separado o melhor do dízimo, o resto será para os levitas como o produto da eira ou do lagar:
31. podereis comê-lo com vossa família, porque é o vosso salário pelo serviço que prestais na tenda de reunião.
32. Não cometereis pecado algum por causa disso, e não profanareis as santas ofertas dos israelitas, quando tiverdes separado o melhor do dízimo, para que não morrais.”

 
Capítulo 19

1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
2. “Eis a prescrição legal que o Senhor vos dá: dize aos israelitas que te tragam uma vaca vermelha sem defeito, sem mancha e que não tenha ainda levado o jugo.
3. Entregá-la-eis ao sacerdote Eleazar, o qual, levando-a para fora do acampamento, imolá-la-á à vista de todos.
4. O sacerdote Eleazar tomará o sangue do animal com o dedo e fará com ele sete aspersões para o lado da entrada da tenda de reunião.
5. A vaca será em seguida queimada à vista de todos: queimar-se-á o couro, a carne, o sangue e os excrementos.
6. O sacerdote tomará pau de cedro, hissopo e carmesim, e os jogará nas chamas que queimam a vaca.
7. O sacerdote lavará suas vestes e banhar-se-á em água. Depois disso voltará ao acampamento, e será impuro até a tarde.
8. Aquele que tiver queimado a vaca lavará suas vestes e banhar-se-á em água, e será impuro até a tarde.
9. Um homem puro recolherá a cinza da vaca e a deporá em um lugar puro fora do acampamento, onde será guardada pela assembléia dos israelitas para a água lustral. Este é um sacrifício pelo pecado.
10. Aquele que tiver recolhido a cinza da vaca lavará suas vestes e será impuro até a tarde. Esta será uma lei perpétua para os israelitas e para o estrangeiro que habita no meio deles.
11. Quem tocar o cadáver de um homem qualquer será impuro sete dias;
12. purificar-se-á com esta água ao terceiro e ao sétimo dia, e será puro; mas se ele não se purificar ao terceiro e ao sétimo dia, não será puro.
13. Todo que tiver tocado o cadáver de um homem qualquer, e não se purificar, manchará a casa do Senhor; será cortado de Israel. Não tendo corrido sobre ele a água lustral, ficará impuro, e sua impureza permanecerá sobre ele.
14. Esta é a lei: tudo o que penetrar na tenda em que morrer um homem será impuro durante sete dias, e igualmente tudo o que ali se encontrar.
15. O vaso aberto, sem tampa, será também impuro.
16. Se alguém, em pleno campo, tocar em um homem morto pela espada, em um cadáver, em ossos humanos, ou em um sepulcro, será impuro durante sete dias.
17. Para quem se tiver assim manchado, tomar-se-á da cinza da vítima queimada pelo pecado, e se deitará por cima dela, dentro de um vaso, água viva.
18. Em seguida, um homem puro, depois de ter molhado nela um hissopo, aspergirá com ele a tenda, todo o seu mobiliário, todas as pessoas que aí se encontram, bem como a pessoa que tocou nos ossos, ou no homem assassinado, ou no cadáver, ou no sepulcro.
19. O homem puro aspergirá o impuro ao terceiro e ao sétimo dia e o purificará no sétimo dia. Lavará as suas vestes e a si mesmo, e à tarde será puro.
20. O homem impuro que não se purificar será cortado da assembléia, porque ele mancha o santuário do Senhor. Não tendo corrido sobre ele a água lustral, ele permanece impuro.
21. Esta será para eles uma lei perpétua. Aquele que tiver feito a aspersão com a água lustral deverá lavar suas vestes. Todo que tocar a água lustral será impuro até a tarde.
22. Tudo o que tocar o impuro será manchado, e a pessoa que o tocar será impura até a tarde.”

 
Capítulo 20

1. Toda a assembléia dos filhos de Israel chegou ao deserto de Sin no primeiro mês. O povo ficou em Cades; ali morreu Maria, que foi sepultada no mesmo lugar.
2. Como não houvesse água para a assembléia, o povo se ajuntou contra Moisés e Aarão,
3. procurou disputar com Moisés e gritou: “Oxalá tivéssemos perecido com nossos irmãos diante do Senhor!
4. Por que conduziste a assembléia do Senhor a este deserto, para nos deixares morrer aqui com os nossos rebanhos?
5. Por que nos fizeste sair do Egito e nos trouxeste a este péssimo lugar, em que não se pode semear, e onde não há figueira, nem vinha, nem romãzeira, e tampouco há água para beber?”
6. Moisés e Aarão deixaram a assembléia e dirigiram-se à entrada da tenda de reunião, onde se prostraram com a face por terra. Apareceu-lhes a glória do Senhor,
7. e o Senhor disse a Moisés:
8. “Toma a tua vara e convoca a assembléia, tu e teu irmão Aarão. Ordenareis ao rochedo, diante de todos, que dê as suas águas; farás brotar a água do rochedo e darás de beber à assembléia e aos seus rebanhos.”
9. Tomou Moisés a vara que estava diante do Senhor, como ele lhe tinha ordenado.
10. Em seguida, tendo Moisés e Aarão convocado a assembléia diante do rochedo, disse-lhes Moisés: “Ouvi, rebeldes: acaso faremos nós brotar água deste rochedo?”
11. Moisés levantou a mão e feriu o rochedo com a sua vara duas vezes; as águas jorraram em abundância, de sorte que beberam, o povo e os animais.
12. Em seguida, disse o Senhor a Moisés e Aarão: “Porque faltastes à confiança em mim para fazer brilhar a minha santidade aos olhos dos israelitas, não introduzireis esta assembléia na terra que lhe destino.”
13. Estas são as águas de Meribá, onde os israelitas se queixaram do Senhor, e onde este fez resplandecer a sua santidade.
14. De Cades, Moisés enviou mensageiros ao rei de Edom: “Eis, disseram-lhe eles, as palavras que te dirige o teu irmão Israel: sabes todos os males que temos passado.
15. Nossos pais tinham descido ao Egito, onde habitamos durante muito tempo. Os egípcios, porém, nos maltrataram, a nós e a nossos pais.
16. Clamamos ao Senhor, ele nos ouviu, e mandou-nos um anjo que nos tirou do Egito. Eis-nos agora aqui em Cades, cidade situada nos confins de teu território.
17. Deixa-nos passar pela tua terra. Não atravessaremos os campos, nem as vinhas e não beberemos a água dos poços; mas seguiremos a estrada real sem nos desviarmos nem para a direita nem para a esquerda, até que tenhamos passado o teu território.”
18. Edom respondeu: “Tu não passarás pela minha terra; do contrário, sairei ao teu encontro com a espada na mão.”
19. Disseram-lhe os israelitas: “Tomaremos a estrada comum, e se bebermos de tua água, eu e os meus rebanhos, pagar-te-ei o preço. Não há perigo algum; só queremos passar.”
20. Edom replicou: “Tu não passarás.” E veio em massa ao encontro deles com as armas na mão.
21. Recusando Edom a passagem através do seu território, Israel tomou outra direção.
22. Partiram de Cades. Toda a assembléia dos israelitas chegou ao monte Hor.
23. Nesse lugar, que está nas fronteiras da terra de Edom, o Senhor disse a Moisés e a Aarão:
24. Aarão vai ser reunido aos seus, porque ele não entrará na terra que destino aos filhos de Israel, visto terdes sido rebeldes à minha ordem nas águas de Meribá.
25. Toma Aarão e seu filho Eleazar, e leva-os ao monte Hor.
26. Despojarás Aarão de suas vestes e revestirás com elas o seu filho Eleazar. Aarão será reunido aos seus, e aí morrerá.”
27. Moisés fez como ordenou o Senhor: subiram o monte Hor à vista da assembléia.
28. Despojando Aarão de suas vestes, Moisés revestiu com elas Eleazar, filho do sacerdote. Aarão morreu ali, no cimo do monte. Moisés e Eleazar desceram de novo,
29. e toda a assembléia, ao saber da morte de Aarão, chorou-o durante trinta dias.

 
Capítulo 21

1. O rei cananeu Arad, que habitava no Negeb, soube que Israel avançava pelo caminho de Atarim; atacou-o e levou alguns deles prisioneiros.
2. Então Israel fez ao Senhor este voto: se me entregardes nas mãos esse povo, votarei as suas cidades ao interdito.
3. O Senhor ouviu os rogos de Israel e entregou-lhe os cananeus, que foram votados ao interdito juntamente com as suas cidades. Deu-se a esse lugar o nome de Horma.
4. Partiram do monte Hor na direção do mar Vermelho, para contornar a terra de Edom.
5. Mas o povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: “Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento.”
6. Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos.
7. O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo,
8. e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.”
9. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.
10. Os filhos de Israel partiram e acamparam em Obot.
11. Deixaram Obot e acamparam em Ijé-Abarim, no deserto que está defronte de Moab, ao oriente.
12. Dali foram para o vale de Zared.
13. Saindo de Zared, acamparam para além do Arnon, no deserto, nos limites do território dos amorreus. O Arnon, com efeito, serve de fronteira entre Moab e os amorreus.
14. É por isso que se diz no Livro das Guerras do Senhor: “Vaeb em Sufa, e as torrentes do Arnon,
15. e o declive dos vales que se inclina para o sítio de Ar, e se apóia na fronteira de Moab…”
16. Partindo dali, ganharam Beer, que é o poço a respeito do qual o Senhor disse a Moisés: “Reúne o povo, para que eu lhe dê água.”
17. Então cantou Israel este cântico:
18. “Brota, ó poço; cantai-o! Poço cavado por príncipes, furado pelos grandes do povo com o cetro, com os seus bastões!”
19. Do deserto foram a Matana; de Matana a Naaliel; de Naaliel a Bamot;
20. de Bamot ao vale que está nos campos de Moab, no cimo do Fasga, que domina o deserto.
21. Israel mandou mensageiros a Seon, rei dos amorreus, para lhe dizer:
22. “Permite-nos passar pela tua terra; não nos desviaremos nem para os campos, nem para as vinhas, e não beberemos a água dos poços; mas seguiremos a estrada real até que tenhamos atravessado tuas fronteiras.”
23. Seon, porém, não quis permitir que Israel passasse pelo seu território; ajuntou suas tropas e partiu ao encontro de Israel no deserto. Veio a Jasa e combateu contra Israel.
24. Israel o feriu com o fio da espada, e apoderou-se de toda a sua terra, desde o Arnon até o Jaboc, fronteira dos amonitas, porque esta fronteira era poderosa.
25. Israel tomou todas as cidades dos amorreus e estabeleceu-se em Hesebon e nas suas aldeias.
26. Hesebon era a cidade de Seon, rei dos amorreus, o qual tinha feito guerra ao rei precedente de Moab e tinha-lhe tomado toda a sua terra até o Arnon.
27. Por isso os poetas dizem: “Vinde a Hesebon! Vai ser reconstruída, vai ser fortificada a cidade de Seon!
28. Porque um fogo saiu de Hesebon, uma chama, da cidade de Seon, e devorou Ar-Moab e os Baal das alturas do Arnon.
29. Ai de ti, Moab! Estás perdido, povo de Camos! Entregaram seus filhos fugitivos e suas filhas cativas a Seon, rei dos amorreus.
30. Nós os crivamos de flechas; Hesebon está destruída até Dibon. Devastamos até Nofé, incendiamos até Medaba.”
31. Israel estabeleceu-se na terra dos amorreus.
32. Moisés enviou exploradores a Jaser, e os israelitas tomaram-na juntamente com suas aldeias, expulsando os amorreus que aí se encontravam.
33. Depois mudaram de direção, e subiram pelo caminho de Basã. Og, rei de Basã, foi-lhes ao encontro com todo o seu povo, para combatê-los em Edrai.
34. “Não o temas, disse o Senhor a Moisés, porque vou entregá-lo em tuas mãos, ele, o seu exército e a sua terra; tratá-lo-ás como trataste Seon, rei dos amorreus, que morava em Hesebon.”
35. Feriram-no, pois, ele, seus filhos e todo o seu povo, de sorte que não ficou um sequer; e apoderaram-se de sua terra.

 
Capítulo 22

1. Partiram os filhos de Israel e acamparam nas planícies de Moab, além do Jordão, defronte de Jericó.
2. Balac, filho de Sefor, tinha visto tudo o que Israel fizera aos amorreus.
3. Moab teve um grande medo desse povo, porque era muito numeroso, e ficou aterrorizado diante dos israelitas.
4. E disseram aos anciãos de Madiã: “Essa multidão vai devorar todos os nossos arredores como os bois devoram a erva do campo.” Balac, filho de Sefor, reinava então em Moab.
5. Mandou, pois, mensageiros a Balaão, filho de Beor, em Petor, sobre o rio, na terra dos filhos de Amon, para que o chamassem e lhe dissessem: “Há aqui um povo que saiu do Egito, o qual cobre a face da terra, e estabeleceu-se diante de mim.
6. Rogo-te que venhas e amaldiçoes esse povo, pois é muito mais poderoso do que eu. Talvez assim eu possa batê-lo e expulsá-lo de minha terra. Eu sei que será bendito o que abençoares e maldito o que amaldiçoares.”
7. Os anciãos de Moab e de Madiã partiram levando consigo o preço da adivinhação. Chegando junto de Balaão, referiram-lhe as palavras de Balac.
8. Balaão respondeu: “Passai a noite aqui, e dar-vos-ei a resposta que o Senhor me indicar.” Ficaram, pois, os chefes de Moab em casa de Balaão.
9. Deus veio a Balaão e disse-lhe: “Quem é essa gente que tens em tua casa?”
10. Balaão respondeu a Deus: “É Balac, filho de Sefor, rei de Moab, que me manda dizer:
11. há aqui um povo que saiu do Egito, o qual cobre a superfície da terra. Vem, pois, e amaldiçoa-o. Talvez assim possa eu batê-lo e expulsá-lo da terra.”
12. Disse Deus a Balaão: “Não irás com eles, e não amaldiçoarás esse povo, porque é bendito.”
13. Levantando-se Balaão pela manhã, disse aos chefes enviados por Balac: “Voltai para a vossa terra, pois o Senhor me proibiu de ir convosco.”
14. Os chefes de Moab retomaram o caminho e voltaram para junto de Balac: “Balaão, disseram-lhe eles, recusou vir conosco.”
15. Balac mandou-lhe de novo outros chefes, mais numerosos e mais importantes que os primeiros.
16. Chegados junto a Balaão, disseram-lhe: “Eis a mensagem de Balac, filho de Sefor: rogo-te que não recuses vir ter comigo.
17. Cumular-te-ei de honras e farei tudo o que me disseres. Vem amaldiçoar esse povo.”
18. “Ainda que o vosso senhor me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, respondeu Balaão aos servos de Balac, eu não poderia transgredir a ordem do Senhor meu Deus, nem pouco nem muito, no que quer que seja.
19. Todavia, passai ainda esta noite aqui, para que eu saiba o que o Senhor me responderá ainda desta vez.”
20. Deus veio a Balaão durante a noite e disse-lhe: “Já que essa gente te veio chamar, levanta-te e vai com eles. Mas só farás o que eu te disser.”
21. Balaão levantou-se de manhã, selou sua jumenta, e partiu com os chefes de Moab.
22. O Senhor irritou-se com sua partida, e o anjo do Senhor pôs-se-lhe no caminho como obstáculo. Balaão cavalgava em sua jumenta, acompanhado de seus dois servos.
23. A jumenta, vendo o anjo do Senhor postado no caminho, com uma espada desembainhada na mão, desviou-se e seguiu pelo campo; o adivinho a fustigava para fazê-la voltar ao caminho.
24. Então o anjo do Senhor pôs-se num caminho estreito que passava por entre as vinhas, com um muro de cada lado.
25. Vendo-o, a jumenta coseu-se com o muro, ferindo contra ele o pé de Balaão, que a fustigou de novo.
26. O anjo do Senhor deteve-se de novo mais adiante em uma passagem estreita, onde não havia espaço para se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
27. A jumenta, ao vê-lo, deitou-se debaixo de Balaão, o qual, encolerizado, a fustigava mais fortemente com seu bastão.
28. Então o Senhor abriu a boca da jumenta, que disse a Balaão: “Que te fiz eu? Por que me bateste já três vezes?”
29. Porque zombaste de mim, respondeu ele. Ah, se eu tivesse uma espada na mão! Ter-te-ia já matado!”
30. A jumenta replicou: “Acaso não sou eu a tua jumenta, a qual montaste até o dia de hoje? Tenho eu porventura o costume de proceder assim contigo?” “Não”, respondeu ele.
31. Então o Senhor abriu os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do Senhor que estava no caminho com a espada desembainhada na mão. Inclinou-se e prostrou-se com a face por terra.
32. “Por que, disse-lhe o anjo do Senhor, feriste três vezes a tua jumenta? Eu vim opor-me a ti, porque segues um caminho que te leva ao precipício.
33. Vendo-me, a tua jumenta desviou-se por três vezes diante de mim. Se ela não o tivesse feito, ter-te-ia já matado, e ela ficaria viva.”
34. Balaão disse ao anjo do Senhor: “Pequei. Eu não sabia que estavas postado no caminho para deter-me. Se minha viagem te desagrada, voltarei.”
35. “Segue esses homens, respondeu-lhe o anjo do Senhor, mas cuida de só proferir as palavras que eu te disser.” E Balaão partiu com os chefes de Balac.
36. Quando Balac soube de sua chegada, subiu-lhe ao encontro até a cidade de Moab, na fronteira do Arnon, na extremidade daquela terra,
37. e disse-lhe: “Mandei mensageiros chamar-te. Por que não vieste logo? Não posso eu tratar-te com honras?”
38. “Eis-me aqui, respondeu Balaão; mas agora ser-me-á possível dizer algo de mim mesmo? Só direi o que Deus me puser na boca, nada mais.”
39. E partiram os dois para Quiriat-Chutsot.
40. Balac imolou em sacrifício bois e ovelhas, dos quais mandou algumas porções a Balaão e aos chefes que o acompanhavam.
41. No dia seguinte pela manhã, Balac tomou consigo o adivinho e levou-o a Bamot-Baal, de onde se podiam ver as últimas linhas do acampamento de Israel.

 
Capítulo 23

1. Balaão disse ao rei: “Levanta-me aqui sete altares, e prepara-me sete touros e sete carneiros.”
2. Balac fez o que o adivinho pedira, e ofereceram juntos um touro e um carneiro em cada altar.
3. “Fica, disse Balaão a Balac, junto de teu holocausto, enquanto eu me afasto. Talvez o Senhor venha ao meu encontro, e te direi tudo o que ele me mandar.” Afastou-se Balaão e foi para um monte escalvado,
4. onde Deus se lhe apresentou; e Balaão disse a Deus: “Levantei sete altares, e sobre cada altar ofereci um touro e um carneiro.”
5. O Senhor pôs então uma palavra na boca de Balaão e disse: “Volta para junto de Balac e dize-lhe isto e isto.”
6. Voltando para perto do rei, encontrou-o de pé junto do seu holocausto, com todos os chefes de Moab.
7. Balaão pronunciou o seguinte oráculo: “De Arão mandou-me vir Balac, das montanhas do Oriente, o rei de Moab: Vem! Por mim amaldiçoa Jacó! Vem votar Israel à perdição!
8. Como poderei amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoa? Como encolerizar-me, se o Senhor não se encolerizou?
9. Do alto dos rochedos eu contemplo, estou vendo do cimo das colinas: um povo isolado, não contado entre as nações.
10. Quem poderia calcular o pó de Jacó? Quem poderia medir as nuvens de Israel? Que eu morra da morte dos justos, que o meu fim se assemelhe ao fim deles!”
11. Balac disse a Balaão: “Que me fizeste? Mandei-te chamar para amaldiçoares os meus inimigos; e eis que os abençoas!”
12. “Porventura, respondeu o adivinho, não devo eu cuidar de só dizer o que o Senhor põe na minha boca?”
13. Balac disse-lhe então: “Vem comigo a outro lugar de onde poderás vê-los. Não verás somente a sua extremidade, mas todo o seu acampamento, e dali os amaldiçoarás.”
14. Conduziu-o ao campo de Sofim, no cimo do Fasga, onde levantou sete altares para serem oferecidos sobre cada qual um touro e um carneiro.
15. Balaão disse-lhe: “Fica aqui junto de teu holocausto, enquanto vou ao encontro do Senhor.”
16. O Senhor apresentou-se a Balaão, pôs-lhe na boca uma palavra e disse: “Volta a Balac e dize-lhe isto e isto.”
17. Voltou o adivinho para junto do rei, o qual estava de pé ao lado do seu holocausto com os chefes de Moab. “Que disse o Senhor?” perguntou-lhe Balac.
18. E Balaão pronunciou o seguinte oráculo: “Levanta-te, Balac, e escuta; presta-me atenção, filho de Sefor:
19. Deus não é homem para mentir, nem alguém para se arrepender. Alguma vez prometeu sem cumprir? Por acaso falou e não executou?
20. Recebi ordem de abençoar; ele abençoou: nada posso mudar.
21. Não achou iniqüidade em Jacó, nem perversidade em Israel. O Senhor, seu Deus, está com ele, nele é proclamado rei.
22. Deus os retirou do Egito e lhes deu o vigor do búfalo.
23. Não é preciso magia em Jacó, nem adivinhação em Israel: a seu tempo, se dirá a Jacó e a Israel o que Deus quer fazer.
24. Este povo levanta-se como leoa, firma-se como leão; não se deita sem ter devorado a presa e bebido o sangue de suas vítimas.”
25. Balac disse a Balaão: “Se não os amaldiçoas, ao menos não os abençoes.”
26. “Não te disse eu, respondeu Balaão, que faria tudo o que o Senhor me dissesse?”
27. Balac replicou: “Vem: conduzir-te-ei a outro lugar; talvez Deus se agrade que tu os amaldiçoes de lá.”
28. Balac levou o adivinho ao cimo do monte Fogor, que domina o deserto.
29. Balaão disse-lhe: “Constrói-me sete altares, e prepara-me sete touros e sete carneiros.”
30. Balac fez como ordenara Balaão, e ofereceu sobre cada altar um touro e um carneiro.

 
Capítulo 24

1. Balaão, vendo que era do agrado do Senhor que abençoasse Israel, não foi como antes ao encontro de agouros. Voltou-se para o deserto
2. e, levantando os olhos, viu Israel acampado nas tendas segundo as suas tribos. O Espírito de Deus veio sobre ele,
3. e pronunciou o oráculo seguinte: “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem que tem o olho fechado,
4. oráculo daquele que ouve as palavras de Deus, desfruta a visão do Todo-poderoso, e se lhe abrem os olhos quando se prostra:
5. Quão formosas tuas tendas, Jacó, tuas moradas, Israel!
6. Elas se estendem como vales, como jardins à beira do rio, como aloés plantados pelo Senhor, como cedros junto das águas.
7. Jorram águas de seus jarros, suas sementeiras são copiosamente irrigadas. Seu rei é mais poderoso que Agag, de sublime realeza.
8. Deus os retirou do Egito, e lhes deu o vigor do búfalo. Devora os povos inimigos; quebra-lhes os ossos e criva-os de flechas.
9. Deita-se, descansa como um leão, como uma leoa: quem o despertará? Bendito seja quem te abençoar, maldito, quem te amaldiçoar!”
10. Balac, encolerizado contra Balaão, bateu as mãos e disse-lhe: “Foi para amaldiçoar os meus inimigos que te chamei, e eis que já pela terceira vez os abençoas.
11. Agora, vai-te depressa para a tua casa. Pensei em cumular-te de honras, mas o Senhor tas recusou.”
12. “Pois não disse eu aos teus mensageiros, respondeu Balaão:
13. mesmo que Balac me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia transgredir a ordem do Senhor, nem fazer o que quer que seja por minha própria conta; somente diria o que o Senhor me ordenasse?
14. Pois bem; volto para o meu povo. Vem, pois quero anunciar-te o que esse povo fará ao teu no decurso dos tempos.”
15. E Balaão pronunciou o oráculo seguinte: “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem que tem o olho fechado,
16. oráculo daquele que ouve as palavras de Deus, conhece a ciência do Altíssimo, desfruta a visão do Todo-poderoso e se lhe abrem os olhos quando se prostra:
17. Eu o vejo, mas não é para agora, percebo-o, mas não de perto: um astro sai de Jacó, um cetro levanta-se de Israel, que fratura a cabeça de Moab, o crânio dessa raça guerreira.
18. Edom é sua conquista, Seir, seu inimigo, é sua presa. Israel ostenta a sua força.
19. De Jacó virá um dominador que há de exterminar os sobreviventes da cidade.”
20. Ao ver Amalec, Balaão pronunciou este oráculo: “Amalec é a primeira das nações, mas seu fim será o extermínio.”
21. Depois, ao ver os quenitas, pronunciou o seguinte oráculo: “Sólida é a tua morada, teu ninho está posto na rocha.
22. Mas o quenita será aniquilado; Assur te levará ao cativeiro.”
23. E, por fim, acrescentou este oráculo: “Povos vivem ao norte. Navios hão de aportar das costas de Citim,
24. e oprimirão Assur, e oprimirão Heber, pois, também este perecerá para sempre.”
25. E depois disto Balaão partiu para a sua terra, enquanto Balac voltou pelo caminho por onde tinha vindo.

 
Capítulo 25

1. Habitando os israelitas em Setim, entregaram-se à libertinagem com as filhas de Moab.
2. Estas convidaram o povo aos sacrifícios de seus deuses, e o povo comeu e prostrou-se diante dos seus deuses.
3. Israel juntou-se a Beelfegor, provocando assim contra ele a cólera do Senhor:
4. “Reúne, disse o Senhor a Moisés, todos os chefes do povo, e pendura os culpados em forcas diante de mim, de cara para o sol, a fim de que o fogo de minha cólera se desvie de Israel.”
5. Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um de vós mate os seus que se tenham juntado a Beelfegor.”
6. Entretanto, um dos filhos de Israel trouxe para junto de seus irmãos uma madianita, sob os olhos de Moisés e de toda a assembléia que chorava à entrada da tenda de reunião.
7. Vendo isso, Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Aarão, levantou-se no meio da assembléia, tomou uma lança,
8. seguiu o israelita até a sua tenda, e ali transpassou-o juntamente com a mulher, ferindo-os no ventre. E deteve-se então o flagelo que se alastrava entre os israelitas.
9. Morreram vinte e quatro mil homens com essa praga.
10. O Senhor disse a Moisés:
11. “Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Aarão, desviou minha cólera de sobre os israelitas, dando provas entre eles do mesmo zelo que eu. Por isso não os extingui em minha cólera.
12. Dize-lhe, pois, que lhe dou a minha aliança de paz.
13. Isso será para ele e seus descendentes o pacto de um sacerdócio eterno, porque. se mostrou cheio de zelo pelo seu Deus, e fez expiação pelos israelitas.”
14. Chamava-se Zamri, filho de Salu, o israelita que foi morto com a madianita, o qual era chefe de uma família patriarcal da tribo de Simeão;
15. o nome da madianita morta era Cozbi, filha de Sur, chefe de tribo, de família patriarcal em Madiã.
16. O Senhor disse a Moisés:
17. “Atacai os madianitas e matai-os,
18. porque eles vos atacaram primeiro, enganando-vos artificiosamente por meio do ídolo de Fogor e de Cozbi, sua irmã, filha de um chefe de Madiã, que foi massacrada no dia do flagelo que sobreveio por causa do sacrilégio de Fogor.”

 
Capítulo 26

1. Depois desse flagelo disse o Senhor a Moisés e a Eleazar, filho do sacerdote Aarão:
2. “Fazei o recenseamento de toda a assembléia dos israelitas da idade de vinte anos para cima, família por família, todos os que estiverem em condições de pegar em armas.”
3. Moisés e o sacerdote Eleazar disseram pois nas planícies de Moab, às margens do Jordão, perto de Jericó:
4. “Serão recenseados todos os que tiverem a idade de vinte anos para cima, como o Senhor ordenou a Moisés e aos israelitas ao saírem do Egito.
5. Rubem primogênito de Israel, Filhos de Rubem: de Henoc, a família dos henoquitas; de Falu, a família dos faluítas;
6. de Hesron, a família dos hesronitas; de Carmi, a família dos carmitas.
7. Estas são as famílias dos rubenitas; seus recenseados foram em número de 43.730.
8. Filho de Falu, Eliab.
9. Filhos de Eliab Namuel, Datã e Abiron. Estes são Datã e Abiron, aqueles membros do conselho que se tinham sublevado contra Moisés e Aarão, com os cúmplices de Coré em revolta contra o Senhor.
10. A terra, abrindo sua boca, engoliu-os com Coré, enquanto o seu grupo perecia pelo fogo que devorou os duzentos e cinqüenta homens. Isso serviu de exemplo.
11. Os filhos de Coré, porém, não pereceram.
12. Filhos de Simeão, classificados por famílias: de Namuel, a família dos namuelitas; de Jamim, a família dos jaminitas; de Joaquim, a família dos joaquinitas;
13. de Zaré, a família dos zaritas; de Saul, a família dos saulitas.
14. Tais são as famílias dos simeonitas: 22.200 homens.
15. Filhos de Gad, classificados por famílias: de Sefon, a família dos sefonitas; de Agi, a família dos agitas; de Sunit, a família dos sunitas;
16. de Ozni, a família dos oznitas; de Her, a família dos heritas;
17. de Arod, a família dos aroditas; de Ariel, a família dos arielitas.
18. Estas são as famílias dos gaditas. Seus recenseados foram 40.500.
19. Filhos de Judá: Her e. Onã, que morreram na terra de Canaã.
20. Eis os filhos de Judá, classificados por famílias: de Sela, a família dos selitas; de Farés, a família dos faresitas; de Zara, a família dos zaritas.
21. Os filhos de Farés foram: de Hesron a família dos hesronitas; de Hamul, a família dos hamulitas.
22. Tais são as famílias de Judá; seus recenseados foram 76.500.
23. Filhos de Issacar, classificados por famílias: de Tola, a família dos tolaítas; de Fua, a família dos fuaítas;
24. de Jasub, a família dos jasubitas; de Semrã, a família dos semranitas.
25. Estas são as famílias de Issacar; seus recenseados foram 64.300.
26. Filhos de Zabulon, classificados por famílias: de Sared, a família dos sareditas; de Elon, a família dos elonitas; de Jalel, a família dos jalelitas.
27. Estas são as famílias de Zabulon; seus recenseados foram 60.500.
28. Filhos de José, classificados por famílias: Manassés e Efraim.
29. Filhos de Manassés: de Maquir, a família dos maquiritas. Maquir gerou Galaad; de Galaad, a família dos galaaditas.
30. Eis os filhos de Galaad: de Jezer, a família dos jezeritas; de Helec, a família dos helequitas;
31. de Asriel, a família dos asrielitas; de Sequém, a família dos sequemitas;
32. de Semida, a família dos semidaítas; de Hefer, a família dos heferitas.
33. Salafaad, filho, de Hefer, não teve filhos, mas muitas filhas. Eis os nomes das filhas de Salafaad: Maala Noa, Hegla, Melca e Tersa.
34. Estas são as famílias de Manassés; seus recenseados foram 52.700.
35. Eis os filhos de Efraim classificados por famílias: de Sutala, a família dos sutalaítas; de Bequer, a família dos bequeritas; de Teen, a família dos teenitas.
36. Eis os filhos de Sutala: de Herã, a família dos heranitas.
37. Estas são as famílias dos filhos de Efraim; seus recenseados foram 32.500. Estes são os filhos de José, classificados por famílias.
38. Filhos de Benjamim, classificados por famílias: de Bela, a família dos belaítas; de Asbel a família dos asbelitas; de Airão, a família dos airamitas;
39. de Sufão, a família dos sufamitas; de Hufão, a família dos hufamitas.
40. Os filhos de Bela foram Hered e Noemã; de Hered, a família dos hereditas; de Noemã, a família dos noemanitas.
41. Tais são os filhos de Benjamim, classificados por famílias; seus recenseados foram em número de 45.600.
42. Eis os filhos de Dã, classificados por famílias: de Suã, a família dos suamitas. Tais são as famílias de Dã, classificadas por famílias.
43. Total das famílias dos suamitas: seus recenseados foram 64.400.
44. Filhos de Aser, classificados por famílias: de Jemna, a família dos jemnaítas; de Jessui, a família dos jesuítas; de Bria, a família dos briaítas;
45. de Heber, a família dos heberitas; de Melquiel, a família dos melquielitas.
46. O nome da filha de Aser era Sara.
47. Tais são as famílias dos filhos de Aser; seus recenseados foram 53.400.
48. Filhos de Neftali, classificados por famílias: de Jesiel, a família dos jesielitas; de Guni, a família dos gunitas;
49. de Jeser, a família dos jeseritas; de Selem, a família dos selemitas.
50. Estas são as famílias de Neftali classificadas por famílias; seus recenseados foram 45.400.
51. Eis o total dos israelitas recenseados: 601.730.
52. O Senhor disse a Moisés:
53. “A terra será dividida entre estes, segundo o número de suas pessoas, para que eles a possuam como herança.
54. Aos mais numerosos darás uma parte maior, e aos que forem menos, uma menor; cada um receberá uma parte proporcional ao número dos recenseados.
55. Todavia, é a sorte que decidirá a divisão da terra. Eles receberão a sua parte segundo os nomes das tribos patriarcais.
56. A propriedade será dividida por sorte entre os grupos numerosos e os grupos menores.
57. Eis os levitas recenseados segundo suas famílias: de Gérson, a família dos gersonitas; de Caat, a família dos caatitas; de Merari, a família dos meraritas.
58. Eis as famílias de Levi: a família dos lobnitas, a dos hebronitas, a dos moolitas, a dos musitas, a dos coritas. (Caat gerou Amrão,
59. cuja mulher se chamava Jocabed, filha de Levi, nascida no Egito. Ela deu a Amrão: Aarão, Moisés e Maria, sua irmã.
60. Aarão teve os filhos: Nadab, Abiú, Eleazar e ltamar.
61. Nadab e Abiú morreram quando apresentaram diante do Senhor um fogo estranho.)
62. Recenseados os levitas, todos os varões da idade de um mês para cima somaram 23.000. Não foram contados no recenseamento dos israelitas, porque não se lhes havia destinado nenhum patrimônio no meio deles.
63. Tal é o recenseamento dos israelitas que fizeram Moisés e o sacerdote Eleazar nas planícies de Moab, às margens do Jordão, perto de Jericó.
64. Não se achou entre eles nenhum daqueles que tinham sido recenseados antes por Moisés e Aarão no deserto do Sinai,
65. porque o Senhor dissera deles: “Morrerão no deserto.” Não ficou nenhum deles, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun.

 
Capítulo 27

1. Aproximaram-se então as filhas de Salafaad, filho de Hefer, filho de Galaad, filho de Maquir, filho de Manassés, filho de José. Seus nomes eram Maala, Noa, Hegla, Melca e Tersa.
2. Elas apresentaram-se diante de Moisés e do sacerdote Eleazar, e diante dos principais e de toda a assembléia, à entrada da tenda de reunião:
3. “Nosso pai, disseram elas, morreu no deserto, e não tomou parte na sedição excitada por Coré contra o Senhor; mas morreu por causa de seu próprio pecado. Ora, ele não teve filhos.
4. Por que razão há de desaparecer o nome de sua família, por não ter tido filho algum? Dá-nos uma propriedade entre os irmãos de nosso pai.”
5. Moisés levou a sua causa diante do Senhor,
6. que lhe disse:
7. “As filhas de Salafaad têm razão. Dar-lhes-ás uma propriedade como herança entre os irmãos de seu pai, para que elas lhe sucedam na herança.
8. Dirás aos israelitas: se um homem morrer sem deixar filhos, a herança passara à sua filha;
9. se não tiver filhas, será dada aos seus irmãos.
10. Se não tiver irmãos, a herança passará aos irmãos de seu pai,
11. e se seu pai não tiver irmãos, será dada ao seu parente mais próximo em sua família, e este último tornar-se-á seu possessor. Esta será para os filhos de Israel uma prescrição de direito, assim como o Senhor ordenou a Moisés.”
12. O Senhor disse a Moisés: “Sobe a esse monte Abarim, e contempla a terra que eu hei de dar aos israelitas.
13. Depois de a teres visto, serás reunido aos teus, como o teu irmão Aarão,
14. porque, no deserto de Sin, na contenda da assembléia, fostes rebeldes à minha ordem, não manifestando a minha santidade diante deles na questão das águas.” (Trata-se das águas de Meribá, em Cades, no deserto de Sin.)
15. Moisés disse ao Senhor:
16. “O Senhor Deus dos espíritos e de toda a carne escolha um homem que chefie a assembléia,
17. que marche à sua frente e guie os seus passos, para que a assembléia do Senhor não seja como um rebanho sem pastor.”
18. O Senhor respondeu a Moisés: “Toma Josué, filho de Nun, no qual reside o Espírito, e impõe-lhe a mão.
19. Apresentá-lo-ás ao sacerdote Eleazar e a toda a assembléia, e o empossarás sob os seus olhos.
20. Tu o investirás de tua autoridade, a fim de que toda a assembléia dos israelitas lhe obedeça.
21. Ele se apresentará ao sacerdote Eleazar, que consultará por ele o oráculo de Urim diante do Senhor; é segundo essa ordem que se conduzirão, ele e toda a assembléia dos israelitas.”
22. Moisés fez como o Senhor tinha ordenado. Tomou Josué e apresentou-o ao sacerdote Eleazar, bem como a toda a assembléia.
23. Impôs-lhe as mãos e empossou-o assim como o Senhor tinha ordenado pela boca de Moisés.

 
Capítulo 28

1. O Senhor disse a Moisés:
2. Ordena o seguinte aos israelitas: cuidareis de apresentar no devido tempo a minha oblação, o meu alimento, em sacrifícios de agradável odor consumidos pelo fogo.
3. Dir-lhes-ás: eis o sacrifício pelo fogo que oferecereis ao Senhor: um holocausto quotidiano e perpétuo de dois cordeiros de um ano, sem defeito.
4. Oferecerás um pela manhã e outro entre as duas tardes,
5. juntando, à guisa de oblação, um décimo de efá de flor de farinha amassada com um quarto de hin de óleo de olivas esmagadas.
6. Este é o holocausto perpétuo tal como foi feito no monte Sinai, um sacrifício pelo fogo de suave odor para o Senhor.
7. A libação será de um quarto de hin para cada cordeiro; é no santuário que farás ao Senhor a libação de vinho fermentado.
8. Oferecerás, entre as duas tardes, o segundo cordeiro; e farás a mesma oblação e a mesma libação como de manhã: este é um sacrifício pelo fogo, de suave odor para o Senhor.
9. No dia de sábado oferecereis dois cordeiros de um ano sem defeito, com dois décimos de flor de farinha amassada com óleo à guisa de oblação e a libação.
10. Este é o holocausto de cada sábado, além do holocausto perpétuo com a sua libação.
11. Nas neomênias oferecereis, em holocausto ao Senhor, dois novilhos, um carneiro, sete cordeiros de um ano sem defeito,
12. bem como, com cada touro, três décimos de flor de farinha amassada com óleo, à guisa de oblação; com o carneiro, uma oblação de dois décimos de flor de farinha amassada com óleo,
13. e com cada cordeiro, um décimo de flor de farinha amassada com óleo. Este é um holocausto de suave odor consumido pelo fogo para o Senhor.
14. As respectivas libações serão de meio hin de vinho por touro, um terço de hin por carneiro, e um quarto de hin pelo cordeiro. Este será o holocausto da neomênia para cada mês do ano.
15. Além do holocausto perpétuo e sua libação, oferecer-se-á ao Senhor um bode em sacrifício pelo pecado.
16. No décimo quarto dia do primeiro mês será a Páscoa do Senhor.
17. No décimo quinto desse mês começará a festa: durante sete dias só comerão pães sem fermento.
18. No primeiro dia haverá uma santa assembléia: não fareis nele obra alguma servil.
19. Oferecereis em holocausto pelo fogo, ao Senhor, dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano sem defeito,
20. com flor de farinha amassada com óleo à guisa de oblação: três décimos por touro, dois décimos para o carneiro,
21. e um décimo para cada um dos sete cordeiros;
22. além disso, um bode, em sacrifício pelo pecado, para fazer expiação por vós.
23. Tudo isso, vós o fareis sem prejuízo do holocausto da manhã, que é perpétuo.
24. Assim fareis cada dia, durante sete dias: este é o alimento consumido pelo fogo, de suave odor para o Senhor. Isso se fará além do holocausto perpétuo e sua libação.
25. No sétimo dia haverá de novo uma santa assembléia e a cessação de toda obra servil.
26. No dia das Primícias, quando apresentardes ao Senhor uma oblação de grão novo na vossa festa das Semanas, tereis uma santa assembléia e a suspensão de todo o trabalho servil.
27. Oferecereis em holocausto de suave odor ao Senhor, dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano,
28. com flor de farinha amassada com óleo, à guisa de oblação: três décimos por touro, dois décimos para o carneiro,
29. e um décimo para cada um dos sete cordeiros;
30. além disso, um bode, para a expiação de vossos pecados.
31. Isso, sem prejuízo do holocausto perpétuo e de sua oblação. Os animais serão sem defeito e acompanhados de suas libações.

 
Capítulo 29

1. “No primeiro dia do sétimo mês tereis uma santa assembléia e a suspensão de todo o trabalho servil. Será para vós um dia de toques de trombetas.
2. Oferecereis, em holocausto de suave odor ao Senhor, um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano sem defeito,
3. com flor de farinha amassada com óleo, à guisa de oblação: três décimos pelo touro, dois décimos pelo carneiro,
4. e um décimo para cada um dos sete cordeiros.
5. Além disso, um bode, em sacrifício pelo pecado, para fazer a expiação por vós.
6. Tudo isso, sem prejuízo do holocausto da neomênia e sua oblação, do holocausto perpétuo e sua oblação, e das libações que devem acompanhar regularmente esses sacrifícios. Estes serão sacrifícios pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
7. No dia dez desse sétimo mês, tereis uma santa assembléia, um jejum e a suspensão de todo o trabalho servil.
8. Oferecereis em holocausto de suave odor ao Senhor, um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano sem defeito,
9. com flor de farinha amassada com óleo, à guisa de oblação: três décimos para o touro, dois décimos para o carneiro,
10. e um décimo para cada um dos sete cordeiros.
11. Além disso, um bode, em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do sacrifício para as expiações, do holocausto perpétuo com sua oblação, nem de suas libações.
12. No dia quinze do sétimo mês, tereis uma santa assembléia com a suspensão de toda obra servil. Celebrareis uma festa em honra do Senhor durante sete dias.
13. Oferecereis em holocausto, em sacrifício de agradável odor ao Senhor: treze novilhos, dois carneiros e quatorze cordeiros de um ano sem defeito,
14. com flor de farinha amassada com óleo, à guisa de oblação: três décimos por touro, dois décimos por carneiro,
15. e um décimo para cada um dos quatorze cordeiros.
16. Além disso, um bode, em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
17. No segundo dia, oferecereis doze novilhos, dois carneiros e quatorze cordeiros de um ano sem defeito,
18. com a oblação e as libações pelos touros, carneiros e cordeiros, proporcionalmente ao seu número, segundo a regra.
19. Além disso, um bode em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
20. No terceiro dia oferecereis onze novilhos, dois carneiros e quatorze cordeiros de um ano sem defeito,
21. com a oblação e as libações pelos touros, carneiros e cordeiros, proporcionalmente ao seu número, segundo a regra.
22. Além disso, um bode, em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
23. No quarto dia oferecereis dez novilhos, dois carneiros e quatorze cordeiros de um ano sem defeito,
24. com a oblação e as libações pelos touros, carneiros e cordeiros, proporcionalmente ao seu número, segundo a regra.
25. Além disso, um bode em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
26. No quinto dia oferecereis nove novilhos, dois carneiros e quatorze cordeiros de um ano sem defeito,
27. com a oblação e as libações pelos touros, carneiros e cordeiros, proporcionalmente ao seu número, segundo a regra.
28. Além disso, um bode em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
29. No sexto dia oferecereis oito novilhos, dois carneiros e quatorze cordeiros de um ano sem defeito,
30. com a oblação e as libações pelos touros, carneiros e cordeiros, proporcionalmente ao seu número, segundo a regra.
31. Além disso, um bode, em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
32. No sétimo dia oferecereis sete novilhos, dois carneiros e quatorze cordeiros de um ano sem defeito,
33. com a oblação e as libações pelos touros, carneiros e cordeiros, proporcionalmente ao seu número, segundo a regra.
34. Além disso, um bode em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
35. No oitavo dia tereis uma solene assembléia e a cessação de todo o trabalho servil.
36. Oferecereis em holocausto, em sacrifício consumido pelo fogo, de suave odor ao Senhor: um touro, um carneiro e sete cordeiros de um ano sem defeito,
37. com a oblação e as libações pelo touro, pelo carneiro e pelos cordeiros, proporcionalmente ao seu número, segundo a regra.
38. Além disso, um bode, em sacrifício pelo pecado, sem prejuízo do holocausto perpétuo, com sua oblação e sua libação.
39. Tais são os sacrifícios que oferecereis ao Senhor em vossas solenidades, além de vossos votos e vossas ofertas espontâneas: holocaustos, oblações, libações e sacrifícios pacíficos.”

 
Capítulo 30

1. Moisés referiu aos israelitas tudo o que o Senhor lhe tinha ordenado.
2. Moisés disse aos chefes das tribos israelitas: “Eis o que o Senhor ordenou:
3. se um homem fizer um voto ao Senhor ou se se comprometer com juramento a uma obrigação qualquer, não faltará à sua palavra, mas cumprirá toda obrigação que tiver tomado.
4. Se uma donzela, que se encontre ainda na casa de seu pai, fizer um voto ao Senhor, ou se se impuser uma obrigação,
5. e seu pai, tendo conhecimento do voto que ela fez ou da obrigação que tomou, nada disse, todos os seus votos e suas obrigações serão válidos.
6. Porém, se seu pai se opuser no dia em que ele tiver conhecimento disso, todos os seus votos e obrigações serão inválidos, e o Senhor o perdoará, porque seu pai se opôs.
7. Se na ocasião de seu casamento ela estiver ligada por algum voto ou algum compromisso inconsiderado,
8. e seu marido, sabendo-o, não diz nada naquele dia, seus votos serão válidos, assim como os compromissos tomados.
9. Mas se o marido, no dia em que disso tiver conhecimento, desaprová-lo, serão nulos o seu voto e o compromisso tomados inconsideradamente, e o Senhor o perdoará.
10. O voto de uma viúva ou de uma mulher repudiada, toda obrigação que ela se impuser a si mesma, será válida para ela.
11. A mulher que está em casa de seu marido, se se obrigar com voto, ou se se impuser uma obrigação, ou juramento,
12. desde que o marido, ao sabê-lo, nada diga, nem se oponha, todos os seus votos serão válidos, bem como todo compromisso que ela tiver tomado.
13. Porém, se seu marido se opuser, ao ser informado de seus votos, todos eles serão nulos e, igualmente, todos os compromissos que tiver tomado; serão sem valor, porque anulados por seu marido, e o Senhor o perdoará.
14. Seu marido pode ratificar ou anular todo voto ou todo juramento que ela tiver feito para se mortificar.
15. Se seu marido guardar silêncio até o dia seguinte, com isso ratifica todos os seus votos e todos os seus compromissos; e os ratifica porque nada disse no dia em que deles teve conhecimento.
16. Se os anular depois do dia em que o soube, levará a responsabilidade da falta de sua mulher.”
17. Tais são as leis que o Senhor prescreveu a Moisés com relação a marido e mulher, pai e filha, quando esta é ainda jovem e vive na casa de seu pai.

 
Capítulo 31

1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Vinga os filhos de Israel do mal que lhes fizeram os madianitas; depois disso serás reunido aos teus.”
3. Moisés disse então ao povo: “Armem-se para a guerra alguns homens dentre vós: eles atacarão Madiã, para executarem sobre ele a vingança do Senhor.
4. Poreis em linha de combate mil homens de cada uma das tribos de Israel.”
5. Reuniram-se, pois, dentre as famílias de Israel, mil homens por tribo, ou seja, doze mil homens de pé, prontos para o combate.
6. Moisés enviou-os ao combate; mil homens de cada tribo, com Finéias, filho do sacerdote Eleazar, que levou também os objetos sagrados e as trombetas para tocar.
7. Atacaram os madianitas, como o Senhor tinha ordenado a Moisés, e mataram todos os varões.
8. Mataram também os reis de Madiã: Evi, Recém, Sur, Hur e Rebe, cinco reis de Madiã, e passaram ao fio da espada Balaão, filho de Beor.
9. Levaram prisioneiras as mulheres dos madianitas com seus filhos, e pilharam todo o seu gado, seus rebanhos e todos os seus bens.
10. Incendiaram todas as cidades que habitavam e todos os seus acampamentos.
11. Levaram consigo todo o espólio e todos os despojos, animais e pessoas,
12. e conduziram-nos a Moisés, ao sacerdote Eleazar e à assembléia dos israelitas no acampamento que se encontrava nas planícies de Moab, perto do Jordão, em face de Jericó.
13. Moisés, o sacerdote Eleazar e todos os chefes da assembléia saíram-lhes ao encontro fora do acampamento.
14. E Moisés, irado contra os generais do exército, os chefes de milhares e os chefes de centenas que voltavam da batalha, disse-lhes:
15. “O que é isso? Deixastes com vida todas essas mulheres?
16. Mas são justamente elas que, instigadas por Balaão, levaram os israelitas a serem infiéis ao Senhor na questão de Fogor, a qual foi também a causa do flagelo que feriu a assembléia do Senhor!
17. Ide! Matai todos os filhos varões e todas as mulheres que tiverem tido comércio com um homem;
18. mas deixai vivas todas as jovens que não o fizeram.
19. E vós, acampai durante sete dias fora do acampamento. Todos os que tiverem matado um homem ou tocado em um morto, purificar-se-ão ao terceiro e ao sétimo dia, eles e seus prisioneiros.
20. Purificai também toda veste, todo objeto de pele, todo tecido de pêlo de cabra e todo utensílio de madeira.”
21. O sacerdote Eleazar disse então aos guerreiros que tinham combatido: “Eis o preceito da lei que o Senhor impôs a Moisés:
22. o ouro, a prata, o bronze, o ferro, o estanho, o chumbo, tudo o que pode passar pelas chamas
23. será purificado no fogo; mas será também purificado pela água lustral. Tudo o que não suporta o fogo será purificado com a água.
24. Lavareis vossas vestes no sétimo dia, para serdes puros; depois disso, voltareis ao acampamento.”
25. O Senhor disse a Moisés:
26. “Fazei o inventário de todo o espólio que foi tomado, homens e animais, tu, o sacerdote Eleazar e os chefes de família da assembléia.
27. Repartirás em seguida a presa em partes iguais entre os que pelejaram, e entre todo o resto da assembléia.
28. Da parte daqueles que pelejaram e foram à guerra, separarás um tributo para o Senhor, um de cada quinhentos homens, gado, jumentos ou ovelhas.
29. Toma-o da sua metade para entregar ao sacerdote Eleazar, como oferta ao Senhor.
30. Da metade que toca aos israelitas, tomarás um de cada cinqüenta, homens, bois, jumentos, ovelhas e qualquer outro animal, e darás aos levitas, que têm a guarda da casa do Senhor.”
31. Moisés e o sacerdote Eleazar fizeram como o Senhor tinha ordenado.
32. Os despojos, o conjunto do espólio que tinha feito o exército era de seiscentos e setenta e cinco mil ovelhas,
33. setenta e dois mil bois
34. e sessenta e um mil jumentos.
35. Havia também trinta e duas mil jovens que não tinham coabitado com homem algum.
36. Foi dada a metade àqueles que tinham ido ao combate, isto é, trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas,
37. das quais seiscentas e setenta e cinco para o tributo do Senhor;
38. trinta e seis mil bois, dos quais setenta e dois para o tributo do Senhor;
39. trinta mil e quinhentos jumentos, dos quais sessenta e um para o tributo do Senhor;
40. dezesseis mil pessoas, das quais trinta e duas para o tributo do Senhor.
41. Moisés entregou ao sacerdote Eleazar o tributo tomado para o Senhor, como o Senhor lhe tinha ordenado.
42. Restava a metade destinada aos filhos de Israel, que Moisés havia separado da dos guerreiros.
43. Esta parte da assembléia compreendia trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas,
44. trinta e seis mil bois,
45. trinta mil e quinhentos jumentos
46. e dezesseis mil pessoas.
47. Dessa metade dos israelitas Moisés tomou um de cada cinqüenta, homens e animais, e deu-os aos levitas, encarregados do serviço da casa do Senhor, assim como o Senhor lhe tinha ordenado.
48. Os comandantes das tropas do exército, os chefes de milhares e de centenas
49. aproximaram-se então de Moisés e disseram-lhe: “Teus servos fizeram a conta dos guerreiros que estiveram sob o nosso comando: não falta nem um sequer.
50. Trazemos, pois, como oferta ao Senhor, tudo o que cada um encontrou de objetos de ouro: correntinhas, braceletes, anéis, brincos e colares, para que se faça expiação por nós diante do Senhor.”
51. Moisés e o sacerdote Eleazar receberam deles esse ouro, toda a sorte de objetos artisticamente trabalhados.
52. O peso total do ouro, que foi assim separado e oferecido ao Senhor da parte dos chefes de milhares e de centenas, era de dezesseis mil setecentos e cinqüenta siclos.
53. Os homens da tropa haviam pilhado cada um para si.
54. Moisés e o sacerdote Eleazar, tendo recebido o ouro das mãos dos chefes de milhares e de centenas, levaram-no à tenda de reunião para que servisse de memorial diante do Senhor pelos israelitas.

 
Capítulo 32

1. Os filhos de Rubem e os filhos de Gad tinham rebanhos em grande quantidade; e, vendo que a terra de Jaser e a terra de Galaad eram próprias para a criação dos animais,
2. vieram procurar Moisés, o sacerdote Eleazar e os chefes da assembléia, dizendo:
3. “Atarot, Dibon, Jazer, Nemra, Hesebon, Eleale, Sabã, Nebo e Beon,
4. terras que o Senhor feriu diante dos filhos de Israel, são uma terra própria para o pasto dos rebanhos; e teus servos têm muitos animais.”
5. E ajuntaram: “Se achamos graça diante de ti, seja dada essa terra em possessão aos teus servos, para que não tenhamos de atravessar o Jordão.”
6. Moisés respondeu-lhes: “Irão os vossos irmãos à guerra, e vós quedareis tranqüilamente aqui?
7. Por que quereis desanimar os filhos de Israel, para que não entrem na terra que lhes deu o Senhor?
8. Foi justamente isso que fizeram os vossos pais quando os enviei de Cades-Barne para explorar a terra:
9. foram até o vale de Escol, viram a terra, e depois tiraram aos israelitas o desejo de entrar na terra que o Senhor lhes tinha dado.
10. Por isso, naquele dia a cólera do Senhor se inflamou de tal modo que ele fez este juramento:
11. os homens que subiram do Egito, da idade de vinte anos para cima, não verão jamais a terra que jurei dar a Abraão, a Isaac e a Jacó, porque não me seguiram com fidelidade,
12. exceto somente Caleb, filho de Jefoné, o cenezeu, e Josué, filho de Nun, que obedeceram sempre ao Senhor.
13. E o Senhor, irado contra Israel, fê-lo errar pelo deserto durante quarenta anos, até que se extinguisse toda a geração que tinha feito o mal aos olhos do Senhor.
14. E agora, eis que tomais a sucessão de vossos pais, raça de pecadores, para aumentar ainda mais a cólera do Senhor contra Israel.
15. Se lhe recusais obedecer, ele continuará a vos deixar no deserto, e sereis a causa da ruína de todo o povo.”
16. Mas eles, aproximando-se, disseram a Moisés: “Faremos aqui currais para os nossos rebanhos e construiremos cidades para os nossos filhos.
17. Nós, porém, nos equiparemos para marchar sem demora diante dos israelitas, até os introduzirmos na terra que lhes cabe, enquanto nossos filhos ficarão nas cidades fortes, ao abrigo dos habitantes da terra.
18. Não voltaremos às nossas casas antes que os israelitas tenham tomado posse cada um de sua porção.
19. Nada queremos do lado de lá do Jordão, junto deles, pois que já temos a nossa porção deste lado, a oriente.”
20. Moisés disse-lhes: “Se fizerdes isso, e vos equipardes para combater diante do Senhor,
21. se todo homem apto para a guerra entre vós passar armado o Jordão diante do Senhor, até que o Senhor expulse seus inimigos,
22. e só voltardes para as vossas casas quando a terra estiver submetida diante do Senhor, então sereis irrepreensíveis aos olhos do Senhor e aos olhos de Israel, e possuireis esta terra que desejais diante do Senhor.
23. Mas se procederdes de outra forma, pecareis diante do Senhor; e sabeis que o vosso pecado cairá sobre vós.
24. Construí, pois, cidades para os vossos filhos e fazei currais para os vossos rebanhos, mas cumpri vossa promessa.”
25. Os filhos de Gad e os filhos de Rubem responderam a Moisés: “Teus servos farão o que o meu senhor ordenar.
26. Nossos filhos, nossas mulheres, nossos rebanhos e nossos animais ficarão nas cidades de Galaad;
27. e teus servos equipados para a guerra marcharão ao combate diante do Senhor, segundo a ordem do meu senhor.”
28. Então Moisés deu ordens a respeito deles ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Nun, e aos chefes das famílias das tribos de Israel.
29. Disse ele: “Se os filhos de Gad e os filhos de Rubem passarem convosco o Jordão equipados para o combate diante do Senhor, e a terra vos for sujeita, deixar-lhes-eis em possessão a terra de Galaad.
30. Mas, se não passarem armados convosco, deverão estabelecer-se no meio de vós, na terra de Canaã.”
31. Os filhos de Gad e os filhos de Rubem replicaram: “Faremos o que o Senhor disse aos teus servos.
32. Iremos armados diante do Senhor para a terra de Canaã, e nossa parte de terra será deste lado do Jordão.”
33. Então Moisés deu aos filhos de Gad, aos filhos de Rubem e à meia tribo de Manassés, filho de José, o reino de Seon, rei dos amorreus, e o de Og, rei de Basã: a terra, com suas cidades e seus distritos, e as cidades da terra circunvizinha.
34. Os filhos de Gad construíram Dibon, Atarot, Aroer,
35. Atarot-Sofã, Jazer, Jegbaa,
36. Bet-Nemra e Betarã, cidades fortes, e fizeram currais para os rebanhos.
37. Os filhos de Rubem construíram Hesebon, Eleale, Cariataim,
38. Nebo e Baalmeon, mudando-lhes os nomes, e Sabama; e deram nomes às cidades que edificaram.
39. Os filhos de Maquir, filho de Manassés, foram a Galaad e tomaram-na em possessão, depois de terem expulsado os amorreus que ali habitavam.
40. Moisés deu Galaad a Maquir, filho de Manassés, o qual se estabeleceu ali.
41. Jair, filho de Manassés, foi e ocupou suas aldeias, às quais deu o nome de aldeias de Jair.
42. Nobé marchou contra Canat, e apoderou-se dela, bem como das aldeias dependentes, dando-lhe em seguida o nome de Nobé, seu próprio nome.

 
Capítulo 33

1. Eis as etapas que fizeram os israelitas desde a sua partida do Egito em tropas organizadas sob as ordens de Moisés e Aarão.
2. Moisés, por ordem do Senhor, tomou nota de suas marchas por etapas. São as seguintes essas marchas em etapas:
3. No décimo quinto dia do primeiro mês partiram de Ramsés. Isso foi no dia seguinte à Páscoa; partiram com a mão levantada, à vista de todos os egípcios
4. que estavam enterrando aqueles que o Senhor tinha ferido dentre eles, todos os seus primogênitos. Também contra os seus deuses o Senhor tinha exercido o seu juízo.
5. Partidos de Ramsés, os israelitas se detiveram em Socot,
6. de onde partiram, indo acampar em Etão, situado na extremidade do deserto.
7. Dali, voltaram a Fi-Hairot, defronte de Beelsefon, e acamparam diante de Magdalum.
8. Deixando Fi-Hairot, passaram pelo meio do mar para o deserto. Após três dias de marcha na solidão de Etão, detiveram-se em Mara.
9. Partindo de Mara, ganharam Elim, onde havia doze fontes e setenta palmeiras; e acamparam ali.
10. Saindo de Elim, foram acampar junto do mar Vermelho,
11. de onde partiram e acamparam no deserto de Sin.
12. Tendo partido do deserto de Sin, acamparam em Dafca,
13. de onde foram para Alus.
14. Dali, partiram e acamparam em Rafidim, onde o povo não encontrou água para beber.
15. Partidos de Rafidim, acamparam no deserto do Sinai.
16. Saindo do deserto do Sinai, foram acampar em Kibrot-Hataava,
17. de onde foram acampar em Haserot.
18. De lá, acamparam em Retma.
19. De Retma foram a Remonfarés.
20. De Remonfarés a Lebna.
21. De Lebna a Ressa.
22. De Ressa a Ceelata.
23. Deixaram Ceelata e acamparam no monte Sefer.
24. Dali foram acampar em Arada.
25. De lá a Macelot.
26. Dali a Taat.
27. De Taat a Taré.
28. De Taré a Metca.
29. De Metca a Hesmona.
30a De Hesmona
36b foram acampar no deserto de Sin, isto é, em Cades.
37. Deixando Cades, acamparam no monte Hor, na extremidade da terra de Edom.
38. O sacerdote Aarão subiu por ordem do Senhor ao monte Hor, e ali morreu, no quadragésimo ano do êxodo dos israelitas do Egito, no primeiro dia do quinto mês.
39. Aarão tinha cento e vinte e três anos quando expirou no monte Hor.
40. Foi então que o rei cananeu de Arad, que habitava no Negeb, na terra de Canaã, soube da chegada dos israelitas.
41. a Deixando o monte Hor,
30b foram acampar em Moserot.
31. De Moserot a Benê-Jacã.
32. Dali a Hor-Guidgad.
33. Dali a Jotebata.
34. Dali a Abrona.
35. De lá a Asiongaber.
36. a De Asiongaber
41b acamparam em Salmona.
42. De Salmona foram acampar em Funon.
43. De Funon foram a Obot.
44. De Obot, detiveram-se em Ijé-Abarim, na fronteira de Moab.
45. Dali foram acampar em Dibon-Gad.
46. Dali a Almon-Diblataim.
47. Dali aos montes Abarim, em frente ao Nebo.
48. Partiram dos montes Abarim e foram acampar nas planícies de Moab, junto do Jordão, defronte de Jericó.
49. Seu acampamento nas planícies de Moab, perto do Jordão, ia desde Betsimot até Abel-Setim.
50. O Senhor disse a Moisés, nas planícies de Moab, junto do Jordão, defronte de Jericó:
51. “Dize aos israelitas: quando tiverdes passado o Jordão e entrado na terra de Canaã,
52. expulsareis de diante de vós todos os habitantes da terra, destruireis todas as suas pedras esculpidas, todas as suas estátuas fundidas e devastareis todos os seus lugares altos.
53. Tomareis posse da terra e habitá-la-eis, porque eu vo-la dou.
54. Reparti-la-eis entre vossas famílias por sorte: aos que forem mais numerosos, uma porção maior, e uma menor, aos que forem menos. Cada um possuirá o que lhe couber por sorte. Fareis essa repartição segundo vossas tribos patriarcais.
55. Se vós, porém, não expulsardes de diante de vós os habitantes da terra, os que ficarem serão para vós como espinhos nos olhos e aguilhões nos flancos, e vos perseguirão na terra onde habitardes.
56. E tudo o que eu tinha pensado fazer a eles, o farei a vós.”

 
Capítulo 34

1. O Senhor disse a Moisés: “Eis uma ordem para os israelitas:
2. quando entrardes na terra de Canaã, eis a terra que vos tocará como herança: a terra de Canaã, com estes limites:
3. para o lado do meio-dia, vossa fronteira começará no deserto de Sin ao longo de Edom. Essa fronteira meridional partirá, ao oriente, da extremidade do mar Salgado
4. e irá para o lado do meio-dia pela subida de Acrabim. Passará por Sin e chegará até o sul de Cades-Barne, de onde irá até Hatsar-Adar, estendendo-se para Asemon.
5. De Asemon dirigir-se-á para a torrente do Egito, e terminará no mar.
6. Vossa fronteira ocidental será o mar Grande, que fará o vosso limite ao ocidente.
7. Eis vossa fronteira setentrional: partindo do mar Grande, tereis por limite o monte Hor;
8. desde o monte Hor marcá-la-eis até a entrada de Hamat, terminando em Sedada;
9. estender-se-á em seguida para Zefron até Hatsar-Enã. Este será o vosso limite setentrional.
10. Para vossa fronteira oriental, marcareis uma linha de Hatsar-Enã a Sefão;
11. descerá de Sefão a Rebla, ao oriente de Ain; depois, continuando, atingirá a praia oriental do mar de Ceneret,
12. e enfim, descerá ao longo do Jordão, terminando no mar Salgado. Tal será a vossa terra em todo o perímetro de vossas fronteiras.”
13. Moisés ordenou aos israelitas o seguinte: “Esta será a terra que possuireis por sorte, e que o Senhor mandou que se desse às nove tribos e à meia tribo,
14. porque a tribo dos rubenitas, por suas famílias, assim como a tribo dos gaditas, por suas famílias, e a meia tribo de Manassés receberam já a sua porção.
15. Estas duas tribos e a meia tribo têm a sua herança além do Jordão, defronte de Jericó, para o levante.”
16. O Senhor disse a Moisés:
17. “Eis os nomes dos homens que dividirão a terra entre vós: o sacerdote Eleazar, e Josué, filho de Nun.
18. Tomareis, além disso, um príncipe de cada tribo para proceder à divisão.”
19. Eis os nomes desses príncipes: da tribo de Judá, Caleb, filho de Jefoné;
20. da tribo dos filhos de Simeão, Samuel, filho de Amiud;
21. da tribo de Benjamim, Elidad, filho de Caselon;
22. da tribo dos filhos de Dã, um príncipe, Boci, filho de Jogli;
23. dos filhos de José, da tribo dos filhos de Manassés, um príncipe, Haniel, filho de Efod,
24. e da tribo dos filhos de Efraim, um príncipe, Camuel, filho de Seftã;
25. da tribo dos filhos de Zabulon, um príncipe, Elisafã, filho de Farnac;
26. da tribo dos filhos de Issacar, um príncipe, Faltiel, filho de Ozã;
27. da tribo dos filhos de Aser, um príncipe, Aiud, filho de Salomi;
28. da tribo dos filhos de Neftali, um príncipe, Fedael, filho de Amiud.
29. Tais são os que o Senhor designou para repartir entre os israelitas a terra de Canaã.

 
Capítulo 35

1. O Senhor disse a Moisés nas planícies de Moab, perto do Jordão, defronte de Jericó:
2. “Ordena aos filhos de Israel que de suas possessões dêem aos levitas cidades para habitarem, bem como os subúrbios em volta das mesmas.
3. Terão as cidades para nelas habitarem, e os territórios circunvizinhos para a criação de seus gados, seus bens e seus outros animais.
4. O território circunvizinho das cidades que dareis aos levitas terá mil côvados de extensão em todos os sentidos, a partir do muro da cidade.
5. Medireis, pois, fora da cidade, dois mil côvados para o oriente, dois mil côvados para o sul, dois mil côvados para o ocidente e dois mil côvados para o norte, ficando a cidade no centro. Tais serão os territórios das cidades.
6. Quanto às cidades que dareis aos levitas, seis serão cidades de refúgio destinadas ao asilo dos homicidas, e mais quarenta e duas cidades.
7. O total das cidades que dareis aos levitas será, pois, de quarenta e oito, com as terras circunjacentes.
8. As cidades que se hão de dar das partes dos filhos de Israel, vós as tomareis em maior número dos que têm mais, em menor dos que têm menos; cada uma das tribos cederá de seus territórios aos levitas na proporção da parte que lhe tocar.”
9. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas:
10. quando tiverdes passado o Jordão e entrado na terra de Canaã,
11. escolhereis cidades de refúgio onde se possam retirar os homicidas que tiverem involuntariamente matado.
12. Elas vos servirão de asilo contra o vingador de sangue, de sorte que o homicida não seja morto antes de haver comparecido em juízo diante da assembléia.
13. Serão em número de seis as cidades que destinareis a esse fim.
14. Dareis três além do Jordão e três cidades na terra de Canaã.
15. Serão cidades de refúgio, e servirão aos israelitas, aos peregrinos e a qualquer outro que habite no meio de vós, para ali encontrar asilo quando houver matado alguém por descuido.
16. Se o homicida feriu com ferro, e o ferido morrer, é réu de homicídio, e morrerá também ele.
17. Se foi com uma pedra atirada com a mão que o feriu, capaz de causar a morte, e realmente morrer o ferido, é réu de homicídio, e morrerá também ele.
18. Se foi com um pau na mão, capaz de causar a morte, e esta venha de fato, é réu de homicídio; será punido de morte.
19. O vingador de sangue o matará; logo que o encontrar, o matará.
20. Se um homem derrubar outro por ódio, ou lhe atirar qualquer coisa premeditadamente, causando-lhe a morte,
21. ou se feri-lo com a mão por inimizade, e ele morrer, o que o feriu será punido de morte, porque é um assassino: o vingador de sangue o matará logo que o encontrar.
22. Mas se foi acidentalmente e sem ódio que o derrubou, ou lhe atirou qualquer objeto sem premeditação,
23. ou se, sem ser seu inimigo nem procurar fazer-lhe mal, atingiu-o com uma pedra por descuido, podendo com isso causar-lhe a morte, e de fato ele morrer,
24. então a assembléia julgará entre o homicida e o vingador de sangue de acordo com estas leis.
25. A assembléia livrará o homicida da mão do vingador de sangue e o reconduzirá à cidade de refúgio onde se tinha abrigado. Permanecerá ali até a morte do sumo sacerdote que foi ungido com o santo óleo.
26. Mas, se o homicida se encontra fora dos limites a cidade de refúgio, para onde se tinha retirado,
27. e for morto pelo vingador de sangue ao encontrá-lo fora, este não será culpado de homicídio,
28. porque o criminoso deveria permanecer na cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote. Somente depois que este morresse, poderia o homicida voltar para a terra onde ele tivesse a sua propriedade.
29. Isto vos servirá como prescrição de direito para vós e vossos descendentes, onde quer que habiteis.
30. “Todo homem que matar outro será morto, ouvidas as testemunhas; mas uma só testemunha não bastará para condenar um homem à morte.
31. Não aceitareis resgate pela vida de um homicida que merece a morte: deve morrer.
32. Tampouco aceitareis resgate pelo refugiado em uma cidade de refúgio, de maneira que ele volte a habitar na sua terra antes da morte do sumo sacerdote.
33. Não manchareis a terra de vossa habitação, porque o sangue mancha a terra. O sangue derramado não poderá ser expiado pela terra senão com o sangue daquele que o tiver derramado.
34. Não manchareis a terra em que ides habitar, onde também eu habito, porque eu sou o Senhor, que habito no meio dos filhos de Israel.”

 
Capítulo 36

1. Os chefes de família dos filhos de Galaad, filho de Maquir, filho de Manassés, da raça de José, apresentaram-se diante de Moisés e dos principais chefes das famílias israelitas:
2. “O Senhor, disseram eles, ordenou ao meu senhor que desse, por sorte, a terra em herança aos israelitas; e o Senhor ordenou ao meu senhor que desse às filhas de Salfaad, nosso irmão, a herança devida ao seu pai.
3. Mas se homens de outra tribo as receberem por mulheres, a sua herança será retirada do patrimônio de nossos pais e acrescentada ao da tribo na qual elas se casarem; e assim será diminuída a nossa herança.
4. Quando chegar o jubileu dos filhos de Israel, a sua herança será unida à da tribo a que pertencerem, e separada da de nossos pais.”
5. Moisés, então, respondeu aos filhos de Israel por ordem do Senhor: “Tem razão a tribo dos filhos de José.
6. Eis a ordem do Senhor para as filhas de Salfaad: casem com quem quiserem, contanto que seja com alguém de uma família da tribo paterna;
7. desse modo as possessões dos israelitas não passarão de uma tribo à outra, e cada israelita ficará na herança da tribo de seus pais.
8. Todas as mulheres que possuírem um patrimônio em uma tribo israelita, tomarão marido na tribo paterna, a fim de que cada israelita conserve o patrimônio de família.
9. Herança alguma poderá passar de uma tribo à outra: deve cada tribo israelita permanecer no que é seu.”
10. As filhas de Salfaad comportaram-se segundo a ordem do Senhor.
11. Maala, Tersa, Hegla, Melca e Noa, filhas de Salfaad, casaram-se com filhos de seus tios;
12. casaram-se, pois, em famílias saídas de Manassés, filho de José, e a possessão que lhes tocava permaneceu na tribo de seu pai.
13. Tais são as leis e as ordenações que o Senhor transmitiu aos israelitas por intermédio de Moisés nas planícies de Moab, perto do Jordão, defronte de Jericó.

 

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Deuteronômio

by on ago.13, 2009, under Deuteronômio

Deuteronômio

 Capítulo 1

1. Eis os discursos que pronunciou Moisés a todo o Israel do outro lado do Jordão, no deserto, na planície que se estende defronte de Suf, entre Farã, Tofel, Labã, Haserot e Di-Zaab.
2. Desde Horeb até Cades-Barne há uma distância de onze jornadas de marcha pelo caminho da montanha de Seir.
3. No quadragésimo ano, no primeiro dia do décimo primeiro mês, diante dos israelitas, Moisés pronunciou todos os discursos que o Senhor lhe tinha ordenado pronunciar,
4. depois de ter derrotado Seon, rei dos amorreus que habitava em Hesebon, e Og, rei de Basã, que habitava em Astarot e Edrai.
5. Do outro lado do Jordão, na terra de Moab, Moisés começou a expor a lei, dizendo:
6. O Senhor, nosso Deus, falou-nos nestes termos em Horeb: tendes-vos demorado muito tempo neste monte.
7. Voltai e parti. Tomai o caminho do monte dos amorreus e das regiões vizinhas; ide às planícies, às montanhas, aos vales, ao Negeb, às costas do mar, à terra dos cananeus, ao Líbano e até o grande rio Eufrates.
8. Eis que eu vos entrego esta terra. Ide e possuí a terra que jurei dar a vossos pais Abraão, Isaac e Jacó, a eles e à sua posteridade.
9. Eu disse-vos nessa mesma época: eu sozinho não posso tomar conta de vós.
10. O Senhor, vosso Deus, vos multiplicou de tal modo que sois hoje tão numerosos como as estrelas do céu.
11. Que o Senhor, o Deus de vossos pais, vos multiplique mil vezes mais e vos abençoe como prometeu.
12. Como poderia eu sozinho encarregar-me de vós e levar o fardo de vossas contendas?
13. Escolhei, de cada uma de vossas tribos, homens sábios, prudentes e experimentados, que eu ponha à vossa frente.
14. Vós então me respondesses: é uma boa coisa o que nos propões.
15. Tome, pois, dentre vós, homens sábios e experimentados que pus à vossa frente como chefes de milhares de centenas, de cinqüentenas e de dezenas e como escribas em vossas tribos.
16. Nesse mesmo tempo dei esta ordem aos vossos juízes: dai audiência aos vossos irmãos e julgai com eqüidade as questões de cada um deles com o seu irmão ou com o estrangeiro que mora com ele.
17. Não fareis distinção de pessoas em vossos julgamentos. Ouvireis o pequeno como o grande, sem temor de ninguém, porque o juízo é de Deus. Se uma questão vos parecer muito complicada, trá-la-eis diante de mim para que eu a ouça.
18. É assim que, naquele tempo, vos ordenei tudo o que devíeis fazer.
19. Depois partimos de Horeb para atravessar esse vasto e terrível deserto que vistes, do monte dos amorreus, como nos havia ordenado o Senhor, nosso Deus. E chegamos a Cades-Barne.
20. Eu disse-vos então: Eis-vos chegados ao monte dos amorreus que o Senhor, nosso Deus, nos dá.
21. Vê: o Senhor, teu Deus, entrega-te a terra. Subi e possuí-a, como o prometeu o Deus de teus pais. Não tenhas medo; não te assustes.
22. Vós vos aproximasses de mim e dissesses: enviemos homens adiante de nós, que explorem a terra e nos ensinem por que caminho devemos subir, e para que cidades devemos ir.
23. Vosso parecer agradou-me, e escolhi dentre vós doze homens, um de cada tribo.
24. Eles partiram, subiram as montanhas e chegaram ao vale de Escol, explorando a terra.
25. Tomaram consigo frutos da terra e no-los trouxeram dizendo: a terra que nos dá o Senhor, nosso Deus, é boa.
26. Mas não quisesses subir a ela, e fostes rebeldes ao mandamento do Senhor, nosso Deus.
27. E murmurasses em vossas tendas, dizendo: o Senhor tem-nos ódio, e por isso nos tirou da terra do Egito para entregar-nos ao extermínio pelas mãos dos amorreus.
28. Para onde iremos? Nossos irmãos fizeram-nos perder a coragem quando nos disseram ter visto um povo maior e de estatura mais alta que a nossa, e cidades grandes e fortificadas, cujos muros se elevavam até o céu, e até mesmo filhos de Enacim.
29. Eu vos respondi: não vos assusteis; não tenhais medo deles.
30. o Senhor, vosso Deus, que marcha diante de vós, combaterá ele mesmo em vosso lugar, como sempre o fez sob os vossos olhos, no Egito
31. e no deserto. No deserto, tu mesmo viste como o Senhor, teu Deus, te levou por todo caminho por onde andaste, como um homem costuma levar seu filho, até que chegásseis a esse lugar.
32. E apesar disso não tivesses confiança no Senhor, vosso Deus,
33. o qual, procurando-vos um lugar onde acampar, marchava adiante de vós no caminho, de noite no fogo, para vos mostrar o caminho, e de dia na nuvem.
34. O Senhor, tendo ouvido o som de vossas palavras, encolerizou-se e fez este juramento:
35. nenhum dos homens desta geração perversa verá a boa terra que eu, com juramento, prometi dar a vossos pais,
36. exceto Caleb, filho de Jefoné. Este vê-la-á, e eu darei a ele e a seus filhos o solo que ele pisou, porque cumpriu a vontade do Senhor.
37. Até contra mim se irritou o Senhor por causa de vós: tu tampouco, disse-me ele, entrarás nessa terra!
38. É Josué, filho de Nun, que ali entrará. Anima-o, pois é ele que introduzirá Israel na possessão da terra.
39. Vossos filhinhos, dos quais dissesses que seriam a presa do deserto, e vossos filhos, que hoje ainda não sabem distinguir o bem do mal, estes entrarão; a eles darei a terra e a possuirão.
40. Quanto a vós, voltai para trás e parti para o deserto na direção do mar Vermelho.
41. Vós respondestes-me: pecamos contra o Senhor. Vamos combater, como o Senhor, nosso Deus, nos ordenou. E quando cada um de vós, tomando as suas armas, vos dispusesses inconsideradamente a marchar sobre o monte,
42. o Senhor disse-me: dize-lhes: não subais, não entreis em combate algum, porque não estou no meio de vós. Se o fizerdes, sereis vencidos por vossos inimigos.
43. Em vão vos referi todas essas palavras: não me ouvisses e tivesses a presunção de subir o monte, a despeito das ordens do Senhor.
44. Então os amorreus que habitavam nessa montanha saíram contra vós, perseguiram-vos como abelhas e retalharam-vos desde Seir até Horma.
45. Voltando, chorasses diante do Senhor, mas o Senhor não ouviu os vossos clamores, nem vos inclinou os seus ouvidos.
46. Por isso é que ficastes tanto tempo em Cades, como o sabeis.

 
Capítulo 2

1. Partindo dali, fomos para o deserto na direção do mar Vermelho, segundo a ordem do Senhor, e andamos muito tempo em torno do monte Seir.
2. O Senhor então me disse:
3. basta de girar em volta deste monte; dirigi-vos para o norte.
4. Ordena ao povo: atravessareis o território de vossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir. Eles têm medo de vós;
5. mas guardai-vos de entrar em luta contra eles, porque não vos darei nada de sua terra, nem mesmo a medida de um pé; é a Esaú que dei a propriedade das montanhas de Seir.
6. Comprar-lhes-eis a preço de dinheiro o necessário para alimentar-vos, e pagareis mesmo a água que beberdes,
7. porque o Senhor teu Deu s te abençoou em todas as tuas empresas, e velou sobre ti durante a tua marcha através desse vasto deserto. Eis já quarenta anos que o Senhor teu Deus está contigo, e nada te faltou.
8. Passamos, pois, ao longe de nossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir, evitando o caminho da planície, assim como Elat e Asiongaber. Voltamos e tomamos o caminho na direção do deserto de Moab.
9. Então o Senhor me disse: não ataques os moabitas e não entres em guerra contra eles, porque não te darei nada de sua terra; foi aos filhos de Lot que dei Ar como herança.
10. ( Outrora habitavam os e mim nessa terra. Era uni povo grande, numeroso e de alta estatura, como os enacim.
11. Também eles eram considerados refaim, corno os enacim; irias os moabitas chamavam-nos emim.
12. Em Seir habitavam também os horreus, os quais foram expulsos pelos filhos de Esaú. Estes, após os haverem exterminado, estabeleceram-se em seu lugar, como o fez Israel na terra que o Senhor lhe deu em possessão.)
13. Vamos, pois! Passai a torrente de Zered. Passamos então a torrente de Zered.
14. Durou trinta e oito anos essa nossa viagem de Cades-Barne até a passagem da torrente de Zered. Entretanto, extinguiu-se do acampamento toda a geração dos homens de guerra, assim como o Senhor o tinha jurado.
15. A mão do Senhor pesou sobre eles, e foram cortados do acampamento até a sua completa extinção.
16. Depois que todos esses homens de guerra desapareceram do meio de seu povo, levados pela morte,
17. o Senhor disse-me:
18. passarás hoje a fronteira de Moab, Ar,
19. e encontrar-te-ás em face dos amonitas. Não os ataques, nem lhes faças guerra, porque não te darei nada da sua terra; foi aos filhos de Lot que dei a possessão dessa terra.
20. (Também esta foi reputada terra dos refaim, chamados pelos amonitas de zanzomim,
21. povo grande, numeroso e de alta estatura como os enacim. Mas o Senhor exterminou-os diante dos amonitas, que os despojaram e habitaram em lugar deles.
22. Foi o que o Senhor tinha feito pelos filhos de Esaú, que habitam em Seir, destruindo os horreus diante deles. Despojaram-nos e estabeleceram-se em seu lugar, onde estão ainda hoje.
23. Da mesma sorte os heveus, que habitavam nas aldeias até Gaza, foram esmagados pelos caftorim, originários de Caftor, que se estabeleceram em seu lugar.)
24. Vamos! Desarmai as tendas e passai a torrente do Arnon. Vê: entrego-te nas mãos Seon, rei de Hesebon, o amorreu, com a sua terra. Começa a despojá-lo e faze-lhe guerra.
25. A partir de hoje começarei a derramar o temor e o terror de teu nome entre os povos que habitam debaixo de todos os céus, de sorte que só ao ouvir o teu nome eles tremerão e estarão em pânico por causa de ti.
26. Então enviei do deserto de Cademot mensageiros a Seon, rei de Hesebon, com palavras de paz, dizendo:
27. Deixa-me atravessar a tua terra; seguirei pela estrada comum, e não me desviarei nem para a direita nem para a esquerda.
28. Vender-me-ás por dinheiro o necessário para alimentar-me, e pagar-te-ei mesmo a água que eu beber. Deixa-me somente passar,
29. – como fizeram os filhos de Esaú que habitam em Seir, e os moabitas que habitam em Ar -, até que eu chegue ao Jordão e entre na terra que o Senhor nosso Deus nos dá.
30. Mas Seon, rei de Hesebon, não consentiu que passássemos por sua terra; o Senhor, teu Deus, obcecara-lhe o espírito e endurecera-lhe o coração, a fim de entregá-lo em tuas mãos, como de fato aconteceu.
31. O Senhor disse-me então: vê: estou pronto a entregar-te imediatamente Seon com a sua terra. Empreende a conquista e ocupa-lhe o território.
32. Seon saiu com todo o seu povo ao nosso encontro para pelejar contra nós em Jasa.
33. Mas o Senhor, nosso Deus, no-lo entregou e nós derrotamo-lo com os seus filhos e todo o seu povo.
34. Tomamos-lhe então todas as suas cidades, que votamos ao interdito, com os homens, as mulheres e as crianças, sem deixar escapar ninguém.
35. Só nos reservamos os animais e o espólio das cidades conquistadas.
36. Desde Aroer, que está à margem da torrente do Arnon, e a cidade situada no vale, até Galaad, não houve lugar tão forte que nos pudesse resistir; o Senhor, nosso Deus, tudo nos entregou.
37. Somente não vos aproximastes da terra dos amonitas, nem de lugar algum situado às margens da torrente do Jaboc, nem das cidades da montanha, nem de nenhum dos lugares proibidos pelo Senhor, nosso Deus.

 
Capítulo 3

1. Voltamo-nos, em seguida, para os lados de Basan, e Og, seu rei, saiu ao nosso encontro com todo o seu povo para nos combater em Edrai.
2. O Senhor disse-me: nada temas, porque eu o entreguei em tuas mãos, com todo o seu povo e sua terra: far-lhe-ás o mesmo que fizeste a Seon, rei dos amorreus, que habita em Hesebon.
3. O Senhor, nosso Deus, entregou-nos também Og, rei de Basã, com todo o seu povo, e nós o derrotamos de tal sorte que nem um só dos seus escapou.
4. Tomamos então todas as suas cidades (não houve uma sequer que não caísse em nossas mãos), em número de sessenta, toda a região de Araob, o reino de Og, em Basã.
5. Todas essas cidades eram fortificadas, com altas muralhas, portas e ferrolhos, sem contar as numerosas cidades abertas.
6. Votamo-las ao interdito, como o tínhamos feito a Seon, rei de Hesebon, com os homens, as mulheres e as crianças.
7. Mas reservamo-nos os animais e o espólio das cidades.
8. Foi assim que tomamos naquele tempo, aos dois reis dos amorreus, o território que estava além do Jordão, desde a torrente do Arnon até a montanha do Hermon
9. (os sidônios dão a Hermon o nome de Sarion, e os amorreus o de Sanir);
10. todas as cidades da planície, todo o Galaad e todo o Basã, até Selca e Edrai, cidades do reino de Og, em Basã.
11. porque Og, rei de Basã, era o único que restava da raça dos refaim. Vê-se ainda o seu sarcófago, um sarcófago de basalto, em Rabat, cidade dos amonitas. Tem nove côvados de comprimento e quatro de largura, em côvados ordinários.
12. Tomamos então posse dessa terra. Dei aos rubenitas e aos gaditas o território desde Aroer, que está no vale do Arnon, assim como a metade da montanha de Galaad, com suas cidades.
13. Dei à meia tribo de Manassés o resto de Galaad e todo o Basã, reino de Og: toda a região de Argob, com todo o Basã; e o que se chama a terra dos refaim.
14. A Jair, filho de Manassés, coube toda a região de Argob até a fronteira dos gessureus e dos macateus, e ele deu o seu nome às aldeias de Basã, chamadas ainda hoje aldeias de Jair.
15. A Maquir, dei Galaad.
16. Dei aos rubenitas e aos gaditas a terra que se estende desde Galaad até a torrente do Arnon, servindo de limite o meio do vale, e depois até a torrente de Jaboc, fronteira dos amonitas;
17. e enfim a planície do Jordão, desde Ceneret até o mar da planície, o mar Salgado, ao pé das encostas do Fasga, para o oriente.
18. Naquele tempo, dei-vos esta ordem: o Senhor, vosso Deus, deu-vos esta terra em herança. Vós, pois, homens valentes, tomareis vossas armas e marchareis à frente de vossos irmãos, os israelitas.
19. Somente vossas mulheres, com vossos filhos e vossos animais (sei que tendes muitos animais) ficarão nas cidades que vos dei,
20. até que o Senhor tenha assegurado o descanso de vossos irmãos, como o vosso, e tenham por sua vez tomado posse da terra que o Senhor, vosso Deus, lhes dá do outro lado do Jordão. Então cada um voltará à possessão que lhe dei.
21. Ao mesmo tempo dei a Josué a ordem seguinte: Viste com os teus olhos tudo o que o Senhor, vosso Deus, fez a esses dois reis: desse modo tratará o Senhor todos os reinos que atravessares.
22. Não os temas, porque é o Senhor, vosso Deus, quem combaterá por vós.
23. Entrementes, roguei ao Senhor, dizendo:
24. Senhor Javé, começastes a mostrar ao vosso servo vossa grandeza e o poder de vossa mão. Qual é, nos céus ou na terra, o deus que pode igualar-se a vós em obras e grandes feitos?
25. Ah, se eu pudesse, também eu, passar e ver essa boa terra além do Jordão, essa bela montanha, e o Líbano!
26. Mas o Senhor irou-se contra mim por causa de vós, e não me ouviu, mas disse-me: Basta! Não me fales mais em tal coisa!
27. Sobe ao cimo do Fasga, lança teus olhos para o ocidente e para o norte, para o meio-dia e para o oriente, e contempla com os teus olhos a região; mas tu não passarás o Jordão.
28. Dá as tuas ordens a Josué, anima-o, conforta-o, porque é ele quem irá à frente desse povo e lhe dará a possessão da terra que vais ver.
29. E ficamos no vale, defronte de Bet-Fogor.

 
Capítulo 4

1. E agora, ó Israel, ouve as leis e os preceitos que hoje vou ensinar-vos. Ponde-os em prática para que vivais e entreis na posse da terra que o Senhor, Deus de vossos pais, vos dá.
2. Não ajuntareis nada a tudo o que vos prescrevo, nem tirareis nada daí, mas guardareis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, exatamente como vos prescrevi.
3. Os vossos olhos viram o que o Senhor fez a Baal-Fogor, como exterminou todos aqueles dentre vós que tinham seguido o Baal de Fogor.
4. Mas vós, que estais unidos ao Senhor, vosso Deus, estais hoje todos vivos.
5. Vede: ensinei-vos leis e ordenações, conforme o Senhor, meu Deus, me ordenou, a fim de as praticardes na terra que ides possuir.
6. Observai-as, praticai-as, porque isto vos tornará sábios e inteligentes aos olhos dos povos, que, ouvindo todas essas prescrições, dirão: eis uma grande nação, um povo sábio e inteligente. _
7. Haverá, com efeito, nação tão grande, cujos deuses estejam tão próximos de si como está de nós o Senhor, nosso Deus, cada vez que o invocamos?
8. Qual é a grande nação que tem mandamentos e preceitos tão justos como esta lei que vos apresento hoje?
9. Guarda-te, pois, a ti mesmo: cuida de nunca esquecer o que viste com os teus olhos, e toma cuidado para que isso não saia jamais de teu coração, enquanto viveres; e ensina-o aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos.
10. Lembra-te do dia em que te apresentaste diante do Senhor teu Deus em Horeb, quando o Senhor me falou, dizendo: ajunta-me o povo, para que ouçam as minhas palavras, e aprendam a temer-me ao longo de toda a sua vida, e o ensinem aos seus filhos.
11. Aproximastes-vos então e estivestes ao pé do monte: e eis que o abrasava um fogo que subia até as profundezas do céu, onde havia trevas, nuvens e escuridão.
12. Do meio do fogo o Senhor falou. Ouvistes o som de suas palavras, mas não víeis no entanto nenhuma forma, somente uma voz.
13. Ele deu-vos a conhecer a sua aliança, e ordenou-vos que a observásseis: as dez palavras que escreveu nas duas tábuas de pedra.
14. Ordenou-me o Senhor naquele mesmo tempo que vos ensinasse as leis e os preceitos que deveríeis observar na terra que ides possuir.
15. Tende cuidado com a vossa vida. No dia em que o Senhor, vosso Deus, vos falou do seio do fogo em Horeb, não vistes figura alguma.
16. Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher,
17. representação de algum animal que vive na terra ou de um pássaro que voa nos céus,
18. ou de um réptil que se arrasta sobre a terra, ou de um peixe que vive nas águas, debaixo da terra.
19. Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas, e todo o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os povos que vivem debaixo do céu.
20. Quanto a vós, o Senhor vos escolheu e vos retirou da fornalha de ferro que era o Egito, para serdes o seu povo, o povo de sua herança, como o sois presentemente.
21. O Senhor irritou-se contra mim por causa de vós, e jurou que eu não passaria o Jordão, nem entraria na boa terra que ele, o Senhor, vosso Deus, vos dá como herança.
22. Vou morrer nesta terra, sem atravessar o Jordão; mas vós o passareis e possuireis essa boa terra.
23. Tende cuidado para não esquecer a aliança que o Senhor, vosso Deus, fez convosco, e não façais uma imagem esculpida, representando o que quer que seja, como vos proibiu o Senhor vosso Deus,
24. porque o Senhor vosso Deus é um fogo devorador, um Deus zeloso.
25. Quando tiverdes filhos e netos, e, depois de vos terdes envelhecido nessa terra, vos corromperdes e fabricardes alguma imagem esculpida do que quer que seja, fazendo o que é mau aos olhos de vosso Deus e provocando assim a sua ira
26. _ tomo hoje como testemunha contra vós os céus e a terra _, certamente não tardareis a desaparecer da terra cuja possessão ides tomar agora, depois de atravessado o Jordão. Não prolongareis nela os vossos dias, mas sereis exterminados.
27. O Senhor vos espalhará entre todos os povos, e restareis poucos entre as nações, aonde vos conduzir o Senhor.
28. Lá, adorareis deuses feitos pela mão do homem, deuses de madeira e de pedra, que não podem ver, nem ouvir, nem comer, nem sentir.
29. Então procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração e de toda a tua alma.
30. Quando todos esses males tiverem caído sobre ti, mais tarde, em tal tribulação voltar-te-ás para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua voz,
31. porque o Senhor é um Deus misericordioso, e ele não te quer abandonar nem te extinguir, e não se esquecerá da aliança que jurou aos teus pais.
32. Escruta os tempos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem na terra. Pergunta se houve jamais, de uma extremidade dos céus à outra, uma coisa tão extraordinária como esta, e se jamais se ouviu coisa semelhante.
33. Houve, porventura, um povo que, como tu, tenha ouvido a voz de Deus falando do seio do fogo, sem perder a vida?
34. Algum deus tentou jamais escolher para si uma nação do meio de outra, por meio de provas e de sinais, de prodígios e de guerras, com mão poderosa e braço estendido, e de prodígios espantosos, como o Senhor, vosso Deus, fez por vós no Egito diante de vossos olhos?
35. Tu foste testemunha de tudo isso para que reconheças que o Senhor é Deus, e que não há outro fora dele.
36. Fez-te ouvir a sua voz do céu para a tua instrução, e na terra mostrou-te o seu grande fogo, e o ouviste falar do meio das chamas.
37. Porque amou teus pais, e elegeu a sua posteridade depois deles, tirou-te do Egito com a força de seu poder,
38. despojando em teu favor povos mais numerosos e mais robustos do que tu, para introduzir-te em suas terras e dá-las a ti em herança, como estás vendo hoje.
39. Sabe, pois, agora, e grava em teu coração que o Senhor é Deus, e que não há outro em cima no céu, nem embaixo na terra.
40. Observa suas leis e suas prescrições que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e prolongues teus dias para sempre na terra que te dá o Senhor, teu Deus.
41. Então Moisés separou três cidades além do Jordão, a oriente,
42. para que se refugiasse nelas o homicida que tivesse matado alguém por imprudência, sem ódio premeditado, e pudesse assim conservar a sua vida refugiando-se ali.
43. Estas são as cidades: Bosor, no deserto, na terra do planalto, para os rubenitas; Ramot, em Galaad, para os gaditas, e Golã, em Basã, para os manassitas.
44. Eis a lei que Moisés apresentou aos israelitas:
45. estes são os mandamentos, as leis e os preceitos que Moisés propôs aos israelitas depois de sua partida do Egito,
46. do outro lado do Jordão, no vale situado em frente de Bet-Fogor, na terra de Seon, rei dos amorreus, que habitava em Hesebon. Moisés e os israelitas os tinham vencido depois de sua saída do Egito,
47. e tinham conquistado a sua terra, assim como a de Og, rei de Basã (os dois reis dos amorreus que ocupavam a região além do Jordão),
48. desde Aroer, situada sobre a margem da torrente do Arnon, até a montanha de Sirion, também chamada Hermon,
49. e toda a planície que se estende além do Jordão, ao oriente, até o mar da planície, ao pé do Fasga.

 
Capítulo 5

1. Moisés convocou todo o Israel e disse-lhe: Ouve, ó Israel, as leis e os preceitos que hoje proclamo aos teus ouvidos: aprende-os e pratica-os cuidadosamente.
2. O Senhor, nosso Deus, fez um pacto conosco em Horeb.
3. Não foi com os nossos pais que o Senhor fez essa aliança, mas conosco, que estamos hoje aqui ainda vivos.
4. Falou-nos o Senhor face a face no monte, do seio do fogo.
5. Durante aquele tempo, eu estava entre o Senhor e vós para transmitir-vos suas palavras, porque, aterrados pelo fogo, vós não subistes o monte. Ele disse:
6. eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei do Egito, da casa da servidão.
7. Não terás outro deus diante de mim.
8. Não farás para ti imagem de escultura representando o que quer que seja do que está em cima no céu, ou embaixo na terra, ou nas águas debaixo da terra.
9. Não te prostrarás diante delas para render-lhes culto, porque eu, o Senhor, teu Deus, sou um Deus zeloso, que castigo a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e a quarta geração daqueles que me odeiam,
10. mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
11. Não pronunciarás em vão o nome do Senhor, teu Deus; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tiver pronunciado em vão o seu nome.
12. Guardarás o dia do sábado e o santificarás, como te ordenou o Senhor, teu Deus.
13. Trabalharás seis dias e neles farás todas as tuas obras;
14. mas no sétimo dia, que é o repouso do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu boi, nem teu jumento, nem teus animais, nem o estrangeiro que vive dentro de teus muros, para que o teu escravo e a tua serva descansem como tu.
15. Lembra-te de que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu Senhor te tirou. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou observasses o dia do sábado.
16. Honra teu pai e tua mãe, como te mandou o Senhor, para que se prolonguem teus dias e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus.
17. Não matarás.
18. Não cometerás adultério.
19. Não furtarás.
20. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
21. Não cobiçarás a mulher de teu próximo. Não cobiçarás sua casa, nem seu campo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.
22. Tais são as palavras que no monte, do meio do fogo, da nuvem e das trevas, o Senhor dirigiu com voz forte a toda a vossa assembléia, sem juntar mais nada. E escreveu-as em duas tábuas de pedra, que me entregou.
23. Ora, depois que ouvistes a voz que saía do meio das trevas e vistes o monte ardendo em fogo, viestes ter comigo com vossos chefes de tribos e vossos anciãos para dizer-me:
24. eis que o Senhor, nosso Deus, nos mostrou a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a sua voz do seio do fogo. Hoje vimos que Deus pode falar ao homem sem que este morra.
25. Por que, entretanto, nos exporemos à morte? Esse grande fogo nos devorará. Se continuarmos a ouvir a voz do Senhor, nosso Deus, morreremos.
26. Qual é o mortal que pode ouvir como nós a voz do Deus vivo, que fala do meio do fogo, e permanecer ainda vivo?
27. Quanto a ti, aproxima-te para ouvir o que dirá o Senhor, nosso Deus; dir-nos-ás depois tudo o que ele te disser. E nós, ouvindo-o, obedeceremos.
28. Ouvindo vossas palavras quando me faláveis, o Senhor disse-me: ouvi as palavras que esse povo te disse: está bem tudo o que disseram.
29. Ah, se tivessem sempre esse mesmo coração, para me temer e guardar meus mandamentos! Seriam então felizes para sempre, eles e seus filhos.
30. Vai e dize-lhes que voltem para as suas tendas.
31. Tu, porém, fica aqui comigo: vou expor-te todas as ordenações, as leis e os preceitos, que lhes ensinarás, para que as observem na terra que lhes dou em possessão.
32. Observai, pois, todas as ordens do Senhor, vosso Deus; não vos aparteis delas nem para a direita nem para a esquerda.
33. Seguireis exatamente o caminho que o Senhor, vosso Deus, vos traçou, a fim de que vivais e sejais felizes, e vossos dias se prolonguem na terra que ides possuir.

 
Capítulo 6

1. Eis as ordenações, as leis e os preceitos que o Senhor, vosso Deus, me ordenou ensinar-vos, a fim de que os pratiqueis na terra aonde ides entrar para tomar posse dela.
2. Assim, temerás o Senhor, teu Deus, observando todos os dias de tua vida, tu, teu filho e o filho de teu filho, todas as leis e os mandamentos que te prescrevo, e teus dias serão prolongados.
3. Tu os ouvirás, pois, ó Israel, e cuidarás de cumpri-los, para que sejas feliz e te multipliques copiosamente na terra que mana leite e mel, como te prometeu o Senhor, o Deus de teus pais.
4. Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
5. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.
6. Os mandamentos que hoje te dou serão gravados no teu coração.
7. Tu os inculcarás a teus filhos, e deles falarás, seja sentado em tua casa, seja andando pelo caminho, ao te deitares e ao te levantares.
8. Atá-los-ás à tua mão como sinal, e os levarás como uma faixa frontal diante dos teus olhos.
9. Tu os escreverás nos umbrais e nas portas de tua casa.
10. Quando o Senhor, teu Deus, te tiver introduzido na terra que a teus pais Abraão, Isaac e Jacó, jurou te dar; grandes e excelentes cidades que não construíste,
11. casas mobiliadas e cheias de toda a sorte de coisas, que não ajuntaste, poços que não cavaste, vinhas e olivais que não plantaste, e quando comeres à saciedade,
12. então, guarda-te de esquecer o Senhor que te tirou do Egito, da casa da servidão.
13. Temerás o Senhor, teu Deus, prestar-lhe-ás o teu culto e só jurarás pelo seu nome.
14. Não seguireis outros deuses entre os das nações que vos cercam,
15. porque o Senhor, teu Deus, que mora no meio de ti, é um Deus zeloso; sua cólera se inflamaria contra ti e te apagaria de sobre a terra.
16. Não provocareis o Senhor, vosso Deus, como o tentastes em Massa.
17. Observareis suas ordenações, seus preceitos e suas leis.
18. Farás o que é bom e reto diante dos seus olhos, para que sejas feliz e possuas a terra que o Senhor jurou a teus pais dar-te,
19. quando expulsasse de diante de ti todos os teus inimigos como o disse o Senhor.
20. quando teu filho te perguntar mais tarde: Que são estes mandamentos, estas leis e estes preceitos que o Senhor, nosso Deus, nos prescreveu? Tu lhe responderás:
21. éramos escravos do faraó, no Egito, e a mão poderosa do Senhor libertou-nos.
22. À nossa vista operou o Senhor prodígios, e grandes e espantosos sinais contra o Egito, contra o faraó e toda a sua família.
23. Tirou-nos de lá para conduzir-nos à terra que, com juramento, havia prometido a nossos pais dar-nos.
24. O Senhor ordenou-nos que observássemos todas essas leis e temêssemos o Senhor, nosso Deus, para sermos sempre felizes e para que nos conservasse a vida, como o fez até o presente.
25. Seremos, pois, tidos por justos, se tivermos o cuidado de nos conformar a toda essa lei diante do Senhor, nosso Deus, como ele nos mandou.

 
Capítulo 7

1. Quando o Senhor, teu Deus, te tiver introduzido na terra que vais possuir, e tiver despojado em teu favor muitas nações, os heteus, os gergeseus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus, sete nações maiores e mais poderosas do que tu;
2. quando o Senhor, teu Deus, as tiver entregado e tu as tiveres vencido, então as votarás ao interdito; não farás pacto algum com elas, nem as tratarás com misericórdia.
3. Não contrairás com elas matrimônios: não darás tua filha a seus filhos, e não tomarás de suas filhas para teu filho,
4. pois elas afastariam do Senhor o teu filho, que serviria a outros deuses; a cólera do Senhor se inflamaria contra ele e não tardaria a exterminar-vos.
5. Mas eis como procedereis a seu respeito: destruireis seus altares, quebrareis suas estelas, cortareis suas asserás de madeira e queimareis suas imagens de escultura,
6. porque és um povo consagrado ao Senhor, teu Deus, o qual te escolheu para seres o seu povo, sua propriedade exclusiva, entre todas as outras nações da terra.
7. Não é porque sois mais numerosos que todos os outros povos que o Senhor se uniu a vós e vos escolheu; ao contrário, sois o menor de todos.
8. Mas o Senhor ama-vos e quer guardar o juramento que fez a vossos pais. Por isso a sua mão poderosa tirou-vos da casa da servidão, e livrou-vos do poder do faraó, rei do Egito.
9. Reconhece, pois, que o Senhor, teu Deus, é verdadeiramente Deus, um Deus fiel, que guarda a sua aliança e a sua misericórdia até a milésima geração para com aqueles que o amam e observam os seus mandamentos,
10. mas castiga diretamente aqueles que o odeiam, exterminando-os, e infligindo sem demora o castigo direto àquele que o odeia.
11. Observai, pois, as ordenações, as leis e os preceitos que vos prescrevo hoje, e praticai-os.
12. Se ouvirdes esses preceitos e os praticardes fielmente, o Senhor, teu Deus, guardará para contigo a aliança de misericórdia que jurou a teus pais,
13. amando-te, abençoando-te e multiplicando-te: abençoará o fruto de teu ventre e o fruto do teu solo, teu trigo, teu vinho e teu óleo, as crias de tuas vacas e de tuas ovelhas, na terra que jurou a teus pais dar-te.
14. Serás bendito mais que todos os povos. Não haverá no meio de ti quem seja estéril, macho ou fêmea, tanto entre os homens como entre os animais.
15. O Senhor apartará de ti toda a enfermidade; e não permitirá que te toque nenhuma daquelas funestas epidemias do Egito, que conheceste, mas ferirá com elas todos os que te odeiam.
16. Devorarás todos os povos que o Senhor, teu Deus, te entregar; os teus olhos não terão piedade deles. Não servirás os seus deuses, porque isso te seria um laço.
17. Se disseres no teu coração: estes povos são mais numerosos do que eu; como poderia eu despojá-los?
18. Não os temas; lembra-te do que fez o Senhor, teu Deus, ao faraó e a todos os egípcios,
19. das grandes provas que os teus olhos viram, dos sinais e dos prodígios que o Senhor fez quando te tirou do Egito com sua mão forte e seu braço poderoso. O mesmo fará ele a todos os povos que temes.
20. O Senhor, teu Deus, enviará mesmo vespas contra eles, até destruir e exterminar todos os que tiverem escapado e se houverem ocultado de tua presença.
21. Não te assustes por causa deles, porque tens o Senhor, teu Deus, no meio de ti, um Deus grande e temível.
22. Ele expulsará pouco a pouco essas nações diante de ti; tu não as destruirás de uma só vez, para que não se multipliquem as feras ao redor de ti.
23. O Senhor, teu Deus, as entregará a ti e semeará o pânico no meio delas até que todas sejam exterminadas.
24. Entregará os seus reis nas tuas mãos, e tu apagarás os seus nomes de debaixo dos céus. Ninguém te poderá resistir, até que os tenhas derrotado.
25. Queimareis as imagens esculpidas de seus deuses, mas não cobiçareis a prata nem o ouro de que são revestidas, nem delas tomareis nada, para que isso não te seja um laço, pois são uma abominação para o Senhor.
26. Não introduzirás em tua casa coisa alguma abominável, porque serias, como ela, votado ao interdito. Tê-la-ás em extremo horror e grande abominação, porque é votada ao interdito.

 
Capítulo 8

1. Tereis muito cuidado em praticar tudo o que hoje vos prescrevo, para que possais viver e multiplicar-vos, e entrar na possessão da terra que o Senhor jurou dar a vossos pais.
2. Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor te conduziu durante esses quarenta anos no deserto, para humilhar-te e provar-te, e para conhecer os sentimentos de teu coração, e saber se observarias ou não os seus mandamentos.
3. Humilhou-te com a fome; deu-te por sustento o maná, que não conhecias nem tinham conhecido os teus pais, para ensinar-te que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor.
4. Tuas vestes não se gastaram sobre ti, e teu pai, não se magoou durante estes quarenta anos.
5. Reconhece, pois, em teu coração, que assim como um homem corrige seu filho, assim te corrige o Senhor, teu Deus.
6. Guardar s os mandamentos do Senhor, teu Deus, andando em seus caminhos e temendo-o.
7. Porque o Senhor, teu Deus, vai conduzir-te a uma terra excelente, cheia de torrentes, de fontes e de águas profundas que brotam nos vales e nos montes;
8. uma terra de trigo e de cevada, de vinhas, de figueiras, de romãzeiras, uma terra de óleo de oliva e de mel,
9. uma terra onde não será racionado o pão que comeres, e onde nada faltará; terra cujas pedras são de ferro e de cujas montanhas extrairás o bronze.
10. Comer à saciedade, e bendirás o Senhor, teu Deus, pela boa terra que te deu.
11. Guarda-te de esquecer o Senhor, teu Deus, negligenciando a observância de suas ordens, seus preceitos e suas leis que hoje te prescrevo.
12. Não suceda que, depois de teres comido à saciedade, de teres construído e habitado formosas casas,
13. de teres visto multiplicar teus bois e tuas ovelhas, e aumentar a tua prata, o teu ouro e o teu bem,
14. o teu coração se eleve, e te esqueças do Senhor, teu Deus, que te tirou do Egito, da casa da servidão.
15. Foi ele o teu guia neste vasto e terrível deserto, cheio de serpentes ardentes e escorpiões, terra árida e sem água, onde fez jorrar para ti água do rochedo duríssimo;
16. foi ele quem te alimentou no deserto com um maná desconhecido de teus pais, para humilhar-te e provar-te, a fim de te fazer o bem depois disso.
17. Não digas no teu coração: a minha força e o vigor do meu braço adquiriram-me todos esses bens.
18. Lembra-te de que ,é o Senhor, teu Deus, quem te dá a força para adquiri-los, a fim de confirmar, como o faz hoje, a aliança que jurou a teus pais.
19. Se, esquecendo-te do Senhor, teu Deus, seguires outros deuses, rendendo-lhes culto e prostrando-te diante deles, desde hoje vos declaro que perecereis com toda a certeza.
20. Como as nações que o Senhor exterminou diante de vós, assim também perecereis vós, se não ouvirdes a voz do Senhor, vosso Deus.

 
Capítulo 9

1. Ouve, Israel: hoje passarás o Jordão para despojar nações maiores e ais fortes do que tu, cidades importantes cujas muralhas sobem até os céus,
2. um povo forte e de alta estatura, descendente dos enacim, que conheces e dos quais ouviste dizer: quem poderá enfrentar os filhos de Enac?
3. Sabe, pois, hoje, que o Senhor, teu Deus, marcha diante de ti como um fogo devorador. É ele quem os destruirá e os esmagará diante de ti, de tal forma que tu os despojarás e os aniquilarás prontamente, como o Senhor te prometeu.
4. Depois que o Senhor, teu Deus, os tiver expulsado de diante de ti, não digas no teu coração: por causa de minha justiça é que o Senhor me introduziu na posse dessa terra. Porque é por causa da perversidade dessas nações que o Senhor as despoja diante de ti.
5. Não é pela tua justiça nem pela retidão do teu coração que entrarás na posse de suas terras, mas é por causa da perversidade dessas nações que o Senhor as despoja diante de ti. E é também porque o Senhor, teu Deus, quer cumprir a palavra que deu com, juramento a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó.
6. Sabe, pois, que não é pela tua justiça que o Senhor, teu Deus, te dá a posse dessa terra excelente, porque és um povo de cabeça dura.
7. Lembra-te, não te esqueças de que modo irritaste o Senhor, teu Deus, no deserto. Desde o dia em que saíste do Egito até que chegaste a este lugar, não cessaste de ser rebelde ao Senhor.
8. Em Horeb o provocaste de tal forma que ele, irado, quis aniquilar-te.
9. Quando eu subi ao monte para receber as tábuas de pedra, as tábuas da aliança que o Senhor fez convosco, permaneci no monte quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água.
10. E o Senhor entregou-me as duas tábuas de pedra escritas com o dedo de Deus, nas quais estavam gravadas todas as palavras que o Senhor vos tinha dirigido no monte, no meio do fogo, no dia da assembléia.
11. Passados quarenta dias e quarenta noites, o Senhor entregou-me as duas tábuas de pedra, as tábuas da aliança.
12. O Senhor disse-me: vamos: desce prontamente daqui, porque o teu povo que tiraste do Egito corrompeu-se. Depressa se desviaram do caminho que lhes mandei seguir: fabricaram para si um ídolo fundido.
13. Vejo, continuou o Senhor, que essa nação é um povo de cabeça dura.
14. Deixa que eu o aniquile e apague o seu nome de debaixo do céu. Farei de ti uma nação mais forte e mais numerosa do que esta.
15. Tendo eu descido do monte, o qual ardia em fogo, trazendo na mão as duas tábuas da aliança,
16. verifiquei que vós tínheis de fato pecado contra o Senhor, vosso Deus, fabricando-vos um bezerro de metal fundido, e desviando-vos assim tão depressa do caminho que vos tinha traçado o Senhor.
17. Arrojei então de minhas mãos as duas tábuas e quebrei-as à vossa vista.
18. Prostrei-me em seguida diante do Senhor, como antes, e estive quarenta dias e quarenta noites sem comer pão, nem beber água, por causa de todos os pecados que tínheis cometido, fazendo o que é mau aos olhos do Senhor, e provocando-o à ira.
19. Eu estava aterrado vendo o furor do Senhor contra ti, a ponto de te querer destruir. Entretanto, ainda desta vez ele me ouviu.
20. Também contra Aarão o Senhor estava de tal forma irado que queria matá-lo, mas eu intercedi também por Aarão.
21. Quanto ao objeto de vosso pecado, o bezerro que tínheis feito, tomei-o, atirei-o ao fogo e o fiz em pedaços, esmagando-o até que fosse reduzido a pó; e joguei esse pó na torrente que desce da montanha.
22. Provocastes também o Senhor em Tabeera, em Massa e em Quibrot-Hataava.
23. Quando o Senhor quis que partísseis de Cades-Barne, dizendo: subi e tomai posse da terra que vos dei, vós vos rebelasses contra a ordem do Senhor, desconfiando dele, e não ouvistes a sua voz.
24. Desde que vos conheço, fostes sempre rebeldes ao Senhor.
25. Fiquei, portanto, quarenta dias e quarenta noites prostrado diante do Senhor, porque vos queria aniquilar.
26. Orando, eu disse-lhe: Senhor Javé, não destruais vosso povo, vossa herança, que resgatasses com a vossa grandeza e tirastes do Egito com mão forte.
27. Lembrai-vos de vossos servos Abraão, Isaac e Jacó. Não olheis para a dureza desse povo, para sua maldade e seu pecado,
28. para que os habitantes da terra de onde nos tirastes não digam: o Senhor não podia introduzi-los na terra que lhes tinha prometido, ou então: ele os odiava, e por isso tirou-os, a fim de matá-los no deserto.
29. E não obstante, eles são o vosso povo, a vossa herança, que tirasses do Egito com a vossa grande força e com o vosso braço estendido.

 
Capítulo 10

1. Naquele mesmo tempo o Senhor disse-me: corta duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras, e sobe para junto de mim no monte, depois de ter fabricado uma arca de madeira.
2. Escreverei nessas tábuas as, palavras que se achavam nas primeiras que quebraste, e tu as porás na arca.
3. – Fiz, pois, uma arca de madeira de acácia, e cortei duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras; depois disso, com as duas tábuas na mão, subi ao monte.
4. O Senhor gravou nas novas pedras o que tinha escrito nas primeiras, as dez palavras que ele vos tinha dirigido no monte, do meio do fogo, no dia da assembléia. Devolveu-mas em seguida, e
5. desci da montanha para depô-las na arca que tinha feito. E elas lá estão, como o Senhor me tinha ordenado.
6. Os israelitas partiram de Beerot-Bene-Jacã para Mosera, onde morreu Aarão. Seu filho Eleazar exerceu as funções sacerdotais em seu lugar, depois que foi enterrado ali.
7. Dali, foram a Gadgad, de Gadgad a Jetebata, onde havia água e torrentes em abundância.
8. Foi nesse mesmo tempo que o Senhor designou a tribo de Levi para levar a arca da aliança do Senhor, para estar na sua presença, servi-lo e abençoar em seu nome, o que ela continua fazendo sempre.
9. Por isso Levi não teve parte nem herança com seus irmãos: porque o Senhor mesmo é o seu patrimônio, como lhe prometeu o Senhor, teu Deus.
10. Como da primeira vez, fiquei sobre o monte quarenta dias e quarenta noites, e ainda dessa vez o Senhor ouviu-me, e renunciou a destruir-te.
11. Mas disse-me: vai e marcha à frente do povo, para que entre e possua a terra que jurei a seus pais dar-lhe.
12. E agora, ó Israel, o que pede a ti o Senhor, teu Deus, senão que o temas, andando nos seus caminhos, amando-o e servindo-o de todo o teu coração e de toda a tua alma,
13. observando os mandamentos do Senhor e suas leis, que hoje te prescrevo, para que sejas feliz?
14. Vê: ao Senhor, teu Deus, pertencem os céus e os céus dos céus, a terra e tudo o que nela se encontra.
15. Não obstante, só a teus pais se apegou o Senhor com amor, e elegeu a sua posteridade, depois deles, a vós, dentre todas as nações, como o vedes presentemente.
16. Cortai, pois, o prepúcio de vosso coração, e cessai de endurecer vossa cerviz;
17. porque o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz distinção de pessoas, nem aceita presentes.
18. Ele faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, ao qual dá alimento e vestuário.
19. Também vós, amai o estrangeiro, porque fostes estrangeiros no Egito.
20. Temerás o Senhor, teu Deus, e o servirás. Estarás unido a ele, e só pelo seu nome farás os teus juramentos.
21. Ele é a tua glória e o teu Deus, que fez por ti estas grandes e terríveis coisas que viste com os teus olhos.
22. Quando os teus pais desceram ao Egito eram em número de setenta pessoas, e agora o Senhor, teu Deus, multiplicou-te como as estrelas do céu.

 
Capítulo 11

1. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, e observarás sempre o que ele te ordena, suas leis, seus preceitos e seus mandamentos.
2. Quanto a vós pois não se trata de vossos filhos, que não conheceram e não foram testemunhas oculares das lições que o Senhor nos deu , (reconhecei) a grandeza de vosso Deus, o poder de sua mão, e o vigor de seu braço,
3. os prodígios e as obras que fez no Egito contra o faraó, rei do Egito, e contra toda a sua terra;
4. o que fez ao exército egípcio, aos seus cavalos e aos seus carros, como os envolveu nas águas do mar Vermelho, quando vos perseguiam, aniquilando-os para sempre.
5. (Lembra-te) do que fez por vós no deserto até a vossa chegada a este lugar;
6. do castigo que infligiu a Datã e Abiron, filhos de Eliab, filho de Rubem, quando a terra, abrindo sua boca, engoliu-os no meio de todo o Israel, com suas famílias, suas tendas e todos os seres vivos que os seguiam.
7. Os vossos filhos viram todas as obras que o Senhor fez.
8. Observareis, pois, as ordens que hoje vos dou, para que sejais fortes e entreis na posse da terra que ides ocupar,
9. e prolongueis os vossos dias na terra que o Senhor jurou dar a vossos pais e à sua posteridade, terra que mana leite e mel.
10. Com efeito, a terra em que vais entrar para possuí-la, não é como o Egito de onde saíste, onde, depois de lançada a semente, devias regar a terra com a força de teus pés, como se rega uma horta.
11. A terra que ides ocupar é uma terra de montes e vales, que bebe as chuvas do céu.
12. É uma terra de que o Senhor, teu Deus, toma cuidado, e para a qual os seus olhos estão continuamente voltados do começo ao fim do ano.
13. Se obedecerdes aos mandamentos que hoje vos prescrevo, se amardes o Senhor, servindo-o de todo o vosso coração e de toda a vossa alma,
14. derramarei sobre a vossa terra a chuva em seu tempo, a chuva do outono e a da primavera, e recolherás o teu trigo, o teu vinho e o teu óleo;
15. darei erva aos teus campos para os teus animais, e te alimentarás até ficares saciado.
16. Tende cuidado para que o vosso coração não seja seduzido e vos desvieis do Senhor para servir deuses estranhos, rendendo-lhes culto e prostrando-vos diante deles.
17. A cólera do Senhor se inflamaria contra vós e ele fecharia os céus: a chuva cessaria de cair, e não haveria mais colheita, no vosso solo, de modo que não tardaríeis a perecer nesta boa terra que o Senhor vos dá.
18. Gravai, pois, profundamente em vosso coração e em vossa alma estas minhas palavras; prenderas às vossas mãos como um sinal, e levaras como uma faixa frontal entre os vossos olhos.
19. Ensinai-as aos vossos filhos, falando-lhes delas seja em vossa casa, seja em viagem, quando vos deitardes ou levantardes.
20. Escreve-as nas ombreiras e nas portas de tua casa,
21. para que se multipliquem os teus dias e os dias de teus filhos na terra que o Senhor jurou dar a teus pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu sobre a terra.
22. Se observardes fielmente todos os mandamentos que vos prescrevo, amando o Senhor, vosso Deus, andando em seus caminhos e apegando-vos a ele,
23. então o Senhor expulsará de diante de vós todas essas nações, e despojareis povos mais numerosos e mais fortes do que vós.
24. Todo lugar em que pisar a planta de vossos pés vos pertencerá. Vossa fronteiras irão desde o deserto até o Líbano e desde o rio Eufrates até o mar do ocidente.
25. Ninguém vos poderá resistir: o Senhor, vosso Deus, semeará o pânico e o terror de vós em todas as terras onde pisardes, como vos prometeu.
26. Vede: proponho-vos hoje bênção ou maldição.
27. Bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos prescrevo.
28. Maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos apartardes do caminho que hoje vos mostro, para seguintes deuses estranhos que não conheceis.
29. Quando o Senhor, vosso Deus, te tiver introduzido na terra que vais possuir, pronunciarás a bênção sobre o monte Garizim, e a maldição sobre o monte Ebal.
30. Essas montanhas encontram-se além do Jordão, do outro lado do caminho do ocidente, na terra dos cananeus que habitam nas planícies defronte de Gálgala, perto dos carvalhos de Moré.
31. Com efeito, vós passareis o Jordão e tomareis posse da terra que te dá o Senhor. Quando a possuirdes e nela habitardes,
32. cuidareis de praticar todos os preceitos e todas as leis que hoje vos proponho.

 
Capítulo 12

1. Estas são as leis e preceitos que devereis observar na terra que o Senhor, o Deus de vossos pais, vos deu como propriedade por todos os dias de vossa vida na terra.
2. Todos os lugares em que os povos despojados por vós tiverem dado culto aos seus deuses, nos altos montes e colinas, ou debaixo de qualquer árvore frondosa, vós os destruireis completamente.
3. Derrubareis os seus altares, quebrareis suas estejas, cortareis suas asserás de madeira, jogareis no fogo os ídolos de seus deuses e apagareis os seus nomes daqueles lugares.
4. Não fareis assim com o Senhor, vosso Deus,
5. mas irás ao lugar que o Senhor, vosso Deus, escolher entre todas as vossas tribos para aí estabelecer o seu nome e unicamente ali irás procurá-lo.
6. É nesse lugar que apresentareis vossos holocaustos e vossos sacrifícios, vossos dízimos, vossas primícias, vossos votos, vossas ofertas espontâneas, os primogênitos de vossos rebanhos grosso e miúdo.
7. É ali que fareis vossos sagrados banquetes em presença do Senhor, vosso Deus, e gozareis, vós e vossas famílias, de todos os bens que vossas mãos produzirem, com a bênção do Senhor, vosso Deus.
8. Não fareis nesse lugar o que nós fazemos hoje aqui, onde cada um faz o que bem lhe parece,
9. porque não entrasses ainda em vosso repouso e na possessão que vos dá o Senhor, vosso Deus.
10. Quando tiverdes passado o Jordão e vos tiverdes estabelecido na terra que o Senhor, vosso Deus, vos dá em herança, e ele vos tiver dado repouso, livrando-vos dos inimigos que vos cercam, de sorte que vivais em segurança,
11. então, ao lugar que o Senhor, vosso Deus, escolheu para estabelecer nele o seu nome, ali levareis todas as coisas que vos ordeno: vossos holocaustos, vossos sacrifícios, vossos dízimos, vossas primícias e todas as ofertas escolhidas que tiverdes prometido por voto ao Senhor.
12. Alegrar-vos-eis em presença do Senhor, vosso Deus, vós, vossos filhos vossas filhas, vossos servos e vossas servas, assim como o levita que se encontrar dentro de vossos muros, porque ele não tem parte nem herança em Israel.
13. Guarda-te de oferecer os teus holocaustos em qualquer lugar;
14. oferecê-los-ás unicamente no lugar que o Senhor escolher em uma de suas tribos, e é ali que oferecerás teus holocaustos e farás tudo o que te ordeno.
15. Se quiseres, entretanto, comer carne, poderás, em qualquer cidade onde habitares, matar do teu rebanho, segundo as bênçãos que o Senhor, teu Deus, te der; tanto pode comê-la o homem impuro como o puro, como se come a gazela e o veado.
16. Somente vos abstereis do sangue, que espalhareis sobre a terra como água.
17. Não comerás dentro dos teus muros o dízimo de teu trigo, nem de teu vinho, nem de teu óleo, nem os primogênitos de teu gado grosso ou miúdo, nem aquilo que ofereceres por votos, nem tuas ofertas espontâneas, nem tuas primícias.
18. Mas comerás essas coisas diante do Senhor, teu Deus, no lugar que o Senhor, teu Deus, tiver escolhido, tu, teu filho, tua filha, teu servo e tua serva, assim como o levita que se encontrar dentro dos teus muros; e alegrar-te-ás em presença do Senhor, por todos os bens que tuas mãos tiverem adquirido.
19. Guarda-te de abandonar o levita durante todo o tempo que viveres em teu solo.
20. Quando o Senhor, teu Deus, tiver alargado os teus limites, como te prometeu, e quando disseres, levado pelo desejo de comer carne: eu gostaria de comer carne, come-a então quanto quiseres.
21. Se o lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para nele ser invocado o seu nome, for muito afastado, poderás matar teus bois ou tuas ovelhas, que o Senhor te tiver dado, segundo o que te prescrevi, e poderás comer como te aprouver dentro de teus muros.
22. Como se come a carne da gazela ou do veado, assim comerás essas carnes: poderão comê-la tanto o homem impuro como o puro.
23. Mas guarda-te de absorver o sangue; porque o sangue é a vida, e tu não podes comer a vida com a carne
24. Não beberás, pois, o sangue, mas derramá-lo-ás sobre a terra como água.
25. Não o sorverás, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, por terdes feito o que é reto aos olhos do Senhor.
26. Mas as ofertas que te são impostas, ou as que fizeres em virtude de um voto, tu as tomarás contigo e irás ao lugar escolhido pelo Senhor;
27. ali as oferecerás em holocausto, carne e sangue, sobre o altar do Senhor, teu Deus. Quanto aos outros sacrifícios, o seu sangue será derramado sobre o altar do Senhor, teu Deus, e comerás as suas carnes.
28. Ouve todas estas ordens que te prescrevo e põe-nas em prática, para que sejas feliz perpetuamente, tu e teus filhos depois de ti, por terdes feito o que é bom e reto aos olhos do Senhor.
29. Quando o Senhor teu Deus tiver exterminado diante de ti as nações, cujos territórios invadirás para despojá-los, quando ocupares a sua terra,
30. guarda-te de cair no laço, imitando-as, depois de sua destruição. Guarda-te de seguir os seus deuses, dizendo: como adoravam essas nações os seus deuses, para que também e faça o mesmo?
31. Não farás assim com o Senhor, teu Deus; porque tudo o que o Senhor odeia, tudo o que ele detesta, elas fizeram-no pelos seus deuses, chegando mesmo a queima em sua honra os seus filhos e filhas.
32. Cuidareis de fazer tudo o que vos prescrevo, sem acrescentar nada, nem nada tirar.

 
Capítulo 13

1. Se se levantar no meio de ti um profeta ou um visionário, anunciando-te um sinal ou prodígio,
2. e suceder o sinal ou o prodígio que anunciou e te disser: vamos, sigamos outros deuses que te são desconhecidos e prestemos-lhes culto,
3. tu não ouvirás as palavras desse profeta ou desse visionário; porque o Senhor, vosso Deus, vos põe à prova para ver se o amais de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.
4. Seguireis o Senhor, vosso Deus, e o temereis; observareis seus mandamentos, obedecereis à sua voz e o servireis com muito zelo.
5. Aquele profeta, aquele visionário, porém, será morto, por ter pregado a revolta contra o Senhor, vosso Deus, que vos tirou do Egito e vos libertou da casa da servidão, e por ter procurado desviar-vos do caminho que o Senhor, vosso Deus, vos traçou. Assim tirarás o mal do meio de ti.
6. Se teu irmão, filho de tua mãe, ou teu filho, tua filha, a mulher que repousa no teu seio, ou o amigo a quem amas como a ti mesmo, tentar seduzir-te, dizendo em segredo: Vamos servir outros deuses – deuses desconhecidos de ti’ e de teus pais,
7. ou deuses das nações próximas ou distantes que estão em torno de ti, de uma extremidade da terra a outra -,
8. tu não lhe cederás no que te disser, nem o ouvirás. Teu olho não terá compaixão dele, não o pouparás e não ocultarás o seu crime.
9. Tens, ao contrário, o dever de matá-lo: serás o primeiro a levantar a mão para matá-lo, e a levantará em seguida o povo.
10. Tu o apedrejarás até que ele morra, porque tentou desviar-te do Senhor teu Deus, que te tirou do Egito, da casa da servidão.’
11. Todo o Israel será tomado de temor ao sabê-lo, e não se renovará mais tal crime no meio de vós.
12. Se ouvires dizer de uma das cidades que o Senhor, teu Deus, te deu para habitação:
13. alguns malvados saíram do meio de vós e seduziram os habitantes de sua cidade, dizendo: vamos servir outros deuses – deuses que vós não conheceis,
14. – farás um inquérito, buscarás e tomarás sérias informações. Se for verdade o que se disse, se se verificar que uma tal abominação foi realmente cometida no meio de vós,
15. farás passar ao fio de espada os habitantes dessa cidade, juntamente com o seu gado, e à votarás ao interdito com tudo o que nela se encontrar.
16. Juntarás em seguida no meio da praça todo o seu espólio, e queimá-lo-ás juntamente com a cidade em honra do Senhor, teu Deus: ela será para sempre um montão de ruínas que se não reconstruirá mais.
17. Não retenha a tua mão nada do que tiver sido votado ao interdito, para que o Senhor aplaque o ardor de sua cólera, e use de piedade e misericórdia para contigo, e te multiplique, como jurou a teus pais,
18. com condição de que obedeças à voz do Senhor, teu Deus, observando os mandamentos que hoje te prescrevo, e fazendo o que é bom aos olhos do Senhor, teu Deus.

 
Capítulo 14

1. Vós sois os filhos do Senhor, vosso Deus. Não vos fareis incisões, e não cortareis o cabelo pela frente em honra de um morto,
2. porque és um povo consagrado ao Senhor, teu Deus, o qual te escolheu para ser um povo que lhe pertença de um modo exclusivo entre todas as outras nações da terra.”
3. Não comerás coisa alguma abominável.
4. Eis os animais que comereis: o boi, o cordeiro, a cabra, a gazela,
5. a corça, o gamo, o antílope, o búfalo e a cabra montês.
6. Comereis de todos os animais que têm a unha e o pé fendidos, e que ruminam.
7. Mas não comereis daqueles que somente ruminam ou somente tenham a unha e o pé fendidos, tais como o camelo, a lebre, o coelho, que ruminam mas não têm a unha fendida: tê-los-eis por impuros.
8. Igualmente o porco, que tem a unha fendida mas não rumina: tê-lo-eis por impuro. Não comereis de suas carnes, nem tocareis nos seus cadáveres.
9. Dentre os animais que vivem nas águas, eis os que podereis comer: comereis tudo o que tem barbatanas e escamas;
10. mas tudo o que não tiver barbatanas nem escamas tereis por impuro e não comereis.
11. Comereis de todas as aves que são puras.
12. Eis as que não podereis comer: a águia, o falcão e o abutre,
13. o milhafre e toda variedade de falcão,
14. toda espécie de corvo,
15. a avestruz, a andorinha, a gaivota e toda variedade de gavião,
16. o mocho, a coruja, o açor,
17. o caburé, o alcatraz, o íbis,
18. a cegonha e toda variedade de garça, a poupa e o morcego.
19. Tereis por impuro todo inseto volátil: não comereis deles.
20. Mas comereis de toda ave pura.
21. Não comereis animal algum encontrado morto. Dá-lo-ás ao estrangeiro que habita dentro de teus muros, e ele o comerá; ou então vendê-lo-ás a um estrangeiro, porque és um povo consagrado ao Senhor, teu Deus. Não cozeras um cabrito no leite de sua mãe.
22. Porás à parte o dízimo de todo fruto de tuas semeaduras, de tudo o que o teu campo produzir cada ano.
23. Comerás na presença do Senhor, teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido para nele residir o seu nome, o dízimo de teu trigo, de teu vinho e de teu óleo, bem como os primogênitos de teu rebanho grande e miúdo, para que aprendas a temer o Senhor, teu Deus, para sempre.
24. Mas, se for muito longo o caminho, de modo que não possas transportá-lo – porque o lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para nele residir o seu nome é afastado demais, e ele te cumulou de muitos bens -,
25. venderás o dízimo e, levando o dinheiro (dessa venda) em tuas mãos, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus.
26. Comprarás ali com esse dinheiro tudo o que te aprouver, bois, ovelhas, vinho, bebidas fermentadas, tudo o que desejares, e comerás tudo isso em presença do Senhor, teu Deus, alegrando-te com tua família.
27. Não negligenciarás o levita que vive dentro de teus muros, porque ele não recebeu como tu partilha nem herança.
28. No fim de três anos, porás de lado todos os dízimos da colheita desse (terceiro) ano, e depô-los-ás dentro de tua cidade,
29. para que o levita que não tem como tu partilha nem herança, o estrangeiro, o órfão e a viúva, que se encontram em teus muros, possam comer à saciedade, e que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras de tuas mãos.

 
Capítulo 15

1. De sete em sete anos farás a remissão.
2. Eis no que ela consistirá: todo credor remitirá o empréstimo que tiver feito ao seu próximo. Não exercerá contra o seu próximo ou contra o seu irmão opressão alguma quando for publicada a remissão em honra do Senhor.
3. Poderás obrigar ao estrangeiro; mas quanto às dívidas de teu irmão, farás remissão.
4. Não deverá haver pobres no meio de ti, porque o Senhor, teu Deus, te abençoará certamente na terra que te dá como posse hereditária,
5. contento que obedeças fielmente à voz do Senhor, teu Deus, pondo cuidadosamente em prática os mandamentos que hoje te imponho.
6. Sim, o Senhor, teu Deus, abençoar-te-á como ele te disse: emprestarás a numerosas nações e de nenhuma precisarás receber empréstimo; dominarás sobre muitas nações, e elas não dominarão sobre ti.
7. Se houver no meio de ti um pobre entre os teus irmãos, em uma de tuas cidades, na terra que te dá o Senhor, teu Deus, não endurecerás o teu coração e não fecharás a mão diante de teu irmão pobre;
8. mas abrir-lhe-ás a mão e emprestar-lhe-ás segundo as necessidades de sua indigência.
9. Cuida que não te venha ao coração este ímpio pensamento, eis que se aproxima o sétimo ano, o ano da remissão; guarda-te de olhar o teu irmão pobre com um mau olho, sem nada lhe dar, porque ele clamaria ao Senhor contra ti, e isso se te tornaria um pecado.
10. Deves dar-lhe, e dar-lhe de bom coração, pois, por causa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas de tuas mãos.
11. Nunca faltarão pobres na terra, e por isso dou-te esta ordem: abre tua mão ao teu irmão necessitado ou pobre que vive em tua terra.
12. Quando um teu irmão hebreu, homem ou mulher, se tiver vendido a ti, ele te servirá seis anos, mas no sétimo ano deixá-lo-ás ir livre de tua casa.
13. Não o deixarás partir com as mãos vazias quando o despedires,
14. mas dar-lhe-ás alguma coisa dos teus rebanhos, da tua eira e do teu lagar, uma parte dos bens com, que o Senhor, teu Deus, te cumulou.
15. Lembra-te de que estiveste em servidão no Egito, de onde foste resgatado pelo Senhor, teu Deus; é por isso que hoje te imponho este mandamento.
16. Se, porém, teu escravo disser que não quer deixar-te, porque, sentindo-se feliz em tua casa, ele se apegou a ti e à tua família,
17. então, com uma sovela, furar-lhe-ás a orelha contra a porta, e ele será para sempre teu escravo. Procederás do mesmo modo com tua escrava.
18. Não te seja penoso libertá-lo, porque o serviço que te prestou durante seis anos valeu bem o dobro do salário de um mercenário; e o Senhor, teu Deus, abençoar-te-á em todas as tuas empresas.
19. Consagrarás ao Senhor, teu Deus, todo primogênito macho que nascer de teu rebanho grande ou miúdo. Não trabalharás com o primogênito de tua vaca, e não tosquiarás o primogênito de tuas ovelhas,
20. mas comê-lo-ás cada ano, tu e tua família, em presença do Senhor, teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido.
21. Se ele tiver uma tara, se for coxo ou cego, e se tiver uma deformidade qualquer, tu não o oferecerás em sacrifício ao Senhor, teu Deus.
22. Comê-lo-ás em tua cidade: tanto o homem impuro como . o puro poderão comer dele, como se come a gazela ou o veado. Somente não sorverás o sangue, que derramarás por terra como água.

 
Capítulo 16

1. No mês das espigas, cuida de celebrar a Páscoa em honra do Senhor, teu Deus, porque foi nesse mês que ele te fez sair do Egito, durante a noite.
2. Imolarás ao Senhor, teu Deus, em sacrifício pascal, gado grande e miúdo, no lugar que ele tiver escolhido para aí residir o seu nome.
3. Não comerás pão fermentado com essas vítimas; durante sete dias comerás pão sem fermento, um pão de aflição, porque saíste às pressas do Egito, para te lembrares assim durante toda a tua vida do dia de tua partida.
4. Durante sete dias não se verá fermento em toda a extensão do teu território; e, da carne que tiveres imolado à tarde do primeiro dia, nada se guardará até pela manhã.
5. Não poderás imolar a Páscoa em qualquer das moradas que o Senhor, teu Deus, te há de dar;
6. mas somente no lugar que o Senhor, teu Deus, tiver escolhido para aí habitar o seu nome, é que imolarás ,a Páscoa, à tarde, depois do pôr-do-sol, à hora em que saíste do Egito.
7. Cozerás e comerás a vítima no lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus. Ao amanhecer, voltarás para a tua tenda.
8. Durante seis dias comerás pães ázimos e, no sétimo dia, dia em que não farás trabalho algum, haverá uma assembléia solene em honra do Senhor, teu Deus.
9. Contarás sete semanas, a partir do momento em que meteres a foice em tua seara.
10. Celebrarás então a festa das Semanas em honra do Senhor, teu Deus, apresentando a oferta espontânea de tua mão, a qual medirás segundo as bênçãos com que o Senhor, teu Deus, te cumulou.
11. Alegrar-te-ás em presença do Senhor, teu Deus, com teu filho, tua filha, teu servo e tua serva, o levita que vive em teus muros, assim como o estrangeiro, o órfão e a viúva que vivem no meio de ti, no lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar o seu nome.
12. Lembra-te de que foste escravo no Egito, e cuida de observar estas leis.
13. Celebrarás a festa dos Tabernáculos durante sete dias, quando tiveres recolhido o produto de tua eira e de teu lagar.
14. Alegrar-te-ás nessa festa, com teu filho, tua filha, teu servo e tua serva, assim como o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estiverem em teus muros.
15. Durante sete dias festejarás o Senhor, teu Deus, no lugar escolhido por ele, porque ele te abençoará em todos os teus frutos e em todo o trabalho das tuas mãos, e estarás assim na alegria.
16. Três vezes por ano, todos os vossos varões se apresentarão diante do Senhor teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido: na festa dos Ázimos, na festa das Semanas e na festa dos tabernáculos: não aparecerão diante do Senhor com as mãos vazias.
17. Cada um dará segundo o que tiver, em proporção das bênçãos que o Senhor, teu Deus, lhe tiver dado.
18. Estabelecerás juízes e notários em todas as cidades que o Senhor, teu Deus, te tiver dado, em cada uma das tribos, para que julguem o povo com eqüidade.
19. Não farás curvar a justiça, e não farás distinção de pessoas; não aceitarás presentes, porque os presentes cegam os olhos do sábio e destroem a causa dos justos.
20. Deves procurar unicamente a justiça, para que vivas e possuas a terra que te dá o Senhor, teu Deus.
21. Não colocarás asserá alguma nem plantarás qualquer árvore ao lado do altar que levantares ao Senhor, teu Deus.
22. Não erigirás estrelas, porque o Senhor, teu Deus, as detesta.

 
Capítulo 17

1. Não imolarás ao Senhor, teu Deus, touro ou ovelha que tenha tara ou qualquer outra deformidade, porque isso é abominação aos olhos do Senhor, teu Deus.
2. Se se encontrar no meio de ti, em uma das cidades que te dá o Senhor, teu Deus, um homem ou uma mulher que faça o que é mau aos olhos do Senhor, teu Deus, violando sua aliança,
3. indo servir outros deuses ou adorando o sol, a lua, ou o exército dos céus – o que eu não mandei -, se te derem aviso disso, logo que o souberes, farás uma investigação minuciosa.
4. Se for verdade o que se disse, se verificares que realmente se cometeu tal abominação em Israel,
5. farás conduzir às, portas da cidade o homem ou a mulher que cometeu essa má ação, e os apedrejarás até que morram.
6. Sobre o depoimento de duas ou três testemunhas morrerá aquele que tiver de ser morto. Mas não será morto sobre o depoimento de uma só:
7. A mão das testemunhas será a primeira a feri-lo para matá-lo, depois a mão de todo o povo. Assim extirparás o mal do meio de ti.
8. Se aparecer uma questão cujo juízo te seja muito difícil de fazer: assassinato, disputa, ferida, um processo qualquer em tua cidade, terás o dever de subir ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus.
9. Irás ter com os sacerdotes da linhagem de Levi e com o juiz que estiver em exercício nesse momento; consultá-los-ás, e eles te dirão a sentença (a pronunciar).
10. Procederás conforme a decisão que eles te comunicarem no lugar escolhido pelo Senhor, e cuidarás de conformar-te às suas instruções.
11. Agirás segundo as instruções que te tiverem dado, e conforme a sentença que te tiverem ditado, sem te apartares do seu parecer nem para a direita nem para a esquerda.
12. Aquele que, por orgulho, recusar ouvir o sacerdote que estiver nesse tempo a serviço do Senhor, teu Deus, ou o juiz, esse homem será punido de morte. Assim tirarás o mal do meio de Israel.
13. o povo, ao sabê-lo, será possuído de temor, e não se deixará levar pelo orgulho.
14. Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, e tiveres tomado posse dela, e nela te estabeleceres, se disseres: quero ter um rei sobre mim, como o têm todas as nações que me cercam -,
15. elegerás aquele rei que o Senhor, teu Deus, tiver escolhido, e este será um dos teus irmãos: não poderás escolher para rei de Israel um estrangeiro que não seja teu irmão.
16. Somente, que esse rei não possua cavalos, e não reconduza o povo ao Egito, para adquirir numerosa cavalaria, porque o Senhor vos disse: não volteis mais por esse caminho.
17. Guarde-se também o rei de multiplicar suas mulheres, para que não suceda que seu coração se desvie (de Deus). Tampouco ajuntará ele grande quantidade de prata e ouro.
18. Quando subir ao trono real, escreverá para si uma cópia dessa lei, segundo o texto que os sacerdotes levíticos têm.
19. Conservará essa cópia consigo e a lerá todos os dias de sua vida, para aprender a temer o Senhor, seu Deus, e a observar todos os artigos dessa lei, pondo em prática todas as suas prescrições.
20. Assim, não se elevará o seu coração acima de seus irmãos, e ele não se apartará da lei, nem para um lado nem para outro, e desse modo terá, assim como os seus filhos, um longo reinado no meio de Israel.

 
Capítulo 18

1. Os sacerdotes levíticos e toda a tribo de Levi não terão parte nem herança com Israel: alimentar-se-ão dos sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor, que é a sua parte
2. Não terão herança entre seus irmãos: o Senhor mesmo é a sua herança, como ele lhes disse.
3. Este é o direito devido aos sacerdotes pelo povo, por aqueles que oferecerem em sacrifício um boi ou uma ovelha: darão ao sacerdote a espádua, as mandíbulas e o estômago.
4. Dar-lhe-ás as primícias de teu trigo, de teu vinho e de teu óleo, e as primícias da lã de tuas ovelhas.
5. Porque o Senhor, teu Deus, escolheu-o dentre todas as tribos, ele e seus filhos, para estar diante do Senhor e oficiar perpetuamente em nome do Senhor.
6. Quando um levita vier de uma cidade situada em qualquer ponto de Israel,, dirigindo-se espontaneamente ao lugar escolhido pelo Senhor,
7. para oficiar em nome do Senhor, seu Deus, como todos, os seus irmãos levitas que nesse tempo assistem diante do Senhor,
8. receberá a mesma porção dos alimentos que os outros, independentemente do produto da venda de seu patrimônio.
9. Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não te porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquele terra.
10. Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo,
11. à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou â invocação dos mortos,
12. porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações.
13. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus.
14. As nações que vais despojar ouvem os agoureiros e os adivinhos; a ti, porém, o Senhor, teu Deus, não o permite.
15. O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir.
16. Foi o que tu mesmo pediste ao Senhor, teu Deus, em Horeb, quando lhe disseste no dia da assembléia: Oh! Não ouça eu mais a voz do Senhor, meu Deus, nem torne a ver mais esse fogo ardente, para que eu não morra!
17. E o Senhor disse-me: está muito bem o que disseram;
18. eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre seus irmãos: pôr-lhe-ei minhas palavras na boca, e ele lhes fará conhecer as minhas. ordens.
19. Mas ao que recusar ouvir o que ele disser de minha parte, pedir-lhe-ei contas disso.
20. o profeta que tiver a audácia de proferir em meu nome uma palavra que eu lhe não mandei dizer, ou que se atrever a falar em nome de outros deuses, será morto.
21. Se disseres a ti mesmo: como posso eu distinguir a palavra que não vem do Senhor?
22. Quando o profeta tiver falado em nome do Senhor, se o que ele disse não se realizar, é que essa palavra não veio do Senhor. O profeta falou presunçosamente. Não o temas.

 
Capítulo 19

1. Quando o Senhor, teu Deus, tiver exterminado as nações cuja terra te dá, quando as tiveres despojado e te tiveres estabelecido em suas cidades e habitações,
2. reservarás três cidades no meio da terra cuja posse o Senhor, teu Deus, te dá.
3. Farás estradas que conduzam a elas e dividirás em três partes a terra que te dá o Senhor, teu Deus, a fim de que todo homicida possa encontrar refúgio nessas cidades.
4. Eis a regra a seguir para o homicida que ali se refugiar, procurando salvar sua vida. Se matou o seu próximo por inadvertência, sem ódio prévio,
5. como, por exemplo, se ele tiver ido à floresta com outro cortar lenha e, no momento de brandir o machado para abater a árvore, o ferro se tenha deslocado do cabo e ferido mortalmente o seu companheiro, esse homem refugiar-se-á em uma dessas cidades para salvar sua vida.
6. De outra forma, o vingador do sangue , no ardor de sua cólera, poderia perseguir o homicida e, se o caminho fosse muito longo, atingi-lo para dar-lhe o golpe mortal. Entretanto, esse homem não merece a morte, pois que não tinha ódio da vítima.
7. Eis por que te ordeno reservar três cidades.
8. Quando o Senhor, teu Deus, tiver alargado os teus limites, como jurou aos teus pais, e tiver dado toda a terra que lhes prometeu -
9. contento que ponhas fielmente em prática todos os mandamentos que hoje te prescrevo, amando o Senhor, teu Deus, e andando todo o tempo em seus caminhos -, juntarás a essas três cidades outras três.
10. Desse modo não se derramará sangue inocente na terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança, e não haverá sangue sobre ti.
11. Mas, se um homem, tendo ódio do seu próximo, armar-lhe ciladas, levantar-se contra ele e feri-lo mortalmente, indo em seguida refugiar-se numa dessas cidades,
12. os anciãos de sua cidade mandarão tirá-lo do lugar de seu refúgio, e o entregarão nas mãos do vingador do sangue, para ser morto.
13. Não terás compaixão dele; deves tirar de Israel o sangue inocente, para seres feliz.
14. Não removerás os marcos de teu vizinho, que teus predecessores fixaram na herança que te couber na terra, cuja posse te há de dar o Senhor, teu Deus.
15. Não será admitida contra um homem somente uma testemunha, qualquer que seja o crime, falta ou delito. Só se tomará a coisa em consideração sobre o depoimento de duas ou três testemunhas.
16. Se se apresentar uma testemunha falsa contra um homem, acusando-o de uma má ação,
17. ambos os contendores comparecerão diante do Senhor, na presença dos sacerdotes e dos juízes que estiverem em exercício naqueles dias.
18. Depois de uma cuidadosa investigação feita pelos juízes, se se verificar que se trata de um falso testemunho, e que a testemunha fez contra o seu irmão uma falsa deposição,
19. vós o tratareis como premeditara tratar o seu irmão. Assim, tirarás o mal do meio de ti
20. para que os outros, ao sabê-lo, tenham medo, e não ousem mais cometer semelhante falta no meio de ti.
21. Não terás compaixão: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.

 
Capítulo 20

1. Quando saíres à guerra contra teus inimigos e vires cavalos, carros e um exército mais numeroso que o teu, não tenhas medo, porque o Senhor, teu Deus, que te tirou do Egito, está contigo.
2. Quando se aproximar o momento do combate, o sacerdote se adiantará para falar ao povo: Ouve, Israel! lhe dirá ele.
3. Ides hoje combater contra os vossos inimigos: que vossa coragem não desfaleça! Não temais, nem vos perturbeis, nem vos deixeis amedrontar por eles.
4. Porque o Senhor, vosso Deus, marcha convosco para combater contra os vossos inimigos e para vos dar a vitória.
5. Os oficiais dirão em seguida ao povo: há alguém entre vós que tenha edificado uma casa e não a tenha ainda inaugurado? Que esse volte para a sua casa; não suceda que morra no combate e um outro venha a habitar primeiro do que ele em sua casa.
6. Há alguém entre vós que tenha plantado uma vinha e não tenha ainda desfrutado dela? Que esse volte para a sua casa; não suceda que pereça no combate e outro venha a colher os primeiros frutos.
7. Há alguém que tenha desposado uma mulher e não a tenha ainda recebido? Que esse volte para a sua casa; não suceda que morra no combate e outro a despose.
8. Os oficiais dirão ainda ao povo: há alguém medroso e de coração tímido? Que esse volte para a sua casa; não suceda que o coração de seus irmãos desfaleça como o seu.
9. Quando os oficiais tiverem acabado de falar ao povo, serão colocados os chefes das tropas à testa do povo.
10. Quando te aproximares para combater uma cidade, oferecer-lhe-ás primeiramente a paz.
11. Se ela concordar e te abrir suas portas, toda a população te pagará tributo e te servirá.
12. Se te recusar a paz e começar a guerra contra ti, tu a cercarás,
13. e quando o Senhor, teu Deus, ta houver entregue nas mãos, passarás a fio de espada todos os varões que nela houver.
14. Só tomarás para ti as mulheres, as crianças, os rebanhos e tudo o que se encontrar na cidade, e viverás dos despojos dos teus inimigos que o Senhor, teu Deus, e tiver dado.
15. Farás assim a todas as cidades muito afastadas, que não são do número das cidades dessas nações.
16. Quanto às cidades daqueles povos cuja possessão te dá o Senhor, teu Deus, não deixarás nelas alma viva.
17. Segundo a ordem do Senhor, teu Deus, votarás ao interdito os hiteus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus,
18. para que não suceda que eles vos ensinem a imitar as abominações que praticam em honra de seus deuses, e venhais a pecar contra o Senhor, vosso Deus.
19. Quando sitiares uma cidade durante longo tempo e tiveres de lutar para apoderar-te dela, não cortarás as árvores a golpe de machado; comerás os seus frutos, mas não derrubarás as árvores. A árvore do campo seria porventura um homem para que a ataques?
20. Somente aquelas árvores que souberes não serem frutíferas poderás destruí-las e abatê-las para os trabalhos do cerco contra a cidade inimiga, ate que ela sucumba.

 
Capítulo 21

1. Quando na terra, cuja posses são te há de dar o Senhor, teu Deus, encontrar-se estendido no campo o cadáver de um homem assassinado sem que se saiba quem o feriu,
2. virão teus anciãos e teus juizes e medirão a distância que separa o cadáver das cidades dos arredores.
3. Os anciãos da cidade que foi encontrada mais próxima tomarão uma novilha, com a qual não se tenha ainda trabalhado e que não tenha ainda levado o jugo,
4. e a conduzirão a um vale banhado por um córrego, cujas águas nunca sequem, onde não haja nem cultura nem sementeiras, e ali, no córrego, quebrar-lhe-ão a nuca.
5. Aproximar-se-ão os sacerdotes levíticos, porque foi a eles que o Senhor, teu Deus, escolheu para serem seus ministros. E abençoarão e seu nome, pois são eles que julgam todo litígio e todo caso de ferimento.
6. Então todos os anciãos da cidade encontrada mais próxima do cadáver lavarão suas mãos sobre a novilha cuja nuca quebraram no vale,
7. e dirão estas palavras: Nossas mãos não derramaram este sangue, nem o viram os nossos olhos.
8. ó Senhor, perdoai o vosso povo de Israel que resgatasses. Não lhe imputeis o sangue inocente. Assim será o homicídio expiado por eles.
9. E desse modo tirarás do meio de ti o sangue inocente, e farás o que é reto aos olhos do Senhor.
10. Quando fores à guerra contra os teus inimigos e o Senhor, teu Deus, os entregar em tuas mãos, se os fizeres cativos,
11. e vires entre eles uma mulher formosa da qual te enamores e a queiras tomar por esposa,
12. conduzi-la-ás à tua casa. Ela rapará os cabelos, cortará as unhas,
13. deporá o vestido com que foi aprisionada, e permanecerá em tua casa, chorando o seu pai e a sua mãe durante um mês. Depois disso, irás procurá-la, serás seu marido e ela será tua mulher.
14. Se ela cessar de te agradar, deixá-la-ás partir como lhe aprouver, mas não poderás vendê-la por dinheiro, nem maltratá-la, pois que fizeste dela tua mulher.
15. Se um homem tiver duas mulheres, uma que ele ama, outra que ele desdenha, e lhe tiverem dado filhos, tanto a que é amada como a que é desdenhada, se o filho desta última for o filho primogênito,
16. esse homem, no dia em que repartir seus bens entre os seus filhos, não poderá dar o direito de primogenitura ao filho da que é amada, em detrimento do primogênito, filho da mulher desdenhada.
17. Mas reconhecerá por primogênito o filho da mulher desprezada, e dar-lhe-á uma porção dupla de todos os seus bens, porque esse filho é o primeiro fruto de seu vigor, é a ele que pertence o direito de primogenitura.
18. Se um homem tiver um filho indócil e rebelde, que não atenda às ordens de seu pai nem de sua mãe, permanecendo insensível às suas correções,
19. seu pai e sua mãe tomá-lo-ão e o levarão aos anciães da cidade à porta da localidade onde habitam,
20. e lhes dirão: este nosso filho é indócil e rebelde; não nos ouve, e vive na embriaguez e na dissolução.
21. Então, todos os homens da cidade o apedrejarão até que ele morra. Assim, tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel, ao sabê-lo, será possuído de temor.
22. Quando um homem tiver cometido um crime que deve ser punido com a morte, e for executado por enforcamento numa árvore,
23. o seu cadáver não poderá ficar ali durante a noite, mas tu o sepultarás no mesmo dia; pois aquele que é pendurado é um objeto de maldição divina. Assim, não contaminarás a terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança.

 
Capítulo 22

1. Se vires extraviado o boi ou a ovelha de teu irmão, não te desviaras mas reconduzi-los-ás ao teu irmão.
2. Se este habitar longe, ou se não o conheceres, levarás o animal para a tua casa e ele aí ficará até que seja reclamado pelo teu irmão: então lho entregarás.
3. O mesmo farás com o seu jumento, com o seu manto e com qualquer objeto perdido por teu irmão e encontrado por ti. Não te desviarás desse objeto.
4. Se vires o jumento ou o, boi de teu irmão caídos no caminho, não voltarás os olhos para o lado, mas ajudá-lo-ás a levantá-los.
5. A mulher não se vestirá de homem, nem o homem se vestirá de mulher: aquele que o fizer será abominável diante do Senhor, seu Deus.
6. Se encontrares no caminho, sobre uma árvore ou na terra, o ninho de uma ave, e a mãe posta sobre os filhotes ou sobre os ovos, não a apanharás com os filhotes.
7. Deixarás partir a mãe e só tomarás os filhotes, para que se prolonguem os teus dias felizes.
8. Quando construíres uma casa nova, farás uma balaustrada em volta do teto, para que não se derrame sangue sobre a tua casa, se viesse alguém a cair lá de cima.
9. Não semearás em tua vinha várias espécies de sementes, para que se não considere tudo consagrado: o grão semeado e o produto da vinha.
10. Não lavrarás com um boi e um jumento atrelados juntos.
11. Não trarás sobre ti uma veste de diferentes tecidos: lã e linho misturados.
12. Porás no manto com que te cobrires borlas nos seus quatro cantos.
13. Se um homem, depois de ter desposado uma mulher e a ter conhecido, vier a odiá-la,
14. e, imputando-lhe faltas desonrosas, se puser a difamá-la, dizendo: desposei esta mulher e, ao aproximar-me dela, descobri que ela não era virgem,
15. então o pai e a mãe da donzela tomarão as provas de sua virgindade e as apresentarão aos anciães da cidade, à porta.
16. O pai dirá aos anciães: dei minha filha por mulher a este homem, mas porque ele lhe tem aversão,
17. eis que agora lhe imputa faltas desonrosas, pretendendo não ter encontrado nela as marcas da virgindade. Ora, eis aqui as provas da virgindade de minha filha. E estenderão diante dos anciãos da cidade a veste de sua filha.
18. E os anciãos da cidade tomarão aquele homem e fá-lo-ão castigar,
19. impondo-lhe, além disso, uma multa, de cem siclos de prata, que eles darão ao pai da jovem em reparação da calúnia levantada contra uma virgem de Israel. E ela continuará sua mulher sem que ele jamais possa repudiá-la.
20. Se, porém, o fato for verídico e não se tiverem comprovado as marcas de virgindade da jovem,
21. esta será conduzida ao limiar da casa paterna, e os habitantes de sua cidade a apedrejarão até que morra, porque cometeu uma infâmia em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai. Assim, tirarás o mal do meio de ti.
22. Se se encontrar um homem dormindo com uma mulher casada, todos os dois deverão morrer: o homem que dormiu com a mulher, e esta da mesma forma. Assim, tirarás o mal do meio de ti.
23. Se uma virgem se tiver casado, e um homem, encontrando-a na cidade, dormir com ela,
24. conduzireis um e outro à porta da cidade e os apedrejareis até que morram: a donzela, porque, estando na cidade, não gritou, e o homem por ter violado a mulher do seu próximo. Assim, tirarás o mal do meio de ti.
25. Mas se foi no campo que o homem encontrou a jovem e lhe fez violência para dormir com ela, nesse caso só ele deverá morrer,
26. e nada fareis à jovem, que não cometeu uma falta digna de morte, porque é um caso similar ao do homem que se atira sobre o seu próximo e o mata:
27. foi no campo que o homem a encontrou; a jovem gritou, mas não havia ninguém que a socorresse.
28. Se um homem encontrar uma jovem virgem, que não seja casada, e, tomando-a, dormir com ela, e forem apanhados,
29. esse homem dará ao pai da jovem cinqüenta siclos de prata, e ela tornar-se-á sua mulher. Como a deflorou, não poderá repudiá-la em todos os dias de sua vida.
30. Ninguém desposará a mulher de seu pai, nem levantará a cobertura do leito paterno.

 
Capítulo 23

1. O homem, cujos testículos foram esmagados ou cortado o membro viril, não será admitido na assembléia do Senhor.
2. O bastardo não entrará tampouco na assembléia do Senhor, mesmo até a décima geração.
3. O amonita e o moabita não serão admitidos na assembléia do Senhor, mesmo até a décima geração,
4. nem nunca jamais, porque não quiserem sair ao vosso encontro no caminho com pão e água, quando saísses do Egito, e também porque assalariaram contra ti Balaão, filho de Beor, de Fetor, na Mesopotâmia, para que te amaldiçoasse.
5. Mas o Senhor, teu Deus, que te ama, não quis ouvir Balaão e trocou para ti a sua maldição em bênção.
6. Enquanto viveres, não lhes procurarás jamais prosperidade nem bem-estar.
7. Não abominarás o idumeu (ou edomita) porque é teu irmão, nem o egípcio tampouco, porque foste forasteiro em sua terra.
8. Os seus descendentes, à terceira geração, poderão entrar na assembléia do Senhor.
9. Quando saíres a combater contra os teus inimigos, guardar-te-ás de toda má ação.
10. Se alguém dentre vós não estiver puro, em conseqüência de um acidente noturno, sairá do acampamento, e não voltará.
11. Pela tarde, lavar-se-á em água e poderá reintegrar-se ao acampamento ao pôr-do-sol.
12. Haverá, fora do acampamento, um lugar retirado, aonde poderás dirigir-te.
13. Terás contigo, em tuas bagagens, uma pá de que te servirás para abrir um buraco quando fores à parte e, partindo, cobrirás com terra os teus excrementos.
14. Porque o Senhor, teu Deus, anda pelo meio do acampamento para proteger-te e livrar-te dos teus inimigos; o teu acampamento deverá ser santo; não aconteça que, à vista de alguma coisa chocante o Senhor se desvie de ti.
15. Não entregarás ao seu senhor o escravo fugitivo que se refugiar em tua casa.
16. Ele ficará contigo, em tua terra , no lugar que tiver escolhido numa de tuas cidades, onde melhor lhe parecer, e não o molestarás.
17. Não haverá mulher cortesã nem prostituta entre as filhas ou entre os filhos de Israel.
18. Seja qual for o voto que tiveres feito, não levarás à casa do Senhor, teu Deus, o ganho de uma prostituta nem o salário de um cão; porque uma e outra coisa são abominadas pelo Senhor, teu Deus.
19. Não exigirás juro algum de teu irmão, quer se trate de dinheiro, quer de gêneros alimentícios, ou do que quer que seja que se empreste a juros.
20. Poderás exigi-lo do estrangeiro, mas não de teu irmão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as tuas empresas na terra em que entrarás para possuí-la.
21. Quando tiveres feito um voto ao Senhor, teu Deus, não demorarás em cumpri-lo, porque o Senhor, teu Deus, não deixará de pedir-te contas dele, e contrairias um pecado.
22. Se não fizeres voto, não pecarás.
23. Mas a promessa saída dos teus lábios, tu a cumprirás, e observarás fielmente o voto que fizeste espontaneamente ao Senhor, teu Deus, como disseste por tua própria boca.
24. Quando entrares na vinha do teu próximo, poderás comer livremente quantas uvas quiseres, mas não as levarás contigo em tua cesta.
25. Quando entrares na seara de trigo do teu próximo, poderás colher espigas com a mão, mas não usarás a foice.

 
Capítulo 24

1. Se um homem, tendo escolhido uma mulher, casar-se com ela, e vier a odiá-la por descobrir nela qualquer coisa inconveniente, escreverá uma letra de divórcio, lha entregará na mão e a despedirá de sua casa.
2. Se ela, depois de ter saído de sua casa, desposar outro homem,
3. e este também a odiar, escrevendo e dando-lhe na mão uma letra de divórcio e despedindo-a de sua casa, ou então, se este segundo marido vier a falecer,
4. não poderá o primeiro marido, que a repudiou, tomá-la de novo por mulher depois de ela se contaminar, porque isso é uma abominação aos olhos do Senhor e não deves comprometer com esse pecado a terra que te dá em herança o Senhor, teu Deus.
5. Quando um homem se tiver casado recentemente, não irá à guerra e não se lhe imporá cargo algum. Durante; um ano estará livremente em seu lar para tornar feliz a mulher que ele desposou.
6. Não se tomarão como Senhor as duas pedras do moinho, nem que seja somente a pedra móvel, porque seria tomar como penhor a própria vida.
7. Se se encontrar um homem que tenha raptado um de seus irmãos israelitas, para fazer dele seu escravo, e o vender, esse raptor será punido de morte. Assim, tirarás o mal do meio de ti.
8. Toma precauções contra a praga da lepra, observando e praticando cuidadosamente tudo o que te ensinarem os sacerdotes levíticos. Cumpre fielmente tudo o que ordenei a esse respeito.
9. Lembra-te do que o Senhor, teu Deus, fez a Maria, quando saíste do Egito.
10. Se fizeres ao teu próximo um empréstimo qualquer, não entrarás em sua casa para tomar (algum) penhor.
11. Esperarás fora; é ali que o teu devedor te trará esse penhor.
12. Se ele for pobre, o penhor não pernoitará em tua casa,
13. mas tornarás a dar-lho antes que o sol se ponha, a fim de que ele possa dormir com o seu manto e te abençoe, e isso te será contado como um benefício pelo Senhor, teu Deus.
14. Não prejudicarás o assalariado pobre e necessitado, quer seja um de teus irmãos, quer seja um estrangeiro que mora numa das cidades de tua terra.
15. Dar-lhe-ás o seu salário no mesmo dia, antes do pôr-do-sol, porque é pobre e espera impacientemente a sua paga. Do contrário clamaria contra ti ao Senhor, e serias culpado de um pecado.
16. Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais. Cada um morrerá pelo seu próprio pecado.
17. Não violarás o direito do estrangeiro nem do órfão, e não tomarás como penhor o vestido de uma viúva.
18. Lembra-te de que foste escravo no Egito e de que o Senhor, teu Deus, te libertou. Por isso te dou esta ordem.
19. Quando segares a messe no teu campo e deixares por esquecimento algum feixe, não voltarás para levá-lo. Deixá-lo-ás para o estrangeiro, o órfão e a viúva, a fim de que o Senhor, teu Deus, abençoe todas as empresas de tuas mãos.
20. Quando sacudires tuas oliveiras, não voltarás a colher o resto que ficou nos galhos; isso será para o estrangeiro, o órfão e a viúva.
21. Quando tiveres vindimado a tua vinha, não voltarás a colher os cachos que ficaram; deixá-los-ás para o estrangeiro, o órfão e a viúva.
22. Lembra-te de que foste escravo no Egito: eis por que te dou esta ordem.

 
Capítulo 25

1. Quando dois homens questionarem entre si e forem apresentados diante do tribunal para serem julgados e, tendo sido justificado o inocente e condenado o culpado,
2. se o culpado merecer ser açoitado, o juiz fá-lo-á deitar por terra e o fará açoitar em sua presença com um número de golpes proporcional ao seu delito.
3. Não se poderá ultrapassar o número de quarenta, para que não suceda que, sendo-lhe infligido mais do que isso, o teu irmão se retire aviltado aos teus olhos.
4. Não atarás a boca ao boi quando ele pisar o grão.
5. Se alguns irmãos habitarem juntos, e um deles morrer sem deixar filhos, a mulher do defunto não se casará fora com um estranho: seu cunhado a desposará e se aproximará dela, observando o costume do levirato.
6. Ao primeiro filho que ela tiver se porá o nome do irmão morto, a fim de que o seu nome não se extinga em Israel.
7. Porém, se lhe repugnar receber a mulher do seu irmão, essa mulher irá ter com os anciães à porta da cidade e lhes dirá: meu cunhado recusa perpetuar o nome de seu irmão em Israel e não quer observar o costume do levirato, recebendo-me por mulher.
8. Eles o farão logo comparecer e o interrogarão. Se persistir em declarar que não a quer desposar,
9. sua cunhada se aproximará dele em presença dos anciães, tirar-lhe-á a sandália do pé e lhe cuspirá no rosto, dizendo: eis o que se faz ao homem que recusa levantar a casa de seu irmão!
10. E a família desse homem se chamará em Israel a família do descalçado.
11. Se dois homens estiverem em disputa, e a mulher de um vier em socorro de seu marido para livrá-lo do seu assaltante e pegar este pelas partes vergonhosas,
12. cortarás a mão dessa mulher, sem compaixão alguma
13. Não terás em tua bolsa duas espécies de pesos, uma pedra grande e uma pequena.
14. Não terás duas espécies de efás, um grande e um pequeno.
15. Tuas pedras serão um peso exato e justo, para que sejam prolongados os teus dias na terra que te dá o Senhor, teu Deus.
16. Porque quem faz essas coisas, quem comete fraude, é abominável aos olhos do Senhor, teu Deus.
17. Lembra-te do que te fez Amalec no caminho, quando saíste do Egito,
18. de como ele, sem temor algum de Deus, estando vós cansados e extenuados, veio atacar-te no caminho, atingindo todos os desfalecidos que te seguiam.
19. Quando, pois, o Senhor, teu Deus, te tiver dado segurança na terra que te dá como herança, e te tiver livrado dos inimigos que te cercam, apagarás de debaixo dos céus a memória de Amalec. Não o esqueças.

 
Capítulo 26

1. Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, e ali te tiveres estabelecido,
2. tomarás as primícias de todos os frutos do solo, que colheres na terra que te dá o Senhor, teu Deus, e, pondo-as num cesto, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar seu nome.
3. Apresentar-te-ás diante do sacerdote, que estiver em serviço naquele momento, e lhe dirás: reconheço hoje, diante do Senhor, meu Deus, que entrei na terra que o Senhor tinha jurado a nossos pais nos dar.
4. O sacerdote, recebendo o cesto de tua mão depô-lo-á diante. do altar do Senhor, teu Deus.
5. Dirás então em presença do Senhor, teu Deus: meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso.
6. Os egípcios afligiram-nos e oprimiram-nos, impondo-nos uma penosa servidão.
7. Clamamos então ao Senhor, o Deus de nossos pais, e ele ouviu nosso clamor, e viu nossa aflição, nossa miséria e nossa angústia. O Senhor tirou-nos do Egito com sua mão poderosa e o vigor de seu braço,
8. operando prodígios e portentosos milagres.
9. Conduziu-nos a esta região e deu-nos esta terra que mana leite mel.
10. Por isso trago agora as primícias dos frutos do solo que me destes, ó Senhor. Dito isto, deporás o cesto diante do Senhor, teu Deus, prostrando-te em sua presença.
11. Depois, alegrar-te-ás por todos os bens que o Senhor, teu Deus, te tiver dado, a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que mora no meio de ti.
12. Quando tiveres acabado dê separar o dízimo de todos os teus produtos, no terceiro ano, que é o ano do dízimo, e o tiveres distribuído ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que tenham em tua cidade do que comer com fartura,
13. dirás em presença do Senhor, teu Deus: tirei de minha casa o que era consagrado para dá-lo ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, como me ordenasses: não transgredi nem omiti nenhum dos vossos mandamentos.
14. Não comi dessas coisas durante o meu luto, nem delas separei coisa alguma em estado de impureza, e delas nada dei a um morto. Obedeci à voz do Senhor, meu Deus, e conformei-me inteiramente às vossas ordens.
15. Olhai de vossa santa morada, do alto dos céus, e abençoar vosso povo de Israel, e a terra que nos destes, como jurasses a nossos pais, terra que mana leite e mel.
16. O Senhor, teu Deus, ordena-te hoje que guardes estas leis e estes preceitos. Observa-os cuidadosamente e pratica-os de todo o teu coração e de toda a tua alma.
17. Hoje, fizeste o Senhor, teu Deus, prometer que ele seria teu Deus, e que andarias nos seus caminhos, observando suas leis, seus mandamentos e seus preceitos, e obedecendo-lhe fielmente.
18. E o Senhor fez-te prometer neste dia, também de tua parte, que serias um povo que lhe pertenceria de maneira exclusiva, como te disse, e que observarias todos os seus mandamentos,
19. para que ele te eleve em glória, renome e esplendor, acima de todas as nações que criou, e sejas, assim, um povo consagrado ao Senhor, teu Deus, como te disse.

 
Capítulo 27

1. Moisés e os anciães de Israel deram ao povo a seguinte ordem: Observareis todos os mandamentos que hoje vos prescrevo.
2. Quando tiverdes passado o Jordão e entrado na terra que te dá o Senhor, teu Deus, levantarás umas pedras grandes que revestirás de cal.
3. Escreverás nelas o texto desta lei, depois que tiveres passado e entrado na terra que mana leite e mel, terra que te dá o Senhor, teu Deus, como prometeu a teus pais.
4. Quando, pois, tiveres passado o Jordão, levantareis essas pedras no monte Ebal, revestindo-as de cal, como hoje vos ordeno.
5. Construir ás ali um altar de pedras ao Senhor, teu Deus, com pedras que o ferro não tenha tocado.
6. Construirás, pois o altar do Senhor, teu Deus, com pedras brutas, e oferecerás nele holocaustos ao Senhor, teu Deus.
7. Oferecerás também sacrifícios pacífico s dos quais comerás no mesmo lugar, alegrando-te diante do Senhor, teu Deus.
8. Escreverás nas pedras o texto completo desta lei, em caracteres distintos e claros.
9. Moisés e os sacerdotes levíticos dirigiram então a palavra a todo o Israel nestes termos: Guarda silêncio, e ouve, ó Israel! Hoje te tornaste o povo do Senhor, teu Deus.
10. Obedece, pois, à sua voz e guarda os seus mandamentos e suas leis que hoje te prescrevo.
11. No mesmo dia, Moisés ordenou ao povo o seguinte:
12. Quando tiverdes passado o Jordão, estarão sobre o monte Garizim para abençoar o povo: Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim;
13. e sobre o monte Ebal, para amaldiçoar: Rubem, Gad, Aser, Zabulon, Dá e Neftali.
14. E os levitas tomarão a palavra e dirão em alta voz a todos os homens de Israel:
15. Maldito o homem que fabrica ídolo de madeira ou metal (abominação para o Senhor, obra de mãos de artesão), e o erige mesmo que seja em lugar escondido! E todo o povo responderá: Amém!
16. Maldito o que despreza o pai e a mãe! E todo o povo dirá: Amém!
17. Maldito o que desloca o marco do vizinho! E todo o povo dirá: Amém!
18. Maldito o que desvia o cego do caminho! E todo o povo dirá: Amém!
19. Maldito o que viola o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva! E todo o povo dirá: Amém!
20. Maldito o que se deita com a mulher de seu pai, porque levanta a coberta do leito paterno! E todo o povo dirá: Amém!
21. Maldito o que peca com um animal qualquer! E todo o povo dirá: Amém!
22. Maldito o que se deita com sua irmã, filha de seu pai ou de sua mãe! E todo o povo dirá: Amém!
23. Maldito o que se deita com a sua sogra! E todo o povo dirá: Amém!
24. Maldito o que se oculta para matar o próximo! E todo o povo dirá: Amém!
25. Maldito o que aceita gratificação para levar à morte o inocente! E todo o povo dirá: Amém!
26. Maldito o que não conserva as palavras desta lei e não a cumpre! E todo o povo dirá: Amém!

 
Capítulo 28

1. Se obedeceres fielmente à voz do Senhor, teu Deus, praticando cuidadosamente todos os seus mandamentos que hoje te prescrevo, o Senhor, teu Deus, elevar-te-á acima de todas as nações da terra.
2. Estas são as bênçãos que virão sobre ti, e te tocarão, se obedeceres à voz do Senhor, teu Deus.
3. Serás bendito na cidade e bendito nos campos.
4. Será bendito o fruto de tuas entranhas, o fruto de teu solo, o fruto de teu gado, as crias de tuas vacas e de tuas ovelhas;
5. benditas serão a tua cesta e a tua amassadeira.
6. Serás bendito quando entrares e bendito quando saíres.
7. O Senhor expulsará diante de ti todos os inimigos que te atacarem. Se vierem por um caminho contra ti, fugirão por sete caminhos diante de ti.
8. O Senhor mandará que a bênção esteja contigo, em teus celeiros e em todas as tuas obras, e te abençoará na terra que te há de dar o Senhor, teu Deus.
9. O Senhor te confirmará como um povo consagrado a ele, como te jurou, contanto que observes suas ordens e andes pelos seus caminhos.
10. Todos os povos da terra verão, então, que és marcado com o nome do Senhor, e temer-te-ão.
11. O Senhor, teu Deus, cumularte-á de bens, multiplicará o fruto de tuas entranhas, o fruto de teus animais, o fruto de tua terra, na terra que jurou a teus pais dar-te.
12. o Senhor abrirá para ti as suas preciosas reservas, os céus, para dar a seu tempo a chuva necessária à tua terra e para abençoar todo o trabalho de tuas mãos. Assim, emprestarás a muitas nações, e de nenhuma receberás emprestado.
13. O Senhor te porá à frente e não na cauda; estarás sempre no alto, jamais embaixo, contanto que obedeças às ordens do Senhor, teu Deus, que hoje te prescrevo, que as observes e as ponhas em prática,
14. e não te desvies nem para a direita nem para a esquerda de nenhuma das prescrições que hoje te dou, para seguires a outros deuses e dar-lhes culto.
15. Mas se não obedeceres à voz do Senhor, teu Deus, se não praticares cuidadosamente todos os seus mandamentos e todas as suas leis que hoje te prescrevo, virão sobre ti e te alcançarão todas estas maldições:
16. serás maldito na cidade e maldito nos campos.
17. Serão malditas tua cesta e tua amassadeira;
18. será maldito o fruto de tuas entranhas, o fruto do teu solo, as crias de tuas vacas e de tuas ovelhas.
19. Serás maldito quando entrares e maldito serás quando saíres.
20. O Senhor mandará contra ti a maldição, o pânico e a ameaça em todas as tuas empresas, até que sejas destruído e aniquilado sem demora, por causa da perversidade, de tuas ações e por me teres abandonado.
21. O Senhor mandar-te-á a peste, até que ela te tenha apagado da terra em que vais entrar para possuí-la.
22. O Senhor te ferirá de fraqueza, febre e inflamação, febre ardente e secura, carbúnculo e mangra, flagelos que te perseguirão até que pereças.
23. o céu que está por cima da tua cabeça será de bronze, e o solo será de ferro sob os teus pés.
24. Em lugar da chuva ,necessária à tua terra, o Senhor dar-te-á pó e areia, que cairão do céu sobre ti até que pereças.
25. O Senhor por-te-á em fuga diante dos teus inimigos. Se marchares contra eles por um caminho, por sete caminhos fugiras deles, e serás objeto de horror para todos os reinos da terra.
26. Teu cadáver servirá de pasto a todas as aves do céu e a todos os animais da terra, sem que ninguém os expulse.
27. O Senhor te ferirá da úlcera do Egito, de hemorróidas, de sarna e de dartros incuráveis.
28. o Senhor te ferirá de loucura, de cegueira e de embotamento de espírito.
29. Andarás às apalpadelas em pleno meio-dia como o cego na escuridão; fracassarás em tuas empresas e, não cessarás de ser oprimido e despojado, sem ninguém que te defenda.
30. Receberás uma mulher, mas outro a possuirá; construirás uma casa, mas não a habitarás; plantarás uma vinha e não comerás os seus frutos.
31. O teu boi será imolado sob os teus olhos, mas tu não comerás dele; teu jumento será arrebatado em tua presença, e não te será jamais restituído; tuas ovelhas serão dadas aos teus inimigos, sem que ninguém te venha em socorro.
32. Teus filhos e tuas filhas serão dados a um povo estrangeiro; os teus olhos o verão e se consumirão de dor, esperando-os, mas a tua mão ficará impotente.
33. Os frutos de tua terra e de teu trabalho serão comidos por um povo que não conheces, e serás sem cessar oprimido e esmagado;
34. enlouquecer-te-ás à vista de tudo o que teus olhos terão de ver.
35. O Senhor te ferirá nos joelhos e nas coxas com uma úlcera maligna e incurável, e que se estenderá da planta dos pés ao alto da cabeça.
36. O Senhor te levará a ti e ao teu rei que tiveres sobre ti, ao meio de um povo que nem tu nem teus pais conheceram. Ali renderás culto a outros deuses, deuses de pau e de pedra.
37. Serás objeto de pasmo, de ludíbrio e de mofa para todos os povos no meio dos quais te conduzir o Senhor.
38. Lançarás sementes em abundância nos teus campos, mas colherás pouco, porque o gafanhoto devastará tudo.
39. Plantaras a vinha, e dela cuidarás, mas não beberás vinho, nem nada colherás, porque o verme devorará tudo.
40. Terás oliveiras em tuas terras, mas não terás óleo, porque as olivas cairão.
41. Gerarás filhos e filhas, mas não serão teus, porque irão para o cativeiro.
42. O besouro consumirá todas as árvores e todos os frutos de teu solo.
43. O estrangeiro que vive no meio de ti elevar-se-á cada vez mais, ao passo que tu descerás na mesma medida;
44. ele te emprestará, mas não tu a ele; ele estará na frente, e tu na cauda.
45. Todas estas maldições cairão sobre ti, te perseguirão e te alcançarão até que sejas exterminado, porque não ouviste a voz do Senhor, teu Deus, e não guardaste os mandamentos e as leis que ele te impôs.
46. Serão para ti e para a tua raça como um sinal e prodígio para sempre.
47. Visto que não serviste ao Senhor com alegria e bom coração, na abundância em que viveste,
48. servirás na fome, na sede, na nudez e na mais extrema miséria os inimigos quê o Senhor enviar contra ti; será posto no teu pescoço um jugo de ferro até que sejas aniquilado.
49. O Senhor suscitará contra ti das extremidades da terra uma nação longínqua, rápida como a águia, de uma língua bárbara,
50. e um rosto feroz, que não terá respeito pelo velho nem piedade com o menino.
51. Ela devorará o fruto de teus rebanhos e os produtos de teu solo, até que sejas aniquilado, e nada te deixará, nem trigo, nem vinho, nem óleo , nem a cria de tuas vacas, nem os filhotes de tuas ovelhas, até a tua ruína.
52. Ela te sitiará em todas as tuas cidades, até que desabem os teus mais altos e mais fortes muros, em que punhas a tua confiança, em toda a terra que te tiver dado o Senhor, teu Deus.
53. Comerás o fruto de tuas entranhas, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que o Senhor, teu Deus, te tiver dado, tão grandes serão a angústia e a miséria a que te reduzirá o teu inimigo.
54. O homem mais delicado de Israel, o mais mimoso, olhará com maus olhos o seu irmão, a mulher que repousa no seu seio e o que lhe resta ainda de filhos,
55. não querendo repartir com nenhum deles a carne de seus filhos, da qual se alimentará ele mesmo, porque nada mais lhe restará no meio da miséria e da angústia a que te reduzirá o teu inimigo em todas as tuas cidades.
56. A mulher mais delicada dentre vós, a mais mimosa, que nem sequer tentava pousar na terra a planta dos pés, por causa de sua excessiva brandura e delicadeza, olhará com maus olhos o marido que repousava no seu seio, seu filho e sua filha,
57. (não querendo repartir com eles) as secundinas saídas de seu ventre e o filho que ela porá no mundo; porque em sua penúria de todas as coisas, ela os te à comido ocultamente, no meio da miséria e da angústia a que te reduzirá o teu inimigo em todas as tuas cidades.
58. Se não cuidares de observar todas as palavras desta lei, consignada neste livro, em sinal de reverência pelo nome glorioso e temível de Javé, teu Deus,
59. o Senhor te ferirá, bem como a tua posteridade, com pragas extraordinárias, pragas grandes e permanentes, doenças perniciosas e pertinazes.
60. Fará voltar contra ti todas as enfermidades do Egito que temias, e elas pegarão em ti.
61. Além disso, o Senhor enviará contra ti, até que sejas exterminado, toda sorte de enfermidades e pragas, que não estão escritas no livro desta lei.
62. Vós, que éreis numerosos como as estrelas do céu, sereis reduzidos a um punhado de homens, porque tu não obedeceste à voz do Senhor, teu Deus.
63. E ,assim como o Senhor se comprazia em vos fazer bem e em vos multiplicar, assim se comprazerá em vos fazer perecer e em vos exterminar. Sereis arrancados da terra em que entrardes para possuí-la.
64. O Senhor te dispersará entre todas as nações, de uma extremidade a outra da terra, e lá renderás culto a outros deuses, deuses de pau e de pedra, que nem tu nem teus pais conheceram.
65. Não haverá segurança para ti no meio desses povos, nem repouso para a planta de teus pés. O Senhor te dará ali um coração agitado, olhos lânguidos e uma alma desfalecida.
66. A tua vida estará como em suspenso diante de ti. Terás pavores de noite e de dia, sem nenhuma certeza de viver.
67. Pela manhã dirás: oxalá que fosse a tarde! E à tarde dirás: oxalá que fosse a manhã! Isso, por causa do terror que possuirá o teu coração, e do espetáculo que terão de ver os teus olhos.
68. O Senhor te reconduzirá em navios ao Egito, pelo caminho do qual eu te havia dito que não o veríeis mais. E ali, quando vós vos venderdes aos vossos inimigos como escravas e como escravas, não haverá ninguém que vos compre.

 
Capítulo 29

1. Eis as palavras da aliança que o Senhor ordenou a Moisés que fizesse com os israelitas na terra de Moab, além daquela que tinha feito com ele em Horeb.
2. Moisés convocou todos os israelitas e disse-lhes: Vistes tudo o que o Senhor fez diante de vossos olhos no Egito, ao faraó, à sua gente e à sua terra,
3. as grandes provas que se desenrolaram aos vossos olhos, esses sinais e extraordinários prodígios.
4. Até o presente, porém, o Senhor não vos deu um coração que entenda, nem olhos que vejam, nem ouvidos que ouçam.
5. Eu vos conduzi durante quarenta anos pelo deserto, sem que vossas vestes se gastassem sobre vós, nem os sapatos de vossos pés.
6. Não comesses pão, nem bebesses vinho ou cerveja, para que reconhecêsseis que eu sou o Senhor, vosso Deus.
7. Chegastes finalmente aqui. Seon, rei de Hesebon, e Og, rei de Basã, saíram contra nós para combater-nos, mas nós os vencemos.
8. Conquistamos sua terra e a repartimos entre os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés.
9. Observareis, pois, as palavras dessa aliança e as poreis em prática, para serdes bem-sucedidos em todas as vossas empresas.
10. Vós estais hoje todos em presença do Senhor, vosso Deus, vossos chefes, vossas tribos, vossos anciãos, vossos oficiais, todos os homens de Israel,
11. vossos filhos e vossas mulheres, o estrangeiro que mora no acampamento, desde o cortador de lenha até o carregador de água;
12. (estais todos) para entrar na aliança do Senhor, teu Deus, na aliança garantida com juramento, que o Senhor, teu Deus, faz neste dia contigo,
13. a fim de fazer de ti o seu povo, e ele próprio ser o teu Deus, como te prometeu e jurou a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó.
14. Não só convosco faço esta aliança, garantida com juramento;
15. faço-a também com todos os que estão aqui presentes entre nós diante do Senhor, nosso Deus, e com todos os que não estão hoje aqui.
16. Sabeis de que modo habitamos na terra do Egito, e conheceis nossas peregrinações entre os povos por entre os quais passasses;
17. vistes suas abominações e seus ídolos infames de pau e de pedra, de prata e de ouro, que se acham entre eles.
18. Não haja entre vós homem ou mulher, família ou tribo, cujo coração se desvie hoje do Senhor, nosso Deus, para oferecer culto aos deuses dessas nações; não haja entre vós raiz que produza cicuta e absinto.
19. Que ninguém, ao ouvir as palavras deste juramento, se lisonjeie no seu coração, dizendo: eu terei paz, mesmo que me obstine em seguir as minhas inclinações, porque o que está saciado seria arrastado com o que tem sede.
20. O Senhor não o perdoaria, mas sua cólera e sua indignação se inflamariam contra ele; todas as maldições contidas neste livro viriam sobre ele, e o Senhor apagaria o seu nome de debaixo dos céus.
21. O Senhor o separaria, para a sua desgraça, de todas as tribos de Israel, conforme todas as maldições da aliança escritas neste livro da lei.
22. A geração vindoura, vossos filhos, que nascerem depois de vós, e o estrangeiro que vier de uma terra distante perguntarão, à vista dos flagelos e das calamidades com que o Senhor tiver afligido esta terra,
23. à vista do enxofre e do sal, e deste solo abrasado, inculto e estéril, onde não cresce erva alguma – à semelhança da destruição de Sodoma e Gomorra de Adama e de Seboim, que o Senhor; devastou em sua cólera e em seu furor -,
24. todas essas nações perguntarão: por que o fez assim o Senhor a esta terra, e de onde vem o ardor de tamanha cólera?
25. Ser-lhes-á respondido: É porque abandonaram a aliança que o Senhor, o Deus de seus pais, tinha feito com eles quando os tirou do Egito,
26. e serviram outros deuses, adorando deuses que não conheciam, e que o Senhor não lhes tinha indicado.
27. A cólera do Senhor acendeu-se contra essa terra, e ele mandou sobre ela todas as maldições escritas neste livro.
28. O Senhor, em sua cólera, seu furor e sua indignação, arrancou-os de sua terra e os exilou para uma terra estranha, como se vê hoje.
29. O que está oculto pertence ao Senhor, nosso Deus; o que foi revelado é para nós e para nossos filhos, para sempre, a fim de que ponhamos em prática todas as palavras desta lei.

 
Capítulo 30

1. Quando, pois, tiverem acontecido todas essas coisas e postas diante de ti a bênção ou a maldição, se tu as tomares a peito no meio de todas as nações entre as quais o Senhor, teu Deus, te tiver espalhado,
2. e voltares então para o Senhor, e obedeceres à sua voz de todo o teu coração e de toda a tua alma, tu e os teus filhos, conformando-vos a tudo o que hoje vos ordeno,
3. então o Senhor, teu Deus, reconduzirá teus cativos e terá piedade de ti, e te ajuntará de novo do meio das nações entre as quais te houver espalhado.
4. Ainda que os teus exilados se encontrassem na extremidade dos céus, dali te tiraria o Senhor, teu Deus, e ali mesmo iria ele buscar-te.
5. O Senhor, teu Deus, te reconduzirá à terra que possuíam os teus pais e te dará a sua possessão. E far-te-á prosperar e multiplicar mais que os teus pais.
6. O Senhor, teu Deus, circuncidar-te-á o coração e o de tua descendência, para que ames o Senhor de todo o teu coração e de toda a tua alma, a fim de que possas viver.
7. O Senhor, teu Deus, fará cair todas essas maldições sobre os teus inimigos e sobre aqueles que te perseguem com ódio.
8. Tu, porém, voltarás a ouvir a voz do Senhor, e porás em prática todas as ordens que hoje te prescrevo.
9. O Senhor, teu Deus, encher-te-á de bens em todas as obras de tuas mãos, no fruto de tuas entranhas, no fruto de teus animais e nos produtos de teu solo, porque o Senhor se comprazerá de novo em fazer-te feliz, como se comprazia no tempo de teus pais,
10. contanto que obedeças à voz do Senhor, teu Deus, observando seus mandamentos e seus preceitos escritos neste livro da lei, e que voltes para o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma.
11. O mandamento que hoje te dou não está acima de tuas forças, nem fora de teu alcance.
12. Ele não está nos céus, para que digas: quem subirá ao céu para no-lo buscar e no-lo fazer ouvir para que o observemos?
13. Não está tampouco do outro lado do mar, para que digas: quem atravessará o mar para no-lo buscar e no-lo fazer ouvir para que o observemos?
14. Mas essa palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração: e tu a podes cumprir.
15. Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal.
16. Mando-te hoje que ames o Senhor, teu Deus, que andes em seus caminhos, observes seus mandamentos, suas leis e seus preceitos, para que vivas e te multipliques, e que o Senhor, teu Deus, te abençoe na terra em que vais entrar para possuí-la.
17. Se, porém, o teu coração se afastar, se não obedeceres e se te deixares seduzir para te prostrares diante de outros deuses e adorá-los,
18. eu te declaro neste dia: perecereis seguramente e não prolongareis os vossos dias na terra em que ides entrar para possuí-la, ao passar o Jordão.
19. Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a I tua posteridade,
20. amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele. Porque é esta a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais.

 
Capítulo 31

1. Moisés dirigiu ainda a todo o Israel o discurso seguinte:
2. Eis-me hoje com a idade de cento e vinte anos; não posso mais ir e vir, e o Senhor disse-me que eu não passaria o Jordão.
3. O Senhor, teu Deus, passará diante de ti; ele mesmo exterminará essas nações para que possuas a sua terra. E Josué vos conduzirá, como o declarou o Senhor.
4. O Senhor fará a esses povos como fez a Seon e a Og, reis dos amorreus, e à sua terra, aniquilando-os.
5. O Senhor vo-los entregará, e vós os tratareis exatamente como vos ordenei.
6. Coragem! E sede fortes. Nada vos atemorize, e não os temais, porque é o Senhor vosso Deus que marcha à vossa frente: ele não vos deixará nem vos abandonará.
7. Moisés chamou em seguida Josué e disse-lhe em presença de todo o Israel: Mostra-te varonil e corajoso, porque entrarás com esse povo na terra que o Senhor jurou a seus pais dar-lhes, e a repartirás entre eles.
8. O Senhor mesmo marchará diante de ti, e estará contigo, e não te . deixará nem te abandonará. Nada temas, e não te amedrontes.
9. Moisés escreveu essa lei e deu-a aos sacerdotes filhos de Levi, quê levavam a arca da aliança do Senhor, bem como a todos os anciães de Israel,
10. dando-lhes esta ordem: Ao fim de cada sete anos, no ano da remissão, por ocasião da festa dos tabernáculos,
11. quando todo o Israel vier apresentar-se diante do Senhor, vosso Deus, no lugar escolhido por ele, tu farás a leitura dessa lei a todo o povo israelita.
12. Juntarás todo o povo num mesmo lugar, homens, mulheres, crianças e o estrangeiro que habita em tuas cidades, para que, ouvindo essa leitura, aprendam a temer o Senhor vosso Deus, e ponham cuidadosamente em prática todas as prescrições dessa lei.
13. Seus filhos, que delas não tiverem conhecimento, as ouvirão, e aprenderão a respeitar o Senhor, vosso Deus, em todo o tempo que viventes nesta terra, cuja posse ides tomar ao passar o Jordão.
14. O Senhor disse a Moisés: Aproxima-se o dia de tua morte. Chama Josué e apresentai-vos na tenda de reunião, para que eu lhe dê minhas ordens. Apresentaram-se, pois, Moisés e Josué na tenda de reunião.
15. E o Senhor apareceu ali na coluna de fumaça, a qual parou à entrada do pavilhão.
16. O Senhor disse a Moisés: Eis que vais repousar com teus pais, e esse povo irá prostituir-se aos deuses estrangeiros, entre os quais vai habitar. Ele me abandonará e violará a aliança que fiz com ele.
17. Naquele dia, o meu furor se acenderá contra esse povo: eu o abandonarei e ocultar-lhe-ei a minha face, e ele será devorado, uma multidão de males e angústias virá sobre ele, o que lhe fará dizer: é certamente porque meu Deus não está mais comigo que me vêm todos estes males.
18. Eu, porém, ocultarei completamente a minha face naquele momento, por causa do mal que fez o povo, seguindo outros deuses.
19. E agora, escrevei este cântico, ensinai-o aos israelitas e ponde-o nos seus lábios, para que me sirva de testemunho contra eles.
20. Com efeito, quando eu os tiver introduzido na terra que mana leite e mel, que prometi a seus pais lhes dar, depois que tiverem comido, e se tiverem saciado e engordado, voltar-se-ão para outros deuses e lhes renderão culto, desprezando-me e violando a minha aliança.
21. Depois que tiverem caído sobre eles muitos males e angústias, deporá contra eles este cântico que seus descendentes repetirão de memória. Eu conheço as disposições que animam esse povo desde o presente, antes mesmo que o tenha introduzido na terra que lhe jurei dar.
22. Nesse mesmo dia, Moisés redigiu o cântico e o ensinou aos israelitas.
23. O Senhor deu a Josué, filho de Nun, as seguintes ordens: Mostra-te varonil e corajoso, porque tu introduzirás os israelitas na terra que lhes jurei dar; e estarei contigo.
24. Quando Moisés acabou de escrever todo o texto dessa lei,
25. deu aos levitas, que levavam a arca da aliança do Senhor, esta ordem:
26. Tomai este livro da lei e colocai-o ao lado da arca da aliança do Senhor, vosso Deus, para aí servir de testemunho contra ti,
27. porque conheço teu espírito de revolta e sei que tens a cerviz dura. Se hoje, que ainda estou vivo no meio de vós, sois rebeldes ao Senhor, quanto mais o sereis depois de minha morte.
28. Reuni junto de mim todos os anciães de vossas tribos e vossos magistrados: dirigir-lhes-ei estas palavras e tomarei o céu e a terra como testemunhas contra eles.
29. Pois sei que depois de minha morte vos corrompereis certamente e vos desviareis do caminho que vos tracei; sei que virão males sobre vós no decorrer dos tempos, porque fareis o mal aos olhos do Senhor, irritando-o com o vosso proceder.
30. Então pronunciou Moisés até o fim este cântico, em presença da assembléia:

 
Capítulo 32

1. Estai atentos, ó céus, eu vou falar. E a terra ouça as palavras de minha boca.
2. Derrame-se como chuva a minha doutrina, espalhe-se como orvalho a minha palavra, como aguaceiro sobre os campos verdejantes, como chuvarada sobre a relva.
3. Porque vou proclamar o nome do Senhor, dar glória ao nosso Deus!
4. Ele é o rochedo, perfeita é a sua obra, justos, todos os seus caminhos; é Deus de lealdade, não de iniqüidade, ele é justo, ele é reto.
5. Pecaram contra ele; já não são seus filhos, mas raça degenerada, geração perversa, depravada.
6. E assim que agradeceis ao Senhor, povo frívolo e insensato? Não é ele teu Pai, teu Criador, que te fez e te estabeleceu?
7. Lembra-te dos dias antigos, considera os anos das gerações passadas. Interroga teu pai e ele te contará; teus anciãos e eles te dirão.
8. Quando o Altíssimo dividia os povos e dispersava os filhos dos homens, fixou limites aos povos, segundo o número dos filhos de Deus.
9. Entretanto, a parte do Senhor era o seu povo, Jacó, a porção de sua herança.
10. Em solitude desértica o encontrou, entre bramidos de regiões desoladas, e o cercou de cuidados, e o acalentou, e o guardou como a menina dos olhos!
11. Tal qual águia vigilante sobre o ninho, adejando sobre os filhotes, ele estendeu as asas e o tomou, o transportou sobre sua plumagem.
12. Só o Senhor foi o seu guia; nenhum outro deus estava com ele.
13. Fê-lo galgar às alturas da terra, alimentou-o com os frutos do campo, deu-lhe a beber mel da rocha, óleo da pedra duríssima.
14. A manteiga das vacas, o leite das ovelhas, a carne gorda dos cordeiros, dos carneiros de Basã e dos cabritos, com a fina flor do trigo. E bebeste como vinho puro o sangue das uvas.
15. Todavia, Jesurum engordou e recalcitrou. Estás tronchudo, taludo, rechonchudo! E abandonou Deus que o criou, e desprezou o rochedo de sua salvação.
16. Provocaram-lhe o ciúme com deuses estranhos, irritaram-no com abominações.
17. Sacrificaram a gênios que não são Deus, a divindades desconhecidas, novas, recém-chegadas, que vossos pais nunca, jamais veneraram.
18. Abandonaste o rochedo que te gerou e esqueceste Deus que te formou!
19. Ao ver tais coisas, o Senhor indignou-se com seus filhos e suas filhas,
20. e disse: vou ocultar-lhes o meu rosto e ver o que lhes sucederá…Pois são uma geração perversa, filhos sem lealdade.
21. Excitaram o meu ciúme com coisas que não são Deus, magoaram-me com suas idolatrias; também eu excitarei o seu ciúme com gente que não constitui um povo; magoá-los-ei com uma nação insensata.
22. Sim, acendeu-se o fogo da minha cólera, que arde até o mais profundo da habitação dos mortos; devora a terra e os seus produtos, e consome os fundamentos das montanhas.
23. Acumularei desgraças sobre eles, contra eles esgotarei minhas flechas.
24. Serão extenuados pela fome, devorados pela febre e pela peste mortal.
Incitarei contra eles o dente das feras e o veneno dos animais que rastejam pelo chão.
25. Fora, a espada a semear a orfandade; dentro, um pavor de estarrecer tanto o adolescente como a jovem, tanto o menino de peito como o ancião.
26. Eu teria prometido reduzi-los a pó, apagar sua lembrança do meio dos homens,
27. caso não temesse (favorecer) os insultos do inimigo, e que seus adversários, iludindo-se, viessem a exclamar: poderosa é nossa mão; não foi o Senhor quem fez tudo isso!
28. Porque é uma nação insensata, desprovida de inteligência.
29. Se fossem sábios, compreenderiam, e discerniriam aquilo que os espera.
30. Como poderia um só homem perseguir mil, e dois pôr em fuga dois mil, se seu rochedo não estivesse vendido, se o Senhor não os tivesse entregado?
31. Porque o rochedo deles não é como o nosso rochedo; disso os nossos inimigos são testemunhas.
32. Suas videiras são das plantações de Sodoma e dos terrenos de Gomorra; suas uvas são venenosas, seus cachos, amargosos.
33. o seu vinho é veneno de serpente, o mais terrível veneno de cobra!
34. Eis uma coisa que está guardada comigo, consignada nos meus segredos:
35. a mim me pertencem a vingança e as represálias, para o instante em que o seu pé resvalar. Porque está próximo o dia da sua ruína e o seu destino se precipita.
36. o Senhor fará justiça ao seu povo e terá compaixão dos seus servos, vê-los extenuados, desfeitos tanto ó escravo como o homem livre.
37. Dirá: onde estão os seus deuses _ o rochedo em que confiavam _,
38. que comiam a gordura dos seus sacrifícios e bebiam, o vinho das suas libações? Levantem-se para vos socorrer; sejam eles vosso abrigo!
39. Reconhecei agora: eu só, somente eu sou Deus, e não há outro além de mim. Eu extermino e chamo à vida, eu firo e curo, e não há quem o arranque da minha mão.
40. Levanto para o céu a minha mão e digo: tão certo como eu vivo eternamente,
41. quando afiar a minha espada reluzente e tomar a minha aljava, vingar-me-ei dos meus inimigos e darei a paga aos que me odeiam;
42. embriagarei de sangue as minhas flechas, minha espada se saciará de carne, do sangue das vítimas e dos prisioneiros, das cabeças dos chefes inimigos.
43. Louvai, ó nações, o seu povo, porque vingará o sangue dos seus servos; tomará vingança dos seus adversários e purificará a sua terra e o seu povo.
44. Moisés, juntamente com Josué, filho de Nun, veio e proferiu todas as palavras deste cântico aos ouvidos do povo.
45. Quando acabou de proferir todas as palavras a todo o Israel,
46. disse-lhes: Aplicai os vossos corações a todos os preceitos que hoje vos dou, prescrevei-os a vossos filhos, a fim de que pratiquem cuidadosamente todas as palavras desta lei.
47. Ela não é para vós coisa de somenos importância, mas é vossa própria vida. E por ela que prolongareis os vossos dias na terra que ides possuir, depois de passardes o Jordão.
48. Nesse mesmo dia, o Senhor disse, a Moisés:
49. Sobe à montanha de Abarim o monte Nebo, que está na terra de Moab, defronte de Jericó, e contempla a terra de Canaã, cuja posse dou aos filhos de Israel.
50. Morrerás sobre essa montanha em que vais subir, e serás reunido aos teus, como o teu irmão Aarão morreu sobre o monte Hor e foi reunido aos seus,
51. porque pecastes contra mim no meio dos israelitas, nas águas de Meribá, em Cades, no deserto de Sin, e não me santificasses no meio dos filhos de Israel.
52. Verás, pois, defronte de ti a terra que darei aos israelitas, mas não entrarás nela.

 
Capítulo 33

1. Eis a bênção que Moisés, o homem de Deus, pronunciou sobre os israelitas antes de morrer:
2. O Senhor veio do Sinai e levantou-se para eles de Seir; resplandeceu do monte Fará, e chegou de Meribá de Cabes, do sul às encostas das montanhas.
3. Sim, ele ama os povos. Todos os seus santos estão ao abrigo da sua mãoestão sentados a seus pés para receber as suas palavras.
4. Moisés nos prescreveu uma lei – herança da assembléia de Jacó.
5. Houve um rei em Jesurum, quando se reuniram os chefes do povo com as tribos de Israel.
6. Que Rubem viva, e não morra jamais! E não seja reduzido a um punhado de homens.
7. Para Judô eis o que disse: ouvi, Senhor, a voz de Judá, guiai-o ao seu povo. Enquanto suas mãos combatem por ele, vinde protegê-lo contra os inimigos.
8. Para Levi disse: dai vossos tumim e vossos urim ao homem que vos é fiel, quem provasses em Massá, com quem questionasses junto às águas de Meribá.
9. Que diz de seu pai e sua mãe: Não os tenho em consideração; que não reconhece seus irmãos e ignora seus filhos. Eles observam a vossa palavra e guardam a vossa aliança;
10. ensinam vossos preceitos a Jacó e vossa lei a Israel; apresentam o incenso ao vosso olfato e o holocausto sobre o vosso altar.
11. Abençoai, Senhor, sua obra e aceitar o trabalho de suas mãos. Deslombai seus agressores e seus inimigos, para que não mais consigam levantar-se.
12. Para Benjamim disse: querido do Senhor, habita junto dele com segurança. O Altíssimo o protege sempre; repousa entre os seus ombros.
13. Para José disse: Sua terra é abençoada pelo Senhor com os dons do céu e do orvalho, com os dons das fontes que brotam das profundezas,
14. Com os melhores frutos do sol, os melhores frutos de cada mês,
15. as primícias dos montes antigos, o que há de melhor nas colinas eternas,
16. os frutos excelentes da terra, e tudo o que ela contém! Possa o favor daquele que habitou na sarça repousar sobre a cabeça de José, sobre a fronte do eleito entre os irmãos!
17. Glória a esse touro primogênito! São chifres de búfalo os seus chifres; com eles agride todos os povos até os confins da terra! Tais são as miríades de Efraim, tais os milhares de Manassés.
18. Para Zabulon disse: sê feliz, Zabulon, nas tuas caminhadas, e tu, Issacar, nas tuas tendas!
19. Convocarão os povos à montanha para aí oferecerem sacrifícios justos, porque sorverão as riquezas do mar e os tesouros ocultos na areia.,
20. Para Gad disse: bendito seja quem dilatar Gad! Ele se agacha como uma leoa, e despedaça braço e cabeça;
21. escolheu para si as primícias da terra, porque ali estava a porção do chefe. Avança à frente do povo, cumprindo a justiça do Senhor e os seus juízos com Israel.
22. Para Dá disse: Dá é um leãozinho, que salta de Basã.
23. Para Neftali disse: Neftali, saciado de delícias, cumulado das bênçãos do Senhor, toma possessão do mar e do sul.
24. Para Aser disse: bendito seja Aser entre todos os filhos! Seja o favorito de seus irmãos, e mergulhe os pés no óleo.
25. Teus ferrolhos serão de ferro e bronze, e tua segurança durará toda a tua existência.
26. Ninguém como o Deus de Jesurum,
27. o Deus dos tempos antigos que é o teu refúgio e teu apoio os seus braços eternos, que, para te socorrer, cavalga os céus e as nuvens majestosamente. Expulsa o inimigo de diante de ti e te diz: Extermina!
28. Israel habita em segurança, fonte de Jacó corre, na solidão, numa terra de trigo e de vinho, o céu destila-lhe o orvalho.
29. Tu és feliz, ó Israel! Quem é, como tu, povo salvo pelo Senhor, escudo que te protege, espada que te engrandece? Teus inimigos virão adular-te, mas tu pisarás por cima deles.

 
Capítulo 34

1. Subiu Moisés das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Fasga, defronte de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Galaad até Dá,
2. todo o Neftali, a terra de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até o mar ocidental,
3. o Negeb, a planície do Jordão, o vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Segor.
4. O Senhor disse-lhe: Eis a terra que jurei a Abraão, a Isaac e a Jacó dar à sua posteridade. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela.
5. E Moisés, o servo do Senhor, morreu ali na terra de Moab, como o Senhor decidira.
6. E ele o enterrou no vale da terra de Moab, defronte de Bet-Fogor, e ninguém jamais soube o lugar do seu sepulcro.
7. Moisés tinha cento e vinte anos no momento de sua morte: sua vista não se tinha enfraquecido, e o seu vigor não se tinha abalado.
8. Os israelitas choraram-no durante trinta dias nas planícies de Moab; e, passado esse tempo, acabaram-se os dias de pranto consagrados ao luto por Moisés.
9. Josué, filho de Nun, ficou cheio do Espírito de Sabedoria, porque Moisés lhe tinha imposto as suas mãos. Os israelitas obedeceram-lhe, assim como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
10. Não se levantou mais em Israel profeta comparável a Moisés, com quem o Senhor conversava face a face.
11. (Ninguém o igualou) quanto a todos os sinais e prodígios que o Senhor o mandou fazer na terra do Egito, diante do faraó, de seus servos e de sua terra,
12. nem quanto a todos os feitos e às terríveis ações que ele operou sob os olhos de todo o Israel.

 

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Livro de Josué

by on ago.13, 2009, under Livro de Josué

Livro de Josué

 Capítulo 1

1. Após a morte de Moisés, servo do Senhor, o Senhor disse a Josué, filho de Nun, assistente de Moisés:
2. Meu servo Moisés morreu. Vamos, agora! Passa o Jordão, tu e todo o povo, e entra na terra que dou aos filhos de Israel.
3. Todo lugar que pisar a planta de vossos pés, eu vo-lo dou, como prometi a Moisés.
4. O vosso território se estenderá desde esse deserto e desde o Líbano até o grande rio Eufrates – todo o país dos hiteus – e até o mar Grande para o ocidente.
5. Enquanto viveres, ninguém te poderá resistir; estarei contigo como estive com Moisés; não te deixarei nem te abandonarei.
6. Sê firme e corajoso, porque tu hás de introduzir esse povo na posse da terra que jurei a seus pais dar-lhes.
7. Tem ânimo, pois, e sê corajoso para cuidadosamente observares toda a lei que Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te afastes dela nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas feliz em todas as tuas empresas.
8. Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido.
9. Isto é uma ordem: sê firme e corajoso. Não te atemorizes, não tenhas medo, porque o Senhor está contigo em qualquer parte para onde fores.
10. Eis que Josué ordenou aos oficiais do povo:
11. Percorrei o acampamento e proclamai ao povo o seguinte: preparai provisões. Dentro de três dias atravessareis o Jordão e ireis conquistar a terra que o Senhor vos dá.
12. Josué dirigiu-se também aos rubenitas, aos gaditas e à meia tribo de Manassés nestes termos:
13. Lembrai-vos do que vos prescreveu Moisés, servo do Senhor, quando vos dizia: o Senhor, vosso Deus, vos deu descanso e toda esta terra.
14. Vossas mulheres, filhos e animais ficarão na terra que Moisés vos deu além do Jordão, mas vós, todos os homens fortes e valentes, passareis armados à frente de vossos irmãos, e os ajudareis,
15. até que o Senhor tenha dado a vossos irmãos o descanso, como a vós, e que também eles entrem na posse da terra que o Senhor vosso Deus lhes dá. Depois voltareis para a terra que vos pertence, aquela que Moisés, servo do Senhor, vos deu além do Jordão, para o levante.
16. Eles responderam a Josué: Faremos tudo o que nos ordenaste, e iremos aonde quer que nos enviares.
17. Obedecer-te-emos em todas as coisas, assim como obedecemos Moisés. Somente desejamos que o Senhor esteja contigo, como esteve com Moisés!
18. Todo aquele que for rebelde às tuas ordens e não obedecer ao que lhe mandares, será morto. Mas sê forte e corajoso!

 
Capítulo 2

1. Josué, filho de Nun, despachou de Setim secretamente dois espiões: Ide, disse-lhes ele, e examinai a terra e a cidade de Jericó. Em caminho, entraram em casa de uma prostituta chamada Raab, onde se alojaram.
2. E foi avisado ao rei de Jericó: Entraram aqui de noite alguns israelitas para explorar a terra.
3. O rei mandou dizer a Raab: Faze sair esses homens que foram ter contigo e entraram em tua casa; porque vieram espionar a terra.
4. Mas a mulher ocultou os dois homens e respondeu: Vieram realmente uns homens à minha casa, mas eu não sabia de onde eram.
5. Pela tarde, quando se iam fechar as portas da cidade, eles partiram. Ignoro para onde foram. Persegui-os vós depressa e os alcançareis.
6. Ora, ela os fizera subir ao terraço de sua casa e os ocultara sob palhas de linho que ali havia.
7. Os homens enviados foram atrás deles pelo caminho, que conduz ao vau do Jordão, e as portas da cidade foram fechadas após a partida da patrulha.
8. Antes que se deitassem, Raab subiu ao terraço junto dos espiões e disse-lhes:
9. Eu sei que o Senhor vos entregou esta terra; o terror de vós apoderou-se de nós, e todos os habitantes da terra estão desanimados por vossa causa.
10. Ouvimos dizer como o Senhor secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saístes do Egito, e como, além do Jordão, tratastes os dois reis dos amorreus, Seon e Og, os quais votastes ao interdito.
11. Quando ouvimos isso, nosso coração desfaleceu e ninguém mais tem coragem de vos resistir, porque o Senhor, vosso Deus, é o Deus nas alturas dos céus e aqui embaixo na terra.
12. Agora, vo-lo peço, jurai-me pelo Senhor, que, assim como usei de bondade para convosco, do mesmo modo poupareis a casa de meu pai.
13. Dai-me um sinal seguro de que salvareis meu pai, minha mãe, meus irmãos, minhas irmãs e todos os que lhe pertencem e livrareis as nossas vidas da morte.
14. Eles responderam-lhe: a custa de nossa vida salvaremos a vossa, contanto que não nos atraiçoeis. Quando o Senhor nos entregar esta terra, fiéis (à nossa promessa) tratar-te-emos com bondade.
15. Então, servindo-se de uma corda, ela desceu-os pela janela, pois a casa em que morava estava sobre o muro da cidade.
16. Ide para o monte, disse-lhes ela, para que não vos encontrem os vossos perseguidores. Ocultai-vos ali durante três dias, até que eles voltem; depois retomareis o vosso caminho.
17. Os homens disseram-lhe: Eis como havemos de cumprir o juramento a que nos obrigastes:
18. quando tivermos entrado na terra, porás este cordão vermelho na janela por onde nos fizeste descer; reúne em torno de ti, em tua casa, teu pai, tua mãe, teus irmãos, e toda a família de teu pai.
19. Se alguém ultrapassar a porta de tua casa e sair para fora, este será responsável pelo que acontecer, e nós seremos inocentes. Mas se alguém puser a mão sobre quem quer que seja que se encontrar contigo em tua casa, é sobre nós que isto cairá.
20. Se divulgares, porém, o que combinamos contigo, estaremos desobrigados do juramento que nos fizeste fazer.
21. Seja como dissestes, respondeu ela. Depois os despediu, e eles partiram. E ela pendurou o cordão vermelho na janela.
22. Eles foram para o monte, onde permaneceram durante três dias, até que voltassem os que os perseguiam. Estes, tendo buscado por todo o caminho os espiões, não os encontraram.
23. Os dois homens desceram então do monte e, voltando, passaram o Jordão. Foram para junto de Josué, filho de Nun, e contaram-lhe tudo o que se tinha passado.
24. O Senhor, disseram-lhe eles, entregou toda essa terra nas nossas mãos, pois todos os seus habitantes tremem diante de nós.

 
Capítulo 3

1. Levantando-se bem cedo, Josué desfez o acampamento e partiu de Setim com todos os filhos de Israel. Chegados ao Jordão, aí se detiveram antes de atravessá-lo.
2. Passados três dias, os oficiais atravessaram pelo meio do acampamento,
3. dando ao povo esta ordem: Quando virdes a arca da aliança do Senhor, vosso Deus, levada pelos sacerdotes, filhos de Levi, deixareis vosso acampamento e vos poreis em marcha, seguindo-a.
4. Haja entre vós e ela uma distância de dois mil côvados aproximadamente. Guardai-vos de vos aproximar dela. Isso para que possais conhecer o caminho por onde deveis ir, porque nunca passastes por ele.
5. Josué disse ao povo: Santificai-vos, porque amanhã o Senhor operará no meio de vós coisas maravilhosas.
6. Depois falou aos sacerdotes: Tomai a arca da aliança e ide, adiante do povo. Eles tomaram a arca da aliança e caminharam à testa do povo.
7. O Senhor disse a Josué: Hoje começarei a exaltar-te diante de todo o Israel, para que saibam que, assim como estive com Moisés, assim estarei contigo.
8. Eis o que ordenarás aos sacerdotes que levam a arca da aliança: quando chegardes ao Jordão, deter-vos-eis junto às águas do rio.
9. Então Josué disse aos israelitas: Aproximai-vos e ouvi as palavras do Senhor, vosso Deus.
10. Por isso, prosseguiu ele, sabereis que o Deus vivo está no meio de vós, e que ele expulsará de diante de vós os cananeus, os hiteus, os heveus, os ferezeus, os gergeseus, os amorreus e os jebuseus.
11. Eis que a arca da aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar diante de vós o Jordão.
12. Tomai doze homens, um de cada tribo de Israel.
13. Logo que os sacerdotes que levam a arca de Javé, o Senhor de toda a terra, tiverem tocado com a planta dos seus pés as águas do Jordão, estas serão cortadas, e as águas que vêm de cima pararão, amontoando-se.
14. O povo dobrou suas tendas e dispôs-se a passar o Jordão, tendo diante de si os sacerdotes que marchavam na frente do povo levando a arca.
15. No momento em que os portadores da arca chegaram ao rio e os sacerdotes mergulharam os seus pés na beira do rio – o Jordão estava transbordante e inundava suas margens durante todo o tempo da ceifa -,
16. as águas que vinham de cima detiveram-se e amontoaram-se em uma grande extensão, até perto de Adom, localidade situada nas proximidades de Sartã; e as águas que desciam para o mar da planície, o mar Salgado, foram completamente separadas. O povo atravessou defronte de Jericó.
17. Os sacerdotes, que levavam a arca da aliança do Senhor, conservaram-se de pé sobre o leito seco do Jordão, enquanto que todo o Israel passava a pé enxuto. E ali permaneceram até que todos passassem para a outra margem.

 
Capítulo 4

1. Tendo todo o povo atravessado o Jordão, o Senhor disse a Josué:
2. Escolhei doze homens dentre o povo, um por tribo, e ordenai-lhes:
3. tomai daqui, do meio do Jordão, deste lugar onde os pés dos sacerdotes estiveram parados, doze pedras que levareis convosco e as colocareis no lugar onde haveis de passar a noite.
4. Josué convocou os doze homens escolhidos, um por tribo, entre os filhos de Israel.
5. E disse-lhes: Ide adiante da arca do Senhor, vosso Deus, no meio do Jordão, e cada um de vós, segundo o número das tribos de Israel, carregue uma pedra no seu ombro.
6. Isso ficará como um memorial entre vós. Quando vossos filhos vos perguntarem um dia: que significam essas pedras?
7. Responder-lhes-eis: as águas do Jordão foram cortadas diante da arca da aliança do Senhor; quando ela atravessou o Jordão, as águas foram cortadas, e essas pedras são para os israelitas um monumento eterno em memória desse acontecimento.
8. Fizeram os filhos de Israel como Josué lhes tinha ordenado: tomaram do meio do leito do Jordão doze pedras, como o Senhor tinha dito a Josué, segundo o número das tribos de Israel. Levaram-nas consigo e depositaram-nas no. lugar onde deviam acampar.
9. Pôs também Josué outras doze pedras no leito do Jordão, no lugar onde estiveram parados os pés dos sacerdotes que levavam a arca da aliança. E elas estão ali ainda hoje.
10. Os sacerdotes que levavam a arca permaneceram de pé no meio do leito do Jordão até que se cumpriu tudo o que o Senhor tinha ordenado que Josué dissesse ao povo, segundo as ordens que lhe dera Moisés. O povo apressou-se em atravessar o rio.
11. Logo que todos passaram, a arca do Senhor e os sacerdotes puseram-se de novo à frente do povo.
12. Os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés tinham passado o rio armados, diante dos israelitas, segundo a ordem de Moisés.
13. Em número de aproximadamente quarenta mil homens, equipados para o combate, desfilaram diante do Senhor, rumo à planície de Jericó.
14. Naquele dia o Senhor exaltou Josué aos olhos de todo o Israel. E todos tiveram para com ele o mesmo respeito que por Moisés, durante toda a sua vida.
15. O Senhor disse a Josué:
16. Ordena aos sacerdotes, que levam a arca do testemunho, que saiam do Jordão.
17. Josué ordenou-lhes: Saí do Jordão.
18. E os sacerdotes, que levavam a arca da aliança do Senhor, tendo deixado o leito do rio, ao pisarem seus pés a terra firme, as águas do Jordão retomaram seu lugar e correram caudalosas como antes.
19. Ora, o povo saiu do Jordão no décimo dia do primeiro mês, e acampou em Gálgala, na extremidade oriental de Jericó.
20. Josué levantou ali as doze pedras tomadas do Jordão.
21. E disse aos filhos de Israel: Quando vossos filhos perguntarem um dia a seus pais: que significam essas pedras?
22. Responder-lhes-eis nestes termos: Israel atravessou o Jordão a pé enxuto,
23. porque o Senhor, vosso Deus, secou diante de vós o leito do Jordão, até que passásseis, do mesmo modo que antes tinha feito ao mar Vermelho, o qual secou diante de nós até que passássemos.
24. Isto, para que todos os povos da terra saibam que a mão do Senhor é poderosa, e para que conserveis sempre o temor do Senhor, vosso Deus.

 
Capítulo 5

1. Quando todos os reis dos amorreus, a ocidente do Jordão, e todos os reis dos cananeus, para as bandas do mar, souberam que o Senhor tinha secado as águas do Jordão diante dos israelitas, até que passassem, seu coração desfaleceu e perderam toda a coragem diante dos israelitas.
2. Então o Senhor disse a Josué: Faze facas de pedras, e circuncida de novo os israelitas.
3. Josué fez as facas de pedra e circuncidou os israelitas na colina de Aralot.
4. A causa dessa circuncisão é a seguinte: todos os varões dentre o povo que tinham saído do Egito – todos os homens de guerra – tinham morrido em caminho, no deserto, depois que haviam partido do Egito.
5. Ora, todos eles tinham sido circuncidados. A multidão, porém, nascida no deserto durante a viagem depois do êxodo, não o tinha sido.
6. Os israelitas tinham marchado pelo deserto durante quarenta anos, até o desaparecimento completo dessa massa de homens de guerra escapados do Egito, mas infiéis à voz do Senhor. O Senhor havia-lhes jurado que não veriam a terra prometida a seus pais, terra que mana leite e mel.
7. Seus filhos foram postos em seu lugar. Foi essa a geração que Josué circuncidou. Eles tinham o seu prepúcio, porque não tinham sido circuncidados durante sua viagem.
8. Depois que foram todos circuncidados, permaneceram acampados até sararem.
9. O Senhor disse a Josué: Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito. E deu-se àquele lugar o nome de Gálgala, nome que subsiste ainda.
10. Os israelitas acamparam em Gálgala, e celebraram a Páscoa no décimo quarto dia do mês, pela tarde, na planície de Jericó.
11. No dia seguinte à Páscoa comeram os produtos da região, pães sem fermento e trigo tostado.
12. E o maná cessou (de cair) no dia seguinte àquele em que comeram os produtos da terra. Os israelitas não tiveram mais o maná. Naquele ano alimentaram-se da colheita da terra de Canaã.
13. Josué encontrava-se nas proximidades de Jericó. Levantando os olhos, viu diante de si um homem de pé, com uma espada desembainhada na mão. Josué foi contra ele: És dos nossos, disse ele, ou dos nossos inimigos?
14. Ele respondeu: Não; venho como chefe do exército do Senhor.
15. Josué prostrou-se com o rosto por terra, e disse-lhe: Que ordena o meu Senhor a seu servo?
16. E o chefe do exército do Senhor respondeu: Tira o calçado de teus pés, porque o lugar em que te encontras é santo. Assim fez Josué.

 
Capítulo 6

1. Jericó, cidade murada, tinha se fechado diante dos israelitas, e ninguém saía dela nem podia entrar.
2. O Senhor disse a Josué: Vê, entreguei-te Jericó, seu rei e seus valentes guerreiros.
3. Dai volta à cidade, vós todos, homens de guerra; contornai toda a cidade uma vez. Assim farás durante seis dias.
4. Sete sacerdotes, tocando sete trombetas, irão adiante da arca. No sétimo dia dareis sete vezes volta à cidade, tocando os sacerdotes a trombeta.
5. Quando o som da trombeta for mais forte e ouvirdes a sua voz, todo o povo soltará um grande clamor e a muralha da cidade desabará. Então o povo tomará (de assalto) a cidade, cada um no lugar que lhe ficar defronte.
6. Josué, filho de Nun, convocou os sacerdotes e disse-lhes: Levai a arca da aliança, e sete sacerdotes estejam diante dela tocando as trombetas.
7. E disse em seguida ao povo: Avante! Dai volta à cidade, marchando os guerreiros diante da arca do Senhor.
8. Logo que Josué acabou de falar, os sete sacerdotes, levando as sete trombetas, retumbantes, puseram-se em marcha diante do Senhor, tocando os seus instrumentos; e a arca da aliança do Senhor os seguiu.
9. Marcharam os guerreiros diante dos sacerdotes que tocavam a trombeta, e à retaguarda seguia a arca; e durante toda a marcha ouvia-se o retinir das trombetas.
10. Ora, Josué havia dado essa ordem ao povo: não griteis, nem façais ouvir a vossa voz, nem saia de vossa boca palavra alguma, até o dia em que eu vos disser: Gritai! Então clamareis com força.
11. A arca do Senhor deu uma volta à cidade, e retornaram ao acampamento para ali passar a noite.
12. Josué levantou-se muito cedo e os sacerdotes levaram a arca do Senhor.
13. Os sete sacerdotes, levando as sete trombetas retumbantes, marchavam diante da arca do Senhor, tocando a trombeta durante a marcha. Os guerreiros precediam-nos, e à retaguarda seguia a arca do Senhor. E ouvia-se o retinir da trombeta durante a marcha.
14. Deram volta à cidade uma vez, no segundo dia, e voltaram ao acampamento. O mesmo fizeram durante seis dias.
15. Mas, ao sétimo dia, levantando-se de madrugada, deram volta à cidade sete vezes, como nos dias precedentes: esse foi o único dia em que fizeram sete vezes a volta.
16. Quando os sacerdotes tocaram as trombetas na sétima volta, Josué disse ao povo: Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade.
17. A cidade será votada ao Senhor por interdito, como tudo o que nela se encontra; exceção feita somente a Raab, a prostituta, que terá a sua vida salva com todos os que se encontrarem em sua casa, porque ocultou os espiões que tínhamos enviado.
18. Mas guardai-vos (de tocar) no que é votado ao interdito. Se tomardes algo do que foi anatematizado, atraireis o interdito sobre o acampamento de Israel, o que seria uma catástrofe.
19. Toda a prata, todo o ouro e todos os objetos de bronze e de ferro serão consagrados ao Senhor e farão parte do seu tesouro.
20. O povo clamou e os sacerdotes tocaram as trombetas. E logo que o povo ouviu o som das trombetas, levantou um grande clamor. A muralha desabou. A multidão subiu à cidade, sem nada diante de si.
21. Tomaram a cidade e votaram-na ao interdito, passando a fio de espada tudo o que nela se encontrava, homens, mulheres, crianças, velhos e até mesmo os bois, as ovelhas e os jumentos.
22. Josué disse então aos dois homens que tinham explorado a terra: Entrai na casa da prostituta e fazei-a sair de lá com tudo o que lhe pertence.
23. Os espiões entraram na casa e fizeram sair Raab, seu pai, sua mãe, seus irmãos e tudo o que lhe pertencia, toda a sua parentela, e puseram-nos em segurança fora do acampamento de Israel.
24. Queimaram a cidade com tudo o que ela continha, exceto prata, ouro e todos os objetos de bronze e de ferro que foram recolhidos aos tesouros da casa do Senhor.
25. Josué conservou a vida de Raab, a prostituta, bem como a da família de seu pai e a de todos os seus, de sorte que ela habitou no meio de Israel até este dia, porque ela havia ocultado os mensageiros enviados a explorar Jericó.
26. Então proferiu Josué este juramento: Maldito seja diante do Senhor quem tentar reconstruir esta cidade de Jericó! Será ao preço do seu primogênito que lhe lançará os primeiros fundamentos, e será à custa do último de seus filhos, que lhe porá as portas!
27. O Senhor estava com Josué, e o seu renome divulgou-se por toda a terra.

 
Capítulo 7

1. Os israelitas cometeram uma infidelidade a respeito do interdito. Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zara, da tribo de Judá, reteve para si algumas coisas condenadas, e a cólera do Senhor inflamou-se contra os israelitas.
2. Josué enviou de Jericó homens a Hai, situada junto de Bet-Aven, ao oriente de Betel: Subi, disse-lhes ele, e explorai a terra. Eles subiram e exploraram Hai.
3. Voltando para junto de Josué, disseram-lhe: É inútil o povo todo subir, mas vão só dois ou três mil homens e apoderem-se da cidade. Não se fatigue todo o povo, porque a população da cidade é muito reduzida.
4. Três mil homens aproximadamente se puseram a caminho, mas foram batidos pela gente de Hai,
5. caindo mortos trinta e seis homens; os inimigos perseguiram-nos desde a porta da cidade até Sabarim, ainda quando fugiam pela encosta. O povo ficou consternado com isso e perdeu toda a coragem.
6. Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel, e cobriram de pó as suas cabeças.
7. Ah, Senhor Javé, clamou Josué, por que fizestes este povo passar o Jordão, para nos entregardes nas mãos dos amorreus que nos destruirão? Oxalá tivéssemos ficado do outro lado do rio!
8. Que direi eu, Senhor, vendo Israel voltar as costas aos seus inimigos?
9. Os cananeus e todos os habitantes da terra vão sabê-lo, e nos cercarão e farão desaparecer o nosso nome da face da terra. E que fareis vós ao vosso grande nome?
10. Então o Senhor disse a Josué: Levanta-te. Por que estás assim prostrado com a face por terra?
11. Israel pecou, a ponto de violar a aliança que eu lhe tinha prescrito, e a ponto de tomar as coisas votadas ao interdito, roubá-las, ocultá-las, escondê-las entre as bagagens.
12. Eis por que os israelitas não puderam resistir aos seus inimigos, mas voltaram-lhes as costas, pois caíram sob o interdito. Se não tirardes o interdito do meio de vós, não estarei mais convosco de ora em diante.
13. Vai santificar o povo; dize-lhe: purificai-vos para amanhã, porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: o interdito está no meio de ti, Israel. Não poderás resistir aos teus inimigos, enquanto não tiveres tirado o interdito que está no meio de vós.
14. Vireis amanhã, tribo por tribo; a tribo que for designada pelo Senhor apresentar-se-á família por família; e a família marcada se apresentará por suas casas; e a casa indicada pelo Senhor se apresentará por pessoas.
15. Aquele que for designado como possuidor do interdito será queimado, ele e tudo o que lhe pertence, porque violou o pacto do Senhor e cometeu uma infâmia em Israel.
16. No dia seguinte pela manhã, Josué mandou vir o povo, tribo por tribo, e a sorte caiu sobre a tribo de Judá.
17. Em seguida, aproximando-se as famílias de Judá, a sorte indicou a família de Zara. Mandou que se aproximasse a família de Zara por casas, e a sorte caiu sobre a de Zabdi,
18. a qual se apresentou por pessoas; a sorte caiu sobre Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zara, da tribo de Judá.
19. Josué disse-lhe: Meu filho, dá glória e homenagem ao Senhor, Deus de Israel; confessa-me o que fizeste, sem nada ocultar.
20. Acã respondeu a Josué: Sim, fui eu que pequei contra o Senhor, Deus de Israel. Eis o que fiz:
21. vi no meio dos despojos um belo manto de Senaar, duzentos siclos de prata e uma barra de ouro de cinqüenta siclos e, cobiçando, tomei-os. Tudo isso se acha escondido na terra no meio de minha tenda e a prata debaixo (do manto).
22. Josué mandou alguns homens que investigassem a tenda, e estes viram que os objetos estavam lá ocultos, e a prata debaixo.
23. Tomaram-nos e trouxeram-nos a Josué e a todos os israelitas e puseram-nos diante do Senhor.
24. Então Josué, em presença de todo o Israel, pegando em Acã, filho de Zara, com a prata, o manto, a barra de ouro, os filhos e as filhas de Acã, seus bois, seus jumentos, suas ovelhas, sua tenda e tudo o que lhe pertencia, levou-os ao vale de Acor.
25. Chegando ali, Josué disse: Por que nos confundiste? O Senhor te confunda hoje! Todos os israelitas o apedrejaram. E foram queimados no fogo depois de terem sido apedrejados.
26. E juntaram sobre Acã um grande monte de pedras, o qual subsiste ainda hoje. Com isso aplacou-se o furor do Senhor. É por esse motivo que o lugar traz ainda agora o nome de vale de Acor.

 
Capítulo 8

1. O Senhor disse em seguida a Josué: Não temas, nem tenhas cuidados. Toma contigo todos os guerreiros e sobe contra Hai. Eis que te entrego o rei de Hai, seu povo, sua cidade e sua terra.
2. Tratarás Hai e seu rei como fizeste com Jericó e seu rei; mas os despojos e os rebanhos reparti-los-eis entre vós. Põe uma emboscada por detrás da cidade.
3. Josué pôs-se a caminho com todos os guerreiros contra Hai. Escolheu trinta mil homens valentes e fê-los partir durante a noite.
4. Deu-lhes esta ordem: Atenção! Ponde-vos em emboscada atrás da cidade, mas a pouca distância, e estai preparados.
5. Eu e todo o povo que está comigo nos aproximaremos de Hai, e quando saírem ao nosso encontro como da primeira vez, nós fugiremos.
6. Atraí-los-emos, em nossa perseguição, longe da cidade, pois dirão: ei-los que fogem diante de nós como da primeira vez.
7. Durante essa retirada, saireis de vossa emboscada e tomareis a cidade, que vos entregará o Senhor, vosso Deus.
8. Depois que a tiverdes tomado, pôr-lhe-eis fogo segundo a palavra do Senhor. Estas são as minhas ordens.
9. Josué fê-los partir e eles se postaram em emboscada entre Betel e Hai, ao ocidente. Josué ficou aquela noite no meio do povo.
10. Josué levantou-se bem cedo e passou em revista a sua gente. À frente de sua tropa, subiu contra Hai com os anciãos de Israel.
11. Todos os guerreiros de que dispunha tinham também subido às proximidades. Chegados defronte da cidade, acamparam ao norte, tendo o vale entre eles e Hai.
12. Josué tomou cerca de cinco mil homens e os pôs de emboscada entre Betel e Hai, ao ocidente.
13. Tendo o povo instalado todo o seu acampamento ao norte da cidade, e a emboscada ao ocidente, Josué avançou durante a noite pelo meio do vale.
14. Logo que o rei de Hai viu aquilo, saiu apressadamente da cidade com a sua gente, ao amanhecer, e veio ao encontro de Israel. O rei, seguido de todo o seu povo, saiu para um lugar combinado do lado da planície, ignorando que uma emboscada estava armada contra ele atrás da cidade.
15. Josué e todo o Israel, fingindo bater em retirada, fugiram para os lados do deserto.
16. Então, com grandes clamores, toda a população da cidade precipitando-se ao encalço de Josué, juntou-se para persegui-los, e, afastou-se da cidade.
17. Não ficou um homem sequer em Hai que não saísse em perseguição de Israel. Até deixaram escancarada a cidade.
18. O Senhor disse então a Josué: Levanta a lança que tens na mão contra Hai, porque eu ta entrego. E Josué levantou a sua lança contra a cidade.
19. Apenas tinha ele erguido a mão, levantaram-se subitamente os que estavam de emboscada e precipitaram-se sobre a cidade, ocupando-a e metendo-lhe fogo.
20. Os habitantes de Hai, voltando-se, viram que se elevava da cidade uma grande fumaça para o céu, e não puderam fugir para lado algum, porque o povo que dava mostras de fugir para o deserto voltou-se contra eles.
21. Josué e todo o Israel, vendo que os da emboscada tinham tomado a cidade e que dela subia fumaça, voltaram e feriram os habitantes de Hai.
22. E, tendo os outros saído da cidade ao seu encontro, viram-se os inimigos cercados de um lado e de outro pelos israelitas, e foram feridos, de modo que não ficou sobrevivente algum, e não houve sequer um fugitivo.
23. O rei de Hai foi capturado vivo e conduzido a Josué.
24. Terminado o massacre dos habitantes de Hai, tanto no campo como no deserto, aonde tinham vindo em perseguição dos israelitas, depois que todos foram passados ao fio da espada, os vencedores voltaram à cidade e mataram toda a população.
25. O total dos que morreram naquele dia, entre homens e mulheres, foi de doze mil, todos da cidade de Hai.
26. Josué não retirou a mão que ele tinha levantado com a sua lança, até que foram mortos todos os habitantes de Hai.
27. Os israelitas só tomaram os rebanhos e o espólio da cidade, conforme o Senhor tinha ordenado a Josué.
28. Josué pôs fogo à cidade de Hai e fez dela para sempre um montão de cinzas, que subsiste ainda hoje.
29. Mandou enforcar o rei de Hai em uma árvore, e deixou-o ali até a tarde. Ao pôr-do-sol, ordenou que se retirasse da árvore o cadáver e fosse lançado à entrada da cidade, pondo sobre ele um grande monte de pedras, que ali permanece até o dia de hoje.
30. Então Josué construiu um altar ao Senhor, Deus de Israel, no monte Ebal,
31. segundo a ordem que Moisés, servo do Senhor, tinha dado aos filhos de Israel, como está escrito no livro da Lei de Moisés. Construiu-o de pedras brutas ainda não tocadas pelo ferro. Ofereceram sobre ele holocaustos ao Senhor e sacrifícios de ação de graças.
32. Josué gravou em pedras uma cópia da lei que Moisés tinha escrito diante dos israelitas.
33. Todo o Israel, seus anciãos, seus oficiais e seus juízes conservaram-se de pé ao redor da arca, diante dos sacerdotes, dos levitas, que levavam a arca da aliança do Senhor. Ali estavam tanto os estrangeiros como os israelitas, metade deles do lado do monte Garizim, e metade do lado do monte Erbal, segundo a ordem antes dada por Moisés, servo do Senhor, para abençoar o povo de Israel.
34. Depois disso, Josué leu todo o texto da lei, a bênção e a maldição, assim como estão escritas no livro da lei.
35. De tudo o que Moisés havia prescrito não se omitiu uma palavra sequer nessa leitura feita por Josué diante de toda a assembléia de Israel, mulheres, crianças e estrangeiros que ali se achavam misturados.

 
Capítulo 9

1. À notícia de tais acontecimentos, todos os reis de além do Jordão, da montanha e da planície, do litoral do mar Grande defronte do Líbano, os hiteus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus,
2. os heveus e os jebuseus coligaram-se para combater Josué e Israel.
3. Mas os habitantes de Gabaon, sabendo o que Josué tinha feito a Jericó e a Hai, usaram de astúcia.
4. Puseram-se a caminho, munidos de provisões, seus jumentos carregados de sacos velhos, e odres de vinho rotos e recosidos.
5. Levavam nos pés calçado muito velho e remendado, vestiam-se de roupas muito usadas, e o pão de suas provisões estava seco e estragado.
6. Foram assim ter com Josué no acampamento de Gálgala, e disseram-lhe, bem como a todo o Israel: Viemos de uma terra longínqua; fazei aliança conosco.
7. Os israelitas responderam: Talvez habiteis perto de nós; como, pois, poderíamos fazer aliança convosco?
8. Mas eles disseram a Josué: Somos teus servos. Josué disse-lhes: Quem sois vós? De onde vindes? Eles responderam-lhe:
9. Teus servos vêm de uma terra muito distante por causa do nome do Senhor, teu Deus; pois ouvimos falar dele e de tudo o que fez no Egito,
10. e de como tratou os dois reis dos amorreus além do Jordão, Seon, rei de Hesebon e Og, rei de Basã, que moravam em Astarot.
11. Por isso, nossos anciãos e todos os habitantes de nossa terra nos disseram: tomai convosco provisões para o caminho, ide ao seu encontro e dizei-lhes: somos vossos servos; fazei aliança conosco.
12. Vede o nosso pão. Nós o tínhamos tomado quente quando partimos de nossas casas para vir ter convosco: ei-lo como está agora seco e mofado.
13. Estes odres de vinho que tínhamos enchido novos, agora estão rotos e descosidos; nossas vestes e nossos calçados estão gastos por causa da longa viagem que fizemos.
14. Os israelitas, sem ter consultado o Senhor, aceitaram as suas provisões.
15. Josué concedeu-lhes a paz e fez com eles uma aliança que lhes assegurava a vida, e os principais da assembléia confirmaram-na com juramento.
16. Três dias depois desse tratado, souberam que aquela gente era vizinha e habitava no meio deles.
17. Então os israelitas puseram-se a caminho e ao terceiro dia chegaram às suas cidades, cujos nomes são estes: Gabaon, Cafira, Berot e Cariatiarim.
18. Eles não os feriram por causa do juramento que lhes tinham feito os principais da assembléia em nome do Senhor, Deus de Israel. E toda a assembléia começou a murmurar contra eles.
19. Eles responderam: Fizemos-lhes um juramento em nome do Senhor, Deus de Israel, e não podemos tocar neles.
20. Eis, porém, como havemos de tratá-los: deixá-los-emos vivos, para que não se excite contra nós a ira do Senhor, se faltarmos ao juramento.
21. Ficarão vivos, declararam os chefes, mas serão empregados em cortar lenha e carregar água para toda a assembléia. Inteirado da decisão dos chefes,
22. Josué convocou-os e interpelou-os: Por que nos enganastes dizendo que éreis de uma terra longínqua, quando habitáveis no meio de nós?
23. Agora malditos sejais: vossa servidão não cessará jamais e continuareis a cortar lenha e a carregar água para a casa do meu Deus.
24. Eles responderam a Josué: A nós, teus servos, chegou a notícia de que o Senhor teu Deus havia ordenado a Moisés, seu servo, que vos desse toda a terra e exterminasse todos os seus habitantes diante de vós. Tivemos, pois, muito medo à vossa aproximação e, temendo por nossas vidas, tomamos esse expediente.
25. Agora, eis-nos em tuas mãos; trata-nos como te parecer justo e bom.
26. Fez Josué como tinha dito, e livrou-os das mãos dos filhos de Israel, que os não mataram.
27. Determinou naquele dia que fossem empregados no serviço da comunidade e do altar, cortando lenha e carregando água para o lugar que o Senhor escolhesse, funções que exercem ainda hoje.

 
Capítulo 10

1. Sabendo Adonisedec, rei de Jerusalém, que Josué se tinha apoderado de Hai e a havia votado ao interdito, que fizera a Hai e ao seu rei como tinha feito a Jericó e a seu rei, e que os gabaonitas tinham feito paz com Israel e habitavam com ele,
2. teve grande medo. Gabaon era, com efeito, uma grande cidade, uma cidade real, maior que Hai, e toda a sua população muito guerreira.
3. Adonisedec, rei de Jerusalém, mandou dizer a Oão, rei de Hebron, a Farão, rei de Jerimot, a Jafia, rei de Laquis, e a Dabir, rei de Eglon:
4. Vinde comigo e ajudai-me a ferir Gabaon, porque fez paz com Josué e os israelitas.
5. Unidos assim os cinco reis dos amorreus, o rei de Jerusalém, o rei de Hebron, o rei de Jerimot, o rei de Laquis e o rei de Eglon, saíram com todos os seus exércitos e acamparam diante de Gabaon, sitiando-a.
6. Os habitantes de Gabaon enviaram então a seguinte mensagem a Josué, que estava acampado em Gálgala: Não abandones os teus servos; vem ao nosso encontro sem demora, traze-nos socorro e livra-nos, porque todos os reis dos amorreus da montanha se coligaram contra nós.
7. Josué subiu de Gálgala com todos os seus guerreiros e todos os seus valentes.
8. O Senhor disse-lhe: Não os temas, porque os entreguei em tuas mãos; nenhum deles te poderá resistir.
9. Josué, tendo passado toda a noite a subir de Gálgala, caiu de repente sobre eles.
10. O Senhor semeou no meio deles o terror diante de Israel, e este infligiu-lhes uma terrível derrota diante de Gabaon, e perseguiu-os pelo caminho que sobe a Betoron, batendo-os até Azeca e Maceda.
11. Enquanto fugiam diante de Israel, na descida de Betoron, o Senhor mandou sobre eles do céu uma tempestade de granizo até Azeca; e foram mais numerosos os que morreram sob essa chuva de pedras do que os que pereceram pela espada dos israelitas.
12. Josué falou ao Senhor no dia em que ele entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse em presença dos israelitas: Sol, detém-te sobre Gabaon, e tu, ó lua, sobre o vale de Ajalon.
13. E o sol parou, e a lua não se moveu até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto acha-se escrito no Livro do Justo. O sol parou no meio do céu, e não se apressou a pôr-se pelo espaço de quase um dia inteiro.
14. Não houve, nem antes nem depois, um dia como aquele, em que o Senhor tenha obedecido à voz de um homem, porque o Senhor combatia por Israel.
15. Depois disso, Josué com toda a sua tropa voltou para o acampamento de Gálgala.
16. Ora, os cinco reis tinham fugido, e tinham se escondido numa caverna, em Maceda.
17. E noticiaram-no a Josué: Foram encontrados os cinco reis escondidos numa caverna, em Maceda.
18. Josué respondeu: Rolai grandes pedras para a entrada da caverna, e ponde homens junto a ela em guarda.
19. Vós, porém, não vos detenhais, mas persegui vossos inimigos; não os deixeis entrar em suas cidades, porque o Senhor, vosso Deus, os entregou em vossas mãos.
20. Tendo Josué e os israelitas acabado de massacrá-los, até o extermínio – apenas uns poucos puderam escapar e recolher-se às suas cidades fortes -,
21. todo o povo voltou tranqüilamente ao acampamento, junto de Josué, em Maceda, e ninguém se atreveu a abrir a boca contra os filhos de Israel.
22. Josué disse então: Abri a entrada da caverna, e trazei-me os cinco reis que lá estão. Assim o fizeram.
23. Foram tirados da caverna os cinco reis, o rei de Jerusalém, o rei de Hebron, o rei de Jerimot, o rei de Laquis e o rei de Eglon.
24. Quando foram conduzidos a Josué, ele chamou todos os homens de Israel e disse aos chefes dos guerreiros que o tinham acompanhado: Aproximai-vos e ponde o pé sobre o pescoço destes reis. Tendo-se eles aproximado e posto o pé sobre o pescoço deles,
25. disse-lhes de novo: Não temais, nem tremais. Tende coragem e sede fortes, porque é assim que fará o Senhor a todos os inimigos que haveis de combater.
26. Dizendo isso, Josué feriu-os de morte e suspendeu-os em cinco árvores, onde estiveram até a tarde.
27. Ao pôr-do-sol, mandou que fossem descidos das árvores e lançados na caverna onde se tinham refugiado, e puseram à entrada grandes pedras, que ali se encontram ainda hoje.
28. No mesmo dia apoderou-se Josué de Maceda, e passou-a ao fio da espada juntamente com seu rei; votou ao interdito a cidade com todo ser vivo que nela havia, sem nada poupar. E fez ao rei de Maceda como tinha feito ao rei de Jericó.
29. Passou em seguida com todo o Israel a Libna, e atacaram-na.
30. O Senhor entregou-a com seu rei nas mãos de Israel, que passou ao fio da espada a cidade com todo ser vivo que nela havia, não deixando escapar nenhum. E fez ao seu rei como tinha feito ao rei de Jericó.
31. De Libna passou Josué com todo o Israel a Laquis, onde levantou o seu acampamento, sitiando-a.
32. O Senhor lha entregou, e Israel apoderou-se dela no segundo dia, passando-a ao fio da espada com todo ser vivo, como tinha feito a Libna.
33. Então, Horão, rei de Gaser, veio em socorro de Laquis, mas Josué o derrotou com todo o seu povo até o extermínio completo.
34. De Laquis, passou Josué com todo o seu povo a Eglon; levantaram ali o seu acampamento, e atacaram-na.
35. Tomaram-na no mesmo dia, e passaram-na ao fio da espada, votando ao interdito todo ser vivo, como tinha feito a Laquis.
36. Subiu em seguida com todo o Israel de Eglon a Hebron, e atacaram-na.
37. Tomaram Hebron e passaram ao fio da espada a cidade com seu rei, seus arrabaldes e todo ser vivo, sem nada deixar escapar, como tinham feito a Eglon. A cidade foi votada ao interdito com todo ser vivo.
38. Dali Josué, com todo o Israel, voltou-se contra Dabir e atacou-a;
39. apoderou-se dela, juntamente com seu rei, e passou-os ao fio da espada. Votou ao interdito toda alma viva que nela se achava, sem nada poupar, e fez a Dabir e ao seu rei como tinha feito a Hebron e a Libna com seus reis.
40. Josué feriu toda a terra: a montanha, o Negeb, a planície, as colinas com todos os seus reis, sem poupar ninguém, votando ao interdito tudo o que respirava, segundo a ordem do Senhor, Deus de Israel.
41. Tudo foi assim ferido por Josué, de Cades-Barne a Gaza, toda a terra de Gosen até Gabaon.
42. Josué apoderou-se, de uma só vez, desse país e de seus reis, porque o Senhor, Deus de Israel, combatia por ele.
43. Depois voltou Josué com todo o Israel para o acampamento de Gálgala.

 
Capítulo 11

1. Jabin, rei de Asor, tendo notícias de todos esses acontecimentos, enviou mensageiro a Jobab, rei de Madon, ao rei de Semeron, ao rei de Acsaf,
2. aos reis do norte da montanha e da planície, ao sul de Ceneret, na planície e nos planaltos de Dor, ao ocidente,
3. aos cananeus do oriente e do ocidente, aos amorreus, aos hiteus, aos ferezeus, aos jebuseus na montanha, aos heveus ao pé do Hermon na terra de Masfa.
4. Entraram então em campanha com todos os seus exércitos, povo numeroso como a areia na praia do mar, com sua cavalaria e grande número de carros.
5. Todos esses reis juntaram-se e vieram acampar juntos, perto das águas de Merom, para combater Israel.
6. O Senhor disse a Josué: Não os temas, porque amanhã, a esta mesma hora, eu os lançarei, ofegantes, diante de Israel. Cortarás os jarretes dos seus cavalos e queimarás os seus carros.
7. Josué atacou-os repentinamente, com todos os seus guerreiros, junto às águas de Merom, e precipitou-se contra eles.
8. O Senhor entregou-os nas mãos de Israel, que os bateu e os perseguiu até Sidon, a Grande, até as águas de Maserefot e até o vale de Masfa, para o oriente. E feriu-os até que não ficou um só.
9. Josué tratou-os como o Senhor lhe tinha dito: jarretou seus cavalos e incendiou seus carros.
10. Voltando, nessa mesma época, Josué tomou Asor e matou à espada seu rei, porque Asor era antigamente a capital de todos esses reinos.
11. Passaram ao fio da espada toda alma viva nessa cidade e votaram-na ao interdito. Nada ficou de tudo o que tinha vida, e incendiou-se Asor.
12. Tomou também Josué todas as cidades desses reis (coligados) e passou-as ao fio da espada, votando-as ao interdito, como Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado.
13. Entretanto, Israel não incendiou nenhuma das cidades situadas nas colinas, exceto unicamente Asor, que Josué queimou.
14. Os filhos de Israel apossaram-se de todos os despojos dessas cidades e dos rebanhos. Quanto aos homens, porém, massacraram-nos todos com a espada, até exterminá-los completamente, sem deixar ninguém com vida.
15. Como o Senhor tinha ordenado a Moisés, seu servo, assim Moisés ordenou a Josué; e este tudo executou, sem nada omitir do que o Senhor tinha prescrito a Moisés.
16. Conquistou, assim, Josué toda a terra, a montanha, o Negeb, o território de Gosen, a campina e a planície, o planalto de Israel e suas campinas,
17. desde a montanha nua que sobe para Seir até Baal-Gad, no vale do Líbano ao pé do Hermon. Tomou todos os seus reis, feriu-os e matou-os.
18. Durante muito tempo combateu Josué contra esses reis.
19. Não houve cidade que se rendesse pacificamente aos israelitas, exceto os heveus de Gabaon. Foi necessário que se tomasse tudo à força,
20. porque era o desígnio do Senhor que se endurecesse o coração desses povos e que combatessem Israel; desse modo Israel pôde votá-los ao interdito sem piedade, e exterminá-los, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
21. Naquele tempo Josué marchou contra os enacim da montanha e os exterminou em Hebron, em Dabir, em Anab, e em toda a montanha de Judá e de Israel. E votou-os ao interdito com suas cidades.
22. Não ficou um só enacim na terra dos filhos de Israel; só ficaram alguns em Gaza, em Get e em Azot.
23. Conquistou, pois, Josué toda a terra, como o Senhor tinha dito a Moisés, e deu-a em herança a Israel, repartindo-a segundo suas tribos. E a terra repousou da guerra.

 
Capítulo 12

1. Estes são os reis que os israelitas derrotaram, e cujos territórios ocuparam além do Jordão, para o nascente, desde a torrente de Arnon até o monte Hermon, com a planície ao oriente:
2. Seon, rei dos amorreus, em Hesebon. Seu domínio estendia-se desde Aroer, à margem da torrente do Arnon, e desde o meio da torrente, sobre a metade de Galaad, até a torrente do Jaboc, fronteira dos amonitas;
3. e desde a planície até o mar de Ceneret, ao oriente, e até o mar da Planície, o mar Salgado, para o lado oriental, pelo caminho que vai a Betsimot; e do lado meridional até o pé das encostas do monte Fasga.
4. Em seguida a terra de Og, rei de Basã, um dos sobreviventes dos refains, em Astarot e Edrai,
5. que reinava sobre a montanha de Hermon, sobre Saleca, sobre todo o Basã até a fronteira dos gessureus e dos macateus, e até o meio de Galaad, limite de Seon, rei de Hesebon.
6. Moisés, servo do Senhor, e os filhos de Israel derrotaram-nos; e Moisés, servo do Senhor, deu sua terra aos rubenitas, aos gaditas e à meia tribo de Manassés.
7. Estes são os reis da terra que Josué e os israelitas derrotaram aquém do Jordão, para o ocidente, desde Baal-Gal, no vale do Líbano, até a montanha nua que sobe para Seir. Josué deu essa terra em possessão às tribos de Israel, dividindo-a segundo suas famílias,
8. tanto na montanha como nas planícies, e sobre as colinas, no deserto e no Negeb, toda a terra dos hiteus, dos amorreus, dos cananeus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
9. -24 Foram eles: o rei de Jericó, o rei de Hai, perto de Betel; o rei de Jerusalém, o rei de Hebron, o rei de Jerimot, o rei de Laquis, o rei de Eglon, o rei de Gaser, o rei de Dabir, o rei de Gader, o rei de Herma, o rei de Hered, o rei de Libna, o rei de Odolão, o rei de Maceda, o rei de Betel, o rei de Tafna, o rei de Ofer, o rei de Afec, o rei de Lasaron, o rei de Madon, o rei de Asor, o rei de Semeron, o rei de Acsaf, o rei de Tanac, o rei de Magedo, o rei de Cades, o rei de Jacanã, no Carmelo; o rei de Dor, sobre os altos de Dor; o rei de Gojim, em Gálgala; o rei de Tersa. Ao todo trinta e um reis.

 
Capítulo 13

1. Josué estava velho, avançado em anos, e o Senhor disse-lhe: Tu estás velho, de muita idade, e resta ainda um grandíssimo espaço de terra a conquistar.
2. Eis o que resta: todas as províncias dos filisteus, toda a terra dos jessureus,
3. desde o Chihor que corre defronte do Egito, até os limites de Acaron para o norte, região considerada como cananéia; os cinco príncipes dos filisteus: o de Gaza, o de Azot, o de Ascalon, o de Get e o de Acaron;
4. os heveus, ao meio-dia; toda a terra dos cananeus, e Maara dos sidônios, até Afec e a fronteira dos amorreus;
5. a terra dos gebalitas, e todo o Líbano, para o oriente, desde Baal-Gad ao pé do monte Hermon até a entrada de Hamat;
6. todos os habitantes da montanha, desde o Líbano até as águas de Maserefot, todos os sidônios. Eu os expulsarei diante dos israelitas. Reparte, pois, essa terra por sorte em herança a Israel, como prescrevi.
7. E agora divide essa terra entre as nove tribos e a meia tribo de Manassés.
8. Os rubenitas, os gaditas e a outra metade da tribo de Manassés tinham recebido de Moisés sua parte além do Jordão ao oriente, assim como Moisés, servo do Senhor, lhes tinha marcado:
9. desde Aroer, que está situada na margem da torrente do Arnon, e desde a cidade que está no meio do vale e toda a planície de Medaba, até Dibon;
10. todas as cidades de Seon, rei dos amorreus, que reinava em Hesebon, até a fronteira dos amonitas;
11. Galaad, o território dos jessureus e dos macateus, toda a montanha do Hermon e todo o Basã até Saleca;
12. todo o reino de Og, em Basã, que reinava em Astarot e Edrai, último resto da descendência dos refains. Moisés bateu-os e expulsou-os.
13. Os filhos de Israel, porém, não expulsaram os jessureus, nem os macateus, e assim esses povos ficaram habitando até o dia de hoje entre nós.
14. A tribo de Levi foi a única que não recebeu herança de Moisés; porque os sacrifícios oferecidos pelo fogo ao Senhor, Deus de Israel, são a sua herança, como ele lho havia dito.
15. Moisés havia, pois, dado aos rubenitas a sua parte, segundo as suas famílias.
16. Seu território partia de Aroer, situada na margem da torrente de Arnon, e da cidade que está no meio da torrente, e compreendia toda a planície junto de Medaba,
17. Hesebon e todas as suas cidades na planície, Dibon, Bamot-Baal, Bet-Baal-Maon,
18. Jassa, Cedimot, Mefaat,
19. Cariataim, Sabama, Sarat-Asar na montanha do vale,
20. Bet-Fogor, as encostas do Fasga, Bet-Jesimot,
21. todas as cidades da planície, todo o reino de Seon, rei dos amorreus, de Hesebon, que Moisés havia derrotado com os príncipes de Madiã, Evi, Recém, Sur, Hur e Rebé, tributários de Seon naquela terra.
22. Entre os que foram mortos pela espada dos israelitas figura também o adivinho Balaão, filho de Beor.
23. O rio Jordão ficou sendo o limite do território dos rubenitas. Tais são as cidades e aldeias que couberam aos rubenitas, segundo suas famílias.
24. Moisés deu também aos gaditas uma parte segundo suas famílias.
25. Seu território foi o seguinte: Jaser, todas as cidades de Galaad, a metade da terra dos amonitas até Aroer, defronte de Raba,
26. desde Hesebon até Rabot-Masfé e Betonim, e desde Manaim até a fronteira de Dabir;
27. e, no vale, Bet-Harão, Bet-Nemra, Socot e Safon, restos do reino de Seon, rei de Hesebon; o Jordão e seu território até os confins do mar de Ceneret, além do Jordão, para o oriente.
28. Tal foi, em cidades e em aldeias, a parte dos gaditas segundo suas famílias.
29. Moisés dera também à meia tribo de Manassés, aos seus filhos, segundo as suas famílias, a sua parte.
30. O seu território compreendia Manaim, todo o Basã, todo o reino de Og, rei de Basã, e todas as aldeias de Jair em Basã: sessenta localidades.
31. A metade de Galaad, Astarot e Edrai, cidades do reino de Og em Basã, foram dadas aos filhos de Maquir, filho de Manassés, isto é, à metade dos filhos de Maquir, segundo suas famílias.
32. Tais são as partes que Moisés distribuiu nas planícies de Moab, além do Jordão, para o oriente, defronte de Jericó.
33. À tribo de Levi, porém, não deu herança alguma, porque o Senhor, Deus de Israel, é a sua herança, como ele lho tinha dito.

 
Capítulo 14

1. Eis as partes que os filhos de Israel receberam em herança na terra de Canaã, que lhes deram o sacerdote Eleazar, Josué, filho de Nun, e os chefes de família das tribos de Israel.
2. A repartição fez-se por sorte pelas nove tribos e meia, como o Senhor havia prescrito, por meio de Moisés;
3. porque às outras duas tribos e meia, Moisés tinha dado sua parte além do Jordão; mas não deu parte alguma aos levitas.
4. Os filhos de José formavam, com efeito, duas tribos: Manassés e Efraim. Aos levitas não deram herança na terra, mas apenas cidades para habitarem e os arredores dessas cidades para os seus rebanhos e os seus bens.
5. Como o Senhor tinha ordenado a Moisés, assim fizeram os israelitas, e dividiram a terra.
6. Os filhos de Judá vieram ter com Josué, em Gálgala; e Caleb, filho de Jefoné, o cenezeu, disse-lhe: Sabes o que o Senhor disse de mim e de ti a Moisés, homem de Deus, em Cades-Barne.
7. Eu tinha quarenta anos quando Moisés, servo do Senhor, me enviou de Cades-Barne a explorar a terra, e eu lhe fiz um relatório perfeitamente sincero.
8. Meus irmãos que tinham ido comigo desanimaram o povo, mas eu segui fielmente o Senhor, meu Deus.
9. Naquele dia, Moisés fez este juramento: a terra que pisaste será a tua parte e a de teus filhos para sempre, porque seguiste fielmente o Senhor, meu Deus.
10. Pois bem: eis que o Senhor conservou-me a vida, como prometeu. Quarenta e cinco anos são passados desde que o Senhor assim falou a Moisés, durante a marcha de Israel pelo deserto; tenho hoje oitenta e cinco anos,
11. e acho-me ainda robusto como no dia em que Moisés me enviou, e sinto-me tão forte como naquele tempo, tanto para a guerra como para qualquer outra missão.
12. Dá-me, pois, este monte que o Senhor me prometeu naquele tempo; porque naquele dia ouviste que se encontram enacim neste lugar, e também grandes fortalezas. Se o Senhor estiver comigo, conseguirei despojá-los, como ele disse.
13. Josué abençoou Caleb, filho de Jefoné, e deu-lhe Hebron como herança.
14. Eis por que Hebron pertence até o dia de hoje a Caleb, filho de Jefoné, o cenezeu, porque ele seguiu fielmente o Senhor, Deus de Israel.
15. (Hebron chamava-se outrora Cariat-Arbé; Arbé foi o maior homem entre os enacim.) E a terra ficou, a partir de então, tranqüila e sem guerra.

 
Capítulo 15

1. A parte que tocou por sorte à tribo de Judá, segundo suas famílias, estendia-se para o limite de Edom até o deserto de Sin, na extremidade meridional da terra.
2. Sua fronteira, ao sul, partia da extremidade do mar Salgado, do braço que ele estende para o meio-dia,
3. e prolongava-se para o sul da subida de Acrabim, passava em Sin e subia para o sul de Cades-Barne, passava em Esron, subindo para Adar e dando volta a Carcaa;
4. passando dali para Asmon, continuava até a torrente do Egito e terminava no mar. Esta a fronteira sul.
5. A fronteira oriental era o mar Salgado, até a embocadura do Jordão. A fronteira setentrional partia do braço do mar, na embocadura do Jordão,
6. e subia a Bet-Agla, passava ao norte de Bet-Araba e ia até a pedra de Boen, filho de Rubem;
7. depois subia para Debera, desde o vale de Acor para o norte, olhando para os lados de Gálgala, que está defronte da subida de Adomim, ao sul da torrente. Passava junto das águas de En-Semes e terminava em En-Rogel.
8. Daí subia para o vale de Ben Enom até a vertente meridional de Jebus, que é Jerusalém. Em seguida, elevava-se até o cimo do monte que está fronteiro ao vale de Enom, para o ocidente, e na extremidade do vale dos refains para o norte.
9. Do cimo do monte, estendia-se até a fonte das águas de Neftoa, dirigia-se para as cidades da montanha de Efron, e depois continuava para Baala, que é Cariatiarim.
10. De Baala, a fronteira dava volta para o ocidente até o monte Seir e passava pela vertente setentrional do monte Jarim que é Queslon; descia a Betsames, passava por Tama,
11. e dirigia-se para o norte até a vertente de Acaron; estendia-se para Secrona, passava pelo monte Baala, e ia até Jebneel, terminando no mar.
12. Era o mar Grande que fazia o limite da fronteira ocidental. Tais foram, por todos os lados, as fronteiras dos filhos de Judá, segundo suas famílias.
13. A Caleb, filho de Jefoné, foi dada uma parte no meio dos filhos de Judá, como o Senhor tinha prescrito a Josué: a cidade de Arbé, pai de Enac, isto é, Hebron.
14. Caleb expulsou dela os três filhos de Enac: Sesai, Aimã e Tolmai.
15. Dali, marchou contra os habitantes de Dabir, que antes se chamava Cariat-Sefer.
16. Eu darei minha filha Axa, disse Caleb, por mulher, àquele que assaltar e tomar Cariat-Sefer.
17. Otoniel, filho de Cenez, irmão de Caleb, conquistou essa cidade, e Caleb deu-lhe por mulher sua filha Axa.
18. Chegando Axa à casa de Otoniel, ele incitou-a a que pedisse ao seu pai um campo. Ao descer do jumento, Caleb disse-lhe: Que tens?
19. Ela respondeu: Dá-me um presente. Deste-me uma terra árida: dá-me agora fontes. E ele deu-lhe as fontes superiores e as fontes inferiores.
20. Tal foi a parte da tribo de Judá, segundo suas famílias.
21. As cidades situadas na extremidade da tribo dos filhos de Judá, para os lados da fronteira de Edom, no Negeb, eram:
22-32 Cabseel, Eder, Jagur, Cina, Dimona, Adada, Cades, Asor, Jetnão, Zif, Telem, Balot, Asor; Hadata, Cariot-Hesron, que é Asor; Amão, Sarna, Molada, Asergada, Hassemon, Betfelet, Hasersual, Bersabéia, Baziotia, Baala, Jim, Esem, Eltolad, Cesil, Harma, Siceleg, Medemena, Sensena, Lebaot, Selim, Aen e Remon; ao todo vinte e nove cidades com suas aldeias.
33-47 Na planície: Estaol, Sarea, Asena, Zanoé, Aenganim, Tafua, Enaim, Jerimot, Odolão, Soco, Azeca, Saraim, Aditaim, Gedera e Gederotaim; quatorze cidades com suas aldeias. Sanã, Hadassa, Magdal-Gad, Deleã, Masefa, Jectel, Laquis, Bascat, Eglon, Quebon, Leemã, Cetlis, Giderot, Bet-Dagon, Naama e Maceda; dezesseis cidades com suas aldeias. Labana, Eter, Asã, Jefta, Esna, Nesib, Ceila, Aczib e Maresa; nove cidades com suas aldeias. Acaron com seus arrabaldes e suas aldeias, desde Acaron ao ocidente, todas as cidades vizinhas de Azot e suas aldeias, Azot com seus arrabaldes e suas aldeias, Gaza com seus arrabaldes e suas aldeias até a torrente do Egito e o mar Grande que é o seu limite.
48-60 Na montanha: Samir, Jeter, Socot, Dana, Cariat-Sena, que é Dabir; Anab, Istemo, Anim, Gosen, Olon e Giló; onze cidades com suas aldeias. Arab, Duma, Esaã, Janum, Bet-Tafua, Afeca, Atmata, Cariat-Arbé, que é Hebron; e Sior; nove cidades com suas aldeias. Maon, Carmelo, Zif, Jota, Jezrael, Jucadão, Zanoé, Acain, Gabaa e Tamna; dez cidades com suas aldeias. Halhul, Bessur, Gedor, Maret, Bet-Anot e Eltecon; seis cidades com suas aldeias. Cariat-Baal, que é Cariatiarim e Areba; duas cidades com suas aldeias.
61. No deserto: Bet-Araba, Medin Sacaca,
62. Nebsã, Ir-Hamelac En-Gadi; seis cidades com suas aldeias.
63. Os filhos de Judá não chegaram a expulsar os jebuseus que habitavam em Jerusalém, de sorte que os jebuseus continuam ainda habitando Jerusalém com os filhos de Judá.

 
Capítulo 16

1. A parte que tocou por sorte aos filhos de José começava desde o Jordão, defronte de Jericó (as águas de Jericó), ao oriente, e passava pelo deserto que vai de Jericó ao monte Betel.
2. Continuava de Betel a Luz, passava ao longo da fronteira dos arqueus, em Atarot,
3. descia pelo ocidente, ao longo da fronteira dos jefletitas até a fronteira de Betoron inferior, e até Gazer, terminando no mar.
4. Tal foi a parte que coube aos filhos de José: Manassés e Efraim.
5. Este é o território dos filhos de Efraim, segundo suas famílias. O limite de sua herança, para o oriente, foi Atarot-Adar até Betoron superior.
6. Para o ocidente, a fronteira tocava o norte de Macmetat e voltava para Tamat-Selo, ao oriente, e a ultrapassava, indo para o oriente de Janoé.
7. Descia em seguida de Janoé a Atarot e a Naarata, atingia Jericó e terminava no Jordão.
8. De Tafua estendia-se para o ocidente até a torrente de Caná, terminando no mar. Esta foi a parte dos filhos de Efraim, segundo suas famílias.
9. Tiveram também cidades situadas no meio da parte dos filhos de Manassés, todas com suas aldeias.
10. Os filhos de Efraim não expulsaram, entretanto, os cananeus de Gazer, de sorte que os cananeus continuam até agora a habitar no meio de Efraim, mas sujeitos a trabalhos forçados.

 
Capítulo 17

1. Tirou-se a sorte também para a tribo de Manassés, porque era o primogênito de José. Maquir, primogênito de Manassés e pai de Galaad, que foi um homem guerreiro. tinha recebido Galaad e Basã.
2. Houve também uma parte para os outros filhos de Manassés, segundo suas famílias: para os filhos de Abiezer, os filhos de Sequem, os de Hefer e os de Semida. Estes são os filhos varões de Manassés, filho de José, segundo suas famílias.
3. Salfaad, filho de Hefer, filho de Galaad, filho de Maquir, filho de Manassés, não teve filhos, mas somente filhas, cujos nomes são: Maala, Noa, Hegla, Melca e Tersa.
4. Elas foram ter com o sacerdote Eleazar, com Josué, filho de Nun, e com os príncipes: O Senhor, disseram elas, ordenou a Moisés que nos desse uma parte entre nossos irmãos. E foi-lhes dada uma herança entre os irmãos de seu pai, segundo a ordem do Senhor.
5. Tocaram a Manassés dez partes, além da terra de Galaad e de Basã, situada além do Jordão,
6. porque as filhas de Manassés receberam uma herança entre os filhos da mesma tribo, sendo que a terra de Galaad foi para os outros filhos de Manassés.
7. A fronteira de Manassés partia de Asser e ia até Macmetat, defronte de Siquém, e depois seguia pela direita, na direção dos habitantes de En-Tafua.
8. A terra de Tafua tinha caído por sorte a Manassés, mas Tafua, junto à fronteira de Manassés, pertencia aos efraimitas.
9. A fronteira descia à torrente de Caná, para o meio-dia da torrente; as cidades dessa região, que pertenciam a Efraim, encontravam-se no meio das cidades de Manassés. A fronteira de Manassés passava pelo norte da torrente e terminava no mar.
10. Assim a parte meridional pertencia a Efraim, a parte setentrional a Manassés, servindo o mar de fronteira. Limitavam ao norte com a tribo de Aser, e ao nascente com a tribo de Issacar.
11. Nos territórios de Issacar e de Aser, obteve Manassés Betsã e seus arrabaldes, Jeblaã e seus arrabaldes, os habitantes de Dor e seus arrabaldes, os habitantes de Endor e seus arrabaldes, os habitantes de Tenac e seus arrabaldes, os habitantes de Magedo e seus arrabaldes: são as três colinas.
12. Os filhos de Manassés não puderam tomar posse dessas cidades, pois os cananeus estavam resolvidos a permanecer nelas.
13. Quando se tornaram mais fortes, submeteram os cananeus a um tributo, mas não os expulsaram.
14. Os filhos de José disseram a Josué: Por que nos deste a posse de uma só herança, de uma só parte, sendo nós um povo tão numeroso e tendo-nos o Senhor abençoado até aqui?
15. Josué disse-lhes: Se sois tão numerosos, subi à floresta, desbravai-a e tomai uma parte da terra dos ferezeus e dos refains, já que a montanha de Efraim é pequena demais para vós.
16. Os filhos de José, porém, responderam: A montanha não nos basta; e todos os cananeus que habitam na planície possuem carros de ferro, tanto os de Betsã e seus arrabaldes como os que estão no vale de Jesrael.
17. Então Josué disse à casa de José, a Efraim e a Manassés: Tu és um povo numeroso e forte; não terás só uma parte,
18. mas terás a montanha, cuja floresta tu desbravarás e os seus arredores serão teus. Expulsarás os cananeus, apesar de seus carros de ferro e de seu poder.

 
Capítulo 18

1. Toda a assembléia dos filhos de Israel se reuniu em Silo, onde levantaram a tenda de reunião; a terra estava-lhes sujeita.
2. Havia sete tribos entre os israelitas que ainda não tinham recebido sua parte.
3. Josué disse aos israelitas: Até quando tardareis a tomar posse da terra que vos deu o Senhor, Deus de vossos pais?
4. Escolhei de cada tribo três homens para que eu os envie a percorrer a terra: eles farão a sua descrição em vista da repartição, e voltarão para junto de mim.
5. Dividi-la-ão em sete partes: Judá permanecerá nos seus limites do lado do meio-dia, e a casa de José nos seus, da banda do norte.
6. Traçareis, pois, a planta da terra, repartindo-a em sete partes, e me trareis aqui essa planta, para que eu, diante do Senhor, nosso Deus, vos lance as sortes.
7. Não haverá parte alguma para os levitas entre vós, porque sua herança é o sacerdócio do Senhor. Quanto a Gad, Rubem e a meia tribo de Manassés, já receberam a sua parte na Transjordânia, ao oriente, a qual lhes deu Moisés, servo do Senhor.
8. Então os homens se levantaram e partiram. E Josué deu ordem aos que partiram para demarcar a terra: Ide, disse ele, percorrei a terra, traçai a sua planta e voltai a mim; eu vos lançarei as sortes aqui em Silo, diante do Senhor.
9. Partiram, pois, percorreram a terra e fizeram a sua descrição em um livro, repartindo-a em sete porções, segundo as cidades. Depois voltaram para junto de Josué no acampamento de Silo.
10. Então Josué lançou-lhes a sorte diante do Senhor, e repartiu a terra entre os israelitas, segundo suas divisões.
11. A sorte caiu primeiro sobre a tribo dos benjaminitas, segundo suas famílias, aos quais coube o território situado entre os juditas e os filhos de José.
12. Sua fronteira, ao norte, partia do Jordão, subia atrás de Jericó, pelo norte e, indo pela montanha para o ocidente, terminava no deserto de Betaven.
13. Dali, passava ao meio-dia sobre a vertente de Luz, que é Betel; depois descia a Atarot-Adar, perto da montanha que está ao sul de Betoron inferior.
14. Estendia-se em seguida e, dando volta ao lado ocidental para o sul, desde a montanha que está perto de Betoron, ao sul, terminava em Cariat-Baal, que é Cariatiarim, cidade dos juditas. Tal era a região ocidental.
15. A região meridional partia da extremidade de Cariatiarim, estendia-se para o ocidente e terminava na fonte das águas de Neftoa.
16. Descia depois à extremidade da montanha que está defronte ao vale do filho de Enom, no vale dos refains, ao norte. Descia em seguida pelo vale de Enom para a vertente meridional dos jebuseus e para En-Rogel,
17. estendendo-se ao norte até En-Semer; dali chegava até Gelilot, defronte da subida de Adomim, e descia até a pedra de Boen, filho de Rubem.
18. Passava então pela vertente setentrional, em frente de Arabá, e descia a Arabá.
19. Depois passava sobre a vertente setentrional de Bet-Hagla, e terminava no braço do mar Salgado que está ao norte, na extremidade meridional do Jordão. Tal era a fronteira do sul.
20. O Jordão constituía a fronteira oriental. Esta foi a parte dos benjaminitas, segundo suas famílias, e tais foram as suas fronteiras em toda a volta.
21-28 As cidades da tribo dos benjaminitas, segundo suas famílias, foram: Jericó, Bet-Hagla, Emec-Casis, Bet-Arabá, Samaraim, Betel, Avim, Afara, Ofera, Quefar-Emona, Ofni e Gabéia; doze cidades com suas aldeias. Gabaon, Rama, Berot, Mesfé, Cafara, Amosa, Recém, Jarefel, Tarela, Sela, Elef, Jebus, que é Jerusalém, Gabaat e Cariat; quatorze cidades com suas aldeias. Esta foi a parte dos benjaminitas segundo suas famílias.

 
Capítulo 19

1. A segunda sorte caiu a Simeão, à tribo dos filhos de Simeão, segundo as suas famílias. Sua parte estava situada no meio da de Judá.
2-7 Tiveram por herança: Bersabéia (Sabéia), Molada, Haser-Sual, Bala, Asen, Eltolad, Betul, Harma, Siceleg, Bet-Marcabot, Hasersura, Bet-Labaot e Saroen: treze cidades com suas aldeias. Ain, Remon, Atar e Asã: quatro cidades com suas aldeias,
8. assim como todos os lugarejos dos arredores dessas cidades até Baalat-Beer, que é Rama do sul. Esta foi a parte dos filhos de Simeão, segundo suas famílias.
9. Esta parte foi tomada da porção dos filhos de Judá, que era grande demais para eles e, por isso, os filhos de Simeão receberam a sua parte no meio de seu território.
10. A terceira sorte coube aos filhos de Zabulon, segundo suas famílias, e a fronteira de sua parte estendia-se até Sarid.
11. Subia para o ocidente, até Merala e chegava até Debaset, tocando a torrente que corre defronte de Jeconão.
12. De Sarid voltava ao oriente para o nascente, até o limite de Celeset-Tabor, passava por Daberet e subia a Jaflé.
13. Dali passava pelo lado oriental, para o levante, até Get-Hefer e até Tacasin, e chegava a Remon, prolongando-se até Noa.
14. Dava volta em seguida pelo norte para Hanaton e terminava no vale de Jeftael.
15. Havia ainda Catet, Naalol, Semeron, Jedala e Belém; doze cidades com suas aldeias.
16. Tal foi a parte de Zabulon, segundo suas famílias, e tais são as suas cidades e suas aldeias.
17-23 A quarta sorte coube a Issacar, aos filhos de Issacar segundo suas famílias. Sua fronteira era Jezrael, Casalot, Suném, Hafaraim, Seon, Anaarat, Rabot, Cesion, Abés, Ramet, En-Ganim, En-Hada e Bet-Feses. A fronteira tocava em Tabor, Seesima e Bet-Sames indo terminar no Jordão: dezesseis cidades com suas aldeias. Tal foi a parte da tribo dos filhos de Issacar segundo suas famílias, e tais são suas cidades e suas aldeias.
24. A quinta sorte coube à tribo dos filhos de Aser, segundo suas famílias.
25. Sua fronteira era Halcat, Cali, Beten, Axaf,
26. Elmelec, Amaad e Messal; chegava pelo ocidente até o Carmelo e até Sior-Labanat.
27. Voltava em seguida pelo oriente para Bet-Dagon, tocava em Zabulon e no vale de Jeftael, ao norte de Bet-Emec e de Neiel, e estendia-se pela esquerda até Cabul,
28. Abrã, Roob, Amon e Caná, até Sidônia, a Grande.
29. Voltava depois para Ramah até a fortaleza de Tiro, e ia para Hosa, terminando no mar, pelo distrito de Acziba.
30. Havia, além disso, Ama, Afec e Roob: vinte e duas cidades com suas aldeias.
31. Esta foi a parte da tribo dos filhos de Aser, segundo suas famílias, e tais são suas cidades e suas aldeias.
32. A sexta sorte caiu aos filhos de Neftali, segundo suas famílias.
33. Sua fronteira partia de Helef, desde o carvalhal de Saananim, indo para Adami-Neceb e Jebnael, até Lecum, terminando no Jordão.
34. Voltava depois pelo ocidente até Azanot-Tabor e atingia Hucuca. Ao sul, tocava em Zabulon, ao ocidente em Aser, ao oriente em Judá, perto do Jordão.
35-39 Suas fortalezas eram: Assedim, Ser, Emat, Recat, Ceneret, Edema, Arama, Asor, Cedes, Edrai, En-Hasor, Jeron, Magdalel, Horem, Bet-Anat e Bet-Sames: dezenove cidades com suas aldeias. Esta foi a parte da tribo dos filhos de Neftali, segundo suas famílias e tais são suas cidades e suas aldeias.
40. A sétima sorte caiu à tribo dos filhos de Dã, segundo suas famílias.
41-46 Sua fronteira compreendia Saraa, Estaol, Hir-Semes, Selebin, Ajalon, Jetela, Elon, Temna, Acron, Eltece, Gebeton, Balaat, Jud, Bene-Barac, Get-Remon, Me-Jarcon e Arecon com a terra fronteira a Jope.
47. O território dos danitas estendia-se para além dos seus limites, porque, tendo combatido Lesém, tomaram-na e passaram-na ao fio da espada. Entrando em sua posse, habitaram-na e deram-lhe o nome de Dã, seu pai.
48. Tal foi a parte da tribo dos filhos de Dã, segundo suas famílias, e tais são as suas cidades e suas aldeias.
49. Acabada a repartição da terra segundo seus limites, os israelitas deram a Josué, filho de Nun, uma parte no meio deles.
50. Por ordem do Senhor, deram-lhe a cidade que ele pediu, Tamnat-Saré, na montanha de Efraim. Josué reedificou a cidade e habitou nela.
51. Estas são as partes que o sacerdote Eleazar, Josué, filho de Nun, e os chefes de família das tribos dos israelitas repartiram por sorte em Silo, diante do Senhor, à entrada da tenda de reunião. E assim acabaram a divisão da terra.

 
Capítulo 20

1. O Senhor disse a Josué: Dirás aos israelitas:
2. separai para vós as cidades de refúgio das quais vos falei por meio de Moisés,
3. para que nelas se possa refugiar o homicida que tiver matado alguém inadvertidamente, sem querer: elas vos servirão de refúgio contra o vingador do sangue.
4. O homicida dirigir-se-á a uma dessas cidades e, parando à entrada da porta, exporá o seu caso aos anciãos da cidade; deste modo o recolherão entre eles na cidade e lhe darão lugar em que habite no meio deles.
5. Se o vingador do sangue o perseguir, não lhe entregarão o homicida, porque matou inadvertidamente o seu próximo, sem que antes o odiasse.
6. Habitará nessa cidade até que compareça em juízo diante da assembléia, e até que morra o sumo sacerdote que estiver em exercício naquele tempo. Então voltará o homicida para a sua casa, na cidade de onde tinha fugido.
7. Designaram Cedes na Galiléia, na montanha de Neftali, Siquém, na montanha de Efraim, e Cariat-Arbé, que é Hebron, na montanha de Judá.
8. Além do Jordão de Jericó, ao oriente, designaram Bosor, da tribo de Rubem, na planície do deserto; Ramot em Galaad, da tribo de Gad, e Gaulon em Basã, da tribo de Manassés.
9. Tais foram as cidades designadas a todos os filhos de Israel, e ao estrangeiro que habitar entre eles, a fim de que aquele que tivesse matado alguém, inadvertidamente, se refugiasse nelas, e não morresse pela mão do vingador do sangue antes de ter comparecido diante da assembléia.

 
Capítulo 21

1. Os chefes de família dos levitas vieram ter com o sacerdote Eleazar, com Josué, filho de Nun, e com os chefes de família das tribos israelitas,
2. e disseram-lhes em Silo, na terra de Canaã: O Senhor ordenou por Moisés que se nos dessem cidades para habitarmos, e juntamente seus arredores para nossos animais.
3. E os israelitas deram, pois, de suas possessões, as seguintes cidades com seus arrabaldes aos levitas, segundo a ordem do Senhor:
4. A sorte foi lançada para as famílias dos caatitas; e os levitas, filhos do sacerdote Aarão, obtiveram por sorte treze cidades das tribos de Judá, de Simeão e de Benjamim;
5. os outros filhos de Caat obtiveram por sorte dez cidades das famílias das tribos de Efraim, de Dã e da meia tribo de Manassés.
6. Tocaram por sorte aos filhos de Gérson treze cidades das famílias das tribos de Issacar, de Aser, de Neftali e da meia tribo de Manassés em Basã.
7. Os filhos de Merari, segundo suas famílias, obtiveram doze cidades das tribos de Rubem, de Gad e de Zabulon.
8. Os israelitas deram aos levitas essas cidades com seus arrabaldes, repartindo-as por sorte, como o Senhor tinha ordenado por Moisés.
9. Da tribo dos juditas e da tribo dos filhos de Simeão, deram as cidades cujos nomes seguem.
10. Elas.foram dadas aos filhos de Aarão dentre as famílias dos caatitas, filhos de Levi, a quem caiu a primeira sorte.
11. Foi-lhes dada na montanha de Judá a cidade de Arbé, pai de Enac, que é Hebron, com seus arrabaldes.
12. Os campos, porém, e as aldeias dessa cidade foram dados como propriedade a Caleb, filho de Jefoné.
13. Aos filhos do sacerdote Aarão deram Hebron e seus arrabaldes, a cidade de refúgio para o homicida, assim como Libna com seus arredores,
14. Jeter com seus arredores, Estemo e seus arredores,
15. Holon e seus arredores, Dabir e seus arredores,
16. Ain e seus arredores, Jeta e seus arredores, Betsames e seus arredores; nove cidades dessas duas tribos.
17. Da tribo de Benjamim deram-lhes Gabaon e seus arredores,
18. Gabaa e seus arredores, Anatot e seus arredores, Almon e seus arredores; quatro cidades.
19. Total das cidades dos sacerdotes, filhos de Aarão: treze cidades com seus arredores.
20. Os levitas das outras famílias dos filhos de Caat receberam por sorte cidades da tribo de Efraim.
21. Deram-lhes Siquém, cidade de refúgio para o homicida, e seus arredores, na montanha de Efraim, Geser e seus arredores,
22. Gibsaim e seus arredores, Betoron e seus arredores; quatro cidades.
23. Da tribo de Dã, foram-lhes dadas Elteco e seus arredores,
24. Gabaton e seus arredores, Ajalon e seus arredores, Get-Remon e seus arredores; quatro cidades.
25. Da meia tribo de Manassés: Tanac e seus arredores, Get-Remon e seus arredores; duas cidades.
26. Total: dez cidades com seus arredores para as famílias dos outros filhos de Caat.
27. Aos filhos de Gérson, uma das famílias de Levi, foram dadas da meia tribo de Manassés: Gaulon, cidade de refúgio para o homicida, em Basã, com seus arredores, e Bosra com seus arredores; duas cidades.
28. Da tribo de Issacar, Cesion e seus arredores, Daberet e seus arredores,
29. Jaramote seus arredores, En-Gamin e seus, arredores; quatro cidades.
30. Da tribo de Aser, Masal e seus arredores, Abdon e seus arredores,
31. Helcat e seus arredores, Roob e seus arredores; quatro cidades.
32. Da tribo de Neftali, Cedes na Galiléia, cidade de refúgio para o homicida, e seus arredores, Hamat-Dor e seus arredores. Cartã e seus arredores; três cidades.
33. Total das cidades dos gersonitas segundo suas famílias: treze cidades com seus arredores.
34. Às famílias dos filhos de Merari, o resto dos levitas, deram, da tribo de Zabulon, Jecnão e seus arredores, Carta e seus arredores,
35. Damna e seus arredores, Naalol e seus arredores; quatro cidades;
36. da tribo de Rubem, Basor e seus arredores, Jassa e seus arredores,
37. Cedemot e seus arredores, Mefaat e seus arredores; quatro cidades.
38. Da tribo de Gad: a cidade de refúgio para o homicida, Ramot em Galaad e seus arredores, Manaim e seus arredores,
39. Hesebon e seus arredores, Jaser e seus arredores; ao todo, quatro cidades.
40. Total das cidades dadas por sorte aos filhos de Merari segundo suas famílias, que formavam o resto dos levitas: doze cidades.
41. Total das cidades dos levitas no meio das possessões dos israelitas: quarenta e oito cidades com seus arredores.
42. Cada uma dessas cidades tinha os seus arrabaldes ao redor: assim foi com todas as cidades.
43. Foi assim que o Senhor deu a Israel toda a terra que ele tinha jurado dar a seus pais. Eles possuíram-na e estabeleceram-se nela.
44. E o Senhor deu-lhes repouso em todo o derredor de sua terra, como tinha jurado a seus pais; nenhum dos seus inimigos pôde resistir-lhes, pois o Senhor entregou-os todos nas suas mãos.
45. Não falhou nenhuma de todas as boas palavras que o Senhor tinha dito a Israel. Todas se cumpriram.

 
Capítulo 22

1. Josué convocou os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés:
2. Observastes, disse-lhes ele, tudo o que vos ordenou Moisés, servo do Senhor, e obedecestes a todos os mandamentos que vos dei.
3. Durante todo esse tempo, até o dia de hoje, não abandonastes vossos irmãos, observando fielmente o mandamento do Senhor, vosso Deus.
4. Agora que o Senhor, vosso Deus, deu aos vossos irmãos o descanso que ele havia prometido, retomai o caminho de vossas tendas na terra que vos pertence, e que Moisés, servo do Senhor, vos deu além do Jordão.
5. Tende muito cuidado, no entanto, de pôr em prática os mandamentos e as leis que vos prescreveu Moisés, servo do Senhor: amar o Senhor, vosso Deus, andar em todos os seus caminhos, guardar os seus mandamentos e unir-vos a ele, servindo de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.
6. Josué abençoou-os e os despediu, e eles voltaram para as suas tendas.
7. Ora, Moisés tinha dado a uma meia tribo de Manassés uma parte em Basã; por isso Josué deu à outra meia tribo uma parte entre seus irmãos ao ocidente, aquém do Jordão. Despedindo-os para as suas tendas, Josué deu-lhes esta bênção:
8. Voltais para vossas tendas com grandes riquezas – numerosos rebanhos, prata e ouro, bronze e ferro, e vestidos em grande quantidade – e reparti com vossos irmãos os despojos de vossos inimigos.
9. Os filhos de Rubem, de Gad e da meia tribo de Manassés separaram-se dos israelitas em Silo, na terra de Canaã, e retomaram o caminho da terra de Galaad, terra cuja propriedade tinha recebido por mandamento do Senhor, transmitido a Moisés.
10. E, tendo chegado aos distritos do Jordão, que pertencem à terra de Canaã, os filhos de Rubem, de Gad, da meia tribo de Manassés levantaram, ali junto ao Jordão, um enorme altar, que se podia ver de longe.
11. Os israelitas, tendo ouvido que os filhos de Rubem, de Gad e da meia tribo de Manassés tinham levantado um altar defronte da terra de Canaã, na região do Jordão do lado dos israelitas,
12. reuniram-se todos em Silo para irem combater contra eles.
13. Enviaram aos filhos de Rubem, de Gad e da meia tribo de Manassés, na terra de Galaad, o sacerdote Finéias, filho de Eleazar,
14. juntamente com dez príncipes, chefes de casas patriarcais, um chefe por tribo, sendo todos chefes de casas patriarcais entre os milhares de Israel.
15. Estes, chegando junto aos filhos de Rubem, de Gad e da meia tribo de Manassés, na terra de Galaad, disseram-lhes:
16. Eis a mensagem da assembléia do Senhor: que infidelidade é essa que cometeis contra o Deus de Israel, desviando-vos hoje do Senhor e levantando um altar, o que é presentemente um ato de revolta contra ele?
17. Porventura não nos basta o pecado de Fogor, do qual ainda hoje não estamos purificados, apesar do castigo que feriu a assembléia do Senhor? E vós vos desviais hoje do Senhor!
18. Se vos revoltais hoje contra o Senhor, amanhã sua cólera se inflamará contra toda a assembléia de Israel.
19. Se julgais que a terra de vossa herança é impura, passai para a terra que é a propriedade do Senhor, onde se acha sua morada, e instalai-vos no meio de nós; mas não vos revolteis contra o Senhor, nem contra nós, construindo outro altar além do altar do Senhor, nosso Deus.
20. Não houve uma explosão de cólera do Senhor contra toda a assembléia de Israel quando Acã, filho de Zaré, pecou contra o que estava votado ao interdito? E não foi só ele que pereceu por causa de seu crime.
21. Os filhos de Rubem, de Gad e da meia tribo de Manassés responderam aos chefes dos milhares de Israel:
22. Deus todo-poderoso, o Senhor Deus todo-poderoso, o Senhor sabe, e Israel o saiba: se foi por espírito de revolta e por infidelidade para com o Senhor, que ele não nos poupe neste dia!…
23. Se foi para desviar-nos do Senhor que levantamos um altar, e se foi para oferecermos sobre ele holocaustos, oblações e sacrifícios de ações de graças, o Senhor mesmo nos peça conta disso!
24. Se o fizemos, foi antes por temor de que vossos filhos digam um dia aos nossos: Que tendes vós em comum com o Senhor, o Deus de Israel?
25. O Senhor pôs o rio Jordão como fronteira entre nós e vós, ó filhos de Rubem e de Gad: não tendes parte com o Senhor. E desse modo vossos filhos poderiam afastar os nossos do culto do Senhor.
26. Por isso combinamos entre nós: construamos um altar, não para holocaustos e sacrifícios,
27. mas para que seja um testemunho entre nós e vós, entre os nossos filhos e os vossos, de que prestamos culto ao Senhor em sua presença, oferecendo-lhe nossos holocaustos, nossos sacrifícios e nossas ações de graças, e para que os vossos filhos não digam amanhã aos nossos: vós não tendes parte com o Senhor.
28. Se, pois, amanhã eles nos falassem assim, a nós ou aos nossos descendentes, poderíamos responder-lhes: vede a forma do altar do Senhor que nossos pais construíram, não para holocaustos e sacrifícios, mas para servir de testemunho entre nós e vós.
29. Longe de nós o pensamento de querer revoltar-nos contra o Senhor, desviando-nos hoje dele por termos construído um altar para holocaustos, oblações e sacrifícios, fora do altar que está diante da morada do Senhor, nosso Deus!
30. Tendo ouvido as palavras dos filhos de Rubem, de Gad e da meia tribo de Manassés, o sacerdote Finéias e os príncipes da assembléia, chefes dos milhares de Israel que o acompanhavam, deram-se por satisfeitos.
31. Então o sacerdote Finéias, filho de Eleazar, disse aos filhos de Rubem, de Gad e de Manassés: Reconhecemos hoje que o Senhor está no meio de nós, visto que não cometestes esse pecado contra ele, e salvastes assim os israelitas da mão do Senhor!
32. O sacerdote Finéias, filho de Eleazar, deixando os filhos de Rubem e de Gad, voltou com os príncipes da terra de Galaad para a terra de Canaã, para junto dos israelitas, e fez-lhes um relatório de tudo.
33. Alegraram-se com isso, bendisseram a Deus e não pensaram mais em sair contra eles para devastar a terra habitada pelos filhos de Rubem e de Gad.
34. Por isso os filhos de Rubem e de Gad chamaram ao altar que tinham construído Ed, porque, disseram eles, ele é testemunho entre nós de que o Senhor é o verdadeiro Deus.

 
Capítulo 23

1. O Senhor tinha dado, desde há muito tempo, tranqüilidade a Israel e o livrara de todos os inimigos dos arredores. Josué, sendo já velho e avançado em idade,
2. convocou todo o Israel, seus anciãos, seus chefes, seus juízes e seus oficiais, e disse-lhes: Eis que estou velho, de idade muito avançada,
3. e vistes tudo o que o Senhor, vosso Deus, fez a todas essas nações diante de vós; porque é o Senhor, vosso Deus, quem combateu por vós.
4. Vede: reparti entre vós, por sorte, todos esses povos que restam a combater; é a herança de vossas tribos, assim como aqueles que exterminei desde o Jordão até o mar Grande do ocidente.
5. O Senhor as expulsará, e as despojará em vosso proveito, e sua terra tornar-se-á vossa propriedade, como vos prometeu o Senhor, vosso Deus.
6. Esforçai-vos, pois, em pôr em prática tudo o que está escrito no livro da lei de Moisés, e não vos desvieis dela nem para a direita nem para esquerda.
7. Não vos mistureis com esses povos que ficaram habitando entre vós. Não invoqueis o nome de seus deuses, e não jureis por eles; guardai-vos de prestar-lhes culto e adorá-los,
8. mas permanecei unidos ao Senhor, vosso Deus, como o fizestes até hoje.
9. O Senhor despojou em vosso favor grandes e poderosas nações; até o presente ninguém vos pôde resistir.
10. Um só dentre vós punha em fuga mil inimigos, porque o Senhor, vosso Deus, combatia por vós, como ele vos tinha prometido.
11. Tende, pois, grande cuidado em amar o Senhor, vosso Deus.
12. Se vos desviardes e vos unirdes aos restos dessas nações que habitam entre vós, misturando-vos a elas e contraindo com elas matrimônios,
13. sabei que o Senhor, vosso Deus, não continuará a despojá-las em vosso proveito. Elas se converterão para vós em laços e ciladas, azorrague sobre os vossos rins e espinhos nos vossos olhos, até que tenhais desaparecido desta terra fértil que vos deu o Senhor, vosso Deus.
14. Eis que me vou hoje pelo caminho de toda a terra. Reconhecei de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, que de todas as boas palavras que pronunciou em vosso favor o Senhor, vosso Deus, nem uma só ficou sem efeito: todas se cumpriram, e não falhou uma sequer.
15. Ora, assim como se realizaram todas as boas promessas que o Senhor, vosso Deus, vos fez, assim também mandará sobre vós todos os males de que vos ameaçou, até que vos extermine de sobre esta terra fértil que ele vos deu;
16. se violardes a aliança que o Senhor, vosso Deus, fez convosco, indo servir outros deuses e prostrar-vos diante deles, o furor do Senhor se inflamará contra vós e sereis depressa tirados desta excelente terra que vos deu.

 
Capítulo 24

1. Josué convocou a Siquém todas as tribos de Israel, seus anciãos, seus chefes, seus juízes e seus oficiais. Eles apresentaram-se diante de Deus,
2. e Josué disse a todo o povo: Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: outrora, vossos ancestrais, Taré, pai de Abraão e de Nacor, habitavam além do rio e serviam a deuses estrangeiros.
3. Tomei vosso pai Abraão do outro lado do Jordão e conduzi-o à terra de Canaã. Multipliquei sua descendência e dei-lhe Isaac,
4. ao qual dei Jacó e Esaú, e dei a este último a montanha de Seir; Jacó, porém, e seus filhos desceram ao Egito.
5. Depois mandei Moisés e Aarão e feri o Egito com tudo o que fiz no meio dele; e em seguida vos tirei de lá.
6. Fiz sair vossos pais do Egito e, quando chegastes ao mar, os egípcios perseguiram vossos pais com carros e cavaleiros até o mar Vermelho.
7. Os israelitas clamaram ao Senhor, o qual pôs trevas entre vós e os egípcios, e fez vir o mar sobre eles, cobrindo-os. Vistes com os vossos olhos o que fiz aos egípcios, e depois disso habitastes muito tempo no deserto.
8. Conduzi-vos em seguida à terra dos amorreus, que habitavam além do Jordão. Eles combateram contra vós, mas eu os entreguei em vossas mãos; tomastes posse de sua terra e eu os exterminei diante de vós.
9. Balac, filho de Sefor, rei de Moab, combateu contra Israel. Mandou chamar Balaão, filho de Beor, para vos amaldiçoar.
10. Mas eu não quis ouvir Balaão, e ele teve de vos abençoar; e tirei-vos da mão de Balac.
11. Passastes o Jordão e chegastes a Jericó. Combateram contra vós os homens dessa cidade, bem como os amorreus, os ferezeus, os cananeus, os hiteus, os gergeseus, os heveus e os jebuseus, e eu os entreguei todos nas vossas mãos.
12. Mandei adiante de vós vespas que expulsaram os dois reis dos amorreus, não com a vossa espada, nem com o vosso arco.
13. Desse modo, dei-vos uma terra que não lavrastes, cidades que não construístes, onde agora habitais, vinhas e oliveiras que não plantastes, das quais comeis agora os frutos.
14. Agora, pois, temei o Senhor e servi-o com toda a retidão e fidelidade. Tirai os deuses que serviram vossos pais além do rio e no Egito, e servi o Senhor.
15. Porém se vos desagrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses, a quem serviram os vossos pais além do rio, se aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porque, quanto a mim, eu e minha casa serviremos o Senhor.
16. O povo respondeu: Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir outros deuses.
17. O Senhor é o nosso Deus, ele que nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da servidão; e que operou à nossa vista maravilhosos prodígios e guardou-nos ao longo de todo o caminho que percorremos, entre todos os povos pelos quais passamos.
18. O Senhor expulsou diante de nós todas essas nações, assim como os amorreus que habitam na terra. Nós também, nós serviremos o Senhor, porque ele é o nosso Deus.
19. Josué disse ao povo: Vós não podereis servir o Senhor, porque ele é um Deus santo, um Deus zeloso que não perdoará as vossas rebeliões e os vossos pecados.
20. Se abandonardes o Senhor para servir outros deuses, ele se voltará contra vós e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito bem.
21. Não, clamou o povo, porque é o Senhor que nós queremos servir!
22. Josué disse-lhes: Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes o Senhor para prestar-lhe culto. Somos testemunhas!, responderam eles.
23. Agora, pois, tirai os deuses estranhos que estão no meio de vós e inclinai os vossos corações para o Senhor, Deus de Israel.
24. Nós serviremos o Senhor, nosso Deus, respondeu o povo a Josué, e obedeceremos à sua voz.
25. Desse modo, Josué fez um pacto naquele dia com o povo e deu-lhe, em Siquém, leis e prescrições.
26. Josué escreveu tudo isso no livro da lei de Deus, tomou em seguida uma pedra muito grande e erigiu-a ali, debaixo do carvalho que estava no santuário do Senhor.
27. E disse a todo o povo: Esta pedra servirá de testemunho contra nós, porque ela ouviu todas as palavras que o Senhor nos disse; ela servirá de testemunho contra vós, para que não abandoneis o vosso Deus.
28. Então Josué despediu o povo, cada um para a sua propriedade.
29. E aconteceu depois disso que Josué, filho de Nun, servo do Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos.
30. Sepultaram-no na terra de sua possessão, em Tamnat-Saré, na montanha de Efraim, ao norte do monte Gaas.
31. Durante todo o tempo da vida de Josué, Israel serviu o Senhor, bem como enquanto viveram depois dele os anciãos que conheciam tudo o que o Senhor tinha feito em favor de Israel.
32. Sepultaram também em Siquém os ossos de José que os israelitas tinham trazido do Egito; depuseram-nos na porção da terra que Jacó havia comprado aos filhos de Hemor, pai de Siquém, por cem peças de prata, e que se tornou propriedade dos filhos de José.
33. Eleazar, filho de Aarão, morreu também. Enterraram-no em Gabaa, cidade de Finéias, seu filho, que lhe tinha sido dada na montanha de Efraim.

 

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Livro dos Juízes

by on ago.13, 2009, under Livro dos Juízes

Livro dos Juízes

 Capítulo 1

1. Depois da morte de Josué, os israelitas consultaram o Senhor: Quem dentre nós será o primeiro a combater os cananeus?
2. O Senhor respondeu: Judá, pois eu entregarei a terra nas suas mãos.
3. Então Judá disse a Simeão, seu irmão: Vem comigo à terra que me coube por sorte, para combatermos contra os cananeus. Depois irei contigo à tua terra. Simeão partiu com ele.
4. Judá travou combate e o Senhor entregou-lhe os cananeus e os ferezeus; derrotaram dez mil homens em Bezec.
5. Ali encontraram Adoni-Bezec, atacaram-no e derrotaram os cananeus e os ferezeus.
6. Adoni-Bezec fugiu, mas eles o perseguiram, prenderam-no e cortaram-lhe os polegares das mãos e os hálux dos pés.
7. Adoni-Bezec disse: Setenta reis, com os polegares das mãos e os hálux dos pés cortados, apanhavam debaixo de minha mesa os sobejos da comida. Como eu fiz, assim Deus me faz. E conduziram-no a Jerusalém, onde morreu.
8. Os juditas atacaram Jerusalém e tomaram-na. Passaram os seus habitantes ao fio da espada e incendiaram a cidade.
9. Desceram dali e combateram os cananeus das montanhas, do meio-dia e da planície.
10. Judá marchou contra os cananeus de Hebron (chamada antigamente Cariat-Arbé), e derrotou Sesai, Aimã e Tolmai.
11. Marchou depois contra os habitantes de Dabir, que antigamente se chamava Cariat-Sefer.
12. Caleb tinha dito: Àquele que combater e tomar Cariat-Sefer darei por mulher minha filha Axa.
13. Otoniel, filho de Cenez, irmão mais novo de Caleb, tomou a cidade; e Caleb deu-lhe sua filha Axa por mulher.
14. Chegando Axa à casa de seu marido, ele moveu-a a que pedisse um campo ao seu pai. (E pela segunda vez) ela saltou de seu jumento, e Caleb disse-lhe: Que tens?
15. Dá-me, respondeu ela, um presente. Instalaste-me em uma terra árida; dá-me também fontes de água! E Caleb deu-lhe as fontes superiores e inferiores.
16. Os filhos de Hobab, o quenita, cunhado de Moisés, subiram da cidade das Palmeiras com os juditas, no deserto de Judá, ao sul de Arad, e vieram estabelecer-se com o povo.
17. Judá prosseguiu sua marcha com Simeão, seu irmão, e derrotaram os cananeus de Sefaat. Votaram a cidade ao interdito e ela recebeu o nome de Horma.
18. Judá tomou também Gaza e seu território, bem como Ascalon e Acaron com seus territórios.
19. O Senhor estava com Judá, e ele conquistou a montanha; porém, não pôde despojar os habitantes da planície que possuíam carros de ferro.
20. Conforme o que Moisés tinha dito, deram Hebron a Caleb, que expulsou dela os três filhos de Enac.
21. Os benjaminitas não exterminaram os jebuseus de Jerusalém; por isso, os jebuseus habitaram em Jerusalém com os benjaminitas até o presente.
22. A família de José marchou também contra Betel, e o Senhor esteve com eles.
23. E quando exploravam Betel, que antes se chamava Luz,
24. viram um homem que saía da cidade, e disseram-lhe: Mostra-nos por onde se pode entrar na cidade e usaremos de misericórdia contigo.
25. Ele indicou-lhes a entrada, e passaram a localidade ao fio da espada, poupando, porém, aquele homem com a sua família.
26. Este emigrou para a terra dos hiteus, onde construiu uma cidade, à qual pôs o nome de Luz, nome que ela conserva ainda hoje.
27. Manassés não expulsou os habitantes de Betsã com suas aldeias, nem os de Tanac, de Dor, de Jeblaão, de Magedo, com suas aldeias, porque os cananeus estavam decididos a ocupar essa terra.
28. Quando se tornaram mais fortes, os israelitas fizeram-nos tributários, mas não os despojaram.
29. Efraim não expulsou os cananeus de Geser, os quais continuaram a habitar em Geser, no meio de Efraim.
30. Zabulon não expulsou os habitantes de Cetron, nem os de Naalol; e os cananeus continuaram a habitar no meio de Zabulon, embora sujeitos ao tributo.
31. Aser não expulsou os habitantes de Aco, nem os de Sidon, nem os de Aalab, de Acasib, de Helba, de Afec e de Roob;
32. os filhos de Aser estabeleceram-se entre os cananeus, habitantes daquela terra; não os despojaram.
33. Neftali não expulsou os habitantes de Bet-Sames, nem os de Bet-Anat, e estabeleceu-se entre os cananeus, habitantes daquela terra; os betsamitas e os betanitas ficaram-lhe tributários.
34. Os amorreus repeliram os danitas para a montanha, e não os deixaram descer para a planície.
35. Persistiram em ficar em Har-Harés, em Ajalon e em Salebim; mas a mão da casa de José prevaleceu sobre eles, e tiveram de pagar o tributo.
36. O território dos amorreus estendia-se desde a costa de Acrabim e de Sela, para o norte.

 
Capítulo 2

1. O anjo do Senhor subiu de Gálgala a Boquim e disse: Eu vos fiz subir do Egito e vos conduzi a esta terra que eu tinha prometido com juramento a vossos pais. E vos tinha dito: jamais hei de romper a aliança que fiz convosco;
2. vós, porém, não fareis aliança com os habitantes desta terra e lançareis por terra os seus altares! Ora, vós não obedecestes à minha voz.
3. Por que fizestes isso? Por essa razão eu disse: não os expulsarei de diante de vós; eles permanecerão ao vosso lado e os seus deuses vos serão um laço.
4. Ao dizer o anjo do Senhor estas palavras aos filhos de Israel, o povo pôs-se a chorar.
5. Pelo que chamaram àquele lugar Boquim, e ofereceram ali sacrifícios ao Senhor.
6. Josué despediu o povo, e os israelitas foram cada um para a sua herança, a fim de tomar posse da terra.
7. Durante toda a vida de Josué e dos anciãos que lhe sobreviveram, e que tinham testemunhado a grande obra que o Senhor tinha feito em favor de Israel, o povo serviu o Senhor.
8. Josué, filho de Nun, servo do Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos.
9. Sepultaram-no no território de sua possessão, em Tamnat-Heres, na montanha de Efraim, ao norte do monte de Gaas.
10. Toda aquela geração se foi também unir a seus pais, e sucedeu-lhe outra que não conhecia o Senhor, nem o que ele tinha feito em favor de Israel.
11. Os israelitas fizeram então o mal aos olhos do Senhor e serviram os Baal.
12. Abandonaram o Senhor, o Deus de seus pais, que os tinha tirado do Egito, e seguiram outros deuses, os dos povos que habitavam em torno deles; prostraram-se diante deles, excitando assim a cólera do Senhor.
13. Abandonaram o Senhor para servirem Baal e Astarot.
14. A cólera do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos de piratas, que os despojaram, e vendeu-os aos inimigos dos arredores, de sorte que não puderam mais resistir-lhes.
15. Para onde quer que fossem, a mão do Senhor estava contra eles para fazer-lhes mal, como o Senhor lhes tinha dito e jurado, e viram-se em grande aflição.
16. (Entretanto) o Senhor suscitava-lhes juízes que os livraram das mãos dos opressores,
17. mas nem mesmo os seus juízes ouviam e continuavam prostituindo-se a outros deuses, adorando-os. Abandonaram depressa o caminho que tinham seguido seus pais, na obediência aos mandamentos do Senhor, e não os imitaram.
18. Ora, quando o Senhor suscitava juízes, ele estava com o juiz para livrá-los de seus inimigos enquanto vivesse o juiz: o Senhor compadecia-se dos gemidos que soltavam diante de seus inimigos e de seus opressores.
19. Mas, depois que o juiz morria, corrompiam-se e se tornavam ainda piores do que seus pais, seguindo outros deuses, servindo-os e adorando-os; e não renunciavam aos seus crimes e à sua obstinação.
20. Inflamou-se, pois, contra Israel a cólera do Senhor: Visto que este povo violou o meu pacto, dizia ele, a aliança que eu tinha feito com seus pais, e não obedeceram à minha voz,
21. também eu não expulsarei de diante deles nenhuma das nações que Josué deixou ao morrer.
22. Por elas, queria o Senhor provar os israelitas, e ver se eles seguiriam ou não o caminho do Senhor, como o tinham feito seus pais.
23. E o Senhor deixou subsistir todas essas nações que não tinha entregue nas mãos de Josué, e não as quis expulsar logo.

 
Capítulo 3

1. Estas são as nações que o Senhor deixou subsistir para provar por meio delas os israelitas, todos aqueles que não tinham visto as guerras de Canaã,
2. e isso tão-somente para instrução das novas gerações israelitas, a fim de lhes ensinar a combater, ao menos àqueles que não o tinham feito antes.
3. Eram os cinco príncipes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios, os heveus que habitavam os montes do Líbano, desde a montanha de Baal-Hermon até a entrada de Hamat.
4. Essas nações ficaram para provar Israel, e ver se eles obedeceriam aos mandamentos que o Senhor havia prescrito aos seus pais por intermédio de Moisés.
5. Os filhos de Israel habitaram no meio dos cananeus, dos hiteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
6. Tomaram por mulheres suas filhas e eles mesmos deram suas filhas aos filhos deles, e serviram os seus deuses.
7. Os israelitas fizeram o mal aos olhos do Senhor, esqueceram-se do Senhor, seu Deus, e serviram aos baal e às asserá.
8. A ira do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos de Cusã-Rasataim, rei da Mesopotâmia, a quem ficaram sujeitos durante oito anos.
9. Os israelitas clamaram ao Senhor, que lhes suscitou um libertador para salvá-los: Otoniel, filho de Cenez, irmão mais novo de Caleb.
10. O Espírito do Senhor desceu sobre ele: ele julgou Israel e saiu para a guerra. O Senhor entregou-lhe Cusã-Rasataim, rei da Mesopotâmia, e sua mão triunfou sobre ele.
11. A terra teve quarenta anos de descanso, e Otoniel, filho de Cenez, morreu.
12. Os israelitas fizeram de novo o mal aos olhos do Senhor, e o Senhor excitou contra eles Eglon, rei de Moab, porque tinham feito o mal aos seus olhos.
13. Eglon aliou-se aos filhos de Amon e de Amalec, e pôs-se em marcha contra Israel; derrotou-o e apoderou-se da cidade das Palmeiras.
14. E os israelitas estiveram sujeitos a Eglon, rei de Moab, por dezoito anos.
15. Os filhos de Israel clamaram ao Senhor, que lhes suscitou um libertador na pessoa de Aod, o canhoto, filho de Gera, benjaminita. Os filhos de Israel mandaram, por meio dele, um presente a Eglon, rei de Moab.
16. Aod mandou fazer para si uma espada de dois gumes, de um côvado de comprimento, e a levava debaixo de suas vestes, apoiada na coxa direita.
17. Ele veio e ofereceu o presente a Eglon, rei de Moab, que era muito gordo.
18. Terminada a cerimônia, levou os homens que tinham trazido o presente
19. até as estelas próximas de Gálgala. Voltou ao rei e disse-lhe: Senhor, tenho uma palavra a dizer-te. Silêncio, ordenou o rei; e todos os seus familiares se retiraram.
20. Aod entrou; o rei estava assentado, só, no seu quarto de verão. Tenho a dizer-te uma palavra da parte do Senhor, disse Aod. O rei levantou-se do seu trono.
21. E logo tomou Aod com a mão esquerda a espada que trazia na coxa direita e mergulhou-lha no ventre
22. com tanta força que o próprio cabo entrou após a lâmina, e ficou coberto pela muita gordura. E não retirou do ventre sua espada, cuja lâmina saía por detrás.
23. Aod saiu pela galeria, depois de ter fechado bem atrás de si as portas do quarto de cima, deixando-as trancadas.
24. E, tendo ele partido, notaram os servos do rei que as portas estavam fechadas: Sem dúvida, disseram, estará fazendo necessidade, em seu quarto de verão.
25. Mas, depois de esperarem muito tempo, ficaram alarmados, e, vendo que a porta do apartamento não se abria, tomaram a chave, abriram-na e encontraram o seu senhor morto e estendido por terra.
26. Enquanto isso, Aod fugiu para além das estelas, e foi para Seirat.
27. Logo que chegou à montanha de Efraim, tocou a trombeta e os filhos de Israel desceram da montanha com ele.
28. Segui-me, disse-lhes ele, porque o Senhor entregou-vos os moabitas, vossos inimigos. Eles o seguiram e ocuparam os vaus do Jordão, por onde se vai a Moab, de modo a não deixar passar ninguém.
29. Mataram então cerca de dez mil homens, todo o escol e todo o vigor de Moab; ninguém escapou.
30. Naquele dia foi Moab humilhado sob a mão de Israel. E a terra teve um descanso de oitenta anos.
31. Depois de Aod, Samgar, filho de Anat, derrotou seiscentos filisteus com um aguilhão de bois. Samgar também foi um libertador para Israel.

 
Capítulo 4

1. Depois da morte de Aod, os israelitas continuaram a fazer o mal aos olhos do Senhor.
2. Então o Senhor entregou-os nas mãos de Jabin, rei de Canaã, que reinava em Asor. Seu exército era chefiado por Sísara, que habitava em Haroset-Goim.
3. Os filhos de Israel clamaram ao Senhor, porque Jabin tinha novecentos carros de ferro e oprimia-os duramente já fazia vinte anos.
4. Naquela época, a profetisa Débora mulher de Lapidot, era juíza em Israel.
5. Sentava-se sob a palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na montanha de Efraim, e os israelitas iam ter com ela para que julgasse suas questões.
6. Ela mandou chamar Barac, filho de Abinoem, de Cedes em Neftali, e disse-lhe: Eis o que te ordena o Senhor, Deus de Israel: vai ao monte Tabor; toma contigo dez mil homens dos filhos de Neftali e de Zabulon.
7. Quando estiveres na torrente de Cison, conduzir-te-ei Sísara, chefe do exército de Jabin, com seus carros e suas tropas, e to entregarei.
8. Barac respondeu-lhe: Se vieres comigo, irei; mas se não quiseres vir comigo, não irei.
9. Sim, disse ela, irei contigo; mas a glória da expedição não será tua, porque o Senhor entregará Sísara nas mãos de uma mulher. E Débora foi com Barac a Cedes.
10. Barac convocou ali Zabulon e Neftali: dez mil homens levantaram-se e seguiram-no, tendo Débora em sua companhia.
11. Ora, Heber, o cineu, tinha-se separado dos cineus da família de Hobab, cunhado de Moisés, e tinha levantado suas tendas até o carvalhal de Senim, perto de Cedes.
12. Foi anunciado a Sísara que Barac, filho de Abinoem, estava em marcha para o monte Tabor.
13. Mandou então vir de Haroset-Goim todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele até a torrente de Cison.
14. Débora disse a Barac: Vai-te, porque este é o dia em que o Senhor te entregará Sísara. O Senhor mesmo marcha adiante de ti. Barac desceu do monte Tabor com dez mil homens.
15. E o Senhor desbaratou Sísara com todos os seus carros e todo o seu exército, que caíram ao fio da espada, diante de Barac. Sísara, saltando do seu carro, fugiu a pé,
16. enquanto Barac perseguia os carros e o exército até Haroset-Goim. Todo o exército de Sísara foi passado ao fio da espada, sem escapar um só homem.
17. Sísara, fugindo a pé, chegou à tenda de Jael, mulher de Heber, o cineu, porque havia paz entre Jabin, rei de Asor e a casa de Heber, o cineu.
18. Jael, saindo ao encontro de Sísara, disse-lhe: Entra, meu senhor, em minha casa, e não temas. Ele entrou na tenda e ela o ocultou sob um manto.
19. Ele disse à mulher: Peço-te que me dês um pouco de água, porque tenho sede. Ela abriu um odre de leite, deu-lhe de beber e recobriu-o.
20. Sísara disse-lhe ainda: Põe-te à entrada da tenda, e se qualquer pessoa te perguntar se há alguém aqui, responderás que não.
21. Jael, pois, mulher de Heber, tomou um prego da tenda juntamente com um martelo e, aproximando-se devagarinho, enterrou o prego na fonte de Sísara, pregando-o assim na terra enquanto ele dormia profundamente por causa da muita fadiga. Sísara morreu.
22. Entrementes, chegou Barac logo após Sísara. Jael saindo-lhe ao encontro, disse-lhe: Vem, vou mostrar-te o homem que buscas. Ele entrou e viu Sísara que jazia morto por terra, com o prego cravado em sua fonte.
23. Foi assim que Deus, naquele dia, humilhou Jabin, rei de Canaã, diante dos israelitas;
24. e a mão dos filhos de Israel pesava cada vez mais sobre Jabin, rei de Canaã, até que o exterminaram.

 
Capítulo 5

1. Naquele dia, Débora cantou este cântico, com Barac, filho de Abinoem:
2. Desatou-se a cabeleira em Israel, o povo ofereceu-se para o combate: bendizei o Senhor!
3. Reis, ouvi! Estai atentos, ó príncipes! Sou eu, eu que vou cantar ao Senhor. Vou proferir um salmo ao Senhor, Deus de Israel!
4. Senhor, quando saístes de Seir, quando surgistes dos campos de Edom, a terra tremeu, os céus se entornaram, as nuvens desfizeram-se em água,
5. abalaram-se as montanhas diante do Senhor, nada menos que o Sinai, diante do Senhor, Deus de Israel!
6. Nos dias de Samgar, filho de Anat, nos dias de Jael, estavam desertos os caminhos, e os viajantes seguiam veredas tortuosas.
7. Desertos se achavam os campos em Israel, desertos, senão quando eu, Débora, me levantei, me levantei como uma mãe em Israel.
8. Israel escolhera deuses novos, e logo a guerra lhe bateu às portas, e não havia um escudo nem uma lança entre os quarenta mil de Israel.
9. Meu coração bate pelos chefes de Israel, pelos que se ofereceram voluntariamente entre o povo: bendizei o Senhor!
10. Vós que cavalgais jumentas brancas, sentados sobre tapetes, a galopar pelas estradas, cantai!
11. A voz dos arqueiros, junto dos bebedouros, celebre as vitórias do Senhor, as vitórias dos seus chefes em Israel! Então o povo do Senhor desceu às portas.
12. Desperta, desperta, Débora! Desperta, desperta, canta um hino! Levanta-te, Barac! Toma os teus prisioneiros, filho de Abinoem!
13. E agora descei, sobreviventes do meu povo. Senhor, descei para junto de mim entre estes heróis.
14. De Efraim vêm os habitantes de Amalec; seguindo-te, marcha Benjamim com as tropas; de Maquir vêm os príncipes, e de Zabulon os guias com o bastão.
15. Os príncipes de Issacar estão com Débora; Issacar marcha com Barac e segue-lhe as pisadas na planície. Junto aos regatos de Rubem grandes foram as deliberações do coração.
16. Por que ficaste junto ao aprisco, a ouvir a música dos pastores? Junto aos regatos de Rubem grandes foram as deliberações do coração.
17. Galaad ficou em sua casa, além do Jordão; e Dã, por que habita junto dos navios? Aser assentou-se à beira do mar e ficou descansando nos seus portos.
18. Zabulon, porém, é um povo que desafia a morte, e da mesma forma Neftali, sobre os planaltos.
19. Vieram os reis e travaram combate; e travaram combate os reis de Canaã em Tanac, junto às águas de Magedo; mas não levaram espólio em dinheiro.
20. Desde o céu as estrelas combateram, de suas órbitas combateram contra Sísara,
21. e a torrente de Cison os arrastou, a velha torrente, a torrente de Cison. Marcha, ó minha alma, resolutamente!
22. Ouviu-se, então, o troar dos cascos dos cavalos, ao tropel, ao tropel dos cavaleiros.
23. Amaldiçoai Meroz, disse o Anjo do Senhor, amaldiçoai, amaldiçoai seus habitantes! Porque não vieram em socorro do Senhor, em socorro do Senhor, com os guerreiros.
24. Bendita seja entre as mulheres Jael, mulher de Heber, o quenita! Entre as mulheres da tenda seja bendita!
25. Ao que pediu água ofereceu leite; serviu nata em taça nobre.
26. Com uma das mãos segurou o prego, e com a outra o martelo de operário, e malhou Sísara, espedaçando-lhe a cabeça, e esmagou-lhe a fonte e a transpassou.
27. Aos seus pés ele vergou, tombou, ficou; aos seus pés ele vergou, tombou. Onde vergou, ali tombou abatido!
28. Da janela, através das persianas, a mãe de Sísara olha e clama: Por que tarda em chegar o seu carro?! Por que demoram tanto as suas carruagens?!
29. As mais sábias das damas lhe respondem, e ela mesma o repete a si própria:
30. Devem ter achado despojos, e os repartem: uma moça, duas moças para cada homem, despojos de tecidos multicores para Sísara, despojos de tecidos multicores, recamados; uma veste bordada, dois brocados, para os ombros do vencedor.
31. Assim pereçam, Senhor, todos os vossos inimigos! E os que vos amam sejam como o sol quando nasce resplendente.
32. E repousou a terra durante quarenta anos.

 
Capítulo 6

1. Os israelitas fizeram o mal aos olhos do Senhor, e o Senhor entregou-os nas mãos dos madianitas durante sete anos.
2. A mão de Madiã pesou rudemente contra Israel. Por medo dos madianitas, os filhos de Israel refugiaram-se nas cavernas das montanhas, em cavernas e fortificações.
3. Quando Israel semeava, subia Madiã com Amalec e os filhos do oriente para atacá-lo.
4. Acampavam defronte deles e devastavam as suas plantações até a vizinhança de Gaza, e não deixavam aos israelitas provisão alguma, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.
5. Subiam com todos os seus rebanhos e tendas, semelhantes a uma nuvem de gafanhotos, e essa multidão inumerável de homens e camelos subia e devastava a terra.
6. Os israelitas ficaram desse modo extenuados pelos madianitas, e clamaram ao Senhor.
7. E, tendo eles clamado ao Senhor, pedindo socorro contra os madianitas, o Senhor mandou-lhes um profeta,
8. que lhes disse: Eis o oráculo do Senhor, Deus de Israel: eu vos fiz sair do Egito e vos tirei da servidão;
9. livrei-vos da mão dos egípcios e de vossos opressores; expulsei-os de diante de vós e dei-vos a sua terra.
10. E disse-vos: eu sou o Senhor, vosso Deus: não adorareis os deuses dos amorreus, em cuja terra ides habitar. Mas não ouvistes a minha voz.
11. Depois veio o anjo do Senhor e sentou-se debaixo do terebinto de Efra, que pertencia a Joás, da família de Abieser. Gedeão, seu filho, estava limpando o trigo no lagar, para escondê-lo dos madianitas.
12. O anjo do Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: O Senhor está contigo, valente guerreiro!
13. Gedeão respondeu: Ah, meu senhor, se o Senhor está conosco, por que nos vieram todos esses males? Onde estão aqueles prodígios que nos contaram nossos pais, dizendo: o Senhor fez-nos verdadeiramente sair do Egito? Agora o Senhor abandonou-nos e entregou-nos nas mãos dos madianitas.
14. Então o Senhor, voltando-se para ele: Vai, disse, com essa força que tens e livra Israel dos madianitas. Porventura não sou eu que te envio?
15. Ó Senhor, respondeu Gedeão, com que livrarei eu Israel? Minha família é a última de Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai.
16. O Senhor replicou: Eu estarei contigo e tu derrotarás os madianitas como se fossem um só homem.
17. Prosseguiu Gedeão: Se encontrei graça aos vossos olhos, provai-me por um sinal que sois vós quem me falais.
18. Não vos afasteis daqui até que eu volte trazendo uma oferta, e a ponha diante de vós. Esperarei, respondeu o Senhor, até que voltes.
19. Gedeão entrou em sua casa, preparou um cabrito e fez pães sem fermento com um efá de farinha. Pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, levou tudo debaixo do terebinto e ofereceu-lho.
20. O anjo do Senhor disse-lhe: Toma a carne e os pães sem fermento, põe-nos sobre aquela pedra e derrama por cima o caldo. Ele assim o fez.
21. Então o anjo do Senhor estendeu a ponta da vara que tinha na mão, tocou a carne com os pães sem fermento, e imediatamente jorrou fogo da rocha que consumiu a carne e os pães sem fermento; e o anjo do Senhor desapareceu de seus olhos.
22. Gedeão reconheceu que era o anjo do Senhor e exclamou: Ai de mim, Senhor Javé, que vi o anjo do Senhor face a face.
23. O Senhor disse-lhe: Tranqüiliza-te; não temas, não morrerás.
24. Gedeão edificou ali um altar ao Senhor e chamou-o Javé-Chalom. Esse altar existe ainda hoje em Efra de Abieser.
25. Durante a noite disse-lhe o Senhor: Toma o novilho de teu pai e um segundo touro de sete anos; destrói o altar de Baal de teu pai e faze o mesmo com o ídolo de madeira que está junto dele.
26. Edificarás então um altar ao Senhor, teu Deus, em cima dessa pedra, depois de a teres preparado. Tomarás o segundo touro e o oferecerás em holocausto usando a madeira do ídolo que tiveres cortado.
27. Gedeão escolheu dez dos seus servos e fez o que o Senhor lhe tinha ordenado. Temendo, porém, a família de seu pai e os habitantes da cidade, não o quis fazer durante o dia; executou tudo durante a noite.
28. Chegada a manhã, quando os habitantes da cidade se levantaram, eis que viram o altar de Baal derrubado por terra, o ídolo vizinho cortado, e o segundo touro queimado em holocausto sobre o novo altar.
29. Quem fez isto?, perguntaram uns aos outros. Depois de haverem buscado e investigado cuidadosamente, foi-lhes dito: Foi Gedeão, filho de Joás.
30. Disseram então a Joás: Faze vir aqui o teu filho, para que seja morto, porque ele derrubou o altar de Baal e cortou o ídolo de madeira que estava perto!
31. Joás respondeu a todos os que o interpelavam: Porventura sois vós que deveis tomar o partido de Baal? Sois vós que deveis socorrê-lo? Pois aquele que tomar o partido de Baal será morto hoje mesmo. Se Baal é deus, que defenda ele mesmo a sua causa, pois derrubaram o seu altar!
32. Daquele dia em diante, Gedeão foi chamado Jerobaal, dizendo: Que Baal defenda a sua causa contra ele, pois ele derrubou o seu altar!
33. Todos os madianitas, os amalecitas e os filhos do oriente se tinham coligado e, tendo passado o Jordão, acamparam no vale de Jezrael.
34. O Espírito do Senhor apoderou-se de Gedeão, o qual, tocando a trombeta, convocou os filhos de Abieser para que o seguissem.
35. Enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que se reuniu para segui-lo; e enviou também mensageiros às tribos de Aser, de Zabulon e de Neftali, e todos vieram juntar-se a ele.
36. Gedeão disse a Deus: Se quereis realmente salvar Israel por meio de minha mão, como o dissestes,
37. eis que vou estender um velo de lã na eira: se o orvalho cair só no velo, ficando toda a terra seca, reconhecerei que é por minha mão que livrareis Israel, como o dissestes.
38. E assim aconteceu. Levantando-se Gedeão no dia seguinte pela manhã, espremeu a lã e encheu um copo de orvalho.
39. Gedeão disse de novo a Deus: Não se acenda contra mim a vossa cólera se vos falo ainda uma vez! Só quero fazer mais uma prova com o velo: peço que só a lã fique seca, e o orvalho molhe toda a terra em redor.
40. E Deus assim o fez naquela noite: só o velo ficou seco, enquanto todo o solo estava coberto de orvalho.

 
Capítulo 7

1. Jerobaal, isto é, Gedeão, levantando-se no dia seguinte bem cedo, foi acampar na fonte de Harad com todo o povo que o acompanhava. O acampamento madianita encontrava-se ao norte da colina de Moré, na planície.
2. O Senhor disse a Gedeão: A gente que levas contigo é numerosa demais para que eu entregue Madiã em suas mãos. Israel poderia gloriar-se à minha custa, dizendo: foi a minha mão que me livrou.
3. Manda, pois, publicar este aviso para que todos o ouçam: quem for medroso ou tímido, volte para trás e deixe a montanha de Gelboé. Vinte e dois mil homens voltaram, ficando ainda dez mil.
4. O Senhor disse a Gedeão: Ainda há gente demais. Faze-os descer às águas, e ali farei uma escolha. Aquele que eu te disser que irá contigo, este te seguirá; e aquele que eu não te designar, ficará.
5. Gedeão fez, pois, descer o povo junto às águas e o Senhor disse-lhe: Porás à parte todos aqueles que lamberem a água com a língua, como faz o cão, e de outro lado aqueles que se puserem de joelhos para beber.
6. Ora, o número dos que lamberam a água, levando-a com a mão à boca, foi de trezentos homens; todo o resto do povo se pusera de joelhos para beber.
7. O Senhor disse a Gedeão: Com os trezentos homens que lamberam a água, vos salvarei, e entregarei Madiã nas tuas mãos. Todo o resto do povo volte para a sua casa.
8. Gedeão guardou os víveres do povo e suas trombetas, e despediu todos os israelitas, cada um para a sua tenda, só conservando os trezentos homens. O acampamento madianita estava embaixo, na planície.
9. Durante a noite seguinte, o Senhor disse a Gedeão: Levanta-te e ataca o acampamento, porque to entregarei.
10. Todavia, se tens medo de descer só, leva contigo Fara, teu servo.
11. Ouvirás o que eles dizem, e sentir-te-ás assim encorajado para atacar o acampamento. Gedeão desceu, pois, com Fara, seu servo, até onde estavam os postos avançados do acampamento.
12. Ora, os madianitas, os amalecitas e todos os filhos do oriente estavam espalhados pelo vale, tão numerosos como gafanhotos, e seus camelos eram também inumeráveis como a areia das praias.
13. No momento em que Gedeão se aproximou, um homem estava justamente contando um sonho ao seu companheiro: Eis, dizia ele, o sonho que tive: um pão de cevada rolava sobre o acampamento de Madiã e, chocando-se com a tenda, lançou-a completamente por terra. O companheiro respondeu:
14. Isso não é outra coisa senão a espada de Gedeão, filho de Joás, o israelita. Deus entregou em suas mãos Madiã e todo o acampamento.
15. Tendo ouvido a narração e a interpretação desse sonho, Gedeão prostrou-se por terra. Voltou ao acampamento israelita e disse: Levantai-vos, porque o Senhor vos entregou nas mãos o acampamento dos madianitas!
16. Dividiu os trezentos homens em três grupos, e pôs nas mãos de todos trombetas e ânforas vazias, levando estas dentro uma tocha acesa.
17. Olhai para mim, disse ele, e fazei como eu. Quando eu chegar aos limites do acampamento, fazei o que eu fizer.
18. Tocarei a trombeta com aqueles que me acompanham, e então tocareis também as vossas em volta de todo o acampamento, gritando: Pelo Senhor e por Gedeão!
19. Gedeão com seus cem homens chegou aos limites do acampamento no princípio da segunda vigília, quando se rendiam as sentinelas, e começaram a tocar as trombetas, quebrando ao mesmo tempo as ânforas que tinham na mão.
20. Então os três batalhões tocaram (também) as trombetas e quebraram as ânforas. Tomando as tochas na mão esquerda e as trombetas na direita para tocar, gritaram: À espada pelo Senhor e por Gedeão!
21. Cada um ficou em seu lugar, ao redor do acampamento; todo o acampamento se pôs a correr e fugiram, gritando.
22. Os trezentos homens continuavam a tocar as trombetas, enquanto, por todo o acampamento, o Senhor fez com que os madianitas voltassem a espada uns contra os outros, e o exército fugiu até Bet-Seta, para os lados de Sarera, e até os limites de Abel-Mehula, junto de Tebat.
23. Juntaram-se então aos israelitas as tribos de Neftali e de Aser e todo o Manassés, e perseguiram os madianitas.
24. Gedeão enviou mensageiros por todo o monte de Efraim, para dizer: Descei ao encontro dos madianitas e cortai-lhes a passagem das águas até Betbera, e até os vaus do Jordão. Juntaram-se, pois, os homens de Efraim e ocuparam as passagens até Betbera, e igualmente os vaus do Jordão.
25. Tendo capturado dois chefes madianitas, Oreb e Zeb, mataram Oreb no rochedo de Oreb, e Zeb no lagar de Zeb. E continuaram a perseguir os madianitas, levando as cabeças de Oreb e de Zeb a Gedeão, no outro lado do Jordão.

 
Capítulo 8

1. Os homens de Efraim disseram a Gedeão: Por que nos trataste assim, não nos chamando a pelejar contigo contra Madiã? E houve entre eles uma violenta discussão.
2. Gedeão respondeu-lhes: Que fiz eu, ao lado do que vós fizestes? Porventura não valem mais os cachos de Efraim que as vindimas de Abieser?
3. Foi nas vossas mãos que o Senhor entregou os príncipes de Madiã, Oreb e Zeb. Que pude eu, pois, fazer em comparação do que vós fizestes? E com estas palavras aquietaram-se.
4. Gedeão chegou ao Jordão e passou-o com seus trezentos homens, continuando a perseguir o inimigo, apesar de sua fadiga.
5. Chegando a Socot, disse aos seus moradores: Dai, peço-vos, pão aos homens que me acompanham, porque estão muito cansados; estou perseguindo Zebéia e Salmana, reis de Madiã.
6. Os chefes de Socot responderam-lhe: Tens já talvez em teu poder o punho de Zebéia e de Salmana para que possamos dar pão à tua tropa?
7. Pois bem, replicou Gedeão, quando o Senhor me houver entregue nas mãos Zebéia e Salmana, eu vos rasgarei a pele com espinhos e abrolhos do deserto!
8. Dali subiu a Fanuel, onde fez o mesmo pedido, mas obteve a mesma resposta que em Socot.
9. Gedeão disse-lhes: Quando eu voltar vitorioso, destruirei esta torre.
10. Zebéia e Salmana estavam então em Carcor com o seu forte exército, cerca de quinze mil homens, que eram o restante de todo o exército dos filhos do oriente, pois haviam já perecido cento e vinte mil combatentes que manejavam a espada.
11. Gedeão subiu pelo caminho dos nômades, a oriente de Nobe e de Jegba, e feriu o acampamento dos inimigos que se julgavam perfeitamente seguros.
12. Zebéia e Salmana, reis de Madiã, fugiram, mas foram perseguidos e presos por Gedeão, depois de ter derrotado toda a sua guarnição.
13. Gedeão, filho de Joás, voltou da batalha pela subida de Hares.
14. Deteve um jovem entre os habitantes de Socot e fez-lhe perguntas. Este escreveu-lhe uma lista com setenta e sete nomes dos chefes de Socot e dos anciãos.
15. Gedeão veio ter com os habitantes de Socot e disse-lhes: Eis aqui Zebéia e Salmana a respeito dos quais me insultastes, dizendo: tens já talvez em teu poder o punho de Zebéia e de Salmana, para que possamos dar pão aos teus homens fatigados?
16. Tomou então os anciãos da cidade e açoitou-os com espinhos e abrolhos do deserto.
17. Destruiu também a torre de Fanuel e matou os habitantes da cidade.
18. E disse a Zebéia e a Salmana: Como eram aqueles homens que matastes no Tabor? Eram, responderam-lhe, semelhantes a ti; cada um deles parecia um filho de rei
19. Eram meus irmãos, filhos de minha mãe! Juro pelo Senhor, se os tivésseis deixado com vida, eu não vos mataria.
20. E disse a Jeter, seu filho primogênito: Levanta-te e mata-os! Mas o jovem não ousou tirar a espada, porque, sendo ainda muito novo, tinha medo.
21. Vem tu mesmo, disseram-lhe Zebéia e Salmana, e mata-nos; porque, tal o homem, tal a sua força. Gedeão matou Zebéia e Salmana, e tomou os colares que os camelos traziam ao pescoço.
22. Os israelitas disseram a Gedeão: Sê o nosso rei, tu e teu filho, e o filho de teu filho, porque tu nos livraste das mãos dos madianitas.
23. Não, respondeu ele, não reinarei sobre vós, nem meu filho tampouco; é o Senhor quem será o vosso rei.
24. E ajuntou: Tenho um pedido a vos fazer: que cada um de vós me dê as argolas de vosso despojo. Os inimigos, que eram os ismaelitas, usavam argolas de ouro.
25. Eles responderam: Nós tas daremos de muito boa vontade. E, estendendo no chão um manto, lançaram nele as argolas de sua presa.
26. O peso das argolas de ouro que ele tinha pedido era de mil e setecentos siclos de ouro, sem contar os colares, brincos e ornamentos de púrpura que costumavam usar os reis de Madiã, afora ainda os colares que traziam seus camelos no pescoço.
27. Gedeão fez de tudo isso um efod e o expôs em sua cidade de Efra. Mas todos os israelitas se prostituíram ante esse efod que se tornou, assim, um laço para Gedeão e sua casa.
28. Os madianitas foram humilhados diante dos israelitas e não puderam mais levantar a cabeça, de sorte que a terra pôde gozar um repouso de quarenta anos no tempo de Gedeão.
29. Jerobaal, filho de Joás, retirou-se e foi habitar em sua casa.
30. Teve setenta filhos, saídos todos dele, porque tinha numerosas mulheres.
31. Sua concubina, que estava em Siquém, deu-lhe também um filho, que foi chamado Abimelec.
32. Morreu Gedeão, filho de Joás, numa ditosa velhice, e foi sepultado no túmulo de Joás, seu pai, em Efra de Abieser.
33. Depois de sua morte, os filhos de Israel prostituíram-se de novo com os baal, e tomaram Baal-Berit por seu deus.
34. Não se lembraram os israelitas do Senhor, seu Deus, que os tinha livrado das mãos de todos os inimigos que os cercavam,
35. nem testemunharam gratidão alguma pela casa de Jerobaal-Gedeão por todos os benefícios que ele tinha feito a Israel.

 
Capítulo 9

1. Abimelec, filho de Jerobaal, foi ter com os irmãos de sua mãe em Siquém, e disse-lhes, assim como a toda a família de sua mãe:
2. Dizei, vo-lo peço, a todos os habitantes de Siquém: o que é melhor para vós: serdes dominados por setenta homens, todos filhos de Jerobaal, ou que um só homem seja vosso rei? Lembrai-vos de que eu sou de vosso sangue e de vossa carne.
3. Os irmãos de sua mãe falaram dele aos habitantes de Siquém, referindo-lhes suas palavras, e inclinaram o seu coração para Abimelec, porque, diziam eles, é nosso irmão.
4. E deram-lhe setenta siclos de prata tomados do templo de Baal-Berit, com os quais assalariou homens miseráveis e aventureiros, que o seguiram.
5. Foi à casa de seu pai em Efra, e matou sobre uma pedra os seus irmãos, filhos de Jerobaal, setenta homens; escapou somente Joatão, filho mais novo de Jerobaal, porque se tinha escondido.
6. Juntaram-se então todos os siquemitas com todos os de Bet-Melo, e vieram junto do terebinto da estela que havia em Siquém, onde proclamaram rei Abimelec.
7. Sabendo disso, subiu Joatão ao cimo do monte Garizim e exclamou: Ouvi-me, homens de Siquém, para que Deus vos ouça!
8. As árvores resolveram um dia eleger um rei para governá-las e disseram à oliveira: reina sobre nós!
9. Mas ela respondeu: renunciarei, porventura, ao meu óleo que constitui minha glória aos olhos de Deus e dos homens, para colocar-me acima das outras árvores?
10. E as árvores disseram à figueira: vem tu, e reina sobre nós!
11. Mas a figueira disse-lhes: poderia eu, porventura, renunciar à doçura de meu delicioso fruto, para colocar-me acima das outras árvores?
12. E as árvores disseram à videira: vem tu, reina sobre nós!
13. Mas a videira respondeu: poderia eu renunciar ao meu vinho que faz a alegria de Deus e dos homens, para colocar-me acima das outras árvores?
14. E todas as árvores disseram ao espinheiro: vem tu, reina sobre nós!
15. E o espinheiro respondeu: se realmente me quereis escolher para reinar sobre vós, vinde e abrigai-vos debaixo de minha sombra; mas, se não o quereis, saia fogo do espinheiro e devore os cedros do Líbano!
16. Agora, pois, se com lealdade e boa-fé escolhestes Abimelec para vosso rei, se vos portastes bem com Jerobaal e sua casa, correspondendo aos benefícios que ele vos fez
17. porque meu pai combateu por vós e livrou-vos dos madianitas arriscando a própria vida;
18. vós, que agora vos levantastes contra a casa de meu pai, matastes todos os seus setenta filhos sobre uma pedra, e proclamastes rei dos habitantes de Siquém Abimelec, filho de sua escrava, sob o pretexto de que ele é vosso irmão,
19. se, pois, com lealdade e boa-fé, procedestes bem com Jerobaal e sua casa, então que Abimelec vos faça felizes, e que vós o façais feliz igualmente!
20. Do contrário, saia fogo de Abimelec, e devore os homens de Siquém com os de Bet-Melo; e saia fogo dos habitantes de Siquém e de Bet-Melo, e devore Abimelec!
21. Fugiu em seguida Joatão para Bera, onde habitou, longe de Abimelec, seu irmão.
22. Reinou Abimelec sobre Israel durante três anos.
23. E Deus suscitou um mau espírito entre ele e os habitantes de Siquém, que os fez se revoltarem.
24. Isso aconteceu para que fosse vingado o homicídio dos setenta filhos de Jerobaal, e seu sangue caísse sobre Abimelec, seu irmão, que os havia matado, e sobre os siquemitas que tinham sido seus cúmplices.
25. Os homens de Siquém armaram contra ele emboscadas no alto dos montes, e puseram-se a despojar todos aqueles que passavam por ali; e Abimelec foi informado disso.
26. Gaal, filho de Obed, foi com seus irmãos a Siquém e ganhou a confiança dos homens do lugar.
27. Saíram pelos campos, vindimaram as vinhas, pisaram as uvas, celebraram a festa. Foram ao templo do seu deus e ali fizeram um festim, amaldiçoando Abimelec.
28. Gaal, filho de Obed, disse: Quem é Abimelec, e o que é Siquém, para que lhe estejamos sujeitos? Não é ele filho de Jerobaal, e não é Zebul o seu lugar-tenente? Servi a família de Emor, pai de Siquém. Por que razão serviremos Abimelec?
29. Oxalá tivesse eu poder sobre esse povo! Eu arrasaria Abimelec e lhe diria: junta o teu exército, e vem!
30. Zebul, governador da cidade, sabendo o que dissera Gaal, filho de Obed, encolerizou-se,
31. e mandou secretamente dizer a Abimelec: Gaal, filho de Obed, veio a Siquém com seus irmãos, e anda sublevando a cidade contra ti.
32. Levanta-te de noite, tu e tua tropa, e põe-te de emboscada no campo;
33. amanhã cedo, ao nascer do sol, lança-te sobre a cidade; quando Gaal e sua tropa saírem contra ti, far-lhe-ás o que as circunstâncias te permitirem.
34. Abimelec, pois, partiu durante a noite com toda a sua gente, e pôs emboscadas em quatro grupos junto de Siquém.
35. Entretanto Gaal, filho de Obed, saiu e instalou-se diante das portas da cidade. Então Abimelec com todos os seus deixou a emboscada.
36. Vendo aquela tropa, Gaal disse a Zebul: Eis uma multidão que desce das colinas. Tu vês, respondeu Zebul, as sombras das colinas como se fossem homens.
37. Gaal replicou: Está descendo uma tropa do alto; e eis uma outra que vem pelo caminho do carvalho dos Adivinhos.
38. Zebul disse-lhe então: Onde está agora a tua arrogância, tu que dizias: quem é Abimelec para que nós o sirvamos? Eis o povo que tu desprezavas! Vai, agora, e combate contra ele!
39. Saiu Gaal à frente dos siquemitas e combateu contra Abimelec.
40. Mas foi derrotado por Abimelec e fugiu; muitos homens, que estavam mortalmente feridos, caíram antes de terem atingido o limiar da porta.
41. Abimelec deteve-se em Ruma; Zebul, porém, lançou Gaal e seus irmãos fora de Siquém.
42. No dia seguinte, o povo saiu ao campo. Tendo sabido disso, Abimelec
43. tomou sua tropa, dividiu-a em três grupos e os pôs de emboscada no campo. Ao ver que o povo saía da cidade, atacou-o e derrotou-o,
44. vindo em seguida com o seu grupo tomar posição à entrada da cidade, enquanto os dois outros grupos perseguiam os que estavam no campo e os massacravam.
45. Abimelec combateu a cidade durante todo aquele dia e tomou-a. Matou toda a população, arrasou a cidade e semeou-a de sal.
46. Ao ouvirem isso, todos os habitantes da torre de Siquém retiraram-se para a fortaleza do templo de El-Berit.
47. E foi noticiado a Abimelec que todos os habitantes da torre de Siquém se tinham retirado para esse lugar;
48. subiu então Abimelec com sua tropa ao monte Selmon, tomou um machado e cortou um galho de árvore. Pondo-o aos ombros, disse à sua gente: Vistes o que eu fiz? Apressai-vos a fazer o mesmo.
49. Cortou cada um deles um galho e todos seguiram Abimelec; puseram esses galhos contra a fortaleza e meteram-lhes fogo, sendo a fortaleza, com todos os seus ocupantes, devorada pelas chamas. Desse modo pereceram todos os que habitavam na torre de Siquém, cerca de mil pessoas, tanto homens como mulheres.
50. Depois disso, Abimelec marchou contra Tebes, que sitiou e tomou de assalto.
51. Havia no meio da cidade uma torre forte, na qual se tinham refugiado todos os habitantes, homens e mulheres. Fechando bem a porta, subiram ao terraço da torre.
52. Abimelec, chegando ao pé da torre, aproximou-se da porta para lhe pôr fogo.
53. Então uma mulher, lançando de cima uma pedra de moinho, feriu-lhe a cabeça, fraturando-lhe o crânio.
54. Chamou imediatamente seu escudeiro e disse-lhe: Tira a tua espada e acaba de matar-me, para que se não diga que fui morto por uma mulher! Seu escudeiro o feriu, e Abimelec morreu.
55. Morto Abimelec, todos os israelitas voltaram para suas casas.
56. Assim Deus fez recair sobre Abimelec o mal que tinha feito a seu pai, matando seus setenta irmãos.
57. E do mesmo modo Deus fez recair sobre os siquemitas os seus crimes. Assim se cumpriu sobre ele a maldição de Joatão, filho de Jerobaal.

 
Capítulo 10

1. Depois de Abimelec, Tola, filho de Fua, filho de Dodo, de Issacar, levantou-se para livrar Israel. Habitava em Samir, na montanha de Efraim,
2. e foi juiz em Israel durante vinte e três anos. Depois disso morreu e foi sepultado em Samir.
3. A este sucedeu Jair, de Galaad, que foi juiz em Israel durante vinte e dois anos.
4. Tinha trinta filhos que montavam em trinta jumentinhos, e possuíam trinta cidades que se chamam ainda hoje Havot-Jair, situadas em Galaad.
5. Jair morreu e foi sepultado em Camon.
6. Os filhos de Israel fizeram de novo o mal aos olhos do Senhor, servindo os baal e os astarot, os deuses da Síria, de Sidon, de Moab, os deuses dos amonitas e dos filisteus; e abandonaram o culto do Senhor.
7. A cólera do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos dos filisteus e dos amonitas.
8. Estes últimos oprimiram e esmagaram os israelitas naquele ano; e a opressão estendeu-se por dezoito anos sobre os israelitas de além do Jordão, na terra dos amorreus, em Galaad.
9. Os amonitas, tendo passado o Jordão, combateram contra Judá, Benjamim e a tribo de Efraim, e Israel viu-se numa extrema aflição.
10. Os israelitas clamaram ao Senhor, dizendo: Pecamos contra vós, abandonando o nosso Deus e servindo aos Baal.
11. O Senhor respondeu-lhes: Porventura não vos tenho eu livrado dos egípcios, dos amorreus, dos amonitas, dos filisteus?
12. E quando os sidônios, os amalecitas e Maon vos oprimiam e vós clamastes a mim, não vos libertei?
13. Vós, porém, me abandonastes de novo para servir a outros deuses; por isso não mais vos livrarei.
14. Ide e invocai os deuses que escolhestes; eles que vos livrem de vossa angústia!
15. Os israelitas disseram ao Senhor: Pecamos; tratai-nos como melhor vos parecer. Somente, livrai-nos hoje.
16. Tiraram então do meio deles os deuses estranhos e serviram ao Senhor, que se compadeceu dos males de Israel.
17. Os amonitas juntaram-se e acamparam em Galaad, enquanto os israelitas faziam o mesmo em Masfa.
18. O povo e os chefes de Galaad diziam uns para os outros: Quem começará a pelejar contra os amonitas? Esse será o chefe de todo o povo de Galaad.

 
Capítulo 11

1. Jefté, o galaadita, era. um valente guerreiro, filho de Galaad e duma meretriz.
2. A mulher de Galaad deu-lhe filhos, e estes, tendo crescido, expulsaram Jefté, dizendo: Tu não herdarás nada na casa de nosso pai, porque és um bastardo.
3. Jefté afastou-se de seus irmãos e fixou-se na terra de Tob. Alguns homens miseráveis reuniram-se a ele e tomaram parte em suas incursões.
4. Algum tempo depois, os amonitas entraram em luta contra Israel.
5. Os habitantes de Galaad, vendo-se assim atacados, foram em busca de Jefté na terra de Tob
6. e disseram-lhe: Vem: serás o nosso chefe, e combateremos os amonitas.
7. Jefté, porém, respondeu: Vós, que sois meus inimigos, tendo-me expulsado da casa de meu pai, por que vindes a mim agora que estais em aperto?
8. Os anciãos de Galaad disseram-lhe: Foi (precisamente) por isso que viemos agora ter contigo, para que venhas conosco e combatas contra os filhos de Amon, e sejas o nosso chefe, o chefe de todo o povo de Galaad.
9. Jefté disse-lhes: Se vós me conduzirdes para lutar contra os amonitas, e o Senhor mos entregar nas mãos, serei o vosso chefe.
10. Os anciãos responderam-lhe: O Senhor seja testemunha entre nós de que faremos tudo o que disseste!
11. E Jefté partiu com os anciãos de Galaad. O povo proclamou-o seu chefe e general, e Jefté repetiu diante do Senhor, em Masfa, tudo o que acabara de dizer.
12. Jefté enviou mensageiros ao rei dos amonitas para lhe dizer: Que tens tu contra mim para que me venhas combater em minha terra?
13. O rei respondeu-lhes: Israel, vindo do Egito, tomou a minha terra desde o Arnon até Jaboc e até o Jordão. Devolve-mo agora, pois, pacificamente.
14. Jefté mandou nova embaixada ao rei dos amonitas,
15. dizendo-lhe: Assim fala Jefté: Israel não se apoderou nem do território de Moab, nem da terra dos filhos de Amon.
16. Quando saiu do Egito, Israel marchou pelo deserto até o mar Vermelho, e chegou a Cades.
17. Mandou então mensageiros ao rei de Edom, pedindo-lhe a permissão de passar pela sua terra; mas o rei de Edom não o consentiu. Fez o mesmo pedido ao rei de Moab, que tampouco lhe deu passagem. Israel deteve-se, pois, em Cades.
18. Retomou em seguida sua marcha pelo deserto, e contornou as terras de Edom e de Moab; chegando à parte oriental da terra de Moab, acampou na outra banda do Arnon, sem contudo penetrar na terra de Moab, cuja fronteira é o Arnon.
19. Dali, Israel mandou ainda mensageiros a Seon, rei dos amorreus, em Hesebon pedindo-lhe que os deixasse passar pela sua terra, para que chegassem à deles.
20. Seon, porém, não teve bastante confiança em Israel para deixá-lo atravessar o seu território; antes, ajuntando todas as suas tropas, acampou em Jasa, e atacou Israel.
21. O Senhor, Deus de Israel, entregou-o com todo o seu povo nas mãos de Israel, que o derrotou, e conquistou todas as terras dos amorreus que habitavam naquela região;
22. tomou toda a terra dos amorreus, desde o Arnon até Jaboc, e desde o deserto até o Jordão.
23. Agora que o Senhor, Deus de Israel, expulsou os amorreus diante de seu povo de Israel, tu pretendes possuir a sua terra?
24. Porventura não tens a posse do que te deu a conquistar o teu deus Camos? E nós, por que não possuiríamos tudo aquilo que o Senhor, nosso Deus, expulsou diante de nós?
25. Serias tu melhor do que Balac, filho de Sefor, rei de Moab? Porventura disputou ele com os israelitas, ou combateu contra eles?
26. Eis já trezentos anos que Israel habita em Hesebon e em suas aldeias, em Aroer e em suas aldeias, e em todas as cidades banhadas pelo Arnon. Por que não lhe tiraste estas terras durante todo esse tempo?
27. Não sou eu, pois, que te faço dano, mas és tu mesmo que te prejudicas, declarando-me guerra. Que o Senhor, o Juiz, se pronuncie hoje entre os israelitas e os amonitas!
28. Mas o rei dos amonitas não quis ouvir nada do que Jefté lhe mandara dizer.
29. O Espírito do Senhor desceu sobre Jefté, e ele, atravessando Galaad e Manassés, passou dali até Masfa de Galaad, de onde marchou contra os amonitas.
30. Jetfé fez ao Senhor este voto:
31. Se me entregardes nas mãos os amonitas, aquele que sair das portas de minha casa ao meu encontro, quando eu voltar vitorioso dos filhos de Amon, será consagrado ao Senhor, e eu o oferecerei em holocausto.
32. Jefté marchou contra os amonitas, e o Senhor lhos entregou.
33. Ele os derrotou desde Aroer até as proximidades de Menit, e até Abel-Queramim, tomando-lhes vinte aldeias. E os amonitas, com este terrível golpe, foram humilhados perante Israel.
34. Ora, voltando Jefté para a sua casa em Masfa, eis que sua filha saiu-lhe ao encontro com tamborins e danças. Era a sua única filha, porque, afora ela, não tinha filho nem filha.
35. Quando a viu, rasgou as suas vestes: Ah, minha filha, exclamou ele, tu me acabrunhas de dor, e estás no número daqueles que causam a minha infelicidade! Fiz ao Senhor um voto que não posso revogar.
36. Meu pai, disse ela, se fizeste um voto ao Senhor, trata-me segundo o que prometeste, agora que o Senhor te vingou de teus inimigos, os amonitas.
37. E ajuntou: Concede-me somente isto: Deixa-me que vá sobre as colinas durante dois meses, para chorar a minha virgindade com as minhas amigas.
38. Vai, disse-lhe ele. E deu-lhe dois meses de liberdade. Ela foi com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade sobre as colinas.
39. Passado o prazo, voltou para seu pai, e ele cumpriu o voto que tinha feito. Ela não tinha conhecido varão.
40. Daqui veio este costume, em Israel, que todos os anos as jovens israelitas reúnem-se para chorar durante quatro dias a filha de Jefté, o galaadita.

 
Capítulo 12

1. Os efraimitas, tendo-se sublevado, passaram a Safon e disseram a Jefté: Por que saíste a combater os amonitas, sem nos chamar para irmos contigo? Por isso vamos queimar a tua casa.
2. Jefté respondeu: Eu e meu povo tivemos graves contendas com os amonitas; chamei-vos e vós não me livrastes de suas mãos.
3. Vendo que não podia contar convosco, arrisquei a minha vida marchando (sozinho) contra os amonitas, e o Senhor entregou-os nas minhas mãos. Por que, pois, viestes contender comigo?
4. Jefté reuniu todos os homens de Galaad e combateu contra Efraim. Os habitantes de Galaad derrotaram os de Efraim, que lhes haviam dito: Vós sois fugitivos de Efraim que habitais entre Efraim e Manassés!
5. Galaad ocupou os vaus do Jordão, e cada vez que um fugitivo de Efraim queria passar, perguntavam-lhe: És tu efraimita? Ele respondia: Não.
6. Pois bem, diziam eles então, dize: Chibólet. E ele dizia: Sibólet, não podendo pronunciar corretamente. Prendiam-no logo e o degolavam junto aos vaus do Jordão. Naquele dia pereceram quarenta e dois mil homens de Efraim.
7. Jefté, o galaadita, foi juiz em Israel durante seis anos; depois morreu, e foi sepultado em uma das cidades de Galaad.
8. Depois de Jefté, foi juiz de Israel Ibsã, de Belém,
9. o qual teve trinta filhos; casou suas trinta filhas fora de sua família, e mandou vir de fora trinta jovens para os seus filhos. Julgou Israel durante sete anos.
10. Morreu e foi enterrado em Belém.
11. Depois dele, Elon, de Zabulon, foi juiz em Israel, e sua judicatura durou dez anos.
12. Morreu, e foi enterrado em Ajalon, na terra de Zabulon.
13. Em seguida teve Israel por juiz Abdon, filho de Ilel, de Faraton.
14. Teve quarenta filhos e trinta netos, que montavam em setenta jumentinhos. Julgou Israel durante oito anos.
15. Depois disso, Abdon, filho de Ilel, de Faraton, morreu e foi sepultado em Faraton, na terra de Efraim, na montanha dos amalecitas.

 
Capítulo 13

1. Os israelitas continuaram a fazer o mal aos olhos do Senhor, que os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos.
2. Ora, havia em Sorá um homem da família dos danitas, chamado Manué. Sua mulher, sendo estéril, não tinha ainda gerado filhos.
3. O anjo do Senhor apareceu a esta mulher e disse-lhe: Tu és estéril, e nunca tiveste filhos; mas conceberás e darás à luz um filho.
4. Toma, pois, muito cuidado; não bebas doravante nem vinho, nem bebida forte, e não comas coisa alguma impura, porque vais conceber e dar à luz um filho.
5. A navalha não tocará a sua cabeça, porque esse menino será nazareno de Deus desde o seio de sua mãe, e será ele quem livrará Israel da mão dos filisteus.
6. A mulher foi ter com o seu marido: Apresentou-se a mim um homem de Deus, disse ela, que tinha o aspecto de um anjo de Deus, em extremo terrível. Não lhe perguntei de onde era, nem ele me deu o seu nome,
7. mas disse-me: Vais conceber e dar à luz um filho; não bebas, pois, nem vinho nem bebida forte e não comas coisa alguma impura, porque esse menino será nazareno desde o seio de sua mãe até o dia de sua morte.
8. Então Manué invocou o Senhor, dizendo: Rogo-vos, Senhor, que o homem de Deus que nos enviastes volte novamente e nos ensine o que devemos fazer acerca do menino que há de nascer.
9. Deus ouviu essa oração, e o anjo de Deus veio de novo visitar a mulher, quando esta se achava no campo; Manué, seu marido, não estava com ela.
10. Ela correu imediatamente a dar ao seu marido a notícia, dizendo: O homem que vi outro dia apareceu-me de novo.
11. Manué levantou-se e seguiu a sua mulher até junto do homem: És tu, disse ele, o homem que falou à minha mulher?
12. Sou eu mesmo, respondeu (o desconhecido). Manué replicou: Quando se cumprir a tua palavra, de que maneira havemos de criar esse menino, e o que teremos de fazer por ele?
13. O anjo do Senhor respondeu: Abstenha-se tua mulher de tudo o que eu lhe disse:
14. não prove nada do que venha da videira; não beba nem vinho, nem bebida forte, nada coma que seja impuro e observe tudo o que lhe prescrevi.
15. Manué disse ao anjo do Senhor: Rogo-te que te detenhas até que te ofereçamos um cabrito que vamos preparar.
16. Ainda que tu me retivesses, respondeu o anjo do Senhor, eu não comeria de tua mesa; mas se queres fazer um holocausto, oferece-o ao Senhor. Manué ignorava que era o anjo do Senhor.
17. Qual é o teu nome, perguntou-lhe ele, para que te honremos quando se cumprir tua promessa?
18. O anjo do Senhor respondeu-lhe: Por que me perguntas o meu nome? Ele é Magnífico.
19. Tomou, pois, Manué o cabrito com uma oferta e ofereceu-o ao Senhor sobre a rocha. Coisa maravilhosa! Enquanto Manué e sua mulher olhavam
20. subir para o céu a chama do sacrifício que estava sobre o altar, viu que o anjo do Senhor subia na chama. À vista disso, Manué e sua mulher caíram com o rosto por terra.
21. E o anjo do Senhor desapareceu diante dos olhos de Manué e sua mulher. Manué compreendeu logo que era o anjo do Senhor,
22. e disse à sua mulher: Vamos morrer seguramente, porque vimos Deus!
23. Sua mulher respondeu-lhe: Se o Senhor nos quisesse matar, não teria aceitado de nossas mãos o holocausto e a oferta; não nos teria mostrado tudo o que vimos, nem nos teria dito o que hoje nos revelou.
24. Ela deu à luz um filho e pôs-lhe o nome de Sansão. O menino cresceu e o Senhor o abençoou.
25. E o Espírito do Senhor começou a incitá-lo, em Mahanê-Dã, entre Sorea e Estaol.

 
Capítulo 14

1. Sansão desceu a Tamna e, vendo ali uma mulher das filhas dos filisteus,
2. voltou, e falou ao seu pai e à sua mãe, dizendo: Vi em Tamna uma filha dos filisteus: pedi-a para mim em casamento.
3. Seu pai e sua mãe disseram-lhe: Não há porventura ninguém entre as filhas de teus irmãos, e em todo o nosso povo, para que queiras escolher uma mulher entre os filisteus, estes incircuncisos? Sansão, porém, disse ao seu pai: Toma esta para mim, porque me agrada.
4. Seus pais não sabiam que isso se fazia por disposição do Senhor, e que ele buscava uma ocasião contra os filisteus que, naquele tempo, dominavam sobre Israel.
5. Sansão desceu com seu pai e sua mãe a Tamna. Quando chegaram às vinhas de Tamna, apareceu de repente um leão, rugindo, que arremeteu contra ele.
6. O Espírito do Senhor apossou-se de Sansão, e ele despedaçou o leão como se fosse um cabrito, sem ter coisa alguma na mão; e não quis contar isso aos seus pais.
7. Depois desceu a Tamna e falou à mulher que lhe agradava.
8. Voltando, alguns dias depois, para a desposar, afastou-se do caminho para ver o cadáver do leão. Mas eis que na boca do leão estava um enxame de abelhas com mel.
9. Tomou o mel nas mãos e o ia comendo pelo caminho; e tendo alcançado os seus pais, deu-lhes do mel e eles comeram, mas não lhes disse que aquele mel provinha da boca do leão.
10. Seu pai desceu à casa da mulher, onde Sansão deu um banquete, segundo o costume dos jovens.
11. Logo que o viram chegar, deram-lhe trinta companheiros para estarem com ele.
12. Sansão disse-lhes: Vou propor-vos um enigma; se o decifrardes dentro dos sete dias das bodas e descobri-lo, dar-vos-ei trinta túnicas e trinta vestes de festa;
13. mas, se o não puderdes decifrar, sois vós que me dareis trinta túnicas e outras tantas vestes de festa. Eles responderam-lhe: Propõe o teu enigma, para que o ouçamos.
14. Ele disse-lhes: Do que come saiu o que se come; do forte saiu doçura. Durante três dias não puderam decifrar o enigma.
15. Quando chegou o quarto dia, disseram à mulher de Sansão: Persuade o teu marido que nos explique o enigma, se não queres que te queimemos com a casa de teu pai. Será talvez para nos despojar que nos convidastes?
16. A mulher de Sansão, desfazendo-se em lágrimas junto dele, disse-lhe: Tu me odeias; tu não me amas. Propuseste um enigma aos filhos do meu povo e não mo explicaste! Nem sequer aos meus próprios pais eu o expliquei, respondeu ele, e haveria de explicá-lo a ti?
17. E ela chorava assim até o sétimo dia das bodas. Ao sétimo dia, enfim, importunado por sua mulher, deu-lhe a chave do enigma, e ela por sua vez (apressou-se) a declará-lo aos seus compatriotas.
18. Estes, no sétimo dia, antes do pôr-do-sol, disseram a Sansão: Que coisa é mais doce que o mel, que coisa é mais forte que o leão? Se vós não tivésseis lavrado com a minha novilha, respondeu Sansão, não teríeis descoberto o meu enigma.
19. Apoderou-se então dele o Espírito do Senhor, e desceu a Ascalon. Matou ali trinta homens, tomou os seus despojos, e deu trinta vestes de festas aos que tinham explicado o seu enigma, e voltou enfurecido para a casa paterna.
20. Sua mulher, porém, foi dada em casamento a um jovem que tinha sido seu companheiro nas bodas.

 
Capítulo 15

1. Passado algum tempo, estando próxima a ceifa do trigo, Sansão foi ver a sua mulher, levando-lhe um cabrito. Quero, dizia ele, entrar no quarto de minha mulher. O pai dela, porém, impediu-lhe a entrada:
2. Eu pensei, disse ele a Sansão, que a aborrecias, e por isso dei-a a um teu amigo. Não é, porventura, mais formosa do que ela sua irmã mais nova? Toma-a por mulher em seu lugar.
3. Desta vez, respondeu Sansão, não se me poderá censurar o mal que farei aos filisteus.
4. Ele se retirou, apanhou trezentas raposas e, tomando tochas, prendeu as raposas duas a duas pelas caudas e atou entre as duas caudas uma tocha.
5. Pôs-lhes fogo e soltou-as nas searas dos filisteus. Incendiou assim tanto o trigo que estava enfeixado como o que estava ainda em pé, queimando até mesmo as vinhas e os olivais.
6. Quem fez isso?, perguntaram os filisteus. Responderam: Foi Sansão, genro do tamneu, porque este tomou sua mulher e a deu a um de seus amigos. Então subiram os filisteus e queimaram a mulher juntamente com o seu pai.
7. Sansão disse-lhes: Ah, é assim que fazeis? Pois bem: não descansarei enquanto não me tiver vingado de vós.
8. E feriu-os vigorosamente, sem compaixão alguma. Depois disso, desceu e habitou na gruta da rocha de Etão.
9. Então subiram os filisteus e acamparam em Judá, espalhando-se até Lequi.
10. Os homens de Judá disseram: Por que subistes contra nós? Eles responderam: Subimos para prender Sansão e pagar-lhe o que ele nos fez.
11. Três mil homens de Judá desceram então à gruta do rochedo de Etão e disseram a Sansão: Não sabes que os filisteus nos dominam? Que é isso que nos fizeste? Eu tratei-os como eles mesmos me trataram a mim, respondeu Sansão.
12. Eles replicaram: Viemos prender-te para entregar-te aos filisteus. Jurai-me, disse Sansão, que não me haveis de matar.
13. Não te mataremos, mas entregar-te-emos a eles amarrado. Ligaram-no, pois, com duas cordas novas e tiraram-no da gruta.
14. Chegando a Lequi, os filisteus acolheram-no com gritos de alegria. Apoderou-se, porém, de Sansão o Espírito do Senhor, e as duas cordas que ligavam seus braços tornaram-se como fios de linho queimado, caindo de suas mãos as amarraduras.
15. Apanhando uma queixada ainda fresca de jumento, feriu com ela mil homens.
16. Sansão dizia: Com a queixada de um jumento, eu os destrocei! Com a queixada de um jumento mil homens feri!
17. Dito isso, lançou ao longe a queixada e deu àquele lugar o nome de Ramat-Lequi.
18. Sentindo uma sede intensa, clamou ao Senhor: Vós destes, disse ele, ao vosso servo esta grande vitória. Morrerei eu agora de sede e cairei nas mãos dos incircuncisos?
19. Então Deus fendeu a rocha côncava que está em Lequi, e dela jorrou água. Sansão, tendo bebido dessa água, recobrou ânimo e recuperou as forças. Daí o nome que traz essa fonte: En-Hacoré. Ainda hoje ela existe em Lequi.
20. Sansão foi juiz em Israel durante vinte anos no tempo dos filisteus.

 
Capítulo 16

1. Sansão foi a Gaza, onde viu uma mulher meretriz, e foi procurá-la.
2. E a notícia correu pela cidade: Sansão está aqui. Puseram-se de emboscada nos arredores durante toda a noite, junto às portas da cidade, e ficaram quietos toda a noite, dizendo: Ao romper do dia, matá-lo-emos.
3. Sansão dormiu até a meia-noite. E levantando-se pela meia-noite tomou os batentes da porta de Gaza, com os seus postes, arrancou-os juntamente com o ferrolho, pô-los sobre os ombros e levou-os até o alto da montanha que está defronte de Hebron.
4. Depois disto, enamorou-se de uma mulher que habitava no vale de Sorec, chamada Dalila.
5. Os príncipes dos filisteus foram ter com ela e disseram-lhe: Procura seduzi-lo e vê se descobres de onde lhe vem sua força e como o poderemos vencer, a fim de o amarrarmos para dominá-lo. Se fizeres isto, dar-te-emos cada um de nós mil e cem moedas de prata.
6. Dalila disse a Sansão: Dize-me, de onde vem tua força? E de que modo se precisaria ligar-te para que fosses dominado?
7. Sansão respondeu-lhe: Se me amarrassem com sete cordas de nervos ainda frescas e úmidas, eu me tornaria tão fraco como qualquer homem.
8. Os príncipes dos filisteus trouxeram a Dalila sete cordas de nervos bem frescas e úmidas, com as quais ela o ligou.
9. Ora, estando eles de emboscada no quarto, ela gritou: Sansão, os filisteus vêm contra ti! E ele rompeu as cordas com se rompe um cordão de estopa, mal se lhe chega o fogo. Assim, permaneceu oculto o segredo de sua força.
10. Dalila disse-lhe: Tu zombaste de mim, mentindo-me. Dize-me agora com que se precisaria ligar-te.
11. Se me amarrassem com cordas novas, disse ele, que ainda não tenham servido, eu me tornaria tão fraco como qualquer homem.
12. Dalila tomou, pois, cordas novas, amarrou-o com elas e gritou: Sansão, os filisteus vêm contra ti! Ora, estavam eles de emboscada no quarto, mas Sansão rompeu como se fossem um fio as cordas que lhe amarravam os braços.
13. Até ao presente, disse-lhe Dalila, só tens zombado de mim e só me tens dito mentiras. Dize-me com que será preciso amarrar-te. Bastará, respondeu Sansão, que teças as sete tranças de minha cabeça com a urdidura do teu tear.
14. Ela fixou-as com o torno do tear, e gritou: Sansão, os filisteus vêm contra ti! Ele, despertando do sono, arrancou o torno do tear com os liços.
15. Dalila disse-lhe: Como podes dizer que me amas, se o teu coração não está comigo? Eis já três vezes que me enganas, e não me queres dizer onde reside a tua força.
16. Ela o importunava cada dia com suas perguntas, instando com ele e molestando-o de tal sorte, que ele sentiu com isso uma impaciência mortal.
17. E Sansão acabou por confiar-lhe o seu segredo: Sobre minha cabeça, disse ele, nunca passou a navalha, porque sou nazareno de Deus desde o seio de minha mãe. Se me for rapada a cabeça, a minha força me abandonará e serei então fraco como qualquer homem.
18. Dalila sentiu que ele lhe tinha aberto todo o seu coração; e mandou dizer aos príncipes dos filisteus: Subi agora; porque ele me abriu todo o seu coração. E os príncipes dos filisteus foram ter com ela, levando o dinheiro em suas mãos.
19. Dalila fez que seu marido adormecesse nos seus joelhos, e chamando um homem, mandou-lhe que rapasse as sete tranças de sua cabeça. Ela começou a dominá-lo, pois sua força o deixou.
20. E disse: Sansão, os filisteus vêm contra ti! Despertando ele do sono, disse consigo mesmo: Desembaraçar-me-ei deles como das outras vezes e me livrarei. Ignorava Sansão que o Senhor se tinha retirado dele.
21. E os filisteus, tomando-o, furaram-lhe os olhos e levaram-no a Gaza ligado com uma dupla cadeia de bronze, e ali meteram-no na prisão, fazendo-o girar a mó.
22. Entretanto, os seus cabelos recomeçavam a crescer.
23. Ora, os príncipes dos filisteus reuniram-se para oferecer um grande sacrifício a Dagon, seu deus, e celebrar uma festa. Nosso deus, diziam eles, entregou-nos Sansão nosso inimigo.
24. Também o povo, vendo isso, louvava o seu deus, dizendo: O nosso deus entregou-nos o nosso inimigo, aquele que devastava nossa terra e matava tantos dos nossos.
25. E estando eles de coração alegre, exclamaram: Mandai vir Sansão para nos divertir! Tiraram-no da prisão, e Sansão teve que dançar diante deles. Tendo sido colocado entre as colunas,
26. Sansão disse ao jovem que o conduzia pela mão: Deixa que eu toque as colunas que sustêm o templo, e que me apóie a elas.
27. Ora, o templo estava repleto de homens e mulheres, e estavam ali todos os príncipes dos filisteus; havia cerca de três mil pessoas, homens e mulheres, que do teto olhavam o prisioneiro dançar.
28. Sansão, porém, invocando o Senhor, disse: Senhor Javé, rogo-vos que vos lembreis de mim. Dai-me, ó Deus, ainda esta vez, força para vingar-me dos filisteus pela perda de meus olhos.
29. Abraçando então as duas colunas centrais sobre as quais repousava todo o edifício, pegou numa com a mão direita e noutra com a mão esquerda, e gritou:
30. Morra eu com os filisteus! Dizendo isso, sacudiu com todas as suas forças o edifício, que ruiu sobre os príncipes e sobre todo o povo reunido. Desse modo, matou pela sua própria morte muito mais homens do que os que matara em toda a sua vida.
31. Então desceram a Gaza os seus irmãos e toda a sua família paterna, tomaram-no, e tendo voltado, sepultaram-no no túmulo de seu pai, entre Sorea e Estaol. Sansão fora juiz em Israel durante vinte anos.

 
Capítulo 17

1. Havia na montanha de Efraim um homem chamado Micas.
2. Ele disse (um dia) à sua mãe: Os mil e cem siclos de prata que te roubaram e pelos quais lançaste uma maldição aos meus ouvidos, esse dinheiro está em meu poder; fui eu que os roubei. Sua mãe respondeu: Abençoado seja o meu filho pelo Senhor!
3. Devolveu, pois, os mil e cem siclos de prata à sua mãe, que lhe disse: Da minha mão eu os consagro ao Senhor a favor de meu filho, para que se faça deles um ídolo fundido. Toma: ei-los aqui.
4. Micas entregou o dinheiro à sua mãe e ela tomou duzentos siclos de prata que mandou entregar ao fundidor. Fez o ourives com essa prata um ídolo fundido, que foi colocado na casa de Micas.
5. E Micas teve, assim, uma capela; mandou fazer um efod e uns terafim e consagrou um de seus filhos para servir-lhe de sacerdote.
6. Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia melhor.
7. Ora, aconteceu que um adolescente de Belém de Judá, da tribo de Judá (o qual era levita, e morava ali),
8. partiu da cidade de Belém de Judá para procurar uma morada. Seguindo o seu caminho, chegou à montanha de Efraim, à casa de Micas.
9. De onde vens?, perguntou-lhe este. De Belém de Judá, respondeu o levita, e viajo em busca de um lugar onde me fixar.
10. Micas disse-lhe: Fica comigo. Serás para mim um pai e um sacerdote; dar-te-ei dez siclos de prata por ano, vestes suficientes e alimento.
11. O jovem levita condescendeu em habitar na casa daquele homem, que o tratou como um de seus filhos.
12. Micas pô-lo em suas funções e o jovem serviu-lhe de sacerdote, residindo em sua própria casa.
13. Agora, disse Micas, estou seguro de que o Senhor me abençoará, tendo eu esse levita por sacerdote.

 
Capítulo 18

1. Naquele tempo não havia rei em Israel. Por essa mesma época a tribo de Dá buscava uma possessão para habitar nela, porque até então nada tinha recebido entre as tribos de Israel.
2. Os danitas enviaram cinco dos seus, cinco homens valorosos escolhidos dentre todas as suas famílias de Sorea e de Estaol, para explorarem cuidadosamente a terra: Ide, disseram-lhes, e examinai bem a terra. Foram e chegaram à montanha de Efraim, e entraram na casa de Micas, onde passaram a noite.
3. Perto da casa de Micas ouviram a voz do jovem levita e, aproximando-se dele, disseram-lhe: Quem te trouxe aqui? Que fazes aqui? Por que te encontras neste lugar?
4. Respondeu-lhes o jovem: Micas fez-me isto e isso; deu-me um salário e eu sirvo-lhe, de sacerdote.
5. Consulta então, replicaram-lhe, o teu deus a fim de saber se nossa viagem será bem sucedida.
6. O sacerdote respondeu: Ide em paz: vossa viagem está sob o olhar de Deus.
7. Os cinco homens puseram-se a caminho e foram até Lais. Viram ali um povo que habitava seguro, pacífico e tranqüilo, segundo o costume dos sidônios. Não havia naquele terra nenhum rei que dominasse sobre os seus habitantes, ou que os molestasse em coisa alguma. Viviam longe dos sidônios e não tinham relações com ninguém.
8. Voltando para seus irmãos em Sorea e Estaol, estes disseram: Que pudestes fazer?
9. Eles responderam: Vamos, subamos contra eles. Vimos a sua terra que é excelente. Por que ficais aí sem nada dizer? Não demoreis a pôr-vos em marcha para tomar posse dessa terra.
10. Quando ali entrardes, encontrareis um povo que vive em segurança e uma terra espaçosa que Deus vos entregará nas mãos, uma região onde nada falta daquilo que a terra produz.
11. Seiscentos homens da família de Dá partiram, pois, de Sorea e de Estaol, munidos com armas de guerra
12. e acamparam em Cariatiarim, em Judá. Por isso deu-se àquele lugar o nome de Mahanê-Dã, o qual assim se chama ainda hoje, e está situado ao ocidente de Cariatiarim.
13. Dali passaram às montanhas de Efraim e chegaram à casa de Micas.
14. E os cinco homens que tinham sido enviados a explorar a terra de Lais disseram aos seus irmãos: Sabeis que há nessa casa um efod, uns terafim e um ídolo fundido? Considerai agora o que tendes a fazer.
15. Dirigiram-se para lá e entraram na casa do jovem levita, em casa de Micas, para saudá-lo e informar-se de como ia passando.
16. Entretanto, os seiscentos danitas, armados como estavam, ficaram à porta.
17. Os cinco exploradores penetraram (sozinhos) na capela e tomaram o ídolo com o efod e os terafim, enquanto o sacerdote se achava com os seiscentos homens armados à entrada da porta.
18. Tiraram, pois, da casa de Micas, o ídolo, o efod e os terafim. O sacerdote disse-lhes: Que fazeis vós?
19. Cala-te, responderam-lhe, põe a mão na boca e vem conosco; tu nos servirás de pai e de sacerdote. O que é melhor para ti: ser sacerdote na casa de um particular, ou numa tribo e numa família de Israel?
20. Alegrou-se o coração do sacerdote, e ele, tomando o efod, os terafim e o ídolo, foi com a tropa.
21. Puseram-se de novo a caminho, precedidos das crianças, do gado e das bagagens.
22. Estando eles já longe da casa de Micas, os vizinhos deste ajuntaram-se e perseguiram os danitas.
23. Interrogados, os filhos de Dã voltaram-se e disseram a Micas: Que queres tu, e por que trazes toda essa gente?
24. Ele respondeu: Tirastes os meus deuses que fiz para mim, tomastes o sacerdote e partistes. Que me resta agora? E como podeis perguntar o que quero?
25. Os danitas replicaram: Nem mais uma palavra diante de nós! Não suceda que alguns se impacientem contra vós e percais a vida, tu e tua família!
26. E os danitas continuaram o seu caminho. Micas, vendo que aqueles homens eram mais fortes que ele, voltou para a sua casa.
27. Desse modo, tomaram os danitas a obra que Micas tinha feito, juntamente com o seu sacerdote. Atacaram então Lais, um povo pacífico e seguro, passaram-no ao fio da espada e queimaram a cidade.
28. Não houve quem a salvasse, porque estava longe de Sidon e não tinham relações com ninguém. Essa cidade estava situada no vale pertencente a Bet-Roob. Os danitas reedificaram a cidade e habitaram-na,
29. chamando-a cidade de Dã, nome de seu pai, que tinha nascido de Israel; a cidade chamava-se primitivamente Lais.
30. E erigiram em seguida o ídolo. Jonatã, filho de Gersã filho de Moisés, e seus descendentes foram sacerdotes na tribo de Dã até o dia de sua deportação.
31. O ídolo de Micas foi conservado entre eles durante todo o tempo que o santuário de Deus ficou em Silo.

 
Capítulo 19

1. Naquele tempo, como não havia rei em Israel, aconteceu que um levita, vindo fixar-se no fundo das montanhas de Efraim, tomou ali por concubina uma jovem. de Belém de Judá.
2. Esta foi-lhe infiel, deixou-o e foi para junto de seu pai em Belém de Judá, onde ficou quatro meses.
3. Seu marido foi ter com ela para falar-lhe ao coração e reconduzi-la à sua casa, levando consigo um servo e dois jumentos. Ela o introduziu em casa de seu pai. Quando o pai da mulher o viu, saiu a recebê-lo alegremente.
4. Retido pelo sogro, pai da jovem, ficou o levita com ele durante três dias; comeram, beberam e passaram a noite.
5. Na manhã do quarto dia, quando se levantaram e se dispunham a partir, o pai da jovem disse ao genro: Restaura primeiro as tuas forças com um pouco de pão, e depois disto partireis.
6. Sentaram-se ambos, comeram e beberam. em seguida o pai da jovem disse ao genro: Peço-te que passes aqui ainda esta noite, e alegre-se o teu coração.
7. A instâncias do sogro, o homem que já se tinha levantado para partir, tornou a recostar-se e passou ali ainda aquela noite.
8. Chegada a manhã, preparando-se ele para se pôr a caminho, disse-lhe o pai da jovem: Peço-te que restaures as tuas forças. Deixai a vossa partida para o declinar do dia. E comeram ambos juntos.
9. Levantou-ser então o homem e dispunha-se a partir com a sua concubina e o seu servo. O sogro, porém, pai da jovem, disse-lhe de novo: Olha que o dia declina e a noite se aproxima. Passai a noite aqui. Sim, o dia se vai acabando, passa aqui a noite tranqüilamente. Amanhã vos levantareis cedo e partireis, a fim de voltardes para a vossa casa.
10. O levita, porém, não consentiu. Partiu e chegou a Jebus, que é Jerusalém, com a sua concubina e seus dois jumentos selados.
11. Quando chegaram, o dia ia declinando, e o criado disse a seu amo: Vem tomemos o caminho da cidade dos jebuseus para ali passarmos a noite.
12. Não, respondeu-lhe o amo, não entraremos numa cidade estrangeira, onde não há israelitas. Iremos até Gabaa.
13. Vamos, ajuntou ele, procuremos atingir um desses lugares, e nos alojaremos em Gabaa ou em Rama.
14. Prosseguiram, pois, o seu caminho, e o sol se punha, quando se encontravam perto de Gabaa de Benjamim.
15. Dirigiram-se para lá, a fim de passarem a noite. Tendo entrado na cidade, parou o levita na praça, e ninguém lhe ofereceu hospitalidade.
16. Nisto apareceu um homem idoso que voltava do seu trabalho no campo, ao anoitecer. Era também da montanha de Efraim e habitava como forasteiro em Gabaa, cujos habitantes eram benjaminitas.
17. O velho, levantando os olhos, viu o levita na praça da cidade: Aonde vais?, disse-lhe ele, e de onde vens?
18. Nós partimos, respondeu o levita, de Belém de Judá e vamos até ao fundo da montanha de Efraim, onde nasci. Acabo de deixar Belém de Judá para voltar à minha casa, mas ninguém me quer acolher,
19. embora tenhamos palha e feno para os nossos jumentos, pão e vinho para mim, tua serva e o jovem, teu servo; nada nos falta.
20. O velho respondeu: A paz seja contigo. Dar-te-ei tudo o que for necessário; somente não passarás a noite na praça.
21. Fê-lo entrar em sua casa, e deu de comer aos jumentos. Os viajantes lavaram os pés, e foi-lhes servida a refeição.
22. Enquanto restauravam as forças, vieram os habitantes da cidade, gente péssima, e, cercando a casa do velho, bateram violentamente à porta: Faze sair, gritaram eles ao velho, dono da casa, faze sair o homem que entrou em tua casa para que nós o conheçamos!
23. O velho saiu e foi ter com eles, dizendo: Não queirais, irmãos, cometer semelhante maldade, pois esse homem é hóspede de minha casa. Não pratiqueis tal infâmia.
24. Eis aqui a minha filha virgem, e a concubina desse homem. Eu vo-las trarei, e vós podereis violá-las e fazer delas o que quiserdes; somente vos peço que não cometais contra esse homem uma ação tão infame.
25. Eles, porém, não o quiseram ouvir. Então o levita, vendo isso, trouxe-lhes sua concubina; eles a conheceram e abusaram dela durante a noite até pela manhã, e despediram-na ao amanhecer.
26. Ao romper do dia, veio a mulher e caiu à porta da casa onde estava, o marido e ali ficou até que o dia clareasse.
27. Chegada a manhã, levantou-se o marido e, ao abrir a porta para continuar o seu caminho, eis que sua concubina jazia diante da porta, com as mãos estendidas sobre a soleira.
28. Levanta-te, disse-lhe ele, vamo-nos. Mas a mulher não lhe respondeu… tomou-a então, pô-la sobre o jumento e tomou o caminho de volta para a sua casa.
29. Chegando à sua casa, tomou um cutelo, dividiu o cadáver de sua concubina, membro por membro, em doze partes, e enviou-as por todo o território de Israel.
30. Todos os que testemunharam aquilo, disseram: Jamais se fez ou se viu tal coisa, desde que Israel subiu do Egito até este dia. Ponderai bem isto, deliberei e pronunciai-vos!

 
Capítulo 20

1. Movimentaram-se, pois, todos os israelitas como um só homem, desde Dã até Bersabéia, e até a terra de Galaad. E a assembléia reuniu-se diante do Senhor em Masfa.
2. os chefes de todo o povo e todas as tribos de Israel apresentaram-se diante da assembléia do povo de Deus: havia quatrocentos mil homens de pé, armados com a espada.
3. E os filhos de Benjamim souberam que os israelitas tinham subido a Masfa. Os israelitas disseram: Dizei-nos de que modo se cometeu esse crime?
4. O levita, marido da mulher que foi morta, tomou a palavra: Eu cheguei a Gabaa de Benjamiml, disse ele, com minha concubina para ali passar a noite.
5. Os homens de Gabaa, porém, amotinaram-se contra mim e cercaram de noite a casa, querendo matar-me; violentaram a minha concubina, e ela morreu.
6. Tomei-a então e cortei-a em pedaços, que mandei distribuir por todo o território da herança de Israel, porque cometeram uma atrocidade e uma infâmia em Israel.
7. Vós todos, ó israelitas que aqui estais, dai o vosso parecer e tomai uma decisão.
8. Levantou-se então todo o povo como um só homem, dizendo: Ninguém dentre nós irá à sua tenda, e ninguém voltará à sua casa.
9. Eis o que agora vamos fazer a Gabaa: lancemos a sorte contra ela!
10. Tomemos dentre todas as tribos de Israel dez homens de cada cem, cem de cada mil, e mil de cada dez mil, que irão procurar víveres para o abastecimento do povo. É preciso, quando eles voltarem, tratarmos a Gabaa de Benjamim como ela merece pela infâmia que cometeu em Israel.
11. Assim se coligou contra a cidade todo o Israel, como se fora um só homem.
12. Mandaram mensageiros a todas as famílias de Benjamim, para que lhe dissessem: Que maldade é essa que se cometeu no meio de vós?
13. Entregai-nos sem demora os celerados de Gabaa, para que os matemos e tiremos o mal do meio de Israel. Mas os benjaminitas não quiseram dar ouvidos aos seus irmãos israelitas.
14. Juntaram-se em Gabaa de todas as suas cidades para combater os israelitas.
15. Contaram-se naquele dia os benjaminitas que acorreram de todas as cidades: vinte e seis mil homens, armados de espada, sem contar os habitantes de Gabaa, que eram setecentos homens de escol.
16. Entre todo esse povo havia setecentos homens de escol que não se serviam da mão direita, e todos capazes de atirar pedras com a funda num cabelo, sem errar o alvo.
17. O número de israelitas recenseados, excluindo Benjamim, era de quatrocentos mil homens armados de espada, todos aptos para o combate.
18. Os israelitas subiram a Betel para consultar o Senhor; perguntaram.: Quem de nós subirá primeiro para começar a luta contra os benjaminitas? O Senhor respondeu-lhes: Judá será o primeiro a subir.
19. Partiram os israelitas no dia seguinte pela manhã e acamparam perto de Gabaa.
20. Começaram o combate contra os filhos de Benjamim, e puseram-se em ordem de batalha perto da cidade.
21. Saindo os benjaminitas infligiram a Israel naquele dia uma perda de vinte e dois mil homens, que juncavam o solo.
22. A multidão dos filhos de Israel, recobrando nova coragem, pôs-se outra vez em ordem de batalha no mesmo lugar onde estiveram na véspera.
23. Até a tarde estiveram os filhos de Israel chorando diante do Senhor, e o consultaram, dizendo: Devo continuar ainda a combater contra os filhos de Benjamim, meu irmão? O Senhor respondeu: Marchai contra ele.
24. Os israelitas avançaram segunda vez contra os benjaminitas,
25. que saíram de Gabaa ao seu encontro e lançaram-nos de novo por terra, matando dezoito mil israelitas, todos homens que manejavam a espada.
26. Então todo o povo dos israelitas subiu a Betel, e ali, sentados, lamentavam-se diante do Senhor, jejuando naquele dia até a tarde; e ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos diante do Senhor.
27. E consultaram-no. Naquele tempo a arca da aliança de Deus estava lá, com Finéias, filho de Eleazar, filho de Aarão, que se conservava junto dela.
28. Disseram, pois: Devo continuar ou devo cessar a guerra contra Benjamim, meu irmão? O Senhor respondeu: lde, porque amanhã eu os entregarei nas vossas mãos.
29. Israel pôs emboscadas em volta de Gabaa e,
30. ao terceiro dia, recomeçou o combate contra os benjaminitas na mesma ordem de batalha que antes.
31. Saindo contra eles, os benjaminitas deixaram-se atrair para longe da cidade, e puseram-se, como das outras vezes, a ferir e a matar alguns homens de Israel, uns trinta aproximadamente, nos caminhos que sobem para Betel e para Gabaa através do campo.
32. Os filhos de Benjamim disseram entre si: Ei-los batidos diante de nós como dantes. Os filhos de Israel, porém, diziam: Fujamos e atraiamo-los para longe da cidade por esses caminhos.
33. Então, saindo todos os israelitas dos seus postos, ordenaram-se em batalha em Baal-Tamar, enquanto os homens de emboscada deixavam os seus esconderijos na planície da Gabaa.
34. Surgiram assim diante de Gabaa dez mil homens de escol do exército de Israel. A batalha foi rude: mas os benjaminitas não supunham que a derrota ia atingi-los.
35. O Senhor destruiu Benjamim à vista dos filhos de Israel, os quais mataram naquele dia vinte e cinco mil e cem benjaminitas, todos homens de armas.
36. OS filhos de Benjamim foram derrotados. Os israelitas tinham-lhes cedido terreno para fugir, porque confiavam na emboscada que tinham posto junto de Gabaa.
37. Saindo, pois, os homens dessa emboscada, cercaram a cidade e passaram tudo ao fio da espada.
38. Ora, os homens de Israel tinham combinado com os da emboscada que fizessem subir da cidade como sinal uma nuvem de fumo.
39. Os homens de Israel simularam a fuga no combate, e Benjamim pôs-se a ferir e a matar cerca de trinta homens, dizendo: Sem dúvida, estão derrotados diante de nós como no primeiro combate.
40. Mas quando a nuvem de fumo começou a subir da cidade, os benjaminitas olharam para trás e viram o incêndio de Gabaa subir até o céu.
41. Os homens de Israel deram volta e os benjaminitas ficaram pasmados ante o desastre que vinha sobre eles.
42. Voltaram as costas diante dos israelitas e tomaram o caminho do deserto; o exército, porém, os perseguiu de perto, e os das cidades foram massacrados cada um em seu próprio lugar.
43. Cercaram os benjaminitas, perseguiram-nos e esmagaram-nos em todas as suas paragens até defronte de Gabaa, para as bandas do levante.
44. Dessa sorte, caíram dezoito mil valentes guerreiros benjaminitas,
45. enquanto o resto se pôs a fugir para o deserto até o rochedo de Remon. Nessa fuga foram ainda mortos cinco mil homens pelos caminhos; e perseguindo-os de perto até Gedeão, mataram ainda dois mil.
46. Naquele dia foram mortos vinte e cinco mil homens de Benjamim, guerreiros valentes que manejavam a espada.
47. Seiscentos homens tinham chegado, em sua fuga para o deserto, ao rochedo de Remon, onde ficaram quatro meses.
48. (Entrementes), os israelitas tinham-se voltado contra os filhos de Benjamim e passaram ao fio da espada tudo o que lhes caía nas mãos nas cidades, desde os homens até os animais. Incendiaram também todas as cidades que encontraram.

 
Capítulo 21

1. Os filhos de Israel tinham jurado em Masfa, dizendo: Ninguém dentre nós dará sua filha em casamento a um benjaminita.
2. Dirigiu-se o povo a Betel, onde ficou até a tarde em presença do Senhor, e levantaram a voz com grandes lamentações:
3. Por que, diziam eles, ó Senhor, Deus de Israel, aconteceu essa desgraça que nos falte hoje uma tribo de Israel?
4. No dia seguinte pela manhã, o povo levantou naquele lugar um altar, sobre o qual ofereceu holocaustos e sacrifícios pacíficos.
5. E disseram: Haverá alguém dentre todas as tribos de Israel que não tenha comparecido à assembléia em presença do Eterno? Com efeito, fora pronunciado a seguinte juramento solene contra aquele que não subisse a Masfa junto do Senhor: Será punido de morte.
6. Os filhos de Israel tiveram pena de Benjamim, seu irmão: Assim, diziam eles, foi hoje uma tribo cortada de Israel?
7. Aonde vamos buscar mulheres para os que restam, pois que juramos pelo Senhor não lhes dar nossas filhas em casamento?
8. Por isso perguntavam se não havia alguma tribo de Israel que não tivesse subido para o Senhor em Masfa. Ora, ninguém de Jabes em Galaad tinha vindo ao acampamento ou comparecido à assembléia.
9. Fez-se o recenseamento do povo e não se encontrou, com efeito, homem algum de Jabes em Galaad.
10. Então a assembléia enviou para lá doze mil guerreiros valentes com a ordem seguinte: Ide e passai ao fio da espada todos os habitantes de Jabes em Galaad com as mulheres e as crianças.
11. Eis como deveis fazer: votareis ao interdito todo homem, bem como toda mulher que se houver deitado com homem.
12. Encontraram entre os habitantes de Jabes em Galaad quatrocentas moças virgens, que não tinham conhecido varão, e levaram-nas ao acampamento de Silo, na terra de Canaã.
13. Toda a assembléia enviou mensagens de paz aos benjaminitas que tinham se refugiado no rochedo de Remon.
14. Voltaram eles para as suas casas, e foram-lhes dadas por mulheres as filhas de Jabes em Galaad que tinham sido poupadas, mas não chegaram para todos.
15. O povo teve pena de Benjamim, porque o Senhor tinha feito uma brecha nas tribos de Israel.
16. Os anciãos da assembléia disseram: Que faremos para dar mulheres aos que restam, pois todas as mulheres de Benjamim foram exterminadas?
17. E ajuntaram: Fique para Benjamim a herança dos que sobreviveram, para que não seja cortada uma tribo de Israel.
18. Mas não podemos dar-lhes nossas filhas em casamento, pois os filhos de Israel lançaram a maldição a todo aquele que desse a sua filha por mulher a um benjaminita.
19. E disseram: Eis que se celebra a festa anual do Senhor em Silo (Silo está situada ao norte de Betel, ao oriente do caminho que vai de Betel a Siquém, e ao sul de Lebona).
20. Depois deram este conselho aos filhos de Benjamim: Ide e escondei-vos nas vinhas.
21. Quando virdes as filhas de Silo saírem para dançar em coro, saí de repente das vinhas e cada um tome uma para mulher entre as filhas de Silo; depois disso voltai para a terra de Benjamim.
22. Quando seus pais ou seus irmãos vierem queixar-se junto de nós, responder-lhes-emos: Deixai-as vir conosco, pois durante a guerra não pudemos tomar uma mulher para cada um. Aliás, não sois vós quem lhas destes, e nem tendes culpa nisso.
23. Assim fizeram os benjaminitas: tomaram entre as dançarinas mulheres segundo o seu número; tomaram-nas e voltaram para a sua casa. Depois construíram cidades e habitaram nelas.
24. Voltaram também os israelitas, cada um para a sua tribo e sua família, e para a terra de sua herança.
25. Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia melhor.

 

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Livro de Rute

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Livro de Rute

 Capítulo 1

1. No tempo que governavam os juízes, sobreveio uma fome na terra. Um homem partiu de Belém de Judá, com sua mulher e seus dois filhos, indo morar nos campos de Moab.
2. Chamava-se Elimelec, e sua mulher Noêmi; seus dois filhos chamavam-se Maalon e Quelion; eram efrateus de Belém de Judá. Chegados à terra de Moab, estabeleceram-se ali.
3. Elimelec, marido de Noêmi, morreu, deixando-a com seus dois filhos.
4. Estes casaram com mulheres moabitas, chamadas uma Orfa e outra Rute. Viveram lá aproximadamente dez anos.
5. Maalon e Quelion morreram ficando Noêmi só, sem seus dois filhos e sem seu marido.
6. Então, levantou-se Noêmi e partiu da região de Moab com suas duas noras, porque ouviu dizer que o Senhor tinha visitado o seu povo e lhe tinha dado pão.
7. Deixou, pois, aquele lugar onde habitara com suas duas noras e pôs-se a caminho de volta para a terra de Judá.
8. Ide, voltai para a casa de vossa mãe, disse ela às suas noras. O Senhor use convosco de misericórdia, como vós usastes com os que morreram e comigo!
9. Que ele vos conceda paz em vossos lares, cada uma em casa de seu marido! E beijou-as. Elas puseram-se a chorar:
10. Nós iremos contigo para o teu povo, disseram elas.
11. Ide, minhas filhas, replicou Noêmi. Por que haveis de vir comigo? Porventura tenho eu ainda em meu seio filhos que possam tornar-se vossos maridos?
12. Voltai, minhas filhas, porque já estou demasiado velha para casar-me de novo. E ainda que eu tivesse alguma esperança, e que esta noite mesmo me fosse dado ter marido, e viesse a gerar filhos,
13. esperá-los-íeis crescer, sem vos casardes de novo, até que se tornassem grandes? Não, minhas filhas, minha dor é muito maior do que a vossa, porque a mão do Senhor pesou sobre mim.
14. Então elas desataram de novo a chorar. Orfa beijou a sua sogra, porém Rute não quis separar-se dela.
15. Eis que tua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses, disse-lhe Noêmi; vai com ela.
16. Não insistas comigo, respondeu Rute, para que eu te deixe e me vá longe de ti. Aonde fores, eu irei; aonde habitares, eu habitarei. O teu povo é meu povo, e o teu Deus, meu Deus.
17. Na terra em que morreres, quero também eu morrer e aí ser sepultada. O Senhor trate-me com todo o rigor, se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti!
18. Ante tal resolução, Noêmi não insistiu mais.
19. Seguiram juntas o seu caminho até Belém; ali chegando, comoveu-se toda a cidade; as mulheres diziam.: Eis aí Noêmi!
20. Não me chameis mais Noêmi, replicou ela, mas chamai-me Mara; porque o Todo-poderoso me encheu de amargura.
21. Parti com as mãos cheias, e o Senhor fez-me voltar com as mãos vazias. Por que me chamais Noêmi, se o Senhor se declarou contra mim e o Onipotente me inundou de aflição?
22. Foi assim que voltaram dos campos de Moab, Noêmi e sua nora Rute, a moabita. Chegaram a Belém quando se começava a segar a cevada.

 
Capítulo 2

1. Noêmi tinha um parente, por parte de seu marido, homem poderoso e rico da família de Elimelec, chamado Booz.
2. Rute, a moabita, disse a Noêmi: Peço-te que me deixes ir respigar nos campos de quem me quiser acolher favoravelmente. Vai, minha filha, respondeu-lhe ela.
3. Rute partiu, pois, e entrou num campo, atrás dos segadores. Ora, aconteceu que aquele era justamente o campo de Booz, parente de Elimelec.
4. Booz acabava de voltar de Belém, e disse aos segadores: O Senhor esteja convosco! Deus te abençoe, responderam eles.
5. Booz dirigiu-se ao servo que tomava conta dos segadores: De quem é esta moça?
6. Esta é uma jovem moabita, respondeu ele, que veio com Noêmi da terra de Moab.
7. Pediu-nos que a deixássemos respigar entre os feixes de trigo e apanhar as espigas atrás dos segadores. Está, aí, sempre de pé, desde a manhã até agora. Neste momento ela descansa um pouco sob a tenda.
8. Booz disse a Rute: Ouve, minha filha: não vás respigar em outro campo; não te afastes daqui, mas junta-te com minhas servas.
9. Olha em que campo vão ceifar, e segue-as. Proibi aos meus servos que te molestassem. Se tiveres sede, vai à bilha e bebe da água que eles tiverem buscado.
10. Rute, caindo aos seus pés, prostrou-se por terra: De onde me vem a dita, disse ela, de que te interesses por mim, uma estrangeira?
11. Contaram-me, replicou Booz, tudo o que fizeste por tua sogra depois que morreu o teu marido, como deixaste teu pai, tua mãe e a tua pátria, e vieste para um povo que antes não conhecias.
12. O Senhor te remunere pelo bem que fizeste, e recebas uma plena recompensa do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te acolheste!
13. Ela respondeu: Encontre eu graça diante dos teus olhos, meu senhor, pois me consolaste e encorajaste a tua serva, ainda que eu não seja como uma de tuas escravas.
14. À hora de comer, Booz disse-lhe: Vem, come tua parte do pão, e molha o teu bocado no vinagre. Ela assentou-se ao lado dos segadores, e Booz ofereceu-lhe grão torrado; ela comeu até ficar satisfeita e guardou o resto. Levantou-se em seguida e recomeçou a respigar.
15. Booz disse aos seus servos: Deixai-a respigar mesmo entre os feixes e não a molesteis.
16. Deixai cair de vossos feixes, como por descuido, algumas espigas, e deixai-as para que ela as apanhe; sobretudo, não a censurais de forma alguma.
17. Rute esteve, pois, respigando no campo até a tarde; tendo depois batido as espigas que tinha colhido, encontrou quase um efá de cevada.
18. Carregando a cevada, entrou na cidade, e sua sogra viu o que ela tinha colhido. Rute tirou então o que lhe sobrou de seu almoço e deu-lho.
19. Onde respigaste hoje?, perguntou-lhe Noêmi; onde trabalhaste? Bendito seja quem te acolheu! Ela contou à sua sogra em que propriedade tinha trabalhado. O homem, disse ela, em cuja terra trabalhei hoje, chama-se Booz.
20. Bendito seja ele do Senhor, respondeu Noêmi, porque mostrou-se misericordioso tanto para com os vivos como para com os mortos. E acrescentou: Esse homem é nosso próximo parente, um dos que têm direito de resgate sobre nós.
21. Ele disse-me também, continuou Rute, a moabita, que ficasse com os seus servos até que se acabasse toda a ceifa.
22. Noêmi respondeu-lhe: É melhor, minha filha que sigas as suas servas, e que não te encontrem noutro campo.
23. Ela ficou, pois, com as servas de Booz, respigando até ao fim da ceifa da cevada e do trigo. E morava com a sua sogra.

 
Capítulo 3

1. Noêmi, sua sogra disse-lhe: Minha filha, é preciso que eu te assegure uma existência tranqüila, para que sejas feliz.
2. Este Booz, nosso parente, cujas servas seguiste, deverá joeirar esta tarde a cevada de sua eira.
3. Lava-te, unge-te, põe tuas melhores vestes e desce à eira, mas não te deixes reconhecer por ele antes que ele tenha acabado de comer.
4. Quando for dormir, observa o lugar em que dorme. Entra, então, levanta a cobertura de seus pés e deita-te; ele mesmo te dirá o que deves fazer.
5. Farei, disse ela, tudo o que me indicas.
6. Ela desceu à eira e fez tudo o que sua sogra lhe tinha recomendado.
7. Booz comeu e bebeu, e o seu coração tornou-se alegre; depois disso, foi e deitou-se junto de um monte de feixes. Rute aproximou-se de mansinho, afastou a cobertura de seus pés e deitou-se também.
8. Pelo meio da noite o homem despertou espavorido; voltou-se e viu uma mulher deitada a seus pés.
9. Quem és tu?, disse-lhe ele. Eu sou Rute, tua serva, respondeu ela. Estende o teu manto sobre a tua serva, porque tens o direito de resgate.
10. Ele disse: Deus te abençoe, minha filha. Esta tua última bondade vale mais que a primeira, porque não buscaste jovens, pobres ou ricos.
11. Agora, minha filha, não temas; tudo o que disseres eu te farei, porque todos em Belém sabem que és uma mulher virtuosa.
12. Tenho, realmente, o direito de resgate, mas há outro mais próximo parente do que eu.
13. Passa aqui esta noite. Amanhã, se ele quiser usar de seu direito de resgate sobre ti, está bem, que o faça; do contrário, eu o farei; juro pelo Senhor! Dorme, pois até pela manhã.
14. Ela ficou deitada aos seus pés até de madrugada; e levantou-se quando ainda não se podiam distinguir as pessoas. Booz tinha dito: Não é bom que se saiba ter este mulher entrado na eira…
15. E acrescentou: Estende o manto que tens sobre ti e segura-o. Ela estendeu-o e Booz encheu-o com seis medidas de cevada, que lhe pôs às costas. Em seguida entrou na cidade.
16. Rute voltou para junto de sua sogra, que lhe disse: Como vais, minha filha? Rute contou-lhe então tudo o que aquele homem fizera por ela. E acrescentou:
17. Ele deu-me estas seis medidas de cevada, dizendo-me: Não voltarás com as mãos vazias para a tua sogra.
18. Espera, minha filha, retomou Noêmi, até sabermos como vai terminar tudo isto. Esse homem não descansará enquanto não tiver resolvido esse assunto, e o fará hoje mesmo.

 
Capítulo 4

1. Foi Booz à porta da cidade e sentou-se ali. Vendo passar o homem que tinha o direito de resgate, do qual falara, chamou-o e disse-lhe: Vem cá um pouco; senta-te aqui. O homem veio sentou-se.
2. Escolhendo então Booz dez homens dentre os anciãos da cidade, disse-lhes: Sentai-vos aqui.
3. Estando eles sentados, Booz dirigiu-se ao parente próximo, falando-lhe neste termos. Noêmi, que voltou da terra de Moab, está para vender a parte no campo que pertencia ao nosso parente Elimelec.
4. Eu quis informar-te disto e propor-te que a compres diante dos anciãos do meu povo aqui presentes. Se queres usar do teu direito de resgate, faze-o; do contrário, dize-mo, para que eu saiba o que devo fazer, porque vens em primeiro lugar, mas depois de ti é a mim que cabe esse direito. Eu quero usar do meu direito, respondeu o homem.
5. Comprando essa terra da mão de Noêmi, continuou Booz, adquires ao mesmo tempo Rute, a moabita, mulher do defunto para conservar o nome do defunto, em sua herança.
6. Nesse caso, respondeu aquele homem, não a posso resgatar por minha própria conta, porque isto viria prejudicar o meu patrimônio. Usa tu do meu privilégio, porque não o posso fazer.
7. Era outrora costume em Israel, nos casos de resgate ou de sub-rogação, que o homem tirasse o calçado e o desse ao outro para validade da transação; isso servia de ratificação.
8. O parente próximo disse, pois, a Booz: Compra-a para ti, e tirou o calçado.
9. Booz disse aos anciãos e a todo o povo: Vós sois hoje testemunhas de que comprei da mão de Noêmi tudo o que pertencia a Elimelec, a Quelion e a Maalon.
10. Com isto adquiro ao mesmo tempo Rute, a moabita, por mulher, viúva de Maalon, para conservar o nome do defunto em sua herança, e para que esse nome não se apague de entre os seus parentes e no povo da cidade. Disso sois hoje testemunhas.
11. Então todo o povo que estava na porta e todos os anciãos responderam: Somos testemunhas! O Senhor torne essa mulher que entra na tua casa semelhante a Raquel e a Lia, que fundaram a casa de Israel! Sê feliz em Efrata, adquire um nome em Belém!
12. Que a tua casa se torne como a casa de Farés, que Tamar deu à luz a Judá, pela posteridade que te der o Senhor por esta jovem.
13. Booz tomou, pois, Rute, que se tornou sua mulher. Aproximou-se dela, e o Senhor concedeu-lhe a graça de conceber e dar à luz um filho.
14. As mulheres diziam a Noêmi: Bendito seja Deus, que não te recusou um libertador neste dia. Que o teu nome seja um dia célebre em Israel!
15. Ele te dará a vida e será o sustentáculo de tua velhice, porque tua nora, aquela que o gerou é que te ama e é para ti mais preciosa que sete filhos!
16. Noêmi, tomando o menino, pô-lo no seu regaço, e fazia-lhe as vezes de ama.
17. Suas vizinhas deram-lhe nome, dizendo: Nasceu um filho a Noêmi. E chamaram ao menino Obed. Este foi pai de Isaí e avô de Davi.
18. Esta é a posteridade de Farés: Farés gerou Esron;
19. Esron gerou Rão; Rão gerou Aminadab;
20. Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon;
21. Salmon gerou Booz; Booz gerou Obed;
22. Obed gerou Isaí; Isaí gerou Davi.

 

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I Livro de Samuel

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I Livro de Samuel

 Capítulo 1

1. Havia em Ramataim-Sofim um homem das montanhas de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliu, filho de Tolu, filho de Suf, o efraimita.
2. Tinha ele duas mulheres, uma chamada Ana e outra Fenena. Esta última tinha filhos; Ana, porém, não os tinha.
3. Cada ano subia esse homem de sua cidade para adorar o Senhor dos exércitos e oferecer-lhe um sacrifício em Silo, onde se encontravam os dois filhos de Heli, Ofini e Finéias, sacerdotes do Senhor.
4. Cada vez que Elcana oferecia um sacrifício, dava porções à sua mulher Fenena, bem como aos filhos e filhas que ela teve;
5. a Ana, porém, dava uma porção dupla, porque a amava, embora o Senhor a tivesse tornado estéril.
6. Sua rival afligia-a duramente, provocando-a a murmurar contra o Senhor que a tinha feito estéril.
7. Isto se repetia cada ano quando ela subia à casa do Senhor; Fenena continuava provocando-a. Então, Ana punha-se a chorar e não comia.
8. Seu marido dizia-lhe: Ana, por que choras? Por que não comes? Por que estás triste? Não valho eu para ti como dez filhos?
9. (Desta vez) Ana levantou-se, depois de ter comido e bebido em Silo. Ora, o sacerdote Heli estava sentado numa cadeira à entrada do templo do Senhor.
10. Ana, profundamente amargurada, orou ao Senhor e chorou copiosamente.
11. E fez um voto, dizendo: Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição de vossa serva, e vos lembrardes de mim; se não vos esquecerdes de vossa escrava e lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida, e a navalha não passará pela sua cabeça.
12. Prolongando ela sua oração diante do Senhor, Heli observava o movimento dos seus lábios.
13. Ana, porém, falava no seu coração, e apenas se moviam os seus lábios, sem se lhe ouvir a voz.
14. Heli, julgando-a ébria, falou-lhe: Até quando estarás tu embriagada? Vai-te e deixa passar o teu vinho.
15. Não é assim, meu Senhor, respondeu ela, eu sou uma mulher aflita: não bebi nem vinho, nem álcool, mas derramo a minha alma na presença do Senhor.
16. Não tomes a tua escrava por uma pessoa frívola, porque é a grandeza de minha dor e de minha aflição que me fez falar até aqui.
17. Heli respondeu: Vai em paz, e o Deus de Israel te conceda o que lhe pedes.
18. Encontre a tua serva graça aos teus olhos, ajuntou ela. A mulher se foi, comeu, e o seu rosto não era mais o mesmo.
19. No dia seguinte pela manhã, prostraram-se diante do Senhor, e voltaram para a sua casa em Ramá.
20. Elcana conheceu Ana, sua mulher, e o Senhor lembrou-se dela. Ana concebeu, e, passado o seu tempo, deu à luz um filho que chamou Samuel; porque, dizia, eu o pedi ao Senhor.
21. Elcana, seu marido, foi com toda a sua casa para oferecer ao Senhor o sacrifício anual.
22. Ana, porém, não foi, e disse ao seu marido: Quando o menino for desmamado, eu o levarei para apresentá-lo ao Senhor, e lá ficará para sempre.
23. Faze como achares melhor, respondeu-lhe Elcana; fica até que o tenhas desmamado e que o Senhor se digne confirmar a sua promessa. Ela ficou e aleitou o seu filho até que o desmamou.
24. Após tê-lo desmamado, tomou-o consigo, e levando também três touros, um efá de farinha e um odre de vinho, conduziu-o à casa do Senhor em Silo. O menino era ainda muito criança.
25. Imolaram o touro e conduziram o menino a Heli.
26. Ana disse-lhe: Ouve, meu Senhor, por tua vida, eu sou aquela mulher que esteve aqui em tua presença orando ao Senhor.
27. Eis aqui o menino por quem orei; o Senhor ouviu o meu pedido.
28. Portanto, eu também o dou ao Senhor: ele será consagrado ao Senhor para todos os dias de sua vida. E prostraram-se naquele lugar diante do Senhor.

 
Capítulo 2

1. Ana pronunciou esta prece: Exulta o meu coração no Senhor, nele se eleva a minha força; a minha boca desafia os meus adversários, porque me alegro na vossa salvação.
2. Ninguém é santo como o Senhor. Não existe outro Deus, além de vós, nem rochedo semelhante ao nosso Deus.
3. Não multipliqueis palavras orgulhosas, não saia da vossa boca linguagem arrogante, porque o Senhor é um Deus que tudo sabe; por ele são pesadas as ações.
4. Quebra-se o arco dos fortes, enquanto os fracos se revestem de vigor.
5. Os abastados se assalariam para ganharem o que comer, enquanto os famintos são saciados. Sete vezes dá à luz a estéril, enquanto a mãe de numerosos filhos enlanguesce.
6. O Senhor dá a morte e a vida, faz descer à habitação dos mortos e de lá voltar.
7. O Senhor empobrece e enriquece; humilha e exalta.
8. Levanta do pó o mendigo, do esterco retira o indigente, para fazê-los sentar-se entre os nobres e outorgar-lhes um trono de honra, porque do Senhor são as colunas da terra. Sobre elas estabeleceu o mundo.
9. Dirige os passos dos seus fiéis, enquanto os ímpios perecem nas trevas; porque homem algum vence pela força.
10. Ó Senhor, sejam esmagados os vossos adversários! Dos céus troveje o Altíssimo contra eles, o Senhor julgue os últimos confins da terra! Dará força ao seu rei, e engrandecerá o poder do seu ungido.
11. Elcana voltou para a sua casa em Ramá, e o menino ficou ao serviço do Senhor, junto do sacerdote Heli.
12. Os filhos de Heli eram maus; não conheciam o Senhor.
13. Eis como se comportavam para com o povo: Quando alguém imolava uma vítima, vinha o servo do sacerdote no momento em que se cozia a carne, com um garfo de três dentes,
14. e metia-o na caldeira, na marmita, na panela ou no tacho, e tudo o que o tridente trazia, tomava-o para o sacerdote. Assim faziam a todos os israelitas que vinham a Silo.
15. Antes que queimassem a gordura, vinha o servo do sacerdote dizer ao que sacrificava: Dá-me a carne de assar para o sacerdote; ele não aceitará carne cozida, mas unicamente a carne crua.
16. O homem respondia-lhe: É preciso que se queime antes a gordura; depois disto tomarás o que quiseres. Não, respondia o servo, dá-me logo, senão tomarei à força.
17. Era muito grande a iniqüidade desses moços aos olhos de Deus, porque atraíam o desprezo sobre as ofertas feitas ao Senhor.
18. Entretanto, Samuel, ainda criança, servia diante do Senhor, trajando um efod de linho.
19. Sua mãe fazia-lhe cada ano uma pequena túnica, que lhe levava quando subia com o seu marido para o sacrifício anual.
20. Heli abençoava Elcana e sua mulher: Conceda-te o Senhor filhos desta mulher, em recompensa do dom que ela lhe faz! E voltavam para a sua casa.
21. O Senhor visitou Ana, e ela concebeu, dando à luz três filhos e duas filhas. E o menino Samuel crescia na companhia do Senhor.
22. Heli era muito velho; sabia tudo o que faziam os seus filhos com os israelitas, e como eles dormiam com as mulheres que estavam de serviço à entrada da Tenda da Reunião.
23. Por que, dizia-lhes, procedeis desta forma? Sei que todo o povo fala de vossas desordens.
24. Não façais assim, meus filhos; não são boas as informações que me chegam a vossos respeito. Estais fazendo pecar o povo do Senhor.
25. Se um homem pecar contra outro, Deus o julga; se ele pecar, porém, contra o Senhor, quem intervirá a seu favor? Mas não ouviam a voz do seu pai, porque Deus os queria perder.
26. Entretanto, o menino Samuel ia crescendo, e era agradável tanto ao Senhor como aos homens.
27. Certo dia, um homem de Deus veio ter com Heli e disse-lhe da parte do Senhor: Não me revelei eu claramente à casa de teu pai, quando eles estavam no Egito ao serviço do faraó?
28. Escolhi os teus dentre todas as tribos de Israel para serem sacerdotes, subirem ao meu altar, queimarem o incenso e vestirem o efod diante de mim. Dei à casa de teu pai todos os sacrifícios oferecidos pelos israelitas.
29. Por que desprezais os meus sacrifícios e as minhas oblações que estabeleci em minha morada? Fazes mais caso dos teus filhos que de mim, engordando-vos com o melhor de todas as ofertas de meu povo de Israel.
30. Por isso, eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: Eu tinha dito que a tua casa e a casa de teu pai serviria para sempre diante de mim. Mas agora, diz o Senhor, não será mais assim. Eu honro aqueles que me honram e desprezo os que me desprezam.
31. Virão dias em que abaterei o teu vigor e o vigor da casa de teu pai, de tal modo que já não haverá ancião em tua casa.
32. Israel estará cumulado da alegria, e tu verás a angústia em tua casa. Não haverá jamais ancião em tua família!
33. Entretanto, não cortarei todos os teus do meu altar, para que se consumam de inveja os teus olhos e se desfaleça a tua alma; mas todos os outros morrerão na flor da idade.
34. O que vai acontecer aos teus dois filhos Ofni e Finéias, será para ti um sinal: morrerão ambos no mesmo dia.
35. Suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o meu coração e minha vontade. Edificar-lhe-ei uma casa durável, e ele andará sempre diante do meu ungido.
36. Os que sobreviverem de tua família irão prostrar-se diante dele por uma moeda de prata ou por um pedaço de pão, dizendo-lhe: Admiti-me para alguma função sacerdotal, a fim de que eu tenha um bocado de pão para comer.

 
Capítulo 3

1. O jovem Samuel servia ao Senhor sob os olhos de Heli. a palavra do Senhor era rara naqueles dias, e as visões não eram freqüentes.
2. Ora, aconteceu certo dia que Heli estava deitado (seus olhos tinham-se enfraquecido, e ele mal podia ver),
3. e a lâmpada de Deus ainda não se apagara. Samuel repousava no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.
4. O Senhor chamou Samuel, o qual respondeu: Eis-me aqui.
5. Samuel correu para junto de Heli e disse: Eis-me aqui: chamaste-me. Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te. Ele foi e deitou-se.
6. O Senhor chamou de novo Samuel. Este levantou-se e veio dizer a Heli: Eis-me aqui, tu me chamaste. Eu não te chamei, meu filho, torna a deitar-te.
7. Samuel ainda não conhecia o Senhor; a palavra do Senhor não lhe tinha sido ainda manifestada.
8. Pela terceira vez o Senhor chamou Samuel, que se levantou e foi ter com Heli: Eis-me aqui, tu me chamaste. Compreendeu então Heli que era o Senhor quem chamava o menino.
9. Vai e torna a deitar-te, disse-lhe ele, e se ouvires que te chamam de novo, responde: Falai, Senhor; vosso servo escuta! Voltou Samuel e deitou-se.
10. Veio o Senhor pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: Samuel! Samuel! Falai, respondeu o menino; vosso servo escuta!
11. O Senhor disse a Samuel: Eis que vou fazer uma tal coisa em Israel, que a todo o que a ouvir ficar-lhe-ão retinindo os ouvidos.
12. Naquele dia cumprirei contra Heli todas as ameaças que pronunciei contra a sua casa. Começarei e irei até o fim.
13. Anunciei-lhe que eu condenaria para sempre a sua família, por causa dos crimes que ele sabia que os seus filhos cometiam, e não os corrigiu.
14. Por isso jurei à casa de Heli que a sua culpa jamais seria expiada, nem com sacrifícios nem com oblações.
15. Samuel ficou deitado até pela manhã, quando abriu as portas da casa do Senhor. Ele temia contar a visão a Heli.
16. Heli, porém chamou-o e disse: Samuel, meu filho! Eis-me aqui, respondeu ele.
17. E Heli: Que te disse ele? Não me ocultes nada. Deus te trate com toda a severidade, se me encobrires algo de tudo o que ele te disse.
18. Então Samuel contou-lhe tudo, sem nada ocultar. Heli exclamou: O Senhor fará o que lhe parecer melhor.
19. Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. Ele não negligenciava nenhuma de suas palavras.
20. Todo o Israel, desde Dã até Bersabéia, reconheceu que Samuel era um profeta do Senhor.
21. E o Senhor continuou a se manifestar em Silo. É ali que o Senhor aparecia a Samuel, descobrindo-lhe sua palavra.

 
Capítulo 4

1. A palavra de Samuel foi dirigida a todo o Israel. Israel saiu ao encontro dos filisteus para combatê-los. Acamparam junto de Eben-Ezer, enquanto os filisteus acampavam em Afec.
2. Os inimigos puseram-se em linha de batalha diante de Israel e começou o combate. Israel voltou as costas aos filisteus, e foram mortos naquele combate cerca de quatro mil homens.
3. O povo voltou ao acampamento e os anciãos de Israel disseram: Por que nos deixou o Senhor sermos batidos hoje pelos filisteus? Vamos a Silo e tomemos a arca da aliança do Senhor, para que ela esteja no meio de nós e nos livre da mão de nossos inimigos.
4. O povo mandou, pois, buscar em Silo a arca da aliança do Senhor dos exércitos, que se senta sobre querubins. Os dois filhos de Heli, Ofni e Finéias, acompanhavam a arca da aliança de Deus.
5. Quando a arca do Senhor entrou no acampamento, todo o Israel rompeu num grande clamor, que fez tremer a terra.
6. Os filisteus, ouvindo-o, disseram: Que significa esse grande clamor no acampamento dos hebreus? E souberam que a arca do Senhor tinha chegado ao acampamento.
7. Então tiveram medo e disseram: Deus chegou ao acampamento. Ai de nós! Até agora nunca se viu coisa semelhante!
8. Ai de nós! Quem nos salvará da mão destes deuses poderosos? São eles que feriram os egípcios com toda a sorte de pragas no deserto.
9. Coragem, ó filisteus! Portai-vos varonilmente, não suceda que sejais escravizados aos hebreus como eles o são a vós. Sede homens e combatei.
10. Começaram a luta e Israel foi derrotado, fugindo cada um para a sua tenda. Houve um espantoso massacre, tendo caído de Israel trinta mil homens de pé.
11. A arca de Deus foi tomada e os dois filhos de Heli, Ofni e Finéias, pereceram.
12. Um homem da tribo de Benjamim, tendo escapado à batalha, fugiu naquele mesmo dia para Silo. Trazia a roupa toda rasgada e a cabeça coberta de pó.
13. Chegou no momento em que Heli se encontrava sentado numa cadeira, à beira do caminho, inquieto e temeroso pela arca de Deus. Entrando aquele homem na cidade, espalhou-se por toda a parte a noticia, e de toda a cidade elevou-se um grande clamor.
14. Heli, ouvindo-o, perguntou: Que clamor é este? Nesse momento chegava o homem para dar-lhe a notícia.
15. (Heli tinha noventa e oito anos; seus olhos estavam parados e já não viam.)
16. O homem disse-lhe: Venho do campo de batalha, de onde escapei hoje mesmo. Que aconteceu, meu filho?
17. Israel, respondeu o mensageiro, fugiu diante dos filisteus; o povo sofreu uma grande derrota. Teus dois filhos, Ofni e Finéias, morreram, e a arca de Deus foi tomada.
18. Ao ouvi-lo mencionar a arca de Deus, Heli caiu de sua cadeira para trás, do lado da porta (do templo), fraturou o crânio e morreu, pois era um homem velho e pesado. Tinha sido juiz em Israel durante quarenta anos.
19. Sua nora, mulher de Finéias, estava grávida e próxima do parto. Tendo ouvido que a arca de Deus fora capturada, e que o seu sogro e seu marido tinham morrido, foi subitamente acometida pelas dores do parto e deu à luz.
20. E estando para expirar, disseram-lhe as mulheres que a cercavam: Não temas, pois nasceu-te um filho. Mas ela não respondeu, pois estava inconsciente.
21. Chamou o filho Icabod, porque, disse a ela, dissipou-se a glória de Israel, já que foi tomada a arca de Deus, e morreram o meu sogro e o meu marido.
22. Sim, disse ela, desapareceu a glória de Israel, foi tomada a arca de Deus.

 
Capítulo 5

1. Os filisteus apoderaram-se, pois, da arca de Deus e levaram-na de Eben-Ezer para Azot.
2. Tomaram a arca de Deus e meteram-na no templo de Dagon, colocando-a junto do ídolo.
3. No dia seguinte, levantando-se pela manhã, os habitantes de Azot viram Dagon estendido com o rosto por terra diante da arca do Senhor. Levantaram o ídolo e repuseram-no no seu lugar.
4. Na manhã seguinte, ao se levantarem, encontraram (de novo) Dagon estendido com o rosto por terra diante da arca do Senhor; a cabeça do deus e suas duas mãos estavam desprendidas e jaziam perto do limiar. Dele só restou o tronco.
5. É por isto que os sacerdotes de Dagon e todos os que entram no seu templo em Azot, evitam ainda hoje pôr o pé no limiar da porta.
6. A mão do Senhor pesava sobre os habitantes de Azot; ele os devastou e os feriu de hemorróidas na cidade e no seu território.
7. Vendo isto, os habitantes de Azot exclamaram: A arca do Deus de Israel não ficará conosco, porque a sua mão pesou sobre nós e sobre Dagon, nosso Deus.
8. Mandaram mensageiros que convocassem todos os príncipes dos filisteus e perguntaram-lhes: Que faremos nós da arca do Deus de Israel? Eles responderam: Transportem-na a Get. E a arca do Deus de Israel foi levada para ali.
9. Logo que o fizeram, a mão do Senhor foi contra a cidade, causando nela um grande terror. Feriu os habitantes desde o menor até ao maior com muitos tumores de hemorróidas.
10. Mandaram então a arca de Deus para Acaron. Chegando ela ali, os acaronitas clamaram, dizendo: Trouxeram-nos a arca do Deus de Israel, para nos matar como todo o povo!
11. Convocaram todos os príncipes dos filisteus e disseram-lhes: Devolvei a arca do Deus de Israel; que ela volte para o seu lugar, e não nos faça perecer com todo o povo.
12. Reinava na cidade um pavor mortal, e a mão de Deus fazia-se sentir rudemente. Aqueles que escapavam à morte, eram feridos de hemorróidas, e da cidade subia até ao céu um clamor angustiado.

 
Capítulo 6

1. Esteve a arca do Senhor na terra dos filisteus sete meses.
2. Estes convocaram os seus sacerdotes e adivinhos e perguntaram-lhes: Que faremos da arca do Senhor? Dizei-nos como havemos de a devolver ao seu lugar. Eles responderam:
3. Se devolveis a arca do Deus de Israel, não a mandeis vazia, mas juntai a ela uma oferta expiatória. Se fordes curados, sabereis então por que sua mão não cessou de pesar sobre vós.
4. Que oferta expiatória, perguntaram eles, devemos fazer? Responderam: Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, conforme o número dos príncipes dos filisteus, porque foi essa a praga que vos feriu a vós e aos vossos príncipes.
5. Fazei, pois, figuras de vossos tumores e figuras de ratos que devastam a terra. Dai assim glória ao Deus de Israel; talvez retire ele a sua mão de cima de vós, de vosso deus e de vossa terra.
6. Por que endureceis os vossos corações como os egípcios e o faraó? Estes só deixaram partir os israelitas quando o Senhor mandou os seus castigos sobre eles.
7. Fazei um carro novo, escolhei duas vacas que aleitam, e que não tenham ainda levado o jugo, e metei-as no carro, depois de terdes preso os seus bezerros no curral.
8. Colocareis no carro a arca do Senhor, juntamente com um cofre, no qual poreis todos os objetos de ouro que ofereceis como expiação; depois deixai-a partir.
9. Segui-a com os olhos: se ela subir pelo caminho de sua terra, para as bandas de Bet-Sames, é o Senhor quem nos enviou esta praga; do contrário, conheceremos que não foi a sua mão que nos feriu, mas que tudo isto foi um simples acidente.
10. Assim o fizeram. Tomaram duas vacas que aleitavam e prenderam-nas a um carro, pondo os seus bezerros no curral.
11. Puseram no carro a arca do Senhor com o cofre que continha os ratos de ouro e as figuras dos tumores.
12. As vacas tomaram diretamente o caminho que vai a Bet-Sames e seguiram sempre o mesmo caminho, mugindo, sem se desviarem nem para a direita nem para a esquerda. Os príncipes dos filisteus seguiram-nas até o limite de Bet-Sames.
13. Ora, os betsamitas segavam o trigo no vale. Levantando os olhos, viram a arca e alegraram-se.
14. O carro chegou à terra de Josué, o betsamita, onde se deteve. Havia ali uma grande pedra. Cortaram em pedaços a madeira do carro e ofereceram as vacas em holocausto ao Senhor.
15. Os levitas desceram a arca do Senhor, juntamente com o cofre que vinha junto, contendo os objetos de ouro, e colocaram-na sobre a grande pedra. Os betsamitas ofereceram holocaustos e sacrifícios ao Senhor naquele dia.
16. E os cinco príncipes dos filisteus, que tudo tinham visto, voltaram naquele mesmo dia para Acaron.
17. Eis o número das figuras de hemorróidas de ouro que os filisteus ofereceram ao Senhor como oferta expiatória: uma por Azot, uma por Gaza, uma por Ascalon, uma por Get, uma por Acaron.
18. Ofereceram, além disso, tantos ratos de ouro quantas cidades havia pertencentes aos cinco príncipes, cidades fortificadas e aldeias sem muros, Disto é testemunha a grande pedra, sobre a qual puseram a arca do Senhor, no campo de Josué, o betsamita, onde pode ser vista até o dia de hoje.
19. O Senhor feriu os habitantes de Bet-Sames, porque tinham olhado para dentro de sua arca: feriu setenta homens entre cinqüenta mil. O povo chorou por causa desse grande golpe com que o Senhor, o tinha ferido.
20. Os habitantes de Bet-Sames disseram: Quem poderá subsistir na presença do Senhor, deste Deus Santo? E para quem irá (a arca), afastando-se de nós?
21. Mandaram dizer aos habitantes de Cariatiarim: Os filisteus devolveram a arca do Senhor; vinde e levai-a para vós.

 
Capítulo 7

1. Vieram, pois, os habitantes de Cariatiarim, transportaram a arca do Senhor, puseram-na em casa de Aminadab, sobre a colina, e consagraram o seu filho Eleazar para que a guardasse.
2. E o tempo passou. Decorridos vinte anos desde o dia em que a arca fora levada para Cariatiarim, todo o Israel se lamentava, invocando o Senhor.
3. E Samuel falou a todo o povo de Israel, dizendo: Se voltardes de todo o vosso coração para o Senhor, tirando do meio de vós os deuses estranhos e as Astarot, se vos apegardes de todo o vosso coração ao Senhor e só a ele servirdes, então ele vos livrar das mãos dos filisteus.
4. Os israelitas afastaram os Baal e as Astarot, e serviram só ao Senhor.
5. Convocai todo o Israel em Masfa, disse Samuel, e orarei por vós ao Senhor.
6. Reuniram-se em Masfa, tiraram água, derramaram-na diante do Senhor, e jejuaram aquele dia, dizendo: Pecamos contra o Senhor. Samuel era juiz de Israel em Masfa.
7. Os filisteus foram informados de que os israelitas tinham-se juntado em Masfa, e os seus príncipes marcharam contra Israel. Os israelitas o souberam e ficaram aterrorizados.
8. Disseram a Samuel: Não cesses de clamar por nós ao Senhor, nosso Deus, para que ele nos salve das mãos dos filisteus.
9. Samuel tomou um cordeiro de leite e ofereceu-o inteiro em holocausto ao Senhor; depois clamou ao Senhor por Israel, e o Senhor o ouviu.
10. Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus começaram o combate contra Israel; o Senhor, porém, trovejou com a sua a voz fortíssima sobre os filisteus naquele momento, e eles se dispersaram, sendo batidos pelos israelitas.
11. Os vencedores, saindo de Masfa, perseguiram os filisteus e feriram-nos até o lugar que está por baixo de Bet-Car.
12. Tomou Samuel uma pedra e pô-la entre Masfa e Sen, dando-lhe o nome de Eben-Ezer, pois disse: Até aqui nos socorreu o Senhor.
13. Humilhados dessa forma, os filisteus não tentaram mais voltar ao território de Israel. A mão do Senhor pesou sobre o filisteus durante toda a vida de Samuel.
14. Foram devolvidas a Israel as cidades que os filisteus lhes tinham tomado, desde Acaron até Get. Israel livrou sua terra das mãos dos filisteus, e havia paz entre Israel e os amorreus.
15. Samuel foi juiz em Israel durante toda a sua vida.
16. Ia a cada ano visitar Betel, Gálgala e Masfa, onde pronunciava os seus juízos em favor de todo o Israel.
17. Voltava depois para Ramá, onde habitava. Ali também julgava Israel, e edificou naquele lugar um altar ao Senhor.

 
Capítulo 8

1. Samuel, tendo envelhecido, estabeleceu os seus filhos juízes de Israel.
2. Seu filho primogênito chamava-se Joel, e o segundo Abia; e julgavam em Bersabéia.
3. Os filhos de Samuel, porém, não seguiram as suas pisadas, mas deixaram-se arrastar pela cobiça, recebendo presentes e violando o direito.
4. Todos os anciãos de Israel vieram em grupo ter com Samuel em Ramá,
5. e disseram-lhe: Estás velho e teus filhos não seguem as tuas pisadas. Dá-nos um rei que nos governe, como o têm todas as nações.
6. Estas palavras: Dá-nos um rei que nos governe, desagradaram a Samuel, que se pôs em oração diante do Senhor.
7. O Senhor disse-lhe: Ouve a voz do povo em tudo o que te disseram. Não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, pois já não querem que eu reine sobre eles.
8. Fazem contigo como sempre o têm feito comigo, desde o dia em que os tirei do Egito até o presente: abandonam-me para servir a deuses estranhos.
9. Atende-os, agora; mas declara-lhes solenemente, dando-lhes a conhecer os direitos do rei que reinará sobre eles.
10. Referiu Samuel todas as palavras do Senhor ao povo que reclamava um rei:
11. Eis, disse ele, como vos há de tratar o vosso rei: tomará os vossos filhos para os seus carros e sua cavalaria, ou para correr diante do seu carro.
12. Fará deles chefes de mil e chefes de cinqüenta, empregá-los-á em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas de guerra e de seus carros.
13. Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras.
14. Tomará também o melhor de vossos campos, de vossas vinhas e de vossos olivais, e dá-los-á aos seus servos.
15. Tomará também o dízimo de vossas semeaduras e de vossas vinhas para dá-los aos seus eunucos e aos seus servos.
16. Tomará também vossos servos e vossas servas, vossos melhores bois e vossos jumentos, para empregá-los no seu trabalho.
17. Tomará ainda o dízimo de vossos rebanhos, e vós mesmos sereis seus escravos.
18. E no dia em que clamardes ao Senhor por causa do rei, que vós mesmos escolhestes, o Senhor não vos ouvirá.
19. O povo recusou ouvir a voz de Samuel. Não, disseram eles; é preciso que tenhamos um rei!
20. Queremos ser como todas as outras nações; o nosso rei nos julgará, marchará à nossa frente e será nosso chefe na guerra.
21. Samuel ouviu todas as palavras do povo e referiu-as ao Senhor.
22. E respondeu-lhe o Senhor: Ouve-os; dá-lhes um rei. Samuel disse aos israelitas: Volte cada um para a sua cidade.

 
Capítulo 9

1. Havia um homem de Benjamim, chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afia, de família benjaminita, que era um homem valente.
2. Tinha um filho chamado Saul, que era jovem e belo. Não havia em Israel outro mais belo do que ele; dos ombros para cima sobressaía a todo o povo.
3. Tendo-se perdido as jumentas de Cis, pai de Saul, disse aquele ao seu filho: Toma um servo contigo e vai procurar as jumentas.
4. Saul atravessou a montanha de Efraim e entrou na terra de Salisa, sem nada encontrar; percorreu a terra de Salim, mas em vão. Na terra de Benjamim não as encontrou tampouco.
5. Tendo chegado à terra de Suf, Saul disse ao seu servo: Vem, voltemos. Meu pai poderia não mais pensar nas jumentas e ficar com cuidados por nós.
6. Nesta cidade, disse-lhe o servo, há um homem de Deus, varão muito considerado; tudo o que ele prediz se cumpre. Vamos lá; talvez ele nos mostrará o caminho que devemos tomar.
7. Saul respondeu: Está bem, vamos; mas o que havemos de oferecer-lhe? Nossos alforjes estão vazios, e não temos presente algum para dar ao homem de Deus. O que nos resta?
8. Tenho aqui um quarto de siclo de prata, respondeu o servo; dá-lo-ei ao homem de Deus para que ele nos mostre o caminho.
9. (Antigamente, em Israel, todo o que ia consultar a Deus, dizia: Vinde, vamos ao vidente. Chamava-se então vidente ao que hoje se chama profeta.)
10. Saul disse ao seu servo: Tens razão. Anda, vamos E foram à cidade onde estava o homem de Deus.
11. Subindo eles a encosta da cidade, encontraram umas moças que saíam a buscar água. Há um vidente aqui?, perguntaram-lhes.
12. Sim, responderam elas; ali diante de ti. Apressa-te; ele veio hoje à cidade, porque o povo oferece um sacrifício no lugar alto.
13. Ao entrar na cidade, encontrá-lo-eis seguramente antes que suba ao lugar alto para o festim. O povo não comerá antes que ele chegue, pois ele deverá abençoar o sacrifício; os convidados só comerão depois. Subi, pois; hoje o encontrareis.
14. Subiram à cidade. No momento em que entravam, encontraram Samuel que saía para subir ao lugar alto.
15. Ora, na véspera da chegada de Saul, o Senhor tinha revelado a Samuel:
16. Amanhã, e esta mesma hora, mandar-te-ei um homem da terra de Benjamim, e tu o ungirás para chefe do meu povo de Israel, para que ele livre o povo das mãos dos filisteus. Porque voltei os meus olhos para o meu povo, e o seu clamor chegou até a mim.
17. Quando Samuel viu Saul, Deus disse-lhe: Eis o homem de quem te falei: este reinará sobre o meu povo.
18. Saul aproximou-se de Samuel à porta da cidade e disse-lhe: Rogo-te que me digas onde é a casa do vidente.
19. Sou eu mesmo o vidente, respondeu Samuel; sobe na minha frente ao lugar alto; comereis hoje comigo. Amanhã te deixarei partir, depois de ter revelado a ti tudo o que tens no coração.
20. Quanto às jumentas perdidas há dois ou três dias, não te inquietes por isso, porque já foram encontradas. E de quem será toda a beleza de Israel? Não é porventura tua e de toda a casa de teu pai?
21. Saul respondeu: Eu sou um benjaminita, filho da menor tribo de Israel; e minha família é a menor de todas as famílias de Benjamim. Por que, pois, me falas assim?
22. Samuel, tomando Saul e o seu servo, levou-os para a sala do festim e deu-lhes o primeiro lugar entre os convidados, que eram em número de aproximadamente trinta pessoas.
23. Samuel disse ao cozinheiro: Serve a porção que te dei e que te mandei pôr à parte.
24. Tomou, pois, o cozinheiro a espádua com o que nela havia e a serviu a Saul. Samuel disse: Eis diante de ti a porção que te foi reservada. Come-a; reservei-a para este momento quando convidei o povo. Saul e Samuel comeram juntos naquele dia.
25. Do lugar alto desceram para a cidade e prepararam uma cama para Saul no terraço
26. e ele foi dormir. No dia seguinte, ao romper da aurora, Samuel chamou Saul ao terraço e disse-lhe: Levanta-te, e deixar-te-ei partir. Saul levantou-se e saíram os dois juntos.
27. Quando chegaram aos limites da cidade, Samuel disse a Saul: Dize ao teu servo que passe e vá adiante de nós, e o servo passou adiante; mas tu detém-te aqui para que eu te comunique uma palavra de Deus.

 
Capítulo 10

1. Samuel tomou um pequeno frasco de óleo e derramou-o na cabeça de Saul; beijou-o e disse: O Senhor te confere esta unção para que sejas chefe da sua herança.
2. Quando te apartares hoje de mim, encontrarás dois homens junto do túmulo de Raquel, na terra de Benjamim, em Selsac. Eles te dirão: As jumentas que foste procurar foram encontradas. Teu pai não se inquieta mais por elas, mas tem cuidado por vós, e aflige-se perguntando o que poderá fazer por vós.
3. Seguirás o teu caminho até o carvalho de Tabor, onde se apresentarão a ti três homens que sobem a adorar a Deus em Betel, levando um três cabritos, outro três fatias de pão, e o terceiro um odre de vinho.
4. Depois de te saudarem, dar-te-ão dois pães e tu os receberás de suas mãos.
5. Depois disso, chegarás a Gabaa-Eloim onde se encontra o governador dos filisteus. À entrada da cidade encontrarás um grupo de profetas descendo do lugar alto, precedidos de saltérios, de tímpanos, de flautas e de cítaras, profetizando.
6. O Espírito do Senhor virá também sobre ti, profetizarás com eles e tornar-te-ás um outro homem.
7. Quando vires acontecer todos esses sinais, faze o que a circunstância te ditar, porque Deus estará contigo.
8. Descerás antes de mim a Gálgala; irei ter contigo ali, para oferecer holocaustos e sacrifícios pacíficos. Esperarás sete dias até que eu chegue; então instruir-te-ei sobre o que deverás fazer.
9. Logo que Saul voltou as costas, despedindo-se de Samuel, Deus transformou-lhe o coração. Todos esses sinais se cumpriram no mesmo dia.
10. Chegando ele a Gabaa, veio-lhe ao encontro um grupo de profetas; o Espírito de Deus apoderou-se de Saul e ele pôs-se a profetizar no meio deles.
11. Todos os que o tinham conhecido antes, vendo-o cantar com os profetas, perguntavam uns aos outros: Que aconteceu ao filho de Cis? Porventura também Saul está entre os profetas?
12. Dentre a multidão, alguém perguntou: Quem é o pai dele? De onde o provérbio: Porventura também Saul está entre os profetas?
13. Acabados esses cânticos proféticos, foi Saul para o lugar alto.
14. Seu tio disse-lhe então, e ao seu servo: Aonde fostes? Saul respondeu: À procura das jumentas; mas não as encontramos e, por isso, fomos ter com Samuel.
15. Conta-me, replicou o tio, o que vos disse Samuel.
16. Saul disse-lhe: Declarou-nos que as jumentas tinham já sido encontradas; mas nada lhe contou do que tinha dito o vidente relativamente ao reino.
17. Samuel convocou o povo diante do Senhor, em Masfa:
18. Assim, disse ele aos israelitas, fala o Senhor, Deus de Israel: Eu vos tirei do Egito, livrei-vos das mãos dos egípcios e de todos os reis que vos oprimiam.
19. Vós, porém, rejeitastes hoje o vosso Deus que vos salvou de todos os males e de todas as tribulações, e dissestes: Estabelecei um rei sobre nós. Pois bem: ponde-vos por ordem de tribos e de milhares e apresentai-vos diante do Senhor.
20. Samuel mandou que se aproximassem todas as tribos de Israel, e a tribo de Benjamim foi designada (pela sorte).
21. Mandou vir a tribo de Benjamim por famílias, e a família de Metri foi designada. E a escolha caiu, enfim, sobre Saul, filho de Cis. Procuraram-no, mas não o encontraram.
22. Consultaram então de novo o Senhor: Haverá ainda alguém que tenha vindo aqui? O Senhor respondeu: Ele escondeu-se no meio das bagagens.
23. Correram a buscá-lo e colocaram-no no meio da multidão, a qual ele excedia em altura do ombro para cima.
24. Samuel disse ao povo: Vedes aquele que o Senhor escolheu? Não há em todo o povo quem lhe seja semelhante. E todos o aclamaram, dizendo: Viva o rei!
25. Samuel expôs em seguida ao povo os direitos do rei, consignou-os em um livro que depositou diante do Senhor, e despediu todo o povo, cada um para a sua casa.
26. Saul voltou também para sua casa, em Gabaa, acompanhado de homens valentes, cujos corações tinham sido tocados por Deus.
27. Houve, porém, alguns homens maus que disseram: Que poderá este fazer por nós? Por isso desprezaram-no e não lhe levaram presente algum. Mas Saul não fez caso disso.

 
Capítulo 11

1. Naas, o amonita, pôs-se em campanha e combateu contra Jabes, em Galaad. Os habitantes de Jabes disseram-lhe: Façamos aliança, e nós te serviremos.
2. Mas Naas, o amonita, respondeu-lhes: Só farei aliança convosco com a condição de vos furar a todos o olho direito, para impor assim um opróbrio a todo o Israel.
3. Concede-nos sete dias, disseram-lhe os anciãos de Jabes, para que enviemos mensageiros por toda a terra de Israel; se não houver quem nos ajude, entregar-nos-emos a ti.
4. Foram os mensageiros a Gabaa, cidade de Saul, e contaram isso ao povo, e todo o povo pôs-se a chorar em alta voz.
5. Saul voltava então do campo, atrás dos seus bois. Que tem o povo para chorar dessa forma? disse ele. E referiram-lhe as palavras dos habitantes de Jabes.
6. Ouvindo isso, o Espírito do Senhor apoderou-se de Saul, e ele encolerizou-se.
7. Tomando uma junta de bois, fê-la em pedaços e mandou-os por mão de mensageiros por todo o território de Israel, com este aviso: Assim será feito aos bois de todo aquele que se não puser em campanha com Saul e Samuel. O terror do Senhor apoderou-se do povo e este pôs-se em marcha como um só homem.
8. Saul passou-o em revista em Bezec: havia trezentos mil homens de Israel, e trinta mil de Judá.
9. Disseram aos mensageiros que tinham vindo: Dizei aos habitantes, de Jabes, em Galaad, que amanhã, quando o sol estiver na força do seu calor, serão socorridos. Voltando, deram os mensageiros essa notícia aos habitantes de Jabes, que se alegraram.
10. Esses disseram aos amonitas: Amanhã nos renderemos a vós, e fareis de nós o que vos parecer melhor.
11. No dia seguinte, Saul dividiu o povo em três partes; penetraram ao raiar do dia no acampamento inimigo e feriram os amonitas até que chegou o grande calor do dia. Os que escaparam foram dispersos de tal sorte, que não ficaram dois deles juntos.
12. O povo disse a Samuel: Quem é que disse: Saul não reinará sobre nós? Dai-nos esses homens para que os matemos.
13. Porém, Saul respondeu: Hoje não se matará ninguém, porque é o dia em que o Senhor libertou Israel.
14. Samuel disse ao povo: Vamos a Gálgala, e renovemos ali a realeza.
15. Partiu, pois, todo o povo para Gálgala para ali confirmar Saul, em presença do Senhor, no seu título de rei, e oferecer naquele lugar sacrifícios de ações de graças. E Saul, com todos os israelitas, alegraram-se grandemente.

 
Capítulo 12

1. Samuel disse a todo Israel: Obedeci à vossa voz em tudo o que me pedistes, e estabeleci um rei sobre vós.
2. Agora tendes o rei que vos governará doravante. Quanto a mim, estou velho e encanecido, e meus filhos estão no meio de vós. Estive à vossa frente desde a minha juventude até este dia.
3. Agora, aqui me tendes! Dai testemunho de mim em presença do Senhor e do seu ungido: tomei o boi ou o jumento de alguém? Oprimi ou prejudiquei alguém? Recebi presentes de alguém para fechar os olhos ao seu proceder? Restituirei.
4. Responderam-lhe: Tu não nos prejudicaste, nem nos oprimiste, nem recebeste coisa alguma da mão de ninguém.
5. Samuel replicou: O Senhor é testemunha contra vós, e também o seu ungido, de que vós não encontrastes coisa alguma nas minhas mãos. Sim, eles são testemunhas, responderam eles.
6. Samuel disse ao povo: É, pois, testemunha o Senhor que estabeleceu Moisés e Aarão, e tirou os vossos pais do Egito.
7. Agora, apresentai-vos. Vou pleitear convosco diante do Senhor a respeito de todos os benefícios que ele vos concedeu a vós e a vossos pais.
8. Depois que Jacó entrou no Egito, vossos pais invocaram o Senhor, e o Senhor enviou Moisés e Aarão para os tirar do Egito e colocá-los neste lugar.
9. Mas esqueceram-se do Senhor, seu Deus, e ele os entregou nas mãos de Sísara, general do exército de Hazor, nas mãos dos filisteus e na mão do rei de Moab, os quais combateram contra eles.
10. Depois clamaram ao Senhor, dizendo: Pecamos, porque abandonamos o Senhor para servir aos Baal e às Astarot: agora livrai-nos das mãos de nossos inimigos, e nós vos serviremos.
11. O Senhor enviou Jerobaal, Badã, Jefté e Samuel, para salvar-vos das mãos dos inimigos que vos cercavam, a fim de habitantes em segurança nas vossas casas.
12. Mas quando vistes Naas, rei dos amonitas, marchar contra vós, dissestes-me: Não! Um rei nos governará!, quando o Senhor, nosso Deus, era o vosso rei.
13. Eis, pois, o rei que escolhestes e pedistes. O Senhor estabeleceu-o sobre vós.
14. Esteja em vós o temor ao Senhor, para o servirdes, e obedecerdes à sua voz e não vos rebelardes contra as suas vontades! Que vós sejais, vós e o vosso rei, dóceis ao Senhor, vosso Deus.
15. Mas se não ouvirdes a sua voz, e vos revoltardes contra as suas ordens, a mão do Senhor pesará sobre vós como pesou sobre vossos pais.
16. Agora, ficai ainda um pouco aqui para assistirdes ao prodígio que o Senhor vai realizar aos vossos olhos.
17. Não é porventura agora a sega do trigo? Vou invocar o Senhor e ele fará trovejar e chover. Compreendereis então que fizestes mal aos seus olhos pedindo um rei.
18. Samuel pôs-se em oração e o Senhor mandou no mesmo instante trovões e chuva; todo o povo temeu grandemente ao Senhor e a Samuel.
19. E disseram todos a Samuel: Roga pelos teus servos ao Senhor, teu Deus, para que não morramos, porque a todos nossos pecados ajuntamos o mal de pedirmos um rei.
20. Não temais, respondeu Samuel. O mal está feito; agora não vos desvieis do Senhor e servi-o de todo o vosso coração.
21. Não vos afasteis dele para seguintes coisas vãs, que não salvam nem livram, porque são vãs.
22. O Senhor, por causa do seu grande nome, não abandonará o seu povo, porque foi do seu agrado fazer de vós uma nação.
23. Longe de mim também esse pecado contra o Senhor de cessar de orar por vós! Eu vos mostrarei o caminho bom e reto.
24. Temei, pois, ao Senhor e servi-o em verdade e de todo o vosso coração, considerando as maravilhas que ele fez por vós.
25. Se, porém, fizerdes o mal, perecereis vós e o vosso rei.

 
Capítulo 13

1. Saul tinha… anos quando se tornou rei. Ele reinou… dois anos sobre Israel.
2. Saul escolheu para si três mil israelitas: dois mil para ficar com ele em Macmas e no monte Betel, e mil com Jônatas em Gabaa de Benjamim. Quanto ao resto do povo, mandou que fosse cada um para a sua tenda.
3. Jônatas destruiu a guarnição dos filisteus de Guibea. E souberam-no os filisteus. Saul mandou por toda a terra tocar a trombeta, dizendo: Saibam-no os hebreus.
4. Todo o Israel ouviu esta notícia: Saul bateu a guarnição dos filisteus, e Israel atraiu sobre si o ódio deles. O povo foi convocado diante de Saul em Gálgala.
5. Juntaram-se os filisteus para combater contra Israel, com três mil carros, seis mil cavaleiros e uma multidão tão numerosa como a areia na praia do mar. Partiram e acamparam em Macmas, ao oriente de Bet-Aven.
6. Os israelitas, vendo o aperto em que se achavam, porque estavam cercados de perto, ocultaram-se nas cavernas, nos matos, nos rochedos, nos fortins e nas cisternas.
7. Vários deles atravessaram o Jordão e foram para a terra de Gad e de Galaad. Saul, entretanto, estava ainda em Gálgala, com todo o seu povo, que tremia de medo.
8. Esperou sete dias, prazo fixado por Samuel, mas este não chegava, e o povo começou a afastar-se.
9. Então Saul disse: Trazei-me o holocausto e os sacrifícios pacíficos. E ofereceu o holocausto.
10. Apenas acabava de o oferecer, chegou Samuel, e Saul saiu-lhe ao encontro para o saudar.
11. Que fizeste?, disse Samuel. Vendo que o povo se dispersava e que tu não chegavas no tempo fixado, e que os filisteus se tinham juntado em Macmas,
12. pensei comigo: Agora eles vão cair sobre mim em Gálgala, sem que eu tenha aplacado o Senhor. Por isso ofereci eu mesmo o holocausto.
13. Samuel replicou-lhe: Procedeste insensatamente, não observando o mandamento que te deu o Senhor, teu Deus, que estava pronto a confirmar para sempre o teu trono sobre Israel.
14. Agora o teu reino não subsistirá. O Senhor escolheu para si um homem segundo o seu coração e o fará chefe de seu povo, porque não observaste as suas ordens.
15. E Samuel partiu, subindo de Gálgala a Gabaa de Benjamim. Quanto a Saul, passando em revista o povo que estava com ele, achou que havia cerca de seiscentos homens.
16. Saul, Jônatas, seu filho, e o povo que tinha ficado com eles, postaram-se em Gabaa de Benjamim, enquanto os filisteus acampavam em Macmas.
17. Três destacamentos saíram do acampamento dos filisteus com o intuito de saquear: um tomou o caminho de Efra, para a terra de Saul;
18. o outro avançou pelo caminho de Bet-Horon; e o terceiro foi pelo caminho da fronteira que domina o vale de Seboim, do lado do deserto.
19. Ora, não se encontrava um ferreiro em toda a terra de Israel, porque os filisteus diziam: Não deixemos que os hebreus fabriquem espadas ou lanças.
20. E por isso todos os israelitas tinham que descer aos filisteus para afiar cada um a sua relha, o enxadão, o machado ou a foice,
21. quando o fio das relhas, dos enxadões, dos forcados ou das cunhas se embotava, e para aguçar os aguilhões.
22. E chegando o dia do combate, não se encontrou nem espada, nem lança nas mãos do povo que acompanhava Saul e Jônatas. Somente Saul e seu filho Jônatas estavam munidos dessas armas.
23. Um grupo de filisteus tinha-se postado no desfiladeiro de Macmas.

 
Capítulo 14

1. Um dia, Jônatas, filho de Saul, disse ao seu escudeiro: Vem, passemos até ao acampamento dos filisteus que está do outro lado. Mas nada disse ao seu pai.
2. Saul estava acampado na extremidade de Gabaa, debaixo da romãzeira de Magron, com uma tropa de seiscentos homens aproximadamente.
3. Aquias, filho de Aquitob, irmão de lcabod, filho de Finéias, filho de Heli, o sacerdote do Senhor em Silo, levava o efod. O povo ignorava a saída de Jônatas.
4. Ora, no desfiladeiro que Jônatas tentava atravessar para atingir a guarnição dos filisteus, havia rochedos altos, em forma de dentes, de um e outro lado, um dos quais se chamava Boses e o outro Sene.
5. Um desses se elevava ao norte, defronte de Macmas, e o outro ao sul, do lado de Gabaa.
6. Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, ataquemos a guarnição desses incircuncisos; talvez o Senhor combaterá por nós. Nada impede que ele dê a vitória a poucos tão bem como a muitos.
7. Seu escudeiro respondeu-lhe: Faze como te aprouver; vai aonde quiseres, que eu te seguirei aonde deliberares.
8. Pois bem, replicou Jônatas; marchemos contra esses homens e mostremos-nos a eles.
9. Se nos disserem: Esperai até que vamos ter convosco, ficaremos em nosso posto, e não subiremos a eles.
10. Se, porém, nos disserem: Subi a nós – iremos, porque o Senhor no-los terá entregue nas mãos. Isso nos servirá de sinal.
11. Então, mostraram-se ambos à guarnição dos filisteus. Estes disseram: Eis os hebreus que saem das cavernas onde se tinham escondido.
12. E os homens da guarda gritaram a Jônatas e ao escudeiro: Subi a nós; queremos dizer-vos uma coisa. Jônatas disse ao escudeiro: Segue-me, porque o Senhor os entregou nas mãos de Israel.
13. Subiu, pois, Jônatas, trepando com as mãos e com os pés, seguido do escudeiro. Os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro matava-os atrás dele.
14. Esse foi o primeiro massacre que fizeram Jônatas e o seu escudeiro, metade de uma jeira de terra.
15. Espalhou-se o terror no acampamento dos filisteus, assim como na região e entre todo o povo. A guarnição e os saqueadores ficaram tomados de espanto, e a terra ficou em pânico: pois aquilo era como um terror de Deus.
16. As sentinelas de Saul que estavam em Gabaa de Benjamim, viram a multidão de fugitivos que se dispersava por todos os lados.
17. Saul disse ao povo: Fazei uma chamada e vede quem saiu dentre nós. Fez-se a chamada e verificou-se a falta de Jônatas e de seu escudeiro.
18. Saul disse a Aquias: Faze aproximar a arca de Deus. (Porque a arca de Deus se encontrava naquele dia com os israelitas.)
19. Enquanto Saul falava ao sacerdote, o tumulto no acampamento dos filisteus crescia cada vez mais. Saul disse ao sacerdote: Retira a tua mão.
20. O rei e todo o povo que estavam com ele foram até o lugar do combate: os filisteus, numa extrema confusão, voltavam a espada uns contra os outros.
21. Os hebreus que tinham estado desde há muito tempo com os filisteus, e que os tinham seguido ao acampamento, voltaram e puseram-se do lado dos israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
22. Igualmente todos os israelitas que se tinham escondido no monte de Efraim, sabendo que os filisteus tinham fugido, saíram a persegui-los para os ferir.
23. Naquele dia, o Senhor deu a vitória a Israel. O combate prosseguiu até além de Bet-Aven.
24. Os israelitas estavam extenuados naquele dia, porque Saul conjurara o povo, dizendo: Maldito seja o homem que tomar alimento antes do anoitecer, antes que eu me tenha vingado de meus inimigos. Por isso ninguém tinha comido.
25. Todos tinham entrado numa floresta, onde havia mel na superfície do solo.
26. o povo entrou, pois, na floresta e viu o mel que corria, mas ninguém levou a mão à boca, por respeito ao juramento.
27. Mas Jônatas, ignorando o juramento que o seu pai obrigara o povo a fazer, estendeu a ponta da vara que tinha na mão, mergulhou-a num favo de mel e o levou à boca. Então seus olhos (fatigados) brilharam.
28. Um homem do grupo disse-lhe: Teu pai fez jurar o povo, dizendo: Maldito o homem que hoje tomar alimento. E o povo estava esgotado.
29. Jônatas disse: Meu pai fez mal à terra. Vede como se me iluminaram os olhos, porque comi um pouco de mel.
30. Ah! se o povo tivesse hoje comido da presa tomada ao inimigo, não teria sido muito maior a derrota dos filisteus?
31. Eles bateram, naquele dia, os filisteus desde Macmas até Ajalon.
32. O povo, esgotado de fadiga, lançou-se sobre a presa e tomou as ovelhas, os bois e os bezerros, que degolou sobre a terra, comendo a carne juntamente com o sangue.
33. Eis que o povo está pecando contra o Senhor, vieram dizer a Saul, comendo carne com sangue. Isso é uma impiedade, exclamou o rei; revolvei-me já para aqui uma grande pedra.
34. Ide por todo o povo, ajuntou, e dizei-lhes que cada um me traga as suas ovelhas e os seus bois, para que sejam degolados aqui. Comê-los-eis então, sem pecar contra o Senhor, comendo carne com sangue. Cada um deles levou naquela noite o gado que tinha em mãos e o degolou ali.
35. Saul edificou um altar ao Senhor. Este foi o primeiro altar que ele levantou.
36. Depois Saul disse: Desçamos durante a noite contra os filisteus e despojemo-los até os primeiros albores do dia e não deixemos vivo um só homem deles. O povo disse: Faze tudo o que melhor te parecer. Então o sacerdote disse: Aproximemo-nos aqui de Deus.
37. Saul consultou a Deus: Perseguirei os filisteus? Entregá-los-eis nas mãos de Israel? Mas Deus não lhe respondeu dessa vez.
38. Saul disse: Fazei vir aqui todos os chefes do povo; investigar e dizei-me qual é o pecado que hoje se cometeu.
39. Pela vida do Senhor, libertador de Israel! Mesmo que fosse o meu filho Jônatas, ele morrerá! Mas ninguém na multidão lhe respondeu.
40. Ponde-vos de um lado, disse ele a todo o Israel; eu e meu filho Jônatas estaremos do outro. A multidão respondeu-lhe: Faze o que te parecer melhor.
41. Saul disse ao Senhor: Deus de Israel, dai-nos a conhecer a verdade! Jônatas e Saul foram designados pela sorte, e o povo ficou livre.
42. Então Saul disse: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E caiu a sorte em Jônatas.
43. Confessa-me o que fizeste, disse Saul ao seu filho. Jônatas contou-lhe: Provei um pouco de mel com a ponta da vara que eu. tinha na mão. Eis que vou morrer!
44. Saul disse: Trate-me Deus com todo o rigor, se não morreres, Jônatas!
45. Mas o povo interveio: Como haveria de perecer Jônatas, ele que deu essa vitória tão grande a Israel? Isso não pode ser! Viva Deus! Nem um só cabelo de sua cabeça cairá por terra, porque foi por Deus que ele operou hoje dessa forma. Assim o povo salvou Jônatas, e ele não morreu.
46. Saul voltou e não perseguiu os filisteus, que foram para as suas terras.
47. Saul, depois de ter tomado posse do reino de Israel, combateu contra todos os inimigos da vizinhança: Moab, os amonitas, Edom, os reis de Soba, os filisteus; para onde quer que se voltava, ele vencia.
48. Portou-se valorosamente, feriu Amalec e livrou Israel das mãos dos que o devastavam.
49. Os filhos de Saul foram Jônatas, Jessui e Melquisua; a primogênita de suas duas filhas chamava-se Merob, a mais nova Micol.
50. Sua mulher chamava-se Aquinoã, filha de Aquimaas. O general de seu exército era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
51. Cís, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
52. Durante todo o tempo da vida de Saul a guerra foi encarniçada contra os filisteus. O rei, logo que descobria um homem forte e valente, tomava-o a seu serviço.

 
Capítulo 15

1. Samuel disse a Saul: O Senhor enviou-me para que te consagrasse rei de seu povo de Israel. Ouve agora o que diz o Senhor.
2. Assim fala o Senhor dos exércitos: Vou pedir contas a Amalec do que ele fez a Israel, opondo-se-lhe no caminho, quando saiu do Egito.
3. Vai, pois, fere Amalec e vota ao interdito tudo o que lhe pertence, sem nada poupar: matarás homens e mulheres, crianças e meninos de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.
4. Saul comunicou isso ao povo e fez o seu recenseamento em Telaim: havia duzentos mil homens de Israel e dez mil de Judá.
5. Saul avançou até a cidade de Amalec e pôs-se de emboscada no vale.
6. Disse aos cineus: Retirai-vos, separai-vos dos amalecitas, não suceda que eu vos envolva com eles (no massacre), porque tratastes bem os israelitas quando saíram do Egito. E os cineus separaram-se dos amalecitas.
7. Saul bateu os amalecitas desde Hévila até Sur, que está ao oriente do Egito.
8. Tomou vivo Agag, rei de Amalec, e votou todo o povo ao interdito, passando-o ao fio da espada.
9. Mas Saul e seus homens pouparam a Agag assim como o melhor do rebanho miúdo e do grande, os animais cevados e os cordeiros, e tudo o que havia de melhor; não quiseram votá-los ao interdito. Só exterminaram o que era ordinário e sem valor.
10. O Senhor disse a Samuel:
11. Arrependo-me de ter feito rei a Saul; ele se desviou de mim e não executou as minhas ordens. Samuel irritou-se com isso, e clamou ao Senhor durante toda a noite.
12. Na manhã seguinte, indo ao encontro de Saul, alguém veio dizer-lhe: Saul chegou ao Carmelo e erigiu ali uma estela, retomando em seguida o seu caminho para Gálgala.
13. Samuel foi ter com ele; Saul disse-lhe: Deus te abençoe! Cumpri, a ordem do Senhor.
14. Samuel disse-lhe: Mas que balidos de ovelhas são esses que ressoam aos meus ouvidos, e esses mugidos de gado que ouço?
15. É a presa tomada aos amalecitas, respondeu Saul. O povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois para os sacrificar ao Senhor, teu Deus; o resto, votamo-lo ao interdito.
16. Samuel disse-lhe: Basta! vou cientificar-te do que o Senhor me disse esta noite. Fala, disse Saul.
17. E Samuel: Por pequeno que foste aos teus próprios olhos, acaso não te tornaste o chefe das tribos de Israel, e não te consagrou o Senhor, rei de Israel?
18. O Senhor te havia dado uma ordem, e te havia dito que votasses ao interdito esses pecadores, os amalecitas, combatendo-os até o completo extermínio.
19. Por que não ouviste a sua voz? Por que te lançaste sobre os despojos fazendo o mal aos olhos do Senhor.?
20. Mas eu obedeci à voz do Senhor, replicou Saul; fui pelo caminho que ele me traçou, trouxe Agag, rei de Amalec, e votei ao interdito os amalecitas.
21. O povo somente tomou dos despojos algumas ovelhas e bois, à guisa de primícias do interdito, para os sacrificar ao Senhor, teu Deus, em Gálgala.
22. Samuel replicou-lhe: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros.
23. A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a palavra do Senhor, também ele te rejeita e te despoja da realeza!
24. Saul disse: Pequei! Transgredi a ordem do Senhor e as tuas instruções, pois tive medo do povo e ouvi a sua voz.
25. Agora, peço-te, perdoa o meu pecado, e volta comigo para que eu adore o Senhor.
26. Não voltarei contigo!, exclamou Samuel. Rejeitaste a palavra do Senhor, por isso o Senhor te rejeita, e não quer mais que sejas rei de Israel.
27. Samuel voltou-se e ia-se retirando, mas Saul agarrou-o pela ponta do manto, o qual se rasgou.
28. Samuel disse-lhe: Assim o Senhor arranca hoje de ti a realeza sobre Israel, a fim de dá-la a outro melhor do que tu.
29. Aquele que é a verdade de Israel não mente, nem se arrepende, pois não é um homem para se arrepender.
30. Saul respondeu: Pequei, mas rogo-te que (continues) a honrar-me na presença. dos anciãos de meu povo e diante de Israel. Volta comigo, para eu adorar o Senhor, teu Deus!
31. Samuel voltou, pois, com o rei, e este adorou o Senhor.
32. Samuel disse: Trazei-me Agag, rei de Amalec. Aproximou-se Agag, cheio de alegria, dizendo: Certamente passou a amargura da morte!
33. Tua espada, disse-lhe Samuel, privou as mulheres de seus filhos; agora, é tua mãe que será uma mulher sem filho. E Samuel fê-lo em pedaços diante do Senhor, em Gálgala.
34. Depois disso Samuel retirou-se para Ramá, e Saul voltou para a sua casa em Gabaa de Saul.
35. O profeta não tornou mais a ver Saul até o dia de sua morte.
36. Samuel afligia-se por causa de Saul, por se ter o Senhor arrependido de tê-lo feito rei de Israel.

 
Capítulo 16

1. O Senhor disse-lhe: Até quando chorarás tu Saul, tendo-o eu rejeitado da realeza de Israel? Enche o teu corno de óleo. Vai; envio-te a Isaí de Belém, porque escolhi um rei entre os seus filhos.
2. Samuel respondeu: Como hei de ir? Se Saul souber, matar-me-á. O Senhor disse: Levarás contigo uma novilha e dirás que vais oferecer um sacrifício ao Senhor.
3. Convidarás Isaí ao sacrifício, e eu te mostrarei o que deverás fazer. Ungirás para mim aquele que eu mandar.
4. Fez Samuel como o Senhor queria. Ao chegar a Belém, os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, inquietos: É de paz a tua vinda?, perguntaram-lhe.
5. Sim, disse ele; venho oferecer um sacrifício ao Senhor; purificai-vos para a cerimônia. Ele mesmo purificou Isaí e seus filhos e os convidou ao sacrifício.
6. Logo que entraram, Samuel viu Eliab e pensou consigo: Certamente é esse o ungido do Senhor.
7. Mas o Senhor disse-lhe: Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração.
8. Isaí chamou Abinadab e fê-lo passar diante de Samuel. Não é tampouco este, pensou Samuel, que o Senhor escolheu.
9. Isaí fez passar Sama. Não é ainda este que escolheu o Senhor, pensou Samuel.
10. Isaí mandou vir assim os seus sete filhos diante do profeta, que lhe disse: O Senhor não escolheu nenhum deles.
11. E ajuntou: Estão aqui todos os teus filhos? Resta ainda o mais novo, confessou Isaí, que está .pastoreando as ovelhas. Samuel ordenou a Isaí: Manda buscá-lo, pois não nos poremos à mesa antes que ele esteja aqui.
12. E Isaí mandou buscá-lo. Ele era louro, de belos olhos e mui formosa aparência. O Senhor disse: Vamos, unge-o: é ele.
13. Samuel tomou o corno de óleo e ungiu-o no meio dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. Samuel, porém, retomou o caminho de Ramá.
14. O Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e um espírito mau veio sobre ele, enviado pelo Senhor.
15. Os homens de Saul disseram-lhe: Eis que um mau espírito de Deus veio sobre ti.
16. Que nosso senhor ordene, e teus servos aqui presentes procurarão um homem que saiba tocar harpa e, quando o mau espírito de Deus estiver sobre ti, ele tocará o instrumento para acalmar-te.
17. Está bem, respondeu Saul, procurai-me um bom músico e trazei-mo.
18. Um dos servos declarou: Conheço um filho de Isaí de Belém que sabe tocar muito bem: é valente e forte, fala bem, tem um belo rosto, e o Senhor está com ele.
19. Saul mandou mensageiros a Isaí, para dizer-lhe: Manda-me o teu filho Davi, o pastor.
20. Isaí tomou um jumento carregado com pão, um odre de vinho e um cabrito, e mandou esses presentes a Saul, por seu filho.
21. Davi chegou à casa do rei e apresentou-se a ele. Saul afeiçoou-se a Davi e o fez seu escudeiro.
22. Mandou então dizer a Isaí: Peço-te que deixes Davi a meu serviço, porque ele me é simpático.
23. E sempre que o espírito mau de Deus acometia o rei, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava.

 
Capítulo 17

1. Mobilizaram os filisteus as suas tropas para a guerra e concentraram-se em Soco, em Judá. Acamparam entre Soco e Azeca, em Efes-Domim.
2. Saul e os israelitas mobilizaram-se de seu lado e acamparam no vale do Terebinto, pondo-se em linha de combate contra os filisteus.
3. Estes estavam num lado da montanha e Israel na colina defronte; o vale os separava.
4. Saiu do acampamento dos filisteus um campeão chamado Golias, de Get, cujo talhe era de seis côvados e um palmo.
5. Trazia na cabeça um capacete de bronze e no corpo uma couraça de escamas, cujo peso era de cinco mil siclos de bronze.
6. Tinha perneiras de bronze e um dardo de bronze entre os ombros.
7. O cabo de sua lança era como o cilindro de um tear, e sua ponta pesava seiscentos siclos de ferro. Um escudeiro o precedia.
8. Apresentou-se ele diante das tropas israelitas e gritou-lhes: Por que viestes dispostos a uma batalha? Não sou eu filisteu, e vós os escravos de Saul? Escolhei entre vós um homem que desça contra mim.
9. Se ele me vencer, batendo-se comigo, e matar-me, seremos vossos escravos; mas, se eu o vencer e o matar, então sois vós que sereis nossos escravos e nos servireis!
10. E ajuntou: Lanço hoje este desafio ao exército de Israel: dai-me um homem para lutarmos juntos!
11. Saul e todo o Israel ouviram essas palavras do filisteu, e ficaram consternados, cheios de medo.
12. Ora, Davi era um dos oito filhos de um efrateu de Belém de Judá, chamado Isaí, já idoso no tempo de Saul.
13. Seus três filhos mais velhos tinham seguido Saul na guerra. Chamavam-se: o primogênito Eliab, Abinadab o segundo e o terceiro Sama.
14. Davi era o mais novo. Os três mais velhos estavam com Saul,
15. e Davi ora ia ao acampamento de Saul, ora voltava para apascentar o rebanho de seu pai em Belém.
16. O filisteu aproximava-se pela manhã e pela tarde, e isso por quarenta dias seguidos.
17. Um dia, disse Isaí ao seu filho Davi: Toma para teus irmãos um efá de grão torrado e estes dez pães, e apressa-te a levá-los aos teus irmãos no acampamento.
18. Entrega estes dez queijos ao chefe dos mil. Informa-te se teus irmãos vão bem e traze algo de sua parte como prova.
19. Eles estavam com Saul e todos os homens de Israel no vale do Terebinto, em guerra com os filisteus.
20. No dia seguinte pela manhã, Davi, confiando o rebanho a um pastor, tomou sua bagagem e partiu, como lhe ordenara Isaí. Chegou ao acampamento no momento em que saía o exército para a batalha, levantando o grito de guerra.
21. Israel e os filisteus puseram-se em linha de combate, tropa contra tropa.
22. Davi entregou sua carga ao guarda das bagagens e correu às fileiras para informar-se de seus irmãos.
23. Enquanto lhes falava, eis que o campeão filisteu, Golias, de Get, avançou para fora das fileiras do seu exército, proferindo o mesmo desafio (como nos dias precedentes), que Davi escutou.
24. Todo o Israel recuava à vista do homem, tremendo de medo.
25. Vedes, diziam eles, esse homem que avança? Ele vem insultar Israel. Aquele que o matar, o rei o cumulará de favores, dar-lhe-á sua filha e isentará de impostos em Israel a casa de seu pai.
26. Davi perguntou aos que estavam perto dele: Que será feito àquele que ferir esse filisteu e tirar o opróbrio que pesa sobre Israel? E quem é esse filisteu incircunciso para insultar desse modo o exército do Deus vivo?
27. E deram-lhe a mesma resposta: Dar-se-á isto e isto a quem o ferir.
28. Eliab, seu irmão mais velho, ouvindo-o falar assim, encolerizou-se: Por que vieste aqui? Com quem deixaste tuas ovelhas no deserto? Conheço a tua pretensão e a tua má índole; foi para ver a batalha que vieste!
29. Que fiz eu de mal?, respondeu Davi. Nada mais fiz que uma simples pergunta!
30. E afastou-se de seu irmão, indo perguntar a outros, dos quais obteve sempre as mesmas respostas.
31. As palavras de Davi foram ouvidas e comunicadas a Saul, que o mandou vir à sua presença.
32. Davi disse-lhe: Ninguém desanime por causa desse filisteu! Teu servo irá combatê-lo.
33. Combatê-lo, tu?!, exclamou o rei. Não é possível. Não passas de um menino e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade.
34. Davi respondeu a Saul: Quando o teu servo apascentava as ovelhas do seu pai e vinha um leão ou um urso roubar uma ovelha do rebanho,
35. eu o perseguia e o matava, tirando-lhe a ovelha da boca. E se ele se levantava contra mim, agarrava-o pela goela e estrangulava-o.
36. Assim como o teu servo matou o leão e o urso, assim fará ele a esse filisteu incircunciso, que insultou os exércitos do Deus vivo.
37. O Senhor, acrescentou, que me salvou das garras do leão e do urso, salvar-me-á também das mãos desse filisteu. Vai, disse Saul a Davi; e que o Senhor esteja contigo!
38. O rei revestiu Davi com sua armadura, pôs-lhe na cabeça um capacete de bronze e armou-o de uma couraça.
39. Davi cingiu a espada de Saul por cima de sua armadura e tentou andar com aquela equipagem inusitada. Mas disse a Saul: Não posso andar com isso, pois não estou habituado!
40. E, tirando a armadura, tomou seu cajado e escolheu no regato cinco pedras lisas, pondo-as no alforje de pastor que lhe servia de bolsa. Em seguida, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu.
41. De seu lado, o filisteu, precedido de seu escudeiro, aproximou-se de Davi,
42. mediu-o com os olhos, e, vendo que era jovem, louro e de delicado aspecto, desprezou-o.
43. Disse-lhe: Sou eu porventura um cão, para vires a mim com um cajado? E amaldiçoou-o em nome de seus deuses.
44. Vem, continuou ele, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!
45. Davi respondeu: Tu vens contra mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos exércitos, do Deus das fileiras de Israel, que tu insultaste.
46. Hoje o Senhor te entregará nas minhas mãos, e eu te matarei, cortar-te-ei a cabeça, e darei os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra. Toda a terra saberá que há um Deus em Israel;
47. e toda essa multidão saberá que não é com a espada nem com a lança que o Senhor triunfa, pois a batalha é do Senhor, e ele vos entregou em nossas mãos!
48. Levantou-se o filisteu e marchou contra Davi. Davi também correu para a linha inimiga ao encontro do filisteu.
49. Meteu a mão no alforje, tomou uma pedra e arremessou-a com a funda, ferindo o filisteu na fronte. A pedra penetrou-lhe na fronte, e o gigante caiu com o rosto por terra.
50. Assim venceu Davi o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E como não tinha espada na mão,
51. correu ao filisteu, subiu-lhe em cima, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu campeão, os filisteus fugiram.
52. Os homens de Israel e de Judá levantaram-se então, soltando gritos de guerra, e perseguiram os inimigos até a entrada de Get e até as portas de Acaron. Os cadáveres dos filisteus juncavam o caminho desde Saraim até Get e até Acaron.
53. Voltando da perseguição, os israelitas saquearam o acampamento dos inimigos.
54. Davi tomou a cabeça do filisteu e mandou levá-la para Jerusalém. Conservou, porém, em sua própria tenda a armadura de Golias.
55. Quando Saul viu Davi partir ao encontro do filisteu, disse a Abner, seu general: De quem é filho esse jovem, Abner? Por tua vida, ó rei, respondeu Abner, não o sei.
56. Disse-lhe o rei: Informa-te, pois, de quem é filho esse jovem.
57. E quando voltou Davi, depois de ter matado o filisteu, levou-o Abner à presença de Saul, tendo ainda na mão a cabeça de Golias.
58. Saul perguntou-lhe: Quem é o teu pai, ó jovem? Eu sou filho de Isaí de Belém, teu servo, respondeu Davi.

 
Capítulo 18

1. Tendo Davi acabado de falar com Saul, a alma de Jônatas apegou-se à alma de Davi, e Jônatas começou a amá-lo como a si mesmo.
2. Naquele mesmo dia Saul o reteve em sua casa e não o deixou voltar para a casa de seu pai.
3. Jônatas fez um pacto com Davi, que ele amava como a si mesmo.
4. Tirou o seu manto, deu-o a Davi, bem como a sua armadura, sua espada, seu arco e seu cinto.
5. Saul incumbiu Davi de diversas missões, e todas foram muito frutuosas. Colocou-o à frente dos seus guerreiros, e ele ganhou a simpatia de todo o povo, inclusive dos servos do rei.
6. Voltando o exército, depois de Davi ter matado o filisteu, de todas as cidades de Israel saíam as mulheres ao encontro do rei Saul, cantando e dançando alegremente, ao som de tamborins e címbalos.
7. E enquanto dançavam, diziam umas às outras: Saul matou seus milhares, e Davi seus dez milhares.
8. Saul irritou-se em extremo, e desagradou-lhe tal coisa. Dão dez mil a Davi, disse ele, e a mim apenas mil! Só lhe falta a coroa!
9. E a partir daquele dia, Saul olhou Davi com maus olhos.
10. No dia seguinte, apoderou-se dele o mau espírito de Deus, e teve um acesso de delírio em sua casa. Como nos outros dias, Davi pôs-se a tocar a cítara.
11. Saul, que tinha uma lança na mão, arremessou-a contra Davi, dizendo: Vou cravá-lo na parede! Mas Davi se desviou do golpe por duas vezes.
12. Saul temia Davi, porque o Senhor estava com o jovem, e tinha-se retirado dele.
13. Afastou-o então de si, estabelecendo-o chefe de mil homens, à frente dos quais Davi empreendia as suas expedições.
14. Saía-se bem em todas as suas empresas, porque o Senhor estava com ele.
15. Saul, vendo-o tão engenhoso, teve medo dele.
16. Mas todos em Israel e Judá o amavam, porque ele entrava e saía diante deles.
17. Saul disse a Davi: Eis minha filha mais velha, Merab, que eu te darei por mulher, contanto que sejas valoroso e combatas nas guerras do Senhor. Saul pensava: Não é bom que o fira a minha mão, mas antes a dos filisteus.
18. Davi respondeu: Quem sou eu? E o que é a minha vida ou a família de meu pai em Israel, para que me torne genro do rei?
19. Ora, tendo chegado o tempo em que Merab, filha de Saul, devia ser dada a Davi, deram-na em casamento a Hadriel, o molatita.
20. Ora, Micol, filha de Saul, amava Davi. E contaram-no a Saul, que se alegrou com isso.
21. Vou dar-lhe Micol, pensava Saul, para que ela lhe seja uma armadilha, e ele caia na mão dos filisteus. Saul disse, pois, a Davi pela segunda vez: Agora vais tornar-te meu genro.
22. E ordenou aos seus servos que dissessem em segredo a Davi: O rei afeiçoou-se a ti e todos os seus servos te amam. Torna-te genro do rei.
23. Os servos de Saul repetiram essas palavras aos ouvidos de Davi, mas este respondeu: Parece-vos pouca coisa ser genro do rei? Eu sou pobre e de condição humilde.
24. Os servos de Saul referiram-lhe as palavras de Davi.
25. Dir-lhe-eis, respondeu Saul, que o rei só pede como dote cem prepúcios de filisteus, para vingar-se dos seus inimigos. Seu desígnio era entregar Davi nas mãos dos filisteus.
26. Transmitiram os servos a Davi essa mensagem, o qual se agradou da proposta de tornar-se genro do rei.
27. Antes que expirasse o termo fixado, Davi partiu com seus homens; matou duzentos filisteus e trouxe os seus prepúcios, entregando-os integralmente ao rei, para se tornar seu genro. Saul deu-lhe por mulher sua filha Micol.
28. Ele compreendeu que o Senhor estava com Davi. Sua filha Micol o amava.
29. O rei sentiu com isso redobrar o seu medo. Durante todo o resto de sua vida ele detestou Davi.
30. Cada vez que os chefes dos filisteus faziam incursões, Davi era mais bem-sucedido que todos os homens de Saul, o que deu ao seu nome grande fama.

 
Capítulo 19

1. Saul falou ao seu filho Jônatas e a todos os servos, ordenando-lhes que matassem Davi. Mas Jônatas, que tinha grande afeição por Davi,
2. preveniu-o disso: Saul, meu pai, procura matar-te. Está de sobreaviso amanhã cedo; esconde-te.
3. Sairei em companhia de meu pai ao campo onde estiveres. Falar-lhe-ei de ti, para ver o que ele diz, e te avisarei depois.
4. Jônatas falou bem de Davi ao seu pai, e ajuntou: Que o rei não faça mal algum ao seu servo Davi, pois que ele nunca te fez mal algum. Ao contrário, prestou-te grandes serviços.
5. Arriscou a sua vida para matar o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a Israel. Foste testemunha disso e te alegraste. Por que queres pecar contra o sangue inocente, matando Davi sem motivo?
6. Saul ouviu a voz de Jônatas, e fez este juramento: Pela vida do Senhor, Davi não morrerá!
7. Então Jônatas chamou Davi e contou-lhe tudo isso. Levou-o em seguida a Saul, para que ele retomasse o seu lugar como dantes.
8. Tendo recomeçado a guerra, marchou Davi contra os filisteus, combatendo-os e infligindo-lhes uma grande derrota, e eles fugiram diante dele.
9. O mau espírito do Senhor, porém, veio novamente sobre Saul. Estava ele sentado em sua casa, com a lança na mão; Davi tocava a cítara.
10. Saul, então, arremessou-lhe a lança, procurando cravá-lo na parede; Davi desviou-se e a lança foi cravar-se na parede. Davi esquivou-se e fugiu naquela mesma noite.
11. Ora, mandou o rei emissários à casa de Davi, para terem-no seguro e assassiná-lo pela manhã. Mas Micol, mulher de Davi, disse-lhe: Se não fugires esta noite, amanhã serás um homem morto.
12. Fê-lo, pois, descer pela janela, e ele fugiu são e salvo.
13. Micol tomou o terafim, meteu-o na cama, colocou-lhe em redor da cabeça uma cobertura de pele de cabra, e cobriu tudo com um manto.
14. Quando chegaram os enviados de Saul para prender Davi, ela disse-lhes: Ele está doente.
15. Saul mandou-os de novo, com ordem de vê-lo, dizendo: Trazei-mo com sua cama, e eu o matarei.
16. Tendo chegado os mensageiros, só encontraram na cama o terafim com uma cobertura de pele de cabra no lugar da cabeça.
17. Saul disse a Micol: Por que me enganaste assim, deixando escapar o meu inimigo? Micol respondeu: Porque ele me disse: deixa-me partir, senão te mato!
18. Davi fugiu, pois, e foi ocultar-se junto de Samuel, em Ramá; e contou-lhe tudo o que Saul lhe fizera. E foram ambos morar em Naiot.
19. Disseram a Saul: Davi está em Naiot, perto de Ramá.
20. Saul mandou homens para prendê-lo, mas quando viram a comunidade dos profetas em delírio, tendo Samuel à sua frente, o espírito de Deus veio sobre os enviados de Saul que começaram, também eles, a profetizar.
21. Contaram-no a Saul, que enviou outros mensageiros, mas também estes se puseram a cantar como os primeiros. Saul mandou um terceiro grupo, os quais também profetizaram.
22. Então ele foi pessoalmente a Ramá. Chegando à grande cisterna de Soco, perguntou: Onde estão Samuel e Davi? Estão em Naiot, responderam-lhe, perto de Ramá.
23. Mas, no caminho para Naiot, assaltou-o também o espírito de Deus, e Saul foi tomado de transes por todo o caminho até chegar a Naiot.
24. Despiu suas vestes, profetizando diante de Samuel e ficou assim despido, prostrado por terra durante todo o dia e toda a noite. Daí o ditado: Está Saul também entre os profetas?

 
Capítulo 20

1. Partiu Davi de Naiot, perto de Ramá e veio ter com Jônatas. Disse-lhe: Que fiz eu? Qual é o meu crime, e que mal fiz ao teu pai, para que ele queira matar-me?
2. Não, respondeu Jônatas, tu não morrerás! Meu pai não faz coisa alguma, grande ou pequena, sem me dizer. Por que me ocultaria isso? Não é possível!
3. Mas Davi insistiu com juramento: Teu pai bem sabe que eu te sou simpático, e por isso deve ter pensado: que Jônatas não o saiba, para que não se entristeça demasiado. Por Deus e pela tua vida, há apenas um passo entre mim e a morte!
4. Jônatas respondeu-lhe: Que queres que eu faça? Eu o farei.
5. Amanhã, disse Davi, é lua nova, e eu devia jantar à mesa do rei. Deixa-me partir; ocultar-me-ei no campo até a tarde do terceiro dia.
6. Se teu pai notar minha ausência, dir-lhe-ás que te pedi licença para ir até Belém, minha cidade natal, onde toda a minha família oferece um sacrifício anual.
7. Se ele disser que está bem, o teu servo nada terá a temer; mas se ele, ao contrário, se irritar, fica sabendo que ele decretou a minha perda.
8. Mostra-te amigo para com teu servo, pois que fizeste um pacto comigo em nome do Senhor. Se eu tenho alguma culpa, mata-me tu mesmo; por que fazer-me comparecer diante do teu pai?
9. Jônatas disse-lhe: Longe de ti tal coisa! Se eu souber que de fato meu pai resolveu perder-te, juro que te avisarei.
10. Mas quem me informará, perguntou Davi, se teu pai te responder duramente?
11. Vamos ao campo, disse-lhe Jônatas. E foram ambos ao campo.
12. Então Jônatas falou: Por Javé, Deus de Israel! Amanhã ou depois de amanhã sondarei meu pai. Se tudo for favorável a ti e eu não te avisar,
13. então o Senhor me trate com todo o seu rigor! E se meu pai te quiser fazer mal, avisar-te-ei da mesma forma; deixar-te-ei então partir e poderás estar tranqüilo. Que o Senhor esteja contigo, como esteve com meu pai!
14. Mais tarde, se eu for ainda vivo, conservar-me-ás tua amizade (em nome) do Senhor. Mas, se eu morrer,
15. não retires jamais tua benevolência de minha casa, nem mesmo quando o Senhor exterminar da face da terra todos os inimigos de Davi!
16. Foi assim que Jônatas fez aliança com a casa de Davi, e o Senhor vingou-se dos inimigos de Davi.
17. Jônatas conjurou ainda uma vez a Davi, em nome da amizade que lhe consagrava, pois o amava de toda a sua alma.
18. Amanhã, continuou Jônatas, é lua nova, e notarão tua ausência.
19. Descerás, pois, sem falta, depois de amanhã ao lugar onde te escondeste no dia do ajuste, e ficarás junto à pedra de Ezel.
20. Atirarei três flechas para o lado da pedra como se visasse a um alvo.
21. Depois mandarei meu servo buscar as flechas. Se eu lhe gritar: Olha! Estão atrás de ti, apanha-as! Então poderás vir, porque tudo te é favorável, e não há mal algum a temer, por Deus!
22. Se, porém, eu disser ao rapaz: Olha! As flechas estão diante de ti, um pouco mais longe. Então foge, porque essa é a vontade de Deus.
23. Quanto à palavra que nos demos um ao outro, o Senhor seja testemunha entre nós para sempre.
24. Davi escondeu-se no campo. No dia da lua nova, o rei pôs-se à mesa para comer,
25. sentando-se, como de costume, numa cadeira junto à parede. Jônatas levantou-se para que Abner pudesse sentar-se ao lado de Saul, e o lugar de Davi ficou desocupado.
26. Naquele dia Saul não disse nada. Algo aconteceu-lhe, pensou ele; provavelmente não está puro; deve ter contraído alguma impureza.
27. No dia seguinte, segundo dia da lua, o lugar de Davi continuava vazio. Saul disse ao seu filho Jônatas: Por que o filho de Isaí não veio comer, nem ontem nem hoje?
28. Davi pediu-me com instâncias, respondeu Jônatas, para ir a Belém.
29. Disse-me: deixa-me ir, rogo-te, porque temos na cidade um sacrifício de família, ao qual meu irmão me convidou. Se me queres dar um prazer, permite-me que vá rever meus irmãos. Por isso não veio ele à mesa do rei.
30. Então Saul encolerizou-se contra Jônatas: Filho de prostituta, disse-lhe, não sei eu porventura que és amigo do filho de Isaí, o que é uma vergonha para ti e para tua mãe?
31. Enquanto viver esse homem na terra, não estarás seguro, nem tu nem o teu trono. Vamos! Vai buscá-lo e traze-mo; ele merece a morte!
32. Jônatas respondeu ao seu pai: Por que deverá ele morrer? Que fez ele?
33. Saul brandiu sua lança para feri-lo, e Jônatas viu que a morte de Davi era coisa decidida pelo seu pai.
34. Furioso, deixou a mesa sem comer naquele segundo dia da lua. As injúrias que seu pai tinha proferido contra a Davi tinham-no afligido profundamente.
35. Na manhã seguinte, Jônatas saiu ao campo e foi ao lugar combinado com Davi, acompanhado de um jovem servo.
36. Vai, disse ele, e traze-me as setas que vou atirar. Mas, enquanto o rapaz corria, Jônatas atirou outra flecha mais para além dele.
37. Quando chegou ao lugar da flecha, Jônatas gritou-lhe: Não está a flecha mais para lá de ti?
38. E ajuntou: Vamos, apressa-te, não te demores. O servo apanhou a flecha e voltou ao seu senhor; e de nada suspeitou,
39. porque só Jônatas e Davi conheciam o ajuste.
40. Depois disso, entregou Jônatas suas armas ao rapaz, dizendo-lhe: Vai, leva-as para a cidade.
41. Logo que ele partiu, deixou Davi o seu esconderijo e curvou-se até a terra, prostrando-se três vezes; beijaram-se mutuamente, chorando, e Davi estava ainda mais comovido que o seu amigo.
42. Jônatas disse-lhe: Vai em paz, agora que demos um ao outro nossa palavra com este juramento: o Senhor seja para sempre testemunha entre ti e mim, entre a tua posteridade e a minha!
43. Davi partiu, e Jônatas voltou para a cidade.

 
Capítulo 21

1. Davi foi para Nobe. Chegando à casa do sacerdote Aquimelec, este saiu-lhe ao encontro muito inquieto, dizendo: Por que estás só? Não há ninguém contigo?
2. Davi respondeu-lhe: O rei confiou-me uma missão, com a ordem de não revelar a ninguém o motivo por que me enviou. Combinei com os meus servos um encontro em certo lugar.
3. E agora, se tens à mão alguma coisa, dá-me cinco pães ou qualquer outra coisa que tenhas disponível.
4. Aquimelec respondeu: Não tenho à mão o pão ordinário, mas só pães consagrados, com a condição, no entanto, de que teus servos se tenham abstido de mulheres.
5. Respondeu-lhe Davi: Não tivemos comércio com mulher alguma desde que parti, há três dias. Todos os objetos que pertencem aos meus servos estão puros; e, se nossa missão é profana, pode ser santificada por aquele que a cumpre.
6. Então o sacerdote deu-lhe os pães consagrados, porque não havia ali senão os pães da proposição, que tinham sido tirados da presença do Senhor e imediatamente substituídos por pães frescos.
7. Ora, achava-se em Nobe naquele dia, retido na presença do Senhor, um dos servos de Saul, chamado Doeg, o edomita, chefe dos pastores de Saul.
8. Disse Davi a Aquimelec: Tens aqui à mão uma lança ou uma espada? Nem sequer tive tempo de tomar minha lança e minhas armas, tão apressado estava o rei.
9. Tenho a espada do filisteu Golias, respondeu o sacerdote, que tu mesmo mataste no vale do Terebinto. Está embrulhada num pano, atrás do efod. Se quiseres, podes tomá-la, pois não há aqui nenhuma outra. Não há outra igual, replicou Davi; dá-ma.
10. Levantou-se Davi e prosseguiu sua fuga diante de Saul, indo para junto de Aquis, rei de Get.
11. Os servos de Aquis disseram ao rei: Não é este Davi, o rei da terra? Aquele de quem cantavam em coro: Saul matou seus milhares, mas Davi seus dez milhares?
12. Davi, impressionado com essas palavras, teve medo de Aquis, rei de Get.
13. Simulou loucura diante deles, comportando-se como demente: tamborilava nos batentes da porta e deixava correr saliva pela barba.
14. Aquis disse aos seus servos: Bem vedes que este homem está louco. Por que mo trouxestes?
15. Não tenho eu aqui loucos bastantes para me trazerdes ainda este, e me aborrecer com suas excentricidades? Ele não porá os pés na minha casa.

 
Capítulo 22

1. Davi partiu dali e refugiou-se na caverna de Odolão. Seus irmãos e toda a sua família, ouvindo isso, foram juntar-se a ele.
2. Todos os que se viam em miséria, os endividados, os descontentes, foram ter com Davi, e ele tornou-se o seu chefe. E estiveram com ele cerca de quatrocentos homens.
3. Dali foi Davi para Masfa, em Moab, e disse ao rei de Moab: Permiti que meu pai e minha mãe venham habitar no meio de vós, até que eu saiba o que o Senhor me reserva.
4. Apresentou-os, pois, ao rei de Moab, e ficaram com ele durante todo o tempo em que Davi permaneceu no fortim.
5. Mas o profeta Gad disse a Davi: Não fiques no fortim. Parte, volta à terra de Judá. Davi partiu e internou-se na floresta de Haret.
6. Saul foi informado de que haviam descoberto Davi e os seus. Estava o rei em Gabaa, sentado debaixo de uma tamareira, na colina, com a sua lança na mão, tendo todos os seus familiares em redor de si.
7. Saul disse-lhes: Escutai, benjaminitas: será que o filho de Isaí dará a todos vós campos e vinhas? Irá ele fazer de todos vós chefes de milhares e chefes de centenas?
8. Por que vos conjurastes contra mim? Ninguém de vós me informou que meu filho tinha feito aliança com o filho de Isaí, e ninguém se deu o trabalho de avisar-me que meu filho instigava meu servo contra mim, para armar-me ciladas, como ele o faz hoje!
9. Doeg, o edomita, que era o primeiro entre os domésticos de Saul, respondeu: Eu vi o filho de Isaí chegar a Nobe, à casa de Aquimelec, filho de Aquitob.
10. Este consultou o Senhor por ele e deu-lhe provisões, entregando-lhe também a espada do filisteu Golias.
11. O rei mandou chamar o sacerdote Aquimelec, filho de Aquitob, com toda a casa de seu pai, os sacerdotes que estavam em Nobe. Chegando eles à presença do rei,
12. Saul disse-lhes: Escuta, filho de Aquitob! Eis-me aqui, meu senhor, respondeu ele.
13. Por que, retomou Saul, conspiraste contra mim, tu e o filho de Isaí? Deste-lhe pão e uma espada, e consultaste Deus por ele, a fim de que ele se revolte contra mim e me arme ciladas como hoje acontece.
14. Aquimelec respondeu ao rei: Haverá entre todos os teus servos alguém mais fiel que Davi, genro do rei, teu conselheiro, um homem estimado por toda a tua casa?
15. Foi porventura hoje que comecei a consultar Deus por ele? Longe de mim (qualquer idéia de revolta)! Não impute o rei crime algum ao seu servo, nem à sua família! Teu servo nada soube de tudo isto, nem pouco nem muito.
16. O rei disse: Tu morrerás, Aquimelec, tu e toda a tua família!
17. E, dirigindo-se aos guardas que o cercavam: Ide, disse ele; matai os sacerdotes do Senhor, pois fizeram-se cúmplices de Davi: sabiam de sua fuga e não me preveniram. Mas os guardas do rei se recusaram a levantar a mão contra os sacerdotes do Senhor.
18. Então o rei ordenou a Doeg: Vamos, fere-os. E Doeg, o edomita, aproximou-se e foi ele quem matou os sacerdotes. Massacrou naquele dia oitenta e cinco homens que vestiam o efod de linho.
19. Ordenou também Saul que fosse passada ao fio da espada a cidade sacerdotal de Nobe: homens, mulheres, meninos, crianças de peito, bois, jumentos e ovelhas.
20. Só escapou um filho de Aquimelec, filho de Aquitob, chamado Abiatar, que se refugiou junto de Davi.
21. Abiatar anunciou-lhe que Saul tinha massacrado os sacerdotes do Senhor.
22. Davi disse-lhe: Eu bem suspeitava naquele dia que, estando ali Doeg, o edomita, ele iria contar tudo a Saul. Sou eu o culpado da morte de toda a casa de teu pai.
23. Fica comigo; não temas. Aquele que odeia a minha vida, odeia igualmente a tua. Junto de mim estarás seguro.

 
Capítulo 23

1. Disseram a Davi: Os filisteus estão atacando Ceila e pilhando as eiras.
2. Davi consultou o Senhor: Devo ferir os filisteus? O Senhor respondeu: Vai; tu os ferirás e libertarás Ceila.
3. Os homens de Davi, porém, disseram-lhe: Mesmo aqui em Judá estamos cheios de medo; quanto mais se formos a Ceila contra as tropas dos filisteus?
4. Davi consultou novamente o Senhor, que lhe respondeu: Vai; desce a Ceila, porque entrego os filisteus nas tuas mãos.
5. Davi foi para Ceila com os seus homens e atacou os filisteus, tomando-lhes o gado e infligindo-lhes uma grande derrota. Assim libertou os habitantes de Ceila.
6. (Ora, quando Abiatar, filho de Aquimelec, fugira para junto de Davi a Ceila, levava consigo o efod.)
7. Saul foi informado de que Davi se encontrava em Ceila, e disse: Deus entregou-o nas minhas mãos, pois foi encerrar-se em uma cidade com portas e ferrolhos.
8. O rei convocou todo o povo às armas para descer a Ceila e sitiar Davi com sua tropa.
9. Mas Davi, sabendo que Saul maquinava perdê-lo, disse ao sacerdote Abiatar: Traze o efod!
10. E ajuntou: Senhor, Deus de Israel, vosso servo sabe que Saul pretende penetrar em Ceila para destruir a cidade por causa de mim.
11. Será que os habitantes de Ceila me entregarão nas suas mãos? Saul descerá como o vosso servo ouviu dizer? Senhor, Deus de Israel, fazei-o saber ao vosso servo. O Senhor respondeu: Ele descerá.
12. E Davi ajuntou: Os habitantes de Ceila entregar-me-ão a mim e a meus homens, nas mãos de Saul? O Senhor respondeu: Entregarão.
13. Então Davi partiu precipitadamente com a sua tropa, em número de aproximadamente seiscentos homens, e saíram de Ceila, marchando ao acaso. Saul, informado de que Davi deixara Ceila, renunciou à expedição.
14. Davi permaneceu no deserto, em lugares bem protegidos, e habitou no monte do deserto de Zif. Saul procurava-o sem cessar; mas Deus não o entregou nas suas mãos.
15. Davi, sabendo que Saul tinha saído para tirar-lhe a vida, ficou no deserto de Zif, em Horcha.
16. Então Jônatas, filho de Saul, foi ter com ele em Horcha. E confortou-o em Deus, dizendo:
17. Não temas, porque não te atingirá a mão de meu pai. Tu reinarás sobre Israel, e eu serei o teu segundo; meu pai bem o sabe.
18. Fizeram ambos aliança diante do Senhor. Davi ficou em Horcha e Jônatas voltou para a sua casa.
19. Alguns zifeus subiram a ter com Saul em Gabaa, e disseram-lhe: Davi está escondido entre nós no fortim de Horcha, na colina de Haquila, à direita do deserto.
20. Desce, pois, ó rei, já que tanto o desejas, e nós nos encarregamos de entregá-lo nas tuas mãos.
21. Que o Senhor vos abençoe, respondeu Saul, porque vos compadecestes de mim.
22. Ide, informai-vos diligentemente, e procurai saber o lugar onde ele se encontra, ou se alguém o viu, porque me foi dito que ele é muito astuto!
23. Explorai e descobri todos os seus esconderijos, e voltai a mim com notícias seguras, a fim de eu ir convosco, pois se ele estiver na terra, eu o descobrirei entre a multidão de Judá.
24. Partiram antes de Saul para Zif; mas Davi e os seus estavam já no deserto de Maon, na planície ao sul do deserto.
25. Saul partiu com seus homens à sua procura. Mas Davi, informado disso, desceu à Rocha e permaneceu no deserto de Maon. Saul o soube e foi persegui-lo ali.
26. Saul ia por um flanco da montanha, e Davi com os seus pelo outro, em fuga precipitada para escapar de Saul. No momento, porém, em que Saul com seus homens iam apoderar-se de Davi e sua gente,
27. veio um mensageiro anunciar ao rei: Vem depressa; os filisteus entraram na terra.
28. Saul abandonou a perseguição e foi combater os filisteus. Por isso, àquele lugar foi dado o nome de Rocha da Separação.

 
Capítulo 24

1. Subindo dali, veio Davi habitar nas alturas de Engadi.
2. Quando Saul voltou da perseguição aos filisteus, foi-lhe anunciado: Davi está no deserto de Engadi.
3. Tomou então Saul três mil israelitas de escol e foi em busca de Davi com sua gente nos rochedos dos Cabritos Monteses.
4. Chegando perto dos apriscos de ovelhas que havia ao longo do caminho, entrou Saul numa gruta para satisfazer suas necessidades. Ora, no fundo dessa mesma gruta se encontrava Davi com seus homens,
5. os quais disseram-lhe: Eis o dia anunciado pelo Senhor, que te prometeu entregar o teu inimigo à tua discrição. Davi, arrastando-se de mansinho, cortou furtivamente a ponta do manto de Saul.
6. E logo depois o seu coração bateu-lhe, porque tinha ousado fazer aquilo.
7. E disse aos seus homens: Deus me guarde de jamais cometer este crime, estendendo a mão contra o ungido do Senhor, meu senhor, pois ele é consagrado ao Senhor!
8. Davi conteve os seus homens com estas palavras e impediu que agredissem Saul. O rei levantou-se, deixou a gruta e prosseguiu o seu caminho.
9. Então Davi saiu por sua vez e bradou atrás de Saul: Ó rei, meu senhor! Saul voltou-se para ver, e Davi inclinou-se, prostrando-se até a terra.
10. E disse ao rei: Por que dás ouvidos aos que te dizem: Davi procura fazer-te mal?
11. Viste hoje com os teus olhos que o Senhor te entregou a mim na gruta. (Meus homens) insistiam comigo para que te matasse, mas eu te poupei, dizendo: Não levantarei a mão contra o meu senhor, porque é o ungido do Senhor.
12. Olha, meu pai, vê a ponta de teu manto em minha mão. Se eu cortei este pano do teu manto e não te matei, reconhece que não há perversidade nem revolta em mim. Jamais pequei contra ti, e tu procuras matar-me.
13. Que o Senhor julgue entre mim e ti! O Senhor me vingará de ti, mas eu não levantarei minha mão contra ti.
14. O mal vem dos malvados, como diz o provérbio; por isso não te tocará a minha mão.
15. Afinal, contra quem saiu o rei de Israel? A quem persegues? Um cão morto! Uma pulga!
16. Pois bem! O Senhor julgará e pronunciará entre mim e ti. Que ele olhe e defenda a minha causa, fazendo-me justiça contra ti!
17. Acabando Davi de falar, Saul disse-lhe: É esta a tua voz, ó meu filho Davi? E pôs-se a chorar.
18. Tu és mais justo do que eu, replicou ele; fizeste-me bem pelo mal que te fiz.
19. Provaste hoje a tua bondade para comigo, pois o Senhor tinha-me entregue a ti e não me mataste.
20. Qual é o homem que, encontrando o seu inimigo, o deixa ir embora tranqüilamente? Que o Senhor te recompense o que hoje me deste!
21. Agora eu sei que serás rei, e que nas tuas mãos será firmada a realeza.
22. Jura-me pelo Senhor que não eliminarás a minha posteridade, nem apagarás o meu nome da casa de meu pai.
23. Davi jurou-lho. Depois disso, Saul voltou para a sua casa e Davi com a sua gente voltaram ao seu refúgio.

 
Capítulo 25

1. Samuel morreu. Todo o Israel se juntou para chorá-lo. Sepultaram-no na sua propriedade em Ramá. E Davi retirou-se para o deserto de Farã.
2. Havia um homem em Maon cujas propriedades estavam em Carmelo. Era um homem muito rico: possuía três mil ovelhas e mil cabras. Ele encontrava-se então em Carmelo para a tosquia de suas ovelhas.
3. Chamava-se Nabal, e sua esposa Abigail, mulher de grande inteligência e formosura. Ele, porém, era grosseiro e mau; descendia de Caleb.
4. Davi, no deserto, sabendo que Nabal tosquiava o seu rebanho,
5. mandou-lhe dez homens com esta ordem: Subi a Carmelo e dirigi-vos a Nabal,
6. saudando-o em meu nome e dizendo-lhe: Pela vida! A paz seja contigo! Paz à tua casa e paz a todos os teus bens!
7. Soube que há tosquia em tua casa. Ora, os teus pastores estiveram perto de nós e nunca lhes fizemos mal algum. Nada lhes faltou durante todo o tempo que ficaram em Carmelo.
8. Pergunta-o aos teus servos e eles to dirão. Que os meus encontrem agora graça aos teus olhos, porque chegamos em um dia de festa. Rogo-te que dês aos teus servos e ao teu filho Davi o que tiveres à mão.
9. Os homens de Davi foram e repetiram a Nabal todas estas palavras em nome de Davi, e ficaram esperando.
10. Nabal, porém, respondeu-lhes: Quem é Davi? E quem é o filho de Isaí? Há hoje muitos escravos que fogem da casa de seus senhores!
11. Irei eu tomar meu pão, minha água e a carne que preparei para os meus tosquiadores, e dá-los a homens que vêm não se sabe de onde?
12. Os servos de Davi retomaram o caminho e voltaram. Ao chegarem, contaram tudo ao seu senhor.
13. Então disse Davi aos seus homens: Cinja cada um a sua espada! Todos o fizeram, inclusive Davi. Cerca de quatrocentos homens seguiram Davi, ficando duzentos com as bagagens.
14. Mas Abigail, mulher de Nabal, fora informada por um dos servos de seu marido: Davi mandou, do deserto, mensageiros para saudar o nosso amo, mas ele os recebeu mal.
15. No entanto, esses homens nos trataram sempre muito bem, e jamais nos fizeram mal algum, nem nos causaram prejuízo durante todo o tempo que estivemos com eles no campo.
16. Pelo contrário, serviram-nos de defesa, dia e noite, durante todo o tempo em que estivemos com eles apascentando os rebanhos.
17. Vê, pois, o que tens a fazer, porque nosso amo e toda a sua casa está ameaçada de ruína, e ele é um malvado com quem não se pode falar.
18. Apressou-se então Abigail, e tomou duzentos pães, dois odres de vinho, cinco cordeiros preparados, cinco medidas de grão torrado, cem tortas de uvas secas, duzentas de figos secos, colocando tudo em cima de jumentos.
19. E disse aos seus servos: Ide adiante de mim; eu vos seguirei. Mas não disse nada a Nabal, seu marido.
20. Quando descia por um caminho secreto da montanha, montada num jumento, encontrou Davi com os seus homens que vinham em sentido inverso.
21. Ora, Davi dissera: Em vão, pois, guardei tudo o que esse homem possuía no deserto, sem que lhe fosse tirada coisa alguma! E ele paga-me o bem com o mal.
22. Deus trate com todo o seu rigor os inimigos de Davi! E que ele não me poupe, se de hoje até amanhã eu deixar vivo um só homem de tudo o que pertence a Nabal!
23. Quando Abigail avistou Davi, desceu prontamente do jumento e prostrou-se com o rosto por terra diante dele.
24. Assim prostrada aos seus pés, disse-lhe: Sobre mim, meu senhor, caia a culpa! Deixa falar a tua serva e ouve suas palavras.
25. Que o meu senhor não faça caso desse malvado Nabal, pois ele é bem o que o seu nome indica: Nabal, louco; e ele o é. Mas eu, tua escrava, não vi os homens que o meu senhor mandou.
26. Agora, por Deus e por tua vida: foi o Senhor quem te impediu de derramar sangue e de te vingar por tua mão. Sejam como Nabal os teus inimigos e os que procuram fazer mal ao meu senhor.
27. Aceita, pois, este presente que tua serva trouxe ao meu senhor, e reparte-o entre os homens que te seguem.
28. Rogo-te que perdoes a culpa de tua serva. Certamente o Senhor dará à casa de meu senhor uma existência durável, porque o meu senhor combate nas guerras de Deus, e nenhum mal te atingirá em todos os dias de tua vida.
29. Se alguém te perseguir ou conspirar contra a tua vida, a alma de meu senhor será guardada no escrínio dos vivos junto do Senhor, teu Deus, enquanto a vida de teus inimigos será lançada pelo Senhor ao longe, como a pedra de uma funda.
30. Quando o Senhor tiver feito ao meu senhor todo o bem que lhe prometeu, e te tiver estabelecido chefe sobre Israel,
31. não terás no coração este pesar, nem este remorso de ter derramado sangue sem motivo e de se ter vingado por si mesmo! Quando o Senhor te tiver feito bem, ó meu Senhor, lembra-te de tua serva.
32. Davi respondeu a Abigail: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que te mandou hoje ao meu encontro!
33. Bendita seja a tua prudência! E bendita sejas tu mesma, que me impediste hoje de derramar sangue e vingar-me pela minha mão!
34. Mas, pelo Senhor, Deus de Israel, que me impediu de te fazer mal, se não tivesses vindo tão depressa ao meu encontro, nada teria ficado de Nabal até amanhã cedo, nem mesmo o último homem!
35. Davi aceitou o que lhe trazia Abigail e ajuntou: Volta em paz para a tua casa. Vê que te ouvi e te fiz boa acolhida.
36. Quando Abigail chegou à casa de Nabal, havia em sua casa um grande banquete, um verdadeiro festim de rei. Nabal tinha o coração alegre e estava completamente ébrio. Por isso nada lhe disse, nem pouco nem muito, até ao amanhecer.
37. Mas pela manhã, tendo Nabal curtido o seu vinho, sua mulher contou-lhe tudo. Seu coração gelou-se no peito e ele tornou-se como uma pedra.
38. Dez dias depois Nabal, ferido pelo Senhor, morreu.
39. Tendo Davi notícia da morte de Nabal, exclamou: Bendito seja o Senhor que me fez justiça do ultraje recebido de sua mão, e impediu-me de fazer-lhe mal! O Senhor fez cair sobre sua cabeça a sua própria maldade! Depois disso Davi mandou propor a Abigail tornar-se sua mulher.
40. Seus servos, chegando a Carmelo, disseram-lhe: Davi mandou-nos a ti, porque deseja tomar-te por mulher.
41. Levantou-se então Abigail e prostrou-se com o rosto por terra, dizendo: Eis a tua serva, que será uma escrava para lavar os pés dos servos de meu Senhor.
42. Levantou-se depressa, montou num jumento e, seguida de cinco moças, partiu com os enviados de Davi para tornar-se sua mulher.
43. Davi desposara também Aquinoã, de Jezrael, e ambas foram suas mulheres.
44. Quanto à sua mulher Micol, filha de Saul, este a tinha dado por esposa a Falti, de Galim, filho de Lais.

 
Capítulo 26

1. Vieram os zifeus novamente ter com Saul, em Gabaa, e disseram-lhe: Davi está escondido na colina de Haquila, a oriente do deserto.
2. Saul desceu ao deserto de Zif com três mil homens de escol, de Israel, para ir em busca de Davi.
3. Acampou na colina de Haquila, a oriente do deserto, à beira do caminho. Davi, porém, que habitava no deserto, vendo que Saul o tinha seguido até ali,
4. mandou espiões e soube com certeza que ele tinha chegado.
5. Levantou-se então e foi ao lugar onde Saul estava acampado, chegando mesmo a descobrir o lugar onde o rei se deitava ao lado de Abner, filho de Ner, chefe do seu exército. Saul dormia no acampamento, rodeado de toda a sua gente.
6. Davi disse então a Aquimelec, o hiteu, e a Abisaí, filho de Sarvia e irmão de Joab: Quem quer descer comigo ao acampamento de Saul? Eu, respondeu Abisaí, irei contigo.
7. Davi e Abisaí penetraram, pois, durante a noite no meio das tropas. Saul dormia no acampamento, tendo a sua lança cravada no chão ao lado de sua cabeceira. Abner e sua gente dormiam ao redor dele.
8. Abisaí disse a Davi: Deus entregou hoje em tuas mãos o teu inimigo; deixa-me cravá-lo por terra de um só golpe de lança, sem precisar de um segundo golpe.
9. Não o mates, respondeu Davi. Quem poderia impunemente estender a mão contra o ungido do Senhor?
10. E ajuntou: Por Deus! É o Senhor quem o há de ferir, seja que, chegando o seu dia, morra, seja que pereça em batalha.
11. Deus me livre de levantar a minha mão contra o ungido do Senhor! Agora, toma a lança que está à sua cabeceira com a bilha de água e vamo-nos.
12. Apanhou Davi a lança e a bilha de água que estavam à cabeceira de Saul e foram-se, sem que ninguém os tivesse visto, ou os advertisse mesmo de leve; mas todos dormiam, porque o Senhor os tinha sepultado em um profundo sono.
13. Davi passou para o outro lado e parou ao longe, no cimo do monte, separando-os uma grande distância.
14. Então bradou aos soldados de Saul e a Abner, filho de Ner: Não respondes, Abner? Quem és tu, replicou Abner, que gritas assim para o rei?
15. Davi disse a Abner: Afinal, não és tu um homem? Quem é igual a ti em Israel? Por que não guardas o rei, teu senhor, tendo entrado alguém aí para matá-lo?
16. Não é bonito o que fizeste. Por Deus! Mereceis a morte, porque não velastes sobre o vosso senhor, o ungido do Senhor! Olha um pouco onde estão a lança do rei e a bilha de água que estavam junto à sua cabeceira!
17. Reconheceu Saul a voz de Davi e disse: É tua esta voz, ó meu filho Davi? Davi respondeu: Sim, ó rei, meu senhor.
18. E ajuntou: Por que o meu senhor persegue o seu servo? Que fiz eu? Que crime cometi?
19. Que o rei, meu senhor, digne-se ouvir as palavras do seu servo: se é o Senhor quem te excita contra mim, receba ele o perfume de uma oferenda! Mas, se são homens, sejam eles malditos diante do Senhor; porque me expulsam para tirar minha parte da herança do Senhor! E dizem-me: vai servir a deuses estranhos!
20. Oh! Não corra o meu sangue sobre a terra longe da face do Senhor! O rei de Israel pôs-se em campanha contra uma pulga, como se persegue nos montes uma perdiz!
21. Saul disse: Fiz mal! Volta, meu filho Davi; não te farei mais mal algum, pois que neste dia respeitaste a minha vida. Procedi nesciamente; cometi um grandíssimo pecado.
22. Davi respondeu: Eis aqui a lança do rei: venha um de teus homens buscá-la!
23. O Senhor recompensará a cada um segundo a sua justiça e fidelidade. Ele te havia entregue hoje em meu poder, mas não quis estender a minha mão contra o seu ungido.
24. E assim como a tua vida foi preciosa diante de mim, assim seja a minha aos olhos do Senhor, e ele me salvará de toda a tribulação.
25. Saul disse a Davi: Bendito sejas, meu filho Davi! Tu triunfarás seguramente em todas as tuas empresas! Davi retomou o seu caminho e Saul voltou para a sua casa.

 
Capítulo 27

1. Dia virá, pensava Davi, em que perecerei pelas mãos de Saul! O melhor que posso fazer é refugiar-me na terra dos filisteus; Saul renunciará então a buscar-me por todo o território de Israel, e eu lhe escaparei.
2. Partiu, pois, Davi com seus seiscentos homens e foi para junto de Aquis, filho de Maoc, rei de Get.
3. Permaneceu junto de Aquis em Get, ele e sua gente, cada um com sua família. Levou consigo suas duas mulheres, Aquinoã, de Jezrael, e Abigail, de Carmelo, viúva de Nabal.
4. Saul, tendo sabido que Davi se refugiara em Get, renunciou a persegui-lo.
5. Davi disse a Aquis: Se achei graça aos teus olhos, dá-me um lugar nas cidades do campo, onde eu possa morar. Por que haveria o teu servo de morar contigo na cidade real?
6. Aquis deu-lhe Siceleg. Por isso Siceleg ficou pertencendo aos reis de Judá até o presente.
7. O tempo que Davi passou na terra dos filisteus foi um ano e quatro meses.
8. Davi e os seus homens saíam e faziam incursões entre os gessureus, os gerezeus e os amalecitas, populações que habitavam de longa data a região de Sur até a terra do Egito.
9. Davi assolava a região, sem deixar com vida homem ou mulher; tomava as ovelhas, os bois, os jumentos, os camelos, as vestes e voltava para Aquis.
10. Onde fizestes hoje incursão?, perguntava Aquis. E Davi respondia: Para o leste de Judá, ou para o sul dos jerameelitas, ou para o sul dos cineus.
11. Mas não deixava com vida homem ou mulher, para não ter de levá-los a Get, temendo que o denunciassem, contando a verdade do que ele fazia. Assim o fez durante todo o tempo que passou entre os filisteus.
12. Aquis confiava em Davi: Ele se torna odioso ao seu povo de Israel, pensava ele, e será para sempre o meu servo.

 
Capítulo 28

1. Por aquele tempo, os filisteus mobilizaram suas tropas em um só exército para combater contra Israel. Aquis disse a Davi: Sabe que virás comigo à guerra, tu e os teus homens.
2. Davi respondeu: Tu verás do que é capaz o teu servo. Pois bem, disse Aquis, confio-te para sempre a guarda de minha pessoa!
3. Samuel tinha falecido e todo o Israel o chorara. Tinham-no sepultado em Ramá, sua cidade. E Saul expulsara da terra os necromantes, os feiticeiros e os adivinhos.
4. Os filisteus mobilizados vieram acampar em Sunão, enquanto Saul ajuntava os israelitas, acampando em Gelboé.
5. Ao ver o acampamento dos filisteus, Saul inquietou-se e teve grande medo.
6. E consultou o Senhor, o qual não lhe respondeu nem por sonhos, nem pelo urim, nem pelos profetas.
7. O rei disse aos seus servos: Procurai-me uma necromante para que eu a consulte. Há uma em Endor, responderam-lhe.
8. Saul disfarçou-se, tomou outras vestes e pôs-se a caminho com dois homens. Chegaram à noite à casa da mulher. Saul disse-lhe: Predize-me o futuro, evocando um morto; faze-me vir aquele que eu te designar.
9. Respondeu-lhe a mulher: Tu bem sabes o que fez Saul, como expulsou da terra os necromantes e os adivinhos. Por que me armas ciladas para matar-me?
10. Saul, porém, jurou-lhe pelo Senhor: Por Deus, disse ele, não te acontecerá mal algum por causa disso.
11. Disse-lhe então a mulher: A quem evocarei? Evoca-me Samuel.
12. E a mulher, tendo visto Samuel, soltou um grande grito: Por que me enganaste?, disse ela ao rei. Tu és Saul!
13. E o rei: Não temas! Que vês? A mulher: Vejo um deus que sobe da terra.
14. Qual é o seu aspecto? É um ancião, envolto num manto. Saul compreendeu que era Samuel, e prostrou-se com o rosto por terra.
15. Samuel disse ao rei: Por que me incomodaste, fazendo-me subir aqui? Estou em grande angústia, disse o rei. Os filisteus atacam-me e Deus se retirou de mim, não me respondendo mais, nem por profetas, nem por sonhos. Chamei-te para que me indiques o que devo fazer.
16. Samuel disse-lhe: Por que me consultas, uma vez que o Senhor se retirou de ti, tornando-se teu adversário?
17. Fez o Senhor como tinha anunciado pela minha boca: ele tira a realeza de tua mão para dá-la a outro, a Davi.
18. Não obedeceste à voz do Senhor e não fizeste sentir a Amalec o fogo de sua cólera; eis por que o Senhor te trata hoje assim.
19. E mais: o Senhor vai entregar Israel, juntamente contigo, nas mãos dos filisteus. Amanhã, tu e teus filhos estareis comigo, e o Senhor entregará aos filisteus o acampamento de Israel.
20. Saul, atemorizado com as palavras de Samuel, caiu estendido por terra, pois estava extenuado, nada tendo comido todo aquele dia e toda aquela noite.
21. A mulher aproximou-se de Saul, e, vendo-o assim extremamente aterrado, disse-lhe: Tua serva obedeceu-te. Expus minha vida para obedecer à ordem que me deste.
22. Ouve agora, tu também, a voz de tua serva. Vou dar-te um pouco de alimento, para que o comas e tenhas força para retomar o teu caminho.
23. Saul, porém, recusou: Não comerei, disse ele. Entretanto, insistindo com ele seus servos e a mulher, cedeu; levantou-se do chão e sentou-se na cama.
24. A mulher tinha em casa um bezerro cevado. Matou-o depressa e, tomando farinha, amassou-a, fazendo com ela pães sem fermento.
25. Cozeu-os e levou-os a Saul e à sua gente. Tendo comido, levantaram-se e partiram naquela mesma noite.

 
Capítulo 29

1. Reuniram os filisteus todas as suas forças em Afec, estando os israelitas acampados junto à fonte de Jezrael.
2. Os príncipes dos filisteus iam à frente com suas tropas, divididas em companhias de cem e de mil homens. Davi e sua gente caminhavam na retaguarda com Aquis.
3. Os chefes dos filisteus disseram: Quem são esses hebreus? É Davi, respondeu Aquis, servo de Saul, rei de Israel, que está em minha companhia há muitos dias, e mesmo há muitos anos. Nada tenho a censurar-lhe desde o dia em que se refugiou junto de mim até hoje.
4. Furiosos, os chefes dos filisteus disseram-lhe: Vá-se embora esse homem; manda que ele volte ao lugar que lhe marcaste, mas que não desça conosco à batalha; não suceda que se volte contra nós no meio do combate. Pois como poderia ele ganhar melhor as graças de seu amo, do que ao preço das cabeças de nossos homens?
5. Não é ele porventura aquele Davi, do qual se cantava dançando: Saul matou seus milhares, e Davi seus dez milhares?
6. Aquis chamou Davi e disse-lhe: Viva Deus! Tu és um homem reto e teu proceder comigo no acampamento me parece justo. Até hoje nada tive a censurar-te desde que chegaste à minha casa. Mas não és bem visto pelos príncipes.
7. Retira-te, pois, e vai em paz, para não descontentar os príncipes dos filisteus.
8. Davi disse a Aquis: Mas, que fiz eu? Que achaste de censurável no teu servo, desde o dia em que cheguei à tua casa até hoje, para que eu não vá combater contra os inimigos do rei, meu senhor?
9. Eu o sei, respondeu Aquis; tens sido bom para comigo, como um anjo do Senhor. Mas os chefes dos filisteus é que não querem que vás com eles ao combate.
10. Amanhã cedo, portanto, parti, tu e os servos de teu senhor que te seguiram. Ide, parti bem cedo, ao clarear do dia.
11. Davi e os seus homens levantaram-se de madrugada e voltaram à terra dos filisteus. Estes, porém, subiram a Jezrael.

 
Capítulo 30

1. Tendo Davi e seus homens chegado a Siceleg ao terceiro dia, com sua tropa, tinham os amalecitas feito uma incursão no Negeb e em Siceleg, ferindo e incendiando a cidade.
2. Haviam tomado as mulheres e todos os que ali se achavam, desde o menor até o maior; não mataram ninguém, mas levaram todos cativos para a sua terra.
3. Davi e seus homens, ao chegarem, encontraram a cidade incendiada, e suas mulheres, filhos e filhas levados cativos.
4. Por isso choraram até não poder mais.
5. As duas mulheres de Davi, Aquinoã de Jezrael e Abigail de Carmelo, viúva de Nabal, estavam também presas.
6. Davi afligiu-se em extremo, porque os seus queriam apedrejá-lo, estando todos amargurados por causa da perda de seus filhos e filhas. Mas Davi se reconfortou no Senhor, seu Deus.
7. E disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aquimelec: Traze-me o efod. Abiatar trouxe-lhe o efod.
8. Davi consultou o Senhor: Devo perseguir essa gente? Alcançá-la-ei? Persegue-os, respondeu o Senhor; tu os alcançarás certamente e os vencerás.
9. Davi pôs-se em marcha com os seiscentos homens de sua tropa, e chegaram à torrente de Besor, onde ficaram os que já estavam esgotados.
10. Davi prosseguiu a perseguição com quatrocentos homens, pois duzentos tinham ficado atrás, estando por demais cansados para poderem atravessar a torrente de Besor.
11. Encontraram no campo um egípco e levaram-no a Davi. Deram-lhe pão para comer, água para beber,
12. um pedaço de torta de figos secos e duas tortas de uvas secas. Ele comeu e recobrou as forças, porque havia três dias e três noites que nada tinha comido nem bebido.
13. Davi disse-lhe: Quem és tu, e de onde és? Eu sou um escravo egípcio, respondeu ele, a serviço de um amalecita. Meu senhor abandonou-me há três dias, porque caí doente.
14. Fizemos uma incursão no Negeb dos cereteus, no território de Judá, no Negeb de Caleb, e incendiamos Siceleg.
15. Davi disse-lhe: Queres conduzir-me a esse bando? Jura-me pelo nome de Deus, respondeu o homem, que não me matarás, nem me entregarás ao meu senhor, e eu te guiarei até esse bando.
16. Guiados pelo egípcio, alcançaram-nos. Os amalecitas estavam espalhados por todo o campo, comendo, bebendo e festejando por causa da enorme presa que tinham tomado na terra dos filisteus e de Judá.
17. Davi feriu-os do romper do dia à tarde do dia seguinte, e só escaparam quatrocentos homens, que fugiram montados em camelos.
18. Recobrou Davi tudo o que os amalecitas tinham tomado, salvando também as suas duas mulheres.
19. E não faltou ninguém, nem pequeno nem grande, nem filho nem filha, nem o que quer que seja do espólio que tinham levado: Davi reconduziu tudo de volta.
20. E tomou também todos os rebanhos e manadas, diante dos quais iam os homens, gritando: Eis a presa de Davi!
21. Foi, pois, Davi juntar-se aos duzentos homens deixados na torrente de Besor, por estarem cansados demais para segui-lo. E eles vieram ao encontro de Davi e de sua tropa, e Davi saudou-os ao chegar junto deles.
22. Todos os malvados, porém, todos os maus elementos que se encontravam na tropa de Davi, começaram a dizer: Visto que eles não foram conosco, nada lhes daremos do espólio recuperado, salvo, a cada um, a sua mulher e seus filhos. Que os tomem e se retirem!
23. Não façais assim, meus irmãos, interveio Davi, com o que o Senhor nos deu, depois de nos ter protegido e nos ter entregue nas mãos a tropa que se tinha levantado contra nós!
24. Quem poderia aceitar a proposta que fazeis? A parte dos que ficaram junto às bagagens será a mesma que a daqueles que foram ao combate. Eles compartilharão.
25. A partir daquele dia, estabeleceu Davi em Israel esse costume e esse direito que subsiste ainda hoje.
26. De volta a Siceleg, enviou Davi uma parte do espólio aos anciãos de Judá, seus amigos, com esta mensagem: Eis um presente para vós, proveniente do espólio tomado aos inimigos do Senhor.
27. Enviou igualmente uma parte aos de Betel, de Ramot, do Negeb,
28. de Jeter, de Aroer, de Sefamot, de Estamo,
29. de Racal, aos das cidades dos jerameelitas, aos das cidades dos cineus, aos de Arama,
30. de Cor-Asã, de Atac, de Hebron e de todos os lugares por onde Davi tinha passado com seus homens.

 
Capítulo 31

1. Entretanto, os filisteus atacaram Israel, e os israelitas fugiram diante deles, caindo feridos de morte no monte de Gelboé.
2. Os filisteus investiram contra Saul e seus filhos, matando Jônatas, Abinadab e Melquisua, filhos de Saul.
3. A violência do combate concentrou-se contra Saul. Os arqueiros descobriram-no e ele foi ferido no ventre.
4. Disse ao seu escudeiro: Tira a tua espada e traspassa-me, para que não o venham fazer esses incircuncisos, ultrajando-me! Mas o escudeiro não o quis fazer, porque se apoderou dele um grande terror. Então tomou Saul a sua espada e jogou-se sobre ela.
5. O escudeiro, vendo que Saul estava morto, arremessou-se também ele sobre a sua espada e morreu com ele.
6. Assim, morreram naquele mesmo dia, Saul e seus três filhos, seu escudeiro e todos os seus homens.
7. Os israelitas que moravam além do vale e além do Jordão, vendo a derrota do exército de Israel e a morte de Saul com seus filhos, abandonaram as suas cidades e fugiram; e os filisteus vieram e estabeleceram-se nelas.
8. No dia seguinte vieram os filisteus para despojar os cadáveres e encontraram Saul e seus três filhos caídos no monte Gelboé.
9. Cortaram-lhe a cabeça, despojaram-no de suas armas, e as enviaram por toda a terra dos filisteus, para que se publicasse essa boa nova nos templos de seus ídolos e entre o povo.
10. Puseram as armas de Saul no templo de Astarte e suspenderam o seu cadáver nos muros de Betsã.
11. Quando os habitantes de Jabes em Galaad souberam do que os filisteus tinham feito a Saul,
12. puseram-se a caminho os mais valentes dentre eles, e andaram toda a noite. Tiraram das muralhas de Betsã os cadáveres de Saul e de seus filhos, e voltaram a Jabes, onde os queimaram.
13. Tomaram os ossos e os enterraram debaixo da tamareira, em Jabes. Depois disso jejuaram sete dias.

 

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II Livro de Samuel

by on ago.13, 2009, under II Livro de Samuel

II Livro de Samuel

 Capítulo 1

1. Depois da morte de Saul, Davi voltou da derrota dos amalecitas, e esteve dois dias em Siceleg.
2. Ao terceiro dia, apareceu um homem que vinha do acampamento de Saul; trazia as vestes rasgadas e a cabeça coberta de pó. Chegando perto de Davi, jogou-se por terra, prostrando-se.
3. Davi disse-lhe: De onde vens? Salvei-me do acampamento de Israel, respondeu ele.
4. Que aconteceu?, perguntou Davi. Conta-mo! Ele respondeu: As tropas fugiram do campo de batalha, e muitos homens do exército tombaram. Saul também, e seu filho Jônatas, pereceram!
5. Como sabes, perguntou Davi ao mensageiro, que Saul e seu filho Jônatas morreram?
6. O mensageiro respondeu: Achava-me no monte de Gelboé, quando vi Saul atirar-se sobre a própria lança, enquanto era perseguido pelos carros e cavaleiros.
7. Ora, voltando-se, viu-me e chamou-me. Eu disse: Eis-me aqui.
8. Quem és tu?, disse ele. Eu sou um amalecita, respondi.
9. Aproxima-te, continuou ele, e mata-me, porque estou tomado de vertigem, se bem que ainda esteja cheio de vida.
10. Aproximei-me, pois, e matei-o, pois via que ele não poderia sobreviver depois da derrota. Tomei o diadema que tinha na cabeça e o bracelete do braço e os trouxe ao meu senhor; ei-los.
11. Então tomou Davi as suas vestes e rasgou-as, imitando-o nesse gesto todos os que estavam com ele.
12. Estiveram em pranto, choraram e jejuaram até a tarde por causa de Saul, de seu filho Jônatas, do exército do Senhor e da casa de Israel, que haviam caído sob a espada.
13. Davi perguntou ao mensageiro: De onde és? Eu sou filho de um estrangeiro, respondeu ele, de um amalecita.
14. Davi disse-lhe: Como não receaste levantar a mão contra o ungido do Senhor para matá-lo?
15. E, chamando um dos seus homens, Davi disse-lhe: Vem, mata-o! O homem o feriu, e ele morreu.
16. Davi disse-lhe então: Tu és culpado. Tua própria boca deu testemunho contra ti, quando disseste: matei o ungido do Senhor.
17. Compôs então Davi o seguinte cântico fúnebre sobre Saul e seu filho Jônatas,
18. ordenando que fosse ensinado aos filhos de Judá. É o canto do Arco, que está escrito no Livro do Justo:
19. Tua flor, Israel, pereceu nas alturas! Como tombaram os heróis?
20. Não anuncieis em Get nem o publiqueis nas ruas de Ascalon, para que não exultem as filhas dos filisteus, para que não se regozijem as filhas dos incircuncisos.
21. Montanhas de Gelboé, não haja sobre vós nem orvalho nem chuva! Campos assassinos, onde foi maculado o escudo dos heróis! O escudo de Saul estava ungido não com óleo,
22. mas, com o sangue de feridos, com a gordura de guerreiros, o arco de Jônatas jamais recuou, a espada de Saul jamais brandiu em vão!
23. Saul e Jônatas, amáveis e encantadores, nunca se separaram, nem na vida nem na morte, mais velozes do que as águias, mais fortes do que os leões!
24. Filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia de púrpura suntuosa, e ornava de ouro vossos vestidos.
25. Como caíram os heróis? Em pleno combate Jônatas tombou sobre as tuas colinas.
26. Jônatas, meu irmão, por tua causa meu coração me comprime! Tu me eras tão querido! Tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres.
27. Como caíram os heróis? Como pereceram os artilheiros de guerra?

 
Capítulo 2

1. Depois disso, Davi consultou o Senhor: Devo subir a alguma das cidades de Judá?, perguntou ele. Vai, respondeu o Senhor. Davi retomou: Aonde irei? A Hebron.
2. Davi subiu a Hebron com suas duas mulheres, Aquinoã de Jezrael e Abigail, viúva de Nabal, de Carmelo.
3. Levou também Davi os homens de sua tropa com suas famílias, e fixaram-se nas cidades de Hebron.
4. Os homens de Judá foram ali e sagraram Davi rei da casa de Judá. Foi anunciado ao rei que os homens de Jabes em Galaad haviam sepultado Saul.
5. Davi mandou-lhes mensageiros, dizendo: Benditos sejais pelo Senhor, por terdes feito esta obra de misericórdia para com o vosso senhor Saul, sepultando-o!
6. Que o Senhor, por sua vez, se mostre bom e fiel para convosco; e eu também vos beneficiarei por essa ação que fizestes.
7. Coragem! Sede homens valentes! Vosso senhor Saul morreu, e a casa de Judá me ungiu por seu rei.
8. Entretanto, Abner, filho de Ner, chefe do exército de Saul, tomou Isboset, filho de Saul, e levou-o a Maanaim,
9. onde o declarou rei sobre Galaad, sobre os assuritas, sobre Jezrael, Efraim, Benjamim e sobre todo o Israel.
10. Isboset, filho de Saul, tinha quarenta anos quando se tornou rei de Israel, e reinou dois anos. Só a casa de Judá seguiu Davi.
11. Sete anos e meio reinou Davi sobre a casa de Judá em Hebron.
12. Abner, filho de Ner, e os homens de Isboset, filho de Saul, saíram de Maanaim para Gabaon.
13. Joab, filho de Sarvia, e a gente de Davi, puseram-se também em marcha e encontraram-nos perto da piscina de Gabaon, acampando uns de um lado da piscina e outros de outro.
14. Abner disse a Joab: Aproximem-se os jovens para lutar em nossa presença. Vamos!, respondeu Joab.
15. Apresentaram-se, pois, doze homens de Benjamim, da parte de Isboset, filho de Saul, e doze da gente de Davi.
16. Tomando cada um a cabeça do seu adversário, mergulhou-lhe a espada no flanco, de tal modo que caíram ambos ao mesmo tempo. Deu-se a esse lugar o nome Helcat Hassurim, em Gabaon.
17. Travou-se rude batalha naquele dia, tendo Abner e os homens de Israel cedido diante dos homens de Davi.
18. Estavam ali os três filhos de Sarvia: Joab, Abisaí e Asael. Asael tinha os pés ligeiros como uma gazela selvagem.
19. Pôs-se a perseguir Abner, sem se desviar nem para a direita, nem para a esquerda.
20. És tu, Asael?, disse-lhe Abner, voltando-se. Sim.
21. Volta-te à direita ou à esquerda, ataca um desses homens e leva-lhe os despojos. Mas Asael não quis deixá-lo.
22. Abner disse-lhe novamente: Deixa-me. Queres que eu te fira e te deite por terra? Como poderia eu depois aparecer diante do teu irmão Joab?
23. Mas como ele se recusasse a abandoná-lo, Abner feriu-o no ventre com a ponta de sua lança. A lança saiu-lhe pelas costas e Asael caiu, morrendo ali mesmo. Todos os que chegavam ao lugar onde ele jazia morto se detinham.
24. Joab e Abisaí continuaram a perseguir Abner; o sol se punha quando chegaram à colina de Ama, a oriente de Giac, no caminho para o deserto de Gabaon.
25. Então os benjaminitas, que se tinham ajuntado atrás de Abner, formaram-se numa tropa e fizeram alto no cimo de uma colina.
26. Abner chamou Joab e disse-lhe: Não cessará a espada de devorar? Não sabes porventura que isso acabará mal? Que esperas para ordenar a esses homens que cessem de perseguir seus irmãos?
27. Joab respondeu: Pela vida de Deus! Se nada tivesses dito, esses homens não teriam cessado de perseguir seus irmãos antes de amanhã.
28. Joab tocou a trombeta; a tropa cessou de perseguir os israelitas, e o combate terminou.
29. Abner e sua gente caminharam toda a noite na planície; passaram o Jordão, seguiram todo o desfiladeiro e atingiram Maanaim.
30. Joab, tendo cessado a perseguição, juntou todo o seu povo: faltavam dezenove homens da gente de Davi, sem contar Asael.
31. Mas os homens de Davi tinham matado trezentos e sessenta homens entre os benjaminitas e os de Abner.
32. Levaram Asael e sepultaram-no no túmulo de seu pai, em Belém. Joab e seus homens caminharam durante toda a noite; chegaram a Hebron ao despontar da aurora.

 
Capítulo 3

1. Prolongou-se por muito tempo a guerra entre a casa de Saul e a de Davi. Mas, à medida que o poder de Davi ia-se fortificando, a casa de Saul ia-se enfraquecendo cada vez mais.
2. Nasceram filhos a Davi em Hebron. Seu primogênito foi Amnon, de Aquinoã de Jezrael;
3. Queleab, o segundo, de Abigail, viúva de Nabal, o carmelita; Absalão, o terceiro, filho de Maaca, filha de Tolmai, rei de Gessur;
4. o quarto, Adonias, filho de Hagit; Safatia, o quinto, filho de Abital,
5. e o sexto Jetraão, filho de Egla, mulher de Davi. Estes foram os filhos que nasceram a Davi em Hebron.
6. Enquanto durou a guerra entre a casa de Saul e a de Davi, Abner teve autoridade na casa de Saul.
7. Ora, Saul tinha uma concubina chamada Resfa, filha de Aia. Isboset disse a Abner: Por que te aproximaste da concubina de meu pai?
8. Abner indignou-se com estas palavras de Isboset e disse: Sou porventura uma cabeça de cão a serviço de Judá? Enquanto neste momento trabalho pela casa de Saul, teu pai, pelos seus irmãos e seus amigos, não os deixando cair nas mãos de Davi, vens tu acusar-me de pecado com esta mulher?
9. Deus me trate com o maior rigor, se eu não procurar para Davi tudo o que o Senhor lhe prometeu,
10. a saber, tirar a realeza da casa de Saul e firmar o trono de Davi sobre Israel e sobre Judá, desde Dã até Bersabéia!
11. Isboset não soube o que responder a Abner, porque o temia.
12. Abner enviou então mensageiros a Davi, para dizer-lhe: De quem é a terra? Faze aliança comigo e eu te darei mão forte para reunir em torno de ti todo o Israel.
13. Davi respondeu: Está bem; farei aliança contigo, mas com uma condição: não te apresentarás diante de mim sem trazer contigo Micol, a filha de Saul, quando vieres ver-me.
14. Davi enviou mensageiros a Isboset, filho de Saul, para dizer-lhe: Devolve a minha mulher Micol, que desposei ao preço de cem prepúcios de filisteus.
15. Isboset ordenou que a tirassem de seu marido, Faltiel, filho de Lais,
16. que a acompanhou chorando até Bahurim. Ali, Abner disse-lhe: Volta para a tua casa. E ele voltou.
17. Abner pôs-se em contato com os anciãos de Israel e disse-lhes: Já faz tempo que desejais ter Davi por rei.
18. Fazei-o, pois, agora, porque o Senhor disse de Davi: por meio de Davi, meu servo, livrarei o meu povo de Israel da mão dos filisteus e de todos os seus inimigos.
19. Abner, que havia dito a mesma coisa aos benjaminitas, foi a Hebron para informar Davi de tudo o que fora aceito por Israel e por toda a casa de Benjamim.
20. E apresentou-se a Davi, em Hebron, acompanhado de vinte homens. Davi deu um banquete a Abner e seus companheiros.
21. Disse então Abner a Davi: Irei para reunir ao redor de meu senhor, o rei, todos os israelitas; farão aliança contigo e reinarás sobre toda a terra que quiseres. Davi despediu Abner, que partiu tranqüilamente.
22. Entretanto, os homens de Davi voltavam com Joab de uma expedição, trazendo uma grande presa. (Abner não estava mais com Davi em Hebron, porque Davi o tinha despedido e ele partira em paz.)
23. E, voltando Joab com toda a sua tropa, disseram-lhe que Abner, filho de Ner, viera ter com o rei, e este o deixara ir em paz.
24. Joab foi ter com o rei e disse-lhe: Que fizeste? Abner, filho de Ner, veio a ti; por que o deixaste partir?
25. Tu o conheces; (bem sabes que) é para enganar-te, para espiar tuas idas e vindas e sondar tudo o que fazes.
26. Deixando Davi, Joab mandou emissários atrás de Abner, que o fizeram voltar do poço de Sira, sem que Davi o soubesse.
27. Quando Abner chegou a Hebron, Joab, tomou-o à parte, para dentro da porta, como para falar-lhe em particular, e feriu-o ali mortalmente no ventre, vingando o sangue de seu irmão Asael.
28. Quando Davi soube do acontecido, exclamou: Sou inocente, eu e o meu reino, diante do Senhor, do sangue de Abner, filho de Ner!
29. Que ele caia sobre a cabeça de Joab e de toda a sua família! Não faltem jamais em sua casa homens atacados de sarna ou lepra, que trabalhem no fuso, caiam pela espada, definhem de fome!
30. Joab e seu irmão Abisaí tinham assassinado Abner por ter este matado seu irmão Asael depois da batalha de Gabaon.
31. Davi disse a Joab e a toda a sua tropa: Rasgai vossas vestes, cobri-vos de sacos e pranteai Abner! E o rei seguiu atrás do féretro.
32. Sepultaram Abner em Hebron. O rei pôs-se a chorar em alta voz sobre seu túmulo, e todo o povo chorou.
33. E Davi cantou a seguinte lamentação, chorando Abner: Devia Abner morrer como morrem os insensatos?!
34. Tuas mãos não estavam algemadas, nem acorrentados os teus pés. Caíste como se cai diante de celerados.
35. E o povo chorou sobre ele. Depois, como todo mundo viesse a Davi insistindo em que ele tomasse algum alimento antes de acabar o dia, ele fez este juramento: Que o Senhor me trate com todo o seu rigor, se eu comer pão ou qualquer outra coisa, antes do pôr-do-sol.
36. Todo o povo o soube e o aprovou, como aliás lhe parecia sempre bom tudo o que o rei fazia.
37. Todo o exército e todo o Israel reconheceu naquele dia que o rei não tivera parte alguma no assassínio de Abner, filho de Ner.
38. O rei disse aos seus servos: Não sabeis que um chefe, um grande chefe caiu hoje em Israel?
39. Quanto a mim, sou ainda fraco, embora tenha recebido a unção real. Esses homens, filhos de Sarvia, são mais fortes do que eu. Que o Senhor retribua àqueles que fizeram o mal segundo os seus próprios atos!

 
Capítulo 4

1. Quando o filho de Saul soube da morte de Abner, em Hebron, perdeu o ânimo e todo o Israel ficou consternado.
2. Ora, tinha ele a seu serviço dois chefes de bando, um chamado Baana e o outro Recab, ambos filhos de Remon de Berot, benjaminitas. (Porque Berot também fora contada entre os benjaminitas,
3. embora seus habitantes se tenham refugiado em Getaim, onde residem até hoje.)
4. Jônatas, filho de Saul, tinha também um filho paralítico dos dois pés, o qual tinha cinco anos quando chegou de Jezrael a notícia da morte de Saul e de Jônatas. Sua ama fugiu levando-o consigo, mas, na precipitação da fuga, o menino caiu e ficou manco. Chamava-se Mifiboset.
5. Os filhos de Remon de Berot partiram no maior calor do dia e foram à casa de Isboset, que estava dormindo a sesta.
6. Penetraram na casa sob o pretexto de buscar trigo e feriram-no no ventre. Recab e seu irmão Baana conseguiram entrar furtivamente
7. e, tendo penetrado na casa, onde Isboset repousava no seu leito, no quarto de dormir, feriram-no de morte e cortaram-lhe a cabeça. Tomaram-na depois consigo e andaram toda a noite pelo caminho da planície.
8. E levaram a cabeça de Isboset a Davi, em Hebron. Eis aqui, disseram-lhe, a cabeça de Isboset, filho de Saul, teu inimigo que queria matar-te. O Senhor vingou hoje o rei, meu senhor, de Saul e de sua raça.
9. Mas Davi respondeu a Recab e ao seu irmão Baana, filhos de Remon de Berot: Pela vida de Deus, que me salvou de todos os perigos!
10. O homem que me veio anunciar a morte de Saul, cuidando trazer-me uma boa notícia, tomei-o e matei-o em Siceleg, em recompensa de sua boa mensagem.
11. Quanto mais agora a homens celerados que mataram um inocente dentro de sua casa, em seu leito, não vos pedirei eu conta de seu sangue, e não vos farei desaparecer da terra?
12. Davi ordenou aos seus homens que os matassem. Cortaram-lhes as mãos e os pés e penduraram-nos junto da piscina de Hebron. A cabeça de Isboset foi recolhida e depositada no túmulo de Abner, em Hebron.

 
Capítulo 5

1. Todas as tribos de Israel vieram ter com Davi em Hebron e disseram,-lhe: Vê: não somos nós teus ossos e tua carne?
2. Já antes, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. O Senhor te disse: és tu que apascentarás o meu povo e serás o chefe de Israel.
3. Vieram, pois, todos os anciãos de Israel ter com o rei em Hebron. Davi fez com eles um tratado diante do Senhor e eles sagraram-no rei de Israel.
4. Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e seu reinado durou quarenta anos:
5. sete anos e meio sobre Judá, em Hebron, e depois trinta e três anos em Jerusalém, sobre todo o Israel e Judá.
6. Davi partiu com seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que ocupavam a terra. Estes disseram a Davi: Tu não entrarás aqui: cegos e coxos te repelirão! (O que queria dizer: Davi não entrará jamais aqui.)
7. Mas Davi apoderou-se da fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi.
8. Davi dissera naquele dia: Quem quiser abater os jebuseus, siga o canal para atingir esses cegos e coxos, inimigos de Davi. De onde o ditado: Nem cego nem coxo entrarão na casa.
9. Davi estabeleceu-se na fortaleza e chamou-a Cidade de Davi. Cercou-a de muralhas desde Milo, e construiu no interior.
10. Davi ia-se fortificando, e o Senhor, Deus dos exércitos, estava com ele.
11. O rei de Tiro, Hirão, mandou-lhe mensageiros, com madeira de cedro, carpinteiros e pedreiros, para construir-lhe um palácio.
12. Davi reconheceu que o Senhor firmava o seu trono em Israel e exaltava a sua realeza por causa de seu povo.
13. Davi tomou mais concubinas e mulheres em Jerusalém, depois que deixou Hebron, e teve delas filhos e filhas.
14. Eis os nomes dos filhos que teve em Jerusalém:
15. Samua, Sobab, Natã, Salomão, Jebaar, Elisua, Nefeg,
16. Jafia, Elisama, Elioda e Elifalet.
17. Quando os filisteus souberam que Davi fora ungido rei de Israel, puseram-se todos em campanha para apoderar-se dele. Informado disto, Davi desceu à fortaleza.
18. Os filisteus, desde que chegaram, espalharam-se pelo vale dos Gigantes.
19. Davi consultou o Senhor, dizendo: Devo subir ao encontro dos filisteus? Entregá-los-eis nas minhas mãos? Vai, respondeu o Senhor, eu os entregarei certamente nas tuas mãos.
20. Veio Davi a Baal-Farasim, onde os derrotou. O Senhor, disse ele, rompeu os meus inimigos diante de mim, como as águas rompem os diques. Por isso chamou àquele lugar Baal-Farasim.
21. Os filisteus abandonaram ali seus ídolos; Davi e seus homens os levaram.
22. Os filisteus voltaram ao ataque, espalhando-se pelo vale dos Gigantes.
23. Davi consultou o Senhor, que lhe respondeu: Não vás ao seu encontro, mas dá a volta por detrás deles e os atingirás do lado das amoreiras.
24. Quando ouvires um rumor de passos, então apressa-te e ataca, porque o Senhor irá adiante de ti para esmagar o exército dos filisteus.
25. Davi fez como lhe ordenara o Senhor, e feriu os filisteus desde Gabaa até Gezer.

 
Capítulo 6

1. Davi reuniu de novo todo o escol de Israel, ou seja trinta mil homens,
2. e pôs-se a caminho com toda a sua gente, indo a Baalé de Judá, para trazer dali a arca de Deus, sobre a qual é invocado o nome, o nome do Senhor dos exércitos, que se assenta sobre os querubins.
3. Colocaram a arca de Deus num carro novo, e levaram-na da casa de Abinadab, situada na colina. Oza e Aquio, filhos de Abinadab conduziram o carro novo.
4. (Oza ia) junto da arca de Deus e Aquio marchava diante dela.
5. Davi e toda a casa de Israel dançavam com todo o entusiasmo diante do Senhor, e cantavam acompanhados de harpas e de cítaras, de tamborins, de sistros e de címbalos.
6. Quando chegaram à eira de Nacon, Oza estendeu a mão para a arca do Senhor e susteve-a, porque os bois tinham escorregado.
7. Então a cólera do Senhor se inflamou contra Oza; feriu-o Deus por causa de sua imprudência, e Oza morreu ali mesmo, perto da arca de Deus.
8. Davi contristou-se por ter Deus feito essa brecha, ferindo Oza, e por isso chamou àquele lugar Feres-Oza, nome que traz ainda hoje.
9. Naquele dia, Davi teve medo do Senhor, e disse: Como entrará a arca do Senhor em minha casa?
10. E não quis deixá-la entrar em sua casa, na cidade de Davi; mandou levá-la para a casa de Obed-Edom de Get.
11. Ficou a arca do Senhor três meses na casa de Obed-Edom de Get, e o Senhor abençoou-o com toda a sua família.
12. Foi anunciado ao rei que o Senhor abençoava a casa de Obed-Edom e todos os seus bens por causa da arca de Deus. Foi então Davi e fê-la transportar da casa de Obed-Edom para a cidade de Davi, no meio de grandes regozijos.
13. Quando os carregadores da arca do Senhor completavam seis passos, sacrificavam-se um boi e um bezerro cevado.
14. Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor, cingido com um efod de linho.
15. O rei e todos os israelitas conduziram a arca do Senhor, soltando gritos de alegria e tocando a trombeta.
16. Ao entrar a arca do Senhor na cidade de Davi, Micol, filha de Saul, olhando pela janela, viu o rei Davi saltando e dançando diante do Senhor, e desprezou-o em seu coração.
17. A arca foi introduzida e instalada em seu lugar, no centro do tabernáculo que Davi construíra para ela, e Davi ofereceu holocaustos e sacrifícios pacíficos.
18. Terminadas essas cerimônias, abençoou o povo em nome do Senhor dos exércitos,
19. e distribuiu a toda a multidão do povo de Israel, tanto aos homens como às mulheres, a cada um, um bolo, um pedaço de carne e uma torta. E retirou-se toda a multidão, indo cada um para a sua casa.
20. Voltando Davi para abençoar a família, Micol, filha de Saul, veio-lhe ao encontro e disse-lhe: Como se distinguiu hoje o rei de Israel, dando-se em espetáculo às servas de seus servos, e descobrindo-se sem pudor, como qualquer um do povo!
21. Foi diante do Senhor que dancei, replicou Davi; diante do Senhor que me escolheu e me preferiu a teu pai e a toda a tua família, para fazer-me o chefe de seu povo de Israel. Foi diante do Senhor que dancei.
22. E me abaixarei ainda mais, e me aviltarei aos teus olhos, mas serei honrado pelas escravas de que falaste.
23. E Micol, filha de Saul, não teve mais filhos até o dia de sua morte.

 
Capítulo 7

1. Ora, tendo o rei Davi acabado de instalar-se em sua residência, e tendo-lhe o Senhor dado paz, livrando-o de todos os inimigos que o cercavam,
2. disse ele ao profeta Natã: Vê: eu moro num palácio de cedro, e a arca de Deus está alojada numa tenda!
3. Natã respondeu-lhe: Pois bem: faze o que desejas fazer, porque o Senhor está contigo!
4. Mas a palavra do Senhor foi dirigida a Natã naquela mesma noite, e dizia:
5. Vai e dize ao meu servo Davi: eis o que diz o Senhor: Não és tu quem me edificará uma casa para eu habitar.
6. Desde que tirei da terra do Egito os filhos de Israel até o dia de hoje, não habitei casa alguma, mas, qual um viandante, tenho-me alojado sob a tenda e sob um tabernáculo improvisado.
7. E em todo esse tempo que andei no meio dos israelitas, falei eu porventura a algum dos chefes de Israel que encarreguei de apascentar o meu povo: por que não me edificas uma casa de cedro?
8. Dirás, pois, ao meu servo Davi: eis o que diz o Senhor dos exércitos: eu te tirei das pastagens onde guardavas tuas ovelhas para fazer de ti o chefe de meu povo de Israel.
9. Estive contigo em toda parte por onde andaste; exterminei diante de ti todos os teus inimigos, e fiz o teu nome comparável ao dos grandes da terra.
10. Designei um lugar para o meu povo de Israel: plantei-o nele, e ali ele mora, sem ser inquietado, e os maus não o oprimirão mais como outrora,
11. no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo. Concedo-te uma vida tranqüila, livrando-te de todos os teus inimigos. O Senhor anuncia-te que quer fazer-te uma casa.
12. Quando chegar o fim de teus dias e repousares com os teus pais, então suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas, e firmarei o seu reino.
13. Ele me construirá um templo, e firmarei para sempre o seu trono real.
14. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele cometer alguma falta, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de homens,
15. mas não lhe tirarei a minha graça, como a retirei de Saul, a quem afastei de ti.
16. Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de mim, e o teu trono está firme para sempre.
17. Natã comunicou a Davi todas as palavras dessa revelação.
18. O rei Davi veio apresentar-se ao Senhor e disse-lhe: Quem sou eu, Senhor Javé, e quem é a minha família, para que me tenhais trazido até aqui?
19. E como se isso parecesse pouco aos vossos olhos, Senhor Javé, fizestes promessas à casa de vosso servo, para tempos futuros! Acaso isso é normal para o homem, Senhor Javé?
20. Que poderia acrescentar ainda Davi? Vós conheceis o vosso servo, Senhor Javé.
21. Conforme a vossa palavra e segundo o impulso do vosso coração, fizestes todas essas grandes coisas para manifestá-las ao vosso servo.
22. Por isso sois grande, ó Senhor Javé. Ninguém há semelhante a vós, e não há outro Deus fora de vós, segundo tudo o que ouvimos dizer.
23. E que povo há na terra semelhante ao vosso povo de Israel, a quem seu Deus veio resgatar para que se tornasse o seu povo, dando-lhe um nome, operando em seu favor grandes e terríveis prodígios, e expulsando diante do seu povo resgatado do Egito as nações com os seus deuses?
24. Estabelecestes solidamente o vosso povo de Israel, para ser eternamente o vosso povo, e vós vos tornastes o seu Deus, ó Senhor.
25. E agora, Senhor Deus, cumpri para sempre a promessa que fizestes a respeito do vosso servo e da sua casa, e fazei como dissestes.
26. Então será para sempre exaltado o vosso nome, e dirão: o Senhor dos exércitos é o Deus de Israel. E permaneça estável diante do vós a casa de vosso servo Davi.
27. Porque vós mesmo, ó Senhor dos exércitos, fizestes ao vosso servo esta revelação: eu te construirei uma casa. Por isso o vosso servo atreveu-se a dirigir-vos esta prece.
28. Agora, ó Senhor Javé, vós sois Deus, e vossas palavras são a mesma verdade. Pois que prometestes ao vosso servo esta graça,
29. abençoai desde agora a sua casa, para que ela subsista para sempre diante de vós; porque sois vós, Senhor Javé, que falastes, e graças à vossa bênção a casa de vosso servo será abençoada para sempre.

 
Capítulo 8

1. Depois disso, Davi bateu os filisteus e os submeteu, tirando-lhes as rédeas do governo.
2. Depois bateu os moabitas e mediu-os com uma corda, fazendo-os deitar-se por terra: duas medidas de corda para a morte, e uma medida plena de corda para a vida. Os moabitas tornaram-se súditos de Davi e pagaram-lhe tributo.
3. Davi derrotou em seguida Hadadezer, filho de Roob, rei de Soba, quando este foi restabelecer o seu exército junto do rio.
4. Davi tomou-lhe mil e setecentos cavaleiros e vinte mil soldados de infantaria e cortou os jarretes de todos os cavalos de carros, dos quais somente reservou cem.
5. Os arameus de Damasco, tendo vindo em socorro de Hadadezer, foram feridos por Davi, que abateu vinte e dois mil deles.
6. Feito isso, estabeleceu guarnições em Arão de Damasco, e os arameus tornaram-se súditos de Davi, pagando-lhe tributo. Desse modo, o Senhor fazia que Davi triunfasse em toda parte por onde ia.
7. Tomou Davi os escudos de ouro que pertenciam aos soldados de Hadadezer e levou-os para Jerusalém.
8. De Bete e de Berot, cidades de Hadadezer, levou ainda bronze em grande quantidade.
9. Ouvindo Toú, rei de Hamat, que Davi tinha desbaratado o exército de Hadadezer,
10. mandou seu filho Adorão ao rei Davi para saudá-lo e felicitá-lo por ter combatido e vencido Hadadezer, pois este era inimigo de Toú. Adorão levou a Davi muitos presentes em prata, ouro e bronze,
11. que o rei consagrou ao Senhor, juntamente com a prata e o ouro de todos os povos que subjugara:
12. Edom, Moab, os amonitas, os filisteus, Amalec, e ainda o espólio de Hadadezer, filho de Roob, rei de Soba.
13. Voltando de sua vitória sobre os arameus, Davi aumentou ainda o seu renome, vencendo dezoito mil edomitas no vale do Sal.
14. Estabeleceu então governadores em Edom, e todos os edomitas tornaram-se súditos de Davi. E assim, o Senhor fazia com que Davi triunfasse em toda parte por onde ia.
15. Reinava pois Davi sobre todo o Israel, e praticava a justiça e a eqüidade para com todo o seu povo.
16. Joab, filho de Sarvia, comandava o exército; Josafá, filho de Ailud, era o cronista;
17. Sadoc, filho de Aquitob, e Aquimelec, filho de Abiatar, eram sacerdotes e Saraias era escriba.
18. Banaías, filho de Jojada, comandava os cereteus e os feleteus. Os filhos de Davi eram sacerdotes.

 
Capítulo 9

1. Davi disse: Terá ficado alguém da casa de Saul, a quem eu possa beneficiar em memória de Jônatas?
2. Ora, havia na família de Saul um servo chamado Siba. Levaram-no à presença de Davi, que lhe disse: És tu mesmo Siba? Para servir-te, respondeu ele.
3. Tornou o rei: Haverá ainda alguém da família de Saul a quem eu possa fazer misericórdia da parte de Deus? Há ainda um filho de Jônatas, respondeu Siba, paralítico dos dois pés.
4. E o rei perguntou: Onde está ele? Siba respondeu: Está na casa de Maquir, filho de Amiel, de Lodabar.
5. E o rei mandou buscá-lo na casa de Maquir, filho de Amiel de Lodabar.
6. Quando Mifiboset, o filho de Jônatas, filho de Saul, chegou diante de Davi, prostrou-se com o rosto por terra. Davi disse-lhe: Mifiboset! Para servir-te, respondeu ele.
7. Davi disse-lhe: Não temas. Quero fazer-te bem em memória de teu pai Jônatas, e te restituirei todos os bens de Saul, teu avô. Comerás à minha mesa.
8. Mifiboset prostrou-se, dizendo: Quem é o teu servo, para que dês atenção a um cão morto como eu?
9. O rei chamou Siba, o servo de Saul, e disse-lhe: Tudo o que pertenceu a Saul e à sua casa, eu darei ao filho de teu senhor.
10. Lavrarás a terra para ele, tu, teus filhos e tua gente, e levarás o produto de teu trabalho para servir de alimento à família de teu senhor. Quanto a Mifiboset, o filho de teu senhor, ele comerá sempre à minha mesa. Ora, Siba tinha quinze filhos e vinte escravos.
11. Siba disse ao rei: Teu servo fará o que o rei, meu senhor, lhe ordenou. Mifiboset comia, pois, à mesa do rei, como um de seus filhos.
12. Tinha ele um filho menor chamado Mica. Todos os que pertenciam à casa de Siba estavam a serviço de Mifiboset.
13. Este habitava em Jerusalém, pois comia todos os dias à mesa do rei, e era paralítico dos dois pés.

 
Capítulo 10

1. Aconteceu que, morrendo o rei dos amonitas, seu filho Hanon sucedeu-lhe no trono.
2. Vou pôr-me em boas relações com Hanon, filho de Naas, pensou Davi, assim como seu pai fez comigo. Enviou-lhe, pois, mensageiros que lhe exprimissem suas condolências pela morte de seu pai. Quando os servos de Davi chegaram à terra dos amonitas,
3. os chefes dos amonitas disseram ao seu senhor Hanon: Julgas que Davi pretende honrar teu pai, mandando-te consoladores? Não seria antes para examinar, espionar e destruir a cidade, que ele mandou os seus servos?
4. Então Hanon prendeu os servos de Davi, rapou-lhes metade da barba, cortou-lhes as vestes bem curtas e despediu-os.
5. Davi, tendo conhecimento disso, mandou mensageiros ao seu encontro – pois estavam profundamente humilhados – para dizer-lhes: Ficai em Jericó até que vossa barba tenha de novo crescido, e então voltareis.
6. Vendo os amonitas que se haviam tornado odiosos a Davi, mandaram delegados para tomarem ao seu soldo os arameus de Bet-Roob e os de Soba, ou seja, vinte mil soldados de infantaria, e o rei de Maaca, com mil homens, e os de Tob, com doze mil.
7. A esta notícia, Davi levantou todo o exército com Joab e os mais valentes.
8. Os amonitas puseram-se em linha de combate à entrada da porta, ao passo que os arameus de Soba e de Roob ficaram no campo com os homens de Tob e de Maaca.
9. Joab, vendo que estava preparada a batalha contra ele, tanto pela frente como por detrás, escolheu os melhores de Israel e formou-os em linha de batalha contra os arameus.
10. Confiou o resto do exército ao seu irmão Abisaí, que o pôs em linha de combate contra os amonitas.
11. Disse-lhe: Se os arameus prevalecerem contra mim, tu virás em meu socorro; e se os amonitas prevalecerem contra ti, eu irei em teu auxílio.
12. Coragem! Lutemos com valor por nosso povo e pelas cidades de nosso Deus. O Senhor faça o que lhe parecer melhor!
13. Joab avançou com sua tropa contra os arameus, que fugiram diante dele.
14. Vendo os arameus em fuga, recuaram também os amonitas diante de Abisaí e voltaram para a cidade. Joab deixou os amonitas e foi para Jerusalém.
15. Os arameus, vendo-se batidos pelos israelitas, reuniram-se em massa.
16. Hadadezer enviou então um delegado para mobilizar os arameus de além do rio, e estes vieram para Helão, tendo à sua frente Sobac, general de Hadadezer.
17. Davi, informado disso, reuniu todo o Israel, passou o Jordão e foi contra o Helão. Houve uma dura batalha entre os arameus e Davi,
18. mas os arameus fugiram diante de Israel; Davi matou-lhes setecentos cavalos de carros e quarenta mil homens. Feriu também o seu general Sobac, que morreu naquele mesmo lugar.
19. Todos os reis que eram vassalos de Hadadezer, vendo-se vencidos pelos israelitas, fizeram paz com eles e tornaram-se seus tributários. Daí por diante os arameus não ousaram mais dar socorro aos amonitas.

 
Capítulo 11

1. No ano seguinte, na época em que os reis saíam para a guerra, Davi enviou Joab com seus suboficiais e todo o Israel. Eles devastaram a terra dos amonitas e sitiaram Raba. Davi ficara em Jerusalém.
2. Uma tarde, Davi, levantando-se da cama, passeava pelo terraço de seu palácio. Do alto do terraço avistou uma mulher que se banhava, e que era muito formosa.
3. Informando-se Davi a respeito dela, disseram-lhe: É Betsabé, filha de Elião, mulher de Urias, o hiteu.
4. Então Davi mandou mensageiros que lha trouxessem. Ela veio e Davi dormiu com ela. Ora, a mulher, depois de purificar-se de sua imundície menstrual, voltou para a sua casa,
5. e vendo que concebera, mandou dizer a Davi: Estou grávida.
6. Então Davi enviou uma mensagem a Joab, dizendo-lhe: Manda-me Urias, o hiteu. Joab assim fez.
7. Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra.
8. E em seguida disse-lhe: Desce à tua casa, e lava os teus pés. Urias saiu do palácio do rei, e este mandou que o seguissem com um presente seu.
9. Mas Urias não desceu à sua casa; dormiu à porta do palácio com os demais servos de seu amo.
10. Comunicaram-no a Davi: Urias não foi à sua casa. O rei então lhe disse: Não voltaste porventura de uma viagem? Por que não vais à tua casa?
11. A arca, respondeu Urias, se aloja debaixo de uma tenda, assim como Israel e Judá. Joab, meu chefe, e seus suboficiais acampam ao relento, e teria eu ainda a coragem de entrar em minha casa para comer, beber e dormir com minha mulher? Pela tua vida, não farei tal coisa.
12. Davi disse-lhe: Fica ainda hoje aqui; amanhã te despedirei. E Urias permaneceu em Jerusalém naquele dia. No dia seguinte,
13. Davi o convidou, fê-lo comer e beber em sua presença, e embriagou-o. Mas à noite, Urias não desceu à sua casa; saiu e deitou-se com os demais servos de seu senhor.
14. Na manhã seguinte Davi escreve uma carta a Joab, enviando-a por Urias.
15. Dizia na carta: Coloca Urias na frente, onde o combate for mais renhido, e desamparai-o para que ele seja ferido e morra.
16. Joab, que sitiava a cidade, pôs Urias no lugar onde sabia que estavam os mais valorosos guerreiros.
17. Saíram os assediados contra Joab, e tombaram alguns dos homens de Davi: morreu também Urias, o hiteu.
18. Joab mandou informar Davi de todas as peripécias do combate,
19. ordenando ao mensageiro: Quando tiveres contado ao rei todos os pormenores do combate,
20. se ele se indignar e te disser: Por que vos aproximastes da cidade para lutar? Não sabeis que atiram projéteis do alto da muralha?
21. Quem matou Abimelec, filho de Jerobaal? Não foi uma mulher quem lhe atirou uma pedra de moinho de cima do muro, morrendo ele em Tebes? Por que vos aproximastes dos muros? – dirás então: Morreu também o teu servo Urias, o hiteu.
22. Partiu, pois, o mensageiro e foi ter com o rei em Jerusalém; logo que chegou, contou-lhe tudo o que Joab lhe tinha mandado.
23. Disse ele: Os inimigos, levando vantagem sobre nós, saíram contra nós em pleno campo, mas nós os fizemos recuar até a porta da cidade.
24. Então, do alto da muralha, os arqueiros atiraram sobre os teus servos, e morreram dezoito dos servos do rei; morreu também o servo Urias, o hiteu.
25. O rei respondeu ao mensageiro: Dize a Joab que não se aflija por causa disso, pois a espada devasta ora aqui, ora ali. Mas que ele prossiga vigorosamente a sua luta contra a cidade, até destruí-la. Quanto a ti, encoraja-o.
26. Ao saber da morte de seu marido, a mulher de Urias chorou-o.
27. Passado o luto, Davi mandou buscá-la e recolheu-a em sua casa. Ela se tornou sua mulher e lhe deu um filho. Mas o procedimento de Davi desagradara ao Senhor.

 
Capítulo 12

1. O Senhor mandou a Davi o profeta Natã; este entrou em sua casa e disse-lhe: Dois homens moravam na mesma cidade, um rico e outro pobre.
2. O rico possuía ovelhas e bois em grande quantidade;
3. o pobre, porém, só tinha uma ovelha, pequenina, que ele comprara. Ele a criava e ela crescia junto dele, com os seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do seu copo e dormindo no seu seio; era para ele como uma filha.
4. Certo dia, chegou à casa do homem rico a visita de um estranho, e ele, não querendo tomar de suas ovelhas nem de seus bois para aprontá-los e dar de comer ao hóspede que lhe tinha chegado, foi e apoderou-se da ovelhinha do pobre, preparando-a para o seu hóspede.
5. Davi, indignado contra tal homem, disse a Natã: Pela vida de Deus! O homem que fez isso merece a morte.
6. Ele restituirá sete vezes o valor da ovelha, por ter feito isso e não ter tido compaixão.
7. Natã disse então a Davi: Tu és esse homem. Eis o que diz o Senhor Deus de Israel: ungi-te rei de Israel, salvei-te das mãos de Saul,
8. dei-te a casa do teu senhor e pus as suas mulheres nos teus braços. Entreguei-te a casa de Israel e de Judá e, se isso fosse ainda pouco, eu teria ajuntado outros favores.
9. Por que desprezaste o Senhor, fazendo o que é mau aos seus olhos? Feriste com a espada Urias, o hiteu, para fazer de sua mulher a tua esposa, e o fizeste perecer pela espada dos amonitas.
10. Por isso, jamais se afastará a espada de tua casa, porque me desprezaste, tomando a mulher de Urias, o hiteu, para fazer dela a tua esposa.
11. Eis o que diz o Senhor: vou fazer com que se levantem contra ti males vindos de tua própria casa. Sob os teus olhos, tomarei as tuas mulheres e dá-las-ei a um outro que dormirá com elas à luz do sol!
12. Porque agiste em segredo, mas eu o farei diante de todo o Israel e diante do sol.
13. Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor. Natã respondeu-lhe: O Senhor perdoa o teu pecado; não morrerás.
14. Todavia, como desprezaste o Senhor com essa ação, morrerá o filho que te nasceu.
15. E Natã voltou para sua casa. O Senhor feriu o menino que a mulher de Urias tinha dado a Davi, e ele adoeceu gravemente.
16. Davi suplicou ao Senhor pelo menino; jejuou e passou a noite em sua casa prostrado por terra, vestido com um saco.
17. Os anciãos de sua casa, de pé junto dele, insistiam em que ele se levantasse do chão, mas ele não o quis, nem tomou com eles alimento algum.
18. Ao sétimo dia, morreu o menino, e os servos do rei não ousavam dar-lhe a notícia, pensando: Quando o menino ainda vivia, nós lhe falávamos e ele não queria ouvir-nos; quanto mais se afligirá agora, se lhe anunciarmos que o menino morreu? Seria uma desgraça.
19. Davi notou que seus servos cochichavam entre si, e compreendeu que o menino morrera. Perguntou-lhes: Morreu o menino? Sim, responderam-lhe.
20. Então Davi levantou-se do chão, lavou-se, perfumou-se, mudou de roupa e entrou na casa do Senhor para se prostrar. De volta à sua casa, mandou que lhe servissem a refeição, e comeu.
21. Seus servos disseram-lhe: Que fazes? Quando a criança ainda vivia, jejuavas e choravas; agora, que morreu, tu te levantas e comes.
22. Eu jejuava e orava pelo menino enquanto vivia, respondeu ele, porque dizia comigo: Quem sabe, talvez o Senhor terá pena de mim e o menino ficará bom?
23. Mas agora, que morreu, para que jejuar ainda? Posso por acaso fazê-lo voltar à vida? Eu é que irei para junto dele; ele, porém, não voltará mais a mim!
24. Davi consolou Betsabé, sua mulher. Foi procurá-la e dormiu com ela. Ela concebeu e deu à luz um filho, ao qual chamou Salomão. O Senhor o amou,
25. e revelou isto a Davi por intermédio do profeta Natã, que deu ao menino o sobrenome de Amado-de-Javé, segundo a ordem do Senhor.
26. Joab, que sitiava Raba dos amonitas, apoderou-se da cidade das Águas.
27. E enviou a Davi mensageiros com esta notícia: Assaltei Raba e ocupei a cidade das Águas.
28. Ajunta o resto do exército, vem acampar perto da cidade e tomá-la, para não acontecer que, tomando-a eu, seja-lhe dado o meu nome.
29. Reuniu Davi todo o exército e foi contra Raba, assaltando-a e tomando-a.
30. Tirou a coroa da cabeça de Milcom. Esta pesava um talento de ouro, e era ornada de uma pedra preciosa, que foi colocada sobre a cabeça de Davi. O rei levou da cidade grande quantidade de despojos.
31. Quanto à sua população, fê-la sair para empregá-la em serrar, em trabalhar com a picareta e o machado e em fazer tijolos. Assim fez com todas as cidades dos amonitas. E Davi voltou com todas as suas tropas para Jerusalém.

 
Capítulo 13

1. Aconteceu, depois disso, que Amnon, filho de Davi, se enamorou de Tamar, irmã de Absalão, filho de Davi, que era muito bela.
2. Amnon se consumia de tal modo por Tamar, sua irmã, a ponto de ficar doente, pois ela era virgem e parecia-lhe impossível fazer-lhe o que quer que fosse.
3. Ora, Amnon tinha um amigo chamado Jonadab, filho de Semaa, irmão de Davi, o qual era muito sagaz.
4. Disse ele a Amnon: Por que, ó príncipe, estás tão abatido todas as manhãs? Não mo queres dizer? É que amo Tamar, respondeu Amnon, a irmã de meu irmão Absalão.
5. Jonadab disse-lhe: Deita em tua cama, e finge-te doente. Quando o teu pai vier ver-te, tu lhe dirás: Permite que Tamar venha dar-me de comer, preparando a comida diante de mim, a fim de que eu coma iguarias preparadas por sua mão.
6. Amnon deitou-se e fingiu que estava enfermo. Quando o rei veio visitá-lo, ele disse-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha preparar à minha vista dois pasteizinhos, para que eu coma de sua mão.
7. Davi mandou dizer a Tamar, no palácio: Vai à casa de teu irmão Amnon e prepara-lhe sua refeição.
8. Tamar foi ter com o seu irmão Amnon, que estava deitado. Tomou farinha, amassou e fez os pastéis à sua vista.
9. Depois de tê-los cozido, tomou a panela e despejou-a diante dele, mas Amnon não quis comer, e disse: Manda sair todos daqui. E retiraram-se todos os que estavam junto dele,
10. Amnon disse então a Tamar: Traze o prato no meu quarto, para que eu coma de tua mão. Tamar tomou os pastéis que fizera e levou-os ao seu irmão no quarto.
11. E quando ela os oferecia a Amnon para que comesse, este segurou-a, dizendo: Vem, deita-te comigo, minha irmã!
12. Não, meu irmão, disse-lhe ela; não me violentes. Não se faz uma tal coisa em Israel. Não cometas semelhante infâmia.
13. Aonde levaria eu o meu opróbrio? E tu serias olhado como um ímpio em Israel! É melhor que fales ao rei: ele não recusará dar-me a ti.
14. Mas ele não quis dar-lhe ouvidos e, como era mais forte que ela, violentou-a e se deitou com ela.
15. E logo a seguir Amnon concebeu uma profunda aversão por ela, mais violenta do que o amor que antes lhe tivera. Levanta-te, disse-lhe ele, e vai-te!
16. Não, meu irmão, respondeu ela; o ultraje que me farias, expulsando-me, seria ainda mais grave do que o que me acabas de fazer. Ele, porém, não quis ouvi-la;
17. chamou o seu servo e disse-lhe: Põe fora daqui esta moça que me está importunando, e fecha a porta atrás dela.
18. (Ela trazia um vestido comprido, como se vestiam outrora as donzelas filhas do rei.) O servo expulsou-a, fechando a porta atrás dela.
19. Tamar derramou então cinza sobre a cabeça, rasgou o seu longo vestido e, pondo a mão sobre a cabeça, afastou-se gritando.
20. Seu irmão Absalão disse-lhe: Esteve realmente contigo Amnon, teu irmão? Por agora, cala-te, minha irmã; ele é teu irmão: não penses mais nisso. E Tamar permaneceu consternada, na casa de seu irmão Absalão.
21. O rei Davi soube de tudo o que se tinha passado, e inflamou-se com violência a sua cólera, mas não quis afligir seu filho Amnon, pois o amava por ser o seu primogênito.
22. Quanto a Absalão, este não disse a Amnon uma só palavra, nem boa nem má, porque o odiava, por ter ele violado sua irmã Tamar.
23. Passados dois anos, Absalão tosquiava suas ovelhas em Baal Hasor, perto de Efraim, e convidou todos os filhos do rei.
24. Veio ter com o rei e disse-lhe: Eis que se tosquiam as ovelhas de teu servo; venha, pois, o rei com os seus familiares à casa do teu servo.
25. O rei disse-lhe: Não, meu filho, não iremos todos, para não te sermos pesados. Malgrado instâncias de Absalão, o rei não quis ir, e o abençoou.
26. Absalão replicou: Se tu não vens, deixa ao menos que venha conosco o meu irmão Amnon. Por que, disse Davi, iria ele contigo?
27. Mas Absalão tanto insistiu que Davi deixou partir com ele Amnon e todos os filhos do rei. E Absalão organizou um banquete real.
28. Ora, Absalão dera aos seus criados a ordem seguinte: Ouvi! Quando Amnon tiver o coração alegre por causa do vinho, e eu vos disser: Feri Amnon!, então vós o matareis; não tenhais medo, porque sou eu quem vo-lo ordena. Coragem, e sede homens fortes!
29. Os servos de Absalão fizeram a Amnon conforme o seu senhor lhes ordenara. Então todos os filhos do rei se levantaram, montaram nas suas mulas e fugiram.
30. Estavam ainda a caminho, quando chegou ao rei o boato que dizia: Absalão feriu todos os príncipes; nenhum se salvou!
31. O rei levantou-se, rasgou suas vestes e prostrou-se por terra; e todos os que o rodeavam rasgaram também as suas vestes.
32. Mas Jonadab, filho de Semaa, irmão de Davi, tomou a palavra: Não pense o rei, meu senhor, que foram assassinados todos os jovens. Só Amnon morreu, porque Absalão decidira matá-lo desde o dia em que ele violou sua irmã Tamar.
33. Não acredite o rei, meu senhor, que morreram todos os príncipes. Só Amnon pereceu,
34. e seus outros irmãos estão vivos. Entretanto, Absalão fugira. A sentinela, levantando os olhos, viu uma grande tropa que descia pelo declive do caminho de Horonaim, e veio anunciar ao rei: Vi homens que vinham pelo caminho de Horonaim, no flanco da montanha.
35. Jonadab disse ao rei: São os príncipes que chegam; é bem como tinha dito o teu servo.
36. Falava ele ainda, quando entraram os filhos do rei e puseram-se a chorar. Então o rei e todos os seus derramaram abundantes lágrimas.
37. Quanto a Absalão, fugira para junto de Tolomai, filho de Amiud, rei de Gessur.
38. Enquanto isso, Davi continuava de luto pelo filho. E Absalão permaneceu três anos em Gessur, para onde fugira.
39. O ânimo do rei cessou de irritar-se contra Absalão, tendo-se consolado da perda de Amnon.

 
Capítulo 14

1. Joab, filho de Sarvia, percebendo que o coração do rei (se voltava de novo) para Absalão,
2. mandou vir de Técua uma mulher habilidosa e disse-lhe: Põe-te de luto; toma vestes de luto e não te unjas, para pareceres uma mulher que chora um morto há muito tempo.
3. Virás então ter com o rei e lhe falarás assim e assim. E Joab sugeriu-lhe o que ela devia dizer.
4. A mulher veio, pois, de Técua, e apresentou-se ao rei; lançou-se por terra e prostrou-se, dizendo: Salva-me, ó rei, salva-me!
5. O rei disse-lhe: Que tens? Ai de mim, disse ela, sou uma viúva. Meu marido morreu.
6. Tua serva tinha dois filhos. Brigaram no campo, e não havendo quem os separasse, um deles feriu o outro e matou-o.
7. E eis que agora se levanta contra a tua serva toda a família, dizendo-lhe: dá-nos o fratricida, para o matarmos em castigo do sangue do irmão que ele matou, e exterminaremos o herdeiro. Querem assim apagar a última brasa que me resta, de modo que não se conserve de meu marido nem nome, nem posteridade na terra.
8. O rei disse à mulher: Volta para a tua casa; tomarei providências a teu respeito.
9. Mas a mulher de Técua disse ao rei: Sobre mim, e não sobre a casa de meu pai recaia a culpa; o rei e o seu trono serão inocentes.
10. O rei disse-lhe: Se alguém te ameaçar, traze-o à minha presença, e ele não te incomodará mais.
11. Ela ajuntou: Queira o rei lembrar-se do Senhor, seu Deus, para que o vingador do sangue não agrave a desgraça, matando o meu filho! Pela vida de Deus, disse ele, não cairá um só cabelo da cabeça de teu filho!
12. A mulher então disse: Permite que a tua serva diga uma palavra ao rei, meu senhor? Fala.
13. Por que, pois, pensas fazer o mesmo contra o povo do Senhor? Pronunciando essa sentença, o rei se confessa culpado, pelo fato de não se lembrar daquele que desterrou.
14. Quando morremos, somos como a água que não mais se pode recolher, uma vez derramada por terra. Deus não faz voltar uma alma. Cuide, pois, o rei, que o banido não fique mais exilado longe dele.
15. Se eu vim falar desse assunto ao rei, foi porque o povo me aterrou. A tua serva disse: falarei ao rei: talvez o rei faça o que eu lhe pedir;
16. sim, o rei me ouvirá e livrar-me-á da mão do homem que procura excluir-nos, a mim o meu filho, da herança do Senhor.
17. Que o rei, ajuntou ela, se digne pronunciar uma palavra de paz, porque o rei, meu senhor, é como um anjo de Deus para discernir o bem do mal. Que o senhor, teu Deus, seja contigo!
18. O rei disse à mulher: Não me escondas nada do que te vou perguntar. A mulher respondeu: Que o rei, meu senhor, fale.
19. Não anda a mão de Joab contigo em tudo isso? Por tua vida, respondeu-lhe ela, não se pode desviar para nenhum lado o que o rei acaba de dizer! Sim, foi o teu servo Joab quem me deu instruções e sugeriu à tua serva tudo o que ela disse.
20. Foi para dar a esse assunto uma nova feição que Joab fez isso. Porém tu, ó rei, meu senhor, és tão sábio como um anjo de Deus, para saber tudo o que se passa na terra!
21. O rei disse a Joab: A coisa está decidida. Vai, traze o jovem Absalão!
22. Joab prostrou-se com o rosto por terra, e abençoou o rei, dizendo: Agora o teu servo reconhece que ganhou o teu favor, ó rei, meu senhor, pois que o rei cumpriu o desejo de seu servo!
23. Joab foi a Gessur e trouxe Absalão para Jerusalém.
24. Mas o rei disse: Que ele vá para a sua casa, pois não será admitido à minha presença! Absalão retirou-se para a sua casa, e não se apresentou diante do rei.
25. Não havia em todo o Israel homem mais belo que Absalão, e que fosse tão admirado como ele. Da cabeça aos pés, não havia nele defeito algum.
26. Quando cortava o cabelo – o que fazia a cada ano, porque sua cabeleira se tornava por demais pesada -, o peso deste era de duzentos siclos, pelo peso real.
27. Nasceram-lhe três filhos e uma filha, chamada Tamar, que era de grande beleza.
28. Absalão permaneceu em Jerusalém dois anos antes de ser admitido à presença do rei.
29. Mandou chamar Joab para mandá-lo ao rei, mas ele não quis vir. Chamou-o uma segunda vez, e ele recusou-se de novo.
30. Disse então Absalão aos seus servos: Vedes o campo de Joab ao lado do meu, semeado de cevada? Ide e lançai-lhe fogo. Os servos de Absalão incendiaram o campo. Os servos de Joab foram ter com ele, rasgadas as suas vestes, e disseram-lhe: Os homens de Absalão incendiaram o teu campo.
31. Joab foi então à casa de Absalão, e disse: Por que incendiaram os teus homens o meu campo?
32. Absalão respondeu: Eu te mandara chamar, dizendo: vem, pois quero enviar-te ao rei para dizer-lhe: por que vim eu de Gessur? Seria melhor ter ficado lá. Quero ser admitido à presença do rei; se sou culpado, que me matem!
33. Joab foi ter com o rei e contou-lhe tudo. Absalão foi chamado, entrou à presença do rei e prostrou-se diante dele com o rosto por terra. E o rei o beijou.

 
Capítulo 15

1. Depois disso Absalão adquiriu para si um carro, cavalos e cinqüenta homens para escoltaram-no.
2. Colocava-se desde cedo à beira do caminho, junto à grande porta, e interpelava todos os que vinham procurar o rei para um julgamento, dizendo: De que cidade és tu? O outro respondia: Teu servo é de tal tribo de Israel.
3. Vê, dizia-lhe Absalão; a tua causa é boa e justa; mas não há ninguém para te ouvir da parte do rei.
4. E Absalão ajuntava: Oh, quem me dera ser juiz desta terra! Todo o que tivesse um litígio ou uma questão e viesse ter comigo, eu lhe faria justiça.
5. E se alguém se aproximava para se prostrar diante dele, estendia a mão, detinha-o e beijava-o.
6. Assim fazia Absalão com todos os israelitas que vinham procurar o rei para qualquer julgamento. E desse modo conquistou os corações dos israelitas.
7. Quatro anos se passaram. Absalão disse ao rei: Deixa-me ir a Hebron para cumprir ali uma promessa que fiz ao Senhor.
8. Quando o teu servo estava em Gessur, fez este voto: se Senhor me reconduzir a Jerusalém, irei prestar-lhe culto em Hebron.
9. Vai em paz, disse-lhe o rei. E ele foi para Hebron.
10. Absalão enviou emissários secretos a todas as tribos de Israel, com esta mensagem: Quando ouvirdes o som da trombeta, dizei: Absalão é rei em Hebron!
11. Ora, tinham partido de Jerusalém com Absalão duzentos homens, convidados por ele, que o seguiam com simplicidade de coração, sem nada suspeitar.
12. Enquanto oferecia os sacrifícios, Absalão mandou chamar também Aquitofel, gilonita, conselheiro de Davi, à sua cidade de Gilo. E assim a conjuração se fortificava e se tornava cada vez mais numerosa em torno de Absalão.
13. Vieram então anunciar a Davi: Os israelitas aderem a Absalão!
14. Davi disse então a todos os que estavam com ele em Jerusalém: Vamos, fujamos, porque não podemos de outro modo escapar a Absalão! Apressai-vos e parti, não suceda que ele nos surpreenda de repente, e nos inflija a ruína, passando a cidade ao fio da espada.
15. Os servos do rei disseram-lhe: Faça-se como ordenar o rei, meu senhor; somos teus servos.
16. O rei partiu a pé com toda a sua família, mas deixou dez concubinas para guardar o palácio.
17. O rei saiu, pois, a pé com todos os seus servos, e se detiveram na última casa.
18. Todo o seu exército desfilava ao seu lado; os cereteus, os feleteus e todos os geteus, em número de seiscentos homens que o tinham seguido desde Get, todos marchavam diante do rei.
19. O rei disse a Etai, o geteu: Por que vens também tu conosco? Volta e fica com o (novo) rei, pois és um estrangeiro, e mesmo um exilado de tua terra.
20. Chegaste ontem, e hoje vou fazer que andes errante conosco, não sabendo eu mesmo aonde vou? Volta. Toma os teus contigo, e que o Senhor seja misericordioso e fiel para contigo.
21. Mas Etai respondeu ao rei: Pela vida do Senhor, e pela vida do rei, meu senhor! Onde estiver o meu senhor e rei, ali estará também o teu servo, tanto para a morte como para a vida.
22. Está bem, disse Davi, passa. E Etai, o geteu, desfilou com todos os seus homens e com toda a sua comitiva.
23. E estando o rei junto do Cedron, enquanto desfilava o povo diante dele, tomando o caminho da oliveira do deserto, toda a terra chorava em alta voz.
24. Veio também Sadoc com todos os seus levitas, trazendo a arca da aliança de Deus. Depuseram-na, enquanto Abiatar subia, e até que tivesse passado todo o povo que tinha saído da cidade.
25. Disse então o rei a Sadoc: Reconduz a arca de Deus à cidade. Se eu achar graça aos olhos do Senhor, ele me reconduzirá e me fará revê-la, bem como o lugar de sua habitação.
26. Mas se disser que não quer mais saber de mim, eis-me aqui; faça de mim o que lhe aprouver.
27. O rei disse ainda a Sadoc: Vede: tu e Abiatar, voltai em paz para a cidade com Aquimaas, teu filho, e Jônatas, filho de Abiatar.
28. Eu vou arrastar-me pelas campinas do deserto, esperando que me mandeis notícias.
29. Sadoc e Abiatar reconduziram, pois, a arca de Deus para Jerusalém e lá ficaram.
30. Davi subiu chorando o monte das Oliveiras, cabeça coberta e descalço. Todo o povo que o acompanhava subia também chorando, com a cabeça coberta.
31. Foi anunciado a Davi que Aquitofel estava também entre os conjurados de Absalão. Davi disse: Fazei que se frustrem, ó Senhor, meu Deus, os desígnios de Aquitofel!
32. Ora, chegando Davi ao cume do monte, no lugar onde se adorava Deus, veio-lhe ao encontro Cusai, o araquita, com a túnica em farrapos e a cabeça coberta de pó.
33. Davi disse-lhe: Se vieres comigo, ser-me-ás pesado;
34. mas se voltares à cidade e disseres a Absalão: eu quero ser, ó rei, teu servo, como fui outrora servo de teu pai; doravante servir-te-ei a ti – então desconcertarás a meu favor o desígnio de Aquitofel.
35. Terás lá contigo os sacerdotes Sadoc e Abiatar, a quem comunicarás tudo o que souberes no palácio real.
36. Com eles estão os seus dois filhos, Aquimaas, filho de Sadoc, e Jônatas, filho de Abiatar; por eles me transmitireis tudo o que ouvirdes.
37. E Cusai, amigo de Davi, voltou para a cidade, no momento em que Absalão fazia a sua entrada em Jerusalém.

 
Capítulo 16

1. Tendo Davi avançado um pouco além do cume, viu que lhe vinha ao encontro Siba, servo de Mifiboset, com dois jumentos selados e carregados de duzentos pães, cem cachos de uvas secas, cem frutos maduros e um odre de vinho.
2. O rei disse-lhe: Que tens aí? Os jumentos, respondeu Siba, devem servir à família do rei, para que os montem; os pães e frutos servirão de comida para os teus servos, o vinho será para aqueles que se fatigarem no deserto.
3. O rei perguntou: Mas onde está o filho do teu senhor? Ficou em Jerusalém, respondeu Siba, alegando que agora a casa de Israel lhe devolveria o reino de seu pai.
4. O rei disse a Siba: Tudo o que possuía Mifiboset te pertence doravante. Eu me inclino diante de ti, respondeu ele; conserva-me a tua graça, ó rei, meu senhor.
5. Quando o rei chegou a Baurim, apareceu um homem da família da casa de Saul, chamado Semei, filho de Gera, o qual ia proferindo maldições enquanto andava.
6. Atirava pedras contra o rei Davi e contra todos os seus servos, embora todo o exército e todos os guerreiros valentes se encontrassem à direita e à esquerda do rei.
7. E o amaldiçoava, dizendo: Vai-te, vai-te embora, homem sanguinário e celerado.
8. O Senhor faz cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste; o Senhor entregou o reino ao teu filho Absalão. Eis-te oprimido de males, homem sanguinário que és!
9. Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei: Por que insulta esse cão morto ao rei, meu senhor? Deixa-me passar, vou cortar-lhe a cabeça.
10. Que nos importa, filho de Sarvia?, respondeu Davi. Deixa-o amaldiçoar. Se o Senhor lhe ordenou que me amaldiçoasse, quem poderia dizer-lhe: por que fazes isso?
11. E Davi disse a Abisai e à sua gente: Vede: se meu filho, fruto de minhas entranhas, conspira contra a minha vida, quanto mais agora esse benjaminita? Deixai-o amaldiçoar, se o Senhor lho ordenou.
12. Talvez o Senhor considere a minha aflição e me dê agora bens por esses ultrajes.
13. Davi e seus homens retomaram o seu caminho, mas Semei ia ao longo da montanha, ao lado dele, vomitando injúrias, atirando-lhe pedras e espalhando poeira pelo ar.
14. O rei e toda a sua tropa chegaram extenuados a… onde descansaram.
15. Absalão entrou em Jerusalém com toda a sua tropa de israelitas, acompanhado de Aquitofel.
16. Quando Cusai, o araquita amigo de Davi, se apresentou a Absalão, disse-lhe: Viva o rei! Viva o rei!
17. Absalão disse-lhe: É essa a tua afeição por teu amigo? Por que não partiste com ele?
18. Não, respondeu-lhe Cusai; eu sou daquele que escolheu o Senhor com todo esse povo: com esse é que eu ficarei.
19. Aliás, a quem serviria eu senão ao seu filho? Como servi a teu pai, assim te servirei a ti também.
20. Absalão disse a Aquitofel: Deliberai entre vós sobre o que devemos fazer.
21. Aquitofel respondeu-lhe: Aproxima-te das concubinas de teu pai, que ficaram aqui para guardar o palácio. Assim todo o Israel saberá que te tornaste odioso ao teu pai, e os teus partidários se animarão com maior coragem.
22. Armaram, pois, para Absalão uma tenda no terraço, e ali, à vista de todo o Israel, ele vinha abusar das concubinas de seu pai.
23. Ora, os conselhos que dava Aquitofel naquele tempo eram considerados como palavras de Deus; assim se consideravam todos os seus conselhos, tanto para Davi como para Absalão.

 
Capítulo 17

1. Aquitofel disse a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e irei ainda esta noite perseguir Davi.
2. Assaltá-lo-ei no momento em que estiver extenuado de fadiga: provocarei pânico, e todos os que estão com ele fugirão. O rei ficará sozinho, e então o ferirei;
3. e te reconduzirei todo o povo, assim como a esposa volta para o seu esposo. É só a um homem que procuras, e todo o povo estará em paz.
4. Esse conselho agradou a Absalão e a todos os anciãos de Israel.
5. No entanto, Absalão disse: Chamai Cusai, o araquita, e ouçamos também o que ele diz.
6. Chegando Cusai, Absalão disse-lhe: Eis o que propôs Aquitofel. Faremos o que ele disse? Se não, fala por tua vez!
7. Desta vez, respondeu Cusai, o conselho de Aquitofel não é bom.
8. Tu sabes, ajuntou ele, que teu pai e seus homens são valentes, e estão furiosos como a ursa a quem roubaram a cria na estepe. Teu pai é um guerreiro: ele não passará a noite com o exército.
9. Ele deve estar agora escondido em alguma gruta ou em qualquer outro lugar. E se vierem a cair desde o começo alguns do nosso exército, isso será publicado e dir-se-á: Houve uma derrota no partido de Absalão.
10. Então mesmo o mais valente desanimaria, ainda que tivesse um coração de leão, pois todo o Israel sabe que o teu pai é um herói, e que está acompanhado de homens valentes.
11. Eis o meu conselho: Que se mobilize todo o Israel, desde Dã até Bersabéia, e se reúnam junto de ti tão numerosos como os grãos de areia na praia do mar, indo tu mesmo no meio deles.
12. Atingi-lo-emos em qualquer lugar onde esteja, caindo contra ele como o orvalho cai sobre a terra, e não deixaremos vivos nem ele nem homem algum dos que estão com ele.
13. Se se refugiar nalguma cidade, todo o Israel trará cordas a essa cidade, e a arrastaremos até a torrente, de maneira que não fique dela uma só pedra!
14. Absalão e todos os israelitas acharam o conselho de Cusai melhor que o de Aquitofel. O Senhor decidira frustrar o bom conselho de Aquitofel, a fim de trazer a desgraça sobre Absalão.
15. Cusai disse aos sacerdotes Sadoc e Abiatar: Aquitofel aconselhou a Absalão e aos anciãos de Israel desse e desse modo; eu, porém, aconselhei-lhe assim e assim.
16. Mandai, pois, imediatamente a Davi esta mensagem: Não fiques esta noite nas planícies do deserto, mas atravessa-o sem demora, não suceda que sejam exterminados o rei e todo o povo que está com ele.
17. Jônatas e Aquimaas estavam em En-Rogel; uma criada foi dar-lhes as notícias, que eles mesmos levariam ao rei Davi, porque não deviam ser vistos entrando na cidade.
18. Mas um jovem os viu e avisou Absalão. Eles, porém, partiram com toda a pressa e entraram na casa de um homem em Baurim. Havia uma cisterna no pátio, onde se esconderam,
19. e a mulher colocou uma tampa sobre a cisterna, espalhando por cima grãos socados, de sorte que não se notava coisa alguma.
20. Os enviados de Absalão entraram na casa dessa mulher e disseram: Onde estão Aquimaas e Jônatas? Ela respondeu: Atravessaram o regato. Puseram-se a procurar, mas não encontrando ninguém, voltaram para Jerusalém.
21. Depois que partiram, saíram os jovens da cisterna e foram levar a notícia ao rei Davi, dizendo: Ide! Passai depressa as águas, porque Aquitofel deu o seguinte conselho contra vós.
22. Davi partiu com todos os seus homens, e passaram o Jordão. Ao amanhecer, não havia um só homem que não tivesse atravessado o rio.
23. Aquitofel, vendo que seu conselho não fora seguido, selou o seu jumento e tomou o caminho de sua casa, na sua cidade. Pôs em ordem os seus negócios e enforcou-se. Morto, foi enterrado no túmulo de seu pai.
24. Davi chegou a Maanaim quando Absalão passou o Jordão com os israelitas.
25. Absalão pusera Amasa à frente do exército em lugar de Joab. Esse Amasa era filho de um tal Jetra, ismaelita, que se unira a Abigail, filha de Naas, irmã de Sarvia, mãe de Joab.
26. Os israelitas e Absalão acamparam na terra de Galaad.
27. Quando Davi chegou a Maanaim, Sobi, filho de Naas, de Raba dos amonitas, Maquir, filho de Amiel de Lodabar, e Berzelai, o galaadita, de Rogelim,
28. vieram trazer-lhe camas, tapetes, copos e vasilhas, bem como trigo, cevada, farinha, grão torrado, favas, lentilhas,
29. mel, manteiga, ovelhas e queijos de leite de vaca. Trouxeram tudo isso a Davi e às suas tropas, para que se alimentassem, dizendo: Estes homens sofreram certamente fome, fadiga e sede no deserto.

 
Capítulo 18

1. Davi passou em revista as tropas que estavam com ele, e pôs à sua frente chefes de milhares e de centenas.
2. Depois dividiu o exército em três grupos: confiou um terço a Joab, um terço ao seu irmão Abisai, filho de Sarvia, e um terço a Etai, o geteu. E disse às tropas: Eu também marcharei convosco.
3. Mas o povo respondeu-lhe: Não, tu não irás; pois se fugíssemos, não dariam atenção a isso, e mesmo que morra a metade de nós, isso não lhes importaria; tu, porém, vales por dez mil de nós. É melhor que fiques na cidade, para poder vir em nosso socorro.
4. Farei, disse o rei, o que bem vos parecer. Postou-se então junto da porta, enquanto todo o exército saía formado em esquadrões de cem e de mil.
5. O rei deu esta ordem a Joab, a Abisai e a Etai: Por favor, poupai-me o jovem Absalão! Todo o povo ouviu a ordem que o rei deu aos chefes a respeito de Absalão.
6. Saiu o exército à campanha contra Israel e travou-se o combate na floresta de Efraim.
7. Os israelitas foram batidos pela gente de Davi, e houve naquele dia uma grande carnificina de vinte mil homens.
8. O combate estendeu-se por toda a região, devorando a floresta naquele dia mais homens do que a espada.
9. Absalão encontrou-se de repente em presença dos homens de Davi. Montava uma mula, e esta enfiou-se sob a folhagem espessa de um grande carvalho. A cabeça de Absalão prendeu-se nos galhos da árvore, e ele ficou suspenso entre o céu e a terra, enquanto a mula em que montava passava adiante.
10. Vendo isso, um homem informou a Joab, dizendo: Eu vi Absalão suspenso a um carvalho.
11. Se o viste, respondeu Joab ao mensageiro, por que não o abateste no mesmo lugar? Eu me sentiria no dever de dar-te dez siclos de prata e um cinturão.
12. O homem respondeu: Ainda que me pusessem nas mãos mil siclos de prata, eu não levantaria a mão contra o filho do rei, porque o rei ordenou a ti, a Abisai e a Etai, em nossa presença, que lhe poupassem o jovem Absalão.
13. E se eu tivesse cometido esse atentado contra a vida do jovem, nada se ocultaria ao rei, e tu mesmo te terias esquivado.
14. Joab disse: Não tenho tempo a perder contigo. Tomou, então, três dardos na mão e plantou-os no coração de Absalão. E estando ele ainda vivo no carvalho,
15. dez jovens escudeiros de Joab cercaram-no e deram-lhe os últimos golpes.
16. Joab tocou então a trombeta e o exército cessou de perseguir Israel, porque Joab deteve o povo.
17. Tomaram Absalão e jogaram-no numa grande fossa no interior da floresta, erguendo em seguida sobre ele um enorme monte de pedras. Entrementes, todo o Israel fugira, indo cada qual para a sua casa.
18. Ora, Absalão quando ainda vivia, mandara erigir para si o monumento que se encontra no vale do Rei, porque dizia: Não tenho filhos para perpetuar a memória de meu nome. E deu o seu próprio nome ao monumento que se chama ainda hoje o monumento de Absalão.
19. Aquimaas, filho de Sadoc, disse: Vou correndo anunciar ao rei a boa nova de que o Senhor lhe fez justiça, livrando-o de seus inimigos.
20. Mas Joab disse-lhe: Não lhe levarás hoje essa notícia, mas outro dia; não hoje, porque morreu o filho do rei.
21. E dirigindo-se a um cusita: Vai ter com o rei, disse-lhe, e anuncia-lhe o que viste. O cusita prostrou-se diante de Joab e partiu correndo.
22. Aquimaas, porém, filho de Sadoc, insistiu: Seja como for, mas deixa-me ir também atrás do cusita. E Joab: Por que queres correr, meu filho? Essa mensagem de nada te aproveitaria.
23. Em todo caso, eu correrei. Corre, disse-lhe Joab. Aquimaas foi correndo pelo caminho da planície e passou à frente do cusita.
24. Davi estava sentado entre as duas portas. A sentinela que tinha subido ao terraço da porta, sobre a muralha, levantou os olhos e viu um homem que vinha correndo sozinho.
25. Gritando, anunciou-o ao rei, que disse: Se ele vem só, traz alguma boa nova. Entretanto, o homem se aproximava.
26. A sentinela viu então outro homem que corria; e gritou do alto da porta: Vejo outro homem que vem correndo sozinho. Também esse traz alguma boa nova.
27. A sentinela: Pela maneira de correr do primeiro, só pode ser Aquimaas, filho de Sadoc. O rei: É um homem de bem: traz boas notícias.
28. Aquimaas, chegando, disse ao rei: Salve! e prostrou-se diante dele com a face por terra. Depois ajuntou: Bendito seja o Senhor, teu Deus, que te entregou os homens que ergueram a mão contra o rei, meu senhor.
29. O rei disse: Tudo vai bem para o jovem Absalão? Eu vi um grande tumulto, respondeu Aquimaas, no momento em que Joab enviava o teu servo, mas ignoro o que se tenha passado.
30. O rei disse-lhe: Põe-te aqui ao lado e espera. Ele afastou-se e esperou ali.
31. Então chegou o cusita, dizendo: Saiba o rei, meu senhor, da boa nova: O Senhor te fez hoje justiça contra todos os que se tinham revoltado contra ti.
32. O rei disse ao cusita: Tudo vai bem para o jovem Absalão? E o cusita respondeu: Sejam como esse jovem os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para te fazer mal!
33. Então o rei comoveu-se, subiu ao quarto que estava por cima da porta e pôs-se a chorar. E enquanto ia, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Por que não morri em teu lugar? Absalão, meu filho, meu filho!

 
Capítulo 19

1. E foram dizer a Joab: Eis que o rei chora e se lamenta por causa de Absalão.
2. E a vitória se transformou em luto naquele dia para todo o exército, porque o povo ouvira dizer que o rei estava acabrunhado de dor por causa de seu filho.
3. Por isso, o exército entrou na cidade em silêncio, como faria um exército coberto de vergonha por ter fugido ao combate.
4. Entretanto o rei, cobrindo a cabeça, dizia em alta voz: Meu filho Absalão! Absalão, meu filho, meu filho!
5. Veio então Joab à casa do rei, e disse-lhe: Tu cobres hoje de confusão a face de todos os teus servos que salvaram a tua vida, a vida de teus filhos e filhas, de tuas mulheres e concubinas.
6. Tu amas os que te odeiam e odeias os que te amam, e mostras que os teus chefes e teus servos nada valem para ti. Estou vendo que te darias por satisfeito, se Absalão vivesse e nós fôssemos todos mortos!
7. Vamos: sai e dirige aos teus servos palavras de reconforto, pois juro-te por Deus que, se não o fizeres, não ficará contigo esta noite homem algum. E isso seria para ti uma desgraça maior do que todas que vieram sobre ti desde a tua juventude!
8. Então levantou-se o rei e foi sentar-se à porta. Foi avisado a todo o exército: Eis que o rei está sentado à porta. E todo o exército veio apresentar-se a ele.
Os israelitas tinham fugido cada qual para a sua casa.
9. Em todas as tribos se discutia, dizendo: O rei que nos salvara das mãos de nossos inimigos e da mão dos filisteus, agora teve de fugir da terra diante de Absalão.
10. Ora, Absalão, a quem tínhamos sagrado rei sobre nós, morreu no combate. Por que tardais em fazer voltar o rei?
11b E chegou aos ouvidos do rei o que se dizia em todo o Israel.
11a O rei Davi mandou aos sacerdotes Sadoc e Abiatar a seguinte mensagem: Eis o que direis aos anciãos de Judá: Por que seríeis vós os últimos a reconduzir o rei para a sua casa?
12. Vós sois meus irmãos, meus ossos e minha carne. Por que seríeis vós os últimos a reconduzir o rei?
13. Direis em seguida a Amasa: Tu és meu osso e minha carne. Que Deus me trate com todo o rigor, se eu não te tornar para sempre o meu general em lugar de Joab.
14. Todos os homens de Judá sentiram unanimemente o seu coração voltar-se para o rei, e mandaram-lhe dizer: Volta com todos os teus!
15. O rei voltou. Chegando ao Jordão, eis que todo o Judá tinha acorrido a Gálgala para ir-lhe ao encontro e fazê-lo passar o Jordão.
16. Semei, filho de Gera, o benjaminita de Baurim, com seus quinze filhos e os vinte servos, apressou-se a vir ao encontro do rei Davi.
17. Levava consigo mil homens de Benjamim, assim como Siba, servo da família de Saul, com seus quinze filhos e vinte servos. E correram rumo ao Jordão antes do rei,
18. e dispuseram tudo para fazer passar a família do rei e prestar-lhe todos os serviços que desejassem. Semei, filho de Gera, atirou-se aos pés do rei no momento em que ele ia passar o Jordão
19. e disse-lhe: Que o meu senhor não me impute culpa, nem guarde em seu coração a lembrança do crime que cometeu o teu servo no dia em que o rei, meu senhor, deixou Jerusalém.
20. Teu servo reconhece o seu pecado, e por isso vim hoje, o primeiro de toda a casa de José, ao encontro do rei, meu senhor!
21. Abisai, filho de Sarvia, tomou a palavra: Não se deverá antes matar Semei, por ter amaldiçoado o ungido do Senhor?
22. Que eu tenho convosco, ó filhos de Sarvia, respondeu Davi; para que vos comporteis no dia de hoje como meus inimigos? Porventura um só israelita há de ser morto num dia como o de hoje? Ignoro acaso que sou agora rei de Israel?
23. E disse a Semei: Não morrerás! E prometeu-lho com juramento.
24. Mifiboset, filho de Saul, desceu também ao encontro do rei. Não tinha lavado os pés nem as mãos, nem feito a barba, nem lavado as suas vestes, desde o dia em que o rei partira até o dia em que ele voltou em paz.
25. Quando, pois, chegou de Jerusalém vindo ao encontro do rei, Davi disse-lhe: Por que não partiste comigo, Mifiboset?
26. Meu senhor e rei, respondeu ele, o meu criado enganou-me. Pois eu, teu servo, dissera-lhe que me selasse a jumenta para que eu a montasse e partisse com o rei, porque o teu servo é paralítico.
27. Ele, porém, caluniou-me junto do rei, meu senhor. Mas o rei, meu senhor, é como um anjo de Deus; faze o que te parecer bom.
28. Toda a família de meu pai merecia a morte, diante do meu senhor e rei e, no entanto, admitiste o teu servo entre os que comem à tua mesa. Com que direito posso eu ainda suplicar ao rei?
29. Para que tantas palavras?, respondeu o rei. Eu declaro que tu e Siba repartireis os bens.
30. Ele pode até mesmo ficar com tudo, replicou Mifiboset, uma vez que o rei, meu senhor, voltou em paz para a sua casa.
31. Berzelai, o galaadita, desceu de Rogelim e acompanhou o rei, escoltando-o até o Jordão.
32. Era já muito velho, com oitenta anos. Sendo muito rico, abastecera o rei durante todo o tempo que esteve em Maanaim.
33. O rei disse-lhe: Vem comigo, e te sustentarei junto de mim em Jerusalém!
34. Mas Berzelai disse ao rei: Quantos anos viverei ainda, para que suba com o rei a Jerusalém?
35. Tenho agora oitenta anos, e já não distingo entre o bom e o que não o é. Já não posso saborear o que como e o que bebo, e não ouço mais a voz dos cantores e cantoras. Por que iria o teu servo servir de peso ao rei, meu senhor?
36. Teu servo só andou um pedaço de caminho com o rei, e por que lhe haveria o rei de dar semelhante recompensa?
37. Deixa que teu servo volte, para morrer em minha cidade, junto ao túmulo de meu pai e de minha mãe. Eis, porém, o teu servo Camaão; ele irá com o rei, meu senhor: faze dele o que te parecer melhor.
38. Que ele venha comigo, respondeu o rei; far-lhe-ei tudo o que te agradar; e a ti também, conceder-te-ei tudo o que desejares de mim.
39. Todos passaram o Jordão diante do rei que permaneceu de pé. Davi beijou Berzelai, abençoou-o, e Berzelai voltou para a sua casa.
40. O rei chegou a Gálgala, e Camaão passou com ele. Todo o povo de Judá e a metade do povo de Israel acompanharam o rei.
41. E eis que todos os homens de Israel vieram ter com o rei, dizendo-lhe: Por que te tomaram os nossos irmãos, os filhos de Judá, fazendo-te passar o Jordão com toda a tua família, quando são todos os homens de Davi que formam o teu povo?
42. Então responderam os filhos de Judá aos israelitas: É que o rei nos é mais próximo. Por que vos irritais com isso? Acaso temos comido algo do rei, ou tirado para. nós algum proveito?
43. Mas os homens de Israel responderam aos de Judá: Temos dez partes no rei, além disso somos vossos irmãos mais velhos. Por que nos desprezastes? Não fomos nós os primeiros a tomar a palavra e a mandar chamar o nosso rei? Os homens de Judá falaram mais duramente ainda que os de Israel.

 
Capítulo 20

1. Encontrava-se ali um homem perverso chamado Seba, filho de Bocri, da tribo de Benjamim. Ele tocou a trombeta e exclamou: Nada temos a ver com Davi; nada temos de comum com o filho de Isaí! Volte cada qual para a sua tenda, Israel!
2. Todos os homens de Israel abandonaram Davi e seguiram Seba, filho de Bocri, enquanto que os filhos de Judá escoltaram o rei desde o Jordão até Jerusalém.
3. Davi, chegando ao seu palácio em Jerusalém, tomou as dez concubinas que tinha deixado para guardarem o palácio e enclausurou-as, ordenando que fossem alimentadas, mas não se uniu mais a elas; e ficaram enclausuradas, vivendo como viúvas até o dia de sua morte.
4. O rei disse a Amasa: Convoca-me dentro de três dias todos os homens de Judá, e apresenta-te tu também com eles.
5. Amasa partiu para convocar Judá, mas demorou-se além do prazo fixado.
6. Então Davi disse a Abisai: Seba, filho de Bocri, vai agora tornar-se mais perigoso que Absalão. Toma contigo os servos de teu senhor e persegue-o, não aconteça que ele encontre cidades fortificadas e nos escape.
7. Partiram com Abisai os homens de Joab, os cereteus e os feleteus com todos os valentes. Saíram de Jerusalém em perseguição de Seba, filho de Bocri.
8. Chegando junto à grande pedra que se encontra em Gabaon, veio-lhes Amasa ao encontro. Joab trazia uma cintura por cima de sua túnica, de onde pendia uma espada embainhada, à altura dos rins. Esta desprendeu-se e caiu.
9. Joab disse a Amasa: Como vais, meu irmão?, e tomou-o pela barba com a mão direita, para o beijar.
10. Amasa, porém, não percebeu a espada, na mão (esquerda) de Joab, e este o feriu no ventre, derramando as suas entranhas por terra. Não houve necessidade de um segundo golpe, pois Amasa caiu morto. Depois disso, Joab e seu irmão Abisai puseram-se a perseguir Seba, filho de Bocri.
11. Um dos servos de Joab se postara junto de Amasa e dizia: Todos os que amam Joab e estão com Davi sigam a Joab!
12. Entretanto, Amasa estava estendido no meio do caminho, coberto de sangue. Vendo o soldado que todos se detinham para vê-lo, arrastou Amasa para fora do caminho para um campo e cobriu-o com um manto.
13. Uma vez removido do caminho, todos os homens de Israel foram atrás de Joab para continuar a perseguição de Seba, filho de Bocri.
14. Seba atravessou todas as tribos de Israel, que o desprezaram, e foi até Abel-Bet-Maaca, onde todos os bocritas o seguiram.
15. Vieram então sitiá-lo em Abel-Bet-Maaca e levantaram contra a cidade um aterro que atingiu a altura da muralha. Como todos os que estavam com Joab tentassem fazer cair a muralha,
16. uma mulher prudente se pôs a gritar (do muro) da cidade: Ouvi, ouvi! Dizei a Joab que se aproxime para eu falar-lhe!
17. Tendo ele se aproximado, disse-lhe a mulher: És tu Joab? Sou eu, respondeu ele. Ela prosseguiu: Ouve as palavras de tua serva. Estou ouvindo.
l8 Outrora, disse ela, costumava-se dizer: Peça-se conselho a Abel e a Dã,
19. para saber se desapareceram os costumes dos fiéis de Israel. Tu, porém, procuras destruir uma cidade que é uma mãe em Israel. Por que queres aniquilar a herança do Senhor?
20. Joab respondeu: Longe de mim, longe de mim; não quero arruinar nem destruir coisa alguma.
21. Não se trata disso; mas um homem da montanha de Efraim, chamado Seba, filho de Bocri, levantou a mão contra o rei Davi. Entregai-nos só esse e levantarei o cerco. A mulher disse a Joab: A cabeça dele te será lançada por cima do muro.
22. Ela voltou à cidade e falou com discrição a todo o povo. Cortaram a cabeça de Seba, filho de Bocri, e atiraram-na a Joab. Este tocou a trombeta e todos se retiraram da cidade, indo cada um para a sua tenda. Joab voltou para junto do rei em Jerusalém.
23. Joab comandava todo o exército. Banaias, filho de Jojada, estava à testa dos cereteus e dos feleteus.
24. Aduram presidia os trabalhos. Josafat, filho de Ailud, era o cronista.
25. Siva era o escriba. Sadoc e Abiatar, sacerdotes;
26. Ira, o jairita, era também sacerdote de Davi.

 
Capítulo 21

1. Houve no tempo de Davi uma fome que durou três anos seguidos. Davi consultou o Senhor e este respondeu-lhe: Há sangue sobre Saul e sobre sua família, porque matou os gabaonitas.
2. O rei chamou então os gabaonitas e falou com eles. Ora, os gabaonitas não eram filhos de Israel, mas uns restos dos amorreus, aos quais os israelitas se tinham ligado com juramento. Entretanto, Saul procurara eliminá-los, em seu zelo pelos filhos de Israel e de Judá.
3. Davi disse, pois, aos gabaonitas: Que devo fazer por vós, e que satisfação vos darei, para que abençoeis a herança do Senhor?
4. Os gabaonitas responderam: Não é questão de prata e ouro a nossa questão com Saul e sua família; e não pretendemos matar ninguém em Israel Farei o que disserdes, disse Davi.
5. Eles responderam ao rei: Do homem que nos esmagou e quis aniquilar-nos para apagar-nos da terra de Israel,
6. sejam-nos entregues sete dos seus filhos, para os enforcarmos diante do Senhor em Gabaon, na montanha do Senhor. Bem, disse Davi, eu os entregarei.
7. O rei poupou Mifiboset, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento trocado entre ele e Jônatas, filho de Saul.
8. Escolheu, pois, os dois filhos que Resfa, filha de Aia, dera a Saul, Armoni e Mifiboset, e os cinco filhos que Merob, filha de Saul, dera a Hadriel, filho de Berzelai de Moola.
9. Entregou-os aos gabaonitas, que os enforcaram na montanha diante do Senhor. Pereceram todos os sete juntos nos primeiros dias da colheita da cevada.
10. Resfa, porém, filha de Aia, tomando um saco, estendeu-se sobre ele em cima de uma rocha (e ali esteve) desde o princípio da colheita da cevada até o dia em que caiu sobre eles a chuva do céu; e ela não deixou que os pássaros do céu pousassem sobre os corpos durante o dia, nem que as feras selvagens os (tocassem) durante a noite.
11. Davi, avisado do que tinha feito Resfa, filha de Aia, concubina de Saul,
12. foi e tomou os ossos de Saul e de Jônatas, seu filho, com os habitantes de Jabes, em Galaad. Esses os tinham tirado furtivamente da praça de Betsam, onde os filisteus os haviam pendurado no dia em que bateram Saul em Gelboé.
13. Trouxe, pois, de lá os ossos de Saul e de seu filho Jônatas, e mandou também recolher os ossos dos que tinham sido enforcados.
14. E os ossos de Saul e de seu filho Jônatas, assim como os dos supliciados, foram enterrados em Sela, na terra de Benjamim, no sepulcro de Cis, pai de Saul. Fizeram assim tudo o que tinha ordenado o rei, e Deus compadeceu-se da terra.
15. Houve de novo uma guerra entre os filisteus e Israel. Davi desceu com os seus homens para combatê-los. Instalaram-se em Gob e começaram a guerra contra os filisteus. Levantou-se então Dodo,
16. filho de Joás, que era um dos filhos de Rafa, trazendo uma lança que pesava trezentos siclos de bronze e cingindo na cintura uma espada nova, e declarou que ia matar Davi.
17. Mas Abisai, filho de Sarvia, veio em socorro de Davi e feriu o filisteu, matando-o. Então os homens de Davi fizeram este juramento: Tu não virás mais conosco a combate, para que não apagues o facho de Israel!
18. Depois disso, houve ainda um combate contra os filisteus em Gob, onde Sabocai, de Husa, matou Saf, um dos filhos de Rafa.
19. E recomeçando o combate contra os filisteus em Gob, Elcanã, filho de Jaare-Oreguim, de Belém, matou Golias de Get, que levava uma lança, cujo cabo era como o cilindro de tecedor.
20. Houve também um combate em Get. Encontrava-se ali um homem enorme que tinha seis dedos em cada mão e em cada pé, isto é, vinte e quatro dedos, e era também descendente de Rafa.
21. Como lançasse um desafio a Israel, prostrou-o Jônatas, filho de Sama, irmão de Davi.
22. Esses quatro homens tinham nascido da estirpe de Rafa em Get, e caíram pela mão de Davi e de seus homens.

 
Capítulo 22

1. Davi dirigiu ao Senhor as palavras do cântico que segue, no dia em que o Senhor o livrou da mão de todos os seus inimigos e da mão de Saul.
2. O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador,
3. meu Deus é a minha rocha onde encontro o meu refúgio, meu escudo e força de minha salvação, minha cidadela e meu refúgio. Meu salvador, que me salvais da violência.
4. Invoco o Senhor digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos.
5. Circundavam-me os vagalhões da morte, torrentes devastadoras me atemorizavam,
6. enlaçavam-se as cadeias da habitação dos mortos, a própria morte me prendia em suas redes.
7. Na minha angústia, invoquei ao Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.
8. A terra vacilou e tremeu, os fundamentos dos céus fremiram, abalaram-se, porque Deus se abrasou em cólera:
9. suas narinas exalavam fumaça, sua boca, fogo devorador, brasas incandescentes.
10. Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens,
11. cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento.
12. Envolveu-se nas trevas como numa tenda, nas águas tenebrosas, densas nuvens.
13. Do esplendor de sua presença flamejaram centelhas de fogo,
14. dos céus trovejou o Senhor, o Altíssimo fez ressoar a sua. voz,
15. lançou setas e dispersou os inimigos, fulminou relâmpagos e os desbaratou.
16. E apareceu descoberto o leito do mar, os fundamentos da terra, ante a voz ameaçadora do Senhor, ante o furacão de sua cólera.
17. Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas,
18. livrou-me de inimigo poderoso, dos meus adversários, mais fortes do que eu.
19. Investiram contra mim no dia do meu infortúnio, mas o Senhor foi o meu arrimo,
20. pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama.
21. O Senhor me tratou segundo a minha inocência, retribuiu-me segundo a pureza de minhas mãos,
22. porque guardei os caminhos do Senhor e não pequei separando-me do meu Deus;
23. Tenho diante dos olhos todos os seus preceitos e não me desvio de suas leis.
24. Ando irrepreensivelmente diante dele, guardando-me do meu pecado.
25. O Senhor retribuiu-me segundo a minha justiça, segundo a minha pureza diante dos seus olhos.
26. Com quem é bondoso vos mostrais bondoso, com homem íntegro vos mostrais íntegro,
27. puro, com quem é puro; prudente, com quem é astuto.
28. Aos humildes salvais; os semblantes soberbos humilhais.
29. Senhor, sois meu farol; é o Senhor quem dissipa as minhas trevas.
30. Convosco afrontarei batalhões; com meu Deus escalarei muralhas.
31. Os caminhos de Deus são perfeitos; a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam.
32. Pois, quem é Deus senão o Senhor? Quem é o rochedo, senão o nosso Deus?
33. É Deus quem me cinge de coragem e aplana o meu caminho.
34. Torna os meus pés velozes como os das gazelas e me instala nas alturas.
35. Adestra minhas mãos para o combate e meus braços para o tiro de arco.
36. Vós me dais o escudo que me salva, e vossa bondade me engrandece.
37. Alargais o caminho a meus passos para meus pés não resvalarem.
38. Dou caça aos inimigos e os extermino. E não volto sem que os tenha aniquilado.
39. De tal sorte os aniquilo e despedaço, que não mais se levantam: eles ficam caídos a meus pés.
40. Vós me cingis de coragem para a luta e ante mim dobrais os meus adversários.
41. Afugentais da minha presença os meus inimigos. E reduzo ao silêncio os que me aborrecem.
42. Gritam por socorro, mas não há quem os salve, clamam ao Senhor, mas não responde…
43. Eu os trituro como ao pó da terra. E os esmago aos pés como ao barro das estradas.
44. Vós me livrais das revoltas do meu povo e me guardais à frente das nações. Povos que eu desconhecia se tornaram meus servos.
45. Gente estranha me serve abnegadamente e obedecem-me à primeira intimação.
46. Gente estranha desfalece e sai tremendo de seus esconderijos.
47. Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, rocha que me salva!
48. Deus, que me proporciona a vingança e avassala nações a meus pés.
49. Sois vós quem me libertais dos meus inimigos, e me exaltais acima dos meus adversários, e me salvais do homem violento.
50. Por isso vos louvarei, ó Senhor, entre as nações e celebrarei o vosso nome.
51. Ele prepara grandes vitórias a seu rei e faz misericórdia a seu ungido. A Davi e a sua descendência para sempre.

 
Capítulo 23

1. Estas são as últimas palavras de Davi: Oráculo de Davi, filho de Isaí – oráculo do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do cantor dos salmos de Israel.
2. O Espírito do Senhor fala por mim, sua palavra está na minha língua.
3. Deus de Israel falou, o rochedo de Israel me disse: O que governa com justiça, o soberano temente a Deus
4. é como a luz da manhã quando se levanta o sol, manhã sem neblina, que faz cintilar de orvalho a relva da terra.
5. Sim, minha dinastia é estável diante de Deus; ele fez comigo aliança eterna, a ser observada com absoluta fidelidade. Minha salvação e inteira felicidade não é ele quem faz germinar?
6. Os homens maus são como espinhos, que todos evitam e ninguém pega com a mão;
7. que se recolhem com um ferro ou com o cabo da lança, e são queimados no fogo.
8. Eis os nomes dos heróis de Davi: Jesboão, filho de Hacamoni, chefe dos três. Foi ele quem brandiu o seu machado contra oitocentos homens, matando-os de uma só vez.
9. Depois desse, Eleazar, filho de Dodo, filho de Aoí, um dos três heróis. Achava-se ele em Efes-Damim, quando os filisteus se reuniram ali para o combate. Tendo os israelitas fugido (cada um para a sua tenda),
10. ele manteve-se firme e bateu os filisteus até que sua mão se cansou e se crispou sobre a espada. O Senhor operou naquele dia uma grande vitória. Os soldados voltaram para onde estava Eleazar, mas somente para recolher os despojos.
11. Depois dele, Sama, filho de Age, o ararita. Reuniram-se os filisteus em Lequi, onde havia um pedaço de terra plantado de lentilhas; fugindo o exército diante dos filisteus,
12. postou-se Sema no meio do campo, defendeu-o e derrotou os filisteus, operando assim o Senhor uma grande vitória.
13. Três dos trinta desceram e foram ter com Davi, no início da colheita, à gruta de Odolão, estando a tropa dos filisteus acampada no vale dos refains.
14. Davi estava então na fortaleza, e havia uma guarnição de filisteus em Belém.
15. Davi teve desejo extravagante e exclamou: “Quem me dará a beber das águas do poço que está à porta de Belém?
16. Então os três valentes penetraram no acampamento dos filisteus e tiraram água do poço que está à porta de Belém. Trouxeram-na a Davi, mas ele não a quis beber, e derramou-a em libação ao Senhor,
17. dizendo: Longe de mim, ó Deus, fazer isso! Vou eu beber o sangue desses homens que para buscá-la arriscaram a sua vida? E não quis beber. Eis o que fizeram os três heróis:
18. Abisai, irmão de Joab, filho de Sarvia, que era também chefe dos trinta, brandiu sua lança contra trezentos homens, e os matou, conquistando assim grande renome entre os Trinta.
19. Ele era o mais considerado dentre os Trinta, mas não chegou a se igualar aos Três.
20. Banaias, filho de Jojada, homem de valor e rico em façanhas, originário de Cabseel, feriu os dois filhos de Ariel de Moab. Foi ele também quem desceu, num dia de neve, e matou um leão na cisterna.
21. Feriu ainda um egípcio de alta estatura, que tinha uma lança na mão. Banaias desceu contra ele com um simples bastão, arrancou-lhe a lança das mãos e o matou com a sua própria arma.
22. Isso fez Banaias, filho de Jojada, obtendo renome entre os heróis.
23. Foi mais considerado que os trinta, mas não igualou aos três. Davi pô-lo à frente de sua guarda.
24. Entre os trinta contavam-se Asael, irmão de Joab; Elcanã, filho de Dodo, de Belém;
25. Sama de Harod; Elica de Harod;
26. Heles de Falti; Hira, filho de Aces de Técua;
27. Abieser de Anatot; Mobonai, o husatita;
28. Selmon, o aoita; Maarai de Netofa;
29. Heled, filho de Baana de Netofa; Etai, filho de Ribai de Gabaa dos benjaminitas;
30. Banaía de Faraton; Hedai do vale de Gaas;
31. Abi-Albon de Araba;
32. Azmavet de Berom; Eliaba de Salabon; Bene-Jassen;
33. Jonatã; Sama, o ararita; Aião, filho de Sarar, o ararita;
34. Elifelet, filho de Aasbai, o macatita; Elião, filho de Aquitofel de Gilo;
35. Hesrai de Carmelo;
36. Farai de Arbi; Igaal, filho de Natã de Soba; Boni de Gad;
37. Selec, o amonita; Naarai de Berot, escudeiro de Joab, filho de Sarvia;
38. Ira de Jeter; Gareb de Jeter;
39. Urias, o hiteu. Trinta e sete ao todo.

 
Capítulo 24

1. A cólera do Senhor se inflamou novamente contra Israel e excitou Davi contra eles, dizendo-lhe: Vai recensear Israel e Judá.
2. Disse, pois, o rei a Joab e aos chefes do exército que estavam com ele: Percorrei todas as tribos de Israel, desde Dã até Bersabéia, e recenseai o povo, de maneira que eu saiba o seu número.
3. Joab disse ao rei: Que o Senhor, teu Deus, multiplique o povo cem vezes mais do que agora, aos olhos do rei, meu senhor. Mas que pretende o rei, meu senhor, com isso?
4. A ordem do rei, no entanto, prevaleceu sobre a opinião de Joab e dos chefes do exército. Eles deixaram o rei e foram fazer o recenseamento do povo de Israel.
5. Passaram o Jordão e começaram por Aroer e a cidade situada no meio do vale, indo em seguida por Gad até Jaser.
6. Foram depois a Galaad e à terra dos hiteus, em Cades, e chegaram até Dã. Dali se dirigiram para Sidon.
7. Atingiram a fortaleza de Tiro e passaram em todas as cidades dos heveus e dos cananeus, chegando até o Negeb de Judá, em Bersabéia.
8. Percorreram assim toda a terra e voltaram a Jerusalém ao cabo de nove meses e vinte dias.
9. Joab entregou ao rei o resultado do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que manejavam a espada; e, em Judá, quinhentos mil homens.
10. Depois que foi recenseado o povo, Davi sentiu remorsos e disse ao Senhor: Cometi um grande pecado, fazendo isso. Mas agora apagai, ó Senhor, a culpa de vosso servo, porque procedi nesciamente.
11. Levantando-se Davi no dia seguinte, a palavra do Senhor foi dirigida ao profeta Gad, o vidente de Davi, nestes termos:
12. Vai dizer a Davi: Assim fala o Senhor: Proponho-te três coisas: – escolhe uma delas, e eu ta infligirei.
13. Gad veio ter com Davi e referiu-lhe estas palavras ajuntando: Preferes que venham sobre a tua terra sete anos de fome, ou que fujas durante três meses diante de teus inimigos que te perseguirão, ou que a peste assole a tua terra durante três dias? Reflete, pois, e vê o que devo responder a quem me enviou.
14. Davi respondeu a Gad: Estou em grande angústia. É melhor cairmos nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens! E Davi escolheu a peste.
15. Mandou, pois, o Senhor a peste a Israel, desde a manhã daquele dia até o prazo marcado. Ora, foi nos dias da colheita do trigo que o flagelo começou no povo, e morreram setenta mil homens da população, desde Dã até Bersabéia.
16. a E o Senhor enviou um anjo sobre Jerusalém para destruí-la.
17. Vendo Davi o anjo que feria o povo, disse ao Senhor: Vede, Senhor: fui eu que pequei; eu é que sou o culpado! Esse pequeno rebanho, porém, que fez ele? Que a tua mão se abata sobre mim e sobre a minha família!
l6b O Senhor arrependeu-se então de ter mandado aquele flagelo e disse ao anjo que exterminava o povo: Basta! Retira agora a tua mão. O anjo do Senhor se encontrava junto à eira de Ornã, o jebuseu.
18. Gad veio ter com Davi naquele dia e disse-lhe: Sobe e levanta um altar ao Senhor na eira de Ornã, o jebuseu.
19. Davi subiu, segundo a palavra de Gad, intérprete da ordem do Senhor.
20. Ornã, que estava debulhando o trigo, viu aproximar-se dele o rei com a sua comitiva. Adiantou-se e prostrou-se por terra diante do rei,
21. dizendo: Por que vem o rei, meu senhor, à casa de seu servo? Para comprar a tua eira, disse Davi, e aqui construir um altar ao Senhor, a fim de que o flagelo cesse de devorar o povo.
22. Ornã disse a Davi: Tome-a, pois, o meu senhor e rei, e faça o que lhe parecer bom! Aqui tens os bois para o holocausto, e o carro e o jugo dos bois para lenha.
23. O servo de meu senhor e rei, dá-lhe tudo. E Ornã ajuntou: Que o Senhor, teu Deus, te seja propício!
24. Não assim, disse o rei; mas pagar-te-ei o seu justo valor. Não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me tenham custado nada. E Davi comprou a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata.
25. Levantou ali um altar ao Senhor, e ofereceu sobre ele holocaustos e sacrifícios pacíficos. O Senhor compadeceu-se da terra, e cessou o flagelo que assolava Israel.

 

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I Livro dos Reis

by on ago.13, 2009, under I Livro dos Reis

I Livro dos Reis

 Capítulo 1

1. O rei Davi estava velho, avançado em anos, e por mais que o cobrissem de roupas, não se aquecia.
2. Seus familiares disseram-lhe: Busquemos para nosso senhor, o rei, uma donzela virgem que sirva o rei e tenha cuidado dele, e durma em seu seio para que ele se aqueça.
3. Procuraram, pois, em toda a terra de Israel, uma donzela formosa; encontraram Abisag, a sunamita, e levaram-na ao rei.
4. Essa donzela era muito formosa. Ela cuidava do rei e o servia, mas o rei não a possuiu.
5. Ora, Adonias, filho de Hagit, encheu-se de orgulho e exclamou: Sou eu quem reinará. Adquiriu para si um carro e cavalos, e tomou uma escolta de cinqüenta homens.
6. Nunca seu pai o contrariou, dizendo: Por que fazes isso? Além disso, ele era muito belo e (na idade) seguia imediatamente a Absalão.
7. Tendo feito reuniões com Joab, filho de Sarvia, e com o sacerdote Abiatar, esses tornaram-se seus adeptos.
8. O sacerdote Sadoc, porém, bem como Banaías, filho de Jojada, o profeta Natã, Semei, Rei e os valentes de Davi, não abraçaram o seu partido.
9. Adonias, tendo imolado ovelhas, bois e bezerros cevados junto à pedra de Zoelet, ao lado de En-Rogel, convidou todos os seus irmãos, filhos do rei, e todos os de Judá que estavam a serviço do rei.
10. Mas não convidou o profeta Natã, nem Banaías, nem os valentes, nem o seu irmão Salomão.
11. Disse Natã a Betsabé, mãe de Salomão: Não soubeste que Adonias, filho de Hagit, se proclamou rei, sem que o saiba Davi, nosso senhor?
12. Escuta: vou dar-te um conselho, para que salves a tua vida e a de teu filho Salomão.
13. Vai ter com o rei Davi e dize-lhe: Ó rei, meu senhor, não juraste à tua serva que Salomão, meu filho, reinaria depois de ti, e se sentaria no teu trono? Por que então Adonias se proclamou rei?
14. Enquanto estiveres falando assim ao rei, entrarei e confirmarei o que tiveres dito.
15. Foi Betsabé ter com o rei no seu quarto. (O rei estava já muito velho, e Abisag, a sunamita, cuidava dele.)
16. Betsabé inclinou-se e prostrou-se diante do rei. Este disse-lhe: Que queres?
17. Ela respondeu: Meu senhor, prometeste com juramento à tua serva que meu filho Salomão reinaria depois de ti, e se sentaria no teu trono.
18. Ora, eis que Adonias se proclamou rei, sem que o saiba o rei, meu senhor.
19. Imolou bois, bezerros cevados e grande quantidade de ovelhas, e convidou todos os príncipes, o sacerdote Abiatar e o general Joab; mas não convidou o teu servo Salomão.
20. Ó rei, meu senhor, todo o Israel tem os olhos postos em ti, esperando que declares quem há de tomar o teu lugar no trono depois de ti.
21. Do contrário, logo que o rei, meu senhor, dormir com os seus pais, eu e meu filho Salomão seremos tratados como criminosos.
22. Falava ela ainda ao rei, quando se apresentou o profeta Natã.
23. Disseram ao rei: Está aí o profeta Natã. Ele entrou e prostrou-se com o rosto por terra diante do rei.
24. Em seguida disse: Ó rei, meu senhor, porventura declaraste: Adonias reinará depois de mim e se sentará no meu trono?
25. Pois ele desceu hoje para imolar bois, bezerros cevados e grande quantidade de ovelhas, tendo convidado todos os príncipes, os generais e o sacerdote Abiatar, os quais estão comendo e bebendo com ele, e gritando: Viva o rei Adonias!
26. Não fomos, porém, convidados nem eu, teu servo, nem o sacerdote Sadoc, nem Banaías, filho de Jojada, nem teu servo Salomão.
27. Será do agrado de meu senhor e rei que assim se faça? Porque não deste a conhecer a teus servos quem deverá sentar-se depois de ti no trono do rei, meu senhor.
28. O rei respondeu: Chamai-me Betsabé. Ela entrou e ficou de pé diante dele;
29. o rei fez-lhe este juramento: Pela vida de Deus que me livrou de toda a angústia,
30. o que te jurei pelo Senhor, Deus de Israel, dizendo: Teu filho Salomão reinará depois de mim e sentar-se-á no meu trono em meu lugar, isso vou cumprir hoje.
31. Betsabé inclinou-se diante do rei, prostrando-se com a face por terra, e disse: Viva o rei Davi, meu senhor, para sempre!
32. O rei Davi disse: Chamai-me o sacerdote Sadoc, o profeta Natã, e Banaías, filho de Jojada. Tendo-se eles apresentado diante do rei, este disse-lhes:
33. Tomai convosco os servos de vosso amo, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão, e levai-o a Gião.
34. Ali o sacerdote Sadoc e o profeta Natã o ungirão rei de Israel. Tocareis então a trombeta e direis: Viva o rei Salomão!
35. Voltareis depois atrás dele, e ele virá sentar-se no meu trono para reinar em meu lugar; pois é a ele que estabeleço chefe de Israel e de Judá.
36. Banaías, filho de Jojada, respondeu ao rei: Assim seja; assim queira ordenar o Senhor, o Deus de meu senhor e rei!
37. Esteja ele com Salomão assim como esteve com o rei, meu senhor, e eleve o seu trono ainda acima do trono de meu senhor o rei Davi!
38. O sacerdote Sadoc desceu com o profeta Natã, Banaías, filho de Jojada, os cereteus e os feleteus; fizeram montar Salomão na mula de Davi e conduziram-no a Gião.
39. Tomou o sacerdote Sadoc no tabernáculo o chifre de óleo e ungiu com ele Salomão. A trombeta soou e todo o povo pôs-se a gritar: Viva o rei Salomão!
40. Depois toda a gente voltou atrás dele, tocando flauta e fazendo grandes festas, de modo que a terra vibrava com suas aclamações.
41. Adonias e seus convivas, tendo terminado o seu banquete, ouviram aquela algazarra. Joab, ouvindo soar a trombeta, disse: Por que esse barulho de cidade alvoroçada?
42. Falava ainda, quando sobreveio Jônatas, filho do sacerdote Abiatar. Adonias disse-lhe: Vem: tu és um homem valente e trazes certamente boas notícias.
43. Sim, respondeu Jônatas; é verdade que o rei Davi, meu senhor, proclamou rei a Salomão.
44. Enviou com ele o sacerdote Sadoc, o profeta Natã, Banaías, filho de Jojada, os cereteus e os feleteus e estes fizeram-no montar na mula do rei.
45. O sacerdote Sadoc e o profeta Natã ungiram-no rei em Gião. Dali voltaram cheios de alegria, e a cidade está em alvoroço: essa é a algazarra que ouviste.
46. E Salomão até já está sentado no trono do reino.
47. Além disso, os servos do rei foram felicitar o rei Davi, meu senhor, dizendo: Que o teu Deus torne o nome de Salomão maior que o teu, e eleve o seu trono ainda acima do teu! O rei prostrou-se então sobre o seu leito e disse:
48. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que hoje pôs sobre o meu trono um sucessor, vendo-o eu com os meus próprios olhos!
49. Os convidados de Adonias, aterrorizados, levantaram-se e foram cada um para o seu lado.
50. Adonias, temendo Salomão, levantou-se também e foi abraçar-se com os cornos do altar.
51. Disseram-no a Salomão, nestes termos: Eis que Adonias, temendo o rei Salomão, foi abraçar-se com os cornos do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que ele não fará morrer o seu servo à espada!
52. Se ele se mostrar um homem valente, respondeu Salomão, não lhe cairá por terra um só de seus cabelos; mas se nele se encontrar maldade, morrerá.
53. O rei Salomão mandou mensageiros, e o fizeram descer do altar. Ele veio e prostrou-se diante do rei, que lhe disse: Volta para a tua casa.

 
Capítulo 2

1. Aproximando-se o fim de Davi, deu ele ao seu filho Salomão as suas (últimas) instruções:
2. Eu me vou, disse ele, pelo caminho que segue toda a terra. Sê corajoso: porta-te como homem.
3. Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus; anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, tais como estão escritos na lei de Moisés. Desse modo serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em tudo o que empreenderes,
4. e o Senhor cumprirá a promessa que me fez, isto é, que eu terei sempre um de meus descendentes no trono de Israel, se meus filhos guardarem seus caminhos e andarem diante dele com fidelidade, de todo o seu coração e de toda a sua alma.
5. Tu sabes tão bem como eu o que me fez Joab, filho de Sarvia, como ele assassinou os dois chefes do exército de Israel, Abner, filho de Ner, e Amasa, filho de Jeter, derramando assim em pleno tempo de paz o sangue da guerra, e manchando com o sangue da guerra o cinto de seus rins e o calçado de seus pés.
6. Farás como julgares prudente, e não deixarás que as suas cãs desçam em paz à habitação dos mortos.
7. Por outro lado, tratarás com benevolência os filhos de Berzelai, o galaadita; faze-os comer à tua mesa, porque foi esse o gesto que tiveram para comigo quando eu fugia diante de teu irmão Absalão.
8. Tens também perto de ti Semei, filho de Gera, o benjaminita de Baurim, que me insultou tão violentamente no dia em que eu ia para Maanaim. Mas como ele veio ao meu encontro até o Jordão, jurei-lhe por Deus que o não mataria pela espada.
9. Tu, porém, não o deixarás impune; és bastante sensato para saber como o terás de tratar; farás descer, com sangue, as suas cãs à habitação dos mortos.
10. Davi adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi.
11. Reinou quarenta anos sobre Israel: sete anos em Hebron e trinta e três em Jerusalém.
12. Salomão sentou-se no trono de Davi, seu pai, e seu reino foi solidamente estabelecido.
13. Adonias, filho de Hagit, foi ter com Betsabé, mãe de Salomão. Ela disse-lhe: Vens como amigo?
14. Sim, disse ele, preciso falar-te. Fala.
15. Ele continuou: Sabes que o reino era meu, e que todo o Israel me considerava como o seu futuro rei. Mas o trono foi transferido a outro, passando para o meu irmão, porque o Senhor lho deu.
16. Tenho a esse respeito um pedido a fazer-te; não mo recuses. Fala.
17. Pede ao rei Salomão, que nada te recusa, que me dê Abisag, a sunamita, por mulher.
18. Está bem, respondeu Betsabé, falarei por ti ao rei.
19. Betsabé foi, pois, ter com o rei para falar-lhe em favor de Adonias. O rei levantou-se para ir-lhe ao encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. Mandou colocar um trono para a sua mãe, e ela sentou-se à sua direita:
20. Tenho um pequeno pedido a fazer-te, disse ela; não mo recuses. Pede, minha mãe, respondeu o rei, porque nada te recusarei.
21. Disse Betsabé: Peço-te que Abisag, a sunamita, seja dada por mulher ao teu irmão Adonias.
22. E o rei Salomão disse à sua mãe: Por que queres que Abisag, a sunamita, seja dada a Adonias? Pede também para ele o reino, que é meu irmão primogênito, assim como para o sacerdote Abiatar e para Joab, filho de Sarvia…
23. Jurou então o rei Salomão em nome de Deus, dizendo: Deus me trate com o último rigor, se Adonias não pagar esta palavra com a sua própria vida!
24. Pela vida de Deus que me estabeleceu solidamente no trono de Davi, meu pai, e que fundou a minha casa como tinha prometido, Adonias será morto hoje mesmo.
25. O rei Salomão enviou Banaías, filho de Jojada, para o matar; e Adonias morreu.
26. Disse também o rei ao sacerdote Abiatar: Vai para as tuas terras, em Anatot, porque és digno de morte. Entretanto, não te matarei agora, porque levaste a arca do Senhor Javé diante de Davi, meu pai, e compartilhaste todas as suas provações.
27. Salomão destituiu Abiatar de suas funções sacerdotais, cumprindo-se assim a palavra pronunciada por Deus em Silo contra a casa de Heli.
28. Quando chegou esta notícia a Joab, que tinha seguido o partido de Adonias, embora não tivesse seguido o de Absalão, ele fugiu e refugiou-se no tabernáculo do Senhor, agarrando-se aos cornos do altar.
29. Foram dizer ao rei Salomão: Joab refugiou-se no tabernáculo do Senhor, e está junto do altar. Salomão mandou Banaías, filho de Jojada dizendo-lhe: Vai e mata-o.
30. Banaías, chegando ao tabernáculo do Senhor, disse a Joab: O rei ordena que saias daqui. Não saio, respondeu Joab; quero morrer aqui. Banaías foi ao rei e disse-lhe: Eis o que me disse Joab, e o que me respondeu.
31. O rei disse-lhe: Faze como ele disse. Mata-o e enterra-o, para que assim se afaste de mim e da casa de meu pai o sangue que ele derramou sem motivo.
32. O Senhor fará cair esse sangue sobre a sua própria cabeça, porque ele matou, feriu à espada, sem que o soubesse Davi, meu pai, dois homens mais justos e melhores do que ele: Abner, filho de Ner, general do exército de Israel, e Amasa, filho de Jeter, general do exército de Judá.
33. O sangue deles recairá para sempre sobre a cabeça de Joab e de sua posteridade; mas a Davi, à sua raça e ao seu trono, dará o Senhor paz para sempre.
34. Banaías, filho de Jojada, voltou ao tabernáculo e feriu de morte a Joab. Sepultaram-no em sua casa, no deserto.
35. Em seu lugar pôs o rei à frente do exército Banaías, filho de Jojada, e em lugar de Abiatar, estabeleceu Sadoc como sacerdote.
36. Depois mandou o rei chamar Semei e disse-lhe: Faze para ti uma casa em Jerusalém e habita aí; dela não sairás para ir aonde quer que seja.
37. No dia em que o fizeres e passares a torrente do Cedron, sabes que serás morto: serás responsável pelo que acontecer.
38. Semei respondeu ao rei: Está bem; teu servo fará como ordenou o rei, meu senhor. E Semei habitou longo tempo em Jerusalém.
39. Três anos depois, aconteceu que dois escravos de Semei fugiram para junto de Aquis, filho de Maaca, rei de Get. Vieram avisar a Semei, dizendo: Teus escravos estão em Get.
40. Semei levantou-se, selou o jumento e foi ter com Aquis a Get, em busca de seus escravos.
41. Disseram a Salomão que Semei fora de Jerusalém a Get e estava de volta.
42. O rei chamou-o e disse-lhe: Não te fiz eu jurar em nome de Deus, não te avisei formalmente, dizendo-te que em qualquer dia que saísses para onde quer que fosse, haverias de morrer? E não me respondeste: Está bem; eu compreendi?
43. Por que não guardaste tu o juramento do Senhor e a ordem que eu te havia dado?
44. Tu sabes, ajuntou o rei, todo o mal que fizeste a Davi, meu pai; tens consciência disso. Por isso o Senhor faz recair a tua malícia sobre a tua cabeça.
45. O rei Salomão será abençoado e o trono de Davi será consolidado para sempre diante do Senhor.
46. Ordenou o rei a Banaías, filho de Jojada, o qual saiu e feriu Semei, e este morreu. E o reino foi consolidado nas mãos de Salomão.

 
Capítulo 3

1. Salomão aliou-se por casamento, ao faraó, rei do Egito, tomando sua filha por mulher. Levou-a para a cidade de Davi, até que acabasse de construir o seu palácio, o templo do Senhor e o muro em volta de Jerusalém.
2. O povo continuava sacrificando nos lugares altos, porque até aquele dia não tinha ainda sido edificado o templo ao nome do Senhor.
3. Salomão amava o Senhor e seguia os preceitos de Davi, seu pai. Todavia, continuava sacrificando e queimando incenso nos lugares altos.
4. Foi o rei a Gabaon para ali oferecer um sacrifício, porque esse era o lugar alto mais importante, e ofereceu mil holocaustos sobre o altar de Gabaon.
5. O Senhor apareceu-lhe em sonhos em Gabaon durante a noite, e disse-lhe: Pede-me o que queres que eu te dê.
6. Salomão disse: Vós destes com liberdade vossa graça ao vosso servo Davi, meu pai, porque ele andou em vossa presença com fidelidade, na justiça e retidão de seu coração para convosco; em virtude dessa grande benevolência, destes-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono.
7. Sois vós, portanto, ó Senhor meu Deus, que fizestes reinar o vosso servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, e não sei como me conduzir.
8. E, sem embargo, vosso servo se encontra no meio de vosso povo escolhido, um povo imenso, tão numeroso que não se pode contar, nem calcular.
9. Dai, pois, ao vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal; pois sem isso, quem poderia julgar o vosso povo, um povo tão numeroso?
10. O Senhor agradou-se dessa oração, e disse a Salomão:
11. Pois que me fizeste esse pedido, e não pediste nem longa vida, nem riqueza, nem a morte de teus inimigos, mas sim inteligência para praticar a justiça,
12. vou satisfazer o teu desejo; dou-te um coração tão sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti e nem haverá depois de ti.
13. Dou-te, além disso, o que não me pediste: riquezas e glória, de tal modo que não haverá quem te seja semelhante entre os reis durante toda a tua vida.
14. E, se andares em meus caminhos e observares os meus preceitos e mandamentos como o fez Davi, teu pai, prolongarei a tua vida.
15. Salomão despertou: foi um sonho. Voltando a Jerusalém, apresentou-se diante da arca da aliança do Senhor e ofereceu holocaustos e sacrifícios pacíficos; e deu um banquete a todos os seus servos.
16. Vieram duas prostitutas apresentar-se ao rei.
17. Uma delas disse: Ouve, meu senhor: Esta mulher e eu habitamos na mesma casa, e eu dei à luz junto dela no mesmo aposento.
18. Três dias depois, deu também ela à luz. Ora, nós vivemos juntas, e não havia nenhum estranho conosco nessa casa, pois somente nós duas estávamos ali.
19. Durante a noite morreu o filho dessa mulher, porque o abafou enquanto dormia.
20. Levantou-se ela então, no meio da noite, e enquanto a tua serva dormia, tomou o meu filho que estava junto de mim e o deitou em seu seio, deixando no meu o seu filho morto.
21. Quando me levantei pela manhã para amamentar o meu filho, encontrei-o morto; mas, examinando-o atentamente à luz, verifiquei que não era o filho que eu dera à luz.
22. É mentira!, replicou a outra mulher, o que está vivo é meu filho; o teu é que morreu. A primeira contestou: Não é assim; o teu filho é o que morreu, o que está vivo é o meu. E assim disputavam diante do rei.
23. O rei disse então: Tu dizes: é o meu filho que está vivo, e o teu é o que morreu; e tu replicas: não é assim; é o teu filho que morreu, e o meu é o que está vivo.
24. Vejamos, continuou o rei; trazei-me uma espada. Trouxeram ao rei uma espada.
25. Cortai pelo meio o menino vivo, disse ele, e dai metade a uma e metade à outra.
26. Mas a mulher, mãe do filho vivo, sentiu suas entranhas enternecerem-se e disse ao rei: Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo; não o mateis; a outra, porém, dizia: Ele não será nem teu, nem meu; seja dividido!
27. Então o rei pronunciou o seu julgamento: Dai, disse ele, o menino vivo a essa mulher; não o mateis, pois é ela a sua mãe.
28. Todo o Israel, ouvindo o julgamento pronunciado pelo rei, encheu-se de respeito por ele, pois via-se que o inspirava a sabedoria divina para fazer justiça.

 
Capítulo 4

1. O rei Salomão reinava sobre todo o Israel.
2. Estes são os ministros que o assistiam: Azarias, filho do sacerdote Sadoc;
3. Elioref e Aia, filhos de Sisa, escribas; Josafá, filho de Ailud, cronista;
4. Banaías, filho de Jojada, general do exército; Sadoc e Abiatar, sacerdotes;
5. Azarias, filho de Natã, chefe dos intendentes; Zabud, filho de Natã, conselheiro privado do rei;
6. Aisar, prefeito do palácio; e Adonirão, filho de Abda, dirigente dos trabalhos.
7. Salomão tinha doze intendentes estabelecidos sobre todo o Israel, que proviam às necessidades do rei e de sua casa, cada um durante um mês do ano.
8. Estes são os seus nomes: …, filho de Hur, na montanha de Efraim;
9. … (filho de Decar, em Maces, em Salebim, em Betsames e em Elon de Betanã;
10. …, filho de Hesed, em Harubot, do qual dependia Soco e toda a terra de Eíer;
11. …, filho de Abinadab, que tinha os altos de Dor (e era casado com Tafet, filha de Salomão);
12. Bana, filho de Ailud, que tinha Tanac e Magedo, e todo o Betsã, perto de Sartana, debaixo de Jezrael, desde Betsã, até Abelmeula, e até além de Jecmaã;
13. …, filho de Gaber, em Ramot de Galaad, que tinha as aldeias de Jair, filho de Manassés, situadas em Galaad, toda a região de Argob em Basã, sessenta cidades grandes e muradas, que tinham fechaduras de bronze;
14. Ainadab, filho de Ado, em Maanaim;
15. Aquimaas, em Neftali, casado também com uma filha de Salomão, chamada Basemat;
16. Baana, filho de Husi, em Haser e em Halot;
17. Josafá, filho de Farué, em Issacar;
18. Semei, filho de Ela, em Benjamim;
19. Gabar, filho de Uri, na terra de Galaad, pátria de Seon, rei dos amorreus e de Og, rei de Basã; (havia um só intendente para toda essa região).
20. A população de Judá e de Israel era tão numerosa como a areia na praia do mar; comiam, bebiam e alegravam-se.
21. Salomão dominava sobre todos os reinos, desde o Eufrates até a terra dos filisteus, e até a fronteira do Egito. Esses reinos pagavam tributo e ficaram-lhe sujeitos durante todo o tempo de sua vida.
22. (A casa de) Salomão consumia diariamente para o seu sustento trinta coros de flor de farinha e sessenta de farinha,
23. dez bois cevados e vinte de pasto, cem cordeiros, além de veados, gazelas, gamos e as aves cevadas.
24. Salomão dominava em toda a terra além do Rio, e sobre todos os reis dessas regiões, desde Tafsa até Gaza, e estava em paz com todos os povos vizinhos.
25. Judá e Israel, desde Dã até Bersabéia, viviam sem temor algum, cada qual debaixo de sua vinha e de sua figueira, durante todo o tempo que reinou Salomão.
26. Salomão tinha quatro mil manjedouras para os cavalos de seus carros, e doze mil cavalos de sela.
27. Os intendentes, cada um no seu mês, proviam às necessidades de Salomão e de todos os que se sentavam com ele à mesa real, de modo que nada lhes faltava.
28. Por seu turno, levavam também ao lugar onde fosse preciso, cevada e palha para os cavalos de carga e de montaria.
29. Deus deu a Salomão a sabedoria, uma inteligência penetrante e um espírito de uma visão tão vasta como as areias que estão à beira do mar.
30. Sua sabedoria excedia a de todos os orientais e a de todo o Egito.
31. Ele era o mais sábio de todos os homens, mais sábio do que Etã, o ezraíta, do que Hemã, Chacol e Dorda, filhos de Maol; e sua fama espalhou-se por todos os povos vizinhos.
32. Pronunciou três mil sentenças e compôs mil e cinco poemas.
33. Falou das árvores, desde o cedro do Líbano até o hissopo que brota dos muros; falou dos animais, das aves, dos répteis e dos peixes.
34. De todos os povos vinham pessoas ouvir a sabedoria de Salomão, da parte de todos os reis da terra que tinham ouvido falar de sua sabedoria.

 
Capítulo 5

1. Quando Hirão, rei de Tiro, soube que Salomão fora ungido rei em lugar de seu pai, enviou-lhe os seus servos, pois Hirão fora sempre amigo de Davi.
2. Salomão, de seu lado, mandou a Hirão a mensagem seguinte:
3. Sabes que Davi, meu pai, não pôde edificar um templo em nome do Senhor seu Deus, por causa das guerras que teve de sustentar até o dia em que o Senhor pôs os seus inimigos sob a planta de seus pés.
4. Agora, porém, o Senhor deu-me paz de todos os lados: não há mais inimigos nem calamidades.
5. Por isso penso em edificar um templo em nome do Senhor, meu Deus. O Senhor, com efeito, falara disso a Davi, meu pai, nestes termos: Teu filho, que eu farei sentar em teu lugar no trono, este edificará um templo em meu nome.
6. Dá ordem, pois, aos teus servos, que me cortem cedros do Líbano. Meus operários trabalharão com os teus, e pagarei a estes o salário que pedires, pois sabes que não há ninguém entre nós que saiba cortar árvores como os sidônios.
7. Hirão, ouvindo a mensagem de Salomão, encheu-se de grande alegria, e disse: Bendito seja o Senhor, que deu a Davi um filho cheio de sabedoria para governar esse grande povo!
8. Em seguida, mandou responder a Salomão: Recebi tua mensagem. Farei tudo o que desejas acerca das madeiras de cedro e de cipreste.
9. Meus servos as descerão do Líbano até o mar, e dali as farei conduzir em jangadas até o lugar que me designares. Ali as desatarão, e tu as mandarás receber. De teu lado, corresponderás aos meus desejos, fornecendo víveres à minha casa.
10. Hirão deu, pois, a Salomão, tanta madeira de cedro e de cipreste quanta ele quis.
11. E Salomão deu-lhe vinte mil coros de trigo para o sustento de sua casa, bem como vinte coros de óleo bruto. Isso fornecia Salomão a Hirão cada ano.
12. O Senhor tinha dado sabedoria a Salomão, conforme prometera. Houve paz entre Hirão e Salomão, e fizeram aliança entre si.
13. O rei Salomão escolheu trinta mil operários em todo o Israel.
14. Ele os mandava por seu turno ao Líbano, dez mil cada mês; passavam assim um mês no Líbano e dois meses em sua casa. Adonirão dirigia os trabalhos.
15. Salomão tinha ainda setenta mil carregadores e oitenta mil cortadores de pedras na montanha,
16. sem contar três mil e trezentos contramestres que presidiam os vários trabalhos, os quais davam ordens ao povo e aos operários.
17. O rei ordenou que extraíssem grandes e belas pedras, que deviam ser talhadas para os alicerces do templo.
18. Os operários de Salomão e os de Hirão talharam as pedras, enquanto os giblieus preparavam as madeiras e as pedras para a construção da casa.

 
Capítulo 6

1. No ano quatrocentos e oitenta depois da saída dos filhos de Israel do Egito, Salomão, no quarto ano do seu reinado, no mês de Ziv, que é o segundo mês, empreendeu a construção do templo do Senhor.
2. O templo que o rei Salomão edificou ao Senhor tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura.
3. O pórtico, à entrada do templo, tinha vinte côvados de comprimento, o que igualava a largura do templo, e dez côvados de largura na frente do edifício.
4. O rei fez no templo janelas com grades de madeira.
5. Construiu, encostados às paredes do edifício, andares que rodeavam o templo e o santuário. Cercou assim o edifício de quartos laterais.
6. O andar inferior tinha cinco côvados de largura, o do meio seis e o terceiro sete, porque se tinham posto encostas nos muros exteriores do templo para evitar que as vigas entrassem nas paredes do edifício.
7. Na construção do templo só se empregaram pedras lavradas na pedreira, de sorte que não se ouvia durante os trabalhos da construção barulho algum de martelo, de cinzel ou de outro qualquer instrumento de ferro.
8. A entrada do andar inferior encontrava-se do lado direito do edifício. Subia-se por uma escada em espiral ao andar do meio, e deste ao terceiro.
9. Terminado o edifício, Salomão recobriu-o de tábuas e de forros de cedro.
10. Os andares que construiu encostados em todo o edifício eram de cinco côvados de altura cada um e foram ligados ao templo por traves de cedro.
11. A palavra do Senhor foi então dirigida a Salomão nestes termos:
12. Esta casa que tu edificas… se obedeceres às minhas leis, praticares os meus mandamentos e observares todos os meus preceitos, seguindo-os cuidadosamente, eu cumprirei em ti as promessas que fiz ao teu pai Davi:
13. permanecerei no meio dos israelitas e não abandonarei Israel, meu povo.
14. Salomão terminou a construção do templo.
15. Forrou o interior das paredes do edifício com placas de cedro, desde o pavimento até o teto; revestiu assim de madeira todo o interior e cobriu o pavimento com tábuas de cipreste.
16. Revestiu de tábuas de cedro, a partir do fundo do templo, desde o pavimento até o teto, um espaço de vinte côvados, que destinou ao santuário, ou santo dos santos.
17. Os quarenta côvados restantes constituíam a parte anterior do templo.
18. Dentro do edifício o cedro era esculpido de coloquíntidas e flores abertas; tudo era de cedro; não se via a pedra.
19. Salomão dispôs o santuário no interior do templo, bem ao fundo, para ali colocar a arca da aliança do Senhor.
20. O santuário tinha por dentro vinte côvados de comprimento, vinte de largura e vinte de altura. Salomão revestiu-o de ouro fino, e cobriu o altar de cedro.
21. Revestiu de ouro fino o interior do edifício e fechou com cadeias de ouro a frente do santuário, que era também revestido de ouro.
22. A casa ficou assim inteiramente coberta de ouro, como também toda a superfície do altar que estava diante do santuário.
23. Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura.
24. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra.
25. O segundo querubim tinha também dez côvados; os dois tinham a mesma forma e as mesmas dimensões.
26. Um e outro tinham dez côvados de altura.
27. Salomão pô-los no fundo do templo, no santuário. Tinham as asas estendidas, de sorte que uma asa do primeiro tocava uma das paredes e uma asa do segundo tocava a outra parede, enquanto as outras duas asas se encontravam no meio do santuário.
28. Revestiu também de ouro os querubins.
29. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas.
30. Cobriu de ouro o pavimento do edifício, tanto o do santuário como o do templo.
31. Pôs à porta do santuário vigas de pau de oliveira; o seu enquadramento com as ombreiras ocupava a quinta parte da parede.
32. Nos dois batentes de pau de oliveira mandou esculpir querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu-as de ouro; cobriu de ouro tanto os querubins como as palmas.
33. Para a porta do templo fez vigas de pau de oliveira que ocupavam a quarta parte da parede,
34. bem como dois batentes de madeira de cipreste, sendo cada batente formado de duas folhas móveis.
35. Mandou esculpir nelas querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu tudo de ouro, ajustado às esculturas.
36. Construiu, ao redor do átrio interior, um muro de três ordens de pedras talhadas e uma fileira de traves de cedro.
37. No mês de Ziv do quarto ano de reinado, foram lançados os fundamentos do templo do Senhor,
38. e no ano undécimo, no mês de Bul, que é o oitavo mês, foi o templo acabado em todas as suas partes e em todos os seus pormenores. O templo foi construído em sete anos.

 
Capítulo 7

1. Salomão levou treze anos a terminar a construção do seu palácio.
2. Edificou primeiro a Casa da Floresta do Líbano, que tinha cem côvados de comprimento, cinqüenta de largo e trinta de alto, repousando sobre quatro fileiras de colunas de cedro, com traves de cedro sobre as colunas.
3. Forrou de cedro o teto dos quartos, que se apoiavam nas colunas, em número de quarenta e cinco, ou seja, quinze colunas por fileira.
4. Havia três fileiras de quartos, cujas janelas se correspondiam três vezes.
5. Todas as portas e suas vigas eram retangulares, e as janelas se correspondiam três vezes.
6. Fez um pórtico de colunas, com cinqüenta côvados de comprido e trinta de largo, precedido de um segundo pórtico de colunas com degraus.
7. Salomão mandou fazer a sala do trono, onde estava o tribunal, o pórtico do juízo, e revestiu-o de cedro desde o pavimento até ao teto.
8. Sua residência, construída no segundo pátio, atrás do pórtico, era de trabalho semelhante. Enfim, mandou construir para a filha do faraó, que ele tinha desposado, uma casa do mesmo gênero que este pórtico.
9. Todas essas construções eram feitas com pedras escolhidas, talhadas sob medida, e serradas tanto por dentro como por fora, desde os fundamentos até o alto das cornijas, inclusive o muro do grande pátio.
10. Os fundamentos eram também feitos de pedras escolhidas de grande dimensão, pedras de dez e de oito côvados.
11. Por cima havia ainda pedras escolhidas, talhadas sob medida, e traves de cedro.
12. O muro, que cercava o grande pátio, tinha três ordens de pedras talhadas e uma fileira de vigas de cedro, assim como no pátio interior do templo do Senhor e no pórtico do palácio.
13. O rei Salomão mandara vir de Tiro um homem que trabalhava em bronze, Hirão,
14. filho de uma viúva da tribo de Neftali, cujo pai era de Tiro. Hirão era talentoso, cheio de inteligência e habilidade para fazer toda espécie de trabalhos em bronze. Apresentou-se ao rei Salomão e executou todos os seus trabalhos.
15. Fez duas colunas de bronze: a primeira tinha dezoito côvados de altura; a sua periferia media-se com um fio de doze côvados. Tinham quatro dedos de espessura e eram ocas. A segunda coluna era semelhante a esta.
16. Fundiu dois capitéis para pô-los no alto das colunas; ambos tinham cinco côvados de altura,
17. e eram ornados de redes de malhas e grinaldas em forma de cadeias; havia sete grinaldas para cada capitel.
18. Dispôs em círculo ao redor de cada uma das malhas duas fileiras de romãs, para ornar cada um dos capitéis que cobriam as colunas.
19. Os capitéis, que sobremontavam as colunas no pórtico, tinham a forma de lírios, com quatro côvados de altura.
20. Os capitéis colocados sobre as duas colunas elevavam-se acima da parte mais grossa da coluna, além da rede; em volta dos dois capitéis, havia duzentas romãs dispostas em círculo.
21. Hirão levantou as colunas no pórtico do templo; a coluna direita, que chamou Jaquin, e a esquerda, que chamou Boaz.
22. Por cima das colunas pôs um trabalho em forma de lírio. E assim foi acabada a obra das colunas.
23. Hirão fez também o mar de bronze, que tinha dez côvados de uma borda à outra, perfeitamente redondo, e com altura de cinco côvados; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados.
24. Por baixo de sua borda havia coloquíntidas em número de dez por côvado; elas rodeavam o mar, dispostas em duas ordens, formando com o mar uma só peça.
25. Este apoiava-se sobre doze bois, dos quais três olhavam para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente. O mar repousava sobre eles, e suas ancas estavam para o lado de dentro.
26. A espessura do mar era de um palmo; sua borda assemelhava-se à de um copo em forma de lírio; sua capacidade era de dois mil batos.
27. Fez também duas bases de bronze, tendo cada uma quatro côvados de comprimento, quatro de largura e três de altura.
28. Eis como eram feitas essas bases: eram formadas de painéis e enquadradas de molduras.
29. Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões.
30. Cada base tinha quatro rodas de bronze, com seus eixos de bronze, e nos quatro cantos havia suportes fundidos que sustinham a bacia, os quais estavam por baixo das grinaldas.
31. A abertura para a bacia era no interior dos suportes, e os ultrapassava de um côvado de altura; era cilíndrica e seu diâmetro era de um côvado e meio; e era também ornada de esculturas. Os painéis eram quadrados e não redondos.
32. Debaixo destes estavam as quatro rodas, cujos eixos eram fixados à base. Cada roda tinha um côvado e meio de altura,
33. e era feita como as de um carro. Eixos, cambas, raios e cubos, tudo era fundido.
34. Nos quatro ângulos de cada base encontravam-se quatro suportes que faziam parte da mesma base.
35. A parte superior da base era de forma circular, tendo meio côvado de altura; seus esteios formavam com os painéis uma só peça.
36. Nas placas dos seus esteios e dos painéis assim como no espaço livre entre estas, esculpiu querubins, leões, palmas e grinaldas circulares.
37. Desse modo fez as dez bases, todas do mesmo molde, da mesma dimensão e modelo.
38. Fez também dez bacias de bronze, contendo cada uma quarenta batos. Cada uma tinha quatro côvados e repousava sobre um dos dez pedestais.
39. Pôs cinco pedestais do lado direito do templo e cinco do lado esquerdo. O mar foi colocado do lado direito do edifício, para o sudoeste.
40. Hirão fez também caldeirões, pás e bacias. Hirão concluiu, pois, toda a obra que o rei Salomão lhe mandara fazer para o templo do Senhor:
41. duas colunas, dois capitéis esféricos para o alto das colunas, duas redes para cobrir os capitéis esféricos que estão sobre as colunas;
42. quatrocentas romãs para as redes, duas fileiras de romãs para cada rede, para cobrir os dois capitéis esféricos que estão no alto das colunas;
43. dez pedestais e dez bacias sobre os pedestais;
44. o mar, único, com os doze bois por baixo do mar;
45. os caldeirões, pás e bacias. Todos esses objetos que Hirão fez por ordem do rei Salomão para o templo do Senhor, eram de bronze polido.
46. O rei mandou-os fundir na planície do Jordão, numa terra argilosa, entre Socot e Sartã.
47. Era tão grande o número desses objetos, que Salomão não pesou o bronze.
48. Salomão mandou ainda fabricar todos os utensílios que estariam no templo do Senhor: o altar de ouro, a mesa de ouro sobre a qual se colocavam os pães de proposição;
49. os candelabros de ouro fino, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do santuário, com as flores, as lâmpadas e as espevitadeiras de ouro,
50. os copos, as facas, as bacias, as colheres e os cinzeiros de ouro fino, e os gonzos de ouro para os batentes da porta do santuário, o Santo dos Santos, e da porta do templo, o Santo.
51. Assim foram concluídos todos os trabalhos empreendidos pelo rei Salomão para o templo do Senhor. E Salomão mandou então que se trouxesse tudo o que Davi, seu pai, tinha consagrado: a prata, o ouro e os utensílios, e colocou-os nas reservas do templo do Senhor.

 
Capítulo 8

1. Então convocou Salomão junto de si em Jerusalém os anciãos de Israel e todos os chefes das tribos e os chefes das famílias israelitas, para irem buscar na cidade de Davi, em Sião, a arca da aliança do Senhor.
2. Todos os israelitas se reuniram junto do rei Salomão no mês de Etanim, que é o sétimo, durante a festa.
3. Vieram todos os anciãos de Israel e os sacerdotes tomaram a arca do Senhor.
4. Levaram-na, assim como a Tenda de Reunião e todos os utensílios sagrados que havia no tabernáculo: foram os sacerdotes e os levitas que os levaram.
5. O rei Salomão e toda a assembléia de Israel reunida junto dele conservavam-se diante da arca. Sacrificavam tão grande quantidade de ovelhas e bois que não se podia contar.
6. Os sacerdotes levaram a arca da aliança do Senhor para seu lugar, no santuário do templo, no Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins.
7. Pois os querubins estendiam as suas asas sobre o lugar da arca, e cobriam por cima a arca e os seus varais.
8. Estes varais eram de tal forma compridos, que se podiam ver as suas extremidades do lugar santo, diante do santuário, mas não de fora, e ali ficaram até o dia de hoje.
9. Na arca só havia as duas tábuas de pedra que Moisés ali depusera no monte Horeb, quando o Senhor fez aliança com os israelitas, depois que saíram da terra do Egito.
10. Quando os sacerdotes saíram do lugar santo, a nuvem encheu o templo do Senhor,
11. de modo tal que os sacerdotes não puderam ali ficar para exercer as funções de seu ministério; porque a glória do Senhor enchia o templo do Senhor.
12. Então disse Salomão: O Senhor declarou que habitaria na obscuridade.
13. Por isso, edifiquei uma casa para vossa residência, um lugar onde habitareis para sempre.
14. Depois o rei virou-se para a assembléia de Israel, que se conservava de pé, e a abençoou.
15. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, disse ele, que falou pela sua boca ao meu pai Davi e que, pela sua mão, acaba de cumprir a promessa que ele fez, quando disse:
16. Desde o dia em que tirei do Egito o meu povo de Israel, não escolhi cidade alguma entre as tribos de Israel, para que aí me fosse edificada uma casa onde residisse o meu nome; mas escolhi Davi para reinar sobre o meu povo de Israel.
17. Davi, meu pai, tinha a intenção de construir um templo ao nome do Senhor, Deus de Israel;
18. mas o Senhor disse-lhe: Quando tiveste a intenção de edificar um templo ao meu nome, fizeste bem.
19. Tu, porém, não edificarás esse templo; será o teu filho, saído de ti, quem construirá um templo ao meu nome.
20. O Senhor cumpriu, pois, a palavra que pronunciou. Como o Senhor o disse, eu me sentei sobre o trono de Israel, sucedendo ao meu pai Davi, e construí esse templo ao nome do Senhor, Deus de Israel.
21. Preparei um lugar para a arca, onde se encontra a aliança do Senhor, aliança que fez com nossos pais quando os tirou do Egito.
22. Em seguida, pôs-se Salomão diante do altar do Senhor, em presença de toda a assembléia de Israel, estendeu as mãos para o céu e disse:
23. Senhor, Deus de Israel, não há Deus semelhante a vós, nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo, na terra; vós sois fiel à vossa misericordiosa aliança com os vossos servos, que caminham diante de vós de todo o seu coração.
24. Cumpristes a promessa que fizestes a vosso servo Davi, meu pai: o que vossa boca falou, realizou-o vossa mão, como hoje se vê.
25. Agora, Senhor, Deus de Israel, realizai a promessa que fizestes a vosso servo Davi, meu pai, quando lhe dissestes: Não te faltará jamais diante de mim um sucessor ocupando o trono de Israel, contanto que teus filhos guardem cuidadosamente os teus caminhos, andando diante de mim, como tu mesmo o fizeste.
26. Cumpra-se, pois, presentemente, ó Deus de Israel, a promessa que fizestes ao vosso servo Davi, meu pai.
27. Mas, será verdade que Deus habite sobre a terra? Se o céu e os céus dos céus não vos podem conter quanto menos esta casa que edifiquei!
28. Entretanto, Senhor Deus meu, atendei à oração e às súplicas de vosso servo; ouvi o clamor e a prece que hoje vos dirijo.
29. Que vossos olhos estejam dia e noite abertos sobre este templo, sobre este lugar, do qual dissestes: O meu nome residirá ali. Ouvi a oração que vosso servo vos faz neste lugar.
30. Ouvi a súplica de vosso servo e de vosso povo de Israel, quando orarem neste lugar. Ouvi-os do alto de vossa morada no céu, ouvi-os e perdoai!
31. Se alguém pecar contra o seu próximo e, fazendo-o jurar, for tomado juramento diante de vosso altar, neste templo,
32. vós, do alto dos céus, fareis justiça aos vossos servos, condenando o culpado, fazendo cair sobre ele o seu pecado, e justificando o inocente, tratando-o segundo a sua inocência.
33. Quando vosso povo de Israel for derrotado por seus inimigos por ter pecado contra vós, se se voltarem para vós, dando glória ao vosso nome, e vierem orar e vos suplicar neste templo,
34. ouvi-os do alto dos céus, perdoai o pecado de vosso povo de Israel, e reconduzi-o à terra que destes a seus pais.
35. Quando o céu se fechar e não cair mais a chuva, por terem pecado contra vós, se vierem orar neste lugar, dando glória ao vosso nome, e se converterem de seus pecados por causa de sua aflição,
36. ouvi-os do alto dos céus, perdoai o pecado de vossos servos e de vosso povo de Israel. Mostrai-lhes o bom caminho que devem seguir, e mandai chuva sobre a terra que destes ao vosso povo como herança.
37. Quando vierem sobre a terra a fome, a peste, a ferrugem, a mangra, os gafanhotos; quando o inimigo cercar o povo nas cidades; quando houver qualquer flagelo ou epidemia,
38. se um homem, se todo o vosso povo recorrer a vós com orações e súplicas, e se cada um, reconhecendo a chaga de seu coração, levantar as mãos para este templo,
39. ouvi-os desde vossa morada no alto dos céus, e perdoai-lhes. Fazei de modo a dar a cada um segundo o que fez, vós que conheceis o seu coração, porque só vós conheceis o coração de todos os filhos dos homens;
40. e desta sorte eles vos temerão durante todos os dias de sua vida na terra que destes a seus pais.
41. Quanto ao estrangeiro, que não pertence ao vosso povo de Israel, quando vier de uma terra longínqua por causa de vosso nome, -
42. porque se ouvirá falar da grandeza de vosso nome, da força de vossa mão e do poder de vosso braço, – quando vier orar neste templo,
43. ouvi-o do alto dos céus, do alto de vossa morada, ouvi-o e fazei tudo o que esse estrangeiro vos pedir. Então todos os povos da terra conhecerão o vosso nome, vos temerão como o vosso povo de Israel, e saberão que o vosso nome é invocado sobre esta casa que edifiquei.
44. Quando o vosso povo partir para a guerra contra os seus inimigos, seguindo o caminho que lhe indicardes, se vos invocarem com o rosto voltado para a cidade que escolhestes, para o templo que edifiquei ao vosso nome,
45. ouvi do alto dos céus as suas preces e súplicas, e fazei-lhes justiça.
46. Quando pecarem contra vós – porque não há homem que não peque – e quando em vossa ira os entregardes nas mãos de seus inimigos, de sorte que sejam levados cativos pelos seus vencedores a uma terra inimiga, longínqua ou próxima,
47. se, na terra de seu exílio, entrando em si mesmos, se arrependerem de seus pecados e vos suplicarem no seu cativeiro desta forma: Nós pecamos, cometemos a iniqüidade, procedemos mal,
48. se eles se voltarem para vós de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra de seus inimigos para onde forem levados cativos, e se orarem a vós com o rosto voltado para a terra que destes a seus pais, para esta cidade que escolhestes, para este templo que construí ao vosso nome,
49. ouvi, do alto dos céus, do alto de vossa morada, as suas preces e súplicas, e fazei-lhes justiça.
50. Perdoai ao vosso povo os seus pecados e as ofensas que cometeu contra vós. Tornai-os simpáticos aos seus vencedores, de sorte que tenham compaixão deles;
51. porque Israel é o vosso povo e a vossa herança, que tirastes do Egito, duma fornalha de ferro.
52. Estejam os vossos olhos abertos às súplicas de vosso servo e de vosso povo de Israel, para ouvi-los quando vos invocarem.
53. Porque vós, ó Senhor Javé, os separastes dentre todos os povos da terra para vossa herança, como o declarastes pela boca de vosso servo Moisés, quando tirastes nossos pais do Egito!
54. Quando Salomão acabou de fazer ao Senhor esta prece e esta súplica, levantou-se de diante do altar do Senhor, onde estava ajoelhado com as mãos levantadas para o céu.
55. De pé, abençoou toda a assembléia de Israel, dizendo em alta voz:
56. Bendito seja o Senhor, que, como havia prometido, deu a paz ao seu povo de Israel! Não falhou uma palavra sequer de todas as boas palavras que dissera pela boca de seu servo Moisés.
57. Que o Senhor, nosso Deus, esteja convosco como esteve com nossos pais; não nos deixe, nem nos abandone,
58. mas incline os nossos corações para ele, a fim de que andemos em todos os seus caminhos, e guardemos os mandamentos e os preceitos que ele prescreveu a nossos pais.
59. Oxalá fiquem estas minhas palavras, com que supliquei ao Senhor, presentes à sua memória de dia e de noite, para que, dia por dia, ele faça justiça ao seu servo e ao seu povo de Israel.
60. Assim, todos os povos da terra reconhecerão que é o Senhor que é Deus, e que não há outro fora dele.
61. Que o vosso coração seja todo para o Senhor, nosso Deus, sem reserva, a fim de que andeis segundo as suas leis e observeis os seus preceitos, como hoje o fazeis.
62. O rei e todo o Israel com ele imolaram vítimas diante do Senhor.
63. Salomão imolou, para o sacrifício pacífico que ofereceu ao Senhor, vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os israelitas fizeram a dedicação do templo do Senhor.
64. Naquele dia o rei consagrou o interior do átrio, que se encontra diante do templo do Senhor, pois ofereceu ali os holocaustos e as ofertas, bem como a gordura dos sacrifícios pacíficos, porque o altar de bronze, levantado diante do santuário do Senhor, não bastava para conter os holocaustos, as ofertas e a gordura dos sacrifícios pacíficos.
65. Tal foi a festa que Salomão celebrou naquele tempo, e todo o Israel com ele, tendo concorrido uma imensa assembléia vinda desde Emat até a torrente do Egito, diante do Senhor, nosso Deus, durante duas vezes sete dias, isto é, quatorze dias.
66. Ao oitavo dia despediu o povo, e todos voltaram para as suas casas, abençoando o rei, com o coração alegre e contente por todos os bens que o Senhor tinha feito a Davi, seu servo, e ao seu povo de Israel.

 
Capítulo 9

1. Quando Salomão acabou de construir o templo do Senhor, o palácio real e tudo o que desejou fazer,
2. o Senhor apareceu-lhe pela segunda vez, como tinha aparecido em Gabaon.
3. O Senhor disse-lhe: Ouvi a tua oração e a súplica que me dirigiste; consagrei esta casa que me construíste, a fim de nela fixar o meu nome para sempre; meus olhos e meu coração aí estarão perpetuamente.
4. E tu, se andares diante de mim como o fez Davi, na sinceridade e retidão de teu coração, pondo em prática tudo o que te ordenei, observando os meus preceitos e minhas leis,
5. eu firmarei para sempre o trono de teu reino sobre Israel, como o declarei a Davi, teu pai, nestes termos: Não te faltará jamais um descendente sobre o trono de Israel.
6. Mas se vos desviardes de mim, vós e vossos filhos, e não observardes os preceitos e ordens que vos prescrevi, se vos retirardes e prestardes culto a deuses estranhos, prostrando-vos diante deles,
7. eu exterminarei Israel da terra que lhe dei, lançarei de minha presença o templo que consagrei ao meu nome, e Israel será objeto de sarcasmo e zombaria para todos os povos.
8. Embora seja tão alto esse templo, todo o que passar diante dele ficará pasmado, e assobiará, dizendo: Por que tratou o Senhor assim esta terra e este templo?
9. E responder-lhe-ão: Porque abandonaram o Senhor, seu Deus, que tirou os seus pais do Egito, e seguiram a outros deuses, prostrando-se diante deles e adorando-os; por isso o Senhor mandou sobre eles todos esses males.
10. Quando, passados vinte anos, Salomão acabou de construir os dois edifícios, o templo do Senhor e o palácio real,
11. tendo-lhe Hirão, rei de Tiro, fornecido madeira de cedro e de cipreste, e também ouro, o quanto ele quis, Salomão deu a Hirão vinte cidades da Galiléia.
12. Hirão veio de Tiro para ver as cidades que Salomão lhe tinha dado, mas elas não lhe agradaram,
13. e disse: Que cidades são estas que me deste, irmão meu? E chamou-as terra de Cabul, nome que conservam até o dia de hoje.
14. (Hirão tinha também mandado ao rei cento e vinte talentos de ouro.)
15. Eis o que se refere aos trabalhos organizados pelo rei Salomão para a construção do templo do Senhor e de seu próprio palácio, de Milo, do muro de Jerusalém, de Hezer, de Magedo e de Gazer.
16. O faraó, rei do Egito, subiu, tomou Gazer e queimou-a, depois de ter matado os cananeus que a habitavam; deu-a em seguida em dote à sua filha: mulher de Salomão.
17. Salomão construiu, pois, Gazer, Betoron-a-Baixa,
18. Baalat e Tadmor, na terra do deserto;
19. e, enfim, todas as cidades entrepostos de Salomão, cidades para os carros, para a cavalaria, e tudo o que lhe aprouve edificar em Jerusalém, no Líbano e em toda a terra de seu domínio.
20. Tudo o que subsistia dos amorreus, dos hiteus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus, que não faziam parte dos israelitas,
21. todos os seus descendentes que tinham ficado na terra e que os israelitas não tinham exterminado, Salomão os empregou como escravos de trabalhos pesados, o que são ainda hoje.
22. Quanto aos filhos de Israel, determinou que nenhum servisse como escravo, mas que fossem seus guerreiros, servos, chefes, oficiais, comandantes de seus carros e de sua cavalaria.
23. Havia quinhentos e cinqüenta contramestres nos trabalhos de Salomão, os quais dirigiam a multidão dos operários.
24. Subiu a filha do faraó da cidade de Davi, e veio para a casa que lhe tinha construído Salomão; foi então que ele edificou Milo.
25. Três vezes por ano, Salomão oferecia holocaustos e sacrifícios pacíficos sobre o altar que tinha levantado ao Senhor, e queimava perfumes sobre o altar que estava diante do Senhor. E assim acabou ele a construção do templo.
26. Equipou também o rei Salomão uma frota em Asiongaber, perto de Ailat, na praia do mar Vermelho, na terra de Edom.
27. Hirão mandou seus próprios servos nessa frota, marinheiros experimentados em náutica, para ajudar os homens de Salomão.
28. Foram a Ofir, de onde trouxeram quatrocentos e vinte talentos de ouro, e os apresentaram ao rei Salomão.

 
Capítulo 10

1. A rainha de Sabá, tendo ouvido falar de Salomão e da glória do Senhor, veio prová-lo com enigmas.
2. Chegou a Jerusalém com uma numerosa comitiva, com camelos carregados de aromas, e uma grande quantidade de ouro e pedras preciosas. Apresentou-se diante do rei Salomão e disse-lhe tudo o que tinha no espírito.
3. A tudo respondeu o rei. Nenhuma de suas perguntas lhe pareceu obscura, e deu solução a todas.
4. Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, a casa que ele tinha feito,
5. os manjares de sua mesa, os apartamentos de seus servos, as habitações e uniformes de seus oficiais, os copeiros do rei e os holocaustos que ele oferecia no templo do Senhor, ficou estupefata,
6. e disse ao rei: É bem verdade o que ouvi a teu respeito e de tua sabedoria, na minha terra.
7. Eu não quis acreditar no que me diziam, antes de vir aqui e ver com os meus próprios olhos. Mas eis que não contavam nem a metade: tua sabedoria e tua opulência são muito maiores do que a fama que havia chegado até mim.
8. Felizes os teus homens, felizes os teus servos que estão sempre contigo e ouvem a tua sabedoria!
9. Bendito seja o Senhor, teu Deus, a quem aprouve colocar-te sobre o trono de Israel. Porque o Senhor amou Israel para sempre, por isso constituiu-te rei para governares com justiça e eqüidade.
10. Presenteou o rei com cento e vinte talentos de ouro e grande quantidade de perfumes e pedras preciosas. Não apareceu jamais uma quantidade de aromas tão grande como a que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.
11. A frota de Hirão, que trazia o ouro de Ofir, trouxe também grande quantidade de madeira de sândalo e pedras preciosas.
12. Com este sândalo fez o rei balaustradas para o templo do Senhor, assim como harpas e flautas para os músicos do palácio real. E desde então não se transportou mais dessa madeira de sândalo, e não se viu mais até o dia de hoje.
13. O rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo o que ela desejou e pediu, além dos presentes que ele mesmo lhe fez com real liberalidade. E a rainha retomou o caminho de volta com a sua comitiva.
14. O peso de ouro, que era levado anualmente a Salomão, era de seiscentos e sessenta e seis talentos,
15. sem contar o que ele recebia dos vendedores ambulantes e do tráfico dos negociantes, dos reis da Arábia e de todos os governadores da terra.
16. O rei Salomão mandou fazer duzentos escudos de ouro batido, empregando em cada um seiscentos siclos de ouro,
17. e trezentos escudos menores de ouro batido, empregando em cada um três minas de ouro. E colocou-os no pavilhão da Floresta do Líbano.
18. Mandou fazer também um grande trono de marfim, revestido de ouro fino.
19. O trono tinha seis degraus; a parte superior do espaldar era arredondada; havia de cada lado do assento dois braços, junto dos quais se achavam figuras de dois leões;
20. havia outros doze leões postos nos degraus, seis de cada lado. Nunca se fez coisa semelhante em nenhum outro reino.
21. Todas as taças do rei Salomão eram de ouro, assim como todo o vasilhame do pavilhão da Floresta do Líbano. Não havia nada feito de prata, porque não se fazia caso algum dela no tempo de Salomão.
22. O rei tinha no mar navios de Társis, que acompanhavam a frota de Hirão. De três em três anos, a frota de Társis trazia ouro, prata, marfim, macacos e pavões.
23. O rei Salomão sobrepujou todos os reis da terra em riquezas e opulência.
24. Todos buscavam a presença de Salomão para ouvir a sabedoria que o Senhor lhe tinha dado.
25. E cada um lhe trazia presentes: objetos de prata e ouro, vestes, armas, aromas, cavalos e burros. Assim, cada ano.
26. Contou Salomão os seus carros e cavaleiros: havia mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros, que distribuiu pelas cidades-entrepostos dos carros e por Jerusalém, junto dele.
27. Graças ao rei, tornou-se a prata em Jerusalém tão comum como as pedras, e os cedros tão numerosos como os sicômoros que crescem na planície.
28. Vinham do Egito os cavalos de Salomão; uma caravana de mercadores do rei ia comprá-los ali por um preço estabelecido.
29. Uma quadriga trazida do Egito custava-lhe seiscentos siclos de prata, e um cavalo cento e cinqüenta siclos. Do mesmo modo exportavam cavalos para todos os reis dos hiteus e da Síria.

 
Capítulo 11

1. O rei Salomão, além da filha do faraó, amou muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hitéias,
2. pertencentes às nações das quais o Senhor dissera aos israelitas: Não tereis relações com elas, nem elas tampouco convosco, porque certamente vos seduziriam os corações arrastando-os para os seus deuses.
3. A estas nações uniu-se Salomão por seus amores. Teve setecentas esposas de classe principesca e trezentas concubinas. E suas mulheres perverteram-lhe o coração.
4. Sendo já velho, elas seduziram o seu coração para seguir outros deuses. E o seu coração já não pertencia sem reservas ao Senhor, seu Deus, como o de Davi, seu pai.
5. Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, o abominável ídolo dos amonitas.
6. Fez o mal aos olhos do Senhor, não lhe foi inteiramente fiel como o fora seu pai Davi.
7. Por esse tempo edificou Salomão no monte, que está a oriente de Jerusalém, um lugar alto a Camos, deus de Moab, e a Moloc, abominação dos amonitas.
8. E o mesmo fez para todas as suas mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e sacrificavam aos seus deuses.
9. O Senhor irritou-se contra Salomão, por se ter seu coração desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe aparecera por duas vezes,
10. e lhe tinha proibido expressamente que se unisse a deuses estranhos. Mas não seguira as ordens do Senhor.
11. O Senhor disse-lhe então: Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo ao teu servo.
12. Todavia, em atenção ao teu pai Davi, não o farei durante a tua vida. Tirá-lo-ei, sim, mas da mão de teu filho.
13. Não lhe tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por amor de meu servo Davi, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi.
14. O Senhor suscitou um inimigo a Salomão: Hadad, o edomita, da linhagem real de Edom.
15. No tempo em que Davi estava em guerra contra Edom, quando Joab, general do exército, foi sepultar os mortos e matou todos os varões de Edom
16. (Joab, com efeito, demorou-se ali seis meses com todo o Israel, até exterminar todos os varões de Edom.)
17. Hadad fugiu com os edomitas, servos de seu pai, na direção do Egito.
18. Hadad era então muito criança. Partiram de Madiã e foram a Farã; dali, levando consigo homens de Farã, entraram no Egito e foram ter com o faraó, rei do Egito. Este deu-lhes casa, proveu ao seu sustento e doou-lhes terras.
19. Hadad ganhou a simpatia do faraó, que lhe deu por mulher sua cunhada, irmã da rainha Tafnes.
20. Desta irmã de Tafnes teve Hadad um filho, Genubat, que Tafnes criou na casa do faraó. E Genubat habitou no palácio com os filhos do faraó.
21. Quando Hadad ouviu dizer, no Egito, que Davi adormecera com seus pais, e que Joab, general do exército, estava morto, disse ao faraó: Deixa-me voltar para a minha terra.
22. O faraó respondeu-lhe: Falta-te algo em minha casa, para que queiras voltar para a tua terra? Nada me falta, respondeu; mas deixa-me partir assim mesmo. Hadad voltou, pois, para a sua terra. E eis o mal que fez: tornou-se rei de Edom e tratou Israel como inimigo.
23. Deus suscitou outro inimigo a Salomão: Razon, filho de Eliada, que fugira de seu senhor Hadadezer, rei de Soba.
24. Após os massacres de Davi, juntara homens em torno de si, tornando-se chefe de quadrilha. Atacaram Damasco, onde se estabeleceram, e constituíram-no rei em Damasco.
25. Foi inimigo de Israel durante toda a vida de Salomão.
26. Também Jeroboão, filho de Nabat, efrateu de Sareda (filho de uma viúva chamada Sarva), que estava a serviço de Salomão, revoltou-se contra o rei.
27. Eis em que circunstâncias ele se revoltou contra o rei: Salomão construía Milo para fechar a brecha da cidade de Davi, seu pai.
28. Ora, Jeroboão era um jovem enérgico, e Salomão, vendo-o tão laborioso, confiou-lhe a superintendência de todos os trabalhadores da casa de José.
29. E aconteceu que um dia, saindo Jeroboão de Jerusalém, encontrou-se em caminho com o profeta Aías de Silo, vestido com um manto novo. Estavam os dois sós no campo.
30. Então Aías, tomando o manto novo que trazia, rasgou-o em doze pedaços.
31. Toma para ti dez pedaços, disse ele a Jeroboão, pois isto diz o Senhor, Deus de Israel: Vou arrancar o reino das mãos de Salomão, e dar-te-ei dez tribos.
32. Mas, em atenção ao meu servo Davi e à cidade de Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, ficar-lhe-á ainda uma tribo.
33. Abandonaram-me, prostraram-se diante de Astarte, deusa dos sidônios, diante de Camos, deus de Moab e diante de Melcom, deus dos amonitas. Não andaram em meus caminhos, para fazer o que é bom diante de meus olhos e observar minhas leis e ordens, como o fez Davi, pai de Salomão.
34. Contudo, não lhe tirarei todo o reino, mas deixá-lo-ei governar todos os dias de sua vida, por amor de meu servo Davi, a quem escolhi, o qual guardou os meus mandamentos e os meus preceitos.
35. Tirarei, porém, o reino das mãos do filho de Salomão, para dar-te dez tribos.
36. Deixarei uma tribo ao seu filho, para que meu servo Davi tenha sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, cidade que escolhi para estabelecer nela o meu nome.
37. Tomo-te, pois, para reinares sobre tudo o que possas desejar. Serás rei de Israel.
38. E se obedeceres a todas as minhas ordens, se andares pelos meus caminhos, se fizeres o bem diante de mim, observando os meus preceitos e os meus mandamentos, como fez meu servo Davi, eu estarei contigo. Edificar-te-ei uma casa estável, como edifiquei para Davi, e te entregarei Israel.
39. Humilharei assim a descendência de Davi, mas não para sempre.
40. Salomão procurou matar Jeroboão, mas este fugiu para junto do rei Sesac, no Egito, onde permaneceu até a morte de Salomão.
41. O resto da história de Salomão, todos os seus atos, a sua sabedoria, tudo está escrito no livro dos Atos de Salomão.
42. Salomão reinou sobre todo o Israel durante quarenta anos, em Jerusalém. Depois adormeceu com seus pais e foi enterrado na cidade de seu pai Davi. Roboão, seu filho, tornou-se rei em seu lugar.

 
Capítulo 12

1. Roboão foi a Siquém, porque todo o Israel se tinha juntado ali para proclamá-lo rei.
2. E chegou essa notícia aos ouvidos de Jeroboão no Egito, onde ainda estava refugiado para escapar à face do rei Salomão.
3. Mandaram, pois, buscá-lo no Egito, onde habitava. Então Jeroboão foi com toda a assembléia de Israel e disseram a Roboão:
4. Teu pai impôs-nos um jugo pesado; alivia agora a rude servidão e o pesado jugo que teu pai nos impôs, e seremos teus servos.
5. Ele respondeu-lhes: Ide-vos e voltai à minha presença dentro de três dias. E o povo retirou-se.
6. O rei Roboão consultou os anciãos que tinham servido ao seu pai Salomão durante a sua vida. Disse-lhes: Que me aconselhais responder a esse povo?
7. Se hoje fores amável com esse povo, responderam-lhe, e cederes, se lhe falares com benevolência, eles serão para sempre teus servos.
8. O rei, porém, deixando de lado o conselho dos anciãos, foi consultar os jovens que tinham crescido com ele e eram seus familiares.
9. Disse-lhes: E vós, que me aconselhais responder ao povo? Ele pede-me que eu alivie o jugo que lhe impôs meu pai.
10. Os jovens que tinham crescido com ele, responderam-lhe: Assim dirás a esse povo que te falou, dizendo: Teu pai tornou o nosso jugo pesado; tu, porém, alivia-nos – assim lhe dirás: Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai.
11. Se meu pai vos impôs um jugo pesado, eu o farei ainda mais pesado. Se ele vos castigou com açoites, eu vos castigarei com escorpiões.
12. Chegou o terceiro dia. Jeroboão, seguido de uma grande multidão, apresentou-se diante de Roboão, pois ele dissera: Voltai a mim dentro de três dias.
13. O rei falou com dureza ao povo. Sem fazer caso algum do conselho dos anciãos,
14. respondeu ao povo como lhe aconselharam os jovens: Meu pai impôs-vos um jugo pesado? Pois eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai vos castigou com açoites? Pois eu vos castigarei com escorpiões.
15. E o rei não atendeu ao povo, porque assim o dispusera o Senhor, para realizar a palavra que tinha dito a Jeroboão, filho de Nabat, por meio de Aías, de Silo.
16. Vendo que o rei não os atendia, o povo respondeu-lhe: Que temos nós a ver com Davi? Que temos nós de comum com o filho de Isaí? Vai, pois, para as tuas tendas, ó Israel! Cabe a ti tratar de tua casa, ó Davi! E os israelitas retiraram-se para as suas tendas.
17. Roboão reinou, no entanto, sobre os israelitas que habitavam em Judá.
18. O rei Roboão enviou Adurão, superintendente dos trabalhos, mas os israelitas apedrejaram-no e ele morreu. O rei subiu então precipitadamente no seu carro e fugiu para Jerusalém.
19. Desse modo, separou-se Israel da casa de Davi até o dia de hoje.
20. Ouvindo os filhos de Israel que Jeroboão tinha voltado, convidaram-no à sua assembléia e aclamaram-no rei de todo o Israel. Só a tribo de Judá ficou fiel à casa de Davi.
21. Roboão, quando chegou a Jerusalém, reuniu toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil guerreiros de escol, a fim de pelejar contra a casa de Israel, e restituir todo o reino a Roboão, filho de Salomão.
22. Mas Deus falou a Seméias, homem de Deus:
23. Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, bem como a toda a casa de Judá e de Benjamim, e a todo o resto do povo. Dize-lhes: Eis o que diz o Senhor:
24. Não façais guerra aos vossos irmãos, os israelitas. Volte cada um para a sua casa. Tudo isto se fez por minha vontade. Eles obedeceram à palavra do Senhor e voltaram, como lhes ordenara.
25. Jeroboão construiu Siquém na montanha de Efraim, e residiu ali. Depois deixou Siquém para edificar Fanuel.
26. E disse consigo mesmo: Pode bem ser que o reino volte para a casa de Davi.
27. Se o povo subir a Jerusalém para oferecer sacrifícios no templo do Senhor, e o seu coração se voltar para o seu senhor, Roboão, rei de Judá, matar-me-ão e se voltarão para Roboão, rei de Judá.
28. Depois de ter refletido bem, o rei mandou fazer dois bezerros de ouro e disse ao povo: Basta de peregrinações a Jerusalém! Eis aqui, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.
29. Pôs um bezerro em Betel e outro em Dã.
30. Isso foi uma ocasião de pecado, porque o povo ia até Dã para adorar um desses bezerros.
31. Jeroboão construiu também templos em lugares altos, onde estabeleceu como sacerdotes homens tirados do meio do povo, e que não eram levitas.
32. Instituiu também uma festa no oitavo mês, no décimo quinto dia do mês, à semelhança da que se celebrava em Judá, e subiu ao altar. Fez o mesmo em Betel, sacrificando aos bezerros que tinha mandado fazer. Estabeleceu igualmente em Betel sacerdotes para os lugares altos que tinha edificado.
33. No décimo quinto dia do oitavo mês, isto é, no mês que tinha escolhido a seu bel-prazer, subiu ao altar que tinha edificado em Betel para celebrar a festa com os israelitas. Subiu ao altar para queimar o incenso.

 
Capítulo 13

1. Ora, estando ele de pé diante do altar para queimar o incenso, eis que sobreveio um homem de Deus, vindo de Judá por ordem do Senhor;
2. este se pôs a clamar contra o altar da parte do Senhor, nestes termos: Altar! Altar! Eis o que diz o Senhor: Na casa de Davi nascerá um filho que se chamará Josias; ele imolará sobre ti os sacerdotes dos lugares altos, que agora queimam ofertas sobre ti, e queimar-se-ão sobre ti ossos humanos.
3. Ao mesmo tempo anunciou o homem de Deus um prodígio, dizendo: Eis a prova de que é o Senhor quem fala: o altar vai-se fender e a cinza que está por cima se derramará por terra.
4. Ao ouvir a ameaça que o homem de Deus proferia contra o altar de Betel, o rei Jeroboão levantou a mão do altar, e disse: Prendei-o. Secou-se-lhe, porém, a mão que estendera contra o homem, de modo que não a pôde trazer a si.
5. O altar fendeu-se e espalhou-se a cinza que estava sobre ele, assim como o dissera o homem de Deus da parte do Senhor.
6. Então disse o rei ao homem de Deus: Aplaca o Senhor, teu Deus, e roga por mim para que me seja restituída a mão. O homem de Deus aplacou o Senhor, e o rei pôde trazer de novo a si a mão, que se tornou tal como era antes.
7. O rei disse ao homem de Deus: Vem comigo a minha casa para restaurar as tuas forças, e dar-te-ei um presente.
8. Mas o homem de Deus respondeu ao rei: Ainda que me desses a metade de tua casa, eu não iria contigo. Não comerei pão, nem beberei água nesse lugar,
9. porque o Senhor me ordenou que não comesse pão, nem bebesse água, e tampouco voltasse pelo mesmo caminho por onde vim.
10. Partiu, pois, de Betel por outro caminho e não tomou aquele por onde viera.
11. Ora, habitava em Betel um profeta já idoso, a quem seus filhos contaram tudo o que o homem de Deus fizera naquele dia em Betel, e o que ele dissera ao rei. O pai disse-lhes: Por onde se foi ele?
12. Seus filhos mostraram-lhe o caminho que tomara o homem de Deus vindo de Judá, ao partir.
13. Ele disse aos seus filhos: Selai o meu jumento. Tendo-o eles selado, montou nele o profeta,
14. e partiu em busca do homem de Deus. Encontrou-o sentado ao pé de um terebinto, e disse-lhe: És tu o homem de Deus que veio de Judá?
15. Sim, respondeu ele. O velho profeta continuou: Vem comigo para comeres em minha casa.
16. Não posso voltar, respondeu ele, nem ir contigo à tua casa. Não comerei pão, nem beberei água contigo nesse lugar,
17. porque recebi do Senhor a ordem de não comer pão, nem beber água, nem tampouco voltar pelo mesmo caminho por onde vim.
18. Mas eu sou também profeta como tu, insistiu o outro. Ora, um anjo me falou da parte do Senhor: Leva-o contigo à tua casa e dá-lhe de comer. Era mentira.
19. O homem de Deus voltou com ele e comeu em sua casa.
20. Enquanto estavam à mesa, o Senhor falou ao profeta que o tinha feito voltar,
21. e este interpelou o homem de Deus, vindo de Judá, nestes termos: Eis o que diz o Senhor: Desobedeceste à palavra do Senhor e não cumpriste a ordem que o Senhor, teu Deus, te havia dado:
22. voltaste e comeste num lugar do qual Deus te dissera: Não comerás pão ali, nem beberás água. Por isso teu cadáver não será levado ao sepulcro de teus pais.
23. Depois de ter comido, o velho profeta mandou selar um jumento para o seu hóspede, e este partiu.
24. Enquanto caminhava, o homem de Deus encontrou no caminho um leão, que o matou. Seu cadáver ficou estendido no caminho, tendo ao seu lado o jumento e o leão.
25. Alguns que passavam por ali, vendo o cadáver estendido por terra e junto dele o leão, foram e divulgaram a notícia na cidade onde morava aquele velho profeta.
26. Ouvindo isto, o velho profeta, que tinha levado à sua casa o homem de Deus, exclamou: É o homem de Deus que foi desobediente à ordem do Senhor; e o Senhor o entregou a um leão que o despedaçou e matou, como o Senhor lho predissera.
27. E disse em seguida aos seus filhos: Selai o meu jumento. Eles selaram-no,
28. o profeta partiu, e encontrou o cadáver estendido no caminho, tendo ao seu lado o jumento e o leão. O leão não tinha devorado o cadáver, nem dilacerado o jumento.
29. Tomou então o profeta o cadáver do homem de Deus, pô-lo em cima do seu jumento, e levou-o para a cidade a fim de pranteá-lo e dar-lhe sepultura.
30. Depositou-o em seu próprio túmulo, e pranteou-o, dizendo: Ai, meu irmão!
31. Depois do enterro disse o ancião aos seus filhos: Quando eu morrer, sepultar-me-eis no túmulo onde repousa o homem de Deus; depositareis os meus ossos junto do seus.
32. Porque se cumprirá a ameaça que ele fez da parte do Senhor contra o altar de Betel e contra todos os templos dos lugares altos das cidades da Samaria.
33. Depois dessas coisas, Jeroboão não se converteu de sua péssima vida, mas continuou a tomar homens do meio do povo e constituí-los sacerdotes dos lugares altos: a todo o que desejasse, investia no cargo sacerdotal e o estabelecia nos lugares altos.
34. Isto tornou-se para a casa de Jeroboão um ocasião de pecado, que causou a sua perda e o seu extermínio da face da terra.

 
Capítulo 14

1. Por aquele tempo, Abias, filho de Jeroboão, caiu doente. Jeroboão disse à sua mulher:
2. Disfarça-te, para que não conheçam que és minha mulher, e vai a Silo, onde está o profeta Aías, o qual me predisse que eu reinaria sobre este povo.
3. Toma contigo dez pães, bolos e um pote de mel, e vai ter com ele. Ele te dirá o que vai acontecer com o menino.
4. Assim fez a mulher de Jeroboão: pôs-se a caminho para Silo, e foi à casa de Aías. Este já não podia ver, porque a velhice lhe tinha obscurecido os olhos.
5. Mas o Senhor disse-lhe: Eis que aí vem a mulher de Jeroboão para consultar-te a respeito de seu filho doente. Dir-lhe-ás isto e isto. Ao chegar, ela se fará passar por outra.
6. Ouvindo o ruído dos seus passos, ao entrar pela porta, Aías disse-lhe: Entra, mulher de Jeroboão; por que te queres fazer passar por outra? Tenho uma triste mensagem para ti.
7. Vai e dize a Jeroboão: Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: Elevei-te do meio do povo, para fazer de ti o príncipe de meu povo de Israel.
8. Dividi o reino da casa de Davi para dar-te uma parte. Tu, porém, não seguiste o exemplo de meu servo Davi, que guardava os meus mandamentos e me seguia de todo o seu coração, fazendo sempre o que me era agradável.
9. Fizeste maiores males que todos os que te precederam, e chegaste até a fazer para ti deuses estranhos e figuras fundidas, provocando a minha ira; lançaste-me para trás das costas!
10. Por isso farei vir males maiores sobre a casa de Jeroboão; exterminarei de Israel toda a sua família, até o último dos varões, escravo ou livre; varrerei a casa de Jeroboão como se varre o lixo, até que não fique mais nada.
11. Todo membro da casa de Jeroboão que morrer na cidade será devorado pelos cães; e os que morrerem no campo serão comidos pelas aves do céu. É o Senhor quem o diz.
12. Volta, pois, para a tua casa. Logo que puseres os pés na cidade, o menino morrerá.
13. Todo o Israel o chorará e o sepultará, porque este será o único da família de Jeroboão que terá uma sepultura, visto ter sido o único desta família em quem o Senhor, Deus de Israel, encontrou algo de bom.
14. O Senhor suscitará em Israel um rei que exterminará a casa de Jeroboão. Mas que digo? Isto já acontece!
15. O Senhor vai ferir Israel. Como o caniço é levado pelas águas, assim o Senhor os tirará dessa boa terra que ele deu aos seus pais e os dispersará para além do Eufrates, porque fabricaram para si ídolos que provocam a cólera do Senhor.
16. O Senhor abandonará Israel, por causa dos pecados de Jeroboão, que pecou e arrastou também Israel ao seu pecado.
17. A mulher de Jeroboão levantou-se e partiu. Ao entrar em Tersa, no momento em que entrava pela porta da casa, o menino morreu.
18. Sepultaram-no e todo o Israel o pranteou, assim como o Senhor o predisse pelo seu servo, o profeta Aías.
19. O resto das ações de Jeroboão, a história de suas campanhas e de seu governo, tudo isto está consignado no livro das crônicas dos reis de Israel.
20. O seu reinado durou vinte e dois anos. Depois disso, adormeceu com seus pais, e seu filho Nadab sucedeu-lhe no trono.
21. Roboão, filho de Salomão, reinou sobre Judá. Tinha quarenta e um anos quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que o Senhor escolheu entre todas as tribos de Israel para ali estabelecer o seu nome. Sua mãe chamava-se Naama, a amonita.
22. O povo de Judá fez o mal diante do Senhor, e com os seus pecados excitaram-lhe o zelo mais do que tinham feito os seus pais.
23. Edificaram para si lugares altos, estelas e ídolos asserás sobre todas as colinas e debaixo de tudo que fosse árvore verde.
24. Até prostitutas (sagradas) houve na terra. Imitaram todas as abominações dos povos que o Senhor tinha expulsado de diante dos israelitas.
25. No quinto ano do reinado de Roboão, Sesac, rei do Egito, atacou Jerusalém
26. e tomou os tesouros do templo do Senhor, os do palácio real, roubou tudo, até mesmo os escudos de ouro que Salomão tinha mandado fazer.
27. Em sua substituição, o rei Roboão mandou fazer escudos de bronze, e os entregou aos chefes da guarda da porta do palácio real.
28. Cada vez que o rei se dirigia ao templo do Senhor, os guardas levavam esses escudos; depois tornavam a colocá-los no corpo da guarda.
29. O resto da história de Roboão e seus atos, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
30. Jeroboão e Roboão estiveram continuamente em hostilidades.
31. Roboão adormeceu com os seus pais e foi sepultado com eles na cidade de Davi. Sua mãe chamava-se Naama, a amonita. Seu filho Abião sucedeu-lhe no trono.

 
Capítulo 15

1. No décimo oitavo ano do reinado de Jeroboão, filho de Nabat, Abião tornou-se rei de Judá.
2. Reinou três anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão.
3. Abião entregou-se a todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele. Seu coração não era inteiramente fiel ao Senhor, como o de seu pai Davi.
4. Todavia, o Senhor, seu Deus, em atenção a Davi, conservou-lhe uma lâmpada em Jerusalém: deu-lhe um filho que lhe sucedeu, e deixou subsistir Jerusalém.
5. Porque Davi tinha feito o que era reto aos olhos do Senhor, e não se tinha jamais desviado em toda a sua vida de um só dos mandamentos que recebera, exceto o que se passou com Urias, o hiteu.
6. Houve hostilidades contínuas entre Roboão e Jeroboão durante toda a sua vida.
7. O resto da história de Abião e seus atos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá. Abião e Jeroboão guerrearam também entre si.
8. Depois disso, Abião adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi. Seu filho Asa sucedeu-lhe no trono.
9. No vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Asa tornou-se rei de Judá, e reinou quarenta e um anos em Jerusalém.
10. Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão.
11. Asa fez o que é reto aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.
12. Expulsou da terra as prostitutas (sagradas) e acabou com todos os ídolos que seus pais tinham feito.
13. Além disso, destituiu da dignidade de rainha sua própria mãe Maaca, por ter feito essa vergonha de asserá. Asa despedaçou esse ídolo e queimou-o no vale de Cedron.
14. Embora não tenham desaparecido os lugares altos, o coração de Asa foi inteiramente devotado ao Senhor durante toda a sua vida.
15. Pôs no templo do Senhor todos os objetos consagrados por seu pai e por ele mesmo, a prata, o ouro e os utensílios.
16. Asa e Baasa, rei de Israel, guerrearam-se mutuamente durante toda a sua vida.
17. Baasa, rei de Israel, atacou Judá e fortificou Ramá, a fim de bloquear todas as suas comunicações com Asa, rei de Judá.
18. Asa, porém, tomando toda a prata e o ouro que restavam nas reservas do templo do Senhor e do palácio real, pô-los nas mãos de seus servos que enviou a Ben-Hadad, filho de Tabremon, filho de Hezion, rei da Síria, que residia em Damasco, com esta mensagem:
19. Façamos aliança, assim como foram aliados o teu pai e o meu. Mando-te um presente de prata e ouro, e peço-te que rompas tua aliança com Baasa, rei de Israel, para que ele cesse de me importunar.
20. Ben-Hadad acedeu ao desejo do rei Asa; mandou seus generais contra as cidades de Israel, e devastou Aion, Dã, Abel, Bet-Maaca, todo o Cenerot com a terra de Neftali.
21. Ao saber disso, Baasa abandonou a fortificação de Ramá e retirou-se para Tersa.
22. Então o rei Asa convocou toda a tribo de Judá, sem exceção de ninguém, para tirar as pedras e a madeira de que Baasa se tinha servido para as fortificações de Ramá. Com esse material, Asa fortificou Gabaa de Benjamim e Masfa.
23. O resto da história de Asa, seus grandes feitos, seus atos e as cidades que construiu, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá. Com a velhice sobreveio-lhe a gota nos pés.
24. Adormeceu com seus pais e foi sepultado com eles na cidade de Davi, seu pai. Seu filho Josafá sucedeu-lhe no trono.
25. No segundo ano de Asa, rei de Judá, Nadab, filho de Jeroboão, tornou-se rei de Israel. Reinou dois anos em Israel.
26. Ele fez o mal aos olhos do Senhor, imitou o seu pai, entregando-se ao pecado ao qual Jeroboão havia arrastado Israel.
27. Baasa, filho de Aías, da casa de Issacar, conspirou contra ele, e assassinou-o diante de Gebeton dos filisteus, no tempo em que Nadab e todo o Israel sitiavam essa cidade.
28. Baasa, no terceiro ano de Asa, rei de Judá, cometeu esse crime e sucedeu-lhe no trono.
29. Logo que subiu ao trono, exterminou toda a casa de Jeroboão, não deixando alma viva. Exterminou-os completamente, como havia predito o Senhor pelo seu servo Aías, de Silo,
30. por causa dos pecados que Jeroboão cometeu e levou Israel a cometer, provocando assim a cólera do Senhor, Deus de Israel.
31. O resto da história de Nadab e suas ações, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
32. Asa e Baasa, rei de Israel, guerrearam-se mutuamente durante todo o tempo de sua vida.
33. No terceiro ano de Asa, rei de Judá, Baasa, filho de Aías, tornou-se rei de Israel. Residia em Tersa, e reinou vinte e quatro anos.
34. Baasa fez o mal diante do Senhor; andou no caminho de Jeroboão, e entregou-se ao pecado ao qual Jeroboão arrastara Israel.

 
Capítulo 16

1. A palavra do Senhor foi dirigida a Jeú, filho de Hanani, contra Baasa, nestes termos:
2. Levantei-te do pó e estabeleci-te príncipe do meu povo de Israel; tu, porém, andaste pelo caminho de Jeroboão, e levaste meu povo de Israel a cometer pecados que excitam a minha cólera.
3. Por isso vou varrer Baasa e sua casa, e farei da sua casa o que fiz da casa de Jeroboão, filho de Nabat.
4. Todo membro da família de Baasa que morrer na cidade, será comido pelos cães; o que morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu.
5. O resto da história de Baasa, suas ações e seus grandes feitos, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
6. Baasa adormeceu com seus pais e foi enterrado em Tersa. Seu filho Ela sucedeu-lhe no trono.
7. O oráculo do Senhor, transmitido pelo profeta Jeú, filho de Hanani, fora pronunciado contra Baasa e sua casa, não só por causa de todo o mal que ele tinha feito aos olhos do Senhor, irritando-o com o seu proceder e imitando a casa de Jeroboão, mas também porque Baasa tinha destruído essa casa.
8. No vigésimo sexto ano de Asa, rei de Judá, Ela, filho de Baasa, tornou-se rei de Israel. Residia em Tersa e reinou dois anos.
9. Seu servo Zambri, que comandava a metade de sua cavalaria, conspirou contra ele. Numa ocasião em que ele bebia e se embriagava em Tersa, na casa de Arsa, intendente de seu palácio nessa cidade,
10. entrou Zambri e o assassinou, sucedendo-lhe no trono, no vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá.
11. Logo que ficou rei e sentou-se no trono, mandou exterminar toda a casa de Baasa, não deixando vivo nenhum filho varão, nenhum parente, nenhum amigo.
12. Desse modo, exterminou toda a casa de Baasa, assim como o Senhor o predissera contra Baasa pela boca do profeta Jeú.
13. Tal foi o castigo de todos os pecados que Baasa e seu filho Ela tinham cometido e levado Israel a cometer, provocando com o culto dos ídolos a cólera do Senhor, Deus de Israel.
14. resto da história de Ela e suas ações, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
15. No vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá, Zambri reinou em Tersa durante sete dias. O exército sitiava Gebeton dos filisteus.
16. Quando o exército, que estava acampado ali, ouviu dizer que Zambri tinha conspirado contra o rei e o assassinara, todo o Israel constituiu imediatamente como seu rei o general Amri.
17. Este partiu de Gebeton com todo o Israel e veio sitiar Tersa.
18. Zambri, vendo a cidade tomada, retirou-se para o fortim do palácio real e incendiou o palácio. Morreu assim
19. pelos pecados que tinha cometido, fazendo o mal aos olhos do Senhor, imitando o proceder de Jeroboão e entregando-se ao pecado ao qual Jeroboão arrastara Israel.
20. O resto da história de Zambri e sua conjuração, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
21. Então se dividiu o povo de Israel em duas facções: metade era por Tebni, filho de Ginet, e queria fazê-lo rei, e metade por Amri.
22. O partido de Amri prevaleceu contra o de Tebni, filho de Ginet. Tebni morreu, e reinou Amri.
23. No trigésimo primeiro ano de Asa, rei de Judá, Amri tornou-se rei de Israel e reinou durante doze anos. Depois de ter reinado seis anos em Tersa,
24. comprou o monte de Samaria a Somer por duzentos talentos de prata. Construiu uma cidade nesse monte e chamou-a Samaria, do nome de Somer, a quem pertencera o monte.
25. Amri fez o mal aos olhos do Senhor, mais ainda que todos os seus predecessores.
26. Andou por todo o caminho de Jeroboão, filho de Nabat, e nos pecados com que este fizera pecar Israel, provocando com seus ídolos a cólera do Senhor, Deus de Israel.
27. O resto da história de Amri, suas ações e seus grandes feitos, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
28. Amri adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria. Seu filho Acab sucedeu-lhe no trono.
29. No trigésimo oitavo ano de Asa, rei de Judá, Acab, filho de Amri, tornou-se rei de Israel e reinou vinte e dois anos sobre Israel em Samaria.
30. Acab, filho de Amri, fez o mal aos olhos do Senhor, e mais ainda que todos os seus predecessores.
31. Como se lhe não bastasse o andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, desposou ainda Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e chegou até a render culto a Baal, prostrando-se diante dele.
32. Erigiu um altar a Baal no templo que lhe edificou em Samaria.
33. Acab fez também a asserá, irritando assim o Senhor, Deus de Israel, mais ainda que todos os seus predecessores no trono de Israel.
34. No tempo de Acab, Hiel de Betel reconstruiu Jericó. Lançou-lhe os alicerces ao preço de Abirão, seu primogênito, e pôs-lhe as portas ao preço de Segub, seu último filho, assim como o Senhor o predissera pela boca de Josué, filho de Num.

 
Capítulo 17

1. Elias, o tesbita, um habitante de Galaad, veio dizer a Acab: Pela vida do Senhor, Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos orvalho nem chuva, senão quando eu o disser.
2. Em seguida, a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos:
3. Vai-te daqui; retira-te para as bandas do oriente e vai esconder-te na torrente de Carit, que está defronte do Jordão.
4. Beberás da torrente, e ordenei aos corvos que te alimentem.
5. Elias partiu, pois, segundo a palavra do Senhor, e estabeleceu-se junto à torrente de Carit, defronte do Jordão.
6. Os corvos traziam-lhe pão e carne, pela manhã e pela tarde, e ele bebia a água da torrente.
7. Passado algum tempo, secou-se a torrente, porque não chovia mais na terra.
8. Então o Senhor disse-lhe:
9. Vai para Sarepta de Sidon e fixa-te ali: ordenei a uma viúva desse lugar que te sustente.
10. Elias pôs-se a caminho para Sarepta. Chegando à porta da cidade, viu uma viúva que ajuntava lenha. Chamou-a e disse-lhe: Por favor, vai buscar-me um pouco de água numa vasilha para que eu beba.
11. E indo ela buscar-lhe a água, gritou-lhe Elias: Traze-me também um pedaço de pão.
12. Pela vida de Deus, respondeu a mulher, não tenho pão cozido: só tenho um punhado de farinha na panela e um pouco de óleo na ânfora; estava justamente apanhando dois pedaços de lenha para preparar esse resto para mim e meu filho, a fim de o comermos, e depois morrermos.
13. Elias replicou: Não temas; volta e faze como disseste; mas prepara-me antes com isso um pãozinho, e traze-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho.
14. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra.
15. A mulher foi e fez o que disse Elias. Durante muito tempo ela teve o que comer, e a sua casa, e Elias.
16. A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias.
17. Algum tempo depois, o filho desta mulher, dona da casa, adoeceu, e seu mal era tão grave que já não respirava.
18. A mulher disse a Elias: Que há entre nós dois, homem de Deus? Vieste, pois, à minha casa para lembrar-me os meus pecados e matar o meu filho?
19. Dá-me o teu filho, respondeu-lhe Elias. Ele tomou-o dos braços de sua mãe e levou-o ao quarto de cima onde dormia e deitou-o em seu leito.
20. Em seguida, orou ao Senhor, dizendo: Senhor, meu Deus, até a uma viúva, que me hospeda, quereis afligir, matando-lhe o filho?
21. Estendeu-se em seguida sobre o menino por três vezes, invocando de novo o Senhor: Senhor, meu Deus, rogo-vos que a alma deste menino volte a ele.
22. O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida.
23. Elias tomou o menino, desceu do quarto superior ao interior da casa e entregou-o à mãe, dizendo: Vê: teu filho vive.
24. A mulher exclamou: Agora vejo que és um homem de Deus e que a palavra de Deus está verdadeiramente em teus lábios.

 
Capítulo 18

1. Passado muito tempo, foi a palavra de Deus dirigida a Elias no terceiro ano, nestes termos: Vai apresentar-te diante de Acab, eu vou fazer chover sobre a terra.
2. Elias partiu e foi apresentar-se a Acab. A fome devastava violentamente a Samaria.
3. Acab mandou chamar Abdias, seu intendente. Abdias era um homem fervoroso adorador do Senhor.
4. Quando Jezabel massacrou os profetas do Senhor, Abdias tomou cem profetas e escondeu-os em duas cavernas, cinqüenta numa e cinqüenta noutra, onde lhes tinha providenciado o que comer e beber.
5. Acab disse-lhe: Percorre a terra; vai a todas as fontes e a todas as torrentes; talvez encontremos erva para conservar a vida aos cavalos e aos burros, evitando assim abater uma parte de nossos animais.
6. E repartiram entre si a terra para percorrê-la. Acab foi por um lado, sozinho, e Abdias tomou uma direção contrária.
7. Enquanto Abdias caminhava, eis que veio Elias ao seu encontro. Abdias reconheceu-o e prostrou-se com o rosto por terra, dizendo: És tu, meu senhor Elias?
8. Sim, sou eu. Vai dizer ao teu amo: Elias está aí.
9. Abdias replicou: Que pecado cometi eu, para que entregues assim o teu servo nas mãos de Acab, para ele me matar?
10. Pela vida de Deus, não há nação, nem reino aonde meu amo não te tenha mandado buscar. E diziam: Elias não está aqui; e ele fazia jurar reino e povo que não te haviam achado.
11. E agora tu me dizes: Vai dizer ao teu amo: Elias está aí.
12. Mas quando eu me apartar de ti, o Espírito do Senhor te levará para não sei onde, e Acab, informado por mim, não te encontrando, matar-me-á. Ora, o teu servo teme o Senhor desde a sua juventude.
13. Porventura não foi dito ao meu senhor o que eu fiz quando Jezabel massacrava os profetas do Senhor? Escondi cem deles, cinqüenta numa caverna e cinqüenta noutra, e os sustentei ali.
14. E agora tu me dizes: Vai dizer ao teu amo: Elias está aí! Ele me matará!
15. Elias respondeu-lhe: Pela vida do Senhor dos Exércitos a quem sirvo, hoje mesmo me apresentarei diante de Acab.
16. Abdias correu para junto de Acab e deu-lhe a nova. Acab saiu ao encontro de Elias.
17. Ao vê-lo, Acab lhe disse: Eis-te aqui, o perturbador de Israel!
18. Não sou eu o perturbador de Israel, respondeu Elias, mas tu, sim, e a casa de teu pai, porque abandonastes os preceitos do Senhor e tu seguiste aos Baal.
19. Convoca, pois, à montanha do Carmelo, junto de mim, todo o Israel com os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de asserá, que comem à mesa de Jezabel.
20. Mandou Acab avisar a todos os israelitas e reuniu os profetas no monte Carmelo.
21. Elias, aproximando-se de todo o povo, disse: Até quando claudicareis dos dois pés? Se o Senhor é Deus, segui-o, mas se é Baal, segui a Baal! O povo nada respondeu.
22. Elias continuou: Eu sou o único dos profetas do Senhor que fiquei, enquanto os de Baal são quatrocentos e cinqüenta.
23. Dê-se-nos, portanto, um par de novilhos: eles escolherão um, fá-lo-ão em pedaços, e o colocarão sobre a lenha, mas sem meter fogo por baixo; eu tomarei o outro novilho e pô-lo-ei sobre a lenha, sem meter fogo por baixo.
24. Depois disso, invocareis o nome de vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor. Aquele que responder pelo fogo, esse será reconhecido como o (verdadeiro) Deus. Todo o povo respondeu: É boa a proposta.
25. Então disse Elias aos profetas de Baal: Escolhei vós primeiro um novilho e preparai-o, porque sois mais numerosos, e invocai o vosso deus, mas não ponhais fogo.
26. Eles tomaram o novilho que lhes foi dado e fizeram-no em pedaços. Em seguida, puseram-se a invocar o nome de Baal desde a manhã até o meio-dia, gritando: Baal, responde-nos! Mas não houve voz, nem resposta. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado.
27. Sendo já meio-dia, Elias escarnecia-os, dizendo: Gritai com mais força, pois (seguramente!) ele é deus; mas estará entretido em alguma conversa, ou ocupado, ou em viagem, ou estará dormindo… e isso o acordará.
28. Eles gritavam, com efeito, em alta voz, e retalhavam-se segundo o seu costume, com espadas e lanças, até se cobrirem de sangue.
29. Passado o meio-dia, enquanto continuavam em seus transes proféticos, chegou a hora da oblação. Mas não houve voz, nem resposta, nem sinal algum de atenção.
30. Então Elias disse ao povo: Aproximai-vos de mim, e todos se aproximaram. Elias reparou o altar demolido do Senhor.
31. Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos saídas dos filhos de Jacó, a quem o Senhor dissera: Tu te chamarás Israel.
32. E erigiu com essas pedras um altar ao Senhor. Fez em volta do altar uma valeta, com a capacidade de duas medidas de semente.
33. Dispôs a lenha e colocou sobre ela o boi feito em pedaços.
34. E disse: Enchei quatro talhas de água e derramai-a em cima do holocausto e da lenha. Depois disse: Fazei isso segunda vez. Tendo-o eles feito, disse: Ainda uma terceira vez. Eles obedeceram.
35. A água correu em volta do altar e a valeta ficou cheia.
36. Chegou a hora da oblação. O profeta Elias adiantou-se e disse: Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, saibam todos hoje que sois o Deus de Israel, que eu sou vosso servo e que por vossa ordem fiz todas estas coisas.
37. Ouvi-me, Senhor, ouvi-me: que este povo reconheça que vós, Senhor, sois Deus, e que sois vós que converteis os seus corações!
38. Então, subitamente, o fogo do Senhor baixou do céu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a poeira e até mesmo a água da valeta.
39. Vendo isso, o povo prostrou-se com o rosto por terra, e exclamou: O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!
40. Elias disse-lhes: Tomai agora os profetas de Baal; não deixeis escapar um só deles! Tendo-os o povo agarrado, Elias levou-os ao vale de Cison e ali os matou.
41. Então Elias disse a Acab: Vai, come e bebe, porque já ouço o ruído de uma grande chuva.
42. Voltou Acab para comer e beber, enquanto Elias subiu ao cimo do monte Carmelo, onde se encurvou por terra, pondo a cabeça entre os joelhos.
43. Disse ao seu servo: Sobe um pouco, e olha para as bandas do mar. Ele subiu, olhou (o horizonte) e disse: Nada. Por sete vezes, Elias disse-lhe: Volta e (olha).
44. Na sétima vez o servo respondeu: Eis que, sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão. Elias disse-lhe: Vai dizer a Acab que prepare o seu carro e desça, para que a chuva não o detenha.
45. Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente. Acab subiu ao seu carro e partiu para Jezrael.
46. A mão do Senhor veio sobre Elias, o qual, tendo cingido os rins, passou adiante de Acab e chegou à entrada de Jezrael.

 
Capítulo 19

1. Quando Acab contou a Jezabel tudo o que fizera Elias, e como ele passara ao fio da espada todos os profetas de Baal,
2. a rainha mandou um mensageiro a Elias para dizer-lhe: Que os deuses me tratem com o último rigor, se amanhã, a esta mesma hora, eu não fizer de tua vida o que fizeste da deles.
3. Elias teve medo, e partiu para salvar a sua vida. Chegando a Bersabéia, em Judá, deixou ali o seu servo,
4. e andou pelo deserto um dia de caminho. Sentou-se debaixo de um junípero e desejou a morte: Basta, Senhor, disse ele; tirai-me a vida, porque não sou melhor do que meus pais.
5. Deitou-se por terra, e adormeceu debaixo do junípero. Mas eis que um anjo tocou-o, e disse: Levanta-te e come.
6. Elias olhou e viu junto à sua cabeça um pão cozido debaixo da cinza, e um vaso de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.
7. Veio o anjo do Senhor uma segunda. vez, tocou-o e disse: Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer.
8. Elias levantou-se, comeu e bebeu e, com o vigor daquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até Horeb, a montanha de Deus.
9. Chegando ali, passou a noite numa caverna. Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida: Que fazes aqui, Elias?
10. Ele respondeu: Estou devorado de zelo pelo Senhor, o Deus dos exércitos. Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram os vossos altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e querem tirar-me a vida.
11. O Senhor desse-lhe: Sai e conserva-te em cima do monte na presença do Senhor: ele vai passar. Nesse momento passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu; mas o Senhor não estava no tremor de terra.
12. Passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira.
13. Tendo Elias ouvido isso, cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna. Uma voz disse-lhe: Que fazes aqui, Elias?
14. Ele respondeu: Consumo-me de zelo pelo Senhor, Deus dos exércitos. Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram os vossos altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e agora querem tirar-me a vida.
15. O Senhor disse-lhe: Retoma o caminho do deserto, na direção de Damasco. Ali chegando, ungirás Hazael como rei da Síria,
16. Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel, e Eliseu, filho de Safat, de Abel-Meula, como profeta em teu lugar.
17. Todo o que escapar à espada de Hazael, será morto por Jeú, e o que escapar à de Jeú, será morto por Eliseu.
18. Mas reservarei em Israel sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal, e cujos lábios não o beijaram.
19. Elias, partindo dali, encontrou Eliseu, filho de Safat, lavrando com doze juntas de bois diante dele; ele mesmo conduzia a duodécima junta. Elias aproximou-se e jogou o seu manto sobre ele.
20. Eliseu, deixando imediatamente os seus bois, correu atrás de Elias, e disse: Deixa-me ir beijar meu pai e minha mãe, depois te seguirei. Vai, disse-lhe Elias, mas volta, porque sabes o que te fiz.
21. Eliseu, deixando Elias, tomou uma junta de bois e imolou-os. Com a lenha do arado cozeu as carnes e deu-as a comer à sua gente. Em seguida partiu e seguiu Elias, para servi-lo.

 
Capítulo 20

1. Ben-Hadad, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército. Tinha com ele trinta e dois reis, cavalos e carros. Subiu, pôs o cerco diante de Samaria e atacou-a.
2. Mandou mensageiros a Acab, rei de Israel, na cidade, com esta mensagem:
3. Eis o que diz Ben-Hadad: Tua prata e teu ouro são meus. São minhas as tuas mulheres e os mais belos de teus filhos.
4. Como tu dizes, meu senhor e rei, respondeu Acab, eu sou teu com tudo o que me pertence.
5. Mas os mensageiros voltaram e disseram: Isto diz Ben-Hadad: Mandou-te dizer: dá-me tua prata e teu ouro, tuas mulheres e teus filhos.
6. Amanhã, pois, a esta mesma hora, mandarei os meus servos à tua casa; eles a revistarão, assim como as casas de teus servos; tomarão com as suas mãos tudo o que lhes aprouver.
7. Então o rei de Israel convocou todos os anciãos da terra e disse-lhes: Considerai e vede que esse homem quer a nossa perda. Quando me mandou pedir minhas mulheres, meus filhos, minha prata e meu ouro, nada lhe recusei.
8. Os anciãos e todo o povo disseram-lhe: Não lhe dês ouvidos, nem o atendas em nada.
9. Acab respondeu aos mensageiros de Ben-Hadad: Dizei ao rei, meu senhor: estou pronto a fazer o que pediste ao teu servo da primeira vez; mas o que agora exiges, não o posso consentir. Os mensageiros foram-se e deram tal resposta ao rei.
10. Ben-Hadad mandou dizer a Acab: Que os deuses me tratem com o mais extremo rigor, se o pó da Samaria bastar para encher o côncavo da mão dos guerreiros que me seguem!
11. O rei de Israel, respondendo, disse: Dizei-lhe que aquele que põe o seu cinturão não deve gloriar-se como aquele que o tira.
12. Recebendo esta resposta, Ben-Hadad, que estava bebendo nas suas tendas com os reis, disse à sua gente: Aos vossos postos! E eles ordenaram as tropas para o ataque à cidade.
13. Nesse momento, um profeta aproximou-se de Acab, rei de Israel, e disse-lhe: Eis o que diz o Senhor: Vês esta imensa multidão? Pois declaro-te que hoje te entrego nas mãos, para que saibas que eu sou o Senhor.
14. Acab perguntou: Por quem será ela entregue? O profeta respondeu: Assim fala o Senhor: Por meio dos servos dos chefes de províncias. Quem começará o combate? Tu mesmo.
15. Acab passou em revista os servos dos chefes de províncias, e encontrou duzentos e trinta e dois. Depois contou todo o povo dos israelitas, e viu que eram sete mil.
16. Saíram ao meio-dia, quando Ben-Hadad bebia e se embriagava nas tendas com os trinta e dois reis, seus auxiliares.
17. Os servos dos chefes de províncias tinham saído em primeiro lugar. Ben-Hadad mandou ver o que se passava. Disseram-lhe: São alguns homens que saem de Samaria.
18. O rei disse: Venham eles para tratar de paz, ou venham para combater, capturai-os vivos.
19. Os servos dos chefes de províncias saíram, pois, da cidade, seguidos do exército.
20. Cada um deles feriu o seu homem. Os sírios fugiram, perseguidos por Israel; Ben-Hadad, rei da Síria, fugiu a cavalo com alguns cavaleiros.
21. Então o rei de Israel saiu e feriu cavalos e carros, causando uma grande ruína aos sírios.
22. O profeta foi ter com o rei de Israel e disse-lhe: Vai, cobra ânimo e examina o que te é preciso fazer, porque no próximo ano voltará o rei da Síria para atacar-te.
23. Os servos do rei da Síria disseram ao seu soberano: O seu deus é um deus dos montes; por isso foram mais fortes do que nós. Se os atacarmos na planície, veremos se não somos os mais fortes.
24. Eis o que tens de fazer: Destitui todos os reis e substitui-os por governadores.
25. Levanta um exército semelhante ao que perdeste, uma cavalaria equivalente e outro tanto de carros. Combateremos na planície e com toda a certeza seremos mais fortes do que eles. O rei ouviu e seguiu o seu conselho.
26. No ano seguinte, Ben-Hadad, depois de ter passado em revista os sírios, avançou até Afec para combater Israel.
27. Os israelitas recenseados e providos de víveres foram contra os sírios e acamparam diante deles. Eram como dois pequenos rebanhos de cabras, enquanto os sírios cobriam toda a terra.
28. Então o homem de Deus aproximou-se do rei de Israel e disse-lhe: Isto diz o Senhor: Porque os sírios disseram: O Senhor é um deus dos montes e não das planícies – vou entregar-te nas mãos essa imensa multidão, a fim de que saibas que eu sou o Senhor.
29. Durante sete dias ficaram acampados um em face do outro. No sétimo dia deu-se a batalha; os israelitas mataram num só dia cem mil sírios.
30. O resto fugiu para a cidade de Afec, mas as muralhas caíram sobre os vinte e sete mil sobreviventes. Ben-Hadad, que se refugiara na cidade, escondia-se de quarto em quarto.
31. Seus servos disseram-lhe: Ouve: nós temos ouvido dizer que os reis de Israel são clementes. Ponhamos sacos sobre nossos rins e cordas ao nosso pescoço, e vamos ter com o rei de Israel; talvez ele te poupe a vida.
32. Cingiram-se, pois, com sacos pelos rins, puseram cordas em volta do pescoço, e apresentaram-se ao rei de Israel, dizendo: Teu servo Ben-Hadad roga-te: Concede-me a vida! Ele está ainda vivo?, perguntou Acab; mas ele é meu irmão!
33. Tomando bom augúrio dessas palavras, os sírios tomaram logo a palavra de sua boca e disseram-lhe: Ben-Hadad é teu irmão! Trazei-mo, disse o rei. Veio Ben-Hadad à presença de Acab, e este mandou-o subir ao seu carro.
34. Vou restituir-te, disse Ben-Hadad, as cidades que meu pai tomou do teu. Terás um quarteirão em Damasco, como meu pai o tinha em Samaria. Eu, disse Acab, feita esta aliança, te deixarei partir. Acab fez um tratado com Ben-Hadad e deixou-o ir livre.
35. Então um dos filhos dos profetas disse ao seu companheiro, por ordem do Senhor: Fere-me. Mas o outro recusou.
36. Porque não ouviste a voz do Senhor, disse-lhe o primeiro, logo que me tiveres deixado, serás morto por um leão. Mal se havia afastado, um leão o encontrou e o matou.
37. O profeta, encontrando depois outro homem, disse-lhe: Fere-me. Este homem lançou-se contra ele e o feriu.
38. Então postou-se o profeta no caminho por onde devia passar o rei, pondo nos olhos uma faixa que o tornava irreconhecível.
39. Tendo o rei passado, ele pôs-se a gritar-lhe: Teu servo estava em pleno combate, quando alguém lhe trouxe um homem, dizendo: Guarda este homem! Se ele desaparecer, a tua vida responderá pela sua, ou então pagarás um talento de prata.
40. Mas andando o teu servo ocupado daqui e dali, o prisioneiro desapareceu. O rei de Israel disse-lhe: Esta é a tua sentença; tu mesmo a pronunciaste.
41. Então o outro tirou subitamente a faixa que lhe cobria os olhos, e o rei viu que ele era um dos profetas.
42. Ele disse ao rei: Eis o que diz o Senhor: Pois que deixaste escapar de tuas mãos o homem que eu tinha votado ao interdito, tua vida responderá pela sua, e teu povo pelo seu povo.
43. O rei de Israel voltou para a sua casa sombrio e irritado, e chegou a Samaria.

 
Capítulo 21

1. Passado tudo isso, aconteceu o seguinte: Nabot de Jezrael possuía uma vinha nessa cidade, ao lado do palácio de Acab, rei de Samaria.
2. Acab disse a Nabot: Cede-me tua vinha, para que eu a transforme numa horta, porque está junto de minha casa. Dar-te-ei em troca uma vinha melhor, ou se o preferires, pagar-te-ei em dinheiro o seu valor.
3. Nabot, porém, respondeu a Acab: Deus me livre de ceder-te a herança de meus pais!
4. Acab voltou para a sua casa sombrio e irritado, por ter Nabot de Jezrael recusado ceder-lhe a herança de seus pais. Estendeu-se na cama com o rosto voltado para a parede, e não quis comer.
5. Jezabel, sua mulher, veio ter com ele e disse-lhe: Por que estás de mau humor e não queres comer?
6. Ele respondeu: Falei a Nabot de Jezrael, propondo-lhe que me vendesse a sua vinha, ou, se o preferisse, que a trocasse comigo por outra melhor; mas ele respondeu-me: Não te cederei a minha vinha.
7. Jezabel, sua mulher, disse-lhe: Não és tu, porventura, o rei de Israel? Vamos! Come, não te incomodes. Eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael.
8. Escreveu ela, então, uma carta em nome do rei, selou-a com o selo real, e mandou-a aos anciãos e aos notáveis da cidade, concidadãos de Nabot.
9. Eis o que dizia na carta: Promulgai um jejum, fazei sentar Nabot num lugar de honra,
10. e mandai vir diante dele dois homens inescrupulosos que o acusem, dizendo: Este amaldiçoou a Deus e ao rei. – Conduzi-o em seguida para fora da cidade e apedrejai-o até que morra!
11. Os homens da cidade, os anciãos e os notáveis, concidadãos de Nabot, fizeram o que ordenava Jezabel, segundo o conteúdo da carta que lhes tinha mandado.
12. Promulgaram um jejum e fizeram Nabot sentar-se num lugar de honra.
13. Vieram então os dois miseráveis, colocaram-se diante dele e fizeram publicamente a deposição seguinte contra ele: Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei. Depois disto, levaram-no para fora da cidade, onde foi apedrejado e morreu.
14. E mandaram dizer a Jezabel: Nabot foi apedrejado e morto.
15. Quando ela soube que Nabot fora apedrejado e morto, foi dizer a Acab: Vai e toma posse da vinha que Nabot de Jezrael te recusara vender. Ele já não vive; está morto.
16. Acab, tendo ouvido dizer que Nabot morrera, levantou-se e dirigiu-se para a sua vinha, para tomar posse dela.
17. Então a palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita:
18. Vai; desce ao encontro de Acab, rei de Israel, que mora em Samaria, ei-lo que desce a tomar posse da vinha de Nabot.
19. Dir-lhe-ás: Isto diz o Senhor: Mataste, e agora usurpas! – E ajuntarás: Eis o que diz o Senhor: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o teu.
20. Acab exclamou: Encontraste-me de novo, ó meu inimigo? Sim!, respondeu Elias. Porque te vendeste para fazer o mal aos olhos do Senhor.
21. Farei cair o mal sobre ti, varrer-te-ei, exterminarei da família de Acab em Israel todo varão, seja escravo ou livre.
22. Farei de tua casa o que fiz da de Jeroboão, filho de Nabat, e da de Baasa, filho de Aías, porque me provocaste à ira e arrastaste Israel ao pecado.
23. E eis agora o que diz o Senhor contra Jezabel: Os cães devorarão Jezabel na terra de Jezrael.
24. Todo membro da família de Acab que morrer na cidade será devorado pelos cães, e o que morrer no campo será comido pelas aves do céu.
25. Com efeito, não houve ninguém que praticasse tanto o mal aos olhos do Senhor como Acab, excitado como era por sua mulher Jezabel.
26. Levou a abominação ao extremo, seguindo os ídolos dos amorreus, que o Senhor tinha expulsado de diante dos israelitas.
27. Ouvindo estas palavras, Acab rasgou suas vestes, cobriu-se com um saco e jejuou; dormia, envolto no saco e andava a passos lentos.
28. Então a Palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos:
29. Viste como Acab se humilhou diante de mim? Pois que ele assim procedeu, não mandarei o castigo durante a sua vida, mas nos dias de seu filho farei vir a catástrofe sobre a sua casa.

 
Capítulo 22

1. Três anos se passaram sem lutas entre a Síria e Israel.
2. No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, veio ter com o rei de Israel.
3. Este tinha dito aos seus servos: Sabeis porventura que Ramot de Galaad é nossa, e que nós temos descuidado de retomá-la do rei da Síria?
4. E disse a Josafá; Queres vir comigo à guerra contra Ramot de Galaad? Josafá respondeu: Farei o que fizeres: meu povo fará o que fizer o teu, e minha cavalaria fará o que fizer a tua.
5. E continuando a falar ao rei de Israel, Josafá ajuntou: Consulta antes de tudo, eu te peço, o oráculo do Senhor.
6. O rei de Israel, tendo reunido os profetas, que eram em número de quatrocentos, perguntou-lhes: Devo eu ir atacar Ramot de Galaad, eu devo-me abster? Eles responderam: Vai; o Senhor a entregará nas mãos do rei.
7. Mas Josafá replicou: Haverá porventura algum outro profeta do Senhor por aqui, a quem possamos consultar?
8. Sim, respondeu o rei de Israel, há ainda outro por quem poderíamos consultar o Senhor; mas eu o detesto, porque ele não profetiza jamais o bem, e sim sempre o mal: é Miquéias, filho de Jemla. Josafá disse: Não fale o rei assim.
9. Chamou então o rei de Israel um eunuco e deu-lhe esta ordem: Traze-me aqui depressa Miquéias, filho de Jemla.
10. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, sentaram cada um no seu trono, revestidos de suas insígnias reais, na praça que está à entrada da porta de Samaria, e todos os profetas profetizavam diante deles.
11. Sedecias, filho de Canaana, fez para si uns chifres de ferro, e disse: Eis o que diz o Senhor: com estes chifres ferirás os sírios até que sejam exterminados.
12. E todos os profetas profetizavam da mesma maneira, dizendo: Sobe a Ramot de Galaad: serás vencedor, porque o Senhor entregará a cidade nas mãos do rei.
13. Entretanto, o mensageiro que fora buscar Miquéias dizia-lhe: Os profetas são unânimes em predizer a vitória do rei. Que o teu oráculo seja conforme o deles. Predize bom êxito.
14. Miquéias, porém, respondeu: Por Deus que eu só direi o que o Senhor me disser.
15. Quando ele se apresentou ao rei, este disse-lhe: Miquéias, devemos nós ir atacar Ramot de Galaad, ou não? Vai, respondeu Miquéias, serás vencedor; o Senhor a entregará nas mãos do rei.
16. O rei disse-lhe: Quantas vezes será preciso conjurar-te a que só digas a verdade em nome do Senhor?
17. Ao que Miquéias respondeu: Vejo todo o Israel espalhado pelas montanhas como um rebanho sem pastor. O Senhor disse: Essa gente não tem um guia; volte cada um em paz para a sua casa!
18. O rei de Israel disse a Josafá: Não te disse eu que ele nunca profetiza o bem, mas sempre o mal?
19. Miquéias replicou: Ouve o oráculo do Senhor: Eu, vi o Senhor sentado no seu trono e todo o exército dos céus ao redor dele, à direita e à esquerda.
20. O Senhor disse: Quem seduzirá Acab, para que ele suba e pereça em Ramot de Galaad? Um disse uma coisa e outro, outra.
21. Então um espírito adiantou-se e apresentou-se diante do Senhor, dizendo: Eu irei seduzi-lo. O Senhor perguntou: De que modo?
22. Ele respondeu: Irei e serei um espírito de mentira na boca de seus profetas. – É isto, replicou o Senhor. Conseguirás seduzi-lo. Vai e faze como disseste.
23. O Senhor pôs um espírito de mentira na boca de todos os profetas aqui presentes, mas é a tua perda que o Senhor decretou.
24. Nesse momento, Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miquéias e deu-lhe uma bofetada, dizendo: Por onde saiu de mim o espírito do Senhor para falar a ti?
25. Tu o verás, respondeu Miquéias, no dia em que fores de quarto em quarto para te esconder.
26. Então o rei de Israel ordenou: Prende Miquéias; leva-o à casa de Amon, governador da cidade, e de Joás, filho do rei.
27. Dize-lhes: Esta é a ordem do rei: Metei este homem na prisão e alimentai-o com um pão de miséria, até que eu volte são e salvo.
28. Ao que respondeu Miquéias: Se voltares são e salvo, será um sinal de que o Senhor não falou por mim. E ajuntou: Ouvi, povo, tudo isso!
29. O rei de Israel subiu com Josafá, rei de Judá, a Ramot de Galaad.
30. Disse-lhe: Vou disfarçar-me para ir ao combate; tu, porém, conserva as tuas vestes. E o rei de Israel disfarçou-se antes de entrar em combate.
31. Ora, o rei da Síria tinha dado aos seus trinta e dois chefes de carros a seguinte ordem: Não atacareis ninguém, pequeno ou grande, mas unicamente o rei de Israel.
32. Os chefes de carros, tendo visto Josafá, disseram entre si: Aquele é seguramente o rei de Israel. E o atacaram. Josafá soltou o seu grito (de guerra),
33. e os chefes de carros, vendo que não era o rei de Israel, afastaram-se dele.
34. Nesse momento, estirando um homem o seu arco ao acaso, feriu o rei de Israel entre as junturas da couraça. O rei disse ao condutor de seu carro: Volta a rédea, leva-me para fora do campo de batalha, porque estou ferido.
35. Mas o combate foi naquele dia tão violento, que o rei teve que ficar de pé em seu carro diante dos sírios. Morreu ao cair da tarde. O sangue corria de sua ferida e inundava o seu carro.
36. Ao pôr-do-sol, ouviu-se um clamor que corria por todo o exército: Volte cada um para a sua cidade e para a sua casa!
37. Morreu o rei! Levaram-no para Samaria e enterraram-no ali.
38. Quando lavaram o carro na piscina de Samaria, os cães lamberam o sangue do rei, e as prostitutas banhavam-se ali, conforme o oráculo do Senhor.
39. O resto da história de Acab, suas ações, o palácio de marfim que construiu, as cidades que edificou, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
40. Acab adormeceu com os seus pais, e seu filho Ocozias sucedeu-lhe no trono.
41. No quarto ano de Acab, rei de Israel, Josafá, filho de Asa, tornou-se rei de Judá.
42. Tinha trinta e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Azuba, filha de Salai.
43. Andou em todos os caminhos de Asa, seu pai, e não se desviou deles. Fez o que é bom aos olhos do Senhor.
44. Todavia, não desapareceram os lugares altos, onde o povo continuava sacrificando e queimando incenso.
45. Josafá viveu em paz com o rei de Israel.
46. O resto da história de Josafá, seus grandes feitos e suas campanhas, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
47. Expulsou da terra as prostitutas (sagradas) que ainda restavam do tempo de seu pai.
48. Não havia então rei em Edom, mas um governador que exercia as funções de rei.
49. Josafá construiu um navio de Társis para ir buscar ouro em Ofir. Mas não pôde ir, porque o seu navio naufragou em Asiongaber.
50. Ocozias, filho de Acab, disse a Josafá: Deixa os meus servos embarcar com os teus. Mas Josafá não quis.
51. Josafá adormeceu com os seus pais, e foi sepultado com eles na cidade de Davi. Seu filho Jorão sucedeu-lhe no trono.
52. No décimo sétimo ano de Josafá, rei de Judá, Ocozias, filho de Acab, tornou-se rei de Israel em Samaria, e reinou dois anos sobre Israel.
53. Fez o mal aos olhos do Senhor: seguiu os caminhos de seu pai e de sua mãe, e de Jeroboão, filho de Nabat, que tinha arrastado Israel ao pecado.
54. Prestou culto a Baal e prostrou-se diante dele, provocando desse modo a cólera do Senhor, Deus de Israel, como o fizera seu pai.

 

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II Livro dos Reis

by on ago.13, 2009, under II Livro dos Reis

II Livro dos Reis

 Capítulo 1

1. Tendo morrido Acab, Moab revoltou-se contra Israel.
2. Ocozias, que se encontrava em seu quarto alto, na Samaria, caiu da janela e feriu-se gravemente. Enviou então mensageiros, aos quais disse: Ide consultar Baal-Zebub, deus de Acaron, para saber se serei curado de meu mal.
3. Mas o anjo do Senhor falou a Elias, o tesbita: Sobe ao encontro dos mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Não há porventura um Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebub, deus de Acaron?
4. Por isso eis o que diz o Senhor: Não te levantarás do leito a que subiste, mas morrerás. E Elias partiu.
5. Os mensageiros voltaram para Ocozias, e este lhes perguntou: Por que voltais?
6. Eles responderam: Um homem nos veio ao encontro e nos disse: Ide, voltai para o vosso rei e dizei-lhe: Isto diz o Senhor: Não há porventura Deus em Israel, para que mandes consultar Baal-Zebub, deus de Acaron? Por isso não te levantarás do leito a que subiste; vais morrer.
7. Ocozias disse-lhes: Como era esse homem que veio ao vosso encontro e vos falou desse modo?
8. Era um homem coberto de pelos, responderam-lhe, que trazia uma cinta de couro em volta dos rins. O rei disse: É Elias, o tesbita.
9. Imediatamente enviou-lhe o rei um chefe com seus cinqüenta homens. Este foi ter com Elias, que estava sentado no cimo dum monte, e disse-lhe: Ó homem de Deus, desce depressa, pois é ordem do rei.
10. Elias respondeu: Se sou um homem de Deus, venha fogo do céu e vos devore, a ti e aos teus cinqüenta homens. E o fogo, caindo do céu, devorou o chefe e seus cinqüenta homens.
11. O rei mandou outro chefe com os seus cinqüenta homens, o qual, chegando aonde estava Elias, lhe disse; Ó homem de Deus, esta é a ordem do rei: desce imediatamente.
12. Se sou um homem de Deus, respondeu Elias, venha fogo do céu e te devore com os teus cinqüenta homens. E o fogo, caindo do céu, devorou o chefe e seus cinqüenta homens.
13. Pela terceira vez, mandou o rei um chefe com os seus cinqüenta homens, o qual, chegando aonde estava Elias, pôs-se de joelhos e suplicou-lhe, dizendo: Peço-te, ó homem de Deus, que a minha vida tenha algum valor aos teus olhos e a destes cinqüenta homens teus servos.
14. Veio fogo do céu e devorou os dois primeiros chefes; mas, agora, que minha vida tenha algum valor aos teus olhos!
15. O anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este homem; não temas. Elias levantou-se e desceu com ele à casa do rei.
16. Disse-lhe: Eis o que diz o Senhor: Porque enviaste mensageiros a consultar Baal-Zebub, deus de Acaron, não te levantarás mais do leito a que subiste; mas morrerás.
17. Ocozias morreu, segundo a palavra que o Senhor tinha dito pelo profeta Elias, e seu irmão Jorão sucedeu-lhe o trono, no segundo ano de Jorão, filho de Josafá, rei de Judá, porque Ocozias não tinha filhos.
18. O resto da história de Ocozias e suas ações, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.

 
Capítulo 2

1. Eis o que se passou no dia em que o Senhor arrebatou Elias ao céu num turbilhão: Elias e Eliseu partiram de Gálgala,
2. e Elias disse a Eliseu: Fica aqui, porque o Senhor me mandou a Betel. Por Deus e por tua vida, respondeu Eliseu, não te deixarei. E desceram a Betel.
3. Os filhos dos profetas, que estavam em Betel, saíram ao encontro de Eliseu e disseram-lhe: Sabes que o Senhor vai tirar hoje o teu amo de sobre a tua cabeça? Sim, eu o sei: calai-vos!
4. Elias disse-lhe: Fica aqui, Eliseu, porque o Senhor manda-me a Jericó. Por Deus e por tua vida, respondeu ele, não te deixarei. E chegaram a Jericó.
5. Os filhos dos profetas que estavam em Jericó foram ter com Eliseu e disseram-lhe: Sabes que o Senhor vai tirar hoje o teu amo de sobre a tua cabeça? Sim, eu o sei. Calai-vos.
6. Elias disse-lhe: Fica aqui, porque o Senhor manda-me ao Jordão. Por Deus e pela tua vida, respondeu Eliseu, não te deixarei. E partiram juntos.
7. Seguiram-nos cinqüenta filhos de profetas os quais pararam ao longe, diante deles, enquanto Elias e Eliseu se detinham à beira do Jordão.
8. Elias tomou o seu manto, dobrou-o e feriu com ele as águas, que se separaram para as duas bandas, de modo que atravessaram ambos a pé enxuto.
9. Tendo passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me algo antes que eu seja arrebatado de ti: que posso eu fazer por ti? Eliseu respondeu: Seja-me concedida uma porção dobrada do teu espírito.
10. Pedes uma coisa difícil, replicou Elias. Entretanto, se me vires quando eu for arrebatado de ti, isso te será dado: mas se não me vires, não te será dado.
11. Continuando o seu caminho, entretidos a conversar, eis que de repente um carro de fogo com cavalos
de fogo os separou um do outro, e Elias subiu ao céu num turbilhão.
12. Vendo isso, Eliseu exclamou: Meu pai, meu pai! Carro e cavalaria de Israel! E não o viu mais. Tomando então as suas vestes, rasgou-as em duas partes.
13. Apanhou o manto que Elias deixara cair, e voltando até o Jordão, parou à beira do rio.
14. Tomou o manto que Elias deixara cair, feriu com ele as águas, dizendo: Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Onde está ele? Tendo ferido as águas, estas separaram-se para um e outro lado, e Eliseu passou.
15. Os filhos dos profetas que estavam em Jericó, vendo o que acontecera defronte deles, disseram: O Espírito de Elias repousa em Eliseu. Foram-lhe ao encontro, prostraram-se por terra diante dele,
16. e disseram: Sabe que entre os teus servos há cinqüenta homens valentes, que podem ir em busca do teu amo. Talvez o tenha arrebatado o Espírito do Senhor e atirado com ele para algum monte ou para algum vale. Não os mandeis, respondeu Eliseu.
17. Eles, porém, tanto insistiram que Eliseu teve vergonha (de recusar): Mandai-os, disse ele. Mandaram, pois, cinqüenta homens, os quais procuraram Elias durante três dias, mas sem resultado.
18. Quando voltaram para Eliseu, que estava em Jericó, este disse-lhes: Não vos disse eu que não fôsseis?
19. Os habitantes da cidade disseram a Eliseu: A cidade está muito bem situada, como o pode ver o meu senhor, mas as águas são más e tornam a terra estéril.
20. Eliseu disse-lhes: Trazei-me um prato novo, e ponde nele sal. Eles lho trouxeram.
21. Eliseu foi à fonte e deitou sal nela, dizendo: Eis o que diz o Senhor: Sanei estas águas, e elas não causarão mais nem morte, nem esterilidade.
22. Ficaram as águas sadias e ainda o são, segundo a palavra que o Senhor tinha dito por Eliseu.
23. Dali subiu a Betel. Enquanto ia pelo caminho, saíram da cidade alguns rapazes, e puseram-se a zombar dele, dizendo: Sobe, careca; sobe, careca!
24. Eliseu, voltando-se para eles, olhou-os e amaldiçoou-os em nome do Senhor. Imediatamente saíram da floresta dois ursos e despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes.
25. Dali se retirou para o monte Carmelo, de onde voltou para Samaria.

 
Capítulo 3

1. No décimo oitavo ano de Josafá, rei de Judá, Jorão, filho de Acab, tornou-se rei de Israel em Samaria, e reinou durante doze anos.
2. Fez o mal aos olhos do Senhor, mas não tanto como seu pai e sua mãe, porque tirou a estela que seu pai tinha erigido a Baal.
3. Perseverou todavia nos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fez pecar Israel, e não se apartou deles.
4. Mesa, rei de Moab, possuidor de muitos rebanhos, pagava ao rei de Israel, à guisa de tributo, cem mil cordeiros e a lã de cem mil carneiros.
5. Morrendo, porém, Acab, ele libertou-se do rei de Israel.
6. O rei Jorão saiu de Samaria e passou em revista todo o Israel.
7. Em seguida mandou dizer a Josafá, rei de Judá: O rei de Moab rebelou-se contra mim; queres vir comigo atacá-lo? Sim, respondeu Josafá; farei o que fizeres, meu povo fará o que fizer o teu, minha cavalaria fará o que fizer a tua.
8. E ajuntou: Por onde iremos? Pelo caminho do deserto de Edom.
9. O rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom puseram-se em marcha, mas depois de darem uma volta de sete dias de marcha, veio a faltar água, tanto para o exército como para os animais que o seguiam.
10. O rei de Israel exclamou: Ai! O Senhor juntou aqui os três reis para entregá-los ao rei de Moab!
11. Josafá disse: Não há por aqui algum profeta do Senhor, para por meio dele consultarmos o Senhor? Sim, respondeu um dos servos do rei de Israel, está aqui Eliseu, filho de Safat, que derramava água nas mãos de Elias.
12. Josafá disse: A palavra do Senhor está com ele. E desceram a ele Josafá, o rei de Israel e o rei de Edom.
13. Eliseu disse ao rei de Israel: Que queres de mim, ó rei? Vai procurar os profetas de teu pai e de tua mãe. Não, disse-lhe o rei de Israel, porque o Senhor reuniu aqui estes três reis para entregá-los ao rei de Moab.
14. Eliseu exclamou: Pela vida do Senhor dos exércitos a quem sirvo, se não fosse em atenção a Josafá, rei de Judá, eu não faria caso algum de ti, nem mesmo poria em ti os meus olhos.
15. Mas agora trazei-me um tocador de harpa. Apenas fez o tocador vibrar as cordas, veio a mão do Senhor sobre Eliseu,
16. e este disse: Eis o que diz o Senhor: Cavai neste vale fossas e fossas!
17. Eis o que diz o Senhor: Não sentireis vento, nem vereis chuva, e contudo este vale se encherá de água; e bebereis vós, vossos rebanhos e vossos animais de carga.
18. Porém, isto é pouco aos olhos do Senhor: ele vai entregar também Moab nas vossas mãos.
19. Destruireis todas as cidades fortes, as cidades mais importantes, derrubareis todas as árvores frutíferas, tapareis todas as fontes e cobrireis de pedras todos os campos férteis.
20. No dia seguinte pela manhã, à hora da oblação, desceram as águas do lado de Edom, e a terra encheu-se de água.
21. Ouvindo os moabitas que aqueles reis vinham atacá-los, mobilizaram todos os que estavam na idade de pegar em armas e foram para a fronteira.
22. Na manhã seguinte, quando o sol se levantava sobre as águas, os moabitas viram diante de si as águas vermelhas como sangue.
23. É sangue!, exclamaram eles; os reis pelejaram entre si e destruíram-se mutuamente. Vamos, Moab, à presa!
24. Logo, porém, que chegaram para atacar o acampamento dos israelitas, estes levantaram-se e feriram os moabitas, que fugiram diante deles. E, enquanto os feriam, iam penetrando mais adentro na sua terra.
25. Destruíram as cidades, encheram toda a terra fértil de pedras, que cada um lançou, entupiram todas as fontes, derrubaram todas as árvores frutíferas, de modo que só ficaram as pedras da cidade de Quir-Caroset, que tinha sido cercada e atacada pelos fundibulários.
26. Vendo o rei de Moab que perdia o combate, tomou consigo setecentos homens armados de espada para abrir caminho até o rei de Edom, mas não conseguiu.
27. Tomando então o seu filho primogênito, que deveria reinar depois dele, ofereceu-o em holocausto sobre a muralha. Isso provocou uma tal indignação entre os israelitas, que estes se retiraram e voltaram para a sua terra.

 
Capítulo 4

1. A mulher de um dos filhos dos profetas clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu, e sabes que ele temia o Senhor. Ora, eis que veio o credor tomar os meus dois filhos para fazê-los seus escravos.
2. Eliseu disse-lhe: Que posso eu fazer por ti? Dize-me: que tens em tua casa? Ela respondeu: Tua serva só tem em sua casa uma garrafa de óleo.
3. Vai, replicou Eliseu, pede emprestadas às tuas vizinhas ânforas vazias em grande quantidade.
4. Depois entra, fecha a porta atrás de ti e de teus filhos, e enche com o óleo estas ânforas, pondo-as de lado à medida que estiverem cheias!
5. Partiu a mulher e fechou a porta atrás de si e de seus filhos. Estes traziam-lhe as ânforas e ela as enchia.
6. Tendo enchido as ânforas, disse ela ao seu filho: Dá-me mais uma ânfora. Não há mais, respondeu ele. E o óleo cessou de correr.
7. A mulher foi e contou tudo ao homem de Deus. Este disse-lhe: Vai e vende esse óleo para pagar a tua dívida. Depois disso, tu e teus filhos vivereis do resto.
8. Certo dia em que Eliseu atravessava Sunão, veio uma mulher rica do lugar e insistiu com ele para comer em sua casa. Depois disso, cada vez que ele passava por aquele lugar, dirigia-se à casa daquela mulher para tomar ali a sua refeição.
9. Ela disse ao seu marido: Escuta: eu sei que esse homem, que passa sempre por nossa casa, é um santo homem de Deus.
10. Preparemos-lhe em cima um quarto, obra de pedreiro, onde poremos uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada; assim poderá acomodar-se ali quando vier à nossa casa.
11. Ora, aconteceu que um dia, passando Eliseu por Sunão, retirou-se ao quarto de cima para dormir.
12. E disse a Giezi, seu servo: Chama essa sunamita. Giezi chamou-a e ela apresentou-se diante dele.
13. Pergunta-lhe, disse Eliseu, o que posso fazer por ela em reconhecimento do desvelo com que nos tem tratado. Talvez ela queira que se fale ao rei ou ao general do exército sobre algum negócio seu. Eu habito no meio de meu povo, respondeu ela.
14. Eliseu então disse: Que se pode fazer por ela? Ela não tem filhos, respondeu Giezi, e seu marido é idoso.
15. Chama-a, disse Eliseu. Giezi chamou-a e ela apareceu à porta.
16. Eliseu disse-lhe: Por esse tempo, daqui a um ano, acariciarás um filho. Não, meu senhor, respondeu ela, não zombes de tua escrava, ó homem de Deus!
17. E a mulher concebeu. No ano seguinte, à mesma época, como tinha predito Eliseu, ela deu à luz um filho.
18. O menino cresceu. Um dia em que ele fora ter com seu pai junto dos ceifadores,
19. disse-lhe: Oh, minha cabeça, minha cabeça! Leva-o à sua mãe, disse o pai a um escravo.
20. Este levou-o e entregou-o à sua mãe. O menino ficou nos joelhos da mãe até meio-dia, e morreu.
21. Ela subiu, colocou o menino na cama do homem de Deus, fechou a porta e saiu.
22. Chamou o marido e disse-lhe: Manda comigo um escravo e uma jumenta, para que eu vá à casa do homem de Deus e volte.
23. Ele disse-lhe: Por que vais ter com ele hoje? Não é lua nova, nem sábado. Fica tranqüilo, respondeu ela.
24. Mandou selar a jumenta e disse ao escravo: Conduze-me, apressa-te, não me detenhas em caminho sem que eu te diga.
25. Ela partiu e chegou aonde estava o homem de Deus, no monte Carmelo. O homem de Deus, vendo-a de longe, disse ao seu servo Giezi: Aí vem a sunamita;
26. corre-lhe ao encontro e pergunta-lhe se ela vai bem, como vai o seu marido e o seu filho. Ela respondeu: Tudo vai bem.
27. Mas chegando junto do homem de Deus na montanha, pegou-lhe os pés. Giezi aproximou-se para afastá-la, mas o homem de Deus disse-lhe: Deixa-a; sua alma está cheia de amargura e o Senhor me oculta o motivo, nada me revelou.
28. A mulher disse: Pedi eu porventura um filho ao meu senhor? Não te disse que não zombasses de mim?
29. Eliseu disse a Giezi: Põe o teu cinto, toma na mão o meu bastão e parte. Se encontrares alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe respondas. Porás o meu bastão no rosto do menino.
30. A mãe do menino exclamou: Por Deus e pela tua vida, não te deixarei! Então Eliseu seguiu-a.
31. Entretanto, Giezi, que os tinha precedido, pôs o bastão no rosto do menino; mas não houve voz, nem sinal de vida. Ele voltou a Eliseu e disse-lhe: O menino não despertou.
32. Eliseu entrou na casa, onde estava o menino morto em cima da cama.
33. Entrou, fechou a porta atrás de si e do morto, e orou ao Senhor.
34. Depois, subiu à cama, deitou-se em cima do menino, colocou seus olhos sobre os olhos dele, suas mãos sobre as mãos dele, e enquanto estava assim estendido, o corpo do menino aqueceu-se.
35. Eliseu levantou-se, deu algumas voltas pelo quarto, tornou a subir e estendeu-se sobre o menino; este espirrou sete vezes e abriu os olhos.
36. Eliseu chamou Giezi e disse-lhe: Chama a sunamita; o que ele fez. Ela entrou e Eliseu disse-lhe: Toma o teu filho.
37. Então ela veio e lançou-se aos pés de Eliseu, prostrando-se por terra. Em seguida tomou o filho e saiu.
38. Quando Eliseu voltou a Gálgala, a fome devastava a terra. Estando os filhos dos profetas sentados diante dele, disse ao seu servo: Toma uma panela grande e prepara uma sopa para os filhos dos profetas.
39. Foi um deles ao campo para colher legumes, e encontrou uma planta silvestre; colheu dela coloquíntidas selvagens, encheu o manto, voltou para casa e cortou-as em pedaços dentro da panela da sopa, sem saber o que era.
40. Serviu-se a refeição aos homens. Logo, porém, que provaram da sopa, puseram-se a gritar: Homem de Deus, a morte está na panela! E não puderam comer.
41. Eliseu disse-lhes: Trazei-me farinha. Jogou farinha na panela e disse: Serve agora, para que todos comam. E não havia mais nada ruim na panela.
42. Veio um homem de Baalsalisa, que trazia ao homem de Deus, à guisa de primícias, vinte pães de cevada e trigo novo no seu saco. Dá-os a esses homens, disse Eliseu, para que comam.
43. Seu servo respondeu: Como poderei dar de comer a cem pessoas com isto? Dá-os a esses homens, repetiu Eliseu, para que comam. Eis o que diz o Senhor: Comerão e ainda sobrará.
44. E deu-os ao povo. Comeram e ainda sobrou, como o Senhor tinha dito.

 
Capítulo 5

1. Naamã, general do exército do rei da Síria, gozava de grande prestígio diante de seu amo, e era muito considerado, porque, por meio dele, o Senhor salvou a Síria; era um homem valente, mas leproso.
2. Ora, tendo os sírios feito uma incursão no território de Israel, levaram consigo uma jovem, a qual ficou a serviço da mulher de Naamã.
3. Ela disse à sua senhora: Ah, se meu amo fosse ter com o profeta que reside em Samaria, ele o curaria da lepra!
4. Ouvindo isso, Naamã foi e contou ao seu soberano o que dissera a jovem israelita.
5. O rei da Síria respondeu-lhe: Vai, que eu enviarei uma carta ao rei de Israel. Naamã partiu com dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes de festa.
6. Levou ao rei de Israel uma carta concebida nestes termos: Ao receberes esta carta, saberás que te mando Naamã, meu servo, para que o cures da lepra.
7. Tendo lido a missiva, o rei de Israel rasgou as vestes e exclamou: Sou eu porventura um deus, que possa dar a morte ou a vida, para que esse me mande dizer que cure um homem da lepra? Vede bem que ele anda buscando pretextos contra mim.
8. Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei tinha rasgado as vestes, mandou-lhe dizer: Por que rasgaste as tuas vestes? Que ele venha a mim, e saberá que há um profeta em Israel.
9. Naamã veio com seu carro e seus cavalos e parou à porta de Eliseu.
10. Este mandou-lhe dizer por um mensageiro: Vai, lava-te sete vezes no Jordão e tua carne ficará limpa.
11. Naamã se foi, despeitado, dizendo: Eu pensava que ele viria em pessoa, e, diante de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, poria a mão no lugar infetado e me curaria da lepra.
12. Porventura os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não são melhores que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar limpo? E, voltando-se, retirou-se encolerizado.
13. Mas seus servos, aproximando-se dele, disseram-lhe: Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse ordenado algo difícil, não o deverias fazer? Quanto mais agora que ele te disse: Lava-te e serás curado.
14. Naamã desceu ao Jordão e banhou-se ali sete vezes, como lhe ordenara o homem de Deus, e sua carne tornou-se tenra como a de uma criança.
15. Voltando então para o homem de Deus, com toda a sua comitiva, entrou, apresentou-se diante dele e disse: Reconheço que não há outro Deus em toda a terra, senão o de Israel. Aceita este presente do teu servo.
16. Pela vida do Senhor a quem sirvo, replicou Eliseu, não aceitarei nada. E apesar da instância de Naamã, ele recusou.
17. Então Naamã disse: Se não o aceitas, permite ao menos que se dê ao teu servo da terra deste país, tanto quanto possam carregar duas mulas, porque doravante este teu servo não oferecerá mais holocausto nem sacrifício a outros deuses, mas só ao Senhor.
18. Entretanto, que o Senhor perdoe ao teu servo no seguinte: Quando o meu soberano entrar no templo de Remon para adorar, apoiando-se no meu braço, e que eu também me prostrar no templo de Remon, que o Senhor perdoe esse gesto ao teu servo.
19. Eliseu respondeu: Faze-o tranqüilamente. E Naamã o deixou.
20. Naamã estava já a certa distância, quando Giezi, servo de Eliseu, disse consigo: Eis que meu amo poupou a esse sírio, Naamã, recusando aceitar de sua mão o que ele tinha trazido. Pela vida de Deus! Vou correr atrás dele, e obterei dele alguma coisa.
21. E Giezi foi ao alcance de Naamã, o qual, vendo-o correr, desceu do carro e veio-lhe ao encontro. E disse-lhe: Tudo vai bem?
22. Sim, respondeu Giezi; meu senhor manda-me dizer-te: Acabam de chegar à minha casa, da montanha de Efraim, dois jovens, filhos de profetas. Rogo-te que me dês para eles um talento de prata e dois hábitos de festa. 23 Naamã respondeu: É melhor que leves dois talentos. Naamã insistiu e, atando dois talentos e dois hábitos de festa em dois sacos, entregou-os a dois de seus escravos para que os levassem a Giezi.
24. Quando atingiram a colina, Giezi tomou os objetos de suas mãos e guardou-os na sua casa. Depois disso, despediu os dois homens e estes se retiraram.
25. E, tendo entrado, apresentou-se ao seu amo. Eliseu disse-lhe: De onde vens, Giezi? Teu servo não foi a parte alguma, respondeu ele.
26. Mas Eliseu replicou: Não estava porventura presente o meu espírito, quando um homem saltou de seu carro ao teu encontro? É este o momento de aceitar dinheiro, adquirir vestes, oliveiras e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas?
27. A lepra de Naamã se pegará a ti e a toda a tua descendência para sempre. E Giezi saiu da presença de Eliseu coberto de uma lepra branca como a neve.

 
Capítulo 6

1. Os filhos dos profetas disseram a Eliseu: Vê: o lugar em que moramos contigo tornou-se estreito demais para nós.
2. Vamos até o Jordão, tomemos dali cada um de nós uma viga, e construamos ali uma sala em que habitemos. Ide, respondeu-lhes ele.
3. Mas vem também tu com os teus servos, ajuntou um deles. Eu irei, disse ele.
4. E partiu com eles. Chegados ao Jordão, puseram-se a cortar madeira.
5. Ora, estando um deles a cortar uma árvore, eis que o seu machado caiu na água. Ah, meu senhor!, exclamou ele. Porque o machado era emprestado.
6. Onde caiu ele?, perguntou o homem de Deus. Ele mostrou-lhe o lugar. Eliseu cortou um pedaço de madeira, jogou-o na água, e o machado veio à tona.
7. Tira-o, disse ele. O homem estendeu a mão e tomou-o.
8. O rei da Síria, que estava em guerra contra Israel, teve conselho com os seus servos e disse-lhes: Em tal e tal lugar estará o meu acampamento.
9. Mandou então o homem de Deus dizer ao rei de Israel: Guarda-te de passar por tal lugar, porque os sírios estão ali.
10. O rei de Israel mandou homens ao lugar indicado pelo homem de Deus em sua mensagem. E o rei acautelou-se não apenas uma ou duas vezes.
11. O rei da Síria, alvoroçado por causa disso, chamou seus servos e disse-lhes: Não me descobrireis quem dos nossos nos traiu junto do rei de Israel?
12. Não foi ninguém, ó rei, meu senhor, respondeu um deles; é o profeta Eliseu quem conta ao rei de Israel os planos que fazes em teu quarto de dormir.
13. Ide, disse o rei, e vede onde ele está, para que eu o mande prender. Disseram ao rei: Ele está agora em Dotã.
14. O rei enviou ali cavalos, carros e uma companhia importante; chegaram de noite e cercaram o lugar.
15. Na manhã seguinte, o homem de Deus, saindo fora, viu o exército que cercava a cidade com cavalos e carros. Seu servo disse-lhe: Ai, meu senhor! Que vamos fazer agora?
16. Não temas, respondeu Eliseu; os que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles.
17. Orou Eliseu e disse: Senhor, abri-lhe os olhos, para que veja. O Senhor abriu os olhos do servo, e este viu o monte cheio de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu.
18. (Entretanto, os sírios) desciam para ele, e Eliseu orou ao Senhor, dizendo: Feri de cegueira estes homens. E o Senhor, ouvindo a prece de Eliseu, feriu-os de cegueira.
19. Eliseu disse-lhes: Não é por aqui o caminho, nem é esta a cidade. Segui-me: vou conduzir-vos ao homem que buscais. E levou-os a Samaria.
20. Tendo eles entrado em Samaria, Eliseu disse: Senhor, abri os olhos desses homens para que vejam. O Senhor abriu-lhes os olhos e eles viram que estavam em Samaria.
21. O rei de Israel, tendo-os visto, disse a Eliseu: Feri-los-ei, meu pai?
22. Não, respondeu ele. Fere aos que capturares com tua espada e teu arco. A estes, porém, dá-lhes pão e água, para que restaurem as forças e voltem em seguida para junto de seu senhor.
23. O rei mandou que se lhes servisse um grande banquete, e depois que acabaram de comer e beber, deixou-os em liberdade, e eles voltaram para o seu soberano. E a partir de então, os guerrilheiros sírios cessaram as suas incursões nas terras de Israel.
24. Depois disso, Ben-Hadad, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército e subiu para pôr cerco diante de Samaria.
25. A fome alastrou-se pela cidade e o cerco foi tão rude que uma cabeça de jumento valia oitenta siclos de prata, e a quarta parte de um cab de grãos, cinco siclos de prata.
26. Um dia em que o rei circulava pela muralha, uma mulher gritou-lhe: Socorre-me, ó rei, meu senhor!
27. O rei respondeu-lhe: Se o Senhor não te salva, com que te poderei eu socorrer? Porventura com a eira ou com o lagar?
28. E ajuntou: Que te aconteceu? Ela respondeu: Esta mulher, que aqui vês, disse-me: Dá-me o teu filho, para o comermos hoje; amanhã comeremos o meu.
29. Cozemos então o meu filho e o comemos. No dia seguinte, quando eu lhe disse: Dá-me o teu filho, para que o comamos, ela o escondeu.
30. Ouvindo o que lhe dizia a mulher, o rei rasgou as vestes; e como ia passando pela muralha, o povo viu que ele trazia um cilício sobre o corpo.
31. Que Deus me trate com todo o rigor, se a cabeça de Eliseu, filho de Safat, lhe ficar ainda hoje sobre os ombros!
32. Ora, Eliseu achava-se em sua casa, e os anciãos sentados com ele. O rei se fizera preceder por um emissário; mas, antes que este chegasse, Eliseu disse aos anciãos: Vede como este filho de bandido manda alguém para cortar-me a cabeça? Atenção! Quando chegar o emissário, fechai-lhe a porta e repeli-o. Mas não se ouve já o ruído dos passos de seu amo, que o segue?
33. Não tinha ainda acabado de falar, quando o mensageiro se apresentou diante dele e disse-lhe: Quando um tão grande mal nos vem do Senhor, que poderei eu esperar ainda?

 
Capítulo 7

1. Eliseu disse-lhe: Ouvi o que diz o Senhor: Amanhã, a esta mesma hora, uma medida de flor de farinha valerá um siclo à porta de Samaria, e duas medidas de cevada, também um siclo.
2. O oficial, em cujo braço se apoiava o rei, respondeu ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, seria possível semelhante coisa? Tu o verás com os teus olhos, respondeu Eliseu, mas não comerás.
3. Ora, estavam quatro leprosos à porta da cidade, os quais disseram entre si: Por que ficarmos nós aqui até morrermos?
4. Se formos para a cidade, morreremos, porque reina a fome ali; se ficarmos aqui, morreremos da mesma sorte. Vinde: passemos ao acampamento dos sírios; quem sabe se eles nos pouparão a vida, e viveremos? Se eles nos matarem, pois bem, morreremos.
5. Ao anoitecer partiram para o acampamento dos sírios, mas, ao chegarem aos limites do acampamento, viram que não havia mais ninguém.
6. O Senhor tinha feito ouvir no acampamento dos sírios um estrondo de carros, de cavalaria e de um grande exército, e disseram uns aos outros: Isso é certamente o rei de Israel que assalariou contra nós os reis dos hiteus e dos egípcios.
7. Levantaram-se, pois, ao anoitecer, e fugiram, deixando ali suas tendas, cavalos, jumentos, abandonando o acampamento tal como estava, e só cuidando de salvar a própria vida.
8. Os leprosos, pois, chegando à extremidade do acampamento, entraram numa tenda, e, depois de terem comido e bebido, tomaram consigo ouro, prata e vestes, que foram esconder para si. Voltaram em seguida e entraram noutra tenda, e esconderam também o que puderam carregar dali.
9. Então disseram um para o outro: Não está bem o que fazemos; hoje é um dia de boas novas. Se calarmos e esperarmos até o romper da aurora, seremos castigados. Vamos e informemos a casa do rei.
10. Foram e contaram o sucedido aos guardas da porta da cidade, dizendo-lhes: Entramos no acampamento dos sírios: não há ali ninguém, nem uma voz humana sequer, só há cavalos, jumentos amarrados e as tendas tais como foram levantadas.
11. Os guardas da porta deram sinais e a boa nova foi levada ao interior do palácio real.
12. Era noite; o rei levantou-se e disse aos seus servos: Vou dizer-vos o que tramam os sírios: eles sabem que estamos famintos; por isso deixaram o acampamento e foram armar emboscadas no campo, pensando prender-nos vivos e penetrar em seguida na cidade, uma vez que tenhamos saído dela.
13. Mas um dos servos do rei tomou a palavra: Tomemos cinco dos cavalos que nos restam e mandemo-los para ver o que há – sua sorte será a de todo o povo de Israel que ficou, e que vai perecer.
14. Escolheram dois carros com os cavalos, e o rei os enviou para seguirem as pisadas do exército sírio, dizendo-lhes: Ide ver.
15. Eles seguiram os rastos dos sírios até o Jordão. Todo o caminho estava repleto de vestes e outros objetos que os sírios tinham abandonado em sua precipitação. Os mensageiros voltaram e contaram-no ao rei.
16. Saiu então o povo e pilhou o acampamento dos sírios. E vendeu-se uma medida de flor de farinha por um siclo, e igualmente por um siclo duas medidas de cevada, como o Senhor o dissera.
17. O rei confiara a guarda da porta ao oficial em cujo braço se apoiava. Mas a porta, com os empurrões do povo, caiu e o povo o esmagou; e ele morreu, como havia predito o homem de Deus, quando o rei descera à sua casa.
18. O homem de Deus tinha dito ao rei: Amanhã, a esta mesma hora, duas medidas de cevada valerão um siclo à porta de Samaria, e uma medida de flor de farinha, um siclo igualmente.
19. E o oficial tinha respondido ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, seria possível tal coisa? Ao que Eliseu replicara: Tu o verás, com os teus olhos, mas não comerás.
20. Foi o que lhe aconteceu: o povo o atropelou à porta, e ele morreu.

 
Capítulo 8

1. Eliseu dissera à mulher, cujo filho ele ressuscitara: Parte com todos os teus, e habita no estrangeiro, porque o Senhor fez vir a fome, e ela virá sobre a terra durante sete anos.
2. Esta mulher fez o que lhe disse o homem de Deus: emigrou com sua família e habitou sete anos na terra dos filisteus.
3. Passados os sete anos, voltou da terra dos filisteus e foi falar ao rei a respeito de sua casa e de sua terra.
4. O rei estava conversando com Giezi, servo do homem de Deus, e pedia-lhe que lhe contasse os prodígios que Eliseu tinha feito.
5. Giezi estava justamente contando como Eliseu havia ressuscitado um morto, quando a mulher, cujo filho ressuscitara, chegou para implorar ao rei a respeito de sua casa e de sua terra. Giezi exclamou: Ó rei, meu senhor! Eis a mulher com o filho que Eliseu ressuscitou.
6. O rei interrogou a mulher, e esta narrou-lhe o acontecido. Então o rei fê-la acompanhar por um eunuco com a seguinte ordem: Faze-lhe restituir tudo o que lhe pertence, assim como todos os rendimentos de sua terra, desde o dia em que ela a deixou até o dia de hoje.
7. Eliseu foi a Damasco. Ben-Hadad, rei da Síria, estava doente. Avisaram-no, dizendo: O homem de Deus está aqui.
8. Disse então o rei a Hazael: Toma contigo um presente e vai ao encontro do homem de Deus. Consultarás o Senhor, por seu intermédio, se sairei vivo desta enfermidade.
9. Hazael partiu e foi ao encontro do homem de Deus, levando consigo presentes, o que havia de melhor em Damasco, em quarenta camelos carregados. Chegando aonde ele estava, disse-lhe: Teu filho Ben-Hadad, rei da Síria, mandou-me ter contigo para perguntar-te se sairá vivo de sua enfermidade.
10. Eliseu respondeu-lhe: Vai e dize-lhe que ele será certamente curado. Mas o Senhor revelou-me que ele morrerá.
11. Depois o homem de Deus olhou-o fixamente, de modo que Hazael se sentiu perturbado; e o homem de Deus pôs-se a chorar.
12. Por que chora o meu senhor?, perguntou Hazael. Ele respondeu: Porque sei os males que farás aos israelitas: incendiarás as suas cidades fortes, passarás ao fio da espada os seus jovens, esmagarás as suas crianças e rasgarás pelo meio o ventre de suas mulheres grávidas.
13. Será o teu servo porventura um cão, disse-lhe Hazael, para fazer tais coisas? Eliseu respondeu: O Senhor mostrou-me numa visão que serás rei da Síria.
14. Deixando Eliseu, voltou Hazael para junto de seu amo, o qual lhe perguntou: Que te disse Eliseu? Disse-me, respondeu ele, que serás certamente curado.
15. No dia seguinte, (Hazael) tomou uma cobertura, molhou-a em água e aplicou-a sobre o rosto do rei, e este morreu. E Hazael sucedeu-lhe no trono.
16. No quinto ano de Jorão, filho de Acab, rei de Israel, Jorão, filho de Josafá, tornou-se rei de Judá.
17. Tinha trinta e dois anos quando começou a reinar, e reinou oito anos em Jerusalém.
18. Andou pelos caminhos dos reis de Israel, como fizera a casa de Acab, cuja filha desposou. E fez o mal aos olhos do Senhor.
19. Apesar disso, o Senhor não quis destruir a casa de Judá, por causa de Davi, seu servo, a quem prometera conservar sempre uma lâmpada na sua descendência.
20. No tempo de Jorão, os edomitas sacudiram o jugo de Judá e constituíram um rei para si.
21. Jorão foi a Seira com todos os seus carros, e, durante a noite, feriu os edomitas que o tinham cercado; e os chefes dos carros com as tropas fugiram para as suas tendas.
22. E assim Edom sacudiu o jugo de Judá até o dia de hoje. Naquele mesmo tempo, Libna libertou-se igualmente.
23. Os outros atos e grandes feitos de Jorão estão consignados no livro das Crônicas dos reis de Judá.
24. Jorão adormeceu com os seus pais e foi sepultado junto deles na cidade de Davi. Seu filho Ocozias sucedeu-lhe no trono.
25. No décimo segundo ano de Jorão, filho de Acab, rei de Israel, Ocozias, filho de Jorão, tornou-se rei de Judá.
26. Ocozias tinha vinte e dois anos quando começou a reinar, e reinou um ano em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Atalia, e era filha (neta) de Amri, rei de Israel.
27. Andou nos caminhos da casa de Acab e fez o mal aos olhos do Senhor, como a casa de Acab, porque lhe era aliado.
28. Saiu com Jorão, filho de Acab, a combater Hazael, rei da Síria, em Ramot de Galaad, e foi ferido pelos sírios.
29. E voltou então a Jezrael para se curar dos ferimentos recebidos dos sírios no combate contra Hazael, rei da Síria. Ocozias, filho de Jorão, rei de Judá, desceu a Jezrael para visitar Jorão, filho de Acab, que estava enfermo.

 
Capítulo 9

1. O profeta Eliseu chamou um dos filhos dos profetas e disse-lhe: Põe o teu cinto e parte para Ramot de Galaad com este frasco de óleo.
2. Ali chegando, procurarás Jeú, filho de Josafá, filho de Namsi. Aproximar-te-ás dele, fá-lo-ás levantar-se do meio de seus irmãos e o conduzirás a um aposento retirado.
3. Tomarás então o frasco de óleo e lho derramarás na cabeça, dizendo: Isto diz o Senhor: Sagro-te rei de Israel. Depois abrirás a porta e fugirás sem demora.
4. O jovem servo do profeta partiu para Ramot de Galaad.
5. Quando lá chegou, os chefes do exército estavam sentados em reunião. E disse: General, tenho uma palavra a dizer-te. Jeú perguntou: A qual de nós? A ti, general, respondeu ele.
6. E Jeú, levantando-se, entrou na casa. O jovem derramou-lhe então o óleo na cabeça, dizendo: Isto diz o Senhor: Sagro-te rei de Israel, o povo do Senhor.
7. Ferirás a casa de Acab, teu soberano, e vingarás o sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do Senhor, derramado por Jezabel.
8. Toda a casa de Acab perecerá: cortarei da casa de Acab em Israel todo varão, seja escravo ou livre.
9. Farei da casa de Acab o que fiz da de Jeroboão, filho de Nabat, e da de Baasa, filho de Aía.
10. E Jezabel será devorada pelos cães no solo de Jezrael: Não haverá ninguém que a sepulte. Dizendo isso, o jovem abriu a porta e fugiu.
11. Quando Jeú voltou para junto dos oficiais de seu soberano, estes perguntaram-lhe: Tudo vai bem? Por que te veio ver esse louco? Ele respondeu-lhes: Vós bem conheceis esse homem, e a sua maneira de falar.
12. Mentira!, exclamaram eles; conta-nos a verdade. Pois bem, disse ele, ele disse-me isto e isto, e acrescentou: Eis o que diz o Senhor: Sagro-te rei de Israel.
13. Levantaram-se então imediatamente e, tomando cada qual o seu manto, estenderam-no aos seus pés, em cima dos degraus, e tocaram a trombeta, gritando: Jeú é rei!
14. Jeú, filho de Josafá, filho de Namsi, conspirou contra Jorão, no tempo em que Jorão, com todo o Israel, defendia Ramot de Galaad contra Hazael, rei da Síria.
15. Jorão tinha voltado a Jezrael para se curar dos ferimentos recebidos dos sírios, quando combatia contra Hazael, rei da Síria. Se esta é a vossa vontade, disse Jeú, ninguém fuja da cidade para ir dar a notícia a Jezrael.
16. E Jeú subiu para o seu carro, partiu para Jezrael, onde Jorão, que estava de cama, recebia a visita de Ocozias, rei de Judá.
17. A sentinela que estava no alto da torre de Jezrael, viu aproximar-se a tropa de Jeú e anunciou: Vejo aproximar-se uma tropa. Jorão disse: Toma um carro e manda alguém ao seu encontro para perguntar se tudo vai bem.
18. Chegando o cavaleiro junto de Jeú, disse: O rei manda perguntar se tudo vai bem. Que te importa se tudo vai bem?, respondeu Jeú. Passa para trás de mim. A sentinela anunciou: O mensageiro chegou a ele, mas não volta.
19. O rei mandou um segundo cavaleiro, que se apresentou a Jeú, dizendo: O rei manda saber se tudo vai bem. Que te importa se tudo vai bem?, respondeu Jeú. Passa para trás de mim.
20. A sentinela anunciou: Também este chegou até eles, mas não volta. Pela maneira de conduzir o carro, parece que é Jeú, filho de Namsi: ele corre como um louco.
21. Preparai o meu carro, disse Jorão. Atrelaram os cavalos ao carro de Jorão, rei de Israel, e este partiu com Ocozias, rei de Judá, cada um em seu carro, para se encontrarem com Jeú, e o encontraram no campo de Nabot de Jezrael.
22. Ao vê-lo, Jorão perguntou-lhe. Tudo vai bem, Jeú? Como poderá ir tudo bem, enquanto durar a prostituição e a magia de Jezabel, tua mãe?
23. Então Jorão voltou as rédeas e fugiu, gritando a Ocozias: Traição, Ocozias!
24. Mas Jeú, retesando o arco, atingiu Jorão entre as espáduas, de modo que a flecha atravessou-lhe o coração e ele caiu morto no seu carro.
25. Jeú disse ao seu oficial Badacer: Toma-o e joga-o no campo de Nabot de Jezrael; pois deves estar lembrado do oráculo que pronunciou o Senhor contra ele, quando tu e eu, montados, seguíamos o seu pai Acab:
26. Tão certo como ontem vi correr o sangue de Nabot e o sangue de seus filhos – palavra do Senhor! – pagar-te-ei com a mesma moeda, neste mesmo campo – palavra do Senhor! Assim, pois, toma-o e joga-o neste campo, como o disse o Senhor.
27. Vendo isso, Ocozias, rei de Judá, fugiu para as banda de Betgã. Jeú lançou-se a persegui-lo, gritando: Também ele! Feriram-no em seu carro na subida de Gur, perto de Jeblaão. Ele fugiu para Magedo, e morreu ali.
28. Seus servos transportaram-no para Jerusalém em seu carro e sepultaram-no em seu túmulo com seus irmãos, na cidade de Davi.
29. Ocozias tornara-se rei de Judá no décimo primeiro ano de Jorão, filho de Acab.
30. Jeú fez a sua entrada em Jezrael. Jezabel, ao sabê-lo, pintou os olhos, adornou a cabeça e pôs-se a olhar, à janela.
31. Quando Jeú entrou pela porta, ela disse-lhe: Como vais, Zamri, assassino de seu amo?
32. Jeú levantou os olhos para a janela e disse: Quem está do meu lado? Quem? Dois ou três eunucos (inclinaram-se) e olharam para ele.
33. Atirai-a, daí abaixo, disse ele. Jogaram-na, e seu sangue salpicou as paredes e os cavalos; estes esmagaram-na aos pés.
34. Jeú entrou. Depois de ter comido e bebido, disse: Ide ver aquela mulher maldita, e sepultai-a, porque ela é de sangue real.
35. Foram para sepultá-la, mas só encontraram dela o crânio, os pés e as palmas das mãos.
36. Quando voltaram para dizê-lo a Jeú, este disse: Foi justamente este o oráculo que o Senhor pronunciou pela boca de seu servo Elias, o tesbita: no solo de Jesrael os cães devorarão a carne de Jezabel,
37. e seu cadáver estará sobre a terra como esterco derramado, de sorte que não se poderá dizer que era ela.

 
Capítulo 10

1. Havia em Samaria setenta filhos de Acab. Jeú escreveu uma carta e mandou-a à Samaria aos magistrados da cidade, aos anciãos e aos preceptores dos filhos de Acab.
2. Dizia na carta: Logo que receberdes esta carta, vós que tendes convosco os filhos de vosso soberano, como também carros, cavalos, uma cidade fortificada e armas,
3. escolhei o melhor e o mais qualificado dos filhos de vosso soberano e ponde-o no trono de seu pai. Em seguida, começai a luta pela casa de vosso soberano.
4. Eles, porém, muito atemorizados, disseram: Dois reis não o puderam enfrentar; como poderíamos nós resistir-lhe?
5. O prefeito do palácio, o comandante da cidade, os anciãos e os preceptores dos filhos de Acab mandaram a Jeú a resposta seguinte: Nós somos teus servos. Faremos tudo o que nos disseres; não elegeremos rei sobre nós. Faze como melhor te parecer.
6. Escreveu-lhes Jeú uma segunda carta, na qual dizia: Se estais do meu lado, se quereis obedecer às minhas ordens, tomai as cabeças dos filhos de vosso soberano e trazei-mas amanhã, a esta hora, a Jezrael. Os filhos do rei, que eram em número de setenta, encontravam-se na casa dos grandes da cidade, que os educavam.
7. Logo que lhes chegou a carta de Jeú, tomaram os setenta príncipes e massacraram-nos. Puseram em seguida as suas cabeças em cestos e mandaram-nas a Jeú, em Jezrael.
8. Um mensageiro viera anunciar que tinham trazido as cabeças dos filhos do rei. Jeú disse: Metei-as em dois montes, à porta da cidade, até amanhã cedo.
9. Chegando a manhã, saiu e, diante de todo o povo, disse: Vós sois justos. Eu conspirei contra o meu soberano e o matei. Mas, estes aqui, quem os feriu?
10. Ficai, pois, sabendo que não se perde nenhuma das palavras pronunciadas pelo Senhor contra a casa de Acab. O Senhor realizou o que ele havia predito pelo seu servo Elias.
11. Jeú feriu também todos os que restavam da casa de Acab em Jezrael, todos os seus principais oficiais, seus servos e seus sacerdotes, sem deixar sobreviver um sequer dentre eles.
12. Depois encaminhou-se para a Samaria. Chegando a Bet-Equed-Haroim, que está junto do caminho,
13. encontrou os irmãos de Ocozias, rei de Judá, e perguntou-lhes: Quem sois vós? Nós somos irmãos de Ocozias, responderam eles. Descemos para fazer uma visita aos filhos do rei e aos filhos da rainha.
14. Jeú ordenou: Tomai-os vivos! Tomaram-nos vivos e massacraram-nos junto da cisterna de Bet-Equed. De quarenta e dois que eram, Jeú não deixou sobreviver sequer um.
15. Deixando aquele lugar, Jeú encontrou Jonadab, filho de Recab, que vinha ao seu encontro. E saudou-o, dizendo: Teu coração é leal para comigo, como o é o meu para contigo? Sim, respondeu Jonadab. Então, dá-me tua mão. Ele deu-lha e Jeú fê-lo montar no seu carro junto dele.
16. Disse-lhe: Vem comigo: verás o zelo que tenho pelo Senhor.
17. E levou-o em seu carro. Tendo entrado em Samaria, exterminou todos os que restavam da casa de Acab. E destruiu-a completamente, como o Senhor tinha dito a Elias.
18. Jeú convocou todo o povo, e dirigiu-lhe a palavra nestes termos: Acab serviu um pouco a Baal: Jeú o servirá muito mais.
19. Convocai junto de mim todos os profetas de Baal, todos os seus fiéis, todos os seus sacerdotes. Não falte um só deles, pois quero oferecer a Baal um grande sacrifício. Todo aquele que faltar, perderá a vida. Mas isso era simplesmente um laço, para destruir todos os adoradores de Baal.
20. Depois dessa publicação, Jeú deu esta ordem: Publicai uma assembléia solene em honra de Baal.
21. Depois mandou mensageiros por todo o Israel para chamá-los e os adoradores de Baal compareceram todos; não faltou nenhum. Reuniram-se no templo de Baal, que ficou cheio de uma extremidade à outra.
22. Jeú disse ao guarda do vestiário: Dá vestes a todos os adoradores de Baal. O guarda distribuiu vestes a todos eles.
23. Jeú entrou no templo com Jonadab, filho de Recab, e disse aos adoradores de Baal: Vede bem que não haja convosco nenhum dos que servem ao Senhor, mas somente os adoradores de Baal.
24. Eles entraram, pois, para oferecer sacrifícios e holocaustos. Ora, Jeú postara oitenta homens do lado de fora, e dissera-lhes: Aquele dentre vós que deixar escapar um só destes homens que entrego nas vossas mãos, responderá com a própria vida pela do outro.
25. Terminados os holocaustos, ordenou Jeú aos guardas e aos oficiais: Entrai e feri-os! Não deixeis escapar nenhum deles! E assim caíram todos ao fio da espada. Depois disso, os guardas e oficiais lançaram fora (os cadáveres), entraram no santuário do templo de Baal,
26. tiraram dali o ídolo e o queimaram.
27. Derrubaram a estela de Baal e demoliram o templo, transformando-o em privadas, que ainda hoje existem.
28. Foi assim que Jeú exterminou Baal de Israel.
29. Todavia, não se desviou dos pecados de Joroboão, filho de Nabat, que levara Israel ao pecado, pois deixou subsistir os bezerros de ouro de Betel e de Dã.
30. O Senhor disse-lhe: Pois que fizeste o que é agradável aos meus olhos, tratando a casa de Acab como eu o queria, teus filhos ocuparão o trono de Israel durante quatro gerações.
31. Entretanto, Jeú não se aplicou a seguir, de todo o coração, a lei do Senhor, Deus de Israel. Não se desviou dos pecados que Jeroboão levara a cometer Israel.
32. Por aquele tempo, o Senhor começou a diminuir o território de Israel. Hazael derrotou-o em toda a fronteira,
33. desde o Jordão até o oriente. Submeteu toda a terra de Galaad, os gaditas, os rubenitas e os manasseítas, desde Aroer, que estava sobre a torrente do Arnon, isto é, a terra de Galaad e Basã.
34. O resto da história de Jeú, tudo o que ele fez, todos os seus feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
35. Jeú adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria. Seu filho Joacaz sucedeu-lhe no trono.
36. Jeú reinou vinte e oito anos em Samaria.

 
Capítulo 11

1. Quando Atalia, mãe de Ocozias, viu morto o seu filho, decidiu exterminar toda a descendência real.
2. Josebá, porém, filha do rei Jorão e irmã de Ocozias, tomou Joás, filho de Ocozias, e fê-lo escapar do massacre dos filhos do rei, escondendo-o com sua ama de leite no quarto de dormir. Esconderam-no assim, de Atalia, de maneira que pôde escapar à morte.
3. Ele esteve seis anos oculto com Josebá no templo do Senhor, enquanto Atalia reinava sobre a terra.
4. No sétimo ano, Jojada convocou junto de si, no templo do Senhor, os centuriões dos cários e dos cursores. Fez com eles um pacto, e, depois de tê-los feito jurar no templo do Senhor, mostrou-lhes o filho do rei.
5. Eis o que haveis de fazer, ordenou-lhes ele: um terço dentre vós fará o serviço do sábado, montando guarda ao palácio real; um terço guardará a porta de Sur;
6. e um terço a porta que está por detrás dos guardas. Vigiai o palácio, de modo que ninguém possa entrar.
7. As duas companhias que terminarem sua semana, farão a guarda do templo do Senhor, junto do rei.
8. Estareis, de mãos armadas, à volta do rei, de maneira que, se alguém entrar em vossas fileiras, seja morto. Estareis sempre com o rei, onde quer que ele for.
9. Os centuriões executaram fielmente as ordens do sacerdote Jojada. Tomando cada um os seus homens, tanto os que começavam o serviço no sábado, como os que o terminavam, foram ter com o sacerdote Jojada.
10. Jojada deu-lhes as lanças e os escudos do rei Davi, que se encontravam no templo do Senhor.
11. Os guardas postaram-se, de mãos armadas, ao longo do altar e do templo, desde a extremidade sul até a extremidade norte do templo, à volta do rei.
12. Então Jojada fez sair o menino-rei, pôs-lhe a coroa na cabeça e entregou-lhe a Lei. Proclamaram-no rei, ungiram-no e todos o aplaudiram, gritando: Viva o rei!
13. Ouvindo Atalia o clamor que faziam os guardas e o povo, entrou no templo do Senhor, pelo meio da multidão.
14. E eis que espetáculo se ofereceu aos seus olhos: lá estava o rei, de pé no estrado, segundo o costume, tendo ao seu lado os chefes e as trombetas, enquanto o povo se alegrava, tocando as trombetas. Então ela rasgou as suas vestes, gritando: Traição, traição!
15. Mas o sacerdote Jojada ordenou aos centuriões que comandavam as tropas: Levai-a para fora, entre vossas fileiras, e se alguém quiser segui-la, feri-o com a espada. Porque o pontífice proibira que a matassem no templo do Senhor.
16. Lançaram-lhe as mãos e, ao chegarem ao palácio real pelo caminho da entrada dos cavalos, mataram-na ali.
17. Jojada fez entre o Senhor, o rei e o povo, uma aliança, segundo a qual o povo devia pertencer ao Senhor. Fez também uma aliança entre o rei e o povo.
18. Todo o povo entrou então no templo de Baal e o devastou; destruíram os altares, as imagens, e mataram o sacerdote de Baal, Matã, diante dos altares. O pontífice Jojada pôs guardas no templo do Senhor.
19. Tomou consigo os centuriões, os caritas, os guardas e todo o povo, e, levando o rei do templo do Senhor, entraram no palácio real pela porta das guardas, e Joás sentou-se no trono dos reis.
20. Todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz. No palácio real, porém, Atalia era passada ao fio da espada.

 
Capítulo 12

1. Joás tinha sete anos quando subiu ao trono. Começou a reinar no sétimo ano de Jeú e reinou durante quarenta anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Sébia, e era natural de Bersabéia.
2. Joás fez o que era bom aos olhos do Senhor, durante todo o tempo em que esteve sob a direção do sacerdote Jojada.
3. Todavia, não destruiu os lugares altos, e ali o povo continuava sacrificando e queimando incenso.
4. Joás disse aos sacerdotes: Todo o dinheiro consagrado, que for trazido ao templo do Senhor, assim como o dinheiro que for entregue por todo israelita recenseado, e o que provir do resgate das pessoas, após avaliação, como também os dons espontâneos oferecidos ao templo do Senhor,
5. recebam-no os sacerdotes, cada um receba-o dos seus clientes, e empreguem-no na reparação do edifício, onde quer que se encontre qualquer estrago.
6. Ora, no vigésimo terceiro ano do reinado de Joás, os sacerdotes não tinham ainda feito restauração alguma no templo.
7. O rei chamou o sacerdote Jojada e os outros sacerdotes, e disse-lhes: Por que não fazeis vós a reparação do templo? Doravante não recebereis mais o dinheiro de vossos clientes, mas o entregareis para os reparos do templo.
8. Os sacerdotes consentiram em não mais receber o dinheiro do povo, e declinaram do cargo das reparações do edifício.
9. O sacerdote Jojada tomou um cofre, fez-lhe um buraco na tampa e colocou-o junto do altar, à direita da entrada do templo do Senhor. Os sacerdotes que guardavam a entrada do templo ali depositavam todo o dinheiro que era levado ao templo do Senhor.
10. Quando viam que havia muito dinheiro no cofre, vinha um escriba do rei com o sumo sacerdote, que recolhia e contava todo o dinheiro que se encontrava no templo do Senhor.
11. E uma vez pesado o dinheiro, era o mesmo entregue nas mãos dos que presidiam as obras do templo do Senhor. Estes empregavam-no pagando os carpinteiros e operários que trabalhavam nas reparações,
12. os pedreiros e canteiros, comprando a madeira e as pedras de cantaria necessárias às reparações, e cobrindo todas as despesas decorrentes dos trabalhos.
13. Não se faziam, porém, com esse dinheiro que era trazido ao templo do Senhor, taças, nem facas, nem bacias, nem trombetas, nem utensílio algum de ouro ou de prata;
14. mas era dado aos empreiteiros, que o empregavam nas reparações do templo do Senhor.
15. Não se pediam contas àqueles que recebiam o dinheiro destinado à paga dos operários, porque eram homens honestos.
16. Quanto ao dinheiro dos sacrifícios pelos delitos ou pelos pecados, não era levado à casa do Senhor, mas era dos sacerdotes.
17. Naquele tempo, Hazael, rei da Síria, sitiou Get e apoderou-se dela. Depois foi atacar Jerusalém.
18. Joás, porém, rei de Judá, tomando os objetos sagrados oferecidos pelos seus pais, Josafá, Jorão e Ocozias, reis de Judá, e os que ele mesmo tinha oferecido, assim como todo o ouro que se achava nas reservas do templo do Senhor e do palácio real, mandou tudo isso a Hazael, rei da Síria, o qual desistiu de sua campanha contra Jerusalém.
19. O resto da história de Joás, seus atos e seus grandes feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
20. Seus servos levantaram-se, fizeram uma conspiração e assassinaram o rei em Bet-Milo, no declive de Sela.
21. Josacar, filho de Semaat, e Josabad, filho de Somer, seus criados, feriram-no, e ele morreu. Joás foi sepultado com seus pais na cidade de Davi. Seu filho Amasias sucedeu-lhe no trono.

 
Capítulo 13

1. No vigésimo terceiro ano do reinado de Joás, filho de Ocozias, rei de Judá, Joacaz, filho de Jeú, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reinado durou dezessete anos.
2. Fez o mal aos olhos do Senhor, imitando os pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel; e não se desviou deles.
3. Por isso a cólera do Senhor acendeu-se contra Israel, e ele entregou-o nas mãos de Hazael, rei da Síria, e de Ben-Hadad, filho de Hazael, durante todo esse período.
4. Mas Joacaz rogou ao Senhor; e o Senhor, vendo como os filhos de Israel eram oprimidos pelo rei da Síria, ouviu-o,
5. e mandou aos israelitas um libertador. Libertados do poder do rei da Síria, puderam de novo habitar nas suas tendas.
6. Entretanto, não se apartaram dos pecados aos quais a casa de Jeroboão arrastara Israel, mas continuaram a cometê-los. E até mesmo o ídolo de asserá ficou de pé em Samaria.
7. Com efeito, o Senhor só deixou a Joacaz, como exército, cinqüenta cavaleiros, dez carros e dez mil soldados de infantaria; o rei da Síria lhe tinha aniquilado o resto e reduzido ao estado de pó, que se calça aos pés.
8. O resto da história de Joacaz, seus atos e grandes feitos, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
9. Joacaz adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria. Joás, seu filho, sucedeu-lhe no trono.
10. No trigésimo sétimo ano do reinado de Joás, rei de Judá, Joás, filho de Joacaz, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reino durou dezesseis anos.
11. Fez o mal aos olhos do Senhor, e não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel, mas continuou a cometê-los.
12. O resto da história de Joás, seus atos e grandes feitos, a guerra que ele fez a Amasias, rei de Judá, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
13. Joás adormeceu com seus pais e Jeroboão sucedeu-lhe no trono. Joás foi sepultado em Samaria com os reis de Israel.
14. Eliseu fora atingido pela enfermidade de que devia morrer. Joás, rei de Israel, desceu para visitá-lo. (Inclinado) sobre o rosto do profeta, disse-lhe, chorando: Meu pai! Meu pai! Carro e cavalaria de Israel!
15. Eliseu disse-lhe: Traze-me um arco e flechas. Joás trouxe-lhe um arco e flechas.
16. Põe a tua mão no arco. Tendo-o ele feito, Eliseu pôs suas mãos nas do rei,
17. dizendo: Abre a janela do lado do oriente. Joás abriu-a. Lança uma flecha, disse Eliseu. Ele lançou. Flecha de vitória para o Senhor, disse o profeta; flecha de vitória contra os sírios. Baterás os sírios em Afec até exterminá-los.
18. E ajuntou: Toma as flechas. Joás tomou-as. Fere a terra. O rei desfechou três golpes e parou.
19. O homem de Deus encolerizou-se contra ele, e disse: Seria preciso dar cinco ou seis golpes. Terias então batido os sírios até e