06/10 – São Bruno

sao-bruno1São Bruno

Em meados do primeiro milênio depois de Cristo, Hugo, o Bispo da diocese francesa de Grenoble, sonhou certa vez com sete estrelas que brilhavam sobre um lugar escuro, muito deserto. Achou estranho. Algum tempo depois, foi procurado por sete nobres e ricos, que queriam se converter à vida religiosa e buscavam sua orientação, por causa da santidade e do prestígio do bispo.

Hugo, reconhecendo na situação o sonho que tivera, ouviu-os com atenção e ofereceu-lhes fazer sua obra num lugar de difícil acesso, solitário, árido e inóspito. Assim tiveram todo seu apoio episcopal. Estes homens buscavam apenas o total silêncio e solidão para orar e meditar. Tudo o que desejavam, ou seja, queriam atingir a elevação espiritual, cortando definitivamente as relações com as coisas mundanas. Eles eram Bruno e seus primeiros seis seguidores e a ordem que fundaram, a dos monges Cartuxos.

Bruno era um nobre e rico fidalgo alemão, que nasceu e cresceu na bela cidade de Colônia, em 1035. Sua família era conhecida pela piedade e fervorosa devoção cristã. Cedo aquele jovem elegante resolveu abandonar a vida de vaidades e prazeres, que considerava inútil, sem sentido e improdutiva. Como era propício à nobreza foi estudar na França e Itália. Na primeira concluiu os estudos na escola da diocese de Reims, onde também se ordenou e posteriormente lecionou teologia. Como aluno teve inclusive um futuro Papa.

Mas também conhecia a fama de santidade do Bispo de Grenoble, por isto foi que decidiu procura-lo. Assim, no lugar indicado por ele, Bruno liderou a construção da primeira casa de oração, com pequenas celas ao redor. Nascia a Ordem dos monges Cartuxos, cujas regras foram aprovadas em 1176, mas ele já havia morrido. Alí, ele e seus discípulos se obrigaram ao silêncio permanente e absoluto. Oravam, trabalhavam, repousavam e comiam, mas no mais absoluto e total silêncio.

Em 1090 o Sumo Pontífice era seu ex-aluno, que tomando o nome de Papa Urbano II, chamou Bruno para ser seu conselheiro. Ele devendo obediência abandonou aquele lugar ermo que amava profundamente. Porém, não resistiu muito em Roma. Logo obteve aprovação do Papa para seu mosteiro de Grenoble e também a autorização para fundar outra casa da Ordem dos Cartuxos, na Calábria, num local ermo chamado bosque de La Torre, hoje chamado Serra de São Bruno, província de Vito Valentia.

Viveu assim recolhido até que adoeceu gravemente. Chamou então os irmãos e fez uma confissão pública da sua vida e reiterou a profissão da sua fé, entregando o espírito a Deus, em 06 de outubro de 1101. Gozando de fama de santidade, seu culto ganhou novo impulso em 1515. Na ocasião o seu corpo, enterrado no cemitério no convento de La Torre, foi exumado e, encontrado completamente intacto, tendo assim sua celebração confirmada. Em 1623, o Papa Gregório XV declarou Santo, Bruno.

Seguindo o carisma de seu fundador, a Ordem dos Cartuchos é uma das mais austeras da Igreja católica e seguiu assim ao logo dos tempos como ele mesmo previu: “nunca será reformada, porque nunca será deformada”. Entretanto, atualmente conta apenas com dezenove mosteiros espalhados pelo mundo todo

05/10 – São Benedito

sao-benedito4São Benedito

Hoje é um dia muito especial para o povo brasileiro. Comemora-se o dia de São Benedito, um dos santos mais queridos e cuja devoção é muito popular no Brasil. Cultuado inicialmente pelos escravos negros, por causa da cor de sua pele, e origem: era africano e negro; passou a ser amado por toda população como exemplo da humildade e da pobreza. Este fato também lhe valeu o apelido que tinha em vida, de: “o Mouro”. Este adjetivo italiano é usado para todas as pessoas de pele escura e não apenas para os procedentes do Oriente. Já entre nós ele é chamado de São Benedito, o Negro, ou apenas “o Santo Negro”.

Há tanta identificação com a cristandade brasileira que até sua comemoração tem uma data só nossa. Embora em todo o mundo sua festa seja celebrada em 04 de abril, data de sua morte, no Brasil ela é celebrada desde 1983, em 05 de outubro, por uma especial deferência canônica concedida à CNBB. Benedito Manasseri nasceu em 1526, na pequena aldeia de São Fratelo, em Messina, na ilha da Sicília, Itália. Era filho de africanos escravos vendidos na ilha. O seu pai Cristoforo herdou o nome do seu patrão, e tinha se casado com sua mãe, Diana Lancari. O casamento foi um sacramento cristão, pois eram católicos fervorosos. Considerados pela família à qual pertenciam, quando o primogênito Benedito nasceu, eles foram alforriados junto com a criança, que recebeu o sobrenome dos Manasseri, seus padrinhos de batismo.

Cresceu pastoreando rebanhos nas montanhas da ilha e, desde pequeno, demonstrava tanto apego a Deus e à religião que os amigos brincando profetizavam: “nosso santo mouro”. Aos vinte um anos de idade, ingressou entre os eremitas da Irmandade de São Francisco de Assis, fundada por Jerônimo Lanza sob a regra franciscana, em Palermo, capital da Sicília. E se tornou um religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade, pela obediência e pela alegria numa vida de extrema penitência.

Na irmandade exercia a função de simples cozinheiro, era apenas um irmão leigo e analfabeto, mas a sabedoria e o discernimento que demonstrava fizeram com que os superiores o nomeassem mestre de noviços e mais tarde ele foi eleito o superior daquele convento. Mas quando o fundador faleceu em 1562, o Papa Paulo IV extinguiu a irmandade ordenando que todos os integrantes se juntassem à verdadeira Ordem de São Francisco de Assis, pois não queria os eremitas pulverizados em irmandades sob o mesmo nome.

Todos obedeceram. Inclusive Benedito, que sem pestanejar, escolheu o convento de Santa Maria de Jesus, também em Palermo, onde viveu o restante de sua vida. Ali, exerceu igualmente as funções mais humildes como faxineiro e depois cozinheiro, ganhando fama de santidade pelos milagres que se sucediam por intercessão de suas orações.

Além disto, eram muitos, príncipes, nobres, sacerdotes, teólogos e leigos, enfim ricos e pobres, todos se dirigiam à ele em busca de conselhos e de orientação espiritual segura. Também foi eleito superior e quando seu período na direção da comunidade se concluiu, voltou a reassumir, com alegria, a sua simples função de cozinheiro. E foi na cozinha do convento, que ele morreu, no dia 04 de abril de 1589, como um simples frade franciscano, em total desapego às coisas terrenas e à sua própria pessoa, mas apenas um irmão leigo gozando de grande fama de santidade, a qual o envolve até os nossos dias.

Foi canonizado em 1807, pelo Papa Pio VII. Seu culto se espalhou pelos quatro cantos do planeta. Em 1652, já era o santo padroeiro de Palermo, mais tarde foi aclamado o santo padroeiro de toda a população afro-americana, mas especialmente pelos cozinheiros e profissionais da nutrição. E mais, na igreja do convento de Santa Maria de Jesus, na capital siciliana, se venera uma relíquia de valor incalculável: o corpo do “Santo Mouro”, profetizado na infância e ainda milagrosamente intacto. Mas, assim foi toda a vida terrena de Santo Benedito, repleta de virtudes e especiais dons celestiais providos do Espírito Santo.

04/10 – Santo Petrônio e São Francisco de Assis

santo-petronioSanto Petrônio

Petrônio era descendente da nobre e a influente família Petrônia, de cônsules romanos. O que lhe propiciou ocupar cargos importantes na política. Alguns historiadores afirmam que era cunhado do imperador Teodósio II, apelidado de o Moço.

Ao certo temos que foi ordenado sacerdote pelo Bispo de Milão, Santo Ambrósio, no ano 421. Até então levava uma vida fútil e mundana na Gália, atual França, quando teve uma profunda crise existencial e largou tudo para vestir o hábito. Inclusive, por isso, ele foi usado como exemplo, por Euquério, Bispo de Lião. Em carta a um cunhado, esse Bispo diz que ele deveria agir como Petrônio, que largou a corte para abraçar o serviço de Deus.

Mais tarde Petrônio foi nomeado o oitavo Bispo de Bolonha. Um dos melhores, porque marcou seu mandato nos dois planos, espiritual e material. Conduziu seu rebanho nos caminhos do cristianismo, mas também trabalhou muito na reconstrução da cidade, destruída por ordem do imperador Teodósio I, chamado o Grande. Uma antiga tradição local conta que Petrônio teria sido nomeado e consagrado pelo próprio Papa Celestino I, no ano 430. O pontífice tivera um sonho no qual São Pedro o auxiliou nessa escolha.

Contudo a nomeação foi perfeita, pois Petrônio enfrentou até invasões dos povos bárbaros durante a reconstrução. E não deixou o povo esmorecer, revigorando a fé e estimulando o trabalho duro. Depois de sua morte em 480, a população passou a venera-lo como padroeiro de Bolonha, guardando-o com carinho e respeito no coração.

Para conservar as suas relíquias, construíram uma das mais grandiosas basílicas do cristianismo, bem no centro da cidade. Iniciada em 1390, a construção demorou muitos anos para ser concluída, embora, de geração em geração, venha sendo embelezada por pintores e escultores de grande renome.

sao-francisco-de-assisSão Francisco de Assis

São Francisco de Assis, nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, no ano de 1182, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone, gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Sonhou com as glorias militares, procurando desta maneira alcançar o status que sua condição exigia, e aos vinte anos, alistou-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo, e em 1206 , aos 24 anos de idade para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa.

Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres e num dia enquanto meditava extasiado na igrejinha de São Damião, pareceu-lhe ter ouvido uma voz saída do crucifixo: Vá escorar a minha Igreja, que está desabando.” Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos, cuja ordem foi aprovada pelo Papa Inocêncio III. Santa Clara, sua dileta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Em 1221, sob a inspiração de seu estilo de vida nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados. Neste capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, freqüentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de Paz e Bem. Em 1220, voltou a Assis após ter-se aventurado a viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egito, redigindo a segunda Regra, aprovada pelo Papa Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de setembro de 1224. O Pobrezinho de Assis como era chamado, foi uma criatura de Paz e Bem, terno e amoroso. Amava os animais, as plantas e toda a natureza. Peta, cantava o Sol e a Lua e as Estrelas. É o autor do Cântico do Irmão Sol.

São Francisco de Assis morreu com apenas 44 anos de idade, no dia 03 de Outubro de 1226, no chão nu da Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, proximidades de Assis, o autêntico arauto da perfeição Evangélica.

São Francisco de Assis é um dos santos mais amados pelo mundo inteiro, foi canonizado dois anos após a morte. Em 1939, o Papa Pio XII tributou um ulterior reconhecimento oficial ao “Mais italiano dos santos e mais santo dos italianos”, proclamando-o padroeiro principal da Itália.

03/10 – Columba José Marmion e Santo Dionísio Aeropagita

columba-jose-marmionColumba José Marmion

José Aloísio Marmion nasceu na cidade de Dublin, na Irlanda, no dia 1º de abril de 1858. Seu pai, William, era irlandês e sua mãe, Ermínia, era francesa. O casal muito piedoso teve a graça de ver as três filhas se consagrarem a Deus, na Congregação das Irmãs da Misericórdia. Mais tarde, também o filho José, que ingressou no seminário diocesano da sua cidade natal, aos dezesseis anos de idade. Ele terminou os estudos de teologia no Colégio de Propaganda Fide, em Roma, onde foi ordenado sacerdote em 1881.

No inicio, seu sonho era ser monge missionário na Austrália, mas foi cativado pela atmosfera litúrgica da nova Abadia de Maredsous, fundada na Bélgica em 1872, a qual visitara pouco antes de regressar à Irlanda. Imediatamente, pediu ao seu bispo para ingressar nesse mosteiro, mas foi-lhe dito que esperasse mais algum tempo.

No seu ministério sacerdotal, de 1881 a 1886, conservou o zelo pastoral de missionário desempenhando várias funções: vigário em Dundrun, professor no Seminário Maior de Clonliffe, capelão de um convento de monjas redentoristas e de um cárcere feminino.

Só então obteve permissão para realizar o seu grande desejo de tornar-se monge beneditino. Ingressou na Abadia de Maredsous, na diocese de Namur, Bélgica, e, tomando o nome Columba, iniciou o seu noviciado. Foi um período difícil entre monges mais jovens, pois teve de mudar de costumes, cultura e língua; entretanto esforçou-se na formação da disciplina monástica e assim pôde emitir os votos solenes em 1891.

A partir desse momento, viveu intensamente o espírito monástico beneditino. A sua influência espiritual atingiu sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, os quais orientava para uma vivência fervorosa cristã através dos seus livros, traduzidos em mais de quinze idiomas: “Cristo, vida da alma”, “Cristo nos seus mistérios” e “Cristo, ideal do monge”, dos retiros e da sua direção espiritual.

Foi ele que, em 1914, quando rebentou a Primeira Guerra Mundial, levou alguns dos seus monges mais novos para a Irlanda. Mas dois anos depois, ele, sozinho, voltou para a Bélgica. Ali, quando a guerra terminou, constatou que o clima político do país não permitia uma ligação permanente com a Congregação alemã. Foi então que recebeu o pedido para começar a constituir uma nova, e somente belga. Assim, em 1920, fundou a “Congregação belga da Anunciação”.

Columba Marmion exerceu cargos importantes, como diretor espiritual, professor e prior da Abadia de Mont-César, em Louvain, e terceiro abade de Maredsous. Ele faleceu em 30 de janeiro de 1923, vítima de uma epidemia de gripe. Na ocasião, a fama de sua santidade e mestre de vida espiritual se fazia presente em todo o mundo católico.

O papa João Paulo II declarou bem-aventurado Columba Marmion no Ano Santo do Jubileu de 2000. Sua festa litúrgica foi incluída no calendário para ser celebrada no dia 3 de outubro.

santo-dionisio-aeropagitaSanto Dionísio Aeropagita

Os cristãos sempre sofreram intensas perseguições, chacinas e saques durante o transcorrer dos séculos, principalmente no início da formação da Igreja. Tanto, que muitos dos escritos foram queimados ou destruídos de outra forma. Por isso, a memória da Igreja, às vezes, tem dados insuficientes sobre a vida e a obra de santos, e mártires do seu passado mais remoto. Para que essas poucas evidências não se perdessem, ela se valeu das fontes mais fiéis da literatura da mundial, que nada mais são que as próprias narrações das antigas tradições orais cristãs preservadas pela humanidade.

Interessante é o caso dos dois Santos com o nome de Dionísio, venerados pelo cristianismo. A data de hoje é consagrada ao Aeropagita, sendo o outro Santo, festejado no dia 09 deste mês, o primeiro Bispo de Paris. O Dionísio homenageado foi convertido pelo apóstolo Paulo (At. 17:34) durante a sua pregação aos gregos no Aerópago, daí ter sido agregado ao seu nome o apelido de Aeropagita.

O Areópago era o tribunal supremo de Atenas, na Grécia, onde eram decididas as leis e regras gerais de conduta do povo. Só pertenciam a ele cidadãos nascidos na cidade, com posses, cultura e prestígio na comunidade. Dionísio era um destes areopagitas. Era nascido na Grécia, no seio de uma nobre família pagã. Estudou filosofia e astronomia em Atenas. Em seguida foi para o Egito finalizar os estudos da matemática. Ao regressar à Atenas, foi nomeado juiz. Até ele chegou o apóstolo São Paulo, quando foi acusado ante ao tribunal em que ele se encontrava Dionísio.

Dionísio ao assistir à eloqüente pregação de Paulo, foi o primeiro a se converter. Por isto, conseguiu para si inimigos poderosos entre a elite pagã que comandava a cidade. Foi então que São Paulo acolheu o Aeropagita entre seus primeiros discípulos. Logo em seguida, Dionísio foi consagrado pelo próprio apostolo como Bispo de Atenas. Nesta condição, ele fez muitas viagens a terras estrangeiras, para pregar e aprender a cultura dos outros povos. Segundo se narra, nessas jornadas teria conhecido pessoalmente São Pedro, São Tiago, São Lucas e outros apóstolos. Além dos registros antigos fazerem referência sobre ele na dormição e Assunção da Virgem Maria, a mãe do Filho de Deus.

Em Atenas, seus opositores na política conseguiram sua condenação à morte pelo fogo, mas ele se salvou, viajando para se encontrar com o Papa em Roma. Depois só temos a informação do Martirológio Romano, na qual consta que São Dionísio Aeropagita morreu sob a perseguição contra os cristãos no ano 95.

02/10 – Santos Anjos da Guarda

santos-anjos-da-guardaSantos Anjos da Guarda

Os Anjos são antes de tudo os mediadores das mensagens da verdade Divina, iluminam o espírito com a luz interior da palavra. São também guardiões das almas dos homens, sugerindo-lhes as diretivas Divinas; invisíveis testemunhas dos seus pensamentos mais escondidos e das suas ações boas ou más, claras ou ocultas, assistem os homens para o bem e para a salvação. São Grégorio Magno diz, que quase cada página da Revelação escrita, atesta a existência dos Anjos. No Novo Testamento aparecem no Evangelho da infância, na narração das tentações do deserto e da consolação de Cristo no Getsêmani. São testemunhas da Ressurreição, assistem a Igreja que nasce, ajudam os Apóstolos e transmitem a vontade Divina. Os Anjos preparam o juízo final e executarão a sentença, separando os bons dos maus e formarão uma coroa ao Cristo triunfante. Eles os Anjos,são mencionados mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. Além de todas essas referências bíblicas, que po si só justificam o culto especial que os cristãos reservam aos anjos desde os primeiros tempos, é a natureza destes “espíritos puros” que estimula nossa admiração e nossa devoção.

Dizia Bozzuet : “Os Anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer diante de Deus os nossos pensamentos… Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos.” Fundamentando a verdade de fé, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do batismo, é confiado ao seu próprio Anjo, que tem a incumbência de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirando bons sentimentos, proporcionando a livre escolha que tem como meta Deus, Supremo Bem. A liturgia do dia 29 de setembro, que celebramos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, lembra ao mesmo tempo todos os coros angélicos: os Anjos, os arcanjos, os Tronos, as Dominações que adoram, as Potestades que tremem de respeito diante da Majestade Divina, os céus, as virtudes, os bem-aventurados serafins e os querubins.

O Inicio da celebração da festa distinta para os Santos Anjos da Guarda, começou desde o século XVI, universalizada pelo Papa Paulo V, depois que em 1508 Leão X aprovou o novo Ofício composto pelo franciscano João Colombi.

Oremos:Santo Anjo do Senhor, Meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumina. Amém.

01/10 – Santa Teresa do Menino Jesus ( de Lisieux ) e Santo Remígio ou Rèmy

santa-teresa-do-menino-jesus-de-lisieuxSanta Teresa do Menino Jesus ( de Lisieux )

A vida da Santa Teresa de Lisieux, ou Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, seu nome de religiosa e como o povo carinhosamente a prefere chamar, marca na História da Igreja uma nova forma de entregar-se à religiosidade. No lugar do medo do “Deus duro e vingador”, ela coloca o amor puro e total a Jesus, como um fim em si mesmo para toda a existência eterna. Um amor puro, infantil e total, como deixaria registrado nos livros “Infância Espiritual” e “História de uma alma”, editados a partir de seus escritos. Sua vida foi breve, mas plena de dedicação e entrega. Morreu virgem como Maria, a Mãe que venerava, e jovem como o amor que vivenciava à Jesus, pela pura ação do Espírito Santo.

Teresinha nasceu em Alençon, na França, em 02 de janeiro de 1873. Foi batizada com o nome de Maria Francisca Martin e desde então destinada ao serviço religioso, assim como suas quatro irmãs. Os pais, quando jovens, sonhavam em servir a Deus. Mas, circunstâncias especiais os impediram e a mãe prometeu ao Senhor que cumpriria seu papel de genitora terrena, mas que suas filhas trilhariam o caminho da fé. E assim foi, com entusiasmada aceitação por parte de Teresinha desde a mais tenra idade.

Caçula, viu as irmãs mais velhas, uma a uma, consagrando-se a Deus até chegar sua vez. Mas, a vontade de segui-las era tanta que não quis nem esperar a idade correta. Aos quinze anos conseguiu permissão para entrar no o Carmelo, em Lisieux, permissão essa concedida especial e pessoalmente pelo Papa Leão XIII.

Ela própria escreveu que, para servir a Jesus, desejava ser cavaleiro das cruzadas, padre, apóstolo, evangelista, mártir… Mas ao perceber que o amor supremo era a fonte de todas estas missões, depositou nele sua vida. Sua obra não frutificou pela ação evangelizadora ou atividade caritativa, mas sim em oração, sacrifícios, provações, penitências e imolações, santificando o seu cotidiano enquanto carmelita. Essa vivência foi registrada dia a dia, sendo depois editada, perpetuando-se como livro de cabeceira de religiosos, leigos e da elite dos teólogos, filósofos e pensadores do século XX.

Teresinha teve seus últimos anos consumidos pela terrível tuberculose que, no entanto, não venceu sua paciência com os desígnios do Supremo. Morreu em 1o. de outubro de 1897 com vinte e quatro anos, depois de prometer uma chuva de rosas sobre a Terra quando expirasse. Essa chuva ainda cai sobre nós, em forma de uma quantidade incalculável de graças e milagres alcançados através de sua intervenção em favor de seus devotos.

Teresa de Lisieux foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925, pelo Papa Pio XI. Ela que durante toda a sua vida teve um grande desejo de evangelizar e ofereceu sua vida à causa missionária, foi aclamada, dois anos depois, pelo mesmo pontífice como “Padroeira especial de todos os missionários, homens e mulheres, e das missões existentes em todo o universo, tendo o mesmo título de São Francisco Xavier”. Esta “grande santa dos tempos modernos” foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, em 1997.

santo-remigio-ou-remySanto Remígio ou Rèmy

Rèmy ou Remígio como dizemos em português, era um cidadão romano, nascido no ano 440, em Lion, França. Pertencia à uma tradicional família da nobreza romana, que teve a oportunidade de participar da expansão do Império Romano do Ocidente pela Gália, como era chamado o território francês. Naquela época, a região que era toda pagã e constantemente assolada por sucessivas invasões dos bárbaros, vinha sendo governada pelo povo franco, mais tarde conhecido como francês. Embora menos evoluídos que os outros povos, eram conhecidos por serem grandes combatentes. Além disso, já haviam prestado serviços militares a Roma no passado.

Ao morrer o seu líder, rei Childerico, em 482, assumiu o trono seu filho Clóvis, com quinze anos de idade. Remígio, como Bispo católico que era da diocese de Reims, lhe escreveu muitas cartas respeitosas e, ao mesmo tempo, dotadas de autoridade: “Vigiai, pois os poderosos não tiram os olhos de ti. Aconselha-te com seus Bispos. Divirta-se com os jovens, mas só com os velhos delibere”. Apesar de adverti-lo, também demonstrava o reconhecimento de sua soberania e, assim, ganhou a confiança do jovem rei. Tornou-se seu precioso ajudante e conselheiro. Além disso, Remígio também era importante politicamente ao reinado de Clóvis, pois trazia consigo o apoio de todos os demais Bispos e dos outros grupos de camponeses galos-romanos já convertidos.

Munido desse apoio, Clóvis venceu a batalha contra os bárbaros visigodos pelo controle de toda a região, dando início à dinastia dos merovíngios. O rei Clóvis, apoiado pela sua mulher Clotilde que já era uma fervorosa católica, depois canonizada pela Igreja, se converteu à fé cristã, por orientação espiritual de Remígio, sendo por este batizado. Nesta oportunidade toda a corte se converteu e recebeu o mesmo sacramento ao lado do seu soberano, que instruído na doutrina cristã pelo Bispo Remígio, instituindo-a de vez, nos seus domínios.

Foram muitos os atos deste rei convertido que revelaram sua religiosidade autêntica, dotada da caridade cristã. Porém, o mérito deve ser dado ao Bispo Remígio, pois, foi o resultado do seu árduo e ininterrupto trabalho de evangelização que fortaleceu os alicerces do catolicismo no território francês. O Bispo Remígio de Reims ensinou não apenas os reis e príncipes, mas também os camponeses e todo os súditos deste novo reinado.

Depois de sua morte, em13 de janeiro de 533, na sua sede episcopal de Reims, Remígio foi aclamado pela população como santo. Venerado ao longo dos séculos, o seu vigoroso culto foi autorizado pela Igreja que manteve o dia 01 de outubro como a data oficial para a sua festa litúrgica.

30/09 – Santo Gregório – o iluminador e São Jerônimo

santo-gregorio-o-iluminadorSanto Gregório – o iluminador

Gregório, nasceu na cidade de Valarxabad, por volta do ano 257, na Armênia. Seu pai matou o rei da Armênia, seu parente, numa conspiração com o reino da Pérsia, que assumiu o poder. Os soldados armênios encontraram o assassino do monarca e o executaram com toda a família, exceto o filho de um ano de idade, Gregório. O rei persa assumiu o trono a Armênia, não sem antes matar toda a família real. Entretanto, o príncipe sucessor Tiridates e sua irmã, ainda crianças, conseguiram ser poupados, sendo enviados para Roma. Alí receberam uma educação pagã digna da nobreza da época. O pequeno monarca recebeu também esmerada formação militar, destacando-se pela valentia.

Ao mesmo tempo, Gregório foi enviado para a Cesarea da Capadócia, onde recebeu educação e formação cristã. Aos vinte e dois anos de idade se casou com uma jovem também cristã e teve dois filhos: Vertanes e Aristakes. Depois de sete anos, o casal de comum acôrdo interrompeu a vida matrimonial. Ela foi viver retirada num convento, mas sem vestir o hábito. Ele se ordenou sacerdote e partiu da Cesarea. Em 287, por interesse do Império Romano, que desejava tirar a Armênia do poder dos persas, Tiridates foi enviado com soldados romanos para retomar o trono que era seu por direito. Curiosamente, nesse exército estava também Gregório, que era seu colaborador e conselheiro particular.

Vitorioso, ele se tornou Tiridates III, rei da Armênia. Para agradecer a reconquista mandou que Gregório fosse pessoalmente oferecer flores e incenso aos deuses, no templo pagão. Como negou obedecer a ordem por ser cristão, o rei mandou tortura-lo. Mas a situação de Gregório ficou muito pior ao ser denunciado como o filho do assassino do pai do rei. Revoltado o monarca mandou intensificar as torturas e depois joga-lo no fundo da masmorra mais profunda da Armênia, onde ficou no esquecimento.

Quinze anos mais tarde, Tiridates III contraiu uma doença contagiosa incurável e sofria muitas dores. Nessa ocasião, a princesa sua irmã teve dois sonhos reveladores, neles uma voz lhe dizia que a única pessoa capaz de curar o rei, era Gregório. Assustada, mesmo acreditando que ele já havia morrido, enviou um mensageiro à masmorra, que o descobriu ainda vivo.

Gregório foi libertado e curou milagrosamente o rei da doença contagiosa, através das orações cristãs. Tocado pela fé, Tiridates III se fez batizar, juntamente com toda sua família, sua corte e seu povo. Assim, a Armênia que fora evangelizada, segundo a tradição, pelos apóstolos Bartolomeu e Tadeu, se tornou a primeira nação oficialmente cristã em 301, por obra de Gregório o iluminador, como passou a ser chamado.

Ele se tornou o bispo da Capadócia e um dos maiores líderes da Igreja Armênia, cuja sede apostólica, a catedral de Etchmiadzin, construiu em 303. Mandou chamar seus dois filhos para auxilia-lo. Depois, já cansado e com a sensação do dever cumprido, ele foi sucedido pelo seu filho Aristakes como chefe supremo dos cristãos, mas ele morreu antes do pai. Então quem assumiu o comando da sede episcopal foi o outro filho, Vertanes. Dessa maneira Gregório pôde, enfim, realizar seu grande sonho que era o de se retirar para um lugar solitário e viver apenas de oração e penitência, até a morte em 332.

São Gregório o iluminador é venerado não somente como o apóstolo e padroeiro da Armênia, mas também como evangelizador das Igrejas síria e greco-ortodoxa. Na masmorra onde ele ficou preso e esquecido, foi construído o mosteiro de Khor Virap, que significa “poço profundo”, para preservar o local original a quarenta metros de profundidade.

sao-jeronimoSão Jerônimo

Comemoramos no dia 30, São Jerônimo, que nasceu na cidade de Estrido, Dalmácia por volta do ano 340. Em Roma estudou gramática, retórica e filosofia dentre muitos outros cursos. Foi um dos grandes escritores de seu tempo. Capaz de pensar em latim, grego e hebraico, escritor de estilo rico, puro e robusto ao mesmo tempo.

Romano de formação converteu-se ao cristianismo e decidiu tornar-se monge. Partiu para a Síria e entregou-se a uma vida de penitência e oração. Convenceu-se, no entanto de que sua verdadeira vocação era servir a Igreja como escritor. Procurou então conciliar a vida monástica com o ofício de escrever.

Sua dedicação total aos estudos, reflexão e autodisciplina deram um grande fruto para a Igreja, propiciaram a tradução dos textos originais da Sagrada Escritura para o latim do Antigo e do Novo Testamento, que se tornou, com o título de Vulgata, a Bíblia oficial do Cristianismo. São Jerônimo recebe o título de Doutor da Igreja e de “Doutor Máximo das escrituras”.

Infelizmente, aqui no Brasil, algumas seitas usam indevidamente sob um “sincretismo” a imagem de São Jerônimo, enganando e fazendo o povo acreditar que um de seus falsos deuses/espíritos se apresentam na forma de São Jerônimo.

29/09 – Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael

arcanjos-sao-miguel-sao-gabriel-e-sao-rafaelArcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael

Hoje celebramos a festa dos três Arcanjos São Miguel, São Gabriel, São Rafael. Da existência destes anjos fala explicitamente a Sagrada Escritura, que lhes dá nome e lhes determina a função. “Miguel” que significa: “Quem como Deus” é o defensor do Povo de Deus no tempo da angústia. São Miguel, o antigo padroeiro da Sinagoga, é agora o padroeiro da Igreja universal; “Gabriel ” – que significa “Deus é forte” ou “aquele que está na presença de Deus”, São Gabriel é o anjo da encarnação e talvez o da agonia do jardim das oliveiras. É ele que anuncia o nascimento de João Batista e de Jesus. ” Rafael ” – que quer dizer ” medicina de Deus ” ou “Deus cura” – São Rafael é o guia dos viajantes. Foi companheiro de viagem de Tobias. É aquele que cura, que expulsa os demônios. São Rafael é o companheiro de viagem do homem, seu guia e seu protetor nas adversidades.

São Miguel em particular, foi cultuado desde os primeiros séculos de história do cristianismo. O imperador Constantino erigiu-lhe um santuário nas margens do Bósforo, em terra européia, enquanto Justiniano construiu-lhe um no lado oposto. A data de 29 de setembro corresponde à da consagração da Igreja dedicada no século V a São Miguel, a seis milhas da via Salária. A festividade é muito difundida no Ocidente e no Oriente. Em Roma foi-lhe dedicado o célebre mausoléu de Adriano, agora conhecido com o nome de Castelo de Santo Ângelo. A São Miguel é dedicado o antigo santuário, surgido no século VI, que do monte Galgano, na Púglia, domina o mar Adriático. Nas proximidades desta Igreja, a 8 de maio de 663, os longobardos obtiveram vitória, atribuída a uma aparição do anjo. deu origem a segunda festa, transferida depois para 29 de setembro.

São Gabriel, “aquele que esta diante de Deus” (é seu “cartão de visita”, quando vai anunciar a Maria a sua escolha para Mãe do Redentor), é o anunciador por excelência das revelações divinas. É ele que explica ao profeta Daniel como se dará a plena restauração, da volta do exílio ao advento do Messias. A ele é confiado o encargo de anunciar o nascimento do Precursor; João, filho de Zacarias e de Isabel. A missão mais alta que nunca foi confiada à criatura alguma é ainda sua: anunciar a Encarnação do Filho de Deus. Ele tem prestígio muito especial até mesmo entre os maometanos.

São Rafael, falado em um só livro da Sagrada Escritura, é o companheiro do jovem Tobias, e por isso sua função é tida como guia de todos os que viajam. Foi ele que sugeriu ao seu jovem protegido o remédio para a cura da cegueira do pai, por isso é invocado também como curador.

Oremos: São Gabriel com Maria, São Rafael com Tobias, São Miguel com todas as hierarquias, abri para nós esta via. São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós. (Reze esta oração sempre que precisar de ajuda).

28/09 – São Wenceslau

sao-wenceslauSão Wenceslau

O bondoso monarca da Boêmia, Wratislau, antes de morrer, deixou, como herdeiro do trono, seu filho Wenceslau, nascido no ano 907, na atual República Checa. Com isso, despertou em sua mulher, Draomira, a ira e a vingança, pois era ela própria que desejava assumir o governo do país. Se não fosse possível, pretendia entregá-lo a seu outro filho, Boleslau, que tinha herdado o caráter e a falta de escrúpulos da mãe, enquanto Wenceslau fora criado pela avó, Ludmila, que lhe ensinou os princípios de bondade cristã. Por isso, não passava por sua cabeça uma oposição fatal dentro do próprio lar. Assim, acabou assassinado pelo irmão, de acordo com um plano diabólico da malvada rainha.

Mas antes que isso acontecesse, a mãe tomou à força o poder e começou uma grande e desumana perseguição aos cristãos. Assim, por sua maldade e impopularidade junto ao povo, foi deposta pelos representantes das províncias, que fizeram prevalecer a vontade do rei Wratislau, elevando ao trono seu filho Wenceslau. Imediatamente, seguindo o conselho da avó, Wenceslau levou de volta ao reino o cristianismo. Quando soube disso, Draomira ficou tão transtornada que contratou alguns assassinos para dar fim à vida da velha e bondosa senhora, que morreu enquanto rezava, estrangulada com o próprio véu.

Draomira sabia que ainda havia mais uma pedra em seu caminho impedindo seus planos maldosos e sua perseguição ao povo cristão. Wenceslau era um obstáculo difícil, pois, em muito pouco tempo, já tinha conquistado a confiança, a graça e a simpatia do povo, que via nele um verdadeiro líder, um exemplo a ser seguido. Dedicava-se aos mais pobres, encarcerados, doentes, viúvas e órfãos, aos quais fazia questão de ajudar e levar palavras de fé, carinho e consolo.

A popularidade de Wenceslau cresceu ainda mais quando, para evitar uma batalha com o duque Radislau, que se opunha ao seu governo cristão, propôs que, em vez de entrarem em guerra, duelassem entre si, evitando, assim, a morte da população inocente. Quem vencesse ficaria com o poder. No dia e na hora marcada, os adversários encontraram-se no campo de batalha. Radislau, imediatamente, atacou, de lança em punho. Contam os registros que, no momento em que feriria Wenceslau mortalmente, apareceram dois anjos que o mandaram parar. Radislau caiu do cavalo e, quando se levantou, já era um homem modificado. Naquele momento, pediu perdão e jurou fidelidade ao seu senhor.

Draomira e Boleslau, inconformados com a popularidade de Wenceslau, arquitetaram um plano diabólico para acabarem com sua vida. No dia 28 de setembro de 929, durante a festa de batismo de seu sobrinho, enquanto todos festejavam, Wenceslau retirou-se para a capela para rezar. Draomira sugeriu ao filho Boleslau que aquele seria o melhor momento para matar o próprio irmão. Boleslau invadiu a capela e apunhalou o irmão no altar da igreja.
Mãe e filho, porém, não tiveram tempo de saborear o poder e o trono roubado de Wenceslau, pois em poucos dias Draomira teve uma morte trágica e Boleslau foi condenado pelo imperador Oton I.

O seu corpo foi sepultado na igreja de São Vito, em Praga. Desde então, passou a ser cultuado como santo. A Hungria, a Polônia e a Boêmia têm em são Wenceslau seu protetor e padroeiro. Mais tarde, no século XVIII, a Igreja inscreveu são Wenceslau no calendário litúrgico, marcando o dia 28 de setembro para a sua festa.

27/09 – S. Vicente de Paulo

s-vicente-de-pauloS. Vicente de Paulo

São Vicente de Paulo, nasceu no dia 24 de Abril do ano 1581, em Pouy, Gascony, França. Quando menino, sua obrigação era cuidar do rebanho do sitio de seus pais. Foi estudar teologia em 1596, em Toulouse e ordenado padre aos 19 anos de idade, antes de se estabelecer em Paris, como capelão da rainha Margarida de Calois, por dois anos foi prisioneiro dos maometanos. Foi libertado pelo seu próprio dono, que ele converteu. Dedicou-se muito ao alívio material e espiritual dos “remadores”, isto é, dos homens tirados das prisões e condenados a remar nas galés. É extraordinária a ascensão que teve sobre a alta sociedade do seu tempo, do cardeal Richeliei à regente Ana da Áustralia, ao próprio rei Luís XIII que no leito de morte o quis a seu lado. Ao temido Richelieu, o Senhor Vicente ousava gritar diante da miséria do povo: “Senhor, tende piedade de nós, dai-nos a paz”.

Vicente obteve do regente o encargo de Ministro da Caridade, e organizou os auxílios aos pobres em escala nacional. Diziam que nas suas mãos passava mais dinheiro que nas do ministro das Finanças. Mas no seu banco da CARIDADE, os capitais não paravam. Quatro são as instituições que fundou: A confraria das Damas de Caridade, os Servos dos Pobres, a Congregação dos Padres da Missão (lazaristas, aos quais confiou a dupla incumbência de contribuir para a formação dos futuros sacerdotes e de organizar pregações adequadas – as missões – especialmente para o povo da lavoura ) e sobretudo junto com Santa Luísa de Marilac fundou a congregação das Irmãs da Caridade ou Irmãs Vicentinas, tão conhecidas pelo apostolado que exercem em hospitais, asilos, orfanatos, manicômios etc.

São Vicente de Paulo morreu em Paris a 27 de Setembro de 1660 e foi canonizado no ano de 1737. Senhor nós te pedimos, humildemente, sejamos mensageiros da Boa Nova para os pobres seguindo os passos de Jesus que passou fazendo o bem a todos. Amém.