14/11 – São José Pignatelli e São Serapião de Alexandria

sao-jose-pignatelliSão José Pignatelli

Nascimento No ano 1737

Local nascimento Saragoça – Itália

Ordem Jesuíta – Confessor

Local vida Nápoles

Espiritualidade De família napolitana, pertencia a nobreza mais antiga. Quando estava com 4 anos de idade sua mãe faleceu e ele passou a morar com sua irmã, a condessa de Acerra. Com 16 anos de idade decidiu entrar na Companhia de Jesus. Seu caráter, santidade, elegância e distinção, mesmo na humildade e na caridade e confiança plena em Deus, fez dele um dos santos mais representativos do século XVIII. São José Pignatalli foi um dos que mais contribuiu para a restauração da Companhia de Jesus Preso e expulso da Espanha juntamente com outros jesuítas em 1767, refugiou-se em Ferrara nos Estados Pontifícios, até que, em 1773, Clemente XIV extinguia a ordem. Anos difíceis, cheio de temores e perseguições. Porém a ordem dos Jesuítas fora preservada na Rússia e Pignatelli esperou pacientemente pelo retorno da ordem dos jesuítas em Nápoles assim como em todo o Ocidente: em Nápoles viu esse ideal acontecer em 1808, mas morreu antes da restauração definitiva no mundo, realizada pelo Papa Pio VII em 1814.

Local morte Nápoles

Morte 14 de Novembro de 1811, com 74 anos

Oração São José Pignatelli que ficastes órfão ainda criança, passastes por provações tão dolorosas, momentos indefinidos e inseguros, vendo-vos perseguido por desejardes servir a Deus sobre todas as coisas, velai por vossos irmãos jesuítas, tornando-os cada vez mais unidos dentro do verdadeiro amor fraterno. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Devoção A luta pela Verdade

Padroeiro Dos órfãos

sao-serapiao-de-alexandriaSão Serapião de Alexandria

Procedente de família cristã da nobreza inglesa, Serapião, nasceu em Londres no ano 1179 no século XII. Seu pai era Rotlando Scoth capitão da esquadra do rei Henrique III. Muito jovem já estava atuando ao lado do pai na Cruzada comandada pelo lendário Ricardo Coração de Leão. Porém, no retorno, o navio naufragou próximo de Veneza e a viagem continuou por terra. Nesse percurso, acabaram prisioneiros do duque da Áustria, Leopoldo, o Glorioso, que libertou o rei e seu pai. Mas, Serapião e os demais tiveram de ficar.

Logo, o duque percebeu que o jovem militar além de bom militar era bom cristão, muito bondoso e caridoso. Por isso, o manteve consigo na corte. Mais tarde quando recebeu a notícia da morte dos pais, Serapião decidiu ficar na Áustria. Com os soldados do duque seguiu para a Espanha, para auxiliar o exército cristão do rei Afonso III, que lutava contra os invasores muçulmanos. Quando chegaram, eles já tinham sido expulsos.

Serapião decidiu ficar e servir ao exército do rei Afonso III, para continuar defendendo os cristãos. Participou de algumas cruzadas bem sucedidas, até que em 1214 o rei Afonso III morreu em combate. Ele então, voltou para a Áustria aliou-se à quinta cruzada do duque Leopoldo, que partiu em 1217 com destino à Jerusalém e depois o Egito.

O vai e vem da vida militar em defesa dos cristãos, levou novamente Serapião para a corte espanhola, em 1220. Desta feita acompanhando Beatriz da Suécia, que ia se casar com Fernando, rei de Castilha. Foi quando conheceu o sacerdote Pedro Nolasco, santo fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, os chamados frades mercedários. Estes se dedicavam em defesa da mesma fé, mas não guerreando contra os muçulmanos, e sim buscando libertar do seu poder os cristãos cativos, mesmo que para isso tivessem que empenhar suas próprias vidas.

Serapião ingressou na Ordem e recebeu o hábito mercedário em 1222. Junto com Pedro Nolasco e Raimundo Nonato, santo co-fundador, realizou várias redenções. Na última, que ocorreu em Argel, na África, teve de ficar refém para libertar os cristãos que estavam quase renegando a fé, enquanto o outro padre mercedário viajou rapidamente para Barcelona para buscar o dinheiro. Mas o superior, Pedro Nolasco, estava na França, quando foi informado, escreveu uma carta ao seu substituto na direção para arrecadar esmolas em todos os conventos da Ordem e enviar o dinheiro para libertar Serapião, o mais rápido possível.

Como o regate não chegou na data marcada, os muçulmanos, disseram a Serapião que poderia ser libertado se renegasse a fé cristã. Ele recusou. Enlouquecidos, lhe deram uma morte terrível. Colocado numa cruz em forma de X, como o apóstolo André, teve todas as juntas dos seus ossos quebradas, e assim foi deixado até morre. Tudo aconteceu no dia 14 de novembro de 1240, em Argel, atual capital da Argélia.

O culto que sempre foi atribuído à Santo Serapião, protetor contra as dores de artrose, foi confirmado em1625, pelo Papa Urbano VIII. A festa religiosa ao santo mártir mercedário ocorre no dia de sua morte.

13/11 – Santo Estanislau Kostka e São Diogo

santo-estanislau-kostkaSanto Estanislau Kostka

Apelidado de “anjo” na infância, Estanislau Kostka atingiu a juventude guardando todas as virtudes, como um anjo realmente. Mas, não faltaram oportunidades para se entregar aos prazeres mundanos, pois pertencia a uma família polonesa nobre e poderosa.

Nascido em 28 de outubro 1550, até a idade de treze anos Estanislau viveu na casa dos pais. Aos quatorze eles o enviaram para estudar no seminário dos padres jesuítas em Viena, junto com o irmão mais velho e o tutor. Mas o seminário logo foi fechado pelo imperador Maximiliano e toda a comunidade estudantil acabou abrigada no castelo de um príncipe protestante. Aquele ambiente cheio de festas e jogos de prazeres, em nada combinava com Estanislau, que buscava uma vida de virtudes e oração, dentro da doutrina cristã.

A situação para ele era das mais inadequadas, entretanto agradou o irmão e o tutor, que passaram a requisitar sua participação nesses jogos. Não bastasse isso, o tal príncipe protestante queria impedir os católicos de irem à missa receber a comunhão. Depois também era atormentado pelos colegas, que zombavam muito de sua preferência pela vida religiosa.

Mas a luta contra o ambiente hostil e a vida de privações a que se obrigava acabaram por minar a saúde do rapaz. Frágil, ficou doente a ponto de quase perder a vida, mas o salvaram a fé profunda e a confiança em Maria Santíssima, de quem era devoto. Durante um sonho, um anjo apareceu para lhe dar a Eucaristia, e a Virgem Mãe também, curando-o ao colocar-lhe o Menino Jesus nos braços. Maria, em sua aparição, também o convidou a ingressar na Companhia de Jesus.

Estanislau, que já pensava em ser um padre jesuíta, contou tudo à família que fora à Viena verificar como os filhos estavam vivendo e estudando. Aproveitou para dizer que queria mesmo ser um sacerdote. A oposição dos seus pais foi total. Tentou insistir mais foi inútil. Então, fugiu sozinho, a pé e vestido de mendigo para despistar se o perseguissem.

De Viena, na Áustria foi para Treves, na Alemanha, percorrendo setecentos quilômetros até chegar a uma casa provincial dos jesuítas. O provincial na época era Pedro Canísio que o recebeu com amabilidade, mas teve de enfrentar a reação do pai do jovem que ameaçou fazer expulsar todos os jesuítas da Polônia, caso o filho não voltasse ao convivo da família. Mas Estanislau se manteve irredutível.

Aos dezessete anos Estanislau foi enviado para Roma, com uma carta de recomendação ao superior geral da Ordem, São Francisco de Borja, que com carinho o encaminhou para complementar o noviciado e os estudos de teologia no Colégio Romano. Foram apenas nove meses entre os jesuítas, mas plenos de trabalho, estudo, dedicação e disciplina, exemplares. Até ser acometido por uma febre misteriosa e, no dia 15 de agosto de 1568, festa da Assunção de Nossa Senhora, ele partiu docemente ao encontro de Deus.

O seu túmulo se tornou local de muitas graças e rota de peregrinação. O Papa Bento XIII o canonizou em 13 de novembro de 1726, e designou essa data para celebrar a festa em memória de Santo Estanislau Kostka, padroeiro dos noviços.

sao-diogoSão Diogo

Frei Diogo de Alcalá nasceu de pais humildes por volta do ano 1400, em São Nicolau do Porto em Andaluzia, onde passou os anos juvenis em solidão e penitência. O jovem autodidata da ascese cristã levava vida eremítica às margens do povoado natal, dedicando-se à meditação e à oração. No ano de 1441 foi enviado como missionário às ilhas Canárias, onde dirigiu por quatro anos o convento franciscano de Forteventura, apesar de ser apenas irmão leigo. No ano seguinte peregrinou a Roma para assistir à canonização de São Bernardino de Sena. Hóspede do convento de Aracoeli, foi retido em Roma por grave epidemia, que o viu na vanguarda da obra assistência aos doentes, unindo ao exercício prático da caridade os dons carismáticos de que era dotado para a cura dos atingidos pela epidemia. Voltando a Espanha, continuou desenvolvendo os mesmos encargos de porteiro e cozinheiro em vários conventos, o último deles foi o de Alcalá de Henares, perto de Madri.

O humilde e obediente Frei Diogo, em se tratando de fazer o bem aos pobres, não hesitava em privar-se do próprio pão para levá-lo escondidamente a algum mendigo. E Deus mostrou que gostava desse gesto fazendo-o encontrar a cestinha de pães cheia de rosas. O prodígio foi recordado muitas vezes nas imagens populares ou nas Igrejas franciscanas da Espanha, ou ainda nos dois ciclos de pinturas dos célebres Murillo e Aníbal Caracci.

Frei Diogo de Alcalá morreu em 12 de novembro de 1463. Foi canonizado em 1588 por Sisto V. É um dos santos mais populares da Espanha e da América Latina. É representado no humilde hábito de irmão leigo franciscano, com batina de saco, cordão e chaves para indicar suas funções de porteiro e cozinheiro do convento.

12/11 – Santo Josafá Kuncewics

santo-josafa-kuncewicsSanto Josafá Kuncewics

Tudo na vida de João Kuncewics aconteceu cedo e rápido. Nascido de família cristã ortodoxa da Ucrânia, em 1580, estudou filosofia e teologia. Aos vinte anos se tornou monge na Ordem de São Basílio, recebendo o nome de Josafá. Em pouco tempo era nomeado superior do convento e, logo depois, arquimandrita de Polotsk. Com apenas trinta e sete anos assumiu, embora a contragosto, o arcebispado de Polotsk.

Dizem os escritos antigos que a brilhante carreira era plenamente justificada pelos seus dotes intelectuais e, principalmente, pelo exemplo de suas virtudes, obediência total à disciplina monástica e à prática da caridade. Exemplo disso foi quando, certa vez, sem ter como ajudar uma viúva que passava necessidades, penhorou o pálio de bispo para conseguir dinheiro e socorrê-la.

Vivia-se a época do cisma provocado pelas igrejas do oriente e Josafá foi um dos grandes batalhadores pela união delas com Roma. Este obteve vitória em muitas das frentes de batalha.

Josafá defendia com coragem a autoridade do Papa e o fim do cisma, com a conseqüente união das igrejas. Pregava e fazia questão de seguir os ensinamentos de Jesus numa só Igreja, sob a autoridade de um único pastor. Sua luta incansável reconquistou muitos hereges e ele é considerado o responsável pelo retorno dos rutenos ao seio da Igreja. Embora outras Igrejas do oriente não o tenham seguido, foi uma vitória histórica e muito importante.

Atuando desta forma e tendo as origens que tinha é evidente que sofreria represálias. Foi vítima de calúnias, difamação, acusações absurdas e uma oposição ameaçadora por parte dos que apoiavam o cisma. Em uma pregação chegou a prever que seu fim estava próximo e seria na mão dos inimigos. Inclusive, avisou “as ovelhas do seu rebanho”, como dizia, de que isso aconteceria. Mas não temia por sua vida e jamais deixou de lutar.

Em uma das visitas às paróquias sob sua administração, sua moradia foi cercada e atacada. Muitas pessoas da comitiva foram massacradas. O arcebispo Josafá, então, se apresentou aos inimigos, perguntando porque matavam seus familiares se o alvo era ele próprio. Impiedosamente a multidão o maltratou, torturou, matou e jogou seu corpo em um rio.

Tudo ocorreu no dia 12 de novembro de 1623, na cidade de Vitebsk, na Bielorussia. O seu corpo depois foi recuperado e venerado pelos fiéis. Mais tarde, os próprios responsáveis pelo assassinato do arcebispo foram presos, julgados, condenados e acabaram se convertendo, escapando da pena de morte.

O Papa Pio IX canonizou em 1876, Santo Josafá Kuncewics, considerado pelos estudiosos atuais da Igreja, o precursor do ecumenismo que vivemos em nossos dias.

11/11 – São Martinho de Tours

sao-martinho-de-toursSão Martinho de Tours

“Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade” dizia Martinho, Bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade.

Ele despertou para a fé quando ainda menino e depois, mesmo soldado da cavalaria do exercito romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo. A sua vida foi uma verdadeira cruzada contra os pagãos e em favor do cristianismo. Quatro mil igrejas dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; como em toda a Europa, nas Américas, enfim em todo os países do mundo.

Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316 e pertencia a uma família pagã. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a freqüentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porem sem receber o batismo. Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afasta-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho, continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, hoje França.

Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

Com vinte e dois anos já estava batizado, provavelmente pelo Bispo de Amiens, afastado da vida da corte e do exercito. Tornou-se monge e discípulo do famoso Bispo de Pointiers, Santo Hilário que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Pointiers. Alí ele fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação, que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.

No ocidente, ao contrário do oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou então a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. Com seus monges ele visitava as aldeias pagãs, pregava o evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência fundava um mosteiro com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nesta época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.

Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371 o povo o aclamou por unanimidade para ser o Bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica, visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, mas se expandiu por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.

Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos e, aos oitenta e um, estava na cidade de Candes, quando morreu no dia 08 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours.

Venerado como Santo Martinho de Tours ele se tornou o primeiro Santo não mártir a receber culto oficial da Igreja e se tornou um dos Santos mais populares da Europa medieval.

10/11 – São Leão I – Magno

sao-leao-i-magnoSão Leão I – Magno

Eleito com o nome de Leão I foi um dos maiores pontífices da história do cristianismo Embora pouco se saiba sobre sua biografia anterior ao período que ocupou a Cátedra de Pedro, é venerado por sua profunda sabedoria, suas extraordinárias virtudes e sua brilhante direção, como relatam os historiadores e teólogo.

Leão nasceu por volta do ano 400, na região Toscana, onde está situada a cidade de Roma. Tornou-se sacerdote muito jovem e fez carreira consolidada num trabalho brilhante. Em 430, já era arcediacono e depois foi conselheiro dos Papas Celestino I e Xisto III. Era tão respeitado e conceituado que, após a morte deste último Papa, foi eleito para substituí-lo Com o título de Leão I, assumiu o governo da Igreja em agosto do ano 440.

Eram tempos difíceis. Por um lado, o Império Romano se esfacelava e já não conseguia conter as hordas de bárbaros que invadiam e saqueavam seus domínios. Por outro lado, a Igreja enfrentava divisões e dissidências doutrinárias em seu interior. Um panorama tão sombrio, que só não levou o Ocidente ao caos por causa da atuação de Leão I nos dois terrenos: o espiritual e o material.

Na esfera espiritual, ele permaneceu firme defendendo as verdades do catolicismo frente às grandes heresias que sacudiram o século V e atuou, participando de discussões, encontros e concílios. Foi nessa época que escreveu um dos documentos mais importantes para a fé: a “Carta dogmática a Flaviano”, o patriarca de Constantinopla, defendendo as posições ortodoxas do cristianismo. “Pedro falou pela boca de Leão”, diziam os sacerdotes da Igreja que acabavam concordando com os argumentos. Estão guardados mais de cem, dos seus sermões, além de cento e quarenta e três cartas contendo ensinamentos sobre a fé cristã, seguidos e respeitados ainda hoje.

Já no plano material era o único que poderia conseguir, graças ao seu prestígio e eloqüência, que o terrível rei Átila, comandante dos bárbaros hunos, não destruísse Roma e a Itália. A missão poderia ser fatal, pois Átila já invadira, conquistara e destruíra a ferro e fogo o norte do país. Mesmo assim Leão I foi ao seu encontro e saiu vitorioso da situação. Mais tarde foi a vez de conter os vândalos que, liderados pelo chefe bárbaro Genserico, entraram em Roma. Também, só não atearam fogo à cidade eterna e não dizimaram sua população graças à atuação do grande pontífice.

Não existem relatos sobre os seus últimos dias de vida. O Livro dos Papas diz que Leão I governou vinte e um anos, um mês e treze dias. Faleceu no dia 10 de novembro de 461 e foi sepultado na basílica de São Pedro em Roma. O Papa Bento XIV o proclamou doutor da Igreja em 1754. Leão I foi o primeiro Papa que recebeu o título de “o Magno”.

09/11 – A Basílica de São João de Latrão e Elisabete da Trindade Catez

elisabete-da-trindade-cateza-basilica-de-sao-joao-de-latraoA Basílica de São João de Latrão

Uma solenidade litúrgica especial, no dia 9 de novembro, comemora a dedicação da Basílica de Latrão. Esta é considerada a igreja-mãe de todas as igrejas católicas, por ser a catedral do bispo de Roma, isto é o Papa patriarca do Ocidente. A igreja originária foi construída pelo imperador Constantino, durante o pontificado de papa Melquíades no séc. IV, no terreno doado por Fausta, esposa do Imperador. Nela foram realizados os quatro primeiros Concílios Ecumênicos realizados no Ocidente: em 1123 para resolver a questão das Investiduras, ou seja, provimento em algum cargo eclesiástico por parte do poder civil: em 1139, sobre questões disciplinares; em 1179 para tratar da forma de eleição do Papa; em 1215, sobre várias heresias e a reforma eclesial. Inúmeras verdades lembra esta comemoração. Em primeiro lugar a importância de Roma onde se acha o Chefe visível da Igreja de Jesus.

Santo Inácio de Antioquia, discípulo dos apóstolos, chama a Igreja de Roma de “cabeça da caridade”, revelando a posição primacial, da sede romana e, portanto, também a de seu Bispo. E de Santo Ireneu o mais eloqüente testemunho da antigüidade a favor da importância da sede romana. Assim ele se expressou no ano de 180: “A esta Igreja (romana) por sua preeminência mais poderosa, é necessário que se unam todas as Igrejas, isto é, os fiéis de todas as partes, pois nela se conservou sempre a tradição recebida dos apóstolos pelos cristãos de todas as partes”. Recorda ainda a referida festa que em todas as sedes episcopais há Igreja Catedral onde se acha a cátedra episcopal.

O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Sagrada Liturgia ensina que “todos devem atribuir a maior importância à vida litúrgica da diocese, em redor do bispo, principalmente na Igreja catedral, convencidos de que aí se realiza uma especial manifestação da Igreja pela participação plena e ativa de todo o Povo santo de Deus nas mesmas celebrações litúrgicas, sobretudo na mesma Eucaristia, numa só oração e num único altar, presidido pelo bispo cercado de seu presbitério e ministros (n.41). Na Quinta-feira santa se celebra em todas as Catedrais a Missa do Crisma, quando são bentos os Santos Óleos, depois levados para todas as Paróquias. Pelo que foi dito, a Catedral por excelência é a do Papa em Roma, a Basílica de Latrão “Mãe e Mestra de todas as Igrejas”, da urbe romana e do orbe católico. Tudo isto lembra, além disto, a importância do Templo, lugar sagrado no qual se cultua de modo especial a Deus. É nele que se recebem os maiores favores divinos.

No Antigo Testamento o templo de Jerusalém era o sinal da presença do Ser Supremo entre os homens. Centro do culto a Javé para ele convergiam peregrinações de todas as partes para contemplar a face do Todo-Poderoso (Sl. 42,3). A Bíblia ensina que Deus está no céu (Sl 2,4; 103,19; 115,3), mas o templo é como que uma cópia fiel do palácio celeste, que o Onipotente torna presente aqui na terra. Nele se desenrola o culto oficial. No Novo Testamento se tornou viva a doutrina de que cada batizado é o templo vivo da Trindade de acordo com o ensinamento de Jesus: “Se alguém me ama, meu Pai o amará, viremos a ele e faremos nele nossa morada” (Jo 14,23). Paulo de Tarso firmaria esta verdade, argüindo aos Coríntios: “Porventura não sabeis que os vossos membros são templo do Espírito santo, que habita em vós que vos foi dado por Deus e que não pertenceis a vós mesmos” (Cor 6,19).

O verdadeiro católico preza a Catedral do Papa, a Basílica de Latrão; tem carinho especial para com a Catedral de sua Diocese e para com a Igreja Paroquial, Matriz de todas as outras; lembrado sempre de que, sendo o templo vivo de Deus, deve ornamentar esta Casa Santa com as virtudes, cuidando de seu corpo e respeitando a dignidade de cada ser humano, criado à imagem e semelhança do Criador, estimando sobretudo o batizado templo consagrado ao Espírito Santo.

Elisabete da Trindade Catez

Elisabete Catez Rolland, nasceu em Campo d’Avor, próximo de Bourges, França, no dia 18 de julho de 1880. Filha de Francisco José e Maria foi batizada quatro dias depois. Ainda criança ela se distinguia pelo temperamento apaixonado, um tanto agressivo e colérico, mas também transparecia no seu olhar uma suave sensibilidade.

No início de 1887 a família se transferiu para a cidade de Dijon, também na França. Porém, em outubro daquele ano, seu pai faleceu de repente. E essa perda provocou uma mudança muito grande no seu caráter. A partir daí, dedicou a vida para a oração e a serviço de Deus.

A sua primeira comunhão foi aos dez anos, ocasião que lhe deu a oportunidade de visitar o Carmelo da cidade, com outras companheiras. Na saída todas receberam um “santinho” com uma dedicatória da superiora. O seu dizia que o nome Elisabete significa: “Casa de Deus”.

Desde os oito anos estudava música no Conservatório de Dijon. Muito talentosa, em 1893 recebeu o primeiro prêmio de piano do Conservatório. Como toda jovem, Elisabete freqüentava a sociedade local onde se distraia nas festas da família e dos amigos. Mas sempre se manteve fiel aos sacramentos recebidos na Igreja.

Ao completar catorze anos resolveu entrar para o Carmelo. Sua mãe foi contra, dizendo que esta escolha só seria definida na sua maioridade. Mesmo assim, Elisabete ofereceu a Deus seus dotes musicais para a salvação da França. Sua vida se voltou para as orações, as leituras religiosas e a vida espiritual da paróquia, mantendo sempre sua obediência à mãe. Foi a partir dos dezenove anos que Elisabete começou a receber as primeiras graças místicas, que anotava nos diários de orações.

Quando completou a maioridade, em 1901, ingressou no Convento do Carmelo Descalço de Dijon, com aprovação de sua mãe. Quatro meses depois, vestiu o hábito e adotou o nome de Irmã Elisabete da Trindade, entregando-se ao mistério da Santíssima Trindade. Em janeiro de 1903 emitiu os votos definitivos e nos próximos cinco anos entregou-se completamente a Deus na Santíssima Trindade. E o Senhor purificou ainda mais sua alma pelo sofrimento do mal de Addison que a levou à morte, no dia 09 de novembro de 1906.

Com sua vida e doutrina, breve, mas sólida, exerceu grande influência na espiritualidade atual, especialmente por sua experiência trinitária. Suas anotações reverteram em obras publicadas, das quais as que se destacaram: Elevações, Retiros, Notas Espirituais e Cartas.

O Papa João Paulo II, a beatificou em 1984 e designou o dia de sua morte para a celebração de sua memória.

08/11 – Santo Deodato e Santo Godofredo

santo-deodatoSanto Deodato

São Deodato I ou Deusdedit, segundo historiadores surgiu por volta dos séculos da primeira Idade Média: Filho de subdiácono romano Estevão, foi por quarenta anos padre em Roma antes de suceder ao Papa Bonifácio IV a 19 de outubro de 615. Foi o primeiro Papa que estabeleceu com doações para distribuir ao povo por ocasião da morte do sumo pontífice. Em Roma o Papa era são somente o Bispo e o Pai espiritual, mas também o guia civil, o juiz, o supremo magistrado, a garantia da ordem. Com a morte de cada pontífice, os romanos se sentiam privados de proteção, expostos às invasões dos bárbaros nórdicos ou às reivindicações do império do Oriente. A teoria dos dois únicos, Papa e imperador, que deviam governar unidos o mundo cristão, não encontrava grandes adesões em Constantinopla.

O Papa Deodato mostrou-se, todavia mediador com o outro único, que a bem da verdade era pouco solícito para o bem dos italiados, salvo uma vez, que enviou o exarca Eleutério para acabar com as revoltas de Ravena e de Nápoles. Foi a única vez que o Papa Deodato, ocupado em aliviar os desconfortos da população da cidade, nas calamidades acima referidas, teve um contato, se bem que indereto, com o imperador.

Foi inserido no Martirológio Romano, pelo Cardeal Barônio um episódio que revalidaria a fama de santidade que circundava o pontífice “dado por Deus” (conforme a etimologia do seu nome) para guiar os cristãos em épocas tão difíceis: durante uma das suas frequentes visitas aos doentes, os mais abandonados, os que era atingidos pela lepra, teria curado um desses infelizes, após havê-lo amavelmente abraçado e beijado.

São Deodato morreu em novembro do ano 618, amado e chorado pelos romanos que tiveram a oportunidade de apreciar seu bom coração durante grandes calamidades que se abateram sobre Roma nos seus três anos de pontificado: terremoto, que deu golpe de graça aos edifícios de mármore dos Foros, já devastados por sucessivas invasões bárbaras e horríveis epidemia.

santo-godofredoSanto Godofredo

Os pais de Godofredo rezaram muito para que Deus lhes desse um herdeiro. Até que em 1066, ele nasceu no castelo da família em Soissons, onde foi batizado com um nome que já apontava a direção que seguiria. Godofredo quer dizer: paz de Deus, e foi o que este francês espalhou por onde passou durante toda a vida.

Com cinco anos foi entregue para ser educado pelos monges beneditinos e do convívio com a religiosidade nunca mais se afastou. Quando a educação se completou, foi para o convento de São Quintino e ordenando-se sacerdote aos vinte e cinco anos de idade.

A sua integridade de caráter, profundidade nos conhecimentos dos assuntos da fé, bem como a visão social que demonstrava, logo chamaram a atenção dos superiores. Tanto que foi nomeado abade do convento de Nogent com a delicada missão de restabelecer as regras disciplinares dos monges, muito afastados do ideal da vida cristã. Em poucos anos a comunidade mudou completamente, tornando-se um centro que atraía religiosos de outras localidades que ali passaram a buscar orientação e conselhos de Godofredo.

Quando os monges de um convento, famoso, rico e poderoso, o convidaram para ser o abade, ele recusou. O que desejava era viver no seguimento de Cristo dedicando-se à caridade e trabalhando no amparo e proteção aos pobres e doentes, e não o poder ou a ostentação. Era comum ver os mendigos e leprosos participando da sua mesa, pois acolhia todos os necessitados com abrigo e esmolas fartas. Suas virtudes levaram o povo e o clero a eleger Godofredo, Bispo de Amiens, mas ele só aceitou a diocese depois de receber ordem escrita do próprio Papa.

Outra missão difícil para Godofredo. Alí os ricos e poderosos preferiam a vida de muitos vícios, prazeres e luxos, sem nenhuma virtude e ligação com os ensinamentos cristãos. Começou empregando toda a força e eloqüência de sua pregação contra esses abusos denunciando-os do próprio púlpito. O que quase lhe causou a morte num atentado encomendado. Colocaram veneno em seu vinho, mas o plano foi descoberto antes.

Considerando-se inapto renunciou o cargo e se retirou para um local ermo. Só que nem os superiores nem o povo aceitaram a demissão e Godofredo foi reconduzido ao cargo. Mas foi por pouco tempo. Durante uma peregrinação à igreja de São Crispim e São Crispiniano, situada em Soissons, sua cidade natal, ele adoeceu. Morreu no dia 08 de novembro de 1115, no convento dedicada aos dois santos padroeiros dos sapateiros, onde foi enterrado.

07/11 – S. Wilibrordo e Santo Prosdócimo

s-wilibrordoS. Wilibrordo

São Wilibrordo nasceu em Nortúmbria no ano de 658; seu zêlo pela difusão do Reino de Deus será o único motivo de sua dinâmica existência. Este monge, que os biógrafos descrevem de pequena estatura, de cabelos negros, de delicada constiuição, com olhos profundos e vivos, encarna o tipo ideal ocidental; trabalhador que não conhece pausa nem crise de desânimo; austero, prudente, leal, tenaz, devoto do papa. Formado na abadia inglesa de Ripon, com idade de vinte anos fora à Irlanda para aperfeiçoar sua cultura teológica sob a guia do abade Egberto, que aos trinta anos o consagrou sacerdote.

A evangelização da Alemanha do transreno teve início no século VII, no fim a época merovíngia, por obra dos monges irlandeses e anglo-saxões, e atingiu o máximo desenvolvimento no século seguinte com a ação missionária de São Bonifácio. O primeiro a desembarcar na Frísia, nos Países Baixos, foi Wilfrido de York. Depois o abade Egberto, mestre de vida espiritual da época, aí mandou Wilibrordo.

Para erigir a nova sede diocesana na Frísia, Wilibrordo foi de novo a Roma, onde o Papa Sérgio I, a 21 de novembro de 695, o consagrou Bispo, com o nome de Clemente (24 anos mais tarde Gregório II fez o mesmo com o monge saxão Wilfrido-Bonifácio). A partir desse momento seria difícil enumerar todas as viagens do infatigável missionário, das margens do Reno até a Dninamarca. Fundou em Echternach (Luxemburgo) um pequeno convento. Foi homem de ação e de oração, e sobretudo grande organizador, com destacado senso de comando, que lhe permitiu, graças também à formação de Bispos auxiliares (uma novidade para o Ocidente), evitar as divisões das Igrejas com a consequente dispersão da atividade pastoral.

São Wilibrordo morreu aos oitenta e um anos de idade, no dia 07 de novembro do ano 739, no convento de Luxemburgo.

santo-prosdocimoSanto Prosdócimo

São muitos os nomes que soam familiares e típicos de certas localidades italianas, mesmo parecendo insólitos, estranhos ou exclusivos. Estes nomes estão ligados ao culto de um
Santo local, em muitos casos de um antigo Bispo e em outros de um Mártir.

O nome Prosdócimo, pouco freqüente atualmente, para os familiarizados imediatamente mostra sua origem da região do Vêneto, da cidade de Padova e, mais tarde, também de Rieti. Isto porque o culto a este Santo vem de uma tradição muito antiga do século II, que homenageia o primeiro Bispo de Padova, de Rieti e também, Padroeiro destas duas cidades. Segundo narram os registros oficiais da Igreja, Prosdócimo teria evangelizado também toda a Veneza ocidental, numa grande obra de difusão que fixou definitivamente o Cristianismo no coração daquelas populações.

Até a mais bela imagem dedicada à ele, acabou sendo feita por um ilustre artista italiano, faz parte de um conjunto dedicado a Santa Justina, outra mártir célebre daquela região. Na tela, Prosdócimo aparece com o típico atributo do jarro, símbolo da sua incansável atividade de batizador, ou seja, formador do rebanho do Senhor.

Nas várias regiões de Rieti e Padova, o Bispo Prosdócimo teria patrocinado prodígios e milagres, que as mais antigas tradições, descrevem com toda a liberdade de expressão, reforçando ainda mais seus exemplos edificantes de fé em Cristo. Às vezes, porém, os poucos documentos, tornam mais redundantes as tradições. Como foi o caso deste bispo. Depois de sua morte, se encontrou o registro citando que a comunidade erguera fora das muralhas de Padova, a igreja Santo Prosdócimo, que mais tarde se tornou a basílica de Santa Justina, uma das mais belas da cidade.

A glória do Bispo Prosdócimo teria sido de fato Justina, ter sido convertida por ele. Esta nova cristã soube manter intacta a sua fé, enfrentando o martírio na perseguição de Nero. Entretanto, Prosdócimo foi poupado, não havendo nenhum registro, ou tradição, que explique o porque.

O Bispo Prosdócimo morreu naturalmente, carregado de merecimentos e de anos. O seu culto ainda é vigoroso, sendo venerado pelos fiéis, que rezam por sua paternal intercessão nas situações de aflição e desânimo. A Igreja confirmou a sua celebração e no calendário litúrgico, Santo Prosdócimo deve ser homenageado no dia 07 de novembro.

O nome Prosdócimo em grego significa “esperado”. Ele foi o primeiro evangelizador destas cidades. De fato, verdadeiramente o esperado por elas, que ainda eram pagãs. A tradição diz que ele teria sido enviado para atendê-las pelo próprio São Pedro, que para isto ele próprio o consagrou como o primeiro Bispo de lá.

06/11 – São Leonardo de Noblac (Eremita) e São Nuno de Santa Maria

sao-leonardo-de-noblac-eremitaSão Leonardo de Noblac (Eremita)

Leonardo filho de nobres da corte de França, nasceu no ano 491, quando o imperador era Anastácio. Segundo narrativas, o rei Clodoveu era seu padrinho de batismo. Na juventude Leonardo não quis seguir a carreira das armas, por isso o seu padrinho quis consagra-lo seu Bispo. Leonardo não aceitou, preferiu ficar ao lado de São Remigio, então Bispo de Reims. Mas pediu um privilégio, só destinado aos Bispos: poder libertar os prisioneiros que viesse encontrar encarcerados, e este lhe foi prontamente atendido.

Só mais tarde Leonardo, decidiu ingressar num mosteiro para se dedicar somente à vida religiosa. Primeiro esteve no de São Maximino em Micy. Depois foi para um antigo fundado por Santo Euspício, perto de Orleans. Já sacerdote, foi enviado a Berry, onde converteu muitos pagãos.

Mais tarde buscou o isolamento para meditar e viver sua fé na oração. Encontrou o lugar certo para isso num bosque afastado, perto de Limonges. Lá havia apenas uma casa tosca e simples que lhe servia de morada. O seu ermo virou ponto de visitação de mais e mais pessoas que iam atrás de seus conselhos, orações e consolo.

Certo dia sua solidão foi interrompida de um modo especial. A chegada do rei Clodoveu que praticava uma caçada, acompanhado da rainha Clotilde, então grávida. Que foi surpreendida pelas dores do parto. O rei, aflito buscou os cuidados de Leonardo, que eliminou as dores com suas orações e conduziu o nascimento de um lindo menino, horas depois. Como recompensa o rei Clodoveu doou aquelas terras à Leonardo. No local que ele chamou de “Nobiliacum”, para lembrar o gesto nobilíssimo do seu padrinho, ergueu um altar à Nossa Senhora e aos poucos se tornou uma intensa e fervorosa comunidade religiosa, culminando com a construção do mosteiro de Noblac.

Diz a tradição que o monge Leonardo, só deixava o mosteiro quando alguma missão o exigia, especialmente quando se tratava de resgatar e converter os pagãos encarcerados. E ainda, ele teria sido visto libertando nobres franceses que estavam prisioneiros dos turcos muçulmanos invasores. O prodígio teria ocorrido por volta do ano 1000, muitos séculos depois de sua morte em 06 de novembro de 545.

O culto de Santo Leonardo de Noblac, uma das devoções mais antigas dos fieis franceses, se propagou em todo o mundo cristão e foi reconhecido pela Igreja. A festa ocorre no dia 06 de novembro, considerado como o de sua morte.

sao-nuno-de-santa-mariaSão Nuno de Santa Maria

Nuno Álvares Pereira (O. Carm.), também conhecido como o Santo Condestável, São Nuno de Santa Maria, ou simplesmente Nun’Álvares (Cernache do Bonjardim, 24 de Junho de 1360[1] – Lisboa, 1 de Novembro de 1431[2]) foi um nobre e um guerreiro português do século XIV que desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela. Nuno Álvares Pereira foi também 2.º conde de Arraiolos, 7.º conde de Barcelos e 3.º conde de Ourém.

Biografia
D. Nuno Álvares Pereira nasceu em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã (há cronistas que referem Flor da Rosa como local de nascimento [4]). É um dos 26 filhos conhecidos do prior do Crato, D. Álvaro Gonçalves Pereira e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Casou com Leonor de Alvim a 1377 em Vila Nova da Rainha, freguesia do concelho de Azambuja.

Quando o Rei Fernando de Portugal morreu em 1383, sem herdeiros a não ser a princesa D.Beatriz casada com o Rei João I de Castela, D. Nuno foi um dos primeiros nobres a apoiar as pretensões de João, o Mestre de Avis à coroa. Apesar de ser filho ilegítimo de D. Pedro I de Portugal, D. João afigurava-se como uma hipótese preferível à perda de independência para os castelhanos. Depois da primeira vitória de D. Nuno Álvares Pereira frente aos castelhanos na batalha dos Atoleiros em Abril de 1384, D. João de Avis nomeia-o Condestável de Portugal e Conde de Ourém.

A 6 de Abril de 1385, D. João é reconhecido pelas cortes reunidas em Coimbra como Rei de Portugal. Esta posição de força portuguesa desencadeia uma resposta à altura em Castela. D. João de Castela invade Portugal com vista a proteger os interesses de sua mulher D. Beatriz. D. Nuno Álvares Pereira toma o controlo da situação no terreno e inicia uma série de cercos a cidades leais a Castela, localizadas principalmente no Norte do país.
Estátua de Nuno Álvares Pereira, do escultor Leopoldo de Almeida, em frente do Mosteiro da BatalhaA 14 de Agosto, D. Nuno Álvares Pereira mostra o seu génio militar ao vencer a batalha de Aljubarrota à frente de um pequeno exército de 6000 portugueses e aliados ingleses, contra as 30 000 tropas castelhanas. A batalha viria a ser decisiva no fim da instabilidade política de 1383-1385 e na consolidação da independência portuguesa. Finda a ameaça castelhana, D. Nuno Álvares Pereira permaneceu como condestável do reino e tornou-se Conde de Arraiolos e Barcelos. Entre 1385 e 1390, ano da morte de D. João de Castela, dedicou-se a realizar raides contra a fronteira de Castela, com o objectivo de manter a pressão e dissuadir o país vizinho de novos ataques.
Descendência
Do seu casamento com D. Leonor de Alvim, o Condestável teve 3 filhos, mas apenas uma filha teve descendência, D. Beatriz Pereira de Alvim, que se tornou mulher de D. Afonso, o primeiro Duque de Bragança, dando origem à Casa de Bragança, que viria a reinar três séculos mais tarde.
Vida religiosa

Nos últimos anos da sua vida Nuno Álvares Pereira recolheu-se no Convento do Carmo, onde morreu.Após a morte da sua mulher, tornou-se carmelita (entrou na Ordem em 1423, no Convento do Carmo, que fundara como cumprimento de um voto). Toma o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Aí permanece até à morte, ocorrida em 1 de Novembro de 1431, com 71 anos.

Durante o seu último ano de vida, o Rei D. João I fez-lhe uma visita no Carmo. D. João sempre considerou que fora Nuno Álvares Pereira o seu mais próximo amigo, que o colocara no trono e salvara a independência de Portugal.

O túmulo de Nuno Álvares Pereira foi destruído no Terramoto de 1755. O seu epitáfio era: “Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo.”

Há uma história apócrifa, em que Dom João de Castela teria ido ao Convento do Carmo encontrar-se com Nun’Álvares, e ter-lhe-á perguntado qual seria a sua posição se Castela novamente invadisse Portugal. O irmão Nuno terá levantado o seu hábito, e mostrado, por baixo deste, a sua cota de malha, indicando a sua disponibilidade para servir o seu país sempre que necessário.
Beatificação e Canonização

Suas Santidades Bento XV e Bento XVI : aquele o beatificou e este canonizou-oNuno Álvares Pereira foi beatificado aos 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV, que consagrou o dia 6 de Novembro ao, então, beato. Iniciado em 1940, o processo de canonização foi posteriormente interrompido e, em 2004 reiniciado.

No Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 – acto formal no qual o Papa pediu aos Cardeais para confirmarem os processos de canonização já concluídos -, o Papa Bento XVI anunciou para 26 de Abril de 2009 a canonização do Beato Nuno de Santa Maria, juntamente com 4 outros novos santos.[5] O processo referente a Nuno Álvares Pereira encontrava-se concluído desde a Primavera de 2008, noventa anos após sua beatificação.

Nuno Álvares Pereira foi canonizado como São Nuno de Santa Maria por Sua Santidade Bento XVI às 09:33 (hora de Portugal) de 26 de Abril de 2009.

A Conferência Episcopal Portuguesa em nota pastoral sobre a canonização de Nuno de Santa Maria: “(…)o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão de melhor humanismo ao serviço do bem comum.

Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos.”[

05/11 – Bem-aventurado Guido Maria Conforti e Santos Zacarias e Isabel

bem-aventurado-guido-maria-confortiBem-aventurado Guido Maria Conforti

Maria Conforti nasceu no dia 30 de março de 1865, em Ravadese, província de Parma, norte da Itália. Filho de pais piedosos foi educado no amor de Deus e ao próximo. Concluiu o estudo elementar com Irmãos das Escolas Cristãs. Nessa oportunidade, seu pai compreendeu que o sonho de ver o filho dirigindo os negócios agrícolas da família jamais seria realizado. Guido tinha vocação para a vida religiosa.

Assim ingressou no seminário, estimulado pelos pais. Lá, após ler a biografia de São Francisco Xavier, foi a vez de Guido abraçar um sonho: ir para a China, continuar a missão do Santo. Aos dezessete anos de idade enfrentou dificuldades de saúde, era o mal da epilepsia, que quase o impediu de continuar. Rezou para Nossa Senhora com muita fé e obteve a graça para superar a doença. Em 1888 recebeu a ordenação sacerdotal. Mas foi designado para professor do seminário e depois nomeado vice-reitor. O que fez o sonho das missões no Oriente permanecer adormecido no seu coração.

Aos vinte e oito anos quando Guido Conforti já era cônego da catedral de Parma decidiu que era hora de executar seu sonho. Dois anos depois, em 1895, devido a falta de recursos, fundou a Congregação dos Missionários Xaverianos para a Evangelização dos não cristãos, hoje chamado apenas de Instituto Xaveriano. Nessa época seu pai morreu e toda a herança que recebeu, aplicou na sua Obra. Comprou uma casa onde abrigou os primeiros dezessete seminarista. Não precisou aguardar muito, em março de 1899, os dois primeiros xaverianos seguiram em missão para a China. Pouco depois, em 1902 o próprio fundador emitiu os votos religiosos e recebeu o hábito dos xaverianos, em Roma, para se dedicar só às missões.

Entretanto qual não foi sua surpresa ao ser nomeado Arcebispo de Ravena. Obediente Guido Conforti assumiu o posto. Um ano depois, por motivos de saúde, pediu à Santa Sé para poder renunciar o cargo. Voltou para Parma, onde trabalhou na consolidação da sua Obra. Ocorre que o carisma do Instituto atendia plenamente os anseios da Igreja, que nesse período estava instalando a Prefeitura Apostólica de Honan, na China. Foi então que a Santa Sé confiou essa administração ao Instituto Xaveriano, em 1906. Desde então pequenos grupos de missionários xaverianos começaram a seguir para o Oriente.

Em 1907, Guido Conforti foi novamente solicitado para o serviço episcopal. Desta vez com como auxiliar do Bispo de Parma e depois assumiu como sucessor. Administrou a diocese por vinte e cinco anos, numa intensa atividade: foram dois sínodos, cinco visitas pastorais nas trezentas paróquias. Enquanto isso o Instituto também se expandia por toda a Itália.

A alegria estampava o rosto do fundador, quando em 1912, na condição de Bispo de Parma ele consagrou nessa Catedral o primeiro Bispo xaveriano, Luigi Calza, nomeado para Cheng-Chow, na China. O Instituto se consolidava cada vez mais no mundo. Mas para que a Obra ficasse completa ele criou junto com o Padre Paulo Manna, a União Missionária do Clero, sendo eleito o primeiro presidente.

Guido Conforti viajou só uma vez para a China, em 1928, para visitar e encorajar os seus filhos xaverianos. Depois de algum tempo, ele morreu, com apenas sessenta e seis anos, no dia 05 de novembro de 1931. Mas a sua Obra floresceu em 1945, quando foi fundado o Instituto das Missionárias de Maria, ou xaverianas, pelo Padre Giacomo Spagnolo e a leiga Celestina Bottego.

No ano 1996, o Papa João Paulo II o proclama bem-aventurado. Atualmente, os xaverianos e xaverianas dirigem e trabalham em vários países de todos os continentes, inclusive no Brasil. A festa do Beato Guido Maria Conforti ocorre no dia de sua morte.

santos-zacarias-e-isabelSantos Zacarias e Isabel

Embora os nomes destes santos não estejam presentes no Calendário Litúrgico da Igreja, há muitos séculos a tradição cristã consagrou este dia à veneração da memória de São Zacarias e Santa Isabel, pais de São João Batista. Encontramos a sua história narrada no magnífico Evangelho de São Lucas, onde ele descreveu que havia no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel. Eles viviam na aldeia de Ain-Karim e tinham parentesco com a Sagrada família de Nazaré.

Foram escolhidos por Deus por sua fé inabalável, pureza de coração e o grande amor que dedicavam ao próximo. Isabel, apesar de sua santidade, era estéril: uma vergonha para uma mulher hebréia que era prestigiada somente através da maternidade. Mas foi por sua esterilidade que ela se tornou uma grande personagem feminina na historia religiosa do povo de Deus. Juntos foram os protagonistas dos momentos que antecederam o mais incrível advento da Historia da Humanidade: a Encarnação de Deus entre os homens.

Estavam velhos, com idade avançada e como não tinham filhos, julgavam essa graça impossível de ser alcançada. Foi quando o anjo do Senhor apareceu ao velho sacerdote Zacarias no templo e lhe disse que sua mulher, Isabel teria um filho que levaria o nome de João, que significa: “o Senhor faz graça”. O menino seria cheio do Espírito Santo desde a gestação de sua mãe, reconduziria muitos dos filhos de Israel, ao Senhor seu Deus e seria precursor do Messias. Zacarias inicialmente se manteve incrédulo ao anuncio celeste do nascimento de um filho pelo qual havia rezado com tanto ardor; para que pudesse crer precisou de um sinal: ele ficou mudo até que João veio à luz do mundo. Na ocasião, sua voz voltou e ele entoou o Salmo profético, onde repleto do Espírito Santo profetizou a missão do filho.

Enquanto que, devido a proximidade da maternidade, Isabel, se recolheu por cinco meses, para estar em união com Deus. Os dias ela dividia em três períodos: de silencio, oração e meditação. E foi assim que Isabel, grávida de João e, inspirada pelo Espírito Santo, anunciou à Virgem Maria, sua prima, quando esta a visitou: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre”.

Após o nascimento de João, Zacarias e Isabel se recolheram à sombra da fama do filho, como convém aos que sabem ser o instrumento do Criador. Com humildade, se alegraram e se satisfizeram com a santidade da missão dada ao filho, sendo fieis a Deus até a morte.