<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>PEDROALTINO.COM.BR &#187; Evangelho segundo São Mateus</title>
	<atom:link href="http://www.pedroaltino.com.br/blog/category/biblia/evangelho-segundo-sao-mateus/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.pedroaltino.com.br/blog</link>
	<description>Temas católicos, Liturgia diária, Salmos, Santos do dia, Mandamentos...</description>
	<lastBuildDate>Fri, 30 Jul 2010 03:00:37 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Evangelho segundo São Mateus</title>
		<link>http://www.pedroaltino.com.br/blog/2009/08/evangelho-segundo-sao-mateus/</link>
		<comments>http://www.pedroaltino.com.br/blog/2009/08/evangelho-segundo-sao-mateus/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 00:43:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Altino de Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Evangelho segundo São Mateus]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.pedroaltino.com.br/blog/?p=2270</guid>
		<description><![CDATA[ Evangelho segundo São Mateus
Capítulo 1
1. Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
2. Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos.
3. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou Arão.
4. Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon.
5. Salmon gerou Booz, de Raab. Booz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span><a name="1"> </a><strong>Evangelho segundo São Mateus</strong><br />
<strong>Capítulo 1</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.<br />
<strong>2.</strong> Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos.<br />
<strong>3.</strong> Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou Arão.<br />
<strong>4.</strong> Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon.<br />
<strong>5.</strong> Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi.<br />
<strong>6.</strong> O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias.<br />
<strong>7.</strong> Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa.<br />
<strong>8.</strong> Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias.<br />
<strong>9.</strong> Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias.<br />
<strong>10.</strong> Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias.<br />
<strong>11.</strong> Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de Babilônia.<br />
<strong>12.</strong> E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel.<br />
<strong>13.</strong> Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor.<br />
<strong>14.</strong> Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud.<br />
<strong>15.</strong> Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó.<br />
<strong>16.</strong> Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.<br />
<strong>17.</strong> Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações. Nascimento de Jesus<br />
<strong>18.</strong> Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.<br />
<strong>19.</strong> José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente.<br />
<strong>20.</strong> Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.<br />
<strong>21.</strong> Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.<br />
<strong>22.</strong> Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta:<br />
<strong>23.</strong> Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.<br />
<strong>24.</strong> Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.<br />
<strong>25.</strong> E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.</p>
<p><a name="2"> </a><br />
<strong>Capítulo 2</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.<br />
<strong>2.</strong> Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.<br />
<strong>3.</strong> A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.<br />
<strong>4.</strong> Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.<br />
<strong>5.</strong> Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:<br />
<strong>6.</strong> E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).<br />
<strong>7.</strong> Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.<br />
<strong>8.</strong> E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.<br />
<strong>9.</strong> Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.<br />
<strong>10.</strong> A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.<br />
<strong>11.</strong> Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.<br />
<strong>12.</strong> Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.<br />
<strong>13.</strong> Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.<br />
<strong>14.</strong> José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.<br />
<strong>15.</strong> Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1).<br />
<strong>16.</strong> Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos.<br />
<strong>17.</strong> Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:<br />
<strong>18.</strong> Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)!<br />
<strong>19.</strong> Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse:<br />
<strong>20.</strong> Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.<br />
<strong>21.</strong> José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.<br />
<strong>22.</strong> Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galiléia<br />
<strong>23.</strong> e veio habitar na cidade de Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno.</p>
<p><a name="3"> </a><br />
<strong>Capítulo 3</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia.<br />
<strong>2.</strong> Dizia ele: Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus.<br />
<strong>3.</strong> Este é aquele de quem falou o profeta Isaías, quando disse: Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas (Is 40,3).<br />
<strong>4.</strong> João usava uma vestimenta de pêlos de camelo e um cinto de couro em volta dos rins. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.<br />
<strong>5.</strong> Pessoas de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a circunvizinhança do Jordão vinham a ele.<br />
<strong>6.</strong> Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão.<br />
<strong>7.</strong> Ao ver, porém, que muitos dos fariseus e dos saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera vindoura?<br />
<strong>8.</strong> Dai, pois, frutos de verdadeira penitência.<br />
<strong>9.</strong> Não digais dentro de vós: Nós temos a Abraão por pai! Pois eu vos digo: Deus é poderoso para suscitar destas pedras filhos a Abraão.<br />
<strong>10.</strong> O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo.<br />
<strong>11.</strong> Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.<br />
<strong>12.</strong> Tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, queimá-las-á num fogo inextinguível.<br />
<strong>13.</strong> Da Galiléia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele.<br />
<strong>14.</strong> João recusava-se: Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!<br />
<strong>15.</strong> Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa. Então João cedeu.<br />
<strong>16.</strong> Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus.<br />
<strong>17.</strong> E do céu baixou uma voz: Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição.</p>
<p><a name="4"> </a><br />
<strong>Capítulo 4</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.<br />
<strong>2.</strong> Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.<br />
<strong>3.</strong> O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.<br />
<strong>4.</strong> Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).<br />
<strong>5.</strong> O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:<br />
<strong>6.</strong> Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).<br />
<strong>7.</strong> Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).<br />
<strong>8.</strong> O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:<br />
<strong>9.</strong> Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.<br />
<strong>10.</strong> Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).<br />
<strong>11.</strong> Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.<br />
<strong>12.</strong> Quando, pois, Jesus ouviu que João fora preso, retirou-se para a Galiléia.<br />
<strong>13.</strong> Deixando a cidade de Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, à margem do lago, nos confins de Zabulon e Neftali,<br />
<strong>14.</strong> para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:<br />
<strong>15.</strong> A terra de Zabulon e de Neftali, região vizinha ao mar, a terra além do Jordão, a Galiléia dos gentios,<br />
<strong>16.</strong> este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte (Is 9,1).<br />
<strong>17.</strong> Desde então, Jesus começou a pregar: Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo.<br />
<strong>18.</strong> Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.<br />
<strong>19.</strong> E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.<br />
<strong>20.</strong> Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram.<br />
<strong>21.</strong> Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os,<br />
<strong>22.</strong> e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.<br />
<strong>23.</strong> Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.<br />
<strong>24.</strong> Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos.<br />
<strong>25.</strong> Grandes multidões acompanharam-no da Galiléia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e dos países do outro lado do Jordão.</p>
<p><a name="5"> </a><br />
<strong>Capítulo 5</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.<br />
<strong>2.</strong> Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:<br />
<strong>3.</strong> Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!<br />
<strong>4.</strong> Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!<br />
<strong>5.</strong> Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!<br />
<strong>6.</strong> Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!<br />
<strong>7.</strong> Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!<br />
<strong>8.</strong> Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!<br />
<strong>9.</strong> Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!<br />
<strong>10.</strong> Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!<br />
<strong>11.</strong> Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.<br />
<strong>12.</strong> Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.<br />
<strong>13.</strong> Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.<br />
<strong>14.</strong> Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha<br />
<strong>15.</strong> nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.<br />
<strong>16.</strong> Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.<br />
<strong>17.</strong> Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.<br />
<strong>18.</strong> Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.<br />
<strong>19.</strong> Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.<br />
<strong>20.</strong> Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.<br />
<strong>21.</strong> Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal.<br />
<strong>22.</strong> Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena.<br />
<strong>23.</strong> Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,<br />
<strong>24.</strong> deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta.<br />
<strong>25.</strong> Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão.<br />
<strong>26.</strong> Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.<br />
<strong>27.</strong> Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.<br />
<strong>28.</strong> Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.<br />
<strong>29.</strong> Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena.<br />
<strong>30.</strong> E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena.<br />
<strong>31.</strong> Foi também dito: Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.<br />
<strong>32.</strong> Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério.<br />
<strong>33.</strong> Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.<br />
<strong>34.</strong> Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus;<br />
<strong>35.</strong> nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.<br />
<strong>36.</strong> Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro.<br />
<strong>37.</strong> Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.<br />
<strong>38.</strong> Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.<br />
<strong>39.</strong> Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.<br />
<strong>40.</strong> Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.<br />
<strong>41.</strong> Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.<br />
<strong>42.</strong> Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.<br />
<strong>43.</strong> Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.<br />
<strong>44.</strong> Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.<br />
<strong>45.</strong> Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.<br />
<strong>46.</strong> Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?<br />
<strong>47.</strong> Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?<br />
<strong>48.</strong> Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.</p>
<p><a name="6"> </a><br />
<strong>Capítulo 6</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.<br />
<strong>2.</strong> Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.<br />
<strong>3.</strong> Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.<br />
<strong>4.</strong> Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.<br />
<strong>5.</strong> Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.<br />
<strong>6.</strong> Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.<br />
<strong>7.</strong> Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.<br />
<strong>8.</strong> Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.<br />
<strong>9.</strong> Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome;<br />
<strong>10.</strong> venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.<br />
<strong>11.</strong> O pão nosso de cada dia nos dai hoje;<br />
<strong>12.</strong> perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;<br />
<strong>13.</strong> e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.<br />
<strong>14.</strong> Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará.<br />
<strong>15.</strong> Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.<br />
<strong>16.</strong> Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.<br />
<strong>17.</strong> Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto.<br />
<strong>18.</strong> Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.<br />
<strong>19.</strong> Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam.<br />
<strong>20.</strong> Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.<br />
<strong>21.</strong> Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.<br />
<strong>22.</strong> O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado.<br />
<strong>23.</strong> Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!<br />
<strong>24.</strong> Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.<br />
<strong>25.</strong> Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes?<br />
<strong>26.</strong> Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?<br />
<strong>27.</strong> Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?<br />
<strong>28.</strong> E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.<br />
<strong>29.</strong> Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.<br />
<strong>30.</strong> Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?<br />
<strong>31.</strong> Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?<br />
<strong>32.</strong> São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.<br />
<strong>33.</strong> Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.<br />
<strong>34.</strong> Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.</p>
<p><a name="7"> </a><br />
<strong>Capítulo 7</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Não julgueis, e não sereis julgados.<br />
<strong>2.</strong> Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.<br />
<strong>3.</strong> Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?<br />
<strong>4.</strong> Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu?<br />
<strong>5.</strong> Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão.<br />
<strong>6.</strong> Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem.<br />
<strong>7.</strong> Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.<br />
<strong>8.</strong> Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á.<br />
<strong>9.</strong> Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão?<br />
<strong>10.</strong> E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente?<br />
<strong>11.</strong> Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem.<br />
<strong>12.</strong> Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.<br />
<strong>13.</strong> Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram.<br />
<strong>14.</strong> Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.<br />
<strong>15.</strong> Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.<br />
<strong>16.</strong> Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?<br />
<strong>17.</strong> Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.<br />
<strong>18.</strong> Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos.<br />
<strong>19.</strong> Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.<br />
<strong>20.</strong> Pelos seus frutos os conhecereis.<br />
<strong>21.</strong> Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.<br />
<strong>22.</strong> Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?<br />
<strong>23.</strong> E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!<br />
<strong>24.</strong> Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.<br />
<strong>25.</strong> Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha.<br />
<strong>26.</strong> Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia.<br />
<strong>27.</strong> Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.<br />
<strong>28.</strong> Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina.<br />
<strong>29.</strong> Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas.</p>
<p><a name="8"> </a><br />
<strong>Capítulo 8</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão o seguiu.<br />
<strong>2.</strong> Eis que um leproso aproximou-se e prostrou-se diante dele, dizendo: Senhor, se queres, podes curar-me.<br />
<strong>3.</strong> Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero, sê curado. No mesmo instante, a lepra desapareceu.<br />
<strong>4.</strong> Jesus então lhe disse: Vê que não o digas a ninguém. Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote e oferece o dom prescrito por Moisés em testemunho de tua cura.<br />
<strong>5.</strong> Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centurião veio a ele e lhe fez esta súplica:<br />
<strong>6.</strong> Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito.<br />
<strong>7.</strong> Disse-lhe Jesus: Eu irei e o curarei.<br />
<strong>8.</strong> Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado.<br />
<strong>9.</strong> Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz&#8230;<br />
<strong>10.</strong> Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel.<br />
<strong>11.</strong> Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó,<br />
<strong>12.</strong> enquanto os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.<br />
<strong>13.</strong> Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: Vai, seja-te feito conforme a tua fé. Na mesma hora o servo ficou curado.<br />
<strong>14.</strong> Foi então Jesus à casa de Pedro, cuja sogra estava de cama, com febre.<br />
<strong>15.</strong> Tomou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela levantou-se e pôs-se a servi-los.<br />
<strong>16.</strong> Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos.<br />
<strong>17.</strong> Assim se cumpriu a predição do profeta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males (Is 53,4).<br />
<strong>18.</strong> Certo dia, vendo-se no meio de grande multidão, ordenou Jesus que o levassem para a outra margem do lago.<br />
<strong>19.</strong> Nisto aproximou-se dele um escriba e lhe disse: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.<br />
<strong>20.</strong> Respondeu Jesus: As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.<br />
<strong>21.</strong> Outra vez um dos seus discípulos lhe disse: Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai.<br />
<strong>22.</strong> Jesus, porém, lhe respondeu: Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos.<br />
<strong>23.</strong> Subiu ele a uma barca com seus discípulos.<br />
<strong>24.</strong> De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia.<br />
<strong>25.</strong> Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: Senhor, salva-nos, nós perecemos!<br />
<strong>26.</strong> E Jesus perguntou: Por que este medo, gente de pouca fé? Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria.<br />
<strong>27.</strong> Admirados, diziam: Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?<br />
<strong>28.</strong> No outro lado do lago, na terra dos gadarenos, dois possessos de demônios saíram de um cemitério e vieram-lhe ao encontro. Eram tão furiosos que pessoa alguma ousava passar por ali.<br />
<strong>29.</strong> Eis que se puseram a gritar: Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?<br />
<strong>30.</strong> Havia, não longe dali, uma grande manada de porcos que pastava.<br />
<strong>31.</strong> Os demônios imploraram a Jesus: Se nos expulsas, envia-nos para aquela manada de porcos.<br />
<strong>32.</strong> Ide, disse-lhes. Eles saíram e entraram nos porcos. Nesse instante toda a manada se precipitou pelo declive escarpado para o lago, e morreu nas águas.<br />
<strong>33.</strong> Os guardas fugiram e foram contar na cidade o que se tinha passado e o sucedido com os endemoninhados.<br />
<strong>34.</strong> Então a população saiu ao encontro de Jesus. Quando o viu, suplicou-lhe que deixasse aquela região.</p>
<p><a name="9"> </a><br />
<strong>Capítulo 9</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Jesus tomou de novo a barca, passou o lago e veio para a sua cidade.<br />
<strong>2.</strong> Eis que lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: &#8220;Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados.&#8221;<br />
<strong>3.</strong> Ouvindo isto, alguns escribas murmuraram entre si: &#8220;Este homem blasfema.&#8221;<br />
<strong>4.</strong> Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou-lhes: &#8220;Por que pensais mal em vossos corações?<br />
<strong>5.</strong> Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados, ou: Levanta-te e anda?<br />
<strong>6.</strong> Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: Levanta-te &#8211; disse ele ao paralítico -, toma a tua maca e volta para tua casa.&#8221;<br />
<strong>7.</strong> Levantou-se aquele homem e foi para sua casa.<br />
<strong>8.</strong> Vendo isto, a multidão encheu-se de medo e glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens.<br />
<strong>9.</strong> Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: Segue-me. O homem levantou-se e o seguiu.<br />
<strong>10.</strong> Como Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com ele e seus discípulos.<br />
<strong>11.</strong> Vendo isto, os fariseus disseram aos discípulos: &#8220;Por que come vosso mestre com os publicanos e com os pecadores?&#8221;<br />
<strong>12.</strong> Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: &#8220;Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes.<br />
<strong>13.</strong> Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.&#8221;<br />
<strong>14.</strong> Então os discípulos de João, dirigindo-se a ele, perguntaram: &#8220;Por que jejuamos nós e os fariseus, e os teus discípulos não?&#8221;<br />
<strong>15.</strong> Jesus respondeu: Podem os amigos do esposo afligir-se enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que lhes será tirado o esposo. Então eles jejuarão.<br />
<strong>16.</strong> Ninguém põe um remendo de pano novo numa veste velha, porque arrancaria uma parte da veste e o rasgão ficaria pior.<br />
<strong>17.</strong> Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim tanto um como outro se conservam.<br />
<strong>18.</strong> Falava ele ainda, quando se apresentou um chefe da sinagoga. Prostrou-se diante dele e lhe disse: Senhor, minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe as mãos e ela viverá.<br />
<strong>19.</strong> Jesus levantou-se e o foi seguindo com seus discípulos.<br />
<strong>20.</strong> Ora, uma mulher atormentada por um fluxo de sangue, havia doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe a orla do manto.<br />
<strong>21.</strong> Dizia consigo: Se eu somente tocar na sua vestimenta, serei curada.<br />
<strong>22.</strong> Jesus virou-se, viu-a e disse-lhe: Tem confiança, minha filha, tua fé te salvou. E a mulher ficou curada instantaneamente.<br />
<strong>23.</strong> Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus os tocadores de flauta e uma multidão alvoroçada. Disse-lhes:<br />
<strong>24.</strong> Retirai-vos, porque a menina não está morta; ela dorme. Eles, porém, zombavam dele.<br />
<strong>25.</strong> Tendo saído a multidão, ele entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se.<br />
<strong>26.</strong> Esta notícia espalhou-se por toda a região.<br />
<strong>27.</strong> Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: Filho de Davi, tem piedade de nós!<br />
<strong>28.</strong> Jesus entrou numa casa e os cegos aproximaram-se dele. Disse-lhes: Credes que eu posso fazer isso? Sim, Senhor, responderam eles.<br />
<strong>29.</strong> Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé.<br />
<strong>30.</strong> No mesmo instante, os seus olhos se abriram. Recomendou-lhes Jesus em tom severo: Vede que ninguém o saiba.<br />
<strong>31.</strong> Mas apenas haviam saído, espalharam a sua fama por toda a região.<br />
<strong>32.</strong> Logo que se foram, apresentaram-lhe um mudo, possuído do demônio.<br />
<strong>33.</strong> O demônio foi expulso, o mudo falou e a multidão exclamava com admiração: Jamais se viu algo semelhante em Israel.<br />
<strong>34.</strong> Os fariseus, porém, diziam: É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios.<br />
<strong>35.</strong> Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade.<br />
<strong>6.</strong> Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor.<br />
<strong>37.</strong> Disse, então, aos seus discípulos: A messe é grande, mas os operários são poucos.<br />
<strong>38.</strong> Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe.</p>
<p><a name="10"> </a><br />
<strong>Capítulo 10</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Jesus reuniu seus doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade.<br />
<strong>2.</strong> Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão.<br />
<strong>3.</strong> Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.<br />
<strong>4.</strong> Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.<br />
<strong>5.</strong> Estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado as seguintes instruções: Não ireis ao meio dos gentios nem entrareis em Samaria;<br />
<strong>6.</strong> ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel.<br />
<strong>7.</strong> Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo.<br />
<strong>8.</strong> Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!<br />
<strong>9.</strong> Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos,<br />
<strong>10.</strong> nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento.<br />
<strong>11.</strong> Nas cidades ou aldeias onde entrardes, informai-vos se há alguém ali digno de vos receber; ficai ali até a vossa partida.<br />
<strong>12.</strong> Entrando numa casa, saudai-a: Paz a esta casa.<br />
<strong>13.</strong> Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz; se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós.<br />
<strong>14.</strong> Se não vos receberem e não ouvirem vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi até mesmo o pó de vossos pés.<br />
<strong>15.</strong> Em verdade vos digo: no dia do juízo haverá mais indulgência com Sodoma e Gomorra que com aquela cidade.<br />
<strong>16.</strong> Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas.<br />
<strong>17.</strong> Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas.<br />
<strong>18.</strong> Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos.<br />
<strong>19.</strong> Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer.<br />
<strong>20.</strong> Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós.<br />
<strong>21.</strong> O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão.<br />
<strong>22.</strong> Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.<br />
<strong>23.</strong> Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que volte o Filho do Homem.<br />
<strong>24.</strong> O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão.<br />
<strong>25.</strong> Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão. Se chamaram de Beelzebul ao pai de família, quanto mais o farão às pessoas de sua casa!<br />
<strong>26.</strong> Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber.<br />
<strong>27.</strong> O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados.<br />
<strong>28.</strong> Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena.<br />
<strong>29.</strong> Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai.<br />
<strong>30.</strong> Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados.<br />
<strong>31.</strong> Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós.<br />
<strong>32.</strong> Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus.<br />
<strong>33.</strong> Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.<br />
<strong>34.</strong> Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.<br />
<strong>35.</strong> Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra,<br />
<strong>36.</strong> e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa.<br />
<strong>37.</strong> Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim.<br />
<strong>38.</strong> Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.<br />
<strong>39.</strong> Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á.<br />
<strong>40.</strong> Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou.<br />
<strong>41.</strong> Aquele que recebe um profeta, na qualidade de profeta, receberá uma recompensa de profeta. Aquele que recebe um justo, na qualidade de justo, receberá uma recompensa de justo.<br />
<strong>42.</strong> Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa.</p>
<p><a name="11"> </a><br />
<strong>Capítulo 11</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Após ter dado instruções aos seus doze discípulos, Jesus partiu para ensinar e pregar nas cidades daquela região.<br />
<strong>2.</strong> Tendo João, em sua prisão, ouvido falar das obras de Cristo, mandou-lhe dizer pelos seus discípulos:<br />
<strong>3.</strong> Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?<br />
<strong>4.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes:<br />
<strong>5.</strong> os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres&#8230;<br />
<strong>6.</strong> Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!<br />
<strong>7.</strong> Tendo eles partido, disse Jesus à multidão a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?<br />
<strong>8.</strong> Que fostes ver, então? Um homem vestido com roupas luxuosas? Mas os que estão revestidos de tais roupas vivem nos palácios dos reis.<br />
<strong>9.</strong> Então por que fostes para lá? Para ver um profeta? Sim, digo-vos eu, mais que um profeta.<br />
<strong>10.</strong> É dele que está escrito: Eis que eu envio meu mensageiro diante de ti para te preparar o caminho (Ml 3,1).<br />
<strong>11.</strong> Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.<br />
<strong>12.</strong> Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam.<br />
<strong>13.</strong> Porque os profetas e a lei tiveram a palavra até João.<br />
<strong>14.</strong> E, se quereis compreender, é ele o Elias que devia voltar.<br />
<strong>15.</strong> Quem tem ouvidos, ouça.<br />
<strong>16.</strong> A quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos sentados nas praças que gritam aos seus companheiros:<br />
<strong>17.</strong> Tocamos a flauta e não dançais, cantamos uma lamentação e não chorais.<br />
<strong>18.</strong> João veio; ele não bebia e não comia, e disseram: Ele está possesso de um demônio.<br />
<strong>19.</strong> O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos. Mas a sabedoria foi justificada por seus filhos.<br />
<strong>20.</strong> Depois Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número de seus milagres, por terem recusado arrepender-se:<br />
<strong>21.</strong> Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e a cinza.<br />
<strong>22.</strong> Por isso vos digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós!<br />
<strong>23.</strong> E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia.<br />
<strong>24.</strong> Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!<br />
<strong>25.</strong> Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos.<br />
<strong>26.</strong> Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.<br />
<strong>27.</strong> Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.<br />
<strong>28.</strong> Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.<br />
<strong>29.</strong> Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.<br />
<strong>30.</strong> Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.</p>
<p><a name="12"> </a><br />
<strong>Capítulo 12</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Atravessava Jesus os campos de trigo num dia de sábado. Seus discípulos, tendo fome, começaram a arrancar as espigas para comê-las.<br />
<strong>2.</strong> Vendo isto, os fariseus disseram-lhe: Eis que teus discípulos fazem o que é proibido no dia de sábado.<br />
<strong>3.</strong> Jesus respondeu-lhes: Não lestes o que fez Davi num dia em que teve fome, ele e seus companheiros,<br />
<strong>4.</strong> como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição? Ora, nem a ele nem àqueles que o acompanhavam era permitido comer esses pães reservados só aos sacerdotes.<br />
<strong>5.</strong> Não lestes na lei que, nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no templo o descanso do sábado e não se tornam culpados?<br />
<strong>6.</strong> Ora, eu vos declaro que aqui está quem é maior que o templo.<br />
<strong>7.</strong> Se compreendêsseis o sentido destas palavras: Quero a misericórdia e não o sacrifício&#8230; não condenaríeis os inocentes.<br />
<strong>8.</strong> Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado.<br />
<strong>9.</strong> Partindo dali, Jesus entrou na sinagoga.<br />
<strong>10.</strong> Encontrava-se lá um homem que tinha a mão seca. Alguém perguntou a Jesus: É permitido curar no dia de sábado? Isto para poder acusá-lo.<br />
<strong>11.</strong> Jesus respondeu-lhe: Há alguém entre vós que, tendo uma única ovelha e se esta cair num poço no dia de sábado, não a irá procurar e retirar?<br />
<strong>12.</strong> Não vale o homem muito mais que uma ovelha? É permitido, pois, fazer o bem no dia de sábado.<br />
<strong>13.</strong> Disse, então, àquele homem: Estende a mão. Ele a estendeu e ela tornou-se sã como a outra.<br />
<strong>14.</strong> Os fariseus saíram dali e deliberaram sobre os meios de o matar.<br />
<strong>15.</strong> Jesus soube disso e afastou-se daquele lugar. Uma grande multidão o seguiu, e ele curou todos os seus doentes.<br />
<strong>16.</strong> Proibia-lhes formalmente falar disso,<br />
<strong>17.</strong> para que se cumprisse o anunciado pelo profeta Isaías:<br />
<strong>18.</strong> Eis o meu servo a quem escolhi, meu bem-amado em quem minha alma pôs toda sua a afeição. Farei repousar sobre ele o meu Espírito e ele anunciará a justiça aos pagãos.<br />
<strong>19.</strong> Ele não disputará, não elevará sua voz; ninguém ouvirá sua voz nas praças públicas.<br />
<strong>20.</strong> Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar a justiça.<br />
<strong>21.</strong> Em seu nome as nações pagãs porão sua esperança (Is 42,1-4).<br />
<strong>22.</strong> Apresentaram-lhe, depois, um possesso cego e mudo. Jesus o curou de tal modo, que este falava e via.<br />
<strong>23.</strong> A multidão, admirada, dizia: Não será este o filho de Davi?<br />
<strong>24.</strong> Mas, ouvindo isto, os fariseus responderam: É por Beelzebul, chefe dos demônios, que ele os expulsa.<br />
<strong>25.</strong> Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir.<br />
<strong>26.</strong> Se Satanás expele Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, pois, subsistirá o seu reino?<br />
<strong>27.</strong> E se eu expulso os demônios por Beelzebul, por quem é que vossos filhos os expulsam? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes.<br />
<strong>28.</strong> Mas, se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.<br />
<strong>29.</strong> Como pode alguém penetrar na casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem ter primeiro amarrado este homem forte? Só então pode roubar sua casa.<br />
<strong>30.</strong> Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.<br />
<strong>31.</strong> Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada.<br />
<strong>32.</strong> Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro.<br />
<strong>33.</strong> Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore.<br />
<strong>34.</strong> Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração.<br />
<strong>35.</strong> O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro.<br />
<strong>36.</strong> Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido.<br />
<strong>37.</strong> É por tuas palavras que serás justificado ou condenado.<br />
<strong>38.</strong> Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre.<br />
<strong>39.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas:<br />
<strong>40.</strong> do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.<br />
<strong>41.</strong> No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.<br />
<strong>42.</strong> No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão.<br />
<strong>43.</strong> Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha.<br />
<strong>44.</strong> Diz ele, então: Voltarei para a casa donde saí. E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada.<br />
<strong>45.</strong> Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa.<br />
<strong>46.</strong> Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.<br />
<strong>47.</strong> Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te.<br />
<strong>48.</strong> Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?<br />
<strong>49.</strong> E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.<br />
<strong>50.</strong> Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.</p>
<p><a name="13"> </a><br />
<strong>Capítulo 13</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago.<br />
<strong>2.</strong> Acercou-se dele, porém, uma tal multidão, que precisou entrar numa barca. Nela se assentou, enquanto a multidão ficava à margem.<br />
<strong>3.</strong> E seus discursos foram uma série de parábolas.<br />
<strong>4.</strong> Disse ele: Um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram.<br />
<strong>5.</strong> Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda.<br />
<strong>6.</strong> Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes.<br />
<strong>7.</strong> Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram.<br />
<strong>8.</strong> Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um.<br />
<strong>9.</strong> Aquele que tem ouvidos, ouça.<br />
<strong>10.</strong> Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: Por que lhes falas em parábolas?<br />
<strong>11.</strong> Respondeu Jesus: Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não.<br />
<strong>12.</strong> Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem.<br />
<strong>13.</strong> Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam.<br />
<strong>14.</strong> Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis,<br />
<strong>15.</strong> porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare (Is 6,9s).<br />
<strong>16.</strong> Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem!<br />
<strong>17.</strong> Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram.<br />
<strong>18.</strong> Ouvi, pois, o sentido da parábola do semeador:<br />
<strong>19.</strong> quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho.<br />
<strong>20.</strong> O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida,<br />
<strong>21.</strong> mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda.<br />
<strong>22.</strong> O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa.<br />
<strong>23.</strong> A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um.<br />
<strong>24.</strong> Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo.<br />
<strong>25.</strong> Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu.<br />
<strong>26.</strong> O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio.<br />
<strong>27.</strong> Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: &#8211; Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio?<br />
<strong>28.</strong> Disse-lhes ele: &#8211; Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: &#8211; Queres que vamos e o arranquemos?<br />
<strong>29.</strong> &#8211; Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo.<br />
<strong>30.</strong> Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro.<br />
<strong>31.</strong> Em seguida, propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo.<br />
<strong>32.</strong> É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos.<br />
<strong>33.</strong> Disse-lhes, por fim, esta outra parábola. O Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa.<br />
<strong>34.</strong> Tudo isto disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava,<br />
<strong>35.</strong> para que se cumprisse a profecia: Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação (Sl 77,2).<br />
<strong>36.</strong> Então despediu a multidão. Em seguida, entrou de novo na casa e seus discípulos agruparam-se ao redor dele para perguntar-lhe: Explica-nos a parábola do joio no campo.<br />
<strong>37.</strong> Jesus respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem.<br />
<strong>38.</strong> O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno.<br />
<strong>39.</strong> O inimigo, que o semeia, é o demônio. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos.<br />
<strong>40.</strong> E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo.<br />
<strong>41.</strong> O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal<br />
<strong>42.</strong> e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.<br />
<strong>43.</strong> Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça.<br />
<strong>44.</strong> O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.<br />
<strong>45.</strong> O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.<br />
<strong>46.</strong> Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.<br />
<strong>47.</strong> O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.<br />
<strong>48.</strong> Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta.<br />
<strong>49.</strong> Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos<br />
<strong>50.</strong> e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes.<br />
<strong>51.</strong> Compreendestes tudo isto? Sim, Senhor, responderam eles.<br />
<strong>52.</strong> Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.<br />
<strong>53.</strong> Após ter exposto as parábolas, Jesus partiu.<br />
<strong>54.</strong> Foi para a sua cidade e ensinava na sinagoga, de modo que todos diziam admirados: Donde lhe vem esta sabedoria e esta força miraculosa?<br />
<strong>55.</strong> Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?<br />
<strong>56.</strong> E suas irmãs, não vivem todas entre nós? Donde lhe vem, pois, tudo isso?<br />
<strong>57.</strong> E não sabiam o que dizer dele. Disse-lhes, porém, Jesus: É só em sua pátria e em sua família que um profeta é menosprezado.<br />
<strong>58.</strong> E, por causa da falta de confiança deles, operou ali poucos milagres.</p>
<p><a name="14"> </a><br />
<strong>Capítulo 14</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Por aquela mesma época, o tetrarca Herodes ouviu falar de Jesus.<br />
<strong>2.</strong> E disse aos seus cortesãos: É João Batista que ressuscitou. É por isso que ele faz tantos milagres.<br />
<strong>3.</strong> Com efeito, Herodes havia mandado prender e acorrentar João, e o tinha mandado meter na prisão por causa de Herodíades, esposa de seu irmão Filipe.<br />
<strong>4.</strong> João lhe tinha dito: Não te é permitido tomá-la por mulher!<br />
<strong>5.</strong> De boa mente o mandaria matar; temia, porém, o povo que considerava João um profeta.<br />
<strong>6.</strong> Mas, na festa de aniversário de nascimento de Herodes, a filha de Herodíades dançou no meio dos convidados e agradou a Herodes.<br />
<strong>7.</strong> Por isso, ele prometeu com juramento dar-lhe tudo o que lhe pedisse.<br />
<strong>8.</strong> Por instigação de sua mãe, ela respondeu: Dá-me aqui, neste prato, a cabeça de João Batista.<br />
<strong>9.</strong> O rei entristeceu-se, mas como havia jurado diante dos convidados, ordenou que lha dessem;<br />
<strong>10.</strong> e mandou decapitar João na sua prisão.<br />
<strong>11.</strong> A cabeça foi trazida num prato e dada à moça, que a entregou à sua mãe.<br />
<strong>12.</strong> Vieram, então, os discípulos de João transladar seu corpo, e o enterraram. Depois foram dar a notícia a Jesus.<br />
<strong>13.</strong> A essa notícia, Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé.<br />
<strong>14.</strong> Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes.<br />
<strong>15.</strong> Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia.<br />
<strong>16.</strong> Jesus, porém, respondeu: Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer.<br />
<strong>17.</strong> Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes. _<br />
<strong>18.</strong> Trazei-mos, disse-lhes ele.<br />
<strong>19.</strong> Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo.<br />
<strong>20.</strong> Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios.<br />
<strong>21.</strong> Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças.<br />
<strong>22.</strong> Logo depois, Jesus obrigou seus discípulos a entrar na barca e a passar antes dele para a outra margem, enquanto ele despedia a multidão.<br />
<strong>23.</strong> Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite,<br />
estava lá sozinho.<br />
<strong>24.</strong> Entretanto, já a boa distância da margem, a barca era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.<br />
<strong>25.</strong> Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles, caminhando sobre o mar.<br />
<strong>26.</strong> Quando os discípulos o perceberam caminhando sobre as águas, ficaram com medo: É um fantasma! disseram eles, soltando gritos de terror.<br />
<strong>27.</strong> Mas Jesus logo lhes disse: Tranqüilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!<br />
<strong>28.</strong> Pedro tomou a palavra e falou: Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de ti!<br />
<strong>29.</strong> Ele disse-lhe: Vem! Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus.<br />
<strong>30.</strong> Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!<br />
<strong>31.</strong> No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe disse: Homem de pouca fé, por que duvidaste?<br />
<strong>32.</strong> Apenas tinham subido para a barca, o vento cessou.<br />
<strong>33.</strong> Então aqueles que estavam na barca prostraram-se diante dele e disseram: Tu és verdadeiramente o Filho de Deus.<br />
<strong>34.</strong> E, tendo atravessado, chegaram a Genesaré.<br />
<strong>35.</strong> As pessoas do lugar o reconheceram e mandaram anunciar por todos os arredores. Apresentaram-lhe, então, todos os doentes,<br />
<strong>36.</strong> rogando-lhe que ao menos deixasse tocar na orla de sua veste. E, todos aqueles que nele tocaram, foram curados.</p>
<p><a name="15"> </a><br />
<strong>Capítulo 15</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Alguns fariseus e escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram:<br />
<strong>2.</strong> Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer.<br />
<strong>3.</strong> Jesus respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição?<br />
<strong>4.</strong> Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será castigado de morte (Ex 20,12; 21,17).<br />
<strong>5.</strong> Mas vós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já ofereci a Deus,<br />
<strong>6.</strong> esse já não é obrigado a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus.<br />
<strong>7.</strong> Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías:<br />
<strong>8.</strong> Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim.<br />
<strong>9.</strong> Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13).<br />
<strong>10.</strong> Depois, reuniu os assistentes e disse-lhes:<br />
<strong>11.</strong> Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem.<br />
<strong>12.</strong> Então se aproximaram dele seus discípulos e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram com as palavras que ouviram?<br />
<strong>13.</strong> Jesus respondeu: Toda planta que meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz.<br />
<strong>14.</strong> Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala.<br />
<strong>15.</strong> Tomando então a palavra, Pedro disse: Explica-nos esta parábola.<br />
<strong>16.</strong> Jesus respondeu: Sois também vós de tão pouca compreensão?<br />
<strong>17.</strong> Não compreendeis que tudo o que entra pela boca vai ao ventre e depois é lançado num lugar secreto?<br />
<strong>18.</strong> Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem.<br />
<strong>19.</strong> Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias.<br />
<strong>20.</strong> Eis o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, isso não mancha o homem.<br />
<strong>21.</strong> Jesus partiu dali e retirou-se para os arredores de Tiro e Sidônia.<br />
<strong>22.</strong> E eis que uma cananéia, originária daquela terra, gritava: Senhor, filho<br />
de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio.<br />
<strong>23.</strong> Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos vieram a ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos.<br />
<strong>24.</strong> Jesus respondeu-lhes: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.<br />
<strong>25.</strong> Mas aquela mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: Senhor, ajuda-me!<br />
<strong>26.</strong> Jesus respondeu-lhe: Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos. _<br />
<strong>27.</strong> Certamente, Senhor, replicou-lhe ela; mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos&#8230;<br />
<strong>28.</strong> Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada.<br />
<strong>29.</strong> Jesus saiu daquela região e voltou para perto do mar da Galiléia. Subiu a uma colina e sentou-se ali.<br />
<strong>30.</strong> Então numerosa multidão aproximou-se dele, trazendo consigo mudos, cegos, coxos, aleijados e muitos outros enfermos. Puseram-nos aos seus pés e ele os curou,<br />
<strong>31.</strong> de sorte que o povo estava admirado ante o espetáculo dos mudos que falavam, daqueles aleijados curados, de coxos que andavam, dos cegos que viam; e glorificavam ao Deus de Israel.<br />
<strong>32.</strong> Jesus, porém, reuniu os seus discípulos e disse-lhes: Tenho piedade esta multidão: eis que há três dias está perto de mim e não tem nada para comer. Não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho.<br />
<strong>33.</strong> Disseram-lhe os discípulos: De que maneira procuraremos neste lugar deserto pão bastante para saciar tal multidão?<br />
<strong>34.</strong> Pergunta-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Sete, e alguns peixinhos, responderam eles.<br />
<strong>35.</strong> Mandou, então, a multidão assentar-se no chão,<br />
<strong>36.</strong> tomou os sete pães e os peixes e abençoou-os. Depois os partiu e os deu aos discípulos, que os distribuíram à multidão.<br />
<strong>37.</strong> Todos comeram e ficaram saciados, e, dos pedaços que restaram, encheram sete cestos.<br />
<strong>38.</strong> Ora, os que se alimentaram foram quatro mil homens, sem contar as mulheres e as crianças.<br />
<strong>39.</strong> Jesus então despediu o povo, subiu para a barca e retornou à região de Magadã.</p>
<p><a name="16"> </a><br />
<strong>Capítulo 16</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Os fariseus e os saduceus achegaram-se a Jesus para submetê-lo à prova e pediram-lhe que lhes mostrasse um milagre do céu.<br />
<strong>2.</strong> Ele lhes respondeu: Quando vem a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado.<br />
<strong>3.</strong> E de manhã: Hoje haverá tormenta, porque o céu está de um vermelho sombrio.<br />
<strong>4.</strong> Hipócritas! Sabeis distinguir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? Essa raça perversa e adúltera pede um milagre! Mas não lhe será dado outro sinal senão o de Jonas! Depois, deixando-os, partiu.<br />
<strong>5.</strong> Ora, passando para a outra margem do lago, os discípulos haviam esquecido de levar pão.<br />
<strong>6.</strong> Jesus disse-lhes: Guardai-vos com cuidado do fermento dos fariseus e dos saduceus.<br />
<strong>7.</strong> Eles pensavam: É que não trouxemos pão&#8230;<br />
<strong>8.</strong> Jesus, penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes: Homens de pouca fé! Por que julgais que vos falei por não terdes pão?<br />
<strong>9.</strong> Ainda não compreendeis? Nem vos lembrais dos cinco pães e dos cinco mil homens, e de quantos cestos recolhestes?<br />
<strong>10.</strong> Nem dos sete pães para os quatro mil homens e de quantos cestos enchestes?<br />
<strong>11.</strong> Por que não compreendeis que não é do pão que eu vos falava, quando vos disse: Guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus?<br />
<strong>12.</strong> Então entenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.<br />
<strong>13.</strong> Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?<br />
<strong>14.</strong> Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas.<br />
<strong>15.</strong> Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou?<br />
<strong>16.</strong> Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!<br />
<strong>17.</strong> Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.<br />
<strong>18.</strong> E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.<br />
<strong>19.</strong> Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.<br />
<strong>20.</strong> Depois, ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.<br />
<strong>21.</strong> Desde então, Jesus começou a manifestar a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia.<br />
<strong>22.</strong> Pedro então começou a interpelá-lo e protestar nestes termos: Que Deus não permita isto, Senhor! Isto não te acontecerá!<br />
<strong>23.</strong> Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!<br />
<strong>24.</strong> Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.<br />
<strong>25.</strong> Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á.<br />
<strong>26.</strong> Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?&#8230;<br />
<strong>27.</strong> Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras.<br />
<strong>28.</strong> Em verdade vos declaro: muitos destes que aqui estão não verão a morte, sem que tenham visto o Filho do Homem voltar na majestade de seu Reino.</p>
<p><a name="17"> </a><br />
<strong>Capítulo 17</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha.<br />
<strong>2.</strong> Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.<br />
<strong>3.</strong> E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele.<br />
<strong>4.</strong> Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o.<br />
<strong>6.</strong> Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.<br />
<strong>7.</strong> Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais.<br />
<strong>8.</strong> Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus.<br />
<strong>9.</strong> E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.<br />
<strong>10.</strong> Em seguida, os discípulos o interrogaram: Por que dizem os escribas que Elias deve voltar primeiro?<br />
<strong>11.</strong> Jesus respondeu-lhes: Elias, de fato, deve voltar e restabelecer todas as coisas.<br />
<strong>12.</strong> Mas eu vos digo que Elias já veio, mas não o conheceram; antes, fizeram com ele quanto quiseram. Do mesmo modo farão sofrer o Filho do Homem.<br />
<strong>13.</strong> Os discípulos compreenderam, então, que ele lhes falava de João Batista.<br />
<strong>14.</strong> E, quando eles se reuniram ao povo, um homem aproximou-se deles e prostrou-se diante de Jesus,<br />
<strong>15.</strong> dizendo: Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito: ora cai no fogo, ora na água&#8230;<br />
<strong>16.</strong> Já o apresentei a teus discípulos, mas eles não o puderam curar.<br />
<strong>17.</strong> Respondeu Jesus: Raça incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Até quando hei de aturar-vos? Trazei-mo.<br />
<strong>18.</strong> Jesus ameaçou o demônio e este saiu do menino, que ficou curado na mesma hora.<br />
<strong>19.</strong> Então os discípulos lhe perguntaram em particular: Por que não pudemos nós expulsar este demônio?<br />
<strong>20.</strong> Jesus respondeu-lhes: Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela irá; e nada vos será impossível. Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum.<br />
<strong>21.</strong> Enquanto caminhava pela Galiléia, Jesus lhes disse: O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos homens.<br />
<strong>22.</strong> Matá-lo-ão, mas ao terceiro dia ressuscitará. E eles ficaram profundamente aflitos.<br />
<strong>23.</strong> Logo que chegaram a Cafarnaum, aqueles que cobravam o imposto da didracma aproximaram-se de Pedro e lhe perguntaram: Teu mestre não paga a didracma?<br />
<strong>24.</strong> Paga sim, respondeu Pedro. Mas quando chegaram à casa, Jesus preveniu-o, dizendo: Que te parece, Simão? Os reis da terra, de quem recebem os tributos ou os impostos? De seus filhos ou dos estrangeiros?<br />
<strong>25.</strong> Pedro respondeu: Dos estrangeiros. Jesus replicou: Os filhos, então, estão isentos.<br />
<strong>26.</strong> Mas não convém escandalizá-los. Vai ao mar, lança o anzol, e ao primeiro peixe que pegares abrirás a boca e encontrarás um estatere. Toma-o e dá-o por mim e por ti.</p>
<p><a name="18"> </a><br />
<strong>Capítulo 18</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus?<br />
<strong>2.</strong> Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse:<br />
<strong>3.</strong> Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus.<br />
<strong>4.</strong> Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus.<br />
<strong>5.</strong> E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe.<br />
<strong>6.</strong> Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.<br />
<strong>7.</strong> Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!<br />
<strong>8.</strong> Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno.<br />
<strong>9.</strong> Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena.<br />
<strong>10.</strong> Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus.<br />
<strong>11.</strong> [Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.]<br />
<strong>12.</strong> Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se desgarrou?<br />
<strong>13.</strong> E se a encontra, sente mais júbilo do que pelas noventa e nove que não se desgarraram.<br />
<strong>14.</strong> Assim é a vontade de vosso Pai celeste, que não se perca um só destes pequeninos.<br />
<strong>15.</strong> Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão.<br />
<strong>16.</strong> Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.<br />
<strong>17.</strong> Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.<br />
<strong>18.</strong> Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu.<br />
<strong>19.</strong> Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus.<br />
<strong>20.</strong> Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.<br />
<strong>21.</strong> Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?<br />
<strong>22.</strong> Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.<br />
<strong>23.</strong> Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos.<br />
<strong>24.</strong> Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.<br />
<strong>25.</strong> Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.<br />
<strong>26.</strong> Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!<br />
<strong>27.</strong> Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida.<br />
<strong>28.</strong> Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves!<br />
<strong>29.</strong> O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei!<br />
<strong>30.</strong> Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida.<br />
<strong>31.</strong> Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado.<br />
<strong>32.</strong> Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste.<br />
<strong>33.</strong> Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?<br />
<strong>34.</strong> E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida.<br />
<strong>35.</strong> Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração.</p>
<p><a name="19"> </a><br />
<strong>Capítulo 19</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Após esses discursos, Jesus deixou a Galiléia e veio para a Judéia, além do Jordão.<br />
<strong>2.</strong> Uma grande multidão o seguiu e ele curou seus doentes.<br />
<strong>3.</strong> Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?<br />
<strong>4.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse:<br />
<strong>5.</strong> Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne?<br />
<strong>6.</strong> Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.<br />
<strong>7.</strong> Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?<br />
<strong>8.</strong> Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim.<br />
<strong>9.</strong> Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.<br />
<strong>10.</strong> Seus discípulos disseram-lhe: Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!<br />
<strong>11.</strong> Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado.<br />
<strong>12.</strong> Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.<br />
<strong>13.</strong> Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os discípulos, porém, as afastavam.<br />
<strong>14.</strong> Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.<br />
<strong>15.</strong> E, depois de impor-lhes as mãos, continuou seu caminho.<br />
<strong>16.</strong> Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus:<br />
<strong>17.</strong> Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos.<br />
<strong>18.</strong> Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho,<br />
<strong>19.</strong> honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.<br />
<strong>20.</strong> Disse-lhe o jovem: Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda?<br />
<strong>21.</strong> Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!<br />
<strong>22.</strong> Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens.<br />
<strong>23.</strong> Jesus disse então aos seus discípulos: Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus!<br />
<strong>24.</strong> Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.<br />
<strong>25.</strong> A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem poderá então salvar-se?<br />
<strong>26.</strong> Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.<br />
<strong>27.</strong> Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?<br />
<strong>28.</strong> Respondeu Jesus: Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.<br />
<strong>29.</strong> E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.<br />
<strong>30.</strong> Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros.</p>
<p><a name="20"> </a><br />
<strong>Capítulo 20</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha.<br />
<strong>2.</strong> Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.<br />
<strong>3.</strong> Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada.<br />
<strong>4.</strong> Disse-lhes ele: &#8211; Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário.<br />
<strong>5.</strong> Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo.<br />
<strong>6.</strong> Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: &#8211; Por que estais todo o dia sem fazer nada?<br />
<strong>7.</strong> Eles responderam: &#8211; É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: &#8211; Ide vós também para minha vinha.<br />
<strong>8.</strong> Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: &#8211; Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros.<br />
<strong>9.</strong> Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário.<br />
<strong>10.</strong> Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário.<br />
<strong>11.</strong> Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:<br />
<strong>12.</strong> &#8211; Os últimos só trabalharam uma hora&#8230; e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor.<br />
<strong>13.</strong> O senhor, porém, observou a um deles: &#8211; Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário?<br />
<strong>14.</strong> Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti.<br />
<strong>15.</strong> Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?<br />
<strong>16.</strong> Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. [ Muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos.]<br />
<strong>17.</strong> Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes:<br />
<strong>18.</strong> Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte.<br />
<strong>19.</strong> E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará.<br />
<strong>20.</strong> Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica.<br />
<strong>21.</strong> Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda.<br />
<strong>22.</strong> Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber? Sim, disseram-lhe.<br />
<strong>23.</strong> De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder. Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou.<br />
<strong>24.</strong> Os dez outros, que haviam ouvido tudo, indignaram-se contra os dois irmãos.<br />
<strong>25.</strong> Jesus, porém, os chamou e lhes disse: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade.<br />
<strong>26.</strong> Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo.<br />
<strong>27.</strong> E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo.<br />
<strong>28.</strong> Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.<br />
<strong>29.</strong> Ao sair de Jericó, uma grande multidão o seguiu.<br />
<strong>30.</strong> Dois cegos, sentados à beira do caminho, ouvindo dizer que Jesus passava, começaram a gritar: Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!<br />
<strong>31.</strong> A multidão, porém, os repreendia para que se calassem. Mas eles gritavam ainda mais forte: Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!<br />
<strong>32.</strong> Jesus parou, chamou-os e perguntou-lhes: Que quereis que eu vos faça?<br />
<strong>33.</strong> Senhor, que nossos olhos se abram!<br />
<strong>34.</strong> Jesus, cheio de compaixão, tocou-lhes os olhos. Instantaneamente recobraram a vista e puseram-se a segui-lo.</p>
<p><a name="21"> </a><br />
<strong>Capítulo 21</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,<br />
<strong>2.</strong> dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos.<br />
<strong>3.</strong> Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá.<br />
<strong>4.</strong> Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta:<br />
<strong>5.</strong> Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo (Zc 9,9).<br />
<strong>6.</strong> Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus.<br />
<strong>7.</strong> Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar.<br />
<strong>8.</strong> Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada.<br />
<strong>9.</strong> E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!<br />
<strong>10.</strong> Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este?<br />
<strong>11.</strong> A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.<br />
<strong>12.</strong> Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas,<br />
<strong>13.</strong> e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração (Is 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)!<br />
<strong>14.</strong> Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os curou,<br />
<strong>15.</strong> com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho de Davi!<br />
<strong>16.</strong> Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente, respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor (Sl 8,3)?<br />
<strong>17.</strong> Depois os deixou e saiu da cidade para hospedar-se em Betânia.<br />
<strong>18.</strong> De manhã, voltando à cidade, teve fome.<br />
<strong>19.</strong> Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas só achou nela folhas; e disse-lhe: Jamais nasça fruto de ti!<br />
<strong>20.</strong> E imediatamente a figueira secou. À vista disto, os discípulos ficaram estupefatos e disseram: Como ficou seca num instante a figueira?!<br />
<strong>21.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos declaro que, se tiverdes fé e não hesitardes, não só fareis o que foi feito a esta figueira, mas ainda se disserdes a esta montanha: Levanta-te daí e atira-te ao mar, isso se fará&#8230;<br />
<strong>22.</strong> Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis.<br />
<strong>23.</strong> Dirigiu-se Jesus ao templo. E, enquanto ensinava, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se e perguntaram-lhe: Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade?<br />
<strong>24.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Eu vos proporei também uma questão. Se responderdes, eu vos direi com que direito o faço.<br />
<strong>25.</strong> Donde procedia o batismo de João: do céu ou dos homens? Ora, eles raciocinavam entre si: Se respondermos: Do céu, ele nos dirá: Por que não crestes nele?<br />
<strong>26.</strong> E se dissermos: Dos homens, é de temer-se a multidão, porque todo o mundo considera João como profeta.<br />
<strong>27.</strong> Responderam a Jesus: Não sabemos. Pois eu tampouco vos digo, retorquiu Jesus, com que direito faço estas coisas.<br />
<strong>28.</strong> Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: &#8211; Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha.<br />
<strong>29.</strong> Respondeu ele: &#8211; Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi.<br />
<strong>30.</strong> Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: &#8211; Sim, pai! Mas não foi.<br />
<strong>31.</strong> Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!<br />
<strong>32.</strong> João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele.<br />
<strong>33.</strong> Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.<br />
<strong>34.</strong> Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.<br />
<strong>35.</strong> Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro.<br />
<strong>36.</strong> Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo.<br />
<strong>37.</strong> Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho.<br />
<strong>38.</strong> Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!<br />
<strong>39.</strong> Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.<br />
<strong>40.</strong> Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?<br />
<strong>41.</strong> Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo.<br />
<strong>42.</strong> Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)?<br />
<strong>43.</strong> Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele.<br />
<strong>44.</strong> [Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado.]<br />
<strong>45.</strong> Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava.<br />
<strong>46.</strong> E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta.</p>
<p><a name="22"> </a><br />
<strong>Capítulo 22</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:<br />
<strong>2.</strong> O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho.<br />
<strong>3.</strong> Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir.<br />
<strong>4.</strong> Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!<br />
<strong>5.</strong> Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio.<br />
<strong>6.</strong> Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.<br />
<strong>7.</strong> O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.<br />
<strong>8.</strong> Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos.<br />
<strong>9.</strong> Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes.<br />
<strong>10.</strong> Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.<br />
<strong>11.</strong> O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial.<br />
<strong>12.</strong> Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma.<br />
<strong>13.</strong> Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes.<br />
<strong>14.</strong> Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.<br />
<strong>15.</strong> Reuniram-se então os fariseus para deliberar entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras.<br />
<strong>16.</strong> Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.<br />
<strong>17.</strong> Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César?<br />
<strong>18.</strong> Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas?<br />
<strong>19.</strong> Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário.<br />
<strong>20.</strong> Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição?<br />
<strong>21.</strong> De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.<br />
<strong>22.</strong> Esta resposta encheu-os de admiração e, deixando-o, retiraram-se.<br />
<strong>23.</strong> Naquele mesmo dia, os saduceus, que negavam a ressurreição, interrogaram-no:<br />
<strong>24.</strong> Mestre, Moisés disse: Se um homem morrer sem filhos, seu irmão case-se com a sua viúva e dê-lhe assim uma posteridade (Dt 25,5).<br />
<strong>25.</strong> Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu. Como não tinha filhos, deixou sua mulher ao seu irmão.<br />
<strong>26.</strong> O mesmo sucedeu ao segundo, depois ao terceiro, até o sétimo.<br />
<strong>27.</strong> Por sua vez, depois deles todos, morreu também a mulher.<br />
<strong>28.</strong> Na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, uma vez que todos a tiveram?<br />
<strong>29.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus.<br />
<strong>30.</strong> Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu.<br />
<strong>31.</strong> Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse:<br />
<strong>32.</strong> Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Ex 3,6)? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos.<br />
<strong>33.</strong> E, ouvindo esta doutrina, as turbas se enchiam de grande admiração.<br />
<strong>34.</strong> Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se<br />
<strong>35.</strong> e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova:<br />
<strong>36.</strong> Mestre, qual é o maior mandamento da lei?<br />
<strong>37.</strong> Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5).<br />
<strong>38.</strong> Este é o maior e o primeiro mandamento.<br />
<strong>39.</strong> E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).<br />
<strong>40.</strong> Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.<br />
<strong>41.</strong> Como os fariseus se agrupassem, Jesus interrogou-os:<br />
<strong>42.</strong> Que pensais vós de Cristo? De quem é filho? Responderam: De Davi!<br />
<strong>43.</strong> Como então, prosseguiu Jesus, Davi, falando sob inspiração do Espírito, chama-o Senhor, dizendo:<br />
<strong>44.</strong> O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1)?<br />
<strong>45.</strong> Se, pois, Davi o chama Senhor, como é ele seu filho?<br />
<strong>46.</strong> Ninguém pôde responder-lhe nada. E, depois daquele dia, ninguém mais ousou interrogá-lo.</p>
<p><a name="23"> </a><br />
<strong>Capítulo 23</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse:<br />
<strong>2.</strong> Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.<br />
<strong>3.</strong> Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem.<br />
<strong>4.</strong> Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo.<br />
<strong>5.</strong> Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.<br />
<strong>6.</strong> Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas.<br />
<strong>7.</strong> Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens.<br />
<strong>8.</strong> Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.<br />
<strong>9.</strong> E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus.<br />
<strong>10.</strong> Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo.<br />
<strong>11.</strong> O maior dentre vós será vosso servo.<br />
<strong>12.</strong> Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado.<br />
<strong>13.</strong> Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar.<br />
<strong>14.</strong> [Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Devorais as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso, sereis castigados com muito maior rigor.]<br />
<strong>15.</strong> Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos.<br />
<strong>16.</strong> Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: Se alguém jura pelo templo, isto não é nada; mas se jura pelo tesouro do templo, é obrigado pelo seu juramento.<br />
<strong>17.</strong> Insensatos, cegos! Qual é o maior: o ouro ou o templo que santifica o ouro?<br />
<strong>18.</strong> E dizeis ainda: Se alguém jura pelo altar, não é nada; mas se jura pela oferta que está sobre ele, é obrigado.<br />
<strong>19.</strong> Cegos! Qual é o maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?<br />
<strong>20.</strong> Aquele que jura pelo altar, jura ao mesmo tempo por tudo o que está sobre ele.<br />
<strong>21.</strong> Aquele que jura pelo templo, jura ao mesmo tempo por aquele que nele habita.<br />
<strong>22.</strong> E aquele que jura pelo céu, jura ao mesmo tempo pelo trono de Deus, e por aquele que nele está sentado.<br />
<strong>23.</strong> Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante.<br />
<strong>24.</strong> Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo.<br />
<strong>25.</strong> Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estais cheios de roubo e de intemperança.<br />
<strong>26.</strong> Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo.<br />
<strong>27.</strong> Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão.<br />
<strong>28.</strong> Assim também vós: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.<br />
<strong>29.</strong> Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Edificais sepulcros aos profetas, adornais os monumentos dos justos<br />
<strong>30.</strong> e dizeis: Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos manchado nossas mãos como eles no sangue dos profetas&#8230;<br />
<strong>31.</strong> Testemunhais assim contra vós mesmos que sois de fato os filhos dos assassinos dos profetas.<br />
<strong>32.</strong> Acabai, pois, de encher a medida de vossos pais!<br />
<strong>33.</strong> Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?<br />
<strong>34.</strong> Vede, eu vos envio profetas, sábios, doutores. Matareis e crucificareis uns e açoitareis outros nas vossas sinagogas. Persegui-los-eis de cidade em cidade,<br />
<strong>35.</strong> para que caia sobre vós todos o sangue inocente derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o templo e o altar.<br />
<strong>36.</strong> Em verdade vos digo: todos esses crimes pesam sobre esta raça.<br />
<strong>37.</strong> Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas&#8230; e tu não quiseste!<br />
<strong>38.</strong> Pois bem, a vossa casa vos é deixada deserta.<br />
<strong>39.</strong> Porque eu vos digo: já não me vereis de hoje em diante, até que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor.</p>
<p><a name="24"> </a><br />
<strong>Capítulo 24</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções.<br />
<strong>2.</strong> Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído.<br />
<strong>3.</strong> Indo ele assentar-se no monte das Oliveiras, achegaram-se os discípulos e, estando a sós com ele, perguntaram-lhe: Quando acontecerá isto? E qual será o sinal de tua volta e do fim do mundo?<br />
<strong>4.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Cuidai que ninguém vos seduza.<br />
<strong>5.</strong> Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu o Cristo. E seduzirão a muitos.<br />
<strong>6.</strong> Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerra. Atenção: que isso não vos perturbe, porque é preciso que isso aconteça. Mas ainda não será o fim.<br />
<strong>7.</strong> Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares.<br />
<strong>8.</strong> Tudo isto será apenas o início das dores.<br />
<strong>9.</strong> Então sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por minha causa objeto de ódio para todas as nações.<br />
<strong>10.</strong> Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão.<br />
<strong>11.</strong> Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos.<br />
<strong>12.</strong> E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará.<br />
<strong>13.</strong> Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo.<br />
<strong>14.</strong> Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim.<br />
<strong>15.</strong> Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9,27) &#8211; o leitor entenda bem -<br />
<strong>16.</strong> então os habitantes da Judéia fujam para as montanhas.<br />
<strong>17.</strong> Aquele que está no terraço da casa não desça para tomar o que está em sua casa.<br />
<strong>18.</strong> E aquele que está no campo não volte para buscar suas vestimentas.<br />
<strong>19.</strong> Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias!<br />
<strong>20.</strong> Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado;<br />
<strong>21.</strong> porque então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será.<br />
<strong>22.</strong> Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.<br />
<strong>23.</strong> Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais.<br />
<strong>24.</strong> Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos.<br />
<strong>25.</strong> Eis que estais prevenidos.<br />
<strong>26.</strong> Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais.<br />
<strong>27.</strong> Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem.<br />
<strong>28.</strong> Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres.<br />
<strong>29.</strong> Logo após estes dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, cairão do céu as estrelas e as potências dos céus serão abaladas.<br />
<strong>30.</strong> Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade.<br />
<strong>31.</strong> Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do céu à outra.<br />
<strong>32.</strong> Compreendei isto pela comparação da figueira: quando seus ramos estão tenros e crescem as folhas, pressentis que o verão está próximo.<br />
<strong>33.</strong> Do mesmo modo, quando virdes tudo isto, sabei que o Filho do Homem está próximo, à porta.<br />
<strong>34.</strong> Em verdade vos declaro: não passará esta geração antes que tudo isto aconteça.<br />
<strong>35.</strong> O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.<br />
<strong>36.</strong> Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai.<br />
<strong>37.</strong> Assim como foi nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem.<br />
<strong>38.</strong> Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.<br />
<strong>39.</strong> E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem.<br />
<strong>40.</strong> Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado.<br />
<strong>41.</strong> Duas mulheres estarão moendo no mesmo moinho: uma será tomada a outra será deixada.<br />
<strong>42.</strong> Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.<br />
<strong>43.</strong> Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.<br />
<strong>44.</strong> Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.<br />
<strong>45.</strong> Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?<br />
<strong>46.</strong> Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!<br />
<strong>47.</strong> Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens.<br />
<strong>48.</strong> Mas, se é um mau servo que imagina consigo:<br />
<strong>49.</strong> &#8211; Meu senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios,<br />
<strong>50.</strong> o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe,<br />
<strong>51.</strong> e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.</p>
<p><a name="25"> </a><br />
<strong>Capítulo 25</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Então o Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo.<br />
<strong>2.</strong> Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes.<br />
<strong>3.</strong> Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo.<br />
<strong>4.</strong> As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas.<br />
<strong>5.</strong> Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram.<br />
<strong>6.</strong> No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro.<br />
<strong>7.</strong> E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas.<br />
<strong>8.</strong> As tolas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando.<br />
<strong>9.</strong> As prudentes responderam: Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós.<br />
<strong>10.</strong> Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta.<br />
<strong>11.</strong> Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: Senhor, senhor, abre-nos!<br />
<strong>12.</strong> Mas ele respondeu: Em verdade vos digo: não vos conheço!<br />
<strong>13.</strong> Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.<br />
<strong>14.</strong> Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.<br />
<strong>15.</strong> A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.<br />
<strong>16.</strong> Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco.<br />
<strong>17.</strong> Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.<br />
<strong>18.</strong> Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.<br />
<strong>19.</strong> Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.<br />
<strong>20.</strong> O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: &#8211; Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.&#8217;<br />
<strong>21.</strong> Disse-lhe seu senhor: &#8211; Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.<br />
<strong>22.</strong> O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: &#8211; Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei.<br />
<strong>23.</strong> Disse-lhe seu senhor: &#8211; Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.<br />
<strong>24.</strong> Veio, por fim, o que recebeu só um talento: &#8211; Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.<br />
<strong>25.</strong> Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.<br />
<strong>26.</strong> Respondeu-lhe seu senhor: &#8211; Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.<br />
<strong>27.</strong> Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.<br />
<strong>28.</strong> Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.<br />
<strong>29.</strong> Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.<br />
<strong>30.</strong> E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.<br />
<strong>31.</strong> Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.<br />
<strong>32.</strong> Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.<br />
<strong>33.</strong> Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.<br />
<strong>34.</strong> Então o Rei dirá aos que estão à direita: &#8211; Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,<br />
<strong>35.</strong> porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;<br />
<strong>36.</strong> nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.<br />
<strong>37.</strong> Perguntar-lhe-ão os justos: &#8211; Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?<br />
<strong>38.</strong> Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?<br />
<strong>39.</strong> Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?<br />
<strong>40.</strong> Responderá o Rei: &#8211; Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.<br />
<strong>41.</strong> Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: &#8211; Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.<br />
<strong>42.</strong> Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;<br />
<strong>43.</strong> era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.<br />
<strong>44.</strong> Também estes lhe perguntarão: &#8211; Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?<br />
<strong>45.</strong> E ele responderá: &#8211; Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.<br />
<strong>46.</strong> E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.</p>
<p><a name="26"> </a><br />
<strong>Capítulo 26</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Quando Jesus acabou todos esses discursos, disse a seus discípulos:<br />
<strong>2.</strong> Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do Homem será traído para ser crucificado.<br />
<strong>3.</strong> Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás,<br />
<strong>4.</strong> e deliberaram sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar.<br />
<strong>5.</strong> E diziam: Sobretudo, não seja durante a festa. Poderá haver um tumulto entre o povo.<br />
<strong>6.</strong> Encontrava-se Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso.<br />
<strong>7.</strong> Estando à mesa, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, cheio de perfume muito caro, e derramou-o na sua cabeça.<br />
<strong>8.</strong> Vendo isto, os discípulos disseram indignados: Para que este desperdício?<br />
<strong>9.</strong> Poder-se-ia vender este perfume por um bom preço e dar o dinheiro aos pobres.<br />
<strong>10.</strong> Jesus ouviu-os e disse-lhes: Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez.<br />
<strong>11.</strong> Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis.<br />
<strong>12.</strong> Derramando esse perfume em meu corpo, ela o fez em vista da minha sepultura.<br />
<strong>13.</strong> Em verdade eu vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez.<br />
<strong>14.</strong> Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes:<br />
<strong>15.</strong> Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata.<br />
<strong>16.</strong> E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus.<br />
<strong>17.</strong> No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal?<br />
<strong>18.</strong> Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos.<br />
<strong>19.</strong> Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa.<br />
<strong>20.</strong> Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos.<br />
<strong>21.</strong> Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair.<br />
<strong>22.</strong> Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor?<br />
<strong>23.</strong> Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá.<br />
<strong>24.</strong> O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!<br />
<strong>25.</strong> Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus.<br />
<strong>26.</strong> Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo.<br />
<strong>27.</strong> Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos,<br />
<strong>28.</strong> porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.<br />
<strong>29.</strong> Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai.<br />
<strong>30.</strong> Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras.<br />
<strong>31.</strong> Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7).<br />
<strong>32.</strong> Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia.<br />
<strong>33.</strong> Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás.<br />
<strong>34.</strong> Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás.<br />
<strong>35.</strong> Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo.<br />
<strong>36.</strong> Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar.<br />
<strong>37.</strong> E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.<br />
<strong>38.</strong> Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo.<br />
<strong>39.</strong> Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres.<br />
<strong>40.</strong> Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo&#8230;<br />
<strong>41.</strong> Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.<br />
<strong>42.</strong> Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!<br />
<strong>43.</strong> Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados.<br />
<strong>44.</strong> Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.<br />
<strong>45.</strong> Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores&#8230;<br />
<strong>46.</strong> Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.<br />
<strong>47.</strong> Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.<br />
<strong>48.</strong> O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o!<br />
<strong>49.</strong> Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o.<br />
<strong>50.</strong> Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo.<br />
<strong>51.</strong> Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.<br />
<strong>52.</strong> Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão.<br />
<strong>53.</strong> Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?<br />
<strong>54.</strong> Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?<br />
<strong>55.</strong> Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e<br />
porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes.<br />
<strong>56.</strong> Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram.<br />
<strong>57.</strong> Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo.<br />
<strong>58.</strong> Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo.<br />
<strong>59.</strong> Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte.<br />
<strong>60.</strong> Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas.<br />
<strong>61.</strong> Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias.<br />
<strong>62.</strong> Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti?<br />
<strong>63.</strong> Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus?<br />
<strong>64.</strong> Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu.<br />
<strong>65.</strong> A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia!<br />
<strong>66.</strong> Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte!<br />
<strong>67.</strong> Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas,<br />
<strong>68.</strong> dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu?<br />
<strong>69.</strong> Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu.<br />
<strong>70.</strong> Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes.<br />
<strong>71.</strong> Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré.<br />
<strong>72.</strong> Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem.<br />
<strong>73.</strong> Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer.<br />
<strong>74.</strong> Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo.<br />
<strong>75.</strong> Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente.</p>
<p><a name="27"> </a><br />
<strong>Capítulo 27</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte.<br />
<strong>2.</strong> Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos.<br />
<strong>3.</strong> Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata,<br />
<strong>4.</strong> dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo!<br />
<strong>5.</strong> Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se.<br />
<strong>6.</strong> Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue.<br />
<strong>7.</strong> Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros.<br />
<strong>8.</strong> Esta é a razão por que aquele terreno é chamado, ainda hoje, Campo de Sangue.<br />
<strong>9.</strong> Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel;<br />
<strong>10.</strong> e deram-no pelo campo do Oleiro, como o Senhor me havia prescrito.<br />
<strong>11.</strong> Jesus compareceu diante do governador, que o interrogou: És o rei dos judeus? Sim, respondeu-lhe Jesus.<br />
<strong>12.</strong> Ele, porém, nada respondia às acusações dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos.<br />
<strong>13.</strong> Perguntou-lhe Pilatos: Não ouves todos os testemunhos que levantam contra ti?<br />
<strong>14.</strong> Mas, para grande admiração do governador, não quis responder a nenhuma acusação.<br />
<strong>15.</strong> Era costume que o governador soltasse um preso a pedido do povo em cada festa de Páscoa.<br />
<strong>16.</strong> Ora, havia naquela ocasião um prisioneiro famoso, chamado Barrabás.<br />
<strong>17.</strong> Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?<br />
<strong>18.</strong> (Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.)<br />
<strong>19.</strong> Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito.<br />
<strong>20.</strong> Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus.<br />
<strong>21.</strong> O governador tomou então a palavra: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam: Barrabás!<br />
<strong>22.</strong> Pilatos perguntou: Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado!<br />
<strong>23.</strong> O governador tornou a perguntar: Mas que mal fez ele? E gritavam ainda mais forte: Seja crucificado!<br />
<strong>24.</strong> Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!<br />
<strong>25.</strong> E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!<br />
<strong>26.</strong> Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado.<br />
<strong>27.</strong> Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão.<br />
<strong>28.</strong> Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate.<br />
<strong>29.</strong> Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus!<br />
<strong>30.</strong> Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça.<br />
<strong>31.</strong> Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar.<br />
<strong>32.</strong> Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus.<br />
<strong>33.</strong> Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio.<br />
<strong>34.</strong> Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber.<br />
<strong>35.</strong> Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte (Sl 21,19).<br />
<strong>36.</strong> Sentaram-se e montaram guarda.<br />
<strong>37.</strong> Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus.<br />
<strong>38.</strong> Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda.<br />
<strong>39.</strong> Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam:<br />
<strong>40.</strong> Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!<br />
<strong>41.</strong> Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele:<br />
<strong>42.</strong> Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele!<br />
<strong>43.</strong> Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus!<br />
<strong>44.</strong> E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam.<br />
<strong>45.</strong> Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas.<br />
<strong>46.</strong> Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? &#8211; o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?<br />
<strong>47.</strong> A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias.<br />
<strong>48.</strong> Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse.<br />
<strong>49.</strong> Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo.<br />
<strong>50.</strong> Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma.<br />
<strong>51.</strong> E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas.<br />
<strong>52.</strong> Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram.<br />
<strong>53.</strong> Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas.<br />
<strong>54.</strong> O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!<br />
<strong>55.</strong> Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir.<br />
<strong>56.</strong> Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.<br />
<strong>57.</strong> À tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus,<br />
<strong>58.</strong> foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o.<br />
<strong>59.</strong> José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco<br />
<strong>60.</strong> e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora.<br />
<strong>61.</strong> Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo.<br />
<strong>62.</strong> No dia seguinte &#8211; isto é, o dia seguinte ao da Preparação -, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se todos juntos à casa de Pilatos.<br />
<strong>63.</strong> E disseram-lhe: Senhor, nós nos lembramos de que aquele impostor disse, enquanto vivia: Depois de três dias ressuscitarei.<br />
<strong>64.</strong> Ordena, pois, que seu sepulcro seja guardado até o terceiro dia. Os seus<br />
discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: Ressuscitou dos mortos. E esta última impostura seria pior que a primeira.<br />
<strong>65.</strong> Respondeu Pilatos: Tendes uma guarda. Ide e guardai-o como o entendeis.<br />
<strong>66.</strong> Foram, pois, e asseguraram o sepulcro, selando a pedra e colocando guardas.</p>
<p><a name="28"> </a><br />
<strong>Capítulo 28</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo.<br />
<strong>2.</strong> E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela.<br />
<strong>3.</strong> Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve.<br />
<strong>4.</strong> Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor.<br />
<strong>5.</strong> Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado.<br />
<strong>6.</strong> Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou.<br />
<strong>7.</strong> Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galiléia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse.<br />
<strong>8.</strong> Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a boa nova aos discípulos.<br />
<strong>9.</strong> Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: Salve! Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés.<br />
<strong>10.</strong> Disse-lhes Jesus: Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galiléia, pois é lá que eles me verão.<br />
<strong>11.</strong> Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes.<br />
<strong>12.</strong> Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma de dinheiro, ordenando-lhes:<br />
<strong>13.</strong> Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite, enquanto dormíeis.<br />
<strong>14.</strong> Se o governador vier a sabê-lo, nós o acalmaremos e vos tiraremos de dificuldades.<br />
<strong>15.</strong> Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre os judeus.<br />
<strong>16.</strong> Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado.<br />
<strong>17.</strong> Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda.<br />
<strong>18.</strong> Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.<br />
<strong>19.</strong> Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.<br />
<strong>20.</strong> Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.<br />
<img src="http://www.pedroaltino.com.br/blog/wp-admin/trans.gif" border="0" alt="" width="1" height="500" /> </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.pedroaltino.com.br/blog/2009/08/evangelho-segundo-sao-mateus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
