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	<title>PEDROALTINO.COM.BR &#187; Atos dos Apóstolos</title>
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	<description>Temas católicos, Liturgia diária, Salmos, Santos do dia, Mandamentos...</description>
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		<title>Atos dos Apóstolos</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 00:29:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Altino de Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atos dos Apóstolos]]></category>

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		<description><![CDATA[ Atos dos Apóstolos
Capítulo 1
1. Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,
2. desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).
3. E a eles se manifestou vivo depois de sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span><a name="1"> </a><strong>Atos dos Apóstolos</strong><br />
<strong>Capítulo 1</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,<br />
<strong>2.</strong> desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).<br />
<strong>3.</strong> E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.<br />
<strong>4.</strong> E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca;<br />
<strong>5.</strong> porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.<br />
<strong>6.</strong> Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?<br />
<strong>7.</strong> Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,<br />
<strong>8.</strong> mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.<br />
<strong>9.</strong> Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos..<br />
<strong>10.</strong> Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:<br />
<strong>11.</strong> Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.<br />
<strong>12.</strong> Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado.<br />
<strong>13.</strong> Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago.<br />
<strong>14.</strong> Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.<br />
<strong>15.</strong> Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse:<br />
<strong>16.</strong> Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.<br />
<strong>17.</strong> Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério.<br />
<strong>18.</strong> Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.<br />
<strong>19.</strong> (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.)<br />
<strong>20.</strong> Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8).<br />
<strong>21.</strong> Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,<br />
<strong>22.</strong> a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição.<br />
<strong>23.</strong> Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.<br />
<strong>24.</strong> E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste<br />
<strong>25.</strong> para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.<br />
<strong>26.</strong> Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.</p>
<p><a name="2"> </a><br />
<strong>Capítulo 2</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.<br />
<strong>2.</strong> De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.<br />
<strong>3.</strong> Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.<br />
<strong>4.</strong> Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.<br />
<strong>5.</strong> Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.<br />
<strong>6.</strong> Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.<br />
<strong>7.</strong> Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?<br />
<strong>8.</strong> Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?<br />
<strong>9.</strong> Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia,<br />
<strong>10.</strong> a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,<br />
<strong>11.</strong> judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!<br />
<strong>12.</strong> Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?<br />
<strong>13.</strong> Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.<br />
<strong>14.</strong> Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras.<br />
<strong>15.</strong> Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia.<br />
<strong>16.</strong> Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel:<br />
<strong>17.</strong> Acontecerá nos últimos dias &#8211; é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão.<br />
<strong>18.</strong> Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão.<br />
<strong>19.</strong> Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça.<br />
<strong>20.</strong> O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.<br />
<strong>21.</strong> E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5).<br />
<strong>22.</strong> Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis,<br />
<strong>23.</strong> depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios.<br />
<strong>24.</strong> Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder.<br />
<strong>25.</strong> Pois dele diz Davi: Eu via sempre o Senhor perto de mim, pois ele está à minha direita, para que eu não seja abalado.<br />
<strong>26.</strong> Alegrou-se por isso o meu coração e a minha língua exultou. Sim, também a minha carne repousará na esperança,<br />
<strong>27.</strong> pois não deixarás a minha alma na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção.<br />
<strong>28.</strong> Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, e me encherás de alegria com a visão de tua face (Sl 15,8-11).<br />
<strong>29.</strong> Irmãos, seja permitido dizer-vos com franqueza: do patriarca Davi dizemos que morreu e foi sepultado, e o seu sepulcro está entre nós até o dia de hoje.<br />
<strong>30.</strong> Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes seria colocado no seu trono.<br />
<strong>31.</strong> É, portanto, a ressurreição de Cristo que ele previu e anunciou por estas palavras: Ele não foi abandonado na região dos mortos, e sua carne não conheceu a corrupção.<br />
<strong>32.</strong> A este Jesus, Deus o ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas.<br />
<strong>33.</strong> Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis.<br />
<strong>34.</strong> Pois Davi pessoalmente não subiu ao céu, todavia diz: O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita<br />
<strong>35.</strong> até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1).<br />
<strong>36.</strong> Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo.<br />
<strong>37.</strong> Ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos fazer, irmãos?<br />
<strong>38.</strong> Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.<br />
<strong>39.</strong> Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.<br />
<strong>40.</strong> Ainda com muitas outras palavras exortava-os, dizendo: Salvai-vos do meio dessa geração perversa!<br />
4l Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos.<br />
<strong>42.</strong> Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações.<br />
<strong>43.</strong> De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações.<br />
<strong>44.</strong> Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.<br />
<strong>45.</strong> Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.<br />
<strong>46.</strong> Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,<br />
<strong>47.</strong> louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação.</p>
<p><a name="3"> </a><br />
<strong>Capítulo 3</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona.<br />
<strong>2.</strong> Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo.<br />
<strong>3.</strong> Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola.<br />
<strong>4.</strong> Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós.<br />
<strong>5.</strong> Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa.<br />
<strong>6.</strong> Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!<br />
<strong>7.</strong> E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava.<br />
<strong>8.</strong> Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus.<br />
<strong>9.</strong> Todo o povo o viu andar e louvar a Deus.<br />
<strong>10.</strong> Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido.<br />
<strong>11.</strong> Como ele se conservava perto de Pedro e João, uma multidão de curiosos afluiu a eles no pórtico chamado Salomão.<br />
<strong>12.</strong> À vista disso, falou Pedro ao povo: Homens de Israel, por que vos admirais assim? Ou por que fitais os olhos em nós, como se por nossa própria virtude ou piedade tivéssemos feito este homem andar?<br />
<strong>13.</strong> O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo.<br />
<strong>14.</strong> Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida.<br />
<strong>15.</strong> Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.<br />
<strong>16.</strong> Em virtude da fé em seu nome foi que esse mesmo nome consolidou este homem, que vedes e conheceis. Foi a fé em Jesus que lhe deu essa cura perfeita, à vista de todos vós.<br />
<strong>17.</strong> Agora, irmãos, sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos chefes.<br />
<strong>18.</strong> Deus, porém, assim cumpriu o que já antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer.<br />
<strong>19.</strong> Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados.<br />
<strong>20.</strong> Virão, assim, da parte do Senhor os tempos de refrigério, e ele enviará aquele que vos é destinado: Cristo Jesus.<br />
<strong>21.</strong> É necessário, porém, que o céu o receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus outrora pela boca dos seus santos profetas.<br />
<strong>22.</strong> Já dissera Moisés: O Senhor, nosso Deus, vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim: a este ouvireis em tudo o que ele vos disser.<br />
<strong>23.</strong> Todo aquele que não ouvir esse profeta será exterminado do meio do povo (Dt 18,15.19).<br />
<strong>24.</strong> Todos os profetas, que têm falado sucessivamente desde Samuel, anunciaram estes dias.<br />
<strong>25.</strong> Vós sois filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os nossos pais, quando disse a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22,18).<br />
<strong>26.</strong> Foi em primeiro lugar para vós que Deus suscitou o seu servo, para vos abençoar, a fim de que cada um se aparte da sua iniqüidade.</p>
<p><a name="4"> </a><br />
<strong>Capítulo 4</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Enquanto eles falavam ao povo, vieram os sacerdotes, o chefe do templo e os saduceus,<br />
<strong>2.</strong> contrariados porque ensinavam ao povo e anunciavam, na pessoa de Jesus, a ressurreição dos mortos.<br />
<strong>3.</strong> Prenderam-nos e os meteram no cárcere até o outro dia, pois já era tarde.<br />
<strong>4.</strong> Muitos, porém, dos que tinham ouvido a pregação creram; e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil.<br />
<strong>5.</strong> No dia seguinte reuniram-se em Jerusalém os chefes do povo, os anciãos, os escribas,<br />
<strong>6.</strong> com Anás, sumo sacerdote, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem pontifical.<br />
<strong>7.</strong> Colocando-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em que nome fizestes isso?<br />
<strong>8.</strong> Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: Chefes do povo e anciãos, ouvi-me:<br />
<strong>9.</strong> se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que nome foi ele curado,<br />
<strong>10.</strong> ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: foi em nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós.<br />
<strong>11.</strong> Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular.<br />
<strong>12.</strong> Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.<br />
<strong>13.</strong> Vendo eles a coragem de Pedro e de João, e considerando que eram homens sem estudo e sem instrução, admiravam-se. Reconheciam-nos como companheiros de Jesus.<br />
<strong>14.</strong> Mas vendo com eles o homem que tinha sido curado, não puderam replicar.<br />
<strong>15.</strong> Mandaram que se retirassem da sala do conselho, e conferenciaram entre si:<br />
<strong>16.</strong> Que faremos destes homens? Porquanto o milagre por eles feito se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, e não o podemos negar.<br />
<strong>17.</strong> Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos com ameaças, que no futuro falem a alguém nesse nome.<br />
<strong>18.</strong> Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus.<br />
<strong>19.</strong> Responderam-lhes Pedro e João: Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus.<br />
<strong>20.</strong> Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.<br />
<strong>21.</strong> Eles então, ameaçando-os de novo, soltaram-nos, não achando pretexto para os castigar por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido.<br />
<strong>22.</strong> Pois já passava dos 40 anos o homem em quem se realizara essa cura milagrosa.<br />
<strong>23.</strong> Postos em liberdade, voltaram aos seus irmãos e referiram tudo quanto lhes tinham dito os sumos sacerdotes e os anciãos.<br />
<strong>24.</strong> Ao ouvirem isso, levantaram unânimes a voz a Deus e disseram: Senhor, vós que fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.<br />
<strong>25.</strong> Vós que, pelo Espírito Santo, pela boca de nosso pai Davi, vosso servo, dissestes: Por que se agitam as nações, e imaginam os povos coisas vãs?<br />
<strong>26.</strong> Levantam-se os reis da terra, e os príncipes se reúnem em conselho contra o Senhor e contra o seu Cristo (Sl 2,1s.).<br />
<strong>27.</strong> Pois na verdade se uniram nesta cidade contra o vosso santo servo Jesus, que ungistes, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações e com o povo de Israel,<br />
<strong>28.</strong> para executarem o que a vossa mão e o vosso conselho predeterminaram que se fizesse.<br />
<strong>29.</strong> Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra.<br />
<strong>30.</strong> Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!<br />
<strong>31.</strong> Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a palavra de Deus.<br />
<strong>32.</strong> A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.<br />
<strong>33.</strong> Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça.<br />
<strong>34.</strong> Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas,<br />
<strong>35.</strong> e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade.<br />
<strong>36.</strong> Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo.<br />
<strong>37.</strong> Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou aos pés dos apóstolos.</p>
<p><a name="5"> </a><br />
<strong>Capítulo 5</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Um certo homem chamado Ananias, de comum acordo com sua mulher Safira, vendeu um campo<br />
<strong>2.</strong> e, combinando com ela, reteve uma parte da quantia da venda. Levando apenas a outra parte, depositou-a aos pés dos apóstolos.<br />
<strong>3.</strong> Pedro, porém, disse: Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo?<br />
<strong>4.</strong> Acaso não o podias conservar sem vendê-lo? E depois de vendido, não podias livremente dispor dessa quantia? Por que imaginaste isso em teu coração? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.<br />
<strong>5.</strong> Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu morto. Apoderou-se grande terror de todos os que o ouviram.<br />
<strong>6.</strong> Uns moços retiraram-no dali, levaram-no para fora e o enterraram.<br />
<strong>7.</strong> Depois de umas três horas, entrou também sua mulher, nada sabendo do ocorrido.<br />
<strong>8.</strong> Pedro perguntou-lhe: Dize-me, mulher. Foi por tanto que vendestes o vosso campo? Respondeu ela: Sim, por esse preço.<br />
<strong>9.</strong> Replicou Pedro: Por que combinastes para pôr à prova o Espírito do Senhor? Estão ali à porta os pés daqueles que sepultaram teu marido. Hão de levar-te também a ti.<br />
<strong>10.</strong> Imediatamente caiu aos seus pés e expirou. Entrando aqueles moços, acharam-na morta. Levaram-na para fora e a enterraram junto do seu marido.<br />
<strong>11.</strong> Sobreveio grande pavor a toda a comunidade e a todos os que ouviram falar desse acontecimento.<br />
<strong>12.</strong> Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.<br />
<strong>13.</strong> Dos outros ninguém ousava juntar-se a eles, mas o povo lhes tributava grandes louvores.<br />
<strong>14.</strong> Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor.<br />
<strong>15.</strong> De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.<br />
<strong>16.</strong> Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados.<br />
<strong>17.</strong> Levantaram-se então os sumos sacerdotes e seus partidários (isto é, a seita dos saduceus) cheios de inveja,<br />
<strong>18.</strong> e deitaram as mãos nos apóstolos e meteram-nos na cadeia pública.<br />
<strong>19.</strong> Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes:<br />
<strong>20.</strong> Ide e apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida.<br />
<strong>21.</strong> Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer, no templo, e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o Grande Conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere.<br />
<strong>22.</strong> Dirigiram-se para lá os guardas, mas ao abrirem o cárcere, não os encontraram, e voltaram a informar:<br />
<strong>23.</strong> Achamos o cárcere fechado com toda segurança e os guardas de pé diante das portas, e, no entanto, abrindo-as, não achamos ninguém lá dentro.<br />
<strong>24.</strong> A essa notícia, os sumos sacerdotes e o chefe do templo ficaram perplexos e indagaram entre si sobre o que significava isso.<br />
<strong>25.</strong> Mas, nesse momento, alguém transmitiu-lhes esta notícia: Aqueles homens que metestes no cárcere estão no templo ensinando o povo!<br />
<strong>26.</strong> Foi então o comandante do templo com seus guardas e trouxe-os sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo.<br />
<strong>27.</strong> Trouxeram-nos e os introduziram no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:<br />
<strong>28.</strong> Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, tendes enchido Jerusalém de vossa doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o sangue deste homem!<br />
<strong>29.</strong> Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.<br />
<strong>30.</strong> O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o num madeiro.<br />
<strong>31.</strong> Deus elevou-o pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.<br />
<strong>32.</strong> Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem.<br />
<strong>33.</strong> Ao ouvirem essas palavras, enfureceram-se e resolveram matá-los.<br />
<strong>34.</strong> Levantou-se, porém, um membro do Grande Conselho. Era Gamaliel, um fariseu, doutor da lei, respeitado por todo o povo.<br />
<strong>35.</strong> Mandou que se retirassem aqueles homens por um momento, e então lhes disse: Homens de Israel, considerai bem o que ides fazer com estes homens.<br />
<strong>36.</strong> Faz algum tempo apareceu um certo Teudas, que se considerava um grande homem. A ele se associaram cerca de quatrocentos homens: foi morto e todos os seus partidários foram dispersados e reduzidos a nada.<br />
<strong>37.</strong> Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo consigo, mas também ele pereceu e todos quantos o seguiam foram dispersados.<br />
<strong>38.</strong> Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá;<br />
<strong>39.</strong> mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. Aceitaram o seu conselho.<br />
<strong>40.</strong> Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes então que não pregassem mais em nome de Jesus, e os soltaram.<br />
<strong>41.</strong> Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus.<br />
<strong>42.</strong> E todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e pelas casas.</p>
<p><a name="6"> </a><br />
<strong>Capítulo 6</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária.<br />
<strong>2.</strong> Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar.<br />
<strong>3.</strong> Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício.<br />
<strong>4.</strong> Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra.<br />
<strong>5.</strong> Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.<br />
<strong>6.</strong> Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos.<br />
<strong>7.</strong> Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé.<br />
<strong>8.</strong> Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo.<br />
<strong>9.</strong> Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele.<br />
<strong>10.</strong> Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava.<br />
<strong>11.</strong> Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus.<br />
<strong>12.</strong> Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho.<br />
<strong>13.</strong> Apresentaram falsas testemunhas que diziam: Esse homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei.<br />
<strong>14.</strong> Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou.<br />
<strong>15.</strong> Fixando nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo.</p>
<p><a name="7"> </a><br />
<strong>Capítulo 7</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Perguntou-lhe então o sumo sacerdote: É realmente assim?<br />
<strong>2.</strong> Respondeu ele: Irmãos e pais, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã.<br />
<strong>3.</strong> E disse-lhe: Sai de teu país e de tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrar (Gn 12,1).<br />
<strong>4.</strong> Ele saiu da terra dos caldeus, e foi habitar em Harã. Dali, depois que lhe faleceu o pai, Deus o fez passar para esta terra, em que vós agora habitais.<br />
<strong>5.</strong> Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas prometeu dar-lha em posse, e depois dele à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum.<br />
<strong>6.</strong> Eis como falou Deus: Tua descendência habitará em terra estranha e será reduzida à escravidão e maltratada pelo espaço de quatrocentos anos.<br />
<strong>7.</strong> Mas eu julgarei a nação que os dominar &#8211; diz o Senhor -, e eles sairão e me prestarão culto neste lugar (Gn 15,13s.; Ex 3,12).<br />
<strong>8.</strong> E deu-lhe a aliança da circuncisão. Assim, Abraão teve um filho, Isaac, e, passados oito dias, o circuncidou; e Isaac, a Jacó; e Jacó, os doze patriarcas.<br />
<strong>9.</strong> Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito. Mas Deus estava com ele.<br />
<strong>10.</strong> Livrou-o de todas as suas tribulações e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o fez governador do Egito e chefe de sua casa.<br />
<strong>11.</strong> Sobreveio depois uma fome a todo o Egito e Canaã. Grande era a tribulação, e os nossos pais não achavam o que comer.<br />
<strong>12.</strong> Mas quando Jacó soube que havia trigo no Egito, enviou pela primeira vez os nossos pais para lá.<br />
<strong>13.</strong> Na segunda, foi José reconhecido por seus irmãos, e foi descoberta ao faraó a sua origem.<br />
<strong>14.</strong> Enviando mensageiros, José mandou vir seu pai Jacó com toda a sua família, que constava de setenta e cinco pessoas.<br />
<strong>15.</strong> Jacó desceu ao Egito e morreu ali, como também nossos pais.<br />
<strong>16.</strong> Seus corpos foram trasladados para Siquém, e foram postos no sepulcro que Abraão tinha comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém.<br />
<strong>17.</strong> Aproximava-se o tempo em que devia realizar-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito<br />
<strong>18.</strong> até que se levantou outro rei no Egito, o qual nada sabia de José.<br />
<strong>19.</strong> Este rei, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais e obrigou-os a enjeitar seus filhos para privá-los da vida.<br />
<strong>20.</strong> Por este mesmo tempo, nasceu Moisés. Era belo aos olhos de Deus e por três meses foi criado na casa paterna.<br />
<strong>21.</strong> Depois, quando foi exposto, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.<br />
<strong>22.</strong> Moisés foi instruído em todas as ciências dos egípcios e tornou-se forte em palavras e obras.<br />
<strong>23.</strong> Quando completou 40 anos, veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel.<br />
<strong>24.</strong> Viu que um deles era maltratado; tomou-lhe a defesa e vingou o que padecia a injúria, matando o egípcio.<br />
<strong>25.</strong> Ele esperava que os seus irmãos compreendessem que Deus se servia de sua mão para livrá-los. Mas não o entenderam.<br />
<strong>26.</strong> No dia seguinte, dois dentre eles brigavam, e ele procurou reconciliá-los: Amigos, disse ele, sois irmãos, por que vos maltratais um ao outro?<br />
<strong>27.</strong> Mas o que maltratava seu compatriota o repeliu: Quem te constituiu chefe ou juiz sobre nós?<br />
<strong>28.</strong> Porventura queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?<br />
<strong>29.</strong> A estas palavras, Moisés fugiu. E esteve como estrangeiro na terra de Madiã, onde teve dois filhos.<br />
<strong>30.</strong> Passados quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, na chama duma sarça ardente.<br />
<strong>31.</strong> Moisés, admirado de uma tal visão, aproximou-se para a examinar. E a voz do Senhor lhe falou:<br />
<strong>32.</strong> Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. Moisés, atemorizado, não ousava levantar os olhos.<br />
<strong>33.</strong> O Senhor lhe disse: Tira o teu calçado, porque o lugar onde estás é uma terra santa.<br />
<strong>34.</strong> Considerei a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-los. Vem, pois, agora e eu te enviarei ao Egito.<br />
<strong>35.</strong> Este Moisés que desprezaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz?, a este Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça.<br />
<strong>36.</strong> Ele os fez sair do Egito, operando prodígios e milagres na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por espaço de quarenta anos.<br />
<strong>37.</strong> Foi este Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu.<br />
<strong>38.</strong> Este é o que esteve entre o povo congregado no deserto, e com o anjo que lhe falara no monte Sinai, e com os nossos pais; que recebeu palavras de vida para no-las transmitir.<br />
<strong>39.</strong> Nossos pais não lhe quiseram obedecer, mas o repeliram. Em seus corações voltaram-se para o Egito,<br />
<strong>40.</strong> dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão diante de nós, porque quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que foi feito dele.<br />
<strong>41.</strong> Fizeram, naqueles dias, um bezerro de ouro e ofereceram um sacrifício ao ídolo, e se alegravam diante da obra das suas mãos.<br />
<strong>42.</strong> Mas Deus afastou-se e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto?<br />
<strong>43.</strong> Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss.).<br />
<strong>44.</strong> A Arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, como Deus ordenou a Moisés que a fizesse conforme o modelo que tinha visto.<br />
<strong>45.</strong> Recebendo-a nossos pais, levaram-na sob a direção de Josué às terras dos pagãos, que Deus expulsou da presença de nossos pais. E ali ficou até o tempo de Davi.<br />
<strong>46.</strong> Este encontrou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar uma morada para o Deus de Jacó.<br />
<strong>47.</strong> Salomão foi quem lhe edificou a casa.<br />
<strong>48.</strong> O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta:<br />
<strong>49.</strong> O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós?, diz o Senhor. Qual é o lugar do meu repouso?<br />
<strong>50.</strong> Acaso não foi minha mão que fez tudo isto (Is 66,1s.)?<br />
<strong>51.</strong> Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!<br />
<strong>52.</strong> A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas.<br />
<strong>53.</strong> Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes&#8230;<br />
<strong>54.</strong> Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele.<br />
<strong>55.</strong> Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus:<br />
<strong>56.</strong> Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus.<br />
<strong>57.</strong> Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele.<br />
<strong>58.</strong> Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo.<br />
<strong>59.</strong> E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.<br />
<strong>60.</strong> Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado&#8230; A estas palavras, expirou.</p>
<p><a name="8"> </a><br />
<strong>Capítulo 8</strong></p>
<p><strong>1.</strong> E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão. Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judéia e de Samaria, com exceção dos apóstolos.<br />
<strong>2.</strong> Entretanto, alguns homens piedosos trataram de enterrar Estêvão e fizeram grande pranto a seu respeito.<br />
<strong>3.</strong> Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrancava delas homens e mulheres e os entregava à prisão.<br />
<strong>4.</strong> Os que se haviam dispersado iam por toda parte, anunciando a palavra (de Deus).<br />
<strong>5.</strong> Assim Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo.<br />
<strong>6.</strong> A multidão estava atenta ao que Filipe lhe dizia, escutando-o unanimemente e presenciando os prodígios que fazia.<br />
<strong>7.</strong> Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, levantando grandes brados. Igualmente foram curados muitos paralíticos e coxos.<br />
<strong>8.</strong> Por esse motivo, naquela cidade reinava grande alegria.<br />
<strong>9.</strong> Ora, havia ali um homem, por nome Simão, que exercia magia na cidade, maravilhando o povo de Samaria, e fazia-se passar por um grande personagem.<br />
<strong>10.</strong> Todos lhe davam ouvidos, do menor até o maior, comentando: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande.<br />
<strong>11.</strong> Eles o atendiam, porque por muito tempo os havia deslumbrado com as suas artes mágicas.<br />
<strong>12.</strong> Mas, depois que acreditaram em Filipe, que lhes anunciava o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, homens e mulheres pediam o batismo.<br />
<strong>13.</strong> Simão também acreditou e foi batizado. Ele não abandonava Filipe, admirando, estupefato, os grandes milagres e prodígios que eram feitos.<br />
<strong>14.</strong> Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João.<br />
<strong>15.</strong> Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo,<br />
<strong>16.</strong> visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus.<br />
<strong>17.</strong> Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.<br />
<strong>18.</strong> Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo:<br />
<strong>19.</strong> Dai-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo.<br />
<strong>20.</strong> Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!<br />
<strong>21.</strong> Não terás direito nem parte alguma neste ministério, já que o teu coração não é puro diante de Deus.<br />
<strong>22.</strong> Arrepende-te desta tua maldade e roga a Deus, para que, sendo possível, te seja perdoado este pensamento do teu coração.<br />
<strong>23.</strong> Pois estou a ver-te no fel da amargura e nos laços da iniqüidade.<br />
<strong>24.</strong> Retorquiu Simão: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha a cair sobre mim.<br />
<strong>25.</strong> Os apóstolos, depois de terem dado testemunho e anunciado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e pregavam a boa nova em muitos lugares dos samaritanos.<br />
<strong>26.</strong> Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: Levanta-te e vai para o sul, em direção do caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta.<br />
<strong>27.</strong> Filipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar.<br />
<strong>28.</strong> Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías.<br />
<strong>29.</strong> O Espírito disse a Filipe: Aproxima-te para bem perto deste carro.<br />
<strong>30.</strong> Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo?<br />
<strong>31.</strong> Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele.<br />
<strong>32.</strong> A passagem da Escritura, que ia lendo, era esta: Como ovelha, foi levado ao matadouro; e como cordeiro mudo diante do que o tosquia, ele não abriu a sua boca.<br />
<strong>33.</strong> Na sua humilhação foi consumado o seu julgamento. Quem poderá contar a sua descendência? Pois a sua vida foi tirada da terra (Is 53,7s.).<br />
<strong>34.</strong> O eunuco disse a Filipe: Rogo-te que me digas de quem disse isto o profeta: de si mesmo ou de outrem?<br />
<strong>35.</strong> Começou então Filipe a falar, e, principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus.<br />
<strong>36.</strong> Continuando o caminho, encontraram água. Disse então o eunuco: Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado?<br />
<strong>37.</strong> [Filipe respondeu: Se crês de todo o coração, podes sê-lo. Eu creio, disse ele, que Jesus Cristo é o Filho de Deus.]<br />
<strong>38.</strong> E mandou parar o carro. Ambos desceram à água e Filipe batizou o eunuco.<br />
<strong>39.</strong> Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou o seu caminho.<br />
<strong>40.</strong> Filipe, entretanto, foi transportado a Azoto. Passando além, pregava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia.</p>
<p><a name="9"> </a><br />
<strong>Capítulo 9</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes,<br />
<strong>2.</strong> e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.<br />
<strong>3.</strong> Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu.<br />
<strong>4.</strong> Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?<br />
<strong>5.</strong> Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.<br />
<strong>6.</strong> Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.<br />
<strong>7.</strong> Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém.<br />
<strong>8.</strong> Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,<br />
<strong>9.</strong> onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.<br />
<strong>10.</strong> Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor, numa visão, lhe disse: Ananias! Eis-me aqui, Senhor, respondeu ele.<br />
<strong>11.</strong> O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando.<br />
<strong>12.</strong> (Este via numa visão um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.)<br />
<strong>13.</strong> Ananias respondeu: Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém.<br />
<strong>14.</strong> E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome.<br />
<strong>15.</strong> Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel.<br />
<strong>16.</strong> Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome.<br />
<strong>17.</strong> Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.<br />
<strong>18.</strong> No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.<br />
<strong>19.</strong> Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.<br />
<strong>20.</strong> Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.<br />
<strong>21.</strong> Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Este não é aquele que perseguia em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?<br />
<strong>22.</strong> Saulo, porém, sentia crescer o seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.<br />
<strong>23.</strong> Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo.<br />
<strong>24.</strong> Estas intenções chegaram ao conhecimento de Saulo. Guardavam eles as portas de dia e de noite, para matá-lo.<br />
<strong>25.</strong> Mas os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela muralha dentro de um cesto.<br />
<strong>26.</strong> Chegando a Jerusalém, tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo.<br />
<strong>27.</strong> Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus.<br />
<strong>28.</strong> Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor.<br />
<strong>29.</strong> Falava também e discutia com os helenistas. Mas estes procuravam matá-lo.<br />
<strong>30.</strong> Os irmãos, informados disso, acompanharam-no até Cesaréia e dali o fizeram partir para Tarso.<br />
<strong>31.</strong> A Igreja gozava então de paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número.<br />
<strong>32.</strong> Pedro, que caminhava por toda parte, de cidade em cidade, desceu também aos fiéis que habitavam em Lida.<br />
<strong>33.</strong> Ali achou um homem chamado Enéias, que havia oito anos jazia paralítico num leito.<br />
<strong>34.</strong> Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura: levanta-te e faze tua cama. E levantou-se imediatamente.<br />
<strong>35.</strong> Viram-no todos os que habitavam em Lida e em Sarona, e converteram-se ao Senhor.<br />
<strong>36.</strong> Em Jope havia uma discípula chamada Tabita &#8211; em grego, Dorcas. Esta era rica em boas obras e esmolas que dava.<br />
<strong>37.</strong> Aconteceu que adoecera naqueles dias e veio a falecer. Depois de a terem lavado, levaram-na para o quarto de cima.<br />
<strong>38.</strong> Ora, como Lida fica perto de Jope, os discípulos, ouvindo dizer que Pedro aí se encontrava, enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: Não te demores em vir ter conosco.<br />
<strong>39.</strong> Pedro levantou-se imediatamente e foi com eles. Logo que chegou, conduziram-no ao quarto de cima. Cercavam-no todas as viúvas, chorando e mostrando-lhe as túnicas e os vestidos que Dorcas lhes fazia quando viva.<br />
<strong>40.</strong> Pedro então, tendo feito todos sair, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se.<br />
<strong>41.</strong> Ele a fez levantar-se, estendendo-lhe a mão. Chamando os irmãos e as viúvas, entregou-lha viva.<br />
<strong>42.</strong> Este fato espalhou-se por toda Jope e muitos creram no Senhor.<br />
<strong>43.</strong> Pedro permaneceu ainda muitos dias em Jope, em casa dum curtidor, chamado Simão.</p>
<p><a name="10"> </a><br />
<strong>Capítulo 10</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Havia em Cesaréia um homem, por nome Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica.<br />
<strong>2.</strong> Era religioso; ele e todos os de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente.<br />
<strong>3.</strong> Este homem viu claramente numa visão, pela hora nona do dia, aproximar-se dele um anjo de Deus e o chamar: Cornélio!<br />
<strong>4.</strong> Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há, Senhor? O anjo replicou: As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança.<br />
<strong>5.</strong> Agora envia homens a Jope e faze vir aqui um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro.<br />
<strong>6.</strong> Ele se acha hospedado em casa de Simão, um curtidor, cuja casa fica junto ao mar.<br />
<strong>7.</strong> Quando se retirou o anjo que lhe falara, chamou dois dos seus criados e um soldado temente ao Senhor, daqueles que estavam às suas ordens.<br />
<strong>8.</strong> Contou-lhes tudo e enviou-os a Jope.<br />
<strong>9.</strong> No dia seguinte, enquanto estavam em viagem e se aproximavam da cidade &#8211; pelo meio-dia -, Pedro subiu ao terraço da casa para fazer oração.<br />
<strong>10.</strong> Então, como sentisse fome, quis comer. Mas, enquanto lho preparavam, caiu em êxtase.<br />
<strong>11.</strong> Viu o céu aberto e descer uma coisa parecida com uma grande toalha que baixava do céu à terra, segura pelas quatro pontas.<br />
<strong>12.</strong> Nela havia de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu.<br />
<strong>13.</strong> Uma voz lhe falou: Levanta-te, Pedro! Mata e come.<br />
<strong>14.</strong> Disse Pedro: De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura.<br />
<strong>15.</strong> Esta voz lhe falou pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro.<br />
<strong>16.</strong> Isto se repetiu três vezes e logo a toalha foi recolhida ao céu.<br />
<strong>17.</strong> Desconcertado, Pedro refletia consigo mesmo sobre o que significava a visão que tivera, quando os homens, enviados por Cornélio, se apresentaram à porta, perguntando pela casa de Simão.<br />
<strong>18.</strong> Eles chamaram e indagaram se ali estava hospedado Simão, com o sobrenome Pedro.<br />
<strong>19.</strong> Enquanto Pedro refletia na visão, disse o Espírito: Eis aí três homens que te procuram.<br />
<strong>20.</strong> Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou eu quem os enviou.<br />
<strong>21.</strong> Pedro desceu ao encontro dos homens e disse-lhes: Aqui me tendes, sou eu a quem buscais. Qual é o motivo por que viestes aqui?<br />
<strong>22.</strong> Responderam: O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, o qual goza de excelente reputação entre todos os judeus, recebeu dum santo anjo o aviso de te mandar chamar à sua casa e de ouvir as tuas palavras.<br />
<strong>23.</strong> Então Pedro os mandou entrar e hospedou-os. No dia seguinte, levantou-se e partiu com eles, e alguns dos irmãos de Jope o acompanharam.<br />
<strong>24.</strong> No outro dia chegaram a Cesaréia. Cornélio os estava esperando, tendo convidado os seus parentes e amigos mais íntimos.<br />
<strong>25.</strong> Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo.<br />
<strong>26.</strong> Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te! Também eu sou um homem!<br />
<strong>27.</strong> E, falando com ele, entrou e achou ali muitas pessoas que se tinham reunido e disse:<br />
<strong>28.</strong> Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro.<br />
<strong>29.</strong> Por isso vim sem hesitar, logo que fui chamado. Pergunto, pois, por que motivo me chamastes.<br />
<strong>30.</strong> Disse Cornélio: Faz hoje quatro dias que estava eu a orar em minha casa, à hora nona, quando se pôs diante de mim um homem com vestes resplandecentes, que disse:<br />
<strong>31.</strong> Cornélio, a tua oração foi atendida e Deus se lembrou de tuas esmolas.<br />
<strong>32.</strong> Envia alguém a Jope e manda vir Simão, que tem por sobrenome Pedro. Está hospedado perto do mar em casa do curtidor Simão.<br />
<strong>33.</strong> Por isso mandei chamar-te logo e felicito-te por teres vindo. Agora, pois, eis-nos todos reunidos na presença de Deus para ouvir tudo o que Deus te ordenou de nos dizer.<br />
<strong>34.</strong> Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas,<br />
<strong>35.</strong> mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo.<br />
<strong>36.</strong> Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.<br />
<strong>37.</strong> Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou.<br />
<strong>38.</strong> Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele.<br />
<strong>39.</strong> E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro.<br />
<strong>40.</strong> Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse,<br />
<strong>41.</strong> não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou.<br />
<strong>42.</strong> Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.<br />
<strong>43.</strong> Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome.<br />
<strong>44.</strong> Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra.<br />
<strong>45.</strong> Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos;<br />
<strong>46.</strong> pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus.<br />
<strong>47.</strong> Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?<br />
<strong>48.</strong> E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.</p>
<p><a name="11"> </a><br />
<strong>Capítulo 11</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Os apóstolos e os irmãos da Judéia ouviram dizer que também os pagãos haviam recebido a palavra de Deus.<br />
<strong>2.</strong> E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão repreenderam-no:<br />
<strong>3.</strong> Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?<br />
<strong>4.</strong> Mas Pedro fez-lhes uma exposição de tudo o que acontecera, dizendo:<br />
<strong>5.</strong> Eu estava orando na cidade de Jope e, arrebatado em espírito, tive uma visão: uma coisa, à maneira duma grande toalha, presa pelas quatro pontas, descia do céu até perto de mim.<br />
<strong>6.</strong> Olhei-a atentamente e distingui claramente quadrúpedes terrestres, feras, répteis e aves do céu.<br />
<strong>7.</strong> Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come.<br />
<strong>8.</strong> Eu, porém, disse: De nenhum modo, Senhor, pois nunca entrou em minha boca coisa profana ou impura.<br />
<strong>9.</strong> Outra vez falou a voz do céu: O que Deus purificou não chames tu de impuro.<br />
<strong>10.</strong> Isto aconteceu três vezes e tudo tornou a ser levado ao céu.<br />
<strong>11.</strong> Nisso chegaram três homens à casa onde eu estava, enviados a mim de Cesaréia.<br />
<strong>12.</strong> O Espírito me disse que fosse com eles sem hesitar. Foram comigo também os seis irmãos aqui presentes e entramos na casa de Cornélio.<br />
<strong>13.</strong> Este nos referiu então como em casa tinha visto um anjo diante de si, que lhe dissera: Envia alguém a Jope e chama Simão, que tem por sobrenome Pedro.<br />
<strong>14.</strong> Ele te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa.<br />
<strong>15.</strong> Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós.<br />
<strong>16.</strong> Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo.<br />
<strong>17.</strong> Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?<br />
<strong>18.</strong> Depois de terem ouvido essas palavras, eles se calaram e deram glória a Deus, dizendo: Portanto, também aos pagãos concedeu Deus o arrependimento que conduz à vida!<br />
<strong>19.</strong> Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus.<br />
<strong>20.</strong> Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, dirigiram-se também aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus.<br />
<strong>21.</strong> A mão do Senhor estava com eles e grande foi o número dos que receberam a fé e se converteram ao Senhor.<br />
<strong>22.</strong> A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé até Antioquia.<br />
<strong>23.</strong> Ao chegar lá, alegrou-se, vendo a graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração,<br />
<strong>24.</strong> pois era um homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão uniu-se ao Senhor.<br />
<strong>25.</strong> Em seguida, partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Achou-o e levou-o para Antioquia.<br />
<strong>26.</strong> Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos.<br />
<strong>27.</strong> Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia.<br />
<strong>28.</strong> Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio.<br />
<strong>29.</strong> Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia.<br />
<strong>30.</strong> Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.</p>
<p><a name="12"> </a><br />
<strong>Capítulo 12</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar.<br />
<strong>2.</strong> Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João.<br />
<strong>3.</strong> Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento.<br />
<strong>4.</strong> Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.<br />
<strong>5.</strong> Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus.<br />
<strong>6.</strong> Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere.<br />
<strong>7.</strong> De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos.<br />
<strong>8.</strong> O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me.<br />
<strong>9.</strong> Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando.<br />
<strong>10.</strong> Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu.<br />
<strong>11.</strong> Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.<br />
<strong>12.</strong> Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração.<br />
<strong>13.</strong> Quando bateu à porta de entrada, uma criada, chamada Rode, adiantou-se para escutar.<br />
<strong>14.</strong> Mal reconheceu a voz de Pedro, de tanta alegria não abriu a porta, mas, correndo para dentro, foi anunciar que era Pedro que estava à porta.<br />
<strong>15.</strong> Disseram-lhe: Estás louca! Mas ela persistia em afirmar que era verdade. Diziam eles: Então é o seu anjo.<br />
<strong>16.</strong> Pedro continuava a bater. Afinal abriram a porta, viram-no e ficaram atônitos.<br />
<strong>17.</strong> Ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: Comunicai-o a Tiago e aos irmãos. Em seguida, saiu dali e retirou-se para outro lugar.<br />
<strong>18.</strong> Logo que amanheceu, houve um sobressalto pouco comum entre os soldados sobre o que acontecera a Pedro.<br />
<strong>19.</strong> Herodes, procurando-o e não o achando, instaurou um processo contra os guardas e mandou supliciá-los. Em seguida, desceu da Judéia para Cesaréia, onde permaneceu.<br />
<strong>20.</strong> Estava Herodes em conflito com os habitantes de Tiro e de Sidônia. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele, e, com o favor de Blasto, que era camareiro do rei, pediram a paz. (Porque a sua região era abastecida por ele.)<br />
<strong>21.</strong> No dia marcado, Herodes, vestido em traje real, sentou-se no tribunal e lhes dirigiu uma alocução.<br />
<strong>22.</strong> O povo aplaudia: É a voz de um deus, e não de um homem!<br />
<strong>23.</strong> No mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado honra a Deus. E, roído de vermes, expirou.<br />
<strong>24.</strong> Entretanto, a palavra de Deus crescia e se espalhava sempre mais.<br />
<strong>25.</strong> Tendo Barnabé e Saulo concluído a sua missão, voltaram de Jerusalém (a Antioquia), levando consigo João, que tem por sobrenome Marcos.</p>
<p><a name="13"> </a><br />
<strong>Capítulo 13</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo.<br />
<strong>2.</strong> Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.<br />
<strong>3.</strong> Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.<br />
<strong>4.</strong> Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre.<br />
<strong>5.</strong> Chegados a Salamina, pregavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham com eles João para auxiliá-los.<br />
<strong>6.</strong> Percorreram toda a ilha até Pafos e acharam um judeu chamado Barjesus, mago e falso profeta,<br />
<strong>7.</strong> que vivia na companhia do procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou Barnabé e Saulo, e exprimiu-lhes o desejo de ouvir a palavra de Deus.<br />
<strong>8.</strong> Mas Élimas, o Mago &#8211; pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o procônsul.<br />
<strong>9.</strong> Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe:<br />
<strong>10.</strong> Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor!<br />
<strong>11.</strong> Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem! Caíram logo sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando à roda, buscava quem lhe desse a mão.<br />
<strong>12.</strong> À vista deste prodígio, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente a doutrina do Senhor.<br />
<strong>13.</strong> Paulo e os seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.<br />
<strong>14.</strong> Mas eles, deixando Perge, foram para Antioquia da Pisídia. Ali entraram em dia de sábado na sinagoga, e sentaram-se.<br />
<strong>15.</strong> Depois da leitura da lei e dos profetas, mandaram-lhes dizer os chefes da sinagoga: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação ao povo, falai-a.<br />
<strong>16.</strong> Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e falou: Homens de Israel e vós que temeis a Deus, ouvi.<br />
<strong>17.</strong> O Deus do povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou este povo no tempo em que habitava na terra do Egito, de onde os tirou com o poder de seu braço.<br />
<strong>18.</strong> Por espaço de quarenta anos alimentou-os no deserto.<br />
<strong>19.</strong> Destruiu sete nações na terra de Canaã e distribuiu-lhes por sorte aquela terra durante quase quatrocentos e cinqüenta anos.<br />
<strong>20.</strong> Em seguida, lhes deu juízes até o profeta Samuel.<br />
<strong>21.</strong> Pediram então um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim.<br />
<strong>22.</strong> Depois, Deus o rejeitou e mandou-lhes Davi como rei, de quem deu este testemunho: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades.<br />
<strong>23.</strong> De sua descendência, conforme a promessa, Deus fez sair para Israel o Salvador Jesus.<br />
<strong>24.</strong> João tinha pregado, desde antes da sua vinda, o batismo do arrependimento a todo o povo de Israel.<br />
<strong>25.</strong> Terminando a sua carreira, dizia: Eu não sou aquele que vós pensais, mas após mim virá aquele de quem não sou digno de desatar o calçado.<br />
<strong>26.</strong> Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação.<br />
<strong>27.</strong> Com efeito, os habitantes de Jerusalém e os seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-o, cumpriram os oráculos dos profetas, que cada sábado são lidos.<br />
<strong>28.</strong> Embora não achassem nele culpa alguma de morte, pediram a Pilatos que lhe tirasse a vida.<br />
<strong>29.</strong> Depois de realizarem todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, puseram-no num sepulcro.<br />
<strong>30.</strong> Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos.<br />
<strong>31.</strong> Durante muitos dias apareceu àqueles que com ele subiram da Galiléia a Jerusalém, os quais até agora são testemunhas dele junto ao povo.<br />
<strong>32.</strong> Nós vos anunciamos: a promessa feita a nossos pais,<br />
<strong>33.</strong> Deus a tem cumprido diante de nós, seus filhos, suscitando Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7).<br />
<strong>34.</strong> Que Deus o ressuscitou dentre os mortos, para nunca mais tornar à corrupção, ele o declarou desta maneira: Eu vos darei as coisas sagradas prometidas a Davi (Is 55,3).<br />
<strong>35.</strong> E diz também noutra passagem: Não permitirás que teu Santo experimente a corrupção (Sl 15,10).<br />
<strong>36.</strong> Ora, Davi, depois de ter servido em vida aos desígnios de Deus, morreu. Foi reunido a seus pais e experimentou a corrupção.<br />
<strong>37.</strong> Mas aquele a quem Deus ressuscitou não experimentou a corrupção.<br />
<strong>38.</strong> Sabei, pois, irmãos, que por ele se vos anuncia a remissão dos pecados.<br />
<strong>39.</strong> Todo aquele que crê é justificado por ele de tudo aquilo que não pôde ser pela Lei de Moisés.<br />
<strong>40.</strong> Cuidai, pois, que não venha sobre vós o que foi dito pelos profetas:<br />
<strong>41.</strong> Vede, ó desprezadores, pasmai e morrei de espanto. Pois eu vou realizar uma obra em vossos dias, obra a que não creríeis, se alguém vo-la contasse (Hab 1,5).<br />
<strong>42.</strong> Ao saírem, rogavam que lhes repetissem essas palavras no sábado seguinte.<br />
<strong>43.</strong> Depois que a assembléia terminou, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram Paulo e Barnabé, os quais com muitas palavras os exortavam a perseverar na graça de Deus.<br />
<strong>44.</strong> No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus.<br />
<strong>45.</strong> Os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e puseram-se a protestar com injúrias contra o que Paulo falava.<br />
<strong>46.</strong> Então Paulo e Barnabé disseram-lhes resolutamente: Era a vós que em primeiro lugar se devia anunciar a palavra de Deus. Mas, porque a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os pagãos.<br />
<strong>47.</strong> Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te estabeleci para seres luz das nações, e levares a salvação até os confins da terra (Is 49,6).<br />
<strong>48.</strong> Estas palavras encheram de alegria os pagãos que glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam predispostos para a vida eterna fizeram ato de fé.<br />
<strong>49.</strong> Divulgava-se, assim, a palavra do Senhor por toda a região.<br />
<strong>50.</strong> Mas os judeus instigaram certas mulheres religiosas da aristocracia e os principais da cidade, que excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território.<br />
<strong>51.</strong> Estes sacudiram contra eles o pó dos seus pés, e foram a Icônio.<br />
<strong>52.</strong> Os discípulos, por sua vez, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.</p>
<p><a name="14"> </a><br />
<strong>Capítulo 14</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Em Icônio, Paulo e Barnabé, segundo seu costume, entraram na sinagoga dos judeus e ali pregaram, de tal modo que uma grande multidão de judeus e de gregos se converteu à fé.<br />
<strong>2.</strong> Mas os judeus, que tinham permanecido incrédulos, excitaram os ânimos dos pagãos contra os irmãos.<br />
<strong>3.</strong> Não obstante, eles se demoraram ali por muito tempo, falando com desassombro e confiança no Senhor, que dava testemunho à palavra da sua graça pelos milagres e prodígios que ele operava por mãos dos apóstolos.<br />
<strong>4.</strong> A população da cidade achava-se dividida: uns eram pelos judeus, outros pelos apóstolos.<br />
<strong>5.</strong> Mas como se tivesse levantado um motim dos gentios e dos judeus, com os seus chefes, para os ultrajar e apedrejar,<br />
<strong>6.</strong> ao saberem disso, fugiram para as cidades da Licaônia, Listra e Derbe e suas circunvizinhanças.<br />
<strong>7.</strong> Ali pregaram o Evangelho.<br />
<strong>8.</strong> Em Listra vivia um homem aleijado das pernas, coxo de nascença, que nunca tinha andado.<br />
<strong>9.</strong> Sentado, ele ouvia Paulo pregar. Este, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado,<br />
<strong>10.</strong> disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés! Ele deu um salto e pôs-se a andar.<br />
<strong>11.</strong> Vendo a multidão o que Paulo fizera, levantou a voz, gritando em língua licaônica: Deuses em figura de homens baixaram a nós!<br />
<strong>12.</strong> Chamavam a Barnabé Zeus e a Paulo Hermes, porque era este quem dirigia a palavra.<br />
<strong>13.</strong> Um sacerdote de Zeus Propóleos trouxe para as portas touros ornados de grinaldas, querendo, de acordo com todo o povo, sacrificar-lhos.<br />
<strong>14.</strong> Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e saltaram no meio da multidão:<br />
<strong>15.</strong> Homens, clamavam eles, por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há.<br />
<strong>16.</strong> Ele permitiu nos tempos passados que todas as nações seguissem os seus caminhos.<br />
<strong>17.</strong> Contudo, nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os tempos férteis, concedendo abundante alimento e enchendo os vossos corações de alegria.<br />
<strong>18.</strong> Apesar dessas palavras, não foi sem dificuldade que contiveram a multidão de sacrificar a eles.<br />
<strong>19.</strong> Sobrevieram, porém, alguns judeus de Antioquia e de Icônio que persuadiram a multidão. Apedrejaram Paulo e, dando-o por morto, arrastaram-no para fora da cidade.<br />
<strong>20.</strong> Os discípulos o rodearam. Ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe.<br />
<strong>21.</strong> Depois de ter pregado o Evangelho à cidade de Derbe, onde ganharam muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia (da Pisídia).<br />
<strong>22.</strong> Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações.<br />
<strong>23.</strong> Em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham confiado.<br />
<strong>24.</strong> Atravessaram a Pisídia e chegaram a Panfília.<br />
<strong>25.</strong> Depois de ter anunciado a palavra do Senhor em Perge, desceram a Atália.<br />
<strong>26.</strong> Dali navegaram para Antioquia (da Síria), de onde tinham partido, encomendados à graça de Deus para a obra que estavam a completar.<br />
<strong>27.</strong> Ali chegados, reuniram a igreja e contaram quão grandes coisas Deus fizera com eles, e como abrira a porta da fé aos gentios.<br />
<strong>28.</strong> Demoraram-se com os discípulos longo tempo.</p>
<p><a name="15"> </a><br />
<strong>Capítulo 15</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.<br />
<strong>2.</strong> Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.<br />
<strong>3.</strong> Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria.<br />
<strong>4.</strong> Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles.<br />
<strong>5.</strong> Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés.<br />
<strong>6.</strong> Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão.<br />
<strong>7.</strong> Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.<br />
<strong>8.</strong> Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós.<br />
<strong>9.</strong> Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações.<br />
<strong>10.</strong> Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?<br />
<strong>11.</strong> Nós cremos que pela graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles.<br />
<strong>12.</strong> Toda a assembléia o ouviu silenciosamente. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios.<br />
<strong>13.</strong> Depois de terminarem, Tiago tomou a palavra: Irmãos, ouvi-me, disse ele.<br />
<strong>14.</strong> Simão narrou como Deus começou a olhar para as nações pagãs para tirar delas um povo que trouxesse o seu nome.<br />
<strong>15.</strong> Ora, com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito:<br />
<strong>16.</strong> Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi que caiu. E reedificarei as suas ruínas, e o levantarei<br />
<strong>17.</strong> para que o resto dos homens busque o Senhor, e todas as nações, sobre as quais tem sido invocado o meu nome.<br />
<strong>18.</strong> Assim fala o Senhor que faz estas coisas, coisas que ele conheceu desde a eternidade (Am 9,11s.).<br />
<strong>19.</strong> Por isso, julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus.<br />
<strong>20.</strong> Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue.<br />
<strong>21.</strong> Porque Moisés, desde muitas gerações, tem em cada cidade seus pregadores, pois que ele é lido nas sinagogas todos os sábados.<br />
<strong>22.</strong> Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos.<br />
<strong>23.</strong> Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: &#8220;Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde!<br />
<strong>24.</strong> Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência.<br />
<strong>25.</strong> Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,<br />
<strong>26.</strong> homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.<br />
<strong>27.</strong> Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas.<br />
<strong>28.</strong> Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável:<br />
<strong>29.</strong> que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus!<br />
<strong>30.</strong> Tendo-se despedido, a delegação dirigiu-se a Antioquia. Ali reuniram a assembléia e entregaram a carta.<br />
<strong>31.</strong> À sua leitura, todos se alegraram com o estímulo que ela trazia.<br />
<strong>32.</strong> Judas e Silas, que eram também profetas, dirigiam aos irmãos muitas palavras de exortação e de animação.<br />
<strong>33.</strong> Demoraram-se ali por algum tempo. Foram depois pelos irmãos despedidos em paz, voltando aos que lhos tinham enviado.<br />
<strong>34.</strong> [A Silas contudo, pareceu bem ficar ali, e Judas partiu sozinho.]<br />
<strong>35.</strong> Paulo e Barnabé detiveram-se também em Antioquia, ensinando e pregando com muitos outros a palavra do Senhor.<br />
<strong>36.</strong> Ao termo de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades onde temos pregado a palavra do Senhor, para ver como estão passando.<br />
<strong>37.</strong> Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos.<br />
<strong>38.</strong> Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília e não os havia acompanhado no ministério.<br />
<strong>39.</strong> Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.<br />
<strong>40.</strong> Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à graça do Senhor, partiu. Ele percorreu a Síria, a Cilícia, confirmando as comunidades.</p>
<p><a name="16"> </a><br />
<strong>Capítulo 16</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Chegou a Derbe e depois a Listra. Havia ali um discípulo, chamado Timóteo, filho de uma judia cristã, mas de pai grego,<br />
<strong>2.</strong> que gozava de ótima reputação junto dos irmãos de Listra e de Icônio.<br />
<strong>3.</strong> Paulo quis que ele fosse em sua companhia. Ao tomá-lo consigo, circuncidou-o, por causa dos judeus daqueles lugares, pois todos sabiam que o seu pai era grego.<br />
<strong>4.</strong> Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.<br />
<strong>5.</strong> Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia.<br />
<strong>6.</strong> Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra de Deus na (província da) Ásia.<br />
<strong>7.</strong> Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.<br />
<strong>8.</strong> Depois de haverem atravessado rapidamente a Mísia, desceram a Trôade.<br />
<strong>9.</strong> De noite, Paulo teve uma visão: um macedônio, em pé, diante dele, lhe rogava: Passa à Macedônia, e vem em nosso auxílio!<br />
<strong>10.</strong> Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho.<br />
<strong>11.</strong> Embarcados em Trôade, fomos diretamente à Samotrácia e no outro dia a Neápolis;<br />
<strong>12.</strong> e dali a Filipos, que é a cidade principal daquele distrito da Macedônia, uma colônia (romana). Nesta cidade nos detivemos por alguns dias.<br />
<strong>13.</strong> No sábado, saímos fora da porta para junto do rio, onde pensávamos haver lugar de oração. Aí nos assentamos e falávamos às mulheres que se haviam reunido.<br />
<strong>14.</strong> Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia.<br />
<strong>15.</strong> Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo. E obrigou-nos a isso.<br />
<strong>16.</strong> Certo dia, quando íamos à oração, eis que nos veio ao encontro uma moça escrava que tinha o espírito de Pitão, a qual com as suas adivinhações dava muito lucro a seus senhores.<br />
<strong>17.</strong> Pondo-se a seguir a Paulo e a nós, gritava: Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação.<br />
<strong>18.</strong> Repetiu isto por muitos dias. Por fim, Paulo enfadou-se. Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu.<br />
<strong>19.</strong> Vendo seus amos que se lhes esvaecera a esperança do lucro, pegaram Paulo e Silas e levaram-nos ao foro, à presença das autoridades.<br />
<strong>20.</strong> Em seguida, apresentaram-nos aos magistrados, acusando: Estes homens são judeus; amotinam a nossa cidade.<br />
<strong>21.</strong> E pregam um modo de vida que nós, romanos, não podemos admitir nem seguir.<br />
<strong>22.</strong> O povo insurgiu-se contra eles. Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas.<br />
<strong>23.</strong> Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.<br />
<strong>24.</strong> Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo.<br />
<strong>25.</strong> Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus, e os prisioneiros os escutavam.<br />
<strong>26.</strong> Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos.<br />
<strong>27.</strong> Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se.<br />
<strong>28.</strong> Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui.<br />
<strong>29.</strong> Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas.<br />
<strong>30.</strong> Depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: Senhores, que devo fazer para me salvar?<br />
<strong>31.</strong> Disseram-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.<br />
<strong>32.</strong> Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa.<br />
<strong>33.</strong> Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.<br />
<strong>34.</strong> Em seguida, ele os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua casa por haver crido em Deus.<br />
<strong>35.</strong> Quando amanheceu, os magistrados mandaram os lictores dizer: Solta esses homens.<br />
<strong>36.</strong> O carcereiro transmitiu essa mensagem a Paulo: Os magistrados mandaram-me dizer que vos ponha em liberdade. Saí, pois, e ide em paz.<br />
<strong>37.</strong> Mas Paulo replicou: Sem nenhum julgamento nos açoitaram publicamente, a nós que somos cidadãos romanos, e meteram-nos no cárcere, e agora nos lançam fora ocultamente&#8230; Não há de ser assim! Mas venham e soltem-nos pessoalmente!<br />
<strong>38.</strong> Os lictores deram parte dessas palavras aos magistrados. Estes temeram, ao ouvir dizer que eram romanos.<br />
<strong>39.</strong> Foram e lhes falaram brandamente. Pedindo desculpas, rogavam-lhes que se retirassem da cidade.<br />
<strong>40.</strong> Saindo do cárcere, entraram em casa de Lídia, onde reviram e consolaram os irmãos. Depois partiram.</p>
<p><a name="17"> </a><br />
<strong>Capítulo 17</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Passaram por Anfípolis e Apolônia e chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus.<br />
<strong>2.</strong> Paulo dirigiu-se a eles, segundo o seu costume, e por três sábados disputou com eles.<br />
<strong>3.</strong> Explicava e demonstrava, à base das Escrituras, que era necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dos mortos. E este Cristo é Jesus que eu vos anuncio.<br />
<strong>4.</strong> Alguns deles creram e associaram-se a Paulo e Silas, como também uma grande multidão de prosélitos gentios, e não poucas mulheres de destaque.<br />
<strong>5.</strong> Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade. Assaltaram a casa de Jasão, procurando-os para os entregar ao povo.<br />
<strong>6.</strong> Mas como não os achassem, arrastaram Jasão e alguns irmãos à presença dos magistrados, clamando: Estes homens amotinam todo o mundo. Estão agora aqui! E Jasão os acolheu!<br />
<strong>7.</strong> Todos eles contrariam os decretos de César, proclamando outro rei: Jesus.<br />
<strong>8.</strong> Assim excitavam o povo e os magistrados.<br />
<strong>9.</strong> E só depois de receberem uma caução de Jasão e dos outros é que os deixaram ir.<br />
<strong>10.</strong> Logo que se fez noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia. Quando ali chegaram, entraram na sinagoga dos judeus.<br />
<strong>11.</strong> Estes eram mais nobres do que os de Tessalônica e receberam a palavra com ansioso desejo, indagando todos os dias, nas Escrituras, se essas coisas eram de fato assim.<br />
<strong>12.</strong> Muitos deles creram, como também muitas mulheres gregas da aristocracia, e não poucos homens.<br />
<strong>13.</strong> Mas os judeus de Tessalônica, sabendo que também em Beréia tinha sido pregada por Paulo a palavra de Deus, foram para lá agitar e sublevar o povo.<br />
<strong>14.</strong> Então os irmãos fizeram que Paulo se retirasse e fosse até o mar, ao passo que Silas e Timóteo ficaram ali.<br />
<strong>15.</strong> Os que conduziam Paulo levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível.<br />
<strong>16.</strong> Enquanto Paulo os esperava em Atenas, à vista da cidade entregue à idolatria, o seu coração enchia-se de amargura.<br />
<strong>17.</strong> Disputava na sinagoga com os judeus e prosélitos, e todos os dias, na praça, com os que ali se encontravam.<br />
<strong>18.</strong> Alguns filósofos epicureus e estóicos conversaram com ele. Diziam uns: Que quer dizer esse tagarela? Outros: Parece que é pregador de novos deuses. Pois lhes anunciava Jesus e a Ressurreição.<br />
<strong>19.</strong> Tomaram-no consigo e levaram-no ao Areópago, e lhe perguntaram: Podemos saber que nova doutrina é essa que pregas?<br />
<strong>20.</strong> Pois o que nos trazes aos ouvidos nos parece muito estranho. Queremos saber o que vem a ser isso.<br />
<strong>21.</strong> Ora (como se sabe), todos os atenienses e os forasteiros que ali se fixaram não se ocupavam de outra coisa senão a de dizer ou de ouvir as últimas novidades.<br />
<strong>22.</strong> Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos.<br />
<strong>23.</strong> Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!<br />
<strong>24.</strong> O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas.<br />
<strong>25.</strong> Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.<br />
<strong>26.</strong> Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação.<br />
<strong>27.</strong> Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós.<br />
<strong>28.</strong> Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça&#8230;<br />
<strong>29.</strong> Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens.<br />
<strong>30.</strong> Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, convida agora a todos os homens de todos os lugares a se arrependerem.<br />
<strong>31.</strong> Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos.<br />
<strong>32.</strong> Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: A respeito disso te ouviremos outra vez.<br />
<strong>33.</strong> Assim saiu Paulo do meio deles.<br />
<strong>34.</strong> Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros.</p>
<p><a name="18"> </a><br />
<strong>Capítulo 18</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto.<br />
<strong>2.</strong> Encontrou ali um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Eles pouco antes haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo uniu-se a eles.<br />
<strong>3.</strong> Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.)<br />
<strong>4.</strong> Todos os sábados ele falava na sinagoga e procurava convencer os judeus e os gregos.<br />
<strong>5.</strong> Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à pregação da palavra, dando aos judeus testemunho de que Jesus era o Messias.<br />
<strong>6.</strong> Mas como esses contradissessem e o injuriassem, ele, sacudindo as vestes, disse-lhes: O vosso sangue caia sobre a vossa cabeça! Tenho as mãos inocentes. Desde agora vou para o meio dos gentios.<br />
<strong>7.</strong> Saindo dali, entrou em casa de um prosélito, chamado Tício Justo, cuja casa era contígua à sinagoga.<br />
<strong>8.</strong> Entretanto Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com todos os da sua casa. Sabendo disso, muitos dos coríntios, ouvintes de Paulo, acreditaram e foram batizados.<br />
<strong>9.</strong> Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: Não temas! Fala e não te cales.<br />
<strong>10.</strong> Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade.<br />
<strong>11.</strong> Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus.<br />
<strong>12.</strong> Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e levaram-no ao tribunal e disseram:<br />
<strong>13.</strong> Este homem persuade os ouvintes a (adotar) um culto contrário à lei.<br />
<strong>14.</strong> Paulo ia falar, mas Galião disse aos judeus: Se fosse, na realidade, uma injustiça ou verdadeiro crime, seria razoável que vos atendesse.<br />
<strong>15.</strong> Mas se são questões de doutrina, de nomes e da vossa lei, isso é lá convosco. Não quero ser juiz dessas coisas.<br />
<strong>16.</strong> E mandou-o sair do tribunal.<br />
<strong>17.</strong> Então todos pegaram em Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal, sem que Galião fizesse caso algum disso.<br />
<strong>18.</strong> Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto.<br />
<strong>19.</strong> Chegaram a Éfeso, onde os deixou. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus.<br />
<strong>20.</strong> Pediram-lhe estes que ficasse com eles ali por mais tempo, mas ele não quis.<br />
<strong>21.</strong> Ao despedir-se, disse: Voltarei a vós, se Deus quiser. E partiu de Éfeso.<br />
<strong>22.</strong> Viajou até Cesaréia, subiu (a Jerusalém) e saudou a comunidade e logo em seguida desceu a Antioquia.<br />
<strong>23.</strong> Aí se demorou apenas por algum tempo, partiu de novo e atravessou sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos.<br />
<strong>24.</strong> Entrementes, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e muito versado nas Escrituras, chegou a Éfeso.<br />
<strong>25.</strong> Era instruído no caminho do Senhor, falava com fervor de espírito e ensinava com precisão a respeito de Jesus, embora conhecesse somente o batismo de João.<br />
<strong>26.</strong> Começou, pois, a falar na sinagoga com desassombro. Como Priscila e Áquila o ouvissem, levaram-no consigo, e expuseram-lhe mais profundamente o caminho do Senhor.<br />
<strong>27.</strong> Como ele quisesse ir à Acaia, os irmãos animaram-no e escreveram aos discípulos que o recebessem bem. A sua presença (em Corinto) foi, pela graça de Deus, de muito proveito para os que haviam crido,<br />
<strong>28.</strong> pois com grande veemência refutava publicamente os judeus, provando, pelas Escrituras, que Jesus era o Messias.</p>
<p><a name="19"> </a><br />
<strong>Capítulo 19</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles:<br />
<strong>2.</strong> Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé? Responderam-lhe: Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!<br />
<strong>3.</strong> Então em que batismo fostes batizados?, perguntou Paulo. Disseram: No batismo de João.<br />
<strong>4.</strong> Paulo então replicou: João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus.<br />
<strong>5.</strong> Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus.<br />
<strong>6.</strong> E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam.<br />
<strong>7.</strong> Eram ao todo uns doze homens.<br />
<strong>8.</strong> Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus.<br />
<strong>9.</strong> Mas, como alguns se endurecessem e não cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo Tirano.<br />
<strong>10.</strong> Isto durou dois anos, de tal maneira que todos os habitantes da Ásia, judeus e gentios, puderam ouvir a palavra do Senhor.<br />
<strong>11.</strong> Deus fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado o seu corpo eram levados aos enfermos;<br />
<strong>12.</strong> e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos.<br />
<strong>13.</strong> Alguns judeus exorcistas que percorriam vários lugares inventaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que se achavam possessos dos espíritos malignos, com as palavras: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega.<br />
<strong>14.</strong> Assim procediam os sete filhos de um judeu chamado Cevas, sumo sacerdote.<br />
<strong>15.</strong> Mas o espírito maligno replicou-lhes: Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vós, quem sois?<br />
<strong>16.</strong> Nisto o homem possuído do espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois deles e subjugou-os de tal maneira, que tiveram que fugir daquela casa feridos e com as roupas estraçalhadas.<br />
<strong>17.</strong> Este caso tornou-se (em breve) conhecido de todos os judeus e gregos de Éfeso, e encheu-os de temor e engrandeceram o nome do Senhor Jesus.<br />
<strong>18.</strong> Muitos dos que haviam acreditado vinham confessar e declarar as suas obras.<br />
<strong>19.</strong> Muitos também, que tinham exercido artes mágicas, ajuntaram os seus livros e queimaram-nos diante de todos. Calculou-se o seu valor, e achou-se que montava a cinqüenta mil moedas de prata.<br />
<strong>20.</strong> Foi assim que o poder do Senhor fez crescer a palavra e a tornou sempre mais eficaz.<br />
<strong>21.</strong> Concluídas essas coisas, Paulo resolveu ir a Jerusalém, depois de atravessar a Macedônia e a Acaia. Depois de eu ter estado lá, disse ele, é necessário que veja também Roma.<br />
<strong>22.</strong> Enviou à Macedônia dois dos seus auxiliares, Timóteo e Erasto, mas ele mesmo se demorou ainda por algum tempo na Ásia.<br />
<strong>23.</strong> Por esse tempo, ocorreu um grande alvoroço a respeito do Evangelho.<br />
<strong>24.</strong> Um ourives, chamado Demétrio, que fazia de prata templozinhos de Ártemis, dava muito a ganhar aos artífices.<br />
<strong>25.</strong> Convocou-os, juntamente com os demais operários do mesmo ramo, e disse: Conheceis o lucro que nos resulta desta indústria.<br />
<strong>26.</strong> Ora, estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas quase em toda a Ásia, esse Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, dizendo que não são deuses os ídolos que são feitos por mãos de homens.<br />
<strong>27.</strong> Daí não somente há perigo de que essa nossa corporação caia em descrédito, como também que o templo da grande Ártemis seja desconsiderado, e até mesmo seja despojada de sua majestade aquela que toda a Ásia e o mundo inteiro adoram.<br />
<strong>28.</strong> Estas palavras encheram-nos de ira e puseram-se a gritar: Viva a Ártemis dos efésios!<br />
<strong>29.</strong> A cidade alvoroçou-se e todos correram ao teatro levando consigo Caio e Aristarco, macedônios e companheiros de Paulo.<br />
<strong>30.</strong> Paulo queria apresentar-se ao povo, mas os discípulos não o deixaram.<br />
<strong>31.</strong> Até alguns dos asiarcas, que eram seus amigos, enviaram-lhe recado, pedindo que não se aventurasse a ir ao teatro.<br />
<strong>32.</strong> Todos gritavam ao mesmo tempo. A assembléia era uma grande confusão e a maioria nem sabia por que se achavam ali reunidos.<br />
<strong>33.</strong> Então fizeram sair do meio da turba Alexandre, que os judeus empurravam para a frente. Alexandre, fazendo sinal com a mão, queria dar satisfação ao povo.<br />
<strong>34.</strong> Mas quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram pelo espaço de quase duas horas: Viva a Ártemis dos efésios!<br />
<strong>35.</strong> Então o escrivão da cidade (veio) para apaziguar a multidão e disse: Efésios, que homem há que não saiba que a cidade de Éfeso cultua a grande Ártemis, e que a sua estátua caiu dos céus?<br />
<strong>36.</strong> Se isso é incontestável, convém que vos sossegueis e nada façais inconsideradamente.<br />
<strong>37.</strong> Estes homens, que aqui trouxestes, não são sacrílegos nem blasfemadores da vossa deusa.<br />
<strong>38.</strong> Mas, se Demétrio e os outros artífices têm alguma queixa contra alguém, os tribunais estão abertos e aí estão os magistrados: institua-se um processo contra eles.<br />
<strong>39.</strong> Se tendes reclamação a fazer, a assembléia legal decidirá.<br />
<strong>40.</strong> Do que se deu hoje, até corremos risco de sermos acusados de rebelião, porque não há motivo algum que nos permita justificar este concurso.<br />
<strong>41.</strong> A estas palavras, dissolveu-se a aglomeração.</p>
<p><a name="20"> </a><br />
<strong>Capítulo 20</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Depois que cessou o tumulto, Paulo convocou os discípulos. Fez-lhes uma exortação, despediu-se e pôs-se a caminho para ir à Macedônia.<br />
<strong>2.</strong> Percorreu aquela região, exortou os discípulos com muitas palavras e chegou à Grécia,<br />
<strong>3.</strong> onde se deteve por três meses. Como os judeus lhe armassem ciladas no momento em que ia embarcar para a Síria, tomou a resolução de voltar pela Macedônia.<br />
<strong>4.</strong> Acompanharam-no Sópatro de Beréia, filho de Pirro, e os tessalonicenses Aristarco e Segundo, Gaio de Derbe, Timóteo, Tíquico e Trófimo, da Ásia.<br />
<strong>5.</strong> Estes foram na frente e esperaram-nos em Trôade.<br />
<strong>6.</strong> Nós outros, só depois da festa de Páscoa é que navegamos de Filipos. E, cinco dias depois, fomos ter com eles em Trôade, onde ficamos uma semana.<br />
<strong>7.</strong> No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite.<br />
<strong>8.</strong> Havia muitas lâmpadas no quarto, onde nos achávamos reunidos.<br />
<strong>9.</strong> Acontece que um moço, chamado Êutico, que estava sentado numa janela, foi tomado de profundo sono, enquanto Paulo ia prolongando seu discurso. Vencido pelo sono, caiu do terceiro andar abaixo, e foi levantado morto.<br />
<strong>10.</strong> Paulo desceu, debruçou-se sobre ele, tomou-o nos braços e disse: Não vos perturbeis, porque a sua alma está nele.<br />
<strong>11.</strong> Então subiu, partiu o pão, comeu falou-lhes largamente até o romper do dia. Depois partiu.<br />
<strong>12.</strong> Quanto ao moço, levaram-no dali vivo, cheios de consolação.<br />
<strong>13.</strong> Nós nos tínhamos adiantado e navegado para Assos, para ali recebermos Paulo. Ele mesmo assim o havia disposto, preferindo fazer a viagem a pé.<br />
<strong>14.</strong> Reuniu-se a nós em Assos, e nós o tomamos a bordo e fomos a Mitilene.<br />
<strong>15.</strong> Continuando dali, sempre por mar, chegamos no dia seguinte defronte de Quios. No outro dia, chegamos a Samos, e um dia depois estávamos em Mileto.<br />
<strong>16.</strong> Paulo havia determinado não ir a Éfeso, para não se demorar na Ásia, pois se apressava para celebrar, se possível em Jerusalém, o dia de Pentecostes.<br />
<strong>17.</strong> Mas de Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja.<br />
<strong>18.</strong> Quando chegaram, e estando todos reunidos, disse-lhes: Vós sabeis de que modo sempre me tenho comportado para convosco, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia.<br />
<strong>19.</strong> Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus.<br />
<strong>20.</strong> Vós sabeis como não tenho negligenciado, como não tenho ocultado coisa alguma que vos podia ser útil. Preguei e vos instruí publicamente e dentro de vossas casas.<br />
<strong>21.</strong> Preguei aos judeus e aos gentios a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus.<br />
<strong>22.</strong> Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando a que ali me espera.<br />
<strong>23.</strong> Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me assegura que me esperam em Jerusalém cadeias e perseguições.<br />
<strong>24.</strong> Mas nada disso temo, nem faço caso da minha vida, contanto que termine a minha carreira e o ministério da palavra que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho ao Evangelho da graça de Deus.<br />
<strong>25.</strong> Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus.<br />
<strong>26.</strong> Portanto, hoje eu protesto diante de vós que sou inocente do sangue de todos,<br />
<strong>27.</strong> porque nada omiti no anúncio que vos fiz dos desígnios de Deus.<br />
<strong>28.</strong> Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue.<br />
<strong>29.</strong> Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho.<br />
<strong>30.</strong> Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos.<br />
<strong>31.</strong> Vigiai! Lembrai-vos, portanto, de que por três anos não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós.<br />
<strong>32.</strong> Agora eu vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados.<br />
<strong>33.</strong> De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes.<br />
<strong>34.</strong> Vós mesmos sabeis: estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros.<br />
<strong>35.</strong> Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber!<br />
<strong>36.</strong> A essas palavras, ele se pôs de joelhos a orar.<br />
<strong>37.</strong> Derramaram-se em lágrimas e lançaram-se ao pescoço de Paulo para abraçá-lo,<br />
<strong>38.</strong> aflitos, sobretudo pela palavra que tinha dito: Já não vereis a minha face. Em seguida, acompanharam-no até o navio.</p>
<p><a name="21"> </a><br />
<strong>Capítulo 21</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Depois de nos separarmos dele, embarcamos e fomos em direção a Cós, e no dia seguinte a Rodes e dali a Pátara.<br />
<strong>2.</strong> Encontramos aí um navio que ia partir para a Fenícia. Entramos e seguimos viagem.<br />
<strong>3.</strong> Quando estávamos à vista de Chipre, deixando-a à esquerda, continuamos rumo à Síria e aportamos em Tiro, onde o navio devia ser descarregado.<br />
<strong>4.</strong> Como achássemos uns discípulos, detivemo-nos com eles por sete dias. Eles, sob a inspiração do Espírito, aconselhavam Paulo que não subisse a Jerusalém.<br />
<strong>5.</strong> Mas, passados que foram esses dias, partimos e seguimos a nossa viagem. Todos eles com suas mulheres e filhos acompanharam-nos até fora da cidade. Ajoelhados na praia, fizemos a nossa oração.<br />
<strong>6.</strong> Despedimo-nos então e embarcamos, enquanto eles voltaram para suas casas.<br />
<strong>7.</strong> Navegando, fomos de Tiro a Ptolemaida, onde saudamos os irmãos, passando um dia com eles.<br />
<strong>8.</strong> Partindo no dia seguinte, chegamos a Cesaréia e, entrando na casa de Filipe, o Evangelista, que era um dos sete (diáconos), ficamos com ele.<br />
<strong>9.</strong> Tinha quatro filhas virgens que profetizavam.<br />
<strong>10.</strong> Já estávamos aí fazia alguns dias, quando chegou da Judéia um profeta, chamado Ágabo.<br />
<strong>11.</strong> Veio ter conosco, tomou o cinto de Paulo e, amarrando-se com ele pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: assim os judeus em Jerusalém ligarão o homem a quem pertence este cinto e o entregarão às mãos dos pagãos.<br />
<strong>12.</strong> A estas palavras, nós e os fiéis que eram daquele lugar, rogamos-lhe que não subisse a Jerusalém.<br />
<strong>13.</strong> Paulo, porém, respondeu: Por que chorais e me magoais o coração? Pois eu estou pronto não só a ser preso, mas também a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.<br />
<strong>14.</strong> Como não pudéssemos persuadi-lo, desistimos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor!<br />
<strong>15.</strong> Depois desses dias, terminados os preparativos, subimos a Jerusalém.<br />
<strong>16.</strong> Foram também conosco alguns dos discípulos de Cesaréia, que nos levaram à casa de Menason de Chipre, um antigo discípulo em cuja casa nos devíamos hospedar.<br />
<strong>17.</strong> À nossa chegada em Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria.<br />
<strong>18.</strong> No dia seguinte, Paulo dirigiu-se conosco à casa de Tiago, onde todos os anciãos se reuniram.<br />
<strong>19.</strong> Tendo-os saudado, contou-lhes uma por uma todas as coisas que Deus fizera entre os pagãos por seu ministério.<br />
<strong>20.</strong> Ouvindo isso, glorificaram a Deus e disseram a Paulo: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus abraçaram a fé sem abandonar seu zelo pela lei.<br />
<strong>21.</strong> Eles têm ouvido dizer de ti que ensinas os judeus, que vivem entre os gentios, a deixarem Moisés, dizendo que não devem circuncidar os seus filhos nem observar os costumes (mosaicos).<br />
<strong>22.</strong> Que se há de fazer? Sem dúvida, saberão de tua chegada.<br />
<strong>23.</strong> Faze, pois, o que te vamos dizer. Temos aqui quatro homens que têm um voto.<br />
<strong>24.</strong> Toma-os contigo, faze com eles os ritos da purificação e paga por eles (a oferta obrigatória) para que rapem a cabeça. Então todos saberão que é falso quanto de ti ouviram, mas que também tu guardas a lei.<br />
<strong>25.</strong> Mas a respeito dos que creram dentre os gentios, já escrevemos, ordenando que se abstenham do que for sacrificado aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação.<br />
<strong>26.</strong> Então Paulo acompanhou aqueles homens no dia seguinte e, purificando-se com eles, entrou no templo e fez aí uma declaração do termo do voto, findo o qual se devia oferecer um sacrifício a favor de cada um deles.<br />
<strong>27.</strong> Ao fim dos sete dias, os judeus, vindos da Ásia, viram Paulo no templo e amotinaram todo o povo. Lançando-lhe as mãos,<br />
<strong>28.</strong> gritavam: Ó judeus, valei-nos! Este é o homem que por toda parte prega a todos contra o povo, a lei e o templo. Além disso, introduziu até gregos no templo e profanou o lugar santo.<br />
<strong>29.</strong> É que tinham visto Trófimo, de Éfeso, com ele na cidade, e pensavam que Paulo o tivesse introduzido no templo.<br />
<strong>30.</strong> Alvoroçou-se toda a cidade com grande ajuntamento de povo. Agarraram Paulo e arrastaram-no para fora do templo, cujas portas se fecharam imediatamente.<br />
<strong>31.</strong> Como quisessem matá-lo, o tribuno da coorte foi avisado de que toda Jerusalém estava amotinada.<br />
<strong>32.</strong> Ele tomou logo soldados e oficiais e correu aos manifestantes. Estes, ao avistarem o tribuno e os saldados, cessaram de espancar Paulo.<br />
<strong>33.</strong> Aproximando-se então o tribuno, prendeu-o e mandou acorrentá-lo com duas cadeias. Perguntou então quem era e o que havia feito.<br />
<strong>34.</strong> Na multidão todos gritavam de tal modo que, não podendo apurar a verdade por causa do tumulto, mandou que fosse recolhido à cidadela.<br />
<strong>35.</strong> Quando Paulo chegou às escadas, foi carregado pelos soldados, por causa do furor da multidão.<br />
<strong>36.</strong> O povo o seguia em massa dizendo aos gritos: À morte<br />
<strong>37.</strong> Quando estava para ser introduzido na fortaleza, Paulo perguntou ao tribuno: É-me permitido dizer duas palavras? Este respondeu: Sabes o grego!<br />
<strong>38.</strong> Não és tu, portanto, aquele egípcio que há tempos levantou um tumulto e conduziu ao deserto quatro mil extremistas?<br />
<strong>39.</strong> Paulo replicou: Eu sou judeu, natural de Tarso, na Cilícia, cidadão dessa ilustre cidade. Mas rogo-te que me permitas falar ao povo.<br />
<strong>40.</strong> O tribuno lho permitiu. Paulo, em pé nos degraus, acenou ao povo com a mão e se fez um grande silêncio. Falou em língua hebraica do seguinte modo:</p>
<p><a name="22"> </a><br />
<strong>Capítulo 22</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Irmãos e pais, ouvi o que vos tenho a dizer em minha defesa.<br />
<strong>2.</strong> Quando ouviram que lhes falava em língua hebraica, escutaram-no com a maior atenção.<br />
<strong>3.</strong> Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje.<br />
<strong>4.</strong> Eu persegui de morte essa doutrina, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres.<br />
<strong>5.</strong> O sumo sacerdote e todo o conselho dos anciãos me são testemunhas. E foi deles que também recebi cartas para os irmãos de Damasco, para onde me dirigi, com o fim de prender os que lá se achassem e trazê-los a Jerusalém, para que fossem castigados.<br />
<strong>6.</strong> Ora, estando eu a caminho, e aproximando-me de Damasco, pelo meio-dia, de repente me cercou uma forte luz do céu.<br />
<strong>7.</strong> Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?<br />
<strong>8.</strong> Eu repliquei: Quem és tu, Senhor? A voz me disse: Eu sou Jesus de Nazaré, a quem tu persegues.<br />
<strong>9.</strong> Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz de quem falava.<br />
<strong>10.</strong> Então eu disse: Senhor, que devo fazer? E o Senhor me respondeu: Levanta-te, vai a Damasco e lá te será dito tudo o que deves fazer.<br />
<strong>11.</strong> Como eu não pudesse ver por causa da intensidade daquela luz, guiado pela mão dos meus companheiros, cheguei a Damasco.<br />
<strong>12.</strong> Um certo Ananias, homem piedoso e observador da lei, muito bem conceituado entre todos os judeus daquela cidade,<br />
<strong>13.</strong> veio ter comigo e disse-me: Irmão Saulo, recobra a tua vista. Naquela mesma hora pude enxergá-lo.<br />
<strong>14.</strong> Continuou ele: O Deus de nossos pais te predestinou para que conhecesses a sua vontade, visses o Justo e ouvisses a palavra da sua boca,<br />
<strong>15.</strong> pois lhe serás, diante de todos os homens, testemunha das coisas que tens visto e ouvido.<br />
<strong>16.</strong> E agora, por que tardas? Levanta-te. Recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome.<br />
<strong>17.</strong> Voltei para Jerusalém e, orando no templo, fui arrebatado em êxtase.<br />
<strong>18.</strong> E vi Jesus que me dizia: Apressa-te e sai logo de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho a meu respeito.<br />
<strong>19.</strong> Eu repliquei: Senhor, eles sabem que eu encarcerava e açoitava com varas nas sinagogas os que crêem em ti.<br />
<strong>20.</strong> E quando se derramou o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu estava presente, consentia nisso e guardava os mantos dos que o matavam.<br />
<strong>21.</strong> Mas ele me respondeu: Vai, porque eu te enviarei para longe, às nações&#8230;<br />
<strong>22.</strong> Haviam-no escutado até essa palavra. Então levantaram a voz: Tira do mundo esse homem! Não é digno de viver!<br />
<strong>23.</strong> Como vociferassem, arrojassem de si as vestes e lançassem pó ao ar,<br />
<strong>24.</strong> o tribuno mandou recolhê-lo à cidadela, açoitá-lo e submetê-lo a torturas, para saber por que causa clamavam assim contra ele.<br />
<strong>25.</strong> Quando o iam amarrando com a correia, Paulo perguntou a um centurião que estava presente: É permitido açoitar um cidadão romano que nem sequer foi julgado?<br />
<strong>26.</strong> Ao ouvir isso, o centurião foi ter com o tribuno e avisou-o: Que vais fazer? Este homem é cidadão romano.<br />
<strong>27.</strong> Veio o tribuno e perguntou-lhe: Dize-me, és romano? Sim, respondeu-lhe.<br />
<strong>28.</strong> O tribuno replicou: Eu adquiri este direito de cidadão por grande soma de dinheiro. Paulo respondeu: Pois eu o sou de nascimento.<br />
<strong>29.</strong> Apartaram-se então dele os que iam torturá-lo. O tribuno alarmou-se porque o mandara acorrentar, sendo ele um cidadão romano.<br />
<strong>30.</strong> No dia seguinte, querendo saber com mais exatidão de que os judeus o acusavam, soltou-o e ordenou que se reunissem os sumos sacerdotes e todo o Grande Conselho. Trouxe Paulo e o mandou comparecer diante deles.</p>
<p><a name="23"> </a><br />
<strong>Capítulo 23</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Paulo, fitando os olhos nos membros do conselho, disse: Irmãos, eu tenho procedido diante de Deus com toda a boa consciência ate o dia de hoje&#8230;<br />
<strong>2.</strong> Mas Ananias, sumo sacerdote, mandou aos que estavam ao seu lado que lhe batessem na boca.<br />
<strong>3.</strong> Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá também a ti, hipócrita! Tu estás aí assentado para julgar-me segundo a lei, e contra a lei mandas que eu seja ferido?<br />
<strong>4.</strong> Os assistentes disseram: Tu injurias o sumo sacerdote de Deus.<br />
<strong>5.</strong> Respondeu Paulo: Não sabia, irmãos, que é o sumo sacerdote. Pois está escrito: Não falarás mal do príncipe do teu povo (Ex 22,28).<br />
<strong>6.</strong> Paulo sabia que uma parte do Sinédrio era de saduceus e a outra de fariseus e disse em alta voz.: Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus. Por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos é que sou julgado.<br />
<strong>7.</strong> Ao dizer ele estas palavras, houve uma discussão entre os fariseus e os saduceus, e dividiu-se a assembléia.<br />
<strong>8.</strong> (Pois os saduceus afirmam não haver ressurreição, nem anjos, nem espíritos, mas os fariseus admitem uma e outra coisa.)<br />
<strong>9.</strong> Originou-se, então, grande vozearia. Levantaram-se alguns escribas dos fariseus e contestaram ruidosamente: Não achamos mal algum neste homem. (Quem sabe) se não lhe falou algum espírito ou um anjo&#8230;<br />
<strong>10.</strong> A discussão fazia-se sempre mais violenta. O tribuno temeu que Paulo fosse despedaçado por eles e mandou aos soldados que descessem, o tirassem do meio deles e o levassem para a cidadela.<br />
<strong>11.</strong> Na noite seguinte, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Coragem! Deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa também que o dês em Roma.<br />
<strong>12.</strong> Quando amanheceu, coligaram-se alguns judeus e juraram com imprecações não comer nem beber nada, enquanto não matassem Paulo.<br />
<strong>13.</strong> Eram mais de quarenta as pessoas que fizeram essa conjuração.<br />
<strong>14.</strong> Foram apresentar-se aos sumos sacerdotes e aos cidadãos, dizendo: Juramos solenemente nada comer enquanto não matarmos Paulo.<br />
<strong>15.</strong> Vós, pois, ide com o conselho requerer do tribuno que o conduza à vossa presença, como se houvésseis de investigar com mais precisão a sua causa; e nós estamos prontos para matá-lo durante o trajeto.<br />
<strong>16.</strong> Mas um filho da irmã de Paulo, inteirado da cilada, dirigiu-se à cidadela e o comunicou a Paulo.<br />
<strong>17.</strong> Este chamou a si um dos centuriões e disse-lhe: Leva este moço ao tribuno, porque tem alguma coisa a lhe transmitir.<br />
<strong>18.</strong> Ele o introduziu à presença do tribuno e lhe disse: O preso Paulo rogou-me que trouxesse este moço à tua presença, porque tem alguma coisa a dizer-te.<br />
<strong>19.</strong> O tribuno, tomando-o pela mão, retirou-se com ele à parte e perguntou: Que tens a dizer-me?<br />
<strong>20.</strong> Respondeu-lhe ele: Os judeus têm combinado rogar-te amanhã que apresentes Paulo ao Grande Conselho, como se houvessem de inquirir dele alguma coisa com mais precisão.<br />
<strong>21.</strong> Mas tu não creias, porque mais de quarenta homens dentre eles lhe armam traição. Juraram solenemente nada comer, nem beber, enquanto não o matarem. Eles já estão preparados e só esperam a tua permissão.<br />
<strong>22.</strong> Então o tribuno despediu o moço, ordenando-lhe que a ninguém dissesse que o havia avisado.<br />
<strong>23.</strong> Depois disso, chamou ele dois centuriões e disse-lhes: Preparai duzentos soldados, setenta cavaleiros e duzentos lanceiros para irem a Cesaréia à terceira hora da noite.<br />
<strong>24.</strong> Aprontai também cavalgaduras para Paulo, que tendes de levar com toda a segurança ao governador Félix.<br />
<strong>25.</strong> E ele escreveu uma carta nestes termos:<br />
<strong>26.</strong> Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix, saúde!<br />
<strong>27.</strong> Esse homem foi preso pelos judeus e estava a ponto de ser morto por eles, quando eu, sobrevindo com a tropa, o livrei, ao saber que era romano.<br />
<strong>28.</strong> Então, querendo saber a causa por que o acusavam, levei-o ao Grande Conselho.<br />
<strong>29.</strong> Soube que era acusado sobre questões da lei deles, sem haver nele delito algum que merecesse morte ou prisão.<br />
<strong>30.</strong> Mas, como tivesse chegado a mim a notícia das traições que maquinavam contra ele, envio-o com urgência a ti, intimando também aos acusadores que recorram a ti. Adeus.<br />
<strong>31.</strong> Os soldados, conforme lhes fora ordenado, tomaram Paulo e o levaram de noite a Antipátride.<br />
<strong>32.</strong> No dia seguinte, voltaram para a guarnição, deixando que os soldados da cavalaria o escoltassem.<br />
<strong>33.</strong> À sua chegada a Cesaréia, entregaram ao governador a carta e apresentaram-lhe também Paulo.<br />
<strong>34.</strong> Ele, depois de lê-la e perguntar de que província ele era, sabendo que era da Cilícia, disse:<br />
<strong>35.</strong> Ouvir-te-ei quando chegarem teus acusadores. Mandou, então, que Paulo fosse guardado no pretório de Herodes.</p>
<p><a name="24"> </a><br />
<strong>Capítulo 24</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Cinco dias depois, desceu o sumo sacerdote Ananias com alguns anciãos e Tertulo, advogado. Compareceram eles ante o governador para acusar Paulo.<br />
<strong>2.</strong> Este foi citado e Tertulo começou a acusá-lo nestes termos: Graças a ti nós gozamos de paz, e pela tua providência se têm corrigido muitos abusos em nossa nação.<br />
<strong>3.</strong> Nós o reconhecemos em todo o tempo e lugar, excelentíssimo Félix, com toda a gratidão.<br />
<strong>4.</strong> Mas, para não te enfadar por mais tempo, rogo-te que, na tua bondade, nos ouças por um momento.<br />
<strong>5.</strong> Encontramos este homem, uma peste, um indivíduo que fomenta discórdia entre os judeus no mundo inteiro. É um dos líderes da seita dos nazarenos.<br />
<strong>6.</strong> Tentou mesmo profanar o templo. Nós, porém, o prendemos.<br />
<strong>7.</strong> (Quisemos julgá-lo segundo a nossa lei, mas, sobrevindo o tribuno Lísias, no-lo tirou das mãos com grande violência, ordenando que os seus acusadores comparecessem diante de ti.)<br />
<strong>8.</strong> Tu mesmo, interrogando-o, poderás verificar todas essas coisas de que nós o acusamos.<br />
<strong>9.</strong> Os judeus apoiaram o advogado, confirmando que as coisas de fato eram assim.<br />
<strong>10.</strong> Depois disso, a um sinal do governador, Paulo respondeu: Sabendo eu que há muitos anos és governador desta nação, é com confiança que farei a minha defesa.<br />
<strong>11.</strong> Podes verificar que não há mais de doze dias que eu subi a Jerusalém para fazer minhas devoções.<br />
<strong>12.</strong> Não me acharam disputando com alguém, nem amotinando o povo, quer no templo, quer nas sinagogas, ou na cidade.<br />
<strong>13.</strong> Nem tampouco te podem provar as coisas de que agora me acusam.<br />
<strong>14.</strong> Reconheço na tua presença que, segundo a doutrina que eles chamam de sectária, sirvo a Deus de nossos pais, crendo em todas as coisas que estão escritas na lei e nos profetas.<br />
<strong>15.</strong> Tenho esperança em Deus, como também eles esperam, de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecadores.<br />
<strong>16.</strong> Por isso, procuro ter sempre sem mácula a minha consciência diante de Deus e dos homens.<br />
<strong>17.</strong> Depois de muitos anos (de ausência) vim trazer à minha nação esmolas e oferendas (rituais).<br />
<strong>18.</strong> Nesta ocasião, acharam-me no templo, depois de uma purificação, sem aglomeração e sem tumulto.<br />
<strong>19.</strong> Viram-me ali uns judeus vindos da Ásia, e estes é que deviam comparecer diante de ti e me acusar, se tivessem alguma queixa contra mim.<br />
<strong>20.</strong> Ou digam estes aqui que crime terão achado em mim, quando eu compareci diante do Grande Conselho.<br />
<strong>21.</strong> A não ser esta única frase que proferi em voz alta no meio deles: Por causa da ressurreição dos mortos é que sou julgado hoje diante de vós!<br />
<strong>22.</strong> Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão.<br />
<strong>23.</strong> Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.<br />
<strong>24.</strong> Passados que foram alguns dias, veio Félix com sua mulher Drusila, que era judia. Chamou Paulo e ouvia-o falar da fé em Jesus Cristo.<br />
<strong>25.</strong> Mas, como Paulo lhe falasse sobre a justiça, a castidade e o juízo futuro, Félix, todo atemorizado, disse-lhe: Por ora, podes retirar-te. Na primeira ocasião, chamar-te-ei.<br />
<strong>26.</strong> Esperava outrossim, ao mesmo tempo, que Paulo lhe desse algum dinheiro, pelo que o mandava chamar com freqüência e se entretinha com ele.<br />
<strong>27.</strong> Decorridos dois anos, Félix teve por sucessor a Pórcio Festo. Querendo, porém, agradar aos judeus, deixou Paulo na prisão.</p>
<p><a name="25"> </a><br />
<strong>Capítulo 25</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Três dias depois de sua chegada à província, Festo subiu de Cesaréia a Jerusalém.<br />
<strong>2.</strong> Aí os sumos sacerdotes e os judeus mais notáveis foram ter com ele, acusando Paulo, e rogaram-lhe,<br />
<strong>3.</strong> com insistência, como um favor, que o mandasse de volta para Jerusalém. É que queriam armar-lhe uma emboscada para o assassinarem no caminho.<br />
<strong>4.</strong> Festo, porém, respondeu que Paulo se achava detido em Cesaréia e que ele mesmo partiria para lá dentro de poucos dias. E acrescentou:<br />
<strong>5.</strong> Portanto, os que dentre vós são de prestígio desçam comigo; e se houver algum crime nesse homem, acusem-no.<br />
<strong>6.</strong> Demorou-se entre eles cerca de oito ou dez dias e desceu a Cesaréia. No dia seguinte, sentou-se no tribunal e citou Paulo.<br />
<strong>7.</strong> Assim que este compareceu, rodearam-no os judeus que tinham descido de Jerusalém e acusaram-no de muitos e graves delitos que não podiam provar.<br />
<strong>8.</strong> Paulo alegava em sua defesa: Em nada tenho pecado contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César!<br />
<strong>9.</strong> Mas Festo, querendo agradar aos judeus, disse a Paulo: Queres subir a Jerusalém e ser julgado ali diante de mim?<br />
<strong>10.</strong> Paulo, porém, disse: Estou perante o tribunal de César. É lá que devo ser julgado. Não fiz mal algum aos judeus, como bem sabes.<br />
<strong>11.</strong> Se lhes tenho feito algum mal ou coisa digna de morte, não recuso morrer. Mas, se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém tem o direito de entregar-me a eles. Apelo para César!<br />
<strong>12.</strong> Então Festo conferenciou com os seus assessores e respondeu: Para César apelaste, a César irás.<br />
<strong>13.</strong> Alguns dias depois, o rei Agripa e Berenice desceram a Cesaréia para saudar Festo.<br />
<strong>14.</strong> Como se demorassem ali muitos dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo: Félix deixou preso aqui um certo homem.<br />
<strong>15.</strong> Quando estive em Jerusalém, os sumos sacerdotes e os anciãos dos judeus vieram queixar-se dele comigo pedindo a sua condenação.<br />
<strong>16.</strong> Respondi-lhes que não era costume dos romanos condenar homem algum, antes de ter confrontado o acusado com os seus acusadores e antes de se lhes dar a liberdade de defender-se dos crimes que lhes são imputados.<br />
<strong>17.</strong> Compareceram aqui. E eu, sem demora, logo no dia seguinte, dei audiência e ordenei que conduzissem esse homem.<br />
<strong>18.</strong> Apresentaram-se os seus acusadores, mas não o acusaram de nenhum dos crimes de que eu suspeitava.<br />
<strong>19.</strong> Eram só desavenças entre eles a respeito da sua religião, e uma discussão a respeito de um tal Jesus, já morto, e que Paulo afirma estar vivo.<br />
<strong>20.</strong> Vi-me perplexo quanto ao modo de inquirir essas questões e perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém e ser ali julgado.<br />
<strong>21.</strong> Mas, como Paulo apelou para o julgamento do imperador, mandei que fique detido até que o remeta a César.<br />
<strong>22.</strong> Agripa disse então a Festo: Eu também desejava ouvir esse homem. Ao que ele respondeu: Amanhã o ouvirás.<br />
<strong>23.</strong> No dia seguinte, Agripa e Berenice apresentaram-se com grande pompa. E, entrando com os tribunos e as pessoas de mais relevo da cidade na sala de audiência, foi também Paulo introduzido por ordem de Festo.<br />
<strong>24.</strong> Festo tomou a palavra: Ó rei, e todos vós que estais aqui presentes, vedes este homem contra quem os judeus em massa e com grandes gritos vieram reclamar a morte, tanto aqui como em Jerusalém.<br />
<strong>25.</strong> Mas tenho averiguado que ele não fez coisa alguma digna de morte. Entretanto, havendo ele apelado para o imperador, determinei remeter-lho.<br />
<strong>26.</strong> Mas dele não tenho nada de positivo que possa escrever ao imperador, e por isso mandei-o comparecer diante de vós, mormente diante de tua majestade, para que essa audiência apure alguma coisa que eu possa escrever.<br />
<strong>27.</strong> Pois não me parece razoável remeter um preso, sem mencionar ao mesmo tempo as acusações formuladas contra ele.</p>
<p><a name="26"> </a><br />
<strong>Capítulo 26</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Agripa disse a Paulo: Tens permissão de fazer a tua defesa. Paulo então fez um gesto com a mão e começou a sua justificação:<br />
<strong>2.</strong> Julgo-me feliz de poder hoje fazer a minha defesa, na tua presença, ó rei Agripa, de tudo quanto me acusam os judeus,<br />
<strong>3.</strong> porque tu conheces perfeitamente os seus costumes e controvérsias. Peço-te, pois, que me ouças com paciência.<br />
<strong>4.</strong> Minha vida, desde a minha primeira juventude, tem decorrido no meio de minha pátria e em Jerusalém, e é conhecida dos judeus.<br />
<strong>5.</strong> Sabem eles, desde longa data, e se quiserem poderão testemunhá-lo, que vivi segundo a seita mais rigorosa da nossa religião, isto é, como fariseu.<br />
<strong>6.</strong> Mas agora sou acusado em juízo, por esperar a promessa que foi feita por Deus a nossos pais,<br />
<strong>7.</strong> e a qual as nossas doze tribos esperam alcançar, servindo a Deus noite e dia. Por essa esperança, ó rei, é que sou acusado pelos judeus.<br />
<strong>8.</strong> Que pensais vós? É coisa incrível que Deus ressuscite os mortos?<br />
<strong>9.</strong> Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao nome de Jesus de Nazaré.<br />
<strong>10.</strong> Assim procedi de fato em Jerusalém e tenho encerrado muitos irmãos em cárceres, havendo recebido para isso poder dos sumos sacerdotes; quando os sentenciavam à morte, eu dava a minha plena aprovação.<br />
<strong>11.</strong> Muitas vezes, perseguindo-os por todas as sinagogas, eu os maltratava para obrigá-los a blasfemar. Enfurecendo-me mais e mais contra eles, eu os perseguia até no estrangeiro.<br />
<strong>12.</strong> Nesse intuito, fui a Damasco, com poder e comissão dos sumos sacerdotes.<br />
<strong>13.</strong> Era meio-dia, ó rei. Eu estava a caminho quando uma luz do céu, mais fulgurante que o sol, brilhou em torno de mim e dos meus companheiros.<br />
<strong>14.</strong> Caímos todos nós por terra, e ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra o aguilhão.<br />
<strong>15.</strong> Então eu disse: Quem és, Senhor? O Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem persegues.<br />
<strong>16.</strong> Mas levanta-te e põe-te em pé, pois eu te apareci para te fazer ministro e testemunha das coisas que viste e de outras para as quais hei de manifestar-me a ti.<br />
<strong>17.</strong> Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio<br />
<strong>18.</strong> para abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em mim, recebam perdão dos pecados e herança entre os que foram santificados.<br />
<strong>19.</strong> Desde então, ó rei, não fui desobediente à visão celestial.<br />
<strong>20.</strong> Preguei primeiramente aos de Damasco e depois em Jerusalém e por toda a terra da Judéia, e aos pagãos, para que se arrependessem e se convertessem a Deus, fazendo dignas obras correspondentes.<br />
<strong>21.</strong> Por isso, os judeus me prenderam no templo e tentaram matar-me.<br />
<strong>22.</strong> Mas, assistido do socorro de Deus, permaneço vivo até o dia de hoje. Dou testemunho a pequenos e a grandes, nada dizendo senão o que os profetas e Moisés disseram que havia de acontecer,<br />
<strong>23.</strong> a saber: que Cristo havia de padecer e seria o primeiro que, pela ressurreição dos mortos, havia de anunciar a luz ao povo judeu e aos pagãos.<br />
<strong>24.</strong> Dizendo ele essas coisas em sua defesa, Festo exclamou em alta voz: Estás louco, Paulo! O teu muito saber tira-te o juízo.<br />
<strong>25.</strong> Paulo, então, respondeu: Não estou louco, excelentíssimo Festo, mas digo palavras de verdade e de prudência.<br />
<strong>26.</strong> Pois dessas coisas tem conhecimento o rei, em cuja presença falo com franqueza. Sei que nada disso lhe é oculto, porque nenhuma dessas coisas se fez ali ocultamente.<br />
<strong>27.</strong> Crês, ó rei, nos profetas? Bem sei que crês!<br />
<strong>28.</strong> Disse então Agripa a Paulo: Por pouco não me persuades a fazer-me cristão!<br />
<strong>29.</strong> Respondeu Paulo: Prouvera a Deus que, por pouco e por muito, não somente tu, senão também quantos me ouvem, se fizessem hoje tal qual eu sou&#8230; menos estas algemas!<br />
<strong>30.</strong> Então o rei, o governador, Berenice e os que estavam sentados com eles se levantaram.<br />
<strong>31.</strong> Retirando-se, comentavam uns com os outros: Esse homem não fez coisa que mereça a morte ou prisão.<br />
<strong>32.</strong> Agripa ainda disse a Festo: Ele poderia ser solto, se não tivesse apelado para César.</p>
<p><a name="27"> </a><br />
<strong>Capítulo 27</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Logo que foi determinado que embarcássemos para a Itália, Paulo foi entregue com outros presos a um centurião da coorte Augusta, chamado Júlio.<br />
<strong>2.</strong> Embarcamos num navio de Adramito que devia costear as terras da Ásia, e levantamos âncora. Em nossa companhia estava Aristarco, macedônio de Tessalônica.<br />
<strong>3.</strong> No dia seguinte, fazendo escala em Sidônia, Júlio, usando de bondade com Paulo, permitiu-lhe ir ver os seus amigos e prover-se do que havia de necessário.<br />
<strong>4.</strong> Dali, fazendo-nos ao mar, fomos navegando perto das costas de Chipre, por nos serem contrários os ventos.<br />
<strong>5.</strong> Tendo atravessado o mar da Cilícia e da Panfília, chegamos a Mira, cidade da Lícia.<br />
<strong>6.</strong> O centurião encontrou ali um navio de Alexandria, que rumava para a Itália, e fez-nos passar para ele.<br />
<strong>7.</strong> Por muitos dias navegamos lentamente e com dificuldade até diante de Cnido, onde o vento não nos permitiu aportar.<br />
<strong>8.</strong> Fomos então costeando ao sul da ilha de Creta, junto ao cabo Salmona. Navegando com dificuldade ao longo da costa, chegamos afinal a um lugar, a que chamam Bons Portos, perto do qual está a cidade de Lasaia.<br />
<strong>9.</strong> Passara o tempo &#8211; já havia passado a época do jejum &#8211; e a navegação se tornava perigosa. Paulo advertiu-os:<br />
<strong>10.</strong> Amigos, vejo que a navegação não se fará sem perigo e sem graves danos, não somente ao navio e à sua carga, mas ainda às nossas vidas.<br />
<strong>11.</strong> O centurião, porém, dava mais crédito ao piloto e ao mestre do que ao que Paulo dizia.<br />
<strong>12.</strong> O porto era impróprio para passar o inverno, pelo que a maior parte deles foi de parecer que se retornasse ao mar, na esperança de chegar a Fenice, para passar ali o inverno, por ser esse um porto de Creta, abrigado dos ventos do sudeste e do nordeste.<br />
<strong>13.</strong> Soprava então brandamente o vento sul. Julgavam poder executar os seus planos. Levantaram a âncora e foram costeando de perto a ilha de Creta.<br />
<strong>14.</strong> Mas, não muito depois, veio do lado da ilha um tufão chamado Euroaquilão.<br />
<strong>15.</strong> Sem poder resistir à ventania, o navio foi arrebatado e deixamo-nos arrastar.<br />
<strong>16.</strong> Impelidos rapidamente para uma pequena ilha chamada Cauda, conseguimos, com muito esforço, recolher o batel.<br />
<strong>17.</strong> Içaram-no e, depois, como meio de segurança, cingiram o navio com cabos. Então, temendo encalhar em Sirte, arriaram as velas e entregaram-se à mercê dos ventos.<br />
<strong>18.</strong> No dia seguinte, sendo a tempestade ainda mais violenta, atiraram fora a carga.<br />
<strong>19.</strong> No terceiro dia, atiramos para fora com as nossas próprias mãos os acessórios do navio.<br />
<strong>20.</strong> Ora, não aparecendo por muitos dias nem sol nem estrelas e sendo batidos por forte tempestade, tínhamos por fim perdido toda a esperança de sermos salvos.<br />
<strong>21.</strong> Desde muito tempo ninguém havia comido nada. Paulo levantou-se no meio deles e disse: Amigos, deveras devíeis ter-me atendido e não ter saído de Creta, e assim evitar esse perigo e essas perdas.<br />
<strong>22.</strong> Agora, porém, vos admoesto a que tenhais coragem, pois não perecerá nenhum de vós, mas somente o navio.<br />
<strong>23.</strong> Esta noite apareceu-me um anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, o qual me disse:<br />
<strong>24.</strong> Não temas, Paulo. É necessário que compareças diante de César. Deus deu-te todos os que navegam contigo.<br />
<strong>25.</strong> Por isso, amigos, coragem! Eu confio em Deus que há de acontecer como me foi dito.<br />
<strong>26.</strong> Vamos dar a uma ilha.<br />
<strong>27.</strong> Já estávamos na décima quarta noite, pelo mar Adriático, quando, pela meia-noite, os marinheiros pressentiram que estavam perto de alguma terra.<br />
<strong>28.</strong> Então, atirando a sonda, perceberam que a profundidade era de vinte braças. Depois, um pouco mais adiante, viram que era de quinze braças.<br />
<strong>29.</strong> Temendo que déssemos em algum recife, lançaram quatro âncoras da popa, esperando ansiosos que amanhecesse o dia.<br />
<strong>30.</strong> Imediatamente, os marinheiros procuraram fugir e, sob o pretexto de largar as âncoras da proa, lançaram o bote ao mar.<br />
<strong>31.</strong> Paulo disse ao centurião e aos soldados: Se estes homens não permanecerem no navio, não podereis salvar-vos.<br />
<strong>32.</strong> Os soldados cortaram, então, os cabos do bote e deixaram-no cair.<br />
<strong>33.</strong> Enquanto ia amanhecendo, Paulo encorajou a todos que comessem alguma coisa, e disse: Já faz hoje catorze dias que estais em jejum, sem comer nada.<br />
<strong>34.</strong> Rogo-vos que comais alguma coisa, no interesse de vossa vida, porque nem um cabelo da cabeça de alguém de vós perecerá.<br />
<strong>35.</strong> Tendo dito isso, tomou do pão, pronunciou uma bênção na presença de todos e, depois de parti-lo, começou a comer.<br />
<strong>36.</strong> Com isso, todos cobraram ânimo e puseram-se igualmente a comer.<br />
<strong>37.</strong> No navio éramos ao todo duzentas e setenta e seis pessoas.<br />
<strong>38.</strong> Depois de terem comido à vontade, aliviaram o navio, atirando o trigo ao mar.<br />
<strong>39.</strong> Afinal, clareou o dia. Os marinheiros não reconheceram a terra, mas viram uma enseada com uma praia, na qual tencionavam encalhar o navio, caso o pudessem.<br />
<strong>40.</strong> Levantaram as âncoras e largaram ao mesmo tempo as amarras dos lemes. Desfraldaram ao vento a vela mestra e rumaram para a praia.<br />
<strong>41.</strong> Mas deram numa língua de terra, e o navio encalhou aí. A proa, encalhada, permanecia imóvel, ao mesmo tempo que a popa se abria com a força do mar.<br />
<strong>42.</strong> Os soldados tencionavam matar os presos, por temerem que algum deles fugisse a nado.<br />
<strong>43.</strong> O centurião, porém, querendo salvar Paulo, impediu que o fizessem e ordenou que aqueles que pudessem nadar fossem os primeiros a lançar-se ao mar e alcançar a terra.<br />
<strong>44.</strong> Os demais, uns atingiram a terra em tábuas, outros em cima dos destroços do navio. Desse modo, todos conseguiram chegar à terra, sãos e salvos.</p>
<p><a name="28"> </a><br />
<strong>Capítulo 28</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Estando já salvos, soubemos então que a ilha se chamava Malta.<br />
<strong>2.</strong> Os indígenas trataram-nos com extraordinária benevolência. Acenderam uma grande fogueira e em torno dela nos recolheram, em vista da chuva que caía e do frio que fazia.<br />
<strong>3.</strong> Paulo ajuntou um feixe de gravetos e o pôs na fogueira. Nisto uma víbora, que fugira ao fogo, mordeu-lhe a mão.<br />
<strong>4.</strong> Quando os indígenas viram a serpente pendendo da sua mão, diziam uns aos outros: Sem dúvida, este homem é homicida, pois, tendo escapado ao mar, a justiça não o deixa viver.<br />
<strong>5.</strong> Ele, porém, sacudindo a víbora no fogo, não sofreu mal algum.<br />
<strong>6.</strong> Julgavam os indígenas que ele viesse a inchar, e que subitamente caísse morto. Mas, depois de esperarem muito tempo, vendo que não lhe acontecia mal nenhum, mudaram de parecer e disseram: Ele é um deus.<br />
<strong>7.</strong> Havia na vizinhança sítios pertencentes ao principal da ilha, chamado Públio. Este homem nos hospedou por três dias em sua casa, tratando-nos bem.<br />
<strong>8.</strong> Ora, o pai desse Públio achava-se acamado com febre e sofrendo de disenteria. Paulo foi visitá-lo e, orando e impondo-lhe as mãos, sarou-o.<br />
<strong>9.</strong> Depois desse fato, vieram ter com ele todos os habitantes da ilha que se achavam doentes, e foram curados. Tiveram assim conosco toda sorte de considerações e,<br />
<strong>10.</strong> quando estávamos para navegar, proveram-nos do que era necessário.<br />
<strong>11.</strong> Ao termo de três meses, embarcamos num navio de Alexandria, que havia passado o inverno na ilha. Este navio levava por insígnias os Dióscuros.<br />
<strong>12.</strong> Fizemos escala em Siracusa, onde ficamos três dias.<br />
<strong>13.</strong> De lá, seguindo a costa, atingimos Régio. No dia seguinte, soprava o vento sul e chegamos em dois dias a Pozzuoli.<br />
<strong>14.</strong> Ali encontramos irmãos que nos rogaram que ficássemos na sua companhia sete dias. Em seguida, nos dirigimos a Roma.<br />
<strong>15.</strong> Os irmãos de Roma foram informados de nossa chegada e vieram ao nosso encontro até o Foro de Ápio e as Três Tavernas. Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e se sentiu animado.<br />
<strong>16.</strong> Chegados que fomos a Roma, foi concedida licença a Paulo para que ficasse em casa própria com um soldado que o guardava.<br />
<strong>17.</strong> Três dias depois, Paulo convocou os judeus mais notáveis. Estando reunidos, disse-lhes: Irmãos, sem cometer nada contra o povo nem contra os costumes de nossos pais, fui preso em Jerusalém e entregue nas mãos dos romanos.<br />
<strong>18.</strong> Estes, depois de terem instruído o meu processo, quiseram soltar-me, visto não achar em mim crime algum que merecesse morte.<br />
<strong>19.</strong> Mas, opondo-se a isso os judeus, vi-me obrigado a apelar para César, sem intentar contudo acusar de alguma coisa a minha nação.<br />
<strong>20.</strong> Por esse motivo, mandei chamar-vos, para vos ver e falar convosco. Porquanto, pela esperança de Israel, é que estou preso com esta corrente.<br />
<strong>21.</strong> Responderam-lhe eles: Não temos recebido carta alguma da Judéia, que fale em ti, nem de lá tem vindo irmão algum que nos dissesse ou falasse mal de ti.<br />
<strong>22.</strong> Quiséramos, porém, que tu mesmo nos dissesses o que pensas, pois o que nós sabemos dessa seita é que em toda parte lhe fazem oposição.<br />
<strong>23.</strong> Marcaram um dia e muitos foram procurá-lo no albergue onde se achava hospedado. A entrevista durou desde a manhã até a tarde. Paulo expôs-lhes o Reino de Deus e apresentou, sempre de novo, testemunhos destinados a convencê-los a respeito de Jesus, baseando-se na Lei de Moisés e nos profetas.<br />
<strong>24.</strong> Alguns se persuadiram pelas suas palavras, outros não acreditaram.<br />
<strong>25.</strong> Não estando concordes entre si, retiraram-se, enquanto Paulo lhes fazia esta reflexão: Bem falou o Espírito Santo pelo profeta Isaías a vossos pais, dizendo:<br />
<strong>26.</strong> Vai a este povo e dize-lhes: Com vossos ouvidos ouvireis, sem compreender. Com vossos olhos olhareis, sem enxergar.<br />
<strong>27.</strong> Coração obstinado o deste povo, ouvido duro, olhos fechados, para não verem com a vista, nem ouvirem com o ouvido, nem entenderem com o coração, e se converterem e eu os curar (Is 6,9s.).<br />
<strong>28.</strong> Ficai, pois, sabendo que aos gentios é enviada agora esta salvação de Deus; e eles a ouvirão.<br />
<strong>29.</strong> [Havendo dito isso, saíram dali os judeus, discutindo animosamente entre si.]<br />
<strong>30.</strong> Paulo permaneceu por dois anos inteiros no aposento alugado, e recebia a todos os que vinham procurá-lo.<br />
<strong>31.</strong> Pregava o Reino de Deus e ensinava as coisas a respeito do Senhor Jesus Cristo, com toda a liberdade e sem proibição.<br />
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