Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria

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Liturgia diária – 21/09/2014

Dia 21 de Setembro – Domingo

XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM
(Verde, Glória, Creio – I Semana do Saltério)

Antífona da entrada: Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre.

Oração do dia

Ó Pai, que resumistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (1 Isaías 55,6-9)

Leitura do livro do profeta Isaías.
55 6 Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto.
7 Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente.
8 Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor;
9 mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial 144/145

O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e muito digno de louvores,
e ninguém pode medir sua grandeza.

Misericórda e piedade é o Senhor,
ele é amor, é paciência, é compaixão.
O Senhor é muito bom para com todos,
sua ternura abraça toda criatura.

É justo o Senhor em seus caminhos,
é santo em toda obra que ele faz.
Ele está perto da pessoa que o invoca,
de todo aquele que o invoca lealmente.

Leitura (Filipenses 1,20-24.27)

Leitura da carta de são Paulo aos Filipenses.
Irmãos, 1 20 meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a certeza disto), quer pela minha vida quer pela minha morte.
21 Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.
22 Mas, se o viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo preferir.
23 Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo – o que seria imensamente melhor;
24 mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós.
27 Cumpre, somente, que vos mostreis em vosso proceder dignos do Evangelho de Cristo. Quer eu vá ter convosco quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, lutando unanimemente pela fé do Evangelho.
Palavra do Senhor.

Evangelho (Mateus 20,1-16)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vinde abrir o nosso coração, Senhor; ó Senhor, abri o nosso coração, e então do vosso filho a palavra poderemos acolher com muito amor! (At 16,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 20 1 Jesus contou esta parábola a seus discípulos: “Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha.
2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.
3 Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada.
4 Disse-lhes ele: ‘Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário’.
5 Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo.
6 Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: ‘Por que estais todo o dia sem fazer nada?’
7 Eles responderam: ‘É porque ninguém nos contratou’. Disse-lhes ele, então: ‘Ide vós também para minha vinha’.
8 Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: ‘Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros’.
9 Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário.
10 Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário.
11 Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:
12 ‘Os últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor’.
13 O senhor, porém, observou a um deles: ‘Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário?
14 Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti.
15 Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?’
16 Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”.
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

As parábolas narrativas são caracterizadas por sua extensão e por seus detalhamentos. Esta de hoje é exclusiva de Mateus. No cenário aparecem o dono da vinha, imagem característica na tradição de Israel, e os trabalhadores desocupados na praça, cena característica de uma cidade grega. Uma parábola dá margem a uma pluralidade de interpretações. Estes “desocupados” não eram indolentes, mas curtiam a amargura da busca de um trabalho para a sobrevivência diária, excluídos pelo sistema social. Comumente se vê na parábola a expressão da simples generosidade do proprietário que convocou os operários. Com pena dos últimos, decidiu dar-lhes o mesmo que aos outros. Outra interpretação pode ser a compreensão do significado do trabalho. O trabalho não é mercadoria que se vende, avaliado pela eficiência do trabalhador que produz. O trabalho é o meio de subsistência das pessoas e da família, bem como é serviço à comunidade, pela partilha de seus frutos. Todos têm direito ao essencial para a sua sobrevivência. Na parábola, a todos foi dado o necessário para a sobrevivência de um dia, independentemente da quantidade de sua produção. O fruto do trabalho é uma extensão do próprio trabalhador. A venda deste fruto por um salário é uma alienação da dignidade do trabalhador e da trabalhadora. É vender uma parte do seu ser, uma extensão de seu próprio corpo, para a acumulação de riqueza e prazer de outro. A conversão da injustiça para a justiça é o seguimento do caminho de Deus (primeira leitura) que leva à prática de uma cidadania no resgate da dignidade humana e da vida (segunda leitura).

Sobre as oferendas

Acolhei, ó Deus, nós vos pedimos, as oferendas do vosso povo, para que possamos conseguir por este sacramento o que proclamamos pela fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem, diz o Senhor (Jo 10,14).

Depois da comunhão

Ó Deus, auxiliai sempre os que alimentais com o vosso sacramento para que possamos colher os frutos da redenção na liturgia e na vida. Por Cristo, nosso Senhor.

25/10 – São Crispim e São Crispiniano e São Frei Galvão

sao-crispim-e-sao-crispinianoSão Crispim e São Crispiniano

Crispim e Crispiniano eram irmãos de origem romana Cresceram juntos e se converteram ao cristianismo na adolescência. Ganhando a vida no oficio de sapateiro eram muito populares, caridosos e pregavam com ardor a fé que abraçaram. Quando a perseguição aos cristãos ficou mais insistente os dois foram para a Gália, atual França.

As tradições seculares contam que durante a fuga, na noite de Natal, os irmãos Crispim e Crispiniano batiam as portas buscando refúgio, mas ninguém os atendia. Finalmente foram abrigados por uma pobre viúva que vivia com um filho. Agradecidos à Deus, quiseram recompensá-la fazendo um novo par de sapatos para o rapazinho.Trabalharam rápido e deixaram o presente perto da lareira. Mas antes de partir, enquanto todos ainda dormiam, Crispim e Crispiniano rezaram pedindo amparo da Providência Divina para aquela viúva e o filho. Ao amanhecer viram que os dois tinham desaparecido e encontraram o par de sapatos cheio de moedas.

Quando alcançaram o território francês os dois irmãos se estabeleceram na cidade de Soissons. Alí seguiram uma rotina de dupla jornada, isto é, de dia eram missionários e a noite, ao invés de dormir, trabalhavam numa oficina de calçados para se sustentar e continuar fazendo caridade aos pobres. Quando a cruel perseguição imposta por Roma chegou em Soissons, era época do imperador Diocleciano e a Gália estava sob o governo de Rictiovaro. Os dois irmãos foram acusados e presos. Seus carrascos os torturaram até o limite, exigindo que abandonassem publicamente a fé cristã. Como não o fizeram, foram friamente degolados, ganhando a coroa do martírio.

O Martirológio romano registra que as relíquias dos corpos desses dois nobres romanos mártires estavam sepultadas na belíssima igreja de Soissons, construída no século VI . Depois, parte delas foi transportada para Roma onde foram guardadas na igreja de São Lourenço da via Panisperna.

A Igreja celebra os Santos Crispim e Crispiniano como padroeiros dos sapateiros no dia 25 de outubro. Essa profissão, uma das mais antiga da humanidade, era muito descriminada, por estar sempre associada ao trabalho dos curtidores e carniceiros. Mas o cristianismo mudou a visão e ela foi resgatada graças o surgimento dos dois santos sapateiros, chamados de mártires franceses.

sao-frei-galvaoSão Frei Galvão

A Terra

Frei Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em Guaratinguetá. A cidade, que se localiza no estado de São Paulo, no Vale do Paraíba, entre a serra do Mar e a serra da Mantiqueira, teve sua origem em uma pequenina capela erguida em louvor a Santo Antônio, pelos idos de 1630. O povoado que se desenvolveu em torno dessa capela transformou-se, em 1651, na Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá que, no correr dos anos, seria palco de importantes acontecimentos em sua vida religiosa.

Do ano de 1717, ficou guardada a lembrança do encontro, nas águas do rio Paraíba, à altura do Porto de Itaguaçu, no “termo da Vila”, da imagem de Nossa Senhora da Conceição, a Senhora Aparecida, que é Padroeira do Brasil.Pouco tempo depois, quando corria o ano de 1739, nascia na Vila, o menino Antônio Galvão de França. Seu batizado se deu na Igreja Matriz, atual Catedral, que foi erguida no lugar da primitiva capela, sempre sobre a invocação do franciscano Santo Antônio, de quem, diz a tradição, Frei Galvão herdou os dons e a santidade.

Frei Antônio de Sant’Anna Galvão foi o primeiro dos nascidos no Brasil a ser apresentado à veneração e à imitação de todos. Mais do que isso, porém, há muito sem memória estava fortemente plantada no coração de sua gente. Não apenas de seus contemporâneos, de cuja sorte participou, mas de todos que, durante mais de séculos, o consideram como alguém muito familiar e querido. Quando, em 25 de outubro de 1998, foi solenemente apresentado pela Igreja, há muito já era venerado pelos brasileiros, e seus milagres e graças eram conhecidos por todos.

A infância

Antônio era o quarto entre os dez filhos do comerciante e Capitão-mor de Guaratinguetá Antônio Galvão de França, natural de Faro, em Portugal, e de D. Isabel Leite de Barros, descendente de bandeirantes paulistas, nascida na Fazenda dos Correas, em Pindamonhangaba.

O menino cresceu no seio de uma família católica, na casa – hoje reconstruída – que se situava à esquina das antigas ruas do Hospital e do Teatro, atualmente ruas Frei Galvão e Frei Lucas. Nesse lar, a imagem de Sant’Anna, em seu oratório, costumava reunir todas as noites, à luz das velas, o Capitão-mor, sua mulher e seus filhos, para as oraçõese as novenas.

Foi certamente nessas noites de preces que o menino Antônio robusteceu sua fé e sua vocação para a vida religiosa. Narram as crônicas que, ainda criança, Antônio já sabia dar não somente atenção mas, igualmente, muitas esmolas aos pobres que o procuravam

Os estudos

Atendendo a seus dotes pessoais e a sua manifesta vocação para a vida religiosa, quando tinha 13 anos, Antônio Galvão de França foi encaminhado pelos pais para o Seminário de Belém, na cidade de Cachoeira, na Bahia.

Fundado pelo Padre Jesuíta Alexandre de Gusmão, o Seminário de Belém era então famoso pelo alto nível de seu ensino. Todavia, devido ao fechamento desse Seminário pelo retorno do Jesuíta para Portugal, Antônio, então com 16 anos, retornou para Guaratinguetá, onde não mais encontrou sua mãe, que havia falecido dois anos antes. atendendo a seu temperamento voltado à prática do bem, ingressou então no Convento Franciscano de São Boa Ventura de Macacu, em Itaboraí, na Capitania do Rio de Janeiro, onde adotou, para sua vida religiosa, o nome de Antônio de Sant’Anna Galvão, em homenagem à santa da devoção de sua família.

Sua profissão na Ordem Franciscana se deu em 1761, tendo, no ano seguinte, se ordenado sacerdote na cidade do Rio de Janeiro. A seguir, transferiu-se para o Convento de São Francisco, em São Paulo, onde foi admitido para terminar seus estudos de filosofia. na jornada que empreendeu do Convento do Rio de Janeiro para o de São Paulo, Frei Antônio de Sant’Anna Galvão se deteve em Guaratinguetá, para celebrar, na sua terra natal, “a primeira missa, a principal, para gáudio geral” de sua família e de todos que acorreram à cerimônia, realizada na Matriz de Santo Antônio, onde ele havia sido batizado. Tinha, asim, início o seu santo sacerdócio.

O Sacerdote

Um dos primeiros atos de Frei Galvão como sacerdote foi de fazer sua consagração como “servo e escravo” de Nossa Senhora, ato que assinou com seu próprio sangue na data de 9 de março de 1776. Esse episódio, dois séculos mais tarde, foi reproduzido em um quadro a óleo, de autoria do franciscano Frei Geraldo Roderfeld, que se acha em exposição no Hospital e Maternidade Frei Galvão, de Guaratinguetá.

Em São Paulo logo se destacaram os dotes de oratória de Frei Galvão, que foi eleito pregador, confessor de seculares, porteiro e confessor do Recolhimento de Santa Teresa.

Apresentou, nesses misteres, um desempenho tão destacado, que a Câmara Municipal não demorou em considerá-lo “um novo esplendor do Convento”.

Como pregador, Frei Galvão sempre demonstrou extraordinário brilho e zelo no anúncio da Palavra de Deus. Por onde andava, pelo interior do Estado e, em especial, pelo Vale do Paraíba, os vigários e os fiéis o aguardavam com ansiedade e disputavam sua presença para ouvirem seus sermões famosos. E Frei Galvão “pregava, confessava, aconselhava, atendia os doentes, deixando por toda a parte a fama de santo”. Existe uma mesa, que se encontra atualmente na Sala das Relíquias, na casa de Frei Galvão, em Guaratinguetá, vinda da igreja Matriz de São Luiz do Paraitinga, que nessa cidade foi usada por Frei Galvão como púlpito, para falar à grande multidão que acorria para ouvi-lo.

Há “quem vislumbre nesta mesinha, corroída, sinais dos pés do famoso pregador e missionário…”, fato que é documentado em livros e vem certificado por antigo vigário daquela Paróquia.

O poeta

Quando em São Paulo foi fundada sua primeira Academia de Letras, que ficou conhecida como a Academia dos Felizes, por seus dotes literários e de orador famoso, por seu amor à natureza e às letras, notadamente à poesia, frei Galvão foi convidado a dela participar. Por obediência ao fundador da Academia, que era o Morgado de Mateus, que então governava a Capitania de São Paulo, Frei Galvão aceitou o convite.

Na segunda sessão literária, realizada em março de 1770, Frei Galvão declamou com sucesso, em latim, dezesseis peças de sua autoria, todas dedicadas a Sant’Anna, além de dois hinos, uma ode, um ritmo e doze epigramas. São composições bem metrificadas segundo as regras clássicas, e repassadas de profundo sentimento religioso e patriótico

Mosteiro da Luz

Uma das grandes realizações de Frei Galvão foi a construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição da Luz, erguido a partir de uma capelinha quinhentista. A história desse convento, iniciado em 1774, viria a se confundir com a própria vida de Frei Galvão.

Para angariar os fundos necessários à construção do Mosteiro, que é atualmente um dos mais importantes documentos vivos do passado colonial paulista, nosso Frade iria percorrer, quase sempre a pé, todo o território paulista conhecido na época.

A Frei Galvão, como arquiteto, deve-se um documento tão interessante quanto importante: trata-se do frontispício da Igreja da Luz, riscado – e ainda existente – na parede de taipa de sua cela, no mosteiro. Mas a obra de Frei Galvão se estende muito além da arquitetura do prédio. Ela se faz presente notadamente na orientação espiritual dada às primeiras Irmãs, e na criação do Estatuto da Ordem Concepcionista, onde “se entrelaçam o carisma franciscno e o ideal concepcionista”.

Na igreja do Mosteiro da Luz, que se localiza na atual Avenida Tiradentes, nº 676, na capital paulista, está o túmulo de Frei Galvão, aí falecido a 23 de dezembro de 1822, com fama de santidade. Esse túmulo é visitado diariamente por seus inúmeros devotos, que sobre ele deixam os pedidos e as flores de agradecimento pelas graças alcançadas.

A obra monumental edificada por Frei Galvão há mais de dois séculos continua, entretanto, a se expandir até os nossos dias, com a fundação de outros vários conventos.

Datado de 1811, foi erguido em Sorocaba, sob as vistas do próprio Frei Galvão, o Recolhimento de Santa Clara. Em Guaratinguetá, vewm de 1944 o Mosteiro da Imaculada Conceição, que até nossos dias segue despertando vocações.

Localiza-se atualmente nas proximidades do Seminário Seráfico Frei Galvão, da ordem franciscana. Também no Vale do Paraíba, em Taubaté, fica o Mosteiro da Imaculada Conceição de Santa Beatriz.
Thereza Regina de Camargo Maia – Diretora do Museu Frei Galvão

24/10 – Santo Antônio Maria Claret

santo-antonio-maria-claretSanto Antônio Maria Claret

Antônio Maria Claret Y Clará nasceu em Sallent, na diocese espanhola de Vic, em 1807. Era o quinto entre dez filhos de modesto tecelão de Catalunha. Quando jovem, se sentia atraído para a vida contemplativa, e bem quisera ser cartuxo, mas foi desaconselhado por sacerdote que percebeu seus grandes dons de missionário. Aos vinte e dois anos entrou no seminário de Vic e saiu sacertode aos vinte e oito, com a nomeação de vigário para a sua cidade natal, dedicando-se de corpo e alma ao serviço ministerial. Seu ideal ultrapassava os limites de sua paróquia. Ficou ai pouco tempo. Para seguir a própria vocação missionária, foi a Roma pôr-se  à disposição da Congregação para a Propagação. A escolha não pareceu muito boa e então ingressou no noviciado da Companhia de Jesus, que teve de interromper por causa de uma doença. Voltando a Espanha, foi missionário em sua pátria dedicando-se à evangelização das zonas rurais.

Voltando a Vic deu início em 1849 à sua mais importante obra: a fundação de uma congregação missionária dedicada ao Coração Imaculado de Maria (cujos membros são ainda hoje conhecidos com o nome de Padres Claretianos). Mas tarde fundou também o Instituto das Irmãs de Ensino de Maria Imaculada. Foi eleito arcebispo de Cuba, então sob o dominio espanhol, cuja sede estava há 14 anos vacante. Incansável viajante, fez sentir sua presença em toda parte com a palavra e com os escritos: uma benéfica chuva de boa imprensa transformou a ilha. Para os analfabetos havia a palavra oral e a imagem de Nossa Senhora. Administrou a confirmação a trezentos mil cristãos e regularizou trinta mil casamentos. Instituiu também uma escola agrária, escrevendo ele próprio pequenos tratados sobre o cultivo dos campos.

Foi confessor da rainha da Espanha mas não se adaptou á vida da corte. Procurou estender sua jornada de trabalho prestando serviço em várias paróquias. Olhou com particular simpatia o mundo dos artistas, para os quais chegou a fundar uma academia sob a proteção de São Miguel. Foi também escritor, deixando cerca de oitenta obras. O Papa Pio XI considerava-o o “Precursor da Ação Católica” dos tempos modernos.

Santo Antônio Maria Claret morreu no dia 24 de outubro de 1870, aos sessenta e três anos, em Fontfroide, França. O Papa Pio XII o incluiu no catálogo dos santos durante o ano santo de 1950.

23/10 – São João de Capistrano

sao-joao-de-capistranoSão João de Capistrano

João nasceu em Capistrano, na província de Áquila, no ano de 1386. Era belo rapaz, que pelo sua origem e aspecto nórdico, apelidaram-no João alemão. Estudou direito civil e eclesiástico em Perúgia, laureando-se excelente jurista. Foi Juiz e Governador da cidade. Quando Perúgia foi ocupada pelos Malatesta, além do alto cargo, João perdeu também a liberdade.  Na prisão encontrou tempo para meditar sobre toda sua vida, e saindo do cárcere, já transformado interiormente, seu casamento foi declarado nulo, porque não foi consumado.  Foi então bater na porta do convento franciscano de Assis. Ordenado sacerdote, São João de Capistrano peregrinou por toda a Europa a pé ou a cavalo, desde a Espanha até a Sérvia, da França até a Polônia. Infatigável organizador de obras de caridade, mensageiro da paz, conselheiro, missionário entre os hussitas.

Os Papas que o tiveram como conselheiro, confiaram-lhe missões diplomáticas nos vários Estados italianos, de Milão à Sicília. O rei Fernando III o quis na Áustria, e sua Ordem o mandou como visitador à Terra Santa e aos Países Baixos. Organizador da Cruzada contra os turcos, esteve na Hungria e nos Balcãs. As vitórias mais significativas foram conquistadas nas trincheiras da ortodoxia, na defesa da verdade contra a heresia, do genuíno espírito franciscano do compromisso dos renovadores, da paz civil e religiosa nos pontos quentes da Europa nos quais esteve presente com surpreendente celeridade, não obstante dispusesse só de um burro como meio de locomoção.

Deixou obras escritas em dezessete volumes e foi um homem que participou ativamente da angústia de seu tempo.Tempo este que a religião católica encontrava-se em crise e a paz ameaçada pelas guerras (Guerra dos Cem Anos) . Além disso, a peste negra assolava toda a Europa, dizimando a muitos. Morreu a 23 de outubro de 1456 e foi canonizado em 1690.

22/10 – Santa Maria Salomé, Santo Donato e São Contardo Ferrini

santa-maria-salomeSanta Maria Salomé

Nasceu em Betsaida, esposa de Zebedeu, era uma das santas mulheres, parente próxima de Nossa Senhora e mãe de São João Evangelista e São Tiago o Maior, citada duas vezes no Evangelho de São Marcos. Seu nome deriva da palavra Shalon que significa paz.

Uma delas é em Mt 27,56, em que estava junto a Cruz com Nossa Senhora e no dia da Páscoa da ressurreição vai junto a outras mulheres levar o precioso ungüento ao sepulcro, conforme o costume. Foi também ela, que em Mt. 20, 20ss, pede a Nosso Senhor, em seu imenso amor de mãe, que seus dois filhos se sentassem, um à direita e outro à esquerda de nosso Rei. Suas relíquias foram descobertas miraculosamente em 1.209 e são veneradas até hoje em Veroli (Itália). Morreu na Palestina.

santo-donatoSanto Donato

Donato, filho de nobres cristão, nasceu na Irlanda nos últimos anos do século VIII. Desde criança foi educado na fé católica. Iniciou os estudos religiosos e devido ao rápido e bom progresso desejou se aperfeiçoar. Mais tarde abandonou a família e a pátria seguiu em peregrinação por várias regiões até chegar em Roma, onde se tornou sacerdote, em 816.

Na volta para a Irlanda, parou na cidade de Fiesole, quando o clero e a população procuravam eleger um novo bispo. Movidos pela divina inspiração decidiram escolher aquele desconhecido peregrino. A tradição conta que quando Donato entrou na igreja, os sinos tocaram e os círios se acenderam, sem que alguém tivesse contribuído para isso. No início relutou em aceitar, mas depois se dobrou ao desejo de todos. Era o ano 829. Existem muitos registros sobre o seu governo pastoral em Fiesole que durou cerca de quarenta anos.

Combateu com sucesso os usurpadores dos bens da Igreja. Em 866 viajou para se encontrar com o imperador Lotário II, e conseguiu confirmar as doações dos bens concedidos pelo seu predecessor Alexandre, e outros vários direitos. Teve uma boa relação com os soberanos daquela época, os quais acompanhava nas empreitadas e nas viagens. Escritos relatam que: Donato era professor, trabalhou para os reis franceses, participou de expedições com os imperadores italianos e chefiou uma campanha contra os invasores árabes muçulmanos na Itália meridional.

Em 850, o Bispo Donato esteve em Roma participando da coroação do imperado Ludovico, feita pelo Papa Leão IV. Naquela ocasião, foi convidado a participar junto com o pontífice e o imperador, do julgamento de uma velha questão pendente entre os Bispos de Arezzo e de Siena, resolvida a favor deste último.

Era um sacerdote muito instruído, sábio e prudente, por isso se preocupou com a instrução do clero e da juventude. Escreveu diversas obras das quais restou apenas um epitáfio, ditado para o seu jazigo, valoroso pelas informações autobiográficas; um Credo poético, que recitou antes de morrer, e a “Lauda de Santa Brígida”, padroeira da Irlanda.

Pensando nos peregrinos, principalmente nos irlandeses, com recursos próprios Donato construiu naquela diocese a igreja de Santa Brígida, o hospital e um albergue, todos ricamente decorados e bem aparelhados. Depois, em 850 doou tudo para a abadia fundada por São Columbano de Bobbio.

Morreu em 877 na cidade de Fiesole, Itália. As suas relíquias foram sepultadas na antiga catedral, dedicada a São Rômulo, onde ficaram até o final de 1017, quando foram transferidas para a nova catedral, em uma capela à ele dedicada . A Igreja o declarou Santo, e o celebra no dia 22 de outubro. A festa de Santo Donato se espalhou por todo o mundo cristão, mas principalmente na Irlanda ele é muito homenageado.

sao-contardo-ferriniSão Contardo Ferrini

São Contardo Ferrini nasceu numa epóca de grande crise de fé e oposição à Igreja de Cristo, precisamente no ano de 1859, seus pais eram profundamente cristão. Dotado de memória prodigiosa, era muito estudioso; foi até cognominado ” Aristóteles “. Aprendia tudo que lhe ensinavam com a maior facilidade; assim estudou hebraico, siríaco, sânscritos e copta. Iniciou em 1876, com 17 anos, o curso de Direito, em que foi aluno de seu tio, o abade Buccellati, professor de direito penal. A sua piedade, a sua prática da religião provocavam as chacotas, os ditos obscenos, as grosserias dos colegas. Ferini fugia atormentado com isso tudo. Em 1880 em Pavia, defendeu brilhantemente sua tese de doutorado sobre a importância de Homero e Hesíodo para a história do direito penal. Ela lhe valeu uma bolsa de viagem. Foi a Berlim, onde experimentou fortemente o catolicismo sério, corajoso dos militantes provocados pela Kulturkampf de Bismarck.

Tornou-se terciário franciscano em 1886. Foi sábio ao viver como eremita contemplativo. A ciência foi sua dama, o professorado, um sacerdócio, escolheu o direito penal romano, o direito bizantino, em relação ao qual foi quase iniciador na Itália. Em outubro de 1883, com apenas 24 anos, ministrou em Pavia um curso de história do direito penal romano. Em 1887 ensinou em Messina, em 1890 em Módena, em 1894 em Pavia novamente, no Ateneu. Foi sempre mestre compenetrado da seriedade de sua profisssão e de respeito para com seu auditório.

Lutou contra o divórcio e defendeu a causa da infância abandonada. Uma febre tifóide o levou rapidamente, no dia 17 de outubro de 1902, em Suna (Novara).

21/10 – Santa Úrsula e Companheiras

santa-ursula-e-companheirasSanta Úrsula e Companheiras

Úrsula nasceu no ano 362, filha dos reis da Cornúbia, na Inglaterra. Era uma linda menina, meiga, inteligente e caridosa. Cresceu muito ligada à religião, seguindo aos princípios da fé e amor em Cristo. A fama de sua beleza se espalhou e logo os pedidos de casamento sugiram. Mas, por motivos políticos, seu pai aceitou a proposta feita pelo duque Conanus, pagão, oficial de um grande exército amigo.

Quando soube que o pretendente não era cristão, Úrsula primeiro recusou, mas depois, devendo obediência à seu pai e rei, aceitou, com a condição de esperar três anos. Período que achou suficiente para o duque se converter, ou desistir da aliança. Para isso rezava muito junto com suas damas da corte.

Mas parecia ser um matrimônio inevitável. Na época acertada a uma expedição, com dois navios, partiu levando Úrsula e suas damas. Eram jovens virgens como ela e se casariam também, com guerreiros escolhidos pelo duque Conanus. As lendas e tradições falam em onze mil virgens, mas, depois, outros escritos da época e pesquisas arqueológicas revelaram que eram onze meninas. O fato real e trágico foi que, navegando pelo rio Reno, quando chegaram em Colônia, na Alemanha, a cidade estava sob o domínio do exército de Átila, rei dos hunos, povo bárbaro e pagão.

Logo os soldados hunos mataram todos da comitiva e das virgens, apenas Úrsula escapou, pois Átila ficou maravilhado com a beleza e juventude da nobre princesa. Ele tentou seduzi-la e lhe propôs casamento. Mas, a custo da própria vida, Úrsula o recusou dizendo que já era esposa do mais poderoso de todos os reis da Terra, Jesus Cristo. Cego de ódio ele pessoalmente a degolou. Tudo aconteceu em 21 de outubro de 383. Em Colônia, uma linda igreja guarda o túmulo de Santa Úrsula e suas companheiras.

Na idade média a italiana Ângela de Mérici, leiga e terciária franciscana, fundou uma congregação de religiosas chamada Companhia de Santa Úrsula destinada à formação cristã das famílias através da educação das meninas, futuras mães em potencial. Um avanço para as mulheres, pois até então só os homens eram contemplados com a instrução. A fundadora escolheu a Santa Úrsula como padroeira após uma visão que teve. Atualmente as Irmãs Ursulinas, como são chamadas as filhas de Santa Ângela celebrada em 27 de janeiro, estão presentes nos cinco continentes. Com isto a festa de Santa Úrsula, no dia 21 de outubro, se mantem sedimentada e muito robusta em todo o mundo católico.

20/10 – Santa Maria Bertilla Boscardin

santa-maria-bertilla-boscardinSanta Maria Bertilla Boscardin

Santa Maria Bertilla Boscardim, nasceu no dia 06 de outubro de 1888, em Gioia di Brendola, Vicência, foi batizada com o nome de Ana Francisca. Desde sua meninice dedicou-se aos trabalhos do campo, ajudando aos pais, este era o caminho de qualquer menina vêneta, antes que as indústrias chegassem. Com 17 anos Ana Francisca teve a permissão de seguir a própria vocação religiosa ingressando nas Mestras de Santa Dorotéia em Vicência. Lá fez o noviciado e emitiu os primeiros votos temporários. Deixou em seguida Vicência e foi para Treviso trabalhar no hospital, onde prestou o seu humilde e ativo serviço. Conseguiu seu diploma de efermeira para tornar-se mais útil aos doentes, que assistia também de noite, tomando a vez de suas co-irmãs.

Escreveu no diário: “Quero ser a serva de todos – Quero trabalhar, sofrer e deixar toda a satisfação aos outros”. e ainda: “Devo considerar-me a última de todas, portanto contente em ser passada para trás, indiferente a tudo, tanto às reprovações como aos elogios. As ocasiões de sofrimento nunca lhe faltaram. Aos 22 anos, foi operada de tumor. Retornou às costumeiras ocupações suportando aumento de trabalho durante a primeira guerra mundial. Por causa causa dos bombardeios, os doentes foram transportados para Brianza e irmã Bertilla os seguiu. Mas em Viggiu foi designada para a lavanderia, sofrendo e chorando às escondidas. Quando retornou a Treviso um ano depois entre seus doentes, seu mal agravou-se e após uma segunda intervenção cirúrgica, morreu no dia 22 de outubro de 1922, com apenas trinta e quatro anos.

“É humilde camponesa -disse dela o Papa Pio XII, por ocasião da beatificação, a 8 de junho de 1952. Figura puríssima de perfeição cristã, modelo de recolhimento e de oração, que durante a vida teve uma união com Deus profunda no silêncio, no trabalho, na oração, na obediência. Daquela união vinha a especial caridade que ela demonstrava para com os doentes, médicos, superiores, enfim, para com todos.” Foi canonizada pelo Papa João XXIII a 11 de maio de 1961. Santa Maria Bertilla Boscardim, rogai por nós e pelos nossos doentes. Amém

19/10 – São Paulo da Cruz

sao-paulo-da-cruzSão Paulo da Cruz

Paulo Francisco Danei, piemontês, nasceu em Ovala (Itália) no ano de 1694. É o fundador da Congregação dos Clérigos descalços da Santa Cruz e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, título que foi imediatamente simplificado pelo povo cristão, que resumiu no nome ‘Passionista” . Com a idade de 19 anos, ouvindo um sermão sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, decidiu dedicar-se ao seu serviço e pensou em executar imediatamente o seu programa alistando-se como voluntário no exército que os venezianos estavam montando para uma expedição contra os turcos. Mas pretensa cruzada tinha em mira só interesses materiais e nada a ver com o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo.

Amadureceu a sua vocação dedicando-se à oração e à penitência. Alma eminente contemplativa, passava até sete horas consecutivas imerso em profunda meditação. Aos 26 anos recebeu do bispo de Alexandria, Gattinara, o hábito preto do penitente com os sinais da Paixão de Cristo: um coração com uma cruz em cima, com três pregos e o monograma de Cristo. Convenceu o irmão João Batista a unir-se a ele e juntos se retiraram a um ermo no monte Argentauro, próximo a Orbetello. Viveram aí vida eremítica, em duras penitências. Aos domingos desciam às cidades próximas para pregar a Paixão de Cristo.

Suas missões, marcadas por uma cruz de madeira, obtiveram resultados surpreendentes. O Papa Bento XIII concedeu-lhes a licença de erigir a congregação e ordenou presbíteros os dois irmãos. A Regra inicial, escrita por São Paulo da Cruz, era muito rígida. Paulo, que era prestigiado por bispos e papas (em particular por Clemente XIV, que se incluía entre os seus filhos espirituais), teve de mitigar um pouco a antiga Regra dos passionistas para obter a aprovação eclesiástica definitiva. A congregação masculina logo agregou-se a feminina.

São Paulo da Cruz, morreu com oitenta e um anos de idade, em 18 de outubro de 1775, no convento romano anexo à Igreja dos Santos João e Paulo, no monte Célio. O Papa Pio IX o incluiu no elenco dos santos no dia 28 de junho de 1867.

18/10 – São Lucas

sao-lucasSão Lucas

Lucas é um dos quatro evangelistas. O seu evangelho é reconhecido como o do amor e da misericórdia. Foi escrito sob o signo da fé, nos tempos em que isso podia custar a própria vida. Mas falou em nascimento e ressurreição, perdão e conversão, na salvação de toda a humanidade. Além do Terceiro Evangelho, escreveu os Atos dos Apóstolos, onde registrou o desenvolvimento da Igreja na comunidade primitiva, relatando os acontecimentos de Jerusalém, Antioquia e Damasco, nos deixando o testemunho do Cristo da bondade, da doçura e da paz.

Lucas nasceu na Antioquia, Síria, era um médico e pintor, muito culto que foi convertido e batizado por São Paulo. No ano 43 já viajava ao lado do apóstolo, sendo considerado seu filho espiritual. Escreveu o seu evangelho em grego puro, quando São Paulo quis pregar a Boa Nova aos povos que falavam aquele idioma. Os dois sabiam que, lhes mostrar o caminho na própria língua, facilitaria a missão apostólica. Assim, através de seus escritos, Lucas tornou-se o relator do nascimento de Jesus, o principal biógrafo da Virgem Maria e o primeiro expressa-la através da pintura.

Quando das prisões de São Paulo, Lucas acompanhou o mestre, tanto no cárcere como nas audiências. Presença que o confortou nas masmorras e lhe deu ânimo no enfrentamento do tribunal do imperador. Na segunda e derradeira vez, Paulo escreveu a Timóteo que agora todos o haviam abandonado. Menos um. “Só Lucas está comigo” (2 Timóteo 4,11). E esta foi a última notícia certa do evangelista.

A tradição cristã nos diz que depois do martírio de São Paulo, o discípulo, médico e amigo Lucas continuou a pregação. Ele teria seguido pela Itália, Gálias, Dalmácia e Macedônia. Mas um documento traduzido por São Jerônimo, trouxe a informação que o evangelista teria vivido até os oitenta e quatro anos de idade. A sua morte pelo martírio em Patras, na Grécia, foi apenas um legado dessa antiga tradição.

Todavia, por sua participação nos primeiros tempos, ao lado dos apóstolos escolhidos por Jesus, somada a vida de missionário, escritor, médico e pintor, se transformou num dos pilares da Igreja. Na suas obras, Lucas se dirigia a um certo Teófilo, amigo de Deus, que tanto poderia ser um discípulo, como uma comunidade, ou todo aquele que entrava contato com a mensagem da Boa Nova, através dessa leitura. Com esse recurso literário, tornou seu evangelho uma porta de entrada para povos à salvação, concedendo compartilhar no Reino de Deus a todas as pessoas excluías pela antiga lei.

17/10 – Santo Inácio de Antioquia e Santo Rodolfo

santo-inacio-de-antioquiaSanto Inácio de Antioquia

Santo Inácio de Antioquia conforme historiadores, viveu por volta do segundo século. Coração ardente (o nome Inácio deriva de ignis = fogo ), ele é lembrado sobretudo pelas expressões de intenso amor a Cristo. A metrópole da Síria, Antioquia, terceira em ordem de grandeza do vasto império romano, teve como primeiro bispo o apóstolo Pedro, ao qual sucederam Evódio e em seguida Inácio, o Teófolo o que traz Deus, como ele mesmo gostava de ser chamado. Pesquisadores indicam que Inácio de Antioquia conheceu pessoalmente os apóstolos Pedro e Paulo.

Por volta do ano 110, foi preso vítima da perseguição de Trajano. Nessa viagem de Antioquia a Roma para onde ia como prisioneiro, o santo bispo escreveu sete cartas, dirigidas a várias Igrejas e a São Policarpo. Tais cartas constituem preciosos documentos sobre a Igreja primitiva, seus fundamentos teológicos, sua constituição hierárquica… Trazido acorrentado para Roma, onde terminou os seus dias na arena, devorado pelas feras selvagens, tornou-se objeto de afetuosas atenções da parte das várias comunidades cristãs nas cidades por onde passou. A ânsia de alcançar Deus, de encontrar Cristo, expressa com intensidade que faz lembrar São Paulo.

As suas palavras inflamadas de amor a Cristo e à Igreja ficaram na lembrança de todas as gerações futuras. “Deixem-me ser a comida das feras, pelas quais me será dado saborear Deus. Eu sou o trigo de Deus. Tenho de ser triturado pelos dentes das feras, para tornar-me pão puro de Cristo.” ” Onde está o Bispo, aí está a comunidade, assim como onde está Cristo Jesus aí está a Igreja Católica”, foi escrito na carta endereçada ao então jovem bispo de Esmirna, São Policarpo. Os cristão de Antioquia veneravam, desde a antiquidade, o seu sepulcro nas portas da cidade e já no século IV celebravam a sua memória a 17 de outubro, dia adotado agora também pelo novo calendário.

santo-rodolfoSanto Rodolfo

Rodolfo nasceu no ano 1034, em Perúgia, Itália. A sua família pertencia a nobreza local e era muito influente nessa corte. Mas, motivada pelas pregações do monge Pedro Damião, decidiu abandonar os hábitos mundanos e retornar o caminho do seguimento de Cristo.Esse monge fundara um mosteiro de eremitas na vizinhança de Fonte Avelana e a fama de sua santidade corria veloz no meio do mundo cristão.

Com a morte do pai, Rodolfo e seu irmão Pedro, abriram mão da herança em favor da mãe e de João, o irmão caçula, para ingressarem no mosteiro de Pedro Damião. Porém, algum tempo depois os dois também optaram pela vida religiosa daquela comunidade, que os acolheu após doarem toda a fortuna da família, para a Igreja.

Fonte Avelana se tornara um verdadeiro viveiro de eremitas, pois deste mosteiro saíram os grandes renovadores da Igreja. Dentre eles, os três irmãos: Rodolfo, Pedro e João, discípulos de Pedro Damião, hoje celebrado como Santo e Doutor da Igreja. Nessa nova comunidade religiosa a vida era simples, voltada apenas ao trabalho, a caridade aos pobres e doente, e dedicada à penitência e à oração contemplativa. No período medieval foi um verdadeiro oásis que surgiu para a revitalização da vida monástica. Uma vez que a Igreja ocidental vivia um grande desgaste com os conflitos internos, causados pela ambição e a ganância dos Bispos e sacerdotes, mais interessados nos bens mundanos do que na condução do rebanho do Senhor.

Aos vinte e cinco anos de idade, Rodolfo recebeu a ordenação sacerdotal e, mesmo a contragosto, foi consagrado Bispo de Gubio, cidade próspera e rica da região. Porém, era uma diocese muito problemática para a Igreja. Os Bispos anteriores haviam instituído o que se chamou de “ressarcimento”, isto é, os Sacramentos eram condicionados a pagamentos e não aos méritos ou a vocação religiosa. Enquanto alguns sacerdotes pediam dinheiro para a absolvição dos pecados, outros queriam comissões para ordenar os sacerdotes.

Rodolfo assumiu o posto e combateu tudo com firmeza, dentro do exemplo de fiel pastor. Vestia-se sempre com as mesmas roupas, velhas e surradas, fosse qual fosse o tempo ou a estação. Comia pouco, impondo-se um severo jejum. Dormia quase nada, mantendo-se em vigília constante, na oração e penitência. Percorria toda a diocese, e se mantinha incansável sempre pronto a atender os pobres, doentes e abandonados. Tornou-se o exemplo de humildade e de caridade cristã, um verdadeiro sacerdote da Igreja. Apenas com seu comportamento ele conseguiu recolocar Gubio no verdadeiro caminho do amor a Cristo e a Virgem Santíssima.

Foram cinco anos dedicados à diocese de Gubio, durante os quais participou do Concílio Romano em 1059, como seu Bispo. Rodolfo morreu jovem, com apenas trinta anos de idade, em 26 de junho de 1064, consumido pela fadiga e vida excessivamente austera. Entretanto a sua obra não chegou a ser interrompida, pois foi substituído por seu irmão João, que seguiu o seu exemplo de Bispo benevolente com o rebanho, mas rigoroso consigo mesmo.

A figura do Bispo Rodolfo tornou-se conhecida através da carta escrita por seu mestre, Pedro Damião, para comunicar sua morte, ao Papa Alexandre II. Nela foi descrito como um homem de profundo espírito religioso e possuidor de grande cultura teológica e bíblica. A única pessoa a quem confiava seus escritos para serem corrigidos de possíveis distorções da doutrina católica e para a correta interpretação do Evangelho.

As relíquias de Santo Rodolfo, guardadas na Catedral de Gubio, foram destruídas durante as reformas executadas em 1670. Entretanto isto nada significou para seus devotos, que continuam a comemora-lo no dia 17 de outubro, data oficial da sua festa.

16/10 – S. Geraldo Majela e Santa Margarida Maria Alacoque

s-geraldo-majelaS. Geraldo Majela

São Geraldo Majela nasceu em 1726, filho de modesto alfaiate, Domingos Majela e de Benedita Cristina Galella, foi o quinto filho do casal. Ficou orfão de pai com apenas 12 anos de idade, e tornou-se aprendiz de alfaiate. Quis ser capuchinho mas como era magro e fraco, foi -lhe recusada a acolhida. Em 1741, pôs-se a serviço do Bispo de Lacedônia. Sentiu-se então atraído pela Congregação do Santíssimo Redentor, fundada havia 15 anos por Santo Afonso de Ligório. Durante o postulantado foi acometido de muitos escrúpulos. No dia 21 de Setembro, recebia grandes luzes do Espírito Santo; Nesse dia fez o voto de fazer tudo o mais perfeitamente possível.

Em 1574, Lacedônia sofreu uma epidemia e foi afligida por muitos escândalos, Geraldo realizou milagres edificantes, que converteram muitas pessoas. Nesse mesmo tempo, uma jovem, perversamente, o caluniou odiosamente.

Santo Afonso, diante do silêncio de Geraldo, proibiu-lhe a receber a comunhão e também todo relacionamento com pessoas de fora. Pouco depois transferia-o para Caposela. A proibição da comunhão era muito sofrida para ele e tentava consolar-se dizendo:”Eu o trago no coração. O Senhor deseja punir-me pelo pouco amor que lhe dedico, por isso, foge de mim. Não o perdferei, contudo, jamais do meu coração.” Após muito tempo, a jovem caluniadora se retratou a Santo Afonso que imediatamente suspendeu a punição, podendo então Geraldo voltar a sua comunhão cotidiana.

São Geraldo Majela pouco antes de morrer disse: “Olhai irmão, todos estes escapulários em redor do quarto “. Contemplava seu crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora, diante dele.

santa-margarida-maria-alacoqueSanta Margarida Maria Alacoque

Na bonita região francesa de Borgonha, Margarida Maria nasceu em 22 de julho de 1647, na modesta família Alacoque. Teve uma juventude difícil, ao lado dos pais, que pelo excesso de afeto traçaram a meta de vida da filha, calcada sobre as próprias ambições mundanas.

Recebeu toda formação cultural e religiosa, desde a infância, das monjas clarissas. Depois vieram as dificuldades, primeiro o pai faleceu. Logo em seguida, contraiu uma doença não identificada, que a manteve na cama por um longo período. Como nada na medicina curava o seu mal, Margarida, então, prometeu a Nossa Senhora, entregar todos os seus dias a serviço de Deus, caso recuperasse a saúde. Para sua própria surpresa, logo retornou à sua vida normal. Convencida da intervenção da Providência Divina em favor de sua vida terrena. Aos vinte e quatro anos de idade, entrou para a Ordem da Visitação, fundada por São Francisco de Sales.

Tomou o nome de Margarida Maria fez o seu noviciado, um tempo de iluminação e sofrimento. Rezando e contemplando Jesus Eucarístico, passou a dialogar com o próprio Cristo, que lhe expôs o coração dilacerado e fez revelações sobre a necessidade de mais amor e devoção à Eucaristia.

Estas experiências místicas foram severamente contestadas pelos religiosos e religiosas da sua época. Esta pobre monja foi testada e provada de todas as maneiras possíveis e várias vezes, para comprovar suas narrativas. A humanidade, nesta época, estava assolada pela peste e tremia diante da eminência da morte. O coração do povo era levado à um “Deus duro do castigo”. Mas, as visões e mensagens de Margarida Maria, não, apontavam para o “Deus do amor e da salvação”, o que gerava uma forte oposição.

O padre jesuíta Cláudio de La Colombière, porém, respeitado estudioso das manifestações dos sinais de Deus, verificou que a mensagem que ela transmitia era verdadeira. Com o seu apoio e orientação espiritual, as experiências místicas de Margarida Maria começaram a ser vistas de outra maneira. Aos poucos esta mensagem era assimilada por todos os conventos da Visitação, assim como pelo clero. O culto ao Sagrado Coração de Jesus começou a ser difundido também entre os fieis. Até que ela própria, antes de morrer, pôde ver muitos de seus críticos cultuando e propagando a devoção do Sagrado Coração. E foi assim que, depois de algum tempo, esta mensagem estava espalhada por todo o mundo católico.

Faleceu com apenas quarenta e três anos de idade, no dia 17 de outubro de 1690, em Paray-le-Monial, na sua França. Foi canonizada em 1920, pelo Papa Bento XV. Santa Margarida Maria de Alacoque teve a data de sua festa litúrgica antecipada por um dia para não coincidir com a de Santo Inácio de Antioquia.