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Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria

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12/12 – Nossa Senhora de Guadalupe

nossa-senhora-de-guadalupeNossa Senhora de Guadalupe

Como toda aparição de Nossa Senhora, a que é venerada hoje é também emocionante. Talvez esta seja uma das mais comoventes, pelo milagre operado no episódio e pela dúvida lançada por um Bispo sobre sua aparição a um simples índio mexicano.

Tudo se passou em 1531, no México, quando os missionários espanhóis já haviam aprendido a língua dos indígenas. A fé se espalhava lentamente por essas terras mexicanas, cujos rituais astecas eram muito enraizados. O índio João Diogo havia se convertido e era devoto fervoroso da Virgem Maria. Assim foi o escolhido para ser o portador de Sua mensagem às nações indígenas. Nossa Senhora apareceu à ele várias vezes.

A primeira vez quando o índio passava pela Colina de Tepyac, próximo à Cidade do México, atual capital, a caminho da igreja. Maria lhe pediu que levasse uma mensagem ao Bispo. Ela queria que naquele local fosse erguida uma capela em sua honra. Emocionado o índio procurou o Bispo João de Zumárraga e contou-lhe o ocorrido. Mas o sacerdote não deu muito crédito à sua narração, não dando resposta se iria, ou não iniciar a construção.

Passado uns dias Maria apareceu novamente a João Diogo, que desta vez procurou o Bispo com lágrimas nos olhos, renovando o pedido. Nem as lágrimas comoveram o Bispo, que exigiu do piedoso homem uma prova de que a ordem partia mesmo de Nossa Senhora.

Deu-se então o milagre. João Diogo caminhava em direção à capital por um caminho distante da Colina onde anteriormente as duas visões aconteceram. O índio, aflito, ia à procura de um sacerdote que desse a extrema unção a um tio seu, que agonizava. De repente Maria apareceu à sua frente, numa visão belíssima. O tranqüilizou quanto à saúde do tio, pois avisou que naquele mesmo instante ele já estava curado. Quanto ao Bispo, pediu a João Diogo que colhesse rosas no alto da colina e as entregasse ao religioso. João ficou surpreso com o pedido, porque a região era inóspita e a terra estéril, além de que, o país atravessava um rigoroso inverno. Mas obedeceu e novamente surpreso encontrou muitas rosas, recém-desabrochadas. João colocou-as no seu manto e, como a Senhora ordenara, foi entrega-las ao Bispo, como prova de sua presença.

E assim fez o fiel índio. Ao abrir na frente do Bispo o manto cheio de rosas, ele viu se formar impressa uma linda imagem da Virgem, tal qual o índio a descrevera antes, mestiça. Espantado, o Bispo seguiu João até a casa do tio moribundo e este já estava de pé, forte e saudável. Contou que Nossa Senhora “morena” lhe aparecera também, o teria curado e renovado o pedido. Queria um santuário na colina de Tepyac, onde sua imagem seria chamada de Santa Maria de Guadalupe. Mas não explicou o porquê do nome.

A fama do milagre se espalhou. Enquanto o templo era construído, o manto com a imagem impressa ficou guardado na capela do paço episcopal. Várias construções se sucederam na colina, ampliando templo após templo, pois as romarias e peregrinações só aumentaram com o passar dos anos e dos séculos.
O local se tornou um enorme Santuário abriga a imagem de Nossa Senhora na famosa Colina e ainda se discute o significado da palavra Guadalupe. Nele está guardado o manto de Santo João Diego, em perfeito estado apesar de passados tantos séculos. Nossa Senhora de Guadalupe é a única a ser representada como mestiça, com o tom de pele semelhante ao das populações indígenas. Por isso o povo a chama carinhosamente de “La Morenita”, quando a celebra no dia 12 de dezembro, data da última aparição.

Foi declarada padroeira das Américas, em 1945, pelo Papa Pio XII. Em 1979, como extremado devoto mariano, o Papa João Paulo II visitou esse Santuário e consagrou solenemente toda a América Latina a Nossa Senhora de Guadalupe.

11/12 – Santo Dâmaso I

santo-damaso-iSanto Dâmaso I

São Dâmaso nasceu pelo ano de 305, era de origem espanhola. Era irmão de Santa Irene. Após ter sido diácono na Igreja de Roma com o Papa Libério, onde participou ativamente nos esforços doutrinais para a volta à ortodoxia, foi o sucessor do Papa Libério, cargo que ocupou do ano 366 a 384. A sua firme atitude, que sacudiu o entusiasmo e a aprovação de toda a cristandade quando, não se importando com as ameaças e protecionismos imperiais, depôs todos os bispos vinculados com o arianismo, trouxe à Igreja a unidade, estabelecendo o princípio que a comunhão com o bispo de Roma é o sinal de reconhecimento de católicos e de bispo legítimo. Sua eleição foi marcada por lutas violentas entre as diversas facções, deixando num só dia o saldo de 137 mortos., Papa Dâmaso demonstrou com as obras que a escolha fora certa. Durante seu pontificado houve explosão de ritos, de orações, de peregrinações, com novas instituições litúrgicas e catequéticas para os estudos de revisão do texto da Bíblia e a nova versão em latim (Chamada Vulgata) feita por São Jerônimo, que São Dâmaso chamou para seu secretário.

Naqueles anos a Igreja atingira nova dimensão sócio-religiosa, tornando-se uma componente da vida pública. Podemos lembrar a obra de Santo Ambrósio em Milão. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. Em 380, por ocasião do sínodo de Roma, o papa Dâmaso expressou sua gratidão aos chefes do império por terem deixado à Igreja a liberdade de administrar-se por conta própria. Com a liberdade conquistada, antigos lugares de oração, como as catacumbas, teriam ficado em ruína. Ele não só exaltou em seus famosos Títulos (epigramas feitos nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo), mas também os honrou dedicando-se pessoalmente à identificação de seus túmulos e à consolidação das criptas que guardavam suas relíquias. Na cripta dos papas, nas catacumbas de São Calisto, ao término da longa epígrafe, acrescentou:”Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem sepultados ois meus espólios, mas temo pertubar as piedosas cinzas dos mártires.”

São Jerônimo atesta que o papa Dâmaso morreu com quase oitenta anos. Foi sepultado no túmulo que ele mesmo tinha preparado, humildemente longe das cinzas dos mártires, ao longo da via Ardeatina. Seus restos mortais foram reexumados e levados à Igreja de São Lourenço em Dâmaso.

10/12 – São João Roberts

sao-joao-robertsSão João Roberts

A biografia de Santo John Roberts, para nós João Roberts, nos mostra um inglês profundamente católico que, fora de sua pátria, conseguia pregar e professar sua fé e sua religião. Mas, bastava botar os pés em sua terra natal, era preso. Várias vezes retornou à liberdade só por intervenção de estrangeiros importantes. Acabou se tornando o primeiro monge a ser executado na Inglaterra, logo após a coroação do rei Henrique VIII.

João Roberts nasceu no condado de Merioneth, em 1576. Seus pais eram os nobres, João e Ana Roberts, protestantes cujos antepassados eram príncipes de Wales. Estudou na famosa faculdade de São João em Oxford, mas saiu sem graduação. Depois se formou em direito, aos vinte e um anos, em Londres.

Em 1598 estava estudando na faculdade inglesa de Valladoid, na Espanha. Já muito interessado no cristianismo foi estudar na abadia dos beneditinos dessa cidade, no ano seguinte. A conversão total aconteceu durante uma viagem à Paris, quando entrou para a Igreja de Roma pelas mãos de um cônego de Notre-Dame. Em 1600, finalmente, ingressou como noviço no mosteiro beneditino de São Martinho de Compostela, Espanha.

Nessa época, Roma determinou que uma missão beneditina fosse enviada à Inglaterra. João Roberts, que acabara seus estudos em Salamanca, passou a integrar as fileiras da missão. Bastou desembarcar na Inglaterra foi imediatamente preso, sendo libertado quando o rei Jaime assumiu o poder, em 1603.

Londres, no verão daquele ano, foi abalada pela epidemia da peste. João então trabalhou incansavelmente atendendo aos doentes. Tanto destaque teve durante esse período que foi preso novamente durante um ano, até 1606, em Gatehouse. Conseguiu a liberdade por intervenção de uma senhora espanhola, Luísa de Carvajal, muito influente na corte inglesa, apesar de católica, por causa dos negócios existentes entre os dois países na época.

Assim, João se exilou na Espanha. Depois organizou o mosteiro de São Gregório em Douai, na França, do qual foi o primeiro prior. Em outubro de 1607, João Roberts voltou à Inglaterra e foi preso novamente. Mais uma vez escapou, mas foi recapturado e, desta vez, só conseguiu a liberdade por intervenção do embaixador da França. Saiu do país, mas quando voltou foi preso outras duas vezes, sendo finalmente, em 1610, conduzido à presença do Bispo protestante Abbot e condenado à morte na fogueira.

Foi queimado no dia 10 de dezembro desse mesmo ano, na praça pública de Londres. Na sua fala, pouco antes de morrer lamentou o mostro da heresia: o rei dos ingleses e rezou por todos. Alguns séculos depois foi beatificado, em 1929. O Papa Paulo VI canonizou Santo João Roberts em 1970. A sua homenagem litúrgica ocorre no dia de sua morte.

09/12 – Santa Joana Francisca de Chantal e São João (Juan) Diego Cuauhtlatoatzin

santa-joana-francisca-de-chantalSanta Joana Francisca de Chantal

Santa Joana nasceu em Dijon a 28 de Janeiro de 1572. Filga de Benigno Frémiot, presidente do parlamento de Borgonha e de Margarida de Berbizy. No batismo recebeu o nome de Joana, ao qual acrescentou o de Francisca, por ocasião de sua confirmação. Teve esmerada educação. Recusando a casar-se com um fidalgo rico, por ser ele calvinista, mas aceitou casar-se com o barão de Chantal. Conduzida ao castelo de Bourbilly, após o casamento, a primeira ordem que deu foi a de diariamente haver missa, e de a ela assistirem todos os domésticos; por isso ocupou-se da instrução religiosa deles; ocupou-os com discrição, e os ajudou em suas necessidades com grande caridade. Nas festas e nos domingos participava da missa na paróquia. Quando o marido se ausentava não saia de casa, nem havia diversões no castelo. FIcou viúva, aos 28 anos, com um filho e três filhas.

Santa Joana Francisca, sofreu muito após a morte do marido, mas coube fazê-lo cristãmente. Fez voto de castidade e levou vida de profundíssima caridade, vivendo retirada do mundo e dividindo o tempo entre a oração, o trabalho e a educação dos filhos. Estava na casa de seu pai, quando conheceu São Francisco de Sales, bispo de Genebra. Descobriu nele o homem talhado para seu diretor espiritual. A partir daí uma profunda amizade une a ambos. O fruto espiritual dessa amizade será a Congregação da Visitação de Santa Maria, que a baronesa de Chantal fundará juntamente com Jacqueline Fabre e a senhorita Brechard. Com os filhos crescidos e amadurecidos. Casou sua filha mais velha com o barão de Thorens, a outra faleceu pouco depois, e a terceira desposou o conde de Toulonjon. O jovem barão de Chantal com 15 anos foi entregue ao avô materno, que cuidaria de sua educação e de seus bens. A presença da mãe não lhes era mais necessária. Podia sossegada entrar no convento. Brilha nela todo o vigor cristão do amor de Deus acima de tudo e do amor ao próximo por amor a Deus.

A ordem da Visitação começou em Annecy, sob a orientação do bispo de Genebra, e foi se desenvolvendo. Madre Chantal foi obrigada a deixar muitas vezes Annecy para fundar casas em diversas outras cidades, não sem muitas dificuldades e sofrimentos, e até perseguições em Paris.

Santa Joana Francisca de Chantal, morreu em Moulins, no dia 13 de dezembro, depois de rude agonia, pronunciando o nome de Jesus.

sao-joao-juan-diego-cuauhtlatoatzinSão João (Juan) Diego Cuauhtlatoatzin

Os registros oficiais narram que Juan Diego, para nós João Diego, nasceu em 1474 na calpulli, ou melhor, no bairro de Tlayacac ao norte da atual Cidade do México. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin, traduzido como “águia que fala” ou “aquele que fala como águia”.

Era um índio pobre, pertencia à mais baixa casta do Império Azteca, sem ser, entretanto, um escravo. Dedicava-se ao difícil trabalho no campo e à fabricação de esteiras. Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filhos.

Atraído pela doutrina dos padres franciscanos que chegaram ao México em 1524, se converteu e foi batizado, junto como sua esposa. Receberam o nome cristão de João Diego e Maria Lúcia, respectivamente. Era um homem dedicado, religioso, que sempre se retirava para as orações contemplativas e penitências. Costumava caminhar de sua vila à Cidade do México, a quatorze milhas de distância, para aprender a Palavra de Cristo. Andava descalço e vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibra de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social.

A esposa, Maria Lúcia, ficou doente e faleceu em 1529. Ele, então, foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja para nove milhas. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Durante uma de suas idas à igreja, no dia 9 de dezembro de 1531, por volta de três horas e meia, entre a vila e a montanha, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, num lugar hoje chamado “Capela do Cerrinho”, onde a Virgem Maria o chamou em sua língua nativa, nahuatl, dizendo: “Joãozinho, João Dieguito”, “o mais humilde de meus filhos”, “meu filho caçula”, “meu queridinho”.

A Virgem o encarregou de pedir ao bispo, o franciscano João de Zumárraga, para construir uma igreja no lugar da aparição. Como o bispo não se convenceu, ela sugeriu que João Diego insistisse. No dia seguinte, domingo, voltou a falar com o bispo, que pediu provas concretas sobre a aparição.

Na terça-feira, 12 de dezembro, João Diego estava indo à cidade quando a Virgem apareceu e o consolou. Em seguida, pediu que ele colhesse flores para ela no alto da colina de Tepeyac. Apesar do frio inverno, ele encontrou lindas flores, que colheu, colocou no seu manto e levou para Nossa Senhora. Ela disse que as entregasse ao bispo como prova da aparição. Diante do bispo, João Diego abriu sua túnica, as flores caíram e no tecido apareceu impressa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Tinha, então, cinqüenta e sete anos.

Após o milagre de Guadalupe, foi morar numa sala ao lado da capela que acolheu a sagrada imagem, depois de ter passado seus negócios e propriedades ao seu tio. Dedicou o resto de sua vida propagando as aparições aos seus conterrâneos nativos, que se convertiam. Ele amou, profundamente, a santa eucaristia, e obteve uma especial permissão do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um acontecimento bastante raro naqueles dias.
João Diego faleceu no dia 30 de maio de 1548, aos setenta e quatro anos, de morte natural.

O papa João Paulo II, durante sua canonização em 2002, designou a festa litúrgica para 9 de dezembro, dia da primeira aparição, e louvou São João Diego, pela sua simples fé nutrida pelo catecismo, como um modelo de humildade para todos nós.

08/12 – Imaculada Conceição de Maria

imaculada-conceicao-de-mariaImaculada Conceição de Maria

O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos dogmas mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro nós e que não renunciamos nunca.

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma foi definido em 1854 pelo Papa Pio IX, através da bula “Ineffabilis Deus”, mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII.

A festa não existia oficialmente no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia, chamado Beato João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de São Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria, como ínicio do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570 foi confirmada e formalizada pelo Papa Pio V, na publicação do novo ofício e, finalmente, no século XVIII, o Papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno. Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus miseriordioso. Foi Deus que concedeu à Ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina permanecesse incontaminada.

Maria então foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos.

Hoje não comemoramos a memória de um Santo, mas a solenidade mais elevada, maior e mais preciosa da Igreja: a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a Rainha de todos os Santos, a Mãe de Deus.

07/12 – Santo Ambrósio

santo-ambrosioSanto Ambrósio

Santo Ambrósio nasceu em Tréveros pelo ano 340, sua mãe era profundamente cristã, alma da educação do lar, Ambrósio é o escolhido do Espírito. Era ainda catecúmeno, quando por aclamação popular subiu à sede episcopal de Milão. respeito da religião cristã estava ainda por aprender quase tudo, e se dedicou sobretudo ao estudo da Sagrada Escritura com tanto empenho que logo a dominou. Sua honestidade e integridade o conduzem a aprender o oficio de bispo. A alma de seu apostolado a Escritura Sagrada, lida à luz dos Padres Gregos, principalmente de Orígenes, seu grandíssimo mentor. “Mitiga a tua sede no Antigo e no Novo Testamento; num e noutro estarás bebendo o Cristo”.

A atividade diária de Ambrósio era dirigida antes de tudo à orientação da própria comunidade, e cumpria as suas tarefas pastorais dirigindo ao seu povo mais de uma homilia por semana. Santo Agostinho, que foi seu assíduo ouvinte, refere-nos em suas Confissões quão grande foi o prestígio da eloqüência do bispo e Milão e quão eficaz o tom de voz deste apóstolo da amizade. Ele se caracteriza pelo seu pastoreio, máxime no seu zelo pelos pobres. A maioria de seus escritos nasce de sua alma de catequista. A catequese da iniciação cristã, da liturgia e dos sacramentos ocupa um papel preponderante em sua vida.

Jurista preciso e moralista severo, Ambrósio não se esquece do lado social político da fé, a usa com audácia os malefícios do dinheiro e os excessos da propriedade. Afirma com coragem, se dirigindo aos ricos: “Não são teus os bens que distribuis ao pobre, são apenas os deles que lhes destinas. Pois o que fazes é usurpar só para teu uso o que é dado a todos e não aos ricos, porém, os que não usam propriedade são menos numerosos o que aqueles que a usam. Assim, de fato, o que fazes é pagar as tuas dívidas, e não, de forma alguma, distribuir larguezas gratuitamente” (Nobot 55).

Entre seus escritos que não têm relação direta com a sua pregação, recordamos o Deveres dos Ministros, porque enfatizando o conhecido texto ciceroniano e acolhendo todos os elementos, demonstra que o cristianismo pode assimilar sem perigo de alterar o significado da Boa Nova os valores morais naturais que o mundo pagão, o romano em particular, soube expressar.

Santo Ambrósio morreu em Milão no dia 04 de abril de 397. O Evangelho realizou milagres na vida deste Santo, transformando-o, de aristocrata romano, em pai dos pobres e servidor da Igreja. A fé o humanizou e a graça fez dele um pastor dos pequeninos.

06/12 – São Nicolau

sao-nicolauSão Nicolau

Nicolau – se lê na Lenda Áurea – nasceu de ricas e santas pessoas. No dia que tomou o primeiro banho, levantou-se sozinho na bacia”… menino de excelentes qualidades e já inclinado à ascese, pois conforme acrescenta a Lenda, nas quartas e nas sextas-feiras rejeitava o leite materno. Ficando um pouquinho maior desprezava os divertimentos e vaidades e freqüentava mais a Igreja. De São Nicolau, bispo de Mira (Lícia) no século IV, temos várias notícias incluindo algumas lendas que germinaram em torno desta Santo muito popular, cuja imagem todos os anos é reproposta pelos comerciantes nas vestes de Papai Noel (Nikolaus na Alemanha e São Claus nos países anglo-saxões), um velho coroado de barba branca, trazendo nas costas um saco cheio de presentes.

Sua devoção difundiu-se na Europa quando as suas sopostas relíquias, roubadas de Mira por 62 soldados de Bari, e trazidas a salvo, substraindo-as aos invasores turcos, foram colocadas com grandes honras na catedral de Bari a 09 de Maio de 1807. O Santo pastor teve cuidado do seu rebanho, distinguindo-se pela sua generosa caridade. “Um vizinho seu chegou a tal extremo de pobreza que mandou suas três filhas virgens venderem o próprio corpo para assim não morrerem de fome…” Para que fosse evitado esse pecado, São Nicolau, passando três vezes à noite diante da casa do pobrezinho deixou cada vez uma bolsa cheia de moedas de ouro e com esse dote cada uma das filhas teve um bom marido. Conta-se ainda que invocado por alguns marinheiros durante furiosa tempestade no mar, ele lhes apareceu e no mesmo instante o furacão se acalmou. Parece mesmo que com os marinheiros tinha conta aberta: durante uma carestia obteve de um navio de trigo uma grande porção para seus fiéis e depois, quando controlaram a carga, nada faltava. Na Idade Média os dramas e os jogos tiveram como protagonista o santo Taumaturgo.

Hoje, sob as falsas vestes do Papai Noel, São Nicolau nos lembra o grande comandante do amor.

05/12 – São Sabas

sao-sabasSão Sabas

São Sabas nasceu em Mutalasca, perto de Cesaréia de Capadócia, no ano 439. Passou alguns anos no mosteiro da sua cidade, tendo seguido em 457 para o mosteiro de Jerusalém, fundado por Passarião, que não julgou todavia condizente com suas aspirações. Mas ao contrário de muitos monges, que abandonavam o próprio convento para correr às cidades grandes, antes que viver uma vida edificante, Sabas, desejoso de solidão, durante uma estada em Alexandria, pediu e obteve a licença de retirar-se para uma gruta.

Após cinco anos, retornou a Jerusalém, onde fixou o seu domicílio no vale do Cedron, em uma gruta inacessível, aonde só por meio de cordas se chegava. Aquela escadinha (de cordas), ao que parece, revelou seu esconderijo a outros monges, desejosos como ele de solidão, e em breve. como um enxame, as grutas inóspitas, na parede rochosa, povoaram-se de solitários mas não ociosos habitantes. Assim nasceu a Grande Laura, isto é, um dos mais originais mosteiros da antiguidade cristã. Sabas, com grande paciência e ao mesmo tempo com indiscutível autoridade, governou aquele crescente exército de eremitas organizando-o segundo as regras da vida cenobita, já fixada por São Pacâmio, um século antes.

São Sabas fundou outros mosteiros, entre os quais um em Emaús e tomou parte ativa na luta contra os monofisitas, chegando a ponto de mobilizar seus monges numa expedição para opor-se ao estabelecimento de um bispo herege, enviado a Jerusalém pelo imperador Anastácio.

Morreu a 05 de Dezembro de 532 e toda a região quis honrá-lo com esplêndidos funerais. Em Roma, no século VII, surgiram no Aventino, por meio de monges gregos, um mosteiro e uma basílica a ele dedicados, que deram nome a todo o bairro.

04/12 – Santa Bárbara

santa-barbaraSanta Bárbara

Bárbara era uma jovem meiga, inteligente e muito bela. Seu pai Dioscuro era alto funcionário do Imperador, sua mãe chamava-se Irnéria. Ela foi batizada por um discípulo de Orígenes, que morava em Alexandria Egito), o qual, a pedido de Bárbara, viera até sua casa. A partir desse dia, a jovem se comprometeu a servir só ao verdadeiro Deus, nem que isso lhe custasse a vida, pois para ela sua vida pertencia a Jesus por quem sentia o amor maior. O Bispo Zenão soube que Bárbara tinha sido batizada, e deu graças a Deus. A jovem era proibida de sair de casa, sabia dos acontecimentos pelas amigas cristãs: Juliana e Mônica. Dioscuro era muito ciumento e temendo que a beleza de Bárbara atraísse pretendentes que não lhe interessavam, mandou construir uma torre onde deixaria Bárbara trancada quando ele estivesse viajando. Conta a tradição que a torre, projetada por seu pai tinha duas janelas, ao ter conhecimento do fato, pediu ao construtor para que aumentasse para três janela. Assim, ela pensava honrar a Santíssima Trindade o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Quando Dioscuro soube que sua filha tornera-se cristã, ele pela primeira vez agrediu Bárbara dando-lhe uma violenta bofetada. Mas a jovem tentou explicar-lhe: “Nós cristãos, acreditamos que somos todos irmãos; não aceitamos Império baseado na violência e na injustiça”. Ao ouvir essas palavras, Dioscuro enraiveceu-se ainda mais e ordenou que fechassem sua filha na nova torre. Ela devia ficar lá sem se comunicar com ninguém. Neste período sua amiga Mônica foi presa, também o Bispo Zenão dera seu testemunho de fé, sendo martirizado. Alguns dias depois, foram dizer a Dioscuro que sua filha havia favorecido a fuga da amiga Mônica, com o que ficou furioso e resolveu ir até a torre e forçar Bárbara a prestar homenagem ao deus Júpiter. Como Bárbara recusou-se, ficou muito furioso e decidiu matá-la com suas próprias mãos. Mas a parede onde não havia nenhuma porta abriu-se… e a jovem passou por ela, saindo ilesa. Em seguida a porta voltou a se fechar. Dioscuro, vendo-se vencido, ordenou aos soldados que procurassem sua filha por todos os lugares da cidade. Enquanto isso, Bárbara aproveitou para visitar os doentes, as comunidades cristãs nos montes, e ajudava os filhos dos escravos.

Finalmente, o centurião Aleixo e os soldados encontraram Bárbara numa gruta, onde fora levar alimento para alguns doentes. Ela não reagiu a ordem de prisão. Seu pai denunciou-a por ser cristã e levou-a diante dos juízes que a condenaram. Irnéria ao saber do acontecido com a filha, procurou apelar em seu favor junto ao marido, mas Dioscuro não quis voltar atrás… Na prisão, Bárbara foi chicoteada, mas nem o chicote nem a tortura conseguiram diminuir a fé e o amor que Bárbara prometera a Jesus no dias do Batismo e mesmo ferida no corpo, procurava aumentar a força interior através da oração e num certo momento de oração, uma luz descia do alto, iluminando as trevas da prisão. E a voz disse: Bárbara, você esta sofrendo por mim. Vou confundir seus perseguidores, curando suas feridas”. A visão desapareceu, e a jovem percebeu que as feridas de seu corpo haviam desaparecido completamente. Os juízes não se conformaram com aquela cura e tentaram torturá-la pelo fogo. Sua amiga Juliana também fora presa e condenada ao mesmo suplício. Os soldados atearam fogo…Mas Deus interveio novamente; duas mãos que um dia a maldade humana feriu com pregos – numa sexta-feira santa apagaram aquele fogo que o ódio de um pai mandara acender. As duas jovens foram libertadas por Jesus e viram-se libertadas. Mas Dioscuro não se deu por vencido e ordenou aos soldados que levassem Bárbara pelas ruas da cidade e a conduziram debaixo de chicotadas e novamente a presença Divina lhe curou as chagas. Dioscuro, pediu a justiça a condenação de sua filha: “Seja morta à espada, como convém aos membros da nobreza”. E, ao mesmo tempo, pediu permissão para ele mesmo executar a sentença. Incrível decisão! Bárbara e sua amiga Juliana caminharam juntas para o local do martírio. Muitas pessoas seguiram as duas jovem. A espada de Dioscuro levantou-se no ar e atingiu o pescoço de Bárbara que serenamente, entregava a Deus a sua vida, enquanto Juliana curvava a cabeça diante do carrasco. Logo após sua morte, um raio fulminou seu assassino. É por isso que Santa Bárbara é invocada, nas tempestades, contra o raio. Seu culto espalhou-se rapidamente pelo Oriente e pelo Ocidente, inclusive no Brasil. Após a invenção da pólvora de tiro, é Patrona de todos os que manejam esse perigoso elemento.

Santa Bárbara e os outros santos são nossos intercessores junto a Deus. Que eles nos ajudem a sermos cristãos autênticos, capazes de assumir o compromisso de seguir a Cristo, servindo aos nossos irmãos mais necessitados. Amém.

03/12 – São Francisco Xavier

sao-francisco-xavierSão Francisco Xavier

Francisco de Jasu Y Xavier, nasceu no Castelo de Xavier na Espanha no ano 1506, correspondendo as expectativas dos nobres pais. Estudou Letras, laureando-se na prestigiosa universidade parisiense. Teve a felicidade de viver no mesmo quarto da pensão, com Pedro Favre, que como ele se tornará jesuíta e será beatificado, e com outro estudante importante, Inácio de Loyola, tornando-se um dos primeiros jesuítas. Inácio descobrira aquela alma: Coração tão grande e alma tão nobre – disse-lhe – não se satisfazem com efêmeras honras terrenas. A Sua ambição deve ser a glória que dura para sempre”. No dia da Assunção de 1534, na cripta da Igreja de Montmartre, Francisco Xavier, Inácio de Loyola e outros cinco companheiros se consagraram a Deus fazendo voto de absoluta pobreza e decidiram ir à Terra Santa para de lá iniciarem a sua obra missionária, colocando-se para tudo sob a inteira disposição do Papa.

Francisco tomou o caminho de Roma onde colaborou com Inácio de Loyola na redação das Constituições da Companhia de Jesus. A convite do rei de Portugal, foi escolhido missionário e legado pontifício para as colônias portuguesas nas Índias orientais, ele foi o fundador das missões no Oriente, era chamado o Paulo do Oriente. Em dez anos percoreu a Índia, a Málaga, as Molucas e ilhas ainda no estado selvagem: “se não encontrar um barco, irei a nado”, dizia Francisco, e acrescentava: “Se naquelas ilhas existissem minas de ouro, os cristãos lá se precipitariam. Mas não existem senão almas para serem salvas”. E foi, depois de quatro anos para o Japão, onde, em meio a dificuldades imensas, estabeleceu o primeiro núcleo de cristãos, plantando em toda a parte a semente da Palavra de Deus.

Na ilha de San Chao, aguardando uma embarcação que o levasse à China, caiu gravemente enfermo. Com ele estava um jovem chinês que o guiava. Morreu a beira-mar, no dia 03 de Dezembro de 1552 aos 46 anos de idade. Em sua vida missionária administrou o batismo a mais de trinta mil convertidos.

Oremos: Deus nosso Pai, São Francisco Xavier acolheu o vosso chamado a evangelizar anunciando o vosso Reino de amor e de paz aos povos distantes, tornando-se na fé luz para os corações… Pedimos sua intercessão Senhor para que possamos ser missionários e anunciadores da paz, da concórdia, do perdão, da reconciliação, da justiça, da alegria em nossos próprios lares e comunidades…