Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria

sagrado coracao de jesus 3Imaculado Coração de Maria 3

Liturgia diária – 21/09/2014

Dia 21 de Setembro – Domingo

XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM
(Verde, Glória, Creio – I Semana do Saltério)

Antífona da entrada: Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre.

Oração do dia

Ó Pai, que resumistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (1 Isaías 55,6-9)

Leitura do livro do profeta Isaías.
55 6 Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto.
7 Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente.
8 Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor;
9 mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial 144/145

O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e muito digno de louvores,
e ninguém pode medir sua grandeza.

Misericórda e piedade é o Senhor,
ele é amor, é paciência, é compaixão.
O Senhor é muito bom para com todos,
sua ternura abraça toda criatura.

É justo o Senhor em seus caminhos,
é santo em toda obra que ele faz.
Ele está perto da pessoa que o invoca,
de todo aquele que o invoca lealmente.

Leitura (Filipenses 1,20-24.27)

Leitura da carta de são Paulo aos Filipenses.
Irmãos, 1 20 meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a certeza disto), quer pela minha vida quer pela minha morte.
21 Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.
22 Mas, se o viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo preferir.
23 Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo – o que seria imensamente melhor;
24 mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós.
27 Cumpre, somente, que vos mostreis em vosso proceder dignos do Evangelho de Cristo. Quer eu vá ter convosco quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, lutando unanimemente pela fé do Evangelho.
Palavra do Senhor.

Evangelho (Mateus 20,1-16)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vinde abrir o nosso coração, Senhor; ó Senhor, abri o nosso coração, e então do vosso filho a palavra poderemos acolher com muito amor! (At 16,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 20 1 Jesus contou esta parábola a seus discípulos: “Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha.
2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.
3 Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada.
4 Disse-lhes ele: ‘Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário’.
5 Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo.
6 Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: ‘Por que estais todo o dia sem fazer nada?’
7 Eles responderam: ‘É porque ninguém nos contratou’. Disse-lhes ele, então: ‘Ide vós também para minha vinha’.
8 Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: ‘Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros’.
9 Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário.
10 Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário.
11 Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:
12 ‘Os últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor’.
13 O senhor, porém, observou a um deles: ‘Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário?
14 Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti.
15 Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?’
16 Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”.
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

As parábolas narrativas são caracterizadas por sua extensão e por seus detalhamentos. Esta de hoje é exclusiva de Mateus. No cenário aparecem o dono da vinha, imagem característica na tradição de Israel, e os trabalhadores desocupados na praça, cena característica de uma cidade grega. Uma parábola dá margem a uma pluralidade de interpretações. Estes “desocupados” não eram indolentes, mas curtiam a amargura da busca de um trabalho para a sobrevivência diária, excluídos pelo sistema social. Comumente se vê na parábola a expressão da simples generosidade do proprietário que convocou os operários. Com pena dos últimos, decidiu dar-lhes o mesmo que aos outros. Outra interpretação pode ser a compreensão do significado do trabalho. O trabalho não é mercadoria que se vende, avaliado pela eficiência do trabalhador que produz. O trabalho é o meio de subsistência das pessoas e da família, bem como é serviço à comunidade, pela partilha de seus frutos. Todos têm direito ao essencial para a sua sobrevivência. Na parábola, a todos foi dado o necessário para a sobrevivência de um dia, independentemente da quantidade de sua produção. O fruto do trabalho é uma extensão do próprio trabalhador. A venda deste fruto por um salário é uma alienação da dignidade do trabalhador e da trabalhadora. É vender uma parte do seu ser, uma extensão de seu próprio corpo, para a acumulação de riqueza e prazer de outro. A conversão da injustiça para a justiça é o seguimento do caminho de Deus (primeira leitura) que leva à prática de uma cidadania no resgate da dignidade humana e da vida (segunda leitura).

Sobre as oferendas

Acolhei, ó Deus, nós vos pedimos, as oferendas do vosso povo, para que possamos conseguir por este sacramento o que proclamamos pela fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem, diz o Senhor (Jo 10,14).

Depois da comunhão

Ó Deus, auxiliai sempre os que alimentais com o vosso sacramento para que possamos colher os frutos da redenção na liturgia e na vida. Por Cristo, nosso Senhor.

25/11 – Santa Catarina de Alexandria

santa-catarina-de-alexandriaSanta Catarina de Alexandria

A vida e o martírio de Catarina de Alexandria estão de tal modo mesclados às tradições cristãs que ainda hoje fica difícil separar os acontecimentos reais do imaginário de seus devotos, espalhados pelo mundo todo. Muito venerada, o seu nome se tornou uma escolha comum no batismo, e em sua honra muitas igrejas, capelas e localidades são dedicadas, no Oriente e no Ocidente. O Brasil a homenageou com o Estado de Santa Catarina, cuja população a festeja como sua celestial padroeira.

Alguns textos escritos entre os séculos VI e X , que se reportam aos acontecimentos do ano 305, tornaram pública a empolgante figura feminina de Catarina. Descrita como uma jovem de dezoito anos, cristã, de rara beleza, era filha do rei Costus, de Alexandria, onde vivia no Egito. Muito culta, dispunha de vastos conhecimentos teológicos e humanísticos. Com desenvoltura, modéstia e didática, discutia filosofia, política e religião com os grandes mestres, o que não era nada comum à uma mulher e jovem, naquela época. E fazia isso em público, por isso era respeitada e famosa, pelos súditos da corte que seria sua por direito.

Entretanto esses eram tempos duros do imperador romano Maximino, terrível perseguidor e exterminador de cristãos. Segundo os relatos a história do martírio da bela cristã teve início com a sua recusa ao trono de imperatriz. Maximino se apaixonou por ela, e precisava tirá-la da liderança que exercia na expansão do cristianismo. Tentou, oferecendo-lhe poder e riqueza materiais. Estava disposto a divorciar-se para se casar com ela, contanto que passasse a adorar os deuses egípcios.

Catarina recusou enfaticamente, ao mesmo tempo tentou convertê-lo, desmistificando os deuses pagãos. Sem conseguir discutir com a moça, o imperador chamou os sábios do reino para auxilia-lo. Eles tentaram defender suas seitas com saídas teóricas e filosóficas, mas acabaram convertidos por Catarina. Irado, Maximino condenou todos ao suplício e à morte. Exceto ela, para quem tinha preparado algo especial.

Mandou torturá-la com rodas equipadas com lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Com os olhos elevados ao Senhor, rezou e fez o sinal da cruz, então ocorreu o prodígio: o aparelho desmontou. O imperador transtornado levou-a para fora da cidade e comandou pessoalmente a sua tortura, depois mandou decapitá-la. Ela morreu, mas outro milagre aconteceu. O corpo da mártir foi então levado por anjos para o alto do Monte Sinai. Isso aconteceu em 25 de novembro de 305.

Contam-se aos milhares as graças e os milagres acontecidos naquele local por intercessão de Santa Catarina de Alexandria. Passados três séculos, Justiniano imperador de Bizâncio, mandou construir o Mosteiro de Santa Catarina e a Igreja onde estaria sepultura no Monte Sinai. Mas somente no século VIII conseguiram localizar o seu túmulo, difundindo ainda mais o culto entre os fieis do Oriente, e do Ocidente, que a celebram no dia de sua morte.

Ela é padroeira da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, dos estudantes, dos filósofos e dos moleiros – donos e trabalhadores de moinho. Santa Catarina de Alexandria integra a relação dos catorze santos auxiliares da cristandade.

24/11 – Ana Maria Sala e Santo André Dung-Lac e companheiros

ana-maria-salaAna Maria Sala

Nasceu em Brívio, Itália, em 21-4-1829, o quarto entre 8 filhos, de pais profundamente cristãos e de elevadas condições econômicas. Pela sua brilhante inteligência boa disposição para os estudos, com 11 anos foi internada num colégio das irmãs Marcelinas, em Milão, de recente fundação. Em 1846 obteve o diploma de 1º grau e voltou para a família, onde foi o anjo consolador dos seus caros, sobretudo por ocasiào de uma doença da mãe e um calapso financeiro do pai. Nesse ínterim se prodigalizava no apostolado entre as crianças da paróquia, os doentes e os carentes. Depois para entrar no nascente Instituto das irmãs Marcelinas, fundado pelo sacedote LuísBiraghi(1801-1879) em 1848 na casa de Vimercate.

Sua índole equilibrada se adaptava muito bem á vida mista querida pela regra do instituto: intensa vida interior e férvida ação apostólica entre asalunas. Em1852 pronuncio os votos perpétuosna primeira profissão pública das Marcelina. foi em segunda enviada como professora de 1º grau e de música a vários lugares. Em 1859 foi escolhida pra a assisténcia aos feridos na guerra de independência da Itália no hospital militar de São Lucas. Em 1865 superdu os difíceis exames exigidos pelo novo governo italiano. Brilharam então sua inteligência e cultura. Em 1878, deixando Genova, onde tinha passado 9 anos num apostolado eficaz, voltou para Milão como assistente e professora nos cursos superiores, aí permanecendo até a data de sua morte. Um doloroso carcinoma na garganta não a fez diminuir a intensa atividade nos múltiplos encargos. Morreu em 24 de novembro de 1891, circuidada pela fama de santidade e deixando copiosos frutos no seu apostolado. Foi professora da mãe de Paulo VI.

santo-andre-dung-lac-e-companheirosSanto André Dung-Lac e companheiros

A evangelização do Vietnã começou no século XVI, através de missionários europeus de diversas ordens e congregações religiosas. São quatro séculos de perseguições sangrentas que levaram ao martírio milhares de cristãos massacrados nas montanhas, florestas e em regiões insalubres. Enfim, em todos os lugares onde buscaram refúgio. Eram bispos, sacerdotes e leigos de diversas idades e condições sociais, na maioria pais e mães de família e alguns deles catequistas, seminaristas ou militares.

Hoje homenageamos um grupo de cento e dezessete mártires vietnamitas, beatificados no ano jubilar de 1900, pelo Papa Leão XIII. A maioria viveu e pregou entre os anos 1830 e 1870. Dentre eles muito se destacou o padre dominicano André Dung-Lac, tomado como exemplo maior dessas sementes da Igreja católica vietnamita.

Filho de pais muito pobres, que o confiaram desde pequeno à guarda de um catequista, ordenou-se sacerdote em 1823. Durante seu apostolado foi cura e missionário em diversas partes do país. Também foi salvo da prisão diversas vezes, graças a resgates pagos pelos fiéis, mas nunca concordou com esse patrocínio.

Uma citação sua mostra claramente o que pensava destes resgates: “Aqueles que morrem pela fé sobem ao céu. Ao contrário, nós que nos escondemos continuamente gastamos dinheiro para fugir dos perseguidores. Seria melhor deixar-nos prender e morrer”. Finalmente, foi decapitado em 24 de novembro de 1839, em Hanói, Vietnã.

Passada esta fase tenebrosa, veio um período de calma que durou cerca de setenta anos. Os anos de paz permitiram à Igreja que se reorganizasse em numerosas dioceses que reuniam centenas de milhares de fiéis. Mas os martírios recomeçaram com a chegada do comunismo à região.

A partir de 1955, os chineses e os russos aniquilaram todas as instituições religiosas, dispersando os cristãos, prendendo, condenando e matando bispos, padres e fiéis, de maneira arrasadora. A única fuga possível era através de embarcações precárias que sucumbiam nas águas que poderiam significar a liberdade, mas que levavam invariavelmente à morte.

Entretanto o Evangelho de Cristo permaneceu no coração do povo vietnamita, pois, quanto mais perseguido maior se tornou seu fervor cristão, sabendo que o resultado seria um elevadíssimo número de mártires. O Papa João Paulo II em 1988 inscreveu esses heróis de Cristo no Livro dos Santos da Igreja, para serem comemorados juntos e como companheiros de Santo André Dung-lac, no dia de sua morte.

23/11 – São Clemente I e São Columbano

sao-clemente-iSão Clemente I

Clemente foi o quarto Papa da Igreja de Roma, ainda no primeiro século. Vivia em Roma e foi contemporâneo de São João Evangelista, São Felipe e São Paulo, do segundo era um de seus colaboradores e do último, um discípulo. Depois, inclusive, Paulo o citou em seus escritos. A antiga tradição cristã o apresenta como filho do senador Faustino da família Flavia, parente do imperador Domiciano. Mas foi o próprio Clemente que registrou sua história, ao assumir o comando da Igreja, sabendo do perigo que o cargo representava para sua vida. Pois era uma época de muitas perseguições aos seguidores de Cristo.

Governou a Igreja por longo período, do ano 88 ao 97, no qual levou avante a evangelização com firmemente centrada nos princípios da doutrina. Enfrentou as divisões internas que ocorriam. Foi considerado o autor da célebre Carta anônima enviada aos coríntios, que não seguiam as orientações de Roma e pretendiam se desligar do comando único da Igreja. Através da Carta, Clemente I os animou a perseverarem na fé, na caridade ensinada por Cristo e participarem da união com a Igreja.

Restabeleceu o uso da Crisma, seguindo a tradição de São Pedro e instituiu o uso da expressão “Amém” nos ritos religiosos. Com sua atuação séria e exemplar converteu até Domitila, irmã do imperador Domiciano, também seu parente. Fato que ajudou muito para amenizar a sangrenta perseguição aos cristãos. Graças a Domitila muitos deixaram de sofrer ou, pelo menos, tiveram nela uma fonte de conforto e solidariedade.

Clemente I expandiu muito o cristianismo, assustando e preocupando o então imperador Nerva, que o exilou na Criméia. A essa altura assumiu como Papa, Evaristo. Enquanto nas terras do exílio Clemente I encontrou mais milhares de cristãos condenados aos trabalhos forçados nas minas de pedra. Passou a encoraja-los de perseverarem na fé e converteu muitos outros pagãos.

A notícia chegou ao novo imperador Trajano que irritado, primeiro ordenou que ele prestasse sacrifício aos deuses. Depois, como recebeu a recusa, mandou joga-lo no mar Negro com uma âncora amarrada no pescoço. Tudo aconteceu no dia 23 de novembro do ano 101, como consta do Martirologio Romano.

O corpo do Santo Papa Clemente I, no ano 869, foi levado para Roma pelos irmãos missionários Cirilo e Metódio, também venerados pela Igreja, e entregue ao Papa Adriano II. Em seguida numa comovente solenidade conduzido para o definitivo sepultamento na igreja dedicada à ele. Na cidade de Collelungo, nas ruínas da propriedade de Faustino, seu pai, foi construída uma igreja dedicada à São Clemente I. A sua celebração ocorre no dia da sua morte.

sao-columbanoSão Columbano

São Comumba nasceu em 528, fez a sua preparação humanística e religiosa em um mosteiro da Irlanda do Norte, em Bangor, sob a direção de São Comgall. É o período em que a Irlanda, chamada “a ilha dos santos”, conta com riquíssima proliferação de santos missionários. Com São Colombano partiram para a Europa um grupo de seis discípulos para aí difundir a vida monástica irlandesa: São Quiliano em Arras, São Gallo no lago de Constância, onde a célebre abadia por ele fundada perpetua o seu nome, São Fursy em Peronne, São Romualdo em Malines, São Livino em Gand, São Virgílio em Salisburgo.

São Columbano teve o apelido de “gigante da estatra européia”. Foi missionário movido por autêntico espírito apostólico e por grande caridade, embora seu temperamento fosse julgado extremamente duro. Foi expulso de Luxeuil, por causa da sua inflexibilidade, pela avó do jovem rei Thierri, que sucedeu ao magnânimo Contramo. Antes de embarcar de Nantes escreveu uma bela carta aos seus monges com frases ardentes como esta: “Se tirarem a liberdade de alguém, tiram-lhe a dignidade”. Na Itália, onde o rei longobardo Agilulfo e a rainha Teodolinda permitiram-lhe fundar o mosteiro de Bobbio, em 614. Morreu no ano 615.

22/11 – Santa Cecília

santa-ceciliaSanta Cecília

Certa vez o cardeal brasileiro D, Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “a música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. Podemos dizer que na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir Santa Cecília.

A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma à Deus. Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar música, principalmente a sacra, filosofia e o Evangelho. Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da corte, para ser esposa de Cristo, pelo voto secreto de virgindade. Os pais acreditando que ela mudaria de idéia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com o voto.

Após as núpcias, Cecília contou ao marido, que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse ainda que para isso estava sob a guarda de um anjo.Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza. Mas para isso queira ver esse anjo. Ela o aconselhou a visitar o Papa Urbano, que devido à perseguição estava refugiado nas catacumbas. O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e no final se converteram e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e ao seu lado estava o anjo de guarda.

Entretanto a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado, chegou as autoridades romanas. Os três foram presos, ela em sua casa, os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, se recusaram a renegar a fé, foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio, por último, Cecília.

O prefeito de Roma falou com ela em consideração à família ilustres que pertencia, e exigiu que abandonassem a religião, sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete, para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa. Então foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida ficou no chão, três dias. Durante os quais, animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.

O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires sepultadas alí foram trasladadas para as inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas no terreno do seu antigo palácio foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro, já no século VI.

Entre os anos 817 e 824, o Papa Pascoal I teve uma visão de Santa Cecília e o seu caixão encontrado e aberto. Quando então se constatou que seu corpo permanecera intacto. Depois, fechado e colocado numa urna de mármore sob o altar daquela igreja dedicada à ela. Outros séculos se passaram. Em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e viu-se o corpo permanecia da mesma forma.

A devoção à sua santidade avançou pelos séculos sempre acompanhada de incontáveis milagres. Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fieis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da missa e desde o século XV é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

21/11 – Apresentação de Nossa Senhora no Templo e Santo Gelásio I

apresentacao-de-nossa-senhora-no-temploApresentação de Nossa Senhora no Templo

A Memória que a Igreja celebra hoje não encontra fundamentos explícitos nos Evangelhos Canônicos, mas algumas pistas no chamado Proto-evangelho de Tiago, Livro de Tiago, ou ainda, História do nascimento de Maria. A validade do acontecimento que lembramos possui real alicerce na Tradição que a liga à Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, construída em 534, perto do templo de Jerusalém.

Os manuscritos não canônicos, contam que Joaquim e Ana, por muito tempo não tinham filhos, até que nasceu Maria, cuja infância se dedicou totalmente, e livrimente a Deus, impelida pelo Espírito Santo desde sua concepção imaculada. Tanto no Oriente, quanto no Ocidente observamos esta celebração mariana nascendo do meio do povo e com muita sabedoria sendo acolhida pela Liturgia Católica, por isso esta festa aparece no Missal Romano a partir de 1505, onde busca exaltar a Jesus através daquela muito bem soube isto fazer com a vida, como partilha Santo Agostinho, em um dos seus Sermões:

” Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação; criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Fez Maria totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade em ser discípula do que mãe de Cristo. E assim Maria era feliz porque já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente “.

santo-gelasio-iSanto Gelásio I

Nascido em Roma, Gelásio era de origem africana, culto, inteligente e dotado de personalidade forte. Cristão fervoroso, era conselheiro do Papa Félix III, que vinha tentando conciliar as Igrejas do Ocidente e a do Oriente. Em 492, com a morte do Papa, ele foi eleito sucessor e dar continuidade à essa política. Mas não conseguiu devido a oposição do imperador Anastácio I.

Papa Gelásio I muito fez para a manutenção da doutrina recebida dos apóstolos, combatendo e tentando eliminar as heresias dos sacerdotes Mane e Pelágio. Foi o primeiro pontífice a expressar a máxima autoridade do Bispo de Roma sobre toda a Igreja. Deixou isso claro em uma carta escrita por ele a Anastácio I, na qual se faz uma nítida distinção entre poder político e poder religioso.

Também desenvolveu um grande trabalho de renovação litúrgica. Organizou e presidiu o sínodo de 494, no qual saiu aprovada a grande renovação litúrgica da Igreja. Assim, ele instituiu o Sacramentário Gelasiano para uniformizar as funções e ritos das várias Igrejas. Trata-se do decreto que levou o seu nome, contendo cerca de cinqüenta prefácios litúrgicos, uma coletânea de orações para recitar durante a missa. Atualmente, esse e os outros decretos que assinou, fazem parte do acervo do Museu Britânico.

Papa Gelásio I viveu em oração e insistia que seus clérigos fizessem o mesmo. Segundo Dionísio, o Pequeno, ele procurou, mais servir do que dominar e morreu pobre depois de enriquecer os necessitados. Por sua caridade, foi chamado “Papa dos pobres”. Morreu em 21 de novembro de 496, em Roma.

20/11 – Santos Otávio, Solutor e Aventor e São Felix de Valois

santos-otavio-solutor-e-aventorSantos Otávio, Solutor e Aventor

Conforme o Martirológio Romano, na data de 20 de novembro é festajados em Turim os Santos mártires Otávio, Solutor e Aventor, soldados da legião tebana, os quais sob o imperador Maximiano, combatendo valorosamente, foram coroados pelo martírio.” O inciso “combatendo valorosamene” refere-se evidentemente à sua declaração de serem cristãos, e portanto à sua vontade de permanecerem fiéis à profissão de fé cristã, não obstante o clima de perseguição instaurado por Maximiano, o feroz colega do imperador Diocleciano.

Os nossos três santos, a paixão do século V narrava que tinham conseguido escapar do massacre geral de Agaunum, porém, a fuga teria sido descoberta e foram imediatamente seguidos. A caçada terminou nas proximidades de Turim: Aventor e Otávio, alcançados, foram trucidados no local. Solutor, talvez porque mais jovem e ferido levemente, conseguiu prosseguir na fuga. Chegando às margens de Dora Riparia, encontrou refúgio numa gruta de areia. Uma vez descoberto também foi decapitado bem no meio de um pântano.

Uma piedosa cristã e matrona romana, Juliana , conseguiu recuperar o seu corpo, como já havia recuperado os corpos de Aventor e Otávio. Sepultados nas vizinhanças de Turim, construiu sobre os sepulcros uma das células oratórias, isto é, uma capelinha que mais tarde foi ampliada em basílica pelo bispo Vítor, no fim do século V. Mais tarde o Bispo Gesão renovou a Basílica e incorporou-a ao Mosteiro Beneditino dedicado a São Solutor. Quando os franceses ordenaram a demolição do mosteiro em 1536, os corpos dos três mártires foram transferidos para a Consolata e finalmente em 1575 foi levantada a Igreja dos Mártires, que ainda hoje hospeda suas relíquias.

sao-felix-de-valoisSão Felix de Valois

Nasceu em Amiens , França em 1127 e morreu em 1212 sendo o seu culto aprovado pelo Papa Alexandre VII em 1666. Foi co-fundador da Ordem da Santíssima Trindade (os Trinitários) para o Resgate de Escravos.

No começo do século 12, o distrito de Somme e Aisle na França era governado pelo Conde Raul de Vermandois e de Valois , príncipe da Casa dos Capet e Carlosmagno. Sua esposa Alienor de Champagne era também da casa de Carlosmagno. Em 19 de abril de 1127 ela deu a luz a um filho que foi batizado com o nome de Hugo em homenagem ao seu avô, o filho de Henry I, Rei de França.

O jovem Hugo foi enviado para a Abadia de Clairaux para ser educado .Ele foi também apresentado ao Papa Inocêncio II. Com 20 anos ele saiu numa cruzada ,mais foi incógnito para não ser tratado de modo diferente. Três anos mais tarde ele retornou viajou pela Itália e foi ser um eremita no norte da Itália ou perto de Clermont d’Oise. Para evitar ser reconhecido ele mudou o nome para Felix e se tornou um sacerdote.

Em 1193 ele estava vivendo em extrema solidão perto de Motigny quando recebeu a visita de São João de Matha que havia acabado de se diplomar na Universidade de Paris. Eles se tornaram amigos e João ficou com Felix e eles formaram uma pequena comunidade junto com outros discípulos.

Um dia em 1197, uma corsa branca, que vinha com freqüência beber água em um fonte onde os eremitas tiravam sua água, apareceu com uma cruz vermelha e azul entre os chifres. João lembrou da visão que havia tido durante a sua primeira missa, quando ele viu um anjo vestido de branco com uma cruz vermelha e azul em seu peito. Ambos ele e Felix sabiam que a corsa era um sinal de Deus e que eles deveriam seguir em frente com os planos que haviam discutidos. Este plano era fundar um Ordem Religiosa dedicada a resgatar os escravos cristãos que eram capturados pelos Mouros durante as cruzadas.

Juntos, eles apresentaram seu plano em Roma ao Papa Inocencio III, o qual não só deu sua aprovação mas deu aos fundadores o hábito da Ordem: branco com uma cruz vermelha e azul. João e Felix retornaram a França e a sua comunidade foi renomeada de Cerfroid em homenagem a corsa.

Em 3 de fevereiro de 1198 o Papa Inocencio III enviou uma carta ao Irmão João, ministro da casa da “Santa Trindade de Cerfroid ” e a todos os irmãos trinitários presentes e futuros. A carta dizia chamava ainda a “Jovem Ordem da Santíssima Trindade para o Resgate de Cativos”.

A carta ainda mencionava que a propriedade tinha sido dada a Ordem por Roger de Catillon e Margarite de Bourgogne, uma nobre dama de Paris.

Em 16 de maio de 1198 o Papa enviou outra carta a respeito da propriedade. Em 17 de dezembro de 1198, outra carta chegou aprovando o texto da Constituição da nova Ordem e as Regras da Ordem Enquanto isso o Rei de França também dava a sua aprovação a nova Ordem.

João deixou Cerfroid para começar o trabalho de resgatar os cativos, estabelecendo um monastério em Roma. Felix ficou como Supervisor Geral em Cerfroid, mas mais tarde foi para Paris para estabelecer o hospital da Ordem em Saint Mathum o qual havia sido doado a eles. Como resultado , membros da ordem eram popularmente chamados de Mathurinos ou de “frades dos jumentos” viso que eles sempre usavam esse meio de transporte.

Na noite de 8 de setembro de 1212, embora o sacristão de Cerfroid ter esquecido de bater o sino da manhã (geralmente as 3 da madrugada) Felix desceu para a Igreja como de costume e encontrou a Virgem Maria e anjos, todos eles usando o habito da Ordem. Diz a tradição que houve outros milagres mas somente este está registrado pelo Padre Calisto, trinitário de Cerfroid.

Alguns dias mais tarde João de Matha retornou a Cerfroid para ver seu velho amigo mas ficou apenas alguns dias e em 4 de Novembro de 1212 Felix morreu com a idade de 85 anos.

Ele teria sido enterrado em Cefroid. A grande reputação de sua santidade e de milagres reportados em sua tumba fez com que o Papa Urbano IV o canonizasse em 1 de maio de 1262.

Mas em 1631 os trinitários tentaram receber a permissão para celebrar as festas dos santos Felix e João liturgicamente na França e na Espanha (como seus irmãos na Inglaterra haviam conseguido desde 1308), mas como o Concilio de Trent havia estabelecido controles restritivos dessas celebrações eles não receberam permissão. A Bula papal de canonização de Felix do Papa Urbano IV também havia se perdido, assim os trinitários começaram a colher novos dados.

Eles encontraram os “canons “de Meaux invocando São Felix desde 1219, em 1291 Capelão Geral fixou o dia de sua festa e em 1308 o provincial da Inglaterra recebeu os ofícios da missa do Papa João XXII. Havia bastante documentos para convencer ao Papa Alexandre VII a confirmar o culto em 21 de outubro de 1666. Mas, 5 anos mais tarde o Sagrado Colégio dos Ritos ainda não havia adicionado Felix e João na Martirologia Romana, e apenas com a intercessão do Rei Louis XIV da França e Philip V da Espanha a favor de Felix de Valois, fez com que o Papa Inocencio XII estendesse as festas de São Feliz e São João da Matha a toda Igreja católica em 1694.

Os resto mortais de São Felix foram perdidos. Em 1705 foram feitas pesquisas em Cerfroid para se encontrar ossos e nenhuma relíquia de qualquer tipo foi encontrada.

Devido a estas inconsistências, em 1969/70 o culto a São Felix ficou restrito a um culto local.

São Felix é mostrado na arte litúrgica da Igreja como um velho com o habito trinitários com correntes ou cativos ao seu lado, ou 2) perto de uma fonte onde uma corça bebe água ou 3) com um corsa com uma cruz nos chifres. Ele é venerado em Meaux e Valois.

Sua festa é celebrada no dia 20 de novembro.

19/11 – Santo Rafael de São José e São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigues e São João del Castilho

santo-rafael-de-sao-jose1Santo Rafael de São José

Nascido no dia primeiro de setembro de 1835, em Vilna, antiga Lituânia, atual Polônia. Era filho do casal André e Josefina, ambos de famílias nobres. Foi batizado com o nome de José e educado pelos pais dentro da religião cristã. Aos oito anos ingressou no Instituto para os Nobres, da sua cidade natal, onde seu pai era professor e diretor.

Na juventude pensava em cursar estudos superiores, o pai lhe sugeriu que freqüentasse a universidade de agronomia, mas ele preferiu estudar engenharia civil. Em 1852 foi para a Russia, ficou durante dois anos, mas não conseguiu vaga na unversidade de Petersburgo, Então, matriculou-se na Escola Militar de Engenharia.

A sua fé durante a vida juvenil decorreu à sombra do Santuário de Nossa Senhora do Carmo. Era um aluno brilhante, mas estudando perdeu a fé. Em 1855, terminado o curso básico, foi admitido para a Academia Militar Superior. Seus dotes morais e sua inteligência realmente eram muito evidenciados Atingiu altos postos na carreia militar, apesar de que não era essa vida que pretendia, mas a Providência Divina o guiava nessa direção.

Em janeiro de 1863 apesar de ter renunciado, foi convidado para o cargo de Ministro da Guerra da Lituânia. Assumiu, porque havia estourado a guerra contra a Polônia, para lutar pela liberdade do seu povo e nação. Mas ao mesmo tempo também se reconciliou com a fé. Nesse mesmo ano se confessou, comungou e iniciou uma vida de intensa espiritualidade e devoção a Jesus, José e Maria.

Os lituanos foram os perdedores e ele acabou prisioneiro. Foi deportado para a Sibéria, levando consigo apenas o Evangelho, o livro “Imitação de Cristo” e um crucifixo bento, presente de uma de suas irmãs. Foram dez anos no campo de concentração passados nos trabalhos forçados e rezando com seus companheiros.

Libertado e repatriado entrou na Ordem dos Carmelitas Descalços de Graz, aos quarenta e dois anos de idade, em 1877. Vestiu o hábito dos carmelitas e tomou o nome de Rafael de São José, em 1882, quando recebeu a ordenação sacerdotal.

Distinguiu-se no zelo pela unidade da Igreja e no apostolado infatigável do sacramento da reconciliação. Foi trabalhar no convento de Cezerna, na Polônia, país em que fundou diversas comunidades.

O grande restaurou da Ordem dos Carmelitas na Polônia, morreu no dia 15 de novembro de 1907, em Vadovice, cidade natal do Papa João Paulo II, que o canonizou em 1991. A festa em memória a Santo Rafael de São José foi indicada para o dia 19 de novembro.

sao-roque-gonzales-santo-afonso-rodrigues-e-sao-joao-del-castilho1São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigues e São João del Castilho

Missionários martirizados no sul do Brasil em novembro de 1628

Os Santos Mártires Roque, Afonso e João foram os primeiros evangelizadores nas terras do Sul do Brasil. O povo daquelas terras, que hoje fazem parte do estado do Rio Grande do Sul, e portanto do Brasil, nunca esqueceu a memória destes seus primeiros mártires, que semearam o evangelho com seu próprio sangue.

Estes três sacerdotes eram membros da ordem dos Jesuítas, exerceram o seu trabalho missionário junto aos índios Guaranis, no noroeste daquele estado brasileiro.

Pe. Roque Gonzales era filho de uma família de alta posição social de Assunção, Paraguai. Os padres Afonso Rodrigues e João de Castilho vieram como missionários da Espanha.

Depois de fundar numerosas comunidades cristãs, chamadas Reduções, entre os índios no Paraguai e região missioneira da Argentina, entraram em terras do atual Rio Grande do Sul, onde a 3 de maio de 1626 celebraram a primeira missa em terras gaúchas, na localidade de São Nicolau. Depois de dois anos e meio de intenso trabalho missionário, fundando cinco comunidades, ou reduções, foram mortos por um grupo de índios rebeldes à evangelização, liderados pelo cacique-pagé Nheçu. Pe. Roque Gonzales e Pe. Afonso Rodrigues foram mortos na recém fundada redução de Caaró, no dia 15 de novembro de 1628, e o Pe. João del Castilho dois dias mais tarde, em Assunção do Ijuí.

Um índio ainda catecúmeno que se opôs aos assassinos também foi trucidado junto aos missionários em Caaró: é Cacique Adauto, que um dia talvez poderá ter seu nome acrescentado aos dos nossos mártires canonizados.
Em Caaró, município de Caibaté, se encontra o principal Santuário de veneração dos Santos Mártires, visitado permanentemente por caravanas de romeiros. Ali se realiza cada ano uma grande romaria, no 3º domingo de novembro.
Aos 28 de janeiro de 1934 o Papa Pio XI beatificou os Missionários Mártires, e aos 16 de maio de 1988, em visita ao Paraguai, em Assunção, o Papa João Paulo II os canonizou, isto é, declarou Santos!

Oração

“Santos Mártires das Missões: Roque, Afonso e João, anunciastes o Evangelho com espírito profundamente apostólico. Defendestes os Povos Guaranis contra a ganância dos colonizadores. Tombastes como heróicos mártires da Fé e da Justiça.Inspirai-nos também a nós, por intercessão da Virgem Conquistadora, para que animados por vosso testemunho, assumamos conscientemente nossa urgente missão, promovendo a nova evangelização e a ajuda solidária, entre todos, cultivando sólidas vocações missionárias: sacerdotais, consagradas e leigas. Assim seja.”

18/11 – Santo Frediano

santo-fredianoSanto Frediano

Frigianu ou Frigdianus, assim os registros antigos indicam seu nome, teria nascido na Irlanda, numa data desconhecida do século IV. Cristão e monge, teria saído de sua terra natal como peregrino e estudante, com destino à Roma. Mais tarde existe a notícia de sua permanência na Itália, nos arredores da cidade Luca, na Toscana, vivendo como ermitão.

A presença do monge foi notada pela população tipicamente rural, sempre castigada pelas enchentes do rio Serchio que ladeava a cidade. A sua vida austera, de trabalho, oração e penitência, somada à sabedoria e cultura, logo se fizeram evidentes. Também sobressaia sua energia e liderança.

O clero local e o povo decidiram que Frediano era o cidadão mais indicado para seu Bispo. Possuía os dotes naturalmente sempre valorizados, e que, especialmente nesse período histórico tão tumultuado do país, eram essenciais. Foi eleito e consagrado Bispo de Luca, em 560. Certamente um fato inusitado.

Utilizou toda a ciência que possuía sobre matemática, engenharia, agricultura e hidrografia, para ajudar a população. A sua ação logo ganhavam fama de prodígio. O mais divulgado, e que o celebrizou, foi o que cita do desvio do curso do rio Serchio e do conseqüente beneficio causado à toda a zona rural de Luca. Segundo a tradição, Frediano traçou com um restelo o novo curso do rio, no qual, por meio de um prodígio, as águas se canalizaram imediatamente.

Conduziu o rebanho de sua diocese com muito zelo e caridade. Sempre cuidando dos pobres, era incansável, na busca de esmolas para construir asilos, creches, hospitais, igrejas e mosteiros. O Bispo Frediano morreu no dia 18 de março de 588.

A partir de então a fama de santidade de Frediano e, o célebre episódio do rio Serchio, se expandiu e a sua devoção se fez ainda mais intensa, após sua morte. Inclusive foi citada no livro “Diálogos”, escrito pelo Papa São Gregório Magno, seu contemporâneo. Também as congregações que se estabeleceram na sua basílica em Luca, difundiram muito seu culto.

Depois o impulso veio do fato que, em pleno período medieval, para evitar saques por parte dos piratas e invasores, o corpo de Santo Frediano, fora sepultado num lugar escondido, no cemitério da igreja. E ele só foi localizado por acaso, muitos meses depois, durante o sepultamento de uma jovem, que quase foi colocada onde era o seu túmulo.

Mas tempos depois, sua obra floresceu da bem antiga e pequena comunidade monástica, dos conhecidos “cônegos de São Frediano”, os quais o Bispo Anselmo de Baggio, quando se tornou Papa Alexandre II indicou para dirigir o mosteiro de São João de Luterano, em Roma.

A sua festa ocorre no dia 18 de novembro, data que recorda o traslado das suas relíquias no século XI, para a atual basílica de São Frediano, em Luca.

17/11 – Santa Isabel da Hungria

santa-isabel-da-hungriaSanta Isabel da Hungria

Isabel da Hungria era princesa, foi rainha e se fez santa. Era a filha do rei André II da Hungria e da rainha Gertrudes de Merano, atual território da Itália. Nasceu no ano de 1207, e naquele momento foi dada como esposa a Luís, príncipe da Turíngia, atual Alemanha. Desde os quatro anos viveu no castelo do futuro marido, onde foram educados juntos.

O jovem príncipe Luís amava verdadeiramente Isabel, que se tornava cada dia mais bonita, amável e modesta. Ambos eram católicos fervorosos. Luís admirava a noiva, amável nas palavras e atitudes, que vivia em orações e era generosa em caridade com pobres e doentes.

A mãe de Luís, não gostava da devoção da sua futura nora, assim tentou convencer o filho de desistir do casamento, alegando que Isabel seria uma rainha inadequada politicamente. A própria corte a perseguia, devido a seu desapego e simplicidade cristã. Mas Luís foi categórico dizendo preferir abdicar do trono a desistir de Isabel. Certamente a amava muito.

No castelo de Wartenburgo, quando atingiu a maioridade ele foi corado rei e se casou com Isabel, que se tornou rainha aos catorze anos de idade. Ela foi a única soberana que se recusou a usar a coroa, símbolo da realeza, durante a cerimônia realizada na Igreja. Alegou que diante do nosso Rei coroado de espinhos, não poderia usar uma coroa tão preciosa. Foi assim, que o então rei Luís IV acompanhou a seu desejo e se tornou rei sem colocar a sua coroa também, diante de Cristo.

Foi um casamento feliz. Ele era sincero, paciente, inspirava confiança e era amado pelo povo. Nunca colocou obstáculos à vida de oração, penitência e caridade da rainha, ao contrário era seu incentivador. Em Marburgo, Isabel construiu, o Hospital de São Francisco de Assis para os pobres e doentes leprosos. Além de ajudar com seu dinheiro muitos asilos e orfanatos, os quais visitava com freqüência.

Depois de seis anos a rainha Isabel ficou viúva, com três filhos pequenos. O rei Luís IV, participando de uma Cruzada morreu antes de voltar para a Alemanha. A partir de então as perseguições da corte contra ela aumentaram. A tolerância quanto à sua caridade e dedicação religiosa, acabou de vez. E o cunhado para assumir o poder, a expulsou do palácio junto com os três reais herdeiros ainda crianças.

Isabel ingressou então na Ordem Terceira de São Francisco e se dedicou à vida de religião e à assistência aos leprosos no hospital ela própria havia construído. Algum tempo depois, entretanto, os cavaleiros que tinham acompanhado o Duque da Turíngia à cruzada voltaram, trazendo seu corpo. Corajosamente enfrentaram os Príncipes, irmãos do duque falecido e exprobaram-lhes a crueldade praticada contra a viúva de seu próprio irmão e contra seus sobrinhos. Os príncipes não resistiram às palavras dos cavaleiros e pediram perdão a Santa Isabel e a restauraram em seus bens e propriedades.

Henrique ficou como Regente de ducado durante a menoridade do sobrinho mais velho, o novo Duque soberano, porém Isabel preferiu viver na pobreza absoluta, o que muito desejava, retirou-se para o Hospital de Marburgo onde prestou assistência direta aos pobres e doentes e onde veio a falecer poucos anos depois, em 1231, com apenas 24 anos e onde foi sepultada com grandes honras. Na Alemanha, também seu marido Ludwig e sua filha Gertrudes são honrados como santos.

Isabel da Hungria faleceu no dia 17 de novembro de 1231, com apenas vinte e quatro anos de idade, em Marburgo, Alemanha. Quatro anos depois, em 1235, foi canonizada pelo Papa Gregório IX. A Ordem Franciscana Secular a venera como sua padroeira na festa celebrada no dia de sua morte.

16/11 – Santa Gertrudes e Santa Margarida da Escócia

santa-gertrudesSanta Gertrudes

A vida contemplativa foi a forma escolhida por Santa Gertrudes para dedicar-se a Deus. Nascida em Eisleben, na Saxônia, em 1256, ao contrário do que alguns historiadores dizem, ela não pertencia à nobreza, mas seus pais eram bem estabelecidos e cristãos fervorosos.

Aos cinco anos de idade foi entregue do mosteiro cisterciense de Helfa, onde cresceu adquirindo grande cultura profana e cristã. Possuidora de grande carisma místico tornou-se religiosa consagrada. Conviveu no mosteiro com a grande mística Matilde de Magdeburgo, mestra de espiritualidade, que escreveu em forma de poesia todas a sua preciosa vivência mística, depois encerrada num livro.

Matilde foi o personagem decisivo na vida interior de muitas jovens que dela se aproximavam. Era uma mestra de uma espiritualidade fortemente ligada ao chamamento místico. Com ela Gertrudes desenvolveu a sua de modo muito semelhante, recebendo, em seguida, através de suas orações contemplativas muitas revelações de Deus.

A partir dos vinte e cinco anos de idade teve a primeira das visões que, como ela mesma narrou, transformaram sua vida. Toda a sua rica experiência transcreveu e reuniu no livro “Mensageiro do Divino amor”, talvez a mais importante obra cristã tendo como temática a teologia mística. Nele ela também conta que constantemente era tomada por arrebatamentos sublimes e tristezas profundas advindas do estudo da Palavra.

Essa notável mística cristã do período medieval foi uma das grandes incentivadoras da devoção ao Coração de Jesus. Culto que alcançaria enorme expansão no futuro, com Santa Margarida Maria Alaquoque, no século XVII. Mais tarde foi eleita abadessa, cargo que exerceu até o fim de seus dias. Adoeceu e sofreu muitas dores físicas por mais de dez anos até ir comungar com seu amado esposo, Jesus, na casa do Pai, em 1302.

A tradicional festa em sua memória, no dia 16 de novembro, foi autorizada e mantida nessa data pelo Papa Clemente XII, em 1738.

santa-margarida-da-escociaSanta Margarida da Escócia

Uma rainha tão boa para os súditos que, embora estrangeira, foi profundamente amada por eles. Uma mulher tão cheia de fé que soube mostrar como uma coroa real pode unir-se à coroa da fé. Através do exemplo de sua vida pessoal levou um país inteiro ao cristianismo, desde a sua época até hoje. Assim foi a rainha Margarida, a Santa protetora do povo escocês.

Nascida em 1046, na Hungria, era uma mulher da nobreza, de grande devoção cristã, culta, inteligente, e possuidora de uma sutil e fina diplomacia. As questões políticas a levaram a se asilar na Escócia, onde conheceria seu futuro marido. Sua mãe Águeda, irmã da rainha da Hungria, descendia de Santo Estevão e de Eduardo, pretendente ao trono da Inglaterra, expulso pelo usurpador rei Canuto. Numa época tão conturbada, mesmo depois da morte desse último, somente a Escócia conseguiu dar abrigo seguro à essa família real, para escapar de atentados fatais.

Não demorou muito para que o rei Malcom III se encantasse com a sua delicada e nobre figura, de personalidade forte e frágil ao mesmo tempo, e a pediu em casamento. Margarida tinha então vinte e três anos e aceitou, porque assim agindo compreendeu que poderia melhor levar a mensagem de Cristo ao povo escocês, ainda pagão.

Seu marido não era uma pessoa má, nem violenta, mas sim um pouco rude e ignorante. Não sabia ler, por isso tinha grande respeito por sua mulher instruída. Beijava o livro de orações que ela lia junto dele com devoção e sempre pedia seus conselhos. A rainha pacientemente e pouco a pouco o alfabetizou, sem nunca se sobrepor à sua autoridade. Ela era discreta, modesta e humildemente respeitosa à sua condição de chefe de um povo e uma nação. Quando o rei Malcom III foi tocado pela fé, se converteu e foi batizado.

Essa atitude do rei mudou completamente os destinos do país, pois o povo também se converteu. O casal teve oito filhos, seis homens e duas mulheres, que receberam instrução e educação cristã necessária aos nobres. O rei, também passou a ter uma visão cristã na compreensão dos problemas de seus súditos, e os tratou com total consideração, respeito, bondade e justiça.

No palácio, a rainha continuou a partilhar diariamente em sua própria mesa com órfãos, viúvas, vinte e velhos desamparados. O rei compartilhava dessa alegria e das obras beneficentes em socorro e amparo aos excluídos. Fundaram muitas igrejas, mosteiros e conventos. Segundo a história da Escócia, foi um período de reinado, justo, próspero e feliz para o povo e para a nação.

A rainha Margarida tinha apenas quarenta e seis anos quando foi acometida de grave doença. E resistiu pouco tempo depois que recebeu notícia de morte do seu marido e do filho mais velho, que caíram combatendo no castelo de Aluwick. Morreu no dia 16 de novembro de 1093, na cidade de Edimburgo, e foi sepultada em Dunferline, Escócia.

Venerada ainda em vida pela santidade, foi canonizada em 1251 pelo Papa Inocêncio IV. O culto que celebra Santa Margarida da Escócia com grande festa ocorre no dia de sua morte, em todo o mundo católico.