Liturgia diária – 25/03/2012

Dia 25 de Março – Domingo

V DOMINGO DA QUARESMA (Roxo, Creio – I Semana do Saltério)

Antífona da entrada: A mim, ó Deus, fazei justiça, defendei a minha causa contra a gente sem piedade; do homem perverso e traidor, libertai-me, porque sois, ó Deus, o meu socorro (Sl 42,1s).
Oração do dia
Senhor nosso Deus, dai-nos, por vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Jeremias 31,31–34)
Leitura do livro do profeta Jeremias. 31 31 Dias hão de vir – oráculo do Senhor – em que firmarei nova aliança com as casas de Israel e de Judá. 32 Será diferente da que concluí com seus pais no dia em que pela mão os tomei para tirá-los do Egito, aliança que violaram embora eu fosse o esposo deles. 33 Eis a aliança que, então, farei com a casa de Israel – oráculo do Senhor: Incutir-lhe-ei a minha lei; gravá-la-ei em seu coração. Serei o seu Deus e Israel será o meu povo. 34 Então, ninguém terá encargo de instruir seu próximo ou irmão, dizendo: Aprende a conhecer o Senhor, porque todos me conhecerão, grandes e pequenos – oráculo do Senhor -, pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 50/51
Criai em mim um coração que seja puro.
Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado e apagai completamente a minha culpa!
Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.
Leitura (Hebreus 5,7-9)
Leitura da carta aos Hebreus. 5 7 Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. 8 Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. 9 E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem. Palavra do Senhor.
Evangelho (João 12,20-33)
Glória a vós, ó Cristo, verbo de Deus. Se alguém me quer servir, que venha atrás de mim; e, onde eu estiver, ali estará meu servo (Jo 12,26). Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. Naquele tempo, 12 20 havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa. 21 Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: “Senhor, quiséramos ver Jesus”. 22 Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor. 23 Respondeu-lhes Jesus: “É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. 24 Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. 25 Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. 27 Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi? Pai, salva-me desta hora. Mas é exatamente para isso que vim a esta hora. 28 Pai, glorifica o teu nome!” Nisto veio do céu uma voz: “Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo”. 29 Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe. 30 Jesus disse: “Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa. 31 Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. 32 E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim”. 33 Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Os Evangelhos são coletâneas de memórias de Jesus de Nazaré, elaboradas em meio às primeiras comunidades de discípulos, principalmente aquelas vinculadas a Jerusalém, oriundas do judaísmo. Estas memórias foram surgindo de acordo com as expectativas tradicionais do Primeiro Testamento, voltadas para o messias glorioso e poderoso. Após a morte de Jesus, este messias foi projetado no Cristo ressuscitado. Em conseqüência, os Evangelhos, escritos algumas décadas após a morte de Jesus, interpretam sua vida sob a ótica do ressuscitado. Assim, nas falas de Jesus foram inseridas referências a sua própria morte e ressurreição. Filipe e André, bem como seu irmão Pedro, eram de Betsaida, cidade de cultura predominantemente grega, situada ao norte do Mar da Galiléia. Alguns gregos, provavelmente seus conhecidos, se aproximam manifestando o desejo de ver Jesus. Evidencia-se como os gregos se interessaram em participar da vida que ele comunica. É o testemunho de que existiam comunidades de discípulos de Jesus no mundo gentílico, fora da infl uência do judaísmo. Jesus afi rma que chegou a hora da sua glorifi cação. É a glória do Filho do homem (o humano), e não do messias poderoso. A glória de Jesus é sua missão levada até o fim com os frutos do anúncio e a comunicação da vida eterna (“salvação eterna”, conforme a teologia sacrifi cal da carta aos hebreus – segunda leitura) a todos os povos, sem restrições étnicas, nacionalistas, ou de particularidades religiosas. Os discípulos são convidados a dedicar a vida a esta missão do anúncio da esperança e à comunicação de amor e vida, que é a glória de Deus. A “lei no coração” anunciada por Jeremias (primeira leitura) é o mandamento do amor comunicado por Jesus, que une a todos e traz a paz.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Deus todo-poderoso, concedei aos vossos filhos e filhas que, formados pelos ensinamentos da fé cristão, sejam purificados por este sacrifício. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Em verdade, em verdade eu vos digo, se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas, se morrer, produzirá muitos frutos (Jo 12,24s).
Depois da comunhão
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que sejamos sempre contados entre os membros de Cristo, cujo Corpo e Sangue comungamos. Por Cristo, nosso Senhor.

Liturgia diária – 18/03/2012

Dia 18 de Março – Domingo

IV DOMINGO DA QUARESMA (Roxo, Creio – IV Semana do Saltério)

Antífona da entrada: Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações (Is 66,10s)
Oração do dia
Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam cheio de fervor exultando de fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (2 Crônicas 36,14-16.19-23)
Leitura do livro das Crônicas. 36 14 Todos os chefes dos sacerdotes e o povo continuaram a multiplicar seus delitos, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs e profanando o templo que o Senhor tinha consagrado para si em Jerusalém. 15 Em vão o Senhor, Deus de seus pais, lhes tinha enviado, por meio de seus mensageiros, avisos sobre avisos, pois tinha compaixão de seu povo e de sua própria habitação; 16 eles zombavam de seus enviados, desprezavam seus conselhos e riam de seus profetas, até que a ira de Deus se desencadeou sobre o seu povo, e não houve mais remédio. l9 Incendiaram o templo, destruíram os muros de Jerusalém, entregaram às chamas seus palácios e todos os tesouros foram lançados à destruição. 20 Nabucodonosor deportou para Babilônia todos os que tinham escapado à espada, e eles se tornaram seus escravos, dele e de seus filhos, até o advento do domínio persa. 21 Assim se cumpria a profecia que o Senhor tinha dado pela boca de Jeremias: “Até que a terra desfrutasse os seus sábados, pois a terra ficou inculta durante todo esse período de desolação, até que se completaram setenta anos”. 22 No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, a fim de que se cumprisse a profecia do Senhor, posta na boca de Jeremias, o Senhor excitou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, e este mandou fazer em todo o seu reino, à viva voz e também por escrito, a proclamação seguinte: 23 Assim fala Ciro, rei da Pérsia: “o Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe construir um templo em Jerusalém, que está na terra de Judá. Todo aquele dentre vós que for de seu povo, esteja seu Deus com ele, e que ele para lá se dirija!” Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 136/137
Que se prenda a minha língua ao céu da boca se de ti, Jerusalém, eu me esquecer! Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião. Nos salgueiros por ali penduramos nossas harpas.
Pois foi lá que os opressores nos pediram nossos cânticos; nossos guardas exigiam alegria na tristeza: “Cantai hoje para nós algum canto de Sião!”
Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão!
Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria!
Leitura (Efésios 2,4-10)
Leitura da carta de são Paulo aos Efésios. 2 4 Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, 5 quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos! -, 6 juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus. 7 Ele demonstrou assim pelos séculos futuros a imensidão das riquezas de sua graça, pela bondade que tem para conosco, em Jesus Cristo. 8 Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. 9 Não provém das obras, para que ninguém se glorie. 10 Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos. Palavra do Senhor.
Evangelho (João 3,14-21)
Louvor e honra a vós, Senhor Jesus. Tanto Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único; todo aquele que crer nele há de ter a vida eterna (Jo 3,16) Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 3 14 “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, 15 para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna. 16 Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. 17 Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18 Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus. 19 Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. 20 Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. 21 Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus”. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Neste texto do Evangelho de hoje, temos a conclusão do diálogo de Jesus com Nicodemos. O evangelista João recorre ao simbolismo da serpente de bronze (cf. Nm 21,9) – a qual, pela fé, libertava das mordidas mortais das serpentes do deserto para aplicá-lo à fé em Jesus, pelo qual se tem a vida eterna. Este diálogo com Nicodemos é um convite à conversão. Coloca em confronto as duas opções: aquele que crê e aquele que não crê, aquele que pratica o mal e ama as trevas e aquele que pratica a verdade e se aproxima da luz. Cabe ao leitor fazer sua opção. Na primeira leitura temos a teologia do castigo e do arrependimento, com a retomada da aliança. Os habitantes de Judá, exilados na Babilônia por Nabucodonosor, após o sofrimento do exílio, encontram a benevolência de Ciro, da Pérsia, o qual os contempla com a reconstrução do templo de Jerusalém. O tema predominante no Evangelho de João é o dom da vida eterna por Jesus. Neste tempo de quaresma, somos convidados à conversão, a nascer do Espírito, a nascer para a liberdade e para o amor, pois para isto fomos feitos (segunda leitura). Pelas obras praticadas em Deus, unimo-nos com Jesus e vivemos com ele na eternidade, na unidade do Pai e do Espírito.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus, concedei-nos venerar com fé e oferecer, pela redenção do mundo, os dons que nos salvam e que vos apresentamos com alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Jerusalém, cidade bem edificada, onde tudo forma uma unidade perfeita; para lá é que sobem as tribos, as tribos do Senhor, para louvar, Senhor, o vosso nome (Sl 121,3s)
Depois da comunhão
Ó Deus, luz de todo ser humano que vem a este mundo, iluminai nossos corações com o esplendor da vossa graça, para pensarmos sempre o que vos agrada e amar-vos de todo o coração. Por Cristo, nosso Senhor.

Liturgia diária – 11/03/2012

Dia 11 de Março – Domingo

III DOMINGO DA QUARESMA (Roxo, Creio – III Semana do Saltério)

Antífona da entrada: Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz.
Oração do dia
Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Êxodo 20,1-17 ou 1-3.7-8.12-17)
Leitura do livro do Êxodo. 1 Então Deus pronunciou todas estas palavras: 2 “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. 3 Não terás outros deuses diante de minha face. 4 Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. 5 Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, 6 mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 7 “Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro. 8 Lembra-te de santificar o dia de sábado. 9 Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. 10 Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. 11 Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou. 12 Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus. 13 Não matarás. 14 Não cometerás adultério. 15 Não furtarás. 16 Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. 17 Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.” Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 18/19
Senhor, tens palavras de vida eterna. A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.
Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.
É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.
Mais desejáveis do que o outro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.
Leitura (1 Coríntios 1,22-25)
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. 1 22 Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; 23 mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; 24 mas, para os eleitos – quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. 25 Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Palavra do Senhor.
Evangelho (João 2,13-25)
Glória e louvor a vós, ó Cristo. Tanto Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único; todo aquele que crer nele há de ter a vida eterna (Jo 3,16). Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. 2 13 Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14 Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. 15 Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. 16 Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes. 17 Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: “O zelo da tua casa me consome”. 18 Perguntaram-lhe os judeus: “Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo?” 19 Respondeu-lhes Jesus: “Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias”. 20 Os judeus replicaram: “Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!” 21 Mas ele falava do templo do seu corpo. 22 Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus. 23 Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia. 24 Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos. 25 Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Em suas cinco visitas a Jerusalém, no Evangelho de João, Jesus denuncia o sistema do templo como negação do projeto de Deus. Com a expressão “a Páscoa dos judeus”, João insinua que esta não é a festa de Jesus. O templo e suas festas apenas servem à teocracia que aí se instalou. Uma das dependências do templo era o Tesouro, onde acumulavam as riquezas obtidas a partir das ofertas, do comércio de animais a serem sacrifi cados e das operações de câmbio de moedas. Jesus denuncia a ambição que reina no templo. O templo de Deus é o próprio Jesus. Pela encarnação de seu Filho, Deus se revela presente em Jesus e em todos, homens e mulheres, criaturas suas. Os templos de pedra estão descartados como lugares da presença de Deus. Eles passam a ser espaços de encontro dos filhos de Deus que se unem em comunidades vivas para dar testemunho do amor e da fraternidade, em uma sociedade na qual é cultivado o ideal do sucesso individual e da ascensão ao poder. Na comunidade solidária para com os empobrecidos e excluídos, dá-se o encontro com Jesus e Deus Pai, no amor. A renúncia ao poder e a opção pelo serviço amoroso à vida são loucura para o mundo (segunda leitura). Na primeira leitura, na proclamação do decálogo, ainda aparece a imagem de um Deus que castiga de geração em geração os que o odeiam e é misericordioso para com os que guardam os mandamentos de sua Lei. Com esta imagem de eleição, os adeptos da Lei se julgam autorizados a exterminar os considerados inimigos. Jesus, com seu amor misericordioso, revela a verdadeira face do Pai, que não quer que ninguém se perca e deseja vida plena para todos.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus de bondade, concedei-nos, por este sacrifício, que, pedindo perdão de nossos pecados, saibamos perdoar a nossos semelhantes. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Até o pássaro encontra um abrigo e a andorinha um ninho para pôr os seus filhotes: nos vossos altares, Senhor do universo, meu rei e meu Deus! Felizes os que habitam em vossa casa: sem cessar podem louvar-vos (Sl 83,4s).
Depois da comunhão
Ó Deus, tendo recebido o penhor do vosso mistério celeste, e já saciados na terra com o pão do céu, nós vos pedimos a graça de manifestar em nossa vida o que o sacramento realizou em nós. Por Cristo, nosso Senhor.

Liturgia diária – 04/03/2012

Dia 4 de Março – Domingo

II DOMINGO DA QUARESMA (Roxo, Creio, Prefácio Próprio – II Semana do Saltério)

Antífona da entrada: Meu coração disse: Senhor, buscarei a vossa face. É vossa face, Senhor, que eu procuro, não desvieis de mim o vosso rosto! (Sl 26,8s)
Oração do dia
Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Gênesis 22,1-2.9-13.15-18)
Leitura do livro do Gênesis. 22 1 Depois disso, Deus provou Abraão, e disse-lhe: “Abraão!” “Eis-me aqui”, respondeu ele. 2 Deus disse: “Toma teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te indicar.” 9 Quando chegaram ao lugar indicado por Deus, Abraão edificou um altar; colocou nele a lenha, e amarrou Isaac, seu filho, e o pôs sobre o altar em cima da lenha. 10 Depois, estendendo a mão, tomou a faca para imolar o seu filho. 11 O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do céu: “Abraão! Abraão!” “Eis-me aqui!” 12 “Não estendas a tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora eu sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu filho único.” 13 Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos; e, tomando-o, ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho. 15 Pela segunda vez chamou o anjo do Senhor a Abraão, do céu, 16 e disse-lhe: “Juro por mim mesmo, diz o Senhor: pois que fizeste isto, e não me recusaste teu filho, teu filho único, eu te abençoarei. 17 Multiplicarei a tua posteridade como as estrelas do céu, e como a areia na praia do mar. Ela possuirá a porta dos teus inimigos, 18 e todas as nações da terra desejarão ser benditas como ela, porque obedeceste à minha voz.” Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 115/116B
Andarei na presença de Deus, junto a ele na terra dos vivos. Guardarei a minha fé, mesmo dizendo: “É demais o sofrimento em minha vida!” É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos.
Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, vosso servo que nasceu de vossa serva; mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor.
Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido; nos átrios da casa do Senhor, em teu meio, ó cidade de Sião!
Leitura (Romanos 8,31-34)
Leitura da carta de são Paulo aos Romanos. 8 31 Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas? 33 Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é quem intercede por nós! Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 9,2-10)
Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória! Numa nuvem resplendente fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu Filho muito amado, escutai-o, todos vós (Lc 9,35). Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos. 9 2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E 3 transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. 4 Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. 5 Pedro tomou a palavra: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 6 Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. 7 Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o”. 8 E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. 9 Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. 10 E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: “Ser ressuscitado dentre os mortos”. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A cena da transfiguração contrasta com a perspectiva de sofrimento e morte que aguarda Jesus em Jerusalém, da parte dos chefes religiosos locais. A narrativa, em estilo apocalíptico, caracterizada por fenômenos espantosos, abalos da natureza, nuvens e voz celestial, que indicam a presença e comunicação de Deus, confirma a fi liação divina de Jesus e seu caráter de enviado para anunciar e instruir a todos. Moisés, representante da Lei, e Elias, representante do profetismo, haviam subido à montanha ao encontro de Deus. Agora, estando Jesus a orar no alto da montanha, Moisés e Elias vêm a ele. O ponto alto é a voz que proclama: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o!”Do ponto de vista de uma interpretação messiânica escatológica, a transfiguração seria o prenúncio da ressurreição, como coroação dos sofrimentos de Jesus em sua Paixão (segunda leitura). A obediência cega à Lei, que exprime a vontade de Javé, é premiada, conforme o modelo de Abraão. Esta concepção é prenhe de violência, particularmente quando a premiação é a conquista das cidades dos inimigos e a supremacia sobre todas as nações da terra (primeira leitura). Sob outro ponto de vista, pode-se ver na transfiguração a revelação da condição divina de Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, na simplicidade de seu convívio entre nós. Os discípulos devem perceber em Jesus a nova condição humana glorificada pela encarnação do Filho de Deus. Não se trata de esperar um messias poderoso, mas, sim, de reencontrar a dignidade e a grandeza da condição humana, em tudo que ela tem de justo, bom, verdadeiro e belo. Ao entrarmos em comunhão de amor com Jesus e com o próximo, Deus é glorificado e nos é comunicada sua vida divina e eterna.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus, que estas oferendas lavem os nossos pecados e nos santifiquem inteiramente para celebrarmos a Páscoa. Por Cristo, nosso Senhor.
Prefácio próprio
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu esplendor. E, com o testemunho da lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará à glória da ressurreição. E, enquanto esperamos a realização plena de vossas promessas, com os anjos e com todos os santos, nós vos aclamamos, cantando (dizendo) a uma só voz…
Antífona da comunhão: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu amor: escutai-o! (Mt 17,5)
Depois da comunhão
Nós comungamos, Senhor Deus, no mistério da vossa glória e nos empenhamos em render-vos graças, porque nos concedeis, ainda na terra, participar das coisas do céu. Por Cristo, nosso Senhor.

Liturgia diária – 26/02/2012

Dia 26 de Fevereiro – Domingo

I DOMINGO DA QUARESMA (Roxo, Creio, Prefácio Próprio – I Semana do Saltério)

Antífona da entrada: Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias (Sl 90,15s).
Oração do dia
Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Gênesis 9,8-15)
Leitura do livro do Gênesis. 9 8 Disse também Deus a Noé e as seus filhos: 9 “Vou fazer uma aliança convosco e com vossa posteridade, 10 assim como com todos os seres vivos que estão convosco: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, desde todos aqueles que saíram da arca até todo animal da terra. 11 Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.” 12 Deus disse: “Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras: 13 Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra. 14 Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, 15 e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura”. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 24/25
Verdade e amor são os caminhos do Senhor.
Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação.
Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão, que são eternas! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limite, ó Senhor!
O Senhor é piedade e retidão e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça e aos pobres e ele ensina o seu caminho.
Leitura (1 Pedro 3,18-22)
Leitura da primeira carta de São Pedro. 3 18 Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados – o Justo pelos injustos – para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. 19 É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, 20 quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água. 21 Esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo. 22 Esse Jesus Cristo, tendo subido ao céu, está assentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades. Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 1,12-15)

Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, palavra de Deus. O homem não vive somente de pão, mas de toda a palavra da boca de Deus (Mt 4,4)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos. 12 E logo o Espírito impeliu Jesus para o deserto. 13 Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam. 14 Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: 15 “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho
Em Marcos, esta narrativa da tentação parece ser o prenúncio simbólico o ministério de Jesus, prestes a se iniciar: a agressão sucessiva dos líderes religiosos que se colocam como seus adversários é a provação de satanás e o convívio com as feras; e o conforto da fraternidade dos discípulos, iniciados no seu aprendizado, é o serviço dos anjos. Mateus e Lucas apresentam a tentação por satanás em três etapas. Transformar pedras em pães, adorar o tentador e apossarse do mundo, e atirar-se do alto do Templo desafiando a Deus. São as características de um messias que tem soluções enganosas para as aspirações populares, que se apossa do poder e que ostenta uma condição divina. Tal messianismo é descartado por Jesus. O Espírito recebido no batismo conduz Jesus, o qual vence as tentações. As tentações foram associadas à narrativa do batismo de Jesus como pedagogia catequética: os neobatizados devem estar preparados e fortalecidos para enfrentar as tentações após terem recebido seu batismo. As duas primeiras leituras de hoje são alusivas ao batismo: “Nesta arca [de Noé], umas poucas pessoas… foram salvas, por meio da água. À água corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação”. Pode-se ver que, em sua leitura alegórica do dilúvio, o autor da Primeira Carta de Pedro se ateve ao segundo momento do dilúvio, quando Noé e os seus sobrevivem, após a destruição total pelas águas. O tempo litúrgico da quaresma, que se inicia hoje, tem uma característica de tempo forte de conversão. Resistir às tentações que se apresentam agradáveis aos sentidos, ao conforto, à segurança, à vaidade, estimulando o sucesso pessoal no usufruto do poder, levando à indiferença pelo próximo humilde e sofredor. É tempo de voltar-se amorosamente para o nosso próximo, particularmente aquele excluído e empobrecido, na partilha e na comunhão de vida.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Fazei, ó Deus, que o nosso coração corresponda a estas oferendas com as quais iniciamos nossa caminhada para a Páscoa. Por Cristo, nosso Senhor.
Prefácio próprio
A Tentação do Senhor Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Jejuando quarenta dias no deserto, Jesus consagrou a observância quaresmal. Desarmando as ciladas do antigo inimigo, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade. Celebrando agora o mistério pascal, nós nos preparamos para a páscoa definitiva. Enquanto esperamos a plenitude eterna, com os anjos e todos os santos, nós vos aclamamos, cantando (dizendo) a uma só vos…
Antífona da comunhão: Não só de pão vive o homem, as de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4,4).
Depois da comunhão
Ó Deus, que nos alimentastes com este pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade, dai-nos desejar Cristo, pão vivo e verdadeiro, e viver de toda palavra que sai de vossa boca. Por Cristo, nosso Senhor.

Liturgia diária – 22/02/2012

Dia 22 de Fevereiro – Quarta-feira

QUARTA-FEIRA DE CINZAS Jejum e Abstinência (Roxo, Pref. da Quaresma IV – Ofício do dia da IV semana)

Antífona da entrada: Ó Deus, vós tendes compaixão de todos e nada do que criastes desprezais: perdoais nossos pecados pela penitência porque sois o Senhor nosso Deus (Sb 11,24s.27).
Oração do dia
Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma, para que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Joel 2,12-18)
Leitura da profecia de Joel. 2 12 “Por isso, agora ainda – oráculo do Senhor -, voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto. 13 Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, porque ele é bom e compassivo, longânime e indulgente, pronto a arrepender-se do castigo que inflige”. 14 Quem sabe se ele mudará de parecer e voltará atrás, deixando após si uma bênção, ofertas e libações para o Senhor, vosso Deus? 15 Tocai a trombeta em Sião: publicai o jejum, convocai a assembléia, reuni o povo; 16 santificai a assembléia, agrupai os anciãos, congregai as crianças e os meninos de peito; saia o recém-casado de seus aposentos, e a esposa de sua câmara nupcial. 17 Chorem os sacerdotes, servos do Senhor, entre o pórtico e o altar, e digam: “Tende piedade de vosso povo, Senhor, não entregueis à ignomínia vossa herança, para que não se torne ela o escárnio dos pagãos!” Por que diriam eles: “onde está o seu Deus?” 18 O Senhor afeiçoou-se à sua terra, teve compaixão de seu povo; Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 50/51
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado e apagai completamente a minha culpa!
Eu reconheço toda a minha iniqüidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
Criai em mim um coração que seja puro, daí-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
Daí-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!
Leitura (2 Coríntios 5,20-6,2)
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios. 5 20 Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus! 21 Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornássemos justiça de Deus. 6 1 Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. 2 Pois ele diz: “Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação”. Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação. Palavra do Senhor.
Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18)

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai! Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. 6 1 Disse Jesus: “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. 2 Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 3 Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. 4 Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á. 5 Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 6 Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á. 16 Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17 Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18 Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á”. Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

A RECOMPENSA DIVINA

Todo gesto de piedade visa ser agradável a Deus. Nele, o ser humano busca manifestar o mais íntimo de si mesmo, na esperança do reconhecimento divino. Realiza o que lhe parece corresponder aos anseios do Pai. Transforma, em ação, seus sentimentos profundos de amor e gratidão. A esmola, a oração e o jejum são expressões excelentes de piedade, por parte de quem procura viver uma intensa vida de comunhão. Elas supõem a capacidade de ir ao encontro do irmão carente, a quem se deve socorrer; transcender os próprios limites e viver em comunhão com o Senhor; ordenar as paixões que impedem o ser humano de ser solidário e fraterno. A piedade é, pois, vivida como comunhão. A recompensa divina advém, na medida em que a piedade é praticada na humildade e no escondimento, prescindindo do reconhecimento humano. O Pai vê e reconhece o valor do gesto humano, quando praticado com sinceridade de coração. A busca consciente de louvor por parte dos outros mina, pela raiz, os gestos de piedade e lhes desvirtua o sentido, impedindo-os de atingir seu objetivo. Somos instruídos a vivenciar nossa piedade, de maneira secreta. Só assim, quem vê o que é feito em segredo, dar-nos-á a recompensa esperada.
Oração Divino Espírito, faze-me sincero na prática da piedade, para que minha esmola, minha oração e meu jejum recebam a devida recompensa do Pai.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)

Sobre as oferendas
Oferecendo-vos este sacrifício no começo da Quaresma, nós vos suplicamos, ó Deus, a graça de dominar nossos maus desejos pelas obras de penitência e caridade, para que, purificados de nossas faltas, celebremos com fervor a paixão do vosso Filho. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: O que medita dia e noite na lei do Senhor dará seu fruto no devido tempo (Sl 1,2s)
Depois da comunhão
Ó Deus, fazei que sejamos ajudados pelo sacramento que acabamos de receber, para que o jejum de hoje vos seja agradável e nos sirva de remédio. Por Cristo, nosso Senhor.

Liturgia diária – 19/02/2012

Dia 19 de Fevereiro – Domingo

VII DOMINGO DO TEMPO COMUM (Verde – Ofício do dia)

Antífona da entrada: Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez (Sl 12,6).
Oração do dia
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Isaías 43,18-19.21-22.24-25)
Leitura do livro do profeta Isaías. Assim fala o Senhor: 43 18 “Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, 19 porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe. 21 o povo, que formei para mim, contará meus feitos. 22 No entanto, não foste tu que me chamaste, Jacó, tu não te fatigaste por mim, Israel. 24 Não me compraste, a preço alto, cana perfumada, nem me fartaste com a gordura das vítimas. Mas me atormentaste com teus pecados, cansaste-me com tuas iniqüidades. 25 Sempre sou eu quem deve apagar tuas faltas, e não mais me lembrar de teus pecados”. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 40/41
Curai-me, Senhor, pois pequei contra vós!
Feliz quem pensa no pobre e no fraco: o Senhor o liberta no dia do mal! O Senhor vai guardá-lo e salvar sua vida, o Senhor vai torná-lo feliz sobre a terra e não vai entregá-lo à mercê do inimigo.
Deus irá ampará-lo em seu leito de dor e lhe vai transformar a doença em vigor. Eu digo: “Meu Deus, tende pena de mim, curai-me, Senhor, pois pequei contra vós!”
Vós, porém, me havereis de guardar são e salvo e me pôr para sempre na vossa presença. Bendito o Senhor, que é Deus de Israel, desde sempre, agora e sempre. Amém!
Leitura (2 Coríntios 1,18-22)
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios. 1 18 Deus é testemunha de que quando vos dirijo a palavra, não existe um sim e depois um não. 19 O Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós, Silvano, Timóteo e eu, vos temos anunciado, não foi sim e depois não, mas sempre foi sim. 20 Porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos Amém à glória de Deus. 21 Ora, quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. 22 Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito. Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 2,1-12)

Aleluia, aleluia, aleluia. Foi o Senhor quem me mandou boas notícias anunciar; ao pobre, a quem está no cativeiro, libertação eu vou proclamar! (Lc 4,18)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos. 2 1 Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que ele estava em casa. 2 Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía. 3 Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens. 4 Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico. 5 Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: “Filho, perdoados te são os pecados.” 6 Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros: 7 “Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?” 8 Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito tios seus íntimos pensamentos, disse-lhes: “Por que pensais isto nos vossos corações? 9 Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? 10 Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho dó homem sobre a terra (disse ao paralítico), 11 eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.” 12 No mesmo instante, ele se levantou e, tomando o. leito, foi-se embora à vista de todos. A, multidão inteira encheu-se de profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: “Nunca vimos coisa semelhante.” Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

FÉ E INCREDULIDADE

É chocante o contraste entre a fé do paralítico e dos que o traziam até Jesus, para ser curado, e a incredulidade de alguns escribas, presentes nesta ocasião. Para que o homem fosse curado, pessoas de boa vontade superaram todos os obstáculos a fim de fazê-lo chegar até Jesus. Mas, a presença da multidão impedia-lhes o acesso. Por isso, resolveram abrir um buraco no teto, por onde puderam descer a maca do paralítico. Só uma fé profunda pode explicar este gesto quase desesperado. E Jesus o descobre, e o recompensa. Por sua vez, os escribas ruminam, em seus corações, pensamentos malévolos a respeito da ação de Jesus. Tomam-no por usurpador de um poder exclusivo de Deus, porque perdoa os pecados daquele pobre homem, antes mesmo que lhe solicitassem a cura. Sua incredulidade leva-os a acusar Jesus de blasfemo. É que, no fundo, não suportavam conviver com a misericórdia que jorrava do coração do Mestre. A incredulidade dos escribas não foi suficientemente forte para bloquear Jesus. Ele continuou a agir com absoluta liberdade, sempre conforme o querer do Pai. Não só perdoou todos os pecados do paralítico, como também, devolveu-lhe a saúde, recompensando-lhe a fé. Os incrédulos podem até permanecer firmes em sua incredulidade. Só não podem dizer que não tinham motivos para crer. O milagre de Jesus não dava margem para dúvidas.

Oração Espírito que desfaz toda incredulidade, afasta do mim tudo quanto me impede de reconhecer, na ação de Jesus, a manifestação do amor do Pai.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)

Sobre as oferendas
Ao celebrar com reverência vossos mistérios, nós vos suplicamos, ó Deus, que os dons oferecidos em vossa honra sejam úteis à nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Senhor, de coração vos darei graças, as vossas maravilhas narrarei! Em vós exultarei de alegria, cantarei ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 9,2s)
Depois da comunhão
Ó Deus todo-poderoso, concedei-nos alcançar a salvação eterna, cujo penhor recebemos neste sacramento. Por Cristo, nosso Senhor

Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria

sagrado coracao de jesus 3Imaculado Coração de Maria 3

Liturgia diária – 27/03/2012

Dia 27 de Março – Terça-feira

V SEMANA DA QUARESMA (Roxo, Prefácio da Quaresma I – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: Espera no Senhor e sê corajoso! Fortifique-se teu coração; espera no Senhor! (Sl 26,14)
Oração do dia
Concedei-nos, ó Deus, perseverar no vosso serviço para que, em nossos dias, cresça em número e santidade o povo que vos serve. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Números 21,4-9)
Leitura do livro dos Números. 21 4 Partiram do monte Hor na direção do mar Vermelho, para contornar a terra de Edom. 5 Mas o povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: “Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento.” 6 Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. 7 O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo, 8 e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” 9 Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 101/102
Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, e chegue até vós o meu clamor. Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, e chegue até vós o meu clamor! De mim não oculteis a vossa face no dia em que estou angustiado! Inclinai o vosso ouvido para mim, ao invocar-vos, atendei-me sem demora!
As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.
Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.
Evangelho (João 8,21-30)
Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor! Semente é de Deus a palavra, Cristo é o semeador; todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. 8 21 Jesus disse aos judeus fariseus: “Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 22 Perguntavam os judeus: “Será que ele se vai matar, pois diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’?” 23 Ele lhes disse: “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24 Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado”. 25 “Quem és tu?”, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: “Exatamente o que eu vos declaro. 26 Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo”. 27 Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai. 28 Jesus então lhes disse: “Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou. 29 Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado”. 30 Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
O QUE VEM DO ALTO
Os contínuos desencontros entre Jesus e seus adversários, no parecer do Mestre, tinham sua origem na diferença de perspectiva de cada um. Este considerava tudo na perspectiva “do alto”, de onde viera. Isto lhe possibilitava perceber a realidade com os olhos de Deus: olhar de amor misericordioso, de desejo de salvação e reconciliação, de interesse por todos, sem exceção. E mais: levava-o a agir como agia seu Pai. Seus inimigos, ao invés, seguiam o caminho inverso, agindo como quem é “cá de baixo”. Conseqüentemente, deixavam-se levar pelas paixões e pelo espírito mesquinho de intolerância, mostrando-se insensíveis em relação aos mais pequeninos, e não suportando quem lhes apontava os pecados. E o que era mais grave: não se davam conta do desígnio divino manifestado em Jesus, insurgindo-se abertamente contra ele. É impossível entrar em comunhão com Jesus, sem o esforço decidido de colocar-se na mesma perspectiva dele, e considerar o mundo com o olhar de quem vê tudo com os olhos de Deus. Quanto mais puro for este olhar, maior o grau de comunhão com Jesus. Ao contrário, quem se deixa levar pelas paixões, jamais chegará a saber quem é o Mestre, nem tirará proveito de sua missão. Ele veio o Alto. Por conseguinte, é preciso elevar-se para poder descobrir-lhe a verdadeira identidade.
Oração Espírito do Alto, eleva-me das minhas baixezas, para que eu possa conhecer Jesus, o enviado do Pai.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Nós vos oferecemos, ó Deus, o sacrifício que nos reconcilia convosco, para que perdoeis os nossos pecados e orienteis os corações vacilantes. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Quando eu for exaltado da terra, diz o Senhor, atrairei a mim todas as coisas (Jo 12,32).
Depois da comunhão
Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, desejando continuamente os vossos dons, nos aproximemos sempre mais dos bens celestes. Por Cristo, nosso Senhor.

27/03- São Ruperto

sao-rupertoSão Ruperto

(bispo)

Primeiro bispo de Salisburgo (Áustria), pertencia à família dos condes francorenanos dos Robertini, aparentada com os carolíngios e residentes nos arredores de Worms, mas pela sua educação e formação deve ser elencado entre os monges irlandeses. Depois da consolidação política dos francos e do desenvolvimento do trabalho missionário, pelo ano de 700 Ruperto se dirigiu à Baviera, onde a população, mesmo já tendo abraçado o cristianismo, tinha necessidade de aprofundar a sua fé e a vida cristã. Com o apoio do conde Teeldo da Baviera, fundou nas margens do Wallersee a primeira sede episcopal, construindo uma igreja em honra de S. Pedro (a atual Seerkinchen, na Áustria).

Tendo aquele lugar, porém, se mostrado inadequado para a fundação de um mosteiro episcopal, como o queria Ruperto e o conde, este lhe doou uma propriedade perto de Salzach (Salisburgo). Ruperto fundou, assim, no lugar da antiga cidade romana de Juvávun, o mosteiro de S. Pedro, o mais antigo de toda a Áustria. Juntamente com os companheiros, entre os quais sobressaem Cunialdo e Gislar, Ruperto consagrou todas as suas energias à evangelização e à civilização desse amplo território. Escolheu, entretanto, a sua sobrinha Eremtrudes como abadessa da abandia beneditina de Nonnberg. Estas duas abadias tornaram-se, assim, fonte de irradiação de vida religiosa para um vasto território.

Ruperto dedicou-se sem descanso à fundação de igrejas e ao estabelecimento de sacerdotes para delas cuidar. Comumente a data de sua morte é lembrada em 27-3-718. A grandeza de Ruperto está em ter fundado o centro missionário de Salisburgo, que mais tarde tornou-se arquidiocese. Ruperto foi um bispo-abade à maneira irlandesa, sem um território bem-determinado.

Liturgia diária – 26/03/2012

Dia 26 de Março – Segunda-feira

ANUNCIAÇÃO DO SENHOR (Branco, Glória, Creio, Prefácio Próprio – Ofício da Solenidade)

Antífona da entrada: Ao entrar no mundo, Cristo disse: Eis-me aqui, ó Pai, para fazer a tua vontade (Hb 10,5.7).
Oração do dia
Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Isaías 7,10-14;8,10)
Leitura do livro do profeta Isaías. 7 10 O Senhor disse ainda a Acaz: 11” Pede ao Senhor teu Deus um sinal, seja do fundo da habitação dos mortos, seja lá do alto”. 12 Acaz respondeu:” De maneira alguma! Não quero pôr o Senhor à prova”. 13 Isaías respondeu: “Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? 14 Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. 8,10 preparai um plano, e ele malogrará; dai ordens e elas não serão executadas, porque Deus está conosco”. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 39/40
Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor! Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, e então eu vos disse: “Eis que venho!”
Sobre mim está escrito no livro: “Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!”
Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!
Proclamei toda a vossa justiça sem retê-la no meu coração; vosso auxílio e lealdade narrei. Não calei vossa graça e verdade na presença da grande assembléia.
Leitura (Hebreus 10,4-10)
Leitura da carta aos Hebreus. 10 4 Pois é impossível que o sangue de touros e de carneiros tire pecados. 5 Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: “Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. 6 Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. 7 Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade”. 8 Disse primeiro: “Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais)”. 9 Em seguida, ajuntou: “Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia”. 10 Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo. Palavra do Senhor.
Evangelho (Lucas 1,26-38)
Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor! A palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós vimos sua glória que recebe de Deus Pai (Jo 1,14).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. 1 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28 Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. 29 Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30 O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32 Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33 e o seu reino não terá fim”. 34 Maria perguntou ao anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” 35 Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37 porque a Deus nenhuma coisa é impossível”. 38 Então disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo afastou-se dela. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho

Esta narrativa de Lucas, com a anunciação do anjo e a concepção do Filho de Deus no ventre de Maria, a partir do seu “Faça-se em mim segundo a tua palavra”, realça o realismo da encarnação em plena corporeidade. Deus, ao fazer-se humano, torna-nos divinos. O acontecimento se dá em uma casa simples da desconhecida cidade de Nazaré, na periférica Galiléia. A protagonista é uma jovem e pobre adolescente. Estes são os grandes sinais de que o projeto de Deus é fazer-se presente no mundo de maneira simples e humilde, em comunicação e comunhão com os pequenos e marginalizados. São descartadas quaisquer aspirações de ostentação, grandeza e poder.

(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)

Sobre as oferendas
Recebei, ó Deus onipotente, as oferendas de vossa Igreja, que comemora a sua origem na encarnação do vosso Filho, celebrando com alegria este grande mistério. Por Cristo, nosso Senhor.
Prefácio próprio
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. A virgem Maria recebeu com fé o anúncio do anjo; e, à sombra do Espírito Santo, acolheu com amor, no seio puríssimo, aquele que, para salvar os seres humanos, quis nascer entre eles. Assim, cumpriram-se as promessas feitas a Israel e, de modo inefável, realizava-se a esperança das nações. Por esta razão, a multidão dos anjos e dos santos se alegra eternamente na vossa presença. Concedei-nos também a nós associar-nos aos seus louvores, cantando (dizendo) a uma só voz…
Antífona da comunhão: A virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado: “Deus-conosco” (Is 7,14).
Depois da comunhão
Ó Deus, confirmai em nossos corações os mistérios da verdadeira fé, para que, proclamando verdadeiro Deus e verdadeiro homem aquele que nasceu da Virgem, cheguemos à felicidade eterna pelo poder da sua ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

26/03 – São Bráulio

sao-braulioSão Bráulio
“Todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família, que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.¨ Mt 13,52
Em Saragoça, na Espanha, venera-se hoje um grande bispo: São Bráulio. Seu mérito consistiu sobretudo em ter desempenhado um papel decisivo nos Concílios, sobretudo como Bispo de Saragoça, nos anos de 631 a 651.
São Bráulio é considerado um dos maiores discípulos do grande Santo espanhol, Isidoro de Sevilha, venerado com incrível fervor, na Capital da Espanha e em todo aquele país.

Os Papas dos últimos tempos, desde Leão XIII, têm sido grandes profetas da justiça, da verdade e da solidariedade. Têm sido também precursores e patronos de nossas Campanhas da Fraternidade e ainda, promotores da solução dos problemas mais agudos da humanidade.

25/03 – Santo Dimas

santo-dimasSanto Dimas

O Evangelho fala pouco deste Santo. Nem mesmo o nome, os evangelistas fixaram. O que sabemos foi trazido pela tradição que são os nomes: Dimas, o Bom Ladrão e Simas, o mau ladrão.

Sem dúvida alguma, se trata de um santo original, único, privilegiado, que mereceu a honra de ser canonizado em vida por Jesus Cristo, na hora solene de nossa Redenção. Os outros santos só foram solenemente reconhecidos, no outro milênio, a partir do ano 999. A Igreja comemorava os mártires e confessores, mas sem uma declaração oficial e formal. Enquanto que, a de São Dimas quem proclamou foi o próprio Fundador da Igreja.

Dimas foi o operário da última hora, o que nos fez ver o mistério da graça derradeira. O mau ladrão resistiu, explodiu em blasfêmias. Rejeitou a graça, visivelmente dada pelo Redentor. O Bom Ladrão, depois de vacilar (Mt 27,44 -Mc 15,32), confessou a própria culpa, reclamou da injustiça contra Aquele que só fez o bem, reconheceu-O como Rei e lhe pediu que se lembrasse dele, quando estivesse no seu Reino.

Segundo a tradição, Dimas não era judeu, mas sim egípcio de nascimento. Dimas e Simas praticavam o banditismo nos desertos de passagem para o Egito. Lá a Sagrada Família, que fugia da perseguição do rei Herodes, foi assaltada por dois ladrões e um deles a protegeu. Era Dimas. Naquela época, entre os bandidos havia o costume de nunca roubar, nem matar, crianças, velhos e mulheres. Assim, Dimas deu abrigo ao Menino Jesus protegendo a Virgem Maria e São José.

Dimas foi um bandido muito perigoso da Palestina. E isso, realmente pode ser afirmado pelo suplício da cruz que mereceu. Essa condenação horrível era reservada somente aos grandes criminosos e aos escravos.

O Martirológio Romano diz apenas no dia 25 de Março: “Em Jerusalém comemoração do Bom Ladrão que na cruz professou a fé de Jesus Cristo”. E no mundo todo São Dimas passou a ser festejado neste dia.

O Bom Ladrão ou São Dimas foi o primeiro que entrou no céu: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso”. (Lc 23,43). Ele passou a ser popularmente considerado o “Padroeiro dos pecadores arrependidos da hora derradeira, dos agonizantes, da boa morte”. Morreu sacramentado pela absolvição do próprio Cristo, e por Ele conduzido ao Paraíso.

Liturgia diária – 24/03/2012

Dia 24 de Março – Sábado

IV SEMANA DA QUARESMA (Roxo – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: As ondas da morte me cercavam, tragavam-me as torrentes infernais; na minha angústia, chamei pelo Senhor, de seu templo ouviu a minha voz (Sl 17,5ss).
Oração do dia
Ó Deus, na vossa misericórdia, dirigi os nossos corações, pois, sem o vosso auxílio, não vos podemos agradar. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Jeremias 11,18-20)
Leitura do livro do profeta Jeremias. 11 18 Instruído pelo Senhor, eu o desvendei. Vós me fizestes conhecer seus intentos. 19 E eu, qual manso cordeiro conduzido à matança, ignorava as maquinações tramadas contra mim: “destruamos a árvore em seu vigor. Arranquemo-la da terra dos vivos, e que seu nome caia no esquecimento”. 20 Vós sois, porém, Senhor dos exércitos, justo juiz que sondais os rins e os corações. Serei testemunha da vingança que tomarei deles e a vós confio minha causa. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 7

Senhor meu Deus, em vós procuro o meu refúgio.

Senhor meu Deus, em vós procuro o meu refúgio; vinde salvar-me do inimigo, libertai-me! Não aconteça que agarrem minha vida como um leão que despedaça a sua presa, sem que ninguém venha salvar-me e libertar-me!
Julgai-me, Senhor Deus, como eu mereço e segundo a inocência que há em mim! Ponde um fim à iniqüidade dos perversos e confirmai o vosso justo, ó Deus-justiça, vós que sondai os nossos rins e corações.
O Deus vivo é um escudo protetor e salva aqueles que têm reto coração. Deus é juiz e ele julga com justiça, mas é um Deus que ameaça cada dia.

Evangelho (João 7,40-53)
Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor! Felizes os que observam a palavra do Senhor de reto coração e produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. 7 40 Ouvindo Jesus falar, alguns daquela multidão diziam: “Este é realmente o profeta”. 41 Outros diziam: “Este é o Cristo”. Mas outros protestavam: “É acaso da Galiléia que há de vir o Cristo? 42 Não diz a Escritura: O Cristo há de vir da família de Davi, e da aldeia de Belém, onde vivia Davi?” 43 Houve por isso divisão entre o povo por causa dele. 44 Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe lançou as mãos. 45 Voltaram os guardas para junto dos príncipes dos sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” 46 Os guardas responderam: “Jamais homem algum falou como este homem!” 47 Replicaram os fariseus: “Porventura também vós fostes seduzidos? 48 Há, acaso, alguém dentre as autoridades ou fariseus que acreditou nele? 49 Este poviléu que não conhece a lei é amaldiçoado!” 50 Replicou-lhes Nicodemos, um deles, o mesmo que de noite o fora procurar: 51 “Condena acaso a nossa lei algum homem, antes de o ouvir e conhecer o que ele faz?” 52 Responderam-lhe: “Porventura és também tu galileu? Informa-te bem e verás que da Galiléia não saiu profeta”. 53 E voltaram, cada um para sua casa. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
UMA SUGESTÃO SENSATA
A presença de Jesus, em Jerusalém, era motivo de controvérsia. Ninguém sabia ao certo, quem era aquele homem, cujo ensinamento destoava das doutrinas tradicionais dos escribas, e cuja autoridade não se fundamentava na pertença a algum dos grupos conhecidos. Muitos acreditavam tratar-se do Messias; não faltava, porém, quem duvidasse, pelo fato de Jesus não se enquadrar nas pistas que o povo tinha à disposição para identificar o Messias. Até mesmo os soldados, enviados para prendê-lo, não tiveram coragem de fazê-lo. E isto, não tanto por medo do povo, e sim, por estarem convencidos da sinceridade da pregação do Mestre. Esta situação colocava em pânico a cúpula religiosa. Era um caso difícil de ser tratado. Na verdade, Jesus não havia cometido nenhum delito, passível de punição. Tampouco se mostrava como um indivíduo socialmente perigoso. Tudo se passava no âmbito teológico: seus ensinamentos desconcertavam os inimigos. Nicodemos dá um tom de sensatez à situação. Por respeito à Lei, o acusado devia ser ouvido, antes de ser condenado. Caso contrário, corria-se o risco de cometer uma injustiça. No caso de Jesus, seus inquisidores teriam dificuldade de ouvi-lo com imparcialidade, abrindo mão da sentença de morte já decidida.
Oração Espírito de ponderação, que eu acolha Jesus com a devida prudência, descobrindo sua identidade, mediante a escuta benevolente de sua palavra.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus, pelas oferendas que vos apresentamos, possamos ser reconciliados convosco, e nossas vontade,s mesmo rebeldes, sejam reconduzidas a vós. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Pelo sangue precioso de Cristo, cordeiro sem mancha e sem defeito, fomos resgatados (1Pd 1,19).
Depois da comunhão
Nós vos pedimos, ó Deus, que o vosso sacramento nos purifique e possamos agradar-vos, graças à ação do seu poder. Por Cristo, nosso Senhor.

24/03 – Dom Oscar Romero

dom-oscar-romeroDom Oscar Romero

“Sem efusão de sangue não há remissão.¨ Hb 9,22b

Hoje é um dia especialíssimo para nós, na América Latina. No dia 24 de Março de 1980, o Arcebispo de San Salvador, Dom Oscar Romero, foi morto no altar, misturando seu sangue com as ofertas que estava apresentando a Deus, pelo povo sofrido. Seu último sermão, gravado na maior clareza possível, naquele instante da Morte, foi um apelo de justiça e paz. E quando terminou a gravação, ouviram-se também na fita os tiros, que lhe arrebataram a vida terrena.

Eu mesmo me comovi diante dessa gravação, porque se tratava de um grande amigo meu, com quem me encantara e que se correspondia comigo. Escreveu-me um bilhete, que recebi depois que ele fora assassinado. Ele mesmo, no entanto, profetizara: ¨Ressuscitarei em meio ao meu povo. Vivo dentro do povo”.

Todo verdadeiro santo continua ressuscitado e vivo no meio do povo.

Liturgia diária – 23/03/2012

Dia 23 de Março – Sexta-feira

IV SEMANA DA QUARESMA* (Roxo – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: Salvai-me, ó Deus, por vosso nome, libertai-me por vosso poder. Deus, ouvi a minha oração, escutai as palavras que vos digo (Sl 53,3s).
Oração do dia
Ó Deus, que preparastes para a nossa fraqueza os auxílios necessários à nossa renovação, dai-nos recebê-los com alegria e vê-los frutificar em nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Sabedoria 2,1.12-22)
Leitura do livro da Sabedoria. 2 1 Dizem, com efeito, nos seus falsos raciocínios: Curta é a nossa vida, e cheia de tristezas; para a morte não há remédio algum; não há notícia de ninguém que tenha voltado da região dos mortos. 12 Cerquemos o justo, porque ele nos incomoda; é contrário às nossas ações; ele nos censura por violar a lei e nos acusa de contrariar a nossa educação. 13 Ele se gaba de conhecer a Deus, e se chama a si mesmo filho do Senhor! 14 Sua existência é uma censura às nossas idéias; basta sua vista para nos importunar. 15 Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos são muito diferentes. 16 Ele nos tem por uma moeda de mau quilate, e afasta-se de nosso caminhos como de manchas. Julga feliz a morte do justo, e gloria-se de ter Deus por pai. 17 Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá quando da sua morte, 18 porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará das mãos dos seus adversários. 19 Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência. 20 Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir. 21 Eis o o que pensam, mas enganam-se, sua malícia os cega: 22 eles desconhecem os segredos de Deus, não esperam que a santidade seja recompensada, e não acreditam na glorificação das Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 33/34
Do coração atribulado está perto o Senhor.
O Senhor volta a sua face contra os maus para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta.
Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.
Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, e nenhum deles haverá de se quebrar. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.
Evangelho (João 7,1-2.10.25-30)
Glória a Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai! O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. 7 1 Depois disso, Jesus percorria a Galiléia. Ele não queria deter-se na Judéia, porque os judeus procuravam tirar-lhe a vida. 2 Aproximava-se a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos. 10 Mas quando os seus irmãos tinham subido, então subiu também ele à festa, não em público, mas despercebidamente. 25 Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: “Não é este aquele a quem procuram tirar a vida? 26 Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo? 27 Mas este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja”. 28 Enquanto ensinava no templo, Jesus exclamou: “Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou! Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis. 29 Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou. 30 Procuraram prendê-lo, mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora”. Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Enquanto no Evangelho de João há um destaque maior ao conflito entre Jesus e os judeus em geral, nos sinóticos ele se restringe aos dirigentes, fariseus, escribas e sacerdotes. Tal polarização parece resultar da origem deste Evangelho, em uma comunidade cristã samaritana. É a expressão do tradicional conflito entre Israel, reino do norte, e Judá, reino davídico do sul. O messias (“cristo”, do grego) esperado pelo judaísmo seria um líder que conquistaria a liberdade nacional dos judeus e imporia ao mundo sua religião. Os chefes religiosos do templo e das sinagogas rejeitavam o messianismo de Jesus e procuravam matá-lo. Jesus, descartando qualquer aspiração ao poder, revela-se como o enviado que comunica.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Ó Deus onipotente, que este sacrifício, santificando-nos pelo seu poder, leve-nos, cada vez mais puros, àquele que é a sua fonte. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Temos a redenção em Cristo pelo seu sangue e, pela riqueza de sua graça, o perdão dos pecados (Ef 1,7).
Depois da comunhão
Senhor Deus, tendo já passado da antiga para a nova criação, despojemo-nos agora do homem velho, renovando-nos para santidade do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor.

MEMÓRIA FACULTATIVA

SÃO TURÍBIO DE MOGROVEJO (Branco – Ofício da Memória)

Oração do dia: Ó Deus, que fizestes crescer a vossa Igreja pela solicitude pastoral de são Turíbio e seu zelo pela verdade, concedei ao vosso povo um contínuo aumento de fé e santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas: Nós vos oferecemos, ó Deus, este sacrifício Del louvor ao comemorarmos os vossos santos; e confiamos que, por sua intercessão, nos liberteis dos males presentes e futuros. Por Cristo, nosso Senhor.
Depois da comunhão: Senhor nosso Deus, o sacramento que acabamos de receber alimente em nós aquela caridade ardente que inflamava são Turíbio na dedicação constante à vossa Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO TURÍBIO DE MOGROVEJO):
Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu na cidade de Majorca de Campos, Leon, na Espanha, em 1538, no seio de uma família nobre e rica. Estudou em Valadolid, Salamanca e Santiago de Compostela, licenciado em direito e foi membro da Inquisição. Sua vida era pautada pela honestidade e lisura, mas, jamais poderia suspeitar que Deus o chamaria para um grande ministério. Quando então foi nomeado Arcebispo para a América espanhola, pelo Papa Gregório XIII, atendendo um pedido do rei Felipe II, da Espanha, que tinha muita estima por Turíbio.  O mais curioso é que ele teve de receber uma a uma todas as ordens de uma só vez até finalizar com a do sacerdócio, para em 1580, ser consagrado Arcebispo da Cidade dos Reis, chamada depois Lima, atual capital do Peru, aos quarenta anos de idade. Isso ocorreu porque apesar de ser tonsurado, isto é, ter o cabelo cortado como os padres, ainda não pertencia ao clero. E, foi assim que surgiu um dos maiores apóstolos da Igreja, muitas vezes comparado a Santo Ambrósio.  Chegando à América espanhola em 1581, ficou espantado com a miséria espiritual e material em que viviam os índios. Aprendeu sua língua e passou a defendê-los contra os colonizadores, que os exploravam e maltratavam. Era venerado pelos fiéis e considerado um defensor enérgico da justiça, diante dos opressores.  Apoiado pela população, organizou as comunidades de sua diocese e depois reuniu assembléias e sínodos, convocando todos os habitantes para a evangelização. Sob sua direção, foram realizados dez concílios diocesanos e os três provinciais que formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX. Inclusive, o Sínodo Provincial de Lima, em 1582, foi comparado ao célebre Concílio de Trento. Conta-se que neste sínodo, com fina ironia, Turíbio desafiou os espanhóis, que se consideravam tão inteligentes, a aprenderem uma nova língua, a dos índios.  Quando enviou um relatório ao rei Felipe II, em 1594, dava conta de que havia percorrido quinze mil quilômetros e administrado o sacramento da crisma a sessenta mil fiéis. Aliás, teve o privilégio e a graça de crismar três peruanos, que depois se tornaram santos da Igreja: Rosa de Lima, Francisco Solano e Martinho de Porres.  Turíbio fundou o primeiro seminário das Américas e pouco antes de morrer doou suas roupas, inclusive as do próprio corpo, aos pobres e aos que o serviram, gesto, que revelou o conteúdo de toda sua vida. Faleceu no dia 23 de março de 1606, na pequena cidade de Sanã, Peru. Foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII, que declarou São Turíbio de Mongrovejo “apóstolo e padroeiro do Peru”, para ser celebrado no dia do seu trânsito.

23/03 – São Turíbio de Mongrovejo

sao-turibio-de-mongrovejoSão Turíbio de Mongrovejo

Até os quarenta e dois anos, a carreira de Turíbio (1538-1606) poderia dezer-se que era normal, sob todos os aspectos. Com um tio cônego (tonsurado para poder gozar uma pensão eclesiástica, mas sem receber ordens, como então era corrente), que o protegia, estudara em várias universidades e preparava, em Oviedo, o doutorado em direito. Também ele recebera a tonsura, sem passar, porém mais adiante no serviço da Igreja: estava assim já preparado para ingressar naquela incipiente burocracia de “letrados”, a que dera origem a centralização do Estado moderno.

Seguindo o processo normal das coisas, recebeu uma nomeação para o Santo Ofício em Granada. Sua vida particular distinguia-se pela limpeza, mais não parece ter excedido nunca o simplesmente honesto. Nada poderia fazer suspeitar até então o santo e o grande fundador de igrejas.

Mas a indicação de seu nome, por Filipe II, para arcebispo de Lima, deu uma dimensão totalmente nova à sua vida; evoca, em certos aspectos, a transformação que a nomeação para arcebispo de Cantorbery operou em Beckett.

Recebeu uma por uma todas as ordens, com a idade de quarenta e um anos, e a partir deste momento nasce um dos maiores apóstolos da história da Igreja. Calcula-se que percorreu a pé, ou a cavalo, mais de 40 mil quilômetros, visitando até os últimos lugarejos de sua diocese, nunca das geografias mais difíceis do mundo, desde as quebradas com neve perpétua dos Andes, até os desertos tórridos do Pacífico. Segundo seus próprios cálculos, teria administrado pessoalmente o sacramento da confirmação a noventa mil pessoas.

Como chefe da principal Igreja da América, dedicou-se, inflexivelmente, a aplicar a reforma de Trento. Isto levou-o a enfrentar-se repetidas vezes com os vice-reis, com o Conselho das Índias e com o próprio rei, imbuídos de idéias regalistas. Não cedeu: os dez concílios diocesanos e os três provinciais que celebrou formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX.

Com razão foi chamado “apóstolo do Peru”, e “outro Ambrósio”.