23/07 – Santa Brígida e Santo Apolinário

by on jul.23, 2016, under Santos do dia

santa-brigidaSanta Brígida

Brígida, ou Brigite, nasceu princesa, em 1303, no castelo de Finstad, na Suécia. Descendia de uma casa real muito pia, que forneceu à Igreja muitos santos e que se dedicava a construir mosteiros, igrejas e hospitais com a própria fortuna. Além de manter muitas obras de caridade para a população pobre, Brígida, desde a infância, tinha o dom das revelações divinas, todas anotadas por ela no seu idioma sueco. Depois, as descrições foram traduzidas para o latim e somaram oito grandes volumes, que ainda hoje são fonte de consulta para historiadores, teólogos e fiéis cristãos.

Aos dezoito anos, ela se casou com o nobre chamado Ulf Gudmarsson, um homem cristão e muito piedoso. O casal teve oito filhos, dentre os quais a filha venerada como santa Catarina da Suécia. Era com rigor que eles cuidavam da educação religiosa e acadêmica dos filhos, sempre no caminho para a santificação em Cristo. Durante um longo período, Brígida foi dama de companhia da rainha Bianca, de Namur, por isso freqüentava sempre as cortes luxuosas. Mas não se corrompeu neste ambiente de riquezas frívolas, ao contrário, manteve-se fiel aos ensinamentos cristãos, perseverando seu espírito na dignidade e na caridade da fé.

Após a morte de um dos seus filhos, o casal resolveu fazer uma peregrinação ao santuário de Santiago de Compostela, na Espanha. No retorno, Ulf caiu gravemente enfermo, e nessa ocasião Brígida, em sonho, teve uma revelação de são Dionísio, que lhe disse que o marido não morreria. De fato ele ficou curado, mas logo em seguida ingressou no mosteiro de Alvastra, onde vivia um dos seus filhos, e lá morreu, em 1344.

Viúva, Brígida decidiu retirar-se definitivamente para a vida monástica, para realizar um velho projeto, a fundação de um mosteiro duplo, de homens e mulheres, que deu origem à Ordem do Santo Salvador, sob as Regras de são Agostinho, passando, então, a viver nele. Quando obteve aprovação canônica, a fundadora transferiu-se para Roma.

Ali viveu por vinte e quatro anos, trabalhando pela reforma dos costumes e a volta do papa de Avignon. Com o apoio do rei da Suécia, construiu e instaurou setenta e oito mosteiros por toda a Europa. Ela morreu em 23 de julho de 1373, durante uma romaria à Terra Santa.

Desde então, a Ordem fundada por ela passou a ser dirigida por sua filha, Catarina da Suécia, alcançando notoriedade pelos anos futuros. Canonizada em 1391, apenas dezoito anos após sua morte, santa Brígida já tinha um culto muito vigoroso em todo o mundo cristão da Europa, sendo celebrada no dia de sua morte. O local onde residia em Roma foi transformado em um belíssima igreja dedicada a ela, na praça Farnese.

santo-apolinarioSanto Apolinário

O nome, o culto, e a glória de Santo Apolinário são legados que recebemos da História, e também da arte de Ravena, a capital do Império Bizantino, no Ocidente, no período de meados do século I e II.

Nesta cidade existem duas grandiosas igrejas dedicadas a Santo Apolinário, ambas célebres na história da arte e do Cristianismo. Na igreja nova de Santo Apolinário, no centro da cidade, encontramos o célebre mosaico representativo, mais extenso que um quarteirão, com todos os Mártires e as Virgens. No destaque se encontra Santo Apolinário. Na outra igreja, fora da cidade, está o outro esplendido mosaico, no qual pela primeira vez, a figura de um santo, e não a de Cristo, ocupa o centro de uma composição, circundado por duas fileiras de ovelhas.

Apolinário, o primeiro Bispo de Ravena, segundo a tradição, teria sua origem no Oriente e a mando do próprio apóstolo Pedro, de quem foi discípulo, enviado para converter os pagãos nas terras no norte do Império.

A sua obra de evangelização transcorreu num ambiente repleto de imensas dificuldades fruto do ódio, do egoísmo, da incredibilidade que o cercavam, além do culto aos ídolos pagãos que teve de combater . À este apostolado dedicou toda sua vida. Embora representado no mosaico da cidade, sereno e tranqüilo, na realidade era um homem de vida dura, combativa e atuante. Apolinário sempre foi considerado um mártir. Mártir de um suplício muito longo, que foi todo o seu episcopado.

Ele não viu o resultado de sua obra, que só se revelou após a sua morte. A população da nova capital do Império, se tornou exclusivamente cristã, reforçando suas raízes no próprio culto de seu primeiro Bispo, considerado por eles um exemplo de santidade.

Desta maneira se explica a grande devoção à ele, não somente em Ravena, mas em muitas outras localidades da Itália, da França e da Alemanha. Aliás, nestas regiões, foi amplamente difundida, devido os mosteiros beneditinos e camaldoleses que Apolinário ali fundara.

Apolinário morreu como mártir da fé no dia 23 de julho, durante as primeiras perseguições impostas contra os cristãos. Entretanto, não se encontrou nenhuma referência indicando o ano e a localidade. Suas relíquias, encontradas nas catacumbas, foram enviadas para a Catedral de Santo Apolinário, em Ravena, na Itália. A tradicional festa de Santo Apolinário, padroeiro de Ravena, em 23 de julho, foi mantida pela Igreja.

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22/07 – Maria Madalena

by on jul.22, 2016, under Santos do dia

maria-madalenaMaria Madalena

Embora fosse apenas uma pecadora famosa de sua cidade, Maria Madalena, nascida em Magdala, na Galiléia, teve uma participação importantíssima na passagem de Jesus pela Terra. Ela foi perdoada publicamente por ele, que a tomou como exemplo de que seu Pai acolhia a todos, desde que chegassem ao arrependimento. Além disso, foi, ainda, a escolhida para ser a primeira testemunha da ressurreição.

Madalena ouvira falar de Jesus, pois a fama dos milagres dele corria entre o povo. Ele já ressuscitara mortos, devolvera a visão a cegos, colocara voz na boca de mudos e audição nos ouvidos de surdos, além de fazer andar paralíticos e curar doentes de todos os tipos. Assim, no dia em que Jesus participava de um banquete na casa de Simão, o fariseu, Maria Madalena resolveu fazer uma confissão pública de arrependimento, porque o seu pecado era público, como diz a Sagrada Escritura.

Invadindo o local da ceia, ela não ousou olhar para Jesus. Apenas ajoelhou-se na sua frente, banhou seus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos, num pedido de perdão mudo. Impressionados, os presentes imaginavam que ela fosse ser repudiada pelo Mestre, que, todavia, disse à mulher: “Foram-lhes perdoados os seus muitos pecados, porque você muito amou”. Com o coração em paz, ela saiu dali ainda em prantos, mas feliz. A partir desse dia, tornou-se uma das mais fiéis seguidoras do Messias.

Ela estava ao lado de Maria quando da crucificação do Senhor e, na madrugada da Páscoa, era tanta a saudade que sentia de Jesus que foi chorar à porta do sepulcro. De repente, ouviu a voz, que jamais esqueceria, chamar seu nome. Assim, as profecias cumpriram-se diante de seus olhos. Jesus ressuscitara!

Está escrito: “No dia da Páscoa, Jesus apareceu a ela e a mandou ir anunciar a sua ressurreição aos discípulos”. Depois disso, segundo uma antiga tradição grega, Maria Madalena teria ido viver em Éfeso, onde morreu. Lá, tinham ido morar também João, o apóstolo predileto de Jesus, e Maria, Mãe de Jesus.

A liturgia bizantina celebra-a como “Apóstola dos Apóstolos”, para que continue a sua missão de anunciar a ressurreição do Senhor no seu rito apostólico. Festejada no dia 22 de julho, santa Maria Madalena tornou-se a padroeira de muitas ordens religiosas, sendo venerada até mesmo pelos padres predicadores.

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21/07 – Dolores Baldi e Santo Lourenço de Brindisi

by on jul.21, 2016, under Santos do dia

dolores-baldiDolores Baldi

Ser missionária era seu sonho. E este sonho ela o realizou no Brasil. Em outubro de 1931 deixou a Itália e veio viver a aventura missionária em nosso país. Quero lhes falar de Irmã Dolores Baldi, primeira missionária da Congregação das Irmãs Paulinas.

Ela não era, nem é ainda muito conhecida, contudo foi o instrumento dócil e forte na mãos de Deus e a mola propulsora que fez acontecer, no Brasil, a Instituição e todas as obras das Irmãs Paulinas. A Congregação das Irmãs Paulinas foi fundada pelo Padre Tiago Alberione com a colaboração de Irmã Tecla Merlo, em 1915, na Itália e teve, no Brasil, sua primeira expansão no exterior. E Irmã Dolores Baldi foi a escolhida.

Quem foi Irmã Dolores Baldi? Ela mesma nos conta sua história: Não conheci minha mãe. Ela morreu dois meses depois de me haver dado a luz. Fui confiada aos cuidados de uma ama que me amamentou, de meu pai e de minha irmã mais velha, então, com 15 anos. Éramos cinco irmãos: três mulheres e dois homens.

Cresci num ambiente familiar unido, cristão, sereno e alegre. Aos 12 anos, porém, após breve tempo de doença, meu pai faleceu e logo depois, minha irmã, vítima de uma epidemia. E como minha outra irmã já havia se casado coube a mim os deveres de uma dona-de-casa: comprar, vender e cuidar de meus dois irmãos. Aos quatorze anos comecei a sentir o desejo de ser missionária, para dedicar-me à catequese. Aos 17 anos esse apelo se tornou mais forte. Falei com meu pároco e ele me aconselhou a pensar melhor e entregar o meu futuro nas mãos de Deus. Ele saberia abrir-me o caminho missionário. Com o casamento de meu irmão pensei que estivesse livre, mas com a morte prematura de minha cunhada tive que cuidar de meus dois sobrinhos pequenos.

Após um ano, a convite de meu pároco, participei de um retiro orientado pelo Padre Tiago Alberione. Entusiasmei-me com a espiritualidade e missão da Família Paulina, conversei com Padre Alberione que me aconselhou a entrar na Congregação, ainda não aprovada, mas já em plena atividade. Ingressei, sempre, porém, com o desejo de ir às missões. Esperançosa de um dia ser missionária, como me prometiam, comecei o noviciado. E antes mesmo de professar os votos religiosos, a Superiora me chamou e disse que o Fundador havia me destinado para a missão no Brasil. Apesar de algumas preocupações, vibrei de alegria. Tinha, então, 21 anos. Comigo iriam uma irmã das Discípulas do Divino Mestre e um seminarista dos paulinos.

No dia 06 de outubro de 1931, diante dos Fundadores e de minha formadora, pronunciei a fórmula da profissão religiosa prometendo, com a ajuda divina, entregar-me a Deus e à missão conforme o carisma Paulino. Foi então que recebi o nome de Dolores, pois, o meu nome de batismo era Tersila. Entregando-me o livro do Evangelho, um crucifixo e um terço, o Fundador deu-me as últimas recomendações: “Nossa Senhora das Dores, ao pé da cruz, colaborou para a salvação de todas as pessoas. Santifica-te e os brasileiros se santificarão. O Arcebispo de São Paulo não quer as Paulinas. Vocês fiquem escondidas por algum tempo, vistam-se de branco ou de vermelho – isso não tem importância – e esperem”.

Este foi o início de uma caminhada de mais de 70 anos no Brasil vivendo e partilhando na Igreja local uma evangelização inculturada a serviço do Evangelho e com os meios de comunicação social. Em 1966, quando a Congregação das Irmãs Paulinas no Brasil já contava com duas centenas de membros, muitas obras iniciadas, muitas casas construídas, Irmã Dolores foi chamada para a Itália e mais tarde para Portugal, deixando em todos os lugares sua marca de missionária exemplar.

Em 1976, a pedido das Irmãs brasileiras, ela voltou ao Brasil, dedicando-se então, não mais à direção da província, mas à atividades comuns nas comunidades. Mais tarde transferiu-se para a casa das irmãs idosas dedicando-se a pequenas tarefas. Em todo lugar e sempre, Irmã Dolores foi exemplo de oração, entusiasmo apostólico, humildade e acolhimento. Sempre atenta, participava e alegrava-se com os progressos na missão. Por ocasião dos 60 anos de consagração a Deus, entre outras coisas dizia: Os Fundadores me entregaram o que tinham de mais precioso: o Evangelho, o crucifixo e o terço. Os fundamentos foram sólidos e minha tarefa era construir com simplicidade e aos poucos, com erros e falhas, mas sem desanimar, na obediência e com amor. A semente foi lançada no Brasil brotou e cresceu pela sua força íntima que é Deus.

Após breves dias hospitalizada, com 89 anos, no dia 21 de julho de 1999, transferiu-se para a Casa do Pai Celeste a fim de continuar intercedendo por nós e apostando na eficácia da missão de anunciar o Evangelho com os meios de comunicação social. Irmã Dolores tinha um carisma pessoal, uma personalidade forte e caráter marcante. Seu modo de ser e de viver traçou o estilo de vida e de missão de muitas pessoas. Abriu caminhos novos, com fé e coragem, para uma geração que viria mais tarde.

Um dos centros da missão das Irmãs Paulinas traz com muita gratidão o nome de: “Casa Irmã Dolores Baldi”. Ela está aí apontando para todos sua norma de vida missionária: “confiança absoluta em Deus e ir em frente com coragem”.

Ir. Maria Belém, FSP

santo-lourenco-de-brindisiSanto Lourenço de Brindisi

Geralmente as chamadas “crianças superdotadas”, aquelas que demonstram um dom excepcional para alguma especialidade, quando crescem parecem “perder os poderes” e se nivelam às demais pessoas. São poucas as exceções que merecem ser recordadas. Mas,com certeza, uma delas foi Júlio César Russo, que nasceu no dia 22 de julho de 1559 em Brindisi, na Itália.

Seu nome de batismo, mostrava claramente a ambição dos pais, que esperavam para ele um futuro brilhante como o do grande general romano. Realmente, anos depois, lá estava ele à frente das forças cristãs lutando contra a invasão dos turcos muçulmanos, que ameaçava chegar ao coração da Europa, depois de ter dominado a Hungria. Só que não empunhava uma espada, mas sim uma cruz de madeira. Nesta ocasião já vestia o hábito franciscano, respondia pelo nome de Lourenço e era o capelão da tropa, além de conselheiro do chefe do exército romano, Filipe Emanuel de Lorena.

Vejamos como tudo aconteceu. Aos seis anos de idade, o então menino Júlio César encantava a todos com o extraordinário dom de memorizar as páginas de livros, em poucos minutos, para depois declamá-las em público. E cresceu assim, brilhante nos estudos. Quando ficou órfão aos catorze anos de idade, foi acolhido por um tio, que residia em Veneza. Nesta megalópole, pôde desenvolver muito mais os seus talentos, para os estudos.

Mas a religião o atraia de forma irresistível. Dois anos após chegar a Veneza ele atendeu ao chamado e ingressou na Ordem dos frades menores de São Francisco de Assis. Em seguida se juntou aos capuchinhos de Verona, onde recebeu a ordenação e assumiu o novo nome, em 1582. Depois completou sua formação na universidade de Pádua. Voltou para Veneza em 1586, como professor dos noviços da Ordem, sempre evidenciando os mesmos dotes da infância.

Tornou-se especialista em línguas e sua erudição o levou à ocupar altos postos de sua Ordem e também à serviço do Sumo Pontífice. Foi provincial em Toscana, Veneza, Gênova, Suíça e comissário no Tirol e na Baviera, pregando firmemente a ortodoxia católica contra a reforma protestante. Além de animar as autoridades e o povo na luta contra a dominação dos turcos muçulmanos. Lourenço foi, inclusive, o Superior Geral da sua própria Ordem e embaixador do Papa Paulo V, com a missão de intermediar príncipes e reis em conflito.

Lourenço de Brindisi morreu no dia do seu aniversário em 1619, durante sua segunda viagem à Península Ibérica, na cidade de Lisboa, em Portugal. Foi canonizado em 1881 e recebeu o título de “Doutor da Igreja” em 1959, outorgado pelo Papa João XXIII. A sua festa é celebrada, um dia antes do aniversário de sua morte, acontece no dia 21 de julho.

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20/07 – Santa Margarida e Santo Aurélio

by on jul.20, 2016, under Santos do dia

santa-margaridaSanta Margarida

Margarida nasceu no ano 275 na Antioquia de Pisidia, uma florescente cidade da Ásia Menor. Órfã de mãe desde pequena e filha de um sacerdote pagão e idólatra, Margarida tinha tudo para jamais se aproximar de Deus, se “algo” não acontecesse. E algo divino aconteceu: o pai acabou confiando sua educação a uma ama extremamente católica e a vida de Margarida enveredou por outro caminho. Caminho que a levaria à santidade.

Cresceu inteligente e muito dedicada às coisas do espírito. Mas o pai começou a perceber que ela não ia aos cultos ou mesmo ao templo, para participar dos sacrifícios aos deuses. Sem suspeitar que, à noite, ela participava de cultos cristãos. Como não podia sequer imaginar tal fato, alguém tratou de abrir seus olhos.

Foi aí que começou o suplício de Margarida. Ele exigiu que ela abandonasse o cristianismo. Como ela se recusou, primeiro lhe impôs um severo castigo, mandando a jovem para o campo trabalhar ao lado dos escravos. Depois, como nem a força fazia a filha mudar de idéia, entregou-a ao prefeito local para que fosse julgada pelo “crime de ser cristã”.

O martírio da jovem Margarida foi tão terrível e de resultados tão fantásticos, que se tornou uma das paginas da tradição cristã mais transmitida através dos séculos. Justamente por ter sido tão cruel, o povo se apegou de tal forma ao sofrimento da jovem que à sua narrativa se acrescentaram fatos lendários. O certo foi que primeiro ela foi levada à presença do juiz e prefeito e diante dele se negou a abandonar a fé cristã. Foram horas de pressão e tortura psicológica que, por fim, viraram tortura física. Margarida foi açoitada, depois teve o corpo colocado sobre uma trave e rasgado com ganchos de ferro. Dizem que a população e até mesmo os carrascos protestaram contra a pena decretada.

No dia seguinte, ela apareceu sem o menor sinal de sofrimento à frente do governante. Este, irado com o estranho fato, determinou que ela fosse assada viva sobre chapas quentes. Novamente a comoção tomou conta de todos, pois nem assim a jovem morria ou demonstrava sofrer. Diz a tradição, que Margarida teria sido visitada no cárcere pelo Satanás, em forma de um dragão que a engoliu. Mas, Margarida conseguiu sair do seu ventre, firmando contra ele o crucifixo que trazia nas mãos. Ela foi então jogada nas águas de um rio gelado. Quando saiu de lá viva, com as correntes arrebentadas e sem sinal das torturas aplicadas, muita gente ajoelhou-se, converteu-se e até se ofereceu para morrer no lugar dela. Mas o prefeito enfurecido mandou que a decapitassem.

Ela morreu no dia 20 de julho de 290, com a idade de quinze anos. O seu corpo foi recolhido e levado para um lugar seguro, onde foi enterrado pelos cristãos convertidos, passando a ser venerada em todo o Oriente. No século X foi trasladado para a Itália e desde então seu culto se difundiu também em todo o Ocidente. De tal modo, que Santa Margarida foi incluída entre os “Catorze Santos Auxiliadores”, aos quais o povo cristão recorre pela intercessão nos momentos mais difícieis. Santa Margarida e solicitada para proteger as grávidas dos partos difíceis.

santo-aurelioSanto Aurélio

Onde e quando nasceu Aurélio, não se tem registro. As informações sobre ele aparecem a partir de 388, quando vivia em Cartago, era apenas um diácono e amigo do futuro santo e doutor da Igreja, Agostinho. Em 391, este último era o bispo da Hipona, atual Annaba, na Argélia, enquanto Aurélio tornava-se o bispo de Cartago.

Ele foi considerado um dos principais líderes da Igreja na chamada “província da África”, que ocupava a faixa norte do continente, exceto o Egito. Encontrou essa Igreja em ruínas, pois enfrentara um cisma no início do século. A crise explodira no fim da perseguição romana aos cristãos, quando o bispo da Numídia, Donato, se declarara uma força política e religiosa. Dizia que viera para purificar a Igreja, separando-a do mundo profano e do Império Romano. Os que ficaram ao seu lado foram chamados donatistas, hereges que se opunham aos católicos.

Instaurava-se uma crise e um cisma que só viria terminar com a morte de Donato, na deportação em 355. Os seus seguidores dividiram-se internamente. Nessa situação, Aurélio e seu amigo encontraram uma Igreja devastada, fiéis com uma apatia generalizada, pobre de fé assim como de obras. A doutrina fora esquecida, os templos serviam também para festas e banquetes, com muitos monges recusando-se a trabalhar.

Aurélio engajou-se, então, na reforma da Igreja e na revitalização dos costumes morais, dos ritos e da doutrina católica. Diante do estado de ânimo daquela gente, Aurélio mostrou-se um pai caridoso, preocupado e sábio. E foi durante o Concílio de Hipona que Aurélio mostrou-se ainda mais cordial e acolhedor para com os antigos bispos donatistas. A todos esses, desejosos de retornarem ao seio da Igreja, junto com seus fiéis, Aurélio devolveu o sacerdócio, inclusive aos fiéis batizados durante o cisma. Dessa forma, Aurélio conseguiu resolver uma das mais grandes crises disciplinares que a Igreja enfrentou.

Bispo Aurélio morreu no ano de 430, na sua sede episcopal de Cartago, no mesmo ano em que também morria seu amigo Agostinho. Contudo, para a Igreja da chamada “província da África”, apenas começava mais um novo, obscuro e sangrento período, marcado pela invasão dos bárbaros vândalos.

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19/07 – Santo Arsênio, Santo Serafim de Sarov e São Símaco

by on jul.19, 2016, under Santos do dia

santo-arsenioSanto Arsênio

Arsênio, que pertencia a uma nobre e tradicional família de senadores, nasceu no ano 354, em Roma. Segundo os registros, ele foi ordenado sacerdote, pessoalmente, pelo papa Dâmaso. Em 383, o próprio imperador Teodósio convidou-o para cuidar da educação e formação de seus filhos Arcádio e Honório, em Constantinopla. Arsênio permaneceu na Corte por onze anos, até 394. Enfim, conseguiu a exoneração do cargo e retirou-se para o deserto no Egito.

O mundo católico passava por muitas transformações. Nos séculos anteriores, o martírio, a morte pela fé na palavra de Cristo, era o melhor exemplo para a salvação da alma. A partir do século IV, a “morte em vida” passou a ser o sacrifício mais perfeito para a purificação, com o aparecimento dos eremitas no Oriente. Eram cristãos e isolavam-se no deserto, em oração e penitência, numa vida solitária e contemplativa, como forma de servir a Deus.

No início, sozinhos, depois se organizavam em pequenas comunidades. Havia apenas uma regra ascética, para fixar o período de jejum e oração, mas que mantinha uma rígida separação, inclusive de convivência entre eles mesmos.
Arsênio tornou-se um deles. O seu refúgio, no deserto egípcio da Alexandria, era dos mais procurados pelos cristãos, que buscavam, na sabedoria e santidade de alguns ermitãos, conselhos e paz para as aflições da alma, mesmo que para tanto tivessem de fazer longas e cansativas peregrinações.

A antiga tradição diz que ele não gostava muito de interromper seu exílio voluntário para atender aos que o procuravam. Mas, para não usufruir o egoísmo da solidão total, decidiu juntar-se aos eremitas de Scete, também no deserto da Alexandria, os quais já viviam parcialmente em comunidade, para não se isolarem totalmente dos demais seres humanos.

Mas a paz e a tranqüilidade daqueles religiosos findaram com a invasão de uma tribo das redondezas. Arsênio, então, abandonou o local. Entre 434 e 450, viveu isolado, só nos últimos anos aceitando a companhia de uns poucos discípulos. Ele acabou recebendo de Deus o dom das lágrimas. Em oração ou penitência, quando se emocionava com o Evangelho, caia em prantos. Morreu em Troc, perto de Mênfis, em 450.

A importância de Santo Arsênio na história da Igreja prende-se à importância da época em que nasceu e viveu. Foi um dos mais conhecidos eremitas do Egito, sendo considerado um dos “Padres do deserto”. O seu legado chegou-nos por meio de uma crônica biográfica e de suas sábias máximas, escritas por Daniel de Pharan, um dos seus discípulos. Além de um retrato estampando sua bela figura de homem alto e astuto, feito pelo mesmo discípulo.

santo-serafim-de-sarovSanto Serafim de Sarov

Prothor Moshnim, nasceu em 1759, na cidade de Kursk, na Rússia, onde seus pais eram comerciantes. Aos dez anos ficou muito doente. Nossa Senhora lhe apareceu em sonho prometendo que seria curado por ela. De fato, alguns dias depois ele se recuperou, após tocar no quadro de Nossa Senhora durante uma procissão.

Desde menino, gostava de ler o Evangelho, ir à igreja e se isolar para rezar. Confirmou esta vocação na idade de dezoito anos, quando ingressou no mosteiro de Sarov. Alí fez seus votos de abstinência, vigília e castidade. Costumava se isolar numa choupana de uma floresta próxima, dedicado às orações e penitências. Mas, durante três anos teve de ficar numa cama, após adoecer gravemente. Novamente, a Virgem Maria lhe apareceu, desta vez acompanhada por alguns Santos, e o curou, após toca-lo.

Aos vinte e sete anos, ele recebeu o hábito de monge e tomou o nome de Serafim, que em hebraico significa: ardente. Ele tinha o dom de ver os anjos, Santos, Nossa Senhora e Jesus Cristo também. Numa liturgia ele viu o próprio Jesus, entrando na igreja junto com os anjos e Santos e abençoando o povo que estava na igreja. Serafim ficou tão atônito, que durante muito tempo perdeu a voz.

Sete anos depois, ele se isolou no interior da floresta onde alcançou uma grande perfeição espiritual. Mas, foi atacado por ladrões e seriamente ferido. Mesmo tendo uma constituição física muito forte, e na mão um machado, ele não ofereceu nenhuma resistência. E como não tinha dinheiro foi espancado e quase morreu. Em seguida os ladrões foram detidos e no julgamento o monge intercedeu por eles. Desde então, Serafim ficou curvado para o resto da vida.

Depois deste episódio, iniciou um período de penitência. Ficou durante mil dias e mil noites isolado na floresta. De dia ficava ajoelhado numa pedra com as mãos erguidas para o céu e à noite desaparecia dentro da floresta. Após outra aparição de Nossa Senhora, quase no final de sua vida, Serafim adquiriu o dom da transfiguração do Espírito Santo e se tornou um guia espiritual, dentro do mosteiro. Milhares e milhares de pessoas, de todas as classes sociais, foram enriquecias com os seus ensinamentos. Para todos, se apresentava radiante, humilde e caridoso. Dizia que : “Alegria não é pecado. Ela afugenta o cansaço, que pode se transformar em desânimo; e não há nada na vida pior que o desânimo”.

Serafim morreu deixando claro o ensinamento que seguiu a vida toda: “É preciso, que o Espírito Santo entre no coração. Tudo aquilo que nós fazemos de bom por causa de Cristo, nos dá a presença do Espírito Santo, mas a oração, que está sempre ao nosso alcance, nos dá muito mais”. A igreja do mosteiro de Sarov na cidade de Krusk abriga os seus restos mortais.

sao-simacoSão Símaco

Neste dia celebramos um santo Papa que enfrentou um período da história em que a Igreja sofria com pressões internas e externas, embora as portas do inferno não prevalecessem. Símaco nasceu na ilha da Sardenha no século V e depois de pertencer ao clero romano foi eleito em 498 para sucessor da Cátedra de Pedro, e assim governou a Igreja por 16 anos até entrar no Céu em 514.

No tempo de Símaco muitas famílias tradicionais de Roma, como o Senado buscavam de todas as formas influenciar na ação da Igreja, trazendo assim muitos prejuízos; isto perdurou por um tempo até levantar-se Símaco. O Santo Papa combateu e venceu estes “invasores”, recuperando assim a total liberdade da Igreja, na sua organização e disciplina.

Com a queda do Império Romano e invasão dos Vãndalos, godos, visigodos e lomgobardos, que começavam a dominar o Ocidente, São Símaco, na ousadia, entrou nas intrigas sociais e políticas, para assim tomar partido da paz e harmonia e não de algum dos lados. Na função eficiente de pai comum suscitou a inveja do imperador do Oriente que começou a perseguir os cristãos; em resposta e esta atitude corrigiu Símaco: ” Lança um olhar, ó Imperador, a tantos príncipes que perseguiram a Igreja e vê como todos eles tiveram triste fim, ao passo que a Igreja perseguida continua com tanto mais glória, quanto mais violenta lhe foi a perseguição”.

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18/07 – Santo Arnolfo de Metz

by on jul.18, 2016, under Santos do dia

santo-arnolfo-de-metzSanto Arnolfo de Metz

Arnolfo nasceu em Metz, na antiga Gália, agora França, no ano 582. A sua família era muito importante, cristã e fazia parte da nobreza. Ele estudou e casou-se com uma aristocrata, com a qual teve dois filhos. A região da Gália era dominada pelos francos e era dividida em diversos reinos que guerreavam entre si. Isso provocava grandes massacres familiares e corrupção.

Um destes reinos era o da Austrasia, do rei Teodeberto II, para o qual Arnolfo passou a trabalhar. Mas quando este rei morreu, todos os seus descendentes e familiares foram assassinados à mando do rei dos francos Clotário II, que incorporou a região aos seus domínios.

Era neste clima que vivia Arnolfo, um homem de fé inabalável, correto e justo. O rei Clotário II, agora soberano de um extenso território, conhecendo a fama da conduta cristã de Arnolfo o tornou seu conselheiro. Confiou-lhe também a educação de seu filho Dagoberto, que se formou dentro dos costumes da piedade e do amor cristão. Tal preparo fez de Dagoberto um dos reis católicos mais justos da História, não tendo cometido nenhuma atrocidade durante o seu governo.

Alem disto, o rei Clotário II nomeou Arnolfo, bispo de Metz, que acumulou todas as atribuições da corte. Uma bela passagem ilustra bem o caráter deste homem, que mesmo leigo se tornou um dos grandes bispos do seu tempo. Temendo não ser digno do cargo, por causa dos seus pecados, atirou seu anel no rio Mosella, dizendo: “Senhor, se me perdoas, faze-o retornar”. O anel retornou dentro do ventre de um peixe. Esta tradição cristã, ilustra bem a realidade de sua época, onde era difícil não pecar, especialmente para quem estava no poder.

Naquele tempo, as questões dos leigos e do celibato não tinham uma disciplina rigorosa e uniforme dentro da Igreja, que ainda seguia evangelizando a Europa. Arnolfo não foi o primeiro pai de família a ocupar este posto, nesta condição. Como chefe desta diocese, Arnolfo participou dos concílios nacionais de Clichy e de Reims. Mais tarde, o seu filho Clodolfo, se tornou bispo e assumiu a diocese de Metz, enquanto o outro, chamado Ansegiso, se tornou um dos primeiro “mestres de palácio”, da chamada era carolíngia.

Depois de algum tempo Arnolfo abandonou, o bispado e o cargo na corte, para ingressar no mosteiro fundado pelo seu amigo Romarico, outro que havia abandonado a corte e o rei. Desta maneira serena, Arnolfo viveu o resto de seus dias, dedicando-se às orações, penitência e caridade.

Arnolfo morreu no dia 18 de julho de 641, naquele mosteiro. Assim que a notícia chegou em Metz, os habitantes reclamaram o seu corpo, depositando-o na basílica que adotou, para sempre, o seu nome.

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17/07 – Bartolomeu de Las Casas, Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros, Santa Generosa e seus companheiros mártires, Santa Maria Madalena Postel e Santo Aleixo

by on jul.17, 2016, under Santos do dia

bartolomeu-de-las-casasBartolomeu de Las Casas

Bartolomeu de Las Casas nasceu em Sevilha, na Espanha, no ano de 1474. Seu pai era um mercador da esquadra de Colombo, na segunda viagem ao novo continente. Estudou na Universidade de Salamanca, onde se graduou em Direito. Foi para a América como Conselheiro Legal do Governador, chegando em 15 de abril de 1502, na ilha Espanhola.

Como a maioria, Bartolomeu estava motivado pelo espírito aventureiro e explorador de riquezas, logo se adaptando ao estilo de vida influente dos colonizadores. No início, aceitou o ponto de vista convencional quanto à exploração da população indígena. Ele também participou dos ataques contra as tribos, e os escravizava em suas plantações.

Depois viajou para Roma, onde terminou os estudos e se ordenou sacerdote em 1507. A rainha Isabel, chamada “a católica”, da Espanha, considerava a evangelização dos índios a justificativa mais importante para a expansão colonial. Insistia para que os sacerdotes e frades estivessem entre os primeiros a se fixarem na América. Em 1510, Bartolomeu de Las Casas retornou à ilha Espanhola, agora como missionário, para combater o tratamento cruel e desumano dado aos índios pelos colonizadores.

Para defender os índios no novo continente, Bartolomeu viajou várias vezes à Espanha, apelando aos oficiais do governo e a todos que quisessem ouvir. Desde que ingressou na vida religiosa dominicana, ele se dedicou à causa indígena em defesa da vida, da liberdade e dignidade. Lutou também para que tivessem direitos políticos, de povos livres e capazes de realizar uma nova sociedade, mais próxima do Evangelho.

A prioridade para Bartolomeu era a evangelização. Com este propósito viajou pela América Central fazendo um trabalho pioneiro, registrando tudo em seus diários. Foi perseguido pelos colonizadores espanhóis de São Domingos, Peru, Nicarágua, Guatemala e do México. Neste último país, foi nomeado Bispo aos setenta anos de idade, em 1544. Mas, ficou apenas três anos em Chiapas, sempre perseguido pelos espanhóis.

Em 1547, partiu da América para não mais voltar. Regressou à Espanha, continuando ali a defesa dos índios, onde corrigiu e publicou seus escritos, todos se contrapondo à política colonial. Porém, suas idéias foram contestadas, na América e também na Espanha. Tanto que, em 1552, suas obras foram censuradas e proibidas para a leitura.

Morreu aos noventa e dois anos de idade no Convento Dominicano de Atocha, no dia 17 de julho de 1566, em Madri, Espanha. Muito querido do povo mexicano, seu nome hoje é lembrado como um dos maiores humanistas e missionários da História do Cristianismo.

bem-aventurado-inacio-de-azevedo-e-companheirosBem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros

Inácio de Azevedo nasceu em Portugal, no Porto, no ano de 1527, era filho de D.Emanuel e Dona Vielante, descendentes de famílias lusitanas ricas e nobres. Aos dezoito anos de idade, tornou-se administrador dos bens familiares.

Em 1548, após um retiro em Coimbra , decidiu-se pela vida religiosa, entrando na Companhia de Jesus, revelando-se excelente religioso, tendo sido nomeado reitor do Colégio Santo Antônio em Lisboa,antes mesmo de terminar o curso de teologia, tinha apenas 26 anos de idade. Após o termino do seu curso, foi mandado a Braga, para assessorar o bispo da cidade na reforma da Diocese. No ano de 1565, São Francisco Borja, confiou a Inácio a inspeção das missões das Índias e do Brasil, durando esta visita cerca de três anos. Em seu relatório, Inácio pedia reforços e São Francisco de Borja ordenou-lhe que recrutasse em Portugal e Espanha elementos para o Brasil. Após cinco meses de intensos preparativos religiosos, dia 5 de junho de 1570, Inácio e mais 39 companheiros, partiram no navio mercante São Tiago enquanto outros trinta companheiros seguiam em barcos de guerra.

Jacques Sourie, que partiu de La Rochelle para capturar os jesuítas, alcançou-os e após muita luta, foram dominados pelos calvinistas; Sourie declarou salvar a vida de todos os sobreviventes com exceção dos jesuítas; estes foram cruelmente degolados. O número de mártires chegou a quarenta, pois também foi degolado um postulante que havia sido recrutado durante a viagem.

O Bem-aventurado Inácio de Azevedo e seus quarenta companheiros de martírio eram nove espanhóis e os demais portugueses e o culto desses mártires foi confirmado pelo Papa IX em 1854.

santa-generosa-e-seus-companheiros-martiresSanta Generosa e seus companheiros mártires

No século II da era cristã, Scili era uma pequena província romana do norte da África, não muito distante da capital Cartago, onde residia Saturnino, o procônsul designado pelo imperador Cômodo.

Ele governou o Império Romano por doze anos. Era um tirano cruel e vaidoso. Para se divertir usava roupas de gladiador e matava seus opositores desarmados no Anfiteatro Flávio, atualmente conhecido como Coliseu. Durante o seu reinado determinou que os cristãos voltassem a ser sacrificados.

A Cartago romana deveu seu resplendor principalmente ao Cristianismo, bem depressa aceito por seus habitantes. Consta que foi o apóstolo São Marcos que a evangelizou. Logo foi elevada à condição de diocese e se tornou a pátria de grandes Santos como Cipriano, Agostinho e muitos outros. Mas, também foi o local, onde inúmeros cristãos morreram martirizados, após serem julgados e condenados pelo procônsul Saturnino que obedecia as ordens de Roma.

Nessa ocasião, na pequena vila de Scili, doze fiéis professavam tranqüilos o cristianismo. Eram todos muito humildes e foram denunciados pelo “crime” de serem cristãos. Então, foram simplesmente presos e levados pelos oficiais do procônsul à Cartago, para serem julgados.

Naquela cidade, no dia 17 de julho, na sala de audiências, Saturnino começou dizendo aos acusados que a religião dele mandava que os súditos jurassem pela “divindade” do Imperador e que se eles fizessem este juramento, o soberano os “perdoariam”. E assim, foram todos interrogados, entre os quais Generosa. Eles confessaram a fé em Cristo e disseram que nenhum tipo de morte faria com que desistissem dela.

Outra vez, Saturnino ordenou que renegassem a fé cristã, para adorar o Imperador. Então Esperato, em nome de seus companheiros, respondeu que não reconheciam a divindade do Imperador e que serviriam unicamente a Deus, que era o Rei dos reis e o Senhor de todos os povos. Não temiam a ninguém, a não ser ao Senhor Deus, que está nos céus. E que desejavam continuar fiéis à Ele e perseverar na fé: sim, eram cristãos.

Diante de tão clara e direta confissão, o procônsul sentenciou: “Ordeno sejam lançados no cárcere, pregados em cepos e decapitados: Generosa, Vestina, Donata, Januária, Segunda, Esperato, Narzal, Citino, Vetúrio, Félix, Acelino e Letâncio que se declaram cristãos e se recusam tributar honra e reverencia ao Imperador”.

Assim está descrito, o martírio de Santa Generosa e seus companheiros, no catálogo oficial dos Santos, também chamado Martirológio Romano. A veneração litúrgica de Santa Generosa é celebrada no dia de seu trânsito para a vida eterna.

santa-maria-madalena-postelSanta Maria Madalena Postel
No dia 28 de novembro de 1758 nasceu a filha primogênita do casal Postel, camponeses de uma rica fazenda em Barfleur, na Normandia, França. A criança foi batizada com o nome de Júlia Francisca Catarina, tendo como padrinho um rico proprietário.

Júlia Postel teve os estudos patrocinados pelo padrinho que, como seus pais, queria que seguisse a vida religiosa. Ela foi aluna interna do colégio da Abadia Real das Irmãs Beneditinas, em Volognes, onde se formou professora. No início, não pensou na vida religiosa, sua preocupação era com a grande quantidade de jovens que, devido a pobreza, estavam condenadas à ignorância e à inferioridade social.

De volta à sua aldeia natal, Júlia Postel, com determinação e dificuldade criou uma escola onde lecionava e catequizava crianças, jovens e adultos abandonados à ignorância, inclusive do próprio Clero da época, que desconhecia a palavra “Pastoral”. Era solicitada sempre pelos mais infelizes: pobres, órfãos, enfermos, idosos, viúvas, que a viam como uma mãe zelosa, protetora que não os abandonava, sempre cheia de fé em Cristo. Aos ricos pedia ajuda financeira e quando não tinha o suficiente ia pedir esmolas, pois a escola e as obras não podiam parar.

A Revolução Francesa chegou arrasadora, em 1789, declarando guerra e ódio ao trono e à Igreja, dispersando o Clero e reduzindo tudo a ruínas. Júlia Postel fechou a escola, mas, a pedido do bispo escondeu em sua casa os livros sagrados e o Santíssimo Sacramento e foi autorizada a ministrar a comunhão nos casos urgentes. Organizou missas clandestinas e instruiu grupos de catequistas para depois da Revolução. Sua vocação religiosa estava clara.

A paz com a Igreja foi restabelecida em 1802. Juntamente com duas colegas e a ajuda do padre Cabart, Júlia Postel fundou a Congregação das Filhas da Misericórdia, em Cherbourg. Ao proferir seus votos escolheu o nome de Maria Madalena. A princípio, a formação das religiosas ficou voltada para o ensino escolar e foi baseada nos mesmos princípios dos Irmãos das Escolas Cristãs, já que na época era grande essa necessidade. Estas religiosas aos poucos foram se espalhando por todo território francês. Depois, a pedido de Roma, a formação foi mudada, passando a servir como enfermeiras.

Em 1832, Madre Maria Madalena junto com suas Irmãs se estabeleceram nas ruínas da antiga Abadia Beneditina de Saint-Sauveur-le-Vicomte. Foi reconstruída com dificuldade e se tornou a Casa-mãe de congregação. Madre Maria Madalena Postel morreu com noventa anos de idade, em 16 de julho de 1846. A fama de sua santidade logo se espalhou pelo mundo cristão.

Foi beatificada em 1908, e depois canonizada pelo Papa Pio XI em 1925, está sepultada em Saint-Sauveur-le-Vicomte, França. A sua festa acontece no dia 17 de julho e a sua obra hoje se chama Congregação das Irmãs de Santa Maria Madalena Postel.

santo-aleixoSanto Aleixo

Aleixo, filho único do senador Eufemiano, era italiano, nasceu em Roma, no ano de 350. Herdeiro de uma considerável fortuna, cresceu dentro da religião cristã. Desde a infância era famoso por sua natural caridade, possuindo todas as graças e virtudes. Os pais, como era costume na época, cuidaram do seu enlace com uma jovem de excelente família cristã e ele acabou se casando.

Porém, na noite de núpcias sem consumar a união, e após conversar com a esposa, abandonou tudo para se aproximar de Deus. Como peregrino, vagou de cidade em cidade até chegar em Edessa, na Síria, onde ficou por algum tempo. Vivia como um piedoso mendigo ao lado da Basílica do Apóstolo Tomé, repartindo com os pobres as esmolas que recebia. Diversos prodígios aconteciam com a sua presença, passou a ser chamado de “o homem de Deus” e venerado por sua santidade. Mas, teve de abandonar a cidade, porque desejava continuar no anonimato.

Retornou para a vida de peregrino. Sofreu tanto que ficou transfigurado. Quando chegou em Roma foi para a casa do pai e disse: “Tende compaixão deste pobre de Jesus Cristo e permita-me ficar em algum canto do palácio”. Não tendo reconhecido o próprio filho, ele o acolheu e mandou que o levasse para cuidar da cocheira dos animais. Viveu assim durante dezessete anos, na cocheira do seu próprio palácio, sendo maltratado pelos seus próprios criados e sem ser identificado pelos pais.

Morreu em 17 de julho e foi colocado num cemitério comum para criados. Porém, antes de morrer, entregou um pergaminho ao criado que o socorreu, na qual revelava sua identidade. Os pais quando souberam, levaram o caso ao conhecimento do Bispo, que autorizou sua exumação. Aleixo foi levado então para um túmulo construído na propriedade do senador. A fama de sua história e de “homem de Deus” se espalhou entre os cristãos romanos e orientais, difundindo rapidamente o seu culto.

Segundo uma antiga tradição romana, a casa do senador ficava no Monte Aventino. Em 1217, durante a construção da igreja dedicada à Santo Bonifácio, neste local as relíquias de Santo Aleixo foram encontradas. Por este motivo, o Papa Honório III decidiu que ela seria dedicada à Santo Aleixo. Outro grande devoto deste Santo, foi o Bispo Sérgio de Damasco, que viveu em Roma no final do século X. Ele acabou fundando o Mosteiro de Santo Aleixo, destinado aos monges gregos.

No século XV, os Irmãos de Santo Aleixo o elegeram como patrono. Em 1817, a Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria o nomeou seu segundo patrono, como exemplo de paciência, humildade e de caridade a ser seguido. A Igreja manteve o dia de sua festa no dia 17 de julho, como sempre foi celebrada pela antiga tradição cristã.

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15/07 – S. Boaventura

by on jul.15, 2016, under Santos do dia

s-boaventuraS. Boaventura

São Boaventura nasceu em Bagnorea, atualmente Bagnoregio, no ano de 1218. Tinha preferência pela Ordem fundada por São Francisco ingressou na Ordem, os filhos de São Francisco, à semelhança dos dominicanos, já estabelecido em Paris, Osford, Cambridge, Estrasburgo e outras universidades européias.

Um dia, Frei Egídio em sua simplicidade indagou ao Frei Boaventura como poderia salvar-se, se desconhecia a ciência teológica, que respondeu-lhe: “Se Deus dá ao homem somente a graça de poder amá-lo, isso basta… Uma simples velhinha poderá amar a Deus mais que um professor de teologia.”

São Boaventura foi discípulo de Alexandre de Hales, em Paris, permanecendo nessa cidade inicialmente como professor de teologia e posteriormente como ministro geral dos Frades Menores,tendo sido eleito para este cargo com apenas trinta e seis anos de idade. Recusou a consagração episcopal várias vezes por humildade, mais foi eleito cardeal recebendo a sede de Albano Laziale.

São Tomás de Aquino e São Boaventura foram convidados pelo Papa Gregório X a prepararem o segundo Concílio de Lião, mas São Tomás de Aquino faleceu alguns meses antes da abertura do concílio que aconteceu em 7 de maio de 1274. A caridade é o fundamento da doutrina teológica que Frei Boaventura ensinou com sua palavra e escritos. O livro “O intinerário da mente para Deus” esta entre seus livros mais conhecidos.

Sempre colocava em seus escritos: Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circuspeção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humanidade, o estudo sem a graça.”

São Boaventura morreu no dia 15 de Julho do ano de 1274.

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14/07 – S. Camilo de Léllis, Santa Catarina Tekakwitha, Santo Francisco Solano e Santo Vladimir de Kiev

by on jul.14, 2016, under Santos do dia

s-camilo-de-lellis1S. Camilo de Léllis

São Camilo de Léllis, nasceu em Bucchiánico de Chieti, seu pai era marquês, homem de armas e herdou do pai a coragem e a espada. Sempre ficava internado no hospital de São Thiago em Roma, buscando tratamento para um tumor, pagava a diária do hospital trabalhando de servente, pois o vício do jogo fê-lo perder todo o dinheiro que tinha. Colocou-se então a serviço dos capuchinhos e nesse período teve a graça da conversão e decidiu mudar de vida.

Ficou então como ajudante no hospital, servindo principalmente aos doentes mais repugnantes, ausentando-se apenas nos domingos de folga, que passava ao lado de São Felipe Néri, pelo qual foi influenciado na determinação da obra que estava para empreender.

No final do ano Santo de 1575, quando os poucos hospitais romanos mostravam-se insuficientes para atender todos os peregrinos necessitados de assistência que São Camilo de Léllis fundou a Congregação dos Ministros, ou seja, servidores dos enfermos que deveriam cuidar espiritualmente e corporalmente dos doentes. Passado dois anos, São Camilo foi ordenado sacerdote e continuou dirigindo por vinte anos seus religiosos. Sua dedicação aos doentes era tanta, que sempre repetia quando alguém queria tirá-lo do leito dos enfermos: “estou ocupado com nosso Senhor Jesus Cristo.”

São Camilo de Léllis morreu no dia 14 de Julho do ano 1614, foi canonizado em 1746. Em 1886 foi declarado patrono dos enfermos e dos hospitais.

santa-catarina-tekakwitha1Santa Catarina Tekakwitha

Kateri Tekakwitha, para nós Catarina, foi a primeira americana pele-vermelha a ter sua santidade reconhecida pela Igreja. Ela nasceu no ano de 1656, perto da cidade de Port Orange, no Canadá. Seu pai era o chefe indígena da nação Mohawks, um pagão. Enquanto sua mãe era uma índia cristã, catequizada pelos jesuítas, que fôra raptada e levada para outra tribo, onde teve de se unir à este chefe. Não pôde batizar a filha com nome da santa de sua devoção, mas era só por ele que a chamava: Catarina. O costume indígena determina que o chefe escolha o nome de todas as crianças de sua nação. Por isto, seu pai, escolheu Tekakwitha, que significa “aquela que coloca as coisas nos lugares”, mostrando que ambas, consideradas estrangeiras, haviam sido totalmente aceitas por seu povo.

Viveu com os pais até os quatro anos, quando ficou órfã. Nesta ocasião, sobreviveu a uma epidemia de varíola, porém ficou parcialmente cega, com o rosto desfigurado pelas marcas da doença e a saúde enfraquecida por toda a vida. O novo chefe, que era seu tio, a acolheu e ela passou a ajudar a tia no cuidado da casa. Nesta residência pagã, sofreu pressões e foi muito maltratada.

Catarina, que havia sido catequizada pela mãe, amava Jesus e obedecia a moral cristã e rezava regularmente. Era vista contando as histórias de Jesus para as crianças e os idosos, que ficavam ao seu lado enquanto tecia, trabalho que executava apesar da pouca visão. Em 1675 soube que jesuítas estavam na região. Desejando ser batizada, foi ao encontro deles. Recebeu o Sacramento um ano depois, e o nome de Catarina Tekakwitha. Devido a sua fé era hostilizada, porque rejeitava as propostas de casamentos. Por este motivo, seu tio cada vez mais a ameaçava, com uma união. Quando a situação ficou insustentável, ela fugiu.

Procurou a Missão dos jesuítas de São Francisco Xavier, em Sault, perto de Montreal, onde foi acolhida e recebeu a Primeira Comunhão, dando um exemplo de extraordinária piedade.

Sempre discreta, se recolhia por longos períodos na floresta, onde, junto à uma cruz que ela havia traçado na casca de uma árvore, ficava em oração. Sem, entretanto, se descuidar das funções religiosas, do serviço da comunidade e da família que a hospedava. Em 1679, fez voto perpétuo de castidade, expressando o desejo de fundar um convento só para moças indígenas, mas seu guia espiritual não permitiu, em razão da sua delicada saúde.

Aos vinte e quatro anos, ela morreu no dia 17 de abril de 1680. Momentos antes de morrer, o seu rosto desfigurado, se tornou bonito e sem marcas, presenciado pelos jesuítas e algumas pessoas que a assistiam. O milagre e a fama de suas virtudes se espalhou rapidamente e possibilitou a conversão de muitos irmãos de sua raça. Catarina que amou, viveu e conservou o seu cristianismo, só com a ajuda da Graça, por muitos anos, se tornou conhecida em todas as nações indígenas como “o lírio dos Mohawks”, que intercedia por seus pedidos de graças.

A sua existência curta e pura, como esta flor, conseguiu o que havia almejado: que as nações indígenas dos Estados Unidos e do Canadá conhecessem e vivessem a Paixão de Jesus Cristo.

O papa João Paulo II a nomeou padroeira da 17ª Jornada Mundial da Juventude realizada no Canadá em 2002, quando a beatificou. Ao lado de São Francisco de Assis, a Beata Caterina Takakwitha foi honrada pela Igreja com o título de “padroeira da ecologia e do meio ambiente”. Sua festa ocorre no dia 14 de julho.

santo-francisco-solano1Santo Francisco Solano

Francisco era descendente de nobres, nasceu no dia 10 de março de 1549, em Montilla, na Andaluzia. Os pais, Mateus Sanches Solano e Ana Gimenez, cristãos fervorosos, muito cedo o enviou para o colégio dos jesuítas, que formariam seu caráter. Aos vinte anos, por inspiração e dons ordenou-se franciscano. A sua conduta exemplar logo o levou à cargos importantes dentro da Ordem, os quais logo abandonava. O que mais ansiava era ser um missionário. Mesmo não tendo uma retórica eloqüente, arrebatava seus ouvintes pela convicção na fé que professava.

Contudo teve de adiar por uns tempos a execução de seus planos de viajar, porque precisou socorrer sua própria pátria. Uma devastadora peste atacou a Espanha e ele logo pediu para ser aceito como enfermeiro. Tratando dos doentes, principalmente dos mais pobres, acabou contraindo a doença. Mas isso não o abateu. Assim que se recuperou voltou à cuidar deles.

Enfim, Francisco foi escalado para uma missão evangelizadora no novo continente latino-americano, embarcando em 1589. No caminho, já começaram a despontar os dons que marcariam toda sua existência. Os relatos informam que uma violenta tempestade atingiu o seu navio, que encalhou num banco de areia. A situação era muito crítica e poderia ser fatal para todos. Porém, com sua presença e palavra de fé acalmou as pessoas. Em vez de pânico, o que se viu foi brotar a confiança em Deus. Com isto, acabou batizando muitos passageiros e também os escravos negros que viajavam com eles. Logo depois, o que Francisco dissera aconteceu. Um outro navio os avistou e a salvo chegaram ao destino: Lima, no Peru.

Foram quinze anos de apostolado incansável, marcados pela caridade cristã e pela pregação da Palavra de Cristo. Francisco protagonizou vários acontecimentos que marcariam não só sua história, como a da própria Igreja. Tinha uma capacidade milagrosa para aprender as novas línguas e a cada tribo catequizava em seu próprio dialeto, conquistando os índios de maneira simples e tranqüila. Além disso, curou muitos doentes, apenas com o toque de seu cordão de franciscano. Livrou totalmente uma vasta região da praga dos gafanhotos. E fez brotar água num lugar seco e deserto, onde muitos doentes se curaram apenas por bebê-la, hoje conhecida como: “fonte de São Francisco Solano”.

Enfim, percorreu os três mil quilômetros entre Lima e Tucumán, às margens do rio da Prata na Argentina, deixando um rastro de pagãos convertidos e feitos fantásticos. Mesmo viajando sem cessar, de missão em missão, como catequista, jamais abandonou a caridade e o cuidado com os doentes, características típicas de um frade.

Passou os últimos cinco anos de sua vida em Lima, reformando os conventos de sua Ordem e restaurando a disciplina franciscana que fora perdida. Aos sessenta e quatro anos, pela graça de seus dons, conheceu com antecedência a hora de sua morte. Preparou-se, assim, para sua chegada em 14 de julho de 1631.

Ele foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII. São Francisco Solano, também chamado de Apóstolo do Peru e Argentina, venerado como padroeiro dos missionários da América Latina, é festejado no dia de sua morte.

santo-vladimir-de-kiev1Santo Vladimir de Kiev

No final do século IX o povo russo começava a viver sob a influência do Cristianismo, depois da conversão da princesa e futura Santa Olga de Kiev. Em 945 o príncipe Igor, marido de Olga, foi assassinado e ela assumiu o trono como regente de Kiev, para o filho Esviatoslav de três anos.

Ela havia se tornado cristã, educando os filhos dentro da religião, mas não conseguiu que eles se convertessem. Assim quando o filho Esviatoslav assumiu o trono, o povo continuou vivendo no paganismo. Teve muitas esposas e concubinas, e muitos filhos legítimos e ilegítimos, todos pagãos. A religião cristã, em respeito a sua mãe, era apenas tolerada. Seu filho Vladimir era o neto de Olga. Ele nasceu no ano de 963, recebendo a educação pagã adequada para conduzir uma nação. Com a morte do pai em 972, o príncipe Vladimir hábil e audacioso começou a governar as terras que herdara, em 980. Guerreou contra o irmão que estava Kiev e o venceu, assumindo sozinho o trono do grão ducado russo.

Conquistou a Galícia, apaziguou uns e lutou contra outros povos estendendo os limites do seu domínio desde o mar Báltico até o Rio Bug. Tinha cinco esposas e muitas concubinas. Nas montanhas de Kiev ele ergueu templos pagãos nos quais oferecia os sacrifícios humanos aos ídolos, geralmente os líderes dos povos que derrotava. Nessa época no solo russo morreram alguns mártires por Cristo. Dentre eles estavam dois chefes variagis: Teodoro e João, parentes de sua avó Olga. As circunstâncias dessas mortes e a firmeza no testemunho da fé de ambos tocaram e impressionaram Vladimir, que começou a se interessar pelo cristianismo.

A mudança ocorreu de forma rápida, mas gradual. Primeiro ordenou aos sábios da corte que viajassem à diversos países para verificarem qual era a religião verdadeira. Em seguida chamou religiosos dos diversos países muçulmanos, judeus, budistas e cristãos. O próprio Vladimir questionou todos eles, ouvindo atento suas pregações. O que mais o impressionou foi o grego que pregou o Evangelho de Cristo. Os sábios voltaram tocados pela graça, com toda a manifestação de fé em Cristo que viram em Constantinopla, no templo de Sofia. Então eles disseram a Vladimir: “Se a religião de Cristo não fosse a verdadeira, então sua avó Olga, que era sábia não a teria aceitado”.

Vladimir começou a estudar o Evangelho e foi batizado em 989. Logo em seguida recebeu o sacramento do matrimonio com a princesa Ana, filha de Basílio de Constantinopla. Desde então chegavam cada vez mais sacerdotes missionários que percorriam seus domínios catequizando o povo e ministrando o batismo. O cristianismo se consolidou ainda mais, quando se casou com a piedosa neta do imperador da Germânia, após o falecimento da princesa Ana.

O príncipe Vladimir de Kiev passou para a História da Igreja como o grande cristianizador da Rússia. Depois de batizado destruiu todos os ídolos e templos pagãos, construindo nos lugares: igrejas e mosteiros, todos abastecidos com os objetos da liturgia. Tornou-se um pai caridoso e piedoso, sendo chamado “o santo”, pelos súditos ricos e pobres. Verdadeiro cristão respeitou e amou seu povo, sendo fiel a Jesus e a Igreja até a morte, em 15 de julho de 1015.

Essa data a Igreja manteve para celebrar Santo Vladimir de Kiev, elevado aos altares pelo povo, cujo culto foi confirmado depois por Roma.

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